STF quebrado, sem pacificação, reforça pressão por impeachment

Crédito: Caio Gomez
Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Crise no STF, Eleições, Eleições 2026, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 16 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A fratura do Supremo Tribunal Federal não tem remédio e nem prazo para acabar. Ninguém tem mais dúvidas de que a crise se arrastará para além do período eleitoral, a contar pelo andar da carruagem no primeiro dia de julgamento. Os ministros não conseguiram sair das preliminares nem sequer definir procedimentos e ritos. O presidente Edson Fachin não teve força para fazer valer a sua vontade de ver um desfecho esta semana, ainda que tenha evitado decisões monocráticas e tomado todo o cuidado para não melindrar mais os colegas.

Por falar em Fachin…/ O presidente do STF não mudará seu estilo conciliador. A avaliação é de que se ele for mais duro para uma ou outra ala do STF, não conseguirá reaglutinar o plenário nem pacificar a Corte. Até aqui, o estilo Fachin não obteve um resultado claro — apenas adiou tudo. Se até o fim do ano não houver uma resposta, restará aos ministros do STF o pior dos mundos: ver as dificuldades do Supremo em resolver internamente suas crises servir de combustível para a análise de pedidos de impeachment dos ministros no Senado.

O sobrevivente

Ao sair de fininho da sessão do STF depois de se declarar impedido, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral(TSE), Kassio Nunes Marques, busca se preservar de desgastes. Fará o mesmo quando do julgamento do caso do ministro André Mendonça. Impedido e fora da sessão, evitou que fosse confrontado com os supostos pagamentos ao seu filho pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro — pagamentos esses que o escritório do filho de Nunes Marques negou. Agora, Kassio espera ficar longe da crise para ultrapassar o período eleitoral.

Mendonça interpelado

Líderes evangélicos apresentaram um manifesto interpelando o ministro André Mendonça, que também é pastor. A carta termina assim: “As mãos que se erguem para abençoar o povo de Deus ao final do culto, as mãos que acalentam as vidas feridas e os sofrimentos dos fiéis, as mãos que abençoam as alianças do matrimônio, as mãos que consagram os elementos da Santa Ceia, as mãos que são impostas sobre cabeça de um novo pastor, em sua ordenação, e que invocam sobre ele o Espírito Santo de Deus não podem ser as mesmas mãos que empunham a espada, símbolo do poder do Estado. Parece-nos ser esta a razão da norma confessional inscrita na Confissão de Fé adotada pela Igreja Presbiteriana do Brasil”. O grupo aguarda uma resposta de Mendonça.

Imagem deteriorada

Os brasileiros confiam mais no trabalho da Polícia Federal do que no STF. A pesquisa Indexa Broadcast mostrou que a confiança na PF é de 70% contra 42% na Corte. O percentual de quem não confia no Supremo é ainda maior, 45%. De acordo com o CEO do instituto, Arilton Freres, o resultado mostra como a polarização política tem impactado a percepção do eleitor com as instituições.

CURTIDAS

Quem sabe um ministério?/ Aliados do candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) afirmam que, a depender de quem vencer o pleito, ele pode aceitar virar ministro por ter uma certa independência na tomada de decisão. O que ele jamais tentará é uma vaga no Legislativo. Seus fiéis escudeiros dizem que o ex-governador de Minas Gerais não quer saber do Parlamento porque “odeia” não poder tomar decisões de forma mais direta.

O “bonde” do Renan/ O candidato do Missão, Renan Santos, passará essas três semanas até o dia da eleição dentro de um ônibus. A ideia é percorrer sete estados: São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. A ideia é fazer, pelo menos, cinco cidades por dia.

Olho no olho/ São dois ônibus, um grande e outro menor, bem no estilo anos 1970. Em cada cidade, Renan fará panfletagem acompanhada de uma coletiva na praça, num contato direto com a população local. A primeira parada é Vinhedo (SP), onde mora a mãe do candidato.

Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

“Quem teve a coragem de abrir o Senado para permitir que, minimamente, o Parlamento acompanhasse os fatos foi uma mulher, vossa excelência (senadora Damares Alves— Republicanos-DF). E só a ministra Cármen, outra mulher, teve a decência de pedir desculpas ao povo brasileiro” Do senador Alessandro Vieira (MDB-SE, foto), após a sessão no STF sobre as mulheres em cargos públicos.

Todos armados

Crédito: Maurenilson Freire
Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise no STF, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Reforma tributária, Segurança Pública, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 15 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, quer chegar ao final desta terça-feira com alguma explicação a dar à sociedade. Nem que seja, no mínimo, Alexandre de Moraes investigado pelo STF. Entre os cenários traçados por ele, segundo pessoas próximas, está determinara abertura dessa investigação sobre Moraes de forma monocrática e, em seguida, pedir ao colegiado que defina se o ministro Alexandre de Moraes deve ser afastado ou pode permanecer no cargo enquanto durarem as investigações. Só tem um detalhe: essa forma não está combinada com os demais ministros, e todos querem se pronunciar sobre a abertura de processo. Muitos planejam inclusive apresentar uma série de preliminares. Afinal, o que se diz é que, se for para ministro ter que dar explicações sobre o fato de a mulher (ou filhos) advogarem no STF, outros terão que responder.

Crédito: Maurenilson Freire

Veja bem/ A avaliação de muitos é a de que não há como colocar todos os ministros no mesmo balaio. Ainda mais depois de tudo o que já sabe em relação ao contrato entre Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro. A Polícia Federal tem informações que indicam um encontro entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes em 30 de dezembro de 2023, num hotel de luxo em Campos do Jordão, menos de um mês antes da assinatura do contrato entre a esposa do ministro e o então controlador do Master. Nos bastidores, considera-se certa a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes.

Confiança e respaldo

Manifestos à parte, tudo o que o presidente Edson Fachin fizer hoje terá que ter o apoio da sociedade como um todo. A avaliação, inclusive no governo, é a de que não há como deixar o presidente do Supremo Tribunal Federal isolado em meio a essa crise.

Toma que o filho é teu

Os petistas estão roucos de tanto afirmar que Alexandre de Moraes foi indicado ao STF por Michel Temer e que Daniel Vorcaro montou toda a estrutura de fortalecimento do banco Master durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. Quem barrou tudo depois foi Gabriel Galípolo, o presidente indicado por Lula.

Do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante,que já foi ministro, deputado e senador

“Tivemos a CPI do Collor, no Poder Executivo; a CPI dos Anões do Orçamento, uma crise no Legislativo. Mas nunca vimos uma crise dessa proporção no Poder Judiciário. O Judiciário tem que se reformar”

Ganha no discurso

Os bolsonaristas partem da premissa que Flávio Bolsonaro ainda pode ganhar muitos votos por causa do desgaste do ministro Alexandre de Moraes. Afinal, o integrante do STF sempre foi um inimigo declarado da família Bolsonaro. Nesse sentido, a leitura é que se Moraes for afastado, é possível usar essa narrativa no horário eleitoral. Seria um jeito de evitar perdas devido à revelação de que Flávio é investigado por ao menos três crimes por causado financiamento do filme Dark Horse.

O que vem por aí

Em palestra no seminário Brasil Hoje, do think tank Esfera, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, responsável pelo programa de governo de Flávio Bolsonaro na economia, ressaltou a necessidade de ajustes na reforma tributária e acenou ainda com privatizações, caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial: “Não faz sentido o Estado ter uma estatal de chip de boi (no caso, a Cetec), ou ter uma tevê estatal”, comentou. A Caixa Econômica Federal, porém, terá um lugar de destaque no futuro governo. (Leia mais sobre o seminário no blog da Denise no site do Correio).

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

A campanha deles/ Participante do seminário Brasil Hoje, do Think tank Esfera, o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP/foto) foi incisivo ao cobrar da plateia de empresários e banqueiros que “um senador por São Paulo tem que ser paulista acima de tudo”. Referia-se especialmente às candidatas Simone Tebet, que nasceu em Mato Grosso do Sul, e Marina Silva, do Acre.

Hora da segurança pública/ O Correio Braziliense promove hoje o CB Talks sobre Segurança para o desenvolvimento do Brasil. O debate abordará os projetos em tramitação no Congresso Nacional que visam o combate à fraudes e infiltração do crime organizado em setores como o de combustíveis e GLP. São painelistas Lincoln Gakiya, promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (GAECO), o deputado Alberto Fraga (PL-DF), o candidato Marivaldo Pereira (PT-DF), e o presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz. O evento começa às 9h30 e pode ser acompanhado pelas plataformas do Correio.

Perdas & danos?/ Ao ser perguntadasobre quem perde mais com a crise do Supremo Tribunal Federal, o presidente Lula ou Flávio Bolsonaro, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal não titubeou: “Quem perde mais é o Brasil”

STF no lugar de debates/ Enquanto o Supremo Tribunal Federal vive sua crise, a campanha eleitoral vai chegando ao fim sem debates entre os principais candidatos. Pior para o eleitor.

CNBB cobra “Justiça sem Privilégios”

Crédito: Caio Gomez
Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Crise no STF, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, PL, PT, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A contar pelas manifestações da sociedade, o Poder Judiciário — em especial, o Supremo Tribunal Federal — não vai escapar de passar por uma reforma profunda diante da crise. Em reunião esta semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) engrossou esse coro, ao conclamar “os Poderes da República, suas autoridades e toda a sociedade” a esclarecemos fatos e a rejeitar tanto o silêncio diante de possíveis irregularidades quanto qualquer tentativa de enfraquecer as instituições. “O Brasil necessita de verdade sem manipulação, de justiça sem privilégios, de instituições que sirvam ao bem comum, de lucidez e paz”, diz o texto assinado pelo presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, e a cúpula da Conferência.

Ética/ A CNBB defende, ainda, que os ministros revejam seu comportamento, ao dizer que considera “oportuno que o Código de Ética em elaboração pelo Supremo Tribunal Federal receba o devido encaminhamento institucional, oferecendo parâmetros claros de conduta e contribuindo para a proteção da autoridade da Suprema Corte”. E deixa claro que os ministros devem ser investigados, ao dizer que “ninguém deve estar acima da lei, assim como ninguém deve ser previamente condenado”, e cobrar transparência: “Importante que questões de tamanha relevância institucional sejam examinadas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, de maneira colegiada, pública e transparente, permitindo à sociedade acompanhar os procedimentos e conhecer os fundamentos das decisões. Espera, igualmente, que as instituições responsáveis pela investigação possam exercer suas atribuições com independência, segurança e respeito às competências constitucionais”. Em suma, nada de jogar as denúncias para debaixo do tapete.

Te vira, Mário

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado a largar a mão do deputado Mário Frias (PL-SP), alvo da operação que apura suspeitas de desvio de dinheiro de emendas parlamentares que também mirou a produtora do filme Dark Horse, Karina Gama. Embora o próprio Frias tenha enviado recursos para a produção, uma ala dos bolsonaristas diz que quem tem que se explicar é ele. O máximo que Flávio fará é dizer que a operação pedida pela Polícia Federal, e autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, teve conotação política.

Incomodou

As inserções do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, nos supermercados deixaram o PT para lá de irritado e vai provocar mudanças na campanha do presidente Lula à reeleição.

Hora de relembrar

A ideia do partido é que as inserções comparem como foi o governo de Jair Bolsonaro com o terceiro mandato de Lula. Entre algumas lembranças que podem ser usadas, estão: a fila de ossos nos mercados, o preço da picanha e a atuação do ex-presidente na pandemia da covid-19.

Precisa mudar

O PT também pretende ser mais enfático sobre a proposta de reforma no Poder Judiciário, pauta defendida há anos pelo partido e reafirmada no 8º Congresso Nacional do PT, realizado em abril deste ano. A legenda defende a ideia de definir mandatos para tribunais a partir da segunda instância e mais cadeiras da sociedade no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Reforma no Judiciário/ Não vai ser por falta de proposta de emenda à Constituição(PEC) que o Judiciário deixará de ser reformado. Esta semana, surgiu mais uma. O deputado Danilo Forte (PP-CE, foto) sugere um Código de Conduta, Ética e Moral dos Magistrados. O texto também altera a indicação de ministros: modelo rotativo pelo Executivo, Legislativo e Judiciário; idade mínima de 65 anos e máxima de 75; e mandato de oito anos sem recondução. A aprovação, porém, tem de ser por maioria absoluta em sessão conjunta do Congresso.

Correção na nomeação/ “O sistema de indicação exclusiva pelo presidente da República concentra a formação da Suprema Corte em um único Poder, o que pode gerar distorções na composição do tribunal”, argumenta Forte sobre a mudança nos termos de indicação ao STF.

Meio-termo/ A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, não acatou na totalidade o pedido da candidata ao Senado e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), pois ele permitiu que parentes possam ficar com o ex-presidente por um período de somente duas horas. O pedido original visava dar mais tempo para que ela pudesse participar de eventos de campanha. Solicitava que outras pessoas pudessem ficar com Bolsonaro e auxiliá-la nos cuidados do ex-presidente. Foi negado.

Vapt-vupt/ A decisão de Moraes impede que Michelle possa comparecer aos eventos nacionais de Flávio Bolsonaro fora de Brasília. Mesmo as aparições em agendas no Distrito Federal precisarão ser bem planejadas para aproveitarem a janela de duas horas concedida pelo ministro. Os advogados da ex-primeira-dama ainda não decidiram se vão recorrer.

Apostas entre estudantes brasileiros podem passar de R$ 1 bilhão em 2025, aponta pesquisa

Crédito: Joédson Alves/Agência Brasil
Publicado em bets, Câmara dos Deputados, Congresso, Economia, Política, Senado

Por Eduarda Esposito — Uma pesquisa estima que no Brasil tenha sido gasto em apostas por adolescentes mais de R$ 1 bilhão no ano passado. Além do alto valor, o estudo mostrou que 9,5% dos estudantes com 11 anos já apostaram em bets. O levantamento, “Apostas online nas escolas brasileiras”, foi realizado pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info. 

Para calcular o montante estimado de apostas de estudantes brasileiros, foram considerados os valores declarados pelos alunos entrevistados e, como referência, a estimativa do Banco Central de R$ 62,5 bilhões em perdas com bets em 2025. O levantamento apresenta diferentes hipóteses para calcular os resultados agregados entre os estudantes. A pesquisa não perguntou se as apostas foram realizadas em bets legais ou ilegais. 

Quanto à faixa etária, o documento mostra que alunos de 11 anos já têm realizado apostas (9,5%). O maior percentual são os estudantes com 18 anos ou mais, 40,1%; entrevistados com 16 anos (27,6%) e os com 17 (32,3%) também tiveram um escore alto. A tabela mostra um aumento de envolvimento com as casas de apostas online conforme o aluno fica mais velho. 

Fonte: Apostas online nas escolas brasileiras

O percentual também é mais alto em alunos masculinos do que femininos. Na faixa etária dos 15 anos, os meninos (33,3%) apostaram mais do que meninas com 18 anos ou mais (24,6%). Quase metade dos estudantes masculinos do 3º ano do Ensino Médio já apostaram, 49,7%, já as meninas foram apenas 16,6%. 

O levantamento também descobriu que a maior parte dos adolescentes não tem ideia do quanto perdeu ou ganhou com as apostas. 35,2% afirmam que ganharam mais que perderam, 27,7% dizem o inverso e 37,1% não souberam responder. 

No recorte por religião, o levantamento mostra que 18,3% dos estudantes evangélicos já apostaram. Entre os católicos, 23,1% jogaram, e em outras religiões, 22,8% apostaram em bets. Ao comparar rede pública e particular, 40% dos entrevistados nas escolas públicas não souberam dizer se ganharam ou perderam mais. E nas particulares, enquanto 29,2% não souberam responder, 33,2% afirmaram ter perdido mais dinheiro do que ganhado com apostas. 

Para a deputada Tabata Amaral (PSB/SP), presidente da FPME, é preocupante saber que crianças de 11 anos já estão tendo contato com as bets e começando a apostar. “Estamos falando de uma prática que pode comprometer a saúde financeira e o desenvolvimento de uma geração inteira. A Bancada da Educação tem o compromisso de olhar para esse problema a partir de evidências e ajudar a construir políticas públicas que protejam crianças e adolescentes. A parceria com o Equidade.info nos permite justamente dar visibilidade a uma realidade que muitas vezes é invisível e, a partir dos dados, propor medidas concretas”, afirma.

O pesquisador, Guilherme Lichand, ressalta que o levantamento ajuda a trazer à luz um grande problema. “Os números geram incômodo e muitas outras perguntas. Essas apostas estão concentradas em eventos esportivos, sobretudo futebol? Como crianças e adolescentes descobrem essas plataformas? Como contornar as restrições de idade, problema comum tanto aos sites de apostas esportivas quanto às redes sociais?”, questiona o professor de Educação da Universidade de Stanford e responsável pela supervisão da pesquisa.

A pesquisa foi realizada com 1.912 estudantes do ensino fundamental e médio em 191 escolas pelo Brasil. Os alunos foram entrevistados de forma presencial com a aplicação de um questionário durante as entrevistas. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2,4%.

O temor dos ministros

Crédito: Caio Gomez
Publicado em 6x1, Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Michel Temer, PL, Política, Segurança Pública, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 5 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

O posicionamento incisivo do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, prometendo uma solução “rigorosa e firme” para a crise que se abate sobre o topo do Poder Judiciário não foi à toa. Um dos objetivos dos ministros é evitar que esse assunto termine resolvido pelo Senado Federal, num processo de impeachment. A avaliação geral é a de que esses processos são sempre traumáticos, do ponto de vista institucional e, além disso, haveria o risco de “abrir a porteira”, ou seja, depois de Alexandre de Moraes, que hoje encabeça a lista de pedidos, surgiriam novas investidas contra ministros do STF. E essa situação ninguém quer. É hora de a Suprema Corte resolver os seus problemas, antes que outros o façam.

» » » »

Vale lembrar/ No momento em que saiu o contrato entre o escritório da esposa de Alexandre de Moraes e o Banco Master foi sugerido aos ministros que resolvessem a crise internamente, de forma contundente para evitar que o STF continuasse exposto. Nada foi feito em termos de uma solução negociada. Agora, avaliam muitos, a saída para crise será traumática. Porém, melhor o STF agir do que deixar tudo a cargo do Senado.

A paternidade de Xandão

Com a eleição na ordem do dia, os petistas querem tratar de manter distância do ministro Alexandre de Moraes. Para isso, daqui para frente começarão a deixar claro em todas as oportunidades que Moraes foi para o STF por indicação do então presidente Michel Temer, que assumiu o governo logo depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Não votou, mas…

… saiu do foco. Mesmo sem levar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 ao plenário, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), conseguiu deixar de ser o grande vilão da não aprovação da matéria ao desengavetar o texto. Agora, o adiamento da votação será atribuído aos aliados do candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fizeram de tudo para atrapalhar a análise na CCJ e evitar a apreciação final. Há quem diga que esse movimento foi muito bem calculado como uma forma de limpar a imagem de Alcolumbre.

Saldo positivo

E com o fim da semana de esforço concentrado, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem três vitórias das cinco que tentou emplacar: aprovação dos projetos do Redata (sistema tributário de datacenters), minerais críticos e a isenção da taxa das blusinhas. E ainda poderão se vangloriar das votações das PECs do fim da escala 6×1 e da segurança pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Vai tudo para o horário eleitoral na tevê.

CURTIDAS

Deixem passar e foquem/ Dos Estados Unidos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro usou as redes sociais para defender o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que apareceu em áudios vazados pedindo favores ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Eduardo ainda pede nas entrelinhas que esqueçam o caso ou o financiamento do filme Dark Horse. A seus seguidores, pede foco contra Alexandre de Moraes, que “recebeu dinheiro do cliente”, no caso, Vorcaro.

Até aqui, sem explicações/ Em nenhum momento, Eduardo esclareceu onde foram parar os recursos que Vorcaro destinou ao filme da biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — aliás, inicialmente um repasse previsto quase que no mesmo valor do contrato com o escritório da mulher de Moraes.

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Por falar em Nikolas…/ Parlamentares de direita se mostram constrangidos ao comentar o áudio que o deputado Nikolas Ferreira (foto) enviou a Daniel Vorcaro. Mesmo em conversas reservadas, senadores e deputados evitam atacar diretamente Nikolas, mas demonstram desconforto e constrangimento ao responder que Vorcaro sabia como “encantar” e “corromper” excelências da República.

Campanhas solteiras/ Candidatos a deputados estaduais do PSD do Rio de Janeiro têm feito campanha casada apenas com Eduardo Paes, que concorre ao governo estadual. Para os demais cargos, o “santinho” distribuído aos eleitores vai em branco. Ou seja, o eleitor que decide em quem votará para presidente da República, senador ou deputado federal.

Com STF na roda, Vorcaro fica sem delação

Crédito: Caio Gomez
Publicado em 6x1, Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, Orçamento, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 4 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não decidir o que fará diante da crise aberta com as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro, qualquer perspectiva de delação premiada do ex-banqueiro ficará congelada. Entre subprocuradores, há quem considere que se Vorcaro, o empresário, quiser fazer uma delação premiada, não poderá proteger ninguém nem mirar num único alvo. Não dá para ele escolher quem será exposto e quem ficará à sombra. E nem dizer que não fez nada de errado no caso do BRB, conforme vem insistindo.

Por falar em Vorcaro…/ Muitos procuradores classificaram o último depoimento de Vorcaro à equipe do ministro André Mendonça, do STF, como uma tentativa de tirar da frente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Porém, o ex-banqueiro do Master não apresentou qualquer prova concreta contra o policial — apenas o fato de estarem em eventos. Vale lembrar que, nos idos de 2023 e 2024, o Master patrocinava seminários internacionais de think-tanks brasileiros, nos quais Andrei esteve entre os palestrantes. Daí a dizer que são “amigos ou próximos”, a distância é grande. Por essas e outras, a ideia é ir com muita calma. Vorcaro ainda é considerado um personagem perigoso, que tenta manipular a situação a seu favor. Até aqui, deu errado.

Moraes joga gasolina na crise

A decisão de Moraes contra Mendonça, acusando o ministro relator do caso Master de ilegalidades em operações — como a Compliance Zero —, aumenta a pressão sobre o presidente do STF, Edson Fachin. É ele quem deverá assumir o inquérito do banco de Vorcaro ou designar um ministro para fazê-lo. O gesto de Moraes é prova deque a guerra está longe do fim.

Os intranquilos

O STF reforçou a segurança da Corte desde o início da crise entre Moraes e Mendonça. Mais seguranças foram alocados no prédio principal, especialmente nas saídas e entradas da Corte. Moraes também reforçou a segurança pessoal. Fontes consultadas pela coluna disseram que o temor é de eventuais atos hostis mirando o Supremo em razão da repercussão do caso.

A Igreja se posiciona

Durante duas horas, os oito cardeais expuseram suas preocupações e opiniões sobre as eleições, no evento “Igreja e Política — Diálogo dos Cardeais do Brasil”, transmitido pela Rede Vida de Televisão. Com todo cuidado, todos deixaram claro que a Igreja não tem candidato, mas, sim, valores. E que é preciso respeito e propostas por parte daqueles que desejam governar o Brasil. Todos estão muito apreensivos com a agressividade e divisão do país neste pleito.

E a CMO, hein?

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) está parada desde antes do recesso parlamentar, em julho. Foi instalada apenas com o presidente, deputado Domingos Neto (PSDCE), e aguarda a indicação para os relatores da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA). O que se diz entre técnicos da CMO é que o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), ficará com a relatoria do Orçamento este ano.

CURTIDAS

O recado de Alcolumbre/ Tem nome e endereço o desabafo que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez no plenário esta semana. O primeiro foi para Carlos Viana (PSD-MG) que, enquanto era filmado por um integrante de sua equipe, cobrou “coragem” de Alcolumbre para pautar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. “Se eu fosse só mais um senador, ia falar muita coisa naquele microfone ali, inclusive para colegas nossos que se acham no direito de fazer um vídeo agredindo as pessoas para o assessor, ao lado, estar filmando para ganhar curtida na rede social e, talvez, para querer ganhar a eleição dia 4 de outubro”.

6 x 1 e os cálculos/ A base governista pretende votar o fim da escala 6 x 1em uma provável semana de esforço concentrado, entre o primeiro e o segundo turno. Na hipótese de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, será mais uma tentativa de levar a oposição ao desgaste de apostar contra uma medida que tem a chancela da maioria dos trabalhadores.

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Onda Cury chega ao DF/ Os dois dígitos que Ronaldo Caiado (PSD) apresentava na pesquisa Correio/Opinião, no mês passado, aparecem agora redistribuídos entre ele e o candidato do Avante, Augusto Cury (foto) — que aparecena frente de Caiado. Os números do levantamento estão no site e impresso do Correio Braziliense.

Até aqui…/ Esta primeira semana de campanha eleitoral de rádio e tevê colocou Cury na terceira posição, mas não ao ponto de mexer totalmente no cenário onde predominam Lula e Flávio.

Colaborou: Renato Souza

Institucionalidade para ganhar tempo

Crédito: Kleber Sales
Publicado em 6x1, Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, PP, Senado, STF, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 3 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

As relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e o confronto com o ministro André Mendonça, ficaram fora da sessão do Supremo Tribunal Federal esta semana, num jogo combinado para mostrar que a Corte não deixará de cuidar das suas obrigações, apesar da crise que se abate sobre o topo do Poder Judiciário. O que se diz no STF é que se os temas viessem à tona no colegiado, sem combinação prévia, será a terceira guerra mundial. A ordem é esperar a poeira decantar e viver cada dia com sua agonia, enquanto o Supremo tenta juntar os cacos.

» » »

Pés no chão/ O fato de adiar as decisões não significa apatia. Os ministros sabem que será difícil preservar todo o colegiado. E dada a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para avaliar os pedidos de impeachment contra ministros do STF — em especial Moraes —, a Corte tem plena consciência de que não pode mais desconhecer as relações entre Moraes e Vorcaro e de Vorcaro com outros. Sabe que terá que tomar atitudes, especialmente, diante das pressões para a renúncia de Moraes. O problema, agora, é buscar a melhor forma de sair dessa crise, preservando a instituição. Essa ferramenta ainda está em construção.

É só o começo…

Nos bastidores do debate do Correio Braziliense/TV Brasília com os candidatos ao Governo do Distrito Federal, o que mais se comentava eram as delações que vêm por aí. A prometida pelo dono da Reag, João Carlos Mansur, que geria fundos de investimentos relacionados a Vorcaro, é no atual momento a que tem mais potencial para “quebrar a banca”.

… e vem mais

A avaliação geral dos atores no DF é de que o ministro Mendonça se precipitou ao tratar das denúncias envolvendo o ministro Moraes. Porém, para que tenha feito isso, estava muito pressionado. E ameaçado.

Mais uma vaga no TCU

A Câmara dos Deputados deve indicar mais um deputado para o Tribunal de Contas da União, em novembro. Fontes ligadas ao TCU afirmam, em conversas reservadas, que o ministro Augusto Nardes deve se aposentarem 13 de novembro, antecipando a saída em um mês. O que se comenta é que a vaga será do Progressistas e o partido não descarta indicar o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (AL).

Planos eprojetos

Lira, porém, tem outros planos para 2027. É candidato ao Senado em Alagoas e, se vencer, não deixará os tapetes azuis para assumir uma vaga no TCU. O que Lira almeja, obtido o mandato de senador, é uma cadeira no clube que comanda a Casa.

CURTIDAS

Perguntem para o Flávio/ Parlamentares do PL não conseguem esconder a irritação quando alguém lhes pergunta sobre a prestação de contas do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Dark Horse. Afirmam que há uma prestação de contas e não comentam mais a atuação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro nessa busca por investimento junto a Daniel Vorcaro. O senador que se vire para responder.

Abstenção e vantagem/ Aliados de Flávio avaliam que dois dos três segmentos que apoiam majoritariamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua reeleição terão uma alta taxa de abstenção: os mais pobres e idosos. Com isso, a campanha projeta que os números das pesquisas não estão captando algo em torno de 3% a 4% a mais de intenções para o filho 01.

Visões diferentes/ Enquanto a oposição reclamava da falta de audiências públicas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para discutir o fim da escala 6 x 1, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), divergiu, citando um projeto do senador Paulo Paim (PT-RS) para o mesmo fim: “Fizemos duas audiências públicas no ano passado e só compareceram o autor, o relator e eu”, argumentou.

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Enquanto isso, no Rio de Janeiro…/ A esquerda fluminense está bem animada com a campanha no estado. Candidatos avaliam que, após as investigações que retiraram o ex-governador Cláudio Castro (foto) da disputa, o desempenho dos esquerdistas tem sido além do esperado. O campo projeta conseguir eleger a deputada Benedita da Silva (PT) ao Senado e equilibrar as cadeiras na Casa.

“Polarização pode fazer parte da vida, mas não pode conduzir ao ódio, a olhar ao outro como inimigo. O anormal é demonizar quem pensa diferente de você e ver o outro como inimigo” Dom Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, ao comentar a importância do debate Igreja e Politica — Diálogos dos Cardeais do Brasil, promovido pela Rede Vida de tevê, em parceria com outras emissoras católicas

A hora de Fachin assumir

Crédito: Kleber Sales
Publicado em 6x1, Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 2 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Quem entende do traçado e é do meio jurídico considera que somente o presidente do Supremo Tribunal Federal possui atribuições administrativas e competência jurisdicional para abrir sindicância contra um integrante da Corte, salvo se decidir delegar essa competência a outro colega. Isso significa que o ministro Edson Fachin, o comandante do Supremo, é quem tem hoje o poder de investigar o ministro Alexandre de Moraes ou indicar quem deve fazê-lo. Só tem um probleminha aí: a depender da avaliação de Fachin, o ministro André Mendonça perderia toda a relatoria do caso Master. E isso hoje, no STF, passaria a ideia de que querem barrara investigação. E diante de uma Suprema Corte tão desgastada, fica mais difícil.

Crédito: Kleber Sales

» » » » » »

Um problema para André/ Dentro da Justiça, o que se diz é que André Mendonça, ao esbarrar nos diálogos suspeitos envolvendo Moraes, deveria suspender todos os seus atos dentro do inquérito do Master e remeter tudo ao presidente do STF para adoção das providências administrativas e penais. Essa atitude caminha para transformar Fachin em relator de todo o inquérito do Master, salvo se entender que não há conexão entre os fatos ora encontrados em relação a um ministro e o objeto do inquérito do Master. Esse é, hoje, o cerne das discussões sobre o futuro do caso Master no STF. É hora de enfrentar esse tema que os ministros tentavam contornar, sem expor Moraes. Agora, não dá mais.

Moraes e a fritura do STF

Edson Fachin analisa instalar inquérito contra Moraes. Ele está para lá de preocupado e considera grave o que foi revelado sobre a relação entre o ministro e Daniel Vorcaro. O comandante da Suprema Corte não esperava tamanha crise sob sua gestão. Quanto antes o pleno decidir sobre o “caso Moraes” — é assim que os ministros se referem às denúncias —, menos a crise se arrasta.

Um Sete de Setembro contra Moraes

A oposição espera aproveitar essas denúncias contra o ministro Moraes como um chamamento para o Sete de Setembro na Avenida Paulista. Só tem um probleminha: com a revelação de outros repasses de dinheiro de Vorcaro para o filme Dark Horse, além do que havia sido divulgado até agora, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também terá que se explicar. Afinal, os repasses foram feitos a pedido do presidenciável e, até agora, não há a certeza deque esses valores foram mesmo parar na produção do longa-metragem.

E os valores só crescem

A revista Piauí trouxe à tona mais um repasse ao filme, o que eleva de US$ 10 milhões para US$ 12,3 milhões os valores repassados a um fundo de investimentos para a produção.

Senado esvaziado

Com o caso Vorcaro voltando a esquentar o clima seco de Brasília, os senadores começam a retornar mais cedo do que estava previsto. Afinal, são duas frentes: uma que trata do caso Alexandre de Moraes e outra sobre o financiamento do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

Causa e consequência

Com as denúncias, as chances de votação de projetos importantes são remotas. Os avisos de que muitos voltarão aos estados ainda na manhã de hoje acendeu um alerta vermelho para a base do governo Lula. São duas propostas de emenda constitucional (PECs) e uma série de medidas provisórias que precisam ser votadas ainda esta semana. Além disso, as PECs têm de ter quórum qualificado e registro de presença no plenário da Casa.

CURTIDAS

Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

Haja pressão/ O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), conversou com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), reforçando o pedido para que não votasse a PEC do fim da escala 6 x 1 no plenário hoje. Marinho espera que Alcolumbre mantenha o que foi dito anteriormente — que não haveria apreciação da matéria antes das eleições.

Falte, mas responda por isso/ O relator da PEC do fim da escala 6 x 1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Omar Aziz (PSD-AM, foto), foi direto: “Quem faltar à sessão é porque não quer votar o fim da 6 x 1. E a imprensa vai mostrar quem são”.

As diferenças só cresceram/ Em agosto de 2025, os ministros Moraes e Mendonça foram destaque no Forum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro. Ali, Mendonça foi contundente ao dizer que “o Estado de Direito fortalecido demandava uma autocontenção do Poder Judiciário”. No mesmo evento, ao falar ao final, Moraes disse “juiz que não resiste à pressão que mude de profissão”. Se já estavam em campos opostos lá atrás, agora, então, é que o caldo entornou de vez.

E agora…/ Vejamos como estarão daqui a um ano, depois de divulgada no inquérito uma frase, dita pelo ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, Fábio Faria, a Daniel Vorcaro, referindo-se a um contrato do ex-banqueiro com o escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci: “O careca não pode atrasar”.

Colaborou Renato Souza

A economia e as narrativas sobre o funcionalismo

Crédito: Maurenilson Freire
Publicado em 6x1, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, IA, Orçamento, PL, Política, Reforma Administrativa, Segurança Pública, Senado, STF, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 1⁰ de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire
Crédito: Maurenilson Freire

Com a entrega do Orçamento da União ao Congresso esta semana e os projetos em pauta, o presidente Lula se prepara para dizer, no horário eleitoral, que seu governo acena com responsabilidade fiscal sem tirar de cena os programas sociais. Encaixará nesse discurso pontos levantados pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sobre uma reforma administrativa que “enfrente as corporações” . Durante a participação no Macro Day, do BTG Pactual em São Paulo, Marinho não esmiuçou a proposta de reforma administrativa, mas disse que é preciso enfrentar as corporações, algo que, na visão dele, o atual governo não fará. Há um receio, no poder público de forma geral, de que essa reforma administrativa reduza o ingresso por concurso em alguns cargos e que isso represente um afrouxamento nos mecanismos de controle. Incluídos aí a Receita Federal, a Polícia Federal, o Ministério Público, o próprio Coaf — o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que, hoje, alerta todas essas instituições a respeito das transações financeiras atípicas.

Retorno ao passado/ Um grupo pensa, inclusive, em recuperar a frase do então presidente Jair Bolsonaro, numa reunião em 2020, quando ele foi direto ao dizer que não esperaria “f.. a família” , para trocar alguém de segurança na ponta. “Se não puder trocar, troca o chefe, se não puder trocar, troca o ministro” . Aliás, com a campanha esquentando, as frases antigas de Bolsonaro serão revisitadas por todos os adversários.

Lula e Alcolumbre I

Ao indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga de Bruno Dantas no Tribunal de Contas da União (TCU), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, garante um lugar de peso para o seu aliado, mas não sela a sua pacificação com Lula, uma vez que este posto já é de indicação dos senadores. O que falta para dar os 100% entre Lula e o senador amapaense é Alcolumbre desmontar as travas para a aprovação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal.

Lula e Alcolumbre II

Como o leitor da coluna já sabe, o presidente Lula não desistiu de indicar o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) e planeja fazer isso depois da eleição. Porém, já tem gente apostando que Bruno Dantas não teria deixado o cargo sem a promessa de uma indicação ao STF. Com isso, duas das possíveis quatro novas vagas na Suprema Corte seriam destinadas a homens.

Vão dificultar

A oposição no Senado promete uma votação demorada da PEC do fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Para isso, preparou um kit obstrução robusto para comissão e plenário, caso necessário, e garante que votará contra o texto, diferentemente do que ocorreu na Câmara. De acordo com senadores ouvidos pela coluna, a oposição não irá se “furtar” do compromisso com o Brasil e com quem gera emprego no país, diferente dos deputados que não bancaram o voto contrário. “Lula está buscando a bala de prata, que não ocorrerá” , diz o senador Rogério Marinho.

Convocação geral

Parlamentares da base do governo Lula estão a caminho de Brasília nesta semana para a possível votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 no Senado. Mesmo em período eleitoral, deputados e senadores estão confirmando presença no Congresso Nacional hoje e, principalmente, amanhã. A expectativa no Parlamento é a de que o texto seja aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) amanhã.

CURTIDAS

Efeito Cury/ Se as futuras pesquisas confirmarem o crescimento de Augusto Cury nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá que rever a sua disposição de não participar de debates. Pelo menos essa é a opinião de deputados que apoiam a candidatura do senador. É que, com vários representantes mais conservadores no páreo, quem não se apresentar corre o risco de perder a torcida.

O entusiasmo fala/ Se alguém tinha alguma dúvida sobre para que lado pende o coração de, pelo menos, parte dos barões do mercado financeiro nesta eleição, agora não tem mais. Na plateia do Macro Day, do BTG Pactual, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha de Flávio Bolsonaro, foi ovacionado ao dizer que era preciso tirar o PT.

Novos tempos/ Para a mesma plateia do BTG, o vice-presidente Geraldo Alckmin havia dito antes do senador potiguar que há uma tendência natural no mundo de redução da jornada (e/ou escala) de trabalho e que era possível a aprovação da PEC esta semana. Teve gente se remexendo na cadeira.

Crédito: Washington Costa

E a segurança, hein?/ Logo depois de se referir à segurança pública como algo que a Constituição atribui aos estados e não à União, o ministro da Fazenda, Dario Durigan (foto), se referiu ao aniversário de um ano da Operação Carbono Oculto, que desbaratou um esquema do crime organizado para lavar dinheiro usando postos de combustíveis e fundos de investimentos. E foi além, ao dizer que está-se montando um sistema de IA para a realização de uma Carbono Oculto a cada dois meses. Se for por aí, avaliam governistas, Lula pode ter um passe para entrar com o pé certo no discurso de combate ao crime organizado.

Colaborou Luiza Altoé

Governo marca ponto no Senado

Crédito: Maurenilson Freire
Publicado em 6x1, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Lula, PL, Política, Ronaldo Caiado, Segurança Pública, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 28 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Ao emplacar três aliados nas relatorias de projetos importantes no Senado, o Palácio do Planalto conseguiu dois feitos: encaminhar textos alinhados com os objetivos do governo e manter em destaque os aliados escolhidos para a eleição. Os senadores Cid Gomes (PSB-CE), que ficou com o Redata, e Eduardo Braga (MDB-AM), com a política nacional de minerais críticos, lideram as últimas pesquisas ao Senado feitas em seus estados.

No caso da senadora Leila Barros (PDT-DF), relatora da PEC que trata da taxa das blusinhas, a designação é mais um ativo na corrida para uma das vagas ao Senado pelo Distrito Federal. A ideia é votar o parecer na próxima terça-feira, na primeira reunião após a eleição da mesa da comissão especial, marcada para hoje.

O arranjo definido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) desata um nó institucional em que se encontravam os poderes Executivo e Legislativo há meses. Apesar dos avanços, com evidentes dividendos eleitorais, há dúvidas em relação ao comportamento do plenário do Senado, principalmente depois das eleições. Não é certo se as propostas sairão integralmente conforme os desígnios do Planalto.

Sem alteração

Cid Gomes pretende seguir o mesmo caminho que o colega Omar Aziz (PSD-AM): manter o texto da Câmara dos Deputados sobre o Redata, regime especial de tributação de datacenters, e buscar consenso. Até ontem, a matéria acumulava 22 emendas apresentadas. O texto está pronto para ir a Plenário.

Já vi esse filme

À coluna, Gomes afirmou que irá analisar todas as sugestões, mas não deverá aceitar alterações de mérito. “Não há nenhuma novidade. O Brasil já teve um programa de incentivo para data centers ainda no primeiro governo Lula, em 2005” , lembrou o relator.

Emendas do setor

Contudo, o setor defende que haja um aperfeiçoamento no texto aprovado na Câmara no começo do ano. A coalizão das frentes parlamentares produtivas apoia a emenda que prevê a utilização de fontes firmes, como gás natural, energia nuclear e biometano, complementares às fontes renováveis e essenciais para empreendimentos que operam de maneira contínua.

Se tem acordo…

Caso a emenda seja acatada, o texto deverá retornar à Câmara para uma nova votação. O setor ressalta que isso não seria um problema, haja vista o compromisso firmado entre Lula, Motta e Alcolumbre para aprovar essa matéria.

Hora de se apresentar

Na estreia do horário eleitoral no rádio e tevê, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) usará os quase três minutos de propaganda a que tem direito para divulgar seus feitos. Inicialmente, a campanha não deverá atacar Lula ou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mas é possível uma mudança de tom até outubro. Nesta fase da campanha, Caiado pretende mostrar ao Brasil as realizações em Goiás, com enfoque especial na segurança pública.

Ficha limpa

As peças ainda devem ressaltar que, em 40 anos de vida pública, Caiado teria uma conduta imune a escândalos. O mote da campanha será: “Muito para mostrar e nada para esconder” .

Crédito: Instagram pessoal

Janela de oportunidade

Em relação à medida provisória da taxa das blusinhas, o PL pretende alcançar um equilíbrio entre a concorrência e o acesso aos mercados globais. O deputado Rodrigo Valadares (PL-SE, foto) afirma que a bancada buscará “um denominador comum” . “O caminho é pensar em desburocratizar o empreendedor nacional, e não criar mais regras para o e-commerce internacional” , avalia.

Isenção fiscal

Segundo o parlamentar, “a taxa das blusinhas fez tanto mal para o consumidor final quanto para pequenos empreendedores que compravam nas lojas on-line para fazer seus estoques” . A bancada também é favorável à isenção da taxa.

Combustível do futuro

Na próxima quarta-feira, será realizado, na Câmara dos Deputados, um seminário em comemoração aos dois anos da Lei do Combustível do Futuro. A Comissão Especial sobre Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde (Ceenerg) vai reunir representantes dos principais setores para discutir os avanços regulatórios, os desafios ainda existentes e as perspectivas para os combustíveis de baixo carbono no Brasil.