No discurso na ONU, Bolsonaro esqueceu de corrupção e segurança para os turistas

Bolsonaro
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O discurso do presidente Jair Bolsonaro nas Nações Unidas não citou nem sequer uma vez o combate à corrupção, nem tampouco mencionou que as cidades brasileiras representam um porto seguro para os turistas do mundo inteiro, dois pontos que faltaram se comparados à fala presidencial de 2019.

Lá atrás, com nove meses e governo, Bolsonaro ainda não era próximo do PP de Ciro Nogueira, do PTB de Roberto Jefferson e ressaltava o “patriotismo, a perseverança e coragem de um juiz que é símbolo no meu país, o doutor Sergio Moro, nosso atual ministro da Justiça”.

A segurança nas cidades brasileiras também foi deixada de lado. Em seu lugar, entrou a defesa das reformas, o apoio à reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em tempo: Conforme antecipou a coluna, Bolsonaro desta vez não citou nenhum ministro. Afinal, como ele já pode perceber enquanto presidente da República, a velha expressão “entra comigo e sai comigo” que ele usou para nomear muita gente, já caiu em desuso faz tempo.

Em ano eleitoral, não vai

Quem fez as contas garante: Com a eleição chegando aos lares dos brasileiros no início de outubro, com horário eleitoral, o governo não terá votos para aprovar o auxílio emergencial de R$ 300. Ninguém vai querer botar a cara e o nome no painel de votações e arriscar levar um “cartão vermelho”

A guerra do teto

A contar pelo que disse o secretário de Fazenda de São Paulo, Henrique Meirelles, a “tentação” de mexer no teto de gastos deve ser contida. No painel Telebrasil desta semana, o ex-ministro da Fazenda de Michel Temer e ex-presidente do Banco Central de Lula lembrou que é um dos instrumentos do governo para manter a confiança de que o país cuidará de equilibrar suas contas.

Separação litigiosa

Meirelles, com esse discurso, fica a anos-luz do PT de Lula. Ao lançar o plano de reconstrução nacional na segunda-feira, o PT defendeu o fim do teto de gastos e mais presença do estado para resolver a crise econômica. Meirelles se mantém na linha de atrair investimentos.

O funil das reformas…

A área econômica já sabe que reforma administrativa este ano não sai. Se alguma alteração constitucional for aprovada, será o primeiro turno da reforma tributária e olhe lá. Daí, a intensa agenda de reuniões desta semana. A ideia é acelerar esse processo e, se der, incluir o novo imposto sobre sobre operações eletrônicas.

Olho no lance/ Deputados e senadores começam a prestar atenção nas grandes casas de apostas digitais que faturam bilhões, por exemplo, com o futebol. Dados que circulam entre os parlamentares apontam R$ 4 bilhões arrecadados na Copa do Mundo.

Agora, os elogios, talkey?/ A presença de líderes no Planalto, ontem, para acompanhar, ao lado de Bolsonaro, a exibição do discurso na ONU, e já saíram dali com as orientações na ponta da língua para elogiar a fala presidencial.

Tensão no Senado/ O jantar que o senador Izalci (PSDB-DF, foto) ofereceu, ontem, aos colegas num amplo salão de festas da cidade, atraiu as excelências cansadas do isolamento, mas alguns foram com medo. Apesar do distanciamento social, sabe como é, em meio a confraternização, muita gente esquece que o Brasil ainda vive uma pandemia.

Por falar em tensão…/ O discurso na ONU reavivou o mal-estar entre o presidente Jair Bolsonaro e o conselho nacional dos secretários de saúde (Conass). Essa história de dizer que ficou fora da coordenação da covid-19 foi meia-verdade.

Na ONU, Bolsonaro tenta resgatar imagem culpando os outros pelos problemas

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Ciente das dificuldades da imagem do Brasil lá fora, em especial, por causa das queimadas e do número de mortos pela covid-19, o presidente Jair Bolsonaro tentou mostrar um ei, amigos, eu sou legal e meu governo também é. Por tabela, procurou ainda se eximir de qualquer culpa por esses problemas. Bolsonaro levou à Organização das Nações um discurso de defesa do seu governo em todos os aspectos. O isolamento social, que ele sempre criticou, “e quase levou ao caos social no país”, foi obra da imprensa __ e não de um vírus praticamente desconhecido, no início do ano, e mortal para muitas pessoas. A condução do enfrentamento à pandemia foi obra dos governadores __ e não de uma necessidade por causa da falta de coordenação do governo federal nesse processo. O desmatamento é atribuído no discurso a índios e caboclos, que queimam seus roçados, e, no caso do Pantanal, às altas temperaturas da seca como existe também na Califórnia. No mais, o que houve foi campanha de “desinformação”. Bolsonaro, pelo discurso da ONU, só se responsabiliza pela parte boa, enviar dinheiro para os estados no controle da pandemia, fazer o dever de casa de promover reformas rumo à OCDE e “tolerância zero” com crimes ambientais.

O pronunciamento gravado não fugiu do script combinado com seu principais conselheiros, com destaque ao vice-presidente, general Hamilton Mourão, e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, no quesito queimadas na Amazônia, ao dizer que uma “campanha de desinformação” tem o objetivo de “prejudicar o governo e o próprio Brasil”. Obviamente, a oposição se aproveita da situação para tentar desgastar o governo, mas é fato de que o desmatamento aumentou e isso o presidente brasileiro não disse às autoridades em seu discurso na ONU.

O presidente também aproveitou para, com números dolarizados, tentar mostrar ao mundo as medidas de proteção social adotadas ao longo da pandemia, como forma de reduzir os problemas econômicos. Porém, a forma como montou sua explicação sobre o auxílio emergencial de R$ 600 _ um valor alto para os padrões brasileiros de algumas regiões __ não chega à soma de US$ 1 mil citada pelo presidente. Ele disse que as parcelas somadas distribuídas a 65 milhões de pessoas chegariam a “aproximadamente” mil dólares Não é bem assim. Pelo dólar a R$ 5,00 __ e hoje está acima disso __ essa soma seria de maio a dezembro (levando-se em conta quatro parcelas de R$ 600,00 e quatro de 300,00), um total de R$ 3.600,00 e, quem recebeu em abril, chega a R$ R$ 4.200,00 não R$ 5 mil. Ou seja, não é uma conta fechada e nem tão aproximada como quis fazer crer o presidente.

Números à parte, o discurso prima ainda pela defesa do agronegócio, como um dos melhores do mundo, e cobranças aos países desenvolvidos. Nos dois casos, ele não deixa de ter lá suas razões. A agricultura, realmente, usa uma parcela do território que prescinde da floresta. No caso das cobranças, Bolsonaro cita o mercado de carbono, porque sabe que isso representaria uma injeção de recursos no Brasil. Na Cop25, diz Bolsonaro, o Brasil se esforçou para regulamentar os artigos do Acordo de Paris que permitiriam o estabelecimento efetivo do mercado de carbono internacional e foi “vencido pelo protecionismo”. Também tem destaque citação da “operação acolhida” aos venezuelanos, um exemplo para o mundo, e as cobranças de apuração e penalização para os responsáveis por acidentes, como o caso do óleo que saiu da Venezuela e acabou nas praias brasileiras, com graves prejuízos ambientais.

Ao mesmo tempo em que se esforça para mostrar suas ações, Bolsonaro tenta tranquilizar o público interno e externo em relação às liberdades individuais e faz uma promoção do compromisso com os princípios basilares da ONU __ paz e segurança internacional, cooperação entre os países, direitos humanos e liberdades individuais, participa de missões de paz e mantém seu compromisso com esses valores. Em suma, quis dizer que é legal e seu governo idem. Se as ações do governo seguirem os compromissos da ONU, talvez os brasileiros cheguem a 2022 com possibilidade de dizer que Bolsonaro é legal e seu governo também.

Heleno e Mourão dão o tom ambiental para o discurso da ONU

Bolsonaro na ONU
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As declarações do vice-presidente Hamilton Mourão, de que Bolsonaro apresentará as questões ambientais, e do ministro-chefe da Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, de que as críticas têm o intuito de prejudicar o Brasil e “derrubar o presidente Jair Bolsonaro”, estarão presentes no discurso de Bolsonaro na 75ª Assembleia-Geral da ONU. A narrativa de que a visão sobre a Amazônia estará diretamente ligada à política não virá recheada de críticas a outros países.

Em tempo: o fato de o discurso ter sido gravado foi, inclusive, um alívio para muitos diplomatas brasileiros, por que ajudará a evitar cacos incluídos na véspera. No ano passado, no púlpito do plenário das Nações Unidas, em Nova York, Bolsonaro incluiu itens de última hora em sua fala, como, por exemplo, a citação ao cacique Raoni — seria alguém que servia de “peça de manobra” por governos estrangeiros.

Huck e Lula…

Dois eventos simultâneos na largada desta semana indicam que os adversários do presidente não estão inertes à espera de 2022. Numa live para o Conselho Político da Associação Comercial de São Paulo, o empresário e apresentador Luciano Huck disse que o Brasil vive uma “ignorância estruturada para impedir o debate político informado”. Referia-se à polarização entre o PT e Bolsonaro.

… no aquecimento

Na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o PT do ex-presidente Lula apresentou seu plano de reconstrução do Brasil, com a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, lançando a ideia de que eleições, para serem democráticas, têm que ter a participação do ex-presidente.

Ciro corre por fora

Em sua conta no YouTube, Ciro Gomes apresentou um “pot pourri” de suas falas e entrevistas, em que chama Bolsonaro de corrupto, cita a filha de Fabrício Queiroz que trabalhou no gabinete do presidente quando era deputado federal e, de quebra, ainda se refere ao clã presidencial como “formação de quadrilha”.

Conhecereis a verdade (e tome desgaste)

A ausência do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) à acareação com o empresário Paulo Marinho reforça o discurso de que o parlamentar não quer usar todas as armas de que dispõe para apresentar a sua versão dos fatos. De quebra, vira um prato cheio para os opositores, num momento em que o irmão Carlos será candidato.

Ernesto sem saída/ O chanceler Ernesto Araújo só aceitou explicar aos congressistas a visita do secretário Mike Pompeo a Roraima para não comprometer a aprovação da série de embaixadores que aguardam a aprovação pelo Senado. Melhor garantir a nomeação daqueles que o governo escolheu e não esticar uma briga, justamente na véspera do discurso de Bolsonaro na ONU.

Esquece o cara, talkey?/ No ano passado, o único ministro citado por Bolsonaro em sua fala foi o da Justiça, Sergio Moro, que deixou o cargo com acusações de que o presidente tentou interferir na Polícia Federal. Agora, com Moro fora da equipe, aqueles que ajudaram Bolsonaro a compor sua fala preferiram não indicar citações nominais a integrantes da equipe. A ideia é valorizar o governo como um todo.

Eleição dos memes/ Caiu nas redes a foto da candidata do PTB à prefeitura do Rio de Janeiro, Cristiane Brasil, durante um vídeo em que dizia considerar sua prisão uma jogada para tirá-la da eleição. E junto lia-se a inscrição: “O Rio de Janeiro está avançando… Agora o candidato já vem preso”.

China inova/ Em meio a pandemia, o embaixador chinês Yang Wanming e a embaixatriz Lu Yanliu encontraram um meio criativo de não passar em branco o 71º aniversário da República Popular da China. Com a tecnologia de nuvem, orquestras de renome dos dois países tocarão em conjunto músicas chinesas e brasileiras. A estreia está marcada para o próximo sábado, às 11h, no canal da Embaixada da China no YouTube.

Huck: “A pandemia foi uma caneta marcadora de texto que realçou as desigualdades no Brasil”

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Crédito: João Miguel Jr./TV Globo.

Numa live para os 25 integrantes do conselho Político da Associação Comercial de São Paulo em que acabaram participando quase 100 pessoas, o empresário e apresentador Luciano Huck falou e debateu por duas horas com uma seleta plateia de ex-deputados, ex-senadores e ex-ministros, em que comentou que o Brasil vive uma “ignorância estruturada” e não poupou o governo Bolsonaro em relação à pandemia. Sem citar nomes, disse que considerou a gestão do governo na pandemia “temerária”, porque, na avaliação dele, “não tem nenhuma ligação entre ciência e ação de governo”. Avaliou como uma “improvisação”.

Huck falou sobre os problemas sociais do país, contou histórias que conheceu em suas viagens pelo país e ainda analisou o cenário político. Segundo relatos de participantes, perguntado sobre por que estava em movimento, ele foi dito: “O Brasil está com uma ignorância estruturada para impedir o debate politico informado. Esta ignorância é a polarização”, afirmou, numa referência ao bolsonarismo e ao petismo. Foi nessa parte, contam os participantes, que o empresário e apresentador demonstrou todo o seu entusiasmo com o RenovaBR, o instituto de formação política montado por Eduardo Mufarej e que elegeu diversos deputados Paulo Brasil afora, tais como Tábata Amaral (PDT-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP).

A plateia formada por ex-deputados, ex-ministros, ex-senadores deixou por último a pergunta sobre se ele teria coragem de ser candidato a presidente em 2022. Quem deu voz a essa dúvida foi o ex-deputado Vilmar Rocha (DEM-GO). Huck disse que não era o momento de colocar candidaturas, mas soltou um “não estou aqui?” Para muitos, está claro que Huck não ficará escondido e nem deixará de se apresentar dentro do que é, ou seja, uma pessoa bem de vida que deseja contribuir para melhoria do debate politico.

Em tempo: Se Bolsonaro chegou à Presidência em 2018, depois de quatro anos de campanha, para muitos está claro que Huck, ao que tudo indica, tentará fazer o mesmo em dois anos. Vejamos os próximos lances desse jogo eleitoral antecipado.

Planalto trabalha para que investigações contra Carlos e Flávio não esbarrem em Bolsonaro

Bolsonaro Carlos Bolsonaro Flávio Bolsonaro
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Em conversas reservadas, os aliados do presidente Jair Bolsonaro consideram que o maior problema do vereador Carlos Bolsonaro continua sendo a investigação sobre as fake news. O depoimento mais recente, em que o vereador negou o uso de robôs, ainda vai passar por um grande pente fino por parte dos investigadores e o Planalto está atento para que isso não esbarre no presidente.

No caso de Flávio Bolsonaro, a investigação do desvio de parte do salário dos servidores de gabinete nos tempos de deputado estadual, as “rachadinhas”, que levou à prisão o ex-assessor Fabrício Queiroz, é o que mais preocupa o clã.

Até aqui, nenhum desses problemas afetou diretamente a popularidade do presidente Jair Bolsonaro. E tudo será feito para que continue assim. Nem falar sobre esses problemas, Bolsonaro falará. Políticos próximos ao Planalto asseguram que cada filho terá que segurar o desgaste, caso seja necessário.

É desgaste, mas…

Ainda que o Supremo Tribunal Federal obrigue o presidente Jair Bolsonaro a prestar depoimento presencialmente, a avaliação do Planalto é a de que o caso das suspeitas de tentativa de interferência na Polícia Federal não farão parte do cardápio das eleições e nem da agenda do cidadão comum, mais preocupado com o preço do arroz, o atendimento no posto de saúde, e a covid-19. Mesmo quem desrespeita as recomendações de isolamento social não está tranquilo.

Aliado, “pero no mucho”

A dissolução do diretório do PTB em Salvador foi vista como uma certeza por parte dos políticos de que o presidente Jair Bolsonaro não confia no DEM como aliado de sua reeleição. Roberto Jefferson, presidente do PTB, partiu para cima dos petebistas baianos justamente por causa da aliança com Bruno Reis (DEM), o candidato do prefeito ACM Neto.

Insegurança política

A aliança em Salvador se manteve de pé por uma liminar judicial, mas a confusão política está armada e a desconfiança é geral. À primeira vista, há quem diga que Jefferson adotou essa posição de intervir, depois de ter autorizado a coligação, justamente para mostrar a Bolsonaro que ACM Neto não manda no PTB.

Melhor pesquisa/ O presidente Jair Bolsonaro tem dito aos seus aliados que não precisa das pesquisas de opinião para saber como está a sua popularidade. Prefere fazer como no sábado, que, ao sair da convenção das Assembleias de Deus, seguiu para a lotérica da 103 Norte, onde foi aplaudido e terminou em aglomeração.

Por falar em aglomeração…/ É preocupante a campanha eleitoral no entorno do DF. O desrespeito aos protocolos de segurança nas convenções partidárias deixou muita gente com medo.

PSol arrisca tomar lugar do PT/ Ao usar para os candidatos deste ano o mesmo algoritmo adotado para medir a trajetória ascendente de Jair Bolsonaro em 2018, o Instituto Bites já identificou alguns candidatos que o mundo da política deve prestar atenção: Em São Paulo, Guilherme Boulos (PSol) é quem mais chama a atenção nas redes sociais, nesse momento.

Em BH, idem/ A candidata do PSol, Áurea Carolina, também foi quem mais atraiu as redes sociais nos últimos sete dias, conforme a análise do Bites. As apostas no mundo da política são as de que o PT dificilmente manterá o posto de domínio das esquerdas nesta rodada de eleições municipais.

Ministro Marco Aurélio Mello, do STF, opera o joelho: “para resistir melhor às caneladas no povo e na Democracia”, diz

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Calma, pessoal. Nada a ver com o coronavírus. O teste dele, aliás, deu negativo, para poder entrar no hospital. O jornalista Renato Souza, da equipe do Correio, conta que o ministro Marco Aurélio Mello operou o menisco, recebeu alta hoje e faz até piadas com o fato. E não precisará sequer se licenciar do STF. Aos amigos, mandou a seguinte mensagem:

“Coronavírus nas pernas. Não! Teste negativo para entrar no DF Star. Menisco para reforçar o time que perdeu de 5 X 0 (Flamengo) ou resistir melhor às caneladas no povo, na Democracia, na República, no que são a Geni (do Chico Buarque) nos dias de hoje. Entrei ontem e saí hoje. E já vou para fisioterapia”, afirmou. Quando alguém lhe pergunta se é coisa da idade, eis que ele responde: Äh, não é velhice. A parte de dentro do joelho é de um garoto de dezoito anos. O mesmo ocorre coma cabeça pensante. Meu ortopedista atribui ao fato de eu pisar para fora. Eu, às caneladas que vem sendo dadas na Constituição Federal, no povo Brasileiro, e na Democracia, alfim na sofrida República”.

Plenário do STF deve manter depoimento presencial de Bolsonaro

Oposição Bolsonaro
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A avaliação de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) é a de que o presidente Jair Bolsonaro terá dificuldades em conseguir fazer valer o depoimento por escrito, no caso em que é investigado pela denúncia de interferência na Polícia Federal.

É que a tendência do plenário da Corte, hoje, é seguir o relator original, Celso de Mello, e, de quebra, decidir de uma vez por todas que, daqui para frente, vai ser assim: presidente da República escolhe o local, mas o depoimento, em caso de investigado, tem de ser presencial.

Na minha sala, talkey?

O governo ainda tem esperança de conseguir o depoimento por escrito, mas já decidiu que, se perder, Bolsonaro prestará informações no Planalto, até para não se expor mais neste tema.

A avaliação dos aliados do presidente é a de que, na cabeça do eleitorado, essa história de interferência na PF está em fogo brando e, para não esquentar, melhor ficar quieto.

Governo colocará culpa de cortes em recursos no Congresso

orçamento emendas
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O discurso do ministro da Educação, Milton Ribeiro, de que parte do corte de R$ 1,5 bilhão dos recursos da educação se deu para que o governo conseguisse os recursos para pagamentos das emendas de deputados e senadores ao Orçamento da União, vai se repetir em outras áreas.

É que o caixa da União é um só. E como o pagamento das emendas é obrigatório, o governo quer deixar claro que é bom todo mundo saber que essa pulverização orçamentária tem um preço.

Este ano, o total de emendas autorizado no Orçamento chegou a R$ 39,9 bilhões. Os dados atualizados no Siga Brasil apresentam R$ 21 bilhões empenhados, ou seja, com recursos reservados, R$ 12,1 bilhões executados (obra ou serviço) e R$ 15,8 bilhões pagos são maiores do que os executados, porque incluem restos a pagar de anos anteriores). Os dados são da última quarta-feira.

Eles que se entendam

Parlamentares presentes à conversa de deputados da bancada evangélica com Bolsonaro saíram de lá com a certeza de que, se quiserem resolver de uma vez por todas as dívidas de igrejas e templos, terão eles mesmos que apresentar uma emenda constitucional. O presidente falou nisso há alguns dias, mas, agora, dizem alguns, não se mostra muito disposto a tomar para si a responsabilidade da PEC.

Impeachment virou “arroz de festa”

Dois governadores, Wilson Witzel (RJ) e Carlos Moisés (SC), estão em processo de impeachment. Wilson Lima, do Amazonas, escapou de um no mês passado. O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, escapou de mais um. Em muitas cidades do interior, não está diferente.

Lula na lida/ Ao visitar o senador Renan Calheiros, no hospital Sírio Libanês, o ex-presidente Lula tenta buscar uma reaproximação com o MDB. Como se sabe, em política, esses gestos falam mais do que muitas reuniões de trabalho.

OAB-PR x defensor de Eduardo Cunha/ Ticiano Figueiredo, advogado do ex-presidente da Câmara, levou uma “chamada” da seccional da OAB no Paraná, por ter chamado os colegas paranaenses de “covardes” ao fornecer uma carteira profissional a Sergio Moro. Os conselheiros estaduais fizeram circular uma carta em que criticam o “tom agressivo” de Ticiano.

Tempos intranquilos/ A troca de farpas entre o advogado e a seccional da OAB é um exemplo de como anda o clima entre os advogados. Há uma guerra geral ainda entre as seccionais, por causa da solidariedade ao presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz. Se fossem políticos, a palavra de ordem seria “vaca não reconhece mais bezerro”.

Evento inocente/ Convidados do casamento do empresário Eduardo Oliveira Filho e Anna Carolina Noronha, filha do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio Noronha, são os primeiros a dizer que a festa não foi a responsável por alastrar a covid-19 entre as autoridades. Ministros da Corte que testaram positivo nos últimos dias não foram ao evento social. O procurador-geral Augusto Aras também não estava. Todos só compareceram à posse de Luiz Fux, no STF. Porém, a quantidade de infectados deixa a lição: diante do vírus, máscara, álcool em gel e um certo distanciamento continuam indispensáveis.

Lula vai a Renan e tenta reaglutinar antigos aliados

lula e renan calheiros
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O ex-presidente Lula tenta reaglutinar aqueles que, no passado, apoiaram seu governo. Hoje, por exemplo, foi visitar uma dessas pessoas: o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que, ainda hospitalizado, se recupera da retirada de um tumor no rim direito no Sírio Libanês, em São Paulo. Conversaram por mais de meia-hora.

A postagem de Renan em suas redes sociais, com a foto do encontro, deixou muita gente desconfiada de que o senador vai tentar puxar o MDB para o lado de Lula no futuro.

Eis o que disse Renan: “Durante a conversa, ele (Lula) me perguntou se eu estava bem. Respondi que aguento jogar os 90 minutos, mas que a prorrogação não garanto”.

Em política, nada é dito por acaso. Ainda mais quando se trata do experiente ex-presidente do Senado, Renan Calheiros.

O medo de Bolsonaro é levar um cartão vermelho com o fim do auxílio emergencial

cartão vermelho Bolsonaro
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O auxílio emergencial vai acabar, no final do ano, e restará aos brasileiros o antigo Bolsa Família, ou seja, valor menor em relação ao benefício pago hoje. Essa redução aos valores do programa é vista, no Planalto, como um risco à popularidade presidencial e sem a marca do governo de plantão.

É isso que tem tirado o sono e o humor de Jair Bolsonaro, porque não há recursos para a criação de um novo programa social, o Renda Brasil, com valor próximo ao auxílio emergencial. A saída para fazer do jeito que o presidente quer significaria extinguir programas ou, pior ainda, aumentar imposto, criar novas contribuições, congelar vencimentos ou coisa que o valha.

Até aqui, todas as propostas discutidas foram descartadas porque trariam mais desgaste político. Bolsonaro não quer nada que possa baixar a sua recuperação de popularidade. Porém, alguma briga terá de comprar para conseguir crescer o orçamento para o programa.

Em tempo: na avaliação de muitos aliados, o presidente, ao desistir das mudanças, abriu um flanco para a oposição. Afinal, mostra que o governo está abandonando projetos e preocupado apenas em dividendos eleitorais.

Não quer brigar com os atuais servidores públicos, não quer terminar com benefícios que atingem alguns grupos. Até as privatizações são vistas com certa desconfiança, tiram espaço do poder público que os militares consideram estratégicos e, de quebra, reduzem os cargos para acomodação da nova base ligada ao presidente. Nesse ritmo, vai passar por este mandato apenas de olho no segundo.

Afina isso aí, capitão

Líderes aconselharam Bolsonaro a unificar o discurso dentro da equipe econômica para evitar o que houve a respeito do congelamento das aposentadorias. Agora, vai ser assim: quem jogar ideias ao vento, sem que tenha passado pelo Planalto, está fora.

Guedes não pede para sair…

O ministro da Economia, Paulo Guedes, não pedirá demissão, o que ajudou a segurar o mercado. Porém, a fala do presidente — de que daria cartão vermelho a quem aparecer com propostas que prejudiquem alguns segmentos, como os aposentados — enfraqueceu ainda mais a equipe.

…porém, os problemas aumentam

As ameaças de Bolsonaro deixam a equipe econômica insegura para apresentação de propostas polêmicas. Conforme leitura de alguns parlamentares, quem o fizer assina a carta de demissão em seguida.

Reduziu, mas já foi melhor

O Tribunal de Contas da União (TCU) fechou a lista de contas julgadas irregulares com implicação eleitoral este ano. Até aqui, são 11.553 contas julgadas irregulares e 7.357 pessoas implicadas. Os dados ainda serão atualizados até dezembro.

Em 2018, o número de contas irregulares com implicação eleitoral foi maior, 12.512, com 8.057 pessoas. Porém, em 2014, o número era bem menor, 10.561 contas e 6.819 pessoas.

CURTIDAS

Cada um no seu quadrado/ Enquanto Bolsonaro trava embate com a sua equipe econômica, o vice Hamilton Mourão delimita seu campo com o Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Dizer que a autarquia divulga dados de queimadas por ser de oposição ao governo provoca um estresse desnecessário num momento de resolver os problemas.

15 dias/ O adiamento da votação do veto de desoneração da folha de pagamentos é o tempo que o governo terá para propor algo em troca aos 17 setores atingidos pela medida.

Jurados I/ A presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Cristina Peduzzi, encabeça a lista dos sete jurados do 17º Prêmio Engenho e Comunicação — O dia em que o jornalista vira notícia. Completam a ala feminina a procuradora-chefe do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Fabiana Barreto, e a jurista Eliziane Carvalho, do Sistema CNA-SENAR.

Jurados II/ Além delas, completam o time, o ministro de Estado da Secretaria Geral da Presidência, Jorge Oliveira; o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Mário Velloso; o professor Bruno Nalon, mestre em comunicação e coordenador do Uniceub; e o conselheiro vitalício da OAB, jurista Marcus Vinícius Furtado Coelho. “São personalidades que emprestam seu tempo e, principalmente, sua credibilidade para valorizar a imprensa brasileira”, explica a jornalista Kátia Cubel, comandante da Engenho e idealizadora do prêmio. As reuniões do júri começam em 23 deste mês e a premiação será em novembro.