“Rachadinhas”, o retorno

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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Como se não bastasse a polêmica sobre N.S. Aparecida e o título de Padroeira do Brasil, uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, traz à tona as rachadinhas na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. E personagens como Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Alerj, e a ex-assessora Danielle da Nóbrega, viúva do miliciano Adriano da Nóbrega, morto pela polícia na Bahia. Gilmar manteve a quebra de sigilo bancário e fiscal de Danielle e deu publicidade à sua decisão e à parte da investigação que aponta a conta bancária de Queiroz como “um centro de arrecadação de valores provenientes de diversos assessores vinculados ao gabinete do então deputado estadual Flávio Nantes Bolsonaro”. Flávio não é investigado, mas Queiroz e Danielle terão que responder.

Por falar em “rachadinhas”…/ A batalha nas redes sociais está grande, com os bolsonaristas reproduzindo reportagem que mencionava a viagem de Lulinha e família com a lobista Roberta Luchsinger à Suécia, à Finlândia e à Suíça em 2025. Petistas, então, perguntam: “Lulinha é candidato a que mesmo?” E emendam com perguntas sobre as rachadinhas e o dinheiro que Flávio pediu a Daniel Vorcaro. Será assim enquanto durar o processo eleitoral.

Deixem N.S. Aparecida em paz

Crédito: Divulgação/Canção Nova
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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Divulgação/Canção Nova
Crédito: Divulgação/Canção Nova

A recente polêmica envolvendo Nossa Senhora não agradou aos membros da Frente Parlamentar Católica no Congresso. O grupo tem em sua composição parlamentares de diversas legendas e ideologias, e não quer saber de divisão. A ordem é não se pronunciar por agora e estudar medidas para evitar que o assunto continue quente quando os parlamentares voltarem ao trabalho, em outubro. Muitos estão “tristes” em ver a Padroeira do Brasil sendo usada como moeda eleitoral. Princípio totalmente repudiado pela frente, que prega o voto consciente.

Muito além da Santa

Desde domingo, voltou a circular nas redes sociais a reunião ministerial do governo de Jair Bolsonaro em que o então ministro da Economia, Paulo Guedes, defende a liberação das apostas on-line. Ao responder às ponderações da então ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, sobre o jogo, ele diz. “É só maior de idade. Quem ganhou, deixa lá. Não atrapalha ninguém. Deixa cada um se f… do jeito que quiser. O nosso presidente fala em liberdade, deixa cada um se f… do jeito que quiser. Principalmente, se o cara é maior de idade, vacinado e bilionário”.

Por falar em apostas…

O Instituto Brasileiro de Política e Economia (IBPE), ligadoà Frente Parlamentar do Empreendedorismo — comandada pelo deputado Joaquim Passarinho (PL-PA) —, defende, em nota, que o método adotado pelo governo para acabar com o jogo on-line não ouviu o Congresso e aumentou a insegurança jurídica no país. “Hoje, é o setor de apostas. Amanhã, a mesma lógica poderá alcançar qualquer atividade submetida à autorização, concessão ou regulação estatal. Se investimentos realizados sob regras estabelecidas pelo próprio poder público podem perder seu fundamento por uma mudança abrupta, todo agente econômico passa a incorporar esse risco ao decidir se investe, emprega e produz no Brasil”, diz o IBPE, em nota.

Bolsonaro e Lula turbinam campanhas ao Legislativo

Crédito: Kleber Sales
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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

A pesquisa Correio/Opinião divulgada hoje mostrou que três partidos aliados a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) devem conquistar ao todo seis vagas para a Câmara dos Deputados: PL, Republicanos e MDB, sendo duas vagas cada um. PSol, Rede e a federação PT-PCdoB-PV ficariam com uma vaga cada um, completando o quadro de oito federais do Distrito Federal. Ambas compõem a coligação que apoia a reeleição do presidente Lula. Sinal de que as campanhas para o governo ajudam a puxar aliados.

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Enquanto isso, no Senado…/ Coma subida de Bia Kicis (PL-DF) ameaçando a reeleição de Leila do Vôlei (PDT), uma parcela do PT que boicotava a pedetista começa a rever seus conceitos. O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, divulgou um manifesto a favor da reeleição de Leila. Em carta, ele diz ter ficado decepcionado com ela pelo fato de ter assinado um dos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Kakay defende que é necessário olhar o pleito com preocupação e lembra que o DF já tem uma senadora “de extrema direita e bolsonarista” — referindo-se a Damares Alves (Republicanos-DF) — e, por isso, é necessário que as duas vagas não sejam renovadas “pelas candidatas do presidiário Bolsonaro”. Até aqui, Bia foi quem mais cresceu na disputa ao Senado, de acordo com a pesquisa do Correio.

Ganhou a aposta

O comando da campanha de João Campos ao governo de Pernambuco apostou que a caminhada do candidato com Lula, na semana passada, surtiria efeito na pesquisa de intenção de voto. A última rodada da Quaest provou que seus estrategistas estavam certos. João chegou a 42%, empatando com Raquel Lyra (PSD). No levantamento anterior, o presidente do PSB tinha 39%. Campos também alcançou a governadora no segundo turno, saindo de 41%para os mesmos 43% dela.

Crédito: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

Enquanto isso, em São Paulo…

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos, foto), candidato à reeleição, manteve-se na liderança das intenções de votos na última pesquisa Quaest. Segundo o levantamento, manteve os 44% no primeiro turno e 49%, no segundo. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad apresentou queda nos dois cenários. No primeiro turno, ele teria 24%, perdendo três pontos, e no segundo turno 29%, perdendo um ponto.

Agora vai

O Operador Nacional do Sistema (ONS) prevê publicar, ainda hoje, nota técnica com os dados de “margem de escoamento” para a realização, em dezembro, do leilão debaterias para armazenamento de energia elétrica. O documento trará informações sobre onde há espaço na rede para conexão desse sistema de armazenamento, um ponto crucial para as empresas que quiserem participar do pregão. O setor espera ansioso por essa publicação a fim de fechar as propostas.

As saias e Flávio

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 29 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Flávio Bolsonaro conseguiu, neste processo eleitoral, gabaritar o dito popular levado muito a sério na política: “Não se briga com quem usa saias: mulher, juiz e bispo”. Ele tentou se aproximar das mulheres, separar os juízes do caso Alexandre de Moraes, e, agora, bate nos bispos católicos. Acusa a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de contribuir para as fake news sobre tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A CNBB respondeu que não se combate mentira com mentira.

Atrás do prejuízo

A nota do Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) foi clara ao repudiar a fake news sobre a Nossa Senhora e reafirmar o respeito entre as religiões. “Evangélicos e católicos vivem em paz”. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), publicou em seu WhatsApp: “É muito sério! Divulgue, por favor!”, devido à proporção que o tema tomou nas redes e na campanha de Flávio.

Veja bem

Católicos e evangélicos não vivem tão em paz assim. Em 1995, um pastor da Igreja Universal chutou a imagem de N.S. Aparecida ao vivo e o vídeo jamais foi esquecido. Houve um projeto, em 2007, que tirava o título de Padroeira do Brasil e foi arquivado. Recentemente, Flávio afirmou em suas redes sociais: “Vou decretar que o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo”. A frase foi lida como um aceno aos evangélicos e um desprestígio à Padroeira. Na avaliação de muitos, foi o que causou toda a celeuma desses dias.

Difícil escapar de processo de impeachment

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 29 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O think tank Ranking dos Políticos tenta mapear o que pensa a maioria dos candidatos ao Senado sobre abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Descobriu que, em Sergipe, por exemplo, dos 10 nomes ao Senado, nove são favoráveis à abertura de processo. Por lá, concorrem à reeleição os senadores Alessandro Vieira (MDB) e Rogério Carvalho (PT), que, segundo o levantamento do Ranking, são a favor da apuração da conduta dos membros do STF.

Muita calma nessa hora

A listagem que o Ranking publicou em seu site não é científica. Até porque, eles colocam como se todos os listados fossem “a favor de impeachment de ministros do STF”. E, na verdade, há dois grupos: os que defendem abertamente impeachment de ministros e aqueles que condicionam o apoio à apresentação de denúncia formal ou resultado de investigações em curso.

Os riscos de Lula e de Flávio

Crédito: Maurenilson Freire
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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 29 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve comparecer ao debate promovido pela tevê Globo, na reta final deste primeiro turno. E por um motivo muito simples: teria cinco minutos em cada bloco para falar do governo, enquanto todos os outros o atacariam durante 15 minutos. Ainda há tempo, até quinta-feira, para uma nova reflexão dentro do PT, mas essa contagem de 15 contra cinco é o principal ponto. Flávio Bolsonaro, porém, afirmou que não deixará de ir, com ou sem a presença do presidente.

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Contagem regressiva/ O cálculo da campanha é de que Lula pode aproveitar esse tempo num ato de campanha em algum lugar do país, colocando-se ao lado dos mais pobres. Além disso, não seria a primeira vez que um candidato deixaria de comparecer ao debate de encerramento do primeiro turno. Em 1994, a mesma Globo optou por não fazer esse confronto. Deixou para o segundo turno, mas Fernando Henrique Cardoso venceu no primeiro. Em 1998, o debate da Globo em primeiro turno foi cancelado porque FHC não iria e havia dúvidas sobre um debate sem a presença do líder. Em 2006, Lula, candidato à reeleição, seguindo o exemplo de FHC, optou por não comparecer. Em 2018, Jair Bolsonaro teve orientação médica de não comparecer. Em 2022, já presidente, Bolsonaro compareceu ao debate.

Cresce campanha do voto útil

Não apenas para presidente da República, mas para o Senado também esse movimento ganha força. Em Goiás, por exemplo, os partidos que querem evitar que Gustavo Gayer (PL) suba pedem o segundo voto para Vanderlan Cardoso (PSD), que aparece nas pesquisas tecnicamente empatado com Zacharias Calil (MDB). Em São Paulo, a manobra foi mais radical. Ricardo Salles (Novo) saiu da disputa. Há quem aposte que será secretário de Tarcísio de Freitas, num provável segundo governo estadual.

A incerteza delas

Centros de estudos e pesquisas começam a se preocupar com a alta abstenção de mulheres nesta eleição, tal e qual foi em determinados extratos dessa parcela do eleitorado, em 2022. O principal motivo para uma alta abstenção é a falta de confiança de que o voto resultará em alguma mudança. A percepção foi captada pelo Projeto Brief, que entrevistou mais de 3,5 mil mulheres sobre o motivo delas se afastarem das urnas e o que poderia mudar esse cenário. Segundo o estudo, 30% das mulheres que recebem até dois salários mínimos não votaram em 2022, mais que o dobro do registrado entre as de renda mais alta.

Memórias da greve/ Será lançado hoje o livro No Coração do Sistema, que relembra a greve dos bancários, em 1985. Organizado pela jornalista Fernanda Otero, reúne 43 artigos de participantes da greve. É na sede da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, às 19h. O título foi lançado na 28ª Bienal do Livro de São Paulo.

TRE-DF ordena retirada de outdoors da empresa “Bia Brasil” em até 24 horas

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
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Por Eduarda Esposito — O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) acatou o pedido da campanha da senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) para retirar os outdoors e painéis em Brasília da campanha da empresa Bia Brasil Moda Feminina. O juiz auxiliar Rafael Moreira Mota deferiu tutela de urgência e decidiu pela retirada de todos os materiais das vias públicas da capital em 24 horas, com multa de R$ 20 mil por dia em caso de descumprimento.

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Mota destacou que as frases soltas, a coincidência com o nome da deputada Bia Kicis (PL-DF), a proximidade entre o início da campanha publicitária e o pleito eram elementos suficientes para atender o pedido. As provas apresentadas comprovaram uma probabilidade do direito e o perigo de dano, condições essenciais para um pedido de tutela de urgência.

“A coincidência entre o nome utilizado pela empresa e aquele pelo qual a candidata é conhecida, isoladamente, não seria suficiente para caracterizar a publicidade como eleitoral. As peças juntadas aos atos conferem grande destaque ao nome “Bia”, acompanhado das expressões “Bia é completa”, “Bia é liberdade”, “Bia é moderna” e “Deixe a Bia surpreender você”. Embora formalmente vinculadas à empresa Bia Brasil Moda Feminina, as mensagens não apresentam, ao menos de forma predominante, produtos comercializados pela loja, concentrando o conteúdo da publicidade no próprio nome “Bia” e nas qualidades a ele atribuídas. O momento escolhido para a veiculação da campanha ganha especial relevância. A publicidade passou a ser divulgada gradativamente a partir de 20 de setembro, a poucos dias das Eleições Gerais de 2026. A extrema proximidade temporal com o pleito, aliada ao conteúdo das peças, à ostensiva repetição do nome pelo qual a candidata é conhecida e à massiva exposição em engenhos publicitários de grande impacto visual, evidencia a clara finalidade eleitoral da conduta”, escreveu o juiz.

A decisão também citou o vínculo entre a parlamentar e a dona da loja, Abinoan Simões Rosa Sampaio, que é presidente do Instituto Viver Brasil, que recebeu emenda de R$ 250 mil da deputada até março deste ano. “Ademais, destacam-se os vínculos estruturais informados na exordial: a proprietária da empresa representada figura também como presidente do Instituto Viver Brasil, entidade sem fins lucrativos beneficiada por emenda parlamentar destinada pela própria Representada Bia Kicis para a execução do projeto “Mulheres que Tecem Histórias” — voltado ao fomento do empreendedorismo feminino”, argumentou.

O magistrado também destacou a desproporção da operação da campanha publicitária e do faturamento anual da loja, que é de no máximo R$ 360 mil. “O cenário ganha traços ainda mais graves ao se constatar a desproporção da operação. A empresa enquadrada como microempresa, com faturamento anual limitado a R$ 360 mil, e atuante no ramo de organização de feiras e eventos, desencadeou — de forma atípica e na reta final da campanha — uma ostensiva e custosa propaganda no Distrito Federal. As peças conferem destaque central ao prenome “Bia”, associado a slogans de apelo político-eleitoral como “Bia é completa”, “Bia é liberdade”, “Bia é moderna” e “Deixe a Bia surpreender você””, ressaltou.

Nesse sentido, o juiz decidiu que a conduta, em tese, pode caracterizar abuso de poder econômico, meio de comunicações e político, com todas as sanções jurídicas correlatas. E atendeu ao pedido da campanha da senadora em busca da reeleição, Leila do Vôlei (PDT). O Blog entrou em contato com a deputada Bia Kicis, mas sem retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

Discurso do medo muda de lado em jantar de Lula com elite empresarial em SP

Arte de Caio Gomez
Publicado em Política

Coluna Brasília-DF publicada na sábado, 27 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg

Arte de Caio GomezEm 2022, a atriz Regina Duarte dizia nas redes sociais ter medo se o PT voltasse a governar o país. Desta vez, esse discurso mudou de lado. No encontro de Lula com empresariado em São Paulo, foi o presidente do BNDES, Aluizio Mercadante, quem deu um dos principais recados daquela noite às 800 pessoas presentes, sendo 500 empresários, convidados pelo think tank Esfera e o grupo Prerrogativas. Mercadante disse que o candidato Flávio Bolsonaro, do PL, já acenou com a presença de um representante do governo dos EUA em sua equipe de transição, caso vença a eleição. Seria entregar para uma nação estrangeira todas as informações sensíveis do país em todos os setores estratégicos. Lula foi mais direto ao se referir às riquezas de terras raras e outros mineiras brasileiros.

Disse que, “a depender de quem vocês elejam, vão entregar tudo”. Se o petista não conseguiu virar votos, pelo menos, muitos saíram dali comentando que estão dispostos a pensar melhor até o dia 4 de outubro. Afinal, ali, o discurso da soberania teve algum apelo. Também chamou a atenção o fato de Lula ter dito que, em relação aos escândalos recentes do país, é preciso investigar tudo, doa a quem doer, algo que levou muitos a refletir sobre a reunião do então presidente Jair Bolsonaro com seus ministros, em que o capitão disse que não deixaria perseguir sua família ou aliados.

Contras

Se tem algo que deixa o empresariado reticente ao presidente Lula é a questão fiscal. Embora eles saibam que o Banco Central é independente — ou seja, Lula não tem varinha mágica para baixar os juros —, os empresários esperavam que o chefe do Executivo e seus ministros fossem mais contundentes a respeito de novas regras fiscais. Lula, porém, lembrou que isso era obrigação de qualquer governante e não um diferencial. Nesse ponto, conforme a leitura de muitos empresários, foi mais do mesmo.

Efeito Dilma I

A escolha de dois senadores tem deixado os partidos praticamente no escuro. Ninguém tira da cabeça o que houve com a ex-presidente Dilma Rousseff, em 2018. Candidata ao Senado em Minas Gerais, Dilma estava muito bem posicionada nas pesquisas de intenção de voto e terminou em quarto lugar. É que todas as pesquisas para o Senado, quando são dois votos, têm dificuldade de captar a vontade do eleitor, que, conforme o leitor da coluna já sabe, deixa para escolher a segunda vaga no último dia.

Efeito Dilma II

Essa preocupação está na cabeça de quem concorre por Minas Gerais, onde a candidata Marília Campos (PT) lidera as pesquisas, com 13% na última rodada da Quaest, mas é seguida de perto por Aécio Neves (PSDB), Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL), todos com 10%. Considerando a margem de erro de cinco pontos percentuais, ainda tem Marcelo Aro (PP), que está com 6% e não pode ser considerado carta fora do baralho.

O tema dos bastidores

O que mais se comentou no encontro de Lula com o empresariado foi a questão das bets. Todos queriam saber de perto as projeções do governo. Em rodas de conversa, os ministros tratavam de explicar que há muito tempo o presidente já se mostrava indignado com a jogatina virtual.

O ingresso do jogo agradou

Os aliados de Lula — e até parte dos adversários — comemoram a entrada das bets na campanha eleitoral. Num país em que as pessoas se deixam levar pelas redes sociais e os temas são voláteis, esse assunto tirou os holofotes do caso Master e do INSS, escândalos que desgastam Lula e Flávio Bolsonaro. Lula, por causa do filho, Lulinha, e as suspeitas sobre o INSS e uma lobista. Já Flávio é o candidato a presidente que pediu dinheiro e voou no avião de Daniel Vorcaro, o banqueiro que se sustentou com dinheiro oriundo dos fundos de pensão e do BRB.

CURTIDAS

Perfume de poder

Cresce a cada dia o número de candidatos pedindo evento com a governadora Celina Leão no Distrito Federal. Sinal de que sentem que ela é capaz de agregar votos. Em política, o maior sinal de que um candidato majoritário tem dificuldades de vitória é o sumiço dos aliados.

Em casa

Quem se sentiu em casa no encontro com o empresariado foi o vice-presidente candidato, Geraldo Alckmin. Afinal, ali, muitos deles fizeram campanha para Alckmin, quando ele concorreu a governador de São Paulo pelo PSDB. Aliás, por lá apareceram uma filha de Fernando Henrique Cardoso e um filho de Franco Montoro, uma forma de mostrar amplitude na campanha petista.

Por falar em amplitude…/ Não foi apenas o PT que fez questão de se mostrar amplo, Camila Camargo, que comanda o think tank Esfera e foi uma das anfitriãs do encontro de Lula com o empresariado, foi direta ao dizer que “os associados do Esfera não são só a Faria Lima. São a indústria, o varejo, os serviços e também os maiores bancos do país”. Completou reforçando que o Esfera é apartidário e dialoga com todos os que desejam ouvir o setor produtivo. Na introdução, lembrou que, há quatro anos, Lula perguntava aos empresários o que eles fariam se fossem presidente e ouviu mais em vez de falar. Agora, indagou Camila: “Hoje, os empresários perguntam, o que o maior vencedor de eleições da Nova República tem a dizer a quem investe, arrisca, emprega, paga impostos e ainda sonha com um país melhor?”

Elogios

Camila fez questão de lembrar o discurso do presidente na ONU e fez também um alerta suave, mas incisivo a Lula: “Na ONU, lembrou ao mundo que a guerra é a falência da politica. O respeito da comunidade internacional pelo Brasil segue alto e isso é mérito seu. Mas o cenário externo e interno pedem cuidado e é por isso que essa conversa é importante”.

Eles tinham outro nome

Nos bastidores, antes da chegada de Lula, um empresário paulista comentava com outro que, se o Flávio (Bolsonaro), que tem muito o que explicar e zero experiência de gestão pública, está empatando com Lula, se fosse o Tarcísio, o risco de vitória da oposição no primeiro turno era grande. Referiam-se ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Pelo menos, se dependesse da seleta plateia que Lula tenta conquistar no seleto grupo que tende a votar na oposição.

A grande batalha pós-eleição

Arte de kleber sales
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Coluna Brasília-DF publicada na sábado, 26 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg

Arte de kleber salesPassada a próxima semana, em que deputados e senadores estarão eleitos, a guerra das bets vai tomar conta do Congresso Nacional. Ali, existe uma bancada quase que subterrânea em favor da jogatina virtual. Há quem compare a sua força com a da bancada do agro, não em número, mas em deputados influentes na Casa. Essa turma começa a se mobilizar para chegar à segunda semana de outubro disposta, inclusive, a propor um acordo: votar a favor do fim da escala 6×1, desde que se encontre uma transição para a medida provisória que o governo vai enviar ao Congresso.

Jogatina mobilizada/ O setor das bets passou a última sexta-feira tentando evitar a proibição da jogatina no Brasil. Foram diversos dados de possíveis perdas ressaltados, seja por região, seja por estado. Até mesmo os times de futebol se juntaram ao eco das casas de apostas. Há ainda em gestação no Executivo uma minuta do projeto de lei que deverá ser enviado ao Congresso Nacional que prevê de quatro a seis anos de reclusão para quem explorar ou operar apostas de alíquota fixa no Brasil. O segmento das apostas vai baixar no Parlamento em busca de apoio.

Tic-tac

Depois que vieram a público supostas conversas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a classe política entra em estado de alerta total. São as primeiras provas de que Alcolumbre e Vorcaro tinham algum tipo de relação mais próxima, uma vez que se chamavam de “meu amor” e “irmão”. Alcolumbre nega qualquer ato ilícito, mas não escapará de dar explicações logo na primeira semana pós-eleição e terá que dar alguma posição, ainda, sobre uma possível CPI do Master.

Reeleição por um fio

Depois de a reportagem da Veja revelar as conversas de Alcolumbre e Vorcaro, em que um chama o outro de “meu amor”, senadores das duas pontas da política se mostram dispostos a reforçar nomes alternativos a Alcolumbre para concorrer à Presidência do Senado, em fevereiro de 2027. Ou seja, mais uma reeleição que é dúvida depois da temporada eleitoral de 2026.

Escolha só no final

A eleição para o Senado promete suspense até o último minuto em vários estados. É que a maioria dos eleitores deixa a escolha dos dois nomes para as 48 horas antes de ir votar ou deixa para o dia da eleição. Daí a possibilidade de muitas surpresas.

A última investida de Caiado

Ronaldo Caiado vai focar a sua campanha de tevê e redes sociais em relatos das pessoas beneficiadas pelos seus projetos em Goiás. O programa vai destacar saúde e educação, como a construção de hospitais e aumento de leitos de UTI pelo estado, além da implementação do horário integral em escolas e criação do primeiro curso de inteligência artificial (IA) da América Latina. Essa é a estratégia para capturar
os indecisos e os votos de terceira via nesta reta final de campanha.

CURTIDAS

Revolta católica/ A dificuldade de acesso ao perfil da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na rede social X por algumas horas e os rumores de que haveria um projeto de lei que para retirar o título da Nossa Senhora de Aparecida de Padroeira do Brasil movimentam as plataformas desde quinta-feira, a ponto de o candidato ser obrigado a desmentir que se prestaria a tal tipo de coisa. É que, em 2007, o então deputado Victório Galli, que depois viria a assessorar Jair Bolsonaro no Planalto por alguns meses em 2019, apresentou um projeto nesse sentido, restringindo N. S. Aparecida a padroeira dos católicos brasileiros e não do Brasil. O projeto foi arquivado há quase 20 anos. Galli nunca assessorou Flávio Bolsonaro nem apoia qualquer movimento nesse sentido.

Por falar em Flávio…/ O fato de o senador ter voado com a família para a Disney, nos Estados Unidos, no mesmo avião que serviu a Alexandre de Moraes e Viviane Barci foi considerado muito mais grave. Ainda que ele jure que voou a convite do advogado Willer Thomaz, a avaliação até de aliados é de que o estrago está feito. Um senador da República pode e deve perfeitamente comprar passagens do próprio bolso para férias em família.

Alô, TSE!/ Bolsonaristas passaram a circular pelo WhatsApp uma mensagem em que aparece “Lula22” sob um fundo vermelho. É uma forma de tentar tirar para Flávio, cujo número é 22, algum desavisado que pretenda votar em Lula, cujo número na urna é 13.

Ibram sob nova direção/ O embaixador do Brasil na Noruega, Rodrigo de Azeredo Santos (foto), foi nomeado novo diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Ele tomará posse em dezembro, quando deixará o posto na Europa. O comando do Ibram estava vago desde o falecimento do ex-deputado Raul Jungmann, em janeiro. Nesse período, o cargo foi ocupado interinamente pelo diretor de Relações Institucionais, Pablo Cesário.

A disputa dos Carlos

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

No Rio de Janeiro a deputada Benedita da Silva (PT) mantém a liderança das pesquisas de intenção devoto para o Senado, pontuando 15% na nova rodada da Quaest. Empatados em segundo lugar estão o senador Carlos Portinho (PL) e o deputado Carlos Jordy (PL) com 10%.

Os dois brigam agora por uma das cadeiras, mas já disputaram a candidatura internamente, lá atrás, quando o ex-governador Cláudio Castro (PL) desistiu de concorrer. Portinho conquistou a candidatura naquela ocasião e Jordy passou a candidato em julho, quando Márcio Canella (PP) foi preso.