Categoria: Política
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 14 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Os senadores se preparam para transformar a medida provisória que extinguiu a taxa das blusinhas num dilema eleitoral. Se derrubam a MP, perdem o apoio de uma parcela expressiva da população que faz uso desse e-commerce. Se aprovam a medida, ficam em dificuldade com a indústria nacional, que tem reclamado da concorrência dos produtos comercializados pela internet. É por isso que está tão difícil encontrar um relator para a proposta, mas a ideia é definir nos próximos dias e votá-la na semana de 31 de agosto.
» » » »
A sinuca de Braga/ Cotado para o cargo de relator, o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), candidato à reeleição, ficaria espremido entre os empresários da Zona Franca de Manaus e o eleitorado amazonense que apoia o fim da taxação. Porém, com a MP perdendo a validade em 8 de setembro, alguém vai ter que relatar esse texto. Ou o Senado correrá o risco de ver o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos palanques dizendo à população que tentou acabar com a taxa, mas os senadores não quiseram decidir a respeito.
A descrença de Lira…
O entorno do deputado Arthur Lira (PP-AL), candidato ao Senado, considera difícil acreditar que o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB) concorrerá ao Senado. O que se diz é que Lira espera de JHC o cumprimento de um acordo selado há alguns anos: concorrer ao governo do estado e apoiar Lira ao Senado.
… e os cenários oscilantes
O cenário mudou. Àquela altura não se acreditava que Renan Filho seria candidato a governador com o apoio da maioria dos prefeitos. Nem se imaginava que a Polícia Federal (PF) faria uma operação para investigar os investimentos do Instituto de Previdência de Maceió no Banco Master, de Daniel Vorcaro. Embora não tenha qualquer citação de envolvimento de JHC, o escândalo tem potencial para desgastar eleitoralmente a imagem do ex-prefeito, pois as aplicações no Master ocorreram em sua gestão.
Esperança do PL
Os estrategistas da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República apostam que a exposição do filho 01 longe de Jair Bolsonaro pode ajudar a reverter a rejeição dele nas pesquisas. A avaliação é de que Flávio herdou os números do pai, os bons e os ruins. Já Lula não teria como reverter a rejeição.
Emendas e o problema
Especialistas em orçamento criticam o uso de emendas como recurso pessoal de parlamentares. Em debate promovido pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), a sócia-consultora do Instituto de Finanças Públicas (IFP), Selene Peres, alertou a necessidade de alinhar as emendas parlamentares ao plano de governo do presidente da República, seja quem for, ou ao Plano Plurianual de investimentos. Esse será um debate que o Congresso e Poder Executivo terão que enfrentar em 2027.
CURTIDAS

Agilidade/ Líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio à Presidência, Rogério Marinho (PL-RN) ironizou a demora da PF em realizar um teste de paternidade do suposto fruto de estupro do qual o vice da chapa, deputado Alfredo Gaspar (AL), é acusado. “Vamos apelar para o Ratinho. Eles fazem o teste de DNA em 72 horas”, disse. E complementou que Gaspar entregou seu material genético há cinco meses.
OK, mas…/ …quem apanha não esquece. Ao distribuir um prato de carne e mandioca a jornalistas de plantão, em frente ao seu comitê, Flávio fez questão de frisar o trabalho da imprensa. Porém, até agora não fez qualquer referência ao tratamento grosseiro ao repórter do The Intercept Brasil que lhe perguntou sobre o financiamento do Dark Horse. Na época, o senador disse que era mentira e chamou o jornalista de “militante”.
Angola e São Paulo/ O presidente de Angola, João Lourenço, estará em São Paulo em 26 de setembro para uma rodada de atração de investimentos ao seu país. A visita foi agendada durante encontro entre o ex-governador de São Paulo e fundador do Lide, João Doria, e Lourenço, no Palácio do governo angolano, em Luanda. A agenda paulista será no sentido de criar parcerias para o setor privado dos dois países, em especial, no agropecuário. Na foto, além de Lourenço e Doria, estão a ex-ministra da Agricultura e ex-senadora Katia Abreu e o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, que integraram a comitiva do Lide ao país africano.

O ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (JHC), que está filiado ao PSDB, ainda não anunciou oficialmente, mas seus aliados garantem que a decisão de concorrer ao Senado está praticamente tomada, conforme apurou o blog. Na última segunda-feira, o ex-prefeito esteve no Planalto para um encontro com o presidente Lula, levado pelo ex-prefeito de Recife João Campos (PSB). Os dois são amigos e administravam capitais de estados vizinhos. A decisão de concorrer ao Senado tem o respaldo da família. Como o registro da candidatura vai até sábado, tem muita gente dizendo que é melhor esperar o anúncio oficial, porque a pressão para que ele dispute o governo continua forte.
A conversa com Lula ocorreu o mesmo dia em que uma operação da Polícia Federal teve como alvo ex-gestores do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev). O prefeito não é investigado, mas seus adversários políticos planejam usar o escândalo no instituto para desgastar a imagem do prefeito. Ele, embora tenha uma boa avaliação na capital, se fosse concorrer ao governo teria que enfrentar o senador Renan Filho (MDB), detentor do apoio da maioria dos prefeitos dos municípios alagoanos, e a quem Lula considera um filho.
O movimento de JHC embaralhou ainda mais o cenário político em Alagoas. A federação União Progressistas e o PL esperavam que o ex-prefeito confirmasse sua candidatura ao governo do estado e fizesse campanha ao lado do candidato do PP ao Senado, o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a compartilhar uma imagem com o nome de Marina Candida (PSDB), esposa de JHC, como pré-candidata ao Senado por Alagoas. A ex-primeira-dama de Maceió, no entanto, deve concorrer à Câmara dos Deputados, de forma a puxar votos para o PSDB.
Agora, se JHC registrar uma candidatura ao Senado, tanto a federação quanto o PL precisam reajustar a rota, uma vez que João Henrique Caldas não definiu se fará uma parceria com Lira ou com o senador Renan Calheiros, candidato à reeleição. Quem o conhece diz que o desejo dele é ser o segundo voto dos Calheiros e da turma de Arthur Lira. Enquanto embola a disputa para o Senado, o partido de Flávio, que foi buscar em Alagoas o deputado Alfredo Gaspar para ser seu vice, cogitava lançar o nome do vereador de Maceió Leonardo Dias (PL) como plano B para o governo caso JHC não concorresse. Nos próximos dois dias, ainda tem muita conversa em Alagoas.
Com Eduarda Esposito
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Ao anunciar apoio à urgência para tramitação de propostas de interesse do governo Lula, o MDB dá um passo no sentido de reforçar um alinhamento ao presidente da República e, de quebra, se apresentar, num ano eleitoral, como defensor de projetos que têm o apoio da classe trabalhadora — caso do fim da escala de trabalho 6×1 (seis dias trabalhados para um de folga). O movimento do partido reforça o respaldo de uma maioria dos senadores do partido a Luiz Inácio Lula da Silva. Se levada em conta a foto de Michel Temer e José Sarney ao lado de Ronaldo Caiado (PSD), está claro que Flávio Bolsonaro (PL) terá pouco espaço entre os caciques do partido e conta apenas com o apoio do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que se reelegeu com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
» » » »
A hora do primeiro teste/ O gesto do MDB dá ainda um discurso para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), coloque as propostas em votação. Depois da conversa dele com Lula, espera-se a retomada da normalidade entre os dois Poderes. A ideia é aproveitar o próximo esforço concentrado, na semana de 31 de agosto a 4 de setembro, para tentar votar parte das matérias ainda no período eleitoral.
Rumo a 2027
A aproximação entre Lula e Alcolumbre vai muito além da votação das propostas. Estão sobre a mesa para conversas futuras dois assuntos pendentes: o primeiro é a escolha do futuro ministro do Supremo Tribunal Federal — leia-se o advogado da União, Jorge Messias —, já rejeitado pelos senadores com a ajuda do presidente do Senado; o segundo é a escolha do futuro presidente do Congresso. Conforme o leitor da coluna já sabe, Alcolumbre é candidato a mais dois anos no comando do Legislativo e precisará de apoio dos governistas.
Brasil 2025 x Brasil 2026
Parlamentares governistas ligados à diplomacia afirmam que o novo tarifaço de Donald Trump tem menos impacto agora do que em 2025. E isso deve à atitude do governo em abrir novos mercados. Dados do governo demonstram que a balança comercial brasileira registrou, até a primeira semana de agosto, um superavit de US$ 51,56 bilhões, aumento de 32,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Amorim e o teste
A ida do assessor internacional da Presidência da República, Celso Amorim, ao Congresso, esta semana, foi aprovada pelos partidos aliados do Planalto. Em suas respostas sobre o crime organizado no país, ele reforçou o discurso da soberania e foi incisivo ao dizer que cabe às forças brasileiras combater as facções criminosas. Para completar, disse ter vergonha da “servilidade” aos estrangeiros, sejam americanos, russos ou chineses.
Renegociação volta à mesa
O presidente da Comissão Mista da medida provisória da renegociação de dívidas dos produtores rurais, senador Renan Calheiros (MDB-AL), vai se reunir com o relator, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), para negociar o texto. Calheiros defende que a MP editada pelo Ministério da Fazenda deixou de fora o pessoal do Norte e do Nordeste, e isso fere a isonomia. Aliados de Renan afirmam que o senador teme um alinhamento de Pimenta à Fazenda. Por isso, vai buscar o relator a fim de garantir o benefício aos produtores nortistas e nordestinos.
CURTIDAS

Cai o “tenente coronel”/ O bolsonarista Luciano Zucco (PL-RS) se elegeu para a Câmara dos Deputados, em 2022, pelo Republicanos com o nome “tenente-coronel Zucco”. Agora, na disputa para o governo do Rio Grande do Sul, o deputado se apresenta apenas como “Zucco”. Na Câmara, muita gente comenta que se trata de uma estratégia para ampliar a votação do candidato.
E Alagoas, hein?/ A campanha de Renan Filho ao governo do estado só definirá o nome do candidato a vice-governador quando o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (o JHC), resolver se concorrerá ao governo, ao Senado ou ficará fora da disputa. No entorno de Renan, há quem duvide que JHC concorra ao governo, uma vez que o senador emedebista tem 95 das 102 prefeituras alagoanas alinhadas à sua candidatura.
Se for, vai sozinho/ Membros da cúpula do PL afirmam que não desistirão da candidatura de Flávio Roscoe em Minas Gerais para apoiar a candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). Interlocutores relembram que o partido esperou até o último momento, mas a indecisão do senador não poderia prejudicar os planos do PL no estado.
A hora delas/ Na semana em que se comemora o Dia do Advogado (11 de agosto), as mulheres advogadas especializadas no setor de energia promoveram o I Encontro da Comissão Especial da OAB voltada a esse tema: “Queremos cada vez mais consolidar o espaço das mulheres advogadas no setor elétrico, um dos tantos ambientes de decisão historicamente masculinos. É fundamental estabelecermos esse diálogo em um segmento com tanto impacto na sociedade”, diz Fernanda de Paula (ao centro na foto), idealizadora do evento.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 12 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tirou, aos poucos, os partidos de centro da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), inclusive o PP de Ciro Nogueira. Agora, vem a segunda fase: apoios ostensivos. Na segunda-feira, foi o dia de o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarar o apoio à reeleição. Agora, os petistas aguardam gestos semelhantes do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre chegou pela primeira vez ao comando da Casa pelas mãos dos bolsonaristas e pela proximidade com o ex-ministro Onyx Lorenzoni. Naquela época, Bolsonaro acabara de ser eleito presidente da República e o candidato apoiado pelo PT para Presidência do Senado era Renan Calheiros (MDB-AL). Agora, com os bolsonaristas dispostos a eleger um nome mais fiel a Bolsonaro, Alcolumbre se vê obrigado a buscar uma reaproximação com o Palácio do Planalto.
» » »
Perdas e danos/ O encontro de Lula e Alcolumbre, com a presença do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi considerado positivo. Do ponto de vista político, porém, esse convescote ainda será muito explorado por Flávio Bolsonaro, que se referiu, ontem, ao magistrado como “o grande articulador político de Lula”. Dentro do PL, essa aproximação é mais um motivo para promover o impeachment do ministro, um assunto que esta semana o PL colocou de vez na campanha, com a reunião entre o filho 01 e os senadores.
Siameses
A decisão de Flávio de não participar de debates dependerá sempre da presença de Lula. Se o petista não for, o senador também não irá. A campanha avalia que se expor para potenciais aliados de segundo turno seria prejudicial para o candidato do PL, uma vez que ele se tornaria o alvo com a ausência do presidente da República. Afinal, tanto Ronaldo Caiado (PSD) quanto Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) atacariam Flávio de olho no segundo lugar que o filho 01 apresenta nas pesquisas.
Só tem um probleminha
A fuga dos debates, porém, pode ser uma faca de dois gumes. Embora Flávio tenha um exército nas redes sociais, alguns aliados temem que ele passe a impressão de despreparo para tais eventos, algo que não ocorre com Lula, que disputou seis eleições e participou de vários embates presidenciais.
Carimbo
Ao longo da sabatina do Correio Braziliense com os 11 candidatos ao governo do Distrito Federal homologados nas convenções partidárias, todos os 10 adversários da governadora-candidata Celina Leão se referiram à atual administração do GDF como “Ibaneis-Celina” ou “Celina-Ibaneis”. Todos querem colar a imagem da governadora no desgaste político do antecessor, depois do escândalo Master-BRB e da desistência da candidatura ao Senado.

Por quem o MDB raiz torce
Enquanto o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, tece loas a Flávio Bolsonaro, os dois emedebistas que já ocuparam a Presidência da República, José Sarney e Michel Temer, posam para fotos ao lado do candidato do PSD, Ronaldo Caiado, na casa (foto) do candidato a vice-presidente, Gilberto Kassab (PSD). Caiado, que está morando em São Paulo, tem o apoio ainda de Aldo Rebelo, Heráclito Fortes, Jorge Bornhausen e Roberto Brant. Todos ex-parlamentares de um tempo em que a política era feita com mais respeito e diálogo entre os adversários.
CURTIDAS
Nem perguntou/ O PT e a base governista cogitaram o nome do senador Eduardo Braga (MDB-AM) para a relatoria da medida provisória da taxa das blusinhas na comissão mista. O parlamentar sequer foi consultado. Ele concorre à reeleição no Amazonas e o período de campanha se inicia domingo.
Mais um/ O deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI) é um dos indicados para a presidência da comissão mista da MP da taxa das blusinhas. É mais uma indicação de peso da Câmara dos Deputados entregue ao partido do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Entretanto, o PT escolheu Reginaldo Lopes (MG) e planeja brigar pelo posto.
Vote sim/ Movimentos sociais ligados à proteção das mulheres marcaram presença na Câmara dos Deputados, na terça-feira, para pressionar Hugo Motta a colocar o projeto de lei que criminaliza a misoginia em votação. As voluntárias distribuíram adesivos de apoio à matéria, escrito “Eu Voto Sim”.
Por falar em Motta…/ O PL não gostou nada da afirmação do presidente da Câmara de que votaria em Lula. Para membros do partido, fica clara a inclinação de Motta para ajudar o governo com pautas na Casa
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 11 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A operação da Polícia Federal de ontem, em Alagoas, foi recebida no meio político como mais um sinal de que o escândalo do Banco Master ainda tem muito potencial para colocar candidaturas na berlinda. Dessa vez, a operação teve como alvo principal o secretário de Fazenda de Maceió, João Felipe Alves Borges, que está no cargo desde o início da gestão de João Henrique Caldas na prefeitura, em 2021. Agora já fora do Executivo municipal e disposto a concorrer a um mandato eletivo, seja governo estadual, seja Senado, JHC, embora não seja alvo da operação, será chamado pelos adversários a explicar por que não evitou a aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência de Maceió no Master.
» » » »
Até aqui…/ O imbróglio alagoano é mais um em meio aos que já surgiram no rastro do Master e do roubo dos aposentados e pensionistas do INSS. Na semana passada, foi o senador Weverton Rocha (PDT-MA), alvo de mais uma fase da Operação Sem Desconto — sobre o escândalo da Previdência —, que ainda se mantém candidato, mas obrigado a se explicar. No DF, Ibaneis Rocha desistiu do Senado. No Rio de Janeiro, o ex-governador Cláudio Castro também se afastou da disputa eleitoral, depois que veio a público sua ligação com Daniel Vorcaro. Quem continua firme fazendo campanha no Piauí e sem mencionar o caso é o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira. Até sábado, data-limite para registro das candidaturas, muita coisa ainda vai mudar Brasil afora.
Ponto central
A tomar pelo discurso dos candidatos a senador pelo PL Brasil afora, o Supremo Tribunal Federal irá dominar os debates para o Senado. A maioria deles, sem exceção, menciona a necessidade de colocar os pedidos de impeachment dos ministros para tramitar. E hoje, na reunião de Flávio Bolsonaro com os candidatos, ficará decidido que esses ataques ao STF terão que estar presentes no discurso.
Alcolumbre que se cuide
Para cumprir seu objetivo, os bolsonaristas esperam eleger, no mínimo, 30 senadores. Se atingir esse número, um bolsonarista será guindado ao comando do Senado com a missão de colocar os processos em andamento. E já está decidido que este candidato para comandar a Casa não será Davi Alcolumbre (União-AP).
Por falar em Flávio…
Candidato ao governo de São Paulo, o ex-minsitro Fernando Haddad (PT) aproveitou a entrevista à CNN para se referir ao patrimônio de Flávio Bolsonaro e aos imóveis comprados com dinheiro vivo. Ainda se referiu ao dinheiro obtido com Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
E o Congresso, hein?
A semana será de esforço concentrado, mas nem tanto. É que foi aberta a possibilidade de votação pelo sistema Infoleg, em que o parlamentar pode votar de forma remota. Vai ter muito candidato que não pisará em Brasilia.
CURTIDA

Sem defensor/ O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos, foto) aproveitou o debate da Band com os candidatos ao governo estadual para dar uma cutucada no presidenciável Flávio Bolsonaro. “Flávio, vou mandar um recado para você. Que vergonha, teu candidato não te defende”, afirmou.
Cada um por si/ Garotinho referia-se aos ataques a Flávio proferidos pelo candidato William Siri (PSol) durante o debate no estado e a falta de uma palavrinha em prol do Zero Um de Jair Bolsonaro por parte de Douglas Ruas, que concorre ao governo fluminense pelo PL.
Esquenta 2030/ Assim os políticos estão se referindo ao debate entre os candidatos ao governo de São Paulo — Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição, e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. É que ambos são considerados apostas para a Presidência da República na próxima eleição.
É hoje!/ De 7h até 17h, o Correio Braziliense entrevistará todos os candidatos ao Governo do Distrito Federal. É o compromisso do jornal em manter o eleitor informado sobre projetos e planos para a capital do país. Acompanhe pelas redes sociais do Correio, pelo site do jornal e pela edição impressa de amanhã.
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 9 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito.
Informações falsas, robôs, redução dos mecanismos de checagem de fatos pelas grandes big techs e o ambiente de ataques gratuitos e xingamentos nas redes sociais levam marqueteiros e especialistas em campanha eleitoral a reverem os conceitos a respeito do domínio dessas redes na corrida eleitoral. Há entre eles o sentimento de que o eleitor está um pouco cansado desse modelo das redes e tem tudo para voltar ao horário eleitoral de rádio e tevê — não aos programas, mas às inserções no meio da programação. Isso sem contar debates e sabatinas promovidos pela imprensa. O eleitor está cansando da polarização e do uso das redes no ambiente político. Caberá a cada candidato dosar sua campanha de forma a não ficar tão dependente do “piscinão” que se tornaram as redes sociais.
» » »
Embora as redes sociais comecem a ser vistas com algum cuidado pelos especialistas, o investimento na campanha digital ainda deverá ser maior, uma vez que é preciso garantir a preferência de visualização para os conteúdos da própria campanha nos sites de busca e nas redes sociais, em especial, as transmissões ao vivo. Porém, tem muita gente que vai hesitar em colocar todos os ovos, no caso, recursos, na cesta das redes. Afinal, se o eleitor estiver mesmo cansado, não será ali o melhor lugar para garantir votos.
A vingança de Flávio
Em carreira solo no PL, sem nenhum outro partido para chamar de seu, o candidato Flávio Bolsonaro já tem planos caso seja eleito em outubro. O primeiro deles é dificultar a vida dos partidos. Aqueles que disseram não à composição da chapa ou de alianças, ou não serão chamados a participar do ministério, ou terão que pagar caro pelo ingresso. Afinal, o senador não deverá a sua chegada ao Planalto a nenhum deles.
Cansaço crescente
Os analistas e marqueteiros começaram a avaliar os gráficos de comportamento do eleitor ao longo das seis últimas eleições presidenciais no Brasil. Descobriram que o eleitor vem perdendo o interesse em votar. A abstenção só caiu de 2002 para 2006, de lá para cá, só cresce. Em 2006, 16,75% dos eleitores não foram às urnas. Em 2022, esse número subiu para 20,89%. Se a abstenção continuar nesse ritmo, o universo de votos válidos pode levar a uma eleição no primeiro turno, para quem estiver na frente.
Inteligência limitada
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teve o orçamento total ampliado ao longo dos últimos 25 anos, mas o dinheiro para investimentos, que permite a compra de novas tecnologias, equipamentos e infraestrutura, está cada vez mais curto. Houve um respiro no primeiro ano do governo Lula, com R$ 113 milhões, mas, de lá para cá, esse valor vem caindo. O patamar mais baixo foi no ano passado, R$ 64 milhões.
Quem perde
O baixo montante de investimentos ocorre justamente num cenário de crescimento das ameaças cibernéticas, do crime organizado transnacional, guerras espalhadas pelo mundo e de espionagem internacional.
Elas perceberam…
Em evento recheado de promessas ao eleitorado feminino no interior paulista, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que não chamou nenhuma mulher do seu partido para compor a chapa, pediu votos ao Senado para dois homens com o intuito de derrotar duas mulheres candidatas em São Paulo.
…Mas não alertaram o candidato
Até deputadas alinhadas ao senador consideraram que não era o momento de se referir aos votos paulistas para o Senado. Uma vez que o evento era “Café entre elas”, voltado às mulheres, o melhor seria deixar os votos para os senadores para um outro momento.
O susto deles
Muitos políticos ficaram assustados com a foto publicada pela revista piauí em que aparecem vários parlamentares na piscina com o advogado Willer Tomaz, alvo de mais uma fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga o roubo dos aposentados do INSS. Houve quem entrasse em pânico, achando que tinha algo a ver com as festas de Daniel Vorcaro. Nada a ver. Tomaz é outro caso, que tem potencial para abalar muitas candidaturas.
Dia dos Pais/ Fica aqui a homenagem da coluna a todos aqueles que, junto com as mães, suam a camisa para criar e educar seus filhos. Que este domingo seja coberto de bênçãos.
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 8 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito.
Em meio ao estica e puxa sobre as operações do Caso Master e do roubo dos aposentados do INSS, a Polícia Federal (PF) enfrentará um novo embate em breve. É que os senadores planejam tirar da gaveta o projeto que regulamenta a inteligência de Estado. No geral, há entre os policiais federais o receio de que a proposta abra ao pessoal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) informações que, hoje, são exclusivas da PF. A Abin, por sua vez, defende a aprovação da matéria. Seus integrantes contam com o relator do projeto, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que já conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para a inclusão na pauta do esforço concentrado, em agosto. Até lá, Trad terá tempo de tentar buscar um acordo capaz de garantir a aprovação.
Origem e argumentos/ O projeto teve origem na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), em 2025. Já houve várias tentativas de votação, sem sucesso, por causa da falta de acordo e de maioria. A PF considera que a inteligência deveria ser apenas da corporação e a Abin rebate o argumento, apontando as diferenças entre o tipo de inteligência que cada uma das instituições utiliza — a PF focada para operações, com persecução penal, ao contrário da Agência, que usará os recursos para proteção do Estado e da soberania brasileira. A proposta detalha procedimentos para a produção de conhecimento; operações sensíveis e monitoramento remoto; exigência de autorização judicial prévia para monitoramento; e garantia à proteção da identidade dos agentes.
Separe as estações
As menções do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao secretário de Estado do governo dos Estados Unidos, Marco Rubio, como alguém que “odeia o Brasil”, vêm no sentido de chamá-lo para o ringue. A ideia agora é tentar mostrar que é ali que os bolsonaristas têm sua ponta de lança para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Entreguismo x soberania I
Aliás, os últimos movimentos do governo dos Estados Unidos, com o cancelamento do visto da embaixadora brasileira, Maria Luiza Viotti, e as pesadas tarifas a determinados setores, deixaram no governo brasileiro a certeza de que a tensão só se dissipará após o período eleitoral. Lula, porém, tentará fazer desse limão uma limonada, colocando a soberania na pauta da eleição presidencial.
Entreguismo x soberania II
A ideia que prevalece entre os aliados de Lula é associar os movimentos contrários ao Brasil à viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA, no mês passado, quando o pré-candidato do PL, de acordo com o governo brasileiro, prometeu mundos e fundos a Washington. Depois da visita, Flávio reforçou o discurso contra as urnas eletrônicas e o Departamento de Estado pretendia enviar dois observadores ao Brasil — a imprensa norte-americana divulgou que viriam para corroborar essa narrativa. O visto, então, foi negado. Tudo isso deve ser abordado na eleição por aqui.
Enquanto isso, em São Paulo…
Embora Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) apareçam bem posicionadas nas pesquisas para o Senado, os petistas temem que Tarcísio de Freitas (Republicanos) acabe puxando um dos candidatos conservadores. A esperança da turma de Marina Silva é que a divisão nas hostes conservadoras entre Guilherme Derrite, Ricardo Salles e Andre do Prado acabe dificultando a vida daqueles que apoiam a reeleição do governador.
Saltos/ Eleger-se deputado federal foi um ótimo negócio para Nikolas Ferreira (PL-MG). Em 2022, ele declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio R$ 36.820,46. Agora, candidato à reeleição, registrou R$ 3.898.456,67 em imóvel e investimentos, um crescimento de 10.487,75%. Nesses quatro anos, Nikolas financiou uma casa de R$ 2,2 milhões, que ainda está pagando, aumentou o número de aplicações e adquiriu ações em companhias privadas e públicas.
Veja bem/ Em nota à coluna, o deputado afirma que parte significativa do aumento se deveu ao financiamento da casa. Ele ainda tem saldo devedor. “O valor integral do bem consta na relação patrimonial, mas não representa patrimônio líquido efetivamente incorporado pelo parlamentar, uma vez que parcela substancial permanece vinculada à obrigação financeira assumida para sua aquisição”, justifica a nota. E afirma que “justamente por cumprir integralmente o dever de transparência é que os bens e atividades do parlamentar estão devidamente registrados e declarados”.
A arte do enfrentamento/ O Supremo Tribunal Federal inaugurou, nesta semana, o painel “Sete Marias” (foto), doado pelo pintor brasileiro Antonio Veronese. A obra, um manifesto artístico contra o feminicídio e a violência de gênero, foi instalada no Hall dos Bustos, no edifício-sede da Corte. Na cerimônia de instalação, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, ressaltou a importância e o simbolismo da obra “que carrega vida, dor, tragédia e esperança”. “A partir deste momento, ela passa a integrar a memória, a paisagem e o patrimônio simbólico do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
A arte da união/ Há tempos, os ministros não tinham um momento tão descontraído entre eles. A ministra Cármen Lúcia, única representante do sexo feminino na Suprema Corte, destacou que o painel é um instrumento de conscientização e defesa dos direitos das mulheres. “Somos todos humanos e humanas, e os direitos têm de ser de todos nós”, afirmou. “Este painel é exatamente a demonstração da violência que se vem praticando, a denúncia de um feminicídio que não para”, frisou.
Colaborou Renato Souza
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 7 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Os dois dígitos que o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, apresentou na pesquisa Correio/Opinião sobe intenção de votos no Distrito Federal, foram vistos nos partidos e centro — e até por integrantes do PL — como um sinal de que a candidatura do ex-governador de Goiás não pode ser desprezada. No DF, um dos menores colégios eleitorais do país, a pesquisa estimulada tem Flávio Bolsonaro (PL) com 33,5% na liderança; Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segundo, com 32%; Caiado em terceiro, com 11,5%; e Renan Santos (Missão), com 4,6%. Já tem gente apostando que Flávio, com uma rejeição alta, tem o recall de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Caiado, ao contrário, tem baixa rejeição e se conseguir se tornar conhecido, vai dar trabalho ao senador do Rio de Janeiro.

Termômetro/ Os bolsonaristas não escondem o incômodo com os candidatos conservadores que concorrem em raias separadas do bolsonarismo-raiz. Um dos pontos que chamou a atenção até mesmo de integrantes do PL foi um post nas redes sociais do ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, candidato ao Senado em Santa Catarina. Diz o filho 02 de Jair Bolsonaro: “Os únicos três objetivos da chamada ‘terceira via’, hoje camuflada como a chamada ‘direita permitida’, são eleger Lula, enterrar politicamente Jair Bolsonaro e os presos do 8 de Janeiro (…)”. Termina dizendo que “esse grupo é ainda mais prejudicial ao país do que o próprio PT”. No DF, o raciocínio do ex-vereador carioca sobre eleger Lula não se sustenta, uma vez que, a preços de hoje, num segundo turno, Caiado teria 50% dos votos contra Lula e Flávio, 46%. Ambos derrotariam Lula, mas Caiado teria mais votos.
Um discurso para Lula
O pedido de conversa do presidente Lula com o dos Estados Unidos, Donald Trump, deixa o norte-americano na seguinte situação: se recusar, soará como alguém que não pretende dialogar com o Brasil, reforçando a narrativa de interferência no processo eleitoral; se Trump aceitar a conversa, quem não vai gostar é Flávio Bolsonaro.
Um teste para Messias
Após a nota dos 27 superintendentes regionais da Polícia Federal em defesa da direção e da independência da corporação, coube ao advogado-geral da União, Jorge Messias, intermediar uma reunião entre os ministro da Justiça, Wellington Silva, e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para tentar acertar os ponteiros em relação ao trabalho da PF e do STF nos casos envolvendo o INSS e o Banco Master. Se as conversas avançarem a bom termo, Messias, que foi apoiado por Mendonça quando da indicação para o Supremo, vira um potencial nome para a Justiça na hipótese de reeleição de Lula.
Veja bem
Lula não desistiu de indicar Messias ao STF, mas não pretende dar murro em ponta de faca. E se ficar praticamente impossível garantir os votos pró-Messias no Senado, o Ministério da Justiça é o caminho mais viável.
Aos números
Numa entrevista com Flávio Bolsonaro, a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, atacou o trabalho na área feito pelo governo Lula com dados da pandemia. “Se você pegar o primeiro semestre deste ano, são mais de seis mil empresas quebradas, sendo que na pandemia não foram duas mil quando ficou tudo fechado”, disse. Contudo, estudo divulgado em 16 de julho de 2020 pelo IBGE, intitulado “Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas”, apontou que mais de 716 mil empresas fecharam, sendo quatro em cada 10 devido à pandemia (522 mil).
CURTIDAS

Revisa aí/ A defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres pediu ao STF a revisão criminal da condenação dos 24 anos de prisão pela trama golpista. Os advogados declaram falta de provas e pedem a soltura imediata de Torres. Caso a absolvição seja negada, a defesa insistirá na redução da pena, sob a alegação de que não houve “fundamentação individualizada” no julgamento. O ex-ministro está preso na Papudinha desde novembro de 2025.
Corrige aí/ Até agora, pelo menos dois candidatos vieram a público explicar que houve erros em suas autodeclarações de raça ao Tribunal Superior Eleitoral. Candidata a vice-governadora do Rio Grande do Norte, Larissa Rosado (PSB) constava como parda e afirmou que vai pedir a correção. O segundo vice-presidente da Câmara, deputado Elmar Nascimento (União-BA, foto), candidato à reeleição, consta como negro. Vai solicitar a alteração.
Dégradé/ Em 2018, Elmar se declarou branco; em 2022, pardo; e em 2026, negro. E frisou que demais candidatos têm passado o mesmo. Em nota, afirmou que houve um erro: “Situações dessa natureza têm sido verificadas por outros candidatos durante o processo de registro de candidaturas para as eleições deste ano, evidenciando tratar-se de uma inconsistência pontual de natureza administrativa, passível de correção pelos meios legalmente previstos”, disse.
Hora da união/ O STF e o TSE deverão evitar alfinetadas públicas, na avaliação de fontes próximas aos magistrados. O Poder Judiciário passa pela sua pior crise de imagem, de acordo com interlocutores ouvidos pela coluna, e nesse momento, para amenizar a crise institucional, os ministros devem adotara unidade em vez da individualidade, como forma de protegerem a instituição.
Colaborou Renato Souza
Coluna publicada na quinta-feira, 6 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto ajuda dois personagens numa das disputas mais ferrenhas para o Senado: Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP). O ex-relator da CPMI do INSS era candidato a senador, reforçou isso, inclusive, na madrugada anterior a seu anúncio como o parceiro do filho 01 de Jair Bolsonaro na campanha presidencial. Agora, a tendência é a de que Renan e Lira consigam atingir o objetivo eleitoral, em outubro.
» » »
O melhor dos dois mundos/ Até aqui, Lira, feliz com a ida de Gaspar para a campanha presidencial, não pretende colar sua campanha à de Flávio. Prefere seguir a neutralidade adotada pela direção nacional do partido. Lira pretende fazer a própria campanha, em parceria com prefeitos de partidos de centro que apoiam Lula, mas não estão fechados com os Calheiros. Porém, Flávio tem esperanças de que isso seja revisto. Afinal, ele espera que Gaspar, uma indicação do coordenador da campanha, Rogério Marinho, seja a porta de entrada no eleitorado nordestino, onde Lula tem a preferência. Até aqui, porém, a escolha não levou a ampliar seu palanque nem em Alagoas, nem em outros estados. A ver como será ao longo da campanha.
Marinho, o padrinho
Rogério Marinho foi um dos nomes cogitados para vice de Flávio, mas não quis porque prefere ser candidato a presidente do Senado para ter o controle da Casa. E permitir a tramitação de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
Discurso anti-Lulinha
A tarefa de Alfredo Gaspar nesta campanha é usar o trabalho como relator da CPMI do INSS para reforçaras denúncias contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com o intuito de desgastar o pai presidente e candidato à reeleição.
Atestado de inabilidade
Do alto da respeitabilidade e da experiência que acumulou ao longo de 40 anos de carreira política, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) foi direto ao comentar a escolha de Gaspar: “É uma pessoa muito qualificada, mas não é disso que se trata. A indicação dele veio depois de várias tentativas de ampliação que a campanha do Flávio Bolsonaro fez. Então, é antes de tudo um atestado de uma incapacidade de ampliar a sua base de apoio”, afirmou à coluna, no 8º Brasília Summit Lide Correio Braziliense.
Espere setembro chegar
A pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política para a Presidência da República no DF mostra Flávio na liderança, com 33,5%, e Lula, com 32%. Está mais apertado para o petista do que foi na pesquisa de agosto de 2022, quando Lula tinha 39% e o então presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, 36,7%. Naquela eleição, Bolsonaro ultrapassou Lula e fechou o primeiro turno com 51,6% dos votos. Lula ficou com 36,8% dos votos do DF. A ultrapassagem foi detectada pelo mesmo instituto, em 5 de setembro de 2022.
CURTIDAS

A Faria Lima só observa/ Ninguém levou muita fé na escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio. Quem ganha com isso, conforme avaliam por lá, é Ronaldo Caiado (PSD, foto).
Por falar em Caiado…/ Ele tem 11,5% dos votos do DF, conforme a pesquisa estimulada Correio/Opinião. Sinal de que ainda pode crescer por aqui, furando o bloqueio da polarização.
Palavra do decano/ Logo depois da palestra de abertura do 8º Brasília Summit Lide Correio Braziliense, o ministro Gilmar Mendes, do STF, comentou a escalada de tensão entre Brasil e Estados Unidos. “É preciso ter muita serenidade, muita calma nessa hora. A gente tem que ter um olhar mais amplo, vendo sempre a árvore e a floresta. A relação do Brasil e dos Estados Unidos é mais do que secular, e é extremamente importante que prossiga dentro dos parâmetros da diplomacia”, argumentou.
A nova onda do BRB/ No mesmo evento, o diretor-executivo de Atacado e Governo do BRB, Bruno Watanabe, foi direto: “Quando existem regras claras, estabilidade e segurança jurídica, criam-se condições para que investimentos aconteçam e saiam do papel. Nosso papel como banco público é conectar crédito e projetos que gerem emprego, renda e competitividade”. Logo depois do evento, uma autoridade que estava na plateia comentou com a coluna que os tempos de irresponsabilidade de Paulo Henrique Costa acabaram no banco.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 5 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Nesse “esquenta” da campanha presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa a semana com desgastes por causa dos inquéritos envolvendo seu filho Fabio Luís, o Lulinha, e o empréstimo da lobista Roberta Luchsinger, amiga dele, a um dos principais assessores do gabinete presidencial, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Porém, no Planalto, a avaliação é de que nada disso envolve diretamente o presidente. No caso do filho, Lula tem o discurso de que está sob investigação e o ministro que indicou ao Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, é tão independente que abre inquérito contra o primogênito do presidente. Em relação ao assessor, caberá a ele se explicar o mais rápido possível. A ordem é evitar que isso se prologue por mais dias. Afinal, a partir de 16 de agosto, quando a campanha começa de fato, com o ato em São Paulo, o presidente quer poder cuidar de mostrar os feitos de seu governo. E não ficar respondendo sobre suposto envolvimento, nem do filho, nem do assessor. Cada um que cuide de si.
» » »
E o senador, hein?/ A visão no Planalto é a de que Flávio Bolsonaro, ao contrário de Lula, tem explicações a dar, uma vez que foi pessoalmente pedir que Daniel Vorcaro contribuísse para o filme Dark Horse chamando o enrolado ex-banqueiro de “meu irmão”. Até aqui, o contrato não foi apresentado pelo pré-candidato. No calor da campanha, será Flávio — e os demais — acusando Lula, enquanto Lula — e os demais — acusarão Flávio. E o eleitor que durma com um barulho desses.
Maria Luíza pagou a conta
Não há diplomata brasileiro que não esteja surpreso com o cancelamento do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luíza Viotti, por causa do que os norte-americanos consideram demora do governo brasileiro em conceder o “agrément” a Daniel Perez como futuro embaixador dos EUA no Brasil. Primeiro, porque o “agrément” é algo sigiloso e só divulgado quando o país que receberá o embaixador concorda com a indicação — e não há prazo para que isso ocorra.
Inversão dos fatores
Embaixadores comentam que seria preciso que o governo brasileiro aceitasse a indicação para, em seguida, o nome fosse enviado ao Senado norte-americano para deliberação. O envio ocorreu sem o “agrément” do Brasil. Algo tão inusitado quanto o cancelamento do visto.
A força de Vigilante
A pesquisa Correio/Opinião publicada hoje indica que se Chico Vigilante abraçar algum candidato do PT à Câmara dos Deputados, as chances de ajudar o escolhido a chegar lá cresce. Ele é o petista mais citado na hora do entrevistado elencar em quem votará para deputado federal. Bem abaixo vem o deputado distrital Ricardo Vale (PT).
Chama o Lula!
Os petistas estão confiantes na candidatura de Leandro Grass, o nome da esquerda que aparece melhor na pesquisa de hoje. A aposta de alguns palacianos é de que se Lula entrar na campanha, as chances de chegar ao segundo turno crescem, ainda que o Distrito Federal tenha um eleitorado mais conservador. Dos cenários apresentados para o segundo turno, apenas José Roberto Arruda aparece bem no mano a mano contra a governadora Celina Leão.
CURTIDAS

Tem para todos/ O escritório de advocacia Aragão & Tomaz, com uma máquina de contar dinheiro, é mais um ponto que deixa o PT constrangido. Afinal, Eugênio Aragão, sócio de Willer Tomaz no escritório, foi o último ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff. E Tomaz é amigo de Flávio Bolsonaro.
Sanduíche de pão com pão/ À exceção de Lula, que tem o PSB de Geraldo Alckmin (foto) como seu parceiro de chapa, todos os demais candidatos ao Planalto caminham sem um outro partido disposto a apresentar um nome à Vice-Presidência. Romeu Zema (Novo) optou pelo senador Eduardo Girão (CE). Nas hostes de Flávio Bolsonaro (PL), as deputadas do partido ganham força para uma composição. A única que está fora de cogitação é a ex-primeiradama Michelle Bolsonaro. Os dois com o mesmo sobrenome não dá.
Pede para sair/ Após mais uma fase da Operação Sem Desconto, desta vez contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA), as apostas por lá são de que a candidatura à reeleição tornouse inviável e puxa para baixo a chapa do candidato ao governo Orleans Brandão (MDB). Mesmo com a péssima repercussão das investigações, a decisão de sair do pleito terá de ser do senador.
A hora do debate/ A segurança jurídica e sua necessidade para o desenvolvimento da infraestrutura do país está em pauta hoje, a partir de 8h, no 8º Brasília Summit LideCorreio Braziliense, no Hotel Brasília Palace. Juristas como o ministro Gilmar Mendes e demais autoridades vão debater esse tema, que terá ainda empresários, parlamentares e especialistas no setor de regulação — como o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) e o presidente da Associação das Agências Reguladoras (Abar), Vinícius Benevides.











