Tensão reduz no Planalto…

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Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 11 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A queda dos índices de intenção de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez o governo respirar um pouco melhor, mesmo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com dificuldades de crescimento. A diferença, agora, é que os governistas esperam uma mudança em relação aos políticos, e até de uma boa parte do empresariado — conforme pode ser visto na reunião do Conselhão esta semana. Até aqui, Lula era dado por muitos partidos de centro como carta fora do baralho. Esse retorno do presidente aos 44% e a queda do filho 01 de Jair Bolsonaro para 38%, como registrado pela pesquisa Genial Quaest desta semana, tem condições de frear esse afastamento dos centristas em relação ao governo. E isso, na avaliação de aliados do presidente, ajuda ainda na retomada do diálogo no Senado, onde o Palácio do Planalto enfrentou a maior derrota até o momento — a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Se a próxima pesquisa consolidar essa presença de Lula como primeiro colocado, ele não poderá mais ser tratado com desprezo nessa fase do jogo.

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…mas não dá para relaxar/ O fato de Lula poder levar o governo em frente com um pouco mais de tranquilidade não significa que pode deitar em berço esplêndido. Os números indicam segundo turno e a campanha nem começou. A rejeição ao PT é grande e a volatilidade dos cenários é alta nessa altura do campeonato.

Juramento em falso

Flávio Bolsonaro não perde pontos só no eleitorado. O filho 01 tem perdido muito apoio no próprio partido. É que, numa reunião a portas fechadas com a cúpula do PL antes de virem a público os diálogos entre ele e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o senador jurou que não havia qualquer relação entre eles. Somente depois é que admitiu que havia pedido dinheiro ao ex-banqueiro.

Os recados do decano

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), soltou um #ficaadica para quem reclama do aumento de despesa pública sem lastro orçamentário, como o que ocorreu, ontem, com a aprovação do piso de médicos e cirurgiões dentistas na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Em postagem, o decano da Corte lembrou que o Congresso não pode criar despesas a serem suportadas por estados e municípios sem indicar a fonte de custeio.

Vem suspensão

Gilmar lembra o caso do piso nacional da enfermagem, que teve sua eficácia suspensa pelo STF justamente por não se saber de onde sairia o dinheiro. “Impor ônus financeiro uniforme, sem repasse adequado e sem atenção à realidade local, esvazia a autonomia dos entes e atinge o pacto federativo. Pior, ao invés de alcançar os objetivos pretendidos, a medida pode produzir efeitos inversos, como desemprego na própria categoria que se buscava proteger e precarização dos serviços públicos prestados à população”, advertiu.

Nada de bandeira branca

Mesmo com o pedido do governo para segurar algumas pautas que causarão rombo fiscal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não trabalha a favor do Planalto. Os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, chegaram a se reunir com ele na terça-feira, na tentativa de evitar o avanço de matérias que podem comprometer o Orçamento da União. Mas não surtiu efeito.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

A conta só cresce/ Além dos projetos que aumentam despesas aprovados esta semana nas comissões, no início da noite foi aprovada a renegociação de dívidas dos produtores rurais. Falta ainda a ampliação do Fundo de Participação dos Municípios, a ser apreciada em breve.

Sinuca de bico/ O governo está encurralado no jogo que ele mesmo montou. Ao manter a urgência constitucional do projeto de lei do fim da escala 6 x 1 na Câmara dos Deputados, e travar a pauta da Casa para pressionar o Senado a votar o texto que lá se encontra, o Planalto vê agora projetos importantes paralisados. Como os que tratam da misoginia, da inteligência artificial e da destinação do crédito extraordinário do preço do petróleo devido à guerra no Golfo Pérsico.

Por falar em IA… / O relator da regulamentação da Inteligência Artificial, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB, foto), ainda não conseguiu consenso entre artistas e empresas sobre o treinamento de IA com produtos originais. Por isso, a ideia é deixar a votação para depois das eleições. É que o prazo está curto para tratar de um tema tão polêmico, ainda mais num ano eleitoral.

A torcida do Planalto/ Com a aprovação da admissibilidade da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal, e os projetos que aumentam despesa, o governo torce mesmo é para que o Congresso entre no “modo avião”, com todos voando para as campanhas eleitorais.

62,9% dos brasileiros consideram consultar IAs em busca de informações de candidatos nas eleições

Publicado em Eleições, IA, TSE
Crédito: Caio Gomez

Por Eduarda Esposito — Uma pesquisa com eleitores brasileiros mostrou que 62,9% consideram utilizar Inteligência Artificial (IA) para realizar pesquisa sobre candidatos para as eleições deste ano. O levantamento foi realizado pelo Projeto Brief — plataforma de comunicação política com foco em dados e campanhas mobilizadoras. O estudo revela ainda que dentro esse percentual, 22,4% a tratariam como uma fonte útil como qualquer outra e 40,5% a consultariam, mas verificariam em outras fontes também. Os outros 23,2% preferem fontes humanas, como jornalismo e debates, e apenas 13,9% declaram não confiar em IA para informações políticas.

Para a coordenadora do projeto, Carol Luck, esses são dados preocupantes porque as IAs não são totalmente confiáveis. “As respostas geradas por IA não são 100% confiáveis — e isso é algo que as próprias plataformas sinalizam. Nem sempre fica claro de onde veio a informação, quais fontes foram consultadas ou se os dados estão atualizados. Em ano eleitoral, isso tem peso: a decisão de voto pode passar por respostas automatizadas que induzem ao erro”, alertou.

O estudo mostra que 44,3% dos brasileiros usam IA para buscar notícias ou informações, e 38,3% usam para checar se uma informação é verdadeira. Com isso, a pesquisa revela que 73,8% dos usuários de IA, no dia a dia, demonstram algum grau de abertura para recorrer à ferramenta como fonte de informação política.

Real x fake

O levantamento também fez a análise de identificação do conteúdo, se as pessoas conseguem distinguir o que é algo criado por IA e o que é verdadeiro. O resultado mostra que a maioria dos participantes não soube identificar o que era real ou não. No experimento audiovisual produzido por IA, 45,3% afirmaram que o conteúdo era artificial, 33% afirmaram que era original e o restante não soube diferenciar. Já com o vídeo original, 33,9% acreditou que era feito por IA, enquanto 40,7% identificaram que era original.

“Isso revela uma crise de autenticidade. Em 2026, campanhas, instituições, jornalismo e organizações civis terão de lidar com dois problemas ao mesmo tempo: conteúdos falsos circulando como reais e conteúdos reais”, comentou os produtores da pesquisa.

A dificuldade também tem idade. No grupo de 18 a 29 anos, 58,2% identificaram corretamente o vídeo fake. Entre pessoas com 61 anos ou mais, apenas 20,9% fizeram essa identificação. E na população idosa, 47% disseram que o vídeo sintético era original. “O recorte por idade mostra uma vulnerabilidade importante para públicos mais velhos, especialmente diante de conteúdos plausíveis, com personagens reconhecíveis e circulação em ambientes de confiança pessoal, como grupos de WhatsApp. Há também um alerta entre jovens. Eles detectam melhor o conteúdo sintético, mas 39% classificaram o vídeo original como IA. A suspeita pode virar excesso de desconfiança. Esse é um dos pontos mais sensíveis da pesquisa: formar pessoas para identificar manipulação exige também fortalecer critérios para reconhecer conteúdo autêntico.sendo percebidos como suspeitos”, comentou Luke.

O estudo também mostra que 71,6% dos entrevistados acreditam que a inteligência artificial pode ser usada para influenciar eleições. “A disputa eleitoral com IA também será uma disputa pela qualidade das respostas. Em um ambiente de busca conversacional, quem pergunta sobre política recebe sínteses prontas. A confiabilidade dessas respostas dependerá da qualidade das fontes, das regras das plataformas e da capacidade pública de exigir transparência”, completou.

No que se refere à fiscalização e responsabilidade pelo controle do uso de inteligência artificial na política, a maioria apontou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citado por 51,6% dos participantes. Em seguida aparecem o governo federal (42,1%), as plataformas digitais (38%), os cidadãos (24,2%) e organizações da sociedade civil (17,8%).

O estudo

Realizada entre 25 e 29 de abril de 2026, com 2.483 participantes de todo o país recrutados via redes sociais, a pesquisa foi dividida em três grupos: controle (1.000), expostos ao vídeo com IA (723) e expostos ao vídeo original (760). O levantamento integra uma nova frente de análise do Projeto Brief sobre os impactos da inteligência artificial na democracia e na formação da opinião pública no Brasil. Para mais informações acesse.

Barroso comenta as dificuldades em regular a inteligência artificial

Publicado em Economia, IA, STF
Crédito: Divulgação/Esfera Brasil

Por Eduarda Esposito* — O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso participou do Fórum Esfera Guarujá comentando sobre a Inteligência Artificial. O ex-ministro destacou os benefícios e malefícios da tecnologia. Para Barroso, a sociedade precisará ser educada para lidar com as consequências do desenvolvimento da IA.

“Do mesmo modo que se democratizou o acesso também se abriram as avenidas para a desinformação, pros discursos de ódio, para as teorias conspiratórias. A IA traz muitos benefícios, maior capacidade de tomada de decisões, porque pode armazenar muito mais informações que o cérebro humano e processá-las com muito maior velocidade. A massificação da desinformação é um problema preocupante porque todos somos ensinados a acreditar naquilo que a gente vê e o dia que nós não pudermos mais acreditar naquilo que a gente vê e ouve, a liberdade de expressão terá perdido o significado. E isso é um pacto muito grande sobre a democracia que pressupõe as pessoas estarem esclarecidas e informadas”, explicou.

Regulação da IA

Na visão do ex-ministro, regular algo em andamento torna tudo mais complicado, principalmente quando não se sabe até onde a IA vai chegar. “Regulação da inteligência artificial antes de chegar no direito é muito difícil. Primeiro que você tem que regulá-la como trem em movimento. Está todo mundo querendo produzir o mais rápido possível a maior inovação. Mil cientistas já pediram duas vezes para dar uma pausa até ter um código de ética. Ninguém para porque ninguém quer ficar para trás. A segunda dificuldade de você regular juridicamente é a velocidade da transformação”, comentou.

Barroso explica que o impacto no Judiciário pode ser extremamente positivo. Relembrou que o STF reduziu os processos de 150 mil para 20 mil com o auxílio da ferramenta. “Apenas com um programa capaz de fazer uma seleção daquilo que já tinha precedente para mandar embora os recursos repetitivos”, destacou.

Outra dificuldade nessa questão é a regulamentação tributária, principalmente de empresas que atuam no mundo digital e cria desafios para estabelecer um regramento adequado. “Houve uma territorialização, o sistema tributário é preparado para a tributação física, a saída da mercadoria, a entrada da mercadoria no país. No mundo que é virtual, você não consegue tributar adequadamente as empresas que têm maior capacidade contributiva.

*Repórter viajou a convite do Esfera Brasil