Categoria: 6×1
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 26 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A decisão do senador Omar Aziz (PSD-AM) de apresentar seu parecer sobre o fim da escala 6 x 1 sem alterações levará os congressistas a se posicionarem sobre a proposta, expondo aqueles que são contra. Mesmo que a votação fique para depois das eleições, a avaliação geral é de que ninguém poderá se esconder sobre esse tema nesses 38 dias que antecedem o pleito. E dará discurso para o horário eleitoral gratuito, a partir da semana que vem.
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Narrativas em construção/ A ideia é deixar subentendido que, quem estiver contra a proposta agora, não aprovará projetos de interesse dos trabalhadores no futuro. Se a estratégia vai funcionar, ainda não se sabe. Afinal, são 38 dias em que, dizem os especialistas em pesquisas, nenhum candidato está livre de ser atropelado por fatores que podem jogar por terra qualquer plano de conquista de votos. Com o filme Dark Horse ainda fustigando Flavio Bolsonaro e o filho do presidente Lula, o Lulinha, deixando o pai na defensiva, os líderes das pesquisas não terão céu de brigadeiro até 4 de outubro.
Outra polêmica
Paralelamente à escala 6 x 1, estará em discussão a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública. O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), vai manter o texto aprovado pela Câmara dos Deputados a fim de acelerar a tramitação. Ele tentará votar a PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima semana, de forma a buscar a apreciação no Plenário ainda na semana que vem.
Renovação de promessa
A criação do Ministério da Segurança Pública, promessa do governo Lula que ainda não foi cumprida, está condicionada à aprovação da PEC relatada por Rogério Carvalho. Aliados avaliam que a votação seria positiva para a campanha do presidente e reforçaria o discurso de combate ao crime organizado no período eleitoral.
E em São Paulo…
…nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada ontem, mostra empate entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno da eleição, ambos com 30%. Na pesquisa realizada no fim de julho, o filho 01 de Jair Bolsonaro apresentou 34% na capital paulista, enquanto o petista, 30%. O resultado é comemorado pela campanha do presidente, uma vez que São Paulo é o maior colégio eleitoral do Brasil e, muitas vezes, um laboratório sobre o que ocorre no restante do país.
Na incerteza…
…não ultrapasse. Nem o candidato a governador de Alagoas pelo PSDB, João Henrique Caldas, o JHC, nem o candidato ao Senado, Arthur Lira (PP-AL), compareceram ao evento de Flávio Bolsonaro em Maceió. Sinal de que nenhum dos dois alagoanos, opositores do senador Renan Calheiros (MDB), deseja brigar com Lula ou apostar todas as fichas num candidato que é dúvida entre os nordestinos.
CURTIDAS
Vai ser assim/ Onde for bom para o candidato a governador, a campanha presidencial será colada. Onde não for positivo para quem concorre a um governo estadual, cada político fará sua campanha e o presidenciável que se vire. Independentemente de partido.
Lula, Mourão e o diálogo/ Na solenidade do Dia do Soldado, o presidente aproveitou para conversar com o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS, foto). O presidente pediu e obteve um sinal positivo do ex-vice-presidente do governo Bolsonaro para um voto favorável à proposta que trata da exploração de minerais críticos. Mourão não vota em Lula, mas não negou um cumprimento ao comandante em chefe das Forças Armadas. Na democracia é assim que se faz.
Nem na Lava-Jato/ A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, oficializou representações, externando a preocupação com vazamentos que considera “seletivos”, a respeito da investigação do primogênito de Lula. O advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, afirmou que nunca viu algo parecido. “Não tem precedentes, nem na história da finada Operação Lava-Jato. Precisamos tirar o rosto do processo. Se acontece algo assim com o filho do presidente, quem dirá o que pode ocorrer com outro cidadão qualquer”, critica. As representações foram enviadas ao Ministério da Justiça, à Polícia Federal e aos ministros Flávio Dino e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Na cobrança/ A defesa de Lulinha permanece pressionando as autoridades competentes sobre a apuração dos inquéritos instaurados para apurar os vazamentos do caso. As informações que têm sido divulgadas preocupam não só os advogados de Fábio, como o entorno da campanha de Lula — ainda mais às vésperas do início do horário eleitoral no rádio e televisão.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Ao anunciar apoio à urgência para tramitação de propostas de interesse do governo Lula, o MDB dá um passo no sentido de reforçar um alinhamento ao presidente da República e, de quebra, se apresentar, num ano eleitoral, como defensor de projetos que têm o apoio da classe trabalhadora — caso do fim da escala de trabalho 6×1 (seis dias trabalhados para um de folga). O movimento do partido reforça o respaldo de uma maioria dos senadores do partido a Luiz Inácio Lula da Silva. Se levada em conta a foto de Michel Temer e José Sarney ao lado de Ronaldo Caiado (PSD), está claro que Flávio Bolsonaro (PL) terá pouco espaço entre os caciques do partido e conta apenas com o apoio do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que se reelegeu com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
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A hora do primeiro teste/ O gesto do MDB dá ainda um discurso para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), coloque as propostas em votação. Depois da conversa dele com Lula, espera-se a retomada da normalidade entre os dois Poderes. A ideia é aproveitar o próximo esforço concentrado, na semana de 31 de agosto a 4 de setembro, para tentar votar parte das matérias ainda no período eleitoral.
Rumo a 2027
A aproximação entre Lula e Alcolumbre vai muito além da votação das propostas. Estão sobre a mesa para conversas futuras dois assuntos pendentes: o primeiro é a escolha do futuro ministro do Supremo Tribunal Federal — leia-se o advogado da União, Jorge Messias —, já rejeitado pelos senadores com a ajuda do presidente do Senado; o segundo é a escolha do futuro presidente do Congresso. Conforme o leitor da coluna já sabe, Alcolumbre é candidato a mais dois anos no comando do Legislativo e precisará de apoio dos governistas.
Brasil 2025 x Brasil 2026
Parlamentares governistas ligados à diplomacia afirmam que o novo tarifaço de Donald Trump tem menos impacto agora do que em 2025. E isso deve à atitude do governo em abrir novos mercados. Dados do governo demonstram que a balança comercial brasileira registrou, até a primeira semana de agosto, um superavit de US$ 51,56 bilhões, aumento de 32,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Amorim e o teste
A ida do assessor internacional da Presidência da República, Celso Amorim, ao Congresso, esta semana, foi aprovada pelos partidos aliados do Planalto. Em suas respostas sobre o crime organizado no país, ele reforçou o discurso da soberania e foi incisivo ao dizer que cabe às forças brasileiras combater as facções criminosas. Para completar, disse ter vergonha da “servilidade” aos estrangeiros, sejam americanos, russos ou chineses.
Renegociação volta à mesa
O presidente da Comissão Mista da medida provisória da renegociação de dívidas dos produtores rurais, senador Renan Calheiros (MDB-AL), vai se reunir com o relator, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), para negociar o texto. Calheiros defende que a MP editada pelo Ministério da Fazenda deixou de fora o pessoal do Norte e do Nordeste, e isso fere a isonomia. Aliados de Renan afirmam que o senador teme um alinhamento de Pimenta à Fazenda. Por isso, vai buscar o relator a fim de garantir o benefício aos produtores nortistas e nordestinos.
CURTIDAS
Cai o “tenente coronel”/ O bolsonarista Luciano Zucco (PL-RS) se elegeu para a Câmara dos Deputados, em 2022, pelo Republicanos com o nome “tenente-coronel Zucco”. Agora, na disputa para o governo do Rio Grande do Sul, o deputado se apresenta apenas como “Zucco”. Na Câmara, muita gente comenta que se trata de uma estratégia para ampliar a votação do candidato.
E Alagoas, hein?/ A campanha de Renan Filho ao governo do estado só definirá o nome do candidato a vice-governador quando o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (o JHC), resolver se concorrerá ao governo, ao Senado ou ficará fora da disputa. No entorno de Renan, há quem duvide que JHC concorra ao governo, uma vez que o senador emedebista tem 95 das 102 prefeituras alagoanas alinhadas à sua candidatura.
Se for, vai sozinho/ Membros da cúpula do PL afirmam que não desistirão da candidatura de Flávio Roscoe em Minas Gerais para apoiar a candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). Interlocutores relembram que o partido esperou até o último momento, mas a indecisão do senador não poderia prejudicar os planos do PL no estado.
A hora delas/ Na semana em que se comemora o Dia do Advogado (11 de agosto), as mulheres advogadas especializadas no setor de energia promoveram o I Encontro da Comissão Especial da OAB voltada a esse tema: “Queremos cada vez mais consolidar o espaço das mulheres advogadas no setor elétrico, um dos tantos ambientes de decisão historicamente masculinos. É fundamental estabelecermos esse diálogo em um segmento com tanto impacto na sociedade”, diz Fernanda de Paula (ao centro na foto), idealizadora do evento.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 9 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O comando nacional do MDB não foi sequer informado de que o ex-governador Ibaneis Rocha desistira da candidatura ao Senado. Nem sequer um telefonema, mesmo depois de o presidente do partido, deputado Baleia Rossi, ter reunido a Executiva Nacional para anunciar que fecharia questão em prol da inclusão de Ibaneis na chapa da governadora Celina Leão como candidato a um mandato de senador. Porém, não tem briga, nem mágoas nessa relação. O que o MDB deseja mesmo é ampliar o número de deputados federais e, neste quesito, a avaliação é a de que Ibaneis pode ajudar.
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Às contas/ A expectativa dos emedebistas hoje é eleger um deputado federal e, se tiver sorte, obter metade dos votos para conquistar uma segunda vaga. Se Ibaneis topar ser candidato a deputado, acreditam integrantes da Executiva Nacional, esta segunda vaga estaria garantida.
Ajude a Teresa
A primeira missão de Camilo Santana como líder do PT no Senado será dar assistência à nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão. Recém-chegada ao cargo, ela está “vendida” nas negociações. Esta semana, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adiou a votação do Profértil, aprovado na Câmara após acordo com o governo, porque ela disse não ter sido informada desse acordo — o que ela sabia é que o governo era contrário à matéria.
Ficou ruim
Alcolumbre manteve a urgência do projeto, mas retirou da pauta em consideração à líder. Porém, o presidente da Casa chegou a usar a expressão “caiu de paraquedas” para se referir à forma como Teresa vem agindo na liderança do governo na Casa.
“É agora ou nunca”
É assim que os senadores têm se referido à outra missão de Camilo Santana como líder do PT: promover um encontro entre Alcolumbre e o presidente Lula. Se conseguir, passa no teste de tarimbado para o diálogo. A conversa é crucial para destravar as pautas no Senado, como fim da escala 6×1, terras raras e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da segurança pública.
Só ele
Quem estiver em busca da pacificação entre Michelle Bolsonaro e o enteado pré- candidato ao Planalto deve pedir primeiro uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar. É o único que os dois escutam.
CURTIDAS
Jaques Master/ Eleitores petistas na Bahia não superaram a polêmica envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Durante a Procissão Cívica do 2 de Julho — que celebra a Independência da Bahia, marco da expulsão das tropas portuguesas em 1823 — os eleitores ovacionaram Jerônimo Rodrigues. Mas quando Wagner apareceu, muitos vaiaram e até mostram uma faixa com os seguintes dizeres: “Jaques Master”.
Bater em todos/ Os pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) marcaram presença em debate sobre economia promovido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Caiado voltou a criticar Flávio Bolsonaro pelo tarifaço. “Precisamos ter um governante que pense e defenda o Brasil e não a sua posição e seu interesse pessoal”, defendeu.
Vem aí/ O PL planeja anunciar, até o final desta semana, o nome para disputar a vaga ao Senado pelo Rio de Janeiro. Interlocutores do partido contaram à coluna que o senador Carlos Portinho (PL-RJ, foto) será o escolhido. A manifestação de diversos prefeitos em prol de sua candidatura e o apoio inesperado do pastor Silas Malafaia deram força para Portinho na cúpula do partido. Valdemar e Flávio Bolsonaro farão o anúncio juntos.
Por falar em Valdemar…/ O presidente do PL recebeu uma demonstração de que sua palavra importa para deputados e senadores. Parlamentares compareceram em peso à reunião-almoço das Frentes Parlamentares Brasil Competitivo (FPBC), Tecnologia e Atividades Nucleares (FPN), Empreendedorismo (FPE) e a de Combate à Pirataria (FPI). A leitura de muitos foi a de que Valdemar recebeu um sinal de força num momento em que a legenda enfrenta uma crise entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro e, ainda, uma operação de busca e apreensão de armas na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 8 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Ao afirmar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) se tornará inimigo caso não envie a proposta de emenda constitucional do fim da escala 6×1 para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até semana que vem, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), causou um mal-estar entre governistas no Congresso Nacional. À coluna, parlamentares avaliam que esse tipo de afirmação mais prejudica do que ajuda. Enquanto o Senado trabalha para avançar com a PEC, declarações dessa ordem podem invalidar todo o esforço para tentar levar a proposta a votos. Senadores comentam reservadamente que é preciso “calma”: Afinal, o fim da 6×1 é a prioridade do governo na Casa para esse período pré-eleitoral. O momento não é propício para ataques, principalmente, ao presidente do Senado, alertam.
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Veja bem…/ A resposta de Alcolumbre às palavras de Uczai foram claras: “Ameaças e constrangimentos institucionais não aceleram a tramitação; apenas afrontam a independência dos Poderes”. Se o governo quiser a colaboração do presidente do Senado, melhor deixar seus líderes no modo “paz e amor” com Alcolumbre.
O que é ruim…
Ao se referir a escândalos de corrupção e ao Banco Master na audiência pública nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro deixou de fora a CPI da Covid, criada no governo Bolsonaro; e, no quesito Master, a fala do senador passou anos-luz do financiamento do filme sobre seu pai.
…a gente esconde
No Brasil, aliados do senador se mostraram preocupados. É que, se as tarifas não baixarem, melhor manter distância desse tema e voltar as baterias para o setor de segurança pública, a pauta em que o senador tem mais condições de surfar.
A aposta
Se tem alguém que pode ajudar a reverter as tarifas é o empresariado americano que compra produtos do Brasil. É a eles a quem Donald Trump estará mais sensível para atender. Aliás, é por aí que o governo brasileiro tem buscado as negociações desde o início do tarifaço, no ano passado. E com um certo sucesso.
Não agradou
Representantes dos auditores fiscais da Receita Federal consideram que o concurso autorizado nesta semana não contempla a necessidade de vagas a preencher urgentemente. De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), a Receita perdeu mais de 40% do seu efetivo desde 2014, e o edital oferece apenas 30 postos para auditores, muito aquém do necessário.
CURTIDAS

Sua hora vai chegar/ Com André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP-SP) embolados no Datafolha, atrás de Ricardo Salles (Novo), Marina Silva e Simone Tebet, o PL paulista acredita que, com o empenho do governador Tarcísio de Freitas (foto), a performance de Prado e de Derrite vai melhorar.
Nem tanto/ O problema de Prado e Derrite é que, com Ricardo Salles em terceiro, ficará difícil ignorar o deputado e ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, que tende a ser segundo voto de muita gente.
Quem decide/ O senador Izalci Lucas (PL-DF) avisa que se mantém candidato ao governo do Distrito Federal. À coluna, o senador afirmou que apenas o presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro têm legitimidade para definir as chapas majoritárias. E ressalta que nenhum dos dois disse o contrário. “Eu tenho mandato, sou senador, quem vai dizer que vou ficar sem mandato?”, questionou.
Apenas dois/ Com as ausências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a Confederação Nacional do Comércio (CNC) ouvirá os pré- candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) hoje. A CNC quer saber o que pensam os presidenciáveis sobre o setor produtivo e a economia nacional e quais suas propostas de governo.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 30 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito
Em mais um movimento para angariar apoio estrangeiro à pré-candidatura ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçou os laços com o ultraliberal chefe da Casa Rosada, Javier Milei. Para demonstrar que está fechado com o 01, o homem da motosserra disse ter certeza de que a “onda azul” está a caminho do Brasil, tal e qual ocorreu no país vizinho. A ver.
Logo após a visita a Buenos Aires, Flávio pretende ir aos Estados Unidos, onde participará da audiência pública para tratar da nova onda de tarifaço em gestação pelo governo Trump. Diferentemente da aproximação argentina, claramente ideológica, o contato com Washington tem a gravidade de implicar sanções econômicas para o Brasil — injustificadas, como já exaustivamente ressaltado por Brasília.
No momento em que a América Latina se inclina para a direita, com vitórias eleitorais em diversos países, Flávio aposta no discurso anti-esquerda. Ainda não se viu, entretanto, o efeito dessas articulações na corrida eleitoral. A agenda internacional, no caso do bolsonarista, tem servido para desviar a atenção do eleitorado a problemas como o caso Dark Horse ou a contenda em praça pública com Michelle Bolsonaro.
Encontro marcado
A reunião de hoje entre Valdemar Costa Neto e Michelle Bolsonaro será um teste para a vontade de Flávio Bolsonaro de tornar o imbróglio com a ex-primeira-dama uma “página virada”. Até aqui, a bronca da ex-primeira-dama não mudou a realidade — os acordos regionais como no Ceará continuam, bem como a relação conflituosa com os filhos do ex-presidente.
Incomodado
Mais do que superar diferenças de relacionamento, o maior desafio no momento é encontrar uma solução que viabilize o apoio político de Michelle às pretensões de Flávio em outubro. Com uma candidatura ao Senado encaminhada no Distrito Federal, a presidente do PL Mulher não dá sinais de que pretende recuar nas suas queixas. Incomodado com as acusações de que humilhou a madrasta, o senador tem buscado mostrar, desde a semana passada, o quanto valoriza as mulheres.
Bolsonarismo bruto
Enquanto Flávio tenta manifestar apreço pelas mulheres, aliados próximos explicitam o bolsonarismo raiz. O blogueiro Paulo Figueiredo, que forma dupla com Eduardo Bolsonaro nas tratativas com o governo norte-americano, não contemporizou. “Mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras. As casadas costumam acompanhar o marido”, disse. Sobre Michelle, afirmou que ela prejudica a imagem de Amélia quando resolve falar.
Ganha-ganha
Se Brasil e Japão tiveram de decidir quem continuaria na Copa do Mundo, os países devem caminhar cada vez mais juntos no comércio bilateral. A Cúpula do Mercosul em Assunção será a ocasião para anunciar o início das negociações entre o bloco econômico e o país integrante do G7, clube das economias mais ricas do mundo.
Interesses comuns
Na avaliação de especialistas, há uma complementariedade importante na relação entre Brasil e Japão. Produção agrícola, minerais críticos e energia são alguns ativos importantes da plataforma exportadora nacional. Em contrapartida, investimentos e tecnologia representam oportunidades para a economia brasileira.

Fim do home office
Após uma semana esvaziada, o Congresso retorna ao trabalho no modo turbinado. Câmara e Senado devem analisar o projeto de lei que aumenta o teto do microempreendedor individual (MEI), que foi enviado ontem pelo Planalto. Já no Senado, os governistas têm a expectativa de que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhe a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da 6 x 1, aprovada na Câmara, para a Comissão de Constituição e Justiça.
Política em campo
Os bolsonaristas não perderam tempo. Minutos após o fim do jogo em que o Brasil venceu o Japão por 2 x 1, aliados de Flávio Bolsonaro compartilharam uma foto com o jogador Martinelli, que usa a camisa número 22. A foto ainda tinha escrito: “O 22 salvou o Brasil e pode salvar de novo”.
Diário japonês
O Ministério do Desenvolvimento Agrário, por sua vez, tirou uma onda com o técnico da seleção japonesa, Hajime Moriyasu. Em um post nas redes sociais, a pasta indagou quais seriam as anotações, feitas à mão, em um bloco de notas à beira do campo. E vieram os memes: “Cancelar o miojo e encher o prato com arroz e feijão”, “Confirmar se o café brasileiro dá bônus de energia”, “Trocar isotônico por açaí”, em uma ação em favor da alimentação saudável.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 25 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito
A saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado mostrou como as necessidades da política se impõem sobre relações pessoais ou até mesmo princípios relevantes, como a presunção da inocência. Em um episódio marcado pelo silêncio do Palácio do Planalto, o senador saiu de cena para preservar o candidato à reeleição de desgastes na campanha eleitoral.
Duramente atingido por dois mega-escândalos — o mensalão e o petrolão — o presidente Lula não quis correr riscos. Afastou qualquer suspeita de proximidade com a teia perigosa de Daniel Vorcaro que enredou Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e gente próxima a Davi Alcolumbre e outros notáveis da República.
Com o afastamento de Wagner, encerra-se mais um capítulo da malfadada articulação política do Planalto. O substituto do senador na liderança do governo terá a missão de encontrar caminhos no campo minado controlado por Davi Alcolumbre. A rejeição ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal foi uma das derrotas mais amargas sofridas pelo governo — e erro crasso do senador baiano. Nada indica que o cenário mudará no segundo semestre.
Fogo amigo
Na permanente rivalidade interna petista, prevaleceu a corrente que via a permanência de Jaques Wagner em cargo de tamanha visibilidade um enorme risco político. De nada adiantou a narrativa de que a saída do senador sinalizaria uma confissão de culpa. Tampouco se manteve de pé a justificativa apresentada pelo senador de que a compra de um imóvel em Salvador com o ex-sócio do banco Master foi um negócio entre amigos.
Palavras vãs
Particularmente em tempos de eleição, é curioso notar como a palavra de político pode ser vã. Na quinta-feira, dia da operação da PF que revelou o envolvimento de Wagner no escândalo Master, o senador disse em entrevista: “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje e acho, sinceramente, muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim”.
Repeteco
Para resistir em meio à tempestade, Wagner se apoia no passado. Lembra que foi alvo de busca e apreensão em 2018. E eleito senador mais votado pela Bahia. À época, o parlamentar era suspeito de irregularidades na gestão do estádio Fonte Nova. O caso foi arquivado no ano passado.
Mais e melhor
O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou um conjunto de deliberações para aprimorar o programa Agora Tem Especialistas, promovido pelo Ministério da Saúde. O plenário do TCU determinou que a pasta construa, em 120 dias, uma rotina de monitoramento sobre a execução financeira do programa, bem como a gestão de dados sobre as cirurgias realizadas. O voto do relator, ministro Bruno Dantas, identificou desigualdades regionais e inconsistências nas diversas etapas do programa.
Ela vem aí
A esposa do ex-governador do Distrito Federal e pré-candidato ao Senado Ibaneis Rocha (MDB), Mayara Rocha, anunciou sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados pelo Podemos. Nos bastidores do partido, Mayara é vista como um forte nome para fortalecer e ampliar a presença da legenda na Casa.
Causas sociais
A ex-primeira-dama do DF foi secretária de Desenvolvimento Social durante a pandemia de covid-19. O Podemos aposta na atuação de Rocha em um período de crise sanitária, econômica e humanitária para ter um bom desempenho eleitoral. Aliados veem a esposa de Ibaneis como um dos nomes de potencial de votos dentro do grupo ligado ao ex-governador.
Tendência
Em um meio predominantemente masculino, chama a atenção a iniciativa de mulheres de políticos engajadas na batalha das urnas. No Distrito Federal, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro é nome cada vez mais certo em outubro. No Paraná, a deputada federal Rosângela Moro, esposa do senador Sergio Moro, filiou-se ao PL e tentará a reeleição pelo estado do ex-juiz. Em Goiás, Gracinha Caiado (União), esposa do ex-governador Caiado, é pré-candidata ao Senado.

Deixa o povo falar
O deputado Alencar Santana (PT-SP, foto), presidente da Comissão Especial que analisou a proposta de emenda constitucional (PEC) pelo fim da 6×1 na Casa, quer a participação popular no debate. Além de divulgar uma plataforma digital sobre o tema, ele pretende promover ações de conscientização às sextas-feiras em pontos de grande circulação. Os voluntários distribuem materiais informativos e dialogam com a população sobre os impactos da jornada de trabalho na saúde, na qualidade de vida e no convívio familiar.
Divergência
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) discorda da pesquisa divulgada pelo Tribunal Superior do Trabalho sobre a precarização do trabalho entre motoristas e entregadores que atuam por meio de plataformas digitais. Para fundamentar a divergência, a Amobitec usa como referência uma pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), divulgada no ano passado.
Renda e trabalho
O levantamento encomendado pela Justiça trabalhista ressalta os custos bancados pelos motoristas plataformizados – mais de R$ 5 mil mensais – e jornadas acima de 44 horas semanais. Já o estudo do Cebrap informa que os motoristas dedicam, em média, entre 19 e 27 horas por semana nos aplicativos, enquanto a jornada dos entregadores oscila entre 9 e 13 horas.
Estabilidade
Em outra discordância com o TST, a Amobitec afirma que os rendimentos dos trabalhadores de plataforma são mais estáveis, pois os profissionais estariam menos vulneráveis à desocupação e a longos períodos de busca por trabalho.
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 13 de junhode 2026, por Denise Rothenburg, com Eduarda Esposito

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, abre a temporada de festas juninas como um submersível pressionado por governo, oposição e, agora, com o perigo de ter a Justiça no seu encalço. As cobranças incluem votação de projetos importantes para o governo, abertura da CPMI do Master, impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal e, agora, a instalação do Conselho de Ética para que ele possa ser processado pela suspeita do recebimento de US$ 30 milhões no exterior (R$ 155 milhões) do Banco Master. A denúncia está na revista Veja desta semana, e o senador negou.
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Com tanta gente pressionando, Alcolumbre entra no “modo defesa”, sem muito espaço para manobras. O jeito, avisam alguns, é atender a algum dos lados, a fim de aliviar um pouco a pressão. Só tem um probleminha: nenhum dos lados dá hoje ao presidente do Senado a segurança de que ele precisa para levar adiante seus projetos de reeleição para o comando da Casa. Enquanto Alcolumbre não sentir firmeza, continuará driblando todas as alas que hoje o pressionam a tomar atitudes.
Ultimato à governadora Celina Leão
O PL do Distrito Federal tem hoje uma reunião com Celina Leão, a fim de esclarecer os pontos do acordo que o partido quer para oficializar apoio à reeleição da governadora: ou ela coloca as duas candidatas, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ao Senado no seu palanque ou o PL terá que buscar um candidato ao GDF para abrigá-las.
Aliás…
Quem torce para que esse acordo entre PL e PP naufrague no Lago Paranoá é o senador Izalci Lucas (PL-DF), que sonha com uma candidatura ao governo local.
Todo cuidado é pouco I
Advogados pediram à Polícia Federal que investigue o email danielvorcaro@protonmail.com. O Proton Mail se apresenta como o serviço de mensagens mais seguro do mundo, com foco extremo em privacidade e servidores na Suíça, fora da jurisdição de vigilância internacional. Esse endereço tem enviado mensagens com ameaças a autoridades, advogados, empresários e jornalistas. Pode ser fake, mas os citados querem averiguar.
Todo cuidado é pouco II
A mensagem enviada recentemente diz “em breve terão novidades e um desconforto inimaginável. Vocês não perdem por esperar. Vamos começar pelos seus sócios e advogados dos vários de vocês e os que estão por vir. Tic-tac…”.
CURTIDAS

Fecha a torneira/ Com a chegada da Copa do Mundo, muitas lojas têm vendido camisas da Seleção falsificadas. O deputado Júlio Lopes (PP-RJ), presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria (FPI), afirma que são mais de 300 estabelecimentos, somente em São Paulo. “Essas lojas estão fechadas com dezenas de milhares de camisas tomadas do tráfico, do contrabando e da facção”, disse.
Hora do debate/ O 7º Brasília Summit Lide Correio Braziliense reúne autoridades nessa quarta-feira, a partir das 8h30, no Hotel Brasília Palace, para debater como a inteligência artificial pode tornar os setores público e privado mais produtivos. Entre os palestrantes, o relator do Marco Legal da IA, senador Eduardo Gomes (foto, PL-TO).
Olho no olho/ A Confederação Nacional da Indústria (CNI) faz sua tradicional reunião com os presidenciáveis para ouvir deles, de viva-voz, o que planejam para a indústria em suas propostas de governo. O evento A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis reunirá Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) em 22 de junho em Brasília.
Santo Antônio e Copa/ Hoje é dia de reza e torcida. Que a Seleção de futebol do Brasil, um país de tantas mazelas, possa trazer alguma alegria ao povo brasileiro. Valei-me, Santo Antônio!
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 12 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Irritado pela interpretação de que a retirada da urgência do projeto de lei do fim da escala 6 x 1 era para procrastinar a aprovação do texto, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reagiu indicando o relator para votar a proposta o mais rápido possível. O deputado Leo Prates (Republicanos-BA), que também analisou a proposta de emenda constitucional (PEC) que extinguiu a jornada 6 x 1, afirmou à coluna que não vai demorar em apresentar seu parecer. “Missão dada é missão cumprida” . Ele ainda vai avaliar o projeto de lei, mas a ideia é repetir o texto da PEC e incluir na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) a carga de 40 horas semanais e os dois dias de folga — ou seja, a escala 5 x 2.
O Senado que se prepare/ A celeridade com que a Câmara vem avaliando esse tema obriga os senadores a tomarem uma atitude. O texto da PEC aprovado pelos deputados está nas mãos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que sequer o enviou à Comissão de Constituição e Justiça. É no gabinete dele que a pressão vai crescer, ainda que o país esteja voltado para a Copa do Mundo e para as festas juninas.
Inclua-o fora dessa
Enquanto o governo culpa Alcolumbre pelas derrotas nas comissões do Senado, com a aprovação de propostas que podem provocar rombo fiscal, a oposição inocenta o comandante da Casa. Alcolumbre, na verdade, tem evitado pautar novos pisos salariais de diversas categorias profissionais. Esperem mais um pouco Exemplo disso é que a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), não foi votada esta semana no Plenário, mesmo com a pressão dos parlamentares para que fosse pautada.
São coisas diferentes
A renegociação das dívidas dos produtores rurais está fora dessa lista, mas, avisam os líderes, não pode ser atribuída à má vontade com o governo por parte do presidente do Senado. Na Casa, o que se diz é que ele fechou há tempos um acordo com a bancada do agro para que essa proposta fosse a voto. E quando o ministro da Fazenda, Dario Durigan, pediu para que fosse retirada de pauta, era tarde. A avaliação dos parlamentares é de que o governo comeu mosca.
O que resta é esperar
Parlamentares que denunciaram supostas irregularidades no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), aguardam que o processo na Justiça prossiga para que se tenha transparência sobre o LRCap. De acordo com o deputado Danilo Forte (PP-CE), ainda não se sabe quem autorizou o aumento do teto de remuneração das termelétricas, 72 horas antes do leilão. “Lamento que o país que a gente quer ver como líder da transição energética fique só no papel”, disse. Com a contratação, o preço da conta de luz pode subir em até 10%.
CURTIDAS
Direito das famílias/ Pais levaram os filhos para a audiência pública sobre homeschooling na Comissão de Direitos Humanos do Senado. O Plenário ficou cheio de crianças que desenhavam ou liam livros, enquanto seus responsáveis debatiam o direito de poder educá-los em casa. Algumas crianças até tiraram um cochilo durante os debates.
Pré-campanha a pleno vapor/ Com a pauta da Câmara trancada, o líder do governo, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), aproveita o tempo numa reunião do PT de mobilização comunitária, em Porto Alegre. Ao seu lado o deputado estadual, Halley Lino (ao centro), candidato à reeleição, e o ex-prefeito da cidade, José Fortunatti (à esquerda na foto), que concorrerá a uma vaga de deputado federal.
Dia dos Namorados/ Num ano eleitoral tão cheio de brigas e incompreensões, que seja a hora de dar aquela pausa para celebrar o amor e a vida.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 11 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A queda dos índices de intenção de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez o governo respirar um pouco melhor, mesmo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com dificuldades de crescimento. A diferença, agora, é que os governistas esperam uma mudança em relação aos políticos, e até de uma boa parte do empresariado — conforme pode ser visto na reunião do Conselhão esta semana. Até aqui, Lula era dado por muitos partidos de centro como carta fora do baralho. Esse retorno do presidente aos 44% e a queda do filho 01 de Jair Bolsonaro para 38%, como registrado pela pesquisa Genial Quaest desta semana, tem condições de frear esse afastamento dos centristas em relação ao governo. E isso, na avaliação de aliados do presidente, ajuda ainda na retomada do diálogo no Senado, onde o Palácio do Planalto enfrentou a maior derrota até o momento — a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Se a próxima pesquisa consolidar essa presença de Lula como primeiro colocado, ele não poderá mais ser tratado com desprezo nessa fase do jogo.
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…mas não dá para relaxar/ O fato de Lula poder levar o governo em frente com um pouco mais de tranquilidade não significa que pode deitar em berço esplêndido. Os números indicam segundo turno e a campanha nem começou. A rejeição ao PT é grande e a volatilidade dos cenários é alta nessa altura do campeonato.
Juramento em falso
Flávio Bolsonaro não perde pontos só no eleitorado. O filho 01 tem perdido muito apoio no próprio partido. É que, numa reunião a portas fechadas com a cúpula do PL antes de virem a público os diálogos entre ele e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o senador jurou que não havia qualquer relação entre eles. Somente depois é que admitiu que havia pedido dinheiro ao ex-banqueiro.
Os recados do decano
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), soltou um #ficaadica para quem reclama do aumento de despesa pública sem lastro orçamentário, como o que ocorreu, ontem, com a aprovação do piso de médicos e cirurgiões dentistas na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Em postagem, o decano da Corte lembrou que o Congresso não pode criar despesas a serem suportadas por estados e municípios sem indicar a fonte de custeio.
Vem suspensão
Gilmar lembra o caso do piso nacional da enfermagem, que teve sua eficácia suspensa pelo STF justamente por não se saber de onde sairia o dinheiro. “Impor ônus financeiro uniforme, sem repasse adequado e sem atenção à realidade local, esvazia a autonomia dos entes e atinge o pacto federativo. Pior, ao invés de alcançar os objetivos pretendidos, a medida pode produzir efeitos inversos, como desemprego na própria categoria que se buscava proteger e precarização dos serviços públicos prestados à população”, advertiu.
Nada de bandeira branca
Mesmo com o pedido do governo para segurar algumas pautas que causarão rombo fiscal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não trabalha a favor do Planalto. Os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, chegaram a se reunir com ele na terça-feira, na tentativa de evitar o avanço de matérias que podem comprometer o Orçamento da União. Mas não surtiu efeito.
CURTIDAS

A conta só cresce/ Além dos projetos que aumentam despesas aprovados esta semana nas comissões, no início da noite foi aprovada a renegociação de dívidas dos produtores rurais. Falta ainda a ampliação do Fundo de Participação dos Municípios, a ser apreciada em breve.
Sinuca de bico/ O governo está encurralado no jogo que ele mesmo montou. Ao manter a urgência constitucional do projeto de lei do fim da escala 6 x 1 na Câmara dos Deputados, e travar a pauta da Casa para pressionar o Senado a votar o texto que lá se encontra, o Planalto vê agora projetos importantes paralisados. Como os que tratam da misoginia, da inteligência artificial e da destinação do crédito extraordinário do preço do petróleo devido à guerra no Golfo Pérsico.
Por falar em IA… / O relator da regulamentação da Inteligência Artificial, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB, foto), ainda não conseguiu consenso entre artistas e empresas sobre o treinamento de IA com produtos originais. Por isso, a ideia é deixar a votação para depois das eleições. É que o prazo está curto para tratar de um tema tão polêmico, ainda mais num ano eleitoral.
A torcida do Planalto/ Com a aprovação da admissibilidade da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal, e os projetos que aumentam despesa, o governo torce mesmo é para que o Congresso entre no “modo avião”, com todos voando para as campanhas eleitorais.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 10 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A contar pelo número de senadores que deseja aprovar o fim da escala 6 x 1, aqueles que pregam esperar mais para apreciar o texto terão problemas em fazer valer suas vontades. Muitos independentes já disseram que votam a favor e, para completar, as negociações para nomear logo um relator seguem quentes. Até aqui, o nome do líder do PSD no Senado, Omar Aziz (AM), tem sido considerado forte entre alguns parlamentares para relatar essa Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Aziz chegou a se reunir com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD- BA), e tinha uma reunião marcada com o presidente Davi Alcolumbre (União-AP).
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É ganha-ganha para Aziz/ O senador pelo Amazonas ganharia muito com a relatoria, uma vez que é pré-candidato ao governo do estado e amarraria os votos da bancada do partido de Gilberto Kassab em favor da proposta — diferentemente do que aconteceu na votação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
E o MDB do DF, hein?
O presidente do partido, deputado Baleia Rossi (SP), tem dito a amigos que a Executiva Nacional caminhará no sentido de pacificar seus integrantes no Distrito Federal. Hoje, essa pacificação seria mais sedimentada com o apoio à candidatura da governadora Celina Leão (PP) à reeleição. Porém, nada disso será definido agora.
Veja bem
O MDB não quer saber de ter que custear mais uma candidatura de governador. A prioridade aqui ainda é a eleição de deputados federais e de Ibaneis Rocha senador. Porém, muita gente diz que é preciso dar tempo ao tempo para que se saiba tudo sobre a relação BRB-Master. Assim como no Rio de Janeiro, onde Cláudio Castro foi obrigado a sair de cena para se defender, é necessário esperar para ver se algo semelhante ocorrerá no DF com os candidatos aos mais variados cargos.
Subiu o sarrafo para Vorcaro
A decisão da Justiça das Bahamas, que reconheceu a liquidação do Banco Master, deixa o ex-banqueiro Daniel Vorcaro um pouquinho mais distante da delação premiada. Até aqui, o principal ponto atrativo do acordo estava calcado na devolução de dinheiro. Com as autoridades brasileiras e a equipe de liquidação do banco podendo correr atrás dos recursos lá fora, oferecer esses recursos diminui de importância.
“Vamos aprovar”
Senadores ligados ao agronegócio afirmam que votam hoje a securitização das dívidas dos produtores rurais, com ou sem acordo. Em conversas reservadas, afirmam ter votos suficientes para aprová-la no Senado. E mais: derrubam um possível veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse foi, aliás, um dos assuntos comentados nos bastidores da festa junina da Frente Parlamentar do Agro.
CURTIDAS

Pauta de todos/ Com o fim gradual dos ICMS e ISS até 2032, quando a Reforma Tributária e as leis vinculadas a ela forem implementadas, deputados tentam construir apoio para aprovar mais uma PEC sobre o tema. A ideia é permitir que estados e municípios atualizem suas legislações de incentivo à cultura e ao esporte.
E para todos/ Atualmente, essas duas áreas recebem uma parte do ICMS e do ISS em várias unidades da Federação. E se não houver previsão legal para que isso seja mantido no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), essa provisão acaba. A PEC conta com 171 assinaturas de partidos, como PT, PCdoB, PSol, PSD, PSB, PDT, Novo, Republicanos, PP, União Brasil e PL.
TCU e o Master/ No dia 17, o ministro Augusto Nardes (foto), do Tribunal de Contas da União (TCU), participa do tradicional “Café com Autoridade”, promovido pela Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Falará sobre governança e relações de poder em tempos de crise. O debate deve abordar o caso Master, marcado por problemas de governança, corrupção e da relação promíscua com o BRB.
Rodada de presidenciáveis/ A Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) pretende ouvir os pré-candidatos à Presidência nas próximas semanas. O primeiro será o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que estará no almoço da entidade no dia 16. O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ainda está acertando a data. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula também foram convidados, mas ainda não confirmaram presença.


















