Rodrigo Maia, o não-candidato, dá o tom e chama governo a votar reformas

Rodrigo Maia
Publicado em Política

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é agora um não-candidato, em busca de um sucessor e de uma pauta para encerrar seu mandato com chave de ouro, chamado o governo a ajudar na aprovação de reformas cruciais que o país precisa. Esse é recado mais imediato da entrevista que concedeu há pouco à GloboNews, a primeira depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por 6 a 5 que nem ele e nem o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, podem ser candidatos à reeleição para esses cargos no ano que vem.

Ele acusa o governo de não aprovar a PEC Emergencial no Senado, prometida para em dezembro de 2019, como forma de aliviar o caixa e dar sinais positivos para o mercado. Maia considera que “acabaram as desculpas” para não votar essa matéria e diz com todas as letras: “A eleição já passou, não sou candidato a presidente da Câmara. Podem até derrotar um movimento pela independência da Câmara, mas é preciso avançar na pauta econômica”

Ao mesmo tempo em que cobrou uma postura mais ativa do governo em relação às reformas — ele cita ainda a reforma tributária —, ele lança a campanha “Câmara livre” para buscar um nome que represente seu campo da politica na troca de comando na Casa.

Maia terá o desafio de construir um candidato em oposição a Arthur Lira, que hoje é visto com o nome que tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro. “Precisamos da Câmara livre de interferência de outros poderes, de uma candidatura que seja a favor do Legislativo”, diz Maia, citando alguns nomes, como Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Baleia Rossi (MDB-SP), entre outros, tomando o cuidado de manter a ordem alfabética no elenco.

Ele menciona que não tinha a intenção de ser candidato e, justiça seja feita, nunca disse que seria. Antes da decisão do STF, tomou inclusive o cuidado de se manter equidistante daqueles que se apresentavam para concorrer à Câmara, de forma a poder ajudar e trabalhar a construção de um candidato depois que o STF desse seu veredicto. “Se esse campo que eu e muitos representamos chegar lá, não será a derrota do governo, será a vitória de uma agenda que moderniza o estado e a economia, a vitória da Câmara”, diz.

Ao mesmo tempo que elenca as pautas em curso e a sucessão para presidente da Câmara, Maia lembra ainda que, para 2022, se os campos da centro-esquerda e da centro-direita conseguirem se unir em torno de um nome têm tudo para soarem favoritos. E ele inclui nesse rol de Ciro Gomes (PDT) a João Dória (PSDB).

Quando ao presidente Jair Bolsonaro, ele menciona a questão adas vacinas como algo em que o governo pode perder o controle, uma vez que a população deseja as vacinas. A politica entra agora na fase de construção nos bastidores, algo que requer olho vivo e acompanhamento diário.

E, seja para perder ou ganhar, o não-candidato Maia é um personagem a ser acompanhado bem de perto nos próximos dois anos, porque, além de um nome para a Presidência da Câmara, estará dedicado à construção de uma candidatura de centro em oposição a Bolsonaro, caso o presidente não consiga agregar uma parcela expressiva desse campo político.

Empresários pressionam Congresso por Refis igual do DF

Refis
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

O setor produtivo está na maior tensão, esperando uma resposta do governo federal sobre a prorrogação da validade das certidões negativas de tributos federais, que vencem este trimestre. Os empresários temem que, diante da recuperação da economia e com o fim do auxílio emergencial, o governo termine deixando esse tema cair no esquecimento.

» » »

Enquanto a resposta não vem, o empresariado pressiona o Congresso para que haja um Refis da pandemia, nos moldes do que tem o Governo do Distrito Federal. Desde novembro, contribuintes em débito com o GDF podem regularizar suas contas. O governo federal ainda não adotou algo semelhante nesta reta final de 2020.

Saia justa para Ibaneis

Se na disputa para presidente da Câmara dos Deputados pintar um segundo turno apertado entre o PP de Arthur Lira e outro partido mais ligado a Rodrigo Maia, o governador do DF, Ibaneis Rocha, será chamado a liberar a secretária de Esportes, Celina Leão (PP-DF), para votar em Lira.

Entre o aliado e o partido

Só tem um probleminha: se o adversário de Lira for o presidente nacional do MDB e líder da bancada na Câmara, deputado Baleia Rossi, Ibaneis será pressionado pelo próprio partido a jogar no colo de Celina a decisão de se afastar da secretaria, com algo do tipo: se sair, não volta. Afinal, o suplente de Celina é Tadeu Filippelli, do MDB. Como ainda está cedo para saber qual o jeitão desse jogo, o governador não tem de decidir nada agora.

Questão de timing

Amigos de Rodrigo Maia garantem que ele dirá, na hora certa, que não será candidato a presidente da Câmara, ainda que o STF libere.

Vocês vão ter de me engolir

Diante da derrota do PT nas urnas, um grupo começou a vasculhar o estatuto para ver se há alguma brecha para troca de comando do partido. Não há. Gleisi Hoffmann continua no comando até 2023. Ou seja, vai conduzir as conversas para as eleições de 2022.

CURTIDAS

O importante é se exercitar/ O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, aproveitou o sábado para um stand up paddle no Lago Norte. “O Paranoá é incrível”, comentou o ministro à coluna.

Torcida geral/ A turma do governo torce para Josiel Alcolumbre, candidato a prefeito de Macapá, tanto quanto torceu para Carlos Bolsonaro, candidato a vereador no Rio de Janeiro. É que, se a família Alcolumbre sair derrotada, vai sobrar para o Planalto, da mesma forma que, se Carlos perdesse, alguém teria de arrumar uma ocupação para o rebento presidencial.

Por falar em filhos…/ Hoje, a maior preocupação do presidente é com o filho mais velho, o senador Flávio (foto). É que, mesmo com mais seis anos de mandato, a preocupação com o processo da rachadinha não deixa o senador trabalhar em paz.

História resgatada/ No ano comemorativo do centenário do senador Vasconcelos Torres, o Senado Federal lança o livro Vasconcelos Torres — o senador do povo e os desafios do seu tempo. As autoras, as professoras e doutoras Andrea Telo da Corte e Ismênia de Lima Martins, resgataram sua vida pública, sua liderança política no antigo Estado do Rio de Janeiro e seu envolvimento em assuntos que continuam atuais, em especial, meio ambiente, distribuição de renda e educação. Entre outros, destaca-se o Projeto da Criação da Universidade Federal Fluminense. O lançamento será em 9 de dezembro, às 10h, por meio de um debate realizado pela TV Senado e pelo canal do YouTube.

Bolsonaro manterá distância de Lira após notícia sobre “rachadinha”

Bolsonaro
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

Diante das notícias que envolvem o deputado Arthur Lira (PP-AL) em rachadinhas (desvio de salários de servidores), na Assembleia estadual de Alagoas, o mínimo que os pepistas vão cobrar do governo é o benefício da dúvida que é dado ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente jair Bolsonaro.

Aliados de Lira dizem que o deputado já andou muito em sua pré-campanha para recuar agora, quando começa o jogo. Se desistir, sairá com cara de derrotado e condenado. A tendência de Bolsonaro, porém, é manter uma distância regulamentar.

Afinal, se Lira perder musculatura por causa das denúncias, o presidente sempre poderá dizer que não se envolveu diretamente na eleição congressual. No entorno dele, há quem diga que, desde que Rodrigo Maia (DEM-RJ) não saia vitorioso, está tudo certo para o governo. Se, no caso de Flávio, que é filho, Bolsonaro tenta manter uma certa distância, imagine com Lira, com quem apenas tem uma relação política.

Um nó para o Planalto

Há quem diga que o governo entrou cedo demais na candidatura de Lira a presidente da Câmara. Assim, se o DEM sacar mesmo a candidatura de Fernando Coelho Filho (PE), Bolsonaro estará numa saia justa. Fernando é filho do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e já foi ministro de Minas e Energia no governo Michel Temer.

Olha o nível

A forma como os deputados estão conduzindo a disputa para presidente da Câmara indica que será na linha do voto para derrotar o candidato A ou B, ou seus respectivos padrinhos, e não voto em favor de B ou A.

Vacina, o embate da hora

Bolsonaro e João Doria vão entrar no ano pré-eleitoral de 2021 numa guerra em torno da vacina contra covid-19, e as apostas são as de que os dois correm o risco de perder. O presidente, por causa da resistência ao imunizante. O governador, devido aos anúncios de vacinação em massa que ainda não está assegurada do ponto de vista técnico-científico.

Por falar em vacina…

A aprovação dos R$ 2 bilhões para vacinas contra a covid-19 no Congresso deixa deputados e senadores prontos para chamar o governo de incompetente, se a vacinação não funcionar a contento. Afinal, não vai poder dizer que foi por falta de autorização do Parlamento.

“Deputérica” é a &#@*?/ Se a sessão fosse presencial, com casa cheia, o deputado Bibo Nunes (PSL-RS) não conseguiria deixar o plenário da Câmara, ontem, depois de chamar as deputadas de “histéricas” e se vangloriar de criar o neologismo “deputéricas”. Algumas esperaram Nunes na saída do plenário, pois não sabiam que o discurso tinha sido feito por videoconferência.

Por falar em videoconferência…/ A última das excelências é fazer o pronunciamento de dentro do carro. Capitão Wagner (Pros-CE), por exemplo, parou o veículo num acostamento, na hora em que chegou a vez de falar. Um jovem, no banco de trás do carro, tratou de se esconder quando percebeu que aparecia no vídeo.

Etanol, a nova fronteira I/ Com o ESG (sigla em inglês para meio-ambiente, inclusão social e governança) cada vez mais forte no mundo, o etanol surge como uma saída mais prática para a questão energética no país, muito mais do que os carros elétricos europeus.

Etanol, a nova fronteira II/ “Na Europa, os carros elétricos pretendem levar a uma emissão de 62 gramas de CO2 por quilômetro rodado, enquanto o etanol está abaixo de 60 gramas, com 56 por quilômetro rodado” diz Evandro Guzzi, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única), que hoje estará no CB.Agro, 13h15, na TV Brasília e nas redes sociais do Correio.

Deputado chama deputadas de “deputérias” e vai responder no Conselho de Ética

Publicado em Política

Pelo menos parte da bancada feminina prepara uma representação contra o deputado Bibo Nunes (PSL-RS), que há pouco discursou no plenário virtual dizendo que, a partir de agora, chamaria as deputadas de “deputéricas”, “deputadas histéricas”, que “não respeitam minimamente o presidente da República”. ele mencionou ainda que elas “só criticam e ofendem”.

As deputadas, como, Sâmia Bonfim (PSol-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Flávia Arruda (PL-DF) e Érika Kokay (PT-DF) protestaram e avisaram que vão ao Conselho de Ética contra o que consideraram um apelido “ridículo, indecoroso e machista”, definiu Jandira. E avisou ao peselista: “Não vamos parar de nos posicionar. Vai ter que nos ouvir ainda que não goste”. As deputadas avisam ainda que, se o parlamentar quiser debater, que o faça no mérito dos projetos e da posição política da ala feminina do Congresso, não com comentários sexistas. “Não vamos aceitar nenhum tipo de machismo. Já temos que conviver com isso na rua. Não é possível que tenhamos que conviver também no Parlamento”, protestou Flávia Arruda.

Durante todo o dia, outras deputadas também entraram na sessão virtual para registrar sua indignação contra o comentário do deputado Bibo Nunes, que, em seu pronunciamento, ainda se vangloriava de ter criado um “neologismo”. Érika Kokay (PT-DF) mencionou que, durante toda a campanha essa violência de gênero esteve presente em candidaturas, como, Marília Arraes e Manuela D’Ávila. “Todas as vezes que mulheres se colocam e dizem que lugar de mulher é onde ela quiser e ocupam espaços que a lógica sexista, machista, reserva para os homens, elas são atacadas. Vimos aqui nesta sessão. A misoginia é crônica, engravatada, com sapatos reluzentes. Tentar caracterizar a firmeza da posição das mulheres como histeria. Os homens, quando são firmes, são chamados de convictos, combativos”, afirmou Érika. Citando Sócrates, ela completou: “A violência é sempre a arma dos fracos, daqueles que não conseguem debater ideias”. Joenia Wapichana (Rede-RR) e Perpetua Almeida também comentaram a fala de Bibo Nunes: “Quando um deputado vai à tribuna ofender as parlamentares, está ofendendo as mulheres do Brasil”, mencionou Perpétua.

Ao longo de toda a campanha municipal, muitas candidatas mulheres de vários partidos sentiram na pele o preconceito, nos mais diversos níveis, com ataques sexistas e racistas. Em Bauru, por exemplo, a prefeita eleita, Suéllen Rossim, do Patriotas, chegou a ser ameaça de morte por causa da sua cor. Em Porto Alegre, Manuela D’Ávila foi alvo de vários ataques sexistas na internet. A campanha pediu a suspensão de mais de 91 postagens mentirosas a respeito da candidata gaúcha. Em São Paulo, a deputada Joyce Hasselmann também foi alvo de ataques desse tipo. Agora, pelo visto, a bancada feminina chegou ao limite com os ataques.

13º salário do Bolsa Família cai no esquecimento

13º salário do Bolsa Família
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

O governo tem feito as contas e, se depender exclusivamente dos técnicos, não haverá 13º salário do Bolsa Família. É que, diante do auxílio emergencial pago, este ano, aos contemplados pelo programa, muita gente no Executivo considera que esse salário extra já está pago com o auxílio de R$ 300 distribuído no último trimestre.

Na seara da política, o ministro Onyx Lorenzoni, por exemplo, sempre que perguntado, desconversa, não diz nem que sim nem que não. Pré-candidato a governador do Rio Grande do Sul, quer distância de notícias ruins.

Coladinho ali

A entrevista do ministro das Comunicações, Fábio Faria, ao Correio Braziliense, foi vista no Congresso como o que faltava para colar definitivamente ao governo a candidatura de Arthur Lira (PP-AL) à Presidência da Câmara. A partir de agora, avaliam alguns, Lira terá dificuldades em buscar votos dos partidos que não desejam ficar totalmente alinhados a Bolsonaro.

A união faz a força

A parceria eleitoral entre PDT e PSB, no Recife, continua rendendo. Agora, os Carlos — Lupi, presidente do PDT, e Siqueira, do PSB — prometem marchar unidos nas negociações em torno da Presidência da Câmara. Até aqui, não prometeram votos para nenhum dos postulantes.

Ainda é cedo

Arthur Lira esteve, recentemente, com o presidente do PSB, Carlos Siqueira. Ouviu que os socialistas não poderiam se comprometer com qualquer candidato a esta altura do campeonato.

O próximo embate

A discussão do Orçamento de 2021 dentro do Congresso Nacional será atropelada pela decisão do Tribunal de Contas da União, de permitir a liberação de restos a pagar de 2020, desde que cumprido o teto de gastos. A medida deixará o governo no seguinte dilema: ou executa a sua programação para 2021 ou o que ficou pendente do Orçamento deste ano.

Vem por aí/ A live de lançamento do livro Governance 4.0 para a covid-19 no Brasil, organizado pelo ministro Gilmar Mendes, pelo economista José Roberto Afonso e pela tributarista Hadassah Santana, sedimentou a necessidade de uma lei de responsabilidade social, nos moldes da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A lição que ficou/ Na mesma live, o governador Ibaneis Rocha destacou as medidas que precisou adotar para tentar conter a disseminação rápida do vírus no DF. A mensagem geral foi a de que a Federação, sempre de cima para baixo no Brasil, obteve, em 2020, seu primeiro teste de fato. Diante da troca de ministros em meio à pandemia, o que resultou na falta de uma coordenação nacional para lidar com o problema, os governadores tiveram de se organizar, independentemente do governo federal. Se brincar, essa situação corre o risco de se repetir em relação às vacinas.

Climão I/ Os líderes do governo e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, estão se estranhando, mais uma vez. Esta semana, reclamaram que Maia encerra as sessões sem permitir a prorrogação para votar as medidas provisórias de interesse do governo e nem a BR do mar. Eles têm dito no Planalto que as matérias passam, porém, Maia não pauta. “Quem comanda a sessão é o presidente da Casa”, diz Ricardo Barros (foto), do PP-PR.

Climão II/ Da parte de Maia, seus aliados têm dito que, quando há acordo e pauta fechada, a Casa vota. Cabe ao governo buscar os acordos.

MP, muito além da Lava-Jato/ A revista Consultor Jurídico acaba de lançar o anuário do Ministério Público de 2020 — O Poder dos Poderes. O MP, que ficou famoso depois da Operação Lava-Jato, é considerado uma instituição ainda desconhecida, embora seja uma das mais importantes.

PSB e PDT decidem jogar juntos na corrida pela Presidência da Câmara

Publicado em Política

Os presidentes do PSB, Carlos Siqueira, e do PDT, Carlos Lupi, tiveram uma reunião hoje em que decidiram trabalhar as bancadas dos dois partidos para atuar em conjunto na disputa pela Presidência da Câmara. Hoje, o PSB tem 31 deputados e o PDT, 28. Por enquanto, vão deixar o barco correr mais um pouco para ver como é que fica, uma vez que o número de pré-candidatos não se manterá nesse patamar daqui a um mês.

Os dois partidos vêm sendo cortejados tanto pelo grupo mais ligado ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, quanto por Arthur Lira, do PP. Se a ideia de jogarem juntos, vingar, terão poder de influir na escolha do nome do grupo de Maia, onde ha muitos concorrentes. Afinal, diante de uma Câmara pulverizada, um grupamento de 59 deputados tem muita força. O PSB, no entanto, perderá um quando JHC assumir a prefeitura de Maceió em 1 de janeiro. O suplente dele é Pedro Vilela, do PSDB.

O caso “rachadinha” de Silas Câmara no STF é teste para Flávio Bolsonaro

STF
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

Enquanto a maioria dos deputados estava dedicada às eleições municipais, coube ao novo ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques, jogar para escanteio um processo de “rachadinha” contra o coordenador da bancada evangélica, deputado Silas Câmara (Republicanos-AM).

O caso é visto com muita preocupação por uma parcela expressiva dos parlamentares, em especial por causa do senador Flávio Bolsonaro (RJ), do mesmo partido de Silas e suspeito de desvio de salário de servidores quando era deputado estadual.

Para quem não acompanhou o julgamento no STF, Nunes Marques pediu vistas e tirou o processo do plenário virtual, aquele em que os ministros vão colocando seus votos, para que o julgamento ocorra em sessão plenária, seja presencial ou por videoconferência.

Vale lembrar que o relator, Luiz Roberto Barroso, e o ministro Edson Fachin votaram pela condenação de Silas, por desvio de recursos de salários de servidores de gabinete, a cumprimento de pena cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto, além de multa de R$ 110 mil e devolução de R$ 248 mil. Se o caso servir de jurisprudência, pode demorar, mas outros correm o risco de seguir pelo mesmo caminho.

PSB chega dividido

O PSB vai desembarcar em Brasília dividido para tratar da sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara. Uma parte deseja formação de bloco com os partidos de esquerda.

Outra, conforme adiantou a coluna no fim de semana, defenderá o apoio a Arthur Lira (PP-AL). Gratidão, informam os aliados de JHC, prefeito eleito de Maceió, é o maior dos sentimentos. Arthur foi muito importante para a vitória na
capital alagoana.

Coerente com o discurso

A intenção do governo de não prorrogar o auxílio emergencial tem sintonia com o desejo do governo. A ideia é de que as pessoas precisam seguir em frente, ainda que o vírus
esteja por aí.

Incoerente com a política

Até aqui, porém, os políticos aliados ao governo pressionam para que o presidente Jair Bolsonaro tente, ao menos, encontrar um meio termo. Querem uma forma de não deixar os eleitores que recebem esse auxílio suscetíveis ao discurso da oposição. Já basta a conta de luz mais cara.

A vida é feita de escolhas

O presidente, porém, não tem muita saída diante da falta de recursos. A não votação do Orçamento dará um alívio no início de 2021, uma vez que não terá ainda emendas parlamentares. Mas é só. Com falta de recursos, pressão inflacionária e o desemprego alto, o governo não pode arriscar piorar ainda mais as contas públicas.

Falha geral

O assalto que levou pânico a Criciúma (SC), a maior cidade do Sul de Santa Catarina, acendeu o pisca-alerta das forças de segurança no país. Faltou inteligência para prevenir esse tipo de crime, o segundo com as características de bandidos fortemente armados, e com tiroteios em vários pontos de uma mesma cidade. O primeiro foi em Ourinhos (SP).

Professor Paes I/ Prefeito eleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes promete se tornar um coordenador informal do grupo nas capitais. Ontem, por exemplo, falou com o prefeito eleito de Maceió, JHC, a quem dará alguns conselhos.

Professor Paes II/ Paes é considerado um construtor de pontes políticas e, da mesma forma que procurou Bolsonaro, vai contatar os novos prefeitos.

É LDO e recesso/ O anúncio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), de que a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias está pautada para 16 de dezembro, no plenário do Congresso, foi visto como uma senha de que o parlamento entre em recesso dia 18.

Briga até nisso/ O recesso é defendido pelos aliados de Arthur Lira, que não querem dar palanque para Rodrigo Maia em janeiro. A turma de Maia, porém, prefere o plenário funcionando em janeiro. A maior parte do tempo, porém, será dedicado aos acordos de bastidores. Afinal, com eleição do comando da Câmara e do Senado, em fevereiro de 2021, e posse de prefeitos na virada do ano, a política continuarfá a pleno vapor.

PSDB, DEM e MDB encaminham união para Presidência da Câmara e de olho em 2022

de olho presidência 2022
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

Conhecido o resultado de hoje, a política passa à próxima fase do jogo rumo a 2022, a pré-campanha para presidente da Câmara. Vitoriosos nas urnas, PSDB, DEM e MDB caminham para uma união nessa próxima disputa e a construção é vista com um ensaio para projetos futuros.

Obviamente, a um ano e oito meses da abertura oficial da campanha presidencial, ninguém fala em nomes e nem é o caso agora. O objetivo é reunir forças e deixar o diálogo aberto a outros, como o Cidadania, PSB, PDT e Rede, por exemplo.

Afinal, quanto mais partidos estiverem juntos, melhor para evitar o sucesso eleitoral dos extremos em 2022 — leiam-se como extremos Jair Bolsonaro, à direita; e o Psol/PT, à esquerda.

Essa construção na Câmara, portanto, tem problemas, porque PSDB, DEM e MDB, juntos, não conseguem. O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deixou que os partidos de centro escolhessem um candidato e ele apoiaria. A esquerda tem a mesma expectativa. Nesse caso, não será difícil Maia terminar como o único capaz de conseguir unir todos os grupos.

A quem serve

Com a prisão do hacker em Portugal e as ações no Brasil, a Polícia Federal passa, agora, a mapear as ligações da quadrilha com a política brasileira. Essa novela está apenas começando.

Ponto para Arthur Lira

Se o deputado JHC (PSB-AL) sair vitorioso, hoje, na disputa pela prefeitura de Maceió, o líder do PP, Arthur Lira, pode contar alguns votos em sua campanha para presidir a Câmara dos Deputados. O apoio do terceiro colocado, Davi Davino Filho (PP), a JHC foi considerado crucial para lhe garantir uma boa colocação neste segundo turno contra Alfredo Gaspar, o candidato da família Calheiros.

As contas de Bolsonaro

Fechadas as urnas, hoje, o governo fará uma radiografia dos partidos de centro que podem virar potenciais aliados do presidente mais adiante e tratar de atrair esse grupo. É o jeito de tentar montar um time para 2022, antes mesmo de o presidente Jair Bolsonaro escolher um partido.

Aposta eleitoral

Política não é uma ciência exata e, com base nisso, os governistas calculam que, se Bolsonaro estiver bem daqui a um ano e meio, a maioria dos prefeitos vitoriosos neste pleito, de partidos de centro, apostará na sua reeleição, independentemente de legenda.

Me dê motivo

Uma das razões apontadas pelos deputados para o Congresso não trabalhar em janeiro é a falta de pagamento por sessões extraordinárias. A do Centrão ligado a Arthur Lira é não dar palco para Rodrigo Maia, no último mês do demista como presidente da Câmara.

CURTIDAS

Serviço da hora/ Desde ontem, as equipes dos candidatos que concorrem neste segundo turno estão dedicadas a identificar notícias falsas espalhadas, em especial, por WhatsApp, considerada a rede social mais suscetível a esse tipo de crime.

Em modo avião/ O governo que não espere muito de Davi Alcolumbre (DEM) nesta primeira semana pós-segundo turno Brasil afora. A prioridade do presidente do Senado é a eleição em Macapá, no próximo domingo.

Sambinha de uma nota só/ No debate para prefeito do Rio de Janeiro, as respostas de Marcelo Crivella (Republicanos) ao adversário Eduardo Paes (DEM) foram todas acompanhadas da tentativa de associar Paes ao presidiário Sérgio Cabral. É o que resta ao prefeito/candidato para tentar virar o jogo, depois de uma administração que, se as pesquisas estiverem corretas, será reprovada, hoje, por larga maioria do eleitorado carioca.

O inimigo do meu inimigo…/ O senador Renan Calheiros (MDB-AL) acompanha a eleição em Maceió com um olho na Presidência da Câmara. Se JHC vencer, fará tudo o que estiver ao seu alcance para evitar que Arthur Lira conquiste a Presidência da Câmara.

Enquanto isso, no Parlamento…/ O Legislativo está a praticamente três semanas do recesso. E só volta para valer em fevereiro. Para esta reta final, apenas medidas provisórias, como o projeto da BR do Mar e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Governo atuará para o fim do inquérito sobre interferência na PF em fevereiro

Bolsonaro e Moro
Publicado em coluna Brasília-DF

Coluna Brasília-DF

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, de prorrogar por mais 60 dias o inquérito sobre interferência na Polícia Federal, deixa o Planalto sob pressão, mas com prazo para terminar e bem antes da eleição de 2022.

Os cálculos bolsonaristas apontam que, depois de fevereiro, o Brasil será outro e esse caso estará esquecido. Para isso, todos os esforços, agora, serão no sentido de trabalhar para que a investigação termine nesses 60 dias, sem mais delongas. Até lá, porém, a ordem é administrar o desgaste.

Ainda que o presidente Jair Bolsonaro tenha decidido não depor, os aliados dele dão como certo que será chamado novamente e, mesmo que o procurador-geral, Augusto Aras, peça o arquivamento mais à frente, o sossego, nesta seara, só virá quando a investigação for arquivada.

Onde mora o perigo

O caso de prorrogação do inquérito sobre a interferência na PF não está no rol de principais preocupações do Planalto. O que mais incomoda é o desemprego, na faixa de 14,6%, conforme divulgado ontem pelo IBGE, e a eleição para a presidência da Câmara.

Alerta de tsunami

Os setores produtivos já levaram ao Planalto sua preocupação com o fim do auxílio emergencial, em janeiro. Se não houver nada para compensar essa perda de receita dos mais necessitados, que fez a economia girar um pouco mais nesse período de pandemia, a parcela da população que Bolsonaro acredita ter ao seu lado buscará outro rumo.

Dividir para reinar I

Quem enxerga mais à frente os cenários políticos vê, nesse apoio do DEM e de outros partidos a Marília Arraes (PT), uma forma de insuflar ainda mais a divisão da esquerda, para 2022, em Pernambuco. Do jeito que está, ficará desunida até o fim dos tempos em Recife.

Dividir para reinar II

O raciocínio dos partidos de centro-direita em Pernambuco é que, com o PT governando a capital do estado e o PSB, o governo estadual, não haverá unidade nesse campo político. Assim, se as forças conservadoras conseguirem se unir, podem derrotar as forças que, no passado, já estiveram juntas sob a batuta de Miguel Arraes.

Curtidas

Sem embate final/ O cancelamento do último debate em São Paulo por causa do exame positivo de Guilherme Boulos para covid-19 tirou do candidato do PSol um movimento que era considerado crucial para tentar avançar sobre os votos de Bruno Covas (PSDB). Ele só tem chance amanhã se tirar votos do adversário, o que até agora não aconteceu.

A torcida pelo não voto/ Sem o embate e movimentos de rua, Boulos torce, agora, pelo #fiqueemcasa. É a única forma, avaliam seus aliados, de vencer Bruno Covas.

Quem diria…/ O bolsonarismo torce pela esquerda. A turma mais ligada ao presidente cogita votar em Guilherme Boulos para prefeito. Uma forma de tentar evitar que os tucanos continuem mandando na capital paulista e ajudem a fortalecer uma pré-campanha de João Doria. Quem diria.

… ele está se vacinando/ Ao dizer que não chamou a covid-19 de “gripezinha”, o presidente tenta, desde já, amenizar o estrago que isso pode fazer numa campanha. A afirmação da live da última quinta-feira, apostam aliados, já está devidamente arquivada para servir de imunizante eleitoral no futuro.

”Judicialização” de algumas questões continua sendo desafio de Fux à frente do STF

Publicado em coluna Brasília-DF

Coluna Brasília-DF

A bola desta reta final de 2020 está nos pés do Supremo Tribunal Federal, que decide desde datas de realização de concursos para adventistas do Sétimo Dia até a questão das vacinas, passando ainda pela preservação de restingas e manguezais e, de quebra, a eleição para os comandos da Câmara e do Senado. Isso mostra que o novo presidente do STF, Luiz Fux, não conseguiu colocar em prática o que pregou em sua posse — evitar a judicialização — e nem conseguirá no futuro. O único tema que caminha para que o STF abra mão de meter a sua colher é o da candidatura à reeleição nas duas Casas do Congresso. Como não há candidaturas oficiais, a tendência na Suprema Corte, hoje, é considerar o tema “interna corporis”, ou seja, de decisão pelo próprio Parlamento.

Vale lembrar que, em seu discurso de posse, Fux afirmou que “alguns grupos de poder não desejam arcar com as consequências de suas próprias decisões e acabam por permitir a transferência voluntária e prematura de conflitos de natureza política para o Poder Judiciário”, temas que, na avaliação do presidente do STF, deveriam ser debatidos em outras áreas. Ele alertou que isso leva o STF a um “protagonismo deletério, corroendo a credibilidade dos tribunais quando decidem questões permeadas por desacordos morais que deveriam ter sido decididos no Parlamento”.

Em tempo: antes da Lava-Jato e do mensalão, dizia-se, em Brasília, que tudo acabava “em pizza”. Agora, tudo acaba “em Supremo”.

Custo & benefício

Ao não prestar depoimento presencial aos procuradores no caso da denúncia de interferência na Polícia Federal, Jair Bolsonaro optou por se preservar. Afinal, um depoimento frente a frente com os investigadores poderia ter a presença de Sergio Moro, criando um palanque para um potencial adversário futuro. De quebra, o genioso presidente correria o risco de cair em alguma provocação.

Muito além do Amapá I
O governo federal teme que o apagão prolongado no Amapá fique pequeno perto de outros problemas energéticos que está tentando evitar. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) deve retomar, nas próximas semanas, um julgamento que pode determinar à Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) o pagamento de R$ 600 milhões a uma empresa do Rio Grande do Norte que se diz prejudicada pelo atraso na entrega de uma linha de transmissão.

Muito além do Amapá II
A Advocacia-Geral da União (AGU) tem procurado os desembargadores para explicar que o valor é exorbitante, o dobro da concessão que a Chesf ganhou (de R$ 300 milhões em 30 anos) e que a despesa, se efetivada, fará com que toda a região Nordeste corra o risco de sofrer com apagão. A defesa da distribuidora alega que a outra empresa concordou, por escrito, com o atraso da obra e que não sofreu o prejuízo alegado.

Eduardo nas mãos de Maia
Apresentado o pedido para que Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) seja afastado da presidência da Comissão de Relações Exteriores, conforme antecipou o Blog da Denise, no site do Correio Braziliense, agora só falta Rodrigo Maia (DEM-RJ) colocar para votar no plenário da Casa. Os autores, Perpétua Almeida (PCdoB-AC), Daniel Almeida (PCdoB-BA) e Fausto Pinato (PP-SP), têm recebido inúmeros telefonemas com pedidos para subscrever o requerimento.

A vez da monarquia/ Na hipótese de a Câmara aprovar o pedido dos deputados para que Eduardo Bolsonaro seja afastado da presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, quem assume é o vice-presidente, Luiz Phillipe de Orleans e Bragança (PSL-SP).

Preventivo/ Certo de que a vitória de Bruno Covas ou Guilherme Boulos, no domingo, não lhe trará qualquer dividendo eleitoral, Bolsonaro promete não descuidar de São Paulo no próximo ano. Afinal, dizem seus aliados, não dá para descuidar do estado apontado como “celeiro de votos”.

Três vértices/ A avaliação dos bolsonaristas é a de que a velha polarização Bolsonaro x PT, que ganhou corpo em 2018, não servirá para 2022. Agora, há novos atores como Boulos, em São Paulo, que dividirão a ribalta da esquerda com o PT de Lula, o PDT de Ciro Gomes (foto) e, ainda, o PSB.

Por falar em PSB.../ A ida do ex-governador, ex-ministro e ex-deputado Ciro Gomes a Recife, esta semana, em apoio a João Campos, representou mais um lance rumo a 2022. Com PSB e PDT coligados na capital pernambucana, a visita de Ciro é lida como mais um gesto de afastamento do PT.