Categoria: PL
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 5 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Estrategistas da pré-campanha de Flávio Bolsonaro consideram que, apesar dos pesares, ele não perdeu a preferência da maioria dos que escolheram Jair Bolsonaro na eleição de 2022, levando o então presidente ao segundo turno contra Lula. Por isso, todo o esforço agora é no sentido de manter esses eleitores fiéis ao clã. Não por acaso, os eventos do partido começam com exaltação ao ex-presidente, exibição de vídeos e áudios daquele que ainda é considerado o maior detentor devotos à direita. O difícil, avaliam alguns, será ultrapassar esse eleitorado, de forma a garantir uma vitória no segundo turno. Para que isso ocorra, será preciso se livrar das vinculações a Daniel Vorcaro e do “Tariflávio”, a cada dia mais forte na internet.
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Na defensiva/ Desde que vazaram os áudios em que Flávio Bolsonaro chama o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de “meu irmão”, o pré-candidato ao PL à Presidência da República não conseguiu colocar sua pré-campanha em voo de cruzeiro. Quando achou que havia respirado com a visita a Donald Trump, terminou atropelado pelo novo tarifaço anunciado pelo governo Trump. E, para completar, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ao tentar ajudar o irmão, complicou ainda mais ao citar o Zelle, o sistema de pagamentos privado que funciona somente no sistema bancário norte-americano, em alguns bancos filiados. Já o Pix brasileiro é público, universal e gerido pelo Banco Central do Brasil. Não demorou para que as redes taxassem os bolsonaros como “entreguistas” e “inimigos do Pix”. Os estrategistas agora terão que quebrar a cabeça para tentar jogar mais esse problema para escanteio.
Agora, faz sentido
Muita gente no BRB achava estranho quando Paulo Henrique Costa dividia as operações do banco com o Master em parcelas inferiores, mas não desconfiava que era de caso pensado para burlar os processos de controle. Depois que a história dos apartamentos veio à tona, a decepção por ali foi grande.
Sem clima
A avaliação geral é a de que dificilmente PHC terá um ambiente amistoso e cordial para, talvez, quem sabe, um dia, voltar a trabalhar na Caixa ou em qualquer outro estabelecimento ligado ao mercado financeiro. Melhor mudar de ramo, conforme aconselham alguns advogados.
Vai ter que mudar
Será necessário muito mais do que um projeto de lei para conceder alguma isenção capaz de ajudar os micro e pequenos empreendedores na implementação do fim da escala 6×1. É que a reforma tributária veda novas isenções fiscais. Dentro do Senado, há quem defenda que é preciso votar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para viabilizar essa saída ao empresariado.
Por falar em 6×1…
O governo ficou preocupado ao ver presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmar que encaminhará a PEC para a Comissão de Constituição e Justiça. E, como não quer esperar para votar a proposta que muda a escala de trabalho, vai propor ao comandante da Casa que junte o texto aprovado na Câmara à PEC do senador Paulo Paim (PT-RS), que está pronta para ser votada em plenário. Seria uma forma de encurtar o tempo de tramitação no Senado. Alcolumbre resiste a essa solução.
Cerco às piratas
Com a sanção do “Marco Legal de Combate ao Mercado Ilegal de Jogos e Apostas” nesta semana, a expectativa do governo e do setor é sufocar financeiramente as plataformas ilegais de apostas. Agora, as operadoras de cartões de crédito devem identificar todas as transações com as casas de apostas irregulares, ou seja, as que estão fora da listagem da secretaria de prêmios e apostas.
CURTIDAS

Melhor evitar/ Ao transmitir uma live onde andava no meio da multidão durante a 34ª Marcha para Jesus em São Paulo, apoiadores de Flávio pediram nos comentários que não fizesse isso e lembraram do atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Alguns até perguntaram sobre o colete à prova de balas que o senador usava por baixo da camiseta.
Homenageado I/ No último dia do XIV Fórum de Lisboa, 15 magistrados e políticos se juntaram em torno do ex-presidente Michel Temer, para marcar os 10 anos de sua ascensão ao Planalto (foto). Logo depois do almoço, o ex-presidente posou para fotos, ladeado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, seu ex-ministro da Justiça, indicado por Temer ao Supremo. E, ainda, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Luís Salomão, e o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, do STJ, além dos aliados Carlos Marun, ex-ministro-Chefe da Secretaria de Governo, e Henrique Pires, advogado e ex-presidente da Funasa.
Homenageado II/ No almoço, Temer recebeu uma placa com os dizeres “único jurista empossado com supremo magistrado da nação brasileira após a promulgação da Constituição Cidadã de 1988”. E, ainda, “pela passagem em 12/05/2026 dos 10 anos do início de seu governo”
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 2 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Senadores dos partidos de centro estão com dificuldades de votar propostas alternativas ao texto do fim da escala de trabalho 6 x 1 aprovado na Câmara. É que o “um dia a mais de descanso” ganhou corpo entre a população. Não por acaso, o presidente do MDB, Baleia Rossi, comentou no almoço do Lideres Empresariais (Lide), em São Paulo, que o partido apoia o projeto. As excelências têm dito que há muito tempo não havia uma cobrança tão grande sobre um tema. Se for a voto antes da eleição — é a tendência é de que seja apreciado —, será aprovado.
O que vale para Hugo…/ … pode valer para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UniãoAP). Até aqui, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem na aprovação do fim da escala 6 x 1 um legado “à Getúlio Vargas” para apresentar como o principal fruto de sua gestão — tal como Arthur Lira (PP-AL), que entregou a Reforma Tributária. O senador terá dificuldades de segurar o projeto, assim como tem feito com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública e o Redata (Regime especial de Tributação para Datacenters), que estimula a instalação desses serviços no país. E, com dois terços do Senado em jogo nessas eleições, amplia a pressão para que o texto vá a voto logo. É nisso que os governistas apostam.
O alerta de Appy
Ex-secretário da Reforma Tributária no Ministério da Fazenda e convidado especial para uma palestra magna na abertura do 10º Congresso Luso Brasileiro de Auditores Fiscais, em Belo Horizonte, Bernard Appy aproveitou o evento para manifestar preocupação com o fato de candidatos de direita falarem em acabar com a reforma. “É preocupante esse posicionamento. Acho isso muito ruim. Gera insegurança jurídica”, advertiu. Appy lembrou ainda que “quem se opõe (à Reforma Tributária) não quer que o país cresça”.
“Não posso sair daqui”
Depois de confirmar presença no Fórum de Lisboa, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ligou para alguns amigos e autoridades para justificar a ausência. Ele alegou que tem muito trabalho em Brasília e não poderia se ausentar. A avaliação de muitos é de que, em meio ao caso Master — e a penca de políticos envolvidos—, impossível sair do quadrilátero Brasília-São Paulo-Rio de Janeiro-Salvador.
Até aqui…
Enquanto as investigações e vazamentos sobre os recursos utilizados no filme biográfico de Jair Bolsonaro, Dark Horse, não provarem que Eduardo Bolsonaro se beneficiava deles, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto segue viável. Se o escândalo chegar ao filho 03 de Jair Bolsonaro, Flávio, o 01, será obrigado a parar nos boxes.
… contenção de danos
No cenário atual, a ordem é defender Flávio e evitar que cada fato novo prejudique a reputação do filme — visto como uma ferramenta para impulsionar o pré-candidato na corrida presidencial.
CURTIDAS

Atenção, contribuintes!/ Fiquem calmos. Um dos principais recados do secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas (foto), no 10º Congresso Luso-Brasileiro de Auditores Fiscais, em Belo Horizonte, foi de que o fisco não sairá multando as empresas nessa fase de teste dos primeiros acordes da Reforma Tributária. As receitas (federal, estaduais e municipais) estão no “modo diálogo e orientação” aos contribuintes.
Articulação em Minas/ Por falar em Belo Horizonte, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, participa hoje do encontro regional do partido. Ele chegou ontem à capital mineira para jantar com empresários na casa do presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flavio Roscoe — cotado para concorrer ao governo estadual pelo PL.
Muito além dos combustíveis/ O jantar promovido pelo think tank Esfera em Lisboa, serviu para apresentação de um estudo sobre o avanço do crime organizado no varejo. O advogado Pierpaolo Bottini e a CEO do Esfera, Camila Camargo, mostraram que há facções controlando dezenas de lojas em vários estados.
Primeiro João Fonseca/ Antes de seguir para o XIV Forum de Lisboa, o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, foi à Franca, mais precisamente acompanhar de perto o torneio de Roland Garros, onde João Fonseca, o tenista brasileiro de 19 anos, dá um show, passando às semifinais. Trabuco fala hoje no Forum e segue direto para o aeroporto. Sem escala nos jantares que costumam reunir o meio jurídico, político e empresários.
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 31 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Quem acompanha de perto o caso de Daniel Vorcaro faz uma comparação direta com do empreiteiro Marcelo Odebrecht e sua empresa. Nos idos de 2015, até pedir desculpas ao Brasil, em 1° de dezembro de 2016, a Norberto Odebrecht — hoje Novonor — soltou uma série de notas de esclarecimento dizendo ser mentira qualquer envolvimento em irregularidades relacionadas aos pagamentos de propina revelados na Operação Lava-Jato. Tal qual a turma da Odebrecht, Vorcaro inicialmente negou tudo. Depois, apresentou uma delação rejeitada porque incluiu ali a perspectiva de retorno ao mercado financeiro e ao status de banqueiro. Agora, o que se diz é que ou o ex-banqueiro fala ou permanecerá preso. Foi assim com Marcelo Odebrecht e o departamento de propina que mantinha em sua empresa. O empresário virou a página daqueles tempos obscuros. O avô dele, Norberto Odebrecht, que dedicou a vida à construtora, morreu em 2014 e não chegou a ver o neto preso. O pai dele, hoje com 81 anos, mandou demitir o filho do comando da companhia e, à época, coordenou o processo de delação premiada, o maior da história do país.
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Banco, só o da praça/ Marcelo hoje vive em São Paulo, afastado das empresas de construção, cuidando dos processos que ainda restam. É esta a tendência que muitos veem para o futuro de Daniel Vorcaro depois da delação. Vida de banqueiro, captando dinheiro a rodo Brasil e mundo afora? Nunca mais.
Por falar em Lava-Jato…
Apesar das semelhanças entre um caso e outro, investigadores do Master estão tomando todo cuidado para não ocorrer neste episódio o que houve com o escândalo da Lava-Jato. Lá atrás, as conversas vazadas pelo portal The Intercept Brasil terminaram ajudando a defesa de muitos personagens a anular provas.
Porta-voz de Silveira
O deputado General Pazuello (PL-RJ) explicou à coluna que votou contra a convocação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, à Comissão de Minas e Energia na Câmara, porque “não adiantava” aprovar o pedido. De acordo com o deputado, Silveira estará de férias em 2 de junho e, por isso, outra pessoa seria designada para comparecer. Segundo o parlamentar, isso não resolveria o problema, uma vez que os deputados querem ouvir as justificativas do próprio ministro sobre o leilão das termelétricas. “Eu expliquei na comissão. Silveira me disse que irá, convidado ou convocado, no dia 10 de junho”, disse Pazuello.
Ficou ruim
A turma do PL não engoliu essa explicação. Afinal, conforme o leitor da coluna já sabe, o pedido de convocação partiu do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES), um dos líderes de Jair Bolsonaro na Casa. Quando um líder do partido pede, cabe aos aliados apoiarem os pedidos.
Depois da Copa do Mundo…
Sobe na bolsa de apostas a ida do presidente do PSD, Gilberto Kassab, para o posto de candidato a vice na chapa encabeçada por Ronaldo Caiado. Mas Kassab contou à coluna que nada será decidido agora. Qualquer anúncio será feito apenas em julho. Afinal, a temporada de convenções para oficialização de candidaturas só começa em 20 de julho. Até lá, tem muito jogo. E não apenas nos gramados dos Estados Unidos, do México e do Canadá.
CURTIDAS

Combustíveis adulterados/ Na posse como presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria (FPI), o deputado Júlio Lopes (PP-RJ, foto) destacou a alta probabilidade de que o consumidor pague por combustível falsificado nos postos de gasolina. “Quando abastecemos nosso carro com um litro de gasolina, temos 40% de chance de receber 700ml, 600ml de gasolina batizada. Ao invés de recebermos uma gasolina com 30% de etanol, recebemos com 50%, 60% de metanol”, afirmou.
Pobreza zero/ Nesta terça-feira, será assinada uma parceria institucional para fortalecer a construção de políticas públicas contra a pobreza. O acordo será firmado entre o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e a ONG Gerando Falcões. O ministro Wellington Dias e o presidente da instituição, Edu Lyra, estarão à frente do evento, que será no Polo da ONG em Poá (SP).
Preparem os estoques e os bolsos/ No XIII Forum de Lisboa, no ano passado, as autoridades e os advogados endinheirados que passaram pela tradicional loja de vinhos A Garrafeira levaram todas as caixas do tinto Pera Manca (entre R$ 2,7 mil R$ 5 mil a garrafa). Na semana que vem, com a maior edição já prevista do evento, a turma do direito aposta que não será diferente. Começa amanhã uma semana de muitos bastidores regados a bons e caros vinhos na capital portuguesa.
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 23 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Embora o mercado financeiro trate o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o “candidato que já foi”, e procure outras opções para concorrer contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a avaliação de muita gente ligada ao PL é de que o antipetismo ainda pode colocar o candidato bolsonarista raiz no segundo turno — e, de lá, no Palácio do Planalto. Essa aposta, porém, ainda precisa de muitos fatores para tornar-se viável. A primeira delas é não surgir mais nada que envolva o filho 01 de Jair Bolsonaro em qualquer coisa paga por Daniel Vorcaro. Porém, há desconfianças de que o senador ainda não disse tudo a respeito da relação exposta pelo portal The Intercept Brasil na semana passada.

Onde mora o perigo/ Nos bastidores de Brasília, especialmente no meio jurídico, o que se comenta é que há mais laços de cunho pessoal entre Flávio e ex-banqueiro. Enquanto esse disse- me-disse, mesmo sem comprovação, continuar, vai ser difícil o pré-candidato do PL convencer os tubarões da Faria Lima de que navegar com ele é a rota mais segura.
Tarcísio 2030
Entre os investidores da Faria Lima, tem muita gente se conformando com mais quatro anos de Lula. Essa turma faz planos de centralizar o foco na eleição de São Paulo — leia-se a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) —, deixando de lado a sucessão presidencial deste ano para lançá-lo ao Planalto daqui a quatro anos. Afinal, um governador de São Paulo, se reeleito, é considerado o candidato natural de qualquer partido.
Por falar em Lula…
Os governistas defendem que Lula aproveite esse período de pré-campanha para, desde já, começar a comparar as entregas de sua gestão com a de Jair Bolsonaro. Para os ministros do presidente, assim a população terá até outubro para assimilar e avaliar quem fez mais pelo Brasil.
Os “R” na área
A soma dos candidatos conservadores no último Datafolha indica que um percentual do eleitorado — os 4% de Ronaldo Caiado, os 3% de Romeu Zema e os 3% de Renan Santos — está, desde já, longe da polarização entre Lula e Flávio. É uma fatia expressiva. Se um desses três conseguir alcançar os dois dígitos, o cenário mudará quando a campanha começar de fato.
Se quer abafar um escândalo…
… crie um maior ou envolva outros personagens na trama. A entrada de Flávio e o financiamento do filme Dark Horse no caso Master jogou na penumbra o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Ninguém fala mais em tirá-lo do comando da legenda. Se continuar nessa toada, ele deixará a UTI política em breve.
CURTIDAS

Assunto do momento/ A última rodada da pesquisa do Datafolha se tornou o principal tema das rodas de conversas no Fórum Esfera, no Guarujá. Ninguém deixou de reparar a queda das intenções de Flávio Bolsonaro.
Copo meio cheio/ O PL minimiza a diferença de quatro pontos entre o senador e Lula na pesquisa. Para os bolsonaristas, a queda foi bem menor do que o governo acreditava. “Para quem esperava uma tragédia, ela não veio. Não vejo nenhum cenário em que ele (Flávio) não esteja concorrendo”, afirmou o senador Marcos Rogério (PL-RO, foto) no Fórum Esfera.
Copo meio vazio/ Já o Centrão acha que esse seria o momento para que Flávio e Jair Bolsonaro desistissem da candidatura familiar e abrissem espaço para outro nome. Porque do jeito que está, manter a candidatura é pavimentar a reeleição de Lula.
Tem limite/ A deputada Erika Kokay (PT-DF) ficou decepcionada com o fato de sua bancada não votar contra a urgência da minirreforma eleitoral desta semana. E gostou menos ainda de saber que parte do partido apoiou o repasse para municípios em período eleitoral. Para Erika, essa prática traz de volta o cabo eleitoral.
Marqueteiro do PL explica porque não fará a campanha de Flávio Bolsonaro

Eduarda Esposito* — O marqueteiro do Partido Liberal (PL), Duda Lima, foi direto ao dizer que não irá coordenar a campanha eleitoral do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). De acordo com Lima, a decisão foi tomada em família e que fazia um tempo desde essa escolha. “Faz um tempo que decidi que não faria mais campanha eleitoral nessa parte operacional. E essa decisão foi tomada em família, em casa. E eu não volto mais”, afirmou durante o 5º Fórum Esfera realizado nesta sexta-feira (22/5) no Guarujá (SP).
De acordo com Duda, isso não significa que estará totalmente fora da campanha do 01 de Jair Bolsonaro. Caso o PL e Flávio desejem, ele poderá oferecer seu serviço como mentor estratégico. “A decisão interna foi tomada há um tempo atrás, mas isso não significa que estarei fora de tudo. A mentoria nessa parte estratégica são coisas super importantes e tenho feito isso em alguns estados. Trabalho para o PL já faz um bom tempo, e se eu for chamado para dar alguma opinião estratégica, com certeza o farei. Mas depois de decisões tomadas, a estratégia não existe mais”, ressaltou durante a participação no painel ‘Como ler o Brasil dividido’.
Questionado se o PL o procurou para dar aconselhamento e ‘apagar o incêndio’ dos vazamentos de Flávio Bolsonaro, Duda negou na hora. “Não. Essas decisões estratégicas acontecem sempre antes. E depois que uma decisão está tomada, aí é só a operação para apagar ou para incendiar. Mas a estratégia vem antes. Essas decisões devem ser tomadas antes. E isso na campanha do Flávio eu não estou fazendo”, concluiu.
Efeito ‘Dark Horse’
Na mesma mesa, o CEO da Atlas/Intel, Andrei Roman, analisou a pesquisa realizada após o vazamento da relação entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. “Temos uma ferramenta chamada Atlas VRC que usamos para medir impacto sobre audiências de propagandas comerciais. E também aplicamos para entender o debate político, como quem ganhou o debate eleitoral numa corrida presidencial. Consideramos que, vista a repercussão desse áudio, era interessantes entender se existia alguns elementos que faziam as pessoas melhorarem ou piorarem a percepção que eles tinham sobre o Flávio”, explicou.
A Atlas então analisou o momento em que o senador falou sobre Deus, sobre a ajuda para realizar o filme e então sobre a amizade que tinha com Vorcaro. “Ele fala sobre a amizade, chama ele de irmão, irmãozinho”, pontuou. “Foi uma coleta complementar a pesquisa principal e, portanto, não houve nenhum tipo de contágio sobre o cenário, sobre os resultados que a gente mediou. Tanto é que, desde então, temos três outras pesquisas que mostram uma queda bastante relevante do Flávio Bolsonaro, maior do que é no nosso caso, como no primeiro turno de hoje no Datafolha. Resultados muito muito compatíveis”, ressaltou. O PL contestou os métodos da pesquisa realizada pela Atlas/Intel no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a divulgação do resultado do levantamento.
Roman enfatizou ainda que o orçamento do filme deixa ainda tudo mais sensível porque o ‘Dark Horse’, filme biográfico da facada de Jair Bolsonaro, tem um orçamento maior de 15 dos últimos 20 filmes vencedores na categoria de ‘Melhor Filme’ no Oscar. “Então tem muitas questões que eu entendo que serão problemáticas para a campanha do Flávio e não é necessariamente brigando com os resultados”, defendeu.
*A repórter viajou a convite do Esfera Brasil
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 15 de maio de 2026, por Rosana Hessel com Eduarda Esposito

O filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro fez estragos no mercado financeiro e pode ter afetado a campanha do filho mais velho do ex-capitão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na corrida presidencial deste ano. Não à toa, os operadores da Faria Lima, reduto bolsonarista, ainda estão absorvendo os solavancos do vazamento dos áudios das conversas entre o pré-candidato à Presidência e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 —, negociando patrocínio de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse (“Cavalo Negro” na tradução literal) sobre a vida do ex-presidente. Após disparar mais de 2% na véspera, o dólar voltou a ser negociado abaixo de R$5, ontem, com queda de 0,45%, cotado a R$ 4,98.
Analistas reconhecem que ainda é cedo para estimar os impactos na candidatura de Flávio e no câmbio. “Foi um susto, mas os fundamentos para o real continuar forte continuam”, afirmou André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital. “Os fundamentos falam mais alto. Afinal, Flávio pode ser o candidato da Faria Lima, mas não necessariamente de Wall Street”, acrescentou. Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, destacou que para a Faria Lima abandonar a candidatura de Flávio, precisaria ter uma queda muito forte nas próximas pesquisas. “O mercado sentiu o tranco em um primeiro momento. Muitos consideram que isso faz parte da campanha, que será bem pesada, dada a polarização do país. Novos capítulos são esperados para o restante do ano”, acrescentou Julio Hegedus, economista-chefe da JHN Consulting.
Clima de tranquilidade
Entre os governistas, nada como uma semana após a outra. O clima do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de tranquilidade — tanto que os líderes do governo no Congresso estavam nas bases na tarde de ontem. Após as derrotas recentes no Legislativo, Lula respira aliviado comas primeiras pesquisas mostrando que a rejeição de Jorge Messias no Senado para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) não impactou a popularidade do petista. Tanto que voltou a ficar à frente de Flávio no segundo turno, apesar do empate técnico, segundo a Pesquisa Genial/Quaest, feita antes do vazamento das conversas do senador com Vorcaro.
Tempo ao tempo
Enquanto o PL e bolsonaristas começam a sair em defesa de Flávio por ter recebido dinheiro de Vorcaro, aliados estão mais contidos e aguardam os desdobramentos do episódio. Não devem trair Flávio, mas também não irão defendê-lo tão rápido. O momento exige cautela.
Sem plano B
Um dos parlamentares mais aguerridos da base bolsonarista, o senador Márcio Bittar (PL-AC), foi dos primeiros a publicar áudio nas redes sociais em solidariedade a Flávio. Descartou qualquer plano B para outra candidatura do partido por conta dos vazamentos dos áudios. “A direita ainda tem muito o que aprender com a esquerda, porque, mesmo com todos os processos e a condenação em três instâncias de Lula no processo do triplex, ele nunca foi abandonado pelos seus apoiadores. E nós também não abandonaremos o Flávio por pedir um recurso privado para um filme sobre o pai dele que foi esfaqueado e está preso”, afirmou. Bittar foi incisivo ao comentar sobre a possibilidade de o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltar a ser cogitado para a corrida presidencial pelo PL. Afirmou que é mera “fofoca”. “Ninguém tira quem tem 40% das intenções de voto nas pesquisas”, acrescentou.
Explica isso aí, CPMI
O vazamento da conversa entre Flávio e Vorcaro veio da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Pelo menos é o que acredita a Polícia Federal (PF). A corporação acredita que o vazamento ocorreu via espelhamento dos computadores e ressalta que, antes da suspensão de acesso às quebras de sigilo pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, mais de 70 pessoas tiveram acesso à sala cofre do Senado.
Muito para um filme?
Fontes ligadas à PF estranharam os valores de pagamento de Vorcaro ao filme, em torno de R$ 140 milhões. A teoria é de que o montante era, muito provavelmente, um financiamento eleitoral antecipado. Aliás, a cena da facada vazou na internet e virou “meme” nas redes sociais.

Tensão nas alturas
A suspensão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, da Lei de Dosimetria deixou a oposição ainda mais arisca no Congresso. Segundo os parlamentares, o processo foi árduo e seguiu todos os trâmites necessários da Constituição. Um levantamento do grupo Livres mostra que, em 2024, 81% das decisões do STF foram monocráticas e sem deliberação do colegiado.
Falta de orçamento
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP, foto), defendeu durante o III Encontro Nacional das Agências Reguladoras, organizado pela Associação Brasileira de Agências Reguladoras (Abar), que não haverá autonomia enquanto não houver recursos para as instituições. “Você tem autonomia, mas não tem orçamento. Que autonomia é essa?”, questionou. Dados recentes da Agência Nacional de Mineração mostram que há uma defasagem de 70% no pessoal da ANM justamente por falta de recurso financeiro.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 14 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Nova York — Os diálogos que indicam que o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência da República, cobrava dinheiro de Daniel Vorcaro, quando o então banqueiro dono do Banco Master já estava em rota de desgaste, assustaram os barões da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo. Em Nova York, onde muitos participam da série de eventos da Brazilian Week, vários deixaram claro que o receio de ver o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro queimado no processo eleitoral leva o grupo dos financistas a voltar as atenções especialmente para o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) — considerado o mais equilibrado dos pré-candidatos da direita. Caiado tem muitos apoios no agronegócio e deixou o governo com aprovação acima de 70%. Além disso, a última pesquisa Genial/ Quaest mostrou que, em Goiás, 76% daqueles que conhecem Caiado votam nele. Esse mesmo índice em relação a Romeu Zema (Novo) ficou em 38%, em Minas Gerais. Há uma avenida aberta para que Caiado consolide apoios entre os representantes do mercado financeiro.
Veja bem/ Até aqui, Flávio disse que não prometeu nada a Vorcaro em troca. Porém, até os mais fiéis aliados do filho 01 de Bolsonaro consideram essa justificativa insuficiente para reverter o estrago. O pré-candidato do PL terá que dar novas explicações sobre o financiamento do BRB, a juros camaradas, para comprar a mansão em Brasília e o restante de seu patrimônio.
Silêncio na sala
Muitos parlamentares do PL receberam ligações de suas bases eleitorais, preocupadas com os efeitos do vazamento da conversa entre Flávio e Vorcaro. Muitos deles, aliás, deixaram suas antigas legendas e ingressaram na legenda para concorrer a cargos — como governadores — e garantir palanque para o pré-candidato do partido. Agora, estão preocupados com o próprio futuro.
Dê um tempo
O comando do PL pediu aos seus filiados que aguardem um pouco antes de se deixar levar pelo desespero. Afinal, a campanha nem começou e é preciso aguardar todas as explicações de Flávio. O problema, porém, é que os integrantes do partido acreditam que a situação tende a piorar.
As coisas boas…
… a gente fatura. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu enxugar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da 6 x 1. O texto tratará apenas das reduções da escala, para 5 x 2, e da jornada, de 44 horas semanais para 40 horas. Assim, todos os louros da redução serão comemorados numa promulgação da PEC no Congresso.
As coisas ruins…
… a gente empurra para o governo. Tudo que for difícil será tratado no projeto de lei que o governo mandou ao Parlamento. Essa proposta vai incluir, por exemplo, a discussão de compensação, quais setores que precisam de jornadas especiais e tempo de transição. O líder do PT, Pedro Uczai (SC), disse com todas as letras em entrevista à emissora Rede Vida que não apoiará a transição. Ou seja, o projeto do governo vai tratar de coisas que o partido do presidente da Câmara não apoia.
CURTIDAS

Graças a elas/ Cientistas políticos avaliam que recuperação da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente entre as mulheres, se deve ao Desenrola 2.0. A justificativa é que elas têm sofrido mais pelo aumento do custo de vida.
É cedo para comemorar/ Os especialistas, entretanto, advertem: “Se a inflação de alimentos continuar pressionando o orçamento doméstico, parte desse ganho pode ser rapidamente neutralizado”, comentou Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB).
Isonomia/ A isenção da taxa das blusinhas por Lula pegou a oposição de surpresa. Mas eles já têm uma estratégia para tentar dar um nó no governo: exigir que o mesmo beneficio seja dado a produtos nacionais equivalentes a US$ 50 (R$ 250,00), em especial, aqueles que não precisam de frete. Ressaltam que se isentou o internacional, tem que isentar “os de casa”. reverter o estrago. O pré-candidato do PL terá que dar novas explicações sobre o financiamento do BRB, a juros camaradas, para comprar a mansão em Brasília e o restante de seu patrimônio.
Point da vez/ A sede do QG da campanha de Flávio Bolsonaro fica em frente à casa (foto) do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Agora, depois do vazamento das mensagens, parlamentares comentam que o endereço “compartilhado” parece ser o lugar do momento em Brasília.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 5 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O presidente da Câmara e o PL estão em campos opostos na Proposta de Emenda à Constituição que trata do fim da escala 6×1 da jornada DE trabalho. O partido tem setores contra a proposta, mas, incialmente, não quer tratar da derrubada pura e simples porque considera que há um grande contingente de trabalhadores a favor. Portanto, será preciso esperar o projeto de cantar para, mais à frente, definir uma posição com base no texto que chegar ao plenário.
Nem tanto/ O partido de Jair e Flávio Bolsonaro, porém, se ficar sozinho nessa empreitada, não terá força para rejeitar a proposta. É que o presidente da Câmara, Hugo Motta, espera levar o tema a plenário ainda em maio. E ele tem a prerrogativa de, se a Comissão Especial demorar muito, avocar o texto para o plenário.
Põe lenha, Janja!
A ala do PT que deseja ver o presidente Lula no ataque contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, espera contar com a primeira-dama Janja Lula da Silva no sentido de colocar lenha nessa fogueira. Afinal, ao ajudar na derrocada de Jorge Messias, Alcolumbre impôs ao presidente uma derrota histórica, que ainda não foi digerida. As apostas são as de que vem troco, mas não em praça pública.
Calma aí
Se for muito a fundo nessa guerra, o presidente precisará se preparar para perder as esperanças de aprovar as propostas de interesse do governo antes das eleições. Ou conserta a relação com o Senado, ou novas derrotas virão. É ali que estão, hoje, os problemas do governo no Poder Legislativo.
O que interessa
Um dos principais planos de Lula, hoje, além da escala 6X1, é o Desenrola, lançado ontem. Se Alcolumbre barrar esses textos, muita gente acredita que brigará com a população, e não propriamente com Lula.
Cedo demais
O fato de o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes ter rejeitado o pedido de redução da pena da “Débora do batom”— como é conhecida a cabelereira que escreveu “Perdeu, mané” na estátua da Justiça em frente ao STF — foi considerado um mau presságio aos defensores da proposta da dosimetria. Porém, é preciso aguardar. Afinal, ainda não foi publicada a proposta com os vetos derrubados. Só depois disso é que a Suprema Corte poderá deliberar.
Difícil evitar
Quem conhece o modus operandi considera que ainda haverá muita discussão no STF aesse respeito. Ou seja, dificilmente a proposta escapará da chamada judicialização.
CURTIDAS

E as terras raras, hein?/ O setor privado passou a noite estudando o texto apresentado pelo deputado Arnaldo Jardim (foto), do Cidadania-SP, sobre minerais críticos. O fato de não ter uma nova estatal para tratar desse tema foi muito bem recebido. Se depender do relator, do autor da proposta — deputado Zé Silva (MG) — e do presidente da Câmara, Hugo Motta, vota nesta semana.
Enquanto isso, em Minas Gerais…/ O presidente do PSDB, Aécio Neves, coloca no ar as inserções partidárias em seu estado, em que diz, textualmente, que a voz de Minas deixa de ser ouvida e, “quem paga são os mineiros”. Ao citar o que considera os principais avanços do estado no tempo em que era governador, Aécio convida os telespectadores a colocar “Minas de volta ao futuro”, com a filiação ao PSDB. Muitos consideram a atual gestão de Aécio no PSDB o último esforço para reerguer o partido que já ocupou o Planalto e fez o Plano Real.
Participação da juventude/ Durante a celebração dos 30 anos da criação da urna eletrônica, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, ressaltou aos jovens presentes que o Brasil ainda não tem igualdade no número de candidatos e candidatas. “Queremos que vocês, jovens, se coloquem (como candidatos) para que tenha paridade (de mulheres e homens nas eleições futuras)”, disse a ministra.
Batismo/ Inclusive, durante o ato, a urna recebeu um nome: Pilili, uma onomatopeia referente ao som eletrônico que avisa ao eleitor que o voto foi depositado na urna. Os convidados ganharam, ainda, uma “lembrancinha” do batizado, uma ecobag e álbum de figurinhas.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 9 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Fechada a janela para troca de partido, a ordem agora entre aqueles que têm candidato à Presidência da República é tentar aparar arestas que ficaram. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terão que oferecer mundos e fundos à federação PP-União Brasil se quiserem garantir a oficialização da aliança. Daí o aceno para que a deputada Simone Marquetto (PP-SP) ocupe a vaga de candidata a vice na chapa presidencial encabeçada pelo filho 01 de Jair Bolsonaro. Só tem um probleminha nesse movimento: foi feito sem consultar primeiramente os caciques da federação União Progressista. Se Flávio divulgou a reunião com Simone, a fim colocar o nome dela na chapa como fato consumado, será mais uma insatisfação de aliados a administrar. Não é segredo para ninguém que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) acalentava o sonho de ocupar a vice na chapa.
Não foi apenas na ala mais à direita que as mudanças de partido geraram insatisfações. Em almoço na Casa Parlamento, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), criticou os motivos que levaram muitos a trocar de legenda. “O princípio da fidelidade partidária deveria ser fundamental para acabar com o que nós presenciamos nessa janela — uma esculhambação. Nunca vi nada igual. Negócio feio. Se a sociedade tivesse conhecimento desse bastidor, seria um escândalo. Por que que a sociedade, em geral, é antipolítica? Porque ela vê tudo isso. Um quinto da Casa mudou de partido e você não sabe por que mudou”, disse. O líder deu exemplo de um colega parlamentar que mudou de sigla porque o novo partido teria prometido uma fatia maior do fundo. Pior: a nova legenda não tem nenhuma identidade partidária com o deputado em questão.
Bruno Dantas e o BRB
Nem o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), escapou das garras do Banco Master. Ele contou à coluna que há algum tempo seu gerente do BRB fez a proposta de aplicar um recurso parado, algo em torno de R$ 40 mil, num CDB que iria render 140%. Quando o escândalo estourou, ele foi atrás para saber onde o dinheiro estava investido. Aí que descobriu tratar-se do Master. Já foi restituído pelo Fundo Garantidor de Crédito, mas ficou a lição: quando o ganho é demais, o santo desconfia.
Segurar o rombo
Deputados e bancos não conseguem chegar a um acordo sobre o projeto batizado de “resoluções bancárias”, que trará novas regras para o sistema financeiro, a fim de evitar um “vale a pena ver de novo” do escândalo do Master. O deputado Mauro Benevides Filho (União-CE), por exemplo, quer propor que a prioridade seja o uso do patrimônio dos banqueiros como forma de compensar rombos deixados nas instituições. Mas o setor não quer nem saber dessa possibilidade.
Tesouro Nacional na mira
No atual relatório, a primeira opção é buscar formas de o gestor pagar a dívida, seguida pelos acionistas e, depois, operações de crédito. Contudo, Benevides afirma que se o banco realmente faliu, esses três primeiros caminhos seriam inviáveis, e o empréstimo da União, que está na quarta opção, viraria a primeira, o que prejudicaria o Tesouro Nacional. “Antes do Tesouro, o patrimônio do cara tem que ser usado”, disse Benevides à coluna.
A aposta do União
Se tem uma região em que o União Brasil jogará todas as suas fichas é o Nordeste .Lá estão 16 dos 51 deputados do partido, sendo cinco da Bahia, onde o PT tem o governo estadual, e o União, a Prefeitura de Salvador. O estado é uma das prioridades eleitorais do partido.
CURTIDAS

Horas de dedicatórias/ O ex-governador e ex-ministro Wellington Moreira Franco (foto) ficou quatro horas autografando seu livro Moreira Franco, a política como destino — Caminhos e descaminhos da redemocratização, lançado ontem, em Brasília.
O périplo de Caiado/ O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, vai a Porto Alegre conversar com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). A ordem é afastar qualquer ruído de insatisfação do gaúcho com a chapa.
Por falar em chapa…/ Caiado ainda não definiu o vice ou a vice. Quer alguém que agregue e essa escolha não ficará para depois da Copa do Mundo.
O sonho de Izalci/ O senador Izalci Lucas (PL-DF) mantém a esperança de ser o candidato do partido ao Governo do Distrito Federal. Ele aposta que a governadora Celina Leão (PP) tem tudo para se desgastar com escândalo do Master, levando Michelle Bolsonaro a abandoná-la. O problema é que, dentro do PL, o plano B para o GDF é a senadora Damares Alves (Republicanos)e não Izalci.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 27 de março de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

A derrota acachapante da CPMI do INSS no plenário do Supremo Tribunal Federal sinaliza o que está se desenhando para a CPI do Crime Organizado. Os ingredientes são os mesmos. A Corte já impôs limites claros às investidas do colegiado. Em duas decisões distintas, suspendeu a quebra de sigilo do fundo de investimento Areen e da Maridt, empresada família Toffoli.
Arleen e Maridt são peças centrais nos negócios relativos ao resort Tayayá. A determinação do relator Alessandro Vieira em aprofundar os desvios do escândalo Master, inclusive, a conduta dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, enfrenta resistência não apenas do Supremo, mas no próprio Congresso. É expressiva a quantidade de políticos que não têm interesse em ver seus nomes expostos em uma CPI a sete meses da eleição. O fator de instabilidade é a provável delação de Daniel Vorcaro.
A depender das revelações do banqueiro, o escândalo Master pode impactar a opinião pública e os planos eleitorais de diversos candidatos. Somente a pressão das ruas pode se contrapor à operação abafa para conter os efeitos explosivos de Daniel Vorcaro e sua teia de relacionamentos.
Censura?
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) está processando a TV Senado por cortar suas falas a respeito dos conflitos de interesses do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP) no caso Master. Girão destaca que o indicado de Alcolumbre na Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Lemos, é investigado por irregularidades de recursos e aprovou o investimento de R$ 400 milhões do fundo em letras financeiras de alto risco do Master. Além disso, lembra que o irmão do presidente, Alberto Alcolumbre, é conselheiro fiscal da Amprev.
Casa nova
A saída do deputado Alfredo Gaspar do União Brasil para o PL já era algo previsto há pelo menos duas semanas. Aliados do relator da CPMI do INSS relataram à coluna um jantar entre Gaspar com o deputado Arthur Lira (PP-AL), em um restaurante do Lago Sul, no último dia 11.
Cardápio
Na conversa, uma tentativa de manter Gaspar na federação. Mas o então deputado do União Brasil recusou a proposta. Gaspar e Lira são pré-candidatos ao Senado por Alagoas, e o relator não acreditou no argumento do ex-presidente da Câmara dos Deputados de que havia espaço para ambos na chapa.
Ranking regional
O Conselho Nacional de Secretários do Planejamento (Conseplan) promoverá, de 5 a 7 de maio, um encontro com governadores e candidatos para tratar da eficiência de políticas públicas. Na ocasião, será lançado o Ranking de Competitividade, com dados compilados sobre as gestões estaduais dos últimos três anos.
Eles vão falar
Os governadores Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul); João Azevedo (Paraíba); Mateus Simões(Minas Gerais); Eduardo Leite (Rio Grande do Sul); e o diretor-presidente do Centro de Liderança Pública (CLP), João Tadeu Barros, são os painelistas confirmados. O evento pode receber ainda a pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet.
Ambição
Há ainda a ideia de se criar um Conselho Nacional (Conplan) para que o Brasil tenha uma estratégia de Estado, especialmente em obras e ações sociais.
De volta ao Estado
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) participou da Plenária Nacional em defesa da reestatização da BR Distribuidora, da Liquigás e das refinarias privatizadas. A entidade sindical informou que, entre 2013 e 2022, foram vendidos 96 ativos da Petrobrás, sendo 68 deles apenas durante o governo Bolsonaro — o equivalente a 71% do total.
Política reversa
Segundo a FUP, as análises demonstram que a alienação de ativos não resultou em aumento de produção. Entre 2010 e 2014, a Refinaria de Mataripe (antiga Rlam, n aBahia) operava com produção média de 300 mil barris por dia. Esse volume caiu para 245 mil barris diários após 2021, quando foi privatizada. O mesmo ocorreu na Ream (antiga Reman, no Amazonas), que passou de 42 mil barris/dia para 26 mil barris/dia no mesmo período.
Papo reto
Ao assumir a 1ª vice-presidência da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara, a deputada Erika Kokay (PT-DF) deixou claro seu posicionamento acerca do tema: “Direitos humanos não são privilégios, são a condição necessária para que possamos ser, em plenitude, humanos”.
Hora dos jovens
As juventudes do PT, PSol, Rede, PDT,PSB, Partido Verde e do PCdoB lançaram o Fórum das Juventudes Progressistas, marco que reposiciona os jovens no centro do debate político. O objetivo é fortalecer a organização coletiva e reafirmar o papel da juventude na construção de um projeto de país mais justo, democrático e conectado com o povo.











