Categoria: Economia
Coluna Brasília-DF publicado na sexta-feira, 18 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Pedidos de vistas e adiamentos da análise das mazelas que envolvem os ministros do Supremo Tribunal Federal farão com que o eleitor vá votar sem saber ao certo o que aconteceu e quem tem razão diante de tudo o que já foi exposto sobre a crise da Corte. E mais: às vésperas da eleição, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro prestará novo depoimento à Polícia Federal. A depender doque disser, avaliam integrantes dos partidos “polarizados” nesta eleição, PL e PT, as campanhas serão afetadas, especialmente no Distrito Federal, onde o ex-banqueiro montou uma estrutura a fim de fundir seu Banco Master ao BRB. A tensão só tende aumentar nesta que já foi batizada de a eleição mais imprevisível da história recente do DF e do país.
Erosão reputacional/ Cientistas políticos observam com apreensão a crise instalada no STF. A avaliação é de que adiar o fim da guerra na Suprema Corte para depois das eleições é transferir a responsabilidade para os eleitores. “Enquanto sangra em praça pública, o Supremo é arrastado para o centro da eleição. Ao adiar sua própria autocorreção, transfere para as urnas uma resposta que deveria ter começado dentro do próprio tribunal”, afirma o especialista Murilo Medeiros. Para completar, ele avalia que existe ainda um grande risco de haver mais ministros sob questionamento do que ministros em condições de conduzir apurações no STF. Esse fato, como adverte, projeta “uma imagem devastadora para a autoridade institucional da Corte”.
Lula e o Bolsa Família
As explicações do governo de que há espaço fiscal para pagamento do reajuste do Bolsa Família ajudaram na recuperação da Bolsa de Valores no fim do dia. Porém, o mercado financeiro, que não gostou da medida e avalia que poderia comprometer ainda mais as contas públicas, se afastará ainda mais do petista.
O que muitos candidatos temem
O crescimento do presidenciável do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, nas pesquisas, leva políticos dos mais variados partidos a apostarem que, seja em favor de Lula ou do filho 01, a eleição pode terminar no primeiro turno. É que os candidatos avaliam que há uma apatia do eleitorado, com as acusações trocadas entre um lado e outro da polarização. Se, nesses16 dias restantes, os demais candidatos não demonstrarem um fôlego maior, a tendência do eleitorado será tentar resolvera parada logo em 4 de outubro.
Os planos do Zero Um
Com a campanha de Lula à reeleição voltada aos mais pobres, inclusive com aumento do Bolsa Família, o candidato do PL vai focar na Região Sudeste — São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais — nesses 16 dias até a eleição. Seus estrategistas acreditam que, assim, ele conseguirá abrir uma diferença capaz de assegurar a vitória.
Enquanto isso…
Daniella Marques, a coordenadora da equipe econômica, e o vice na chapa de Flávio, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), farão campanha de outras formas. Ele continuará a rodar no Nordeste. Ela marcará presença em eventos para falar do plano econômico do filho 01 para empresários e para o mercado financeiro.
CURTIDAS
Paralisia/ O tiroteio de notas e despachos entre os ministros levou o presidente do STF, Edson Fachin (foto), a cancelara sessão de ontem, o que dará mais combustível à campanha contra a Corte. A avaliação dos políticos é a de que, senão houver um diálogo entre os grupos do Supremo, a tal “colegialidade” acabou.
Tem para todos/ Após a direita adotar o bordão “Moraes é Lula e Lula é Moraes”, petistas criaram uma para Flávio Bolsonaro em resposta. Uma imagem com as metades dos rostos do filho 01 e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro coladas circula pelas redes com a seguinte legenda: “Flávio é Vorcaro, Vorcaro é Flávio”.
Clima na pauta/ Na véspera da aberturada Assembleia-Geral da ONU, o Lide Climate Conference, em Nova York, debaterá políticas de mobilização de capital e financiamento da transição verde. O encontro reunirá dois grupos, um focado na negociação financeira e outro para discutir o mapeamento do cenário global, transformação energética e impactos da inteligência artificial. Estarão no debate o cientista político Chris Garman (Eurasia Group), Mário Gouvêa (Tesouro Nacional) e Paulo Correa (Banco Interamericano de Desenvolvimento — BID).
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 15 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, quer chegar ao final desta terça-feira com alguma explicação a dar à sociedade. Nem que seja, no mínimo, Alexandre de Moraes investigado pelo STF. Entre os cenários traçados por ele, segundo pessoas próximas, está determinara abertura dessa investigação sobre Moraes de forma monocrática e, em seguida, pedir ao colegiado que defina se o ministro Alexandre de Moraes deve ser afastado ou pode permanecer no cargo enquanto durarem as investigações. Só tem um detalhe: essa forma não está combinada com os demais ministros, e todos querem se pronunciar sobre a abertura de processo. Muitos planejam inclusive apresentar uma série de preliminares. Afinal, o que se diz é que, se for para ministro ter que dar explicações sobre o fato de a mulher (ou filhos) advogarem no STF, outros terão que responder.
Veja bem/ A avaliação de muitos é a de que não há como colocar todos os ministros no mesmo balaio. Ainda mais depois de tudo o que já sabe em relação ao contrato entre Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro. A Polícia Federal tem informações que indicam um encontro entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes em 30 de dezembro de 2023, num hotel de luxo em Campos do Jordão, menos de um mês antes da assinatura do contrato entre a esposa do ministro e o então controlador do Master. Nos bastidores, considera-se certa a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes.
Confiança e respaldo
Manifestos à parte, tudo o que o presidente Edson Fachin fizer hoje terá que ter o apoio da sociedade como um todo. A avaliação, inclusive no governo, é a de que não há como deixar o presidente do Supremo Tribunal Federal isolado em meio a essa crise.
Toma que o filho é teu
Os petistas estão roucos de tanto afirmar que Alexandre de Moraes foi indicado ao STF por Michel Temer e que Daniel Vorcaro montou toda a estrutura de fortalecimento do banco Master durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. Quem barrou tudo depois foi Gabriel Galípolo, o presidente indicado por Lula.
Do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante,que já foi ministro, deputado e senador
“Tivemos a CPI do Collor, no Poder Executivo; a CPI dos Anões do Orçamento, uma crise no Legislativo. Mas nunca vimos uma crise dessa proporção no Poder Judiciário. O Judiciário tem que se reformar”
Ganha no discurso
Os bolsonaristas partem da premissa que Flávio Bolsonaro ainda pode ganhar muitos votos por causa do desgaste do ministro Alexandre de Moraes. Afinal, o integrante do STF sempre foi um inimigo declarado da família Bolsonaro. Nesse sentido, a leitura é que se Moraes for afastado, é possível usar essa narrativa no horário eleitoral. Seria um jeito de evitar perdas devido à revelação de que Flávio é investigado por ao menos três crimes por causado financiamento do filme Dark Horse.
O que vem por aí
Em palestra no seminário Brasil Hoje, do think tank Esfera, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, responsável pelo programa de governo de Flávio Bolsonaro na economia, ressaltou a necessidade de ajustes na reforma tributária e acenou ainda com privatizações, caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial: “Não faz sentido o Estado ter uma estatal de chip de boi (no caso, a Cetec), ou ter uma tevê estatal”, comentou. A Caixa Econômica Federal, porém, terá um lugar de destaque no futuro governo. (Leia mais sobre o seminário no blog da Denise no site do Correio).
CURTIDAS
A campanha deles/ Participante do seminário Brasil Hoje, do Think tank Esfera, o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP/foto) foi incisivo ao cobrar da plateia de empresários e banqueiros que “um senador por São Paulo tem que ser paulista acima de tudo”. Referia-se especialmente às candidatas Simone Tebet, que nasceu em Mato Grosso do Sul, e Marina Silva, do Acre.
Hora da segurança pública/ O Correio Braziliense promove hoje o CB Talks sobre Segurança para o desenvolvimento do Brasil. O debate abordará os projetos em tramitação no Congresso Nacional que visam o combate à fraudes e infiltração do crime organizado em setores como o de combustíveis e GLP. São painelistas Lincoln Gakiya, promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (GAECO), o deputado Alberto Fraga (PL-DF), o candidato Marivaldo Pereira (PT-DF), e o presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz. O evento começa às 9h30 e pode ser acompanhado pelas plataformas do Correio.
Perdas & danos?/ Ao ser perguntadasobre quem perde mais com a crise do Supremo Tribunal Federal, o presidente Lula ou Flávio Bolsonaro, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal não titubeou: “Quem perde mais é o Brasil”
STF no lugar de debates/ Enquanto o Supremo Tribunal Federal vive sua crise, a campanha eleitoral vai chegando ao fim sem debates entre os principais candidatos. Pior para o eleitor.
Equipe econômica de Flávio Bolsonaro quer manter e aprimorar a reforma tributária
Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — A equipe econômica do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende manter e aprimorar a reforma tributária que está em fase de implementação. De acordo com a coordenadora, Daniella Marques, revogar a reforma não seria adequado, mas o modelo atual precisa de ajustes.

“Não achamos que vale a pena iniciar uma discussão legislativa de novo, mas estamos com o grupo técnico na campanha de mais de 10 PhDs em economia, tributaristas, e eu acho que, por meio do diálogo, olhando como política de estado, a gente pode aprimorar essa reforma para que ela chegue no impacto desejado e não seja judicializada antes de começar. O nosso projeto é aberto ao diálogo. Então, quem tiver contribuições, olhando para a reforma como uma agenda de estado, a gente está 100% aberto para esse diálogo”, disse.
Na visão da financista, o projeto acabou não cumprindo o que pretendia, que eram dois impostos e redução da carga, e virou uma “colcha de retalhos” pelas várias exceções previstas na lei. Daniella explicou que, ao final da tramitação, a reforma acabou simplificando, mas parando em cinco impostos, além da provável alíquota do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que, embora haja um teto estabelecido de 26,5%, deve ser de 28%. De acordo com a coordenadora, é um preço final para o consumidor e para quem produz, impossível de pagar.
Por falar em imposto…
Adolfo Sachsida, integrante da equipe econômica de Flávio, reafirmou que o governo do Zero Um de Jair Bolsonaro cortará impostos e começará por dois: o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o imposto de exportação do petróleo. “Primeiro, nós vamos reduzir o IOF aos valores de 2022. Toda renegociação de dívida rescinde IOF, 81 milhões de brasileiros estão inadimplentes. Eles vão tentar renegociar a dívida e o governo lucra com isso. Isso é um absurdo. E, compromisso assumido, está escrito no Twitter do senador, acabar com o imposto de exportação de petróleo. Nós temos que valorizar o investimento no Brasil”, disse Sachsida.
Já na questão de juros, Marques pontuou que a culpa dos juros altos é da atual gestão do governo e criticou a forma como a campanha do presidente Lula vê o assunto da dívida pública brasileira. Para a financista, “quem não cuida das contas, não cuida das pessoas”. “O próprio IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a instituição fiscal independente do Senado, já colocou que, se não houver uma mudança, haverá um colapso, porque a gente vai passar de 100% de dívida PIB. Os juros são o espelho do descontrole das contas e acho que o Brasil hoje está diante de duas escolhas muito claras. Uma candidatura que diz ser meio que fake news e que é uma babaquice cuidar das contas, estou repetindo as palavras do nosso presidente (Lula). E uma campanha que acha que o Brasil nem começa se a gente não colocar as contas no lugar”, ressaltou.
Adolfo complementou, destacando o crescimento da dívida pública no governo Bolsonaro e no governo Lula. De acordo com o ex-ministro de Minas e Energia, a gestão de Jair Bolsonaro enfrentou uma guerra, a pandemia de Covid-19 e uma crise hídrica e, mesmo assim, diminuiu gastos, a dívida pública e impostos. “Entre 2019 e 2021, o FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que a dívida PIB nos 100 maiores países do mundo aumentou 11%. No Brasil, caiu 0,1%. Em 2018, o governo brasileiro gastava 19,4% do PIB. Em 2022, era 18%. Em 2018, a dívida era 75,3% do PIB, em 2022, 71,7%. Olha só, de 2019 a 2022 teve uma pandemia, uma guerra, uma crise hídrica, e o governo diminuiu os gastos, diminuiu a dívida, fortaleceu o Bolsa Família, que saiu de R$ 180 para R$ 600, diminuiu impostos, reduziu a dívida pública e as estatais davam lucro”, afirmou.
Sachsida comparou com o terceiro mandato do presidente Lula, em que a dívida só aumentou e foram realizadas mais de 27 medidas de aumento de impostos . Para o advogado, o brasileiro precisará fazer uma escolha em outubro. “Agora é um governo em que a dívida não para de subir, os juros não param de bater recordes, as estatais não param de dar prejuízo, o governo não para de criar impostos. Com efeito, foram mais de 27 medidas para aumentar a tributação no Brasil. E você chega no final do dia, você paga R$ 1,50 para comprar um pãozinho de sal. É esse o convite que nós temos que fazer para a sociedade brasileira. Está bom ou você quer a mudança? Nós somos a mudança”, disse.
Estatais e o governo Flávio
Quanto à questão de privatização de estatais, os membros da equipe econômica ressaltaram a importância da Caixa Econômica Federal e o grande prejuízo dos Correios. A intenção, segundo Marques e Sachsida, é tentar reorganizar cada uma delas e depois discutir o seu futuro — manter como estatal ou privatizar. A caixa, inclusive, é vista como um pilar importante para a possível gestão de Flávio.
“Nosso plano organiza o estado em torno da jornada do cidadão e a gente tem uma preocupação grande com inclusão produtiva, ainda mais na era da inteligência artificial e com essa situação de endividamento. Queremos a Caixa como um braço na ponta, levando não só soluções de crédito, mas orientação financeira e capacitação para que o brasileiro possa crescer junto com o Brasil. Todos sabem o problema que existe na capacitação, na indústria e na construção civil. Então, se o estado não foi esse desenvolvedor de capacidades e o grande articulador, a gente vai ressignificar o papel na Caixa para que seja um banco da prosperidade, levando não só orientação, mas um pulso nesse Brasil que é empreendedor”, explicou.
*A jornalista viajou a convite do Esfera Brasil
Nunes defende revisão da reforma tributária e descentralização de orçamento no Governo Federal
Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), defendeu que é preciso haver uma revisão da reforma tributária, que ainda está em fase de implementação. De acordo com Nunes, a provável alíquota de 28% do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) seria muito alta e causa preocupação em gestores estaduais e municipais.

Além do imposto, outra questão é a centralização de recursos na mão do Governo Federal. De acordo com o prefeito, a cada R$ 100 enviados ao governo, apenas R$ 9 voltam para a cidade. A divisão de custeio da saúde é outro ponto de preocupação, segundo Nunes. “Não dá para ter o poder e a receita muito concentrados no governo federal. O nosso orçamento aqui da saúde hoje é de R$ 25 bilhões. Há um tempo atrás a prefeitura entrava com 75% do orçamento da saúde e vinha 25% do governo federal. Hoje a prefeitura de São Paulo põe 85% e tem 15% do governo federal”, disse durante participação do Seminário Brasil Hoje promovido pelo Esfera Brasil.
Nunes explicou que dos R$ 10, 8 bilhões de investimentos na cidade com obras de drenagem e contenção de encostas, o governo federal colaborou com apenas quase R$ 50 milhões. “Como é que a gente vai deixar mais dinheiro concentrado lá para a gente poder tocar as coisas aqui? Tive que recorrer agora ao Tribunal de Contas da União e depois ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para o governo liberar uma operação de crédito com o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD) que eu vou pagar”, ressaltou.
Comitê-Gestor
Outro ponto da reforma comentado pelo prefeito de São Paulo foi a formação do Comitê-Gestor do IBS, em que estados e municípios têm representantes para regulamentar e padronizar a interpretação da legislação do IBS em todo o país; e coordena e distribui a arrecadação unificada do imposto entre os entes da federação. Para Nunes, a formação do Comitê está desequilibrada, porque estados e municípios têm o mesmo número de representantes. Cada parte tem 13 cadeiras no comitê e a quantidade é considerada baixa para responder por mais de cinco mil municípios.
“Acho que pode comprometer o resultado, porque a gente tem aquela coisa do ditado de cada um que puxa a sardinha no seu negócio, e essa sardinha tem que ser puxada para o lado de ninguém. É para o bem da sociedade, o bem do nosso país, nossos estados, nossos municípios. A gente não tem ainda uma maturidade para que esses recursos pudessem ser concentrados e serem distribuídos de forma igualitária. Ainda tem esse problema gravíssimo de perseguição política partidária”, disse.
*Jornalista viajou a convite do Esfera Brasil
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A contar pelas manifestações da sociedade, o Poder Judiciário — em especial, o Supremo Tribunal Federal — não vai escapar de passar por uma reforma profunda diante da crise. Em reunião esta semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) engrossou esse coro, ao conclamar “os Poderes da República, suas autoridades e toda a sociedade” a esclarecemos fatos e a rejeitar tanto o silêncio diante de possíveis irregularidades quanto qualquer tentativa de enfraquecer as instituições. “O Brasil necessita de verdade sem manipulação, de justiça sem privilégios, de instituições que sirvam ao bem comum, de lucidez e paz”, diz o texto assinado pelo presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, e a cúpula da Conferência.
Ética/ A CNBB defende, ainda, que os ministros revejam seu comportamento, ao dizer que considera “oportuno que o Código de Ética em elaboração pelo Supremo Tribunal Federal receba o devido encaminhamento institucional, oferecendo parâmetros claros de conduta e contribuindo para a proteção da autoridade da Suprema Corte”. E deixa claro que os ministros devem ser investigados, ao dizer que “ninguém deve estar acima da lei, assim como ninguém deve ser previamente condenado”, e cobrar transparência: “Importante que questões de tamanha relevância institucional sejam examinadas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, de maneira colegiada, pública e transparente, permitindo à sociedade acompanhar os procedimentos e conhecer os fundamentos das decisões. Espera, igualmente, que as instituições responsáveis pela investigação possam exercer suas atribuições com independência, segurança e respeito às competências constitucionais”. Em suma, nada de jogar as denúncias para debaixo do tapete.
Te vira, Mário
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado a largar a mão do deputado Mário Frias (PL-SP), alvo da operação que apura suspeitas de desvio de dinheiro de emendas parlamentares que também mirou a produtora do filme Dark Horse, Karina Gama. Embora o próprio Frias tenha enviado recursos para a produção, uma ala dos bolsonaristas diz que quem tem que se explicar é ele. O máximo que Flávio fará é dizer que a operação pedida pela Polícia Federal, e autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, teve conotação política.
Incomodou
As inserções do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, nos supermercados deixaram o PT para lá de irritado e vai provocar mudanças na campanha do presidente Lula à reeleição.
Hora de relembrar
A ideia do partido é que as inserções comparem como foi o governo de Jair Bolsonaro com o terceiro mandato de Lula. Entre algumas lembranças que podem ser usadas, estão: a fila de ossos nos mercados, o preço da picanha e a atuação do ex-presidente na pandemia da covid-19.
Precisa mudar
O PT também pretende ser mais enfático sobre a proposta de reforma no Poder Judiciário, pauta defendida há anos pelo partido e reafirmada no 8º Congresso Nacional do PT, realizado em abril deste ano. A legenda defende a ideia de definir mandatos para tribunais a partir da segunda instância e mais cadeiras da sociedade no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
CURTIDAS
Reforma no Judiciário/ Não vai ser por falta de proposta de emenda à Constituição(PEC) que o Judiciário deixará de ser reformado. Esta semana, surgiu mais uma. O deputado Danilo Forte (PP-CE, foto) sugere um Código de Conduta, Ética e Moral dos Magistrados. O texto também altera a indicação de ministros: modelo rotativo pelo Executivo, Legislativo e Judiciário; idade mínima de 65 anos e máxima de 75; e mandato de oito anos sem recondução. A aprovação, porém, tem de ser por maioria absoluta em sessão conjunta do Congresso.
Correção na nomeação/ “O sistema de indicação exclusiva pelo presidente da República concentra a formação da Suprema Corte em um único Poder, o que pode gerar distorções na composição do tribunal”, argumenta Forte sobre a mudança nos termos de indicação ao STF.
Meio-termo/ A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, não acatou na totalidade o pedido da candidata ao Senado e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), pois ele permitiu que parentes possam ficar com o ex-presidente por um período de somente duas horas. O pedido original visava dar mais tempo para que ela pudesse participar de eventos de campanha. Solicitava que outras pessoas pudessem ficar com Bolsonaro e auxiliá-la nos cuidados do ex-presidente. Foi negado.
Vapt-vupt/ A decisão de Moraes impede que Michelle possa comparecer aos eventos nacionais de Flávio Bolsonaro fora de Brasília. Mesmo as aparições em agendas no Distrito Federal precisarão ser bem planejadas para aproveitarem a janela de duas horas concedida pelo ministro. Os advogados da ex-primeira-dama ainda não decidiram se vão recorrer.
Apostas entre estudantes brasileiros podem passar de R$ 1 bilhão em 2025, aponta pesquisa
Por Eduarda Esposito — Uma pesquisa estima que no Brasil tenha sido gasto em apostas por adolescentes mais de R$ 1 bilhão no ano passado. Além do alto valor, o estudo mostrou que 9,5% dos estudantes com 11 anos já apostaram em bets. O levantamento, “Apostas online nas escolas brasileiras”, foi realizado pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info.
Para calcular o montante estimado de apostas de estudantes brasileiros, foram considerados os valores declarados pelos alunos entrevistados e, como referência, a estimativa do Banco Central de R$ 62,5 bilhões em perdas com bets em 2025. O levantamento apresenta diferentes hipóteses para calcular os resultados agregados entre os estudantes. A pesquisa não perguntou se as apostas foram realizadas em bets legais ou ilegais.
Quanto à faixa etária, o documento mostra que alunos de 11 anos já têm realizado apostas (9,5%). O maior percentual são os estudantes com 18 anos ou mais, 40,1%; entrevistados com 16 anos (27,6%) e os com 17 (32,3%) também tiveram um escore alto. A tabela mostra um aumento de envolvimento com as casas de apostas online conforme o aluno fica mais velho.

O percentual também é mais alto em alunos masculinos do que femininos. Na faixa etária dos 15 anos, os meninos (33,3%) apostaram mais do que meninas com 18 anos ou mais (24,6%). Quase metade dos estudantes masculinos do 3º ano do Ensino Médio já apostaram, 49,7%, já as meninas foram apenas 16,6%.
O levantamento também descobriu que a maior parte dos adolescentes não tem ideia do quanto perdeu ou ganhou com as apostas. 35,2% afirmam que ganharam mais que perderam, 27,7% dizem o inverso e 37,1% não souberam responder.
No recorte por religião, o levantamento mostra que 18,3% dos estudantes evangélicos já apostaram. Entre os católicos, 23,1% jogaram, e em outras religiões, 22,8% apostaram em bets. Ao comparar rede pública e particular, 40% dos entrevistados nas escolas públicas não souberam dizer se ganharam ou perderam mais. E nas particulares, enquanto 29,2% não souberam responder, 33,2% afirmaram ter perdido mais dinheiro do que ganhado com apostas.
Para a deputada Tabata Amaral (PSB/SP), presidente da FPME, é preocupante saber que crianças de 11 anos já estão tendo contato com as bets e começando a apostar. “Estamos falando de uma prática que pode comprometer a saúde financeira e o desenvolvimento de uma geração inteira. A Bancada da Educação tem o compromisso de olhar para esse problema a partir de evidências e ajudar a construir políticas públicas que protejam crianças e adolescentes. A parceria com o Equidade.info nos permite justamente dar visibilidade a uma realidade que muitas vezes é invisível e, a partir dos dados, propor medidas concretas”, afirma.
O pesquisador, Guilherme Lichand, ressalta que o levantamento ajuda a trazer à luz um grande problema. “Os números geram incômodo e muitas outras perguntas. Essas apostas estão concentradas em eventos esportivos, sobretudo futebol? Como crianças e adolescentes descobrem essas plataformas? Como contornar as restrições de idade, problema comum tanto aos sites de apostas esportivas quanto às redes sociais?”, questiona o professor de Educação da Universidade de Stanford e responsável pela supervisão da pesquisa.
A pesquisa foi realizada com 1.912 estudantes do ensino fundamental e médio em 191 escolas pelo Brasil. Os alunos foram entrevistados de forma presencial com a aplicação de um questionário durante as entrevistas. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2,4%.
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 5 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O posicionamento incisivo do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, prometendo uma solução “rigorosa e firme” para a crise que se abate sobre o topo do Poder Judiciário não foi à toa. Um dos objetivos dos ministros é evitar que esse assunto termine resolvido pelo Senado Federal, num processo de impeachment. A avaliação geral é a de que esses processos são sempre traumáticos, do ponto de vista institucional e, além disso, haveria o risco de “abrir a porteira”, ou seja, depois de Alexandre de Moraes, que hoje encabeça a lista de pedidos, surgiriam novas investidas contra ministros do STF. E essa situação ninguém quer. É hora de a Suprema Corte resolver os seus problemas, antes que outros o façam.
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Vale lembrar/ No momento em que saiu o contrato entre o escritório da esposa de Alexandre de Moraes e o Banco Master foi sugerido aos ministros que resolvessem a crise internamente, de forma contundente para evitar que o STF continuasse exposto. Nada foi feito em termos de uma solução negociada. Agora, avaliam muitos, a saída para crise será traumática. Porém, melhor o STF agir do que deixar tudo a cargo do Senado.
A paternidade de Xandão
Com a eleição na ordem do dia, os petistas querem tratar de manter distância do ministro Alexandre de Moraes. Para isso, daqui para frente começarão a deixar claro em todas as oportunidades que Moraes foi para o STF por indicação do então presidente Michel Temer, que assumiu o governo logo depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Não votou, mas…
… saiu do foco. Mesmo sem levar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 ao plenário, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), conseguiu deixar de ser o grande vilão da não aprovação da matéria ao desengavetar o texto. Agora, o adiamento da votação será atribuído aos aliados do candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fizeram de tudo para atrapalhar a análise na CCJ e evitar a apreciação final. Há quem diga que esse movimento foi muito bem calculado como uma forma de limpar a imagem de Alcolumbre.
Saldo positivo
E com o fim da semana de esforço concentrado, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem três vitórias das cinco que tentou emplacar: aprovação dos projetos do Redata (sistema tributário de datacenters), minerais críticos e a isenção da taxa das blusinhas. E ainda poderão se vangloriar das votações das PECs do fim da escala 6×1 e da segurança pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Vai tudo para o horário eleitoral na tevê.
CURTIDAS
Deixem passar e foquem/ Dos Estados Unidos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro usou as redes sociais para defender o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que apareceu em áudios vazados pedindo favores ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Eduardo ainda pede nas entrelinhas que esqueçam o caso ou o financiamento do filme Dark Horse. A seus seguidores, pede foco contra Alexandre de Moraes, que “recebeu dinheiro do cliente”, no caso, Vorcaro.
Até aqui, sem explicações/ Em nenhum momento, Eduardo esclareceu onde foram parar os recursos que Vorcaro destinou ao filme da biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — aliás, inicialmente um repasse previsto quase que no mesmo valor do contrato com o escritório da mulher de Moraes.
Por falar em Nikolas…/ Parlamentares de direita se mostram constrangidos ao comentar o áudio que o deputado Nikolas Ferreira (foto) enviou a Daniel Vorcaro. Mesmo em conversas reservadas, senadores e deputados evitam atacar diretamente Nikolas, mas demonstram desconforto e constrangimento ao responder que Vorcaro sabia como “encantar” e “corromper” excelências da República.
Campanhas solteiras/ Candidatos a deputados estaduais do PSD do Rio de Janeiro têm feito campanha casada apenas com Eduardo Paes, que concorre ao governo estadual. Para os demais cargos, o “santinho” distribuído aos eleitores vai em branco. Ou seja, o eleitor que decide em quem votará para presidente da República, senador ou deputado federal.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 4 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não decidir o que fará diante da crise aberta com as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro, qualquer perspectiva de delação premiada do ex-banqueiro ficará congelada. Entre subprocuradores, há quem considere que se Vorcaro, o empresário, quiser fazer uma delação premiada, não poderá proteger ninguém nem mirar num único alvo. Não dá para ele escolher quem será exposto e quem ficará à sombra. E nem dizer que não fez nada de errado no caso do BRB, conforme vem insistindo.
Por falar em Vorcaro…/ Muitos procuradores classificaram o último depoimento de Vorcaro à equipe do ministro André Mendonça, do STF, como uma tentativa de tirar da frente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Porém, o ex-banqueiro do Master não apresentou qualquer prova concreta contra o policial — apenas o fato de estarem em eventos. Vale lembrar que, nos idos de 2023 e 2024, o Master patrocinava seminários internacionais de think-tanks brasileiros, nos quais Andrei esteve entre os palestrantes. Daí a dizer que são “amigos ou próximos”, a distância é grande. Por essas e outras, a ideia é ir com muita calma. Vorcaro ainda é considerado um personagem perigoso, que tenta manipular a situação a seu favor. Até aqui, deu errado.
Moraes joga gasolina na crise
A decisão de Moraes contra Mendonça, acusando o ministro relator do caso Master de ilegalidades em operações — como a Compliance Zero —, aumenta a pressão sobre o presidente do STF, Edson Fachin. É ele quem deverá assumir o inquérito do banco de Vorcaro ou designar um ministro para fazê-lo. O gesto de Moraes é prova deque a guerra está longe do fim.
Os intranquilos
O STF reforçou a segurança da Corte desde o início da crise entre Moraes e Mendonça. Mais seguranças foram alocados no prédio principal, especialmente nas saídas e entradas da Corte. Moraes também reforçou a segurança pessoal. Fontes consultadas pela coluna disseram que o temor é de eventuais atos hostis mirando o Supremo em razão da repercussão do caso.
A Igreja se posiciona
Durante duas horas, os oito cardeais expuseram suas preocupações e opiniões sobre as eleições, no evento “Igreja e Política — Diálogo dos Cardeais do Brasil”, transmitido pela Rede Vida de Televisão. Com todo cuidado, todos deixaram claro que a Igreja não tem candidato, mas, sim, valores. E que é preciso respeito e propostas por parte daqueles que desejam governar o Brasil. Todos estão muito apreensivos com a agressividade e divisão do país neste pleito.
E a CMO, hein?
A Comissão Mista de Orçamento (CMO) está parada desde antes do recesso parlamentar, em julho. Foi instalada apenas com o presidente, deputado Domingos Neto (PSDCE), e aguarda a indicação para os relatores da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA). O que se diz entre técnicos da CMO é que o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), ficará com a relatoria do Orçamento este ano.
CURTIDAS
O recado de Alcolumbre/ Tem nome e endereço o desabafo que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez no plenário esta semana. O primeiro foi para Carlos Viana (PSD-MG) que, enquanto era filmado por um integrante de sua equipe, cobrou “coragem” de Alcolumbre para pautar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. “Se eu fosse só mais um senador, ia falar muita coisa naquele microfone ali, inclusive para colegas nossos que se acham no direito de fazer um vídeo agredindo as pessoas para o assessor, ao lado, estar filmando para ganhar curtida na rede social e, talvez, para querer ganhar a eleição dia 4 de outubro”.
6 x 1 e os cálculos/ A base governista pretende votar o fim da escala 6 x 1em uma provável semana de esforço concentrado, entre o primeiro e o segundo turno. Na hipótese de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, será mais uma tentativa de levar a oposição ao desgaste de apostar contra uma medida que tem a chancela da maioria dos trabalhadores.
Onda Cury chega ao DF/ Os dois dígitos que Ronaldo Caiado (PSD) apresentava na pesquisa Correio/Opinião, no mês passado, aparecem agora redistribuídos entre ele e o candidato do Avante, Augusto Cury (foto) — que aparecena frente de Caiado. Os números do levantamento estão no site e impresso do Correio Braziliense.
Até aqui…/ Esta primeira semana de campanha eleitoral de rádio e tevê colocou Cury na terceira posição, mas não ao ponto de mexer totalmente no cenário onde predominam Lula e Flávio.
Colaborou: Renato Souza
Pesquisa evidencia risco potencial com concorrência predatória de preços no setor de delivery
Por Eduarda Esposito — Empresas brasileiras de delivery estão preocupadas com uma possível concorrência de preços predatórios no país. Com a entrada de empresas chinesas, conhecidas em outros países por práticas desleais, o setor tem demandado novos mecanismos de prevenção por parte do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão responsável pela manutenção da livre concorrência e proteção da economia contra abusos de poder.
Um novo estudo do Instituto Esfera, “Dinâmica concorrencial, subsídios predatórios e regulação no mercado de delivery”, avaliou as lições globais e o papel do Cade para prevenção de preços predatórios no Brasil. O autor do documento e economista, Fernando B. Meneguin, mostrou experiências estrangeiras que enfrentaram a tática de concorrência desleal praticada por aplicativos chineses.
Segundo o documento, as empresas dominam os mercados com grandes descontos e preços abaixo do mercado para fidelizar consumidores, vendedores e entregadores. O método é custeado com recursos acumulados durante as operações na pandemia. Quando a concorrência é extinta por não conseguir manter o mesmo nível de competição, as plataformas sobem os preços absurdamente e passam a cobrar mais caro dos restaurantes e consumidores e repassam menos aos entregadores. Nesse momento é quando ocorre o monopólio do mercado.
Um dos exemplos do documento foi a expansão internacional da plataforma Keeta na Arábia Saudita. “Amparada por uma campanha estimada em US$ 266,6 milhões, provocou o fechamento de plataformas locais devido a práticas de price dumping. A queima de caixa desmedida levou à destruição dos ecossistemas nativos de delivery, à compressão extrema de margens dos restaurantes parceiros e ao achatamento do repasse financeiro aos entregadores, sinalizando a iminente monopolização do setor e a futura elevação abusiva de preços ao consumidor”, ressalta.
“Os estabelecimentos viram-se encurralados em uma encruzilhada competitiva: a não participação nas campanhas (frete grátis, cupons e descontos) resultava na perda imediata de visibilidade nos aplicativos, enquanto a adesão forçada transferia aos restaurantes de 30% a 70% dos custos dos cupons concedidos ao público final. Essa transferência obrigatória de custos reduziu as margens operacionais dos comerciantes a níveis insignificantes, gerando frequentemente margens brutas negativas”, explica.
A importância do Cade
O documento recomenda uma atualização nos paradigmas tradicionais de análise adotados pelo Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) para evitar que o setor de entregas no Brasil tenha o mesmo destino que outros países. “O ingresso no mercado nacional de grandes corporações internacionais, armadas com recursos bilionários direcionados deliberadamente à queima de caixa, evidencia a insuficiência dos testes antitruste concebidos para a economia até então analógica”, defende a pesquisa.
Até aqui, para se caracterizar abuso de posição dominante por meio de preços predatórios, são exigidos três requisitos: fixação de preços abaixo do custo marginal ou custo evitável médio; demonstração de dominância estática preexistente no mercado relevante, usualmente identificado por fatia superior a 20%; e a comprovação cabal da probabilidade de recuperação das perdas, demonstrando que a empresa teria condições futuras de elevar preços para compensar o capital sacrificado na fase de expulsão dos rivais.
Agora, o próprio Cade vê a necessidade de atualizar esses pontos. O Departamento de Estudos Econômicos (DEE) do Conselho publicou uma Nota Técnica em que reconhece a existência de uma tendência global de atualização dos critérios tradicionais de preço predatório pela adoção de métricas de custo ajustadas à lógica das plataformas. “Empresas sem posição dominante prévia podem praticar preços predatórios quando dispõem de fontes abundantes de capital, incluindo subsídios estatais ou tesourarias globais, pois esse poder financeiro é capaz de criar posições dominantes e viabilizar condutas exclusionárias”, trouxe a Nota Técnica nº 11/2026/DEE/CADE.
Com base nas experiências internacionais, o estudo sugere adoção de medidas preventivas, sem necessidade de novas alterações legislativas. A pesquisa cita ações como a exigência de transparência sobre a origem dos recursos promocionais e o monitoramento técnico de táticas algorítmicas veladas. “Essas medidas não visam apenas preservar a concorrência como um conceito abstrato, mas proteger condições competitivas entre as empresas, a sustentabilidade financeira dos estabelecimentos comerciais parceiros, as condições de trabalho e rendas dos entregadores e o bem-estar social de longo prazo”, ressaltou o autor.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 3 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
As relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e o confronto com o ministro André Mendonça, ficaram fora da sessão do Supremo Tribunal Federal esta semana, num jogo combinado para mostrar que a Corte não deixará de cuidar das suas obrigações, apesar da crise que se abate sobre o topo do Poder Judiciário. O que se diz no STF é que se os temas viessem à tona no colegiado, sem combinação prévia, será a terceira guerra mundial. A ordem é esperar a poeira decantar e viver cada dia com sua agonia, enquanto o Supremo tenta juntar os cacos.
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Pés no chão/ O fato de adiar as decisões não significa apatia. Os ministros sabem que será difícil preservar todo o colegiado. E dada a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para avaliar os pedidos de impeachment contra ministros do STF — em especial Moraes —, a Corte tem plena consciência de que não pode mais desconhecer as relações entre Moraes e Vorcaro e de Vorcaro com outros. Sabe que terá que tomar atitudes, especialmente, diante das pressões para a renúncia de Moraes. O problema, agora, é buscar a melhor forma de sair dessa crise, preservando a instituição. Essa ferramenta ainda está em construção.
É só o começo…
Nos bastidores do debate do Correio Braziliense/TV Brasília com os candidatos ao Governo do Distrito Federal, o que mais se comentava eram as delações que vêm por aí. A prometida pelo dono da Reag, João Carlos Mansur, que geria fundos de investimentos relacionados a Vorcaro, é no atual momento a que tem mais potencial para “quebrar a banca”.
… e vem mais
A avaliação geral dos atores no DF é de que o ministro Mendonça se precipitou ao tratar das denúncias envolvendo o ministro Moraes. Porém, para que tenha feito isso, estava muito pressionado. E ameaçado.
Mais uma vaga no TCU
A Câmara dos Deputados deve indicar mais um deputado para o Tribunal de Contas da União, em novembro. Fontes ligadas ao TCU afirmam, em conversas reservadas, que o ministro Augusto Nardes deve se aposentarem 13 de novembro, antecipando a saída em um mês. O que se comenta é que a vaga será do Progressistas e o partido não descarta indicar o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (AL).
Planos eprojetos
Lira, porém, tem outros planos para 2027. É candidato ao Senado em Alagoas e, se vencer, não deixará os tapetes azuis para assumir uma vaga no TCU. O que Lira almeja, obtido o mandato de senador, é uma cadeira no clube que comanda a Casa.
CURTIDAS
Perguntem para o Flávio/ Parlamentares do PL não conseguem esconder a irritação quando alguém lhes pergunta sobre a prestação de contas do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Dark Horse. Afirmam que há uma prestação de contas e não comentam mais a atuação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro nessa busca por investimento junto a Daniel Vorcaro. O senador que se vire para responder.
Abstenção e vantagem/ Aliados de Flávio avaliam que dois dos três segmentos que apoiam majoritariamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua reeleição terão uma alta taxa de abstenção: os mais pobres e idosos. Com isso, a campanha projeta que os números das pesquisas não estão captando algo em torno de 3% a 4% a mais de intenções para o filho 01.
Visões diferentes/ Enquanto a oposição reclamava da falta de audiências públicas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para discutir o fim da escala 6 x 1, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), divergiu, citando um projeto do senador Paulo Paim (PT-RS) para o mesmo fim: “Fizemos duas audiências públicas no ano passado e só compareceram o autor, o relator e eu”, argumentou.
Enquanto isso, no Rio de Janeiro…/ A esquerda fluminense está bem animada com a campanha no estado. Candidatos avaliam que, após as investigações que retiraram o ex-governador Cláudio Castro (foto) da disputa, o desempenho dos esquerdistas tem sido além do esperado. O campo projeta conseguir eleger a deputada Benedita da Silva (PT) ao Senado e equilibrar as cadeiras na Casa.
“Polarização pode fazer parte da vida, mas não pode conduzir ao ódio, a olhar ao outro como inimigo. O anormal é demonizar quem pensa diferente de você e ver o outro como inimigo” Dom Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, ao comentar a importância do debate Igreja e Politica — Diálogos dos Cardeais do Brasil, promovido pela Rede Vida de tevê, em parceria com outras emissoras católicas

















