Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A contar pelas manifestações da sociedade, o Poder Judiciário — em especial, o Supremo Tribunal Federal — não vai escapar de passar por uma reforma profunda diante da crise. Em reunião esta semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) engrossou esse coro, ao conclamar “os Poderes da República, suas autoridades e toda a sociedade” a esclarecemos fatos e a rejeitar tanto o silêncio diante de possíveis irregularidades quanto qualquer tentativa de enfraquecer as instituições. “O Brasil necessita de verdade sem manipulação, de justiça sem privilégios, de instituições que sirvam ao bem comum, de lucidez e paz”, diz o texto assinado pelo presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, e a cúpula da Conferência.
Ética/ A CNBB defende, ainda, que os ministros revejam seu comportamento, ao dizer que considera “oportuno que o Código de Ética em elaboração pelo Supremo Tribunal Federal receba o devido encaminhamento institucional, oferecendo parâmetros claros de conduta e contribuindo para a proteção da autoridade da Suprema Corte”. E deixa claro que os ministros devem ser investigados, ao dizer que “ninguém deve estar acima da lei, assim como ninguém deve ser previamente condenado”, e cobrar transparência: “Importante que questões de tamanha relevância institucional sejam examinadas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, de maneira colegiada, pública e transparente, permitindo à sociedade acompanhar os procedimentos e conhecer os fundamentos das decisões. Espera, igualmente, que as instituições responsáveis pela investigação possam exercer suas atribuições com independência, segurança e respeito às competências constitucionais”. Em suma, nada de jogar as denúncias para debaixo do tapete.
Te vira, Mário
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado a largar a mão do deputado Mário Frias (PL-SP), alvo da operação que apura suspeitas de desvio de dinheiro de emendas parlamentares que também mirou a produtora do filme Dark Horse, Karina Gama. Embora o próprio Frias tenha enviado recursos para a produção, uma ala dos bolsonaristas diz que quem tem que se explicar é ele. O máximo que Flávio fará é dizer que a operação pedida pela Polícia Federal, e autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, teve conotação política.
Incomodou
As inserções do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, nos supermercados deixaram o PT para lá de irritado e vai provocar mudanças na campanha do presidente Lula à reeleição.
Hora de relembrar
A ideia do partido é que as inserções comparem como foi o governo de Jair Bolsonaro com o terceiro mandato de Lula. Entre algumas lembranças que podem ser usadas, estão: a fila de ossos nos mercados, o preço da picanha e a atuação do ex-presidente na pandemia da covid-19.
Precisa mudar
O PT também pretende ser mais enfático sobre a proposta de reforma no Poder Judiciário, pauta defendida há anos pelo partido e reafirmada no 8º Congresso Nacional do PT, realizado em abril deste ano. A legenda defende a ideia de definir mandatos para tribunais a partir da segunda instância e mais cadeiras da sociedade no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
CURTIDAS
Reforma no Judiciário/ Não vai ser por falta de proposta de emenda à Constituição(PEC) que o Judiciário deixará de ser reformado. Esta semana, surgiu mais uma. O deputado Danilo Forte (PP-CE, foto) sugere um Código de Conduta, Ética e Moral dos Magistrados. O texto também altera a indicação de ministros: modelo rotativo pelo Executivo, Legislativo e Judiciário; idade mínima de 65 anos e máxima de 75; e mandato de oito anos sem recondução. A aprovação, porém, tem de ser por maioria absoluta em sessão conjunta do Congresso.
Correção na nomeação/ “O sistema de indicação exclusiva pelo presidente da República concentra a formação da Suprema Corte em um único Poder, o que pode gerar distorções na composição do tribunal”, argumenta Forte sobre a mudança nos termos de indicação ao STF.
Meio-termo/ A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, não acatou na totalidade o pedido da candidata ao Senado e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), pois ele permitiu que parentes possam ficar com o ex-presidente por um período de somente duas horas. O pedido original visava dar mais tempo para que ela pudesse participar de eventos de campanha. Solicitava que outras pessoas pudessem ficar com Bolsonaro e auxiliá-la nos cuidados do ex-presidente. Foi negado.
Vapt-vupt/ A decisão de Moraes impede que Michelle possa comparecer aos eventos nacionais de Flávio Bolsonaro fora de Brasília. Mesmo as aparições em agendas no Distrito Federal precisarão ser bem planejadas para aproveitarem a janela de duas horas concedida pelo ministro. Os advogados da ex-primeira-dama ainda não decidiram se vão recorrer.


