Vem aí a CPI da Covid-19, prevê Maia

Publicado em Política

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, acaba de mencionar que será inevitável uma grande investigação sobre responsabilidades do governo na condução da pandemia. O comentário seresere especialmente à condução do Ministério da Saúde. “Se fosse bom de logística, teria planejado, acompanhado o número de casos, de forma não faltar insumos”, disse ele, referindo-se ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Ele citou inclusive que fatalmente virá uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar responsabilidades. Esse é visto como o caminho mais provável nesse momento. CPIs, vale lembrar, já desaguaram no passado em pedidos de impeachment.

A CPI, entretanto, dependerá de quem será o presidente da Câmara. Arthur Lira tem recebido todo o apoio do governo, que tem esperanças de que o atual líder do PP funcione como uma espécie de blindagem para processos de impeachment e pedidos de CPI. Essa é a primeiro grande briga política de 2021 e será decidida de forma presencial, conforme deliberação da Mesa Diretora. Maia foi voto vencido e fez questão de dizer que não era o momento para colocar os deputados no plenário escolhendo seu presidente. Afinal, são 513 e o ambiente do plenário é fechado.

Bolsonaristas e trumpistas buscam espaço nas redes sociais

Publicado em coluna Brasília-DF, Política

Coluna Brasília-DF, por Carlos Alexandre de Souza (interino)

A ida de apoiadores do bolsonarismo para outras redes sociais, em resposta às medidas adotadas por gigantes da tecnologia que decidiram limitar a ação de extremistas, após a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, reproduz uma espécie de jogo de gato e rato no mundo virtual. Não faltará espaço para que os simpatizantes de Jair Bolsonaro, Donald Trump ou outros políticos conservadores manifestem suas ideias. As redes sociais permitiram que pessoas, antes dispersas na sociedade real, se aglutinassem na internet a partir de afinidades ideológicas de modo sistemático e seletivo. Nesse novo modelo de associação política estimulada por algoritmos, prevalece o sectarismo, e não o respeito ao próximo, princípio elementar de uma democracia. Está claro que militantes bolsonaristas e trumpistas encontrarão outras maneiras de se manifestar.

A intervenção de empresas como Facebook e Twitter, banindo milhares de usuários de suas redes, constitui uma medida perigosa e tardia. Perigosa porque adota critérios generalistas, entendendo com risco para a sociedade as postagens de milhares de usuários, como uma espécie de tribunal de exceção virtual. E tardia porque, há anos, políticos e simpatizantes de extrema direita atacam, ameaçam e ofendem cidadãos, políticos e instituições, em todo o planeta. Apesar de todos os alertas contra a desinformação e a violência nas redes sociais, a tolerância no mundo virtual tornou-se muito além do aceitável. Até arrombar a porta do Congresso norte-americano.

Antes, tudo bem

Após faturar bilhões, durante anos, com o tráfego gerado por figuras de enorme influência digital como Donald Trump, as megaplataformas decidiram tomar um posicionamento político. Esquecem-se, no entanto, de que o republicano recebeu 74 milhões de votos, incitou uma multidão a afrontar um símbolo da democracia norte-americana e deixou o mundo em calafrios com seu poder político. Se adoradores de Trump e do radicalismo ficaram grandes demais, foi por leniência de gigantes da tecnologia da informação que, sob o verniz de liberdade de expressão, permitiram o ovo da serpente vir ao mundo.

Tribunal virtual

Há um problema evidente em questão. Gigantes de tecnologia não são tribunais. Não representam a Justiça. Tampouco ficam bem ao assumir posição partidária, sob o risco de se imiscuírem no jogo político. Volta-se, então, a questionamentos antigos. Quem controla as redes sociais? Os mecanismos de autorregulação adotados pelas plataformas são suficientes? Cabe a elas o papel de impedir excessos da política? Quem definirá o limite do que pode ou não ser publicado? Quais redes sociais são toleradas, ou não?

STF em campo

Nesse sentido, ganha relevância o inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra atos democráticos urdidos no Brasil. Reconhecido legitimamente como um os pilares do sistema democrático, o Poder Judiciário tem mostrado que a liberdade de expressão não é um direito absoluto; pode configurar crime quando representa uma ameaça à integridade das pessoas e à ordem pública. O STF tomou uma providência que, agora, de maneira equivocada, gigantes da tecnologia procuram adotar.

Pas de deux

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) rebateu os novos ataques do presidente francês, Emmanuel Macron, contra a soja brasileira. Em nota, a entidade informa que a produção brasileira do grão é submetida, desde 2008, a um controle ambiental reconhecido internacionalmente. E que se trata de mais um discurso de Macron para fazer média com os produtores franceses, que recebem generosos subsídios. É mais um capítulo da contenda que pode dificultar a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

Assédio nunca mais

No último domingo, o Conselho de Ética do Cidadania paulista recomendou a expulsão do deputado estadual Fernando Cury, flagrado apalpando o seio da colega Isa Senna, na Assembleia Legislativa de São Paulo. A questão foi encaminhada para o diretório nacional do partido, onde também é dado como certo o voto pela expulsão. A decisão de expelir Cury tem apoio da deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF). “Não podemos mais permitir esse tipo de atitude. O assédio é inaceitável nas ruas, nos parlamentos, em qualquer lugar.” Cury pode ser alvo, ainda, de uma ação penal e de cassação de mandato.

Siga o dinheiro

A 79ª fase da Operação Lava-Jato, deflagrada ontem (12/1) e batizada de Vernissage, investiga cerca de R$ 12 milhões pagos em propina que envolvem contratos com a Transpetro. Um dos investigados é Márcio Lobão, filho do ex-ministro Edison Lobão. Telas de Volpi, Beatriz Milhazes e Adriana Varejão fazem parte do acervo sob suspeita, segundo o G1.

Sem respostas eficientes na pandemia, Bolsonaro apostará popularidade na economia

Publicado em Política
Coluna Brasília-DF

Com a questão das vacinas e o combate à pandemia de coronavírus sem uma resposta eficiente por parte do governo, restará a Jair Bolsonaro dobrar a aposta na economia. Embora as expectativas sejam positivas em relação à recuperação ainda em 2021, as projeções da área política do governo são as de que os melhores resultados serão sentidos pela população em 2022, quando houver uma oferta maior de vacinas contra a covid-19 e remédios mais eficazes para combater a doença.

No Planalto, a sensação é a de que o presidente, ainda que tenha tropeçado no combate ao coronavírus, vai tentar se apresentar como aquele que venceu o desafio econômico. Nas lives, Bolsonaro tem dito, com razão, que a situação na economia seria pior se não fossem as ações governamentais. A partir dessa premissa, os bolsonaristas calculam que, se a recuperação vier com força, conforme aposta a equipe econômica, esse será o discurso da reeleição.

A volta

Antigos aliados do presidente não se conformam com a maneira como o capitão se reaproximou do PP, partido em que ficou por 11 anos e saiu da legenda depois de ouvir um “não” à sua candidatura presidencial. A agremiação dispensou o então deputado no passado por causa de “outros planos” e, agora, tem como plano A a filiação de Bolsonaro para apresentá-lo como o nome ao Palácio do Planalto no ano que vem.

Discurso de prefeitos está pronto

Pelo menos duas grandes cidades, Belo Horizonte e São Paulo, anunciaram que estão com seringas e todos os insumos para começar a imunização contra a covid-19 quando as vacinas chegarem. A maioria dos prefeitos, porém, vai jogar a falta de vacinas e todo o material necessário à aplicação no colo do governo federal.

Salve a popularidade aí, talkey?

Sem recursos para bancar mais um período de auxílio emergencial, e a covid-19 entrando em 2021 com 195 mil mortos até agora, o governo federal trabalha o projeto “minha primeira empresa”, que chegou a ser citado por Bolsonaro na última live. Além dele, vêm por aí iniciativas sociais, de forma a tentar aplainar o fim do benefício este mês.

O risco Senado

Enquanto a maioria dos políticos olha para a eleição da Câmara dos Deputados, o grupo mais afinado ao presidente olha com mais afinco para o Senado. É que, com Flávio Bolsonaro (Rerpublicanos-RJ) pressionado por causa das denúncias das rachadinhas, não dá para deixar a defesa relaxada na grande área do Conselho de Ética. Se puder reconduzir Jaime Campos (DEM-MT), essa será a aposta do governo.

Curtidas

Os quatro cantos do PT/ Sem capitais para administrar nos próximos quatro anos, os petistas pretendem jogar holofotes sobre Diadema, Mauá, Contagem e Juiz de Fora. São as maiores cidades que o partido vai gerir nesta temporada.

O conselheiro/ Quem não parou na reta final de 2021, e nem vai parar nesse começo de ano, é o secretário de Fazenda de São Paulo, Henrique Meirelles. Nos últimos dias, não foram poucos os novos prefeitos que o procuraram em busca de conselhos e nomes para compor equipes. Do MDB ao PSB de João Henrique Caldas, JHC, o prefeito de Maceió.

O amigo dos amigos/ Fábio Ramalho (MDB-MG) se apresentará como candidato a presidente da Câmara. Tem dito que a eleição não pode ser pautada pelas vontades do Poder Executivo. Ele é, hoje, um dos grandes aliados de Bolsonaro. O deputado, que sempre patrocinava almoços e jantares nos tempos pré-pandemia, obteve 66 votos na última eleição. Hoje, ele tira de Arthur Lira e de Baleia Rossi.

Vou ali pegar um solzinho/ Depois de um 2020 para lá de difícil e da covid, é hora de uma pausa. Volto em 15 de janeiro para acompanhar o “clássico” que se tornou a disputa pela Presidência da Câmara e do Senado.

Dos prefeitos que tomam posse, Eduardo Paes é quem concentrará atenções dos atores políticos

Eduardo Paes
Publicado em Política

Dos 26 prefeitos de capitais que tomam posse hoje, o do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, é quem será mais acompanhado de perto por todos os atores da política. E são várias as razões. Primeiro, a cidade é berço político do presidente da República, Jair Bolsonaro — que, vale lembrar, apoiou o adversário de Paes, Marcelo Crivella.

Em segundo, a cidade do Rio de Janeiro é considerada a vitrine do Brasil pelo mundo afora. E, para completar, a cidade e o Estado foram massacrados por atores que hoje cumprem pena e outros afastados por ordens judiciais. Ou seja, dos municípios com problemas, o de Eduardo Paes certamente está no topo do ranking.

Paes tem plena consciência desse desafio e da chance de se consolidar no rol dos administradores que deram certo. Em seu discurso, citou que quer que “o Rio passe a ser paradigma na forma de fazer política e na forma de gerir a coisa pública”. Mencionou ainda que quer ver a cidade como “referência nacional em transparência, integridade e combate à corrupção”.

O novo prefeito começa com vontade, haja vista a quantidade de decretos, 74, editados logo no primeiro dia. Na área econômica, utilizará a experiência acumulada nos últimos anos pelo deputado Pedro Paulo, autor de um projeto que, embora tenha sido desprezado pelo governo de Jair Bolsonaro, serviu de base para a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) Emergencial.

O projeto de Pedro Paulo foi que delineou os gatilhos para ajuste fiscal. A PEC não foi aprovada até hoje, porque faltou mobilização por parte do Governo Bolsonaro e agora chega com prioridade para este ano. pelo andar da carruagem, porém, corre o risco de Eduardo Paes conseguir aprovar primeiro uma proposta desse tipo para o município do Rio de Janeiro. Afinal, experiência política e administrativa para essa turma que assume agora o Rio não falta.

STF, o protagonista dessa reta final de 2020

Publicado em Política

Ao manter as medidas sanitárias e prazos para a aprovação de vacinas, o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski dá mais uma demonstração de um Poder que não faltou aos brasileiros nesse momento crucial que o país vive. O Congresso, em recesso, só pensa na eleição de seus presidentes e deve permanecer assim até fevereiro. O Poder Executivo federal, enroscado na ausência de um planejamento que garanta o básico para aplicação das vacinas. E o presidente, bem… Continua em campanha pelo Guarujá.

Nem todos estão satisfeitos com essa situação de protagonismo do STF em vários setores. Porém, provocado, precisava dar uma resposta à sociedade. Quem percebeu bem essa atuação do STF nessa reta final de 2020 foi o deputado Fábio Trad. “O ministro foi corajoso. usou a caneta para resguardar a vida e defender a saúde do povo brasileiro. Merece aplausos”, diz o deputado. Pessoas agoniando nos hospitais, festas e aglomerações sem precauções pipocando no país. Vírus mais agressivo, pandemia crescendo. Queriam o quê do STF? Que lavasse as mãos para não ser ativista?”, pergunta Trad.

O deputado reclama do recesso da Câmara, em janeiro. Não é o único. Rodrigo Maia, presidente da Câmara, também não queria, mas sozinho não faz verão. Neste dia em que o país registrou 1.194 mortes pela Covid-19, o número mais alto desde agosto, feliz de um pais que tem ministros no STF para cumprir o papel de autoridades que não conseguem se agarrar no serviço.

R$ 10 bilhões em 48 horas para o Pronampe

Publicado em Política

O presidente Jair Bolsonaro sancionou hoje à noite a lei que institui a terceira fase do Pronampe, o programa de socorro às micro e pequenas e empresas. Junto, saiu a Medida Provisória 1.020, que abre o crédito extraordinário para dar acesso aos recursos. Só tem um probleminha: Os empresários interessados terão que correr, porque, a legislação estabelece que essa ajuda só pode ser feita durante o período de calamidade pública, que termina na sexta-feira.

Isso significa que os empresários têm apenas hoje para ir aos bancos, em especial, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, para conseguir o crédito. Não são todos que vão conseguir. A sorte está lançada.

A Frente Parlamentar da Micro e Pequena empresa presidida pelo senador Jorginho Mello (PSD-SC) aguardava desde o Natal a sanção do projeto, a fim dos empresários terem, ao menos, uma semana para poder buscar os créditos. Agora, com a sanção a 48 horas do prazo final, a correria será grande. Até aqui, o Pronampe representou R$ 32,76 bilhões em socorro aos empresários, em 475 mil contratos. Agora, veremos quanto será feito nos próximos dois dias. Certamente, avaliam alguns, será difícil a parte burocrática desancar essa ajuda de R$ 10 bilhões em tão pouco tempo.

Bancada evangélica considera que prisão de Crivella é ação contra a Igreja Universal

Publicado em Política
Coluna Brasília-DF – por Denise Rothenburg

A prisão do prefeito Marcelo Crivella e a citação de que pode ter havido indevida utilização da Igreja Universal na ocultação de renda de origem não declarada deixaram parte da bancada evangélica certa de que o alvo é a Igreja Universal e o bispo Edir Macedo, padrinho do prefeito afastado e preso. Um dos que foram à tribuna várias vezes, ontem, foi o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), integrante de outro partido, que, como o Republicanos, também concentra parte da bancada evangélica: “O alvo é a Universal”, disse ele, revoltado com a prisão de Crivella.

Enquanto isso, em sua pregação diária no site da Universal, o próprio bispo Edir Macedo dizia aos fiéis para que não ficassem impressionados com as provações, porque, “quanto maior a tribulação, maior será sua utilidade para o Espírito Santo aqui na Terra”. O bispo, agora, está dedicado a preservar o rebanho e tentar blindar a igreja.

O jogo do MDB

A candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) está praticamente definida nos bastidores do entorno de Davi Alcolumbre. Porém, no governo, aliados do Planalto garantem que convenceram o presidente Jair Bolsonaro de que esse jogo pode ser perigoso e que o mais seguro é um candidato do MDB, no Senado, e o do PP, Arthur Lira, na Câmara. A sorte está lançada.

Nem adianta embolar

Ainda que os senadores do MDB apresentem um nome para o Senado, e Baleia Rossi seja, hoje, anunciado candidato do bloco “Câmara Independente” entre os deputados, a eleição da Câmara e a do Senado seguirão, cada uma, no seu tapete, sem misturar as cores.

Por falar no Senado…

Ali, assim como na Câmara, começa a afunilar a candidatura do MDB, porque o fato de Eduardo Gomes e Fernando Bezerra Coelho serem líderes de governo não ajuda. Portanto, está entre o comandante da bancada, Eduardo Braga (AM), ou a presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Simone Tebet (MS), com a vantagem interna para o líder.

Então, é Natal!/ A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP, foto) chegou, no fim da tarde, ao plenário da Câmara dos Deputados num vestido vermelho e, ao entrar, encontrou… Gleisi Hoffmann. Os cumprimentos à presidente do PT fizeram com que alguns deputados que viram a cena desconfiassem que se transformaram nas mais novas best friends forever.

Vacina reservada, hein??!!!????!!!!/ 
A notícia a respeito do pedido de reserva de vacinas para servidores do Superior Tribunal de Justiça (STJ) causa revolta nas redes sociais. Embora o STJ tenha respondido que não se trata de “furar fila”, é essa a ideia que passa quando já se sabe que não haverá vacina para todos no curto prazo.

Por falar em redes…/ No meio da tarde, já circulava nos grupos de WhatsApp dos parlamentares a marchinha da prisão do prefeito do Rio de Janeiro. “Crivella, Crivella, pode entrar, já abençoamos sua cela”

… E em vacinas/
 Em relação às vacinas, o Ministério da Saúde tem sido muito incisivo ao dizer que os imunizantes aprovados pela Anvisa serão distribuídos, primeiramente, aos profissionais da área da saúde, de segurança e grupos de risco — idosos e portadores de comorbidades. Quem pode trabalhar de casa que aguarde a sua vez na fila.

Por ser indicação dos filhos, Bolsonaro não deve afastar Ramagem

Alexandre Ramagem
Publicado em Política
Coluna Brasília-DF

O diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, é visto, no meio político, como uma indicação dos filhos do presidente e, diante dessa premissa, muitos estão com receio do que virá por aí. Em abril, quando foi escolhido, Jair Bolsonaro, perguntado sobre a amizade em suas redes sociais, soltou um “e daí?”. Disse que conhecera Ramagem antes dos seus filhos.

Nesse sentido, deputados fiéis ao governo acreditam que o presidente fará de tudo, menos afastar o diretor da Abin, alvo da investigação aberta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar se houve produção de relatórios para ajudar a defesa do senador Flávio Bolsonaro no processo das rachadinhas como mostrou a reportagem da revista Época.

Onde mora o perigo

O fato de Alexandre Ramagem ser ligado aos filhos do presidente da República deixa muitos deputados preocupados e desconfiados há tempos. Agora, essa questão voltou a incomodar. Afinal, se houve a produção de relatórios para ajudar Flávio Bolsonaro, nada impede, dizem alguns, que haja algo para constranger parlamentares, conforme começa, inclusive, a circular como um alerta nos grupos de WhatsApp das excelências. Por enquanto, é apenas uma preocupação.

Distanciamento, por favor

Quem primeiro defendeu o governo no episódio do 13º do Bolsa Família foi Arthur Lira (PP-AL). O líder do governo, Ricardo Barros (PP-PR), só apareceu depois. Amigos do alagoano ficaram irados, porque, como candidato a presidente da Câmara, Lira precisa ficar distante do governo para atrair votos da oposição. Só tem um probleminha: a oposição já colocou na testa de Lira a tarja de candidato do governo e, agora, não dá mais para recuar, avisam alguns.

Nem vem

Se depender de Bolsonaro, a resposta do ofício dos governadores que pedem a prorrogação do estado de calamidade será “não”. É que essa extensão vai contra o discurso do presidente de que está tudo voltando ao normal. A realidade, entretanto, é outra, com número de casos e de mortes por covid-19 ainda muito altos.

Sarney e as vacinas

Do alto de quem já viu quase tudo na política, o ex-presidente José Sarney, em artigo em que elenca as guerras das vacinas do passado e vê, agora, contra a covid-19, diz: “Por trás, ontem e hoje, o egoísmo do homem, que tem algo, ou material ou intelectual, a defender em proveito pessoal. A guerra atual é entre laboratórios ingleses, americanos, chineses, alemães, e de todo lado, cada qual querendo chegar na frente e tirar proveitos comerciais. Já os governos e políticos desejam obter dividendos eleitorais”.

Chinelo voador??!!/ Bolsonaro ficou irado ao ver a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), ao lado do PSL, presidido pelo deputado Luciano Bivar (PE), partido que ele ajudou a alavancar nas urnas em 2018. O presidente chegou a jogar um chinelo longe, segundo relatos.

Fica esperto/ Aliados de Arthur Lira têm dito que, quando dois partidos tão antagônicos aparecem na mesma foto, está na hora de o alagoano rever sua estratégia.

Candidato dos Bolsonaro/ O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP,) foi às redes pedir votos em favor de Josiel Alcolumbre (DEM) para prefeito de Macapá, na eleição de hoje. Josiel é irmão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. “Do outro, Dr. Furlan, do Cidadania (dissidência do PCB), apoiado pelo “senador DPVAT” Randolfe Rodrigues, da Rede, mais o PSB, partido que, via STF, suspendeu a isenção de imposto de importação de armas”, disse Eduardo, fechando com um “Quem apoia Bolsonaro já sabe”.

Que não se repita/ A deputada Érika Kokay (PT-DF) cobra a aprovação de uma moção de solidariedade da Câmara à deputada estadual Isa Penna (PSol), vítima de assédio no plenário da Assembleia Legislativa paulista. A bancada feminina vai se revezar em pronunciamentos para deixar bem claro que o assédio é intolerável em todas as suas formas.

PSol sob pressão

Publicado em Política

A decisão da maioria dos partidos de esquerda, de apoiar o bloco formatado por Rodrigo Maia (DEM-RJ) para disputar a Presidência da Câmara, em oposição ao Centrão de Arthur Lira, não inclui o PSol. O partido, que teve Marcelo Freixo como candidato na última eleição __ e obteve 50 votos __ seguiu o seu grupo até a decisão de não apoiar o candidato de Jair Bolsonaro, no caso Arthur Lira. Mas prefere lançar um nome próprio. A esquerda, porém, não deixará isso solto.

A formação de dois grandes blocos indica que a sucessão para presidência da Casa promete ser decidida em turno único. E os votos do PSol podem ser cruciais para assegurar uma vitória contra o governo. É esse o discurso que os partidos de esquerda vão usar junto ao Partido Socialismo e Liberdade para agregá-lo ao grupo. É que, se lá na frente, faltarem poucos votos para eleger o candidato do bloco “Câmara Independente” e o PSOL ficar fora do grupo, o partido será acusado de ter jogado de forma ajudar o candidato de Bolsonaro. Algo que, obviamente, o PSol não quer.

Declaração de Bolsonaro sobre a eleição na Câmara é igual a R$ 3,00

Publicado em Política

A afirmação do presidente Jair Bolsonaro de que não irá interferir na Presidência da Câmara dos Deputados “da mesma forma que não interferia na atuação de seus ministros” teve efeito zero entre os partidos. Foi feita para ver se conseguiria evitar que os partidos de oposição vetassem a formalização de apoio a Arthur Lira (PP_AL). Deu errado, porque os partidos de oposição, PT, PDT, PCdoB, Psol e PSB já definiram que não vão apoiar formalmente Arthur Lira. Note-se que a decisão, fechada hoje numa reunião dos líderes desses partidos, inclui o PSB, a tem Lira ainda tem esperança de conquistar mais à frente.

A temporada pré-Natal se encerra esta semana com a tarja de “candidato do governo” tatuada na testa de Arthur Lira e nada que o candidato do PP diga daqui para frente fará mudar essa visão. É que, entre as declarações e os gestos, os políticos dos partidos de esquerda avaliaram os gestos. Bolsonaro disse esta semana, numa solenidade em São Paulo, que mal pode esperar a troca de comando na Câmara para fazer a sua pauta ideológica e de costumes. Foi ao lado dele que o vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira, foi comemorar o apoio a Arthur Lira. Portanto, avisam os congressistas, para o bem ou para o mal, é essa a posição que Lira ocupará na disputa.

Os partidos, porém, ainda não estão decididos a apoiar o candidato que vai sair do grupo de seis partidos capitaneados pelo atual presidente, Rodrigo Maia. Ali, muitos têm plena consciência de que o não-apoio ao bloco dos seis partidos e a busca de um candidato mais à esquerda pode levar a uma divisão de forças que resulte na eleição de Arthur Lira, que tem o aval do presidente Jair Bolsonaro. Esses partidos também têm ciência de que o presidente não estaria comemorando apoios a Lira dentro do Planalto se não tivesse a certeza de que poderá contar com o papista para fazer valer a agenda que mais lhe interessa. Lira, porém, não deixará de trabalhar esses votos no varejo, como o leitor da coluna Brasília-Df e do blog já está cansado de saber. Numa eleição para presidência da Câmara 45 dias é longuíssimo prazo.