Todos armados

Crédito: Maurenilson Freire
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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 15 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, quer chegar ao final desta terça-feira com alguma explicação a dar à sociedade. Nem que seja, no mínimo, Alexandre de Moraes investigado pelo STF. Entre os cenários traçados por ele, segundo pessoas próximas, está determinara abertura dessa investigação sobre Moraes de forma monocrática e, em seguida, pedir ao colegiado que defina se o ministro Alexandre de Moraes deve ser afastado ou pode permanecer no cargo enquanto durarem as investigações. Só tem um detalhe: essa forma não está combinada com os demais ministros, e todos querem se pronunciar sobre a abertura de processo. Muitos planejam inclusive apresentar uma série de preliminares. Afinal, o que se diz é que, se for para ministro ter que dar explicações sobre o fato de a mulher (ou filhos) advogarem no STF, outros terão que responder.

Crédito: Maurenilson Freire

Veja bem/ A avaliação de muitos é a de que não há como colocar todos os ministros no mesmo balaio. Ainda mais depois de tudo o que já sabe em relação ao contrato entre Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro. A Polícia Federal tem informações que indicam um encontro entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes em 30 de dezembro de 2023, num hotel de luxo em Campos do Jordão, menos de um mês antes da assinatura do contrato entre a esposa do ministro e o então controlador do Master. Nos bastidores, considera-se certa a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes.

Confiança e respaldo

Manifestos à parte, tudo o que o presidente Edson Fachin fizer hoje terá que ter o apoio da sociedade como um todo. A avaliação, inclusive no governo, é a de que não há como deixar o presidente do Supremo Tribunal Federal isolado em meio a essa crise.

Toma que o filho é teu

Os petistas estão roucos de tanto afirmar que Alexandre de Moraes foi indicado ao STF por Michel Temer e que Daniel Vorcaro montou toda a estrutura de fortalecimento do banco Master durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. Quem barrou tudo depois foi Gabriel Galípolo, o presidente indicado por Lula.

Do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante,que já foi ministro, deputado e senador

“Tivemos a CPI do Collor, no Poder Executivo; a CPI dos Anões do Orçamento, uma crise no Legislativo. Mas nunca vimos uma crise dessa proporção no Poder Judiciário. O Judiciário tem que se reformar”

Ganha no discurso

Os bolsonaristas partem da premissa que Flávio Bolsonaro ainda pode ganhar muitos votos por causa do desgaste do ministro Alexandre de Moraes. Afinal, o integrante do STF sempre foi um inimigo declarado da família Bolsonaro. Nesse sentido, a leitura é que se Moraes for afastado, é possível usar essa narrativa no horário eleitoral. Seria um jeito de evitar perdas devido à revelação de que Flávio é investigado por ao menos três crimes por causado financiamento do filme Dark Horse.

O que vem por aí

Em palestra no seminário Brasil Hoje, do think tank Esfera, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, responsável pelo programa de governo de Flávio Bolsonaro na economia, ressaltou a necessidade de ajustes na reforma tributária e acenou ainda com privatizações, caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial: “Não faz sentido o Estado ter uma estatal de chip de boi (no caso, a Cetec), ou ter uma tevê estatal”, comentou. A Caixa Econômica Federal, porém, terá um lugar de destaque no futuro governo. (Leia mais sobre o seminário no blog da Denise no site do Correio).

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

A campanha deles/ Participante do seminário Brasil Hoje, do Think tank Esfera, o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP/foto) foi incisivo ao cobrar da plateia de empresários e banqueiros que “um senador por São Paulo tem que ser paulista acima de tudo”. Referia-se especialmente às candidatas Simone Tebet, que nasceu em Mato Grosso do Sul, e Marina Silva, do Acre.

Hora da segurança pública/ O Correio Braziliense promove hoje o CB Talks sobre Segurança para o desenvolvimento do Brasil. O debate abordará os projetos em tramitação no Congresso Nacional que visam o combate à fraudes e infiltração do crime organizado em setores como o de combustíveis e GLP. São painelistas Lincoln Gakiya, promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (GAECO), o deputado Alberto Fraga (PL-DF), o candidato Marivaldo Pereira (PT-DF), e o presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz. O evento começa às 9h30 e pode ser acompanhado pelas plataformas do Correio.

Perdas & danos?/ Ao ser perguntadasobre quem perde mais com a crise do Supremo Tribunal Federal, o presidente Lula ou Flávio Bolsonaro, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal não titubeou: “Quem perde mais é o Brasil”

STF no lugar de debates/ Enquanto o Supremo Tribunal Federal vive sua crise, a campanha eleitoral vai chegando ao fim sem debates entre os principais candidatos. Pior para o eleitor.

Equipe econômica de Flávio Bolsonaro quer manter e aprimorar a reforma tributária

Crédito: Reprodução
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Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — A equipe econômica do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende manter e aprimorar a reforma tributária que está em fase de implementação. De acordo com a coordenadora, Daniella Marques, revogar a reforma não seria adequado, mas o modelo atual precisa de ajustes.

Crédito: Reprodução

“Não achamos que vale a pena iniciar uma discussão legislativa de novo, mas estamos com o grupo técnico na campanha de mais de 10 PhDs em economia, tributaristas, e eu acho que, por meio do diálogo, olhando como política de estado, a gente pode aprimorar essa reforma para que ela chegue no impacto desejado e não seja judicializada antes de começar. O nosso projeto é aberto ao diálogo. Então, quem tiver contribuições, olhando para a reforma como uma agenda de estado, a gente está 100% aberto para esse diálogo”, disse.

Na visão da financista, o projeto acabou não cumprindo o que pretendia, que eram dois impostos e redução da carga, e virou uma “colcha de retalhos” pelas várias exceções previstas na lei. Daniella explicou que, ao final da tramitação, a reforma acabou simplificando, mas parando em cinco impostos, além da provável alíquota do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que, embora haja um teto estabelecido de 26,5%, deve ser de 28%. De acordo com a coordenadora, é um preço final para o consumidor e para quem produz, impossível de pagar.

Por falar em imposto…

Adolfo Sachsida, integrante da equipe econômica de Flávio, reafirmou que o governo do Zero Um de Jair Bolsonaro cortará impostos e começará por dois: o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o imposto de exportação do petróleo. “Primeiro, nós vamos reduzir o IOF aos valores de 2022. Toda renegociação de dívida rescinde IOF, 81 milhões de brasileiros estão inadimplentes. Eles vão tentar renegociar a dívida e o governo lucra com isso. Isso é um absurdo. E, compromisso assumido, está escrito no Twitter do senador, acabar com o imposto de exportação de petróleo. Nós temos que valorizar o investimento no Brasil”, disse Sachsida.

Já na questão de juros, Marques pontuou que a culpa dos juros altos é da atual gestão do governo e criticou a forma como a campanha do presidente Lula vê o assunto da dívida pública brasileira. Para a financista, “quem não cuida das contas, não cuida das pessoas”. “O próprio IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a instituição fiscal independente do Senado, já colocou que, se não houver uma mudança, haverá um colapso, porque a gente vai passar de 100% de dívida PIB. Os juros são o espelho do descontrole das contas e acho que o Brasil hoje está diante de duas escolhas muito claras. Uma candidatura que diz ser meio que fake news e que é uma babaquice cuidar das contas, estou repetindo as palavras do nosso presidente (Lula). E uma campanha que acha que o Brasil nem começa se a gente não colocar as contas no lugar”, ressaltou.

Adolfo complementou, destacando o crescimento da dívida pública no governo Bolsonaro e no governo Lula. De acordo com o ex-ministro de Minas e Energia, a gestão de Jair Bolsonaro enfrentou uma guerra, a pandemia de Covid-19 e uma crise hídrica e, mesmo assim, diminuiu gastos, a dívida pública e impostos. “Entre 2019 e 2021, o FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que a dívida PIB nos 100 maiores países do mundo aumentou 11%. No Brasil, caiu 0,1%. Em 2018, o governo brasileiro gastava 19,4% do PIB. Em 2022, era 18%. Em 2018, a dívida era 75,3% do PIB, em 2022, 71,7%. Olha só, de 2019 a 2022 teve uma pandemia, uma guerra, uma crise hídrica, e o governo diminuiu os gastos, diminuiu a dívida, fortaleceu o Bolsa Família, que saiu de R$ 180 para R$ 600, diminuiu impostos, reduziu a dívida pública e as estatais davam lucro”, afirmou.

Sachsida comparou com o terceiro mandato do presidente Lula, em que a dívida só aumentou e foram realizadas mais de 27 medidas de aumento de impostos . Para o advogado, o brasileiro precisará fazer uma escolha em outubro. “Agora é um governo em que a dívida não para de subir, os juros não param de bater recordes, as estatais não param de dar prejuízo, o governo não para de criar impostos. Com efeito, foram mais de 27 medidas para aumentar a tributação no Brasil. E você chega no final do dia, você paga R$ 1,50 para comprar um pãozinho de sal. É esse o convite que nós temos que fazer para a sociedade brasileira. Está bom ou você quer a mudança? Nós somos a mudança”, disse.

Estatais e o governo Flávio

Quanto à questão de privatização de estatais, os membros da equipe econômica ressaltaram a importância da Caixa Econômica Federal e o grande prejuízo dos Correios. A intenção, segundo Marques e Sachsida, é tentar reorganizar cada uma delas e depois discutir o seu futuro — manter como estatal ou privatizar. A caixa, inclusive, é vista como um pilar importante para a possível gestão de Flávio.

“Nosso plano organiza o estado em torno da jornada do cidadão e a gente tem uma preocupação grande com inclusão produtiva, ainda mais na era da inteligência artificial e com essa situação de endividamento. Queremos a Caixa como um braço na ponta, levando não só soluções de crédito, mas orientação financeira e capacitação para que o brasileiro possa crescer junto com o Brasil. Todos sabem o problema que existe na capacitação, na indústria e na construção civil. Então, se o estado não foi esse desenvolvedor de capacidades e o grande articulador, a gente vai ressignificar o papel na Caixa para que seja um banco da prosperidade, levando não só orientação, mas um pulso nesse Brasil que é empreendedor”, explicou.

*A jornalista viajou a convite do Esfera Brasil

Nunes defende revisão da reforma tributária e descentralização de orçamento no Governo Federal

Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil
Publicado em Economia, Orçamento, Política, Saúde

Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), defendeu que é preciso haver uma revisão da reforma tributária, que ainda está em fase de implementação. De acordo com Nunes, a provável alíquota de 28% do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) seria muito alta e causa preocupação em gestores estaduais e municipais.

Crédito: Reprodução Esfera Brasil

Além do imposto, outra questão é a centralização de recursos na mão do Governo Federal. De acordo com o prefeito, a cada R$ 100 enviados ao governo, apenas R$ 9 voltam para a cidade. A divisão de custeio da saúde é outro ponto de preocupação, segundo Nunes. “Não dá para ter o poder e a receita muito concentrados no governo federal. O nosso orçamento aqui da saúde hoje é de R$ 25 bilhões. Há um tempo atrás a prefeitura entrava com 75% do orçamento da saúde e vinha 25% do governo federal. Hoje a prefeitura de São Paulo põe 85% e tem 15% do governo federal”, disse durante participação do Seminário Brasil Hoje promovido pelo Esfera Brasil.

Nunes explicou que dos R$ 10, 8 bilhões de investimentos na cidade com obras de drenagem e contenção de encostas, o governo federal colaborou com apenas quase R$ 50 milhões. “Como é que a gente vai deixar mais dinheiro concentrado lá para a gente poder tocar as coisas aqui? Tive que recorrer agora ao Tribunal de Contas da União e depois ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para o governo liberar uma operação de crédito com o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD) que eu vou pagar”, ressaltou.

Comitê-Gestor

Outro ponto da reforma comentado pelo prefeito de São Paulo foi a formação do Comitê-Gestor do IBS, em que estados e municípios têm representantes para regulamentar e padronizar a interpretação da legislação do IBS em todo o país; e coordena e distribui a arrecadação unificada do imposto entre os entes da federação. Para Nunes, a formação do Comitê está desequilibrada, porque estados e municípios têm o mesmo número de representantes. Cada parte tem 13 cadeiras no comitê e a quantidade é considerada baixa para responder por mais de cinco mil municípios.

“Acho que pode comprometer o resultado, porque a gente tem aquela coisa do ditado de cada um que puxa a sardinha no seu negócio, e essa sardinha tem que ser puxada para o lado de ninguém. É para o bem da sociedade, o bem do nosso país, nossos estados, nossos municípios. A gente não tem ainda uma maturidade para que esses recursos pudessem ser concentrados e serem distribuídos de forma igualitária. Ainda tem esse problema gravíssimo de perseguição política partidária”, disse.

*Jornalista viajou a convite do Esfera Brasil

Fachin quer decisão sem pedido de vistas

Crédito: AFP via Getty Images
Publicado em Política, STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, monta uma estratégia para evitar que a sessão desta terça-feira termine sem qualquer resultado que possa melhorar a imagem do STF. Uma delas é abrir a investigação contra Alexandre de Moraes de forma monocrática e, em seguida, submeter ao plenário a de afastamento enquanto durarem as apurações. Na mesma toada, viria o pedido de suspeição do ministro Dias Toffoli nesse processo. Afinal, se Toffoli não pode atuar no caso Master, ele também não poderia fazê-lo nessa análise relativa ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e suas relações com Alexandre de Moraes. 

Crédito:  AFP via Getty Images

    Se Fachin optar por essa saída, sem dar a chance de pedido de vistas à abertura da investigação, estreita a margem de manobra do grupo que hoje defende Moraes no STF e deseja que André Mendonça seja punido por ter investigado Moraes — e exposto o ministro com divulgação de partes do inquérito — sem ter autorização legal para isso. O correto, conforme avaliam vários juristas, seria o ministro André Mendonça ter levado o caso a Fachin assim que o nome de Moraes apareceu, antes de qualquer outra ação. 

   A avaliação de alguns ministros é a de que André Mendonça, que também manteve reunião com Vorcaro, deveria ter dito aos demais colegas que havia se encontrado com Vorcaro no passado. E, assim, lá atrás, quando Toffoli, foi retirado da relatoria, o colegiado poderia avaliar melhor se Mendonça deveria ser o novo relator.  Esta, aliás, será uma das preliminares que alguns dos ministros planejam discutir na sessão desta terça, antes de avaliar o caso Moraes. De tédio, ninguém vai padecer.

Um nó difícil de desatar

STF em meio a impasse
Publicado em Política

A troca de ofícios e despachos entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) é uma demonstração de que haverá trégua. Pelo menos, essa é a leitura dos políticos e da parte da Suprema Corte que deseja resolver a crise no curto prazo. Porém, por mais que a crise se arraste, a visão geral, inclusive, de alguns ministros, é a de que o ministro Alexandre de Moraes perdeu todas as condições de recuperação da sua imagem. Nesse sentido, ainda que o ministro André Mendonça seja visto como alguém que extrapolou suas funções ao investigar um colega, está difícil garantir a permanência de Moraes no STF. O desafio agora é encontrar a forma de resolver, com o menor trauma possível. Para essa mágica, os ministros não têm uma receita.

A vida como ela é/ A pressa do presidente do STF, Edson Fachin, em resolver a crise não é a mesma dos demais ministros. Para esta terça-feira, conforme o leitor da coluna já sabe, a previsão é de pedido de vistas no caso Moraes e o mesmo deve ocorrer na situação de André Mendonça, no dia 23. Enquanto eles não encontrarem a fórmula para resolver um caso, o outro também não desenrola. E, nessa toada, o tiroteio segue sem data para terminar.

O temor de Flávio

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fechou a última semana perdendo o discurso de que não era investigado e tem dificuldades em alegar que se trata de “perseguição”, uma vez que a abertura do sigilo se deu pelo ministro André Mendonça. O que tira o sono de seus aliados é que apareça algo do iPhone 17 Pro de Daniel Vorcaro que ainda não veio a público.

Por falar em Flávio….

Se depender da campanha do presidente Lula, além do áudio enviado para Daniel Vorcaro, o horário eleitoral do petista deve trazer a investigação que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo no Supremo no caso do filme Dark Horse. A avaliação interna é que o slogan “o pior dos Bolsonaros” está ficando popular entre os brasileiros, e é por aí que o tom da campanha deve seguir contra o Zero Um de Jair Bolsonaro (PL).

O recado de Durigan

Responsável pela principal palestra do seminário Brasil Hoje, do think tank Esfera, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, dará seu recado no sentido de tentar alavancar a confiança do empresariado no governo Lula, especialmente, no quesito contas públicas e controle de gastos. Outros integrantes do governo, como a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, também farão exposições no seminário. O debate ocorre na Casa Fasano, com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

Fiscalização redobrada

A notificação da Advocacia-Geral da União (AGU) ao YouTube sobre 97 canais que usavam inteligência artificial (IA) com falsos médicos em vídeos preocupa especialistas em tecnologia. “Quando conteúdos falsos simulam profissionais em áreas, como saúde, educação ou segurança, o risco ultrapassa a desinformação e pode afetar direitos e serviços essenciais. O poder público precisa avançar na responsabilização de quem produz e distribui esse tipo de conteúdo”, defende Felipe Matos, especialista em IA e CEO da 10k digital.

A volta de Queiroz/ Ex-assessor de Flávio Bolsonaro enroscado no escândalo das rachadinhas, Fabricio Queiroz, apareceu no comício de Flávio Bolsonaro, neste sábado, em Angra dos Reis (RJ). Mas evitou fotos ao lado do candidato do PL ao Planalto. O momento é para esse personagem ficar fantasiado de abajur apagado, dizem aliados do senador.

Precedente/ Depois que Daniel Vorcaro teve direito à visita de seus advogados por duas horas e sem monitoramento ou marcação prévia, choveu pedidos para que o ministro André Mendonça concedesse o mesmo a outros presos da Papuda. Se a moda pega, acabará mudando.

Data-Uber/ A vida do PT não está fácil entre os motoristas de aplicativo em São Paulo. Coincidência ou não, oito motoristas ouvidos pela coluna disseram votar em qualquer um que esteja contra o presidente-candidato no segundo turno.

E o Caiado?/ O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) continua internado para tratar de uma pneumonia e deve ter alta hoje. O médico e ex-governador de Goiás está cauteloso quanto à saúde e o retorno a eventos e às gravações de campanha. Mas não deixou de dar o seu recado. Depois que Flávio virou investigado, os aliados do ex-governador ainda acreditam que ele possa angariar os votos. Até aqui, contudo, quem tem se beneficiado de qualquer problema com Flávio é Augusto Cury, do Avante.

O adiamento do “apocalipse”

Crise no STF
Publicado em Política

Marcada sessão para terça-feira, a expectativa geral dos próprios ministros do Supremo Tribunal Federal é de que o desfecho fique para mais à frente no calendário eleitoral. É que não está descartado um pedido de vista, no sentido de se ganhar tempo para refletir mais a respeito do futuro do ministro Alexandre de Moraes no STF.

Até lá é longo prazo/ A tendência de pedido de vista, porém, ainda depende das próximas 60 horas até a sessão plenária do STF. É grande a pressão de parte dos ministros para que a análise das ações do ministro André Mendonça seja incluída na mesma sessão. Se isso ocorrer, há quem defenda que os trabalhos se estendam até a madrugada e se resolvam logo essas questões para que a Corte tente se reerguer antes das eleições. Porém, a avaliação dos próprios ministros é de que a crise não termina tão cedo.

O iPhone mais cobiçado

A gincana do fim de semana entre os ministros do STF é o conteúdo bruto do material extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro Mendonça respondeu a todos que o material ainda está lacrado. E o ministro Cristiano Zanin respondeu que isso não significa que não deva ter o sigilo levantado.

Ainda é cedo para impeachment

Na avaliação de juristas, nenhum pedido de impeachment de ministros do Supremo relacionado ao Caso Master tem embasamento legal suficiente para abertura de processo no Senado. Apesar das evidências e citações nas investigações em curso, nenhuma das excelências foi condenada e, por isso, os requerimentos se baseiam apenas em motivações políticas. Para comprovar a culpa de um ministro, independentemente de quem seja, é necessário que o Plenário da Suprema Corte investigue, julgue e condene o magistrado. Só a partir desse ponto, segundo advogados constitucionais, como Ilmar Muniz, é que haveria base legal para um pedido de impeachment de ministro do STF no Senado.

Veja bem

A Suprema Corte também pode decidir pela perda de mandato caso a culpa seja comprovada em julgamento, mas especialistas avaliam que seria um processo demorado devido à complexidade. Muitos apostam que, devido aos embargos, a perda de cargo não seria efetivada em menos de seis meses. E, nesse caso, o impeachment no Senado seria mais rápido por não caber recurso.

Ofensiva contra as apostas

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa a produzir materiais para o horário eleitoral, no rádio e na televisão, sobre o efeito nocivo das bets na vida dos brasileiros. As inserções devem conter depoimentos de pessoas que se endividaram ou estão em dificuldades por conta das apostas. Acabar com as casas on-line é uma das bandeiras defendidas por Lula e aliados.

Só acusa…/ Seguindo à risca a estratégia de que a melhor defesa é o ataque, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (foto) usou as redes sociais para atacar o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. “Como podem ainda dar voz a um cara diretamente envolvido no escândalo para vir querer me acusar de algo. O Brasil não é para amadores”, questionou. O post exibiu reportagens sobre Vorcaro ter bancado uma viagem de Gonet com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e outra ao filho do procurador.

…  e não explica nada/ Eduardo Bolsonaro é apresentado no inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse como a pessoa que orientou a forma como recursos enviados por Vorcaro poderiam ser administrados nos Estados Unidos. Em seus posts, o filho 03 não deu qualquer explicação sobre a movimentação dos recursos ou sobre o fundo Havengate.

Sinais/ A direita está com tudo em Goiás. Tanto é que as campanhas entraram na linha de quem é mais conservador que o outro. A campanha do senador Wilder Morais (PL-GO) para o governo goiano, por exemplo, tem usado o horário eleitoral de rádio e tevê para dizer que os demais candidatos não são de “direita”. A referência foi feita aos concorrentes Daniel Vilela (MDB) e Marconi Perillo (PSDB), que segundo o bolsonarista não são “direita de verdade”.

CNBB cobra “Justiça sem Privilégios”

Crédito: Caio Gomez
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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A contar pelas manifestações da sociedade, o Poder Judiciário — em especial, o Supremo Tribunal Federal — não vai escapar de passar por uma reforma profunda diante da crise. Em reunião esta semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) engrossou esse coro, ao conclamar “os Poderes da República, suas autoridades e toda a sociedade” a esclarecemos fatos e a rejeitar tanto o silêncio diante de possíveis irregularidades quanto qualquer tentativa de enfraquecer as instituições. “O Brasil necessita de verdade sem manipulação, de justiça sem privilégios, de instituições que sirvam ao bem comum, de lucidez e paz”, diz o texto assinado pelo presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, e a cúpula da Conferência.

Ética/ A CNBB defende, ainda, que os ministros revejam seu comportamento, ao dizer que considera “oportuno que o Código de Ética em elaboração pelo Supremo Tribunal Federal receba o devido encaminhamento institucional, oferecendo parâmetros claros de conduta e contribuindo para a proteção da autoridade da Suprema Corte”. E deixa claro que os ministros devem ser investigados, ao dizer que “ninguém deve estar acima da lei, assim como ninguém deve ser previamente condenado”, e cobrar transparência: “Importante que questões de tamanha relevância institucional sejam examinadas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, de maneira colegiada, pública e transparente, permitindo à sociedade acompanhar os procedimentos e conhecer os fundamentos das decisões. Espera, igualmente, que as instituições responsáveis pela investigação possam exercer suas atribuições com independência, segurança e respeito às competências constitucionais”. Em suma, nada de jogar as denúncias para debaixo do tapete.

Te vira, Mário

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado a largar a mão do deputado Mário Frias (PL-SP), alvo da operação que apura suspeitas de desvio de dinheiro de emendas parlamentares que também mirou a produtora do filme Dark Horse, Karina Gama. Embora o próprio Frias tenha enviado recursos para a produção, uma ala dos bolsonaristas diz que quem tem que se explicar é ele. O máximo que Flávio fará é dizer que a operação pedida pela Polícia Federal, e autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, teve conotação política.

Incomodou

As inserções do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, nos supermercados deixaram o PT para lá de irritado e vai provocar mudanças na campanha do presidente Lula à reeleição.

Hora de relembrar

A ideia do partido é que as inserções comparem como foi o governo de Jair Bolsonaro com o terceiro mandato de Lula. Entre algumas lembranças que podem ser usadas, estão: a fila de ossos nos mercados, o preço da picanha e a atuação do ex-presidente na pandemia da covid-19.

Precisa mudar

O PT também pretende ser mais enfático sobre a proposta de reforma no Poder Judiciário, pauta defendida há anos pelo partido e reafirmada no 8º Congresso Nacional do PT, realizado em abril deste ano. A legenda defende a ideia de definir mandatos para tribunais a partir da segunda instância e mais cadeiras da sociedade no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Reforma no Judiciário/ Não vai ser por falta de proposta de emenda à Constituição(PEC) que o Judiciário deixará de ser reformado. Esta semana, surgiu mais uma. O deputado Danilo Forte (PP-CE, foto) sugere um Código de Conduta, Ética e Moral dos Magistrados. O texto também altera a indicação de ministros: modelo rotativo pelo Executivo, Legislativo e Judiciário; idade mínima de 65 anos e máxima de 75; e mandato de oito anos sem recondução. A aprovação, porém, tem de ser por maioria absoluta em sessão conjunta do Congresso.

Correção na nomeação/ “O sistema de indicação exclusiva pelo presidente da República concentra a formação da Suprema Corte em um único Poder, o que pode gerar distorções na composição do tribunal”, argumenta Forte sobre a mudança nos termos de indicação ao STF.

Meio-termo/ A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, não acatou na totalidade o pedido da candidata ao Senado e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), pois ele permitiu que parentes possam ficar com o ex-presidente por um período de somente duas horas. O pedido original visava dar mais tempo para que ela pudesse participar de eventos de campanha. Solicitava que outras pessoas pudessem ficar com Bolsonaro e auxiliá-la nos cuidados do ex-presidente. Foi negado.

Vapt-vupt/ A decisão de Moraes impede que Michelle possa comparecer aos eventos nacionais de Flávio Bolsonaro fora de Brasília. Mesmo as aparições em agendas no Distrito Federal precisarão ser bem planejadas para aproveitarem a janela de duas horas concedida pelo ministro. Os advogados da ex-primeira-dama ainda não decidiram se vão recorrer.

Apostas entre estudantes brasileiros podem passar de R$ 1 bilhão em 2025, aponta pesquisa

Crédito: Joédson Alves/Agência Brasil
Publicado em bets, Câmara dos Deputados, Congresso, Economia, Política, Senado

Por Eduarda Esposito — Uma pesquisa estima que no Brasil tenha sido gasto em apostas por adolescentes mais de R$ 1 bilhão no ano passado. Além do alto valor, o estudo mostrou que 9,5% dos estudantes com 11 anos já apostaram em bets. O levantamento, “Apostas online nas escolas brasileiras”, foi realizado pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info. 

Para calcular o montante estimado de apostas de estudantes brasileiros, foram considerados os valores declarados pelos alunos entrevistados e, como referência, a estimativa do Banco Central de R$ 62,5 bilhões em perdas com bets em 2025. O levantamento apresenta diferentes hipóteses para calcular os resultados agregados entre os estudantes. A pesquisa não perguntou se as apostas foram realizadas em bets legais ou ilegais. 

Quanto à faixa etária, o documento mostra que alunos de 11 anos já têm realizado apostas (9,5%). O maior percentual são os estudantes com 18 anos ou mais, 40,1%; entrevistados com 16 anos (27,6%) e os com 17 (32,3%) também tiveram um escore alto. A tabela mostra um aumento de envolvimento com as casas de apostas online conforme o aluno fica mais velho. 

Fonte: Apostas online nas escolas brasileiras

O percentual também é mais alto em alunos masculinos do que femininos. Na faixa etária dos 15 anos, os meninos (33,3%) apostaram mais do que meninas com 18 anos ou mais (24,6%). Quase metade dos estudantes masculinos do 3º ano do Ensino Médio já apostaram, 49,7%, já as meninas foram apenas 16,6%. 

O levantamento também descobriu que a maior parte dos adolescentes não tem ideia do quanto perdeu ou ganhou com as apostas. 35,2% afirmam que ganharam mais que perderam, 27,7% dizem o inverso e 37,1% não souberam responder. 

No recorte por religião, o levantamento mostra que 18,3% dos estudantes evangélicos já apostaram. Entre os católicos, 23,1% jogaram, e em outras religiões, 22,8% apostaram em bets. Ao comparar rede pública e particular, 40% dos entrevistados nas escolas públicas não souberam dizer se ganharam ou perderam mais. E nas particulares, enquanto 29,2% não souberam responder, 33,2% afirmaram ter perdido mais dinheiro do que ganhado com apostas. 

Para a deputada Tabata Amaral (PSB/SP), presidente da FPME, é preocupante saber que crianças de 11 anos já estão tendo contato com as bets e começando a apostar. “Estamos falando de uma prática que pode comprometer a saúde financeira e o desenvolvimento de uma geração inteira. A Bancada da Educação tem o compromisso de olhar para esse problema a partir de evidências e ajudar a construir políticas públicas que protejam crianças e adolescentes. A parceria com o Equidade.info nos permite justamente dar visibilidade a uma realidade que muitas vezes é invisível e, a partir dos dados, propor medidas concretas”, afirma.

O pesquisador, Guilherme Lichand, ressalta que o levantamento ajuda a trazer à luz um grande problema. “Os números geram incômodo e muitas outras perguntas. Essas apostas estão concentradas em eventos esportivos, sobretudo futebol? Como crianças e adolescentes descobrem essas plataformas? Como contornar as restrições de idade, problema comum tanto aos sites de apostas esportivas quanto às redes sociais?”, questiona o professor de Educação da Universidade de Stanford e responsável pela supervisão da pesquisa.

A pesquisa foi realizada com 1.912 estudantes do ensino fundamental e médio em 191 escolas pelo Brasil. Os alunos foram entrevistados de forma presencial com a aplicação de um questionário durante as entrevistas. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2,4%.

Fachin joga pela “colegialidade”

Crédito: Caio Gomez
Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 10 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Depois de retirar a relatoria do Inquérito das Fake News das mãos do ministro Alexandre de Moraes, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, estuda como fazer com que André Mendonça calce as sandálias da humildade. Para isso, não está descartado que a relatoria do Caso Master também troque de mãos. Os argumentos nesse sentido estariam no fato de Mendonça ter acolhido, em caráter liminar, um pedido de um partido político (no caso o Novo), que tem candidato à Presidência da República, em pleno período eleitoral. Soma-se a isso, as investigações envolvendo Moraes sem levar o caso diretamente à Presidência do STF. A ideia de Fachin é tirar dos ministros os instrumentos que têm usado para ataques mútuos e as armas usadas na guerra entre Moraes e Mendonça. Nas mãos de alguém como a ministra Carmen Lúcia, a expectativa é de que o STF se preserve diante de tanto desgaste.

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Ação e reação/ Ao homologar a delação premiada do empresário José Antonio Freixo Junior, o Mineiro, Mendonça age para mostrar que não está impondo um ritmo mais leve ao caso envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Porém, há quem avalie que tudo está muito lento. Mas não tão lento quanto o Inquérito das Fake News, que estava há sete anos nas mãos de Moraes.

STF no palco eleitoral

Com o Caso Master ditando o tom dessa fase da campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva percebeu que só vai tirar sua candidatura do desgaste se houver uma transparência total de tudo que já foi apurado nas operações sobre o banco liquidado e o caso do INSS. As apostas do PT são de que, embora tenha alguns dos seus, o caos nos demais partidos será maior.

Sem sigilo

Não é apenas Lula que defende o fim do sigilo de tudo o que se sabe a respeito dos laços e financiamentos de Daniel Vorcaro a terceiros. Na própria Polícia Federal (PF), tem muita gente defendendo que os sigilos do Caso Master e dos descontos ilegais do INSS sejam derrubados integralmente.

O que eles pensam

Para alguns policiais na ativa, há o sentimento de que a corporação está sendo utilizada, fatiada e não há como permanecer dessa forma. “Não somos um Poder e os ministros são reflexos do Poder. A PF quer uma defesa da instituição e vamos deixar isso claro”, disse à coluna Flávio Werneck, especialista em segurança pública, mestre em criminologia e policial federal.

Crianças apostam em bets

O caso das bets é mais grave do que se possa imaginar. Um estudo apresentado pela Frente Parlamentar de Educação revelou que crianças a partir dos 11 anos têm realizado esse tipo de aposta. E mais: a estimativa de gasto de estudantes brasileiros com esses jogos passou de R$ 1 bilhão em 2025. Leia mais no Blog da Denise, no site do Correio Braziliense.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Não espere um messias/ A ideia de Andrei Rodrigues de buscar um advogado particular para sua defesa arrisca virar moda. É que, na Esplanada, tem muita gente cansada de esperar a Advocacia-Geral da União (AGU).

Não é de hoje…/ Que Andrei Rodrigues e Jorge Messias (foto) têm diferenças. Agora que a AGU se sentiu escanteada na defesa do diretor-geral da PF, tem gente apostando que o mal-estar vai crescer.

PT e STF/ O PT tem reunião, hoje, na sede nacional do partido, em Brasília, para definir posição sobre a crise do Judiciário. Líderes foram convocados para o encontro a portas fechadas, nesta manhã. O direcionamento deve seguir a linha que Lula já tem utilizado em seus pronunciamentos: pedir a quebra de sigilo dos casos e investigação para todos, doa a quem doer.

Até tu, Goiás?/ Candidatos a deputado federal do PSD fazem campanha no estado de Ronaldo Caiado sem qualquer menção ao presidenciável do partido. Um exemplo é Daniel AgroBom, que, em Valparaiso de Goiás, faz campanha em parceria com um candidato a estadual pelo Agir sem pedir votos para o ex-governador. Se nem os candidatos goianos pedem votos para presidenciável, quem o fará?

O STF, Lula, Flávio e a eleição

Crédito: Kleber Sales
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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Crédito: Kleber Sales

Na maioria das conversas dos políticos cresce a sensação de que o presidente Lula entrou em rota descendente diante da guerra dentro do Supremo Tribunal Federal, especialmente esta semana, com o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Por mais que Lula não tenha indicado os ministros “gladiadores” — Alexandre de Moraes foi indicado por Michel Temer e André Mendonça por Jair Bolsonaro —, quem é governo leva os maiores respingos da crise. Lula, por sua vez, tentará fazer desse limão uma limonada, com o discurso de que o afastamento de Andrei está diretamente relacionado ao fato de a PF ter, por meio da Operação Carbono Oculto, emparedado barões do mercado financeiro que auxiliavam a lavagem de dinheiro do crime organizado. É por aí que muitos acreditam ser possível tentar trazer de volta os eleitores que começam a se afastar do governo. Pelo menos é o que resta.

Enquanto isso, na campanha de Flávio…/ O clima é de euforia. A avaliação é de que o senador acertou o tom no horário eleitoral de rádio e tevê ao tratar dos preços nos supermercados. E está com tudo encaixado. Agora, dizem os aliados de Flávio, é torcer para que o Dark Horse não vire uma página de terror atropelando uma campanha que segue no trilho, ajustada e afinada.

Fique frio

Lula foi aconselhado a agir de forma institucional e defender que há isenção da Polícia Federal nas investigações, se for o caso, citando, inclusive, a apuração que envolve seu próprio filho.

Duas medidas

Ao afastar Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal, o ministro André Mendonça abriu a porteira para que Edson Fachin termine trocando o relator do caso Master no STF. É que, se Mendonça já havia pedido que o plenário do Supremo avaliasse partes do caso, deveria ter feito o mesmo em relação ao diretor da PF.

Ação e reação

O afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, por decisão monocrática conseguiu unir algumas alas da Polícia Federal. Agora, virou questão de honra para a corporação concluir as investigações em curso, doa a quem doer, seja aliado, seja opositor ao governo de plantão.

Se demorar…

A contar pela crise que se abate sobre o STF, com um tiroteio para todos os lados entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, com balas atingindo até a Polícia Federal, há quem tenha feito o seguinte alerta: ou o presidente Edson Fachin age rápido ou não sobrará um STF para salvar.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alvez/CB/DA/Press

Há precedente…/ A Fatto Inteligência Política lembra que não é a primeira vez que a Polícia Federal se torna uma variável importante de um período eleitoral. Em 2002, o caso Lunus tirou Roseana Sarney do páreo eleitoral quando ela liderava as pesquisas. E Roseana não estava sob investigação.

… e muitas histórias/ A Fatto elenca ainda os casos de 2006, quando a PF agiu contra os chamados “aloprados” , em meio às denúncias do Mensalão. Em 2014 e 2018, as ações da PF na Lava-Jato tiveram claro impacto nas eleições.

E teve mais/ O atual senador Sergio Moro (foto, PL-PR), enquanto ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, em 2020, pediu exoneração do cargo acusando o então presidente da República de tentar influir na direção-geral da PF. Hoje, concorre ao governo do Paraná pelo partido de Bolsonaro.

Montanha-russa/ Até a eleição, continuará o sobe e desce dos dois candidatos que lideram a corrida eleitoral para a Presidência da República. Ninguém terá um momento de refresco.