Autor: Denise Rothenburg
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 2 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Senadores dos partidos de centro estão com dificuldades de votar propostas alternativas ao texto do fim da escala de trabalho 6 x 1 aprovado na Câmara. É que o “um dia a mais de descanso” ganhou corpo entre a população. Não por acaso, o presidente do MDB, Baleia Rossi, comentou no almoço do Lideres Empresariais (Lide), em São Paulo, que o partido apoia o projeto. As excelências têm dito que há muito tempo não havia uma cobrança tão grande sobre um tema. Se for a voto antes da eleição — é a tendência é de que seja apreciado —, será aprovado.
O que vale para Hugo…/ … pode valer para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UniãoAP). Até aqui, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem na aprovação do fim da escala 6 x 1 um legado “à Getúlio Vargas” para apresentar como o principal fruto de sua gestão — tal como Arthur Lira (PP-AL), que entregou a Reforma Tributária. O senador terá dificuldades de segurar o projeto, assim como tem feito com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública e o Redata (Regime especial de Tributação para Datacenters), que estimula a instalação desses serviços no país. E, com dois terços do Senado em jogo nessas eleições, amplia a pressão para que o texto vá a voto logo. É nisso que os governistas apostam.
O alerta de Appy
Ex-secretário da Reforma Tributária no Ministério da Fazenda e convidado especial para uma palestra magna na abertura do 10º Congresso Luso Brasileiro de Auditores Fiscais, em Belo Horizonte, Bernard Appy aproveitou o evento para manifestar preocupação com o fato de candidatos de direita falarem em acabar com a reforma. “É preocupante esse posicionamento. Acho isso muito ruim. Gera insegurança jurídica”, advertiu. Appy lembrou ainda que “quem se opõe (à Reforma Tributária) não quer que o país cresça”.
“Não posso sair daqui”
Depois de confirmar presença no Fórum de Lisboa, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ligou para alguns amigos e autoridades para justificar a ausência. Ele alegou que tem muito trabalho em Brasília e não poderia se ausentar. A avaliação de muitos é de que, em meio ao caso Master — e a penca de políticos envolvidos—, impossível sair do quadrilátero Brasília-São Paulo-Rio de Janeiro-Salvador.
Até aqui…
Enquanto as investigações e vazamentos sobre os recursos utilizados no filme biográfico de Jair Bolsonaro, Dark Horse, não provarem que Eduardo Bolsonaro se beneficiava deles, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto segue viável. Se o escândalo chegar ao filho 03 de Jair Bolsonaro, Flávio, o 01, será obrigado a parar nos boxes.
… contenção de danos
No cenário atual, a ordem é defender Flávio e evitar que cada fato novo prejudique a reputação do filme — visto como uma ferramenta para impulsionar o pré-candidato na corrida presidencial.
CURTIDAS

Atenção, contribuintes!/ Fiquem calmos. Um dos principais recados do secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas (foto), no 10º Congresso Luso-Brasileiro de Auditores Fiscais, em Belo Horizonte, foi de que o fisco não sairá multando as empresas nessa fase de teste dos primeiros acordes da Reforma Tributária. As receitas (federal, estaduais e municipais) estão no “modo diálogo e orientação” aos contribuintes.
Articulação em Minas/ Por falar em Belo Horizonte, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, participa hoje do encontro regional do partido. Ele chegou ontem à capital mineira para jantar com empresários na casa do presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flavio Roscoe — cotado para concorrer ao governo estadual pelo PL.
Muito além dos combustíveis/ O jantar promovido pelo think tank Esfera em Lisboa, serviu para apresentação de um estudo sobre o avanço do crime organizado no varejo. O advogado Pierpaolo Bottini e a CEO do Esfera, Camila Camargo, mostraram que há facções controlando dezenas de lojas em vários estados.
Primeiro João Fonseca/ Antes de seguir para o XIV Forum de Lisboa, o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, foi à Franca, mais precisamente acompanhar de perto o torneio de Roland Garros, onde João Fonseca, o tenista brasileiro de 19 anos, dá um show, passando às semifinais. Trabuco fala hoje no Forum e segue direto para o aeroporto. Sem escala nos jantares que costumam reunir o meio jurídico, político e empresários.
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 31 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Quem acompanha de perto o caso de Daniel Vorcaro faz uma comparação direta com do empreiteiro Marcelo Odebrecht e sua empresa. Nos idos de 2015, até pedir desculpas ao Brasil, em 1° de dezembro de 2016, a Norberto Odebrecht — hoje Novonor — soltou uma série de notas de esclarecimento dizendo ser mentira qualquer envolvimento em irregularidades relacionadas aos pagamentos de propina revelados na Operação Lava-Jato. Tal qual a turma da Odebrecht, Vorcaro inicialmente negou tudo. Depois, apresentou uma delação rejeitada porque incluiu ali a perspectiva de retorno ao mercado financeiro e ao status de banqueiro. Agora, o que se diz é que ou o ex-banqueiro fala ou permanecerá preso. Foi assim com Marcelo Odebrecht e o departamento de propina que mantinha em sua empresa. O empresário virou a página daqueles tempos obscuros. O avô dele, Norberto Odebrecht, que dedicou a vida à construtora, morreu em 2014 e não chegou a ver o neto preso. O pai dele, hoje com 81 anos, mandou demitir o filho do comando da companhia e, à época, coordenou o processo de delação premiada, o maior da história do país.
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Banco, só o da praça/ Marcelo hoje vive em São Paulo, afastado das empresas de construção, cuidando dos processos que ainda restam. É esta a tendência que muitos veem para o futuro de Daniel Vorcaro depois da delação. Vida de banqueiro, captando dinheiro a rodo Brasil e mundo afora? Nunca mais.
Por falar em Lava-Jato…
Apesar das semelhanças entre um caso e outro, investigadores do Master estão tomando todo cuidado para não ocorrer neste episódio o que houve com o escândalo da Lava-Jato. Lá atrás, as conversas vazadas pelo portal The Intercept Brasil terminaram ajudando a defesa de muitos personagens a anular provas.
Porta-voz de Silveira
O deputado General Pazuello (PL-RJ) explicou à coluna que votou contra a convocação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, à Comissão de Minas e Energia na Câmara, porque “não adiantava” aprovar o pedido. De acordo com o deputado, Silveira estará de férias em 2 de junho e, por isso, outra pessoa seria designada para comparecer. Segundo o parlamentar, isso não resolveria o problema, uma vez que os deputados querem ouvir as justificativas do próprio ministro sobre o leilão das termelétricas. “Eu expliquei na comissão. Silveira me disse que irá, convidado ou convocado, no dia 10 de junho”, disse Pazuello.
Ficou ruim
A turma do PL não engoliu essa explicação. Afinal, conforme o leitor da coluna já sabe, o pedido de convocação partiu do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES), um dos líderes de Jair Bolsonaro na Casa. Quando um líder do partido pede, cabe aos aliados apoiarem os pedidos.
Depois da Copa do Mundo…
Sobe na bolsa de apostas a ida do presidente do PSD, Gilberto Kassab, para o posto de candidato a vice na chapa encabeçada por Ronaldo Caiado. Mas Kassab contou à coluna que nada será decidido agora. Qualquer anúncio será feito apenas em julho. Afinal, a temporada de convenções para oficialização de candidaturas só começa em 20 de julho. Até lá, tem muito jogo. E não apenas nos gramados dos Estados Unidos, do México e do Canadá.
CURTIDAS

Combustíveis adulterados/ Na posse como presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria (FPI), o deputado Júlio Lopes (PP-RJ, foto) destacou a alta probabilidade de que o consumidor pague por combustível falsificado nos postos de gasolina. “Quando abastecemos nosso carro com um litro de gasolina, temos 40% de chance de receber 700ml, 600ml de gasolina batizada. Ao invés de recebermos uma gasolina com 30% de etanol, recebemos com 50%, 60% de metanol”, afirmou.
Pobreza zero/ Nesta terça-feira, será assinada uma parceria institucional para fortalecer a construção de políticas públicas contra a pobreza. O acordo será firmado entre o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e a ONG Gerando Falcões. O ministro Wellington Dias e o presidente da instituição, Edu Lyra, estarão à frente do evento, que será no Polo da ONG em Poá (SP).
Preparem os estoques e os bolsos/ No XIII Forum de Lisboa, no ano passado, as autoridades e os advogados endinheirados que passaram pela tradicional loja de vinhos A Garrafeira levaram todas as caixas do tinto Pera Manca (entre R$ 2,7 mil R$ 5 mil a garrafa). Na semana que vem, com a maior edição já prevista do evento, a turma do direito aposta que não será diferente. Começa amanhã uma semana de muitos bastidores regados a bons e caros vinhos na capital portuguesa.
62,9% dos brasileiros consideram consultar IAs em busca de informações de candidatos nas eleições

Por Eduarda Esposito — Uma pesquisa com eleitores brasileiros mostrou que 62,9% consideram utilizar Inteligência Artificial (IA) para realizar pesquisa sobre candidatos para as eleições deste ano. O levantamento foi realizado pelo Projeto Brief — plataforma de comunicação política com foco em dados e campanhas mobilizadoras. O estudo revela ainda que dentro esse percentual, 22,4% a tratariam como uma fonte útil como qualquer outra e 40,5% a consultariam, mas verificariam em outras fontes também. Os outros 23,2% preferem fontes humanas, como jornalismo e debates, e apenas 13,9% declaram não confiar em IA para informações políticas.
Para a coordenadora do projeto, Carol Luck, esses são dados preocupantes porque as IAs não são totalmente confiáveis. “As respostas geradas por IA não são 100% confiáveis — e isso é algo que as próprias plataformas sinalizam. Nem sempre fica claro de onde veio a informação, quais fontes foram consultadas ou se os dados estão atualizados. Em ano eleitoral, isso tem peso: a decisão de voto pode passar por respostas automatizadas que induzem ao erro”, alertou.
O estudo mostra que 44,3% dos brasileiros usam IA para buscar notícias ou informações, e 38,3% usam para checar se uma informação é verdadeira. Com isso, a pesquisa revela que 73,8% dos usuários de IA, no dia a dia, demonstram algum grau de abertura para recorrer à ferramenta como fonte de informação política.
Real x fake
O levantamento também fez a análise de identificação do conteúdo, se as pessoas conseguem distinguir o que é algo criado por IA e o que é verdadeiro. O resultado mostra que a maioria dos participantes não soube identificar o que era real ou não. No experimento audiovisual produzido por IA, 45,3% afirmaram que o conteúdo era artificial, 33% afirmaram que era original e o restante não soube diferenciar. Já com o vídeo original, 33,9% acreditou que era feito por IA, enquanto 40,7% identificaram que era original.
“Isso revela uma crise de autenticidade. Em 2026, campanhas, instituições, jornalismo e organizações civis terão de lidar com dois problemas ao mesmo tempo: conteúdos falsos circulando como reais e conteúdos reais”, comentou os produtores da pesquisa.
A dificuldade também tem idade. No grupo de 18 a 29 anos, 58,2% identificaram corretamente o vídeo fake. Entre pessoas com 61 anos ou mais, apenas 20,9% fizeram essa identificação. E na população idosa, 47% disseram que o vídeo sintético era original. “O recorte por idade mostra uma vulnerabilidade importante para públicos mais velhos, especialmente diante de conteúdos plausíveis, com personagens reconhecíveis e circulação em ambientes de confiança pessoal, como grupos de WhatsApp. Há também um alerta entre jovens. Eles detectam melhor o conteúdo sintético, mas 39% classificaram o vídeo original como IA. A suspeita pode virar excesso de desconfiança. Esse é um dos pontos mais sensíveis da pesquisa: formar pessoas para identificar manipulação exige também fortalecer critérios para reconhecer conteúdo autêntico.sendo percebidos como suspeitos”, comentou Luke.
O estudo também mostra que 71,6% dos entrevistados acreditam que a inteligência artificial pode ser usada para influenciar eleições. “A disputa eleitoral com IA também será uma disputa pela qualidade das respostas. Em um ambiente de busca conversacional, quem pergunta sobre política recebe sínteses prontas. A confiabilidade dessas respostas dependerá da qualidade das fontes, das regras das plataformas e da capacidade pública de exigir transparência”, completou.
No que se refere à fiscalização e responsabilidade pelo controle do uso de inteligência artificial na política, a maioria apontou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citado por 51,6% dos participantes. Em seguida aparecem o governo federal (42,1%), as plataformas digitais (38%), os cidadãos (24,2%) e organizações da sociedade civil (17,8%).
O estudo
Realizada entre 25 e 29 de abril de 2026, com 2.483 participantes de todo o país recrutados via redes sociais, a pesquisa foi dividida em três grupos: controle (1.000), expostos ao vídeo com IA (723) e expostos ao vídeo original (760). O levantamento integra uma nova frente de análise do Projeto Brief sobre os impactos da inteligência artificial na democracia e na formação da opinião pública no Brasil. Para mais informações acesse.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 29 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O acordo entre o governo federal e o GDF para salvar o Banco de Brasília é motivo para comemorar, mas quem entende do riscado afirma que todo o movimento ainda não permite colocar uma pedra sobre esse tema BRB/Master. Ainda vem por aí a possível delação de Paulo Henrique Costa, o ex-presidente da instituição, e a do ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro — que, conforme o leitor da coluna já sabe, trabalha uma nova proposta nesse sentido. Logo, a tensão política não se dissipou. Há apenas um alívio institucional, o que por si só, é considerado uma vitória.

Por falar em alívio institucional…/ Especialistas do mercado financeiro avaliam que o acordo fechado ontem, que resultará no empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao BRB, cria um precedente. “Em operações de crédito de entes federativos, o aval da União melhora a segurança para o credor, porque o Tesouro Nacional fica como garantidor. Nesse aval, a fiança é de um sindicato de bancos e contragarantias do DF, como receitas de Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE). A medida reduz risco sistêmico imediato, mas cria precedente institucional sensível ao dispensar limites fiscais ordinários e concentrar monitoramento no STF” , comentou o consultor financeiro Carlos Henrique Silva Junior. Ou seja, outros entes federados e instituições financeiras podem querer o mesmo, o que foge do rito comum.
Preço a pagar
Os partidos mais à esquerda ficaram revoltados a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) das Igrejas, que garante imunidade de impostos sobre a aquisição de bens e serviços de templos de qualquer culto. Tem muita gente apostando que essa proposta foi moeda de troca para que o Centrão não criasse problemas na votação da PEC que acabou com a escala 6×1. A esquerda foi surpreendida e votou contra. “Esse tipo de acordo eles (Centrão) não nos colocam” , reclamou o deputado Tarcísio Motta (PSol-RJ).
A Fazenda tomou um susto
Ninguém esperava que, numa sessão com votação remota, houvesse quórum para votar uma emenda constitucional, que requer 308 votos sim para ser aprovada, ainda mais numa quinta-feira. Essas sessões costumam durar no máximo duas horas. Mas, ontem, foram sete horas para garantir a aprovação nos dois turnos.
6 x 1 e o Senado
Os senadores oposicionistas começaram a se movimentar para modificar o texto do fim da escala 6 x 1 no Senado. A ideia é discutir um modelo de período de transição maior para a redução das horas trabalhadas. Esse, porém, é o plano B. O plano A da oposição é tentar emplacar a sugestão do senador Rogério Marinho (PL-RN), que prevê pagamento de salário por horas trabalhadas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhou a proposta à Comissão de Constituição e Justiça da Casa.
Melhor de três
Os deputados Carlos Jordy, Sóstenes Cavalcante e o senador Carlos Portinho estão na briga pela vaga de candidato ao Senado pelo PL do Rio de Janeiro, aberta com a desistência do ex-governador Cláudio Castro ao pleito. Portinho é líder do PL no Senado há seis anos e comandou a bancada governista durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O teste das urnas
Portinho está no páreo, embora tenha assumido o mandato porque era primeiro suplente do senador Arolde de Oliveira, que morreu na pandemia, em 2020. À coluna, Portinho afirmou: “Todos sabem que eu trabalhei o meu mandato para a minha reeleição. Fui eleito melhor senador do Brasil e estou dentro da campanha do Flávio até o pescoço para elegê-lo” .
CURTIDAS
O que vem por aí/ Crescem as apostas sobre pré-candidaturas ao Senado ficando pelo caminho, tal como ocorreu com Cláudio Castro. O prazo das convenções para oficialização das postulações só abre em 20 de julho. Tem muita tente dizendo que, se a Polícia Federal (PF) trabalhar direito, outros cairão antes disso.
E tem mais/ O receio não pega apenas nestas eleições de outubro. Mas se estenderá às mesas diretoras da Câmara e do Senado em 2027. Ou seja, a tensão continuará seja quem for presidente eleito.
E a CMO, hein?/ Quem procura saber dos parlamentares quando será instalada a Comissão Mista de Orçamento (CMO) ouve como resposta: “Pergunte ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)” . Quem já foi dessa comissão diz que a CMO só deve ser instalada após as eleições e a Lei de Diretrizes Orçamentárias será apreciada junto com a Lei Orçamentária Anual (LOA), em novembro.
Lembrança/ Após acompanhar a votação do fim da escala 6×1, o padre Júlio Lancellotti voltou à Câmara dos Deputados para entregar à deputada Erika Kokay (PT-DF) o livro Dilexi Te — Sobre o Amor para com os Pobres, do papa Leão XIV. De acordo com o padre, o documento é uma herança do papa Francisco, que começou a escrever a obra e seu sucessor resolveu compartilhar com o mundo.
Problemas do BRB reacendem debate sobre fundo constitucional
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 28 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A má gestão do Banco de Brasília (BRB) promovida pelo ex-presidente Paulo Henrique Costa trouxe de volta a pressão por revisões no Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF). São R$ 28 bilhões que seguem do governo federal para o GDF custear as áreas de segurança, saúde e educação. No Congresso, assim que passarem as eleições e começarem as discussões sobre o Orçamento da União, deputados de outros estados voltarão à carga para que esses recursos sejam redistribuídos pelas demais unidades da Federação. Em 2023, primeiro ano deste terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o então ministro da Casa Civil, Rui Costa, criticou Brasília, dizendo que a transferência da capital para longe da vida das pessoas “fez muito mal ao Brasil” . Ainda mencionou que, na cidade, “fazer o errado era o certo” .
Vem guerra aí/ Se deputados de outros estados insistirem nessa toada num futuro próximo, vai virar um barata voa. Afinal, vários estados têm explicações a dar devido às relações com o Banco Master de Daniel Vorcaro. Inclusive, a Bahia de Rui Costa.
Bolsonarista, pero no mucho
A bancada do PL não gostou de saber que o deputado General Pazuello (RJ) votou contra a convocação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para explicar o leilão de termelétricas na Comissão de Minas e Energia. Parlamentares afirmam que o militar pediu ajuda, na semana passada, para conseguir um encontro com o ministro, mas ninguém sabe o assunto da conversa. Pazuello, inclusive, não apareceu na Câmara na sessão de ontem.
Interesses
Pazuello é fundador e presidente da Frente Parlamentar em Apoio ao Petróleo, Gás e Energia (Freppegen), que tem como braço técnico o Instituto de Petróleo, Gás e Energia (Ipegen). Congressistas dizem não saber quem está à frente do instituto, nem qual a atuação das instituições. Políticos estão ressabiados com a votação contra a convocação de Silveira. Contatado, Pazuello não respondeu até a publicação desta edição. Vai ter que se explicar Muitos deputados ficaram chateados e constrangidos com o voto de Pazuello, por se tratar de um pedido do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES), um dos líderes do ex-presidente Jair Bolsonaro no Congresso. Ficou ruim. E pode ficar pior, a depender da explicação do deputado fluminense.
Desencontros I
O relatório da securitização das dívidas dos agricultores do Rio Grande do Sul, aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e no plenário do Senado, foi muito elogiado pelo agronegócio, mas o governo não gostou. Parlamentares ligados ao setor, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) e o governo tinham firmado um acordo, mas o texto enviado pelo Planalto na véspera da votação foi diferente do combinado entre todos. De acordo com Renan, o Executivo alterou 10 pontos, o que causou estranhamento para quem participou da negociação.
Desencontros II
O relator apresentou um texto que seguia o acordo não cumprido pelo governo, retornando os pontos que foram mudados. Renan aumentou o valor máximo de renegociação das dívidas de R$ 4 milhões para R$ 10 milhões e alterou a taxa de juros — o Planalto queria 12% e o relatório fechou em 10%. Ao governo, restou lamentar.
CURTIDAS

Máquina musical/ O PL produziu 20 jingles com inteligência artificial sobre o fim da escala 6×1 queimando o governo. O partido vai soltar ao longo desta semana com edições memetizando os governistas.
Aproveitem o embalo/ Com uma série de deputados em Brasília, o think tank Esfera aproveitou para promover um encontro sobre doenças raras na Casa Parlamento. Empresários, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e o do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, levantaram a produção nacional de medicamentos para essas enfermidades como um dos pontos mais importantes a serem tratados a fim de evitar a judicialização.
Tema da hora/ O Correio Braziliense promove, hoje, debate “Desinformação da saúde à democracia” , a partir das 9h, no auditório do jornal. O evento será transmitido pelas redes sociais do Correio.
Serviço às avessas/ Alguns parlamentares ironizaram a proposta de emenda à constituição (PEC) do deputado André Janones (foto), do Rede-MG, que estabelece a escala 6×1 para os membros na Câmara. Alguns disseram à coluna que acharam a ideia péssima porque, quanto mais o Congresso trabalha, mais o Brasil é prejudicado.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 27 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Sem meios de evitar a aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara, os empresários jogam em três frentes: a primeira, tentar adiar a votação da proposta pelos deputados. A segunda é modificar o texto, ampliando a transição. E, paralelamente a esses movimentos, tentar conquistar o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que vai jogar uma no cravo e outra na ferradura, de olho na própria reeleição para presidir o Senado.

Embora a oposição aposte que o presidente do Senado não levará a Proposta de Emenda à Constituição a voto neste semestre, tem muita gente certa de que o senador pelo Amapá não vai querer ser o “o coveiro” de um tema que mobilizou a sociedade. Se a onda estiver mais favorável ao projeto, ele não vai contrariar os anseios da sociedade, especialmente, no seu estado. Mas o governo não está tão confiante. Tanto é que o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, saiu-se com essa: “Espero que Alcolumbre tenha compromisso com o povo” .
Cai o primeiro governador
Assim, os deputados e senadores se referem a Cláudio Castro e o caso Master. A avaliação geral é a de que outros virão. Especialmente, de estados que tiveram seus institutos de previdência com carteiras de investimentos vinculadas ao banco de Daniel Vorcaro. Inclua-se na conta o Distrito Federal.
Proteção aos aposentados
O líder do PSol na Câmara dos Deputados, Tarcísio Motta (RJ), apresentou um projeto apelidado de “PL Anti-Vorcaro” . A proposta tenta blindar os recursos da Previdência contra riscos do mercado financeiro. O texto determina que 80% dos recursos dos fundos de pensão sejam investidos em ativos públicos seguros, como títulos do governo e instituições financeiras públicas. E os 20% restantes poderão ser investidos na iniciativa privada, mas seguindo critérios rígidos de transparência.
E as candidaturas, hein?
Até o período de convenções partidárias, em meados de agosto, ninguém está seguro como candidato. Leia-se o caso de Aldo Rebelo no Avante comandado por João Caldas.
Alerta máximo!
Especialistas tributários estão preocupados com o efeito da Reforma Tributária na inflação de 2027. Alguns têm defendido que a maioria dos empresários não vai saber calcular a forma de aplicar preço nos produtos corretamente, e há um grande risco de tudo ficar mais caro por causa da dupla tributação: modelo antigo adicionado com modelo novo, em vez de retirar os impostos que não serão mais usados com a implementação da reforma. Por isso, acham que a inflação pode bater a casa dos 7%.
CURTIDAS

A ponta do arco-íris/ Fontes ligadas à Polícia Federal calculam que Daniel Vorcaro tenha, no mínimo, R$ 180 bilhões escondidos em algum paraíso fiscal. A suspeita foi levantada depois da oferta de R$ 60 bilhões do ex-banqueiro para tentar compensar os danos causados ao setor financeiro e, segundo a PF, “comprar” sua delação premiada.
E o Flávio, hein?/ O pré-candidato do PL ao Planalto volta dos Estados Unidos com uma foto, em pé, ao lado de Donald Trump, mas, até o fechamento desta edição, sem nenhum pronunciamento oficial por parte da Casa Branca. Agora, vai começar uma onda de versões sobre o encontro na internet, com gente, inclusive, dizendo que a foto foi montada. No mar de fake news em que o mundo vive, vale tudo.
Honra para Edinho/ O presidente do PT, Edinho Silva, recebeu, ontem, o título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro. A honra foi conferida pelo vereador Leonel de Esquerda (PT).
Pentacampeã/ A Vale é reconhecida como maior investidora do esporte no país pela quinta vez consecutiva. A empresa recebeu, nesta semana, a Comenda Incentivadora do Esporte, concedida pela Câmara dos Deputados àquelas que mais investem em esporte, via leis de incentivo. Só em 2025, a Vale investiu R$ 143,3 milhões em 171 projetos sociais esportivos. Somando esse investimento aos das empresas controladas, o valor chega a R$ 191,5 milhões para 175 projetos, desdobrados em 469 iniciativas em vários estados do país. O prêmio foi recebido por Bruno Queiroz (D), da equipe de responsabilidade social da empresa, que estava acompanhado do deputado Luís Lima (Novo-RJ) (E).
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 26 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O acerto entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a validação do fim da escala 6 x 1 ainda este ano, e com uma curta transição, foi feito sob encomenda para tentar ser alterado. Mas o fator eleitoral pesará se a mudança for muito grande. Isso porque os deputados ligados aos trabalhadores e aos sindicatos estão mapeando os parlamentares relacionados ao empresariado para dizer que, se houver intervenções que possam prejudicar as folgas dos funcionários de qualquer empresa, os sindicatos pretendem estampar fotos desse pessoal como inimigos dos trabalhadores.
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Pague para ver/ Os empresários, porém, não vão desistir de colocar a visão deles a respeito do texto. A maior reclamação no momento é pela ausência de uma transição maior. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) será a primeira a defender um período maior para que a proposta entre em vigor. A ideia é respeitar ao menos o planejamento das empresas de 2026, deixando a validade para 2027.
Mandou avisar
No grupo de WhatsApp do PL, foi dito que o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (RJ) se encontrará hoje com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O partido aposta que, se o enquadramento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas sair desse encontro, a relação de Flávio e Daniel Vorcaro não vai fazer diferença para a campanha do senador ao Planalto.
Por falar em Vorcaro e Flávio…
O PL aposta que, em duas semanas, “ninguém mais vai lembrar” do áudio e mensagens vazadas nas quais Flávio cobrava o patrocínio do ex-banqueiro para o filme sobre sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Só tem um probleminha: se sair mais coisa, o impacto depois da Copa do Mundo será forte.
Muita calma nessa hora
Às vésperas do último prazo para divulgação do balanço do Banco Regional de Brasília (BRB), economistas estão dedicados a explicar o imbróglio e por que a instituição precisa ser salva. “O BRB tem função regional relevante no Distrito Federal, presença em serviços públicos e base de clientes mais ampla. O banco tem conexão operacional e política mais ampla que o Master. Uma liquidação teria efeito de confiança mais forte e impacto regional relevante”, alerta o economista e consultor financeiro empresarial Carlos Henrique Silva.
Veja bem
O economista lembra que, enquanto o Master representava apenas 0,57% dos ativos do sistema financeiro, o BRB tem uma participação muito maior. Por isso, sua liquidação causaria uma crise sistêmica.
CURTIDAS

Aposta alta/ O presidente do partido Democracia Cristã (DC), ex-deputado João Caldas, tem compartilhado diversas publicações exaltando Joaquim Barbosa, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal e relator do Mensalão, como seu candidato à Presidência. Em um deles, a frase era: “O homem certo para o Brasil virar a página”.
Cenário inalterado/ A nova rodada da pesquisa Nexus/BTG, divulgada esta semana, indica que, até aqui, a relação Flávio Vorcaro não mexeu muito no humor do eleitorado em relação ao pré-candidato do PL. A novidade é Joaquim Barbosa, que larga nas intenções de votos na casa dos 2%.
Venham para cá/ Com o XIV Forum de Lisboa, capitaneado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana que vem, Hugo Motta quer todos os deputados em Brasília esta semana para deixar o fim da escala 6 x 1 votado antes da viagem. A presença virtual ficou para junho, quando muitos deputados vão emendar o seminário com a temporada de festas juninas.
“Se você for ver o Brasil hoje à esquerda, a missão é super bemintencionada. Não se discute que a missão é nobre, mas a execução é temerária, a qualquer preço e não funciona. Se você for à direita, a missão também é nobre. Um Estado mais enxuto, livre mercado, um país mais eficiente de fato. Mas você não pode simplesmente ignorar que a gente vive num país com uma desigualdade abissal. Por que a gente não pode jogar com as duas pernas? Por que a gente não pode ter um projeto equilibrado?” Do apresentador Luciano Huck (foto), durante o Forum Esfera, no Guarujá. No passado, ele figurou como pré-candidato ao Planalto

Por Eduarda Esposito* — Os pré-candidatos à Presidência Aldo Rebelo (DC) e Renan Santos (Missão) defenderam a reforma do Poder Judiciário, caso eleitos, durante o painel “Planalto 2026” no Fórum Esfera Guarujá neste sábado (23/5). Para o ex-ministro Rebelo, a reforma deve ser feita no primeiro dia de mandato.
“Tem que começar com emenda à constituição que tem que ser apresentada no primeiro dia do governo, chamo de emendão. Todos os artigos que dão ao Supremo (Tribunal Federal) poder de interferir e substituir os demais poderes tem que ser revogados, senão o país se torna ingovernável”, defendeu Aldo que luta para manter sua pré-candidatura pelo partido (leia mais no blog).
Para o pré-candidato, é o STF quem tem decidido se haverá ou não Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e sobre o Orçamento, o que considera inconstitucional. “Isso se chama usurpação de atribuições e gera, não apenas insegurança jurídica, mas insegurança institucional entre os Poderes”, pontuou.
Renan Santos seguiu uma pensamento semelhante na questão da atuação do STF em relação aos demais Poderes. Para Santos, a suprema corte não pode agir como última instância.
“O Judiciário tem que cumprir apenas o papel de guardião da Constituição e de ator que discute temas abstratos ligados à questão da constitucionalidade e não mais como última instância do processo legislativo”, defendeu.
O pré-candidato do Missão ainda criticou a atuação de escritórios ligados aos ministros dentro da Suprema Corte. “Ministros do STF não podem ter escritórios ligados a eles fazendo negócio por aí. Todo mundo sabe que isso ocorre. Decisões monocráticas tem que acabar e tem que haver filtro de entrada. São oito mil ações que rolam no STF brasileiro, enquanto a Suprema Corte americana tem 50”, destacou.
Por fim, Santos seguiu Rebelo sobre a temporalidade ao defender que as ações referentes ao Judiciário precisam ser feitas no começo do mandato, mas enfatizou que não quer uma guerra com o Supremo.
“Um presidente que chega com moral, coisa que infelizmente os que estão primeiro nas pesquisas não tem, tem que chegar com essa moral e não para guerrear com o STF. Eu não quero guerra, quero que todo mundo tenha suas atribuições e aí sim o poder executivo recupera seu poder de executar, porque falta ao Brasil poder de execução”, finalizou.

Por Eduarda Esposito* — O acionista controlador do BTG, André Esteves, e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), Aloizio Mercadante, comentaram o caso do Banco Master durante participação no Fórum Esfera Guarujá neste sábado (23/5). Para Esteves, o maior rombo do sistema financeiro brasileiro só foi possível por haver uma “guerra” entre o legal e ilegal no Brasil.
“O que mais me preocupa é uma guerra entre o Brasil institucional contra o Brasil não institucional. De repente o presidente Aloizio falou que 20% do mercado de combustível ficou informal. Como é que pode acontecer isso? De repente, um banco inexpressivo criou um rombo de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), R$ 12 bilhões no BRB e R$ 4 bilhões no instituto de previdência. Como é possível?”, questionou.
O mediador Sidney Rezende questionou sr as formas de controle estavam falhas, e o acionista do BTG foi direto: “Você tem alguma dúvida? Claro. Acho que o Banco Central, e de novo qualquer um de nós, faz parte errar. Agora, essa preocupação da sociedade, isso que vejo como o nosso papel aqui, esse Brasil institucional presente, que não pode perder essa guerra”.
Papel do Banco Central
Ao completar a fala de André Esteves, o presidente do Bndes ressaltou que o caso é o maoor crime financeiro da história do país e que o Banco Central “teve uma responsabilidade direta”.
“Quem autorizou foi a direção anterior do Banco Central (Roberto Campos Neto), porque a gestão do Ilan (Goldfajn) não autorizou a compra pelo Banco Master, não autorizou o Daniel Vorcaro entrar como um banqueiro relevante no sistema. E tem dois diretores com tornozeleira eletrônica hoje. Evidente que teve omissão e conivência com o que aconteceu”, argumentou. Mercadante também lembrou que foi a gestão de Gabriel Galípolo que interviu no processo e está administrando o caso agora.
O presidente do Bndes ainda enfatizou que, situações como essa, exigiram que o BC liberasse o depósito compulsório que traz consequências para a economia do país.
“A conta cai para o sistema financeiro. Dos R$ 52 bilhões do FGC, 18% quem paga é o Bradesco, 15% é Banco do Brasil, outros 15% é Caixa Econômica Federal e assim vai a escadinha. O Banco Central tem que liberar o depósito compulsório para amortecer esse impacto, que vai contra toda a procura da política monetária de combate à inflação. Você está dando liquidez e está agravando a rolagem da dívida pública”, destacou.
Fundos e fintechs
O ex-senador ainda comentou sobre as fintechs e fundos. Para Mercadante, as fintechs foram impulsionadas sem controle algum e elas são usadas pelo crime organizado como ferramentas de lavagem de dinheiro.
“Mas não foi só ao banco Master, as fintechs, como elas foram impulsionadas, sem controle e fiscalização, é outro instrumento de lavagem de dinheiro, onde o crime se esconde. Aquelas contas balcões eram um grande instrumento de lavagem, porque é simples, você pega duas pessoas que tem um CPF e cria uma conta balcão que atrás tem o Fernandinho Beiramar, o Marcola, por exemplo, depositando isso abaixo do radar do Banco Central”, explicou.
Já na questão dos fundos, o presidente afirma que não há controle e destacaba facilidade de maquiar os dados. “O Reag (fundo ligado ao Master) é só a ponta da iceberg porque não tem controle. O sujeito bota no balanço do banco um fundo e diz quanto vale, mas não vale absolutamente nada e cria-se uma pirâmide”, disse.
Fortalecimento das instituições
Quanto a questão de fraude e corrupção dentro do Banco Central no caso Master, o presidente defende que valorizar as carreiras dos servidores é o melhor antídoto para esse problema.
“A CVM não pode continuar como está, nem o Banco Central. Tem que ter uma reestruturação, pagar bem o servidor público, ter carreira e ser valorizado. Eu proponho uma coisa simples, pega a carreira do Bndes, põe no Banco Central e na CVM, eu quero ver se essas coisas acontecem. Não acontece, porque você dá autonomia, pode e empodera o Banco Central e a CVM”, explicou.
*A repórter viajou a convite do Esfera Brasil
Barroso comenta as dificuldades em regular a inteligência artificial

Por Eduarda Esposito* — O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso participou do Fórum Esfera Guarujá comentando sobre a Inteligência Artificial. O ex-ministro destacou os benefícios e malefícios da tecnologia. Para Barroso, a sociedade precisará ser educada para lidar com as consequências do desenvolvimento da IA.
“Do mesmo modo que se democratizou o acesso também se abriram as avenidas para a desinformação, pros discursos de ódio, para as teorias conspiratórias. A IA traz muitos benefícios, maior capacidade de tomada de decisões, porque pode armazenar muito mais informações que o cérebro humano e processá-las com muito maior velocidade. A massificação da desinformação é um problema preocupante porque todos somos ensinados a acreditar naquilo que a gente vê e o dia que nós não pudermos mais acreditar naquilo que a gente vê e ouve, a liberdade de expressão terá perdido o significado. E isso é um pacto muito grande sobre a democracia que pressupõe as pessoas estarem esclarecidas e informadas”, explicou.
Regulação da IA
Na visão do ex-ministro, regular algo em andamento torna tudo mais complicado, principalmente quando não se sabe até onde a IA vai chegar. “Regulação da inteligência artificial antes de chegar no direito é muito difícil. Primeiro que você tem que regulá-la como trem em movimento. Está todo mundo querendo produzir o mais rápido possível a maior inovação. Mil cientistas já pediram duas vezes para dar uma pausa até ter um código de ética. Ninguém para porque ninguém quer ficar para trás. A segunda dificuldade de você regular juridicamente é a velocidade da transformação”, comentou.
Barroso explica que o impacto no Judiciário pode ser extremamente positivo. Relembrou que o STF reduziu os processos de 150 mil para 20 mil com o auxílio da ferramenta. “Apenas com um programa capaz de fazer uma seleção daquilo que já tinha precedente para mandar embora os recursos repetitivos”, destacou.
Outra dificuldade nessa questão é a regulamentação tributária, principalmente de empresas que atuam no mundo digital e cria desafios para estabelecer um regramento adequado. “Houve uma territorialização, o sistema tributário é preparado para a tributação física, a saída da mercadoria, a entrada da mercadoria no país. No mundo que é virtual, você não consegue tributar adequadamente as empresas que têm maior capacidade contributiva.
*Repórter viajou a convite do Esfera Brasil











