Na Marcha de Prefeitos, sabatina de presidenciáveis

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise no INSS, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada no Sábado, 16 de maio de 2025, por Rosana Hessel com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Os gabinetes do Senado Federal estão em polvorosa com a expectativa do movimento de milhares de prefeitos pelos corredores do Congresso Nacional na próxima semana. A partir de segunda-feira, será dada a largada da XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. Mais de12 mil gestores e três mil prefeitos estão confirmados, mas esse número ainda pode aumentar, de acordo com dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que promove o evento, e que promete ser a maior edição da história.

» » »

Realizada no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), no Setor de Clubes Sul, a Marcha dos Prefeitos será marcada pela primeira sabatina presencial com os os principais pré-candidatos à Presidência da República. A programação política terá início na terça-feira. Confirmaram presença o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), além de Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (DC). Eles devem responder às perguntas dos participantes nas mais diversas áreas da administração municipal ao longo dos dias 19 a 21, data final do evento. A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estava confirmada até o fechamento desta edição.

Flávio na berlinda

Apesar de uma parte do mercado financeiro ainda aguardar os desdobramentos do impacto do vazamento das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negociando recursos para financiar o filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse (Cavalo Negro, na tradução literal), alguns analistas já começam a admitir que a candidatura do filho 01 morreu, conforme informou ao Correio um analista de uma grande gestora de ativos financeiros, que pediu anonimato.

Chapa competitiva

“A busca, agora, é por chapa competitiva e que tenha pelo menos uma mulher na composição”, disse o analista. Na avaliação dele, o fato de Flávio ter sido atingido, contudo, não significa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está reeleito. “É muito cedo para concluir isso. Há opções maduras na direita”, acrescentou. Na avaliação dele, o centro e a direita do país precisam ser pragmáticos e trabalhar por outro candidato o quanto antes para que a chapa tenha condições de ser mais competitiva contra Lula e Geraldo Alckmin. “Se a política falhar (novamente), aí sim entregarão mais quatro anos para Lula”, afirmou.

Caiu nas redes

Após o vazamento das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, os petistas não perdoaram e fizeram uma música sertaneja por inteligência artificial (IA) com as falas do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro para o ex-banqueiro intitulada “Estarei sempre contigo”.

Deu certo

Os bolsonaristas mais fiéis usam as redes sociais para defender o patrocínio “oculto” do Banco Master ao filme biográfico de Jair Bolsonaro Dark Horse. De acordo com internautas, Daniel Vorcaro patrocinou o projeto para receber parte dos lucros da bilheteria do projeto. Do outro lado, os petistas estão felizes coma nova postura do PT em publicar, diversas vezes, o áudio vazado. Não só comemoraram, como pediram mais. De acordo com alguns, a esquerda aprendeu a usar as mesmas ferramentas que a direita.

Rachou legal

Os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro não gostaram nada das críticas enfáticas do pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo). O momento gerou um racha dos mais próximos de Flávio Bolsonaro com o mineiro. O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto (PL-PB), afirmou à coluna que a ruptura não engloba o partido Novo. Mesmo com uma tentativa de Flávio em apaziguar o atrito, ainda há quem não queira uma reaproximação por enquanto.

Pressões por delações I

Detentos presos preventivamente por conta da Operação Sem Desconto, que apura as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dizem sofrer pressão para firmarem acordos de delação. De acordo com as alegações, a ação ocorreria no Bloco 5 da Penitenciária do Distrito Federal (PDF) IV. A parentes e advogados, eles contam serem vítimas de pressão psicológica para forçá-los a assinar acordos de colaboração. Entre as queixas estão ter de dormir em colchões cortados pela metade, receber quentinhas já abertas, ouvir barulhos altos e intermitentes de equipamentos de raio-x instalados na porta das celas e até permanecer por horas em um espaço apertado após receberem a visita de seus defensores.

Pressões por delações II

Os presos dizem que são pressionados a entregar eventual participação de autoridades do Tribunal de Contas da União (TCU) e dos Poderes Legislativo e Judiciário na suposta organização criminosa investigada. Procurada, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) afirmou “que todas as rotinas de custódia, movimentação, segurança e atendimento aos reeducandos nas unidades prisionais do DF seguem protocolos operacionais padronizados, fundamentados na legislação vigente, nas normas de segurança penitenciária e nos princípios previstos na Lei de Execução Penal”. Sobre eventual pressão para firmar acordo de delação, a Seap disse que “não há, até o presente momento, registro formalizado na Corregedoria da Pasta acerca de supostas abordagens indevidas e que toda denúncia recebida pelos canais oficiais é devidamente apurada, com rigor e observância ao devido processo administrativo”

Colaborou Renato Souza

As chances dos outros

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 14 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Nova York — Os diálogos que indicam que o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência da República, cobrava dinheiro de Daniel Vorcaro, quando o então banqueiro dono do Banco Master já estava em rota de desgaste, assustaram os barões da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo. Em Nova York, onde muitos participam da série de eventos da Brazilian Week, vários deixaram claro que o receio de ver o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro queimado no processo eleitoral leva o grupo dos financistas a voltar as atenções especialmente para o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) — considerado o mais equilibrado dos pré-candidatos da direita. Caiado tem muitos apoios no agronegócio e deixou o governo com aprovação acima de 70%. Além disso, a última pesquisa Genial/ Quaest mostrou que, em Goiás, 76% daqueles que conhecem Caiado votam nele. Esse mesmo índice em relação a Romeu Zema (Novo) ficou em 38%, em Minas Gerais. Há uma avenida aberta para que Caiado consolide apoios entre os representantes do mercado financeiro.

Veja bem/ Até aqui, Flávio disse que não prometeu nada a Vorcaro em troca. Porém, até os mais fiéis aliados do filho 01 de Bolsonaro consideram essa justificativa insuficiente para reverter o estrago. O pré-candidato do PL terá que dar novas explicações sobre o financiamento do BRB, a juros camaradas, para comprar a mansão em Brasília e o restante de seu patrimônio.

Silêncio na sala

Muitos parlamentares do PL receberam ligações de suas bases eleitorais, preocupadas com os efeitos do vazamento da conversa entre Flávio e Vorcaro. Muitos deles, aliás, deixaram suas antigas legendas e ingressaram na legenda para concorrer a cargos — como governadores — e garantir palanque para o pré-candidato do partido. Agora, estão preocupados com o próprio futuro.

Dê um tempo

O comando do PL pediu aos seus filiados que aguardem um pouco antes de se deixar levar pelo desespero. Afinal, a campanha nem começou e é preciso aguardar todas as explicações de Flávio. O problema, porém, é que os integrantes do partido acreditam que a situação tende a piorar.

As coisas boas…

… a gente fatura. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu enxugar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da 6 x 1. O texto tratará apenas das reduções da escala, para 5 x 2, e da jornada, de 44 horas semanais para 40 horas. Assim, todos os louros da redução serão comemorados numa promulgação da PEC no Congresso.

As coisas ruins…

… a gente empurra para o governo. Tudo que for difícil será tratado no projeto de lei que o governo mandou ao Parlamento. Essa proposta vai incluir, por exemplo, a discussão de compensação, quais setores que precisam de jornadas especiais e tempo de transição. O líder do PT, Pedro Uczai (SC), disse com todas as letras em entrevista à emissora Rede Vida que não apoiará a transição. Ou seja, o projeto do governo vai tratar de coisas que o partido do presidente da Câmara não apoia.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Graças a elas/ Cientistas políticos avaliam que recuperação da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente entre as mulheres, se deve ao Desenrola 2.0. A justificativa é que elas têm sofrido mais pelo aumento do custo de vida.

É cedo para comemorar/ Os especialistas, entretanto, advertem: “Se a inflação de alimentos continuar pressionando o orçamento doméstico, parte desse ganho pode ser rapidamente neutralizado”, comentou Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB).

Isonomia/ A isenção da taxa das blusinhas por Lula pegou a oposição de surpresa. Mas eles já têm uma estratégia para tentar dar um nó no governo: exigir que o mesmo beneficio seja dado a produtos nacionais equivalentes a US$ 50 (R$ 250,00), em especial, aqueles que não precisam de frete. Ressaltam que se isentou o internacional, tem que isentar “os de casa”. reverter o estrago. O pré-candidato do PL terá que dar novas explicações sobre o financiamento do BRB, a juros camaradas, para comprar a mansão em Brasília e o restante de seu patrimônio.

Point da vez/ A sede do QG da campanha de Flávio Bolsonaro fica em frente à casa (foto) do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Agora, depois do vazamento das mensagens, parlamentares comentam que o endereço “compartilhado” parece ser o lugar do momento em Brasília.

Conselhos e avisos sobre a dosimetria

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 13 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Nova York — Do alto de quem indicou Alexandre de Moraes para ministro do Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Michel Temer é incisivo ao referir-se à proposta de dosimetria das penas dos enroscados no 8 de Janeiro. Logo depois de participar do 15º Lide Brasil Investment Forum, em Nova York, ele sugeriu aos ministros do STF que examinem esse tema com urgência. E fez um alerta: “Seria um transtorno para o país (a rejeição). O ideal é que seja examinado logo e mantida a decisão do Congresso Nacional”, afirmou.

Crédito: Kleber Sales

Enquanto isso, no PL…/ Enquanto Temer se refere a “transtorno”, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), é direto: “Está se criando um cenário em que vamos chegar ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Ele já extrapolou muito”, avisa. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), hoje mais afastado do governo, será cobrado a agir nessa direção. Se não abrir o processo depois do período eleitoral, a avaliação é de que outro presidente da Casa o fará em 2027.

Petróleo e guerra

Os representantes da área do petróleo que participaram do 15º Lide Brasil Investment Forum, em Nova York, avisaram a empresários e políticos que o mundo tem estoques para apenas mais um mês com o Estreito de Ormuz fechado. A economia global não suporta mais do que 30 dias sem essa rota marítima livre.

Ajuda, mas atrapalha

Nos eventos de Nova York, muitos políticos experientes que ouviram o discurso do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, recomendaram que ele modere as críticas ao STF. Zema, porém, avisa não mudará esse discurso. Afinal, não quer ser vice de ninguém.

A culpa é do Parlamento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva coloca na conta do Congresso pelo menos dois temas de interesse da população que permanecem pendentes: o fim da escala 6 x 1 e mais atenção à segurança pública.

E as blusinhas, hein?

A medida provisória do governo para zerar a taxa das blusinhas foi uma forma de driblar uma vitória total da oposição sobre o tema. Na época em que o imposto foi criado, o PL e o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) eram contrários à proposta. Kataguiri é autor de projeto de lei que visa a revogação da medida. Por isso, o Executivo editou a MP, para que não fosse apensado ao projeto do adversário político.

Conselho ao Supremo

O ex-governador de São Paulo, João Doria, propôs aos ministros do STF que façam uma espécie de retiro, a fim de conseguir ajustar a rota e corrigir erros. Políticos que ouviram quando Doria fez essa referência foram logo dizendo que, se o Supremo não fizer essa correção, no ano que vem o Congresso fará uma nova reforma do Judiciáiro.

CURTIDAS

Crédito: Denise Rothenburg

Pressões/ Por enquanto, o Progressistas ainda mantém o senador Ciro Nogueira (PI) no comando do partido. Mas a turma fora do PP amplia a cada dia a tensão para uma renúncia ou afastamento de Nogueira do cargo de presidente da legenda.

Mágoas superadas/ O ex-governador de São Paulo João Doria e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD, foto), estão mais unidos do que nunca. Eles, que já foram adversários nos tempos de PSDB em que disputaram uma previa, hoje mostram, na prática, que divergências políticas devem ser superadas em nome do bem comum.

Segue o líder/ Presentes ao evento do Lide em Nova York, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e o senador Fabiano Contarato (PT-ES), seguem à risca os antigos ensinamentos de Lula dos tempos em que o presidente, ainda em seu primeiro mandato, tratava de levar deputados de centro a apoiar seu governo. Lula àquela altura dizia assim: “Não tem problema você não ter me apoiado antes. Afinal, meus (aliados) já tenho. Preciso que você me traga os seus”.

Por falar em apoios…/ Apontado como um dos responsáveis pela aproximação entre os presidentes Lula e Donald Trump, dos Estados Unidos, o CEO do grupo JBS, Wesley Batista, comentava com a coluna no evento Diálogos Esfera que “primeiro é preciso que a ponte dê certo”. Os próximos passos serão nesse sentido. Agora, está tudo nas mãos dos diplomatas e do staff dos dois líderes.

LIDE: “Não há justificativa técnica para o Brasil ter uma taxa de juro real de 10%”, afirma Mauro Benevides Filho

Publicado em Câmara dos Deputados, Congresso, Economia, Política, Senado
Foto: Vanessa Carvalho/LIDE

Nova York, por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — Os juros foram um dos temas que mais apareceram durante a 15ª edição do LIDE Brazil Investment Forum 2026, hoje em Nova York (12/5). O deputado Mauro Benevides Filho (União-CE) chegou a afirmar que não há critério técnico que justifique uma taxa real de juros tão alta no Brasil. “Tenho muita dificuldade de entender que um déficit de R$ 40 bilhões vai gerar a maior taxa de juro real do mundo. Não há justificativa técnica para o Brasil ter uma taxa de juros real de 10%, e que, portanto, a dívida pública brasileira está aumentando não em função do déficit primário. Todo mundo falou aqui: precisamos pensar na ferrovia, o agro também precisa de mais recursos, a energia limpa precisa de linhas. E cadê o dinheiro para investimento? Não existe. E esse ano nós estamos pagando de juros R$ 1,140 trilhão e não há discussão no Brasil sobre isso nem no Congresso”, ressaltou.

Benevides explica que em 2024 o Brasil pagou R$ 920 bilhões em juros da dívida pública devido a alguns fatores como: a desvalorização do dólar (R$ 40 bilhões), déficit primário pelo Tesouro (R$ 11 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 28 bilhões), intempéries climáticas (R$ 700 bilhões) e pé-de-meia (R$ 2,8 bilhões). “A taxa de juros é muito elevada porque o déficit primário é muito elevado, isso não é verdade. Os outros países do mundo todos têm déficit muito maiores, até porque o Brasil é o único país do mundo onde se usa o conceito de déficit primário, todo o resto do mundo usa o déficit nominal, ou seja você leva em conta os juros da dívida pública. Aqui, há o interesse de mascarar o valor que nós estamos despendendo”, criticou. O deputado ainda lembrou que desde que o tripé macroeconômico foi instalado em 1999 — câmbio flutuante, metas de inflação e resultado primário — o Brasil nunca teve um resultado primário capaz de pagar os juros da dívida pública brasileira e ninguém discute isso.

Foto: Vanessa Carvalho/LIDE

Quem também criticou o patamar dos juros no país foi o deputado Júlio Lopes (PP-RJ), afirmando que o grande lead de 2027 tem que ser a queda da taxa. “Em março arrecadamos R$ 229.2 bilhões, recorde absoluto no trimestre. E enquanto o governo arrecada, o Brasil empobrece porque se endivida cada vez mais. É uma contradição inaceitável porque como é que pode o Brasil quebrar todos os recordes de arrecadação, chegar ao percentual mais elevado de imposto sobre a renda e a população estar cada vez mais pobre? Estamos fazendo o segundo desenrola porque ninguém vive tão enrolado quanto o brasileiro quando o juro está 14,5%”, pontuou.

*Viajou a convite do LIDE

João Doria sugere retiro aos ministros do STF

Publicado em Câmara dos Deputados, Congresso, Eleições, Política, Senado, STF
Foto: Vanessa Carvalho/LIDE

Nova York, por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — Em entrevista logo após o encerramento da 15ª edição do LIDE Brazil Investment Forum 2026, hoje em Nova York (12/5), o fundador e co-chairman do LIDE, João Doria, destacou a necessidade do Supremo Tribunal Federal (STF) fazer uma autoavaliação e corrigir rotas. “A prova de humildade só dignifica e engrandece as pessoas e instituições. Nunca vi alguém criticar o zelo, a humildade e o reconhecimento das suas próprias falhas e dos seus equívocos. O Supremo é bem povoado, eu diria, por bons juízes, por aqueles que cumprem o seu papel, mas os equívocos podem ser avaliados. As pessoas são passíveis do erro. Não pode adotar o procedimento de não perdoar os erros, o que você não pode perdoar é a sucessão dos erros. Se eu pudesse modestamente sugerir ao STF, pudesse talvez fazer um momento de retiro e uma reunião mais profunda, mesmo fora de Brasília, com os 10 ministros que lá estão”, afirmou Doria.

O ex-prefeito de São Paulo lembrou que ainda há um ministro a ser indicado e que seria necessário realizar essa reflexão de forma tranquila, equilibrada e serena pela importância que a Suprema Corte tem na sustentação da democracia do país. Doria destacou ainda a expansão do poder do Judiciário ao acabar se intrometendo em decisões políticas. “Talvez um excesso de autoridade. O Supremo, por circunstâncias políticas, acabou sendo o esteio final que quase todas as decisões, não só institucionais, mas até decisões políticas que, a meu ver, não cabem à Suprema Corte Brasileira e sim ao Congresso. Há que se respeitar, certo ou errado, a independência dos poderes. O Poder Legislativo tem a sua independência e precisa ser respeitado, assim como o Executivo e o Judiciário. Houve um excesso, ultrapassou, a meu ver, a linha daquilo que competia ao STF. Mas por consequência, não foi uma ideia, não foi uma vontade específica dos ministros do Supremo. Foram consequências, aliás, iniciadas no governo anterior (Jair Bolsonaro). Mas sempre é tempo de corrigir, melhorar e reposicionar o Supremo com a qualidade dos ministros que ele possui”, completou.

Foto: Vanessa Carvalho/LIDE

Quem também comentou a tensão entre os Poderes foi o ex-presidente Michel Temer, que defendeu a linha da pacificação e conciliação diante da radicalização que se instalou no país. “Eu tenho dito aos candidatos que falam comigo: você deveria anunciar ao povo brasileiro que no terceiro, quarto dia do seu governo vai chamar os dois Poderes, a oposição, as entidades, a sociedade civil e dizer ‘Vamos fazer um grande pacto republicano pelo país’. Depois cada um toma seu rumo lá nas eleições. Mas neste momento é preciso de oportunidade. Quem propuser esta fórmula acho que agrada uma boa parcela da população, porque percebo pelas visitas que recebo em meu escritório em São Paulo, que as pessoas estão cansadas, não da polarização, que é um embate de ideias, conceitos, projetos, mas cansados da radicalização. O que se deu no Brasil hoje foi radicalização”, defendeu.

Ativismo judicial e supersalários

Com um discurso mais assertivo, o deputado Ricardo Barros (PP-RS) acusou a Suprema Corte de escolher quais candidatos estarão aptos para serem votados pela população. “Este é um ano de eleição, uma reeleição é um plebiscito, ou o governo para, ou continua. O outro candidato é só o repositório da insatisfação. Então vamos enfrentar essa escolha dos brasileiros, mas o Brasil não tem sido assim. Fui relator da lei do abuso de autoridade, conseguimos resolver muitas coisas no Judiciário, mas o ativismo político do Judiciário está cada vez mais intenso e quem decide não tem sido mais o povo. Quando foi conveniente tiraram o Lula, depois devolveram o Lula, quando foi conveniente tiraram o Bolsonaro e assim o povo não pode votar em quem quer, vota em quem eles deixam”, disse. Contudo, com a posse nesta terça-feira (12/5) do ministro Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral, o parlamentar espera que tenha menos “ativismo e mais o cumprimento das leis” no pleito de outubro.

Foto: Vanessa Carvalho/LIDE

O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) também lançou críticas ao Poder Judiciário ao falar dos supersalários. Relator da reforma administrativa, que segue parada na Câmara dos Deputados, Paulo reforçou que o governo federal defendeu corrigir os andares de cima e de baixo, mas excluiu o setor público da mudança. “Temos membros do setor público em todos os entes — Executivo, Judiciário e Legislativo — que ganham muito mais do que o teto previsto na Constituição. Enfrentar esses privilégios não é simples, não é fácil. Há uma resistência gigante do setor público, mas precisamos enfrentar ou o Brasil não vai avançar. É de se indignar ver um membro do Judiciário recebendo R$ 200 mil, R$ 240 mil por mês de salários mais os famosos penduricalhos”, criticou.

*Viajou a convite do LIDE

O risco de perder

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, GOVERNO LULA, Política, PP, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 12 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Nova York — Ligado ao PT e advogado de Ibaneis Rocha no caso Master, o advogado Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, advogava para Ciro Nogueira há mais de 10 anos. Venceu todas as causas do senador ao longo do período. Porém, agora, o desafio vai além do senador. Envolve um partido aliado a Jair Bolsonaro, o que é demais para um advogado ligado ao PT, que tem entre seus clientes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu. Para completar, no caso Master, Kakay defende o ex-governador do Distrito Federal. Ou seja, juntou muita coisa. Daí, a assunção de Conrado Gontijo, em quem Kakay confia. Conrado é citado entre tarimbados advogados como “um menino novo, porém brilhante”. Mas se Conrado perder a causa, não terá sido Kakay.

» » »

Valia por dois/ A família de Ciro será representada por Rodrigo Mudrovich, que lá atrás advogou para a mulher do ex-deputado Eduardo Cunha. A tempestade sobre os Nogueira está apenas começando.

Diferenças

Muita gente mudou de advogado, ao longo dos últimos meses, porque queria partir para uma delação premiada. Não é o caso de Ciro Nogueira. O discurso do senador é e será o de perseguição política. Até quando conseguirá manter essa versão é que é a maior incógnita. O futuro a Deus pertence.

Quem tem tempo…

… não tem pressa. Até aqui, quem acompanha o processo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro avalia que a delação está muito longe de ser homologada.

Ralo clandestino I

Segundo dados enviados à Comissão Externa sobre os Atos de Pirataria e a Agenda do “Brasil Legal”, o país deixou de arrecadar, entre 2017 e 2025, R$ 8 bilhões em impostos devido à pirataria. Esse valor poderia custear sete meses de Bolsa Família, por exemplo.

Ralo clandestino II

O estudo alerta para uma brecha dentro das plataformas internacionais que usam o modelo cross-border — comércio eletrônico internacional onde empresas vendem produtos para consumidores em outros países— e que ainda pagam metade da carga tributária de empresas brasileiras. A ação tem, ainda, o apoio da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria (FPI).

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

As voltas que o mundo dá/ Há dois anos, Ciro Nogueira passeava pela Quinta Avenida, em Nova York, acompanhado do ex-deputado Fábio Faria, quando foi flagrado pela coluna. Ambos são ex-ministros de Jair Bolsonaro. E Ciro logo tratou de deixar meio de lado a sacola de uma loja de grife, que levava a tiracolo. No ano passado, o senador aproveitou a viagem aos Estados Unidos por esse período para uma reunião com Eduardo Bolsonaro, Guilherme Derrite e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda.

“Coloca na pauta aí”/ Os deputados Alberto Fraga (PL-DF, foto) e Soraya Santos (PL-RJ) estiveram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na última quarta-feira, para pedir que paute um projeto de autoria de Fraga. A proposta prevê o aviso às vítimas de violência doméstica e tentativa de feminicídio quando seus agressores forem soltos. A expectativa é de que entre em votação ainda esta semana.

Por falar em votação…/ É tanto deputado em Nova York para a Brazilian Week e a bateria de eventos de bancos e think-tanks que as votações desses dias serão via Infoleg.

Shows na maçã/ Enquanto os turistas e formandos de cursos de artes fazem fila na Broadway, os brasileiros que estarão hoje no Lide Brazil Invesment Forum, em Nova York, assistiram a um pocket show de Michel Teló, patrocinado pelo Spotify. Os debates do Lide terão lugar hoje, com as presenças dos presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

Networking/ Não é só para Lula que os irmãos Batista fizeram uma ponte com o governo Trump. O Diálogos Esfera de ontem, em Nova York, recebeu Donald Trump Jr. Lá estava também André Esteves, do BTG-Pactual.

Briefing para Trump

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, GOVERNO LULA, Política, Politica Externa, Senado, STF, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 7 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber

Dois senadores norte-americanos — um democrata e um republicano — procuraram o presidente de Comissão de Relações Exteriores, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), para conversar sobre a posição do governo e do Congresso acerca dos minerais críticos e terras raras. O parlamentar deixou claro que o Brasil não abrirá mão da soberania nacional e informou que há um projeto em tramitação no Legislativo. Nos bastidores, a certeza é deque os senadores dos Estados Unidos vieram pegar informações para o encontro de hoje entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, em Washington.

» » »

Ganha-ganha/ O encontro entre Lula e Trump é visto por parte dos políticos brasileiros ligados ao governo como positivo para os dois presidentes. Trump está com a popularidade em baixa nos EUA e precisa ampliar o diálogo. Lula, idem, ainda mais em se tratando de um ano eleitoral. Se a “química” continuar funcionando, ambos sairão da conversa de hoje tendo o que comemorar.

O que eles temem

A notícia de que o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, havia apresentado a sua proposta de delação premiada, surgiu em meio à sessão de comemoração dos 200 anos da Câmara dos Deputados. A aposta dos políticos é que, em breve, virá uma nova bateria de buscas e apreensões para confirmar o que o ex-banqueiro apresentou. A maior preocupação é que tudo comece a aparecer justamente no início das campanhas eleitorais. Aí será difícil explicar.

Apostou…

A oposição tem certeza de que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), não levará os três processos de suspensão dos deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Marcos Pollon (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC) ao Plenário. Seria um desgaste grande no futuro de quem deseja se reeleger presidente da Casa.

… errado

Contudo, aliados próximos à Motta garantem: ele irá até o fim nas suspensões. De acordo com os deputados, o presidente quer passar um recado claro de que há limites para manifestações dentro da Câmara, e que impedi-lo de sentar-se na cadeira da Presidência ultrapassou o decoro parlamentar. Além disso, outros parlamentares defendem que Motta paute as três punições no Plenário para não desmoralizar a Casa. Um sinal, segundo aliados, foi o cancelamento da Ordem do Dia, na terça-feira, para que o Conselho de Ética apreciasse as suspensões.

A vantagem de Caiado

A pesquisa Quaest divulgada esta semana foi comemorada pelo PSD. Nela, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pré-candidato ao Planalto pelo partido, aparece no estado que governou com um índice de 76% de “conhece e votaria”. Em Minas Gerais, Romeu Zema, do partido Novo, tem apenas 38%nesse mesmo ponto, enquanto 53% afirmam conhecer e não votar nele.

CURTIDAS

Crédito: Arquivo pessoal

Candidatíssimo/ O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que será candidato a um mandato por Minas Gerais, deixou nos antigos colegas de Parlamento a sensação de que, se voltar, tentará retornar ao comando da Casa. Ele fez questão de dizer que a aprovação das emendas impositivas, em sua gestão, garantiu a independência do Legislativo diante do Executivo. E comemorou o feito rebatendo o argumento de que as emendas estariam “sequestrando” o Orçamento.

Reencontros/ A sessão solene dos 200 anos da Câmara foi quase uma “volta às aulas”. O ministro da Defesa, José Múcio, presente ao evento, foi cumprimentado por representantes de todos os partidos. E quem se destacou no quesito “rejuvenesceu” foi o ex-deputado Rodrigo Maia. De barba e mais magro. Alguns deputados tiveram dificuldade de reconhecer o ex-presidente da Casa.

Cancela isso aí/ Os deputados Danilo Forte(PP-CE) e Joaquim Passarinho (PL-PA) apresentaram (foto), ontem, à Comissão de Minas e Energia um relatório recomendando ao Tribunal de Contas da União (TCU) o cancelamento do leilão de capacidade de energia deste ano. O documento foi encaminhado aos órgãos de controle e fiscalização para instauração de inquéritos, auditorias e pedidos de informação, sob argumentos de corrupção passiva e prevaricação, práticas anticoncorrenciais, entre outras possíveis irregularidades. De acordo com os parlamentares, o leilão ignorou outros tipos de energias limpas e o uso de baterias.

Anota aí/ A posse do novo ministro do TCU, Odair Cunha, será em 20 de maio. O deputado venceu as eleições na Câmara dos Deputados, em abril, e foi homologado pelo Senado um dia depois.

Em busca de um nome irrecusável

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 6 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Depois da rejeição de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Lula busca um nome no qual os senadores ficariam constrangidos em votar contra. O que está em alta na bolsa de apostas esta semana é o do ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas. Bruno tem laços em todos os partidos. É ligado, em especial, ao ex-presidente José Sarney e ao senador Renan Calheiros (MDB-AL). No caso de Bruno, o MDB votaria e trabalharia para aprovar, algo que não foi feito no caso de Messias.

Deu ruim/ Bruno já esteve cotado outras vezes para ministro do STF. Mas Lula sempre preferiu um nome mais ligado ao PT. Agora, ressabiado com a derrota, o presidente cogita indicar um nome mais afeito a um partido aliado. O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) é considerado carta fora desse baralho, porque seria se render ao que, desde o início, havia pedido o senador Davi Alcolumbre (União-AP). E atender Renan, que foi derrotado por Alcolumbre lá atrás, quando o senador amapaense foi candidato a presidente do Senado pela primeira vez, não seria de todo ruim para Lula em termos de um certo chega para lá no atual comandante do Senado.

Celina que lute

O fato de o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ter deixado a escandalosa compra do Master pelo BRB no colo do Distrito Federal e dito que “não dá para cobrir um rombo mal-explicado” foi um recado claro de que não haverá socorro federal. No Planalto, ninguém diz nada diferente disso. Mas, a intenção é esperar a conversa da governadora Celina Leão com o presidente Lula.

Gonet tem a força

Os investigadores podem até querer correr com a delação de Daniel Vorcaro e de Paulo Henrique Costa. Porém, há quem diga que quem tem a ampulheta para definir o tempo é o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Se ele quiser deixar para depois das eleições, não haverá muito o que fazer, anão ser cobrar celeridade.

Esse é o caminho

…Aos poucos, governo e oposição se alinham para chegara o consenso em torno da Proposta de Emenda à Constituição(PEC) sobre fim da escala 6 x 1. A palavra de ordem hoje é “compensação”, ou seja, desoneração da folha. O Poder Executivo quer proteger a contribuição previdenciária. Os opositores acenam com outros encargos, e até mesmo a possibilidade de uma linha de crédito — tese já defendida por membros da base.

… que surge

Já no setor produtivo, o que se diz é que o Congresso pode aprovar o texto, se o governo retomar a sucumbência em processos trabalhistas — princípio jurídico que obriga a parte perdedora em um processo a pagar os honorários do advogado da parte vencedora e as custas processuais —, e colocar condições especiais e melhores para terceirizados e Micro e Pequenos Empreendedores (MEI). À coluna, parlamentares já citaram a ideia de isentar os MEI e pequenas empresas para diluir os custos da redução da jornada.

Fica, Messias

Dentro do PT tem deputado defendendo que o advogado-geral da União, Jorge Messias, assuma o Ministério da Justiça. Wellington César Lima e Silva, atual ministro, não é visto com bons olhos por uma ala do Partido dos Trabalhadores. Muitos petistas não se esquecem que Wellington afirmou não ver problema em realizar um plebiscito para avaliar a redução da maioridade penal — tema que o PT é totalmente contrário. Pesa ainda o fato de César Lima não ter se mexido para ajudara indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Me dê um tempo/ Messias (foto) prefere tirar um período sabático para se refazer das traições que sofreu. Afinal, as contas do governo indicavam, no mínimo, 43 votos, descontadas aqueles dos quais o Planalto tinha dúvidas. Messias obteve o “sim” de 34 senadores.

Suspense/ Até o fechamento desta edição, ainda não havia anúncio oficial do encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, em Washington. Porém, uma equipe de diplomatas trabalha nesse tema.

Câmara 200 anos/ A Câmara dos Deputados vai homenagear seus ex-presidentes em sessão solene nesta quarta-feira, 10h, para comemorar seus 200 anos. A lista é grande: Aécio Neves, Aldo Rebelo, Arlindo Chinaglia, Arthur Lira, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, João Paulo Cunha, Marco Maia, Michel Temer e Rodrigo Maia. Henrique Eduardo Alves não estará presente, porque se recupera de uma cirurgia.

Homenagens ao decano/ Marilene Carneiro Mattos, Pedro Ivo Velloso Cordeiro e Ronald Siqueira Barbosa Filho, todos com profundo conhecimento e atuação no direito, lançam hoje, 18h, na Biblioteca do STF, o livro Constitucionalismo Digital e seus Desafios — reflexões em homenagem ao ministro Gilmar Mendes.

PL apostará no atraso da 6X1

Publicado em 6x1, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado, STF, TSE

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 5 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

O presidente da Câmara e o PL estão em campos opostos na Proposta de Emenda à Constituição que trata do fim da escala 6×1 da jornada DE trabalho. O partido tem setores contra a proposta, mas, incialmente, não quer tratar da derrubada pura e simples porque considera que há um grande contingente de trabalhadores a favor. Portanto, será preciso esperar o projeto de cantar para, mais à frente, definir uma posição com base no texto que chegar ao plenário.

Nem tanto/ O partido de Jair e Flávio Bolsonaro, porém, se ficar sozinho nessa empreitada, não terá força para rejeitar a proposta. É que o presidente da Câmara, Hugo Motta, espera levar o tema a plenário ainda em maio. E ele tem a prerrogativa de, se a Comissão Especial demorar muito, avocar o texto para o plenário.

Põe lenha, Janja!

A ala do PT que deseja ver o presidente Lula no ataque contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, espera contar com a primeira-dama Janja Lula da Silva no sentido de colocar lenha nessa fogueira. Afinal, ao ajudar na derrocada de Jorge Messias, Alcolumbre impôs ao presidente uma derrota histórica, que ainda não foi digerida. As apostas são as de que vem troco, mas não em praça pública.

Calma aí

Se for muito a fundo nessa guerra, o presidente precisará se preparar para perder as esperanças de aprovar as propostas de interesse do governo antes das eleições. Ou conserta a relação com o Senado, ou novas derrotas virão. É ali que estão, hoje, os problemas do governo no Poder Legislativo.

O que interessa

Um dos principais planos de Lula, hoje, além da escala 6X1, é o Desenrola, lançado ontem. Se Alcolumbre barrar esses textos, muita gente acredita que brigará com a população, e não propriamente com Lula.

Cedo demais

O fato de o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes ter rejeitado o pedido de redução da pena da “Débora do batom”— como é conhecida a cabelereira que escreveu “Perdeu, mané” na estátua da Justiça em frente ao STF — foi considerado um mau presságio aos defensores da proposta da dosimetria. Porém, é preciso aguardar. Afinal, ainda não foi publicada a proposta com os vetos derrubados. Só depois disso é que a Suprema Corte poderá deliberar.

Difícil evitar

Quem conhece o modus operandi considera que ainda haverá muita discussão no STF aesse respeito. Ou seja, dificilmente a proposta escapará da chamada judicialização.

CURTIDAS

Crédito: Mariana Lins

E as terras raras, hein?/ O setor privado passou a noite estudando o texto apresentado pelo deputado Arnaldo Jardim (foto), do Cidadania-SP, sobre minerais críticos. O fato de não ter uma nova estatal para tratar desse tema foi muito bem recebido. Se depender do relator, do autor da proposta — deputado Zé Silva (MG) — e do presidente da Câmara, Hugo Motta, vota nesta semana.

Enquanto isso, em Minas Gerais…/ O presidente do PSDB, Aécio Neves, coloca no ar as inserções partidárias em seu estado, em que diz, textualmente, que a voz de Minas deixa de ser ouvida e, “quem paga são os mineiros”. Ao citar o que considera os principais avanços do estado no tempo em que era governador, Aécio convida os telespectadores a colocar “Minas de volta ao futuro”, com a filiação ao PSDB. Muitos consideram a atual gestão de Aécio no PSDB o último esforço para reerguer o partido que já ocupou o Planalto e fez o Plano Real.

Participação da juventude/ Durante a celebração dos 30 anos da criação da urna eletrônica, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, ressaltou aos jovens presentes que o Brasil ainda não tem igualdade no número de candidatos e candidatas. “Queremos que vocês, jovens, se coloquem (como candidatos) para que tenha paridade (de mulheres e homens nas eleições futuras)”, disse a ministra.

Batismo/ Inclusive, durante o ato, a urna recebeu um nome: Pilili, uma onomatopeia referente ao som eletrônico que avisa ao eleitor que o voto foi depositado na urna. Os convidados ganharam, ainda, uma “lembrancinha” do batizado, uma ecobag e álbum de figurinhas.

Derrota cheia de recados a Lula e ao STF

Publicado em 6x1, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Economia, GOVERNO LULA, MDB, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 30 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

 

A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal, é um sinal claro de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reposiciona ao lado daqueles que o elegeram para comandar a Casa pela primeira vez, em fevereiro de 2019. Ele, inclusive, ligou para muitos senadores e, minutos antes de anunciar o resultado, disse aos líderes do governo que eles sofreriam uma derrota. O aviso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva está dado: longe do presidente do Senado, a maioria governista esfarela.

Se não fizerem, nós faremos/ Aos ministros do Supremo Tribunal Federal, a mensagem é clara: se agora, com senadores mais ao centro, chegou-se a 42 votos contra Messias (com dois do PL sem votar), em um Senado mais à direita, em 2027, estará aberto o espaço para colocar um impeachment de ministro do STF em curso. A avaliação de muitos é de que a Suprema Corte precisará definir suas mudanças ainda este ano, de forma a ter uma resposta à sociedade quando os novos senadores tomarem posse, no ano que vem. Na oposição, o que se diz é: “O primeiro rejeitado, então pode ter o primeiro ‘impichado’” — como afirmou à coluna a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

Alcolumbre joga à direita…

A votação do veto da dosimetria das penas para os condenados do 8 de Janeiro, hoje, na sessão do Congresso, será para coroar o reposicionamento de Alcolumbre. Ao se realinhar à direita, ele procura mostrar àqueles que fizeram dele presidente da Casa pela primeira vez que eles não vão se arrepender se apostarem na reeleição dele para comandar o Senado, no ano que vem.

… e à esquerda

Se as atitudes de Alcolumbre não convencerem a direita a apoiá-lo em 2027, ele sempre poderá chamar a turma de Lula e dizer que é melhor ter um Alcolumbre ao centro do que alguém mais radical, seja Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS), adversários ferrenhos do PT.

Nada pessoal

Opositores de Lula elogiaram Messias, classificando-o como um “excelente nome, vítima das circunstâncias” . O cenário político eleitoral inflamado, a relação desgastada com o STF e o “nós contra eles” do governo cristalizaram uma rejeição que não ocorria há 132 anos. O “ponto de virada” para o amplo placar contra o AGU teria sido o ataque ao senador Alessandro Vieira (MDB-SE), após o pedido de indiciamento dos ministros do Supremo em seu relatório na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Muitos senadores não concordaram com o voto de Vieira, mas acharam um absurdo a ameaça do ministro Gilmar Mendes a ele.

Enquanto isso, na Câmara…

O líder do governo na Casa, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), disse em almoço na Casa Parlamento, do think tank Esfera, que é um bom momento para votar o fim da escala 6 x 1. E afirmou ser possível discutir a desoneração da folha setor a setor.

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Errou feio/ Antes da abertura do resultado, um funcionário do governo, com uma planilha em mãos, dizia que Messias teria 43 votos favoráveis à indicação, “já descontadas as traições” .

Por falar em planilha…/ A oposição montou uma lista com os votos para derrubar o veto da dosimetria hoje. Na Câmara, calculam 300 votos. No Senado, esperam ter em torno de 50 — talvez um pouco menos, porque sempre tem os que mudam de ideia.

Telefones nervosos/ O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM, foto), garantiu que a bancada inteira votaria em Messias, mas aliados do advogado-geral da União acreditam que houve traição no partido, o que contribuiu para o número baixo. O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), contava com exatos 41 votos, mas o PSD se dividiu e o MDB, aparentemente, não deu todos os votos que prometeu. Os telefones, logo depois da votação, não pararam.

Levanta, sacode a poeira…/… e espera. Aliados de Lula defendem que o governo deixe uma nova indicação para depois das eleições. As crises se acumulam, as insatisfações idem e é preciso identificar todos os focos antes de qualquer movimento mais ousado. É nessa toada de dificuldades mil que o presidente chega a cinco meses da eleição, sem tempo para resolver muita coisa.