As saias e Flávio

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 29 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Flávio Bolsonaro conseguiu, neste processo eleitoral, gabaritar o dito popular levado muito a sério na política: “Não se briga com quem usa saias: mulher, juiz e bispo”. Ele tentou se aproximar das mulheres, separar os juízes do caso Alexandre de Moraes, e, agora, bate nos bispos católicos. Acusa a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de contribuir para as fake news sobre tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A CNBB respondeu que não se combate mentira com mentira.

Atrás do prejuízo

A nota do Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) foi clara ao repudiar a fake news sobre a Nossa Senhora e reafirmar o respeito entre as religiões. “Evangélicos e católicos vivem em paz”. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), publicou em seu WhatsApp: “É muito sério! Divulgue, por favor!”, devido à proporção que o tema tomou nas redes e na campanha de Flávio.

Veja bem

Católicos e evangélicos não vivem tão em paz assim. Em 1995, um pastor da Igreja Universal chutou a imagem de N.S. Aparecida ao vivo e o vídeo jamais foi esquecido. Houve um projeto, em 2007, que tirava o título de Padroeira do Brasil e foi arquivado. Recentemente, Flávio afirmou em suas redes sociais: “Vou decretar que o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo”. A frase foi lida como um aceno aos evangélicos e um desprestígio à Padroeira. Na avaliação de muitos, foi o que causou toda a celeuma desses dias.

Os riscos de Lula e de Flávio

Crédito: Maurenilson Freire
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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 29 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve comparecer ao debate promovido pela tevê Globo, na reta final deste primeiro turno. E por um motivo muito simples: teria cinco minutos em cada bloco para falar do governo, enquanto todos os outros o atacariam durante 15 minutos. Ainda há tempo, até quinta-feira, para uma nova reflexão dentro do PT, mas essa contagem de 15 contra cinco é o principal ponto. Flávio Bolsonaro, porém, afirmou que não deixará de ir, com ou sem a presença do presidente.

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Contagem regressiva/ O cálculo da campanha é de que Lula pode aproveitar esse tempo num ato de campanha em algum lugar do país, colocando-se ao lado dos mais pobres. Além disso, não seria a primeira vez que um candidato deixaria de comparecer ao debate de encerramento do primeiro turno. Em 1994, a mesma Globo optou por não fazer esse confronto. Deixou para o segundo turno, mas Fernando Henrique Cardoso venceu no primeiro. Em 1998, o debate da Globo em primeiro turno foi cancelado porque FHC não iria e havia dúvidas sobre um debate sem a presença do líder. Em 2006, Lula, candidato à reeleição, seguindo o exemplo de FHC, optou por não comparecer. Em 2018, Jair Bolsonaro teve orientação médica de não comparecer. Em 2022, já presidente, Bolsonaro compareceu ao debate.

Cresce campanha do voto útil

Não apenas para presidente da República, mas para o Senado também esse movimento ganha força. Em Goiás, por exemplo, os partidos que querem evitar que Gustavo Gayer (PL) suba pedem o segundo voto para Vanderlan Cardoso (PSD), que aparece nas pesquisas tecnicamente empatado com Zacharias Calil (MDB). Em São Paulo, a manobra foi mais radical. Ricardo Salles (Novo) saiu da disputa. Há quem aposte que será secretário de Tarcísio de Freitas, num provável segundo governo estadual.

A incerteza delas

Centros de estudos e pesquisas começam a se preocupar com a alta abstenção de mulheres nesta eleição, tal e qual foi em determinados extratos dessa parcela do eleitorado, em 2022. O principal motivo para uma alta abstenção é a falta de confiança de que o voto resultará em alguma mudança. A percepção foi captada pelo Projeto Brief, que entrevistou mais de 3,5 mil mulheres sobre o motivo delas se afastarem das urnas e o que poderia mudar esse cenário. Segundo o estudo, 30% das mulheres que recebem até dois salários mínimos não votaram em 2022, mais que o dobro do registrado entre as de renda mais alta.

Memórias da greve/ Será lançado hoje o livro No Coração do Sistema, que relembra a greve dos bancários, em 1985. Organizado pela jornalista Fernanda Otero, reúne 43 artigos de participantes da greve. É na sede da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, às 19h. O título foi lançado na 28ª Bienal do Livro de São Paulo.

Questão de “timing”

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Da mesma forma que o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, torcia para fechar a operação com o Master antes que o banco de Daniel Vorcaro fosse liquidado, integrantes da equipe de Flávio Bolsonaro rezam para tentar fechar a eleição no primeiro turno. É que, diante do fato de ele ter voado no mesmo avião de Vorcaro que serviu a Alexandre de Moraes e das suspeitas de encontros entre o banqueiro e o senador, tem gente com medo de que o eleitor pise no freio em relação ao Zero Um de Jair Bolsonaro. Afinal, eleição só se ganha no dia. E ainda faltam 10 para o pleito.

Separe o joio do trigo

Os fundos de previdência que investiram no Banco Master estão passando por um pente fino no Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação busca separar quais fundos foram enganados, ou seja, caíram num golpe arquitetado pelo Master, daqueles cujos gestores participaram da fraude, como já está configurado no caso do BRB. Vale lembrar que, no caso do BRB, Paulo Henrique Costa recebeu apartamentos de Daniel Vorcaro.

Derrubou, mas voltou

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Economia, Flávio Bolsonaro, PL, Política

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: reprodução Youtube

O vídeo Grandes igrejas, Master negócios, apresentado por Fábio Porchat (foto), conseguiu a proeza de se tornar a postagem mais “hypada” do YouTube. Ou seja, foi a que gerou mais engajamento, comentários e recomendações em várias plataformas. Inclusive no Instagram — até ser derrubada pela Meta.

Mas o engajamento e a corrida dos internautas para o YouTube, onde a publicação conquistou 3 milhões de visualizações em menos de 24 horas, levou a Meta a rever a decisão e permitir o acesso ao conteúdo.

O episódio fala das relações e conexões entre a Igreja Lagoinha, em Belo Horizonte — cuja família de André Valadão controla — com Daniel Vor caro, Fabiano Zettel, Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira.

Nunca antes

Crédito: Caio Gomez
Publicado em coluna Brasília-DF, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, Lula

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Em 1989, o Distrito Federal foi uma das unidades da Federação onde Lula derrotou Fernando Collor. Agora, aqui quem predomina é Flávio Bolsonaro, conforme mostra a pesquisa Correio/Opinião, divulgada hoje. Na estimulada, o filho “Zero Um” tem 40% e Lula, 33%. Ambos subiram em relação aos números de agosto, em que Flávio aparecia com 35,4% e Lula, com 29,3%.

A migração do eleitor/ Flávio começa a conquistar os votos dos adversários do seu campo. O fenômeno de agosto, Augusto Cury, caiu de 10,9% para 4,8%. E Ronaldo Caiado (PSD, foto) caiu de 8,3% para 7,1%. Veja a pesquisa completa aqui.

Mercado quer Flávio

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Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Carlos Moura/Agência Senado

Aliados de Flávio Bolsonaro afirmam que a recuperação dele nas pesquisas de intenção de voto o reaproximaram do mercado. O movimento ficou claro na terceira edição do Qive Conecta, que tratou de reforma tributária e como a política pode influenciar no cenário econômico no próximo ano. A sócia e head de análise política do BTG Pactual, Júnia Gama, analisou a disputa presidencial e afirmou que a vitória do senador significaria um cenário mais positivo para o mercado.

Palavra-chave: ajuste fiscal

“Tem uma questão de expectativa. O mercado espera que, sendo um governo de oposição, a possibilidade de um ajuste fiscal seria maior. Mesmo que Flávio nem anuncie nada logo após uma eventual vitória, já mexeria com expectativas e isso serviria para tirar pressão da curva de juros e câmbio. A gente entraria em um cenário um pouco mais benéfico do ponto de vista de mercado”, afirmou Junia.

O risco do segundo turno

Crédito: Caio Gomez
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Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A possibilidade de os estados como maior número de eleitores na Região Nordeste — Bahia, Ceará, Pernambuco, Alagoas e Piauí — decidirem o pleito para governador em 4 de outubro, acendeu o alerta no PT. Tudo por causa da perspectiva de crescimento da abstenção no segundo turno, na eleição presidencial, caso haja nova rodada de votação. Mas não é apenas a turma do presidente Lula que tem essa preocupação. O PL de Flávio Bolsonaro também considera necessário ficar de olho, especialmente em São Paulo, onde há risco alto de abstenção, caso a eleição do governo estadual seja decidida no primeiro turno.

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Mobiliza aí/ O PT, assim como o PL, começa a planejar a segunda rodada antes mesmo de terminar a primeira. Ninguém quer perder tempo. No caso do PT, os governadores aliados foram avisados que não é para se desmobilizarem, nem tirar férias em caso de vitória no primeiro turno. Isso deixaria a campanha de Lula enfraquecida.

Foi precipitado

Crédito: Ed Alves/CB/DA.Press
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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 23 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduardo Esposito

Crédito: Ed Alves/CB/DA.Press

Integrantes do Partido Novo começam a buscar explicações para o baixo desempenho do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, nas pesquisas. Muita gente lá diz que Zema “matou” a campanha ao Planalto quando atacou Flávio Bolsonaro, em maio, mês em que a relação entre o senador e Daniel Vorcaro foi exposta. A avaliação é de que como Zema e Flávio compartilham o mesmo eleitorado — ou seja, os bolsonaristas —, o presidenciável do Novo se queimou e não conseguiu decolar.

Master afeta mais Bolsonaros

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 22 de setembro de 2026, por Rosana Hessel com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Outra pesquisa divulgada ontem, a Quaest/Globo, mostrou crescimento dos eleitores que avaliam que a família Bolsonaro foi a mais afetada pelo escândalo do Banco Master, liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central. O percentual passou de 15%, na semana passada, para 21%, nesta semana. Já o presidente Lula é citado por 11% dos eleitores, e, na semana anterior, esse percentual foi de 9%. Além disso, a Quaest indicou empate técnico entre Lula e Flávio, no segundo turno, com vantagem numérica para o candidato do PL. A rejeição de ambos ficou acima de 50%, com 56% para Flávio e 55% para Lula.

Rejeição segue como fator determinante da eleição

Crédito: Caio Gomez
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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 22 de setembro de 2026, por Rosana Hessel com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A 13 dias do primeiro turno das eleições gerais, dados mostram que a rejeição será o fator para definição do vencedor da corrida presidencial, confirmando premissas do início do ano. Conforme a pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada ontem, os dois candidatos à frente da disputa — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) — possuem rejeições maiores do que as respectivas intenções de voto. A de Lula ficou em 49%, e a de Flávio, em 50%. E, em um eventual segundo turno, o petista vence o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro com 46% da preferência do eleitorado contra 45% do senador. No levantamento anterior, a diferença era a mesma, de um ponto percentual, mas com Lula recebendo 47% das intenções, e Flávio, 46%.

“A rejeição vai ser fundamental, sim, porque os dois mais rejeitados (Lula e Flávio) são, ao mesmo tempo, os dois mais votados e os únicos com chance de se enfrentarem no segundo turno. Quando chega ao segundo turno, uma boa parte dos eleitores, em torno de 1/4 do eleitorado, votou em Lula ou em Flávio, não porque acha o melhor candidato mas porque quer derrotar o outro. E, aí, essa rejeição é que vai definir muita coisa”, explicou Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, para a coluna. Ele lembrou que esse fator vai ser muito importante, como em 2022. “Lula começou a campanha com uma rejeição 10 pontos porcentuais abaixo de Bolsonaro, mas, na reta final, essa diferença caiu para dois ou três pontos. No fim, a vitória de Lula teve 1,8 ponto porcentual de diferença”, acrescentou.

Fator feminino

Curiosamente, a pesquisa da BTG/Pactual mostrou que Lula tem 59% do potencial de votos de mulheres e 36% do voto de homens. Enquanto isso, Flávio tem 38% da preferência das eleitoras, e 58%, dos eleitores. Vale lembrar que as mulheres respondem por 52,8% do total de títulos capacitados para votar neste ano, e, portanto, podem definiras eleições, somando 83,9 milhões. Enquanto isso, os homens com título de eleitor válido somaram 74,8 milhões.

Eleitorado cativo

Lula também lidera entre mulheres, moradores das capitais, católicos, pessoas com mais de 60 anos e os eleitores de baixa renda e de menos escolaridade, segundo a pesquisa BTG Pactual/Nexus. “Esses são os eleitores cativos e que tradicionalmente votam mais no PT e no próprio presidente. Já Flávio Bolsonaro é mais forte na alta renda e na média renda, e entre os eleitores com mais escolaridade”, lembrou Tokarski, da Nexus. Regionalmente, Lula é mais forte no Nordeste, e Flávio, no Sul, no Norte e no Centro-Oeste. No Sudeste, a região mais populosa, ambos estão mais ou menos empatados, de acordo com Tokarski.

Reajuste do Bolsa Família

O anúncio do aumento de 15% no Bolsa Família não mudou muito a preferência de voto dos eleitores. O reajuste do programa eleva o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691. Conforme a pesquisa BTG Pactual/Nexus, entre os beneficiários do Bolsa Família, a intenção de voto em Lula manteve-se em 64%, nesta semana, mesmo percentual da pesquisa anterior. Enquanto isso, a preferência por Flávio nesse grupo de eleitores passou de 20% para 17%, na mesma base de comparação. O levantamento do BTG Pactual/Nexus foi realizado entre 18 e 20 de setembro. Foram entrevistados 2.006 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais.