Categoria: PT
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 3 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

A tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, às vésperas de um novo tarifaço imposto por Washington, reacendeu a polarização entre os dois principais pré-candidatos à Presidência. Mais do que reforçar o discurso em defesa da soberania brasileira, o presidente Lula elevou novamente o tom, ao chamar o clã Bolsonaro e aliados de “traidores da pátria”. A proposta de Flávio Bolsonaro de adiar o tarifaço a fim de evitar uma “vitória política” de Lula inflamou a disputa eleitoral, a três meses do voto brasileiro nas urnas eletrônicas.
Episódios anteriores indicam que a estratégia bolsonarista de incitar o governo norte-americano contra a economia brasileira favorece o pré-candidato petista. Com essa proposta apresentada por Flávio Bolsonaro aos EUA, Lula ganha mais pontos para convencer o eleitorado de que está ao lado do Brasil. Deixará cada vez mais explícita a distinção entre quem atua em favor dos interesses do nosso país e quem articula por uma interferência externa na eleição brasileira e na economia nacional.
A carta de Flávio se soma a outros movimentos que repercutiram mal no eleitorado brasileiro: a oferta de uma equipe de transição para dialogar como governo norte-americano e o trabalho incessante de outros bolsonaristas em favor de punições à economia e a autoridades brasileiras. Em meio a uma crise partidária e às suspeitas no escândalo Master, o 01 se complica cada vez mais.
Debate no Recife
A quinta edição do Seminários Facto será realizada hoje, às 14h30, no Beach Class Convention By Mai, no Recife. O evento reunirá jornalistas, economistas e lideranças políticas para debater cenários eleitorais, jornalismo investigativo e as tendências de mercado para o segundo semestre. A diretora de Redação do Correio Braziliense, Ana Dubeux, participará do painel Política e Jornalismo, que discutirá os bastidores da cobertura das eleições e os desafios do jornalismo investigativo em meio a uma campanha eleitoral.
Cartas aos fiéis
Em menos de 30 dias, o Partido dos Trabalhadores divulgou cartas específicas para católicos e evangélicos. Sem tratar da pauta de costumes ou de temas polêmicos como aborto, os documentos abordam a liberdade religiosa e comprometimento do governo Lula com as ações sociais. Em ambos, defendem a reeleição do presidente.
Resultados opostos
Segundo pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada no início da semana, Lula e Flávio têm resultados pendulares na preferência dos eleitores, considerando a fé religiosa. O presidente seria escolhido por 53% dos católicos, enquanto 38% votariam no senador bolsonarista. Entre os evangélicos, ocorre o oposto: Flávio Bolsonaro marca 60% das intenções de voto, e Lula fica com 32%.
Very good
Um mês depois de lançar a MEC Idiomas, plataforma digital para ensino gratuito de inglês e espanhol, a iniciativa conta com mais de 560 mil inscritos. O ministério registrou 426,3 mil matrículas em cursos de inglês, e 137,7 mil em espanhol. O portal e o aplicativo são gratuitos e buscam democratizar o acesso ao ensino de línguas estrangeiras no país. Estimativas indicam que menos de 10% da população brasileira domina a língua inglesa.
Encontro marcado
Em meio à confusão entre Michelle e Flávio Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, é o convidado da semana no almoço da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo (FPBC), em parceria com as Frentes Parlamentares de Tecnologia e Atividades Nucleares (FPN), do Empreendedorismo (FPE) e em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria(FPI). As frentes já receberam os presidentes do PT, Edinho Silva, e do PSD, Gilberto Kassab.
Economia e Michelle
O tema do debate é “Compromissos para um Brasil Competitivo”, com o intuito de discutir economia, fortalecimento da competitividade, inovação, segurança jurídica e prioridades para o futuro do país. Contudo, não há dúvida de que a crise no PL será um dos temas das conversas de bastidores.
Cartão vermelho
Começou no mês passado a campanha “Desafio Contra Bets”, promovido pelo Projeto Brief. A iniciativa tem o objetivo de mobilizar influenciadores de todo o país a expor os impactos sociais e econômicos das bets durante a Copa do Mundo Fifa. A ação distribuirá R$ 100 mil em prêmios para as melhores produções, dividido em quatro categorias: “Furou a Rede”; “Tirou de Letra”; “IA em Campo”; e “Craque da Copa”.
Sequestro
Para Carol Luck, antropóloga e coordenadora do Projeto Brief, a ação é uma forma de ocupar um terreno hoje dominado pela publicidade das bets: “As bets sequestraram uma paixão nacional. É preciso alertar sobre os impactos negativos dessa indústria nociva, que está sendo vendida como entretenimento, e até investimento, quando na realidade é responsável pelo endividamento e pela ruína de milhões de famílias brasileiras”, argumenta.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 26 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito
Com a rejeição às propostas de delação premiada de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, as investigações da Polícia Federal passam a ocupar o centro do escândalo Master-BRB. É cada vez mais remota a possibilidade de que os dois protagonistas do maior escândalo financeiro ocorrido no Brasil saiam da condição em que se encontram.
Nesse contexto, a sequência das operações realizadas pela PF nos últimos meses sugere que não haverá distinção entre governo e oposição ao trazer à luz quem mantinha conexões com Vorcaro e PHC. De Jaques Wagner a Ciro Nogueira, passando por Flávio Bolsonaro, outros personagens podem aparecer na extensa teia de relações e a série de operações mantidas pelos executivos do Master e do BRB. Um deles é o ex-governador Ibaneis Rocha.
As investigações deverão trazer respostas a pelo menos três pontos. Primeiro: mapear o caminho do dinheiro desviado do BRB e de outras instituições, como fundos de previdência, para alimentar a ciranda financeira de Vorcaro e PHC. Segundo: qual o tamanho do estrago deixado por Paulo Henrique Costa no banco brasiliense. Terceiro: qual o grau de participação do crime organizado nas transações controladas pelo bando de Vorcaro. Até aqui, os dois protagonistas do escândalo não ofereceram nada que os investigadores considerem relevante sobre essas lacunas.
Arquivo extenso
A PF tem em mãos 40 gigas de dados do telefone do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, relatam fontes ouvidas pelo Correio. Até aqui, entretanto, as informações reunidas pelo executivo têm sido insuficientes para uma possível delação premiada avançar. Apesar de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter rejeitado a proposta de PHC ontem, a permanência dele na Papudinha indica, para advogados que acompanham o caso, que uma colaboração do cúmplice de Vorcaro no escândalo Master ainda é possível.
E o PT, hein?
A chegada de Teresa Leitão (PT-PE) na liderança do governo no Senado resolve em parte o problema do partido na casa legislativa. A substituta de Jaques Wagner foi escolhida, entre outros motivos, porque não concorre à reeleição, podendo assim se dedicar integralmente à função parlamentar. Aliados também consideram que a senadora tem um bom diálogo com todos os setores da Casa. Mas questionam: “Quem vai assumir a liderança do partido em ano tão importante?”
São Paulo é Brasil
A definição da chapa governista em São Paulo parte da premissa de que uma vitória no maior colégio eleitoral do país pode reverberar nacionalmente. A decisão de lançar Márcio França como vice de Fernando Haddad é para aumentar as porcentagens nas urnas no estado e, com isso, transferir votos para Lula.
Hora de falar dos juros I
A Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) pretende reunir parlamentares, representantes do setor produtivo e especialistas para discutir os efeitos dos juros altos e os caminhos para ampliar a competitividade do país. O seminário “Os efeitos da taxa de juros na economia brasileira” será em 2 de julho, a partir das 9h, no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados.
Hora de falar dos juros II
O foco dos debates serão os impactos do custo do crédito nos investimentos, no empreendedorismo e na geração de empregos. O evento quer discutir o papel do Congresso na construção de medidas que contribuam para fortalecer o ambiente de negócios e desenvolver a economia nacional.
Dívida pública na mira
O seminário também discutirá uma proposta para estabelecer limites para a dívida pública brasileira. A iniciativa busca construir uma proposta capaz de fortalecer a responsabilidade fiscal, ampliar a transparência das contas públicas e contribuir para a estabilidade econômica do país.
Ainda é pouco
Entidades que representam setores da economia estão preocupadas com a decisão do governo federal em deixar para um segundo momento a discussão sobre as demais faixas do Simples Nacional. O governo cumpriu a promessa ao enviar o aumento do teto dos Microempreendedores Individuais (MEI), mas a falta da atualização do Simples Nacional deixou um gosto amargo.
Simples assim
O Instituto Livre Mercado defende que a atualização é importante, mas o Simples também afeta os pequenos empreendedores. As tabelas não passam por atualização desde 2018. Somando-se a inflação, o empreendedorismo no Brasil torna-se impraticável, avaliam os representantes do setor. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), empresas do Simples Nacional foram responsáveis por 13,27 milhões de vínculos formais em 2024, cerca de 23% dos trabalhadores com carteira assinada.
Bronca nuclear
O setor de medicina nuclear protesta contra a Resolução 354/2026 da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que determinou o aumento de 24% nos preços dos radioisótopos e radiofármacos fornecidos pelo órgão a partir de 1º de agosto. A Associação Nacional de Empresas de Medicina Nuclear (ANAEMN) afirma que a medida vai encarecer exames e tratamentos. O reajuste afetará clínicas, hospitais e pacientes que dependem desses procedimentos para diagnóstico e acompanhamento de doenças como câncer e problemas cardíacos.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 25 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

A saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado mostrou como as necessidades da política se impõem sobre relações pessoais ou até mesmo princípios relevantes, como a presunção da inocência. Em um episódio marcado pelo silêncio do Palácio do Planalto, o senador saiu de cena para preservar o candidato à reeleição de desgastes na campanha eleitoral.
Duramente atingido por dois mega-escândalos — o mensalão e o petrolão — o presidente Lula não quis correr riscos. Afastou qualquer suspeita de proximidade com a teia perigosa de Daniel Vorcaro que enredou Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e gente próxima a Davi Alcolumbre e outros notáveis da República.
Com o afastamento de Wagner, encerra-se mais um capítulo da malfadada articulação política do Planalto. O substituto do senador na liderança do governo terá a missão de encontrar caminhos no campo minado controlado por Davi Alcolumbre. A rejeição ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal foi uma das derrotas mais amargas sofridas pelo governo — e erro crasso do senador baiano. Nada indica que o cenário mudará no segundo semestre.
Fogo amigo
Na permanente rivalidade interna petista, prevaleceu a corrente que via a permanência de Jaques Wagner em cargo de tamanha visibilidade um enorme risco político. De nada adiantou a narrativa de que a saída do senador sinalizaria uma confissão de culpa. Tampouco se manteve de pé a justificativa apresentada pelo senador de que a compra de um imóvel em Salvador com o ex-sócio do banco Master foi um negócio entre amigos.
Palavras vãs
Particularmente em tempos de eleição, é curioso notar como a palavra de político pode ser vã. Na quinta-feira, dia da operação da PF que revelou o envolvimento de Wagner no escândalo Master, o senador disse em entrevista: “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje e acho, sinceramente, muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim”.
Repeteco
Para resistir em meio à tempestade, Wagner se apoia no passado. Lembra que foi alvo de busca e apreensão em 2018. E eleito senador mais votado pela Bahia. À época, o parlamentar era suspeito de irregularidades na gestão do estádio Fonte Nova. O caso foi arquivado no ano passado.
Mais e melhor
O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou um conjunto de deliberações para aprimorar o programa Agora Tem Especialistas, promovido pelo Ministério da Saúde. O plenário do TCU determinou que a pasta construa, em 120 dias, uma rotina de monitoramento sobre a execução financeira do programa, bem como a gestão de dados sobre as cirurgias realizadas. O voto do relator, ministro Bruno Dantas, identificou desigualdades regionais e inconsistências nas diversas etapas do programa.
Ela vem aí
A esposa do ex-governador do Distrito Federal e pré-candidato ao Senado Ibaneis Rocha (MDB), Mayara Rocha, anunciou sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados pelo Podemos. Nos bastidores do partido, Mayara é vista como um forte nome para fortalecer e ampliar a presença da legenda na Casa.
Causas sociais
A ex-primeira-dama do DF foi secretária de Desenvolvimento Social durante a pandemia de covid-19. O Podemos aposta na atuação de Rocha em um período de crise sanitária, econômica e humanitária para ter um bom desempenho eleitoral. Aliados veem a esposa de Ibaneis como um dos nomes de potencial de votos dentro do grupo ligado ao ex-governador.
Tendência
Em um meio predominantemente masculino, chama a atenção a iniciativa de mulheres de políticos engajadas na batalha das urnas. No Distrito Federal, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro é nome cada vez mais certo em outubro. No Paraná, a deputada federal Rosângela Moro, esposa do senador Sergio Moro, filiou-se ao PL e tentará a reeleição pelo estado do ex-juiz. Em Goiás, Gracinha Caiado (União), esposa do ex-governador Caiado, é pré-candidata ao Senado.

Deixa o povo falar
O deputado Alencar Santana (PT-SP, foto), presidente da Comissão Especial que analisou a proposta de emenda constitucional (PEC) pelo fim da 6×1 na Casa, quer a participação popular no debate. Além de divulgar uma plataforma digital sobre o tema, ele pretende promover ações de conscientização às sextas-feiras em pontos de grande circulação. Os voluntários distribuem materiais informativos e dialogam com a população sobre os impactos da jornada de trabalho na saúde, na qualidade de vida e no convívio familiar.
Divergência
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) discorda da pesquisa divulgada pelo Tribunal Superior do Trabalho sobre a precarização do trabalho entre motoristas e entregadores que atuam por meio de plataformas digitais. Para fundamentar a divergência, a Amobitec usa como referência uma pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), divulgada no ano passado.
Renda e trabalho
O levantamento encomendado pela Justiça trabalhista ressalta os custos bancados pelos motoristas plataformizados – mais de R$ 5 mil mensais – e jornadas acima de 44 horas semanais. Já o estudo do Cebrap informa que os motoristas dedicam, em média, entre 19 e 27 horas por semana nos aplicativos, enquanto a jornada dos entregadores oscila entre 9 e 13 horas.
Estabilidade
Em outra discordância com o TST, a Amobitec afirma que os rendimentos dos trabalhadores de plataforma são mais estáveis, pois os profissionais estariam menos vulneráveis à desocupação e a longos períodos de busca por trabalho.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 19 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Atordoados com as investigações sobre o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA),e a relação dele com o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, muitos petistas se preparam para pedir que o senador seja afastado da liderança a fim de preservar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Querem que ele faça tal como Henrique Hargreaves nos tempos do governo Itamar Franco. Então chefe da Casa Civil, Hargreaves tinha sido citado no escândalo do Orçamento. Por isso, deixou o cargo e, terminada a investigação com seu nome limpo, retornou ao gabinete no Planalto. Caso demitido, seria o mesmo que conceder a Wagner um atestado de culpa. Se ele pedir para sair, a fim de defender, o discurso não muda, porém, o presidente se preserva. É isso que estará em avaliação nos próximos dias.
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Dois pesos, duas medidas/ A aposta de muitos é de que a questão dos euros e dólares em espécie, encontrados em endereços ligados ao senador, podem perfeitamente ser explicados com as diárias dadas pelo Senado a missões no exterior. Entretanto, essa conta precisa fechar. Já o apartamento, os ingressos e as caronas de jatinho são mais difíceis. E certamente tudo será explorado na campanha. Na montanha russa da Compliance Zero, que investiga o Banco Master, essa é a vez do PT.
Jogo de empurra
Cada candidato vai tentar usar o desgaste em relação ao Master para atacar o adversário. Dentro do PT, por exemplo, a ordem é dizer que quem precisa se explicar é Wagner e não Lula. E, no PL, quem precisa se explicar é o pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro. A intenção do PT é tentar restringir à Bahia o desgaste provocado pelo senador.
Por falar em Lula…
O presidente ligou para Wagner, oficialmente, para prestar solidariedade — Lula sabe o que é ser acusado. Porém, tinha outro fator: assuntar o que Wagner faria em relação à liderança do governo, tema que não fez parte da conversa.
Por falar em Bahia…
Ao responder a perguntas sobre a Operação Compliance Zero na Band News, Wagner relembrou quando foi alvo da Polícia Federal por suspeita de fraudes na construção da arena Fonte Nova. À época, o senador foi acusado deter recebido R$ 82 milhões, mas o caso foi arquivado por falta de provas. Ele acredita que o mesmo ocorrerá agora.
Uma dificuldade amais para a eleição
“Fakenews” promete ser um dos grandes desafios das eleições. A pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política mostrou que apenas 11% dos brasilienses sentem segurança para identificar uma notícia falsa, enquanto mais da metade diz ter dificuldade. O percentual daqueles que não conseguem é de 35%. Com esse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisa se preparar para combater com efetividade as fakenews durante o período eleitoral.
CURTIDAS

Augusto, o especialista/ Jaques Wagner se referiu a Augusto Lima como um grande investidor. Realmente, conforme o leitor da coluna já sabe, Lima e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, eram “os cérebros” do mercado financeiro ligados a Daniel Vorcaro.
Pressão pela taxa das blusinhas/ Entidades que representam os setores produtivos apresentaram um manifesto clamando por isonomia tributária, principalmente depois de o governo revogar a taxa das blusinhas — que beneficia vendedores estrangeiros no Brasil. Para o setor, a medida causa concorrência desleal, tanto que deseja apenas a adoção de regras equivalentes para empresas brasileiras e estrangeiras.
PO na área/ Em reunião em Brasília (foto) em que esteve também o pré-candidato José Roberto Arruda, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, pediu para que o empresário Paulo Octávio avalie a possiblidade de ser candidato ao Senado. Ainda não está fechado, mas o nome começará a ser testado em pesquisas no Distrito Federal. Paulo Octávio já foi deputado, senador e ficou de pensar a respeito. Com as convenções marcadas para o fim de julho, segue-se a máxima de que “quem tem tempo não tem pressa”
Filas e brasileiros/ Ao embarcar no voo Latam para o Rio de Janeiro, ontem, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Phillipe Vieira de Mello Filho, ficou na fila como todos os mortais, dispensando o tratamento especial de embarque que a Polícia Federal fornece a autoridades. Já no lançamento do livro em homenagem ao ministro Sebastião Reis, do Superior Tribunal de Justiça, colegas dele do STJ “furaram” a fila sem a menor cerimônia.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 18 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desfila no G7 como favorito à eleição de outubro, o pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), se voltará para a área de segurança, considerado o único tema capaz de tirá-lo do redemoinho em que viu enroscado a Daniel Vorcaro. Nesse sentido, o senador lança hoje, em São Paulo, seu programa de governo para esse serviço. A ideia é radicalizar no discurso para esse segmento, diferentemente do tom mais moderado que adotou para outras áreas — como, por exemplo, a economia. A recente vitória, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara — que considerou constitucional analisar o mérito da proposta de emenda à Constituição (PEC) que a reduz a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos —, mostrou ao PL que o caminho do filho 01 de Jair Bolsonaro é a segurança. Se não fizer um gol por aí, recuperando os pontos perdidos nas pesquisas, vai ficar difícil.
Por falar em dificuldades…/ Flávio tentou se projetar externamente, com a visita ao presidente Donald Trump, em maio, mas os resultados deixaram a desejar, porque a United States Trade Representative (USTR) divulgou o relatório da investigação da seção 301 com recomendações para aumento de tarifas às exportações brasileiras e críticas ao Pix. Foi um tema que colocou o pré-candidato na defensiva, tal como o caso Master.
Não está fácil para ninguém/ O tema da segurança pública é considerado um calcanhar de Aquiles do PT e será altamente explorado na campanha. E o presidente do partido, Edinho Silva, reconheceu, esta semana, durante almoço em Brasília, que, no passado, os partidos de esquerda, preocupados com a interpretação de que estariam defendendo a violência policial, não quiseram debater a segurança pública. Agora, preciso enfrentar o tema, principalmente no que se refere ao controle de territórios.
A campanha dos municípios
Líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto, Rogério Marinho (PL-RN) contou, em almoço com a Frente Parlamentar do Livre Mercado, que a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) estima uma captura de 50% do IPTU com aumento de custos, caso o projeto que acaba com a escala 6 x 1 seja aprovado no Congresso. No embalo, Marinho classificou a proposta como “crime de lesa-pátria contra o Brasil”.
Resolve aí rapidinho
Parlamentares do PP têm enviado recados ao Supremo Tribunal Federal, pedindo celeridade na conclusão da investigação policial do caso Master. Eles estão preocupadíssimos desde que o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), foi citado. Alguns assumem, em conversas particulares, que o envolvimento dele com Vorcaro é “pouco republicano” e querem uma resposta oficial que inocente ou incrimine Ciro. Ninguém quer ir para a campanha com essa dúvida.
Te pago depois
Por falar em Ciro Nogueira, um dos fatos que veio à tona com a retirada de sigilo de documentos do caso Master no STF foi que o presidente do PP teria sido “sustentado por terceiros”. De acordo com a investigação, os deputados Júlio Arcoverde (PP-PI) e Átila Lira (PP-PI) pagaram boletos do senador nos valores de R$ 13.693,54 e R$ 3.457, respectivamente. Também há a vinculação de um cartão de crédito emitido no nome do ex-assessor do senador e empresário Lourival Nery Jr. Procurados, os parlamentares não retornaram ligações e nem mensagens enviadas pela coluna.
Veja bem…
Lourival Nery Jr. foi assessor de Ciro Nogueira por anos, na década passada. Inclusive, em 2018, dois motoristas afirmaram terem entregado no apartamento de Lourival grandes volumes de dinheiro em espécie. As informações vieram à luz durante as investigações da Operação Lava- Jato. Hoje, ele é empresário no Piauí.
CURTIDAS

Olho nela/ Se tem algo que surpreendeu todos os políticos na pesquisa sobre eleições 2026 foi o bom posicionamento da senadora Leila Barros (Leila do vôlei), do PDT, na pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política. Devagarinho, Leila conquistou lugar na Casa, com a defesa das pautas do esporte e de combate ao feminicídio. Ela é muito lembrada nas redes pela lei que criminalizou o stalking — foi autora da proposta que tipificou o crime de perseguição reiterada por qualquer meio.
O olhar do magistrado/ O ministro Sebastião Reis Jr. (foto), do Superior Tribunal de Justiça, foi homenageado ontem com o livro Fotos e Votos. Organizada por Flávia Guth e Rodrigo Haidar, a obra traz textos sobre um hobby do ministro, a fotografia, e as decisões que marcam seus 15 anos de trajetória no STJ.
Tal e qual…/ Corda em casa de enforcado: os grupos de WhatsApp do PP no Congresso passaram longe de conversas e questionamentos sobre as informações da investigação do Master que vieram a público, esta semana, com a retirada de sigilo do STF.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 9 de junho de 2026, por Denise Rothenburg

Ainda que o presidente do PT, Edinho Silva, tenha rechaçado qualquer conversa com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), o presidente Lula não poderá se dar ao luxo de recusar apoio ao centro. O que se diz nos bastidores do partido é que, se Lula quiser vencer a eleição, terá que ampliar sua campanha para o centro. Em 2022, foi mais fácil porque o centro decidiu apoiá-lo no segundo turno, caso, por exemplo, de Simone Tebet, então candidata do MDB que foi para os palanques petistas cantar “está na hora do Jair já ir embora”. Agora, com dificuldades de atrair o eleitorado mais ao centro-direita, Lula terá que tentar pegar embalo no segmento do eleitorado agradecendo o apoio desses governadores que se aproximam.
O PT seguirá com o ex-prefeito de Recife João Campos, pré-candidato do PSB ao governo estadual, mas Lula não dispensará o palanque de Raquel, se esse apoio vier. Aliás, Raquel Lyra está numa posição parecida com a de Lula. Da mesma forma que o presidente precisa ampliar da esquerda para a centro-direita, ela precisa fazer esse mesmo movimento no sentido oposto, ou seja, da direita para a centro-esquerda. Ainda que o partido dela tenha um candidato ao Planalto, a governadora, sempre que puder, exaltará a relação amistosa com o presidente Lula de olho nos votos do petista no estado.
O que eles querem saber
Com o presidente do BRB, Nelson de Souza, confirmado hoje na Comissão de Assuntos do Senado, a tendência é de Casa lotada. É que os senadores estão ávidos para saber, em primeiro lugar, quando sairá o balanço da instituição. Em segundo lugar, querem todos os detalhes do acordo chancelado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux. Em especial, a taxa de juros.
Reforma do Judiciário
A reunião que o PT fará hoje em Brasília para debater uma reforma do Poder Judiciário vai na linha do que tem sido dito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Um dos pontos será o de que não dá mais para conviver com penduricalhos.
A hora delas
O pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, está focado em obter o voto das mulheres. Na semana passada, o mestre de cerimônias em Belo Horizonte se esmerou ao falar da presença feminina no evento do partido com a presença do filho 01 de Jair Bolsonaro. E, nesta semana, Flávio Bolsonaro se derramou em elogios à economista Daniela Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, batizada desde janeiro pela equipe do pré-candidato como o “posto Ipiranga” de Flávio.
Tem “hermano” na campanha do DF
O marqueteiro argentino Diego Brandy, que coordenou a equipe de Eduardo Campos na corrida presidencial de 2014 e trabalhou, ainda, para o então governador de Pernambuco em suas campanhas, deve assumir, em breve, o comando da equipe de marketing do candidato ao PSB ao governo do Distrito Federal, Ricardo Cappelli. Eles conversaram recentemente e… deu “match”
CURTIDAS

Da série “Perca o amigo, mas não a piada”/ Cappelli ainda não fechou sua chapa completa. Esta semana, conversa com a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e espera que Reguffe decida concorrer ao Senado. A demora do ex-senador em decidir sobre a disputa já fez com que Ricardo Cappelli desse ao ex-parlamentar, em tom de brincadeira, obviamente, a alcunha de “Refugue”.
Flávio e Michelle/ A ex-primeira-dama e o enteado continuam com o que muitos classificam como “dificuldade de relacionamento”. Chega ao ponto de candidatos a cargos majoritários no DF evitarem aparecer ao lado de Flávio para não chatear Michelle. Porém, os dois vão se encontrar, amanhã, em um evento de lançamento de candidaturas distritais do PL.
Dia de São Pedro/ Voando baixo desde o início da crise envolvendo o Banco Master, os presidentes do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, estarão juntos no dia 29, em São Paulo, no evento do Lide com a série de presidentes de partido para falar sobre o cenário eleitoral de 2026. Ambos rezam dia e noite para a federação União Progressista sobreviver ao vendaval provocado pelos negócios e fundos suspeitos de fraude geridos pelo antigo banco de Daniel Vorcaro.
José Jorge recebe título/ Ex-ministro de Minas e Energia e do Tribunal de Contas da União, o ex-senador e ex-deputado por Pernambuco José Jorge (foto) recebeu uma boa notícia, ontem: O conselho de administração do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) lhe conferiu o título de Doutor Honoris Causa da instituição. A carta que comunicou ao ex-senador a concessão da honraria é assinada pelo diretor-geral do IDP, Francisco Schertel Ferreira Mendes, e pelo ministro do STF Gilmar Mendes, fundador e professor do IDP. A data da solenidade ainda não foi marcada.
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 23 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Embora o mercado financeiro trate o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o “candidato que já foi”, e procure outras opções para concorrer contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a avaliação de muita gente ligada ao PL é de que o antipetismo ainda pode colocar o candidato bolsonarista raiz no segundo turno — e, de lá, no Palácio do Planalto. Essa aposta, porém, ainda precisa de muitos fatores para tornar-se viável. A primeira delas é não surgir mais nada que envolva o filho 01 de Jair Bolsonaro em qualquer coisa paga por Daniel Vorcaro. Porém, há desconfianças de que o senador ainda não disse tudo a respeito da relação exposta pelo portal The Intercept Brasil na semana passada.

Onde mora o perigo/ Nos bastidores de Brasília, especialmente no meio jurídico, o que se comenta é que há mais laços de cunho pessoal entre Flávio e ex-banqueiro. Enquanto esse disse- me-disse, mesmo sem comprovação, continuar, vai ser difícil o pré-candidato do PL convencer os tubarões da Faria Lima de que navegar com ele é a rota mais segura.
Tarcísio 2030
Entre os investidores da Faria Lima, tem muita gente se conformando com mais quatro anos de Lula. Essa turma faz planos de centralizar o foco na eleição de São Paulo — leia-se a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) —, deixando de lado a sucessão presidencial deste ano para lançá-lo ao Planalto daqui a quatro anos. Afinal, um governador de São Paulo, se reeleito, é considerado o candidato natural de qualquer partido.
Por falar em Lula…
Os governistas defendem que Lula aproveite esse período de pré-campanha para, desde já, começar a comparar as entregas de sua gestão com a de Jair Bolsonaro. Para os ministros do presidente, assim a população terá até outubro para assimilar e avaliar quem fez mais pelo Brasil.
Os “R” na área
A soma dos candidatos conservadores no último Datafolha indica que um percentual do eleitorado — os 4% de Ronaldo Caiado, os 3% de Romeu Zema e os 3% de Renan Santos — está, desde já, longe da polarização entre Lula e Flávio. É uma fatia expressiva. Se um desses três conseguir alcançar os dois dígitos, o cenário mudará quando a campanha começar de fato.
Se quer abafar um escândalo…
… crie um maior ou envolva outros personagens na trama. A entrada de Flávio e o financiamento do filme Dark Horse no caso Master jogou na penumbra o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Ninguém fala mais em tirá-lo do comando da legenda. Se continuar nessa toada, ele deixará a UTI política em breve.
CURTIDAS

Assunto do momento/ A última rodada da pesquisa do Datafolha se tornou o principal tema das rodas de conversas no Fórum Esfera, no Guarujá. Ninguém deixou de reparar a queda das intenções de Flávio Bolsonaro.
Copo meio cheio/ O PL minimiza a diferença de quatro pontos entre o senador e Lula na pesquisa. Para os bolsonaristas, a queda foi bem menor do que o governo acreditava. “Para quem esperava uma tragédia, ela não veio. Não vejo nenhum cenário em que ele (Flávio) não esteja concorrendo”, afirmou o senador Marcos Rogério (PL-RO, foto) no Fórum Esfera.
Copo meio vazio/ Já o Centrão acha que esse seria o momento para que Flávio e Jair Bolsonaro desistissem da candidatura familiar e abrissem espaço para outro nome. Porque do jeito que está, manter a candidatura é pavimentar a reeleição de Lula.
Tem limite/ A deputada Erika Kokay (PT-DF) ficou decepcionada com o fato de sua bancada não votar contra a urgência da minirreforma eleitoral desta semana. E gostou menos ainda de saber que parte do partido apoiou o repasse para municípios em período eleitoral. Para Erika, essa prática traz de volta o cabo eleitoral.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 22 de maio de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A ida do pré-candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, aos Estados Unidos, é, obviamente, a grande aposta para tirá-lo da defensiva em relação ao dinheiro recebido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Oficialmente, só se fala da possibilidade de reunião com o presidente Donald Trump. Porém, há outros objetivos velados nessa ida. O senador pretende aproveitar para, junto com o irmão, Eduardo Bolsonaro, organizar as explicações da prestação de contas do filme Dark Horse que o parlamentar precisa dar ao próprio partido daqui a 27 dias, a fim de cumprir o prazo de 30 dias que solicitou à cúpula do PL. Paulo Calixto, advogado do ex-deputado e gestor do fundo Mercury Legacy Trust, teria recebido os recursos para a produção.
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Me deixem quieto/ Os dias nos EUA representam a oportunidade para Flávio sair do cerco de entrevistas que podem terminar desastrosas — tal como a que ocorreu na semana passada, quando um repórter do portal The Intercept Brasil perguntou se o filme havia sido financiado por Vorcaro e o senador disse que era mentira. As imagens do pré-candidato negando esse financiamento, e rindo da pergunta, continuam em alta nas redes sociais. O momento é de reorganizar o jogo e salvar a lavoura — ou seja, a candidatura.
E a minirreforma eleitoral?
Senadores divergem sobre o texto aprovado na Câmara, que aliviou a vida dos partidos. A base governista afirma não ter clima para votar a proposta que blinda o uso dos fundos Partidário e Eleitoral, além de dar um prazo maior para pagamento de dívidas. Já o Centrão e a oposição esperam que seja aprovado por votação simbólica, tal como na Câmara. Há acordo entre os presidentes das legendas e até o PT, na avaliação de partidos de esquerda, ofereceu baixa resistência ao texto. Por isso, a aposta é de que será votado quando estiver perto do recesso branco da Copa do Mundo.
Unidos venceremos
Depois de meses de negociação e espera, os produtores rurais endividados podem ter um bote salva-vidas. Relator da securitização no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) conseguiu chegar a um consenso entre o agronegócio e o Ministério da Fazenda. De acordo com o senador, não está descartada a edição de uma medida provisória com mais de 90% do que foi defendido em seu relatório.
Cálculo temporal
A decisão entre seguir a tramitação do projeto no Congresso ou editar a MP cabe ao governo. Calheiros defende a medida provisória por ser imediata e, assim, aliviar no curtíssimo prazo a situação dos produtores rurais endividados e muitos inadimplentes. O Executivo, porém, aceita a carência de 10 anos com a criação de um fundo e a solução para os produtores que não têm mais como dar garantias para conseguir empréstimos.
1989 e 2026
Com a alta rejeição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro, todos os partidos farão seus testes rumo ao Planalto. A aposta é que esta eleição terá mais candidatos do que a de 2022. A primeira eleição direta pós- ditadura militar, em 1989, foi recordista, com 22 postulantes ao Planalto. Agora, espera-se metade disso. E será um recorde.
CURTIDAS

Jogue ao mar/ Aliados da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), defendem o rompimento definitivo com o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB). Inclusive, apontam que isso está demorando, uma vez que ninguém sabe ao certo o que virá na delação do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que continua preso.
Vespeiro/ O leilão de energia que joga peso e recursos nas termoelétricas a gás, óleo e carvão, na contramão da energia limpa, virou uma casa de marimbondos que niguém destrói. A esperança dos parlamentares é que o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público consigam agir em junho. Da parte do Executivo, não se espera uma ação contundente.
Explica aí/ Por falar em Executivo, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (foto), foi convocado para prestar esclarecimentos sobre o leilão na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. Ele é esperado por lá na próxima quarta-feira.
Instale se for capaz/ A depender das declarações públicas do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e de Flávio Bolsonaro, tem que haver uma CPI do Banco Master. Davi Alcolumbre (União- AP), porém, guardou esse pedido na gaveta. E só vai tirá-lo de lá se houver ordem judicial.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 15 de maio de 2026, por Rosana Hessel com Eduarda Esposito

O filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro fez estragos no mercado financeiro e pode ter afetado a campanha do filho mais velho do ex-capitão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na corrida presidencial deste ano. Não à toa, os operadores da Faria Lima, reduto bolsonarista, ainda estão absorvendo os solavancos do vazamento dos áudios das conversas entre o pré-candidato à Presidência e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 —, negociando patrocínio de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse (“Cavalo Negro” na tradução literal) sobre a vida do ex-presidente. Após disparar mais de 2% na véspera, o dólar voltou a ser negociado abaixo de R$5, ontem, com queda de 0,45%, cotado a R$ 4,98.
Analistas reconhecem que ainda é cedo para estimar os impactos na candidatura de Flávio e no câmbio. “Foi um susto, mas os fundamentos para o real continuar forte continuam”, afirmou André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital. “Os fundamentos falam mais alto. Afinal, Flávio pode ser o candidato da Faria Lima, mas não necessariamente de Wall Street”, acrescentou. Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, destacou que para a Faria Lima abandonar a candidatura de Flávio, precisaria ter uma queda muito forte nas próximas pesquisas. “O mercado sentiu o tranco em um primeiro momento. Muitos consideram que isso faz parte da campanha, que será bem pesada, dada a polarização do país. Novos capítulos são esperados para o restante do ano”, acrescentou Julio Hegedus, economista-chefe da JHN Consulting.
Clima de tranquilidade
Entre os governistas, nada como uma semana após a outra. O clima do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de tranquilidade — tanto que os líderes do governo no Congresso estavam nas bases na tarde de ontem. Após as derrotas recentes no Legislativo, Lula respira aliviado comas primeiras pesquisas mostrando que a rejeição de Jorge Messias no Senado para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) não impactou a popularidade do petista. Tanto que voltou a ficar à frente de Flávio no segundo turno, apesar do empate técnico, segundo a Pesquisa Genial/Quaest, feita antes do vazamento das conversas do senador com Vorcaro.
Tempo ao tempo
Enquanto o PL e bolsonaristas começam a sair em defesa de Flávio por ter recebido dinheiro de Vorcaro, aliados estão mais contidos e aguardam os desdobramentos do episódio. Não devem trair Flávio, mas também não irão defendê-lo tão rápido. O momento exige cautela.
Sem plano B
Um dos parlamentares mais aguerridos da base bolsonarista, o senador Márcio Bittar (PL-AC), foi dos primeiros a publicar áudio nas redes sociais em solidariedade a Flávio. Descartou qualquer plano B para outra candidatura do partido por conta dos vazamentos dos áudios. “A direita ainda tem muito o que aprender com a esquerda, porque, mesmo com todos os processos e a condenação em três instâncias de Lula no processo do triplex, ele nunca foi abandonado pelos seus apoiadores. E nós também não abandonaremos o Flávio por pedir um recurso privado para um filme sobre o pai dele que foi esfaqueado e está preso”, afirmou. Bittar foi incisivo ao comentar sobre a possibilidade de o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltar a ser cogitado para a corrida presidencial pelo PL. Afirmou que é mera “fofoca”. “Ninguém tira quem tem 40% das intenções de voto nas pesquisas”, acrescentou.
Explica isso aí, CPMI
O vazamento da conversa entre Flávio e Vorcaro veio da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Pelo menos é o que acredita a Polícia Federal (PF). A corporação acredita que o vazamento ocorreu via espelhamento dos computadores e ressalta que, antes da suspensão de acesso às quebras de sigilo pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, mais de 70 pessoas tiveram acesso à sala cofre do Senado.
Muito para um filme?
Fontes ligadas à PF estranharam os valores de pagamento de Vorcaro ao filme, em torno de R$ 140 milhões. A teoria é de que o montante era, muito provavelmente, um financiamento eleitoral antecipado. Aliás, a cena da facada vazou na internet e virou “meme” nas redes sociais.

Tensão nas alturas
A suspensão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, da Lei de Dosimetria deixou a oposição ainda mais arisca no Congresso. Segundo os parlamentares, o processo foi árduo e seguiu todos os trâmites necessários da Constituição. Um levantamento do grupo Livres mostra que, em 2024, 81% das decisões do STF foram monocráticas e sem deliberação do colegiado.
Falta de orçamento
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP, foto), defendeu durante o III Encontro Nacional das Agências Reguladoras, organizado pela Associação Brasileira de Agências Reguladoras (Abar), que não haverá autonomia enquanto não houver recursos para as instituições. “Você tem autonomia, mas não tem orçamento. Que autonomia é essa?”, questionou. Dados recentes da Agência Nacional de Mineração mostram que há uma defasagem de 70% no pessoal da ANM justamente por falta de recurso financeiro.
Coluna Brasília-DF, publicada na quarta-feira 22 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Enquanto a Polícia Federal (PF) não tem nenhum sinal de uma possível delação do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o advogado Daniel Lopes Monteiro se adiantou e se prepara para negociar sua possível delação. Ele é acusado de montar o esquema de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e PHC, além de maquiar as carteiras podres do Banco Master.

Mina de informações/ Investigadores acreditam que se Daniel fez esse trabalho para PHC, é possível que tenha feito para outros clientes. E, assim, sua delação pode trazer peças capazes de ajudar a PF a completar o quebra-cabeças. Caso Vorcaro e o ex-presidente do BRB não se apressem e ofereçam algo maior, Monteiro pode acabar se beneficiando mais.
Sentimento de vingança
Uma parte do Parlamento não se convenceu de que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), quer promover uma reforma no Judiciário. Depois de tantos mandados com alvo em emendas parlamentares, concessão de habeas corpus que frustraram comissões parlamentares de inquérito (CPI) e revogações de quebra de sigilos, a classe política está com o nariz virado para a Corte.
Questão de protagonismo
Muitos parlamentares afirmam em conversas mais reservadas que o artigo de Dino no site ICL Notícias foi uma coleção de palavras ao vento. E dizem que o movimento de reformar precisa partir do Congresso. Se ninguém baixar as armas para dialogar, vai ficar difícil promover uma reforma profunda.
O debate é lá
Para aprovar rapidamente a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de trabalho 6 x 1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apelou aos parlamentares para que deixem emendas e polêmicas para a comissão especial que analisará o mérito do texto. A maioria topou.
Liberdade e trabalho
O deputado Luiz Gastão (União-CE), por exemplo, prepara um voto separado, assegurando a liberdade de definição dos dias de trabalho — ele considera inconstitucional a proibição de trabalho em qualquer dia da semana, inclusive aos domingos. O parlamentar avalia agora se apresentará o texto na futura comissão especial. Motta ainda não definiu a data da instalação.
CURTIDAS

União no RS/ O presidente do PT, Edinho Silva, aos poucos vai fechando os palanques estaduais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Rio Grande do Sul, onde havia um estica-e-puxa pela cabeça de chapa, Edegar Preto (PT) será o vice de Juliana Brizola (PDT). E o PSol garantiu a vaga de Manuela d’Ávila (foto) ao Senado — maior prioridade do partido — junto com Paulo Pimenta (PT). O diretório petista aceitou o arranjo antes que houvesse intervenção na decisão da regional.
Todos contra a direita/ Os partidos de esquerda se acertaram no Rio Grande do Sul depois de perceberem que, separados, ampliavam as chances de a direita ganhar tudo. Agora, unidos, os aliados de Lula vão tentar conter o avanço da chapa encabeçada pelo deputado federal Zucco (PL).
Hora de fiscalizar/ É hoje o seminário “Emendas Parlamentares em foco: Transparência, Rastreabilidade e Responsabilização”, organizado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). Além do debate, o movimento apresentará um projeto de lei de iniciativa popular (PLIP) para aprimorar a transparência e controle de emendas. O evento será na sede do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), das 9h às 12h.
Colaborou Renato Souza*









