Michelle no jogo bruto da política

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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 1º de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A decisão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de abrir mão da presidência nacional do PL Mulher é um revés importante para o partido e torna ainda mais confusa a estratégia eleitoral da legenda de Flávio Bolsonaro. Ao abrir mão do cargo de visibilidade — Michelle está há semanas no horário eleitoral convidando mulheres a ingressarem no partido —, a potencial candidata dá sinais de desgaste na relação com os caciques do PL e os enteados.

Ainda que a esposa do ex-presidente diga que está deixando sementes para as mulheres, abre-se um vácuo no núcleo duro do bolsonarismo. As dúvidas e a mágoa de Michelle deixam cada vez mais evidente que Flávio Bolsonaro perde um ativo para a campanha presidencial. E colocam em xeque até mesmo a candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal — o que abre brecha para os concorrentes, tanto de direita quanto de esquerda.

Ao concluir que estava em desvantagem nos desígnios do partido e se sentir ofendida pelos ataques grosseiros às suas convicções, Michelle Bolsonaro decidiu sair de cena. Abre mão de um protagonismo para não lidar diretamente com o jogo bruto da política.

Friamente

Na avaliação de bolsonaristas, a divergência entre Flávio com Michelle sobre as indicações ao Senado seria por causa da suposta falta de força política das pessoas escolhidas. Alguns avaliam que, a preços de hoje, nomes defendidos pela ex-primeira-dama não são tão competitivos nas urnas quanto os preferidos pela campanha de Flávio.

Pobres, não

Depois de o bolsonarista Paulo Figueiredo falar barbaridades sobre as mulheres, chegou a vez de os pobres serem achincalhados na internet. O Ministério Público de São Paulo ajuizou ação contra o influenciador Leonardo Marcondes após ele defender que pobre não deveria votar. “Uma pessoa que é pobre não soube tomar boas decisões para ter o melhor para sua família e para si mesma”, alega Fernandes. “O país ou uma empresa não pode estar nas mãos de quem não consegue ter responsabilidade sobre as próprias atitudes”, conclui.

Discurso de ódio

Para o Ministério Público, o influenciador associa pobreza à incapacidade, à irresponsabilidade e à exclusão da participação democrática. E lembra que liberdade de expressão não protege manifestações de ódio e intolerância, especialmente quando promovem a estigmatização de grupos vulneráveis.

Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

Decepcionante

A senadora e ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS, foto) fez um contraponto ao festivo Plano Safra 2026/2027, lançado ontem pelo governo federal. Segundo ela, o conjunto de medidas é decepcionante. “Não tem recorde nenhum, a não ser no discurso de propaganda. Houve, na verdade, redução de 30% nos valores para custeio. Os juros caíram um pouquinho, mas continuam altíssimos para o bolso dos agricultores — o que dificulta a tomada do crédito nos bancos”, criticou. “Nenhuma palavra foi dita sobre o importantíssimo seguro rural, que teve os recursos reduzidos à metade”, acrescentou a parlamentar.

Compensação

De fato, os recursos para custeio foram reduzidos. Mas o montante para investimento teve uma ampliação de 40% em relação à safra anterior. Pressão do agro Continua forte o lobby em favor da renegociação da dívida de produtores rurais. Mais de 20 representantes da categoria procuraram o presidente da Câmara, Hugo Motta, para fazer o apelo. Mas a bancada petista pretende bloquear a iniciativa. Na visão do Executivo, o texto que veio do Senado Federal desvirtuou o objetivo principal: ajudar os produtores gaúchos que passaram pelas enchentes de 2024.

Espera aí

O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), considera a ampliação do projeto para produtores do Brasil inteiro de “trenzinho da alegria”. “Por que um produtor de 100 hectares no Mato Grosso, que não passou por seca ou enchente, vai poder usar dinheiro do contribuinte para renegociar sua dívida?”, questiona o petista.

Doutrina

Na Câmara, o projeto que visa criminalizar a misoginia está empacado por falta de acordo. A direita quer garantir liberdade religiosa no texto e, sem esse ponto assegurado, não há consenso, segundo interlocutores ouvidos pela coluna.

Tocaia

A oposição paraense traçou a estratégia de esperar o governo errar para capitalizar em cima das falhas da atual administração. Não será tarefa fácil. A atual governadora, Hana Ghassan Tuma (MDB), tem o apoio de 130 das 144 prefeituras no estado — além do respaldo do ex-governador Helder Barbalho (MDB) e do presidente Lula.

Descaminho

Estudo inédito do Instituto Esfera Brasil revelou que 89% dos casos no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), em São Paulo, são de mercadorias apreendidas em rota proveniente do Paraguai. Entre os produtos mais contrabandeados, estão eletrônicos (10%) e aparelhos celulares (8%). Em seguida vêm vestuário e genérico (4%), além de informática e perfumes (3%).

Perto de Milei, longe das crises

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 30 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Em mais um movimento para angariar apoio estrangeiro à pré-candidatura ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçou os laços com o ultraliberal chefe da Casa Rosada, Javier Milei. Para demonstrar que está fechado com o 01, o homem da motosserra disse ter certeza de que a “onda azul” está a caminho do Brasil, tal e qual ocorreu no país vizinho. A ver.

Logo após a visita a Buenos Aires, Flávio pretende ir aos Estados Unidos, onde participará da audiência pública para tratar da nova onda de tarifaço em gestação pelo governo Trump. Diferentemente da aproximação argentina, claramente ideológica, o contato com Washington tem a gravidade de implicar sanções econômicas para o Brasil — injustificadas, como já exaustivamente ressaltado por Brasília.

No momento em que a América Latina se inclina para a direita, com vitórias eleitorais em diversos países, Flávio aposta no discurso anti-esquerda. Ainda não se viu, entretanto, o efeito dessas articulações na corrida eleitoral. A agenda internacional, no caso do bolsonarista, tem servido para desviar a atenção do eleitorado a problemas como o caso Dark Horse ou a contenda em praça pública com Michelle Bolsonaro.

Encontro marcado

A reunião de hoje entre Valdemar Costa Neto e Michelle Bolsonaro será um teste para a vontade de Flávio Bolsonaro de tornar o imbróglio com a ex-primeira-dama uma “página virada”. Até aqui, a bronca da ex-primeira-dama não mudou a realidade — os acordos regionais como no Ceará continuam, bem como a relação conflituosa com os filhos do ex-presidente.

Incomodado

Mais do que superar diferenças de relacionamento, o maior desafio no momento é encontrar uma solução que viabilize o apoio político de Michelle às pretensões de Flávio em outubro. Com uma candidatura ao Senado encaminhada no Distrito Federal, a presidente do PL Mulher não dá sinais de que pretende recuar nas suas queixas. Incomodado com as acusações de que humilhou a madrasta, o senador tem buscado mostrar, desde a semana passada, o quanto valoriza as mulheres.

Bolsonarismo bruto

Enquanto Flávio tenta manifestar apreço pelas mulheres, aliados próximos explicitam o bolsonarismo raiz. O blogueiro Paulo Figueiredo, que forma dupla com Eduardo Bolsonaro nas tratativas com o governo norte-americano, não contemporizou. “Mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras. As casadas costumam acompanhar o marido”, disse. Sobre Michelle, afirmou que ela prejudica a imagem de Amélia quando resolve falar.

Ganha-ganha

Se Brasil e Japão tiveram de decidir quem continuaria na Copa do Mundo, os países devem caminhar cada vez mais juntos no comércio bilateral. A Cúpula do Mercosul em Assunção será a ocasião para anunciar o início das negociações entre o bloco econômico e o país integrante do G7, clube das economias mais ricas do mundo.

Interesses comuns

Na avaliação de especialistas, há uma complementariedade importante na relação entre Brasil e Japão. Produção agrícola, minerais críticos e energia são alguns ativos importantes da plataforma exportadora nacional. Em contrapartida, investimentos e tecnologia representam oportunidades para a economia brasileira.

Crédito: Pedro França/Agência Senado

Fim do home office

Após uma semana esvaziada, o Congresso retorna ao trabalho no modo turbinado. Câmara e Senado devem analisar o projeto de lei que aumenta o teto do microempreendedor individual (MEI), que foi enviado ontem pelo Planalto. Já no Senado, os governistas têm a expectativa de que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhe a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da 6 x 1, aprovada na Câmara, para a Comissão de Constituição e Justiça.

Política em campo

Os bolsonaristas não perderam tempo. Minutos após o fim do jogo em que o Brasil venceu o Japão por 2 x 1, aliados de Flávio Bolsonaro compartilharam uma foto com o jogador Martinelli, que usa a camisa número 22. A foto ainda tinha escrito: “O 22 salvou o Brasil e pode salvar de novo”.

Diário japonês

O Ministério do Desenvolvimento Agrário, por sua vez, tirou uma onda com o técnico da seleção japonesa, Hajime Moriyasu. Em um post nas redes sociais, a pasta indagou quais seriam as anotações, feitas à mão, em um bloco de notas à beira do campo. E vieram os memes: “Cancelar o miojo e encher o prato com arroz e feijão”, “Confirmar se o café brasileiro dá bônus de energia”, “Trocar isotônico por açaí”, em uma ação em favor da alimentação saudável.

Flávio Bolsonaro dobra a aposta

Publicado em coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado, Tarifaço de Trump, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 24 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro acredita que pode convencer o eleitor brasileiro de que o presidente Lula é o maior responsável pelas iminentes tarifas que serão aplicadas pelo governo dos Estados Unidos. E que, ele, Flávio, poderá fazer uma interlocução com a administração Trump para reverter o momento desfavorável na relação entre os dois países.

Flávio Bolsonaro está convencido de que poderá obter trunfos nos cinco minutos de fala a que terá direito na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR), em 6 de julho. No jogo político, o pré-candidato bolsonarista dobrou a aposta. Seria uma tentativa de diminuir a vantagem de Lula na corrida presidencial, além de fazer um contraponto à defesa da soberania assumida pelo petista.

O ganho maior de Flávio Bolsonaro, entretanto, poderá vir diretamente da Casa Branca. Ao compartilhar um texto no qual se considera a eleição no Brasil o maior desafio político do hemisfério, o presidente Donald Trump deu mais um sinal de que está atento à disputa que poderá coroar o chamado “Escudo das Américas”.

Não convém menosprezar esses movimentos. Uma nova demonstração de apoio por parte dos Estados Unidos a Flávio Bolsonaro intensificará a polarização a pouco mais de três meses do pleito. Flávio Bolsonaro diz querer atacar Lula e não o Brasil. Resta saber se o eleitor assim entenderá.

Nada de “terceira via”

A mais recente pesquisa Indexa mostra que a polarização permanece estável no Brasil, o que inviabiliza a terceira via. A disputa continua concentrada em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 42% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro (PL), com 31%. “Os candidatos que buscam representar uma terceira via permanecem distantes e, até o momento, não demonstram capacidade de romper a polarização”, afirmam os pesquisadores.

Sem transferência de votos

Segundo o levantamento, o envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no escândalo Master não resultou em transferência de votos para os concorrentes da direita. Na comparação com a primeira rodada, realizada em maio, Ronaldo Caiado recuou de 7% para 5%, enquanto Romeu Zema caiu de 5% para 3%. O único crescimento dentro desse grupo, registra a pesquisa da Indexa, ocorreu com Renan Santos, que passou de 2% para 3% das intenções de voto.

Dinheiro nas mãos

Uma ala do PL se sente preterida de relatorias na Comissão Mista de Orçamento do ano passado. Alguns bolsonaristas defendem que o relatório da Lei de Orçamento Anual (LOA) e a setorial de saúde deveriam ter sido do partido de Jair Bolsonaro. Por isso, esse grupo está brigando para que o relator da LOA seja um senador do PL. O nome cotado até agora é o de Eduardo Gomes (TO).

Crédito: Thiago Cristino / Câmara dos Deputados

Contas a analisar

O Tribunal de Contas da União (TCU) analisará possíveis irregularidades fiscais envolvendo operações financeiras, fundos públicos, fundos garantidores, créditos subsidiados e créditos extraordinários utilizados pelo governo federal. O deputado Sanderson (PL-RS, foto), autor da denúncia, acusa o governo Lula de repetir as “pedaladas fiscais” do governo de Dilma Rousseff.

Impacto fiscal

O Ministério Público se juntou à investigação por meio do procurador Júlio Marcelo de Oliveira junto ao TCU. O processo tem como relator o ministro Jhonatan de Jesus. A principal acusação é que medidas adotadas pelo governo teriam gerado impactos fiscais estimados em aproximadamente R$ 215 bilhões, sem que parte desses efeitos estivesse refletida nos principais indicadores fiscais utilizados para monitoramento das contas públicas.

Tabaco em 2027

Participante do evento com presidenciáveis promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no início da semana, o SindiTabaco apresentou demandas para o setor. Defende o fortalecimento da competitividade exportadora, com prioridade para investimentos em infraestrutura logística e portuária, além da defesa da cadeia produtiva frente a barreiras regulatórias internacionais.

Investimentos

O sindicato também enfatizou maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica para investimentos industriais, políticas públicas voltadas aos municípios produtores, ações de combate ao mercado ilegal de tabaco. Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 3,04 bilhões em produtos do tabaco, o equivalente a quase 91% das exportações nacionais do segmento.

Legal e ilegal

O setor de bets considera eficaz a medida que asfixia o orçamento de bets ilegais no Brasil por meio de bloqueio de operações em operadoras de pagamentos. Contudo, reivindica ação conjunta com as big techs para remover publicidade irregular e coibir atuação de influencers que divulgam bets piratas; retirada de sites clandestinos do ar e conscientização da população para diferenciar uma bet legal de uma ilegal.

Aprendizado

Na avaliação de Bernardo Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), “ensinar os usuários a identificar as casas de apostas regulamentadas é fundamental para reduzir a demanda por esse mercado clandestino”

Flávio se volta ao “modo radical”

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, PP, PT, Segurança Pública, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 18 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Kleber Sales

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desfila no G7 como favorito à eleição de outubro, o pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), se voltará para a área de segurança, considerado o único tema capaz de tirá-lo do redemoinho em que viu enroscado a Daniel Vorcaro. Nesse sentido, o senador lança hoje, em São Paulo, seu programa de governo para esse serviço. A ideia é radicalizar no discurso para esse segmento, diferentemente do tom mais moderado que adotou para outras áreas — como, por exemplo, a economia. A recente vitória, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara — que considerou constitucional analisar o mérito da proposta de emenda à Constituição (PEC) que a reduz a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos —, mostrou ao PL que o caminho do filho 01 de Jair Bolsonaro é a segurança. Se não fizer um gol por aí, recuperando os pontos perdidos nas pesquisas, vai ficar difícil.

Por falar em dificuldades…/ Flávio tentou se projetar externamente, com a visita ao presidente Donald Trump, em maio, mas os resultados deixaram a desejar, porque a United States Trade Representative (USTR) divulgou o relatório da investigação da seção 301 com recomendações para aumento de tarifas às exportações brasileiras e críticas ao Pix. Foi um tema que colocou o pré-candidato na defensiva, tal como o caso Master.

Não está fácil para ninguém/ O tema da segurança pública é considerado um calcanhar de Aquiles do PT e será altamente explorado na campanha. E o presidente do partido, Edinho Silva, reconheceu, esta semana, durante almoço em Brasília, que, no passado, os partidos de esquerda, preocupados com a interpretação de que estariam defendendo a violência policial, não quiseram debater a segurança pública. Agora, preciso enfrentar o tema, principalmente no que se refere ao controle de territórios.

A campanha dos municípios

Líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto, Rogério Marinho (PL-RN) contou, em almoço com a Frente Parlamentar do Livre Mercado, que a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) estima uma captura de 50% do IPTU com aumento de custos, caso o projeto que acaba com a escala 6 x 1 seja aprovado no Congresso. No embalo, Marinho classificou a proposta como “crime de lesa-pátria contra o Brasil”.

Resolve aí rapidinho

Parlamentares do PP têm enviado recados ao Supremo Tribunal Federal, pedindo celeridade na conclusão da investigação policial do caso Master. Eles estão preocupadíssimos desde que o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), foi citado. Alguns assumem, em conversas particulares, que o envolvimento dele com Vorcaro é “pouco republicano” e querem uma resposta oficial que inocente ou incrimine Ciro. Ninguém quer ir para a campanha com essa dúvida.

Te pago depois

Por falar em Ciro Nogueira, um dos fatos que veio à tona com a retirada de sigilo de documentos do caso Master no STF foi que o presidente do PP teria sido “sustentado por terceiros”. De acordo com a investigação, os deputados Júlio Arcoverde (PP-PI) e Átila Lira (PP-PI) pagaram boletos do senador nos valores de R$ 13.693,54 e R$ 3.457, respectivamente. Também há a vinculação de um cartão de crédito emitido no nome do ex-assessor do senador e empresário Lourival Nery Jr. Procurados, os parlamentares não retornaram ligações e nem mensagens enviadas pela coluna.

Veja bem…

Lourival Nery Jr. foi assessor de Ciro Nogueira por anos, na década passada. Inclusive, em 2018, dois motoristas afirmaram terem entregado no apartamento de Lourival grandes volumes de dinheiro em espécie. As informações vieram à luz durante as investigações da Operação Lava- Jato. Hoje, ele é empresário no Piauí.

CURTIDAS

Crédito: Redes sociais

Olho nela/ Se tem algo que surpreendeu todos os políticos na pesquisa sobre eleições 2026 foi o bom posicionamento da senadora Leila Barros (Leila do vôlei), do PDT, na pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política. Devagarinho, Leila conquistou lugar na Casa, com a defesa das pautas do esporte e de combate ao feminicídio. Ela é muito lembrada nas redes pela lei que criminalizou o stalking — foi autora da proposta que tipificou o crime de perseguição reiterada por qualquer meio.

O olhar do magistrado/ O ministro Sebastião Reis Jr. (foto), do Superior Tribunal de Justiça, foi homenageado ontem com o livro Fotos e Votos. Organizada por Flávia Guth e Rodrigo Haidar, a obra traz textos sobre um hobby do ministro, a fotografia, e as decisões que marcam seus 15 anos de trajetória no STJ.

Tal e qual…/ Corda em casa de enforcado: os grupos de WhatsApp do PP no Congresso passaram longe de conversas e questionamentos sobre as informações da investigação do Master que vieram a público, esta semana, com a retirada de sigilo do STF.

O medo do PL

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, PL, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 16 de junho de 2026, por Denise Rothenburg

Crédito: Maurenilson Freire

Embora muita gente diga que o caso Master já fez o estrago que poderia fazer na pré- campanha de Flávio Bolsonaro, o que se comenta entre quatro paredes no PL é que a tensão em cima desse tema não se dissipou. Assim como o pré-candidato à Presidência jurou lá atrás à cúpula do partido que nunca havia se encontrado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — e depois surgiu o pedido de financiamento do filme Dark Horse —, há o receio de que ele não tenha mencionado tudo o que pode aparecer. E agora não dá mais trocar de candidato. Além disso, o senador jamais aceitaria. E não há outro nome ligado a Jair Bolsonaro capaz de assumir essa missão, uma vez que os filhos do ex-presidente vivem às turras com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a única entre os parentes que teria condições políticas de ser candidata.

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Enquanto isso, na Papudinha…/ …Quem esteve na prisão que abriga o ex-presidente do BRB, Paulo Herique Costa, percebeu que ele escreve páginas e mais páginas de sua delação. Já o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, preso por causa da condenação por tentativa de golpe de Estado, continua em depressão.

Vorcaro que se prepare

No mundo da política, há muita gente dizendo que o ex-banqueiro vai repetir o caso do publicitário Marcos Valério, condenado a 37 anos de prisão como operador do esquema do mensalão. Valério ficou preso seis anos e cinco meses, em regime fechado. Depois, obteve progressão de pena, para prisão domiciliar. Em 2022, conseguiu o regime aberto.

Diferenças

Marcos Valério foi julgado e condenado. Vorcaro ainda está em prisão cautelar. Deveria ter passado por uma revisão em 4 de junho, quando completou 90 dias. Essa revisão ainda não ocorreu.

Incômodo geral

Parte dos advogados que trabalham no caso Master estão constrangidos, porque garantem que há informações vazadas atribuídas aos anexos da delação da Daniel Vorcaro que não estão nesses papéis entregues pelo ex-banqueiro. Uma dessas informações, afirmam advogados, é o caso dos R$ 155 milhões ao senador Davi Alcolumbre (União- AP). Por essas e outras é que houve uma limitação das pessoas com acesso direto ao ex-controlador do Master.

Tem que ter limite

O deputado Júlio Lopes (PP-RJ) pretende propor mudanças no regimento da Câmara para limitar o uso do Infoleg, ou seja, as votações remotas. Ele considera que não dá, por exemplo, para aprovar uma emenda constitucional sem a presença do parlamentar no Plenário. O caso está tão sério que há, inclusive, denúncias de parlamentares que deixam o celular com assessores ou parentes para registro do voto. Dia desses, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), avisou que isso dá cassação de mandato.

CURTIDAS

Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

A guerra das camisas/ Ainda repercute a gravação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para suas redes sociais com a “amarelinha” da Seleção Brasileira de futebol. Até aqui, os bolsonaristas gostavam de colocar essa camisa como símbolo do seu segmento político. Agora, pelo jeito de Lula, isso será diferente na campanha eleitoral. Não se surpreendam se o presidente surgir com a camisa da Seleção em outras oportunidades. Esse símbolo, assim como a Bandeira e o Hino Nacional, pertence a todos os brasileiros.

Casa vazia/ Se alguém esperava movimentação no Congresso esta semana, pode desistir de passar por lá. Prova disso é que até a poderosa Frente Parlamentar do Agro (FPA) cancelou sua reunião semanal, por causa das votações remotas previstas para esses dias. Os parlamentares estão dedicados à campanha… ops, às festas juninas. Aliás, na próxima também será assim, por causa do Dia de São João e do jogo do Brasil contra a Escócia, pela Copa do Mundo, em plena quarta-feira.

Agenda cheia I/ Apesar do Congresso esvaziado, a semana política será de muitos eventos e lançamentos em Brasília. Nos seminários, o destaque vai para o 7 Brasilia Summit Lide-Correio Braziliense, amanhã, no hotel Brasília Palace, com a presença da governadora do Distrito Federal, Celina Leão.

Agenda cheia II/ Hoje tem lançamento do livro do ministro Gilmar Mendes, Estado de Direito e Jurisdição Constitucional, às 18h, no Supremo Tribunal Federal. Também amanhã, às 18h, será a vez da ex-ministra do Trabalho Dorothea Werneck (foto) lançar seu livro Aprendendo e Vivendo: uma Biografia de Histórias e Versos, com direito a bate-papo com a autora, na sede da Apex. Quinta-feira, às 18h30, no Espaço Sepúlveda Pertence do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, autografa o livro O Processo e STF: Perspectivas Constitucionais.

O novo risco de Flávio

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 14 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Dentro do PL, existe uma turma apostando que o caso Dark Horse já passou e, sendo assim, o pedido de recursos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a relação entre eles não vão comprometer a campanha. O problema, avaliam alguns, é outro: Se cristalizar a imagem de que os Bolsonaro só valorizam o próprio sangue e não pensam no bem comum, ou seja, ao que é bom para o país, o risco de cair ainda mais nas pesquisas é alto. Há um inconformismo de parte da legenda com as transferências de Carlos Bolsonaro para Santa Catarina, e de Hélio Lopes (fiel ao clã que responde pelo nome político de Hélio Bolsonaro) para Roraima. O que se diz à boca-pequena nas conversas dos políticos é que nenhum deles é candidato no Rio de Janeiro neste ano porque, lá, a onda do ex-presidente passou. Ficou a onda conservadora, em busca de novos representantes.

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Enquanto isso, no PT…/ No partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a aposta é a de que o caso Master ainda tem potencial para baixar ainda mais os índices de intenções de voto a favor de Flávio. Daqui para frente, os petistas vão repisar que o Banco Master foi criado no período do governo Bolsonaro e as investigações que desvendaram um grande esquema foram adiante no governo Lula.

Depois do caso Zambelli…

O movimento da Justiça italiana, de negar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli alegando suposta parcialidade da Suprema Corte brasileira, provocou outros no Brasil. Tem muita gente no Judiciário defendendo que é hora de enviar Alexandre de Moraes para um cargo no exterior, de forma a tirá-lo do tiroteio. Por exemplo, a Corte Internacional de Justiça, em Haia. Moraes teve um papel importante, mas, avaliam alguns, tem errado a mão. Para completar, os contratos de Viviane Barci, esposa do ministro, com o Banco Master pioraram a situação.

Um silêncio que grita

Parte da oposição registrou o silêncio de parlamentares do PL, após a denúncia da revista Veja, sobre o pagamento de R$ 155 milhões de Daniel Vorcaro ao presidente Davi Alcolumbre (União-AP). A aposta é a de que devem ficar calados mesmo, caso contrário, será “chumbo trocado”, uma vez que o senador e pré-candidato do partido, Flávio Bolsonaro, pediu R$ 134 milhões para financiar o filme biográfico de Jair Bolsonaro, Dark Horse.

Hora de pleitear I

O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, apresenta amanhã duas demandas do setor de supermercados ao Ministério do Trabalho: a fiscalização das novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e a implementação das mudanças no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).

Hora de pleitear II

O primeiro ponto se deve ao desafio que as empresas enfrentam para se adequar às diretrizes e aos requisitos gerais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), principalmente, com a inclusão de fatores de risco psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. O segundo, sobre o PAT, é entender como o governo acompanha o cumprimento das novas regras e quais medidas estão sendo adotadas contra quem deliberadamente descumpre as exigências.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves CB/DA Press

Contando com o Centrão/ Pré-candidato ao governo da Paraíba, o senador Efraim Filho (PL, foto) espera contar com uma porcentagem dos eleitores de centro para garantir sua ida ao segundo turno. Jair Bolsonaro conseguiu cerca de 33% em 2022, e a equipe de campanha calcula que 13% a 16% foram votos do Centrão ao ex-presidente. É essa parcela que Efraim pretende somar à sua intenção de voto. Na última pesquisa da Real Time Big Data, divulgada em 27 de maio, o senador tinha 5% das intenções de voto, atrás de Lucas Ribeiro (PP) e Cícero Lucena (MDB), que marcaram 11%.

Dorothea na área…/ Ex-ministra do Trabalho e Indústria no governo de José Sarney, Dorothea Werneck lança seu novo livro em 17 de junho, na sede da Apex-Brasil, em Brasília: Aprendendo e Vivendo: Uma biografia de histórias e versos.

Uma aula/ Dorothea fará um bate-papo sobre a presença de mulheres em espaços de decisão, a partir dàs 18h, na quarta-feira. O evento será um espaço de diálogo sobre a urgência no combate ao assédio, à discriminação e às diversas formas de violência simbólica e institucional que ainda persistem no ambiente corporativo e público.

Causos/ Nessa seara de discriminação das mulheres, Dorothea coleciona episódios. Quando ela se tornou ministra, em 1989, o então presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Mario Amato, para elogiá-la, declarou que a economista era “muito inteligente, apesar de ser mulher”. Essa frase entrou para a política brasileira como um dos grandes exemplos do machismo cultural no país. Será que hoje isso mudou muito? Fica aí para reflexão de homens e mulheres, em especial, a turma que lida com o dia a dia da política brasileira.

Tensão reduz no Planalto…

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Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 11 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A queda dos índices de intenção de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez o governo respirar um pouco melhor, mesmo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com dificuldades de crescimento. A diferença, agora, é que os governistas esperam uma mudança em relação aos políticos, e até de uma boa parte do empresariado — conforme pode ser visto na reunião do Conselhão esta semana. Até aqui, Lula era dado por muitos partidos de centro como carta fora do baralho. Esse retorno do presidente aos 44% e a queda do filho 01 de Jair Bolsonaro para 38%, como registrado pela pesquisa Genial Quaest desta semana, tem condições de frear esse afastamento dos centristas em relação ao governo. E isso, na avaliação de aliados do presidente, ajuda ainda na retomada do diálogo no Senado, onde o Palácio do Planalto enfrentou a maior derrota até o momento — a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Se a próxima pesquisa consolidar essa presença de Lula como primeiro colocado, ele não poderá mais ser tratado com desprezo nessa fase do jogo.

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…mas não dá para relaxar/ O fato de Lula poder levar o governo em frente com um pouco mais de tranquilidade não significa que pode deitar em berço esplêndido. Os números indicam segundo turno e a campanha nem começou. A rejeição ao PT é grande e a volatilidade dos cenários é alta nessa altura do campeonato.

Juramento em falso

Flávio Bolsonaro não perde pontos só no eleitorado. O filho 01 tem perdido muito apoio no próprio partido. É que, numa reunião a portas fechadas com a cúpula do PL antes de virem a público os diálogos entre ele e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o senador jurou que não havia qualquer relação entre eles. Somente depois é que admitiu que havia pedido dinheiro ao ex-banqueiro.

Os recados do decano

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), soltou um #ficaadica para quem reclama do aumento de despesa pública sem lastro orçamentário, como o que ocorreu, ontem, com a aprovação do piso de médicos e cirurgiões dentistas na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Em postagem, o decano da Corte lembrou que o Congresso não pode criar despesas a serem suportadas por estados e municípios sem indicar a fonte de custeio.

Vem suspensão

Gilmar lembra o caso do piso nacional da enfermagem, que teve sua eficácia suspensa pelo STF justamente por não se saber de onde sairia o dinheiro. “Impor ônus financeiro uniforme, sem repasse adequado e sem atenção à realidade local, esvazia a autonomia dos entes e atinge o pacto federativo. Pior, ao invés de alcançar os objetivos pretendidos, a medida pode produzir efeitos inversos, como desemprego na própria categoria que se buscava proteger e precarização dos serviços públicos prestados à população”, advertiu.

Nada de bandeira branca

Mesmo com o pedido do governo para segurar algumas pautas que causarão rombo fiscal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não trabalha a favor do Planalto. Os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, chegaram a se reunir com ele na terça-feira, na tentativa de evitar o avanço de matérias que podem comprometer o Orçamento da União. Mas não surtiu efeito.

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Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

A conta só cresce/ Além dos projetos que aumentam despesas aprovados esta semana nas comissões, no início da noite foi aprovada a renegociação de dívidas dos produtores rurais. Falta ainda a ampliação do Fundo de Participação dos Municípios, a ser apreciada em breve.

Sinuca de bico/ O governo está encurralado no jogo que ele mesmo montou. Ao manter a urgência constitucional do projeto de lei do fim da escala 6 x 1 na Câmara dos Deputados, e travar a pauta da Casa para pressionar o Senado a votar o texto que lá se encontra, o Planalto vê agora projetos importantes paralisados. Como os que tratam da misoginia, da inteligência artificial e da destinação do crédito extraordinário do preço do petróleo devido à guerra no Golfo Pérsico.

Por falar em IA… / O relator da regulamentação da Inteligência Artificial, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB, foto), ainda não conseguiu consenso entre artistas e empresas sobre o treinamento de IA com produtos originais. Por isso, a ideia é deixar a votação para depois das eleições. É que o prazo está curto para tratar de um tema tão polêmico, ainda mais num ano eleitoral.

A torcida do Planalto/ Com a aprovação da admissibilidade da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal, e os projetos que aumentam despesa, o governo torce mesmo é para que o Congresso entre no “modo avião”, com todos voando para as campanhas eleitorais.

A escolha de Lula

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 9 de junho de 2026, por Denise Rothenburg

Crédito: Caio Gomez

Ainda que o presidente do PT, Edinho Silva, tenha rechaçado qualquer conversa com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), o presidente Lula não poderá se dar ao luxo de recusar apoio ao centro. O que se diz nos bastidores do partido é que, se Lula quiser vencer a eleição, terá que ampliar sua campanha para o centro. Em 2022, foi mais fácil porque o centro decidiu apoiá-lo no segundo turno, caso, por exemplo, de Simone Tebet, então candidata do MDB que foi para os palanques petistas cantar “está na hora do Jair já ir embora”. Agora, com dificuldades de atrair o eleitorado mais ao centro-direita, Lula terá que tentar pegar embalo no segmento do eleitorado agradecendo o apoio desses governadores que se aproximam.

O PT seguirá com o ex-prefeito de Recife João Campos, pré-candidato do PSB ao governo estadual, mas Lula não dispensará o palanque de Raquel, se esse apoio vier. Aliás, Raquel Lyra está numa posição parecida com a de Lula. Da mesma forma que o presidente precisa ampliar da esquerda para a centro-direita, ela precisa fazer esse mesmo movimento no sentido oposto, ou seja, da direita para a centro-esquerda. Ainda que o partido dela tenha um candidato ao Planalto, a governadora, sempre que puder, exaltará a relação amistosa com o presidente Lula de olho nos votos do petista no estado.

O que eles querem saber

Com o presidente do BRB, Nelson de Souza, confirmado hoje na Comissão de Assuntos do Senado, a tendência é de Casa lotada. É que os senadores estão ávidos para saber, em primeiro lugar, quando sairá o balanço da instituição. Em segundo lugar, querem todos os detalhes do acordo chancelado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux. Em especial, a taxa de juros.

Reforma do Judiciário

A reunião que o PT fará hoje em Brasília para debater uma reforma do Poder Judiciário vai na linha do que tem sido dito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Um dos pontos será o de que não dá mais para conviver com penduricalhos.

A hora delas

O pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, está focado em obter o voto das mulheres. Na semana passada, o mestre de cerimônias em Belo Horizonte se esmerou ao falar da presença feminina no evento do partido com a presença do filho 01 de Jair Bolsonaro. E, nesta semana, Flávio Bolsonaro se derramou em elogios à economista Daniela Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, batizada desde janeiro pela equipe do pré-candidato como o “posto Ipiranga” de Flávio.

Tem “hermano” na campanha do DF

O marqueteiro argentino Diego Brandy, que coordenou a equipe de Eduardo Campos na corrida presidencial de 2014 e trabalhou, ainda, para o então governador de Pernambuco em suas campanhas, deve assumir, em breve, o comando da equipe de marketing do candidato ao PSB ao governo do Distrito Federal, Ricardo Cappelli. Eles conversaram recentemente e… deu “match”

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Crédito: Samuel Figueira/TCU

Da série “Perca o amigo, mas não a piada”/ Cappelli ainda não fechou sua chapa completa. Esta semana, conversa com a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e espera que Reguffe decida concorrer ao Senado. A demora do ex-senador em decidir sobre a disputa já fez com que Ricardo Cappelli desse ao ex-parlamentar, em tom de brincadeira, obviamente, a alcunha de “Refugue”.

Flávio e Michelle/ A ex-primeira-dama e o enteado continuam com o que muitos classificam como “dificuldade de relacionamento”. Chega ao ponto de candidatos a cargos majoritários no DF evitarem aparecer ao lado de Flávio para não chatear Michelle. Porém, os dois vão se encontrar, amanhã, em um evento de lançamento de candidaturas distritais do PL.

Dia de São Pedro/ Voando baixo desde o início da crise envolvendo o Banco Master, os presidentes do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, estarão juntos no dia 29, em São Paulo, no evento do Lide com a série de presidentes de partido para falar sobre o cenário eleitoral de 2026. Ambos rezam dia e noite para a federação União Progressista sobreviver ao vendaval provocado pelos negócios e fundos suspeitos de fraude geridos pelo antigo banco de Daniel Vorcaro.

José Jorge recebe título/ Ex-ministro de Minas e Energia e do Tribunal de Contas da União, o ex-senador e ex-deputado por Pernambuco José Jorge (foto) recebeu uma boa notícia, ontem: O conselho de administração do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) lhe conferiu o título de Doutor Honoris Causa da instituição. A carta que comunicou ao ex-senador a concessão da honraria é assinada pelo diretor-geral do IDP, Francisco Schertel Ferreira Mendes, e pelo ministro do STF Gilmar Mendes, fundador e professor do IDP. A data da solenidade ainda não foi marcada.

O desafio de Flávio Bolsonaro

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 5 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Estrategistas da pré-campanha de Flávio Bolsonaro consideram que, apesar dos pesares, ele não perdeu a preferência da maioria dos que escolheram Jair Bolsonaro na eleição de 2022, levando o então presidente ao segundo turno contra Lula. Por isso, todo o esforço agora é no sentido de manter esses eleitores fiéis ao clã. Não por acaso, os eventos do partido começam com exaltação ao ex-presidente, exibição de vídeos e áudios daquele que ainda é considerado o maior detentor devotos à direita. O difícil, avaliam alguns, será ultrapassar esse eleitorado, de forma a garantir uma vitória no segundo turno. Para que isso ocorra, será preciso se livrar das vinculações a Daniel Vorcaro e do “Tariflávio”, a cada dia mais forte na internet.

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Na defensiva/ Desde que vazaram os áudios em que Flávio Bolsonaro chama o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de “meu irmão”, o pré-candidato ao PL à Presidência da República não conseguiu colocar sua pré-campanha em voo de cruzeiro. Quando achou que havia respirado com a visita a Donald Trump, terminou atropelado pelo novo tarifaço anunciado pelo governo Trump. E, para completar, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ao tentar ajudar o irmão, complicou ainda mais ao citar o Zelle, o sistema de pagamentos privado que funciona somente no sistema bancário norte-americano, em alguns bancos filiados. Já o Pix brasileiro é público, universal e gerido pelo Banco Central do Brasil. Não demorou para que as redes taxassem os bolsonaros como “entreguistas” e “inimigos do Pix”. Os estrategistas agora terão que quebrar a cabeça para tentar jogar mais esse problema para escanteio.

Agora, faz sentido

Muita gente no BRB achava estranho quando Paulo Henrique Costa dividia as operações do banco com o Master em parcelas inferiores, mas não desconfiava que era de caso pensado para burlar os processos de controle. Depois que a história dos apartamentos veio à tona, a decepção por ali foi grande.

Sem clima

A avaliação geral é a de que dificilmente PHC terá um ambiente amistoso e cordial para, talvez, quem sabe, um dia, voltar a trabalhar na Caixa ou em qualquer outro estabelecimento ligado ao mercado financeiro. Melhor mudar de ramo, conforme aconselham alguns advogados.

Vai ter que mudar

Será necessário muito mais do que um projeto de lei para conceder alguma isenção capaz de ajudar os micro e pequenos empreendedores na implementação do fim da escala 6×1. É que a reforma tributária veda novas isenções fiscais. Dentro do Senado, há quem defenda que é preciso votar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para viabilizar essa saída ao empresariado.

Por falar em 6×1…

O governo ficou preocupado ao ver presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmar que encaminhará a PEC para a Comissão de Constituição e Justiça. E, como não quer esperar para votar a proposta que muda a escala de trabalho, vai propor ao comandante da Casa que junte o texto aprovado na Câmara à PEC do senador Paulo Paim (PT-RS), que está pronta para ser votada em plenário. Seria uma forma de encurtar o tempo de tramitação no Senado. Alcolumbre resiste a essa solução.

Cerco às piratas

Com a sanção do “Marco Legal de Combate ao Mercado Ilegal de Jogos e Apostas” nesta semana, a expectativa do governo e do setor é sufocar financeiramente as plataformas ilegais de apostas. Agora, as operadoras de cartões de crédito devem identificar todas as transações com as casas de apostas irregulares, ou seja, as que estão fora da listagem da secretaria de prêmios e apostas.

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Crédito: imagem cedida

Melhor evitar/ Ao transmitir uma live onde andava no meio da multidão durante a 34ª Marcha para Jesus em São Paulo, apoiadores de Flávio pediram nos comentários que não fizesse isso e lembraram do atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Alguns até perguntaram sobre o colete à prova de balas que o senador usava por baixo da camiseta.

Homenageado I/ No último dia do XIV Fórum de Lisboa, 15 magistrados e políticos se juntaram em torno do ex-presidente Michel Temer, para marcar os 10 anos de sua ascensão ao Planalto (foto). Logo depois do almoço, o ex-presidente posou para fotos, ladeado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, seu ex-ministro da Justiça, indicado por Temer ao Supremo. E, ainda, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Luís Salomão, e o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, do STJ, além dos aliados Carlos Marun, ex-ministro-Chefe da Secretaria de Governo, e Henrique Pires, advogado e ex-presidente da Funasa.

Homenageado II/ No almoço, Temer recebeu uma placa com os dizeres “único jurista empossado com supremo magistrado da nação brasileira após a promulgação da Constituição Cidadã de 1988”. E, ainda, “pela passagem em 12/05/2026 dos 10 anos do início de seu governo”

Jornada de trabalho no embalo eleitoral

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 2 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Senadores dos partidos de centro estão com dificuldades de votar propostas alternativas ao texto do fim da escala de trabalho 6 x 1 aprovado na Câmara. É que o “um dia a mais de descanso” ganhou corpo entre a população. Não por acaso, o presidente do MDB, Baleia Rossi, comentou no almoço do Lideres Empresariais (Lide), em São Paulo, que o partido apoia o projeto. As excelências têm dito que há muito tempo não havia uma cobrança tão grande sobre um tema. Se for a voto antes da eleição — é a tendência é de que seja apreciado —, será aprovado.

O que vale para Hugo…/ … pode valer para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UniãoAP). Até aqui, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem na aprovação do fim da escala 6 x 1 um legado “à Getúlio Vargas” para apresentar como o principal fruto de sua gestão — tal como Arthur Lira (PP-AL), que entregou a Reforma Tributária. O senador terá dificuldades de segurar o projeto, assim como tem feito com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública e o Redata (Regime especial de Tributação para Datacenters), que estimula a instalação desses serviços no país. E, com dois terços do Senado em jogo nessas eleições, amplia a pressão para que o texto vá a voto logo. É nisso que os governistas apostam.

O alerta de Appy

Ex-secretário da Reforma Tributária no Ministério da Fazenda e convidado especial para uma palestra magna na abertura do 10º Congresso Luso Brasileiro de Auditores Fiscais, em Belo Horizonte, Bernard Appy aproveitou o evento para manifestar preocupação com o fato de candidatos de direita falarem em acabar com a reforma. “É preocupante esse posicionamento. Acho isso muito ruim. Gera insegurança jurídica”, advertiu. Appy lembrou ainda que “quem se opõe (à Reforma Tributária) não quer que o país cresça”.

“Não posso sair daqui”

Depois de confirmar presença no Fórum de Lisboa, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ligou para alguns amigos e autoridades para justificar a ausência. Ele alegou que tem muito trabalho em Brasília e não poderia se ausentar. A avaliação de muitos é de que, em meio ao caso Master — e a penca de políticos envolvidos—, impossível sair do quadrilátero Brasília-São Paulo-Rio de Janeiro-Salvador.

Até aqui…

Enquanto as investigações e vazamentos sobre os recursos utilizados no filme biográfico de Jair Bolsonaro, Dark Horse, não provarem que Eduardo Bolsonaro se beneficiava deles, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto segue viável. Se o escândalo chegar ao filho 03 de Jair Bolsonaro, Flávio, o 01, será obrigado a parar nos boxes.

… contenção de danos

No cenário atual, a ordem é defender Flávio e evitar que cada fato novo prejudique a reputação do filme — visto como uma ferramenta para impulsionar o pré-candidato na corrida presidencial.

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Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Atenção, contribuintes!/ Fiquem calmos. Um dos principais recados do secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas (foto), no 10º Congresso Luso-Brasileiro de Auditores Fiscais, em Belo Horizonte, foi de que o fisco não sairá multando as empresas nessa fase de teste dos primeiros acordes da Reforma Tributária. As receitas (federal, estaduais e municipais) estão no “modo diálogo e orientação” aos contribuintes.

Articulação em Minas/ Por falar em Belo Horizonte, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, participa hoje do encontro regional do partido. Ele chegou ontem à capital mineira para jantar com empresários na casa do presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flavio Roscoe — cotado para concorrer ao governo estadual pelo PL.

Muito além dos combustíveis/ O jantar promovido pelo think tank Esfera em Lisboa, serviu para apresentação de um estudo sobre o avanço do crime organizado no varejo. O advogado Pierpaolo Bottini e a CEO do Esfera, Camila Camargo, mostraram que há facções controlando dezenas de lojas em vários estados.

Primeiro João Fonseca/ Antes de seguir para o XIV Forum de Lisboa, o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, foi à Franca, mais precisamente acompanhar de perto o torneio de Roland Garros, onde João Fonseca, o tenista brasileiro de 19 anos, dá um show, passando às semifinais. Trabuco fala hoje no Forum e segue direto para o aeroporto. Sem escala nos jantares que costumam reunir o meio jurídico, político e empresários.