Autor: carlosalexandre
Coluna Brasília-DF publicada na sábado, 29 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza
Na rodada de entrevistas realizada pelo Jornal Nacional, o candidato Renan Santos (Missão) defendeu que o Brasil precisa de uma bomba atômica para se fazer respeitado — ou temido? — pelas demais potências mundiais. Para uma declaração desse porte, convém fazer dois reparos.
O primeiro: seria preciso mudar a Constituição brasileira, que determina o uso de energia nuclear apenas para fins pacíficos. O segundo: não há possibilidade de os Estados Unidos permitirem um programa nuclear militarizado em um país vizinho que mantém relações amistosas com a China e a Rússia.
De todo modo, o fortalecimento militar do Brasil não constitui um disparate. Pelas dimensões que possui e em razão das ameaças externas e internas ao território nacional, é pertinente ampliar o poderio militar do país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou essa necessidade recentemente, ao comentar que é preciso “preparar o país não para a guerra, mas para a paz”.
O problema é ter um orçamento para executar tal tarefa. Na realidade fiscal de hoje, essa possibilidade simplesmente não existe.
Aécio na área
Com a decisão, divulgada ontem, de disputar a corrida eleitoral para o Senado por Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB-MG) deixou a disputa mais embaralhada. Ele diz que cedeu à pressão do partido, de empresários e de lideranças regionais para voltar às urnas. A mudança de nome dos partidos é permitida até 15 dias antes da eleição.
Concorrentes
Segundo as pesquisas de intenção de voto, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) lidera a disputa para o Senado. A segunda vaga tem como postulantes Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL) e Marcelo Aro (PP), entre outros.
Plano B
A reviravolta com a candidatura de Aécio veio na sequência dos rumores, no início da semana, de que outro mineiro poderia mudar a rota eleitoral: Romeu Zema, candidato do Novo ao Planalto. Nos bastidores, comenta-se a possibilidade de ele optar por concorrer ao Senado aos 45 do segundo tempo.
E o Fundo Eleitoral, hein?
Perto de R$ 5 bilhões, o Fundo Eleitoral é insuficiente para bancar o teto das candidaturas a todos os postulantes a cargo público. E a insatisfação começou a ganhar voz. No Rio Grande do Norte, o candidato a deputado estadual Ivan Baron — que subiu a rampa durante a posse de Lula, em 2023, representando os brasileiros com deficiência — recebeu apenas R$ 24 mil para a sua campanha.
Esquece isso aí
Está em declínio a ideia de aprovar um projeto de lei ordinária que regulamentaria as jornadas especiais de trabalho após a aprovação do fim da escala 6 x 1. Parlamentares ouvidos pela coluna explicam que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) já prevê redefinições de jornadas pelas convenções trabalhistas e ressaltam que foi por causa de uma demanda dos empresários que essa possibilidade foi resguardada.
Caso a caso
Há quem diga que, se algum setor não conseguir se ajustar por meio de convenção, seria o caso do Congresso de se debruçar sobre a dificuldade e aprovar eventuais ajustes. Dois setores podem precisar dessa revisão: telesserviço e jornalismo, por terem apenas 30 horas em seis dias, mas que reduzirá para 25 horas em cinco dias caso a PEC do fim da escala 6 x 1 seja aprovada.
Isonomia entre os produtos
Para agradar o setor, é possível que a relatora da medida provisória da taxa das blusinhas, Leila Barros (PDT-DF, foto), insira no texto uma conformidade entre produtos brasileiros e estrangeiros. Ou seja, os comprados pelas plataformas terão de passar pelas mesmas exigências de produção, fiscalização e autorização que os nacionais — como, por exemplo, produtos que precisam de aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É uma sugestão para facilitar o consenso com a indústria brasileira.
Sob nova direção
O ex-secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e ex-presidente do Sebrae Nacional Sérgio Moreira assume a direção de Operações e Projetos do Instituto Amazônia 21. A iniciativa é da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e das Federações da Indústria da Amazônia Legal.
Madeira nobre
Um dos programas que estarão sob a gestão de Sérgio Moreira é o Morar Amazônico. A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a Caixa Econômica Federal, por meio do Fundo Socioambiental Caixa (FSA). O objetivo é provar que a indústria sustentável da madeira nativa manejada pode contribuir para soluções habitacionais de interesse social e fortalecer a cadeia produtiva da construção civil.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 28 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito
Ao emplacar três aliados nas relatorias de projetos importantes no Senado, o Palácio do Planalto conseguiu dois feitos: encaminhar textos alinhados com os objetivos do governo e manter em destaque os aliados escolhidos para a eleição. Os senadores Cid Gomes (PSB-CE), que ficou com o Redata, e Eduardo Braga (MDB-AM), com a política nacional de minerais críticos, lideram as últimas pesquisas ao Senado feitas em seus estados.
No caso da senadora Leila Barros (PDT-DF), relatora da PEC que trata da taxa das blusinhas, a designação é mais um ativo na corrida para uma das vagas ao Senado pelo Distrito Federal. A ideia é votar o parecer na próxima terça-feira, na primeira reunião após a eleição da mesa da comissão especial, marcada para hoje.
O arranjo definido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) desata um nó institucional em que se encontravam os poderes Executivo e Legislativo há meses. Apesar dos avanços, com evidentes dividendos eleitorais, há dúvidas em relação ao comportamento do plenário do Senado, principalmente depois das eleições. Não é certo se as propostas sairão integralmente conforme os desígnios do Planalto.
Sem alteração
Cid Gomes pretende seguir o mesmo caminho que o colega Omar Aziz (PSD-AM): manter o texto da Câmara dos Deputados sobre o Redata, regime especial de tributação de datacenters, e buscar consenso. Até ontem, a matéria acumulava 22 emendas apresentadas. O texto está pronto para ir a Plenário.
Já vi esse filme
À coluna, Gomes afirmou que irá analisar todas as sugestões, mas não deverá aceitar alterações de mérito. “Não há nenhuma novidade. O Brasil já teve um programa de incentivo para data centers ainda no primeiro governo Lula, em 2005” , lembrou o relator.
Emendas do setor
Contudo, o setor defende que haja um aperfeiçoamento no texto aprovado na Câmara no começo do ano. A coalizão das frentes parlamentares produtivas apoia a emenda que prevê a utilização de fontes firmes, como gás natural, energia nuclear e biometano, complementares às fontes renováveis e essenciais para empreendimentos que operam de maneira contínua.
Se tem acordo…
Caso a emenda seja acatada, o texto deverá retornar à Câmara para uma nova votação. O setor ressalta que isso não seria um problema, haja vista o compromisso firmado entre Lula, Motta e Alcolumbre para aprovar essa matéria.
Hora de se apresentar
Na estreia do horário eleitoral no rádio e tevê, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) usará os quase três minutos de propaganda a que tem direito para divulgar seus feitos. Inicialmente, a campanha não deverá atacar Lula ou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mas é possível uma mudança de tom até outubro. Nesta fase da campanha, Caiado pretende mostrar ao Brasil as realizações em Goiás, com enfoque especial na segurança pública.
Ficha limpa
As peças ainda devem ressaltar que, em 40 anos de vida pública, Caiado teria uma conduta imune a escândalos. O mote da campanha será: “Muito para mostrar e nada para esconder” .
Janela de oportunidade
Em relação à medida provisória da taxa das blusinhas, o PL pretende alcançar um equilíbrio entre a concorrência e o acesso aos mercados globais. O deputado Rodrigo Valadares (PL-SE, foto) afirma que a bancada buscará “um denominador comum” . “O caminho é pensar em desburocratizar o empreendedor nacional, e não criar mais regras para o e-commerce internacional” , avalia.
Isenção fiscal
Segundo o parlamentar, “a taxa das blusinhas fez tanto mal para o consumidor final quanto para pequenos empreendedores que compravam nas lojas on-line para fazer seus estoques” . A bancada também é favorável à isenção da taxa.
Combustível do futuro
Na próxima quarta-feira, será realizado, na Câmara dos Deputados, um seminário em comemoração aos dois anos da Lei do Combustível do Futuro. A Comissão Especial sobre Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde (Ceenerg) vai reunir representantes dos principais setores para discutir os avanços regulatórios, os desafios ainda existentes e as perspectivas para os combustíveis de baixo carbono no Brasil.




