Texto por Denise Rothenburg publicado neste sábado (30/5) — O governo brasileiro trata de separar as estações políticas interna e externa, ao lidar com a decisão dos Estados Unidos de classificar as organizações criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas. Da parte institucional, a ordem é não criar uma crise diplomática nem brigar com os norte-americanos. Na questão interna, é procurar mostrar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desprezou a soberania do país ao apoiar essa decisão, que o governo americano pensava em tomar antes mesmo da visita do parlamentar à Casa Branca. Tal e qual fez na questão das tarifas, o governo pretende manter o diálogo aberto com o governo Trump.
Esse comportamento da parte do presidente brasileiro é uma estratégia para evitar qualquer leitura de que o seu governo defende bandido. Afinal, se tem algo que o país não aguenta mais são áreas controladas por essas organizações e também por milicianos — algo que muitos governos tentaram e nenhum conseguiu eliminar, tampouco os quatro anos do presidente Jair Bolsonaro conseguiram combater.
Conforme planejado, mas…
A classificação do PCC e do CV como terroristas pelos Estados Unidos fazia parte do plano do PL para virar a página do caso Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Agora, o partido vai enfatizar que Flávio foi o primeiro pré-candidato recebido pelo presidente Donald Trump e que ele atendeu ao pedido do senador para ajudar no combate ao crime organizado no Brasil, a bandeira principal da campanha.
… tem prazo de validade
As apostas são de que ainda é cedo para uma conclusão a respeito do impacto da decisão do governo americano nas eleições brasileiras. Afinal, a diplomacia vai agir nesse quesito. Quanto à relação Daniel Vorcaro/ Flávio Bolsonaro, vale lembrar que o caso Master ainda terá muitas temporadas pela frente. Para completar, a campanha só começa, de fato, depois de 20 de julho, data que abre o período de convenções partidárias para escolha de candidatos.
E o Messias, hein?
Em política, nem sempre dois mais dois é igual a quatro. A resultante dessa intenção de Lula de reapresentar o nome de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) dependerá basicamente do placar eleitoral. Se ele vencer, ficará mais fácil obter os votos necessários para aprovar o atual advogado-geral da União.
Quem sobe
Sem o senador Rodrigo Pacheco como candidato a governador de Minas Gerais, o PSB tem duas alternativas: o ex-procurador-geral do Ministério Público de Minas Gerais Jarbas Soares e o empresário Josué Alencar, que presidiu a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). A definição não vai demorar.
Recordar é viver/ Preocupado com os rumos do pleito de outubro, o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), afirmou que o Brasil pode cometer o mesmo erro de 2022. “Na eleição de 2026, nós não deveríamos debater pessoas, deveríamos debater projetos. Infelizmente, até agora, não vi propostas claras para os temas que são relevantes no nosso país. E nós podemos correr o risco, que seria muito ruim, de novamente eleger um presidente que seja menos rejeitado e não aquele que verdadeiramente a população quer”, disse, durante a reunião do Lide em São Paulo.
Ops…/Ao contrário do que publicamos, o padre Júlio Lancellotti presenteou a deputada Erika Kokay (PT-DF, foto) e não Erika Hilton com o livro Dilexi Te — Sobre o Amor para com os Pobres, do papa Leão XIV. O livro é uma herança do papa Francisco, que começou a escrever a obra, e seu sucessor resolveu compartilhar com o mundo.
Um encontro luso-brasileiro…/ … Em Belo Horizonte. A capital mineira vai sediar, a partir de amanhã, o 10º Congresso Luso-Brasileiro dos Auditores Fiscais, este ano com o tema “Um Novo Paradigma Fiscal: Cooperação, Justiça e Futuro”. Até 3 de junho, auditores das 27 unidades da Federação brasileira, de Portugal, da Espanha e de Moçambique ouvirão 60 palestrantes para debater assuntos como Compliance Cooperativo, devedor contumaz, efeitos da reforma tributária brasileira. Momento de discutir as contas e os impostos.
… e em Portugal/ Nos mesmos dias, na Faculdade de Direito da capital portuguesa, o XIV Fórum de Lisboa fará a sua maior edição, com autoridades e mestres das mais diversas áreas em 71 painéis, com três eixos de discussões — ordem internacional, democracia e soberania digital; economia digital, direitos fundamentais e soberania; e políticas públicas, precedentes e tutela de direitos. Seja no Brasil, seja em Portugal, a semana que vem será de reflexões.

