Categoria: Política
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 26 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito
Com a rejeição às propostas de delação premiada de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, as investigações da Polícia Federal passam a ocupar o centro do escândalo Master-BRB. É cada vez mais remota a possibilidade de que os dois protagonistas do maior escândalo financeiro ocorrido no Brasil saiam da condição em que se encontram.
Nesse contexto, a sequência das operações realizadas pela PF nos últimos meses sugere que não haverá distinção entre governo e oposição ao trazer à luz quem mantinha conexões com Vorcaro e PHC. De Jaques Wagner a Ciro Nogueira, passando por Flávio Bolsonaro, outros personagens podem aparecer na extensa teia de relações e a série de operações mantidas pelos executivos do Master e do BRB. Um deles é o ex-governador Ibaneis Rocha.
As investigações deverão trazer respostas a pelo menos três pontos. Primeiro: mapear o caminho do dinheiro desviado do BRB e de outras instituições, como fundos de previdência, para alimentar a ciranda financeira de Vorcaro e PHC. Segundo: qual o tamanho do estrago deixado por Paulo Henrique Costa no banco brasiliense. Terceiro: qual o grau de participação do crime organizado nas transações controladas pelo bando de Vorcaro. Até aqui, os dois protagonistas do escândalo não ofereceram nada que os investigadores considerem relevante sobre essas lacunas.
Arquivo extenso
A PF tem em mãos 40 gigas de dados do telefone do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, relatam fontes ouvidas pelo Correio. Até aqui, entretanto, as informações reunidas pelo executivo têm sido insuficientes para uma possível delação premiada avançar. Apesar de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter rejeitado a proposta de PHC ontem, a permanência dele na Papudinha indica, para advogados que acompanham o caso, que uma colaboração do cúmplice de Vorcaro no escândalo Master ainda é possível.
E o PT, hein?
A chegada de Teresa Leitão (PT-PE) na liderança do governo no Senado resolve em parte o problema do partido na casa legislativa. A substituta de Jaques Wagner foi escolhida, entre outros motivos, porque não concorre à reeleição, podendo assim se dedicar integralmente à função parlamentar. Aliados também consideram que a senadora tem um bom diálogo com todos os setores da Casa. Mas questionam: “Quem vai assumir a liderança do partido em ano tão importante?”
São Paulo é Brasil
A definição da chapa governista em São Paulo parte da premissa de que uma vitória no maior colégio eleitoral do país pode reverberar nacionalmente. A decisão de lançar Márcio França como vice de Fernando Haddad é para aumentar as porcentagens nas urnas no estado e, com isso, transferir votos para Lula.
Hora de falar dos juros I
A Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) pretende reunir parlamentares, representantes do setor produtivo e especialistas para discutir os efeitos dos juros altos e os caminhos para ampliar a competitividade do país. O seminário “Os efeitos da taxa de juros na economia brasileira” será em 2 de julho, a partir das 9h, no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados.
Hora de falar dos juros II
O foco dos debates serão os impactos do custo do crédito nos investimentos, no empreendedorismo e na geração de empregos. O evento quer discutir o papel do Congresso na construção de medidas que contribuam para fortalecer o ambiente de negócios e desenvolver a economia nacional.
Dívida pública na mira
O seminário também discutirá uma proposta para estabelecer limites para a dívida pública brasileira. A iniciativa busca construir uma proposta capaz de fortalecer a responsabilidade fiscal, ampliar a transparência das contas públicas e contribuir para a estabilidade econômica do país.
Ainda é pouco
Entidades que representam setores da economia estão preocupadas com a decisão do governo federal em deixar para um segundo momento a discussão sobre as demais faixas do Simples Nacional. O governo cumpriu a promessa ao enviar o aumento do teto dos Microempreendedores Individuais (MEI), mas a falta da atualização do Simples Nacional deixou um gosto amargo.
Simples assim
O Instituto Livre Mercado defende que a atualização é importante, mas o Simples também afeta os pequenos empreendedores. As tabelas não passam por atualização desde 2018. Somando-se a inflação, o empreendedorismo no Brasil torna-se impraticável, avaliam os representantes do setor. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), empresas do Simples Nacional foram responsáveis por 13,27 milhões de vínculos formais em 2024, cerca de 23% dos trabalhadores com carteira assinada.
Bronca nuclear
O setor de medicina nuclear protesta contra a Resolução 354/2026 da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que determinou o aumento de 24% nos preços dos radioisótopos e radiofármacos fornecidos pelo órgão a partir de 1º de agosto. A Associação Nacional de Empresas de Medicina Nuclear (ANAEMN) afirma que a medida vai encarecer exames e tratamentos. O reajuste afetará clínicas, hospitais e pacientes que dependem desses procedimentos para diagnóstico e acompanhamento de doenças como câncer e problemas cardíacos.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 25 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

A saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado mostrou como as necessidades da política se impõem sobre relações pessoais ou até mesmo princípios relevantes, como a presunção da inocência. Em um episódio marcado pelo silêncio do Palácio do Planalto, o senador saiu de cena para preservar o candidato à reeleição de desgastes na campanha eleitoral.
Duramente atingido por dois mega-escândalos — o mensalão e o petrolão — o presidente Lula não quis correr riscos. Afastou qualquer suspeita de proximidade com a teia perigosa de Daniel Vorcaro que enredou Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e gente próxima a Davi Alcolumbre e outros notáveis da República.
Com o afastamento de Wagner, encerra-se mais um capítulo da malfadada articulação política do Planalto. O substituto do senador na liderança do governo terá a missão de encontrar caminhos no campo minado controlado por Davi Alcolumbre. A rejeição ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal foi uma das derrotas mais amargas sofridas pelo governo — e erro crasso do senador baiano. Nada indica que o cenário mudará no segundo semestre.
Fogo amigo
Na permanente rivalidade interna petista, prevaleceu a corrente que via a permanência de Jaques Wagner em cargo de tamanha visibilidade um enorme risco político. De nada adiantou a narrativa de que a saída do senador sinalizaria uma confissão de culpa. Tampouco se manteve de pé a justificativa apresentada pelo senador de que a compra de um imóvel em Salvador com o ex-sócio do banco Master foi um negócio entre amigos.
Palavras vãs
Particularmente em tempos de eleição, é curioso notar como a palavra de político pode ser vã. Na quinta-feira, dia da operação da PF que revelou o envolvimento de Wagner no escândalo Master, o senador disse em entrevista: “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje e acho, sinceramente, muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim”.
Repeteco
Para resistir em meio à tempestade, Wagner se apoia no passado. Lembra que foi alvo de busca e apreensão em 2018. E eleito senador mais votado pela Bahia. À época, o parlamentar era suspeito de irregularidades na gestão do estádio Fonte Nova. O caso foi arquivado no ano passado.
Mais e melhor
O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou um conjunto de deliberações para aprimorar o programa Agora Tem Especialistas, promovido pelo Ministério da Saúde. O plenário do TCU determinou que a pasta construa, em 120 dias, uma rotina de monitoramento sobre a execução financeira do programa, bem como a gestão de dados sobre as cirurgias realizadas. O voto do relator, ministro Bruno Dantas, identificou desigualdades regionais e inconsistências nas diversas etapas do programa.
Ela vem aí
A esposa do ex-governador do Distrito Federal e pré-candidato ao Senado Ibaneis Rocha (MDB), Mayara Rocha, anunciou sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados pelo Podemos. Nos bastidores do partido, Mayara é vista como um forte nome para fortalecer e ampliar a presença da legenda na Casa.
Causas sociais
A ex-primeira-dama do DF foi secretária de Desenvolvimento Social durante a pandemia de covid-19. O Podemos aposta na atuação de Rocha em um período de crise sanitária, econômica e humanitária para ter um bom desempenho eleitoral. Aliados veem a esposa de Ibaneis como um dos nomes de potencial de votos dentro do grupo ligado ao ex-governador.
Tendência
Em um meio predominantemente masculino, chama a atenção a iniciativa de mulheres de políticos engajadas na batalha das urnas. No Distrito Federal, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro é nome cada vez mais certo em outubro. No Paraná, a deputada federal Rosângela Moro, esposa do senador Sergio Moro, filiou-se ao PL e tentará a reeleição pelo estado do ex-juiz. Em Goiás, Gracinha Caiado (União), esposa do ex-governador Caiado, é pré-candidata ao Senado.

Deixa o povo falar
O deputado Alencar Santana (PT-SP, foto), presidente da Comissão Especial que analisou a proposta de emenda constitucional (PEC) pelo fim da 6×1 na Casa, quer a participação popular no debate. Além de divulgar uma plataforma digital sobre o tema, ele pretende promover ações de conscientização às sextas-feiras em pontos de grande circulação. Os voluntários distribuem materiais informativos e dialogam com a população sobre os impactos da jornada de trabalho na saúde, na qualidade de vida e no convívio familiar.
Divergência
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) discorda da pesquisa divulgada pelo Tribunal Superior do Trabalho sobre a precarização do trabalho entre motoristas e entregadores que atuam por meio de plataformas digitais. Para fundamentar a divergência, a Amobitec usa como referência uma pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), divulgada no ano passado.
Renda e trabalho
O levantamento encomendado pela Justiça trabalhista ressalta os custos bancados pelos motoristas plataformizados – mais de R$ 5 mil mensais – e jornadas acima de 44 horas semanais. Já o estudo do Cebrap informa que os motoristas dedicam, em média, entre 19 e 27 horas por semana nos aplicativos, enquanto a jornada dos entregadores oscila entre 9 e 13 horas.
Estabilidade
Em outra discordância com o TST, a Amobitec afirma que os rendimentos dos trabalhadores de plataforma são mais estáveis, pois os profissionais estariam menos vulneráveis à desocupação e a longos períodos de busca por trabalho.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 24 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro acredita que pode convencer o eleitor brasileiro de que o presidente Lula é o maior responsável pelas iminentes tarifas que serão aplicadas pelo governo dos Estados Unidos. E que, ele, Flávio, poderá fazer uma interlocução com a administração Trump para reverter o momento desfavorável na relação entre os dois países.
Flávio Bolsonaro está convencido de que poderá obter trunfos nos cinco minutos de fala a que terá direito na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR), em 6 de julho. No jogo político, o pré-candidato bolsonarista dobrou a aposta. Seria uma tentativa de diminuir a vantagem de Lula na corrida presidencial, além de fazer um contraponto à defesa da soberania assumida pelo petista.
O ganho maior de Flávio Bolsonaro, entretanto, poderá vir diretamente da Casa Branca. Ao compartilhar um texto no qual se considera a eleição no Brasil o maior desafio político do hemisfério, o presidente Donald Trump deu mais um sinal de que está atento à disputa que poderá coroar o chamado “Escudo das Américas”.
Não convém menosprezar esses movimentos. Uma nova demonstração de apoio por parte dos Estados Unidos a Flávio Bolsonaro intensificará a polarização a pouco mais de três meses do pleito. Flávio Bolsonaro diz querer atacar Lula e não o Brasil. Resta saber se o eleitor assim entenderá.
Nada de “terceira via”
A mais recente pesquisa Indexa mostra que a polarização permanece estável no Brasil, o que inviabiliza a terceira via. A disputa continua concentrada em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 42% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro (PL), com 31%. “Os candidatos que buscam representar uma terceira via permanecem distantes e, até o momento, não demonstram capacidade de romper a polarização”, afirmam os pesquisadores.
Sem transferência de votos
Segundo o levantamento, o envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no escândalo Master não resultou em transferência de votos para os concorrentes da direita. Na comparação com a primeira rodada, realizada em maio, Ronaldo Caiado recuou de 7% para 5%, enquanto Romeu Zema caiu de 5% para 3%. O único crescimento dentro desse grupo, registra a pesquisa da Indexa, ocorreu com Renan Santos, que passou de 2% para 3% das intenções de voto.
Dinheiro nas mãos
Uma ala do PL se sente preterida de relatorias na Comissão Mista de Orçamento do ano passado. Alguns bolsonaristas defendem que o relatório da Lei de Orçamento Anual (LOA) e a setorial de saúde deveriam ter sido do partido de Jair Bolsonaro. Por isso, esse grupo está brigando para que o relator da LOA seja um senador do PL. O nome cotado até agora é o de Eduardo Gomes (TO).

Contas a analisar
O Tribunal de Contas da União (TCU) analisará possíveis irregularidades fiscais envolvendo operações financeiras, fundos públicos, fundos garantidores, créditos subsidiados e créditos extraordinários utilizados pelo governo federal. O deputado Sanderson (PL-RS, foto), autor da denúncia, acusa o governo Lula de repetir as “pedaladas fiscais” do governo de Dilma Rousseff.
Impacto fiscal
O Ministério Público se juntou à investigação por meio do procurador Júlio Marcelo de Oliveira junto ao TCU. O processo tem como relator o ministro Jhonatan de Jesus. A principal acusação é que medidas adotadas pelo governo teriam gerado impactos fiscais estimados em aproximadamente R$ 215 bilhões, sem que parte desses efeitos estivesse refletida nos principais indicadores fiscais utilizados para monitoramento das contas públicas.
Tabaco em 2027
Participante do evento com presidenciáveis promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no início da semana, o SindiTabaco apresentou demandas para o setor. Defende o fortalecimento da competitividade exportadora, com prioridade para investimentos em infraestrutura logística e portuária, além da defesa da cadeia produtiva frente a barreiras regulatórias internacionais.
Investimentos
O sindicato também enfatizou maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica para investimentos industriais, políticas públicas voltadas aos municípios produtores, ações de combate ao mercado ilegal de tabaco. Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 3,04 bilhões em produtos do tabaco, o equivalente a quase 91% das exportações nacionais do segmento.
Legal e ilegal
O setor de bets considera eficaz a medida que asfixia o orçamento de bets ilegais no Brasil por meio de bloqueio de operações em operadoras de pagamentos. Contudo, reivindica ação conjunta com as big techs para remover publicidade irregular e coibir atuação de influencers que divulgam bets piratas; retirada de sites clandestinos do ar e conscientização da população para diferenciar uma bet legal de uma ilegal.
Aprendizado
Na avaliação de Bernardo Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), “ensinar os usuários a identificar as casas de apostas regulamentadas é fundamental para reduzir a demanda por esse mercado clandestino”
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 23 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza
Um estudo elaborado pelo Centro de Pesquisas Judiciárias, Estatística e Ciência de Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) reúne informações relevantes sobre a realidade dos motoristas que atuam a partir de plataformas digitais e aplicativos de serviços. Os dados consolidados pelo TST indicam, por exemplo, que os custos para esses trabalhadores (combustível, manutenção de veículo, seguro, prestação do automóvel, etc.) ultrapassa os R$ 5 mil mensais.
A partir de dados da Pnad Contínua 2024, o estudo realizado pelo TST ressalta a grave precarização enfrentada por essa categoria profissional. A média de trabalho é de 44,5 horas semanais, bem acima dos trabalhadores do setor privado (39,3 horas). O estudo sublinha, ainda, a subserviência dos motoristas à remuneração definida pelo algoritmo, o que contribui para uma imprevisibilidade de renda.
Para o presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, a suposta liberdade empreendedora sugerida pelo trabalho plataformizado esconde uma violação da dignidade do trabalhador. “O trabalho em plataformas digitais é marcado pela profunda precarização, cumprimento de jornadas extenuantes, baixas remunerações e alto controle por algoritmos, sem o reconhecimento de direitos trabalhistas e da proteção da legislação social”, alerta o ministro.

Freio de mão
Enquanto a Confederação Nacional da Indústria divulga uma carta de intenções para o Brasil em 2050 aos pré-candidatos, o Centro de Liderança Pública (CLP) publicou uma nota técnica sobre os entraves econômicos para o Brasil se juntar aos países ricos. Desarticulação institucional, mercado fechado para o comércio, sistema tributário cumulativo e insegurança jurídica são alguns dos obstáculos identificados pelo CLP ao crescimento econômico mais expressivo.
Destravar agora
Na avaliação do CLP, é preciso corrigir essas falhas — e o Estado tem papel primordial nessa mudança. “Os casos bem-sucedidos usaram um Estado mais coordenador e mais capaz, não um Estado mais complexo para cobrar tributos ruins, proteger ineficiências e comprimir investimento”, afirma o estudo.
Antieconômico
O Congresso Nacional tem uma parcela de responsabilidade no atual estado de marcha lenta da economia brasileira. Mais da metade das proposições legislativas apresentadas ou em tramitação no ano passado restringiu a liberdade econômica em pelo menos uma dimensão analisada. Os dados fazem parte do Índice Legislativo de Liberdade Econômica 2025, elaborado pelo Ranking dos Políticos em parceria com o Centro Mackenzie de Liberdade Econômica e com o Fé & Trabalho.
Estatizante
O levantamento avaliou 1.650 projetos de lei, propostas legislativas e medidas provisórias. Segundo o estudo, 86,7% das proposições analisadas que afetam a liberdade econômica apresentam impacto negativo sobre ela, enquanto 10,7% foram classificadas como ampliadoras da liberdade e 2,6%, como proposições mistas. A pesquisa conclui que o Congresso Nacional tende a ampliar regulações, criar barreiras e expandir a intervenção estatal na economia.
Voando alto
O Brasil bateu recorde de passageiros embarcados em voos domésticos. De janeiro a maio deste ano, mais de 42 milhões de pessoas estiveram em viagens aéreas pelo território nacional. É um aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado – e em plena guerra no Oriente Médio, que pressiona o preço dos combustíveis. No mesmo período, houve um aumento de 10% no número de passageiros estrangeiros nos céus do Brasil.
Não está à venda
Uma pesquisa realizada pelo Ministério Público Federal sugere que o eleitorado está pouco familiarizado com um crime antigo nas eleições: a compra de voto. Na enquete exibida pelo MPF no WhatsApp, até as 18h50 de ontem, a maioria dos seguidores não “fazia a menor ideia” de como denunciar a contravenção. Prisão e multa A lei eleitoral estabelece até quatro anos de prisão, mais pagamento de multa, para quem vende e para quem compra voto. Já o candidato envolvido pode se tornar inelegível por oito anos. A compra de voto, alerta o MPF, não se restringe a pagamento em dinheiro. Pode ocorrer por meio de oferta de cesta básica, alimento, combustível, material de construção, consulta médica, promessa de emprego, entre outros.

Como denunciar
Caso queira denunciar a compra de voto, o eleitor pode procurar a página MPF Serviços; clicar em “Denúncias e Pedidos de Informação”; entrar com a conta gov.br; inserir fotos, vídeos ou documentos, se possível. Importante: a compra de voto não precisa ser consumada. Apenas a promessa já configura crime eleitoral.
Munição
Pré-candidato ao Senado por São Paulo, o ex-ministro Ricardo Salles (Novo, foto) distribuiu ataques para os adversários. Chamou Marina Silva e Simone Tebet de “forasteiras”, por supostamente não terem vivência política no estado mais rico do país. Criticou, ainda, o deputado estadual André do Prado, apoiado por Flávio Bolsonaro. Salles o identifica como alguém do Centrão. “Ele não é candidato da direita. Eu estou na direita há 20 anos”, apresenta-se Salles.
Colégio de líderes mais enxuto deixará muito poder nas mãos de poucos

Coluna Brasília-DF, por Denise Rothenburg (com Eduarda Esposito)
As apostas dos especialistas são de que o número de federações vai aumentar, e o de partidos tende a diminuir. É que muitas legendas não atingirão votos suficientes para se manter em carreira solo no Parlamento. Com isso, o tal colégio de líderes, grupamento responsável por ditar a pauta da Casa junto com o presidente, ficará menor. As previsões são de que terá entre oito e nove integrantes. Muito poder na mão de poucos. Resta saber quem será o protagonista. Ninguém consegue dizer com segurança qual partido terá a predominância na Casa, uma vez que o eleitor está meio perdido. A contar pela pesquisa Correio/Opinião, 54,5% não sabem em quem votar para deputado federal. Esse percentual se repete em várias pesquisas em outros estados. A única certeza é que, se Hugo Motta for reeleito, e nada hoje indica o inverso, será candidato a mais dois anos no comando da Casa.
Dinheiro para poucos
Junto com essa concentração de poder, haverá uma redução do número de partidos que poderão receber a bolada do fundo partidário. “O sistema partidário caminha para uma configuração em que poucas siglas concentrarão a maior parte dos recursos financeiros, do tempo de propaganda, dos mandatos parlamentares, e das estruturas de poder. Novas fusões, incorporações e federações devem surgir após o pleito, sobretudo entre partidos médios e pequenos que enfrentam dificuldades para alcançar a cláusula de desempenho”, explicou o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Murilo Medeiros, que tem feito essas contas.
O calcanhar de Wagner
Quem circula pelo Palácio do Planalto ouve que o presidente mantém a confiança em Jaques Wagner. Porém, muitos interlocutores titubeiam quando confrontados com a história do apartamento adquirido por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, para o senador. Nesse caso, a resposta invariavelmente tem sido: “Tenho uma reunião agora, venha outra hora”.
Fatos consumados
A insistência de alguns candidatos em lançar logo uma pré-candidatura faz parte da estratégia de evitar troca mais à frente. Estão nessa onda Ricardo Cappelli, que concorrerá ao Governo do Distrito Federal, e André do Prado, que disputará o Senado por São Paulo e terá Eduardo Bolsonaro como primeiro suplente.
Por falar em Eduardo Bolsonaro…
André do Prado passará a campanha dizendo que será ele o senador, e não o filho Zero Três de Jair Bolsonaro.
Se seguir o rito…
… vai apensar. A oposição espera que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), siga o caminho normal para a tramitação da proposta de emenda constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 na Casa. Isso inclui enviar o projeto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde está a PEC do líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN). Com isso, a direita espera que o projeto de Marinho seja apensado ao do governo e, com isso, dê uma chance de votar um destaque de preferência ou emendar trechos.
O que eles querem
Prefeitos pressionam seus representantes no Congresso Nacional para aprovar o projeto de lei que prevê auxílio entre estados e municípios afetados por catástrofes naturais e outros eventos de força maior. A FNP afirma que, hoje, não há nenhuma legislação a respeito do assunto, e se uma cidade envia recursos para outra, pode ser alvo dos tribunais de contas. A urgência por essa aprovação vem justamente das previsões do El Niño no Brasil para os próximos meses. Além desse tema, a necessidade de fontes de recursos para investimentos em drenagem, a desburocratização do acesso ao Fundo Clima e os investimentos em construções de baixo carbono também foram elencados como medidas estruturantes pela Frente.
A dancinha de Ciro Nogueira
Em suas redes sociais, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o “grande amigo” de Daniel Vorcaro, com diversas despesas pagas pelo banqueiro, segue com ares de “tô nem aí”. Postou um vídeo com a camisa da Seleção apostando no placar de 3×0 contra o Haiti e, depois do jogo, com a amarelinha, em que repetia a dancinha de jogadores brasileiros famosos. A maioria dos comentários era de incentivo ao senador, e alguns apostavam na sua reeleição.
Um dia depois do outro
A filha do ministro, Cris Nardes, pré-candidata à Câmara Distrital, lembrava dia desses da época em que foi secretária-executiva de Governança e Compliance no Governo do Distrito Federal. Naquele período, Augusto Nardes descobriu que a filha havia sido exonerada ao ver a publicação no Diário Oficial do DF. Hoje, depois de tudo o que veio à tona, Nardes comenta: “Os planos de Ibaneis eram outros (na época), e hoje vemos o resultado (escândalo do BRB)”.
O combate não para
A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal, em parceria com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), e a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF), lançam o Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal durante o evento Comunicação que Protege. O ato será no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, na próxima quarta-feira (24), 8h30. No mesmo dia em que o Brasil entra em campo nos Estados Unidos. Que São João nos proteja.
Vou ali…
… e volto em duas semanas. A última pausa antes das eleições. Que a Seleção Brasileira de futebol dê muitas alegrias aos brasileiros nesse período e não repita a vergonha que se vê na política, com o número de excelências enroladas no Master. Até julho.
Texto publicado por Denise Rothenburg neste sábado (20/6) — O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), só sairá do cargo se quiser. A avaliação que predomina no governo é de que, hoje, a Polícia Federal está dividida em grupos e tem investigações para todos os lados e gostos. Tirar o senador da liderança seria abrir um flanco para atitudes semelhantes em outras operações. Dentro do Poder Executivo, prevalece a ideia de que é preciso partir para o enfrentamento no caso Master, jogando a parte mais pesada do caso no colo de Flávio Bolsonaro. E mostrar que, no governo Lula, a PF tem liberdade de atuação.
Limão e limonada/ O governo vai aproveitar a operação que teve o seu líder como alvo para propagar o discurso de que a PF é independente e tem autonomia para fazer qualquer investigação. Se for o caso, ainda confrontará com o vídeo de 22 de abril de 2020, em que o ex-presidente Jair Bolsonaro constrange o então ministro da Justiça, Sergio Moro, dizendo que tinha que ter informação e que não iria “esperar f**** um parente meu, um amigo meu, porque não posso trocar alguém na ponta. Vai trocar”. Moro, logo depois, saiu do governo. Agora, pré-candidato ao governo do Paraná, o ex-ministro se reaproximou do bolsonarismo.
A discussão dos “penduricalhos”
Indicado pela Associação Nacional dos Desembargadores para integrar o grupo de trabalho que analisará a remuneração de juízes, o desembargador Marcelo Buhatem, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), tem várias sugestões. A primeira delas é “modular” as mudanças. Por exemplo: em casos de auxílio educação, pagos por alguns tribunais, a ideia é que se espere terminar o ano letivo para suspender o benefício.
Vem mais
Buhatem rechaça o termo penduricalhos e diz que a Constituição, no artigo 37, inciso X, determina a correção anual dos salários, o que nem sempre foi feito. “Quando se vê valores elevados recebidos por magistrados, muitas vezes é por causa deste artigo. Ou se muda a Constituição ou é preciso cumprir. Não é salário. É dívida que o Estado tem com os integrantes do Poder Judiciário”, afirma.
TCU alerta…
Não é só o BRB e a PF que causam dores de cabeça à turma do Governo do Distrito Federal. Pelas contas do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, o GDF precisa devolver à União cerca de R$ 4 bilhões. A justificativa é que o GDF usou indevidamente esse valor oriundo do Fundo Constitucional, que deveria ser aplicado em saúde, educação e segurança pública.
… e cobra
Não é a primeira vez que Nardes faz essa cobrança. Isso já foi feito em outras oportunidades, a partir de 2014, quando o GDF apresentou problemas para pagar a folha de salários de educação e saúde. Os recursos precisam ser aplicados na finalidade correta, sob pena de devolução. “Lá atrás, nós queríamos fazer uma fiscalização profunda do Fundo Constitucional e detectamos que o dinheiro não estava indo nem para a segurança, nem para saúde e educação. O governo, então, tem que devolver dinheiro — acho que R$ 4 bilhões no total, por uso de forma irregular”, disse.
Liguem para o Paulo Henrique/ Alvo de operação em plena sexta-feira por parte do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a cúpula do BRB fez questão de deixar claro que os fatos não dizem respeito à atual administração do banco. Em outras palavras: o caso de descontos irregulares na folha de pagamentos de servidores é mais um assunto a ser respondido pelo ex-presidente Paulo Henrique Costa.
A largada do PSB no DF/ Ex-presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e interventor na segurança do DF, logo depois do 8 de janeiro de 2023, Ricardo Cappelli (foto) lança hoje oficialmente sua pré-candidatura ao Palácio do Buriti pelo PSB. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, é um dos convidados mais aguardados. O presidente nacional do partido, João Campos, mandou um vídeo para marcar sua participação.
Assediado no bom sentido/ Ao ver o presidente Lula à mesa numa das reuniões do G-7, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, puxou o tradutor e foi em direção ao brasileiro. Bastante descontraídos e relaxados, deram a muitos a impressão de que vêm novas parcerias aí.
O Master e o Congresso/ Não são apenas as festas juninas e o são-joão que prometem paralisar os trabalhos do Legislativo, na semana que vem. Essa é a grande desculpa. Na verdade, estão todos fugindo de ter que comentar as novas fases da Operação Compliance Zero.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 19 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Atordoados com as investigações sobre o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA),e a relação dele com o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, muitos petistas se preparam para pedir que o senador seja afastado da liderança a fim de preservar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Querem que ele faça tal como Henrique Hargreaves nos tempos do governo Itamar Franco. Então chefe da Casa Civil, Hargreaves tinha sido citado no escândalo do Orçamento. Por isso, deixou o cargo e, terminada a investigação com seu nome limpo, retornou ao gabinete no Planalto. Caso demitido, seria o mesmo que conceder a Wagner um atestado de culpa. Se ele pedir para sair, a fim de defender, o discurso não muda, porém, o presidente se preserva. É isso que estará em avaliação nos próximos dias.
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Dois pesos, duas medidas/ A aposta de muitos é de que a questão dos euros e dólares em espécie, encontrados em endereços ligados ao senador, podem perfeitamente ser explicados com as diárias dadas pelo Senado a missões no exterior. Entretanto, essa conta precisa fechar. Já o apartamento, os ingressos e as caronas de jatinho são mais difíceis. E certamente tudo será explorado na campanha. Na montanha russa da Compliance Zero, que investiga o Banco Master, essa é a vez do PT.
Jogo de empurra
Cada candidato vai tentar usar o desgaste em relação ao Master para atacar o adversário. Dentro do PT, por exemplo, a ordem é dizer que quem precisa se explicar é Wagner e não Lula. E, no PL, quem precisa se explicar é o pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro. A intenção do PT é tentar restringir à Bahia o desgaste provocado pelo senador.
Por falar em Lula…
O presidente ligou para Wagner, oficialmente, para prestar solidariedade — Lula sabe o que é ser acusado. Porém, tinha outro fator: assuntar o que Wagner faria em relação à liderança do governo, tema que não fez parte da conversa.
Por falar em Bahia…
Ao responder a perguntas sobre a Operação Compliance Zero na Band News, Wagner relembrou quando foi alvo da Polícia Federal por suspeita de fraudes na construção da arena Fonte Nova. À época, o senador foi acusado deter recebido R$ 82 milhões, mas o caso foi arquivado por falta de provas. Ele acredita que o mesmo ocorrerá agora.
Uma dificuldade amais para a eleição
“Fakenews” promete ser um dos grandes desafios das eleições. A pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política mostrou que apenas 11% dos brasilienses sentem segurança para identificar uma notícia falsa, enquanto mais da metade diz ter dificuldade. O percentual daqueles que não conseguem é de 35%. Com esse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisa se preparar para combater com efetividade as fakenews durante o período eleitoral.
CURTIDAS

Augusto, o especialista/ Jaques Wagner se referiu a Augusto Lima como um grande investidor. Realmente, conforme o leitor da coluna já sabe, Lima e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, eram “os cérebros” do mercado financeiro ligados a Daniel Vorcaro.
Pressão pela taxa das blusinhas/ Entidades que representam os setores produtivos apresentaram um manifesto clamando por isonomia tributária, principalmente depois de o governo revogar a taxa das blusinhas — que beneficia vendedores estrangeiros no Brasil. Para o setor, a medida causa concorrência desleal, tanto que deseja apenas a adoção de regras equivalentes para empresas brasileiras e estrangeiras.
PO na área/ Em reunião em Brasília (foto) em que esteve também o pré-candidato José Roberto Arruda, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, pediu para que o empresário Paulo Octávio avalie a possiblidade de ser candidato ao Senado. Ainda não está fechado, mas o nome começará a ser testado em pesquisas no Distrito Federal. Paulo Octávio já foi deputado, senador e ficou de pensar a respeito. Com as convenções marcadas para o fim de julho, segue-se a máxima de que “quem tem tempo não tem pressa”
Filas e brasileiros/ Ao embarcar no voo Latam para o Rio de Janeiro, ontem, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Phillipe Vieira de Mello Filho, ficou na fila como todos os mortais, dispensando o tratamento especial de embarque que a Polícia Federal fornece a autoridades. Já no lançamento do livro em homenagem ao ministro Sebastião Reis, do Superior Tribunal de Justiça, colegas dele do STJ “furaram” a fila sem a menor cerimônia.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 18 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desfila no G7 como favorito à eleição de outubro, o pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), se voltará para a área de segurança, considerado o único tema capaz de tirá-lo do redemoinho em que viu enroscado a Daniel Vorcaro. Nesse sentido, o senador lança hoje, em São Paulo, seu programa de governo para esse serviço. A ideia é radicalizar no discurso para esse segmento, diferentemente do tom mais moderado que adotou para outras áreas — como, por exemplo, a economia. A recente vitória, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara — que considerou constitucional analisar o mérito da proposta de emenda à Constituição (PEC) que a reduz a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos —, mostrou ao PL que o caminho do filho 01 de Jair Bolsonaro é a segurança. Se não fizer um gol por aí, recuperando os pontos perdidos nas pesquisas, vai ficar difícil.
Por falar em dificuldades…/ Flávio tentou se projetar externamente, com a visita ao presidente Donald Trump, em maio, mas os resultados deixaram a desejar, porque a United States Trade Representative (USTR) divulgou o relatório da investigação da seção 301 com recomendações para aumento de tarifas às exportações brasileiras e críticas ao Pix. Foi um tema que colocou o pré-candidato na defensiva, tal como o caso Master.
Não está fácil para ninguém/ O tema da segurança pública é considerado um calcanhar de Aquiles do PT e será altamente explorado na campanha. E o presidente do partido, Edinho Silva, reconheceu, esta semana, durante almoço em Brasília, que, no passado, os partidos de esquerda, preocupados com a interpretação de que estariam defendendo a violência policial, não quiseram debater a segurança pública. Agora, preciso enfrentar o tema, principalmente no que se refere ao controle de territórios.
A campanha dos municípios
Líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto, Rogério Marinho (PL-RN) contou, em almoço com a Frente Parlamentar do Livre Mercado, que a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) estima uma captura de 50% do IPTU com aumento de custos, caso o projeto que acaba com a escala 6 x 1 seja aprovado no Congresso. No embalo, Marinho classificou a proposta como “crime de lesa-pátria contra o Brasil”.
Resolve aí rapidinho
Parlamentares do PP têm enviado recados ao Supremo Tribunal Federal, pedindo celeridade na conclusão da investigação policial do caso Master. Eles estão preocupadíssimos desde que o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), foi citado. Alguns assumem, em conversas particulares, que o envolvimento dele com Vorcaro é “pouco republicano” e querem uma resposta oficial que inocente ou incrimine Ciro. Ninguém quer ir para a campanha com essa dúvida.
Te pago depois
Por falar em Ciro Nogueira, um dos fatos que veio à tona com a retirada de sigilo de documentos do caso Master no STF foi que o presidente do PP teria sido “sustentado por terceiros”. De acordo com a investigação, os deputados Júlio Arcoverde (PP-PI) e Átila Lira (PP-PI) pagaram boletos do senador nos valores de R$ 13.693,54 e R$ 3.457, respectivamente. Também há a vinculação de um cartão de crédito emitido no nome do ex-assessor do senador e empresário Lourival Nery Jr. Procurados, os parlamentares não retornaram ligações e nem mensagens enviadas pela coluna.
Veja bem…
Lourival Nery Jr. foi assessor de Ciro Nogueira por anos, na década passada. Inclusive, em 2018, dois motoristas afirmaram terem entregado no apartamento de Lourival grandes volumes de dinheiro em espécie. As informações vieram à luz durante as investigações da Operação Lava- Jato. Hoje, ele é empresário no Piauí.
CURTIDAS

Olho nela/ Se tem algo que surpreendeu todos os políticos na pesquisa sobre eleições 2026 foi o bom posicionamento da senadora Leila Barros (Leila do vôlei), do PDT, na pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política. Devagarinho, Leila conquistou lugar na Casa, com a defesa das pautas do esporte e de combate ao feminicídio. Ela é muito lembrada nas redes pela lei que criminalizou o stalking — foi autora da proposta que tipificou o crime de perseguição reiterada por qualquer meio.
O olhar do magistrado/ O ministro Sebastião Reis Jr. (foto), do Superior Tribunal de Justiça, foi homenageado ontem com o livro Fotos e Votos. Organizada por Flávia Guth e Rodrigo Haidar, a obra traz textos sobre um hobby do ministro, a fotografia, e as decisões que marcam seus 15 anos de trajetória no STJ.
Tal e qual…/ Corda em casa de enforcado: os grupos de WhatsApp do PP no Congresso passaram longe de conversas e questionamentos sobre as informações da investigação do Master que vieram a público, esta semana, com a retirada de sigilo do STF.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 17 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Se o Supremo Tribunal Federal vivia divisões nos tempos do Mensalão e da Lava-Jato, agora o escândalo do Master fez rachar a Corte de vez. Prova disso foi a sessão da Segunda Turma do STF, em que o ministro Gilmar Mendes ficou sozinho, enquanto André Mendonça, Luís Fux e Kassio Nunes Marques votaram pela manutenção da prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e de Felipe Vorcaro, primo do ex-controlador do Master. Para completar, Mendonça — que relata o processo e referiu-se ao caso como a “maior fraude financeira da história do país” —, levantou parte dos sigilos dos autos, com trechos que comprometem ainda mais o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e aponta deputados como beneficiados pelo escândalo. A ideia do ministro, ao dar publicidade a parte dos autos, é mostrar que nada ficará impune, doa a quem doer, com ou sem delação de quem quer que seja. E se tiver ministros do STF sujeitos a responder pelo caso, que assim seja.
Por falar em delações…/ Ao mencionar “delações seletivas” e tirar o sigilo de parte dos autos, Mendonça quer justamente mostrar o extenso material que a Polícia Federal (PF) tem em mãos e que Vorcaro insiste em deixar de fora da colaboração. E olha que o ministro não liberou sequer metade do que tem no processo. Ao longo do ano, novos lotes serão expostos. E os candidatos que se preparem para responder.
O ganha-ganha eleitoral
O governo só abriu mão da urgência constitucional do projeto de lei sobre o fim da escala 6 x 1 na Câmara porque avaliou que o ônus da demora em votar ficará com o Senado. De quebra, ainda ganhou pontos com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos- PB), que havia avisado ao Palácio do Planalto que a não retirada da urgência poderia segurar projetos de forte impacto fiscal às contas públicas. Motta ficou feliz e, se o fim da 6 x 1 for aprovado, os louros são do governo. E se não for votado até as eleições, o discurso contra os senadores estará pronto.
E o Alcolumbre, hein?
Muita gente bateu palmas para o duro pronunciamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ao fazer sua própria defesa em relação à reportagem da revista Veja — “Não serei intimidado. Não serei ameaçado. Não serei constrangido e nem serei chantageado”, disse, em certo momento. Porém, a forma desagradou a muitos senadores. Para esses, Alcolumbre não deveria ter falado do alto da Mesa Diretora. O lugar certo para fazer uma defesa de um caso pessoal é a tribuna.
Vai sobrar…
A interpretação de muitos senadores sobre o discurso de Alcolumbre foi de que o suposto vazamento envolvendo o presidente da Casa é obra do governo Lula, que comanda a PF. Ou seja: a cada dia, fica mais difícil a pacificação entre o presidente e o senador. Ainda que uma parte da bancada do PT defenda que o Planalto levante a bandeira branca ao presidente do Senado, quanto mais emparedado Alcolumbre estiver, pior será.
Cadê os outros?
No Plenário do Senado, muitos saíram em defesa de Alcolumbre, após pronunciamento do comandante da Casa sobre as acusações da matéria publicada na Veja. O senador Esperidião Amin (PP-SC) ainda comentou que o alvo das delações em curso na PF, pelo que indica o material que foi vazado até aqui, mostra ser o Congresso. E questionou onde estariam os empresários envolvidos no esquema de Vorcaro. Líderes da base governista também se solidarizaram e defenderam Alcolumbre.
CURTIDAS
O que ela pensa/ A senadora Damares Alves (Republicanos-DF, foto) saiu- se com esta, ao ser informada da condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo STF por coação à Justiça. “A única saída para Alexandre de Moraes é se afastar do Supremo e do Brasil, de preferência para uma ilha bem longe”.
Enquanto isso, em Evian…/ Não foi desta vez que os presidentes Lula e Donald Trump acertaram os ponteiros. Porém, só o fato de Lula ter se reunido com líderes de outros países na cúpula do G7 — como a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi —, na cidade do interior da França, já valeu. Hoje, o presidente ainda fala em duas oportunidades no encontro do G7 sobre inteligência artificial e, ainda, sobre economia e desigualdade.
Tragam lanche/ Amanhã tem sessão do conjunta para apreciar vetos e projetos de lei do Congresso (PLN), ou seja, que mexem com o Orçamento. Alcolumbre avisou que a sessão deverá ser longa porque a ideia é limpar a pauta.
Lide-Correio Braziliense/ O presidente do BRB, Nelson de Souza, fala hoje no 7º Brasília Summit Lide-Correio Braziliense, sobre inteligência artificial e seu impacto nas gestões pública e privada. Vale acompanhar pelas redes sociais do Correio e da TV Lide, a partir de 8h30.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 16 de junho de 2026, por Denise Rothenburg

Embora muita gente diga que o caso Master já fez o estrago que poderia fazer na pré- campanha de Flávio Bolsonaro, o que se comenta entre quatro paredes no PL é que a tensão em cima desse tema não se dissipou. Assim como o pré-candidato à Presidência jurou lá atrás à cúpula do partido que nunca havia se encontrado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — e depois surgiu o pedido de financiamento do filme Dark Horse —, há o receio de que ele não tenha mencionado tudo o que pode aparecer. E agora não dá mais trocar de candidato. Além disso, o senador jamais aceitaria. E não há outro nome ligado a Jair Bolsonaro capaz de assumir essa missão, uma vez que os filhos do ex-presidente vivem às turras com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a única entre os parentes que teria condições políticas de ser candidata.
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Enquanto isso, na Papudinha…/ …Quem esteve na prisão que abriga o ex-presidente do BRB, Paulo Herique Costa, percebeu que ele escreve páginas e mais páginas de sua delação. Já o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, preso por causa da condenação por tentativa de golpe de Estado, continua em depressão.
Vorcaro que se prepare
No mundo da política, há muita gente dizendo que o ex-banqueiro vai repetir o caso do publicitário Marcos Valério, condenado a 37 anos de prisão como operador do esquema do mensalão. Valério ficou preso seis anos e cinco meses, em regime fechado. Depois, obteve progressão de pena, para prisão domiciliar. Em 2022, conseguiu o regime aberto.
Diferenças
Marcos Valério foi julgado e condenado. Vorcaro ainda está em prisão cautelar. Deveria ter passado por uma revisão em 4 de junho, quando completou 90 dias. Essa revisão ainda não ocorreu.
Incômodo geral
Parte dos advogados que trabalham no caso Master estão constrangidos, porque garantem que há informações vazadas atribuídas aos anexos da delação da Daniel Vorcaro que não estão nesses papéis entregues pelo ex-banqueiro. Uma dessas informações, afirmam advogados, é o caso dos R$ 155 milhões ao senador Davi Alcolumbre (União- AP). Por essas e outras é que houve uma limitação das pessoas com acesso direto ao ex-controlador do Master.
Tem que ter limite
O deputado Júlio Lopes (PP-RJ) pretende propor mudanças no regimento da Câmara para limitar o uso do Infoleg, ou seja, as votações remotas. Ele considera que não dá, por exemplo, para aprovar uma emenda constitucional sem a presença do parlamentar no Plenário. O caso está tão sério que há, inclusive, denúncias de parlamentares que deixam o celular com assessores ou parentes para registro do voto. Dia desses, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), avisou que isso dá cassação de mandato.
CURTIDAS

A guerra das camisas/ Ainda repercute a gravação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para suas redes sociais com a “amarelinha” da Seleção Brasileira de futebol. Até aqui, os bolsonaristas gostavam de colocar essa camisa como símbolo do seu segmento político. Agora, pelo jeito de Lula, isso será diferente na campanha eleitoral. Não se surpreendam se o presidente surgir com a camisa da Seleção em outras oportunidades. Esse símbolo, assim como a Bandeira e o Hino Nacional, pertence a todos os brasileiros.
Casa vazia/ Se alguém esperava movimentação no Congresso esta semana, pode desistir de passar por lá. Prova disso é que até a poderosa Frente Parlamentar do Agro (FPA) cancelou sua reunião semanal, por causa das votações remotas previstas para esses dias. Os parlamentares estão dedicados à campanha… ops, às festas juninas. Aliás, na próxima também será assim, por causa do Dia de São João e do jogo do Brasil contra a Escócia, pela Copa do Mundo, em plena quarta-feira.
Agenda cheia I/ Apesar do Congresso esvaziado, a semana política será de muitos eventos e lançamentos em Brasília. Nos seminários, o destaque vai para o 7 Brasilia Summit Lide-Correio Braziliense, amanhã, no hotel Brasília Palace, com a presença da governadora do Distrito Federal, Celina Leão.
Agenda cheia II/ Hoje tem lançamento do livro do ministro Gilmar Mendes, Estado de Direito e Jurisdição Constitucional, às 18h, no Supremo Tribunal Federal. Também amanhã, às 18h, será a vez da ex-ministra do Trabalho Dorothea Werneck (foto) lançar seu livro Aprendendo e Vivendo: uma Biografia de Histórias e Versos, com direito a bate-papo com a autora, na sede da Apex. Quinta-feira, às 18h30, no Espaço Sepúlveda Pertence do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, autografa o livro O Processo e STF: Perspectivas Constitucionais.








