Categoria: Eleições
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 5 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro protagonizou o fato político mais importante da semana ao denunciar a truculência masculina nas decisões do partido ao qual pertence. A insatisfação foi de tal monta que há dúvidas até sobre a intenção da ex-presidente do PL Mulher de disputar uma eleição bastante favorável para o Senado pelo Distrito Federal.
Michelle denunciou seguidos ataques e humilhações pela ala machista da política. O desabafo provocou dois movimentos opostos. De um lado, atiçou novas ações misóginas, como a grotesca declaração de que “mulher vota mal” e mais ataques à senadora Damares Alves. Por outro lado, despertou uma mensagem suprapartidária em defesa do papel da mulher na política.
Além da própria Damares, que exortou as mulheres a ingressarem na política, outras personalidades manifestaram repúdio ao machismo e movimentos congêneres, como “red pill”, que disseminam o ódio ao gênero feminino. Simone Tebet, Celina Leão, Marina Silva, Eliziane Gama deixaram claro que, acima das diferenças ideológicas, há uma bandeira em comum: o respeito e a valorização das mulheres na política.
“Podemos ter divergências políticas, mas quando uma mulher é atacada na sua dignidade e na sua capacidade, todas nós somos atacadas”, disse Eliziane Gama (PT), em solidariedade a Damares Alves.
Legionária
Uma das personalidades brasileiras mais conhecidas do mundo, a ex-ministra do meio ambiente Marina Silva recebeu a insígnia de Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra, a mais alta honraria concedida pela França. Em agradecimento, Marina disse que não acolhe a homenagem como uma conquista individual, mas como uma celebração à retomada de políticas ambientais a partir do terceiro mandato do governo Lula.
Dobradinha
Inspirado na série Os Intocáveis, de Romeu Zema, o senador Eduardo Girão lançou o vídeo Os Invotáveis a fim de turbinar a pré-campanha no Ceará. Com ataques a Lula e a Ciro Gomes, o pré-candidato a governador se junta ao colega de partido e presidenciável pelo partido Novo para reforçar o palanque da direita. “Sabe quem é votável? Quem é de direita e não tem medo de afirmar: se a esquerda está de um lado, eu estou do outro.”
Arsenal
A lista de armas vinculadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro inclui seis pistolas, duas carabinas e duas espingardas. Todas deverão ser recolhidas por ordem do ministro Alexandre de Moraes, que manteve a prisão domiciliar do condenado. Moraes também revogou o Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) do ex-chefe do Planalto.
PT e bets
Um levantamento divulgado pelo Partido dos Trabalhadores indica que os integrantes da legenda na Câmara dos Deputados apresentaram 28 projetos de lei para disciplinar as bets no Brasil. Entre outras medidas, as propostas defendem proibição da publicidade em unidades de ensino e de saúde, restrição do acesso de beneficiários de programas sociais a plataformas e programas de proteção a crianças, adolescentes e idosos.
Vício é caro
Um dos temas preocupantes em relação às bets é o custo no tratamento de pessoas que se tornaram dependentes da jogatina. Segundo o diretor do Departamento de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Marcelo Dias, a arrecadação proveniente das apostas é muito inferior ao custo das ações do governo federal para viciados em jogos.
Na ponta do lápis
“O que se prevê de carga tributária, dentro do desenho que existe hoje, para o Ministério da Saúde foi, no ano passado, de R$ 34 milhões, e, este ano, R$ 56 milhões. Só as ofertas que nós fazemos relacionadas a pessoas com problemas com jogos e apostas seguramente vão ultrapassar R$ 70 milhões, R$ 80 milhões ao longo deste ano, junto com as outras ações que estão sendo realizadas”, afirma Dias.
Brasil raro
Lançado na semana passada, um trabalho produzido pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) conclui que o Brasil reúne condições para exercer um papel relevante no mercado global de terras raras. Para tanto, é preciso criar uma estrutura industrial que vá além da extração e aprimore as etapas de refino e metalurgia. Ao apresentar um road map sobre as potencialidades do Brasil com as terras raras, o levantamento tem como foco um projeto a longo prazo.
Mapa da mina
Na avaliação de Anderson Gomes, diretor-presidente do CGEE, o documento Terras Raras no Brasil: Estado da Arte, Cenários e um Mapa do Caminho Estratégico para 2026–2040 representa “um esforço coletivo de reflexão sobre os caminhos possíveis para que o Brasil transforme seu potencial geológico em capacidades produtivas, tecnológicas e inovadoras compatíveis com os desafios e oportunidades das próximas décadas”.
Oportunidade amazônica
Segundo a pesquisa, as terras raras ocupam posição central nas discussões sobre transição energética, transformação digital, segurança econômica, resiliência das cadeias de suprimento, defesa, mobilidade elétrica e tecnologias avançadas. E afirma que a Amazônia, por suas características naturais, tem um papel estratégico para inserir o Brasil nesse contexto econômico.
Riqueza nacional
Mais do que um país privilegiado com reservas naturais de terras raras, o Brasil tem potencial para adicionar valor agregado a esse nicho da mineração. “A verdadeira riqueza não está apenas no que existe no subsolo. Ela está na nossa capacidade de transformar esses recursos em conhecimento, tecnologia, inovação, produtos de alto valor agregado e desenvolvimento para a sociedade brasileira”, disse a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, no lançamento do estudo.
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 4 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Em Montevidéu, onde participou de um encontro jurídico internacional, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, voltou a abordar um tema que se tornou central nos últimos anos: as ameaças contemporâneas à democracia. Se antes conspirações militares e insurreições golpeavam os regimes democráticos, os perigos atuais ocorrem dentro do próprio regime, ou, como se dizia no Brasil em 2022, “dentro das quatro linhas da Constituição”.
Para Fachin, há um “constitucionalismo abusivo” a corroer as bases do ordenamento democrático. Essa erosão ocorre por meio de reformas legislativas, manipulação de instituições de controle e concentração progressiva de poder. Na realidade brasileira, esses desvios e distorções promoveram, ao longo dos anos, como uma hipertrofia do Parlamento no controle orçamentário, críticas crescentes a decisões judiciais e ao sistema de Justiça, tensionamento institucional entre os Poderes da República.
Há outros fatores de risco, como a disseminação do discurso do ódio nas redes sociais, a infiltração do crime organizado na política e na economia e as conexões internacionais do extremismo. Como guardião do ordenamento constitucional, o Judiciário é o Poder mais pressionado pela recessão democrática.
Lista de convocados
A Polícia Federal estuda quebrar os sigilos bancários e financeiros dos 20 nomes presentes na lista encontrada durante investigação contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. O documento foi encontrado na 5ª fase da Operação Unha e Carne, realizada na última quinta-feira. Iniciada em 2021, a investigação apura uma suspeita de lavagem de dinheiro da cúpula do jogo do bicho, além de conexões com parlamentares dos Poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
Custo Europa
O bloqueio sanitário à carne brasileira anunciado pela União Europeia acendeu um alerta para governo e agronegócio nacional. O medo é que haja um repique inflacionário nos preços das carnes, principalmente na de frango, a mais consumida no país. Internamente no setor, a avaliação é que as restrições devem elevar o custo da produção e isso será refletido no preço para o consumidor.
Melhor se preparar
Cálculos que circulam entre técnicos do governo e de representantes do setor, indicam que o impacto sobre a cadeia do frango pode chegar a R$ 0,15 por kg, totalizando R$ 2 bilhões repassados aos consumidores brasileiros.
E Bolsonaro, hein?
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro comemoraram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em manter a prisão domiciliar. Interlocutores próximos ao ex-presidente afirmam à coluna que ele e a esposa, Michelle Bolsonaro, cumpriram tudo o que foi exigido e prometido a Moraes. Muitos afirmam que Michelle está praticamente presa com Bolsonaro, e por isso não haveria motivos para o ministro negar o pedido da defesa.
Michelle curtiu
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) parabenizou, ontem, a comunidade surda após o governo Lula anunciar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos. Na postagem, Michelle avaliou que a medida lançada pelo MEC é “um sonho realizado” e que a educação bilíngue de surdos trouxe mais autonomia e protagonismo para a comunidade surda. “Seguimos trabalhando por um Brasil mais acessível e com oportunidades para todos”, escreveu a madrasta do principal rival de Lula na corrida presidencial.
Fome de poder
Partidos de centro têm manifestado incômodo com a postura do PL de querer todas as vagas majoritárias em chapas estaduais e nacionais. À coluna, interlocutores demonstraram insatisfação com a fome de protagonismo da legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em alguns estados, como no Distrito Federal, o PL tem forçado negociações e quebra de acordos previamente realizados. “Não dá para ter tudo”, dizem políticos em conversas reservadas.

A vez de Zema
Mais um pré-candidato à Presidência será ouvido por parlamentares, lideranças empresariais e representantes do setor produtivo em Brasília. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo, foto) é o convidado desta semana na Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios (FPN) e no Instituto Unidos Brasil (IUB). A reunião-almoço será no próximo dia 8, a partir das 13h.
TCU e El Niño
Na próxima semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) realizará o painel Impactos do El Niño e preparação do Estado para eventos climáticos extremos. O encontro reunirá especialistas e órgãos governamentais para confrontar, com base em cenários prováveis, riscos concretos para a população, a agricultura e a infraestrutura.
Governança ambiental
A Corte pretende analisar como a governança avalia riscos diante de eventos climáticos extremos. O ministro Augusto Nardes será o coordenador do debate na sede do TCU. O evento é terça-feira, das 14h às 17h30, com transmissão pelo YouTube.
Colaboraram Renato Souza e Luíza Altoé
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 3 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

A tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, às vésperas de um novo tarifaço imposto por Washington, reacendeu a polarização entre os dois principais pré-candidatos à Presidência. Mais do que reforçar o discurso em defesa da soberania brasileira, o presidente Lula elevou novamente o tom, ao chamar o clã Bolsonaro e aliados de “traidores da pátria”. A proposta de Flávio Bolsonaro de adiar o tarifaço a fim de evitar uma “vitória política” de Lula inflamou a disputa eleitoral, a três meses do voto brasileiro nas urnas eletrônicas.
Episódios anteriores indicam que a estratégia bolsonarista de incitar o governo norte-americano contra a economia brasileira favorece o pré-candidato petista. Com essa proposta apresentada por Flávio Bolsonaro aos EUA, Lula ganha mais pontos para convencer o eleitorado de que está ao lado do Brasil. Deixará cada vez mais explícita a distinção entre quem atua em favor dos interesses do nosso país e quem articula por uma interferência externa na eleição brasileira e na economia nacional.
A carta de Flávio se soma a outros movimentos que repercutiram mal no eleitorado brasileiro: a oferta de uma equipe de transição para dialogar como governo norte-americano e o trabalho incessante de outros bolsonaristas em favor de punições à economia e a autoridades brasileiras. Em meio a uma crise partidária e às suspeitas no escândalo Master, o 01 se complica cada vez mais.
Debate no Recife
A quinta edição do Seminários Facto será realizada hoje, às 14h30, no Beach Class Convention By Mai, no Recife. O evento reunirá jornalistas, economistas e lideranças políticas para debater cenários eleitorais, jornalismo investigativo e as tendências de mercado para o segundo semestre. A diretora de Redação do Correio Braziliense, Ana Dubeux, participará do painel Política e Jornalismo, que discutirá os bastidores da cobertura das eleições e os desafios do jornalismo investigativo em meio a uma campanha eleitoral.
Cartas aos fiéis
Em menos de 30 dias, o Partido dos Trabalhadores divulgou cartas específicas para católicos e evangélicos. Sem tratar da pauta de costumes ou de temas polêmicos como aborto, os documentos abordam a liberdade religiosa e comprometimento do governo Lula com as ações sociais. Em ambos, defendem a reeleição do presidente.
Resultados opostos
Segundo pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada no início da semana, Lula e Flávio têm resultados pendulares na preferência dos eleitores, considerando a fé religiosa. O presidente seria escolhido por 53% dos católicos, enquanto 38% votariam no senador bolsonarista. Entre os evangélicos, ocorre o oposto: Flávio Bolsonaro marca 60% das intenções de voto, e Lula fica com 32%.
Very good
Um mês depois de lançar a MEC Idiomas, plataforma digital para ensino gratuito de inglês e espanhol, a iniciativa conta com mais de 560 mil inscritos. O ministério registrou 426,3 mil matrículas em cursos de inglês, e 137,7 mil em espanhol. O portal e o aplicativo são gratuitos e buscam democratizar o acesso ao ensino de línguas estrangeiras no país. Estimativas indicam que menos de 10% da população brasileira domina a língua inglesa.
Encontro marcado
Em meio à confusão entre Michelle e Flávio Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, é o convidado da semana no almoço da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo (FPBC), em parceria com as Frentes Parlamentares de Tecnologia e Atividades Nucleares (FPN), do Empreendedorismo (FPE) e em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria(FPI). As frentes já receberam os presidentes do PT, Edinho Silva, e do PSD, Gilberto Kassab.
Economia e Michelle
O tema do debate é “Compromissos para um Brasil Competitivo”, com o intuito de discutir economia, fortalecimento da competitividade, inovação, segurança jurídica e prioridades para o futuro do país. Contudo, não há dúvida de que a crise no PL será um dos temas das conversas de bastidores.
Cartão vermelho
Começou no mês passado a campanha “Desafio Contra Bets”, promovido pelo Projeto Brief. A iniciativa tem o objetivo de mobilizar influenciadores de todo o país a expor os impactos sociais e econômicos das bets durante a Copa do Mundo Fifa. A ação distribuirá R$ 100 mil em prêmios para as melhores produções, dividido em quatro categorias: “Furou a Rede”; “Tirou de Letra”; “IA em Campo”; e “Craque da Copa”.
Sequestro
Para Carol Luck, antropóloga e coordenadora do Projeto Brief, a ação é uma forma de ocupar um terreno hoje dominado pela publicidade das bets: “As bets sequestraram uma paixão nacional. É preciso alertar sobre os impactos negativos dessa indústria nociva, que está sendo vendida como entretenimento, e até investimento, quando na realidade é responsável pelo endividamento e pela ruína de milhões de famílias brasileiras”, argumenta.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 2 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

O discurso de Flávio Bolsonaro em favor das mulheres evidencia um problema intrínseco ao bolsonarismo: o desprezo ao gênero feminino. Esse movimento político consolidou-se pela figura de seu representante maior, o “imbrochável”, “imorrível” e “incomível” Jair Bolsonaro. O ex-presidente coleciona uma série de tiradas, grosserias e ataques misóginos, alguns com consequências judiciais. Todos se lembram do episódio abjeto contra a deputada Maria do Rosário Caetano, que resultou em indenização por danos morais.
Flávio Bolsonaro tentou mostrar, ontem, que não é tão machista quanto o pai e que não concorda com os absurdos proferidos por seu colaborador Paulo Figueiredo. Mas nada disso conteve a insatisfação de Michelle Bolsonaro e aliadas, que estão mobilizadas no desagravo à ex-primeira- dama. Mais grave: nada indica que a promessa de um programa batizado como Brasil por Elas possa reverter uma dificuldade concreta: o déficit do voto feminino na pré-candidatura do senador.
A crise de gênero associada à insatisfação de Michelle Bolsonaro com as alianças firmadas pelo PL está inserida em um contexto maior. Fazem parte de uma realidade na vida nacional, independentemente da coloração partidária: as mulheres estão sub representadas e preteridas nos três Poderes da República. A legenda do clã Bolsonaro enfrenta uma crise aguda, mas a violência de gênero está disseminada na sociedade brasileira.
Cargo vago
O PL Mulher não terá uma nova presidente tão cedo. A fim de evitar novos desgastes de respeitar o trabalho executado por Michelle Bolsonaro, a vaga de presidente ficará aberta até as eleições. Se, após a eleição, a ex-primeira dama mantiver a renúncia do cargo, o partido irá deliberar sobre o que será feito. A deputada Priscila Costa (PL-CE) continuará como 1º vice-presidente e assumirá os compromissos de Michelle como vice.
Grande família
Na tentativa de minimizar a crise Flávio- Michelle Bolsonaro, parlamentares do PL argumentam que só há mágoa onde há amor. Alegam que toda família briga, mas que logo faz as pazes. Só tem um problema: a sequência de fatos na crise do clã Bolsonaro indica que família é uma coisa, política é outra.
Café digital
O PL vai com tudo no digital para as eleições. Amanhã, Flávio Bolsonaro, Valdemar da Costa Neto e outro nomes expressivos do partido se reunirão com influenciadores de direita para um seminário no Rio de Janeiro. O presidenciável oferecerá um café da manhã com o objetivo de alinhar a comunicação durante a campanha.
Virtudes de Kassab
Apoiadores e aliados do PSD têm usado os termos “capilaridade” e “credibilidade” ao se referirem ao presidente da legenda, Gilberto Kassab. Essas qualidades são vistas como essenciais para obter apoio político nos estados e compensar as resistências a uma chapa puro sangue para o Palácio do Planalto.
Plano de governo
Caiado usará como defesa em sua campanha a implementação da reforma administrativa — que é relatada pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) na Câmara dos Deputados —, combate à corrupção, transparência nas aplicações de recursos em políticas públicas, investimento para a saúde e melhora da gestão de recursos da educação.
E Minas Gerais?
Enquanto o PL e o PT enfrentam dificuldade na montagem dos palanques em Minas Gerais, o PSD está mais adiantado. Com a pré-candidatura de Mateus Simões (PSD) ao governo estadual e a do senador Carlos Viana à reeleição, falta agora apenas um segundo nome ao Senado.
Fator Zema
Contudo, os desafios do PSD em Minas com Simões são outros. Em desvantagem nas pesquisas, o vice do ex-governador Romeu Zema carece de uma base política no estado para angariar votos. Na avaliação de aliados, esse problema ocorre porque Zema nunca se dedicou a essa articulação. Se há um ponto a favor de Simões, é a baixa rejeição no eleitorado mineiro.
Divergência
Governo e Câmara dos Deputados continuam a divergir sobre o projeto de atualização do teto dos Microempreendedores Individuais (MEI). Enquanto a Fazenda defende deixar o Simples para depois, o sentimento na Casa é de que o MEI não será votado caso o Simples não seja incluído também.
Hora de negociar
Com o placar de 293 sim, 158 não e 3 abstenções na aprovação do regime de urgência, Tabata Amaral (PSB-SP) vai negociar o último ponto divergente acerca do projeto que criminaliza a misoginia: a liberdade religiosa. Em conversas reservadas, fontes próximas à deputada afirmam que, a depender do resultado do placar, a parlamentar incluiria essa parte no texto final.
Contando os dias
A condição decisiva é o compromisso dos partidos em votar sim pelo mérito da matéria. O presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) disse pretender votar a proposta até antes do recesso. Já os aliados da relatora acreditam ser viável votar na próxima terça-feira.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 1º de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

A decisão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de abrir mão da presidência nacional do PL Mulher é um revés importante para o partido e torna ainda mais confusa a estratégia eleitoral da legenda de Flávio Bolsonaro. Ao abrir mão do cargo de visibilidade — Michelle está há semanas no horário eleitoral convidando mulheres a ingressarem no partido —, a potencial candidata dá sinais de desgaste na relação com os caciques do PL e os enteados.
Ainda que a esposa do ex-presidente diga que está deixando sementes para as mulheres, abre-se um vácuo no núcleo duro do bolsonarismo. As dúvidas e a mágoa de Michelle deixam cada vez mais evidente que Flávio Bolsonaro perde um ativo para a campanha presidencial. E colocam em xeque até mesmo a candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal — o que abre brecha para os concorrentes, tanto de direita quanto de esquerda.
Ao concluir que estava em desvantagem nos desígnios do partido e se sentir ofendida pelos ataques grosseiros às suas convicções, Michelle Bolsonaro decidiu sair de cena. Abre mão de um protagonismo para não lidar diretamente com o jogo bruto da política.
Friamente
Na avaliação de bolsonaristas, a divergência entre Flávio com Michelle sobre as indicações ao Senado seria por causa da suposta falta de força política das pessoas escolhidas. Alguns avaliam que, a preços de hoje, nomes defendidos pela ex-primeira-dama não são tão competitivos nas urnas quanto os preferidos pela campanha de Flávio.
Pobres, não
Depois de o bolsonarista Paulo Figueiredo falar barbaridades sobre as mulheres, chegou a vez de os pobres serem achincalhados na internet. O Ministério Público de São Paulo ajuizou ação contra o influenciador Leonardo Marcondes após ele defender que pobre não deveria votar. “Uma pessoa que é pobre não soube tomar boas decisões para ter o melhor para sua família e para si mesma”, alega Fernandes. “O país ou uma empresa não pode estar nas mãos de quem não consegue ter responsabilidade sobre as próprias atitudes”, conclui.
Discurso de ódio
Para o Ministério Público, o influenciador associa pobreza à incapacidade, à irresponsabilidade e à exclusão da participação democrática. E lembra que liberdade de expressão não protege manifestações de ódio e intolerância, especialmente quando promovem a estigmatização de grupos vulneráveis.

Decepcionante
A senadora e ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS, foto) fez um contraponto ao festivo Plano Safra 2026/2027, lançado ontem pelo governo federal. Segundo ela, o conjunto de medidas é decepcionante. “Não tem recorde nenhum, a não ser no discurso de propaganda. Houve, na verdade, redução de 30% nos valores para custeio. Os juros caíram um pouquinho, mas continuam altíssimos para o bolso dos agricultores — o que dificulta a tomada do crédito nos bancos”, criticou. “Nenhuma palavra foi dita sobre o importantíssimo seguro rural, que teve os recursos reduzidos à metade”, acrescentou a parlamentar.
Compensação
De fato, os recursos para custeio foram reduzidos. Mas o montante para investimento teve uma ampliação de 40% em relação à safra anterior. Pressão do agro Continua forte o lobby em favor da renegociação da dívida de produtores rurais. Mais de 20 representantes da categoria procuraram o presidente da Câmara, Hugo Motta, para fazer o apelo. Mas a bancada petista pretende bloquear a iniciativa. Na visão do Executivo, o texto que veio do Senado Federal desvirtuou o objetivo principal: ajudar os produtores gaúchos que passaram pelas enchentes de 2024.
Espera aí
O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), considera a ampliação do projeto para produtores do Brasil inteiro de “trenzinho da alegria”. “Por que um produtor de 100 hectares no Mato Grosso, que não passou por seca ou enchente, vai poder usar dinheiro do contribuinte para renegociar sua dívida?”, questiona o petista.
Doutrina
Na Câmara, o projeto que visa criminalizar a misoginia está empacado por falta de acordo. A direita quer garantir liberdade religiosa no texto e, sem esse ponto assegurado, não há consenso, segundo interlocutores ouvidos pela coluna.
Tocaia
A oposição paraense traçou a estratégia de esperar o governo errar para capitalizar em cima das falhas da atual administração. Não será tarefa fácil. A atual governadora, Hana Ghassan Tuma (MDB), tem o apoio de 130 das 144 prefeituras no estado — além do respaldo do ex-governador Helder Barbalho (MDB) e do presidente Lula.
Descaminho
Estudo inédito do Instituto Esfera Brasil revelou que 89% dos casos no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), em São Paulo, são de mercadorias apreendidas em rota proveniente do Paraguai. Entre os produtos mais contrabandeados, estão eletrônicos (10%) e aparelhos celulares (8%). Em seguida vêm vestuário e genérico (4%), além de informática e perfumes (3%).
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 30 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Em mais um movimento para angariar apoio estrangeiro à pré-candidatura ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçou os laços com o ultraliberal chefe da Casa Rosada, Javier Milei. Para demonstrar que está fechado com o 01, o homem da motosserra disse ter certeza de que a “onda azul” está a caminho do Brasil, tal e qual ocorreu no país vizinho. A ver.
Logo após a visita a Buenos Aires, Flávio pretende ir aos Estados Unidos, onde participará da audiência pública para tratar da nova onda de tarifaço em gestação pelo governo Trump. Diferentemente da aproximação argentina, claramente ideológica, o contato com Washington tem a gravidade de implicar sanções econômicas para o Brasil — injustificadas, como já exaustivamente ressaltado por Brasília.
No momento em que a América Latina se inclina para a direita, com vitórias eleitorais em diversos países, Flávio aposta no discurso anti-esquerda. Ainda não se viu, entretanto, o efeito dessas articulações na corrida eleitoral. A agenda internacional, no caso do bolsonarista, tem servido para desviar a atenção do eleitorado a problemas como o caso Dark Horse ou a contenda em praça pública com Michelle Bolsonaro.
Encontro marcado
A reunião de hoje entre Valdemar Costa Neto e Michelle Bolsonaro será um teste para a vontade de Flávio Bolsonaro de tornar o imbróglio com a ex-primeira-dama uma “página virada”. Até aqui, a bronca da ex-primeira-dama não mudou a realidade — os acordos regionais como no Ceará continuam, bem como a relação conflituosa com os filhos do ex-presidente.
Incomodado
Mais do que superar diferenças de relacionamento, o maior desafio no momento é encontrar uma solução que viabilize o apoio político de Michelle às pretensões de Flávio em outubro. Com uma candidatura ao Senado encaminhada no Distrito Federal, a presidente do PL Mulher não dá sinais de que pretende recuar nas suas queixas. Incomodado com as acusações de que humilhou a madrasta, o senador tem buscado mostrar, desde a semana passada, o quanto valoriza as mulheres.
Bolsonarismo bruto
Enquanto Flávio tenta manifestar apreço pelas mulheres, aliados próximos explicitam o bolsonarismo raiz. O blogueiro Paulo Figueiredo, que forma dupla com Eduardo Bolsonaro nas tratativas com o governo norte-americano, não contemporizou. “Mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras. As casadas costumam acompanhar o marido”, disse. Sobre Michelle, afirmou que ela prejudica a imagem de Amélia quando resolve falar.
Ganha-ganha
Se Brasil e Japão tiveram de decidir quem continuaria na Copa do Mundo, os países devem caminhar cada vez mais juntos no comércio bilateral. A Cúpula do Mercosul em Assunção será a ocasião para anunciar o início das negociações entre o bloco econômico e o país integrante do G7, clube das economias mais ricas do mundo.
Interesses comuns
Na avaliação de especialistas, há uma complementariedade importante na relação entre Brasil e Japão. Produção agrícola, minerais críticos e energia são alguns ativos importantes da plataforma exportadora nacional. Em contrapartida, investimentos e tecnologia representam oportunidades para a economia brasileira.

Fim do home office
Após uma semana esvaziada, o Congresso retorna ao trabalho no modo turbinado. Câmara e Senado devem analisar o projeto de lei que aumenta o teto do microempreendedor individual (MEI), que foi enviado ontem pelo Planalto. Já no Senado, os governistas têm a expectativa de que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhe a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da 6 x 1, aprovada na Câmara, para a Comissão de Constituição e Justiça.
Política em campo
Os bolsonaristas não perderam tempo. Minutos após o fim do jogo em que o Brasil venceu o Japão por 2 x 1, aliados de Flávio Bolsonaro compartilharam uma foto com o jogador Martinelli, que usa a camisa número 22. A foto ainda tinha escrito: “O 22 salvou o Brasil e pode salvar de novo”.
Diário japonês
O Ministério do Desenvolvimento Agrário, por sua vez, tirou uma onda com o técnico da seleção japonesa, Hajime Moriyasu. Em um post nas redes sociais, a pasta indagou quais seriam as anotações, feitas à mão, em um bloco de notas à beira do campo. E vieram os memes: “Cancelar o miojo e encher o prato com arroz e feijão”, “Confirmar se o café brasileiro dá bônus de energia”, “Trocar isotônico por açaí”, em uma ação em favor da alimentação saudável.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 26 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito
Com a rejeição às propostas de delação premiada de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, as investigações da Polícia Federal passam a ocupar o centro do escândalo Master-BRB. É cada vez mais remota a possibilidade de que os dois protagonistas do maior escândalo financeiro ocorrido no Brasil saiam da condição em que se encontram.
Nesse contexto, a sequência das operações realizadas pela PF nos últimos meses sugere que não haverá distinção entre governo e oposição ao trazer à luz quem mantinha conexões com Vorcaro e PHC. De Jaques Wagner a Ciro Nogueira, passando por Flávio Bolsonaro, outros personagens podem aparecer na extensa teia de relações e a série de operações mantidas pelos executivos do Master e do BRB. Um deles é o ex-governador Ibaneis Rocha.
As investigações deverão trazer respostas a pelo menos três pontos. Primeiro: mapear o caminho do dinheiro desviado do BRB e de outras instituições, como fundos de previdência, para alimentar a ciranda financeira de Vorcaro e PHC. Segundo: qual o tamanho do estrago deixado por Paulo Henrique Costa no banco brasiliense. Terceiro: qual o grau de participação do crime organizado nas transações controladas pelo bando de Vorcaro. Até aqui, os dois protagonistas do escândalo não ofereceram nada que os investigadores considerem relevante sobre essas lacunas.
Arquivo extenso
A PF tem em mãos 40 gigas de dados do telefone do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, relatam fontes ouvidas pelo Correio. Até aqui, entretanto, as informações reunidas pelo executivo têm sido insuficientes para uma possível delação premiada avançar. Apesar de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter rejeitado a proposta de PHC ontem, a permanência dele na Papudinha indica, para advogados que acompanham o caso, que uma colaboração do cúmplice de Vorcaro no escândalo Master ainda é possível.
E o PT, hein?
A chegada de Teresa Leitão (PT-PE) na liderança do governo no Senado resolve em parte o problema do partido na casa legislativa. A substituta de Jaques Wagner foi escolhida, entre outros motivos, porque não concorre à reeleição, podendo assim se dedicar integralmente à função parlamentar. Aliados também consideram que a senadora tem um bom diálogo com todos os setores da Casa. Mas questionam: “Quem vai assumir a liderança do partido em ano tão importante?”
São Paulo é Brasil
A definição da chapa governista em São Paulo parte da premissa de que uma vitória no maior colégio eleitoral do país pode reverberar nacionalmente. A decisão de lançar Márcio França como vice de Fernando Haddad é para aumentar as porcentagens nas urnas no estado e, com isso, transferir votos para Lula.
Hora de falar dos juros I
A Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) pretende reunir parlamentares, representantes do setor produtivo e especialistas para discutir os efeitos dos juros altos e os caminhos para ampliar a competitividade do país. O seminário “Os efeitos da taxa de juros na economia brasileira” será em 2 de julho, a partir das 9h, no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados.
Hora de falar dos juros II
O foco dos debates serão os impactos do custo do crédito nos investimentos, no empreendedorismo e na geração de empregos. O evento quer discutir o papel do Congresso na construção de medidas que contribuam para fortalecer o ambiente de negócios e desenvolver a economia nacional.
Dívida pública na mira
O seminário também discutirá uma proposta para estabelecer limites para a dívida pública brasileira. A iniciativa busca construir uma proposta capaz de fortalecer a responsabilidade fiscal, ampliar a transparência das contas públicas e contribuir para a estabilidade econômica do país.
Ainda é pouco
Entidades que representam setores da economia estão preocupadas com a decisão do governo federal em deixar para um segundo momento a discussão sobre as demais faixas do Simples Nacional. O governo cumpriu a promessa ao enviar o aumento do teto dos Microempreendedores Individuais (MEI), mas a falta da atualização do Simples Nacional deixou um gosto amargo.
Simples assim
O Instituto Livre Mercado defende que a atualização é importante, mas o Simples também afeta os pequenos empreendedores. As tabelas não passam por atualização desde 2018. Somando-se a inflação, o empreendedorismo no Brasil torna-se impraticável, avaliam os representantes do setor. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), empresas do Simples Nacional foram responsáveis por 13,27 milhões de vínculos formais em 2024, cerca de 23% dos trabalhadores com carteira assinada.
Bronca nuclear
O setor de medicina nuclear protesta contra a Resolução 354/2026 da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que determinou o aumento de 24% nos preços dos radioisótopos e radiofármacos fornecidos pelo órgão a partir de 1º de agosto. A Associação Nacional de Empresas de Medicina Nuclear (ANAEMN) afirma que a medida vai encarecer exames e tratamentos. O reajuste afetará clínicas, hospitais e pacientes que dependem desses procedimentos para diagnóstico e acompanhamento de doenças como câncer e problemas cardíacos.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 25 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

A saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado mostrou como as necessidades da política se impõem sobre relações pessoais ou até mesmo princípios relevantes, como a presunção da inocência. Em um episódio marcado pelo silêncio do Palácio do Planalto, o senador saiu de cena para preservar o candidato à reeleição de desgastes na campanha eleitoral.
Duramente atingido por dois mega-escândalos — o mensalão e o petrolão — o presidente Lula não quis correr riscos. Afastou qualquer suspeita de proximidade com a teia perigosa de Daniel Vorcaro que enredou Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e gente próxima a Davi Alcolumbre e outros notáveis da República.
Com o afastamento de Wagner, encerra-se mais um capítulo da malfadada articulação política do Planalto. O substituto do senador na liderança do governo terá a missão de encontrar caminhos no campo minado controlado por Davi Alcolumbre. A rejeição ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal foi uma das derrotas mais amargas sofridas pelo governo — e erro crasso do senador baiano. Nada indica que o cenário mudará no segundo semestre.
Fogo amigo
Na permanente rivalidade interna petista, prevaleceu a corrente que via a permanência de Jaques Wagner em cargo de tamanha visibilidade um enorme risco político. De nada adiantou a narrativa de que a saída do senador sinalizaria uma confissão de culpa. Tampouco se manteve de pé a justificativa apresentada pelo senador de que a compra de um imóvel em Salvador com o ex-sócio do banco Master foi um negócio entre amigos.
Palavras vãs
Particularmente em tempos de eleição, é curioso notar como a palavra de político pode ser vã. Na quinta-feira, dia da operação da PF que revelou o envolvimento de Wagner no escândalo Master, o senador disse em entrevista: “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje e acho, sinceramente, muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim”.
Repeteco
Para resistir em meio à tempestade, Wagner se apoia no passado. Lembra que foi alvo de busca e apreensão em 2018. E eleito senador mais votado pela Bahia. À época, o parlamentar era suspeito de irregularidades na gestão do estádio Fonte Nova. O caso foi arquivado no ano passado.
Mais e melhor
O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou um conjunto de deliberações para aprimorar o programa Agora Tem Especialistas, promovido pelo Ministério da Saúde. O plenário do TCU determinou que a pasta construa, em 120 dias, uma rotina de monitoramento sobre a execução financeira do programa, bem como a gestão de dados sobre as cirurgias realizadas. O voto do relator, ministro Bruno Dantas, identificou desigualdades regionais e inconsistências nas diversas etapas do programa.
Ela vem aí
A esposa do ex-governador do Distrito Federal e pré-candidato ao Senado Ibaneis Rocha (MDB), Mayara Rocha, anunciou sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados pelo Podemos. Nos bastidores do partido, Mayara é vista como um forte nome para fortalecer e ampliar a presença da legenda na Casa.
Causas sociais
A ex-primeira-dama do DF foi secretária de Desenvolvimento Social durante a pandemia de covid-19. O Podemos aposta na atuação de Rocha em um período de crise sanitária, econômica e humanitária para ter um bom desempenho eleitoral. Aliados veem a esposa de Ibaneis como um dos nomes de potencial de votos dentro do grupo ligado ao ex-governador.
Tendência
Em um meio predominantemente masculino, chama a atenção a iniciativa de mulheres de políticos engajadas na batalha das urnas. No Distrito Federal, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro é nome cada vez mais certo em outubro. No Paraná, a deputada federal Rosângela Moro, esposa do senador Sergio Moro, filiou-se ao PL e tentará a reeleição pelo estado do ex-juiz. Em Goiás, Gracinha Caiado (União), esposa do ex-governador Caiado, é pré-candidata ao Senado.

Deixa o povo falar
O deputado Alencar Santana (PT-SP, foto), presidente da Comissão Especial que analisou a proposta de emenda constitucional (PEC) pelo fim da 6×1 na Casa, quer a participação popular no debate. Além de divulgar uma plataforma digital sobre o tema, ele pretende promover ações de conscientização às sextas-feiras em pontos de grande circulação. Os voluntários distribuem materiais informativos e dialogam com a população sobre os impactos da jornada de trabalho na saúde, na qualidade de vida e no convívio familiar.
Divergência
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) discorda da pesquisa divulgada pelo Tribunal Superior do Trabalho sobre a precarização do trabalho entre motoristas e entregadores que atuam por meio de plataformas digitais. Para fundamentar a divergência, a Amobitec usa como referência uma pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), divulgada no ano passado.
Renda e trabalho
O levantamento encomendado pela Justiça trabalhista ressalta os custos bancados pelos motoristas plataformizados – mais de R$ 5 mil mensais – e jornadas acima de 44 horas semanais. Já o estudo do Cebrap informa que os motoristas dedicam, em média, entre 19 e 27 horas por semana nos aplicativos, enquanto a jornada dos entregadores oscila entre 9 e 13 horas.
Estabilidade
Em outra discordância com o TST, a Amobitec afirma que os rendimentos dos trabalhadores de plataforma são mais estáveis, pois os profissionais estariam menos vulneráveis à desocupação e a longos períodos de busca por trabalho.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 24 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro acredita que pode convencer o eleitor brasileiro de que o presidente Lula é o maior responsável pelas iminentes tarifas que serão aplicadas pelo governo dos Estados Unidos. E que, ele, Flávio, poderá fazer uma interlocução com a administração Trump para reverter o momento desfavorável na relação entre os dois países.
Flávio Bolsonaro está convencido de que poderá obter trunfos nos cinco minutos de fala a que terá direito na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR), em 6 de julho. No jogo político, o pré-candidato bolsonarista dobrou a aposta. Seria uma tentativa de diminuir a vantagem de Lula na corrida presidencial, além de fazer um contraponto à defesa da soberania assumida pelo petista.
O ganho maior de Flávio Bolsonaro, entretanto, poderá vir diretamente da Casa Branca. Ao compartilhar um texto no qual se considera a eleição no Brasil o maior desafio político do hemisfério, o presidente Donald Trump deu mais um sinal de que está atento à disputa que poderá coroar o chamado “Escudo das Américas”.
Não convém menosprezar esses movimentos. Uma nova demonstração de apoio por parte dos Estados Unidos a Flávio Bolsonaro intensificará a polarização a pouco mais de três meses do pleito. Flávio Bolsonaro diz querer atacar Lula e não o Brasil. Resta saber se o eleitor assim entenderá.
Nada de “terceira via”
A mais recente pesquisa Indexa mostra que a polarização permanece estável no Brasil, o que inviabiliza a terceira via. A disputa continua concentrada em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 42% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro (PL), com 31%. “Os candidatos que buscam representar uma terceira via permanecem distantes e, até o momento, não demonstram capacidade de romper a polarização”, afirmam os pesquisadores.
Sem transferência de votos
Segundo o levantamento, o envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no escândalo Master não resultou em transferência de votos para os concorrentes da direita. Na comparação com a primeira rodada, realizada em maio, Ronaldo Caiado recuou de 7% para 5%, enquanto Romeu Zema caiu de 5% para 3%. O único crescimento dentro desse grupo, registra a pesquisa da Indexa, ocorreu com Renan Santos, que passou de 2% para 3% das intenções de voto.
Dinheiro nas mãos
Uma ala do PL se sente preterida de relatorias na Comissão Mista de Orçamento do ano passado. Alguns bolsonaristas defendem que o relatório da Lei de Orçamento Anual (LOA) e a setorial de saúde deveriam ter sido do partido de Jair Bolsonaro. Por isso, esse grupo está brigando para que o relator da LOA seja um senador do PL. O nome cotado até agora é o de Eduardo Gomes (TO).

Contas a analisar
O Tribunal de Contas da União (TCU) analisará possíveis irregularidades fiscais envolvendo operações financeiras, fundos públicos, fundos garantidores, créditos subsidiados e créditos extraordinários utilizados pelo governo federal. O deputado Sanderson (PL-RS, foto), autor da denúncia, acusa o governo Lula de repetir as “pedaladas fiscais” do governo de Dilma Rousseff.
Impacto fiscal
O Ministério Público se juntou à investigação por meio do procurador Júlio Marcelo de Oliveira junto ao TCU. O processo tem como relator o ministro Jhonatan de Jesus. A principal acusação é que medidas adotadas pelo governo teriam gerado impactos fiscais estimados em aproximadamente R$ 215 bilhões, sem que parte desses efeitos estivesse refletida nos principais indicadores fiscais utilizados para monitoramento das contas públicas.
Tabaco em 2027
Participante do evento com presidenciáveis promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no início da semana, o SindiTabaco apresentou demandas para o setor. Defende o fortalecimento da competitividade exportadora, com prioridade para investimentos em infraestrutura logística e portuária, além da defesa da cadeia produtiva frente a barreiras regulatórias internacionais.
Investimentos
O sindicato também enfatizou maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica para investimentos industriais, políticas públicas voltadas aos municípios produtores, ações de combate ao mercado ilegal de tabaco. Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 3,04 bilhões em produtos do tabaco, o equivalente a quase 91% das exportações nacionais do segmento.
Legal e ilegal
O setor de bets considera eficaz a medida que asfixia o orçamento de bets ilegais no Brasil por meio de bloqueio de operações em operadoras de pagamentos. Contudo, reivindica ação conjunta com as big techs para remover publicidade irregular e coibir atuação de influencers que divulgam bets piratas; retirada de sites clandestinos do ar e conscientização da população para diferenciar uma bet legal de uma ilegal.
Aprendizado
Na avaliação de Bernardo Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), “ensinar os usuários a identificar as casas de apostas regulamentadas é fundamental para reduzir a demanda por esse mercado clandestino”
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 23 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza
Um estudo elaborado pelo Centro de Pesquisas Judiciárias, Estatística e Ciência de Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) reúne informações relevantes sobre a realidade dos motoristas que atuam a partir de plataformas digitais e aplicativos de serviços. Os dados consolidados pelo TST indicam, por exemplo, que os custos para esses trabalhadores (combustível, manutenção de veículo, seguro, prestação do automóvel, etc.) ultrapassa os R$ 5 mil mensais.
A partir de dados da Pnad Contínua 2024, o estudo realizado pelo TST ressalta a grave precarização enfrentada por essa categoria profissional. A média de trabalho é de 44,5 horas semanais, bem acima dos trabalhadores do setor privado (39,3 horas). O estudo sublinha, ainda, a subserviência dos motoristas à remuneração definida pelo algoritmo, o que contribui para uma imprevisibilidade de renda.
Para o presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, a suposta liberdade empreendedora sugerida pelo trabalho plataformizado esconde uma violação da dignidade do trabalhador. “O trabalho em plataformas digitais é marcado pela profunda precarização, cumprimento de jornadas extenuantes, baixas remunerações e alto controle por algoritmos, sem o reconhecimento de direitos trabalhistas e da proteção da legislação social”, alerta o ministro.

Freio de mão
Enquanto a Confederação Nacional da Indústria divulga uma carta de intenções para o Brasil em 2050 aos pré-candidatos, o Centro de Liderança Pública (CLP) publicou uma nota técnica sobre os entraves econômicos para o Brasil se juntar aos países ricos. Desarticulação institucional, mercado fechado para o comércio, sistema tributário cumulativo e insegurança jurídica são alguns dos obstáculos identificados pelo CLP ao crescimento econômico mais expressivo.
Destravar agora
Na avaliação do CLP, é preciso corrigir essas falhas — e o Estado tem papel primordial nessa mudança. “Os casos bem-sucedidos usaram um Estado mais coordenador e mais capaz, não um Estado mais complexo para cobrar tributos ruins, proteger ineficiências e comprimir investimento”, afirma o estudo.
Antieconômico
O Congresso Nacional tem uma parcela de responsabilidade no atual estado de marcha lenta da economia brasileira. Mais da metade das proposições legislativas apresentadas ou em tramitação no ano passado restringiu a liberdade econômica em pelo menos uma dimensão analisada. Os dados fazem parte do Índice Legislativo de Liberdade Econômica 2025, elaborado pelo Ranking dos Políticos em parceria com o Centro Mackenzie de Liberdade Econômica e com o Fé & Trabalho.
Estatizante
O levantamento avaliou 1.650 projetos de lei, propostas legislativas e medidas provisórias. Segundo o estudo, 86,7% das proposições analisadas que afetam a liberdade econômica apresentam impacto negativo sobre ela, enquanto 10,7% foram classificadas como ampliadoras da liberdade e 2,6%, como proposições mistas. A pesquisa conclui que o Congresso Nacional tende a ampliar regulações, criar barreiras e expandir a intervenção estatal na economia.
Voando alto
O Brasil bateu recorde de passageiros embarcados em voos domésticos. De janeiro a maio deste ano, mais de 42 milhões de pessoas estiveram em viagens aéreas pelo território nacional. É um aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado – e em plena guerra no Oriente Médio, que pressiona o preço dos combustíveis. No mesmo período, houve um aumento de 10% no número de passageiros estrangeiros nos céus do Brasil.
Não está à venda
Uma pesquisa realizada pelo Ministério Público Federal sugere que o eleitorado está pouco familiarizado com um crime antigo nas eleições: a compra de voto. Na enquete exibida pelo MPF no WhatsApp, até as 18h50 de ontem, a maioria dos seguidores não “fazia a menor ideia” de como denunciar a contravenção. Prisão e multa A lei eleitoral estabelece até quatro anos de prisão, mais pagamento de multa, para quem vende e para quem compra voto. Já o candidato envolvido pode se tornar inelegível por oito anos. A compra de voto, alerta o MPF, não se restringe a pagamento em dinheiro. Pode ocorrer por meio de oferta de cesta básica, alimento, combustível, material de construção, consulta médica, promessa de emprego, entre outros.

Como denunciar
Caso queira denunciar a compra de voto, o eleitor pode procurar a página MPF Serviços; clicar em “Denúncias e Pedidos de Informação”; entrar com a conta gov.br; inserir fotos, vídeos ou documentos, se possível. Importante: a compra de voto não precisa ser consumada. Apenas a promessa já configura crime eleitoral.
Munição
Pré-candidato ao Senado por São Paulo, o ex-ministro Ricardo Salles (Novo, foto) distribuiu ataques para os adversários. Chamou Marina Silva e Simone Tebet de “forasteiras”, por supostamente não terem vivência política no estado mais rico do país. Criticou, ainda, o deputado estadual André do Prado, apoiado por Flávio Bolsonaro. Salles o identifica como alguém do Centrão. “Ele não é candidato da direita. Eu estou na direita há 20 anos”, apresenta-se Salles.









