Categoria: Flávio Bolsonaro
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 3 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
As relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e o confronto com o ministro André Mendonça, ficaram fora da sessão do Supremo Tribunal Federal esta semana, num jogo combinado para mostrar que a Corte não deixará de cuidar das suas obrigações, apesar da crise que se abate sobre o topo do Poder Judiciário. O que se diz no STF é que se os temas viessem à tona no colegiado, sem combinação prévia, será a terceira guerra mundial. A ordem é esperar a poeira decantar e viver cada dia com sua agonia, enquanto o Supremo tenta juntar os cacos.
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Pés no chão/ O fato de adiar as decisões não significa apatia. Os ministros sabem que será difícil preservar todo o colegiado. E dada a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para avaliar os pedidos de impeachment contra ministros do STF — em especial Moraes —, a Corte tem plena consciência de que não pode mais desconhecer as relações entre Moraes e Vorcaro e de Vorcaro com outros. Sabe que terá que tomar atitudes, especialmente, diante das pressões para a renúncia de Moraes. O problema, agora, é buscar a melhor forma de sair dessa crise, preservando a instituição. Essa ferramenta ainda está em construção.
É só o começo…
Nos bastidores do debate do Correio Braziliense/TV Brasília com os candidatos ao Governo do Distrito Federal, o que mais se comentava eram as delações que vêm por aí. A prometida pelo dono da Reag, João Carlos Mansur, que geria fundos de investimentos relacionados a Vorcaro, é no atual momento a que tem mais potencial para “quebrar a banca”.
… e vem mais
A avaliação geral dos atores no DF é de que o ministro Mendonça se precipitou ao tratar das denúncias envolvendo o ministro Moraes. Porém, para que tenha feito isso, estava muito pressionado. E ameaçado.
Mais uma vaga no TCU
A Câmara dos Deputados deve indicar mais um deputado para o Tribunal de Contas da União, em novembro. Fontes ligadas ao TCU afirmam, em conversas reservadas, que o ministro Augusto Nardes deve se aposentarem 13 de novembro, antecipando a saída em um mês. O que se comenta é que a vaga será do Progressistas e o partido não descarta indicar o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (AL).
Planos eprojetos
Lira, porém, tem outros planos para 2027. É candidato ao Senado em Alagoas e, se vencer, não deixará os tapetes azuis para assumir uma vaga no TCU. O que Lira almeja, obtido o mandato de senador, é uma cadeira no clube que comanda a Casa.
CURTIDAS
Perguntem para o Flávio/ Parlamentares do PL não conseguem esconder a irritação quando alguém lhes pergunta sobre a prestação de contas do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Dark Horse. Afirmam que há uma prestação de contas e não comentam mais a atuação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro nessa busca por investimento junto a Daniel Vorcaro. O senador que se vire para responder.
Abstenção e vantagem/ Aliados de Flávio avaliam que dois dos três segmentos que apoiam majoritariamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua reeleição terão uma alta taxa de abstenção: os mais pobres e idosos. Com isso, a campanha projeta que os números das pesquisas não estão captando algo em torno de 3% a 4% a mais de intenções para o filho 01.
Visões diferentes/ Enquanto a oposição reclamava da falta de audiências públicas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para discutir o fim da escala 6 x 1, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), divergiu, citando um projeto do senador Paulo Paim (PT-RS) para o mesmo fim: “Fizemos duas audiências públicas no ano passado e só compareceram o autor, o relator e eu”, argumentou.
Enquanto isso, no Rio de Janeiro…/ A esquerda fluminense está bem animada com a campanha no estado. Candidatos avaliam que, após as investigações que retiraram o ex-governador Cláudio Castro (foto) da disputa, o desempenho dos esquerdistas tem sido além do esperado. O campo projeta conseguir eleger a deputada Benedita da Silva (PT) ao Senado e equilibrar as cadeiras na Casa.
“Polarização pode fazer parte da vida, mas não pode conduzir ao ódio, a olhar ao outro como inimigo. O anormal é demonizar quem pensa diferente de você e ver o outro como inimigo” Dom Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, ao comentar a importância do debate Igreja e Politica — Diálogos dos Cardeais do Brasil, promovido pela Rede Vida de tevê, em parceria com outras emissoras católicas
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 2 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Quem entende do traçado e é do meio jurídico considera que somente o presidente do Supremo Tribunal Federal possui atribuições administrativas e competência jurisdicional para abrir sindicância contra um integrante da Corte, salvo se decidir delegar essa competência a outro colega. Isso significa que o ministro Edson Fachin, o comandante do Supremo, é quem tem hoje o poder de investigar o ministro Alexandre de Moraes ou indicar quem deve fazê-lo. Só tem um probleminha aí: a depender da avaliação de Fachin, o ministro André Mendonça perderia toda a relatoria do caso Master. E isso hoje, no STF, passaria a ideia de que querem barrara investigação. E diante de uma Suprema Corte tão desgastada, fica mais difícil.
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Um problema para André/ Dentro da Justiça, o que se diz é que André Mendonça, ao esbarrar nos diálogos suspeitos envolvendo Moraes, deveria suspender todos os seus atos dentro do inquérito do Master e remeter tudo ao presidente do STF para adoção das providências administrativas e penais. Essa atitude caminha para transformar Fachin em relator de todo o inquérito do Master, salvo se entender que não há conexão entre os fatos ora encontrados em relação a um ministro e o objeto do inquérito do Master. Esse é, hoje, o cerne das discussões sobre o futuro do caso Master no STF. É hora de enfrentar esse tema que os ministros tentavam contornar, sem expor Moraes. Agora, não dá mais.
Moraes e a fritura do STF
Edson Fachin analisa instalar inquérito contra Moraes. Ele está para lá de preocupado e considera grave o que foi revelado sobre a relação entre o ministro e Daniel Vorcaro. O comandante da Suprema Corte não esperava tamanha crise sob sua gestão. Quanto antes o pleno decidir sobre o “caso Moraes” — é assim que os ministros se referem às denúncias —, menos a crise se arrasta.
Um Sete de Setembro contra Moraes
A oposição espera aproveitar essas denúncias contra o ministro Moraes como um chamamento para o Sete de Setembro na Avenida Paulista. Só tem um probleminha: com a revelação de outros repasses de dinheiro de Vorcaro para o filme Dark Horse, além do que havia sido divulgado até agora, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também terá que se explicar. Afinal, os repasses foram feitos a pedido do presidenciável e, até agora, não há a certeza deque esses valores foram mesmo parar na produção do longa-metragem.
E os valores só crescem
A revista Piauí trouxe à tona mais um repasse ao filme, o que eleva de US$ 10 milhões para US$ 12,3 milhões os valores repassados a um fundo de investimentos para a produção.
Senado esvaziado
Com o caso Vorcaro voltando a esquentar o clima seco de Brasília, os senadores começam a retornar mais cedo do que estava previsto. Afinal, são duas frentes: uma que trata do caso Alexandre de Moraes e outra sobre o financiamento do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Causa e consequência
Com as denúncias, as chances de votação de projetos importantes são remotas. Os avisos de que muitos voltarão aos estados ainda na manhã de hoje acendeu um alerta vermelho para a base do governo Lula. São duas propostas de emenda constitucional (PECs) e uma série de medidas provisórias que precisam ser votadas ainda esta semana. Além disso, as PECs têm de ter quórum qualificado e registro de presença no plenário da Casa.
CURTIDAS
Haja pressão/ O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), conversou com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), reforçando o pedido para que não votasse a PEC do fim da escala 6 x 1 no plenário hoje. Marinho espera que Alcolumbre mantenha o que foi dito anteriormente — que não haveria apreciação da matéria antes das eleições.
Falte, mas responda por isso/ O relator da PEC do fim da escala 6 x 1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Omar Aziz (PSD-AM, foto), foi direto: “Quem faltar à sessão é porque não quer votar o fim da 6 x 1. E a imprensa vai mostrar quem são”.
As diferenças só cresceram/ Em agosto de 2025, os ministros Moraes e Mendonça foram destaque no Forum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro. Ali, Mendonça foi contundente ao dizer que “o Estado de Direito fortalecido demandava uma autocontenção do Poder Judiciário”. No mesmo evento, ao falar ao final, Moraes disse “juiz que não resiste à pressão que mude de profissão”. Se já estavam em campos opostos lá atrás, agora, então, é que o caldo entornou de vez.
E agora…/ Vejamos como estarão daqui a um ano, depois de divulgada no inquérito uma frase, dita pelo ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, Fábio Faria, a Daniel Vorcaro, referindo-se a um contrato do ex-banqueiro com o escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci: “O careca não pode atrasar”.
Colaborou Renato Souza
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 1⁰ de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Com a entrega do Orçamento da União ao Congresso esta semana e os projetos em pauta, o presidente Lula se prepara para dizer, no horário eleitoral, que seu governo acena com responsabilidade fiscal sem tirar de cena os programas sociais. Encaixará nesse discurso pontos levantados pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sobre uma reforma administrativa que “enfrente as corporações” . Durante a participação no Macro Day, do BTG Pactual em São Paulo, Marinho não esmiuçou a proposta de reforma administrativa, mas disse que é preciso enfrentar as corporações, algo que, na visão dele, o atual governo não fará. Há um receio, no poder público de forma geral, de que essa reforma administrativa reduza o ingresso por concurso em alguns cargos e que isso represente um afrouxamento nos mecanismos de controle. Incluídos aí a Receita Federal, a Polícia Federal, o Ministério Público, o próprio Coaf — o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que, hoje, alerta todas essas instituições a respeito das transações financeiras atípicas.
Retorno ao passado/ Um grupo pensa, inclusive, em recuperar a frase do então presidente Jair Bolsonaro, numa reunião em 2020, quando ele foi direto ao dizer que não esperaria “f.. a família” , para trocar alguém de segurança na ponta. “Se não puder trocar, troca o chefe, se não puder trocar, troca o ministro” . Aliás, com a campanha esquentando, as frases antigas de Bolsonaro serão revisitadas por todos os adversários.
Lula e Alcolumbre I
Ao indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga de Bruno Dantas no Tribunal de Contas da União (TCU), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, garante um lugar de peso para o seu aliado, mas não sela a sua pacificação com Lula, uma vez que este posto já é de indicação dos senadores. O que falta para dar os 100% entre Lula e o senador amapaense é Alcolumbre desmontar as travas para a aprovação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal.
Lula e Alcolumbre II
Como o leitor da coluna já sabe, o presidente Lula não desistiu de indicar o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) e planeja fazer isso depois da eleição. Porém, já tem gente apostando que Bruno Dantas não teria deixado o cargo sem a promessa de uma indicação ao STF. Com isso, duas das possíveis quatro novas vagas na Suprema Corte seriam destinadas a homens.
Vão dificultar
A oposição no Senado promete uma votação demorada da PEC do fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Para isso, preparou um kit obstrução robusto para comissão e plenário, caso necessário, e garante que votará contra o texto, diferentemente do que ocorreu na Câmara. De acordo com senadores ouvidos pela coluna, a oposição não irá se “furtar” do compromisso com o Brasil e com quem gera emprego no país, diferente dos deputados que não bancaram o voto contrário. “Lula está buscando a bala de prata, que não ocorrerá” , diz o senador Rogério Marinho.
Convocação geral
Parlamentares da base do governo Lula estão a caminho de Brasília nesta semana para a possível votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 no Senado. Mesmo em período eleitoral, deputados e senadores estão confirmando presença no Congresso Nacional hoje e, principalmente, amanhã. A expectativa no Parlamento é a de que o texto seja aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) amanhã.
CURTIDAS
Efeito Cury/ Se as futuras pesquisas confirmarem o crescimento de Augusto Cury nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá que rever a sua disposição de não participar de debates. Pelo menos essa é a opinião de deputados que apoiam a candidatura do senador. É que, com vários representantes mais conservadores no páreo, quem não se apresentar corre o risco de perder a torcida.
O entusiasmo fala/ Se alguém tinha alguma dúvida sobre para que lado pende o coração de, pelo menos, parte dos barões do mercado financeiro nesta eleição, agora não tem mais. Na plateia do Macro Day, do BTG Pactual, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha de Flávio Bolsonaro, foi ovacionado ao dizer que era preciso tirar o PT.
Novos tempos/ Para a mesma plateia do BTG, o vice-presidente Geraldo Alckmin havia dito antes do senador potiguar que há uma tendência natural no mundo de redução da jornada (e/ou escala) de trabalho e que era possível a aprovação da PEC esta semana. Teve gente se remexendo na cadeira.
E a segurança, hein?/ Logo depois de se referir à segurança pública como algo que a Constituição atribui aos estados e não à União, o ministro da Fazenda, Dario Durigan (foto), se referiu ao aniversário de um ano da Operação Carbono Oculto, que desbaratou um esquema do crime organizado para lavar dinheiro usando postos de combustíveis e fundos de investimentos. E foi além, ao dizer que está-se montando um sistema de IA para a realização de uma Carbono Oculto a cada dois meses. Se for por aí, avaliam governistas, Lula pode ter um passe para entrar com o pé certo no discurso de combate ao crime organizado.
Colaborou Luiza Altoé
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 27 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A conversa entre Lula e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vem sob encomenda para dar à campanha do petista um mote que o tire dos assuntos espinhosos, como as suspeitas que envolvem o filho mais velho em tráfico de influência, e as dificuldades que o país atravessa na seara econômica. Para completar, a foto dos três juntos em prol de projetos que regulamentam minerais críticos, taxa das blusinhas e outras matérias bem vistas pela população foi lida no meio político como um ponto que coloca Lula na posição de um líder que dialoga com outros partidos em benefício do povo. Ainda que não consiga aprovar tudo na semana de esforço concentrado, terá engatilhado o discurso das “entregas”.
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Discurso e receita/ As pautas que serão votadas na semana de esforço concentrado, a partir da próxima segunda-feira, tratam das maiores bandeiras defendidas por Lula: direitos da classe trabalhadora e a proteção da soberania do Brasil. Contudo, nem só de discurso vive o governo do petista. A regulamentação do regime tributário de datas centers, o Redata, deve atrair R$ 500 bilhões em investimentos, assim como a política nacional de minerais críticos, que deve somar R$ 192,1bilhões ao PIB brasileiro até 2050 — segundo estudo da Amcham Brasil. Uma injeção de recursos em um orçamento deficitário.
Dark Horse, a incógnita
Integrantes da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) têm dito que os valores de distribuição do Dark Horse, o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro, periga inviabilizar a exibição do longa-metragem nos cinemas brasileiros. Por enquanto, o que se sabe até agora é que custou, pelo menos, US$ 13,3 milhões. Porém, a produtora ainda não apresentou o contrato com Daniel Vorcaro, que teria financiado R$ 61 milhões. Por essas e outras, aquela ideia de lançar o filme em setembro, em plena campanha eleitoral, ainda está pendente.
Hora das contas
A equipe econômica do governo trabalha para fechar o Orçamento e enviá-lo ao Congresso na próxima segunda-feira. A dificuldade está em “fechar as contas”. A percepção de muitos, nos bastidores, é de que haverá deficit tanto em 2027 como em 2028. Nem mesmo o valor do salário mínimo, já adiantado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, de R$ 1.741, está acertado, uma vez que depende da inflação fechada para realizar o cálculo.
Fuga da polarização
Flávio Bolsonaro deve ficar sem o palanque de Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. A missão do ex-governador é se eleger e, ainda que seu partido esteja coligado ao PL, a estratégia em curso é ignorar a disputa presidencial e, assim, tentar buscar os votos de petistas e bolsonaristas. A avaliação dos aliados do tucano é de que, ao ficar distante de Flávio, a campanha tira o único argumento dos petistas contra Ciro: dizer que o ex-governador estaria alinhado a Jair Bolsonaro.
Por falar no Ceará…
O deputado Mauro Benevides Filho (União-CE) foi retirado da vice-liderança do governo da Câmara dos Deputados após políticos do Ceará dizerem a Lula que o parlamentar deixava eleitores confusos. Benevides já declarou, mais de uma vez, o voto em Lula nesta eleição, mas é aliado e coordenador econômico de Ciro Gomes no Ceará. Para petistas, essa posição ambígua de Benevides é prejudicial para a campanha do atual governador, Elmano de Freitas (PT), porque estaria retendo o crescimento dele nas pesquisas.
CURTIDAS
Dois tons…/ O discurso de Hugo Motta no Alvorada foi na linha daquilo que os petistas queriam: falou da conversa entre eles como algo que “o Brasil precisa”. Para muitos políticos, ficou subentendida a necessidade de manter essa configuração.
… de vermelho/ Embora tenha reclamado do pouco tempo para os senadores analisarem as medidas provisórias, Alcolumbre fez questão de elogiar Lula como alguém que sabe rever decisões e ajustar rotas.
Presença em causa própria/ Ao participar apenas do culto de 111 anos da Assembleia de Deus em Alagoas, Arthur Lira (PP-AL) fez seu próprio cálculo — e não se deveu à presença de Flávio Bolsonaro. Embora em política as coincidências passem longe, o ex-presidente da Câmara dos Deputados considerou que não podia ficar fora da festa, ainda mais porque queria aproveitar para vincular o aniversário ao seu número para o Senado na urna eletrônica.
Por elas/ O IDP promove, amanhã, às 10h, em São Paulo, mais um debate. Desta vez, o tema é “Proteção das mulheres no ambiente digital e o novo dever de cuidado das plataformas”. A moderação será da coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Renata Mielli (foto). O painel conta com a participação do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva; da gerente de Relações Governamentais e Políticas Públicas no Google, Flávia Annenberg; da gerente de políticas públicas da Meta, Mag Kang; e da diretora-executiva do InternetLab, Fernanda Campagnucci.
Colaborou Rosana Hessel
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 26 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A decisão do senador Omar Aziz (PSD-AM) de apresentar seu parecer sobre o fim da escala 6 x 1 sem alterações levará os congressistas a se posicionarem sobre a proposta, expondo aqueles que são contra. Mesmo que a votação fique para depois das eleições, a avaliação geral é de que ninguém poderá se esconder sobre esse tema nesses 38 dias que antecedem o pleito. E dará discurso para o horário eleitoral gratuito, a partir da semana que vem.
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Narrativas em construção/ A ideia é deixar subentendido que, quem estiver contra a proposta agora, não aprovará projetos de interesse dos trabalhadores no futuro. Se a estratégia vai funcionar, ainda não se sabe. Afinal, são 38 dias em que, dizem os especialistas em pesquisas, nenhum candidato está livre de ser atropelado por fatores que podem jogar por terra qualquer plano de conquista de votos. Com o filme Dark Horse ainda fustigando Flavio Bolsonaro e o filho do presidente Lula, o Lulinha, deixando o pai na defensiva, os líderes das pesquisas não terão céu de brigadeiro até 4 de outubro.
Outra polêmica
Paralelamente à escala 6 x 1, estará em discussão a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública. O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), vai manter o texto aprovado pela Câmara dos Deputados a fim de acelerar a tramitação. Ele tentará votar a PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima semana, de forma a buscar a apreciação no Plenário ainda na semana que vem.
Renovação de promessa
A criação do Ministério da Segurança Pública, promessa do governo Lula que ainda não foi cumprida, está condicionada à aprovação da PEC relatada por Rogério Carvalho. Aliados avaliam que a votação seria positiva para a campanha do presidente e reforçaria o discurso de combate ao crime organizado no período eleitoral.
E em São Paulo…
…nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada ontem, mostra empate entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno da eleição, ambos com 30%. Na pesquisa realizada no fim de julho, o filho 01 de Jair Bolsonaro apresentou 34% na capital paulista, enquanto o petista, 30%. O resultado é comemorado pela campanha do presidente, uma vez que São Paulo é o maior colégio eleitoral do Brasil e, muitas vezes, um laboratório sobre o que ocorre no restante do país.
Na incerteza…
…não ultrapasse. Nem o candidato a governador de Alagoas pelo PSDB, João Henrique Caldas, o JHC, nem o candidato ao Senado, Arthur Lira (PP-AL), compareceram ao evento de Flávio Bolsonaro em Maceió. Sinal de que nenhum dos dois alagoanos, opositores do senador Renan Calheiros (MDB), deseja brigar com Lula ou apostar todas as fichas num candidato que é dúvida entre os nordestinos.
CURTIDAS
Vai ser assim/ Onde for bom para o candidato a governador, a campanha presidencial será colada. Onde não for positivo para quem concorre a um governo estadual, cada político fará sua campanha e o presidenciável que se vire. Independentemente de partido.
Lula, Mourão e o diálogo/ Na solenidade do Dia do Soldado, o presidente aproveitou para conversar com o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS, foto). O presidente pediu e obteve um sinal positivo do ex-vice-presidente do governo Bolsonaro para um voto favorável à proposta que trata da exploração de minerais críticos. Mourão não vota em Lula, mas não negou um cumprimento ao comandante em chefe das Forças Armadas. Na democracia é assim que se faz.
Nem na Lava-Jato/ A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, oficializou representações, externando a preocupação com vazamentos que considera “seletivos”, a respeito da investigação do primogênito de Lula. O advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, afirmou que nunca viu algo parecido. “Não tem precedentes, nem na história da finada Operação Lava-Jato. Precisamos tirar o rosto do processo. Se acontece algo assim com o filho do presidente, quem dirá o que pode ocorrer com outro cidadão qualquer”, critica. As representações foram enviadas ao Ministério da Justiça, à Polícia Federal e aos ministros Flávio Dino e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Na cobrança/ A defesa de Lulinha permanece pressionando as autoridades competentes sobre a apuração dos inquéritos instaurados para apurar os vazamentos do caso. As informações que têm sido divulgadas preocupam não só os advogados de Fábio, como o entorno da campanha de Lula — ainda mais às vésperas do início do horário eleitoral no rádio e televisão.
Se for eleito, Flávio enviará PEC ao Congresso com medidas de corte de gastos antes da posse
Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — Coordenadora da proposta o candidato Flávio Bolsonaro para a economia, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal e financista Daniella Marques fez questão de marcar diferenças de projetos entre as propostas de Flávio Bolsonaro e o presidente Lula. Em sua exposição no 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, ela fez questão de dizer que o atual governo acena por ajustes no lado da receita, enquanto a proposta em estudo pela equipe de Flávio fará o ajuste pela despesa, ou seja, corte de gastos. Ela informou que, caso eleito presidente, o senador do PL apresentará ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) antes da posse, para enxugar Ministérios e cortar despesas públicas.

Marques avalia que o governo do Zero Um deve ter entre 20 a 25 pastas, corte de despesas operacionais e administrativas, revisão do arcabouço fiscal e um pacote mirando supersalários e sobreposição de ações governamentais. Marques afirmou ainda que não há estimativa de efeito fiscal promovido pela medida.
“Flávio já fez esse compromisso publicamente algumas vezes. A ideia é negociar no colégio de líderes, liderado pelo Rogério Marinho e pelo próprio Flávio, para que a gente ofereça um cardápio, mas tem a vida do técnico e tem a vida política. Então, o caminho é através da política. Confiamos que teremos maioria no Congresso após essas eleições, será um congresso amplamente de centro-direita. Então, a ideia é construir consenso para que a gente envie um projeto que já tenha convergência e seja rapidamente aprovado”, afirmou Daniella, logo após palestra no 25º Fórum Empresarial LIDE no Rio de Janeiro.
Sobre a parte que cabe ao Congresso Nacional, as emendas parlamentares, Daniella afirmou que a opinião dos técnicos é irrelevante, contudo, espera que os parlamentares estejam à mesa de discussão e entendam que o cobertor está curto e não podem olhar “para si”. A PEC pode incluir algo sobre gastos obrigatórios, mas não há nada definido. A coordenadora afirma que será o Congresso quem decidirá essa parte.
Ministérios e servidores
Daniella Marques também comentou que será possível substituir cargos e servidores aposentados com inteligência artificial como forma de enxugar a máquina pública. Porém, essas questões “mais estruturantes”, foram elencadas por ela como “agenda de futuro”. Questionada sobre haver alteração na estabilidade dos servidores públicos, a coordenadora foi direta ao dizer que não haverá nenhuma medida nesse sentido. “Não há moral para discutir nenhum ajuste em nada da população brasileira enquanto não se olhar para o excesso e para o desperdício de recursos. Não há moral de Brasília para discutir nenhuma medida estruturante em relação a qualquer programa se não cortar na própria carne”, defendeu.

“Isso é o futuro. As carreiras serão absolutamente respeitadas, e um estado mais eficiente permite que sejam melhor remuneradas também. Mas existe toda a questão da estabilidade que a gente conhece e respeita. Então, como há um decaimento, a cada ano uma parcela relevante se aposenta, se a gente der um choque digital no governo, teremos um estado mais eficiente para nós, para o cidadão, funcionando na palma da mão dele e, principalmente, que reconheça e remunere melhor o seu quadro de servidores”, explicou.
Marques lembrou que a Esplanada tem mais de 35 ministérios hoje, com 12 milhões de servidores que custam, por ano, R$ 450 bilhões aos cofres públicos, fora outros R$ 150 bilhões usados para bancar a estrutura com custos operacionais, técnicos e terceirizados. “Então, quantas carreiras poderão ser substituídas, operacionais e administrativas, promovendo uma reforma administrativa digital e enxugando um contingente atual de 12 milhões de servidores, que custam a nós R$ 450 bilhões por ano, só os que têm estabilidade”, declarou.
Marques também detalhou outras medidas de cortes na área econômica para aumentar a eficiência do gasto público e promover um equilíbrio fiscal das contas públicas. A coordenadora lembrou inclusive da fala do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante o seminário Santander. Na visão de Marques, Galípolo vê um esgotamento do modelo atual do governo, ao defender que o Brasil precisa mudar para um modelo econômico de produtividade e de incentivo à oferta. Marques mencionou também um ponto da fala do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), no mesmo evento, que disse que a saída seria pelo lado da receita.
“A nossa primeira frente é fiscal. A gente não quer começar aumentando o imposto de quem produz e, por isso, o confronto é claro. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, também nesse evento do Santander essa semana, falou que a saída é pelo lado da receita. Querem botar a gente para continuar, isso está no plano de governo e a gente não acha que é isso. Queremos começar dentro de casa, revendo estruturas, combatendo desperdício e privilégios, reduzindo sobreposições, reavaliando estatais e ativos que não fazem sentido permanecer na mão do Estado, digitalizando processos e centralizando serviços administrativos”, detalhou.
Daniella também defendeu que “responsabilidade fiscal é a política mais social que existe” e quem não cuida das contas não cuida das pessoas. E criticou a sobreposição de Poderes. “Não há liberdade econômica num país instável, em que não há harmonia, em que há sobreposição de decisões entre os três poderes. E isso hoje talvez seja a maior das inseguranças jurídicas e o maior custo Brasil que a gente tem”, disse.
*A jornalista viajou a convite do LIDE
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 19 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Embora o PL esteja disposto a distribuir todo o material replicando a campanha de Flávio Bolsonaro país afora, muitos de seus potenciais aliados em vários estados vão trabalhar em carreira solo. É o caso, por exemplo, de Alagoas. Ainda que o deputado Alfredo Gaspar (PL) seja candidato a vice-presidente, a maioria dos candidatos fará a própria campanha, inclusive o ex-prefeito de Maceió candidato ao governo estadual, João Henrique Caldas (PSDB). JHC começa a campanha cuidando apenas da sua caminhada pelo estado, uma vez que o principal adversário, senador Renan Filho (MDB-AL), tem a maioria dos prefeitos do interior. E nessas andanças, ele só levará o nome de Flávio dependendo do que seus aliados chamam de “dinâmica da campanha”.
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E no PT, hein?/ Até aqui, a ideia em muitos estados é deixar que os candidatos a presidente cuidem cada um de si mesmos. No caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Nordeste muita gente vai “colar” a campanha por causa da preferência que ele tem por lá. Porém, em estados onde o PT não tem candidato a governador, a tendência é a campanha presidencial ficar em segundo plano. Se o nome de Lula ajudar, o interessado empunhará a bandeira do presidente-candidato. Se atrapalhar, os coordenadores da campanha nacional que se virem para fazer propaganda do presidenciável.
Quem faz as contas
Renan Santos promete anunciar, na próxima semana, quem será seu ministro da Fazenda, caso vença a eleição em outubro. Até aqui, um dos colaboradores da área econômica que tem acompanhado o candidato do Missão à Presidência nas conversas é Paulo Bijos, ex-secretário de Orçamento do Ministério do Planejamento. Bijos, que faz parte do quadro de consultores da Câmara dos Deputados, deixou a pasta em 2024, depois de apresentar uma projeção de colapso das contas públicas em 2027.
Por falar em Renan…
O setor de comércio e serviços gostou do que ouviu do candidato do Missão ao Planalto, esta semana. Ele deixou uma imagem de “jovem, carismático e autêntico”. A impressão é de que talvez seja hora de arriscar algo novo e sair da “mesmice”. Renan trouxe para o segmento um sentimento de possível renovação.
Dinheiro pouco…
O PSD de Gilberto Kassab é um dos partidos que ainda não definiu como distribuirá seu fundo eleitoral (R$ 421 milhões). O partido deseja aumentar a bancada na Câmara (hoje são 48 deputados) e quer manter a bancada de, pelo menos, 13 senadores, dos quais apenas três têm mandato até 2031. O partido tem 15 candidatos ao Senado, seis à reeleição e outros nove concorrendo pela primeira vez.
… e difíceis decisões
Mas, dentro do partido, fala-se na chance de eleger oito governadores. Esse cenário tem feito Kassab pensar com muita calma em como direcionar os valores para cada candidato. O partido tem 1.125 candidaturas, sendo 13 aos governos estaduais, 15 ao Senado e 436 para a Câmara dos Deputados.
Dr. Caiado pela vacinação
Durante a apresentação do plano de governo para a área da saúde, Ronaldo Caiado (PSD) foi enfático ao defender as vacinas e culpou o movimento antivax pelo surto de sarampo em São Paulo. “Farei questão de estar à frente, em toda a campanha, para poder orientar as mães. Poder mostrar que aquilo (vacina) é fundamental para as crianças”, afirmou.
CURTIDAS

Quem foi, foi/ Os candidatos estão com dificuldades em colocar suas campanhas nos templos evangélicos. Quem tem um trabalho há anos nas comunidades é sempre bemvindo. Porém, quem chega agora para tentar obter votos, recebe quase um “passa fora”.
Ficou assim/ Candidato à reeleição para deputado federal, Alberto Fraga recebeu do PL a promessa de repasse do teto de recursos para a sua campanha — ou seja, R$ 3,1 milhões. “Quem está começando, ou seja, em sua primeira campanha, não terá tudo isso”, avisa. Fraga está no quinto mandato de deputado federal.
Sem meias-palavras/ Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas candidatas ao Senado pelo PL, chegaram juntas para o lançamento da campanha de Fraga, que contou ainda com a presença de José Roberto Arruda, candidato ao GDF. Michelle foi direta ao dizer para Arruda que não votaria nele. Ela e Bia Kicis estão fechadas com a reeleição da governadora Celina Leão (foto).
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 12 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tirou, aos poucos, os partidos de centro da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), inclusive o PP de Ciro Nogueira. Agora, vem a segunda fase: apoios ostensivos. Na segunda-feira, foi o dia de o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarar o apoio à reeleição. Agora, os petistas aguardam gestos semelhantes do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre chegou pela primeira vez ao comando da Casa pelas mãos dos bolsonaristas e pela proximidade com o ex-ministro Onyx Lorenzoni. Naquela época, Bolsonaro acabara de ser eleito presidente da República e o candidato apoiado pelo PT para Presidência do Senado era Renan Calheiros (MDB-AL). Agora, com os bolsonaristas dispostos a eleger um nome mais fiel a Bolsonaro, Alcolumbre se vê obrigado a buscar uma reaproximação com o Palácio do Planalto.
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Perdas e danos/ O encontro de Lula e Alcolumbre, com a presença do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi considerado positivo. Do ponto de vista político, porém, esse convescote ainda será muito explorado por Flávio Bolsonaro, que se referiu, ontem, ao magistrado como “o grande articulador político de Lula”. Dentro do PL, essa aproximação é mais um motivo para promover o impeachment do ministro, um assunto que esta semana o PL colocou de vez na campanha, com a reunião entre o filho 01 e os senadores.
Siameses
A decisão de Flávio de não participar de debates dependerá sempre da presença de Lula. Se o petista não for, o senador também não irá. A campanha avalia que se expor para potenciais aliados de segundo turno seria prejudicial para o candidato do PL, uma vez que ele se tornaria o alvo com a ausência do presidente da República. Afinal, tanto Ronaldo Caiado (PSD) quanto Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) atacariam Flávio de olho no segundo lugar que o filho 01 apresenta nas pesquisas.
Só tem um probleminha
A fuga dos debates, porém, pode ser uma faca de dois gumes. Embora Flávio tenha um exército nas redes sociais, alguns aliados temem que ele passe a impressão de despreparo para tais eventos, algo que não ocorre com Lula, que disputou seis eleições e participou de vários embates presidenciais.
Carimbo
Ao longo da sabatina do Correio Braziliense com os 11 candidatos ao governo do Distrito Federal homologados nas convenções partidárias, todos os 10 adversários da governadora-candidata Celina Leão se referiram à atual administração do GDF como “Ibaneis-Celina” ou “Celina-Ibaneis”. Todos querem colar a imagem da governadora no desgaste político do antecessor, depois do escândalo Master-BRB e da desistência da candidatura ao Senado.

Por quem o MDB raiz torce
Enquanto o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, tece loas a Flávio Bolsonaro, os dois emedebistas que já ocuparam a Presidência da República, José Sarney e Michel Temer, posam para fotos ao lado do candidato do PSD, Ronaldo Caiado, na casa (foto) do candidato a vice-presidente, Gilberto Kassab (PSD). Caiado, que está morando em São Paulo, tem o apoio ainda de Aldo Rebelo, Heráclito Fortes, Jorge Bornhausen e Roberto Brant. Todos ex-parlamentares de um tempo em que a política era feita com mais respeito e diálogo entre os adversários.
CURTIDAS
Nem perguntou/ O PT e a base governista cogitaram o nome do senador Eduardo Braga (MDB-AM) para a relatoria da medida provisória da taxa das blusinhas na comissão mista. O parlamentar sequer foi consultado. Ele concorre à reeleição no Amazonas e o período de campanha se inicia domingo.
Mais um/ O deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI) é um dos indicados para a presidência da comissão mista da MP da taxa das blusinhas. É mais uma indicação de peso da Câmara dos Deputados entregue ao partido do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Entretanto, o PT escolheu Reginaldo Lopes (MG) e planeja brigar pelo posto.
Vote sim/ Movimentos sociais ligados à proteção das mulheres marcaram presença na Câmara dos Deputados, na terça-feira, para pressionar Hugo Motta a colocar o projeto de lei que criminaliza a misoginia em votação. As voluntárias distribuíram adesivos de apoio à matéria, escrito “Eu Voto Sim”.
Por falar em Motta…/ O PL não gostou nada da afirmação do presidente da Câmara de que votaria em Lula. Para membros do partido, fica clara a inclinação de Motta para ajudar o governo com pautas na Casa
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 11 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A operação da Polícia Federal de ontem, em Alagoas, foi recebida no meio político como mais um sinal de que o escândalo do Banco Master ainda tem muito potencial para colocar candidaturas na berlinda. Dessa vez, a operação teve como alvo principal o secretário de Fazenda de Maceió, João Felipe Alves Borges, que está no cargo desde o início da gestão de João Henrique Caldas na prefeitura, em 2021. Agora já fora do Executivo municipal e disposto a concorrer a um mandato eletivo, seja governo estadual, seja Senado, JHC, embora não seja alvo da operação, será chamado pelos adversários a explicar por que não evitou a aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência de Maceió no Master.
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Até aqui…/ O imbróglio alagoano é mais um em meio aos que já surgiram no rastro do Master e do roubo dos aposentados e pensionistas do INSS. Na semana passada, foi o senador Weverton Rocha (PDT-MA), alvo de mais uma fase da Operação Sem Desconto — sobre o escândalo da Previdência —, que ainda se mantém candidato, mas obrigado a se explicar. No DF, Ibaneis Rocha desistiu do Senado. No Rio de Janeiro, o ex-governador Cláudio Castro também se afastou da disputa eleitoral, depois que veio a público sua ligação com Daniel Vorcaro. Quem continua firme fazendo campanha no Piauí e sem mencionar o caso é o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira. Até sábado, data-limite para registro das candidaturas, muita coisa ainda vai mudar Brasil afora.
Ponto central
A tomar pelo discurso dos candidatos a senador pelo PL Brasil afora, o Supremo Tribunal Federal irá dominar os debates para o Senado. A maioria deles, sem exceção, menciona a necessidade de colocar os pedidos de impeachment dos ministros para tramitar. E hoje, na reunião de Flávio Bolsonaro com os candidatos, ficará decidido que esses ataques ao STF terão que estar presentes no discurso.
Alcolumbre que se cuide
Para cumprir seu objetivo, os bolsonaristas esperam eleger, no mínimo, 30 senadores. Se atingir esse número, um bolsonarista será guindado ao comando do Senado com a missão de colocar os processos em andamento. E já está decidido que este candidato para comandar a Casa não será Davi Alcolumbre (União-AP).
Por falar em Flávio…
Candidato ao governo de São Paulo, o ex-minsitro Fernando Haddad (PT) aproveitou a entrevista à CNN para se referir ao patrimônio de Flávio Bolsonaro e aos imóveis comprados com dinheiro vivo. Ainda se referiu ao dinheiro obtido com Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
E o Congresso, hein?
A semana será de esforço concentrado, mas nem tanto. É que foi aberta a possibilidade de votação pelo sistema Infoleg, em que o parlamentar pode votar de forma remota. Vai ter muito candidato que não pisará em Brasilia.
CURTIDA

Sem defensor/ O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos, foto) aproveitou o debate da Band com os candidatos ao governo estadual para dar uma cutucada no presidenciável Flávio Bolsonaro. “Flávio, vou mandar um recado para você. Que vergonha, teu candidato não te defende”, afirmou.
Cada um por si/ Garotinho referia-se aos ataques a Flávio proferidos pelo candidato William Siri (PSol) durante o debate no estado e a falta de uma palavrinha em prol do Zero Um de Jair Bolsonaro por parte de Douglas Ruas, que concorre ao governo fluminense pelo PL.
Esquenta 2030/ Assim os políticos estão se referindo ao debate entre os candidatos ao governo de São Paulo — Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição, e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. É que ambos são considerados apostas para a Presidência da República na próxima eleição.
É hoje!/ De 7h até 17h, o Correio Braziliense entrevistará todos os candidatos ao Governo do Distrito Federal. É o compromisso do jornal em manter o eleitor informado sobre projetos e planos para a capital do país. Acompanhe pelas redes sociais do Correio, pelo site do jornal e pela edição impressa de amanhã.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 7 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Os dois dígitos que o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, apresentou na pesquisa Correio/Opinião sobe intenção de votos no Distrito Federal, foram vistos nos partidos e centro — e até por integrantes do PL — como um sinal de que a candidatura do ex-governador de Goiás não pode ser desprezada. No DF, um dos menores colégios eleitorais do país, a pesquisa estimulada tem Flávio Bolsonaro (PL) com 33,5% na liderança; Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segundo, com 32%; Caiado em terceiro, com 11,5%; e Renan Santos (Missão), com 4,6%. Já tem gente apostando que Flávio, com uma rejeição alta, tem o recall de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Caiado, ao contrário, tem baixa rejeição e se conseguir se tornar conhecido, vai dar trabalho ao senador do Rio de Janeiro.
Termômetro/ Os bolsonaristas não escondem o incômodo com os candidatos conservadores que concorrem em raias separadas do bolsonarismo-raiz. Um dos pontos que chamou a atenção até mesmo de integrantes do PL foi um post nas redes sociais do ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, candidato ao Senado em Santa Catarina. Diz o filho 02 de Jair Bolsonaro: “Os únicos três objetivos da chamada ‘terceira via’, hoje camuflada como a chamada ‘direita permitida’, são eleger Lula, enterrar politicamente Jair Bolsonaro e os presos do 8 de Janeiro (…)”. Termina dizendo que “esse grupo é ainda mais prejudicial ao país do que o próprio PT”. No DF, o raciocínio do ex-vereador carioca sobre eleger Lula não se sustenta, uma vez que, a preços de hoje, num segundo turno, Caiado teria 50% dos votos contra Lula e Flávio, 46%. Ambos derrotariam Lula, mas Caiado teria mais votos.
Um discurso para Lula
O pedido de conversa do presidente Lula com o dos Estados Unidos, Donald Trump, deixa o norte-americano na seguinte situação: se recusar, soará como alguém que não pretende dialogar com o Brasil, reforçando a narrativa de interferência no processo eleitoral; se Trump aceitar a conversa, quem não vai gostar é Flávio Bolsonaro.
Um teste para Messias
Após a nota dos 27 superintendentes regionais da Polícia Federal em defesa da direção e da independência da corporação, coube ao advogado-geral da União, Jorge Messias, intermediar uma reunião entre os ministro da Justiça, Wellington Silva, e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para tentar acertar os ponteiros em relação ao trabalho da PF e do STF nos casos envolvendo o INSS e o Banco Master. Se as conversas avançarem a bom termo, Messias, que foi apoiado por Mendonça quando da indicação para o Supremo, vira um potencial nome para a Justiça na hipótese de reeleição de Lula.
Veja bem
Lula não desistiu de indicar Messias ao STF, mas não pretende dar murro em ponta de faca. E se ficar praticamente impossível garantir os votos pró-Messias no Senado, o Ministério da Justiça é o caminho mais viável.
Aos números
Numa entrevista com Flávio Bolsonaro, a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, atacou o trabalho na área feito pelo governo Lula com dados da pandemia. “Se você pegar o primeiro semestre deste ano, são mais de seis mil empresas quebradas, sendo que na pandemia não foram duas mil quando ficou tudo fechado”, disse. Contudo, estudo divulgado em 16 de julho de 2020 pelo IBGE, intitulado “Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas”, apontou que mais de 716 mil empresas fecharam, sendo quatro em cada 10 devido à pandemia (522 mil).
CURTIDAS

Revisa aí/ A defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres pediu ao STF a revisão criminal da condenação dos 24 anos de prisão pela trama golpista. Os advogados declaram falta de provas e pedem a soltura imediata de Torres. Caso a absolvição seja negada, a defesa insistirá na redução da pena, sob a alegação de que não houve “fundamentação individualizada” no julgamento. O ex-ministro está preso na Papudinha desde novembro de 2025.
Corrige aí/ Até agora, pelo menos dois candidatos vieram a público explicar que houve erros em suas autodeclarações de raça ao Tribunal Superior Eleitoral. Candidata a vice-governadora do Rio Grande do Norte, Larissa Rosado (PSB) constava como parda e afirmou que vai pedir a correção. O segundo vice-presidente da Câmara, deputado Elmar Nascimento (União-BA, foto), candidato à reeleição, consta como negro. Vai solicitar a alteração.
Dégradé/ Em 2018, Elmar se declarou branco; em 2022, pardo; e em 2026, negro. E frisou que demais candidatos têm passado o mesmo. Em nota, afirmou que houve um erro: “Situações dessa natureza têm sido verificadas por outros candidatos durante o processo de registro de candidaturas para as eleições deste ano, evidenciando tratar-se de uma inconsistência pontual de natureza administrativa, passível de correção pelos meios legalmente previstos”, disse.
Hora da união/ O STF e o TSE deverão evitar alfinetadas públicas, na avaliação de fontes próximas aos magistrados. O Poder Judiciário passa pela sua pior crise de imagem, de acordo com interlocutores ouvidos pela coluna, e nesse momento, para amenizar a crise institucional, os ministros devem adotara unidade em vez da individualidade, como forma de protegerem a instituição.
Colaborou Renato Souza




















