Categoria: Crise entre os Poderes
Coluna Brasília-DF publicado na sexta-feira, 18 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Pedidos de vistas e adiamentos da análise das mazelas que envolvem os ministros do Supremo Tribunal Federal farão com que o eleitor vá votar sem saber ao certo o que aconteceu e quem tem razão diante de tudo o que já foi exposto sobre a crise da Corte. E mais: às vésperas da eleição, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro prestará novo depoimento à Polícia Federal. A depender doque disser, avaliam integrantes dos partidos “polarizados” nesta eleição, PL e PT, as campanhas serão afetadas, especialmente no Distrito Federal, onde o ex-banqueiro montou uma estrutura a fim de fundir seu Banco Master ao BRB. A tensão só tende aumentar nesta que já foi batizada de a eleição mais imprevisível da história recente do DF e do país.
Erosão reputacional/ Cientistas políticos observam com apreensão a crise instalada no STF. A avaliação é de que adiar o fim da guerra na Suprema Corte para depois das eleições é transferir a responsabilidade para os eleitores. “Enquanto sangra em praça pública, o Supremo é arrastado para o centro da eleição. Ao adiar sua própria autocorreção, transfere para as urnas uma resposta que deveria ter começado dentro do próprio tribunal”, afirma o especialista Murilo Medeiros. Para completar, ele avalia que existe ainda um grande risco de haver mais ministros sob questionamento do que ministros em condições de conduzir apurações no STF. Esse fato, como adverte, projeta “uma imagem devastadora para a autoridade institucional da Corte”.
Lula e o Bolsa Família
As explicações do governo de que há espaço fiscal para pagamento do reajuste do Bolsa Família ajudaram na recuperação da Bolsa de Valores no fim do dia. Porém, o mercado financeiro, que não gostou da medida e avalia que poderia comprometer ainda mais as contas públicas, se afastará ainda mais do petista.
O que muitos candidatos temem
O crescimento do presidenciável do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, nas pesquisas, leva políticos dos mais variados partidos a apostarem que, seja em favor de Lula ou do filho 01, a eleição pode terminar no primeiro turno. É que os candidatos avaliam que há uma apatia do eleitorado, com as acusações trocadas entre um lado e outro da polarização. Se, nesses16 dias restantes, os demais candidatos não demonstrarem um fôlego maior, a tendência do eleitorado será tentar resolvera parada logo em 4 de outubro.
Os planos do Zero Um
Com a campanha de Lula à reeleição voltada aos mais pobres, inclusive com aumento do Bolsa Família, o candidato do PL vai focar na Região Sudeste — São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais — nesses 16 dias até a eleição. Seus estrategistas acreditam que, assim, ele conseguirá abrir uma diferença capaz de assegurar a vitória.
Enquanto isso…
Daniella Marques, a coordenadora da equipe econômica, e o vice na chapa de Flávio, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), farão campanha de outras formas. Ele continuará a rodar no Nordeste. Ela marcará presença em eventos para falar do plano econômico do filho 01 para empresários e para o mercado financeiro.
CURTIDAS
Paralisia/ O tiroteio de notas e despachos entre os ministros levou o presidente do STF, Edson Fachin (foto), a cancelara sessão de ontem, o que dará mais combustível à campanha contra a Corte. A avaliação dos políticos é a de que, senão houver um diálogo entre os grupos do Supremo, a tal “colegialidade” acabou.
Tem para todos/ Após a direita adotar o bordão “Moraes é Lula e Lula é Moraes”, petistas criaram uma para Flávio Bolsonaro em resposta. Uma imagem com as metades dos rostos do filho 01 e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro coladas circula pelas redes com a seguinte legenda: “Flávio é Vorcaro, Vorcaro é Flávio”.
Clima na pauta/ Na véspera da aberturada Assembleia-Geral da ONU, o Lide Climate Conference, em Nova York, debaterá políticas de mobilização de capital e financiamento da transição verde. O encontro reunirá dois grupos, um focado na negociação financeira e outro para discutir o mapeamento do cenário global, transformação energética e impactos da inteligência artificial. Estarão no debate o cientista político Chris Garman (Eurasia Group), Mário Gouvêa (Tesouro Nacional) e Paulo Correa (Banco Interamericano de Desenvolvimento — BID).
STF quebrado, sem pacificação, reforça pressão por impeachment
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 16 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A fratura do Supremo Tribunal Federal não tem remédio e nem prazo para acabar. Ninguém tem mais dúvidas de que a crise se arrastará para além do período eleitoral, a contar pelo andar da carruagem no primeiro dia de julgamento. Os ministros não conseguiram sair das preliminares nem sequer definir procedimentos e ritos. O presidente Edson Fachin não teve força para fazer valer a sua vontade de ver um desfecho esta semana, ainda que tenha evitado decisões monocráticas e tomado todo o cuidado para não melindrar mais os colegas.
Por falar em Fachin…/ O presidente do STF não mudará seu estilo conciliador. A avaliação é de que se ele for mais duro para uma ou outra ala do STF, não conseguirá reaglutinar o plenário nem pacificar a Corte. Até aqui, o estilo Fachin não obteve um resultado claro — apenas adiou tudo. Se até o fim do ano não houver uma resposta, restará aos ministros do STF o pior dos mundos: ver as dificuldades do Supremo em resolver internamente suas crises servir de combustível para a análise de pedidos de impeachment dos ministros no Senado.
O sobrevivente
Ao sair de fininho da sessão do STF depois de se declarar impedido, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral(TSE), Kassio Nunes Marques, busca se preservar de desgastes. Fará o mesmo quando do julgamento do caso do ministro André Mendonça. Impedido e fora da sessão, evitou que fosse confrontado com os supostos pagamentos ao seu filho pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro — pagamentos esses que o escritório do filho de Nunes Marques negou. Agora, Kassio espera ficar longe da crise para ultrapassar o período eleitoral.
Mendonça interpelado
Líderes evangélicos apresentaram um manifesto interpelando o ministro André Mendonça, que também é pastor. A carta termina assim: “As mãos que se erguem para abençoar o povo de Deus ao final do culto, as mãos que acalentam as vidas feridas e os sofrimentos dos fiéis, as mãos que abençoam as alianças do matrimônio, as mãos que consagram os elementos da Santa Ceia, as mãos que são impostas sobre cabeça de um novo pastor, em sua ordenação, e que invocam sobre ele o Espírito Santo de Deus não podem ser as mesmas mãos que empunham a espada, símbolo do poder do Estado. Parece-nos ser esta a razão da norma confessional inscrita na Confissão de Fé adotada pela Igreja Presbiteriana do Brasil”. O grupo aguarda uma resposta de Mendonça.
Imagem deteriorada
Os brasileiros confiam mais no trabalho da Polícia Federal do que no STF. A pesquisa Indexa Broadcast mostrou que a confiança na PF é de 70% contra 42% na Corte. O percentual de quem não confia no Supremo é ainda maior, 45%. De acordo com o CEO do instituto, Arilton Freres, o resultado mostra como a polarização política tem impactado a percepção do eleitor com as instituições.
CURTIDAS
Quem sabe um ministério?/ Aliados do candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) afirmam que, a depender de quem vencer o pleito, ele pode aceitar virar ministro por ter uma certa independência na tomada de decisão. O que ele jamais tentará é uma vaga no Legislativo. Seus fiéis escudeiros dizem que o ex-governador de Minas Gerais não quer saber do Parlamento porque “odeia” não poder tomar decisões de forma mais direta.
O “bonde” do Renan/ O candidato do Missão, Renan Santos, passará essas três semanas até o dia da eleição dentro de um ônibus. A ideia é percorrer sete estados: São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. A ideia é fazer, pelo menos, cinco cidades por dia.
Olho no olho/ São dois ônibus, um grande e outro menor, bem no estilo anos 1970. Em cada cidade, Renan fará panfletagem acompanhada de uma coletiva na praça, num contato direto com a população local. A primeira parada é Vinhedo (SP), onde mora a mãe do candidato.
“Quem teve a coragem de abrir o Senado para permitir que, minimamente, o Parlamento acompanhasse os fatos foi uma mulher, vossa excelência (senadora Damares Alves— Republicanos-DF). E só a ministra Cármen, outra mulher, teve a decência de pedir desculpas ao povo brasileiro” Do senador Alessandro Vieira (MDB-SE, foto), após a sessão no STF sobre as mulheres em cargos públicos.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A contar pelas manifestações da sociedade, o Poder Judiciário — em especial, o Supremo Tribunal Federal — não vai escapar de passar por uma reforma profunda diante da crise. Em reunião esta semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) engrossou esse coro, ao conclamar “os Poderes da República, suas autoridades e toda a sociedade” a esclarecemos fatos e a rejeitar tanto o silêncio diante de possíveis irregularidades quanto qualquer tentativa de enfraquecer as instituições. “O Brasil necessita de verdade sem manipulação, de justiça sem privilégios, de instituições que sirvam ao bem comum, de lucidez e paz”, diz o texto assinado pelo presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, e a cúpula da Conferência.
Ética/ A CNBB defende, ainda, que os ministros revejam seu comportamento, ao dizer que considera “oportuno que o Código de Ética em elaboração pelo Supremo Tribunal Federal receba o devido encaminhamento institucional, oferecendo parâmetros claros de conduta e contribuindo para a proteção da autoridade da Suprema Corte”. E deixa claro que os ministros devem ser investigados, ao dizer que “ninguém deve estar acima da lei, assim como ninguém deve ser previamente condenado”, e cobrar transparência: “Importante que questões de tamanha relevância institucional sejam examinadas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, de maneira colegiada, pública e transparente, permitindo à sociedade acompanhar os procedimentos e conhecer os fundamentos das decisões. Espera, igualmente, que as instituições responsáveis pela investigação possam exercer suas atribuições com independência, segurança e respeito às competências constitucionais”. Em suma, nada de jogar as denúncias para debaixo do tapete.
Te vira, Mário
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado a largar a mão do deputado Mário Frias (PL-SP), alvo da operação que apura suspeitas de desvio de dinheiro de emendas parlamentares que também mirou a produtora do filme Dark Horse, Karina Gama. Embora o próprio Frias tenha enviado recursos para a produção, uma ala dos bolsonaristas diz que quem tem que se explicar é ele. O máximo que Flávio fará é dizer que a operação pedida pela Polícia Federal, e autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, teve conotação política.
Incomodou
As inserções do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, nos supermercados deixaram o PT para lá de irritado e vai provocar mudanças na campanha do presidente Lula à reeleição.
Hora de relembrar
A ideia do partido é que as inserções comparem como foi o governo de Jair Bolsonaro com o terceiro mandato de Lula. Entre algumas lembranças que podem ser usadas, estão: a fila de ossos nos mercados, o preço da picanha e a atuação do ex-presidente na pandemia da covid-19.
Precisa mudar
O PT também pretende ser mais enfático sobre a proposta de reforma no Poder Judiciário, pauta defendida há anos pelo partido e reafirmada no 8º Congresso Nacional do PT, realizado em abril deste ano. A legenda defende a ideia de definir mandatos para tribunais a partir da segunda instância e mais cadeiras da sociedade no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
CURTIDAS
Reforma no Judiciário/ Não vai ser por falta de proposta de emenda à Constituição(PEC) que o Judiciário deixará de ser reformado. Esta semana, surgiu mais uma. O deputado Danilo Forte (PP-CE, foto) sugere um Código de Conduta, Ética e Moral dos Magistrados. O texto também altera a indicação de ministros: modelo rotativo pelo Executivo, Legislativo e Judiciário; idade mínima de 65 anos e máxima de 75; e mandato de oito anos sem recondução. A aprovação, porém, tem de ser por maioria absoluta em sessão conjunta do Congresso.
Correção na nomeação/ “O sistema de indicação exclusiva pelo presidente da República concentra a formação da Suprema Corte em um único Poder, o que pode gerar distorções na composição do tribunal”, argumenta Forte sobre a mudança nos termos de indicação ao STF.
Meio-termo/ A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, não acatou na totalidade o pedido da candidata ao Senado e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), pois ele permitiu que parentes possam ficar com o ex-presidente por um período de somente duas horas. O pedido original visava dar mais tempo para que ela pudesse participar de eventos de campanha. Solicitava que outras pessoas pudessem ficar com Bolsonaro e auxiliá-la nos cuidados do ex-presidente. Foi negado.
Vapt-vupt/ A decisão de Moraes impede que Michelle possa comparecer aos eventos nacionais de Flávio Bolsonaro fora de Brasília. Mesmo as aparições em agendas no Distrito Federal precisarão ser bem planejadas para aproveitarem a janela de duas horas concedida pelo ministro. Os advogados da ex-primeira-dama ainda não decidiram se vão recorrer.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Na maioria das conversas dos políticos cresce a sensação de que o presidente Lula entrou em rota descendente diante da guerra dentro do Supremo Tribunal Federal, especialmente esta semana, com o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Por mais que Lula não tenha indicado os ministros “gladiadores” — Alexandre de Moraes foi indicado por Michel Temer e André Mendonça por Jair Bolsonaro —, quem é governo leva os maiores respingos da crise. Lula, por sua vez, tentará fazer desse limão uma limonada, com o discurso de que o afastamento de Andrei está diretamente relacionado ao fato de a PF ter, por meio da Operação Carbono Oculto, emparedado barões do mercado financeiro que auxiliavam a lavagem de dinheiro do crime organizado. É por aí que muitos acreditam ser possível tentar trazer de volta os eleitores que começam a se afastar do governo. Pelo menos é o que resta.
Enquanto isso, na campanha de Flávio…/ O clima é de euforia. A avaliação é de que o senador acertou o tom no horário eleitoral de rádio e tevê ao tratar dos preços nos supermercados. E está com tudo encaixado. Agora, dizem os aliados de Flávio, é torcer para que o Dark Horse não vire uma página de terror atropelando uma campanha que segue no trilho, ajustada e afinada.
Fique frio
Lula foi aconselhado a agir de forma institucional e defender que há isenção da Polícia Federal nas investigações, se for o caso, citando, inclusive, a apuração que envolve seu próprio filho.
Duas medidas
Ao afastar Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal, o ministro André Mendonça abriu a porteira para que Edson Fachin termine trocando o relator do caso Master no STF. É que, se Mendonça já havia pedido que o plenário do Supremo avaliasse partes do caso, deveria ter feito o mesmo em relação ao diretor da PF.
Ação e reação
O afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, por decisão monocrática conseguiu unir algumas alas da Polícia Federal. Agora, virou questão de honra para a corporação concluir as investigações em curso, doa a quem doer, seja aliado, seja opositor ao governo de plantão.
Se demorar…
A contar pela crise que se abate sobre o STF, com um tiroteio para todos os lados entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, com balas atingindo até a Polícia Federal, há quem tenha feito o seguinte alerta: ou o presidente Edson Fachin age rápido ou não sobrará um STF para salvar.
CURTIDAS
Há precedente…/ A Fatto Inteligência Política lembra que não é a primeira vez que a Polícia Federal se torna uma variável importante de um período eleitoral. Em 2002, o caso Lunus tirou Roseana Sarney do páreo eleitoral quando ela liderava as pesquisas. E Roseana não estava sob investigação.
… e muitas histórias/ A Fatto elenca ainda os casos de 2006, quando a PF agiu contra os chamados “aloprados” , em meio às denúncias do Mensalão. Em 2014 e 2018, as ações da PF na Lava-Jato tiveram claro impacto nas eleições.
E teve mais/ O atual senador Sergio Moro (foto, PL-PR), enquanto ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, em 2020, pediu exoneração do cargo acusando o então presidente da República de tentar influir na direção-geral da PF. Hoje, concorre ao governo do Paraná pelo partido de Bolsonaro.
Montanha-russa/ Até a eleição, continuará o sobe e desce dos dois candidatos que lideram a corrida eleitoral para a Presidência da República. Ninguém terá um momento de refresco.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 4 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não decidir o que fará diante da crise aberta com as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro, qualquer perspectiva de delação premiada do ex-banqueiro ficará congelada. Entre subprocuradores, há quem considere que se Vorcaro, o empresário, quiser fazer uma delação premiada, não poderá proteger ninguém nem mirar num único alvo. Não dá para ele escolher quem será exposto e quem ficará à sombra. E nem dizer que não fez nada de errado no caso do BRB, conforme vem insistindo.
Por falar em Vorcaro…/ Muitos procuradores classificaram o último depoimento de Vorcaro à equipe do ministro André Mendonça, do STF, como uma tentativa de tirar da frente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Porém, o ex-banqueiro do Master não apresentou qualquer prova concreta contra o policial — apenas o fato de estarem em eventos. Vale lembrar que, nos idos de 2023 e 2024, o Master patrocinava seminários internacionais de think-tanks brasileiros, nos quais Andrei esteve entre os palestrantes. Daí a dizer que são “amigos ou próximos”, a distância é grande. Por essas e outras, a ideia é ir com muita calma. Vorcaro ainda é considerado um personagem perigoso, que tenta manipular a situação a seu favor. Até aqui, deu errado.
Moraes joga gasolina na crise
A decisão de Moraes contra Mendonça, acusando o ministro relator do caso Master de ilegalidades em operações — como a Compliance Zero —, aumenta a pressão sobre o presidente do STF, Edson Fachin. É ele quem deverá assumir o inquérito do banco de Vorcaro ou designar um ministro para fazê-lo. O gesto de Moraes é prova deque a guerra está longe do fim.
Os intranquilos
O STF reforçou a segurança da Corte desde o início da crise entre Moraes e Mendonça. Mais seguranças foram alocados no prédio principal, especialmente nas saídas e entradas da Corte. Moraes também reforçou a segurança pessoal. Fontes consultadas pela coluna disseram que o temor é de eventuais atos hostis mirando o Supremo em razão da repercussão do caso.
A Igreja se posiciona
Durante duas horas, os oito cardeais expuseram suas preocupações e opiniões sobre as eleições, no evento “Igreja e Política — Diálogo dos Cardeais do Brasil”, transmitido pela Rede Vida de Televisão. Com todo cuidado, todos deixaram claro que a Igreja não tem candidato, mas, sim, valores. E que é preciso respeito e propostas por parte daqueles que desejam governar o Brasil. Todos estão muito apreensivos com a agressividade e divisão do país neste pleito.
E a CMO, hein?
A Comissão Mista de Orçamento (CMO) está parada desde antes do recesso parlamentar, em julho. Foi instalada apenas com o presidente, deputado Domingos Neto (PSDCE), e aguarda a indicação para os relatores da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA). O que se diz entre técnicos da CMO é que o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), ficará com a relatoria do Orçamento este ano.
CURTIDAS
O recado de Alcolumbre/ Tem nome e endereço o desabafo que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez no plenário esta semana. O primeiro foi para Carlos Viana (PSD-MG) que, enquanto era filmado por um integrante de sua equipe, cobrou “coragem” de Alcolumbre para pautar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. “Se eu fosse só mais um senador, ia falar muita coisa naquele microfone ali, inclusive para colegas nossos que se acham no direito de fazer um vídeo agredindo as pessoas para o assessor, ao lado, estar filmando para ganhar curtida na rede social e, talvez, para querer ganhar a eleição dia 4 de outubro”.
6 x 1 e os cálculos/ A base governista pretende votar o fim da escala 6 x 1em uma provável semana de esforço concentrado, entre o primeiro e o segundo turno. Na hipótese de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, será mais uma tentativa de levar a oposição ao desgaste de apostar contra uma medida que tem a chancela da maioria dos trabalhadores.
Onda Cury chega ao DF/ Os dois dígitos que Ronaldo Caiado (PSD) apresentava na pesquisa Correio/Opinião, no mês passado, aparecem agora redistribuídos entre ele e o candidato do Avante, Augusto Cury (foto) — que aparecena frente de Caiado. Os números do levantamento estão no site e impresso do Correio Braziliense.
Até aqui…/ Esta primeira semana de campanha eleitoral de rádio e tevê colocou Cury na terceira posição, mas não ao ponto de mexer totalmente no cenário onde predominam Lula e Flávio.
Colaborou: Renato Souza
Rodrigo Pacheco critica a falta de diálogo entre os chefes dos Poderes
Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — O senador e ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) criticou a falta de diálogo entre os chefes dos três Poderes durante sua fala no 25º Fórum Empresarial LIDE, no Rio de Janeiro. Pacheco discursou sobre os desafios para o Brasil de amanhã e destacou a importância do diálogo.
“Se antevê uma necessidade, em razão do ambiente muito polarizado e dividido, e, a depender da conformação do Congresso Nacional, de uma capacidade do governante de diálogo, de estrutura, de debate e de aceitação de divergências. […] É muito ruim quando um presidente da República, um presidente do Senado, um presidente da Câmara, um presidente do Supremo Tribunal Federal não dialogam. Então esse é um grande desafio”, argumentou.
Para o senador, a polarização e a próxima formação do Congresso Nacional exigirão menos intransigência dos presidentes das Casas Legislativas. “A intransigência e a imposição de vontades num Brasil dividido e com uma conformação no Congresso Nacional que não seja necessariamente alinhada ao poder executivo podem colapsar algo que é absolutamente essencial para o desenvolvimento do país, que é o diálogo institucional. Então, esse é o primeiro desafio que nós teremos, de muita sabedoria daqueles que ocuparem essas esferas de Poder de não interromper o diálogo”, afirmou.
*A jornalista viajou a convite do LIDE
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 7 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Os dois dígitos que o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, apresentou na pesquisa Correio/Opinião sobe intenção de votos no Distrito Federal, foram vistos nos partidos e centro — e até por integrantes do PL — como um sinal de que a candidatura do ex-governador de Goiás não pode ser desprezada. No DF, um dos menores colégios eleitorais do país, a pesquisa estimulada tem Flávio Bolsonaro (PL) com 33,5% na liderança; Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segundo, com 32%; Caiado em terceiro, com 11,5%; e Renan Santos (Missão), com 4,6%. Já tem gente apostando que Flávio, com uma rejeição alta, tem o recall de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Caiado, ao contrário, tem baixa rejeição e se conseguir se tornar conhecido, vai dar trabalho ao senador do Rio de Janeiro.
Termômetro/ Os bolsonaristas não escondem o incômodo com os candidatos conservadores que concorrem em raias separadas do bolsonarismo-raiz. Um dos pontos que chamou a atenção até mesmo de integrantes do PL foi um post nas redes sociais do ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, candidato ao Senado em Santa Catarina. Diz o filho 02 de Jair Bolsonaro: “Os únicos três objetivos da chamada ‘terceira via’, hoje camuflada como a chamada ‘direita permitida’, são eleger Lula, enterrar politicamente Jair Bolsonaro e os presos do 8 de Janeiro (…)”. Termina dizendo que “esse grupo é ainda mais prejudicial ao país do que o próprio PT”. No DF, o raciocínio do ex-vereador carioca sobre eleger Lula não se sustenta, uma vez que, a preços de hoje, num segundo turno, Caiado teria 50% dos votos contra Lula e Flávio, 46%. Ambos derrotariam Lula, mas Caiado teria mais votos.
Um discurso para Lula
O pedido de conversa do presidente Lula com o dos Estados Unidos, Donald Trump, deixa o norte-americano na seguinte situação: se recusar, soará como alguém que não pretende dialogar com o Brasil, reforçando a narrativa de interferência no processo eleitoral; se Trump aceitar a conversa, quem não vai gostar é Flávio Bolsonaro.
Um teste para Messias
Após a nota dos 27 superintendentes regionais da Polícia Federal em defesa da direção e da independência da corporação, coube ao advogado-geral da União, Jorge Messias, intermediar uma reunião entre os ministro da Justiça, Wellington Silva, e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para tentar acertar os ponteiros em relação ao trabalho da PF e do STF nos casos envolvendo o INSS e o Banco Master. Se as conversas avançarem a bom termo, Messias, que foi apoiado por Mendonça quando da indicação para o Supremo, vira um potencial nome para a Justiça na hipótese de reeleição de Lula.
Veja bem
Lula não desistiu de indicar Messias ao STF, mas não pretende dar murro em ponta de faca. E se ficar praticamente impossível garantir os votos pró-Messias no Senado, o Ministério da Justiça é o caminho mais viável.
Aos números
Numa entrevista com Flávio Bolsonaro, a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, atacou o trabalho na área feito pelo governo Lula com dados da pandemia. “Se você pegar o primeiro semestre deste ano, são mais de seis mil empresas quebradas, sendo que na pandemia não foram duas mil quando ficou tudo fechado”, disse. Contudo, estudo divulgado em 16 de julho de 2020 pelo IBGE, intitulado “Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas”, apontou que mais de 716 mil empresas fecharam, sendo quatro em cada 10 devido à pandemia (522 mil).
CURTIDAS

Revisa aí/ A defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres pediu ao STF a revisão criminal da condenação dos 24 anos de prisão pela trama golpista. Os advogados declaram falta de provas e pedem a soltura imediata de Torres. Caso a absolvição seja negada, a defesa insistirá na redução da pena, sob a alegação de que não houve “fundamentação individualizada” no julgamento. O ex-ministro está preso na Papudinha desde novembro de 2025.
Corrige aí/ Até agora, pelo menos dois candidatos vieram a público explicar que houve erros em suas autodeclarações de raça ao Tribunal Superior Eleitoral. Candidata a vice-governadora do Rio Grande do Norte, Larissa Rosado (PSB) constava como parda e afirmou que vai pedir a correção. O segundo vice-presidente da Câmara, deputado Elmar Nascimento (União-BA, foto), candidato à reeleição, consta como negro. Vai solicitar a alteração.
Dégradé/ Em 2018, Elmar se declarou branco; em 2022, pardo; e em 2026, negro. E frisou que demais candidatos têm passado o mesmo. Em nota, afirmou que houve um erro: “Situações dessa natureza têm sido verificadas por outros candidatos durante o processo de registro de candidaturas para as eleições deste ano, evidenciando tratar-se de uma inconsistência pontual de natureza administrativa, passível de correção pelos meios legalmente previstos”, disse.
Hora da união/ O STF e o TSE deverão evitar alfinetadas públicas, na avaliação de fontes próximas aos magistrados. O Poder Judiciário passa pela sua pior crise de imagem, de acordo com interlocutores ouvidos pela coluna, e nesse momento, para amenizar a crise institucional, os ministros devem adotara unidade em vez da individualidade, como forma de protegerem a instituição.
Colaborou Renato Souza
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 30 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal, é um sinal claro de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reposiciona ao lado daqueles que o elegeram para comandar a Casa pela primeira vez, em fevereiro de 2019. Ele, inclusive, ligou para muitos senadores e, minutos antes de anunciar o resultado, disse aos líderes do governo que eles sofreriam uma derrota. O aviso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva está dado: longe do presidente do Senado, a maioria governista esfarela.
Se não fizerem, nós faremos/ Aos ministros do Supremo Tribunal Federal, a mensagem é clara: se agora, com senadores mais ao centro, chegou-se a 42 votos contra Messias (com dois do PL sem votar), em um Senado mais à direita, em 2027, estará aberto o espaço para colocar um impeachment de ministro do STF em curso. A avaliação de muitos é de que a Suprema Corte precisará definir suas mudanças ainda este ano, de forma a ter uma resposta à sociedade quando os novos senadores tomarem posse, no ano que vem. Na oposição, o que se diz é: “O primeiro rejeitado, então pode ter o primeiro ‘impichado’” — como afirmou à coluna a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Alcolumbre joga à direita…
A votação do veto da dosimetria das penas para os condenados do 8 de Janeiro, hoje, na sessão do Congresso, será para coroar o reposicionamento de Alcolumbre. Ao se realinhar à direita, ele procura mostrar àqueles que fizeram dele presidente da Casa pela primeira vez que eles não vão se arrepender se apostarem na reeleição dele para comandar o Senado, no ano que vem.
… e à esquerda
Se as atitudes de Alcolumbre não convencerem a direita a apoiá-lo em 2027, ele sempre poderá chamar a turma de Lula e dizer que é melhor ter um Alcolumbre ao centro do que alguém mais radical, seja Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS), adversários ferrenhos do PT.
Nada pessoal
Opositores de Lula elogiaram Messias, classificando-o como um “excelente nome, vítima das circunstâncias” . O cenário político eleitoral inflamado, a relação desgastada com o STF e o “nós contra eles” do governo cristalizaram uma rejeição que não ocorria há 132 anos. O “ponto de virada” para o amplo placar contra o AGU teria sido o ataque ao senador Alessandro Vieira (MDB-SE), após o pedido de indiciamento dos ministros do Supremo em seu relatório na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Muitos senadores não concordaram com o voto de Vieira, mas acharam um absurdo a ameaça do ministro Gilmar Mendes a ele.
Enquanto isso, na Câmara…
O líder do governo na Casa, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), disse em almoço na Casa Parlamento, do think tank Esfera, que é um bom momento para votar o fim da escala 6 x 1. E afirmou ser possível discutir a desoneração da folha setor a setor.
CURTIDAS

Errou feio/ Antes da abertura do resultado, um funcionário do governo, com uma planilha em mãos, dizia que Messias teria 43 votos favoráveis à indicação, “já descontadas as traições” .
Por falar em planilha…/ A oposição montou uma lista com os votos para derrubar o veto da dosimetria hoje. Na Câmara, calculam 300 votos. No Senado, esperam ter em torno de 50 — talvez um pouco menos, porque sempre tem os que mudam de ideia.
Telefones nervosos/ O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM, foto), garantiu que a bancada inteira votaria em Messias, mas aliados do advogado-geral da União acreditam que houve traição no partido, o que contribuiu para o número baixo. O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), contava com exatos 41 votos, mas o PSD se dividiu e o MDB, aparentemente, não deu todos os votos que prometeu. Os telefones, logo depois da votação, não pararam.
Levanta, sacode a poeira…/… e espera. Aliados de Lula defendem que o governo deixe uma nova indicação para depois das eleições. As crises se acumulam, as insatisfações idem e é preciso identificar todos os focos antes de qualquer movimento mais ousado. É nessa toada de dificuldades mil que o presidente chega a cinco meses da eleição, sem tempo para resolver muita coisa.
Idade mínima no Supremo? Congresso articula novas regras para ministros
Coluna Brasília-DF, publicada em 19 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Começa a surgir no Congresso um certo consenso sobre a necessidade de dar uma resposta em relação ao desgaste que recai sobre o Supremo Tribunal Federal. Já que o Poder Judiciário tem evitado o que se convencionou chamar de “autocontenção”, a ideia é estabelecer idade mínima para os novos ministros do STF, na casa dos 60 ou 65 anos. É que, nessa altura da vida, um jurista já teria sido testado e teria uma carreira mais sólida. O deputado Danilo Forte (PP-CE) e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) estão convencidos de que o Supremo, sozinho, não criará um código de conduta, e querem uma atuação mais enfática no Congresso.
Assunto não falta/ A ideia é caminhar no sentido de uma regulamentação mais rígida, sob vários aspectos. Damares já tem uma PEC que elenca vários fatores. Danilo tem projetos, assim como outros parlamentares também. A ideia de alguns é juntar tudo e ver o que pode ser feito ainda este ano em vários aspectos. A idade mínima para ingressar na Suprema Corte é vista como a saída mais viável no curto prazo, assim como revisar e apertar uma legislação sobre o exercício da advocacia na Suprema Corte por filhos e esposas de ministros do STF.
Paulo Henrique e Daniel Vorcaro
Com o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa preso e tendendo a fazer uma delação, os investigadores terão condições de comparar tudo o que ele propuser com as informações que o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro apresentará para se livrar da prisão. Se alguém mentir, a PF saberá.
Quitado, mas…
O empréstimo de R$ 3,1 milhões a juros amigos que o senador Flávio Bolsonaro conseguiu no BRB para comprar uma mansão em Brasília volta à baila com a prisão de Paulo Henrique Costa, presidente à época em que o negócio foi fechado. O valor total foi quitado por Flávio em três anos, 27 anos antes do prazo. Mas as dúvidas sobre a concessão dos juros camaradas persistem. Vem mais discussão por aí.
Em apuração
Aliados do ex-deputado Alexandre Ramagem criaram uma espécie de frente parlamentar para descobrir qual grupo da Polícia Federal estava trabalhando com o ICE para que Ramagem fosse preso.
Convergência
O governo desistiu de criar uma estatal para cuidar de terras raras, o que ajuda na construção de um acordo para votação da proposta em breve. Em vez da empresa, a ideia é fortalecer a Agência Nacional de Mineração. Os metais são importantes para fabricação de painéis solares, baterias e transição energética. Daí, a boa vontade para fechar logo uma regulamentação desse tema.
Só falta aprovar
O deputado Zé Silva (União-MG), oriundo de uma região extremamente rica em terras raras, promoveu cursos de profissionalização com os moradores do Vale do Jequitinhonha, no Nordeste de Minas Gerais. A intenção é dar oportunidade para os moradores, em vez de importar profissionais de fora.
CURTIDAS
“A crise que temos hoje (no STF) não é uma crise de fora. Não é o Supremo Tribunal Federal sendo submetido a constrangimentos e coações. Os constrangimentos e as coações que o Supremo sofre vêm de dentro dele mesmo. É necessário que exista um código de conduta que estabeleça efetivamente quais as condutas proibidas”
Miguel Reale Júnior, jurista, durante evento no Paraná
O ingrediente que faltava/ Há cerca de dois anos, o empresário Marcelo Pessoa vendeu uma ilha bem próxima à Baía de Todos os Santos para a empresa Prime You. Entre os sócios da Prime You estava, à época, Daniel Vorcaro. A ilha virou propriedade compartilhada entre famosos. A cota mínima era R$ 6 milhões. Faltava apenas uma ilha, no escândalo do Master, que coleciona garotas de programa europeias, festas nababescas, contratos milionários e que quase transformou o ex-presidente do BRB em dono de imobiliária de tantos imóveis que iria receber.
Aliás…/ O fato de Paulo Henrique Costa negociar apartamentos antes de concluir toda a venda do Master ao BRB vem sendo chamado nas rodas de Brasília como “propina pré-datada”.

Inflacionou/ O ex-presidente Fernando Collor (foto), vale lembrar, caiu por causa de um Fiat Elba.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 17 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa tira mais um ponto da delação do ex-controlador do Master Daniel Vorcaro. Se ele quiser ter algum benefício, terá que entregar detalhes de outros figurões, sejam integrantes do Poder Judiciário, sejam do Legislativo. Não dá mais para ficar apenas no ex-comandante do BRB. Em relação a Paulo Henrique, a decisão de André Mendonça desta semana é lida por advogados como uma peça que já traz elementos suficientes para caracterizar um milionário pagamento de propina. Os investigadores querem saber a rede de fundos e empresas de fachada que abasteceram o esquema e seus beneficiários.
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Por falar em Paulo Henrique…/ Vem por aí uma pressão de pessoas próximas ao ex-presidente do BRB, para que ele siga os passos de Vorcaro e feche uma delação premiada. E que tome essa atitude antes de Daniel Monteiro, o advogado que também foi preso, depois de ajudar na ocultação de patrimônio
O silêncio de Alcolumbre
O pedido de investigação contra o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, por parte do decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, está atravessado na garganta dos senadores de oposição. Tem um grupo cobrando dia e noite um posicionamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em defesa do Parlamento. Contudo, Alcolumbre não deve falar nada sobre o episódio da CPI, para não inflamar ainda mais a tensão entre os dois Poderes.
Balança desregulada
Para alguns parlamentares governistas, tanto o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) quanto os ministros do Supremo Tribunal Federal se excederam acerca do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado. No caso do senador, pedir o indiciamento de três ministros sem uma base consistente foi considerado muito “ousado”. Quanto aos ministros, considera-se que faltou calma para esperar a votação do parecer na CPI — que liquidou o texto do relator.
Padrinho & “mui amigos”
No GDF, o que se diz hoje é que “ninguém gostava de Paulo Henrique Costa, à exceção do governador Ibaneis Rocha”. Costa se dizia o “especialista em compliance”. Até aqui, a indicação dele à presidência do Banco de Brasília é atribuída ao presidente do PP, Ciro Nogueira, conterrâneo de Ibaneis.
Dois pesos
Enquanto os bolsonaristas se juntaram para trabalhar na soltura e acompanhamento de uma possível deportação do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, o mesmo não aconteceu com a ex-deputada Carla Zambelli. Presa na Itália, ela aguarda a extradição. Eduardo Bolsonaro atuou pessoalmente para que Ramagem fosse solto e, agora, senadores aliados a ele entraram com um pedido de missão oficial aos EUA para “acompanhar a situação de cidadãos brasileiros em custódia naquele país, em especial, Alexandre Ramagem, bem como averiguar a atuação das autoridades brasileiras competentes sobre o tema”. Zambelli está a ver navios.
CURTIDAS
Vorcaro e Pablo/ Nos restaurantes de Brasília, muita gente comentava essa semana que o dinheiro a rodo que Daniel Vorcaro gastava só se compara ao que fazia o chefão do narcotráfico Pablo Escobar. O colombiano não tinha mais onde colocar dinheiro e chegou a aterrar uma piscina para guardar o dinheiro do tráfico. Há muita gente suspeitando que o esquema do ex-banqueiro ia muito além do colarinho-branco.
Não confunda/ A “imobiliária” que Paulo Henrique Costa estava quase montando com imóveis recebidos do esquema de Daniel Vorcaro lembrou a muitos o caso de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras preso nos tempos da Lava Jato depois de receber um carro de luxo de propina.
Vem aí/ No aniversário de Brasília, na próxima terça-feira (21), a senadora Leila Barros (PDT) vai lançar sua pré-candidatura ao Senado na sede nacional do partido a partir das 14h30. Leila usará a data para marcar presença na disputa concorrida do DF.
A festa do Zé Eduardo/ Com seu escritório em Brasília, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo (Foto) comemorou antecipadamente seu aniversário na cidade, com a presença de amigos, numa festa surpresa. Por lá passaram advogados, familiares e amigos de longa data, como a família do ex-deputado Sigmaringa Seixas, a viúva Marina Sigmaringa, e os filhos, Luiza Sigmaringa e Guilherme Sigmaringa, atual presidente do PT do Distrito Federal. O ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e deputado federal, Paulo Teixeira (PT-SP), fez questão de marcar presença. José Eduardo completa 67 anos neste sábado,18.























