Categoria: Política
Texto por Denise Rothenburg neste domingo (3/5) — A suspeita de que o caso do Banco Master colocou os bolsonaristas, o Centrão e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmo campo para derrotar a indicação de Jorge Messias à Suprema Corte se espalhou no Congresso e fora dele. A avaliação é de que, daqui em diante, a maioria dos movimentos da política estará contaminada por esse escândalo, uma vez que existem personagens sentindo o cheiro de queimado por causa da delação de Daniel Vorcaro e da perspectiva de atingir, em especial, o Legislativo e o Judiciário. Seja contra, seja a favor, esse processo pauta a eleição no Brasil e, especialmente, no Distrito Federal e nos estados que tiveram seus fundos de pensão com investimentos no Master. Nesse sentido, novas alianças exdrúxulas vão aparecer, uma vez que estão todos lutando para chegar a 2027 eleitos ou a salvo das delações do ex-banqueiro.
Por falar em fundos de pensão…/ As razões para Alcolumbre ter decidido se alinhar à oposição contra Messias não ficam apenas no xadrez político. Um dos ingredientes que contribuiu para isso foi o fato de a Previdência do Amapá (Amprev) ter investido R$ 400 milhões com o Master. O irmão do senador, Alberto Samuel Alcolumbre, integra o Conselho Fiscal da instituição. Hoje, os políticos acusam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de jogar a Polícia Federal sobre setores do Centrão e de ter um ministro no Supremo, no caso Flávio Dino, dedicado a dar um basta no uso indiscriminado de emendas parlamentares nas bases eleitorais. O que se diz no Parlamento é que, diante do ano eleitoral, não dava para colocar mais um ministro de Lula com a artilharia apontada contra a todos que serão citados no caso Master. O PT reage pedindo uma CPI do banco de Vorcaro. Tem muita gente certa de que esse movimento provocará novas alianças impensáveis no Congresso e fora dele, seja contra, seja a favor da comissão parlamentar de inquérito. Esta semana dará o termômetro desse e de outros temas.
Bets x juros
O setor de bets acusa o governo de usar as casas de apostas on-line como uma desculpa para o endividamento das famílias. A área enfatiza que a situação difícil dos brasileiros se deve à alta taxa de juros e não às apostas. Inclusive, o Ministério da Fazenda informou as operadoras de que os brasileiros que aderirem ao Desenrola 2.0 estarão proibidos de apostar, por seis meses, em qualquer bet regulada. O cabo de guerra promete seguir até as eleições. As bets vão ao Congresso fazer lobby pelo direito às apostas.
Uma CPI sem maioria
O PT e o PSol da deputada Fernanda Melchiona (RS) vão insistir na CPI do Banco Master na Câmara, mas, até aqui, ao que tudo indica, os partidos não terão força para fazer o relator e o presidente da comissão. Se o Centrão se mantiver aliado à oposição, irá controlar o colegiado. Pelo menos, seus primeiros acordes.
Vitória vermelha
Nem tudo foi derrota para os petistas na semana passada. Com a designação do deputado Alencar Santana (PT-SP) para a presidência da comissão especial que vai analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do final da escala 6 x 1, o PT garantiu o controle e o ritmo da pauta na Câmara dos Deputados. Santana será responsável por indicar o que será votado, a agenda dos encontros e até quando a discussão será realizada na comissão.
Por falar em 6 x 1…
Aliados ficaram muito aborrecidos com o fato de Lula ter ido à tevê dizer que enviou o projeto de lei sobre esse tema e não citar os aliados — em especial, a deputada Érika Hilton (PSol-SP), que apresentou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Ficou a certeza de que o presidente quer os louros, sem divisão ou pagamento de “royalties”.
Avalie o timing/ Embora tenha muita gente dizendo que Lula só envie o nome de um novo indicado para o STF depois da eleição, a tendência é ele indicar antes. Se deixar para depois, vai parecer que teme nova rejeição. Se mandar ainda no calor da derrota, vai parecer provocação.
Motta em ação/ Contrariando o desejo da oposição, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), vai conseguir votos no centrão a favor do projeto de lei da misoginia. Fontes próximas a ele afirmam que foi um combinado para que a deputada Tabata Amaral (PSB-SP, foto) aceitasse a relatoria. A ideia é aprovar mesmo até junho, como anunciado em um vídeo feito junto
com a parlamentar.
Augusto Cury/ Dia desses, os pré-candidatos ao Planalto, Ronaldo Caiado e Aldo Rebelo, participaram de uma palestra de Augusto Cury, o professor, psicanalista e escritor pré-candidato ao Planalto pelo partido Avante. Conversa vai, conversa vem, todos saíram com a certeza de que o autor de Vendedor de Sonhos, um de seus livros mais famosos, entrou na lista de vices dos dois.
Corre aí!/ O fato de Motta marcar sessões deliberativas para todos os dias desta semana vai além da contagem do prazo da PEC da escala 6 x 1. Ele quer adiantar tudo o que puder por esses dias. É que na semana de 11 de maio, estará em Nova York para o 15º Lide Brazil Investment Forum, um evento empresarial com lotação esgotada, no Harvard Club.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 30 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal, é um sinal claro de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reposiciona ao lado daqueles que o elegeram para comandar a Casa pela primeira vez, em fevereiro de 2019. Ele, inclusive, ligou para muitos senadores e, minutos antes de anunciar o resultado, disse aos líderes do governo que eles sofreriam uma derrota. O aviso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva está dado: longe do presidente do Senado, a maioria governista esfarela.
Se não fizerem, nós faremos/ Aos ministros do Supremo Tribunal Federal, a mensagem é clara: se agora, com senadores mais ao centro, chegou-se a 42 votos contra Messias (com dois do PL sem votar), em um Senado mais à direita, em 2027, estará aberto o espaço para colocar um impeachment de ministro do STF em curso. A avaliação de muitos é de que a Suprema Corte precisará definir suas mudanças ainda este ano, de forma a ter uma resposta à sociedade quando os novos senadores tomarem posse, no ano que vem. Na oposição, o que se diz é: “O primeiro rejeitado, então pode ter o primeiro ‘impichado’” — como afirmou à coluna a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Alcolumbre joga à direita…
A votação do veto da dosimetria das penas para os condenados do 8 de Janeiro, hoje, na sessão do Congresso, será para coroar o reposicionamento de Alcolumbre. Ao se realinhar à direita, ele procura mostrar àqueles que fizeram dele presidente da Casa pela primeira vez que eles não vão se arrepender se apostarem na reeleição dele para comandar o Senado, no ano que vem.
… e à esquerda
Se as atitudes de Alcolumbre não convencerem a direita a apoiá-lo em 2027, ele sempre poderá chamar a turma de Lula e dizer que é melhor ter um Alcolumbre ao centro do que alguém mais radical, seja Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS), adversários ferrenhos do PT.
Nada pessoal
Opositores de Lula elogiaram Messias, classificando-o como um “excelente nome, vítima das circunstâncias” . O cenário político eleitoral inflamado, a relação desgastada com o STF e o “nós contra eles” do governo cristalizaram uma rejeição que não ocorria há 132 anos. O “ponto de virada” para o amplo placar contra o AGU teria sido o ataque ao senador Alessandro Vieira (MDB-SE), após o pedido de indiciamento dos ministros do Supremo em seu relatório na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Muitos senadores não concordaram com o voto de Vieira, mas acharam um absurdo a ameaça do ministro Gilmar Mendes a ele.
Enquanto isso, na Câmara…
O líder do governo na Casa, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), disse em almoço na Casa Parlamento, do think tank Esfera, que é um bom momento para votar o fim da escala 6 x 1. E afirmou ser possível discutir a desoneração da folha setor a setor.
CURTIDAS

Errou feio/ Antes da abertura do resultado, um funcionário do governo, com uma planilha em mãos, dizia que Messias teria 43 votos favoráveis à indicação, “já descontadas as traições” .
Por falar em planilha…/ A oposição montou uma lista com os votos para derrubar o veto da dosimetria hoje. Na Câmara, calculam 300 votos. No Senado, esperam ter em torno de 50 — talvez um pouco menos, porque sempre tem os que mudam de ideia.
Telefones nervosos/ O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM, foto), garantiu que a bancada inteira votaria em Messias, mas aliados do advogado-geral da União acreditam que houve traição no partido, o que contribuiu para o número baixo. O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), contava com exatos 41 votos, mas o PSD se dividiu e o MDB, aparentemente, não deu todos os votos que prometeu. Os telefones, logo depois da votação, não pararam.
Levanta, sacode a poeira…/… e espera. Aliados de Lula defendem que o governo deixe uma nova indicação para depois das eleições. As crises se acumulam, as insatisfações idem e é preciso identificar todos os focos antes de qualquer movimento mais ousado. É nessa toada de dificuldades mil que o presidente chega a cinco meses da eleição, sem tempo para resolver muita coisa.
Setor do turismo pede responsabilidade na discussão da PEC 6×1

Por Eduarda Esposito — A Frente Parlamentar do Comércio e Serviços (FCS) escutou o setor do turismo sobre os impactos do fim da escala 6×1 durante a reunião-almoço desta quarta-feira (29/4). O presidente executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), Orlando Souza, afirma que é preciso ter calma na discussão. “Não somos contra totalmente à modernização da jornada de trabalho, desde que não destrua empregos”, disse Souza.
De acordo com o presidente, estudos internacionais não demonstram ganho de produtividade com a redução da jornada de trabalho. “Os estudos mostram que a redução não cria empregos. Esse argumento não serve para uma mudança desse tamanho sem dados”, argumentou. No almoço, o presidente abordou que o consenso científico comprova sua afirmação. “Copilamos 16 estudos internacionais, sete encontraram efeitos negativos, seis efeitos nulo e apenas dois efeitos ambíguos ou positivos”, ressaltou.
De acordo com Souza, 90% do setor do turismo trabalha para além das 40 horas semanais, bares e restaurantes têm 92% da força de trabalho nessa situação, no setor em geral, a média é de 70%. O impacto seria brutal, de acordo com o presidente da Fohb, uma vez que hoje, o custo de pessoal na receitas das empresas é de 22,2%, quase 1/5 da receita operacional. Caso a jornada seja reduzida para 40 horas, haveria um aumento de 26,9% de custo para os empregadores. Além disso, Souza destaca ainda uma perda de 11% para o setor no 1º ano de vigência da redução.
Além da proposta em andamento na Câmara dos Deputados, o presidente relembra que a reforma tributária ainda irá impactar o setor com o custeamento da indústria com o IVA pelo setor de serviços, que faz parte da área do turismo. “O Brasil já aumentou a carga tributária a partir da reforma tributária, como passou toda a carga para o setor de serviços e o IVA será o maior do mundo — em torno de 27% a 28%”, afirmou.
Sugestões
Para Orlando Souza, a discussão da PEC na Comissão Especial, que será instalada hoje (29/4) na Câmara, precisa levar em conta dois pontos: desoneração da folha ou isenção de impostos fiscais e transição da redução. “Todos os países que tiveram redução da jornada tiveram redução de impostos ou desoneração da folha, o Brasil não pode ser exceção”, defendeu.
Para desoneração, a entidade defende a PEC do senador Laércio Oliveira (PP-PE), que muda a forma de contribuição previdenciária para 1,4% do faturamento total das empresas. Para Souza, seria um fôlego para os empregadores. Quanto à transição, o presidente citou países como o México, que fará a redução de jornada entre 2027 e 2030.
O deputado Lucas Redecker (PSD-RS) afirmou que, em conversa com o presidente e relator da Comissão Especial, Alencar Santana (PT-SP) e Léo Prates (Republicanos-BA), ficou definido que o relatório deve seguir para 40 horas semanais com redução gradual, contudo, sem previsão de algum tipo de compensação aos empregadores, até o momento.
Além disso, pediu que os setores realizem as contribuições durante a comissão, porque inclusão via emenda em plenário vai ser muito complicado. “Nós que estamos aqui temos que saber exatamente todos os pontos, numa ordem de prioridade para que nós consigamos colocar e incluir no texto do relator esses pontos”, disse.
E finalizou: “O que pode ser uma venda de benefício para o cidadão gerando emprego, isso pode não acontecer e lá na ponta aumentar o custo para o consumidor, podendo gerar um prejuízo a várias pessoas e vários segmentos”.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 29 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Com Daniel Vorcaro elencando os integrantes da política nacional em sua delação, a pretensão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa é centrar na figura do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e outros próceres da política local. Aliás, foi por essa perspectiva de referências a Ibaneis que o advogado Cleber Lopes, conforme ele mesmo relatou a amigos, deixou a defesa de Paulo Henrique e indicou Davi Tangerino e Eugênio Aragão. Cleber foi advogado de Ibaneis, de quem é amigo. Não dava para misturar as coisas.
Veja bem/ O problema é que parte da nova defesa de Paulo Henrique já teve alguns embates com ministros do STF e não foram dentro de processos. Em janeiro de 2017, por exemplo ,o ministro Alexandre de Moraes anunciou que processaria Eugênio Aragão por causa de insinuações difamatórias de ligações com o PCC, feitas por Aragão em entrevistas. Como dizem os políticos, quem bate costuma se esquecer, mas quem apanha não esquece fácil. Só o tempo para amortecer. De lá para cá, passaram-se quase 10 anos.
Dosimetria em xeque
A oposição sentiu o baque diante das afirmações de integrantes do governo Lula sobre a derrubada do veto da dosimetria beneficiar chefes de facções, diminuindo o tempo de espera para a flexibilização das penas desses criminosos. Os bolsonaristas passaram essa terça-feira em reuniões tentando encontrar algum meio de contornar a situação. Um dos planos é votar apenas trechos do projeto vetado e manter os vetos relativos às penas de crimes hediondos.
Nem vem, mas vai
A base governista considera ser impossível manter o veto a apenas essa parte do texto. Porém, no Congresso, com acordo, tudo é possível. Os oposicionistas esperam o apoio do centro para encontrar e aprovar uma brecha regimental, a fim de tirar qualquer benefício dos chefes de facções criminosas.
No centro
Os ministros Nunes Marques e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, fizeram campanha abertamente para Jorge Messias integrar a Corte. Num STF rachado, as apostas são de que, se for aprovado, Messias chegará “pianinho” ao tribunal, evitando se alinhar de primeira a um ou outro grupo do colegiado.
Tempo & votos
A previsão é de que a sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça do Senado seja longa, tal e qual a de Flávio Dino, que durou mais de 10 horas. E sem pausa até a votação. O relator Weverton Rocha (PDT-MA) pretende reduzir esse tempo, pedindo aos senadores da base aliada que não usem os 10 minutos que cada um terá para fazer perguntas a Messias. Na visão do relator, a sabatina não mudará o voto de ninguém, todos os congressistas da CCJ sabem como vão se posicionar. Entre os aliados de Messias no Senado, a contagem de votos no plenário flutua entre 43 e 48 votos. Na CCJ, cravam 17.
Papo reto
A recomendação que os aliados passaram para o advogado-geral da União, Jorge Messias, é que ele seja “direto e curto” nas respostas, que não enrole para não se complicar. Uma vez que a oposição falará de temas polêmicos — aborto, 8 de janeiro de 2023 e dosimetria das penas —, o relator considera que Messias não deverá exprimir opiniões pessoais, porque, caso se torne ministro do Supremo Tribunal Federal, isso poderá prejudicar a futura atuação jurídica.
CURTIDAS

Mais uma/ A história das malas que não passaram pelo raio X do aeroporto de São Roque (SP),revelada pela Folha de S.Paulo, é considerada aponta de um iceberg. As malas estavam num jatinho com passageiros ilustres da política, inclusive o presidente da Câmara, Hugo Motta. Alguns senadores dizem que só o fato de o presidente da Câmara, o senador Ciro Nogueira e outros líderes viajarem no avião de um empresário investigado pela CPI das bets já vale outra CPI.
Não está fácil para ninguém/ As últimas rodadas da pesquisa Genial/Quaest nos estados indicam que está difícil prever o comportamento do eleitor nesse período de pré-campanha. Os líderes das pesquisas para vários governos, seja de Minas Gerais, o senador Cleitinho (foto, Republicanos); seja de Pernambuco, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), adotam a cautela. Todos se recordam que muita gente que começou a campanha lá atrás terminou eleito. Haja vista, inclusive, o caso de Gilberto Kassab para prefeito de São Paulo, em 2008, citado ontem no CB.Poder. Começou bem atrás nas pesquisas e foi eleito.
Por falar em Cleitinho…/ O Republicanos não tem do que reclamar nesta temporada eleitoral. Tem Cleitinho liderando as pesquisas, em Minas, e Tarcísio de Freitas, em São Paulo. Tem tudo para sair das urnas com dois dos três maiores colégios eleitorais do país, o que é visto como algo capaz de ajudar na eleição de deputados federais.
Por falar em João Campos…/ O articulado presidente nacional do PSB, João Campos, conseguiu reunir, no mesmo almoço, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e…Jorge Messias. A foto de Pacheco ao lado de Messias é considerada um ponto positivo para ajudar o AGU a ser aprovado no Senado.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 28 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A oposição está decidida a bater no lado religioso do ministro da Advocacia Geralda União (AGU), Jorge Messias, durante a sabatina desta quarta-feira (29), na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A ideia é bater sem dó no ministro, acusando-o de defender o aborto. O ministro é favorável à atual legislação, que permite o aborto em caso de estupro. A ideia é constranger Messias e tentar apresentá-lo como um “falso evangélico”.
Apostas/ Messias, porém, passou todo esse período se preparando para a sabatina desta quarta-feira. É visto como alguém articulado, inteligente, que conseguiu angariar mais simpatias do que resistência desde o ano passado, quando foi indicado para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Por isso, senadores calculam que ele deva ter seu nome aprovado. Na CCJ, os números indicam algo em torno de 16 a 17 votos de um total de 27 que compõem o colegiado
Grande…
Deputados e senadores mais fiéis a Jair Bolsonaro têm feito uma verdadeira blitz no Parlamento a fim de garantir o maior placar possível para derrubar o veto da dosimetria das penas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
… e incontestável
A aposta geral é a de que a redução das penas passa, mas é preciso um grande placar, a fim de mandar um recado ao presidente Lula e ao Supremo Tribunal Federal. Até aqui, tem muita gente dizendo que esse tema da dosimetria voltará ao STF.
Uma avenida para crescer
Coube ao presidente do PSD, Gilberto Kassab, abrir a semana política, ao participar de almoço na Casa Lide, São Paulo, promovido pelo ex-governador João Doria. No evento, Kassab dobrou a aposta no fim da polarização: “Na medida em que o tempo avançar, as outras candidaturas vão crescer, porque há uma rejeição muito grande (de Lula e de Flávio Bolsonaro)”.
A pirataria…
Alguns parlamentares estão preocupados como alto consumo de produtos esportivos piratas no Brasil. Levantamento da Associação pela Indústria e Comércio Esportivo (Ápice) aponta que, em 2023, de 651 artigos adquiridos pelos consumidores, 231,5 milhões de unidades eram pirateadas. O valor representa uma perda de R$ 31,8 bilhões para o setor esportivo, R$ 7,4 bilhões não arrecadados em impostos e 60 mil empregos deixaram de ser gerados no mercado formal.
… preocupa o Congresso
Devido a esses dados alarmantes e a aproximação da Copa do Mundo, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria (FPI), presidida pelo deputado Júlio Lopes (PP-RJ), vai debater hoje, às 14h, na Câmara, os caminhos para diminuir o volume de produtos piratas no mercado.
CURTIDAS

O estadista é o meu/ Na avaliação que Gilberto Kassab (foto) no almoço do Lide, em São Paulo, ele considerou que falta ao país um estadista. “Hoje, o Brasil precisa de um estadista que possa dar para a sociedade brasileira as respostas sobre combate à corrupção, transparência no uso de recursos públicos, reforma administrativa e aperfeiçoamento do Judiciário. E desses pré-candidatos, o que mais representa essa figura é Ronaldo Caiado (PSD)”.
Vai pressionar/ O Ministério das Mulheres começa um périplo no Congresso para cobrara votação do projeto que transforma misoginia num crime tal e qual o racismo. Fontes ligadas à pasta afirmam que a escolha da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) para gerir o grupo de trabalho que analisará o texto é um ponto positivo, mas isso não garante a votação. Tem muita gente achando que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), seguiu a máxima, quando você não quer resolver um problema, cria um grupo de trabalho. É a fórmula clássica para reduzir pressão sem acelerar nada.
Atraso sob investigação/ A Comissão de Minas e Energia realiza, hoje, audiência pública para debater o uso de usinas termoelétricas em vez de usar energia armazenada em baterias, tal e qual funcionam hoje os carros elétricos. Até agora, o governo não regulamentou isso. O debate começa às 10h e seguirá por toda a tarde nesta terça-feira.
Anote na agenda/ Nesta quarta-feira, a Frente Parlamentar do Comércio e Serviço (FCS) receberá representantes do setor do turismo para discutir os impactos do fim da escala 6×1 no setor. A reunião-almoço contará com a participação de Orlando Souza, presidente executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB).

Da coluna Brasília/DF, por Denise Rothenburg
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem sendo aconselhado a deixar espaço para abraçar ideias de partidos aliados para a campanha reeleitoral, e não foque apenas no que está em fase de elaboração no 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores neste fim de semana. Pois, se o PT não ampliar e não ceder um pouco será difícil ter apoio do centro. Por exemplo, encontrar um meio-termo no projeto que acaba com a escala 6×1, aceitando alguns pontos que aliviem a folha de salários das empresas.
Ainda se o governo não aceitar a desoneração total, já seria uma sinalização aceitar algo nesse sentido dentro dessa proposta. Afinal, o governo precisa entender que embora o PT esteja à esquerda, Lula precisará do eleitorado de centro e de equilíbrio nas propostas para ampliar o potencial de votos a seu favor.
Salvos por um triz
Antes do escândalo do Banco de Brasília (BRB), gerentes do banco andavam pelo Supremo Tribunal Federal (STF) oferecendo empréstimos e aplicações financeiras a servidores. Muita gente hoje coloca as mãos para o céu, agradecendo por não ter aceitado as carteiras oferecidas.
Por falar em BRB…
O ex-presidente do Banco Paulo Henrique Costa que, de acordo com os investigadores, receberia vários imóveis de presente do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, vai pedir para sair da Papuda e ir para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal. É o primeiro passo para a delação.
Comunicação sob pressão
Cresce no Palácio do Planalto a pressão para que os movimentos do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação (Secom), Sidônio Pereira, deem uma melhorada nos índices de aprovação do presidente Lula. A avaliação é a de que há uma má vontade para com o presidente da República, apesar de todos os programas do governo.
Nem tudo é bet
O governo se divide sobre os reais motivos que levam os brasileiros ao endividamento. Uma parte considera que as apostas on-line representam o maior problema. A outra acha que, atualmente, as pessoas têm muita facilidade para consumir de forma irresponsável.
Fique por aí
Deputados avisam que a agenda deste ano no Congresso Nacional não comporta mais temas polêmicos. Estão em debate a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1, a derrubada do veto da dosimetria, terras raras e a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). E ainda deve chegar alguma coisa sobre o endividamento dos brasileiros. São temas para agitar tudo até o período de festas juninas, quando o Parlamento dá aquela parada. E, com o ano eleitoral, só vai engatar novamente depois do feriado de Finados.
Por falar em terras raras…
Fontes do governo afirmam que a criação de uma estatal para extração de minerais críticos é uma ideia apenas do PT. Nos demais partidos, seja dentro ou fora do governo, essa proposta não tem apoio, porque os parlamentares acham mais uma instituição do Estado não será uma medida calibrada. Os congressistas querem proteger as terras raras, mas sem monopolizar.
CURTIDAS
Foco na sabatina/ O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, está 100% focado na sabatina de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal desta quarta-feira (29). O ministro receberá em seu gabinete no ministério cerca de 10 senadores até quarta-feira. Para ser aprovado, Messias precisa ter 41 votos. Os governistas calculam que ele pode chegar a 48 ou 50.
Hora dos convescotes/ Espera-se para esta semana, antes da votação, um jantar de senadores em torno de Messias. Tem muita gente com expectativa que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ajude nessa empreitada.
Dança das cadeiras/ O deputado Júnior Mano (PSB-CE) está praticamente fora da chapa ao Senado no Ceará. É aquele que foi alvo da PF, no ano passado, por suspeita de direcionamento de recursos a determinados municípios em troca de favores. Os nomes prioritários são Cid Gomes (PSB) e o do deputado Eunício Oliveira (MDB). O desafio, agora, é convencer essa dupla a fazer campanha lado a lado.

Depois de o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), lançar as bases do que deveria ser uma nova reforma do Judiciário, o decano da Corte, ministro Gilmar Mendes, procurou os presidentes da Câmara, Hugo Motta; do Senado, Davi Alcolumbre; e da República, Luiz Inácio Lula da Silva. As conversas estão em curso, mas a ideia é promover um novo pacto republicano capaz de baixar a poeira da tensão entre os Poderes e ver o que é possível fazer em termos de mudanças, ainda este ano. Embora as eleições estejam logo ali, há um sentimento de que é preciso deflagrar esse processo de ajustes.
Por falar em eleições…/ Os ministros do STF estão cientes de que não terão quem os defenda na campanha eleitoral. Daí a série de entrevistas que o ministro Gilmar Mendes concedeu nos últimos dias, em especial, ao CB.Poder, no qual fez questão de comparecer ao estúdio. A ordem é não deixar os pré-candidatos à Presidência da República sem resposta, em caso de ataques à Suprema Corte e a seus integrantes, muitos sem provas. A avaliação interna é de que ou os ministros saem a campo em sua própria defesa ou serão atropelados pela máxima do “quem cala, consente”.
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Se perder mais uma…
… vai ser difícil sair da prisão. Embora esteja disposto a partir para uma delação premiada, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa perdeu o que muitos na Polícia Federal classificam como “primeira chamada”. Ou seja, teve chance de contar muita coisa e fez cara de paisagem.
Pole position
Quem está na frente nesse quesito da delação é o ex-controlador do Master, Daniel Voscaro.
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Hora de rever
A base governista no Congresso acredita que adiantar o fim dos benefícios fiscais — previsto na reforma tributária em 2033 — seja a decisão acertada. É que muitos não são revisados, e fica a sensação de privilégio aos setores, além de custarem em torno de R$ 600 bilhões ao governo. Para a bancada da esquerda, um corte gradual até 2033 seria o ideal.
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Enquanto isso, no Congresso do PT…
A presença do presidente Lula é incerta no domingo. Ele está em São Paulo, e, dentro do partido, há quem diga que pode se dar ao luxo de seguir a máxima, “os meus eu já tenho, preciso é conquistar os outros”.
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Dividiu/ O novo incêndio dentro do PL é o racha entre o deputado Nikolas Ferreira e o vereador Jair Renan Bolsonaro. Nos últimos dias, bolsonaristas acusaram o deputado mineiro de estar se aliando ao Novo e ter formado seu grupo dentro da legenda. Na última sexta-feira, Renan e um influencer comentaram um tuíte de Nikolas, afirmando que ele estava “sentindo” as postagens sobre sua suposta traição. “Se juntar a capacidade cognitiva dessa dupla não alcança a de uma toupeira cega”, rebateu o parlamentar.
Entenda/ Nesta semana, o deputado Nikolas postou um vídeo contando sobre seu trabalho e envio de emendas parlamentares para Minas Gerais. Bolsonaristas compararam as informações de Nikolas com anúncios antigos do governo mineiro, e, com base nisso, acusaram-no de trair o PL para ajudar o atual governador, Matheus Simões (PSD). O PL irá lançar um candidato ao governo de Minas, e a direção partidária quer ver Nikolas no palanque da legenda.
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Alívio no PT/ Diante das dificuldades eleitorais do presidente Lula, o PT comemora a performance da deputada Benedita da Silva no último levantamento da Paraná Pesquisas para o Senado no Rio de Janeiro. Afinal, Bené foi a governadora que não saiu presa, ou afastada pela Justiça, ou teve que sair às pressas para evitar uma das duas situações anteriores. Agora, lidera a corrida para voltar a ser senadora.
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Legado da COP30/ Belém e Suíça renovaram o Memorando de Entendimento (MoU) entre o governo do Pará, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), o Instituto Peabiru e a Embaixada da Suíça no Brasil. Firmado pela primeira vez em 2024, o MoU tem foco na renovação de um patrimônio histórico: a Casa Histórica Goeldi.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 24 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A desoneração da folha de salários será o grande embate dentro da comissão especial que vai analisar a proposta de emenda constitucional que prevê o fim da escala 6×1 (seis dias trabalhados para um de folga). A avaliação de parlamentares de centro é de que, se o governo não ceder nada no quesito desoneração, corre o risco de não aprovar o texto. Hoje, esse tema está no seguinte pé: do lado do governo, tanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, quanto parlamentares afirmam que não aceitam nenhum tipo de desoneração porque não há como bancar a conta. Os oposicionistas vão jogar todas as suas fichas nisso. O centro buscará o meio-termo.
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Nem lá, nem cá/ Ao centro, prevalece a ideia de uma “desoneração light”, em que o governo abra mão de alguns encargos — não todos — e apenas para as pequenas empresas, que vão sentir mais o impacto do fim da 6×1. Para esses parlamentares, as grandes empresas conseguirão absorver os custos sem maiores problemas.
O recado de Gilmar
A fala do ministro Gilmar Mendes sobre as delações premiadas, na entrevista ao CB.Poder, foi do agrado dos investigadores. O decano foi incisivo ao dizer que as delações precisam ir além daquilo que a polícia já sabe. No caso Master, quem acompanha de perto diz que ou Daniel Vorcaro e outros entregam tudo, ou vai ficar difícil conceder o benefício.
Tudo junto e misturado
A avaliação de muitos é de que as delações relativas ao caso Master deverão sair às vésperas do período de convenções partidárias, ou seja, final de julho. Até lá, muitas candidaturas ficarão pelo caminho.
Deixa para depois
Os opositores do governo querem mesmo promover a reforma do Judiciário via Congresso Nacional, mas com as duas Casas Legislativas mais fortalecidas à direita. A oposição aposta que será maior e mais forte após as eleições — tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado —, e, assim, conseguirá aprovar a reforma no Supremo Tribunal Federal (STF), com impeachment de ministros, idade mínima para ingresso na Corte e código de conduta.
Por falar em STF…
Muitos no Congresso veem a futura decisão do Parlamento sobrea dosimetria das penas, em pauta na próxima quinta-feira, como um tema capaz de tentar baixar a poeira entre os Poderes, caso o Supremo Tribunal Federal não derrube o que for deliberado por deputados e senadores. Afinal, antes mesmo de o STF se debruçar sobre o assunto, será invadido por uma enxurrada de pedidos de soltura.
CURTIDAS

Mão na massa/ Com a proximidade da sessão do Congresso Nacional para apreciar o veto integral do projeto de dosimetria das penas para os condenados pelo 8 de Janeiro de 2023, o relator deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) fará um corpo a corpo junto aos deputados na próxima semana, a fim de garantir os votos necessários para a derrubada do veto. Paulinho acredita que não terá dificuldades para isso. Porém está preocupado com o fato de a votação ocorrer na véspera de um feriado.
Fique tranquilo/ O relator até chegou a pedir o adiamento da sessão com medo de possível esvaziamento por ser véspera de feriado, mas o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) afirmou que a análise será semipresencial. Logo, os deputados e os senadores poderão apreciar o veto pelo sistema remoto.
Memória viva/ A Câmara promoveu sessão solene em homenagem ao Dia da Libertação Italiana, comemorada amanhã. “Data de profundo significado histórico, político e humano, que marca a derrota do fascismo e do nazismo e a retomada do caminho da liberdade e da democracia na Itália. A homenagem não apenas recorda um episódio do passado, mas reafirma valores que permanecem centrais no presente: compromisso com a democracia, com a dignidade humana e a preservação das instituições”, afirmou o deputado Carlos Zaratini (PT-SP), autor do pedido.
Hoje tem festa/ O ex-presidente José Sarney (foto) completa 96 anos nesta sexta-feira. Sarney é uma referência sempre consultada por todos os espectros da política brasileira e história vivada nossa democracia. A coluna registra aqui os parabéns e os votos de saúde e prosperidade.
Coluna Brasília-DF, publicada na quinta-feira 23 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Os investigadores do caso BRB-Master não descartam a aceitação de três delações premiadas — do ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro; do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; e do advogado Daniel Monteiro. Até porque cada um cuidava de uma ponta do esquema. Vorcaro fazia os contatos políticos, Monteiro armava a ocultação de patrimônio e há a suspeita de que Paulo Henrique ajudou a construir as carteiras maquiadas para aquisição do BRB. Os investigadores avaliam, inclusive, que a “imobiliária” que PHC estava montando em São Paulo, com imóveis recebidos do Master, deixam claro que o ex-CEO do BRB pretendia se mudar para a capital paulista. Portanto, há indícios de que seu conhecimento dos negócios de Vorcaro vai muito além do Banco de Brasília.

A corrida/ Como o leitor da coluna já sabe, está posta a corrida sobre quem vai delatar primeiro. A aposta de muitos é de que quem apresentar algo novo terá a prioridade. Até aqui, os investigadores já têm informações capazes de levar o trio Vorcaro-PHC-Monteiro ao banco dos réus com reais chances de condenação. Portanto, se um entregar as irregularidades cometidas pelo outro, não mudará muita coisa. A Polícia Federal (PF) quer as peças que faltam para fechar o desenho do maior escândalo financeiro da história recente do país.
Projeto de Paulo Henrique
Ciente das dificuldades de continuar no mercado financeiro, Paulo Henrique Costa deseja, ao menos, manter-se como servidor da Caixa Econômica Federal (CEF). Ser afastado a bem do serviço público seria um pesadelo.
Projeto de Vorcaro
O ex-banqueiro do Master sonha mesmo é recuperar o patrimônio. Especialmente, conseguir manter o controle sobre os recursos guardados lá fora.
Batam nele
Por mais que Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) critiquem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será apontando as fragilidades de Flávio Bolsonaro (PL) que ambos terão mais chances de conseguir crescer, tirar votos do filho 01 de Jair Bolsonaro e seguir para o segundo turno contra o petista. É na direita que se dará o grande embate do primeiro turno.
Ciente da estratégia
Até aqui, Caiado se convenceu de que esse parece ser o caminho. Tanto que, em suas entrevistas, tem dito que se o PL e Bolsonaro tivessem sido competentes ao governar, o PT não teria voltado.
CURTIDAS

Um relator “light”/ Tanto a oposição quanto o governo querem um relator moderado para a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que extingue a escala 6 x 1 de trabalho, tal e qual Paulo Azi (União-BA), que relatou o texto na Comissão de Constituição e Justiça. Para os parlamentares, o perfil de centro, mais equilibrado, é ideal para conduzir o debate na comissão especial, onde o mérito da PEC será discutido.
Ponto para ele/ Mesmo sendo visto com um olhar de desconfiança no início, Azi conquistou o respeito e confiança da base do governo na Câmara. A comissão especial deve ser composta até o fim da semana que vem.
Fim de assunto/ Romeu Zema (foto) afirmou, com todas as letras, que seguirá firme até outubro. “Vou levar a minha pré-candidatura e candidatura até o fim”, disse na visita à Câmara dos Deputados, antes de participar do lançamento da pré-candidatura de Kiko Caputo ao governo do Distrito Federal. À coluna, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que ainda não tem nomes para o posto de vice, mas fontes ligadas ao partido afirmam que o Novo deseja que seja uma mulher.
Quem manda/ Por mais que o Novo queira uma mulher na vaga de candidata a vice, a decisão caberá a Zema. E a ideia do ex-governador é esperar mais um pouco por essa definição. Dia desses, Zema publicou um vídeo ao lado de Flávio Bolsonaro, dizendo que o estava convidando para ser seu vice. Flávio soltou uma gargalhada.
Coluna Brasília-DF, publicada na quarta-feira 22 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Enquanto a Polícia Federal (PF) não tem nenhum sinal de uma possível delação do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o advogado Daniel Lopes Monteiro se adiantou e se prepara para negociar sua possível delação. Ele é acusado de montar o esquema de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e PHC, além de maquiar as carteiras podres do Banco Master.

Mina de informações/ Investigadores acreditam que se Daniel fez esse trabalho para PHC, é possível que tenha feito para outros clientes. E, assim, sua delação pode trazer peças capazes de ajudar a PF a completar o quebra-cabeças. Caso Vorcaro e o ex-presidente do BRB não se apressem e ofereçam algo maior, Monteiro pode acabar se beneficiando mais.
Sentimento de vingança
Uma parte do Parlamento não se convenceu de que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), quer promover uma reforma no Judiciário. Depois de tantos mandados com alvo em emendas parlamentares, concessão de habeas corpus que frustraram comissões parlamentares de inquérito (CPI) e revogações de quebra de sigilos, a classe política está com o nariz virado para a Corte.
Questão de protagonismo
Muitos parlamentares afirmam em conversas mais reservadas que o artigo de Dino no site ICL Notícias foi uma coleção de palavras ao vento. E dizem que o movimento de reformar precisa partir do Congresso. Se ninguém baixar as armas para dialogar, vai ficar difícil promover uma reforma profunda.
O debate é lá
Para aprovar rapidamente a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de trabalho 6 x 1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apelou aos parlamentares para que deixem emendas e polêmicas para a comissão especial que analisará o mérito do texto. A maioria topou.
Liberdade e trabalho
O deputado Luiz Gastão (União-CE), por exemplo, prepara um voto separado, assegurando a liberdade de definição dos dias de trabalho — ele considera inconstitucional a proibição de trabalho em qualquer dia da semana, inclusive aos domingos. O parlamentar avalia agora se apresentará o texto na futura comissão especial. Motta ainda não definiu a data da instalação.
CURTIDAS

União no RS/ O presidente do PT, Edinho Silva, aos poucos vai fechando os palanques estaduais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Rio Grande do Sul, onde havia um estica-e-puxa pela cabeça de chapa, Edegar Preto (PT) será o vice de Juliana Brizola (PDT). E o PSol garantiu a vaga de Manuela d’Ávila (foto) ao Senado — maior prioridade do partido — junto com Paulo Pimenta (PT). O diretório petista aceitou o arranjo antes que houvesse intervenção na decisão da regional.
Todos contra a direita/ Os partidos de esquerda se acertaram no Rio Grande do Sul depois de perceberem que, separados, ampliavam as chances de a direita ganhar tudo. Agora, unidos, os aliados de Lula vão tentar conter o avanço da chapa encabeçada pelo deputado federal Zucco (PL).
Hora de fiscalizar/ É hoje o seminário “Emendas Parlamentares em foco: Transparência, Rastreabilidade e Responsabilização”, organizado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). Além do debate, o movimento apresentará um projeto de lei de iniciativa popular (PLIP) para aprimorar a transparência e controle de emendas. O evento será na sede do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), das 9h às 12h.
Colaborou Renato Souza*











