Categoria: PT
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 23 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Embora o mercado financeiro trate o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o “candidato que já foi”, e procure outras opções para concorrer contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a avaliação de muita gente ligada ao PL é de que o antipetismo ainda pode colocar o candidato bolsonarista raiz no segundo turno — e, de lá, no Palácio do Planalto. Essa aposta, porém, ainda precisa de muitos fatores para tornar-se viável. A primeira delas é não surgir mais nada que envolva o filho 01 de Jair Bolsonaro em qualquer coisa paga por Daniel Vorcaro. Porém, há desconfianças de que o senador ainda não disse tudo a respeito da relação exposta pelo portal The Intercept Brasil na semana passada.

Onde mora o perigo/ Nos bastidores de Brasília, especialmente no meio jurídico, o que se comenta é que há mais laços de cunho pessoal entre Flávio e ex-banqueiro. Enquanto esse disse- me-disse, mesmo sem comprovação, continuar, vai ser difícil o pré-candidato do PL convencer os tubarões da Faria Lima de que navegar com ele é a rota mais segura.
Tarcísio 2030
Entre os investidores da Faria Lima, tem muita gente se conformando com mais quatro anos de Lula. Essa turma faz planos de centralizar o foco na eleição de São Paulo — leia-se a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) —, deixando de lado a sucessão presidencial deste ano para lançá-lo ao Planalto daqui a quatro anos. Afinal, um governador de São Paulo, se reeleito, é considerado o candidato natural de qualquer partido.
Por falar em Lula…
Os governistas defendem que Lula aproveite esse período de pré-campanha para, desde já, começar a comparar as entregas de sua gestão com a de Jair Bolsonaro. Para os ministros do presidente, assim a população terá até outubro para assimilar e avaliar quem fez mais pelo Brasil.
Os “R” na área
A soma dos candidatos conservadores no último Datafolha indica que um percentual do eleitorado — os 4% de Ronaldo Caiado, os 3% de Romeu Zema e os 3% de Renan Santos — está, desde já, longe da polarização entre Lula e Flávio. É uma fatia expressiva. Se um desses três conseguir alcançar os dois dígitos, o cenário mudará quando a campanha começar de fato.
Se quer abafar um escândalo…
… crie um maior ou envolva outros personagens na trama. A entrada de Flávio e o financiamento do filme Dark Horse no caso Master jogou na penumbra o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Ninguém fala mais em tirá-lo do comando da legenda. Se continuar nessa toada, ele deixará a UTI política em breve.
CURTIDAS

Assunto do momento/ A última rodada da pesquisa do Datafolha se tornou o principal tema das rodas de conversas no Fórum Esfera, no Guarujá. Ninguém deixou de reparar a queda das intenções de Flávio Bolsonaro.
Copo meio cheio/ O PL minimiza a diferença de quatro pontos entre o senador e Lula na pesquisa. Para os bolsonaristas, a queda foi bem menor do que o governo acreditava. “Para quem esperava uma tragédia, ela não veio. Não vejo nenhum cenário em que ele (Flávio) não esteja concorrendo”, afirmou o senador Marcos Rogério (PL-RO, foto) no Fórum Esfera.
Copo meio vazio/ Já o Centrão acha que esse seria o momento para que Flávio e Jair Bolsonaro desistissem da candidatura familiar e abrissem espaço para outro nome. Porque do jeito que está, manter a candidatura é pavimentar a reeleição de Lula.
Tem limite/ A deputada Erika Kokay (PT-DF) ficou decepcionada com o fato de sua bancada não votar contra a urgência da minirreforma eleitoral desta semana. E gostou menos ainda de saber que parte do partido apoiou o repasse para municípios em período eleitoral. Para Erika, essa prática traz de volta o cabo eleitoral.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 22 de maio de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A ida do pré-candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, aos Estados Unidos, é, obviamente, a grande aposta para tirá-lo da defensiva em relação ao dinheiro recebido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Oficialmente, só se fala da possibilidade de reunião com o presidente Donald Trump. Porém, há outros objetivos velados nessa ida. O senador pretende aproveitar para, junto com o irmão, Eduardo Bolsonaro, organizar as explicações da prestação de contas do filme Dark Horse que o parlamentar precisa dar ao próprio partido daqui a 27 dias, a fim de cumprir o prazo de 30 dias que solicitou à cúpula do PL. Paulo Calixto, advogado do ex-deputado e gestor do fundo Mercury Legacy Trust, teria recebido os recursos para a produção.
» » »
Me deixem quieto/ Os dias nos EUA representam a oportunidade para Flávio sair do cerco de entrevistas que podem terminar desastrosas — tal como a que ocorreu na semana passada, quando um repórter do portal The Intercept Brasil perguntou se o filme havia sido financiado por Vorcaro e o senador disse que era mentira. As imagens do pré-candidato negando esse financiamento, e rindo da pergunta, continuam em alta nas redes sociais. O momento é de reorganizar o jogo e salvar a lavoura — ou seja, a candidatura.
E a minirreforma eleitoral?
Senadores divergem sobre o texto aprovado na Câmara, que aliviou a vida dos partidos. A base governista afirma não ter clima para votar a proposta que blinda o uso dos fundos Partidário e Eleitoral, além de dar um prazo maior para pagamento de dívidas. Já o Centrão e a oposição esperam que seja aprovado por votação simbólica, tal como na Câmara. Há acordo entre os presidentes das legendas e até o PT, na avaliação de partidos de esquerda, ofereceu baixa resistência ao texto. Por isso, a aposta é de que será votado quando estiver perto do recesso branco da Copa do Mundo.
Unidos venceremos
Depois de meses de negociação e espera, os produtores rurais endividados podem ter um bote salva-vidas. Relator da securitização no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) conseguiu chegar a um consenso entre o agronegócio e o Ministério da Fazenda. De acordo com o senador, não está descartada a edição de uma medida provisória com mais de 90% do que foi defendido em seu relatório.
Cálculo temporal
A decisão entre seguir a tramitação do projeto no Congresso ou editar a MP cabe ao governo. Calheiros defende a medida provisória por ser imediata e, assim, aliviar no curtíssimo prazo a situação dos produtores rurais endividados e muitos inadimplentes. O Executivo, porém, aceita a carência de 10 anos com a criação de um fundo e a solução para os produtores que não têm mais como dar garantias para conseguir empréstimos.
1989 e 2026
Com a alta rejeição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro, todos os partidos farão seus testes rumo ao Planalto. A aposta é que esta eleição terá mais candidatos do que a de 2022. A primeira eleição direta pós- ditadura militar, em 1989, foi recordista, com 22 postulantes ao Planalto. Agora, espera-se metade disso. E será um recorde.
CURTIDAS

Jogue ao mar/ Aliados da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), defendem o rompimento definitivo com o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB). Inclusive, apontam que isso está demorando, uma vez que ninguém sabe ao certo o que virá na delação do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que continua preso.
Vespeiro/ O leilão de energia que joga peso e recursos nas termoelétricas a gás, óleo e carvão, na contramão da energia limpa, virou uma casa de marimbondos que niguém destrói. A esperança dos parlamentares é que o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público consigam agir em junho. Da parte do Executivo, não se espera uma ação contundente.
Explica aí/ Por falar em Executivo, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (foto), foi convocado para prestar esclarecimentos sobre o leilão na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. Ele é esperado por lá na próxima quarta-feira.
Instale se for capaz/ A depender das declarações públicas do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e de Flávio Bolsonaro, tem que haver uma CPI do Banco Master. Davi Alcolumbre (União- AP), porém, guardou esse pedido na gaveta. E só vai tirá-lo de lá se houver ordem judicial.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 15 de maio de 2026, por Rosana Hessel com Eduarda Esposito

O filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro fez estragos no mercado financeiro e pode ter afetado a campanha do filho mais velho do ex-capitão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na corrida presidencial deste ano. Não à toa, os operadores da Faria Lima, reduto bolsonarista, ainda estão absorvendo os solavancos do vazamento dos áudios das conversas entre o pré-candidato à Presidência e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 —, negociando patrocínio de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse (“Cavalo Negro” na tradução literal) sobre a vida do ex-presidente. Após disparar mais de 2% na véspera, o dólar voltou a ser negociado abaixo de R$5, ontem, com queda de 0,45%, cotado a R$ 4,98.
Analistas reconhecem que ainda é cedo para estimar os impactos na candidatura de Flávio e no câmbio. “Foi um susto, mas os fundamentos para o real continuar forte continuam”, afirmou André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital. “Os fundamentos falam mais alto. Afinal, Flávio pode ser o candidato da Faria Lima, mas não necessariamente de Wall Street”, acrescentou. Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, destacou que para a Faria Lima abandonar a candidatura de Flávio, precisaria ter uma queda muito forte nas próximas pesquisas. “O mercado sentiu o tranco em um primeiro momento. Muitos consideram que isso faz parte da campanha, que será bem pesada, dada a polarização do país. Novos capítulos são esperados para o restante do ano”, acrescentou Julio Hegedus, economista-chefe da JHN Consulting.
Clima de tranquilidade
Entre os governistas, nada como uma semana após a outra. O clima do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de tranquilidade — tanto que os líderes do governo no Congresso estavam nas bases na tarde de ontem. Após as derrotas recentes no Legislativo, Lula respira aliviado comas primeiras pesquisas mostrando que a rejeição de Jorge Messias no Senado para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) não impactou a popularidade do petista. Tanto que voltou a ficar à frente de Flávio no segundo turno, apesar do empate técnico, segundo a Pesquisa Genial/Quaest, feita antes do vazamento das conversas do senador com Vorcaro.
Tempo ao tempo
Enquanto o PL e bolsonaristas começam a sair em defesa de Flávio por ter recebido dinheiro de Vorcaro, aliados estão mais contidos e aguardam os desdobramentos do episódio. Não devem trair Flávio, mas também não irão defendê-lo tão rápido. O momento exige cautela.
Sem plano B
Um dos parlamentares mais aguerridos da base bolsonarista, o senador Márcio Bittar (PL-AC), foi dos primeiros a publicar áudio nas redes sociais em solidariedade a Flávio. Descartou qualquer plano B para outra candidatura do partido por conta dos vazamentos dos áudios. “A direita ainda tem muito o que aprender com a esquerda, porque, mesmo com todos os processos e a condenação em três instâncias de Lula no processo do triplex, ele nunca foi abandonado pelos seus apoiadores. E nós também não abandonaremos o Flávio por pedir um recurso privado para um filme sobre o pai dele que foi esfaqueado e está preso”, afirmou. Bittar foi incisivo ao comentar sobre a possibilidade de o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltar a ser cogitado para a corrida presidencial pelo PL. Afirmou que é mera “fofoca”. “Ninguém tira quem tem 40% das intenções de voto nas pesquisas”, acrescentou.
Explica isso aí, CPMI
O vazamento da conversa entre Flávio e Vorcaro veio da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Pelo menos é o que acredita a Polícia Federal (PF). A corporação acredita que o vazamento ocorreu via espelhamento dos computadores e ressalta que, antes da suspensão de acesso às quebras de sigilo pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, mais de 70 pessoas tiveram acesso à sala cofre do Senado.
Muito para um filme?
Fontes ligadas à PF estranharam os valores de pagamento de Vorcaro ao filme, em torno de R$ 140 milhões. A teoria é de que o montante era, muito provavelmente, um financiamento eleitoral antecipado. Aliás, a cena da facada vazou na internet e virou “meme” nas redes sociais.

Tensão nas alturas
A suspensão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, da Lei de Dosimetria deixou a oposição ainda mais arisca no Congresso. Segundo os parlamentares, o processo foi árduo e seguiu todos os trâmites necessários da Constituição. Um levantamento do grupo Livres mostra que, em 2024, 81% das decisões do STF foram monocráticas e sem deliberação do colegiado.
Falta de orçamento
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP, foto), defendeu durante o III Encontro Nacional das Agências Reguladoras, organizado pela Associação Brasileira de Agências Reguladoras (Abar), que não haverá autonomia enquanto não houver recursos para as instituições. “Você tem autonomia, mas não tem orçamento. Que autonomia é essa?”, questionou. Dados recentes da Agência Nacional de Mineração mostram que há uma defasagem de 70% no pessoal da ANM justamente por falta de recurso financeiro.
Coluna Brasília-DF, publicada na quarta-feira 22 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Enquanto a Polícia Federal (PF) não tem nenhum sinal de uma possível delação do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o advogado Daniel Lopes Monteiro se adiantou e se prepara para negociar sua possível delação. Ele é acusado de montar o esquema de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e PHC, além de maquiar as carteiras podres do Banco Master.

Mina de informações/ Investigadores acreditam que se Daniel fez esse trabalho para PHC, é possível que tenha feito para outros clientes. E, assim, sua delação pode trazer peças capazes de ajudar a PF a completar o quebra-cabeças. Caso Vorcaro e o ex-presidente do BRB não se apressem e ofereçam algo maior, Monteiro pode acabar se beneficiando mais.
Sentimento de vingança
Uma parte do Parlamento não se convenceu de que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), quer promover uma reforma no Judiciário. Depois de tantos mandados com alvo em emendas parlamentares, concessão de habeas corpus que frustraram comissões parlamentares de inquérito (CPI) e revogações de quebra de sigilos, a classe política está com o nariz virado para a Corte.
Questão de protagonismo
Muitos parlamentares afirmam em conversas mais reservadas que o artigo de Dino no site ICL Notícias foi uma coleção de palavras ao vento. E dizem que o movimento de reformar precisa partir do Congresso. Se ninguém baixar as armas para dialogar, vai ficar difícil promover uma reforma profunda.
O debate é lá
Para aprovar rapidamente a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de trabalho 6 x 1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apelou aos parlamentares para que deixem emendas e polêmicas para a comissão especial que analisará o mérito do texto. A maioria topou.
Liberdade e trabalho
O deputado Luiz Gastão (União-CE), por exemplo, prepara um voto separado, assegurando a liberdade de definição dos dias de trabalho — ele considera inconstitucional a proibição de trabalho em qualquer dia da semana, inclusive aos domingos. O parlamentar avalia agora se apresentará o texto na futura comissão especial. Motta ainda não definiu a data da instalação.
CURTIDAS

União no RS/ O presidente do PT, Edinho Silva, aos poucos vai fechando os palanques estaduais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Rio Grande do Sul, onde havia um estica-e-puxa pela cabeça de chapa, Edegar Preto (PT) será o vice de Juliana Brizola (PDT). E o PSol garantiu a vaga de Manuela d’Ávila (foto) ao Senado — maior prioridade do partido — junto com Paulo Pimenta (PT). O diretório petista aceitou o arranjo antes que houvesse intervenção na decisão da regional.
Todos contra a direita/ Os partidos de esquerda se acertaram no Rio Grande do Sul depois de perceberem que, separados, ampliavam as chances de a direita ganhar tudo. Agora, unidos, os aliados de Lula vão tentar conter o avanço da chapa encabeçada pelo deputado federal Zucco (PL).
Hora de fiscalizar/ É hoje o seminário “Emendas Parlamentares em foco: Transparência, Rastreabilidade e Responsabilização”, organizado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). Além do debate, o movimento apresentará um projeto de lei de iniciativa popular (PLIP) para aprimorar a transparência e controle de emendas. O evento será na sede do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), das 9h às 12h.
Colaborou Renato Souza*
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 7 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Pré-candidato do PSD ao Planalto, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado é visto pelo mercado financeiro como um nome com potencial para conquistar terreno no setor. É que os financistas começam a olhar com certa desconfiança para Flávio Bolsonaro, do PL. O senador é visto nos bastidores como um candidato que, antes mesmo de entrar em campo, reclama das urnas eletrônicas e terá que dar muitas explicações sobre a formação de seu patrimônio. Para completar, tem um irmão nos Estados Unidos — Eduardo Bolsonaro — brigando dentro do próprio partido, e outro — Carlos Bolsonaro — considerado instável. Se Caiado conseguir se colocar como um gestor experiente e equilibrado, atrairá grande parte do centro, deixando Flávio na extrema-direita que, sozinha, não conseguirá chegar ao segundo turno.

Discurso pronto
O PT tem uma resposta às acusações da oposição sobre o voto contrário de seus parlamentares ao relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS: A fraude foi descoberta no governo Lula, que dá autonomia aos órgãos de fiscalização. “O relatório da maioria da CPMI do INSS prova que o esquema foi gestado, montado e executado durante o governo Bolsonaro. Prova, também, que foi sob a administração do presidente Lula que a PF e a CGU tiveram autonomia para investigar e desmontar esse esquema. A verdade é essa: Bolsonaro deixou roubar, Lula mandou investigar e devolver o dinheiro dos aposentados” , afirma o secretário nacional do partido, Éden Valadares.
Aliás…
Os petistas lembram, ainda, a reunião de 2020, quando o então presidente Jair Bolsonaro disse: “Não vou esperar f.. a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura nossa. Vai trocar. Se não puder trocar, troco o chefe dele. Se não puder, troco o ministro e ponto final” . Os vídeos das reuniões de Bolsonaro e de seus ministros voltaram a circular com força nos últimos dias.
Pescaria
O movimento de filiação do senador Rodrigo Pacheco no PSB não foi apenas para viabilizar um palanque em Minas capaz de abrigar o presidente Lula. Na cúpula do partido de João Campos, Pacheco é visto como um atrativo para que outros nomes possam se juntar à sigla no futuro, a fim de fortalecer o PSB em Minas Gerais.
Se depender de Alcolumbre…
… Não haverá prorrogação da CPI do Crime Organizado. Ainda que o relator da CPI no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), tenha conseguido as assinaturas para ampliar o prazo da investigação, parlamentares ouvidos pela coluna não estão otimistas e apontam para o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), como o maior empecilho.
Justiça tributária em pauta
O discurso do PT para taxação dos super-ricos ganha um empurrãozinho nesta quarta-feira, com o lançamento da campanha nacional por justiça tributária e enfrentamento das desigualdades no Sistema Tributário Nacional. Teresa Ruas, assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), diz que a ideia do movimento é ampliar a pressão pública por mudanças estruturais no sistema tributário. “O Brasil precisa de um sistema mais justo, que combata desigualdades e garanta recursos para políticas públicas. Essa campanha é um chamado à sociedade e ao Congresso para que a taxação dos super-ricos avance de forma concreta” , diz.
CURTIDAS

Sem aviso/ Os deputados tomaram um susto quando chegaram à Câmara, nesta semana, e se depararam com a montagem das cabines de votação na área do plenário. A única votação secreta pendente é para ministro do Tribunal de Contas da União. Só tem um probleminha: O presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) não avisou aos pré-candidatos, não abriu inscrição e tampouco marcou sabatinas na Comissão de Finanças e Tributação.
Precedente/ No passado, Arthur Lira fez o mesmo, votou sem sabatina. Agora, porém, os partidos que não apoiam o candidato do PT, Odair Cunha (MG), vão cobrar as sabatinas.
Noite literária/ Em São Luís, o ex-presidente José Sarney e os escritores Ignácio de Loyola Brandão (E) e Valter Hugo Mãe (foto) trocaram impressões sobre literatura, cenário político e outros temas, na noite de Páscoa, degustando um sorvete de coco.
Vem aí/ O ex-ministro Moreira Franco lança, amanhã, em Brasília, o livro Política como destino, abordando os caminhos de descaminhos da redemocratização. O evento será realizado na Casa Parlamento, do grupo Esfera Brasil, a partir das 17h30.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 3 de abril de 2026, por Rosana Hessel com Eduarda Esposito
O rebaixamento pela Moody’s das notas de crédito do Banco de Brasília (BRB) para CCC+ — que significa risco de calote — escancara os problemas para o banco público se capitalizar e coloca o mercado financeiro em alerta devido aos problemas recentes de vários bancos médios, como Master, liquidado em 18 de novembro de 2025, pelo Banco Central. A Moody’s não é a primeira das três agências de classificação de risco norte-americanas a rebaixar o BRB. A Fitch realizou dois rebaixamentos no fim de 2025 e, em março deste ano, foi a vez da Standard & Poor’s. A justificativa da Moody’s sobre a medida indica a necessidade de injeção de capital no banco, além do problema da não entrega dos balanços dentro do prazo regulamentar, que venceu em 31 de março.
» » »
De acordo com Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, o mercado financeiro está bastante preocupado com o BRB, ainda mais depois do desfalque bilionário do Master no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ele, inclusive, fez um alerta sobre o risco sistêmico para o mercado de crédito dos bancos médios, financiado pelos investidores que aplicam em Certificados de Depósito Interbancário (CDBs). “Os investidores estão muito reticentes em aplicar nos CDBs de bancos médios. E isso vai ter um efeito bem duradouro no mercado”, previu.
Muito demorado
Os rebaixamentos nas notas de risco do BRB feitos pelas três agências norte-americanas demoraram a chegar, na avaliação de um especialista desse segmento que pediu anonimato. Conforme avalia, as agências acabaram ignorando todo o imbróglio envolvendo o Master, que, pelas investigações da Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero, foram identificadas R$12,2 bilhões em fraudes na venda de carteiras de crédito podres ao BRB, divulgados no mesmo dia da liquidação do Master, em novembro passado.
Sem transparência
Analistas ainda lembram que o novo rebaixamento do BRB confirma a teoria do mercado financeiro de que a gestão anterior da instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) foi pouco transparente e colocou, segundo analistas, o banco à beira da falência. Ibaneis deixou o governo nesta semana para disputar uma vaga ao Senado, mas isso não vai impedi-lo de ser questionado sobre a gestão do BRB na campanha eleitoral.
Números confusos
Para analistas, entre os motivos do atraso na divulgação do balanço do BRB estão as dificuldades da instituição para contabilizar os ativos, após a compra de R$ 12,2 bilhões da carteira de créditos podres do Master, identificados pelas investigações da PF na Compliance Zero, que culminou na liquidação do banco de Daniel Vorcaro. “O Master sobrevalorizava os ativos e, agora, o BRB está com dificuldade para saber o quanto tem de bens saudáveis que podem colocar no balanço”, apostou um analista do mercado financeiro que pediu anonimato.
Buraco no FGC
A liquidação do BRB não é do interesse dos associados do Fundo Garantidor de Crédito — ou seja, os bancões públicos e privados que mais contribuem para o FGC. Eles não têm o menor interesse em bancar mais uma liquidação de banco médio, corroendo quase metade dos recursos do fundo novamente. Em junho de 2025, a liquidez do FGC era de R$ 121 bilhões. A quebra do Master e de várias subsidiárias provocaram um rombo de, pelo menos, R$ 52 bilhões em indenizações para correntistas e investidores — até o momento. A liquidação do BRB deveria provocar uma descapitalização do fundo de tamanho semelhante, segundo analistas. Eles citamos últimos dados do BRB enviados ao Banco Central, que indicando que R$ 53,6 bilhões em depósitos na instituição poderiam ser cobertos pelo FGC, respeitando o limite de R$ 250 mil para cada pessoa física ou jurídica.
Federalização descartada
O Ministério da Fazenda deu vários sinais de que o governo não tem interesse em federalizar o BRB. E na avaliação do economista e consultor Roberto Luis Troster, ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), isso faz todo o sentido, dado o tamanho do banco. “O BRB não é um banco importante para o desenvolvimento nacional, como eram os casos do Banco do Nordeste e do Banco da Amazônia, que foram federalizados. Não faz o menor sentido fazer o mesmo com o BRB. O banco precisa ser capitalizado”, explicou.
Disse me disse
Servidores do BRB teriam, supostamente, vazado uma lista de colaboradores que seriam demitidos, devido a intenção da governadora Celina Leão em afastar todos aqueles ligados ao caso do Master. Há quem diga que ela tem sido pressionada a demitir alguns servidores e entregar o relatório sobre o caso.
O outro lado
Já o BRB rechaçou a suposta demissão de empregados do BRB supostamente envolvidos nos fatos investigados pela Compliance Zero. “O banco aguarda a conclusão do mesmo e destaca que a antecipação de imputação de responsabilidade de qualquer empregado é leviana”, disse. Inclusive, de acordo com fontes ligadas à instituição, nem existiria a tal “demissão sumária”.

Indefinição
A situação eleitoral da ex-ministra Marina Silva (foto), do Meio Ambiente, permanece indefinida. Nos bastidores, PT e PSB afirmam não conversar com ela sobre uma candidatura ao Senado por São Paulo — sobretudo, por causa da chegada da ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet ao partido de João Campos para a disputa da mesma vaga. Na Rede Sustentabilidade, como os leitores da coluna sabem, só há orçamento para uma campanha de Marina à Câmara. Fontes no PT afirmam que a ex-ministra deve ficar na Rede, o que indicaria disputa à reeleição como deputada.
Brasil vulnerável
com terras raras
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 26 de março de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado Federal promoveu audiência pública para debater o projeto de lei 2197/2025, que regulamenta a exportação das terras raras — elementos químicos altamente valorizados na indústria de alta tecnologia. A principal motivação do debate é construir uma legislação que permita ao Brasil ir além de mero exportador de commodity e se tornar capaz de agregar valor aos minerais encontrados em solo nacional. Do contrário, pode ficar relegado a um papel secundário na economia mundial.
Os especialistas convidados ressaltaram os diversos desafios. O professor Nélio Fernando dos Reis, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, descreveu a posição vulnerável do Brasil no contexto das terras raras. “O desafio não é geológico; é industrial. O Brasil tem reservas, mas não domina a cadeia. Exporta concentrado e importa tecnologia”, comentou.
À frente da audiência pública, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) comentou: “Seremos meros exportadores de matéria-prima, reproduzindo um modelo primário-exportador, ou protagonistas de uma nova etapa de desenvolvimento, agregando valor, tecnologia e inovação aos nossos recursos naturais?”.
Cadeia qualificada
Mourão defende um modelo que garanta uma cadeia produtiva qualificada, além de oferecer segurança jurídica para investimentos. “Nosso compromisso deve ser com um marco regulatório que concilie desenvolvimento econômico, soberania nacional, sustentabilidade ambiental e justiça social”, disse o senador.
“A casa caiu”
Aliados do Planalto comemoraram a decisão de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, de trocar de advogados e encaminhar uma delação premiada. Parlamentares como Paulo Pimenta, Rogério Correia e outros lembram, em vídeo, que Zettel doou milhões de reais para as campanhas eleitorais de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.
Pecado
Afirmam, ainda, que Zettel pode trazer revelações sobre a relação entre a Igreja Batista da Lagoinha, da qual era pastor, e o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana. Rogério Correia acusa Viana de blindar a denominação evangélica nos trabalhos da CPMI.
Acorda, PT
Conhecido pela verve, o deputado federal André Janones (PT-MG) começou por conta própria a desferir ataques agressivos ao bolsonarismo. E não alivia nem mesmo para a esquerda. “Quem quiser continuar de braço cruzado, achando que a eleição está ganha, que continue. Eu não vou fazer isso”, diz. “O presidente Lula é favorito. Mas sabe qual é o único jeito de perder uma eleição ganha? Se a gente acreditar que ela está ganha”, avisa.
Antidiscriminação
A educação é fundamental para que a sociedade brasileira adote um letramento antidiscriminatório — conjunto de medidas voltadas para combater o preconceito estrutural. Esse foi o consenso entre os participantes de audiência pública promovida pelo Observatório Pró-Equidade da Justiça Militar da União (JMU).
É na base
“Não basta apenas reconhecer a diversidade; é preciso educar, desde a base”, defendeu a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, na abertura do evento. Ela ressaltou a importância na formação para educadores, nos moldes já existentes em legislações como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e a Lei Maria da Penha.
Mais mulheres
Em relação direta com iniciativas antidiscriminatórias, o evento também marcou o lançamento da plataforma “Mais Mulheres na Política”, com apoio do STM. A ferramenta busca coletar assinaturas digitais para um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que estabelece uma reserva de 50% das cadeiras nas casas legislativas para mulheres, com previsão de cotas para mulheres negras.
Decepção
Parlamentares lamentaram o cancelamento da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que seria realizada hoje. Os membros discutiriam um aumento da mistura do biodiesel de 15% para 16% ou 17% como forma de amenizar os impactos da alta e oscilação do preço do petróleo. Há um consenso de que hoje o etanol poderia absorver a demanda. Além disso, o aumento da mistura seguraria os preços, pois as distribuidoras operam apenas com 70% da capacidade para o biodiesel.
Deixa para depois
O governo ainda não concluiu os estudos técnicos para a implementação da Tarifa Zero. A ideia agora é usar o projeto no plano para o próximo mandato e virar promessa de campanha. O problema maior identificado pelo Planalto é a dificuldade de fiscalizar as empresas nos municípios.
Insistência
Contudo, a bancada do PT ainda não desistiu de aprovar a proposta este ano. O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) pretende apresentar uma emenda do Tarifa Zero ao projeto do marco regulatório do transporte público. O texto não está pronto, Tatto pretende trabalhar nele na semana que vem.
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 15 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O fato de o banqueiro Daniel Vorcaro ter trocado de advogado justamente em meio ao período de janela partidária acendeu o pisca-alerta no União Brasil e no Progressistas. É que isso reforçou, como já se sabe, a tese da delação premiada. E, nesse sentido, muitos deputados estão inseguros em permanecer nas duas legendas que vêm sendo citadas por terem seus presidentes, Ciro Nogueira, do PP, e Antônio Rueda, do União Brasil, mencionados nas conversas de Vorcaro. A aposta de muitos é a de que, se a situação do União Brasil estava difícil com a saída de deputados e governadores, como Ronaldo Caiado, a tendência é ficar pior.

Enquanto isso, no STF… / ... a tensão é tão grande quanto a dos parlamentares, porque haverá uma cobrança para que, em caso de delação, Vorcaro fale também de suas relações com o Judiciário. Ninguém está tranquilo com a sombra do banqueiro pairando no ar.
Um acordo entre PT e PL
Que ninguém se surpreenda se o PT e o PL fecharem um acordo em relação ao novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). É que os petistas apresentaram o deputado Odair Cunha (PT-MG) para a vaga de Aroldo Cedraz, e o PL planeja indicar um dos seus quadros para a próxima vaga que surgirá mais à frente. O nome citado é o do deputado Altineu Côrtes (PL-RJ) .
A saúde de Bolsonaro
Um dos pontos que mais preocupa a família e os amigos do ex-presidente é o fato de ele realmente demorar a chamar qualquer pessoa quando não está bem de saúde. Em casa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e auxiliares costumam acompanhá-lo mais de perto, para chamar médicos antes que a situação se agrave. Isso será agora usado para, mais uma vez, buscar a prisão domiciliar do ex-presidente.
Em banho-maria
O Plano Nacional de Educação (PNE) está desde dezembro de 2025 esperando despacho do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para ser discutido e votado na Comissão de Educação da Casa. Entidades do setor estão preocupadas com a demora da aprovação do PNE, uma vez que já foi adiada, de 2024 para o ano passado, e ainda não se tem nem vislumbre de quando isso ocorrerá.
O tempo urge
A Associação De Olho no Material Escolar está bastante preocupada com o calendário político, uma vez que, a partir de 4 de julho, fica tudo paralisado até as eleições em outubro. “Se o plano não for aprovado este ano, o risco é de que todo o processo se arraste para a próxima legislatura, já que o país entra em período eleitoral. Isso pode significar mais atraso para uma agenda que deveria ser prioridade nacional” , destacou Letícia Jacintho, presidente da associação.
CURTIDAS
Pegue a última onda, a que importa/ Dentro do PSD, embora cresça a pressão para o anúncio do candidato a presidente e muita gente diga que esse nome é o do governador do Paraná, Ratinho Júnior (foto), Gilberto Kassab trata de manter a calma. É que um candidato do partido precisa surfar quando a campanha começar. Não adianta nada crescer agora e cair ali na frente. Aliás, toda eleição tem essas ondas. O perigo, porém, é demorar demais e a onda virar uma marolinha.
Voto importante/ Embora a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) já tenha fechado maioria para manter Daniel Vorcaro na cadeia, o voto do decano Gilmar Mendes gera muitas expectativas. É que Gilmar é visto como aquele que sempre “coloca os pingos nos is” , ou seja, fala o que precisa ser dito. A expectativa é de uma defesa alentada do trabalho do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), para marcar a importância das instituições. A palavra do decano sempre é algo que provoca reflexões e norteia caminhos.
Aliás…/ O voto de Gilmar Mendes virá com a defesa de Vorcaro com um novo advogado. Pierpaolo Bottini tem outros clientes políticos há mais tempo e não quer se expor a conflitos de interesses. Sinal de que vem mais coisa aí da parte do banqueiro.
Deixa ele lá/ Entre líderes do centrão, há quem concorde com a manutenção da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro pelo Supremo. “Foi correta, de fato estamos assistindo a coisas graves que precisam ser aprofundadas e provadas, mas com ele (Vorcaro) solto, poderia interferir nessa parte das investigações” , disse o líder do Republicanos na Câmara dos Deputados, Augusto Coutinho (PE).
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 13 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A sessão de hoje da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que começará a discutir a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, promete uma alentada defesa do trabalho da Procuradoria-Geral da República. É que entre os ministros da Corte não foi considerado de bom tom o puxão de orelhas de André Mendonça na PGR, por escrito, na decisão que mandou o dono do Banco Master de volta à prisão. O magistrado reclamou da demora da PGR em avaliar o caso e as ameaças feitas pelo detento a várias pessoas.

Por falar em detento…/ No meio jurídico, muita gente aposta que os votos do ministro Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques serão para tirar Vorcaro do presídio e mandá-lo para casa, de tornozeleira eletrônica. Ainda que ele tenha ameaçado pessoas, o que justificaria a saída da prisão, na avaliação de muitos, é a “contemporaneidade”, uma vez que as ameaças teriam sido feitas no ano passado, antes da primeira prisão do ex-banqueiro. Se essa tese prevalecer, vai ter muito advogado ganhando aposta.
Ibaneis manda chamar Nelson
Ao recusar o convite para comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), fez com que seu partido entendesse que ele jogará os problemas relacionados à compra do Master pelo BRB no colo da antiga administração do banco —problemas, aliás, que o atual comandante da instituição, nomeado por Ibaneis, tenta consertar. Em ofício ao gabinete do senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente do colegiado, Ibaneis sugeriu que o convidado fosse o atual presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza. O governador quer tomar distancia desse caso. Porém, parte da equipe de Renan está em tratativas para ouvir o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
O que eles pensam
Nos escaninhos do Senado, a suspeita de que Ibaneis jogará toda a responsabilidade no colo da antiga administração do BRB está nas declarações do governador. Sempre que perguntado, ele reforça que não tem relação com o Master e que, quem tiver problema, que responda na Justiça.
Hora de escolher
O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), está numa saia justa. O que se diz é que ele recebeu um ultimato do partido: se quiser permanecer, só poderá concorrer à eleição para governador. E tem mais. Nem sua esposa, Marina Cândida, poderá disputar o Senado. Políticos de Alagoas alegam que é tudo para não atrapalhar a candidatura de Arthur Lira (PP-AL) à Casa.
CURTIDAS
Sem refresco/ O ministro Luiz Fux, do STF, mudou de turma logo depois do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando seu voto divergiu dos demais. Achava que a Segunda Turma seria mais tranquila. Agora, com as fraudes no Master e a prisão de Vorcaro, não terá sossego por ali.
Segura isso aí/ Após os vazamentos das conversas telefônicas de Vorcaro, os ministros do STF têm pressionado o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a ter mais cautela, a fim de evitar novos vazamentos. Parlamentares acreditam que decisão de Viana em deixar os novos sigilos liberados em uma sala-cofre, e proibir acesso ao local com celulares, tenha sido por isso.
Jovens desanimados/ Na Bahia e em Minas Gerais, partidos como MDB e PT têm tido dificuldades em conseguir nomes para deputados federais. O interesse para a disputa estadual está em alta. Para alguns políticos, o principal motivo dessa configuração é o pouco interesse dos jovens na política. A perspectiva é de que a mudança no quadro dos deputados federais no ano que vem seja bem baixa.
O périplo de Flávio/ O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) vai a Rondônia, neste fim de semana, para evento de filiação do partido. No próximo fim de semana, 21 e 22 de março, será a vez do Nordeste. A estratégia é atrair candidatos para o PL
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 4 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A ocorrência de mais um estupro coletivo no Rio de Janeiro, com a participação de menor de idade, de uma menina de 17 anos esquentará o debate da redução da maioridade penal, hoje, na Câmara dos Deputados. O assunto está incluído na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, tema que surge como o “abre alas” da eleição de 2026. A avaliação é de que será muito difícil manter essa maioridade em 18 anos depois de tantos crimes cometidos por adolescentes nos últimos tempos.
» » » »
E tem outros/ No rol de pontos polêmicos do projeto, estão, ainda, a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e a destinação de metade dos recursos do fundo de segurança pública para a União. A perspectiva de ser votada esta semana na Comissão Especial, e na semana que vem no plenário, será mais um teste de respaldo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou a um nome mais à direita, seja aos governadores Ratinho Júnior (PR), Ronaldo Caiado (GO) ou Eduardo Leite (RS) — todos do PSD — seja ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Alcolumbre lavou as mãos
Sem saber para que lado vai sua base eleitoral em outubro e com quem poderá contar na sua campanha reeleitoral para presidente do Senado, o senador Davi Alcolumbre (União-AP) joga em duas frentes. Esta semana, ajudou a oposição ao não interferir na quebra do sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, promovida pela CPMI do INSS. Agora, a expectativa dos governistas é de que o senador dê algum alento ao Planalto.
Sai daí rapidinho
Até aqui, os governistas interpretam a decisão de Alcolumbre como imparcial e em respeito ao regimento interno da Casa. Não haverá recurso, mas já se cria um sentimento de que, talvez, seja melhor nem prorrogar a CPMI.
Dispersão
Na base do governo, há parlamentares que não sentem mais vontade de comparecer às sessões da CPMI do INSS. Além do que consideram arbitrariedades por parte do relator, Alfredo Gaspar (União-AL), e do presidente, Carlos Viana (Podemos-MG), muitos afirmam que foi aberto um precedente “perigosíssimo” ao definir que o quórum de votação simbólica é verificado mediante a presença registrada no painel eletrônico — e não com base no número de presentes à sessão no momento da votação.
Por falar em Lulinha…
No governo, o que se diz é que nem ao pai o filho de Lula contou todos pingos dos Is de sua história nesse rolo do INSS.
CURTIDAS

Raquel em palanque triplo/ Se depender exclusivamente da vontade da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD, foto), que concorrerá à reeleição, Lula terá o apoio dos dois candidatos que prometem polarizar a eleição estadual. Mas há dois problemas nesse caminho. O primeiro é que o PSD terá candidato ao Planalto, e o segundo é que o PL tem dito que só dará respaldo à pedessista se ela abrir o palanque para Flávio Bolsonaro.
Marília trai Paulinho/ Na chapa do prefeito de Recife, João Campos (PSB), ao governo do estado, cresce a fila de précandidatos ao Senado. Marília Arraes, por exemplo, era a aposta do deputado Paulinho da Força (SP) para ampliar a bancada do Solidariedade na Câmara Federal. Mas ela pretende se candidatar a uma vaga de senadora pelo PDT.
Sexta-feira nada santa/ Começa em 6 de março e vai até 5 de abril a janela para trocas de partido. Muita gente de olho no futuro do União, do Progressistas e do PL. A avaliação é de que nesses partidos ocorrerão as maiores movimentações.
Bolsonaro repete Lula/ Assim como o então candidato do PT ao Planalto, Fernando Haddad, se tornou advogado de Lula em 2018, para poder visitá-lo sempre que necessário naquela campanha, Flávio Bolsonaro será um dos nomes que representarão o pai ex-presidente. Assim, poderá ter acesso diário à Papudinha.














