Eleição na Câmara é avaliada como desgaste para Flávia Arruda

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A deputada Flávia Arruda (PL-DF) se lançou candidata a vice-presidente da Câmara em meio à queda de braço entre o Planalto e Valdemar da Costa Neto para a articulação política na Câmara. Terminou atropelada pelo acordo de líderes que fez de Lincoln Portela o primeiro-vice. O fato de ter sido ministra da Secretaria de Governo e ter apenas 83 votos foi considerado, dentro do PL, um desgaste desnecessário para a deputada.

Nada a ver
Alguns aliados de Flávia viram na candidatura uma forma de tentar negociar a retirada de Damares Alves da disputa pela vaga ao Senado pelo Distrito Federal. O jogo do DF, porém, é do Republicanos e não passou pelos partidos que estavam disputando as três vagas na Mesa Diretora — PL, PT e PSDB.

Luciano Bivar quer usar projeto do ICMS para embalar a candidatura

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Pré-candidato a presidente da República pelo União Brasil, o presidente do partido, deputado Luciano Bivar (PE), quer aproveitar o projeto do deputado Danilo Forte (União-CE), relatado pelo líder da legenda na Câmara, Elmar Nascimento (BA), para puxar um discurso que sirva de alavanca para a disputa pelo Palácio do Planalto. Até aqui, Bivar tem se mantido discreto, mas quer mudar essa situação com a confirmação do seu nome num evento na próxima terça-feira.

A avaliação dos integrantes do União Brasil é de que ele será candidato, nem que seja para apresentar a nova agremiação ao país. E de quebra evitar que o tempo de tevê, o maior de todos, termine distribuído a outros partidos. A ideia é fazer propaganda da legenda. Afinal, em política, vale a máxima: time que não joga não tem torcida.

Curtidas

A hora da verdade em São Paulo/ O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador Geraldo Alckmin terão uma conversa com Márcio França para decidir a candidatura ao governo estadual. A ideia do petista é tirar o nome do PSB da disputa. Não foi isso que Alckmin combinou com Lula lá atrás.

Veja bem/ O PT dirá a França que a candidatura do PSB corre o risco de ficar isolada e perder terreno para o candidato do Republicanos, Tarcísio de Freitas, que tende a ficar com os votos de Bolsonaro.

O desafio de Tebet/ Candidata do MDB e do Cidadania ao Planalto, a senadora Simone Tebet (MS) tem agora a missão de agregar apoios nos próximos dias, em especial o PSDB e a bancada feminina. Se os tucanos demorarem a fechar a aliança, soará como má vontade.

Por falar em tucanos…/ O ex-governador João Doria embarca para os Estados Unidos. Vai descansar e repensar seu futuro empresarial e político. Mas deixou um recado a todos: “Não desistirei do Brasil”.

PT fomenta polarização para tentar vencer no 1º turno

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Embora 90% das candidaturas estaduais do MDB tenham chancelado o acordo pelo lançamento da senadora Simone Tebet à Presidência da República, o PT e seus aliados vão trabalhar para conquistar o que puder ainda no primeiro turno. Na reunião que formatou o conselho político da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi dito que, em todos os anos de eleição presidencial, o PT nunca encontrou um cenário tão favorável em maio quanto o de agora. A expressão “primeiro turno” não foi dita por Marcos Coimbra, que fez a apresentação dos dados e comparações. Mas muitos dos presentes saíram com vontade de dizê-la, quebrando o histórico de que o PT não vence no primeiro turno.

A avaliação de que a polarização está consolidada será cada vez mais difundida e a ideia é tentar minar as demais candidaturas. Além do MDB, as investidas vão crescer sobre o PDT de Ciro Gomes e, conforme o leitor da coluna já sabe, vão se intensificar também sobre o PSDB, via Geraldo Alckmin.

Onde mora o perigo

O presidente Jair Bolsonaro ficou numa sinuca com o resultado da disputa interna do PL para decidir quem substituirá o deputado Marcelo Ramos no cargo de primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados. O vencedor Lincoln Portela é da bancada evangélica, aliada do Palácio do Planalto. Porém, o deputado Capitão Augusto (SP), bolsonarista de carteirinha, vai concorrer.

Recua aí, talquei?
A avaliação dos aliados do presidente é de que o melhor caminho é o Planalto, agora, manter distância regulamentar dessa disputa. Não dá para brigar com a bancada evangélica em pleno ano eleitoral.

Não tem benefício grátis
Os estados vão pressionar para que o teto do ICMS de 17% sobre combustíveis, energia e transporte público, instituído pelo projeto do deputado Danilo Forte (União-CE), não baixe a arrecadação. Se hoje não se chegar a um “gatilho” em caso de perda de arrecadação de 5%, por exemplo, a União teria que arcar com a diferença. Aí, quem não quer é governo federal.

No Congresso passa
O problema é que, se for a votos, a proposta passa. Com ou sem gatilho. O projeto já ganhou fama de que ajudará a baixar os preços dos combustíveis. Para completar, até no Senado, a casa dos estados, há um mal-estar em relação aos pedidos dos governadores, porque os estados não cumpriram à risca a lei que tentou padronizar a cobrança de ICMS sobre os combustíveis.

Guedes na lida/ No Fórum Mundial de Davos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, passou boa parte do dia tentando acalmar os investidores sobre as mudanças na Petrobras.

Por falar em Guedes…/ A prévia da inflação altíssima, divulgada esta semana, trará mais dores de cabeça para a equipe econômica. A ala política quer resultados imediatos para a população.

Ausentes/ O senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o ex-senador Eunício Oliveira (CE) não foram à reunião da Executiva do MDB. O único apoiador de Lula presente era Veneziano Vital do Rego (PB), que elogiou Simone Tebet, mas foi direto: “Lá (Na Paraíba) estamos com Lula”.

Assunto da hora/ O Instituto de Direito Público (IDP) lança, hoje, às 19h, no Salão Nobre do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o livro Eleições e Democracia na Era Digital. A obra traz o olhar de mais de 40 pessoas sobre o tema, juristas renomados, entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do TSE. A coordenação é de Paulo Gonet, Reynaldo Soares da Fonseca, Pedro Henrique Gonet, João Carlos Banhos Velloso e Gabriel Campos Soares da Fonseca.

 

Saída de Doria fará PT pressionar Geraldo Alckmin por mais apoio

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A saída de João Doria da disputa presidencial fará com que o PT cobre mais protagonismo de Geraldo Alckmin (PSB) no sentido de buscar votos para o pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas legendas de centro. Na reunião desta semana, por exemplo, Lula foi muito claro ao dizer que seu partido precisa ampliar o leque, ainda que não seja em alianças formais. E essa tarefa, avaliam os petistas, estará mais afeita a Alckmin.

A equação, entretanto, não é fácil. Ao sair do PSDB, o ex-governador de São Paulo não levou grandes puxadores de votos do centro. E, até aqui, ele se dirigiu mais à esquerda, deixando o espaço anti-PT que ele ocupava aberto a outros personagens. Nesse sentido, será difícil Alckmin cumprir o que esperam dele.

Longe da pacificação

A saída de Doria da disputa presidencial ainda não representa a pacificação do PSDB. Ao contrário. Aumenta a pressão sobre a cúpula partidária para encontrar um caminho viável a um partido que sempre teve candidato a presidente da República. De quebra, ainda deixa o presidente do partido, Bruno Araújo, com a obrigação de ajudar a manter São Paulo, a joia da coroa — que desde 1995 é comandado pelos tucanos.

Data limite é julho
Embora tenha restado apenas a senadora Simone Tebet (MDB-MS) entre os pré-candidatos da terceira via, o PSDB não fechará agora o apoio a ela. Uma ala do PSDB não se conforma com o fato de o partido não ter um candidato a presidente da República.

Bolsonarista na área
Com a destituição do deputado Marcelo Ramos (PSD-AM) do cargo de primeiro vice-presidente da Câmara, o PL tende a permanecer com o posto. O partido quer alguém ligado ao presidente Jair Bolsonaro a fim de evitar surpresas. A fila está grande, mas existe uma torcida para a indicação do líder do governo, Vitor Hugo (GO).

O recado aos estados
A Câmara se prepara para aprovar, esta semana, o teto do ICMS
para combustíveis, energia e transporte público. No Senado, a Casa dos estados, o tema é controverso. Ali, os governadores têm mais peso.

Lá e cá/ Com a terceira via caminhando para Simone Tebet, o líder do PSDB no Senado, Izalci Lucas (DF), ficará numa situação indigesta. Pré-candidato ao Palácio do Buriti, ele se vê, agora, no mesmo palanque que o governador-candidato Ibaneis Rocha (MDB). Izalci foi um dos maiores entusiastas da candidatura de Doria, a quem apoiou nas prévias de novembro.

Por falar em prévia tucana…/ O golpe da cúpula tucana em Doria acabou de vez com a credibilidade de prévias do PSDB. O partido sai menor e com a pecha de escolher seus candidatos por conchavo de gabinete, e não por livre escolha de seus filiados.

Por falar em candidatos…/ O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, pré-candidato à reeleição, fez questão de ficar bem longe da capital paulista quando Doria anunciou que não iria concorrer à Presidência da República. Estava em Araraquara, junto com o deputado Wanderlei Macris.

Temer, o imortal/ Nesta quinta-feira, às 17h, o ex-presidente Michel Temer toma posse na Academia Paulista de Letras. Aliás, o emedebista nunca foi tão homenageado como nos últimos tempos.

Cúpula do PSDB retoma poder com o partido sem candidato ao Planalto pela primeira vez em sua história

Publicado em ELEIÇÕES 2022

 

Caio Gomez/CB/D.A.Press

 

 

Derrotado nas últimas cinco eleições presidenciais e consumido pelas disputas internas, o PSDB se apresenta neste 23 de maio como um partido que, pela primeira vez em sua história, não tem um candidato a presidente da República. E legado para mostrar, os tucanos têm. Foi o único partido a ter um presidente da República eleito e reeleito em primeiro turno, Fernando Henrique Cardoso, que montou a equipe responsável pelo Plano Real, quando era ministro da Fazenda do então presidente Itamar Franco. Foi o partido que teve ainda um ministro da Saúde, José Serra, referência internacional e o da Educação, Paulo Renato Souza, responsável por Toda a Criança na Escola. Montou a base do que seria o Bolsa Família, hoje Auxílio Brasil.

Essa história de sucesso nos idos dos anos 90 não foi suficiente para os próprios tucanos.  Há 20 anos, uma campanha em que o jingle do candidato tucano José Serra dizia “a mudança é azul” apresentava como o candidato da situação quase que com um viés oposicionista. Não colou, embora tenha ido ao segundo turno. Depois, foi a vez e Geraldo Alckmin, em 2006, que não conseguiu vencer o PT e agora se une a Lula. O único a resgatar o governo de Fernando Henrique foi Aécio Neves, em 2010, com uma campanha que quase chegou lá. Em 2018, Alckmin teria menos votos no segundo turno do que no primeiro.

Ao vencer a prévia tucana em novembro, João Doria acreditou que poderia mudar essa sina do partido. Jogou dentro das regras definidas pelo partido. Seus aliados diziam que Doria tinha o melhor discurso, trouxe a vacina contra covid, São Paulo cresceu mais do que o Brasil nesse período. O conglomerado de partidos da tal terceira via não botou fé. Os números das pesquisas indicaram que a rejeição do ex-governador é alta. A senadora Simone Tebet tem mais chances, pelo menos, na avaliação do MDB, do Cidadania e da cúpula do PSDB.  Internamente, responsabilizavam Doria pelo fracasso da candidatura única da terceira via. Agora, com João Doria fora da disputa e no papel de “observador”, a cúpula partidária está com a faca e o queijo na mão. Caberá a Bruno Araújo e à comissão executiva tucana a responsabilidade de evitar que o partido se desintegre. A turma de São Paulo vai se dedicar à campanha para o governo estadual. Lá, onde Rodrigo Garcia segue sua pré-campanha ao governo estadual. Quem sobreviver a esse processo eleitoral de 2022, dará as cartas num futuro pra lá de incerto num PSDB que aos poucos foi perdendo protagonismo e até aqui não conseguiu acertar o passo para recuperar.

Terceira via quer Simone Tebet à frente do movimento democrático

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Na próxima terça-feira, MDB e Cidadania apresentarão a senadora Simone Tebet (MDB-MS) como o nome de consenso para representar a terceira via. “Ou criamos um fato novo, ou não adianta. E Tebet é um fato novo. Além disso, pode resgatar o MDB, não como partido, mas como movimento democrático, algo que o Lula tentou e não conseguiu. Ele só reuniu parte da esquerda”, avalia o presidente do Cidadania, Roberto Freire, que esteve naquele movimento do início dos anos 80, em que o país saiu da ditadura militar.

“Queremos, agora, um movimento para fazer história, não mais para derrubar a ditadura, mas para garantir a democracia que conquistamos lá atrás”, disse Freire.

Foi o MDB o principal indutor da reconstrução democrática, ao pavimentar a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral — algo que, aliás, o PT foi contra.

E, nesse cenário, resta o PSDB para fazer o anúncio oficial. No ninho tucano, João Doria é o pré-candidato, mas a onda agora, dizem outros interlocutores, essa escolha chegou ao momento que a decisão está tomada e caberá ao PSDB pegar ou largar. A avaliação interna é a de que a bandeira da vacina empreendida por Doria não pegou e a pandemia não será o principal mote da campanha presidencial.

Para completar, Tebet também tem em mãos o discurso das menores taxas de inflação e de juros entregue por um presidente da República ao seu sucessor em 10 anos. Esse, aliás, é o discurso que os defensores de uma recandidatura de Michel Temer têm feito para atrair simpatizantes. Como Simone e Temer são do mesmo partido, ela herdará esse tema.

Se tudo der errado, ele estará no banco de reservas. Se tudo der certo, o ex-presidente se prontificou a ajudar no diálogo com todos os setores.

Eletrobras na campanha

Que ninguém se surpreenda se o presidente Jair Bolsonaro (PL) começar a disseminar o discurso de que o “PT atrapalha o país”. E o mote para isso será a privatização da Eletrobras, que o governo pretende concluir até junho. O PT é contra e Lula já avisou que pode rever qualquer privatização da companhia, caso seja eleito. Já o PT dirá que Bolsonaro vende o Brasil a preço de banana.

Eles nem ligam
Até aqui, Lula e Bolsonaro tratam a terceira via como carta fora do baralho eleitoral. Seja Tebet, Doria ou quem mais chegar, o presidente e o ex-presidente concentram desde já a pré-campanha em atacar um ao outro.

Por falar em Doria…
A ideia até aqui é brigar para ser candidato, nem que seja na Justiça. A avaliação dos aliados de Doria é de que, embora tenha uma rejeição maior do que a de Tebet, ele reúne as mesmas chances de chegar ao segundo turno. A pressão para que desista e apoie a senadora será intensa na reunião da executiva nacional do PSDB, na terça-feira.

O discurso de Bolsonaro está pronto
O presidente considera que não há o que mudar no discurso eleitoral. No social, a ordem é disseminar que o Auxílio Brasil é melhor que o antigo Bolsa Família, porque quem consegue emprego não perde o benefício. Seu governo conta, ainda, um programa especial para as mulheres, com cursos que vão chegar agora aos municípios.

Casamento entrou na campanha/ Bolsonaro aproveitou a live para dizer que Lula não chamou quilombolas nem pessoas pobres para o casamento com a socióloga Rosângela Silva. “Ele diz que é pobre, mas gosta é do capitalismo”, comentou Bolsonaro.

Tem que ser zen/ O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que tem uma paciência de Jó com os oradores, não escondia a sua irritação durante a votação dos destaques do projeto do homeschooling. Quando a deputada Érika Kokay (PT-DF) colocava suas preocupações sobre o projeto e sacava dispositivos regimentais para defender seu ponto de vista, eis que Lira solta: “Minha nossa senhora…”.

Leitura obrigatória…/ O livro Eleições Municipais na Pandemia, dos professores Antonio Lavareda (Ipespe) e Helcimara Telles (UFMG), vem no momento certo para ajudar os interessados a analisar o presente e projetar cenários futuros. A obra foi lançada ontem, no último dia do seminário internacional “Desafios e metodologias na democracia contemporânea”, promovido pela Associação Brasileira dos Pesquisadores Eleitorais (Abrapel).

… para quem gosta de política/ Os 11 capítulos tentam destrinchar o impacto da “antipolítica”, da radicalização ideológica e da agenda identitária (movimento negro, feminista, LGBTQIA ), numa eleição diferente de todas, realizada em plena crise sanitária.

Piso da enfermagem reaviva proposta de legalização do jogo

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Aprovado no Parlamento, o novo piso da enfermagem está sob a guarda do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que deve dar uma segurada por mais 30 dias. É que os prefeitos não têm recursos para cobrir a despesa com o aumento, algo em torno de R$ 10 bilhões — somados aí os valores que vão impactar nos gastos dos hospitais filantrópicos.

Na União não há recursos, hoje, para repassar aos prefeitos e resolver esse pagamento. Diante desse cenário, um grupo na Câmara vê a oportunidade de tentar passar a legalização dos jogos de azar. Afinal, seria para custear a saúde.

Só tem um probleminha: a bancada evangélica é contra e o presidente Jair Bolsonaro (PL) não vai provocar a ira de seus apoiadores nessa seara. Diante do quadro, a ideia é aproveitar a pressão maior dos enfermeiros pelo piso salarial para arrefecer os cristãos. A área econômica do governo, que mal pode esperar a hora de aumentar a arrecadação, agradece.

Ultimato ao governo

Arthur Lira vai esperar até amanhã para que o governo e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresentem uma saída para baixar o valor da conta da luz. Caso contrário, na semana que vem levará a votação o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para sustar os reajustes.

É o que resta
Quem lê esse espaço diariamente sabe que o PDL da conta de luz vai parar na Justiça. Porém, é a única arma que os parlamentares têm. Lira garantiu a esta coluna que não há nada errado com a proposta. “As empresas podem não gostar, mas o PDL é constitucional e não há dúvida sobre isso”.

Gasoduto subiu no telhado
Com a economia verde em cena, as termelétricas a gás perdem força e os gasodutos para abastecê-las também. Na Câmara, não existe hoje maioria para aprovar essa despesa.

Toffoli relâmpago
A celeridade com que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli analisou o pedido de Bolsonaro contra o ministro Alexandre de Moraes deixou o governo para lá de irritado. Foi tão rápido que nem deu muito para o presidente replicar o pedido nas redes sociais, de forma a pressionar o STF a aprová-lo. Agora, resta o pedido feito à Procuradoria Geral da República.

E a terceira via, hein?/ Pré-candidato do PSDB ao Planalto, o ex-governador João Doria se antecipou à pesquisa dos partidos e divulgou a da Genial/Quaest que o colocou com um potencial de votos para a terceira via de 55%, maior do que o da senadora Simone Tebet (MDB), 44%. Pelo visto, a próxima terça-feira é mais uma data em que os partidos podem até apontar um nome, mas nada será decidido. A briga está tão grande que vai terminar na Justiça.

Por falar em Doria…/ A forma como parte do PSDB tem tratado o vencedor da prévia, no caso Doria, está tão feia que muitos tucanos estão com medo de que o ex-governador acabe como vítima nesse processo. Avaliam alguns, era o momento do partido se unir em torno do vencedor e não ficar instigando outras soluções. O prazo até terça-feira é para ver se Doria desiste. Só que os aliados do ex-governador juram que ele não desistirá.

Veja bem/ Os emedebistas já fizeram as contas e consideram que Tebet tem maioria para vencer a convenção do partido. A ala do Nordeste, que era forte no passado, agora tem poder reduzido para tentar virar o barco para o apoio a Lula.

Só tem um probleminha/ Embora não tenham poder para garantir o apoio nacional, nos estados a maioria já fechou com o PT. Sinal de que não farão campanha dia e noite para Tebet, nem para qualquer outro candidato, inclusive Michel Temer. Conforme o leitor da coluna já sabe, o ex-presidente está pronto para ocupar a vaga de candidato, se for chamado.

Nem Tebet, nem Doria: terceira via estuda lançar Temer

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Diante da crise que atravessam os partidos interessados na terceira via, em especial o PSDB, intensificaram-se as conversas e os pedidos para que o ex-presidente Michel Temer seja o candidato. A avaliação é a de que ele é quem tem melhor condições de concorrer de igual para igual com um presidente no exercício do cargo e outro que esteve no poder por oito anos. Inclusive sob o ponto de vista econômico, Lula entregou o país com 5,9% de inflação e 10,75% de juros à sucessora, Dilma Rousseff. Ela, por sua vez, entregou o bastão a Temer com uma inflação de 9% e juros de 14,25%. Temer passou a faixa presidencial a Jair Bolsonaro (PL) com uma inflação de 3,75% e juros em 6,5%. Agora, a inflação está em 12,13% e os juros em 12,75%.

Os números indicam a muitos que o discurso de Temer está pronto. Algo do tipo: recebeu uma economia em frangalhos, recuperou a confiança e, agora, diante do novo estrago nessa seara, é preciso repetir a dose.

Temer não disse que sim, mas seus amigos garantem que ele jamais dirá não se for um movimento que englobe vários partidos. Afinal, não tem nada a perder concorrendo. E nem é para o curtíssimo prazo.

A ideia desses aliados é dar um tempo para verificar se os postulantes da terceira via, especialmente Simone Tebet, conseguem melhorar a performance nas pesquisas de intenção de voto. Se ela continuar na casa do 1%, os movimentos pró-Temer ficarão ainda mais intensos.

Amigos, amigos…

… candidaturas à parte. Até entre apoiadores da postulação de João Doria há quem veja com simpatia o movimento pró-Temer. O ex-governador gosta do ex-presidente, mas não vai abrir mão de tentar levar sua campanha dentro do PSDB. Até julho, muita coisa vai rolar.

Por falar em candidatura…
O pedido do deputado Aécio Neves (MG) e dos pré-candidatos tucanos a governos estaduais para uma reunião com Doria para conversar fez alguns desses aliados do ex-governador acharem que pode ser uma armadilha para que o paulista desista da empreitada nacional. E Doria não pode deixar de comparecer a um encontro com pré-candidatos de seu partido.

Confunde aí, mas não exagera
Aliados de Bolsonaro acreditavam que ele fazia das urnas eletrônicas uma cortina de fumaça para não deixar na cena principal da política seus verdadeiros problemas: inflação alta e juros na estratosfera. Nos últimos dias, passaram a suspeitar que, embora a eleição ainda esteja longe, o presidente arrisca não aceitar um resultado adverso.

Veio para ficar
A depender dos líderes e parlamentares que comandam o Parlamento, as promessas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de acabar com o Orçamento secreto não serão cumpridas. O Congresso está amando destinar recursos para as bases eleitorais com assinatura de parlamentares.

Quinteto que joga unido…/ O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, foi para o Roda Viva, da TV Cultura, acompanhado dos líderes do MDB, Eduardo Braga (AM), do União Brasil, Davi Alcolumbre (AP), e do PSD, Nelsinho Trad (MS), e ainda os senadores Weverton Rocha (PDT-MA) e Ângelo Coronel (PSD-BA). “Com esse número de líderes, já dá para pedir verificação de quórum”, brincou Alcolumbre.

… e torce junto vibra/ Nos bastidores do Roda Viva, os senadores vibravam quando Pacheco defendeu as emendas de relator com toda a convicção de que são os parlamentares os que mais conhecem a realidade do país.

O passado condena/ O Congresso também tinha mais ingerência sobre o Orçamento, no início dos anos 1990. Desaguou no escândalo dos anões. Agora, escaldados, a ordem é se der problema, quem indicou que pague. Mas o controle continuará com o Congresso.

Cliente sempre tem razão/ Com a disputa eleitoral entrando em cena, algumas companhias aéreas orientaram seus comissários a sempre concordar com o gosto do freguês. Dia desses, um ex-deputado encontrou um amigo num voo e eis que o sujeito foi logo dizendo: “Bolsonaro né?” Antes que o interlocutor respondesse, a comissária diz “sim!” — e já vai levando o cidadão para o assento marcado. O ex-deputado respirou aliviado.

PEC cria mais benefícios para quem tem salário alto

Publicado em coluna Brasília-DF

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 63, de 2013, que reestrutura as carreiras da magistratura e do Ministério Público, vai apimentar as tensões entre Executivo e Judiciário, porque, na verdade, cria mais benefícios para quem já tem alto salário. Quem analisou o projeto achou brechas para não pagamento de imposto aos 5% adicionais para cada cinco anos de serviço, tratado no texto como verba indenizatória. A polêmica vai ser grande, uma vez que esses quinquênios serão extensivos, inclusive, a aposentados e pensionistas, que, segundo especialistas, não teriam direito a verbas indenizatórias. Resta saber se a turma que está contra terá força para brigar com o Judiciário e o Ministério Público.

O grupo contrário à proposta acredita que conseguirá essa força ao expor os problemas orçamentários que a União enfrenta. Nos bastidores, especialistas do Executivo têm dito que o cenário de escassez não permite contemplar uma parcela que já é bem remunerada, enquanto o funcionalismo público terá 5% de reajuste.

Os cálculos indicam que uma parte dos integrantes do Ministério Público e do Judiciário pode ter até 35%, se o quinquênio for retroativo e o projeto aprovado como está. Será um prato cheio para que outros setores exijam o mesmo tratamento.

Em busca de lastro

A reunião de hoje do PSDB servirá para tentar dar um novo fôlego ao presidente do partido, Bruno Araújo, nas negociações com os demais partidos, Cidadania e MDB. Esse “empoderamento” do tucano é considerado necessário, depois da carta em que o ex-governador de São Paulo João Doria disse que não dá para desprezar as prévias dos tucanos em prol de outro nome que não foi escolhido numa votação expressiva e de todos os filiados.

Aécio jogou a toalha
O deputado Aécio Neves (PSDB-MG), que, há alguns meses, defendeu a candidatura do gaúcho Eduardo Leite, agora está na linha de que o PSDB deve ter candidato e tem feito apelos para que o próprio Doria escolha outro nome. Só tem um probleminha: o ex-governador paulista não vai desistir e considera que consegue virar o jogo ao longo de uma campanha curta, porém intensa.

Deixa para depois
Conforme o leitor da coluna já sabe, amanhã não haverá definições entre os partidos que buscam uma candidatura única. E para garantir que o PSDB não puxará o tapete de Doria, o coordenador da campanha, Marco Vinholi, vai marcar presença.

Divulga o vinho para esquecer o relógio
Os petistas não gostaram muito da história de vazar o preço do vinho a ser servido no casamento de Lula. Muita gente no partido considera que isso trará de volta a história do relógio de R$ 80 mil, que ele exibiu no centenário do PCdoB.

A estratégia de Onyx/ Em pré-campanha para o governo do Rio Grande do Sul, o deputado Onyx Lorenzoni (PL-RS) ataca o ex-governador Eduardo Leite: “Ele desprezou o sagrado voto dos gaúchos ao deixar o cargo e, agora, quer que os gaúchos o aceitem de novo?”, disse, num evento dia desses.

E o Kassab, hein?/ O presidente do PSD, Gilberto Kassab, não foi ao estúdio do Roda Viva acompanhar a entrevista do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). À coluna, Kassab disse que havia pedido desculpas a Pacheco, mas tinha compromissos agendados no Paraná. Em tempo: quando Pacheco era pré-candidato ao Planalto, Kassab desmarcava tudo para acompanhar o senador.

Seminário/ A Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel) se apresenta, pela primeira vez, ao grande público com um seminário internacional sobre o tema “Pesquisas eleitorais e metodologias na democracia contemporânea”, esta semana. A abertura será hoje, às 19h. Durante dois dias, serão discutidos o comportamento do eleitor na América Latina e as tendências captadas em pesquisas no Brasil e na Europa. O evento tem inscrição gratuita e será transmitido pelo canal da Abrapel no YouTube.

Brito no Museu da República/ Amanhã, às 19h, tem homenagem ao fotógrafo Orlando Brito na praça central do Espaço Cultural Renato Russo e, ainda, projeções de suas fotos no Museu da República. Brito morreu em 11 de março, de complicações decorrentes de um câncer no intestino.

Deputado tenta barrar reajuste na conta de luz por decreto

Publicado em coluna Brasília-DF

A proposta de decreto legislativo apresentada pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE) para sustar a autorização de aumento da conta de luz em seu estado promete gerar mais polêmicas do que solução para o setor e para os brasileiros. Primeiro, na própria Câmara. Muita gente, inclusive o presidente em exercício, Marcelo Ramos (PSD-AM), considera duvidosa a possibilidade de se impedir, por decreto legislativo, uma decisão administrativa relacionada a aumento de preços. Além disso, pelo que a coluna apurou junto a advogados da área, o mais provável será uma ação judicial contra esse decreto, caso seja aprovado.

O aumento da tarifa de energia elétrica do Ceará foi autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e, agora, não só Domingos Neto, mas também parlamentares de outros estados se movimentam para evitar os reajustes na canetada. É mais um foco de tensão para se somar à discussão sobre como evitar aumentos no preço dos combustíveis.

Muita calma…

Depois do discurso do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, dizendo que eleições são tratadas por “forças desarmadas” e que não aceitará intervenção militar, os políticos ligados ao Ministério da Defesa fizeram chegar a alguns a informação e de que os militares consideraram a manifestação de Fachin “desnecessária”.

… nessa hora
Da parte dos ministros do Judiciário, há uma exaustão com o fato de o presidente Jair Bolsonaro (PL) tentar colocar em dúvida o sistema eleitoral que o elegeu. A hora é de tratar de temas como a economia, mais urgente e problemático para a maioria dos brasileiros.

Quem não deve não teme
Nos bastidores do jantar de aniversário do deputado Domingos Neto (PSD-CE), algumas rodinhas discutiam o Orçamento secreto e a divulgação dos padrinhos. A conclusão geral é que quem atendeu as suas bases eleitorais de forma lícita, deve mais é divulgar isso. Quem não o fizer é porque tem algo a esconder.

A palavra do “marechal”
Ao tomar posse no Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o ex-ministro Raul Jungmann classificou o ex-presidente da Petrobras general Joaquim Silva e Luna de “marechal”, que fez questão de prestigiar a solenidade. Luna, porém, passou a maior parte do tempo cercado por pessoas interessadas em saber sua opinião sobre o reflexo da troca do ministro de Minas e Energia no preço dos combustíveis. “Nada acontecerá”, garantiu.

O interlocutor
Diante da constatação de que trocar ministro não resolve e Bolsonaro não chama os governadores para tentar buscar uma solução conjunta, quem ocupa o espaço de articulação política é o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A ideia de se criar um fundo para equalização dos preços ganhou corpo na reunião que teve com os secretários de Fazenda. Se der certo, é um ato para o portfólio do senador, que sonha alto para 2026.

Noiva de Lula, mas…/ Os petistas “gelaram” no último sábado, quando Janja, a noiva de Lula, pegou o microfone para apresentar o vídeo. Ela não cometeu qualquer gafe, mas, nas mais reservadas conversas do PT, tem muita gente dizendo que é melhor Janja recolher os flaps.

… a história do PT existe/ Houve, ainda, quem tenha ficado muito incomodado pelo fato de o partido simplesmente esquecer d. Marisa Letícia, a ex-primeira-dama falecida há cinco anos, que não foi homenageada em nenhum evento partidário desde que Janja passou a ocupar mais espaço. Há quem defenda que d. Marisa seja homenageada no lançamento da candidatura oficial, no final de julho.

De A a Z/ A posse de Raul Jungmann no Ibram reuniu a ex-ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, ministros do Supremo Tribunal Federal, como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, o presidente da Câmara, Marcelo Ramos, o vice-líder do governo na Câmara, Evair de Mello (PP-ES).

Queiroga em movimento/ O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, estará no Rio de Janeiro neste domingo para lançar a ação de Incentivo à Atividade Física (IAF), com direito a caminhada na orla de Copacabana. O evento é para chamar a atenção da população para a necessidade da prática de exercício físico. Este ano, a previsão é um investimento de R$ 100 milhões com a contratação de profissionais de educação física, a readequação e recuperação de espaços públicos para a prática de exercícios e compra de materiais.