A economia e as narrativas sobre o funcionalismo

Crédito: Maurenilson Freire
Publicado em 6x1, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, IA, Orçamento, PL, Política, Reforma Administrativa, Segurança Pública, Senado, STF, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 1⁰ de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire
Crédito: Maurenilson Freire

Com a entrega do Orçamento da União ao Congresso esta semana e os projetos em pauta, o presidente Lula se prepara para dizer, no horário eleitoral, que seu governo acena com responsabilidade fiscal sem tirar de cena os programas sociais. Encaixará nesse discurso pontos levantados pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sobre uma reforma administrativa que “enfrente as corporações” . Durante a participação no Macro Day, do BTG Pactual em São Paulo, Marinho não esmiuçou a proposta de reforma administrativa, mas disse que é preciso enfrentar as corporações, algo que, na visão dele, o atual governo não fará. Há um receio, no poder público de forma geral, de que essa reforma administrativa reduza o ingresso por concurso em alguns cargos e que isso represente um afrouxamento nos mecanismos de controle. Incluídos aí a Receita Federal, a Polícia Federal, o Ministério Público, o próprio Coaf — o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que, hoje, alerta todas essas instituições a respeito das transações financeiras atípicas.

Retorno ao passado/ Um grupo pensa, inclusive, em recuperar a frase do então presidente Jair Bolsonaro, numa reunião em 2020, quando ele foi direto ao dizer que não esperaria “f.. a família” , para trocar alguém de segurança na ponta. “Se não puder trocar, troca o chefe, se não puder trocar, troca o ministro” . Aliás, com a campanha esquentando, as frases antigas de Bolsonaro serão revisitadas por todos os adversários.

Lula e Alcolumbre I

Ao indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga de Bruno Dantas no Tribunal de Contas da União (TCU), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, garante um lugar de peso para o seu aliado, mas não sela a sua pacificação com Lula, uma vez que este posto já é de indicação dos senadores. O que falta para dar os 100% entre Lula e o senador amapaense é Alcolumbre desmontar as travas para a aprovação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal.

Lula e Alcolumbre II

Como o leitor da coluna já sabe, o presidente Lula não desistiu de indicar o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) e planeja fazer isso depois da eleição. Porém, já tem gente apostando que Bruno Dantas não teria deixado o cargo sem a promessa de uma indicação ao STF. Com isso, duas das possíveis quatro novas vagas na Suprema Corte seriam destinadas a homens.

Vão dificultar

A oposição no Senado promete uma votação demorada da PEC do fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Para isso, preparou um kit obstrução robusto para comissão e plenário, caso necessário, e garante que votará contra o texto, diferentemente do que ocorreu na Câmara. De acordo com senadores ouvidos pela coluna, a oposição não irá se “furtar” do compromisso com o Brasil e com quem gera emprego no país, diferente dos deputados que não bancaram o voto contrário. “Lula está buscando a bala de prata, que não ocorrerá” , diz o senador Rogério Marinho.

Convocação geral

Parlamentares da base do governo Lula estão a caminho de Brasília nesta semana para a possível votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 no Senado. Mesmo em período eleitoral, deputados e senadores estão confirmando presença no Congresso Nacional hoje e, principalmente, amanhã. A expectativa no Parlamento é a de que o texto seja aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) amanhã.

CURTIDAS

Efeito Cury/ Se as futuras pesquisas confirmarem o crescimento de Augusto Cury nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá que rever a sua disposição de não participar de debates. Pelo menos essa é a opinião de deputados que apoiam a candidatura do senador. É que, com vários representantes mais conservadores no páreo, quem não se apresentar corre o risco de perder a torcida.

O entusiasmo fala/ Se alguém tinha alguma dúvida sobre para que lado pende o coração de, pelo menos, parte dos barões do mercado financeiro nesta eleição, agora não tem mais. Na plateia do Macro Day, do BTG Pactual, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha de Flávio Bolsonaro, foi ovacionado ao dizer que era preciso tirar o PT.

Novos tempos/ Para a mesma plateia do BTG, o vice-presidente Geraldo Alckmin havia dito antes do senador potiguar que há uma tendência natural no mundo de redução da jornada (e/ou escala) de trabalho e que era possível a aprovação da PEC esta semana. Teve gente se remexendo na cadeira.

Crédito: Washington Costa

E a segurança, hein?/ Logo depois de se referir à segurança pública como algo que a Constituição atribui aos estados e não à União, o ministro da Fazenda, Dario Durigan (foto), se referiu ao aniversário de um ano da Operação Carbono Oculto, que desbaratou um esquema do crime organizado para lavar dinheiro usando postos de combustíveis e fundos de investimentos. E foi além, ao dizer que está-se montando um sistema de IA para a realização de uma Carbono Oculto a cada dois meses. Se for por aí, avaliam governistas, Lula pode ter um passe para entrar com o pé certo no discurso de combate ao crime organizado.

Colaborou Luiza Altoé

Delação de Daniel Vorcaro trava antes do primeiro turno

Publicado em Política

Coluna Brasília-DF publicada na sábado, 30 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Quem quiser apostar que uma delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro saia antes das eleições arrisca perder dinheiro ou um bom vinho. Preso e acusado de fraude contra o sistema financeiro, apenas agora veio a perspectiva de uma nova delação, que ainda precisa ser posta no papel, avaliada pelos investigadores, pelo Ministério Público e por aí vai. Esse processo leva, pelo menos, 30 dias. Portanto, difícil que ele sirva de balizador do eleitorado na reta final da campanha. Aliás, o que se ouve no Supremo Tribunal Federal é que isso não pode ser usado para beneficiar ou prejudicar o candidato A, B ou C. O mesmo raciocínio vale para o caso das emendas parlamentares. A ideia é suspender operações ao longo do processo para evitar acusações de interferência no processo. A não ser que seja algo tão grave que não possa ficar para depois.

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Quem perde de fato/ Essa demora, porém, seja com a delação de Vorcaro (se for realmente uma delação contando tudo), seja com o caso das emendas, deixa o eleitor sem todas as informações para que possa decidir de forma mais clara em quem votar, avaliando erros e acertos de cada candidato. Triste de quem terá que votar com essa sombra sobre o futuro.

Um acordo futuro

O almoço entre o presidente Lula e os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e o do Senado, Davi Alcolumbre, foi muito além dos projetos em pauta. Pelo andar da carruagem, ficou meio que alinhavado um entendimento num cenário de Lula reeleito. Consiste no seguinte: se Motta e Alcolumbre tiverem condições de reeleição para as posições que ocupam, terão o apoio do PT.

E um baixar a poeira

A ordem entre eles é trabalhar para retomar o que Lula chamou de “institucionalidade”. Ou seja, baixar a temperatura das crises entre os Poderes para trabalhar os problemas do Brasil, em especial, a economia e os projetos de desenvolvimento.

A esperança de virar a página

O esforço concentrado desta semana é visto como a esperança do presidente Lula e de seus aliados de colocar uma pauta positiva na campanha eleitoral, a começar pela medida provisória que acaba com a taxa das blusinhas, a ser relatada pela senadora Leila Barros (PDT-DF), a Leila do Vôlei, passando ainda pelo marco legal dos minerais críticos e o fim da escala de trabalho 6×1.

Um flanco aberto I

O presidente Lula vai aproveitar o fato de o senador Flávio Bolsonaro ter dito em entrevista ao Jornal Nacional que não acredita no aquecimento global para empinar a bandeira ambiental e tentar classificar o candidato do PL como alguém que despreza a ciência. Afinal, o aquecimento já foi consagrado pelos cientistas e os problemas econômicos e sociais causados por esse fenômeno crescem a cada dia. A última tragédia foi na semana passada, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O Rio Grande do Sul, por exemplo, continua em alerta para tempestades e ventos fortes, onde duas pessoas morreram.

Um flanco aberto II

Não foi apenas Flávio que deixou abertura para ataques dos adversários. O fato de Lula ter aparecido em fotos antigas ao lado da lobista Roberta Luchsinger, depois de dizer que não conhecia a “pilantra”, fará do presidente-candidato alvo fácil nos próximos dias, tal e qual Flávio Bolsonaro virou depois de dizer que não tinha nada com Daniel Vorcaro. O financiamento do filme veio a público e deixou o candidato numa defensiva da qual ele não consegue se livrar, uma vez que ele próprio mencionou um contrato com Vorcaro que nunca foi apresentado. Flávio insiste em dizer que não houve dinheiro público, embora o financiamento tenha vindo de um banco que captou recursos em fundos de previdência, inclusive do Rio de Janeiro, onde ele é senador.

CURTIDAS

Tensão/ No entorno de Lula, o que se diz é que a lobista Roberta Luchsinger não tem nada que possa comprometer o petista. Porém, tal e qual a mãe de Lurian, filha mais velha do presidente, tentou prejudicar Lula na campanha de 1989, acusando o então candidato de lhe propor um aborto, qualquer mentira nessa curta campanha pode representar um estrago.

O jogo de Leila do Vôlei/ Candidata à reeleição, a senadora terá um momento de visibilidade que a oposição não tem como criticar. Leila (foto), da sua parte, aproveita a oportunidade para se mostrar uma promotora do diálogo. Ela já se reuniu com o governo e irá se reunir com o setor produtivo.

6×1 na campanha/ Quem teve qualquer relação com o projeto não deixa de citar o texto nos seus jingles. Léo Prates (Republicanos-BA), relator do texto na Câmara, na semana passada, inclusive, mencionou que estava articulando a aprovação do projeto no Senado.

Renan Santos ignora a Constituição com plano nuclear

Publicado em Política

Coluna Brasília-DF publicada na sábado, 29 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza

Na rodada de entrevistas realizada pelo Jornal Nacional, o candidato Renan Santos (Missão) defendeu que o Brasil precisa de uma bomba atômica para se fazer respeitado — ou temido? — pelas demais potências mundiais. Para uma declaração desse porte, convém fazer dois reparos.

O primeiro: seria preciso mudar a Constituição brasileira, que determina o uso de energia nuclear apenas para fins pacíficos. O segundo: não há possibilidade de os Estados Unidos permitirem um programa nuclear militarizado em um país vizinho que mantém relações amistosas com a China e a Rússia.

De todo modo, o fortalecimento militar do Brasil não constitui um disparate. Pelas dimensões que possui e em razão das ameaças externas e internas ao território nacional, é pertinente ampliar o poderio militar do país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou essa necessidade recentemente, ao comentar que é preciso “preparar o país não para a guerra, mas para a paz”.

O problema é ter um orçamento para executar tal tarefa. Na realidade fiscal de hoje, essa possibilidade simplesmente não existe.

Aécio na área

Com a decisão, divulgada ontem, de disputar a corrida eleitoral para o Senado por Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB-MG) deixou a disputa mais embaralhada. Ele diz que cedeu à pressão do partido, de empresários e de lideranças regionais para voltar às urnas. A mudança de nome dos partidos é permitida até 15 dias antes da eleição.

Concorrentes

Segundo as pesquisas de intenção de voto, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) lidera a disputa para o Senado. A segunda vaga tem como postulantes Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL) e Marcelo Aro (PP), entre outros.

Plano B

A reviravolta com a candidatura de Aécio veio na sequência dos rumores, no início da semana, de que outro mineiro poderia mudar a rota eleitoral: Romeu Zema, candidato do Novo ao Planalto. Nos bastidores, comenta-se a possibilidade de ele optar por concorrer ao Senado aos 45 do segundo tempo.

E o Fundo Eleitoral, hein?

Perto de R$ 5 bilhões, o Fundo Eleitoral é insuficiente para bancar o teto das candidaturas a todos os postulantes a cargo público. E a insatisfação começou a ganhar voz. No Rio Grande do Norte, o candidato a deputado estadual Ivan Baron — que subiu a rampa durante a posse de Lula, em 2023, representando os brasileiros com deficiência — recebeu apenas R$ 24 mil para a sua campanha.

Esquece isso aí

Está em declínio a ideia de aprovar um projeto de lei ordinária que regulamentaria as jornadas especiais de trabalho após a aprovação do fim da escala 6 x 1. Parlamentares ouvidos pela coluna explicam que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) já prevê redefinições de jornadas pelas convenções trabalhistas e ressaltam que foi por causa de uma demanda dos empresários que essa possibilidade foi resguardada.

Caso a caso

Há quem diga que, se algum setor não conseguir se ajustar por meio de convenção, seria o caso do Congresso de se debruçar sobre a dificuldade e aprovar eventuais ajustes. Dois setores podem precisar dessa revisão: telesserviço e jornalismo, por terem apenas 30 horas em seis dias, mas que reduzirá para 25 horas em cinco dias caso a PEC do fim da escala 6 x 1 seja aprovada.

Isonomia entre os produtos

Para agradar o setor, é possível que a relatora da medida provisória da taxa das blusinhas, Leila Barros (PDT-DF, foto), insira no texto uma conformidade entre produtos brasileiros e estrangeiros. Ou seja, os comprados pelas plataformas terão de passar pelas mesmas exigências de produção, fiscalização e autorização que os nacionais — como, por exemplo, produtos que precisam de aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É uma sugestão para facilitar o consenso com a indústria brasileira.

Sob nova direção

O ex-secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e ex-presidente do Sebrae Nacional Sérgio Moreira assume a direção de Operações e Projetos do Instituto Amazônia 21. A iniciativa é da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e das Federações da Indústria da Amazônia Legal.

Madeira nobre

Um dos programas que estarão sob a gestão de Sérgio Moreira é o Morar Amazônico. A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a Caixa Econômica Federal, por meio do Fundo Socioambiental Caixa (FSA). O objetivo é provar que a indústria sustentável da madeira nativa manejada pode contribuir para soluções habitacionais de interesse social e fortalecer a cadeia produtiva da construção civil.

Governo marca ponto no Senado

Crédito: Maurenilson Freire
Publicado em 6x1, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Lula, PL, Política, Ronaldo Caiado, Segurança Pública, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 28 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Ao emplacar três aliados nas relatorias de projetos importantes no Senado, o Palácio do Planalto conseguiu dois feitos: encaminhar textos alinhados com os objetivos do governo e manter em destaque os aliados escolhidos para a eleição. Os senadores Cid Gomes (PSB-CE), que ficou com o Redata, e Eduardo Braga (MDB-AM), com a política nacional de minerais críticos, lideram as últimas pesquisas ao Senado feitas em seus estados.

No caso da senadora Leila Barros (PDT-DF), relatora da PEC que trata da taxa das blusinhas, a designação é mais um ativo na corrida para uma das vagas ao Senado pelo Distrito Federal. A ideia é votar o parecer na próxima terça-feira, na primeira reunião após a eleição da mesa da comissão especial, marcada para hoje.

O arranjo definido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) desata um nó institucional em que se encontravam os poderes Executivo e Legislativo há meses. Apesar dos avanços, com evidentes dividendos eleitorais, há dúvidas em relação ao comportamento do plenário do Senado, principalmente depois das eleições. Não é certo se as propostas sairão integralmente conforme os desígnios do Planalto.

Sem alteração

Cid Gomes pretende seguir o mesmo caminho que o colega Omar Aziz (PSD-AM): manter o texto da Câmara dos Deputados sobre o Redata, regime especial de tributação de datacenters, e buscar consenso. Até ontem, a matéria acumulava 22 emendas apresentadas. O texto está pronto para ir a Plenário.

Já vi esse filme

À coluna, Gomes afirmou que irá analisar todas as sugestões, mas não deverá aceitar alterações de mérito. “Não há nenhuma novidade. O Brasil já teve um programa de incentivo para data centers ainda no primeiro governo Lula, em 2005” , lembrou o relator.

Emendas do setor

Contudo, o setor defende que haja um aperfeiçoamento no texto aprovado na Câmara no começo do ano. A coalizão das frentes parlamentares produtivas apoia a emenda que prevê a utilização de fontes firmes, como gás natural, energia nuclear e biometano, complementares às fontes renováveis e essenciais para empreendimentos que operam de maneira contínua.

Se tem acordo…

Caso a emenda seja acatada, o texto deverá retornar à Câmara para uma nova votação. O setor ressalta que isso não seria um problema, haja vista o compromisso firmado entre Lula, Motta e Alcolumbre para aprovar essa matéria.

Hora de se apresentar

Na estreia do horário eleitoral no rádio e tevê, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) usará os quase três minutos de propaganda a que tem direito para divulgar seus feitos. Inicialmente, a campanha não deverá atacar Lula ou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mas é possível uma mudança de tom até outubro. Nesta fase da campanha, Caiado pretende mostrar ao Brasil as realizações em Goiás, com enfoque especial na segurança pública.

Ficha limpa

As peças ainda devem ressaltar que, em 40 anos de vida pública, Caiado teria uma conduta imune a escândalos. O mote da campanha será: “Muito para mostrar e nada para esconder” .

Crédito: Instagram pessoal

Janela de oportunidade

Em relação à medida provisória da taxa das blusinhas, o PL pretende alcançar um equilíbrio entre a concorrência e o acesso aos mercados globais. O deputado Rodrigo Valadares (PL-SE, foto) afirma que a bancada buscará “um denominador comum” . “O caminho é pensar em desburocratizar o empreendedor nacional, e não criar mais regras para o e-commerce internacional” , avalia.

Isenção fiscal

Segundo o parlamentar, “a taxa das blusinhas fez tanto mal para o consumidor final quanto para pequenos empreendedores que compravam nas lojas on-line para fazer seus estoques” . A bancada também é favorável à isenção da taxa.

Combustível do futuro

Na próxima quarta-feira, será realizado, na Câmara dos Deputados, um seminário em comemoração aos dois anos da Lei do Combustível do Futuro. A Comissão Especial sobre Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde (Ceenerg) vai reunir representantes dos principais setores para discutir os avanços regulatórios, os desafios ainda existentes e as perspectivas para os combustíveis de baixo carbono no Brasil.

O paradoxo dos homens públicos

Publicado em Política

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 25 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Para os problemas da democracia, mais democracia. Essa máxima está cada vez mais distante do que se vê nesta campanha eleitoral, marcada por candidatos que falam muito para seus seguidores, mas se recusam a confrontar argumentos contrários. Nesta etapa a caminho do primeiro turno, permanece a estratégia de evitar críticas diretas de outros concorrentes ao cargo público.

Crédito: Kleber Sales

Trata-se de um paradoxo. Os postulantes a um cargo público rejeitam a possibilidade de passar por situações que possam deixá-los em má situação com o eleitorado. Com exceção de quem já decidiu o voto, é de se perguntar por que alguém confiaria um mandato para um candidato que nem sequer dá as caras em momentos relevantes.

Ao justificar a ausência, Flávio Bolsonaro afirmou que o adversário com quem pretende debater é o candidato à reeleição. Lula, por sua vez, lamenta a suposta baixa qualidade dos presidenciáveis, treinados para lacrar na internet. É uma lástima os dois não terem apresentado esses argumentos ao vivo e em cores.

Apatia

Especialistas avaliam que as faltas no primeiro debate presidencial podem se tornar uma tendência caso os eleitores não se incomodem com as ausências. “Se a ausência não custar votos, as cadeiras vazias podem se tornar cada vez mais comuns”, alerta o cientista político Murilo Medeiros.

Debate à la carte

Para ele, “o risco é consolidarmos uma espécie de ‘debate à la carte’, em que os candidatos escolhem quando participar, em qual emissora comparecer e, sobretudo, com quem estão dispostos a debater. Quem perde é a democracia, com presidenciáveis cada vez menos expostos ao contraditório”, acrescenta.

Amazonas na 6×1

O estado do Amazonas está representado em peso no debate sobre o fim da escala 6×1. Relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça, o senador Omar Aziz (PSD) acredita que a Casa não modificará o texto proveniente da Câmara dos Deputados. Já o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, pediu uma audiência com representantes dos trabalhadores e dos setores mais afetados. Braga e Aziz concorrem juntos no Amazonas: o líder do PSD disputa a eleição para governador; o emedebista busca a reeleição.

E as blusinhas, hein?

Em 1º de setembro, senadores e deputados deverão escolher um presidente e relator para a medida provisória que suspende a taxa das blusinhas na Comissão Especial. Por enquanto, três nomes estão em cena: Reginaldo Lopes (PT-MG), Jadyel Alencar (Republicanos-PB) e Rodrigo Valadares (PL-SE).

Caixa vazio

A ação de questionamento do PT sobre o Fundo Eleitoral, que só foi extinta pela Justiça Eleitoral recentemente, deixou muitos candidatos sem dinheiro logo na primeira semana de campanha. Alguns conseguiram se virar com valores do Fundo Partidário, mas a maioria recorreu às doações para viabilizar os primeiros compromissos.

Combustível

Com a liberação dos R$ 2,3 bilhões que estavam travados, parlamentares se preparam para acelerar as campanhas. Sem o dinheiro, nem mesmo trabalhar nas redes sociais estava sendo possível. Não havia como pagar impulsionamento nem equipe para essa função.

Justiça comum

A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha (foto), defendeu, ontem, que casos de violência doméstica contra mulheres das Forças Armadas sejam julgados pela Justiça comum, e não pela Justiça Militar. A magistrada alertou que o ordenamento jurídico civil oferece instrumentos de proteção às mulheres que não estão previstos na Justiça Militar.

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Maria da Penha

A ministra Maria Elizabeth tratou do tema em evento promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Rio de Janeiro, por ocasião dos 20 anos da Lei Maria da Penha. As participantes debateram maneiras de aprimorar a legislação no enfrentamento da violência contra a mulher.

O homem dos números

Esta semana, o candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) vai anunciar quem será o ministro da Fazenda, caso vença a eleição em outubro. Um dos colaboradores do presidenciável é o ex-secretário de Orçamento do Ministério do Planejamento Paulo Bijos. Ele deixou o governo Lula em 2024. À coluna, o consultor afirmou que auxilia no programa econômico de Renan como cidadão. No partido, Bijos será bem-vindo para integrar a equipe no Ministério da Fazenda, se assim desejar.

Desafio nas redes

Um desafio no combate à desinformação nas eleições é a eficiência para retirar do ar fake news e conteúdos irregulares. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) executa a tarefa de derrubar páginas na internet, mas depende de uma decisão judicial. Esse intervalo, que corresponde a uma eternidade no universo das redes sociais, preocupa especialistas.

“Sanha arrecadatória” colada no governo

Publicado em Política

*Coluna Brasília-DF publicada neste domingo (23/8) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito

Rouco de tanto repetir que, se seu filho for culpado, deve ser investigado e punido como qualquer outro brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem um problema para tentar resolver — e rápido. A imagem de que o governo tem o que os oposicionistas chamam de “sanha arrecadatória”. Em seminários e palestras, representantes de diversos setores têm reclamado de alguns pontos nesse sentido. O setor do petróleo é um deles. Participantes do 25º Fórum Empreesarial Lide, no Rio de Janeiro, e instituições ligadas à extração, citam, por exemplo, os 12% cobrados nas exportações de petróleo. Esse percentual foi fixado por medida provisória. Depois, quando a MP perdeu a validade, o governo manteve a cobrança por uma resolução da Camex. “Outros países também produzem petróleo. Com esse imposto, a perspectiva de atração de empresas será menor, uma vez que a capacidade de refino também é reduzida”, adverte o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Roberto Ardenghy.

No aguardo/ O setor petrolífero espera que a Justiça Federal se pronuncie a respeito da ação que tramita na 17ª Vara Federal, a fim de barrar os 12%. A expectativa é de que esse imposto pode, inclusive, reduzir o interesse das empresas pelos campos a serem licitados, sobretudo na Margem Equatorial. Afinal, avisam os empresários, o fato de uma medida provisória caducar e o governo manter o imposto por resolução da Camex, é sinal de insegurança jurídica.

A outra polarização

Não é apenas na campanha presidencial que PT e PL têm disputas acirradas. Para a Câmara dos Deputados, a briga será tão ferrenha quanto. É que as duas legendas projetam a eleição de 100 deputados, sendo que o PT conta, ainda, com a federação — que inclui PCdoB e PV. E, se contar PSol e Rede, deve passar dessa centena.

Últimos ajustes

O governo passa esses dias terminando a elaboração do Orçamento de 2027 para enviar ao Congresso. A avaliação é de que a equipe econômica terá que fazer malabarismos, a fim de evitar dar discurso à oposição sobre os problemas fiscais para o ano que vem. Há o desafio de apresentar uma conta crível e factível, uma vez que haverá aumento de gastos obrigatórios — especialmente, na Previdência. Tem gente trabalhando madrugada adentro.

Gaspar, Flávio e o Nordeste

Do lado da campanha presidencial do PL, o vice-presidente da chapa, deputado Alfredo Gaspar (AL), foi escalado para a maior parte das agendas no Nordeste. Ontem, por exemplo, representou a campanha presidencial no lançamento da postulação à reeleição do líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto (PL-PB), em João Pessoa. Interlocutores do partido dizem que Flávio vai analisar suas viagens à região com muita cautela para não se expor. Porém, o problema é outro. É que, com o favoritismo de Lula por lá, muitos querem distância de Flávio.

Bets e campanha

Até aqui, os oposicionistas não fecharam propostas sobre esse tema. A estratégia de Flávio Bolsonaro, por exemplo, é culpar Lula pela demora da regulamentação das casas de aposta on-line, principalmente com os dados de apostas dos beneficiários do Bolsa Família. No entanto, não tem um projeto pronto para o setor.

Campanha dupla/ Candidata a deputada federal pelo Podemos, a ex-primeira-dama do Distrito Federal Mayara Noronha fechou uma dobradinha eleitoral com o empresário Neto Rodrigues, que disputa uma vaga de deputado distrital pelo partido. Mayara vem com a experiência acumulada na área social, enquanto Neto chega com um discurso voltado ao setor produtivo.

Data Uber/ Enquanto os taxistas do Rio de Janeiro se mostram divididos em relação à eleição de outubro, os motoristas de aplicativo da cidade são incisivos ao dizer que não pretendem votar em ninguém. O desencanto com os políticos é geral entre os cariocas, onde Lula e Flávio Bolsonaro fizeram atos de campanha neste fim de semana.

Um espaço grande para dois/ O hotel onde Lula e sua comitiva se hospedaram, no Rio de Janeiro, foi o mesmo onde o ex-governador de São Paulo, João Doria, comandou o 25º Forum Empresarial Lide, na sexta-feira. Lula chegou ao hotel no fim da noite. Estavam, inclusive, no mesmo andar. Lula numa ala mais reservada, cheia de seguranças à porta. E Doria do outro lado. O ex-governador só saiu, no início da tarde, quando o presidente já havia deixado o hotel para o ato de campanha em Bangu, ao lado do ex-prefeito Eduardo Paes.

Justiça eleitoral e IA/ Em vídeo produzido por inteligência artificial, o candidato ao governo do Maranhão e ex-senador Roberto Rocha (PRTB) cria um cenário em que três homens jogam trinca e suas expressões não são boas. Nas cartas, há rostos de oponentes regionais, como o do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino; dos candidatos ao governo Eduardo Bride (PSD) e Orleans Brandão (MDB), de Lula e do ex-ministro dos Esportes e candidato ao Senado André Fufuca (PP). Então, Rocha entra na sala, vira a mesa do jogo e surge a frase: “Quando as cartas estavam marcadas, uma nova jogada virou a mesa”. Vai dar muita polêmica. No mínimo.

Um desafio para Lula

Publicado em Política

*Coluna Brasília-DF publicada neste sábado (22/8) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito

Os percalços eleitorais do presidente Lula vão muito além do caso em que o seu filho, Lulinha, é investigado por tráfico de influência. Se essa nuvem escura se mantiver desgastando a campanha mais à frente, a ponto de refletir na decisão do eleitor em um possível segundo turno, será um problema a mais para levar o cidadão brasileiro a ir votar na segunda rodada. As contas dos especialistas em pesquisas apontam que nos estados mais populosos do Nordeste, região em que Lula tem vantagem, a eleição pode ser decidida em primeiro turno. Estão nessa lista Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco e Piauí, ou seja, algo em torno de 75% dos nordestinos, conforme exposição do CEO da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, no 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro.

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Pau que bate em Chico, bate em Francisco/ Enquanto o CEO da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, acredita que Flávio Bolsonaro terá a vantagem nessa situação, o CEO da Atlas, André Roman, alerta que, se a abstenção for alta no primeiro turno, isso pode favorecer Lula, por causa do desinteresse dos eleitores mais à direita: “No segundo turno, o Flávio leva vantagem, mas sempre existe a possibilidade de a eleição acabar no primeiro turno por causa da abstenção maior entre eleitores da direita. Também precisamos lembrar que Lula está no patamar de 48% de votos válidos em muitas pesquisas. Então, dependendo da taxa de participação que você assume entre eleitores da direita de forma geral, ele poderia ter uma chance a partir da abstenção no primeiro turno”, argumentou Roman.

Coincidência…

Logo depois de a financista Daniella Marques, coordenadora do projeto de economia de Flávio Bolsonaro, referir-se à proposta de fim da escala 6×1 como “populista e inócua”, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), escolheram os relatores das propostas de emendas à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 e da segurança pública.

… em política

As falas de Daniella Marques deixaram muita gente no Senado com o receio de que o projeto seja retirado se Flávio Bolsonaro for eleito presidente da República. Por isso, a ordem é correr. Omar Aziz vai conversar com os senadores na próxima semana. A ideia é apresentar seu parecer na semana de esforço concentrado a partir de 31 de agosto. Aziz é favorável ao fim da escala 6×1 e à transição de 60 dias após a promulgação aprovada pela Câmara dos Deputados. Falta combinar a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário.

E as bets, hein?

No 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, o presidente do conselho do grupo Petz/Cobasi, Sérgio Zimerman, foi intensamente aplaudido ao pregar a proibição de 100% de propaganda para as bets, tal e qual o cigarro. E foi além. O consumo paga um imposto de 35% enquanto as bets recolhem 15% de impostos. Logo, o governo deixa de arrecadar mais com o dinheiro que deixa de ir para o consumo e vai para as apostas on-line.

Misoginia, não!

Coordenadora do programa de governo de Flávio Bolsonaro, a financista Daniella Marques foi direta ao mencionar o projeto de lei da misoginia que tramita no Congresso. “Não acredito nesse tipo de lei. Não é com discurso hipócrita e leis inócuas que a gente fica protegida. Já existem leis para ofensas e agressões, e a gente precisa é que sejam efetivas.”

Ganha-ganha/ Os relatores do fim da escala 6×1, Omar Aziz, e da PEC da Segurança, Rogério Carvalho (PT-SE), têm agora a chance de ganhar projeção com temas que calam fundo na vida do cidadão comum. Aziz é candidato a governador, e Carvalho, à reeleição.

Vale para todos/ No 25º Fórum Empresarial Lide, ontem, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu os sigilos das investigações e dos processos de casos em andamento. A defesa da proteção das informações vem após uma série de vazamentos sobre o caso do filho do presidente Lula, o Lulinha, investigado por suspeita de tráfico de influência. Vale também para o caso do financiamento do filme Dark Horse, dinheiro pedido por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro. Na plateia, alguns atentos empresários afirmavam que à luz do sol, porém, é um bom meio de se conhecer pessoas e situações.

Chave de ouro/ Ao fim do evento no Rio de Janeiro, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) recebeu uma homenagem do fundador do Lide, João Doria, e do chairman, João Doria Neto. O parlamentar foi incisivo ao reforçar seu projeto de fim da reeleição; na visão dele, uma proposta pendente para terminar a reforma política. Pacheco não estará no Senado no ano que vem, mas considera importante colocar esse tema na roda em 2027.

A volta aos poucos/ Anfitrião de quase todos os seminários de think-tanks no Rio de Janeiro em 2024 e 2025, quando era governador do estado, Claudio Castro fez questão de comparecer ao encerramento do 25º Fórum Empresarial Lide. Na plateia, acompanhou atentamente a homenagem ao senador Rodrigo Pacheco. Castro, entretanto, faz questão de se manter à margem das discussões políticas. Amigos comentam que ele tem se dedicado à advocacia e à consultoria.

Rodrigo Pacheco critica a falta de diálogo entre os chefes dos Poderes

Publicado em Câmara dos Deputados, Congresso, Crise entre os Poderes, Eleições 2026, Política, Senado, STF

Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — O senador e ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) criticou a falta de diálogo entre os chefes dos três Poderes durante sua fala no 25º Fórum Empresarial LIDE, no Rio de Janeiro. Pacheco discursou sobre os desafios para o Brasil de amanhã e destacou a importância do diálogo. 

Crédito: Evandro Macedo e Gabriel Okawa/LIDE

“Se antevê uma necessidade, em razão do ambiente muito polarizado e dividido, e, a depender da conformação do Congresso Nacional, de uma capacidade do governante de diálogo, de estrutura, de debate e de aceitação de divergências. […] É muito ruim quando um presidente da República, um presidente do Senado, um presidente da Câmara, um presidente do Supremo Tribunal Federal não dialogam. Então esse é um grande desafio”, argumentou. 

Para o senador, a polarização e a próxima formação do Congresso Nacional exigirão menos intransigência dos presidentes das Casas Legislativas. “A intransigência e a imposição de vontades num Brasil dividido e com uma conformação no Congresso Nacional que não seja necessariamente alinhada ao poder executivo podem colapsar algo que é absolutamente essencial para o desenvolvimento do país, que é o diálogo institucional. Então, esse é o primeiro desafio que nós teremos, de muita sabedoria daqueles que ocuparem essas esferas de Poder de não interromper o diálogo”, afirmou.

*A jornalista viajou a convite do LIDE

As andanças dos economistas

Publicado em Política

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Os economistas ligados ao governo Lula — em especial, o ministro da Fazenda, Dario Durigan — começaram um périplo junto ao setor privado e ao mercado financeiro no sentido de explicar os parâmetros de um ajuste fiscal futuro. Na mesma toada estão aqueles ligados a Flávio Bolsonaro. Hoje, por exemplo, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, que está à frente das propostas econômicas do candidato do PL, participa do 25º Forum empresarial Lide, no Rio de Janeiro, com a missão de tentar convencer o empresariado da viabilidade de um projeto econômico encabeçado pelo filho 01 de Jair Bolsonaro.

O que falta/ O setor privado tem ouvido tanto o governo quanto os emissários de Flávio sem muitas expectativas. É que, por mais boa vontade que parte do empresariado tenha, seja com o governo, seja com os Bolsonaro, faltam detalhes sobre como isso será feito. No fundo, há um cansaço com o governo Lula e um receio de que Flávio não tenha jogo de cintura para tocar o país de forma mais serena, sem sobressaltos. E a Ronaldo Caiado, que muitos consideram o mais preparado e capaz de atrair uma equipe mais técnica nessa seara, falta conhecimento por parte do eleitorado. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missao) ficam mais à margem dessas conversas. Enquanto não houver mais detalhes, será difícil o empresariado fechar em bloco com algum candidato.

Marcola que fique longe

O PT praticamente “baniu” o ex-chefe de gabinete de Lula, mas, em relação ao filho do presidente, o Lulinha, não há o que fazer. A não ser pregar aos quatro ventos que se houver qualquer indício de irregularidade, será punido. A ideia é marcar a diferença para Jair Bolsonaro que, quando presidente, afirmou em reunião ministerial que trocava todo mundo que pudesse atingir os seus.

Campanha no STJ

O grande número de desembargadores estaduais presentes à posse do presidente e do vice do Superior Tribunal de Justiça não foi apenas uma deferência ao grande currículo e conhecimento jurídico dos ministros Luís Felipe Salomão e Mauro Campbell. É que os magistrados estaduais estão de olho nas vagas para o STJ a serem preenchidas em breve.

Começaram cedo

O STJ tem em aberto duas vagas: a do ministro Marco Buzzi, demitido por causa das denúncias de assédio e importunação sexual, e a do ministro Saldanha Palheiro, que se se aposentou ao atingir a idade-limite de permanência na Corte. Há também uma vaga a ser aberta, uma vez que o ministro Og Fernandes, que completa 75 anos em novembro — ou seja, terá que se aposentar daqui a três meses. Na saída da solenidade de posse de Salomão e Campbell, um desembargador comentava com a mulher: “Meus colegas estão todos aqui em campanha. Essa turma não perde tempo”.

Agora vai…

…lá no Amapá. O grupo governista do estado recebeu uma injeção de esperança, após o anúncio da descoberta de petróleo na Margem Equatorial. As pesquisas de meados de julho apontaram o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), liderando a corrida ao Palácio do Setentrião. Agora, o grupo do atual governador, Clécio Luís (União Brasil) espera virar o jogo: “O bloco que está na base do governo do estado foi quem trabalhou para isso acontecer. Houve todo um trabalho político, no Brasil e no exterior, para viabilizar o estudo da Petrobras na Margem Equatorial”, afirma o deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP). E deu o recado: se o governador ainda não usou a notícia na campanha, é hora de começar.

CURTIDAS

Engajados nas redes I/ O mais recente relatório do Instituto Democracia em Xeque, que monitora as redes sociais dos candidatos ao Senado e aos governos estaduais, mostrou que no Centro-Oeste, dos 10 candidatos a senador com maior volume de interações, cinco são do PL. O campeão em engajamento é Gustavo Gayer, que disputa o Senado por Goiás. Teve 501 mil interações com 25 publicações.

Engajados nas redes II/ Em segundo lugar, vem Michelle Bolsonaro (PL-DF), com 448 mil interações em apenas seis publicações — ou seja, o maior volume de engajamento por post —, seguida por Bia Kicis (PL-DF), com 200 mil interações em 30 publicações. Entre os nomes do PL nessa lista, uma curiosidade: só Michelle não tem como uma das bandeiras de campanha o impeachment de ministros do Supremo.

Os poucos que surgem/ A lista dos 10 candidatos ao Senado no Centro-Oeste só tem dois nomes de esquerda: Erika Kokay (PT-DF, foto) e Pedro Taques (PSB-MT). O monitoramento no CentroOeste é feito em parceria com o grupo de pesquisa Midiaticus, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

A difícil renovação do Congresso

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Lula, PL, Política, Senado, STJ

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 20 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Com a decisão dos partidos de reservar recursos para quem é candidato a reeleição, como é o caso do PL, muita gente na política começa a apostar que a renovação do Parlamento será baixíssima nesta temporada eleitoral. Soma-se a essa preferência de financiamento para quem já tem um mandato, a amplitude das emendas parlamentares — hoje no patamar de R$ 60 bilhões. As emendas praticamente levaram os prefeitos a “fidelizar” e replicar as campanhas dos parlamentares que beneficiaram as administrações locais com emendas.

Crédito: Maurenilson Freire

Desafiante/ Esse modelo será difícil de quebrar ou de levar à renovação. Quem está chegando agora começa em desvantagem e será difícil empatar o jogo a fim de tentar vencer quem já está no mandato.

Movimentos divergentes

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem dito que o governo mobiliza a base no Congresso para votar a medida provisória que acaba com a taxa das blusinhas. Disse, ainda, que a ideia é votar a MP durante a semana de esforço concentrado presencial, a partir de 31 de agosto. Contudo, líderes ouvidos pela coluna afirmam que ainda não foi resolvido o impasse para indicação do presidente e do relator da proposta na comissão especial. No Parlamento, tem sido difícil conversar sobre qualquer assunto porque a maioria está focada na campanha pela reeleição, seja para a Câmara, seja para o Senado.

Cheio de recados

O discurso do presidente da OAB, Beto Simonetti, na posse do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, e do vice, Mauro Campbell, foi incisivo ao defender a sustentação oral dos advogados como instrumento para garantir eficiência e legitimidade. Atualmente, é grande a reclamação dos defensores em relação à dispensa dessa ferramenta inerente à Justiça.

Jargão de Gaspar

Candidato a vice-presidente na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) discursa pelo país afora dizendo que Lula tem o seu próprio Marcola. Será uma estratégia para desgastar ainda mais a imagem do presidente durante a campanha eleitoral em cima do caso do roubo dos aposentados. E, de quebra, uma tentativa de associar o apelido Marcola ao governo, uma vez que é comum ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, e ao chefe do PCC, Marcos Camacho.

Gaspar que se prepare

Aliás, a equipe de advogados da campanha de Lula está atenta às manobras para tentar associar o governo ao crime organizado e ao chefe do PCC. A ideia é buscar reparação na Justiça a qualquer movimento nesse sentido.

CURTIDAS

Crédito: Sergio Lima/AFP

Prestigiados/ Do Clero aos representantes dos Três Poderes, todos presentes à posse de Luís Felipe Salomão e Mauro Campbell — respectivamente, presidente e vice do STJ. E, desta vez, com uma novidade: dispensou-se a interminável fila de cumprimentos.

Alguém lembrou/ No rápido discurso de abertura da solenidade, o ministro Herman Benjamin citou o “mega El Niño” como um desafio não só para a Justiça como a todos os Poderes.

Defesa/ A frase do sempre bem-humorado ministro da Defesa, José Múcio Monteiro (foto), sobre abrir portões do Brasil em caso de invasão, foi lembrada nas rodas de conversas da posse do STJ. “E não é que ele acabou conseguindo recursos?”, comentou um parlamentar.

“Não será uma eleição, será um duelo. Dez passos para cada lado” Do senador Eduardo Gomes (PL-TO), ao referir-se à polarização entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro