O perfil de vice para Flávio

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Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 16 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Caio Gomez

O PL deixará nas mãos do senador Flávio Bolsonaro a escolha do nome que o acompanhará na vaga de candidato à vice-presidência da República. Só vai ponderar que o escolhido tenha votos. Se essa premissa for levada ao pé da letra, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniela Marques ficará dedicada ao programa de governo. Afinal, nunca concorreu a qualquer mandato eletivo. A senadora Tereza Cristina, que tem votos e prestígio, é pré- candidata a presidente do Senado. E se colocou exatamente para sair desse imbróglio, especialmente depois de Flávio se referir à parlamentar como “vozinha”. Embora tenha tentado justificar, dizendo que ela lhe lembrava a sua avó, a fala foi vista como machista e “etarista” até por parlamentares do próprio PL. A tendência hoje é chapa pura.

Tensão só aumenta

Os partidos estão meio zonzos diante da decisão do ministro Flávio Dino de cobrar que todos se expliquem sobre as indicações de emendas parlamentares. A nota do MDB, por exemplo, afirma que “o jurídico está analisando como se posicionar, pois — via de regra — é evidente que emenda é prerrogativa só de parlamentar”. PSol e Novo negaram veementemente o uso desse tipo de prática. Os demais também se mostraram indignados, mas ninguém pretende descumprir a ordem do ministro do STF.

Quem procura…

… acha. Deputados de partidos de esquerda preparam um requerimento de informação para saber exatamente onde Tuca está trabalhando neste momento. No site de consulta do sistema da Câmara dos Deputados, a servidora aparece lotada na Diretoria Administrativa, mas não especifica em qual departamento. Esses parlamentares acreditam que, pela lógica, ela deveria estar no Departamento de Finanças, Orçamento e Contabilidade, mas quem telefona para lá é informado que não há nenhuma Mariângela Fialek trabalhando ali.

Segue o fio

Parlamentares querem entender a função que Tuca exercia e para quem ela respondia dentro da Casa, afinal, até agora já foi descoberto que a servidora cuidava de emendas do Progressistas, PL e Republicanos. Deputados desejam entender como funciona o sistema de sugestão e até que ponto Tuca apenas “realizava seu trabalho técnico”.

E as pesquisas, hein?

O PT respirou aliviado com a melhora da aprovação do presidente Lula apontada na pesquisa Genial/Quaest divulgada esta semana. Porém a avaliação interna é de que não dá para o petista se deitar em berço esplêndido. Não pode haver erros. Nem de Lula, nem de seus principais aliados. Vale lembrar que ele ganhou por uma pequena diferença em 2022.

Ainda tem jogo

Os eleitores de direita não bolsonaristas que, na pesquisa espontânea, afirmam votar em Flávio Bolsonaro no primeiro turno caíram de 44% para 32% entre junho e julho. No meio bolsonarista, a queda foi de cinco pontos percentuais, de 50% para 45%. Porém, até o momento, esses votos não migraram para Ronaldo Caiado (4%), Romeu Zema (3%) ou outro candidato. Sinal de que, a depender da forma como Flávio levar a sua campanha, podem voltar.

CURTIDAS

Crédito: Reprodução/YouTube

Onde pega/ Embora o gabinete de Flávio Bolsonaro tenha divulgado uma nota dizendo que o senador não conhece o “Sicário” de Daniel Vorcaro com quem aparece numa foto que circulou na internet, o PL ficou com pé atrás ante a notícia. É que Flávio aparece sem camisa ao lado de Luiz Phillipi Mourão, indicando algo bem diferente das fotos tiradas nas ruas. Há o receio de que se repita o que houve no episódio do encontro com Vorcaro, quando, num primeiro momento, o senador mentiu, dizendo que não havia se encontrado com o banqueiro. Por isso, a ordem agora é aguardar as investigações.

A luta pelo 2222 e pelo 1313/ Em todos os estados, pré-candidatos a uma das vagas de deputado federal pelo PL e pelo PT brigam pelo direito de usar os números dos respectivos partidos na hora de se apresentar ao eleitor. Há uma certeza de que isso ajuda, e muito, a incrementar o número de votos. No PL, Valdemar Costa Neto vai deixar essa questão a ser resolvida por cada estado.

E o Missão?/ A legenda está bem otimista com as eleições deste ano. O foco do partido é crescer as bandas estaduais e federais, principalmente a da Câmara dos Deputados. Pela conta dos dirigentes, em um cenário pessimista, a legenda deve eleger quatro deputados em São Paulo, e eles consideram que no estado cinco pré-candidatos têm projeção relevante.

Lembrança dos tucanos/ Ao dizer, em entrevista ao portal Uol, que a sociedade brasileira “nunca teve uma primeira- dama que trabalhasse efetivamente”, Janja Lula da Silva (foto) se esqueceu dos anos 1990, em que Ruth Cardoso, professora e intelectual, trabalhava, e muito, conforme lembram os representantes do PSDB que conviveram com a primeira-dama no governo Fernando Henrique Cardoso. Aliás, quando Lula foi eleito pela primeira vez, Fernando Henrique e D. Ruth receberam o casal Lula e Marisa Letícia para jantar e mostrar as dependências do Palácio da Alvorada. Um exemplo de respeito à democracia e ao voto do povo brasileiro.

Eles têm a força

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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 15 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A contar pelo discurso dos presidentes de partidos, a “terceirização” das indicações de emendas está generalizada entre os deputados, inclusive entre parlamentares, que cedem um pedaço de suas quotas para outros. Especialmente, aqueles mais ligados aos presidentes das duas Casas, no caso, o da Câmara, Hugo Motta, e o do Senado, Davi Alcolumbre. Nas conversas mais reservadas, há quem diga que presidentes de partido e os comandantes do Parlamento são os maiores beneficiados desse sistema. E mais: Muita gente diz que a Polícia Federal já tem muitas informações para tentar acabar com a farra. É exatamente esse trabalho que o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino está fazendo e não vai parar.

Pedir não é crime/ Alguns parlamentares ressaltam que pedir emendas é uma prática comum e, invariavelmente, tem um objetivo político. Os aliados de Eduardo Cunha, por exemplo, comentam que ele “apenas pediu” que um parlamentar apresentasse a emenda. E, o fato de Cunha não ter assinado qualquer documento, não pode ser responsabilizado pela indicação. Quem tem que responder é o deputado, que aceitou o pedido de Cunha. E falam mais: Tuca (Mariângela Fialek) não “fez” nenhuma emenda, como técnica apenas realizou seu trabalho, verificar disponibilidade e nomes de quem poderia indicar. A defesa por Tuca, aliás, dá-se em praticamente todos os campos políticos.

Momento único

Só mesmo algo muito forte para produzir a união de partidos de direita e de esquerda num ano eleitoral. Agora, depois do escândalo que misturou as bets com a Copa do Mundo da Fifa — inclusive com comentários técnicos mesclados a sugestões para apostas nas bets —, parlamentares dos dois lados se juntam para pregar o fim desse setor. O deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) é mais um que apresenta projeto contra as bets. Além dele, há propostas de deputados como o líder do governo na Casa, Paulo Pimenta (PT-RS), e do líder do PT, Pedro Uczai (SC).

Foco eleitoral

O tema é visto pelos parlamentares como um dos mais importantes nestas eleições. Os evangélicos, por exemplo, são contra as bets, que tira dinheiro dos templos. E as igrejas atualmente representam um segmento forte do eleitorado, capaz de mobilizar os congressistas.

Tudo, menos voltar à Câmara

O que levou a um consenso para votar a medida provisória (MP) sobre os fretes dos caminhoneiros foi evitar a desfiguração da proposta, em caso de volta para uma nova análise dos deputados. O relatório da Câmara foi considerado uma “anomalia” por alguns senadores e deixar a MP caducar não era uma opção devido à importância do setor. Foram diversas reuniões nos últimos dias e acordos para vetos e emendas redacionais, de forma a evitar um retorno à Câmara dos Deputados. A Frente Parlamentar do Agro, a poderosa FPA se comprometeu, inclusive, a manter os vetos que vierem dentro do acordo.

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Crédito: Reprodução/Redes Sociais

União no Ceará/ Com menos de um mês para as convenções partidárias, o PT conseguiu resolver um dos maiores impasses na formação do palanque no Ceará ao oficializar o senador Cid Gomes (PSB) para reeleição e o deputado Júnior Mano (PSB) como seu suplente. Assim, a crise que impedia Cid se juntar à chapa de Elmano de Freitas se foi.

Juntos esperam chegar lá/ Interlocutores do PT no estado afirmam que a foto com o presidente Lula, Camilo Santana, o governador Elmano de Freitas, Cid e Júnior foi para encerrar especulações sobre a campanha.

Vem aí/ Para a segunda vaga ao Senado, o nome em vista é o da deputada Luizianne Lins (Rede), que tem um apoio considerável por parte do PT. O PSD negocia a indicação de um vice-governador para Elmano. O entorno da campanha acredita que, com essa composição PT, PSB, Rede e, quem sabe, o PSD, aumentam as possibilidades de vitória contra Ciro Gomes (PSDB), que deve sair em coligação com o PL.

Livro novo na praça/ Em 6 de agosto, a biblioteca do Supremo Tribunal Federal recebe o lançamento da obra O Avesso do Arbítrio: Estudos em Homenagem a Paulo Brossard de Souza Pinto, ex-ministro da Justiça, do STF e ex-senador da República. Sob a coordenação dos juristas Guilherme Barcelos, Gustavo Bohrer Paim e Miguel Tedesco Wedy, o livro tem prefácio do ex-presidente da República José Sarney, apresentação do ministro decano do STF, Gilmar Mendes; artigo do ministro André Mendonça, também do STF, e posfácio da ministra Maria Cristina Peduzzi, do Superior Tribunal de Justiça.

Uma carta, mas nada de desculpas

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 14 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Embora tenha mencionado a necessidade de união do PL e daqueles que votaram em Jair Bolsonaro no passado, o senador Flávio Bolsonaro e “porta-voz” do pai não apresentou nenhum pedido de sincero de desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nem fez refluir os ataques a ela e à senadora Damares Alves (Republicanos-DF) nas redes sociais. Chegou ao ponto de Damares ir à tribuna dizer que é “do time” de Bolsonaro e que é chegada a hora de a direita parar de atacar os seus soldados na internet. Damares usou a seguinte expressão para reforçar seu apoio à pré-candidatura de Flávio: “O Flávio ainda é o meu pré-candidato, indicado do presidente Jair Bolsonaro”. O “ainda” deixou a muitos a impressão de que, se a briga continuar, poderá deixar de ser. Não por acaso, já tem muita gente que votou em Bolsonaro no passado acompanhando de perto os movimentos de Ronaldo Caiado (PSD).

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Onde mora o perigo/ O embate interno nas hostes bolsonaristas corre o risco de deixar muitos potenciais aliados em alta nas pesquisas — caso de Michelle Bolsonaro — de braços cruzados por Flávio ao longo da campanha. E, embora as pesquisas atuais apresentem o senador no segundo turno, a avaliação de muitos no PL é a de que ele não está em posição de dispensar aliados.

Dino abrirá o pós-eleição

Enquanto a campanha eleitoral pede passagem, o ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pelo processo relativo a emendas parlamentares, Flávio Dino, dá o tom do que vem por aí. Ele não vai tirar o dedo dessa ferida nem recuar em relação à necessidade de transparência e prestação de contas de cada centavo aplicado por sugestão dos congressistas e de outras pessoas alheias ao mandato parlamentar.

Vem mais

Muita gente diz que essa influência externa não se restringe a Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha, que já tiveram parte dos bens bloqueados. Outros nomes vão aparecer ao longo do processo. Afinal, ainda há muito material a ser analisado, além do celular da assessora Mariângela Fialek, que ajudou no rastreio desses padrinhos.

Quis poder, agora aguenta

Nos casos das emendas individuais, o que se comenta no Parlamento é que o Executivo tem que liberar e ponto, porque é determinação constitucional pagar as emendas impositivas. Diz-se que, se o Poder Executivo segurar essa liberação, terá que responder. Logo, os parlamentares responsáveis pelas indicações e os prefeitos que recebem as verbas têm que prestar contas.

Façam um acordo

Independentemente de quem vencer as eleições deste ano, está claro que será preciso um pacto entre os Poderes para resolver essa questão orçamentária. Se os parlamentares continuarem nessa queda de braço com os outros dois Poderes sobre as emendas, o contribuinte pagará a conta.

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Crédito: Antonio Augusto/STF

E o Moraes, hein?/ A proibição das visitas do senador, filho e advogado Flávio Bolsonaro ao pai aumentará a carga contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes (foto) no Senado. Se a direita mais ligada a Bolsonaro for vitoriosa, Moraes terá que torcer para que os senadores elejam um moderado para presidir a Casa.

Por falar em carta…/ Em 2002, quando foi candidato pela quarta vez ao Planalto, Lula editou uma carta aos brasileiros de quatro páginas e meia sobre o cenário econômico e o projeto do PT. Em 2018, editou uma segunda carta retirando-se da candidatura, em setembro daquele ano, quando ainda estava preso. Cunhou a expressão “somos milhões de Lulas e Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros”.

… nem sempre funciona/ Lula ganhou em 2002, e Haddad perdeu em 2018, quando o atual presidente o apontou como o seu candidato. Vejamos como o eleitorado reagirá à carta apresentada no último sábado.

Mesmo sem Brasil, tem futebol/ Por enquanto, o brasileiro apaixonado por futebol está mais ligado nas semifinais da Copa do Mundo. E hoje, Data Nacional da França, que marca a queda da Bastilha em 1789, o feriado por lá promete atenção máxima ao confronto França x Espanha — muito diferente das duas primeiras rodadas, em que a população francesa não se mostrava muito atenta às partidas. Uma grande semifinal europeia para tentar amenizar as agruras da nossa política.

Os alertas do Planalto

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Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 12 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Em fase final de elaboração da medida provisória que pretende dar um respiro aos produtores rurais endividados por causa dos problemas climáticos, os governistas fazem um alerta àqueles parlamentares que planejam ampliar o número de produtores beneficiados, incluindo todos que não conseguem pagar as dívidas: se a Câmara insistir no projeto que tramita na Casa, o governo vai vetar integralmente o texto. E se os parlamentares derrubarem o veto, o Supremo Tribunal Federal será acionado, onde a possibilidade de suspender tudo até a apreciação do mérito será grande.

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Pense bem/ A ideia é deixar o agro certo de que, para não comprometer a ajuda a quem teve problemas por causa dos eventos climáticos, o melhor a fazer é aceitar a MP que vier do Planalto e votar tudo rapidamente.

Um projeto…

Silenciosamente, um grupo que conta com a participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da comunidade evangélica, da qual faz parte o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, constrói uma plataforma política para tentar levar adiante um pleito futuro. Aliás, é esse braço político em construção, do qual não fazem parte os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, que mais incomodou o pré-candidato do PL ao Planalto, uma vez que tudo é baseado na religião, e não é algo para ser colocado a serviço na ala mais radical do bolsonarismo.

….ainda sem partido

Guardadas as devidas proporções e conjunturas inerentes a cada período, a tentativa se assemelha ao que lá nos idos de 1750 os jesuítas instalados nas Missões sonhavam em construir. Ainda não está fechado qual agremiação deve abraçar a proposta, embora haja especulações a respeito do Republicanos. Isso é algo para depois das eleições deste ano.

Em nome do pai

A carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro em que seu pai o nomeia “meu porta-voz” e diz que o “momento é de arregaçar as mangas” é vista como uma tentativa de sair da defensiva em que se encontra e tentar evitar que os votos da direita migrem para outro candidato, seja Ronaldo Caiado, Romeu Zema ou Renan Santos.

Nem tanto

A live em que o filho Zero Um de Jair Bolsonaro divulgou a carta foi considerada acima do tom até por simpatizantes dele, por mencionar que “ou a gente ganha, ou o Brasil acaba”. Muitos presidentes se sucedem desde a Proclamação da República, o país passou por várias crises, mas não acabou.

Chega de postergar

E Contrariando a percepção de alguns líderes de centro e direita, o PT não pretende demorar a nomear os deputados da comissão especial para analisar a redução da maioridade penal. Parlamentares acreditavam que a esquerda poderia postergar as indicações para deixar o início da comissão para depois do recesso parlamentar, mas o líder da bancada, Pedro Uczai (SC), afirmou que é hora de “enfrentar” o debate.

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Crédito: Lula Marques/ Agência Brasil.

Cada um com os seus problemas/ Embora a assessora Mariângela Fialek trabalhe na liderança do Progressistas, os parlamentares do partido capitaneado pelo senador Ciro Nogueira (foto) fizeram “cara de paisagem” sobre o bloqueio de bens de Valdemar Costa Neto, por causa da suspeita de desvio de emendas ao Orçamento. O presidente do PL e seus filiados que se expliquem.

Insatisfação I/ O setor de mercados digitais não gostou do relatório apresentado pelo deputado Aliel Machado (PV-PR) sobre a proposta de regulação, com a criação de uma nova estrutura dentro do governo para esse fim. Para algumas empresas, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) já realiza um ótimo trabalho em monitorar e aplicar sanções para promover mais competitividade. Parte do empresariado considera que o certo seria investir mais recursos no CADE e contratar pessoal para essa finalidade.

Insatisfação II/ Outro ponto é a falta de diálogo. Empresários afirmam que, nos nove meses de tramitação do texto na Casa, nunca houve nenhuma reunião, audiência pública ou comissão especial.

Tudo é política/ A aposta de parte desse setor é que o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) quer aprovar a matéria com objetivos políticos porque a proposta é de interesse do governo. Em conversas reservadas, líderes concordam em deixar o projeto para ser votado apenas após o retorno do recesso parlamentar, mas ainda não bateram o martelo em reunião.

Os respingos em Messias

Publicado em 6x1, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, emendas, Política, Senado, STF, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 16 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A crise aberta entre Legislativo e Judiciário, depois da apresentação do relatório da CPI do Crime Organizado, terá reflexos nos votos de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal. É que começa a se cristalizar na Casa a ideia de que, diante da tensão entre Senado e STF, com pedidos de indiciamento de ministros — algo já rejeitado no Senado —, e a reação da Corte — com pedido de investigação do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) —, o melhor no momento é pisar no freio quanto à escolha de um ministro para o Supremo. Ainda mais em se tratando de um indicado tão afeito a um lado da política. Nesse sentido, o trabalho do governo daqui até 28 de abril, data da sabatina de Messias no Senado, será separar essas estações e acalmar os ânimos entre os dois Poderes. Serão 11 dias para cuidar da relação entre a “Casa dos Onze” e o Senado, a fim de garantir maioria dos 81 senadores favoráveis a Messias, o que ainda está incerto.

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Quem chega para ajudar/ Pré-candidato ao governo de Minas Gerais, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) entrou em campo para tentar ajudar Messias. Quem ainda não entrou de corpo e alma nesse barco foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele se reaproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda tem dificuldades em abraçar a campanha do advogado-geral da União para o STF.

Conselhos para Sidônio

Aliados de Lula foram ao ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, dizer que o discurso do governo sobre o fim da escala 6 x 1 não pegou e que o povo nem sabe do que se trata de conceder uma folga a mais aos trabalhadores que só têm o domingo, ou outro dia na semana. A ideia desses amigos do presidente é que o governo fale mais que o objetivo da proposta é que as pessoas tenham dois dias de folga para cuidar da vida e… orar. De quebra, ajuda até a chamar a atenção do eleitorado evangélico.

Por falar em 6 x 1…

Enquanto o Centrão defende que não é hora para se discutir sobre o fim da escala 6 x 1, o governo tenta convencer os parlamentares a optarem pelo projeto de lei: é que, em caso de criarem muitos problemas com a nova escala de trabalho, o PL é de mais fácil tramitação do que uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A base governista vai usar esse argumento para defender a discussão do texto com urgência constitucional, enviado pelo Planalto esta semana.

A cobrança da Reforma Administrativa

O 6º Brasília Summit Lide-Correio Braziliense, com o tema eficiência na gestão pública, trouxe à baila a Reforma Administrativa e a necessidade de destinação das emendas parlamentares a obras estruturantes. “São R$ 50 bilhões em emendas e cadê as obras estruturantes?”, perguntou o ex-governador do Mato Grosso Mauro Mendes.

Por falar em emendas…

O ministro Antonio Anastasia, do Tribunal de Contas da União (TCU) — que já foi senador —, defendeu as emendas como instrumento de gestão. “É um recurso para localidades que, muitas vezes, não recebem recursos”, afirmou. Ele acredita que não se deve criminalizar as indicações, mas que o TCU deve fiscalizar e punir os desvios. “O grande empenho neste momento é que seja identificado um plano de trabalho adequado para que essas emendas tenham, de fato, sua origem, seu destino, e qual será seu percurso. E será objeto de avaliação permanente pelo TCU, que tem capacidade, legitimidade e estrutura administrativa para fazer isso em relação aos recursos federais”, disse, logo após o 6º Brasília Summit Lide-Correio Braziliense.

CURTIDAS

Crédito: TV PT/Reprodução

Cálculos na ponta do lápis I/ Davi Alcolumbre foi incisivo ao afirmar que não pautará mais nenhum projeto de lei que cria piso ou impacto financeiro nas contas do governo federal, estaduais ou municipais. A fala vem em meio à votação, na Câmara dos Deputados, de uma PEC que destina 1% da receita corrente líquida dos entes federados à Assistência Social.

Cálculos na ponta do lápis II/ “A minha decisão é não botar na pauta nenhum (piso), mas ouvir vossas excelências para agente buscar entendimento com o governo federal, estados brasileiros, municípios e decidir em conjunto quais as matérias vamos deliberar no plenário do Senado que impactam, direta ou indiretamente, as finanças públicas no Brasil, para que a gente possa manter o equilíbrio das contas”, justificou Alcolumbre.

Contagem de votos/ Após a aprovação da indicação do deputado mineiro Odair Cunha (PT-MG) ao TCU, seus aliados estão contando os votos. Alguns relataram à coluna que antes de chegarem ao Plenário eram esperados cerca de 280 votos, mas, com a porcentagem dos “traidores”, acreditavam que ficaria entre 250 votos. Já perto da votação, o partido contou 308 votos, cinco a mais do que o resultado final, e são justamente esses “traidores” que os aliados de Cunha procuram para cobrar o combinado.

Mineiros no TCU/ Depois dos pernambucanos, chegou a vez dos mineiros. O ministro Antonio Anastasia deu boas-vindas ao futuro novo ministro Odair Cunha. Inclusive, lembrou que os dois são da mesma região de Minas Gerais, algo que não ocorria há algum tempo na corte. O TCU, há alguns anos, chegou a ter três ministros de Pernambuco: o atual ministro da Defesa, José Múcio Monteiro; o ex-ministro da Educação e de Minas e Energia, José Jorge; e a ex-deputada Ana Arraes, mãe do ex-governador de Pernambuco e ex-ministro Eduardo Campos, e avó do presidente do PSB e ex-prefeito do Recife, João Campos (foto).