Categoria: Economia
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 15 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A contar pelo discurso dos presidentes de partidos, a “terceirização” das indicações de emendas está generalizada entre os deputados, inclusive entre parlamentares, que cedem um pedaço de suas quotas para outros. Especialmente, aqueles mais ligados aos presidentes das duas Casas, no caso, o da Câmara, Hugo Motta, e o do Senado, Davi Alcolumbre. Nas conversas mais reservadas, há quem diga que presidentes de partido e os comandantes do Parlamento são os maiores beneficiados desse sistema. E mais: Muita gente diz que a Polícia Federal já tem muitas informações para tentar acabar com a farra. É exatamente esse trabalho que o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino está fazendo e não vai parar.
Pedir não é crime/ Alguns parlamentares ressaltam que pedir emendas é uma prática comum e, invariavelmente, tem um objetivo político. Os aliados de Eduardo Cunha, por exemplo, comentam que ele “apenas pediu” que um parlamentar apresentasse a emenda. E, o fato de Cunha não ter assinado qualquer documento, não pode ser responsabilizado pela indicação. Quem tem que responder é o deputado, que aceitou o pedido de Cunha. E falam mais: Tuca (Mariângela Fialek) não “fez” nenhuma emenda, como técnica apenas realizou seu trabalho, verificar disponibilidade e nomes de quem poderia indicar. A defesa por Tuca, aliás, dá-se em praticamente todos os campos políticos.
Momento único
Só mesmo algo muito forte para produzir a união de partidos de direita e de esquerda num ano eleitoral. Agora, depois do escândalo que misturou as bets com a Copa do Mundo da Fifa — inclusive com comentários técnicos mesclados a sugestões para apostas nas bets —, parlamentares dos dois lados se juntam para pregar o fim desse setor. O deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) é mais um que apresenta projeto contra as bets. Além dele, há propostas de deputados como o líder do governo na Casa, Paulo Pimenta (PT-RS), e do líder do PT, Pedro Uczai (SC).
Foco eleitoral
O tema é visto pelos parlamentares como um dos mais importantes nestas eleições. Os evangélicos, por exemplo, são contra as bets, que tira dinheiro dos templos. E as igrejas atualmente representam um segmento forte do eleitorado, capaz de mobilizar os congressistas.
Tudo, menos voltar à Câmara
O que levou a um consenso para votar a medida provisória (MP) sobre os fretes dos caminhoneiros foi evitar a desfiguração da proposta, em caso de volta para uma nova análise dos deputados. O relatório da Câmara foi considerado uma “anomalia” por alguns senadores e deixar a MP caducar não era uma opção devido à importância do setor. Foram diversas reuniões nos últimos dias e acordos para vetos e emendas redacionais, de forma a evitar um retorno à Câmara dos Deputados. A Frente Parlamentar do Agro, a poderosa FPA se comprometeu, inclusive, a manter os vetos que vierem dentro do acordo.
CURTIDAS

União no Ceará/ Com menos de um mês para as convenções partidárias, o PT conseguiu resolver um dos maiores impasses na formação do palanque no Ceará ao oficializar o senador Cid Gomes (PSB) para reeleição e o deputado Júnior Mano (PSB) como seu suplente. Assim, a crise que impedia Cid se juntar à chapa de Elmano de Freitas se foi.
Juntos esperam chegar lá/ Interlocutores do PT no estado afirmam que a foto com o presidente Lula, Camilo Santana, o governador Elmano de Freitas, Cid e Júnior foi para encerrar especulações sobre a campanha.
Vem aí/ Para a segunda vaga ao Senado, o nome em vista é o da deputada Luizianne Lins (Rede), que tem um apoio considerável por parte do PT. O PSD negocia a indicação de um vice-governador para Elmano. O entorno da campanha acredita que, com essa composição PT, PSB, Rede e, quem sabe, o PSD, aumentam as possibilidades de vitória contra Ciro Gomes (PSDB), que deve sair em coligação com o PL.
Livro novo na praça/ Em 6 de agosto, a biblioteca do Supremo Tribunal Federal recebe o lançamento da obra O Avesso do Arbítrio: Estudos em Homenagem a Paulo Brossard de Souza Pinto, ex-ministro da Justiça, do STF e ex-senador da República. Sob a coordenação dos juristas Guilherme Barcelos, Gustavo Bohrer Paim e Miguel Tedesco Wedy, o livro tem prefácio do ex-presidente da República José Sarney, apresentação do ministro decano do STF, Gilmar Mendes; artigo do ministro André Mendonça, também do STF, e posfácio da ministra Maria Cristina Peduzzi, do Superior Tribunal de Justiça.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 14 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Embora tenha mencionado a necessidade de união do PL e daqueles que votaram em Jair Bolsonaro no passado, o senador Flávio Bolsonaro e “porta-voz” do pai não apresentou nenhum pedido de sincero de desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nem fez refluir os ataques a ela e à senadora Damares Alves (Republicanos-DF) nas redes sociais. Chegou ao ponto de Damares ir à tribuna dizer que é “do time” de Bolsonaro e que é chegada a hora de a direita parar de atacar os seus soldados na internet. Damares usou a seguinte expressão para reforçar seu apoio à pré-candidatura de Flávio: “O Flávio ainda é o meu pré-candidato, indicado do presidente Jair Bolsonaro”. O “ainda” deixou a muitos a impressão de que, se a briga continuar, poderá deixar de ser. Não por acaso, já tem muita gente que votou em Bolsonaro no passado acompanhando de perto os movimentos de Ronaldo Caiado (PSD).
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Onde mora o perigo/ O embate interno nas hostes bolsonaristas corre o risco de deixar muitos potenciais aliados em alta nas pesquisas — caso de Michelle Bolsonaro — de braços cruzados por Flávio ao longo da campanha. E, embora as pesquisas atuais apresentem o senador no segundo turno, a avaliação de muitos no PL é a de que ele não está em posição de dispensar aliados.
Dino abrirá o pós-eleição
Enquanto a campanha eleitoral pede passagem, o ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pelo processo relativo a emendas parlamentares, Flávio Dino, dá o tom do que vem por aí. Ele não vai tirar o dedo dessa ferida nem recuar em relação à necessidade de transparência e prestação de contas de cada centavo aplicado por sugestão dos congressistas e de outras pessoas alheias ao mandato parlamentar.
Vem mais
Muita gente diz que essa influência externa não se restringe a Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha, que já tiveram parte dos bens bloqueados. Outros nomes vão aparecer ao longo do processo. Afinal, ainda há muito material a ser analisado, além do celular da assessora Mariângela Fialek, que ajudou no rastreio desses padrinhos.
Quis poder, agora aguenta
Nos casos das emendas individuais, o que se comenta no Parlamento é que o Executivo tem que liberar e ponto, porque é determinação constitucional pagar as emendas impositivas. Diz-se que, se o Poder Executivo segurar essa liberação, terá que responder. Logo, os parlamentares responsáveis pelas indicações e os prefeitos que recebem as verbas têm que prestar contas.
Façam um acordo
Independentemente de quem vencer as eleições deste ano, está claro que será preciso um pacto entre os Poderes para resolver essa questão orçamentária. Se os parlamentares continuarem nessa queda de braço com os outros dois Poderes sobre as emendas, o contribuinte pagará a conta.
CURTIDAS

E o Moraes, hein?/ A proibição das visitas do senador, filho e advogado Flávio Bolsonaro ao pai aumentará a carga contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes (foto) no Senado. Se a direita mais ligada a Bolsonaro for vitoriosa, Moraes terá que torcer para que os senadores elejam um moderado para presidir a Casa.
Por falar em carta…/ Em 2002, quando foi candidato pela quarta vez ao Planalto, Lula editou uma carta aos brasileiros de quatro páginas e meia sobre o cenário econômico e o projeto do PT. Em 2018, editou uma segunda carta retirando-se da candidatura, em setembro daquele ano, quando ainda estava preso. Cunhou a expressão “somos milhões de Lulas e Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros”.
… nem sempre funciona/ Lula ganhou em 2002, e Haddad perdeu em 2018, quando o atual presidente o apontou como o seu candidato. Vejamos como o eleitorado reagirá à carta apresentada no último sábado.
Mesmo sem Brasil, tem futebol/ Por enquanto, o brasileiro apaixonado por futebol está mais ligado nas semifinais da Copa do Mundo. E hoje, Data Nacional da França, que marca a queda da Bastilha em 1789, o feriado por lá promete atenção máxima ao confronto França x Espanha — muito diferente das duas primeiras rodadas, em que a população francesa não se mostrava muito atenta às partidas. Uma grande semifinal europeia para tentar amenizar as agruras da nossa política.
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 12 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Em fase final de elaboração da medida provisória que pretende dar um respiro aos produtores rurais endividados por causa dos problemas climáticos, os governistas fazem um alerta àqueles parlamentares que planejam ampliar o número de produtores beneficiados, incluindo todos que não conseguem pagar as dívidas: se a Câmara insistir no projeto que tramita na Casa, o governo vai vetar integralmente o texto. E se os parlamentares derrubarem o veto, o Supremo Tribunal Federal será acionado, onde a possibilidade de suspender tudo até a apreciação do mérito será grande.
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Pense bem/ A ideia é deixar o agro certo de que, para não comprometer a ajuda a quem teve problemas por causa dos eventos climáticos, o melhor a fazer é aceitar a MP que vier do Planalto e votar tudo rapidamente.
Um projeto…
Silenciosamente, um grupo que conta com a participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da comunidade evangélica, da qual faz parte o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, constrói uma plataforma política para tentar levar adiante um pleito futuro. Aliás, é esse braço político em construção, do qual não fazem parte os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, que mais incomodou o pré-candidato do PL ao Planalto, uma vez que tudo é baseado na religião, e não é algo para ser colocado a serviço na ala mais radical do bolsonarismo.
….ainda sem partido
Guardadas as devidas proporções e conjunturas inerentes a cada período, a tentativa se assemelha ao que lá nos idos de 1750 os jesuítas instalados nas Missões sonhavam em construir. Ainda não está fechado qual agremiação deve abraçar a proposta, embora haja especulações a respeito do Republicanos. Isso é algo para depois das eleições deste ano.
Em nome do pai
A carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro em que seu pai o nomeia “meu porta-voz” e diz que o “momento é de arregaçar as mangas” é vista como uma tentativa de sair da defensiva em que se encontra e tentar evitar que os votos da direita migrem para outro candidato, seja Ronaldo Caiado, Romeu Zema ou Renan Santos.
Nem tanto
A live em que o filho Zero Um de Jair Bolsonaro divulgou a carta foi considerada acima do tom até por simpatizantes dele, por mencionar que “ou a gente ganha, ou o Brasil acaba”. Muitos presidentes se sucedem desde a Proclamação da República, o país passou por várias crises, mas não acabou.
Chega de postergar
E Contrariando a percepção de alguns líderes de centro e direita, o PT não pretende demorar a nomear os deputados da comissão especial para analisar a redução da maioridade penal. Parlamentares acreditavam que a esquerda poderia postergar as indicações para deixar o início da comissão para depois do recesso parlamentar, mas o líder da bancada, Pedro Uczai (SC), afirmou que é hora de “enfrentar” o debate.
CURTIDAS

Cada um com os seus problemas/ Embora a assessora Mariângela Fialek trabalhe na liderança do Progressistas, os parlamentares do partido capitaneado pelo senador Ciro Nogueira (foto) fizeram “cara de paisagem” sobre o bloqueio de bens de Valdemar Costa Neto, por causa da suspeita de desvio de emendas ao Orçamento. O presidente do PL e seus filiados que se expliquem.
Insatisfação I/ O setor de mercados digitais não gostou do relatório apresentado pelo deputado Aliel Machado (PV-PR) sobre a proposta de regulação, com a criação de uma nova estrutura dentro do governo para esse fim. Para algumas empresas, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) já realiza um ótimo trabalho em monitorar e aplicar sanções para promover mais competitividade. Parte do empresariado considera que o certo seria investir mais recursos no CADE e contratar pessoal para essa finalidade.
Insatisfação II/ Outro ponto é a falta de diálogo. Empresários afirmam que, nos nove meses de tramitação do texto na Casa, nunca houve nenhuma reunião, audiência pública ou comissão especial.
Tudo é política/ A aposta de parte desse setor é que o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) quer aprovar a matéria com objetivos políticos porque a proposta é de interesse do governo. Em conversas reservadas, líderes concordam em deixar o projeto para ser votado apenas após o retorno do recesso parlamentar, mas ainda não bateram o martelo em reunião.
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 11 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Até aqui, deram errado todos os movimentos do pré-candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, para tentar sair da maré de desgastes que se abate sobre a campanha. A viagem aos Estados Unidos foi vista como um tiro n’água por empresários cientes de que a Terra é redonda. Não há sinais de suspensão do tarifaço ou de parcerias com o governo de Donald Trump que mantenham o Brasil numa posição de altivez. Flávio, até o momento, prometeu terras raras aos EUA sem detalhar qualquer plano que beneficie o Brasil; acenou com a criação de um grupo de transição específico para a relação com os Estados Unidos, caso vença o pleito, desprezando o resto do mundo. O empresariado acredita que essa postura mais afasta do que ajuda a aproximar o pré-candidato do PL de seus objetivos. Tem muita gente se voltando a Ronaldo Caiado (PSD).
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Por falar em Caiado…/ O pré-candidato do PSD começou a bater forte nos “polarizados” Lula e Flávio Bolsonaro. Ele responsabiliza ambos pelo tarifaço. Lula, por rivalizar com os Estados Unidos para surfar no discurso da soberania; e Flávio Bolsonaro, por dizer que a penalização do Brasil só deve se dar depois da eleição. Na opinião de Caiado, Flávio não prega o fim do tarifaço e sim apenas um adiamento. “São farinhas do mesmo saco”, afirma.
Crise instalada I
O PL vive um momento de disputa interna. Provocou muito mal-estar na bancada a declaração de Valdemar Costa Neto jogando a responsabilidade da indicação das emendas ao Orçamento no colo do líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). Sóstenes não havia sequer sido citado nesse caso e agora terá que responder.
Crise instalada II
Aliás, o bloqueio de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeita de apropriação indevida de emendas parlamentares, é mais um capítulo de desgaste para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Agora, além do caso Daniel Vorcaro e o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que ainda não foi lançado, o partido tem o seu núcleo obrigado a se explicar sobre esse outro escândalo.
Efeito borboleta
Foi a partir do celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que a Polícia Federal chegou ao suposto esquema de emendas do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Fialek foi alvo de mandados de busca e apreensão em dezembro do ano passado. Com as investigações em seu telefone, foram expostas conversas e negociações de emendas em nome de Valdemar. Tuca foi assessora de Arthur Lira (PP-AL) e depois passou a trabalhar na liderança do PP na Casa. Agora começam a aparecer os primeiros movimentos a partir daquela operação. O material ainda não foi totalmente avaliado.
Além da 6×1
Governistas trabalham a todo vapor para tentar votar outros projetos de importância para o governo federal, além da proposta de emenda constitucional (PEC) do fim da escala 6×1. Senadores acreditam que o projeto que regulamenta a exploração de terras raras e minerais críticos deva ter alguma atualização antes do recesso parlamentar. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) é visto como favorito para a relatoria da proposta.
CURTIDAS

Campanha solo/ Ao contrário de Lula, que costuma discutir todos os passos da pré-campanha com sua equipe, o pré-candidato Flávio Bolsonaro tem tomado decisões e feito movimentos sem avisar. Vai pela própria cabeça.
E eles?/ Os aliados cobram a presença de Flávio em eventos partidários nos estados para se apresentar e dar entrevistas. Na semana passada, entretanto, o pré-candidato do PL preferiu os Estados Unidos, o que deixou muita gente chateada.
E a PEC da Segurança, hein?/ Só depois das eleições. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (foto), continua com o texto na gaveta. O mesmo deve ocorrer com a PEC do fim da escala de trabalho 6X1.
Sabatina do Correio/ Em 28 de julho, a partir de 8h, o Correio realiza sua tradicional maratona de sabatinas com os pré-candidatos ao Planalto. Foram convidados todos aqueles que se apresentaram para a corrida presidencial deste ano. Em 2018 e 2022, o Correio Braziliense, em parceria com a TV Brasília, foi o único veículo de comunicação que entrevistou todos os postulantes ao Planalto.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 9 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O comando nacional do MDB não foi sequer informado de que o ex-governador Ibaneis Rocha desistira da candidatura ao Senado. Nem sequer um telefonema, mesmo depois de o presidente do partido, deputado Baleia Rossi, ter reunido a Executiva Nacional para anunciar que fecharia questão em prol da inclusão de Ibaneis na chapa da governadora Celina Leão como candidato a um mandato de senador. Porém, não tem briga, nem mágoas nessa relação. O que o MDB deseja mesmo é ampliar o número de deputados federais e, neste quesito, a avaliação é a de que Ibaneis pode ajudar.
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Às contas/ A expectativa dos emedebistas hoje é eleger um deputado federal e, se tiver sorte, obter metade dos votos para conquistar uma segunda vaga. Se Ibaneis topar ser candidato a deputado, acreditam integrantes da Executiva Nacional, esta segunda vaga estaria garantida.
Ajude a Teresa
A primeira missão de Camilo Santana como líder do PT no Senado será dar assistência à nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão. Recém-chegada ao cargo, ela está “vendida” nas negociações. Esta semana, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adiou a votação do Profértil, aprovado na Câmara após acordo com o governo, porque ela disse não ter sido informada desse acordo — o que ela sabia é que o governo era contrário à matéria.
Ficou ruim
Alcolumbre manteve a urgência do projeto, mas retirou da pauta em consideração à líder. Porém, o presidente da Casa chegou a usar a expressão “caiu de paraquedas” para se referir à forma como Teresa vem agindo na liderança do governo na Casa.
“É agora ou nunca”
É assim que os senadores têm se referido à outra missão de Camilo Santana como líder do PT: promover um encontro entre Alcolumbre e o presidente Lula. Se conseguir, passa no teste de tarimbado para o diálogo. A conversa é crucial para destravar as pautas no Senado, como fim da escala 6×1, terras raras e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da segurança pública.
Só ele
Quem estiver em busca da pacificação entre Michelle Bolsonaro e o enteado pré- candidato ao Planalto deve pedir primeiro uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar. É o único que os dois escutam.
CURTIDAS

Jaques Master/ Eleitores petistas na Bahia não superaram a polêmica envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Durante a Procissão Cívica do 2 de Julho — que celebra a Independência da Bahia, marco da expulsão das tropas portuguesas em 1823 — os eleitores ovacionaram Jerônimo Rodrigues. Mas quando Wagner apareceu, muitos vaiaram e até mostram uma faixa com os seguintes dizeres: “Jaques Master”.
Bater em todos/ Os pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) marcaram presença em debate sobre economia promovido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Caiado voltou a criticar Flávio Bolsonaro pelo tarifaço. “Precisamos ter um governante que pense e defenda o Brasil e não a sua posição e seu interesse pessoal”, defendeu.
Vem aí/ O PL planeja anunciar, até o final desta semana, o nome para disputar a vaga ao Senado pelo Rio de Janeiro. Interlocutores do partido contaram à coluna que o senador Carlos Portinho (PL-RJ, foto) será o escolhido. A manifestação de diversos prefeitos em prol de sua candidatura e o apoio inesperado do pastor Silas Malafaia deram força para Portinho na cúpula do partido. Valdemar e Flávio Bolsonaro farão o anúncio juntos.
Por falar em Valdemar…/ O presidente do PL recebeu uma demonstração de que sua palavra importa para deputados e senadores. Parlamentares compareceram em peso à reunião-almoço das Frentes Parlamentares Brasil Competitivo (FPBC), Tecnologia e Atividades Nucleares (FPN), Empreendedorismo (FPE) e a de Combate à Pirataria (FPI). A leitura de muitos foi a de que Valdemar recebeu um sinal de força num momento em que a legenda enfrenta uma crise entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro e, ainda, uma operação de busca e apreensão de armas na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 8 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Ao afirmar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) se tornará inimigo caso não envie a proposta de emenda constitucional do fim da escala 6×1 para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até semana que vem, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), causou um mal-estar entre governistas no Congresso Nacional. À coluna, parlamentares avaliam que esse tipo de afirmação mais prejudica do que ajuda. Enquanto o Senado trabalha para avançar com a PEC, declarações dessa ordem podem invalidar todo o esforço para tentar levar a proposta a votos. Senadores comentam reservadamente que é preciso “calma”: Afinal, o fim da 6×1 é a prioridade do governo na Casa para esse período pré-eleitoral. O momento não é propício para ataques, principalmente, ao presidente do Senado, alertam.
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Veja bem…/ A resposta de Alcolumbre às palavras de Uczai foram claras: “Ameaças e constrangimentos institucionais não aceleram a tramitação; apenas afrontam a independência dos Poderes”. Se o governo quiser a colaboração do presidente do Senado, melhor deixar seus líderes no modo “paz e amor” com Alcolumbre.
O que é ruim…
Ao se referir a escândalos de corrupção e ao Banco Master na audiência pública nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro deixou de fora a CPI da Covid, criada no governo Bolsonaro; e, no quesito Master, a fala do senador passou anos-luz do financiamento do filme sobre seu pai.
…a gente esconde
No Brasil, aliados do senador se mostraram preocupados. É que, se as tarifas não baixarem, melhor manter distância desse tema e voltar as baterias para o setor de segurança pública, a pauta em que o senador tem mais condições de surfar.
A aposta
Se tem alguém que pode ajudar a reverter as tarifas é o empresariado americano que compra produtos do Brasil. É a eles a quem Donald Trump estará mais sensível para atender. Aliás, é por aí que o governo brasileiro tem buscado as negociações desde o início do tarifaço, no ano passado. E com um certo sucesso.
Não agradou
Representantes dos auditores fiscais da Receita Federal consideram que o concurso autorizado nesta semana não contempla a necessidade de vagas a preencher urgentemente. De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), a Receita perdeu mais de 40% do seu efetivo desde 2014, e o edital oferece apenas 30 postos para auditores, muito aquém do necessário.
CURTIDAS

Sua hora vai chegar/ Com André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP-SP) embolados no Datafolha, atrás de Ricardo Salles (Novo), Marina Silva e Simone Tebet, o PL paulista acredita que, com o empenho do governador Tarcísio de Freitas (foto), a performance de Prado e de Derrite vai melhorar.
Nem tanto/ O problema de Prado e Derrite é que, com Ricardo Salles em terceiro, ficará difícil ignorar o deputado e ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, que tende a ser segundo voto de muita gente.
Quem decide/ O senador Izalci Lucas (PL-DF) avisa que se mantém candidato ao governo do Distrito Federal. À coluna, o senador afirmou que apenas o presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro têm legitimidade para definir as chapas majoritárias. E ressalta que nenhum dos dois disse o contrário. “Eu tenho mandato, sou senador, quem vai dizer que vou ficar sem mandato?”, questionou.
Apenas dois/ Com as ausências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a Confederação Nacional do Comércio (CNC) ouvirá os pré- candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) hoje. A CNC quer saber o que pensam os presidenciáveis sobre o setor produtivo e a economia nacional e quais suas propostas de governo.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 7 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Ao participar hoje de uma audiência no USTR (United States Trade Representative), a secretaria de Comércio do governo dos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) espera reverter a imagem de subserviência ao governo Donald Trump que marca a sua trajetória nesta fase da pré-campanha ao Planalto. Lá atrás, quando do primeiro tarifaço de Trump sobre os produtos brasileiros, Flávio chegou a declarar que as tarifas eram fruto “da atuação de Alexandre de Moraes” , e que só seriam revistas mediante “uma anistia ampla geral e irrestrita” . Num determinado momento, o senador chegou ainda a comparar o caso com as bombas que os EUA lançaram sobre o Japão na II Guerra Mundial. Há 11 meses, essas declarações marcaram Flávio e, especialmente, o irmão dele Eduardo Bolsonaro como os incentivadores das tarifas elevadas sobre produtos brasileiros. Lula surfou na onda, colocando na testa do pré-candidato do PL a tarja de jogador contra o Brasil. Essa imagem ainda não se desfez.
E o filme, hein?/ Flávio se movimenta ainda de forma a evitar que o tema do financiamento do filme sobre seu pai volte à baila. Porém, até agora não apresentou qualquer contrato a respeito da transação com Daniel Vorcaro. Tudo isso voltará à cena daqui a um mês, quando começa oficialmente a campanha. É esse tema que ele também alinhará esta semana com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A dificuldade dos vices
O PSD procurou um vice para Ronaldo Caiado fora das suas fileiras e não encontrou. O PL ainda não desistiu de buscar uma mulher para parceira de chapa de Flávio Bolsonaro. Quer uma vice do PP ou do Republicanos, que tem entre suas filiadas a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques. Ocorre que o PP e o Republicanos caminham para a neutralidade na campanha presidencial. O foco de ambos é a eleição proporcional.
A desconfiança delas
Muitos assuntos deverão ser tratados no Congresso Nacional apenas em novembro, quando a correlação de forças entre os partidos para o ano que vem estiver definida nas urnas. Isso inclui negociações acerca da próxima indicação para o Tribunal de Contas da União (TCU). A bancada feminina suspeita de que a direção da Câmara dos Deputados quebre a promessa de indicar uma mulher. À coluna, deputadas dizem que o acordo foi “lindo no discurso” , mas, na hora do “vamos ver” , os homens votam entre eles.
Um alívio para opositores de Ruas
A esquerda no Rio de Janeiro está feliz da vida com o exercício do desembargador Ricardo Couto de Castro como governador. Para os políticos desse campo, a atuação do presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) no governo estadual dificulta a eleição do apadrinhado de Cláudio Castro, deputado estadual Douglas Ruas (PL), em outubro.
Dois coelhos…
… numa cajadada só. Na visão dos esquerdistas, a atuação do desembargador contra o esquema de cargos fantasmas enfraquece a campanha de Ruas e ainda corta dinheiro para sua eleição. O deputado foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), mas o STF ainda não definiu como será realizado o mandato tampão no RJ.
CURTIDAS

Libera aí!/ Tem gente torcendo para que a Polícia Federal ou o Supremo Tribunal Federal (STF) solte mais alguma informação sobre o Caso Master. De preferência, contra seus adversários. Alguns políticos confessaram à coluna que estão torcendo por novos desdobramentos antes das convenções partidárias.
Fica, Michelle!/ Não é só o PL do Distrito Federal que deseja ver a ex-primeira-dama disputar o Senado. Parlamentares aliadas de legendas de centro farão de tudo para evitar a desistência de Michelle para o pleito. A ex-primeira-dama (foto) é considerada a maior puxadora de votos na direita e seria essencial para eleger candidatas pelo Brasil com o seu apoio.
Por falar em Michelle…/ Em conversas reservadas, integrantes afirmam que o partido realmente não tem intenção de lançar o senador Izalci Lucas (PL-DF) para o governo do DF. Pior, alguns afirmam que a intenção é deixá-lo sem mandato. Contudo, caso Michelle realmente desista da disputa, Lucas tem uma chance de conseguir alguma vaga para concorrer a um mandato eletivo.
E a Copa, hein?/ Há 3 anos, o presidente Lula tinha dúvidas do sucesso de Carlo Ancelotti como técnico da Seleção Brasileira: “Nunca foi técnico da Itália (…) por que ele não resolve o problema da Itália, que nem foi disputar a Copa do Mundo?” . É, pois é. Agora, é torcer pela Seleção feminina, em 2027, aqui no Brasil.
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 5 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro protagonizou o fato político mais importante da semana ao denunciar a truculência masculina nas decisões do partido ao qual pertence. A insatisfação foi de tal monta que há dúvidas até sobre a intenção da ex-presidente do PL Mulher de disputar uma eleição bastante favorável para o Senado pelo Distrito Federal.
Michelle denunciou seguidos ataques e humilhações pela ala machista da política. O desabafo provocou dois movimentos opostos. De um lado, atiçou novas ações misóginas, como a grotesca declaração de que “mulher vota mal” e mais ataques à senadora Damares Alves. Por outro lado, despertou uma mensagem suprapartidária em defesa do papel da mulher na política.
Além da própria Damares, que exortou as mulheres a ingressarem na política, outras personalidades manifestaram repúdio ao machismo e movimentos congêneres, como “red pill”, que disseminam o ódio ao gênero feminino. Simone Tebet, Celina Leão, Marina Silva, Eliziane Gama deixaram claro que, acima das diferenças ideológicas, há uma bandeira em comum: o respeito e a valorização das mulheres na política.
“Podemos ter divergências políticas, mas quando uma mulher é atacada na sua dignidade e na sua capacidade, todas nós somos atacadas”, disse Eliziane Gama (PT), em solidariedade a Damares Alves.
Legionária
Uma das personalidades brasileiras mais conhecidas do mundo, a ex-ministra do meio ambiente Marina Silva recebeu a insígnia de Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra, a mais alta honraria concedida pela França. Em agradecimento, Marina disse que não acolhe a homenagem como uma conquista individual, mas como uma celebração à retomada de políticas ambientais a partir do terceiro mandato do governo Lula.
Dobradinha
Inspirado na série Os Intocáveis, de Romeu Zema, o senador Eduardo Girão lançou o vídeo Os Invotáveis a fim de turbinar a pré-campanha no Ceará. Com ataques a Lula e a Ciro Gomes, o pré-candidato a governador se junta ao colega de partido e presidenciável pelo partido Novo para reforçar o palanque da direita. “Sabe quem é votável? Quem é de direita e não tem medo de afirmar: se a esquerda está de um lado, eu estou do outro.”
Arsenal
A lista de armas vinculadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro inclui seis pistolas, duas carabinas e duas espingardas. Todas deverão ser recolhidas por ordem do ministro Alexandre de Moraes, que manteve a prisão domiciliar do condenado. Moraes também revogou o Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) do ex-chefe do Planalto.
PT e bets
Um levantamento divulgado pelo Partido dos Trabalhadores indica que os integrantes da legenda na Câmara dos Deputados apresentaram 28 projetos de lei para disciplinar as bets no Brasil. Entre outras medidas, as propostas defendem proibição da publicidade em unidades de ensino e de saúde, restrição do acesso de beneficiários de programas sociais a plataformas e programas de proteção a crianças, adolescentes e idosos.
Vício é caro
Um dos temas preocupantes em relação às bets é o custo no tratamento de pessoas que se tornaram dependentes da jogatina. Segundo o diretor do Departamento de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Marcelo Dias, a arrecadação proveniente das apostas é muito inferior ao custo das ações do governo federal para viciados em jogos.
Na ponta do lápis
“O que se prevê de carga tributária, dentro do desenho que existe hoje, para o Ministério da Saúde foi, no ano passado, de R$ 34 milhões, e, este ano, R$ 56 milhões. Só as ofertas que nós fazemos relacionadas a pessoas com problemas com jogos e apostas seguramente vão ultrapassar R$ 70 milhões, R$ 80 milhões ao longo deste ano, junto com as outras ações que estão sendo realizadas”, afirma Dias.
Brasil raro
Lançado na semana passada, um trabalho produzido pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) conclui que o Brasil reúne condições para exercer um papel relevante no mercado global de terras raras. Para tanto, é preciso criar uma estrutura industrial que vá além da extração e aprimore as etapas de refino e metalurgia. Ao apresentar um road map sobre as potencialidades do Brasil com as terras raras, o levantamento tem como foco um projeto a longo prazo.
Mapa da mina
Na avaliação de Anderson Gomes, diretor-presidente do CGEE, o documento Terras Raras no Brasil: Estado da Arte, Cenários e um Mapa do Caminho Estratégico para 2026–2040 representa “um esforço coletivo de reflexão sobre os caminhos possíveis para que o Brasil transforme seu potencial geológico em capacidades produtivas, tecnológicas e inovadoras compatíveis com os desafios e oportunidades das próximas décadas”.
Oportunidade amazônica
Segundo a pesquisa, as terras raras ocupam posição central nas discussões sobre transição energética, transformação digital, segurança econômica, resiliência das cadeias de suprimento, defesa, mobilidade elétrica e tecnologias avançadas. E afirma que a Amazônia, por suas características naturais, tem um papel estratégico para inserir o Brasil nesse contexto econômico.
Riqueza nacional
Mais do que um país privilegiado com reservas naturais de terras raras, o Brasil tem potencial para adicionar valor agregado a esse nicho da mineração. “A verdadeira riqueza não está apenas no que existe no subsolo. Ela está na nossa capacidade de transformar esses recursos em conhecimento, tecnologia, inovação, produtos de alto valor agregado e desenvolvimento para a sociedade brasileira”, disse a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, no lançamento do estudo.
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 4 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Em Montevidéu, onde participou de um encontro jurídico internacional, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, voltou a abordar um tema que se tornou central nos últimos anos: as ameaças contemporâneas à democracia. Se antes conspirações militares e insurreições golpeavam os regimes democráticos, os perigos atuais ocorrem dentro do próprio regime, ou, como se dizia no Brasil em 2022, “dentro das quatro linhas da Constituição”.
Para Fachin, há um “constitucionalismo abusivo” a corroer as bases do ordenamento democrático. Essa erosão ocorre por meio de reformas legislativas, manipulação de instituições de controle e concentração progressiva de poder. Na realidade brasileira, esses desvios e distorções promoveram, ao longo dos anos, como uma hipertrofia do Parlamento no controle orçamentário, críticas crescentes a decisões judiciais e ao sistema de Justiça, tensionamento institucional entre os Poderes da República.
Há outros fatores de risco, como a disseminação do discurso do ódio nas redes sociais, a infiltração do crime organizado na política e na economia e as conexões internacionais do extremismo. Como guardião do ordenamento constitucional, o Judiciário é o Poder mais pressionado pela recessão democrática.
Lista de convocados
A Polícia Federal estuda quebrar os sigilos bancários e financeiros dos 20 nomes presentes na lista encontrada durante investigação contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. O documento foi encontrado na 5ª fase da Operação Unha e Carne, realizada na última quinta-feira. Iniciada em 2021, a investigação apura uma suspeita de lavagem de dinheiro da cúpula do jogo do bicho, além de conexões com parlamentares dos Poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
Custo Europa
O bloqueio sanitário à carne brasileira anunciado pela União Europeia acendeu um alerta para governo e agronegócio nacional. O medo é que haja um repique inflacionário nos preços das carnes, principalmente na de frango, a mais consumida no país. Internamente no setor, a avaliação é que as restrições devem elevar o custo da produção e isso será refletido no preço para o consumidor.
Melhor se preparar
Cálculos que circulam entre técnicos do governo e de representantes do setor, indicam que o impacto sobre a cadeia do frango pode chegar a R$ 0,15 por kg, totalizando R$ 2 bilhões repassados aos consumidores brasileiros.
E Bolsonaro, hein?
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro comemoraram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em manter a prisão domiciliar. Interlocutores próximos ao ex-presidente afirmam à coluna que ele e a esposa, Michelle Bolsonaro, cumpriram tudo o que foi exigido e prometido a Moraes. Muitos afirmam que Michelle está praticamente presa com Bolsonaro, e por isso não haveria motivos para o ministro negar o pedido da defesa.
Michelle curtiu
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) parabenizou, ontem, a comunidade surda após o governo Lula anunciar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos. Na postagem, Michelle avaliou que a medida lançada pelo MEC é “um sonho realizado” e que a educação bilíngue de surdos trouxe mais autonomia e protagonismo para a comunidade surda. “Seguimos trabalhando por um Brasil mais acessível e com oportunidades para todos”, escreveu a madrasta do principal rival de Lula na corrida presidencial.
Fome de poder
Partidos de centro têm manifestado incômodo com a postura do PL de querer todas as vagas majoritárias em chapas estaduais e nacionais. À coluna, interlocutores demonstraram insatisfação com a fome de protagonismo da legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em alguns estados, como no Distrito Federal, o PL tem forçado negociações e quebra de acordos previamente realizados. “Não dá para ter tudo”, dizem políticos em conversas reservadas.

A vez de Zema
Mais um pré-candidato à Presidência será ouvido por parlamentares, lideranças empresariais e representantes do setor produtivo em Brasília. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo, foto) é o convidado desta semana na Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios (FPN) e no Instituto Unidos Brasil (IUB). A reunião-almoço será no próximo dia 8, a partir das 13h.
TCU e El Niño
Na próxima semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) realizará o painel Impactos do El Niño e preparação do Estado para eventos climáticos extremos. O encontro reunirá especialistas e órgãos governamentais para confrontar, com base em cenários prováveis, riscos concretos para a população, a agricultura e a infraestrutura.
Governança ambiental
A Corte pretende analisar como a governança avalia riscos diante de eventos climáticos extremos. O ministro Augusto Nardes será o coordenador do debate na sede do TCU. O evento é terça-feira, das 14h às 17h30, com transmissão pelo YouTube.
Colaboraram Renato Souza e Luíza Altoé
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 3 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

A tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, às vésperas de um novo tarifaço imposto por Washington, reacendeu a polarização entre os dois principais pré-candidatos à Presidência. Mais do que reforçar o discurso em defesa da soberania brasileira, o presidente Lula elevou novamente o tom, ao chamar o clã Bolsonaro e aliados de “traidores da pátria”. A proposta de Flávio Bolsonaro de adiar o tarifaço a fim de evitar uma “vitória política” de Lula inflamou a disputa eleitoral, a três meses do voto brasileiro nas urnas eletrônicas.
Episódios anteriores indicam que a estratégia bolsonarista de incitar o governo norte-americano contra a economia brasileira favorece o pré-candidato petista. Com essa proposta apresentada por Flávio Bolsonaro aos EUA, Lula ganha mais pontos para convencer o eleitorado de que está ao lado do Brasil. Deixará cada vez mais explícita a distinção entre quem atua em favor dos interesses do nosso país e quem articula por uma interferência externa na eleição brasileira e na economia nacional.
A carta de Flávio se soma a outros movimentos que repercutiram mal no eleitorado brasileiro: a oferta de uma equipe de transição para dialogar como governo norte-americano e o trabalho incessante de outros bolsonaristas em favor de punições à economia e a autoridades brasileiras. Em meio a uma crise partidária e às suspeitas no escândalo Master, o 01 se complica cada vez mais.
Debate no Recife
A quinta edição do Seminários Facto será realizada hoje, às 14h30, no Beach Class Convention By Mai, no Recife. O evento reunirá jornalistas, economistas e lideranças políticas para debater cenários eleitorais, jornalismo investigativo e as tendências de mercado para o segundo semestre. A diretora de Redação do Correio Braziliense, Ana Dubeux, participará do painel Política e Jornalismo, que discutirá os bastidores da cobertura das eleições e os desafios do jornalismo investigativo em meio a uma campanha eleitoral.
Cartas aos fiéis
Em menos de 30 dias, o Partido dos Trabalhadores divulgou cartas específicas para católicos e evangélicos. Sem tratar da pauta de costumes ou de temas polêmicos como aborto, os documentos abordam a liberdade religiosa e comprometimento do governo Lula com as ações sociais. Em ambos, defendem a reeleição do presidente.
Resultados opostos
Segundo pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada no início da semana, Lula e Flávio têm resultados pendulares na preferência dos eleitores, considerando a fé religiosa. O presidente seria escolhido por 53% dos católicos, enquanto 38% votariam no senador bolsonarista. Entre os evangélicos, ocorre o oposto: Flávio Bolsonaro marca 60% das intenções de voto, e Lula fica com 32%.
Very good
Um mês depois de lançar a MEC Idiomas, plataforma digital para ensino gratuito de inglês e espanhol, a iniciativa conta com mais de 560 mil inscritos. O ministério registrou 426,3 mil matrículas em cursos de inglês, e 137,7 mil em espanhol. O portal e o aplicativo são gratuitos e buscam democratizar o acesso ao ensino de línguas estrangeiras no país. Estimativas indicam que menos de 10% da população brasileira domina a língua inglesa.
Encontro marcado
Em meio à confusão entre Michelle e Flávio Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, é o convidado da semana no almoço da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo (FPBC), em parceria com as Frentes Parlamentares de Tecnologia e Atividades Nucleares (FPN), do Empreendedorismo (FPE) e em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria(FPI). As frentes já receberam os presidentes do PT, Edinho Silva, e do PSD, Gilberto Kassab.
Economia e Michelle
O tema do debate é “Compromissos para um Brasil Competitivo”, com o intuito de discutir economia, fortalecimento da competitividade, inovação, segurança jurídica e prioridades para o futuro do país. Contudo, não há dúvida de que a crise no PL será um dos temas das conversas de bastidores.
Cartão vermelho
Começou no mês passado a campanha “Desafio Contra Bets”, promovido pelo Projeto Brief. A iniciativa tem o objetivo de mobilizar influenciadores de todo o país a expor os impactos sociais e econômicos das bets durante a Copa do Mundo Fifa. A ação distribuirá R$ 100 mil em prêmios para as melhores produções, dividido em quatro categorias: “Furou a Rede”; “Tirou de Letra”; “IA em Campo”; e “Craque da Copa”.
Sequestro
Para Carol Luck, antropóloga e coordenadora do Projeto Brief, a ação é uma forma de ocupar um terreno hoje dominado pela publicidade das bets: “As bets sequestraram uma paixão nacional. É preciso alertar sobre os impactos negativos dessa indústria nociva, que está sendo vendida como entretenimento, e até investimento, quando na realidade é responsável pelo endividamento e pela ruína de milhões de famílias brasileiras”, argumenta.








