A insustentável permanência de Jaques Wagner

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Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 25 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

A saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado mostrou como as necessidades da política se impõem sobre relações pessoais ou até mesmo princípios relevantes, como a presunção da inocência. Em um episódio marcado pelo silêncio do Palácio do Planalto, o senador saiu de cena para preservar o candidato à reeleição de desgastes na campanha eleitoral.

Duramente atingido por dois mega-escândalos — o mensalão e o petrolão — o presidente Lula não quis correr riscos. Afastou qualquer suspeita de proximidade com a teia perigosa de Daniel Vorcaro que enredou Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e gente próxima a Davi Alcolumbre e outros notáveis da República.

Com o afastamento de Wagner, encerra-se mais um capítulo da malfadada articulação política do Planalto. O substituto do senador na liderança do governo terá a missão de encontrar caminhos no campo minado controlado por Davi Alcolumbre. A rejeição ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal foi uma das derrotas mais amargas sofridas pelo governo — e erro crasso do senador baiano. Nada indica que o cenário mudará no segundo semestre.

Fogo amigo

Na permanente rivalidade interna petista, prevaleceu a corrente que via a permanência de Jaques Wagner em cargo de tamanha visibilidade um enorme risco político. De nada adiantou a narrativa de que a saída do senador sinalizaria uma confissão de culpa. Tampouco se manteve de pé a justificativa apresentada pelo senador de que a compra de um imóvel em Salvador com o ex-sócio do banco Master foi um negócio entre amigos.

Palavras vãs

Particularmente em tempos de eleição, é curioso notar como a palavra de político pode ser vã. Na quinta-feira, dia da operação da PF que revelou o envolvimento de Wagner no escândalo Master, o senador disse em entrevista: “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje e acho, sinceramente, muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim”.

Repeteco

Para resistir em meio à tempestade, Wagner se apoia no passado. Lembra que foi alvo de busca e apreensão em 2018. E eleito senador mais votado pela Bahia. À época, o parlamentar era suspeito de irregularidades na gestão do estádio Fonte Nova. O caso foi arquivado no ano passado.

Mais e melhor

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou um conjunto de deliberações para aprimorar o programa Agora Tem Especialistas, promovido pelo Ministério da Saúde. O plenário do TCU determinou que a pasta construa, em 120 dias, uma rotina de monitoramento sobre a execução financeira do programa, bem como a gestão de dados sobre as cirurgias realizadas. O voto do relator, ministro Bruno Dantas, identificou desigualdades regionais e inconsistências nas diversas etapas do programa.

Ela vem aí

A esposa do ex-governador do Distrito Federal e pré-candidato ao Senado Ibaneis Rocha (MDB), Mayara Rocha, anunciou sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados pelo Podemos. Nos bastidores do partido, Mayara é vista como um forte nome para fortalecer e ampliar a presença da legenda na Casa.

Causas sociais

A ex-primeira-dama do DF foi secretária de Desenvolvimento Social durante a pandemia de covid-19. O Podemos aposta na atuação de Rocha em um período de crise sanitária, econômica e humanitária para ter um bom desempenho eleitoral. Aliados veem a esposa de Ibaneis como um dos nomes de potencial de votos dentro do grupo ligado ao ex-governador.

Tendência

Em um meio predominantemente masculino, chama a atenção a iniciativa de mulheres de políticos engajadas na batalha das urnas. No Distrito Federal, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro é nome cada vez mais certo em outubro. No Paraná, a deputada federal Rosângela Moro, esposa do senador Sergio Moro, filiou-se ao PL e tentará a reeleição pelo estado do ex-juiz. Em Goiás, Gracinha Caiado (União), esposa do ex-governador Caiado, é pré-candidata ao Senado.

Crédito: Kayo Magalhaes/Câmara dos Deputados

Deixa o povo falar

O deputado Alencar Santana (PT-SP, foto), presidente da Comissão Especial que analisou a proposta de emenda constitucional (PEC) pelo fim da 6×1 na Casa, quer a participação popular no debate. Além de divulgar uma plataforma digital sobre o tema, ele pretende promover ações de conscientização às sextas-feiras em pontos de grande circulação. Os voluntários distribuem materiais informativos e dialogam com a população sobre os impactos da jornada de trabalho na saúde, na qualidade de vida e no convívio familiar.

Divergência

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) discorda da pesquisa divulgada pelo Tribunal Superior do Trabalho sobre a precarização do trabalho entre motoristas e entregadores que atuam por meio de plataformas digitais. Para fundamentar a divergência, a Amobitec usa como referência uma pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), divulgada no ano passado.

Renda e trabalho

O levantamento encomendado pela Justiça trabalhista ressalta os custos bancados pelos motoristas plataformizados – mais de R$ 5 mil mensais – e jornadas acima de 44 horas semanais. Já o estudo do Cebrap informa que os motoristas dedicam, em média, entre 19 e 27 horas por semana nos aplicativos, enquanto a jornada dos entregadores oscila entre 9 e 13 horas.

Estabilidade

Em outra discordância com o TST, a Amobitec afirma que os rendimentos dos trabalhadores de plataforma são mais estáveis, pois os profissionais estariam menos vulneráveis à desocupação e a longos períodos de busca por trabalho.

Aumenta a tensão no STF

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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 17 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Se o Supremo Tribunal Federal vivia divisões nos tempos do Mensalão e da Lava-Jato, agora o escândalo do Master fez rachar a Corte de vez. Prova disso foi a sessão da Segunda Turma do STF, em que o ministro Gilmar Mendes ficou sozinho, enquanto André Mendonça, Luís Fux e Kassio Nunes Marques votaram pela manutenção da prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e de Felipe Vorcaro, primo do ex-controlador do Master. Para completar, Mendonça — que relata o processo e referiu-se ao caso como a “maior fraude financeira da história do país” —, levantou parte dos sigilos dos autos, com trechos que comprometem ainda mais o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e aponta deputados como beneficiados pelo escândalo. A ideia do ministro, ao dar publicidade a parte dos autos, é mostrar que nada ficará impune, doa a quem doer, com ou sem delação de quem quer que seja. E se tiver ministros do STF sujeitos a responder pelo caso, que assim seja.

Por falar em delações…/ Ao mencionar “delações seletivas” e tirar o sigilo de parte dos autos, Mendonça quer justamente mostrar o extenso material que a Polícia Federal (PF) tem em mãos e que Vorcaro insiste em deixar de fora da colaboração. E olha que o ministro não liberou sequer metade do que tem no processo. Ao longo do ano, novos lotes serão expostos. E os candidatos que se preparem para responder.

O ganha-ganha eleitoral

O governo só abriu mão da urgência constitucional do projeto de lei sobre o fim da escala 6 x 1 na Câmara porque avaliou que o ônus da demora em votar ficará com o Senado. De quebra, ainda ganhou pontos com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos- PB), que havia avisado ao Palácio do Planalto que a não retirada da urgência poderia segurar projetos de forte impacto fiscal às contas públicas. Motta ficou feliz e, se o fim da 6 x 1 for aprovado, os louros são do governo. E se não for votado até as eleições, o discurso contra os senadores estará pronto.

E o Alcolumbre, hein?

Muita gente bateu palmas para o duro pronunciamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ao fazer sua própria defesa em relação à reportagem da revista Veja — “Não serei intimidado. Não serei ameaçado. Não serei constrangido e nem serei chantageado”, disse, em certo momento. Porém, a forma desagradou a muitos senadores. Para esses, Alcolumbre não deveria ter falado do alto da Mesa Diretora. O lugar certo para fazer uma defesa de um caso pessoal é a tribuna.

Vai sobrar…

A interpretação de muitos senadores sobre o discurso de Alcolumbre foi de que o suposto vazamento envolvendo o presidente da Casa é obra do governo Lula, que comanda a PF. Ou seja: a cada dia, fica mais difícil a pacificação entre o presidente e o senador. Ainda que uma parte da bancada do PT defenda que o Planalto levante a bandeira branca ao presidente do Senado, quanto mais emparedado Alcolumbre estiver, pior será.

Cadê os outros?

No Plenário do Senado, muitos saíram em defesa de Alcolumbre, após pronunciamento do comandante da Casa sobre as acusações da matéria publicada na Veja. O senador Esperidião Amin (PP-SC) ainda comentou que o alvo das delações em curso na PF, pelo que indica o material que foi vazado até aqui, mostra ser o Congresso. E questionou onde estariam os empresários envolvidos no esquema de Vorcaro. Líderes da base governista também se solidarizaram e defenderam Alcolumbre.

CURTIDAS

O que ela pensa/ A senadora Damares Alves (Republicanos-DF, foto) saiu- se com esta, ao ser informada da condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo STF por coação à Justiça. “A única saída para Alexandre de Moraes é se afastar do Supremo e do Brasil, de preferência para uma ilha bem longe”.

Enquanto isso, em Evian…/ Não foi desta vez que os presidentes Lula e Donald Trump acertaram os ponteiros. Porém, só o fato de Lula ter se reunido com líderes de outros países na cúpula do G7 — como a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi —, na cidade do interior da França, já valeu. Hoje, o presidente ainda fala em duas oportunidades no encontro do G7 sobre inteligência artificial e, ainda, sobre economia e desigualdade.

Tragam lanche/ Amanhã tem sessão do conjunta para apreciar vetos e projetos de lei do Congresso (PLN), ou seja, que mexem com o Orçamento. Alcolumbre avisou que a sessão deverá ser longa porque a ideia é limpar a pauta.

Lide-Correio Braziliense/ O presidente do BRB, Nelson de Souza, fala hoje no 7º Brasília Summit Lide-Correio Braziliense, sobre inteligência artificial e seu impacto nas gestões pública e privada. Vale acompanhar pelas redes sociais do Correio e da TV Lide, a partir de 8h30.

O novo risco de Flávio

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Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 14 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Dentro do PL, existe uma turma apostando que o caso Dark Horse já passou e, sendo assim, o pedido de recursos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a relação entre eles não vão comprometer a campanha. O problema, avaliam alguns, é outro: Se cristalizar a imagem de que os Bolsonaro só valorizam o próprio sangue e não pensam no bem comum, ou seja, ao que é bom para o país, o risco de cair ainda mais nas pesquisas é alto. Há um inconformismo de parte da legenda com as transferências de Carlos Bolsonaro para Santa Catarina, e de Hélio Lopes (fiel ao clã que responde pelo nome político de Hélio Bolsonaro) para Roraima. O que se diz à boca-pequena nas conversas dos políticos é que nenhum deles é candidato no Rio de Janeiro neste ano porque, lá, a onda do ex-presidente passou. Ficou a onda conservadora, em busca de novos representantes.

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Enquanto isso, no PT…/ No partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a aposta é a de que o caso Master ainda tem potencial para baixar ainda mais os índices de intenções de voto a favor de Flávio. Daqui para frente, os petistas vão repisar que o Banco Master foi criado no período do governo Bolsonaro e as investigações que desvendaram um grande esquema foram adiante no governo Lula.

Depois do caso Zambelli…

O movimento da Justiça italiana, de negar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli alegando suposta parcialidade da Suprema Corte brasileira, provocou outros no Brasil. Tem muita gente no Judiciário defendendo que é hora de enviar Alexandre de Moraes para um cargo no exterior, de forma a tirá-lo do tiroteio. Por exemplo, a Corte Internacional de Justiça, em Haia. Moraes teve um papel importante, mas, avaliam alguns, tem errado a mão. Para completar, os contratos de Viviane Barci, esposa do ministro, com o Banco Master pioraram a situação.

Um silêncio que grita

Parte da oposição registrou o silêncio de parlamentares do PL, após a denúncia da revista Veja, sobre o pagamento de R$ 155 milhões de Daniel Vorcaro ao presidente Davi Alcolumbre (União-AP). A aposta é a de que devem ficar calados mesmo, caso contrário, será “chumbo trocado”, uma vez que o senador e pré-candidato do partido, Flávio Bolsonaro, pediu R$ 134 milhões para financiar o filme biográfico de Jair Bolsonaro, Dark Horse.

Hora de pleitear I

O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, apresenta amanhã duas demandas do setor de supermercados ao Ministério do Trabalho: a fiscalização das novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e a implementação das mudanças no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).

Hora de pleitear II

O primeiro ponto se deve ao desafio que as empresas enfrentam para se adequar às diretrizes e aos requisitos gerais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), principalmente, com a inclusão de fatores de risco psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. O segundo, sobre o PAT, é entender como o governo acompanha o cumprimento das novas regras e quais medidas estão sendo adotadas contra quem deliberadamente descumpre as exigências.

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Crédito: Ed Alves CB/DA Press

Contando com o Centrão/ Pré-candidato ao governo da Paraíba, o senador Efraim Filho (PL, foto) espera contar com uma porcentagem dos eleitores de centro para garantir sua ida ao segundo turno. Jair Bolsonaro conseguiu cerca de 33% em 2022, e a equipe de campanha calcula que 13% a 16% foram votos do Centrão ao ex-presidente. É essa parcela que Efraim pretende somar à sua intenção de voto. Na última pesquisa da Real Time Big Data, divulgada em 27 de maio, o senador tinha 5% das intenções de voto, atrás de Lucas Ribeiro (PP) e Cícero Lucena (MDB), que marcaram 11%.

Dorothea na área…/ Ex-ministra do Trabalho e Indústria no governo de José Sarney, Dorothea Werneck lança seu novo livro em 17 de junho, na sede da Apex-Brasil, em Brasília: Aprendendo e Vivendo: Uma biografia de histórias e versos.

Uma aula/ Dorothea fará um bate-papo sobre a presença de mulheres em espaços de decisão, a partir dàs 18h, na quarta-feira. O evento será um espaço de diálogo sobre a urgência no combate ao assédio, à discriminação e às diversas formas de violência simbólica e institucional que ainda persistem no ambiente corporativo e público.

Causos/ Nessa seara de discriminação das mulheres, Dorothea coleciona episódios. Quando ela se tornou ministra, em 1989, o então presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Mario Amato, para elogiá-la, declarou que a economista era “muito inteligente, apesar de ser mulher”. Essa frase entrou para a política brasileira como um dos grandes exemplos do machismo cultural no país. Será que hoje isso mudou muito? Fica aí para reflexão de homens e mulheres, em especial, a turma que lida com o dia a dia da política brasileira.

Tensão reduz no Planalto…

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Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 11 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A queda dos índices de intenção de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez o governo respirar um pouco melhor, mesmo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com dificuldades de crescimento. A diferença, agora, é que os governistas esperam uma mudança em relação aos políticos, e até de uma boa parte do empresariado — conforme pode ser visto na reunião do Conselhão esta semana. Até aqui, Lula era dado por muitos partidos de centro como carta fora do baralho. Esse retorno do presidente aos 44% e a queda do filho 01 de Jair Bolsonaro para 38%, como registrado pela pesquisa Genial Quaest desta semana, tem condições de frear esse afastamento dos centristas em relação ao governo. E isso, na avaliação de aliados do presidente, ajuda ainda na retomada do diálogo no Senado, onde o Palácio do Planalto enfrentou a maior derrota até o momento — a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Se a próxima pesquisa consolidar essa presença de Lula como primeiro colocado, ele não poderá mais ser tratado com desprezo nessa fase do jogo.

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…mas não dá para relaxar/ O fato de Lula poder levar o governo em frente com um pouco mais de tranquilidade não significa que pode deitar em berço esplêndido. Os números indicam segundo turno e a campanha nem começou. A rejeição ao PT é grande e a volatilidade dos cenários é alta nessa altura do campeonato.

Juramento em falso

Flávio Bolsonaro não perde pontos só no eleitorado. O filho 01 tem perdido muito apoio no próprio partido. É que, numa reunião a portas fechadas com a cúpula do PL antes de virem a público os diálogos entre ele e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o senador jurou que não havia qualquer relação entre eles. Somente depois é que admitiu que havia pedido dinheiro ao ex-banqueiro.

Os recados do decano

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), soltou um #ficaadica para quem reclama do aumento de despesa pública sem lastro orçamentário, como o que ocorreu, ontem, com a aprovação do piso de médicos e cirurgiões dentistas na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Em postagem, o decano da Corte lembrou que o Congresso não pode criar despesas a serem suportadas por estados e municípios sem indicar a fonte de custeio.

Vem suspensão

Gilmar lembra o caso do piso nacional da enfermagem, que teve sua eficácia suspensa pelo STF justamente por não se saber de onde sairia o dinheiro. “Impor ônus financeiro uniforme, sem repasse adequado e sem atenção à realidade local, esvazia a autonomia dos entes e atinge o pacto federativo. Pior, ao invés de alcançar os objetivos pretendidos, a medida pode produzir efeitos inversos, como desemprego na própria categoria que se buscava proteger e precarização dos serviços públicos prestados à população”, advertiu.

Nada de bandeira branca

Mesmo com o pedido do governo para segurar algumas pautas que causarão rombo fiscal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não trabalha a favor do Planalto. Os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, chegaram a se reunir com ele na terça-feira, na tentativa de evitar o avanço de matérias que podem comprometer o Orçamento da União. Mas não surtiu efeito.

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Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

A conta só cresce/ Além dos projetos que aumentam despesas aprovados esta semana nas comissões, no início da noite foi aprovada a renegociação de dívidas dos produtores rurais. Falta ainda a ampliação do Fundo de Participação dos Municípios, a ser apreciada em breve.

Sinuca de bico/ O governo está encurralado no jogo que ele mesmo montou. Ao manter a urgência constitucional do projeto de lei do fim da escala 6 x 1 na Câmara dos Deputados, e travar a pauta da Casa para pressionar o Senado a votar o texto que lá se encontra, o Planalto vê agora projetos importantes paralisados. Como os que tratam da misoginia, da inteligência artificial e da destinação do crédito extraordinário do preço do petróleo devido à guerra no Golfo Pérsico.

Por falar em IA… / O relator da regulamentação da Inteligência Artificial, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB, foto), ainda não conseguiu consenso entre artistas e empresas sobre o treinamento de IA com produtos originais. Por isso, a ideia é deixar a votação para depois das eleições. É que o prazo está curto para tratar de um tema tão polêmico, ainda mais num ano eleitoral.

A torcida do Planalto/ Com a aprovação da admissibilidade da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal, e os projetos que aumentam despesa, o governo torce mesmo é para que o Congresso entre no “modo avião”, com todos voando para as campanhas eleitorais.

O desafio de Flávio Bolsonaro

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 5 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Estrategistas da pré-campanha de Flávio Bolsonaro consideram que, apesar dos pesares, ele não perdeu a preferência da maioria dos que escolheram Jair Bolsonaro na eleição de 2022, levando o então presidente ao segundo turno contra Lula. Por isso, todo o esforço agora é no sentido de manter esses eleitores fiéis ao clã. Não por acaso, os eventos do partido começam com exaltação ao ex-presidente, exibição de vídeos e áudios daquele que ainda é considerado o maior detentor devotos à direita. O difícil, avaliam alguns, será ultrapassar esse eleitorado, de forma a garantir uma vitória no segundo turno. Para que isso ocorra, será preciso se livrar das vinculações a Daniel Vorcaro e do “Tariflávio”, a cada dia mais forte na internet.

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Na defensiva/ Desde que vazaram os áudios em que Flávio Bolsonaro chama o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de “meu irmão”, o pré-candidato ao PL à Presidência da República não conseguiu colocar sua pré-campanha em voo de cruzeiro. Quando achou que havia respirado com a visita a Donald Trump, terminou atropelado pelo novo tarifaço anunciado pelo governo Trump. E, para completar, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ao tentar ajudar o irmão, complicou ainda mais ao citar o Zelle, o sistema de pagamentos privado que funciona somente no sistema bancário norte-americano, em alguns bancos filiados. Já o Pix brasileiro é público, universal e gerido pelo Banco Central do Brasil. Não demorou para que as redes taxassem os bolsonaros como “entreguistas” e “inimigos do Pix”. Os estrategistas agora terão que quebrar a cabeça para tentar jogar mais esse problema para escanteio.

Agora, faz sentido

Muita gente no BRB achava estranho quando Paulo Henrique Costa dividia as operações do banco com o Master em parcelas inferiores, mas não desconfiava que era de caso pensado para burlar os processos de controle. Depois que a história dos apartamentos veio à tona, a decepção por ali foi grande.

Sem clima

A avaliação geral é a de que dificilmente PHC terá um ambiente amistoso e cordial para, talvez, quem sabe, um dia, voltar a trabalhar na Caixa ou em qualquer outro estabelecimento ligado ao mercado financeiro. Melhor mudar de ramo, conforme aconselham alguns advogados.

Vai ter que mudar

Será necessário muito mais do que um projeto de lei para conceder alguma isenção capaz de ajudar os micro e pequenos empreendedores na implementação do fim da escala 6×1. É que a reforma tributária veda novas isenções fiscais. Dentro do Senado, há quem defenda que é preciso votar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para viabilizar essa saída ao empresariado.

Por falar em 6×1…

O governo ficou preocupado ao ver presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmar que encaminhará a PEC para a Comissão de Constituição e Justiça. E, como não quer esperar para votar a proposta que muda a escala de trabalho, vai propor ao comandante da Casa que junte o texto aprovado na Câmara à PEC do senador Paulo Paim (PT-RS), que está pronta para ser votada em plenário. Seria uma forma de encurtar o tempo de tramitação no Senado. Alcolumbre resiste a essa solução.

Cerco às piratas

Com a sanção do “Marco Legal de Combate ao Mercado Ilegal de Jogos e Apostas” nesta semana, a expectativa do governo e do setor é sufocar financeiramente as plataformas ilegais de apostas. Agora, as operadoras de cartões de crédito devem identificar todas as transações com as casas de apostas irregulares, ou seja, as que estão fora da listagem da secretaria de prêmios e apostas.

CURTIDAS

Crédito: imagem cedida

Melhor evitar/ Ao transmitir uma live onde andava no meio da multidão durante a 34ª Marcha para Jesus em São Paulo, apoiadores de Flávio pediram nos comentários que não fizesse isso e lembraram do atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Alguns até perguntaram sobre o colete à prova de balas que o senador usava por baixo da camiseta.

Homenageado I/ No último dia do XIV Fórum de Lisboa, 15 magistrados e políticos se juntaram em torno do ex-presidente Michel Temer, para marcar os 10 anos de sua ascensão ao Planalto (foto). Logo depois do almoço, o ex-presidente posou para fotos, ladeado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, seu ex-ministro da Justiça, indicado por Temer ao Supremo. E, ainda, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Luís Salomão, e o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, do STJ, além dos aliados Carlos Marun, ex-ministro-Chefe da Secretaria de Governo, e Henrique Pires, advogado e ex-presidente da Funasa.

Homenageado II/ No almoço, Temer recebeu uma placa com os dizeres “único jurista empossado com supremo magistrado da nação brasileira após a promulgação da Constituição Cidadã de 1988”. E, ainda, “pela passagem em 12/05/2026 dos 10 anos do início de seu governo”

“Tariflávio” se espalha

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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 3 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Não foi desta vez que Donald Trump, conseguiu ajudar o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). E o que levou até alguns bolsonaristas a essa conclusão foi o fato de Trump publicar uma foto com elogios ao senador apenas seis dias depois da visita do filho 01 ao presidente dos Estados Unidos e menos de 24 horas após o anúncio de mais um tarifaço sobre produtos brasileiros. Nesse sentido, mesmo que Flávio não tenha trabalhado por novas taxações ou contra o Pix, o termo “tariflávio” viralizou na internet. Na tarde de ontem, foi o segundo assunto mais comentando na rede social X (antigo Twitter). Em primeiro ficou “O Pix é nosso” e, em terceiro, “Bolsonaros inimigos do Brasil”. Tal qual como “Taxad”, em referência ao então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o senador terá que trabalhar para se desvincular do possível novo tarifaço durante a campanha.

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Vem jogo de empurra/ No calor dos acontecimentos e de empresários fazendo cálculos, o que se viu nas últimas 24 horas, e que prosseguirá nos próximos dias, é o governo acusando os “meninos de Bolsonaro” de jogarem contra o Brasil. E muita gente diz que se Flávio tivesse solicitado que o governo dos Estados Unidos não tarifasse o Brasil, teria dito isso na coletiva que concedeu após o encontro com Trump. No meio de toda essa confusão, restará ao grupo mais aliado ao senador acusar o governo de não conseguir negociar. Mas, na internet, onde eles navegam de braçada, essa leitura não ganhou tração.

E o Pix, hein?

A oposição está indignada com as acusações do governo de que há um trabalho contra o Pix. Membros do PL lembram que a forma de pagamento foi lançada no governo de Jair Bolsonaro e que ninguém vai abrir mão dele. E mais: afirmam que é “jogo baixo” o governo dizer que Flávio trabalhou pelo fim do Pix com argumento de que as facções criminosas utilizam o pagamento para lavagem de dinheiro.

Nem vem

Hoje, as transações acima de R$ 5 mil são monitoradas pela Receita Federal, tal como as movimentações de mesmo valor em cartões de crédito. Ou seja, não dá para culpar o Pix pela movimentação do crime organizado.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro…

O PL faz uma pesquisa interna para ver qual será o melhor nome para concorrer ao Senado pelo estado. Alguns nomes no partido do ex-presidente Bolsonaro já dizem que o deputado e líder da bancada na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, está fora da disputa porque o pastor Silas Malafaia é contra a candidatura.

Melhor de dois Carlos

Os outros dois nomes, deputado Carlos Jordy e senador Carlos Portinho, seguem na disputa. O líder do PL no Senado já conversou com Flávio Bolsonaro reforçando sua intenção de disputar a vaga para continuar na Casa. Os prefeitos também têm saído em defesa da indicação do senador. Quanto à Jordy, fontes ligadas ao partido acreditam que ele seja o favorito entre os dois, por ser muito mais ligado aos bolsonaristas-raiz e ser próximo do clã.

CURTIDAS

Crédito: Carlos Vieira CB/DA Press

Música para o empresariado/ No jantar com empresários de Minas Gerais, Flávio Bolsonaro fixou seu discurso em tributos — “a carga está excessiva”, apregoou — e segurança pública. É por aí que ele pretende levar a campanha.

E Daniel Vorcaro?/ Não faz parte do discurso do senador na campanha. Ali, o objetivo é falar de segurança, economia, atacar o PT, Lula e o governo.

Ele tem a força/ O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG, foto) foi o mais aplaudido ao ser anunciado no encontro do partido com Flávio em Minas Gerais. E, ao falar, relembrou o caso da facada em Bolsonaro em Juiz de Fora, no interior do estado. Não por acaso, Flávio estava de colete balístico por baixo da camisa no evento partidário.

Mote de campanha/ Nikolas fez o papel de mestre de cerimônia numa parte do encontro do partido em Minas. Ao chamar pelo deputado Domingos Sávio, pré-candidato ao Senado, pergunta: “Vai votar a favor do impeachment de ministro do Supremo Tribuna Federal?” Domingos Sávio nem pestanejou ao responder: “É para já!”

Similaridades e diferenças

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Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 31 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Kleber Sales

Quem acompanha de perto o caso de Daniel Vorcaro faz uma comparação direta com do empreiteiro Marcelo Odebrecht e sua empresa. Nos idos de 2015, até pedir desculpas ao Brasil, em 1° de dezembro de 2016, a Norberto Odebrecht — hoje Novonor — soltou uma série de notas de esclarecimento dizendo ser mentira qualquer envolvimento em irregularidades relacionadas aos pagamentos de propina revelados na Operação Lava-Jato. Tal qual a turma da Odebrecht, Vorcaro inicialmente negou tudo. Depois, apresentou uma delação rejeitada porque incluiu ali a perspectiva de retorno ao mercado financeiro e ao status de banqueiro. Agora, o que se diz é que ou o ex-banqueiro fala ou permanecerá preso. Foi assim com Marcelo Odebrecht e o departamento de propina que mantinha em sua empresa. O empresário virou a página daqueles tempos obscuros. O avô dele, Norberto Odebrecht, que dedicou a vida à construtora, morreu em 2014 e não chegou a ver o neto preso. O pai dele, hoje com 81 anos, mandou demitir o filho do comando da companhia e, à época, coordenou o processo de delação premiada, o maior da história do país.

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Banco, só o da praça/ Marcelo hoje vive em São Paulo, afastado das empresas de construção, cuidando dos processos que ainda restam. É esta a tendência que muitos veem para o futuro de Daniel Vorcaro depois da delação. Vida de banqueiro, captando dinheiro a rodo Brasil e mundo afora? Nunca mais.

Por falar em Lava-Jato…

Apesar das semelhanças entre um caso e outro, investigadores do Master estão tomando todo cuidado para não ocorrer neste episódio o que houve com o escândalo da Lava-Jato. Lá atrás, as conversas vazadas pelo portal The Intercept Brasil terminaram ajudando a defesa de muitos personagens a anular provas.

Porta-voz de Silveira

O deputado General Pazuello (PL-RJ) explicou à coluna que votou contra a convocação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, à Comissão de Minas e Energia na Câmara, porque “não adiantava” aprovar o pedido. De acordo com o deputado, Silveira estará de férias em 2 de junho e, por isso, outra pessoa seria designada para comparecer. Segundo o parlamentar, isso não resolveria o problema, uma vez que os deputados querem ouvir as justificativas do próprio ministro sobre o leilão das termelétricas. “Eu expliquei na comissão. Silveira me disse que irá, convidado ou convocado, no dia 10 de junho”, disse Pazuello.

Ficou ruim

A turma do PL não engoliu essa explicação. Afinal, conforme o leitor da coluna já sabe, o pedido de convocação partiu do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES), um dos líderes de Jair Bolsonaro na Casa. Quando um líder do partido pede, cabe aos aliados apoiarem os pedidos.

Depois da Copa do Mundo…

Sobe na bolsa de apostas a ida do presidente do PSD, Gilberto Kassab, para o posto de candidato a vice na chapa encabeçada por Ronaldo Caiado. Mas Kassab contou à coluna que nada será decidido agora. Qualquer anúncio será feito apenas em julho. Afinal, a temporada de convenções para oficialização de candidaturas só começa em 20 de julho. Até lá, tem muito jogo. E não apenas nos gramados dos Estados Unidos, do México e do Canadá.

CURTIDAS

Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press

Combustíveis adulterados/ Na posse como presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria (FPI), o deputado Júlio Lopes (PP-RJ, foto) destacou a alta probabilidade de que o consumidor pague por combustível falsificado nos postos de gasolina. “Quando abastecemos nosso carro com um litro de gasolina, temos 40% de chance de receber 700ml, 600ml de gasolina batizada. Ao invés de recebermos uma gasolina com 30% de etanol, recebemos com 50%, 60% de metanol”, afirmou.

Pobreza zero/ Nesta terça-feira, será assinada uma parceria institucional para fortalecer a construção de políticas públicas contra a pobreza. O acordo será firmado entre o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e a ONG Gerando Falcões. O ministro Wellington Dias e o presidente da instituição, Edu Lyra, estarão à frente do evento, que será no Polo da ONG em Poá (SP).

Preparem os estoques e os bolsos/ No XIII Forum de Lisboa, no ano passado, as autoridades e os advogados endinheirados que passaram pela tradicional loja de vinhos A Garrafeira levaram todas as caixas do tinto Pera Manca (entre R$ 2,7 mil R$ 5 mil a garrafa). Na semana que vem, com a maior edição já prevista do evento, a turma do direito aposta que não será diferente. Começa amanhã uma semana de muitos bastidores regados a bons e caros vinhos na capital portuguesa.

A página ainda não virou

Publicado em 6x1, Banco Central, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 29 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

O acordo entre o governo federal e o GDF para salvar o Banco de Brasília é motivo para comemorar, mas quem entende do riscado afirma que todo o movimento ainda não permite colocar uma pedra sobre esse tema BRB/Master. Ainda vem por aí a possível delação de Paulo Henrique Costa, o ex-presidente da instituição, e a do ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro — que, conforme o leitor da coluna já sabe, trabalha uma nova proposta nesse sentido. Logo, a tensão política não se dissipou. Há apenas um alívio institucional, o que por si só, é considerado uma vitória.

Crédito: Kleber Sales

Por falar em alívio institucional…/ Especialistas do mercado financeiro avaliam que o acordo fechado ontem, que resultará no empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao BRB, cria um precedente. “Em operações de crédito de entes federativos, o aval da União melhora a segurança para o credor, porque o Tesouro Nacional fica como garantidor. Nesse aval, a fiança é de um sindicato de bancos e contragarantias do DF, como receitas de Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE). A medida reduz risco sistêmico imediato, mas cria precedente institucional sensível ao dispensar limites fiscais ordinários e concentrar monitoramento no STF” , comentou o consultor financeiro Carlos Henrique Silva Junior. Ou seja, outros entes federados e instituições financeiras podem querer o mesmo, o que foge do rito comum.

Preço a pagar

Os partidos mais à esquerda ficaram revoltados a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) das Igrejas, que garante imunidade de impostos sobre a aquisição de bens e serviços de templos de qualquer culto. Tem muita gente apostando que essa proposta foi moeda de troca para que o Centrão não criasse problemas na votação da PEC que acabou com a escala 6×1. A esquerda foi surpreendida e votou contra. “Esse tipo de acordo eles (Centrão) não nos colocam” , reclamou o deputado Tarcísio Motta (PSol-RJ).

A Fazenda tomou um susto

Ninguém esperava que, numa sessão com votação remota, houvesse quórum para votar uma emenda constitucional, que requer 308 votos sim para ser aprovada, ainda mais numa quinta-feira. Essas sessões costumam durar no máximo duas horas. Mas, ontem, foram sete horas para garantir a aprovação nos dois turnos.

6 x 1 e o Senado

Os senadores oposicionistas começaram a se movimentar para modificar o texto do fim da escala 6 x 1 no Senado. A ideia é discutir um modelo de período de transição maior para a redução das horas trabalhadas. Esse, porém, é o plano B. O plano A da oposição é tentar emplacar a sugestão do senador Rogério Marinho (PL-RN), que prevê pagamento de salário por horas trabalhadas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhou a proposta à Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

Melhor de três

Os deputados Carlos Jordy, Sóstenes Cavalcante e o senador Carlos Portinho estão na briga pela vaga de candidato ao Senado pelo PL do Rio de Janeiro, aberta com a desistência do ex-governador Cláudio Castro ao pleito. Portinho é líder do PL no Senado há seis anos e comandou a bancada governista durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O teste das urnas

Portinho está no páreo, embora tenha assumido o mandato porque era primeiro suplente do senador Arolde de Oliveira, que morreu na pandemia, em 2020. À coluna, Portinho afirmou: “Todos sabem que eu trabalhei o meu mandato para a minha reeleição. Fui eleito melhor senador do Brasil e estou dentro da campanha do Flávio até o pescoço para elegê-lo” .

CURTIDAS

O que vem por aí/ Crescem as apostas sobre pré-candidaturas ao Senado ficando pelo caminho, tal como ocorreu com Cláudio Castro. O prazo das convenções para oficialização das postulações só abre em 20 de julho. Tem muita tente dizendo que, se a Polícia Federal (PF) trabalhar direito, outros cairão antes disso.

E tem mais/ O receio não pega apenas nestas eleições de outubro. Mas se estenderá às mesas diretoras da Câmara e do Senado em 2027. Ou seja, a tensão continuará seja quem for presidente eleito.

E a CMO, hein?/ Quem procura saber dos parlamentares quando será instalada a Comissão Mista de Orçamento (CMO) ouve como resposta: “Pergunte ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)” . Quem já foi dessa comissão diz que a CMO só deve ser instalada após as eleições e a Lei de Diretrizes Orçamentárias será apreciada junto com a Lei Orçamentária Anual (LOA), em novembro.

Lembrança/ Após acompanhar a votação do fim da escala 6×1, o padre Júlio Lancellotti voltou à Câmara dos Deputados para entregar à deputada Erika Kokay (PT-DF) o livro Dilexi Te — Sobre o Amor para com os Pobres, do papa Leão XIV. De acordo com o padre, o documento é uma herança do papa Francisco, que começou a escrever a obra e seu sucessor resolveu compartilhar com o mundo.

A escala 6X1, os empresários e Alcolumbre

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, Política, Rio de Janeiro, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 27 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Sem meios de evitar a aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara, os empresários jogam em três frentes: a primeira, tentar adiar a votação da proposta pelos deputados. A segunda é modificar o texto, ampliando a transição. E, paralelamente a esses movimentos, tentar conquistar o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que vai jogar uma no cravo e outra na ferradura, de olho na própria reeleição para presidir o Senado.

Crédito: Maurenilson Freire

Embora a oposição aposte que o presidente do Senado não levará a Proposta de Emenda à Constituição a voto neste semestre, tem muita gente certa de que o senador pelo Amapá não vai querer ser o “o coveiro” de um tema que mobilizou a sociedade. Se a onda estiver mais favorável ao projeto, ele não vai contrariar os anseios da sociedade, especialmente, no seu estado. Mas o governo não está tão confiante. Tanto é que o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, saiu-se com essa: “Espero que Alcolumbre tenha compromisso com o povo” .

Cai o primeiro governador

Assim, os deputados e senadores se referem a Cláudio Castro e o caso Master. A avaliação geral é a de que outros virão. Especialmente, de estados que tiveram seus institutos de previdência com carteiras de investimentos vinculadas ao banco de Daniel Vorcaro. Inclua-se na conta o Distrito Federal.

Proteção aos aposentados

O líder do PSol na Câmara dos Deputados, Tarcísio Motta (RJ), apresentou um projeto apelidado de “PL Anti-Vorcaro” . A proposta tenta blindar os recursos da Previdência contra riscos do mercado financeiro. O texto determina que 80% dos recursos dos fundos de pensão sejam investidos em ativos públicos seguros, como títulos do governo e instituições financeiras públicas. E os 20% restantes poderão ser investidos na iniciativa privada, mas seguindo critérios rígidos de transparência.

E as candidaturas, hein?

Até o período de convenções partidárias, em meados de agosto, ninguém está seguro como candidato. Leia-se o caso de Aldo Rebelo no Avante comandado por João Caldas.

Alerta máximo!

Especialistas tributários estão preocupados com o efeito da Reforma Tributária na inflação de 2027. Alguns têm defendido que a maioria dos empresários não vai saber calcular a forma de aplicar preço nos produtos corretamente, e há um grande risco de tudo ficar mais caro por causa da dupla tributação: modelo antigo adicionado com modelo novo, em vez de retirar os impostos que não serão mais usados com a implementação da reforma. Por isso, acham que a inflação pode bater a casa dos 7%.

CURTIDAS

Crédito: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A ponta do arco-íris/ Fontes ligadas à Polícia Federal calculam que Daniel Vorcaro tenha, no mínimo, R$ 180 bilhões escondidos em algum paraíso fiscal. A suspeita foi levantada depois da oferta de R$ 60 bilhões do ex-banqueiro para tentar compensar os danos causados ao setor financeiro e, segundo a PF, “comprar” sua delação premiada.

E o Flávio, hein?/ O pré-candidato do PL ao Planalto volta dos Estados Unidos com uma foto, em pé, ao lado de Donald Trump, mas, até o fechamento desta edição, sem nenhum pronunciamento oficial por parte da Casa Branca. Agora, vai começar uma onda de versões sobre o encontro na internet, com gente, inclusive, dizendo que a foto foi montada. No mar de fake news em que o mundo vive, vale tudo.

Honra para Edinho/ O presidente do PT, Edinho Silva, recebeu, ontem, o título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro. A honra foi conferida pelo vereador Leonel de Esquerda (PT).

Pentacampeã/ A Vale é reconhecida como maior investidora do esporte no país pela quinta vez consecutiva. A empresa recebeu, nesta semana, a Comenda Incentivadora do Esporte, concedida pela Câmara dos Deputados àquelas que mais investem em esporte, via leis de incentivo. Só em 2025, a Vale investiu R$ 143,3 milhões em 171 projetos sociais esportivos. Somando esse investimento aos das empresas controladas, o valor chega a R$ 191,5 milhões para 175 projetos, desdobrados em 469 iniciativas em vários estados do país. O prêmio foi recebido por Bruno Queiroz (D), da equipe de responsabilidade social da empresa, que estava acompanhado do deputado Luís Lima (Novo-RJ) (E).

Aldo Rebelo e Renan Santos defendem reforma no Judiciário

Publicado em Congresso, Eleições, Política, STF
Crédito: Divulgação/Esfera Brasil

Por Eduarda Esposito* — Os pré-candidatos à Presidência Aldo Rebelo (DC) e Renan Santos (Missão) defenderam a reforma do Poder Judiciário, caso eleitos, durante o painel “Planalto 2026” no Fórum Esfera Guarujá neste sábado (23/5). Para o ex-ministro Rebelo, a reforma deve ser feita no primeiro dia de mandato.

“Tem que começar com emenda à constituição que tem que ser apresentada no primeiro dia do governo, chamo de emendão. Todos os artigos que dão ao Supremo (Tribunal Federal) poder de interferir e substituir os demais poderes tem que ser revogados, senão o país se torna ingovernável”, defendeu Aldo que luta para manter sua pré-candidatura pelo partido (leia mais no blog).

Para o pré-candidato, é o STF quem tem decidido se haverá ou não Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e sobre o Orçamento, o que considera inconstitucional. “Isso se chama usurpação de atribuições e gera, não apenas insegurança jurídica, mas insegurança institucional entre os Poderes”, pontuou.

Renan Santos seguiu uma pensamento semelhante na questão da atuação do STF em relação aos demais Poderes. Para Santos, a suprema corte não pode agir como última instância.

“O Judiciário tem que cumprir apenas o papel de guardião da Constituição e de ator que discute temas abstratos ligados à questão da constitucionalidade e não mais como última instância do processo legislativo”, defendeu.

O pré-candidato do Missão ainda criticou a atuação de escritórios ligados aos ministros dentro da Suprema Corte. “Ministros do STF não podem ter escritórios ligados a eles fazendo negócio por aí. Todo mundo sabe que isso ocorre. Decisões monocráticas tem que acabar e tem que haver filtro de entrada. São oito mil ações que rolam no STF brasileiro, enquanto a Suprema Corte americana tem 50”, destacou.

Por fim, Santos seguiu Rebelo sobre a temporalidade ao defender que as ações referentes ao Judiciário precisam ser feitas no começo do mandato, mas enfatizou que não quer uma guerra com o Supremo.

“Um presidente que chega com moral, coisa que infelizmente os que estão primeiro nas pesquisas não tem, tem que chegar com essa moral e não para guerrear com o STF. Eu não quero guerra, quero que todo mundo tenha suas atribuições e aí sim o poder executivo recupera seu poder de executar, porque falta ao Brasil poder de execução”, finalizou.