Autor: Ronayre Nunes
Lula liga para Sarney após virar apuração e celebra a democracia
Logo depois de 20h, quando Lula ultrapassou Flávio Bolsonaro na apuração, o petista ligou para José Sarney (foto) para agradecer o empenho do primeiro presidente a assumir o cargo no período pós-ditadura militar. A família Sarney ajudou muito no Maranhão. Ambos se emocionaram na ligação.
Janones gigante/ A live do exército de Lula, batizada de “live da Virada”, foi considerada fundamental para a diferença em favor do presidente Lula. O reconhecimento ao deputado André Janones (Rede-MG) foi o chamamento a Janones para discursar na Avenida Paulista, logo depois de Geraldo Alckmin. O deputado é considerado um dos herdeiros do lulismo no futuro. Isto é, se o PT deixar.
Por falar em mobilização… / Lula agora estará empenhado em não deixar que as manifestações da Europa desembarquem no Brasil.
E o Trump, hein?/ Dedicado à eleição de meio de mandato nos Estados Unidos, Donald Trump não terá muito tempo para tentar reclamar das eleições no Brasil
Passada a votação de segundo turno e a divulgação do resultado, a primeira missão do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva será isolar o bolsonarismo-raiz e tentar reduzir a reclamação dos adversários sobre urnas abertas após 17h, algo inédito na história da eleição desde a implantação do voto eletrônico. Nessa empreitada de deixar as reclamações de lado, Lula contará especialmente com a cúpula do Congresso Nacional, uma vez que os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, já deram o recado de encerrado o pleito, parabenizando o vencedor e ressaltando a importância do adversário.
Questão de contas/ A avaliação inicial é a de que a quantidade de urnas que permaneceram abertas não seria suficiente para modificar o resultado de 4 milhões de votos de Lula sobre Flávio Bolsonaro. No DF, por exemplo, não houve reabertura das urnas. A tendência, avaliam alguns, é deixar qualquer reclamação dos bolsonaristas em uma gaveta no Tribunal Superior Eleitoral, tal e qual foi feito com a reclamação de Aécio Neves, em 2014, contra Dilma Rousseff. Ali, só foi a votos quando Dilma já havia sofrido um processo de impeachment. Por enquanto, os bolsonaristas vão reclamar do resultado nas instâncias competentes. Sobre outros processos, eles avisam que o futuro a Deus pertence.
Pra cima do STF
Os snipers de Jair Bolsonaro eleitos para o senado não vão deixar barato a história de manter urnas abertas após 17h e vão usar isso como mais um motivo para manter o tensionamento com os ministros da Suprema Corte. Só tem um probleminha: até aqui, eles ainda não consolidaram maioria capaz de levar esses processos adiante. Mas há maioria para fazer uma reforma do Judiciário.
Por falar em STF…
Se tudo correr como planejado, o ex-senador Rodrigo Pacheco não esquentará muito a cadeira de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Lula deve indicá-lo para o cargo de Luís Roberto Barroso. É esse um dos acertos praticamente fechados com o grupo de Davi Alcolumbre.
Descarreguem em Lula
A ordem entre muitos partidos de centro que apoiaram Flávio Bolsonaro foi descarregar os votos em Lula, especialmente, em Minas Gerais. A maioria deles não queria saber de um integrante da família Bolsonaro mandando no país.
Tarcísio que se prepare
Ainda que Flávio Bolsonaro tenha tido uma votação para lá de expressiva no segundo turno, o que mais se ouvia, ontem, nas hostes bolsonaristas era, “se fosse Tarcísio o candidato teria vencido no primeiro turno”.
O fato de ter se posicionado a favor do fim da escala 6×1 não significa que o candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, tenha deixado de considerar a proposta “oportunista”. Porém, a avaliação geral da sua campanha é a de que não dava para deixar o presidente Lula, candidato à reeleição, surfar na aprovação do texto. A ideia do candidato do PL, se for eleito no próximo dia 25, é propor a escala em horas trabalhadas, com livre negociação entre patrões e empregados. A proposta será incluída dentro de um novo modelo de reforma trabalhista. Entretanto, a agenda prioritária não será mexer nessa revisão da jornada logo na largada de um possível novo governo. A agenda prioritária passa, primeiramente, pelo que já foi chamado de “tesouraço” em despesas governamentais, algo que ainda está em gestação.
Cálculos políticos/ Com todos votando a favor, a avaliação do PL é de que esse tema deixará de ter tanta importância na campanha eleitoral nem irá favorecer tanto o presidente Lula a ponto de se transformar na força da “virada” que o PT espera. Os petistas, contudo, não deixarão isso passar em branco. Com a emenda aprovada, é bem provável que Lula participe da solenidade de promulgação do texto.
Treino de civilidade
Hoje tem sessão no Supremo Tribunal Federal, mas nada de polêmico entra na pauta, para não acirrar ainda mais os ânimos. A ordem por lá é tentar buscar alguma convivência entre os ministros, onde o clima está a cada dia mais pesado. Depois da eleição, porém, vai ser difícil fugir dos assuntos delicados, em especial, o envolvimento de ministros com o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro.
Por falar em STF…
Tem um grupo no Supremo certo de que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, joga para que Flávio Bolsonaro, se eleito presidente da República, dê um jeito de ajudá-lo a evitar problemas com a Polícia Federal por causa de Daniel Vorcaro.
A hora da verdade
As pressões sobre Nunes Marques só irão arrefecer se houver um jeito de salvar todos. Agora que o presidente do STF, Edson Fachin, receberá tudo o que tem de citações sobre os ministros nas investigações sobre Vorcaro, será a hora de separar um assédio sem consequências do ex-banqueiro de crimes envolvendo parte dos magistrados.
O jogo de Nunes
O apoio do MDB do Sudeste a Flávio Bolsonaro traz embutido a vontade do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, de garantir o apoio para concorrer ao governo do estado em 2030. Seria a chance de o MDB voltar a governar os paulistas, algo que não ocorre desde janeiro de 1995, quando Luís Antonio Fleury Filho entregou o cargo ao então governador eleito em 1994, Mário Covas (PSDB).
Quanto mais quieto…/… melhor. A desistência de Flávio Bolsonaro em participar do evento do Lide tem dois pontos: primeiro, os Bolsonaro não perdoam João Doria (foto) por causa da postura durante a pandemia, quando o empresário, então governador de São Paulo, foi o primeiro a promover a compra de vacinas contra covid e se afastou do bolsonarismo. Depois, há uma máxima na campanha de que, quanto menos o candidato falar neste momento sobre detalhes de programa de governo, melhor.
Eles confirmaram/ A reunião do Lide seria quase um comício. Estavam previstas as presenças do governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela; de Ronaldo Caiado; de Romeu Zema; do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas; e de vários senadores eleitos e pessoas cotadas para cargos num governo do senador Flávio.
Agora é Lula, agora é Flávio/ O presidente Lula desafia Flávio Bolsonaro a comparecer ao debate da Band, no próximo domingo, e o candidato do PL diz que não vai. A avaliação da campanha é a de que Flávio tem mais a perder do que a ganhar.
Inversão de papéis/ Nem todos da campanha do PL concordam com a ausência de Flávio aos debates. Afinal, ao evitar debater seu programa de governo, poderá dar razão aos adversários que o colocam como defensor de cortes em parte dos programas sociais. No balanço das horas, tudo pode mudar. Agora, é Flávio quem deve recorrer ao TSE para tirar o púlpito vazio.
Por Denise Rothenburg — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está em contato com senadores de praticamente todos os partidos e em plena campanha pela reeleição para mais dois anos no comando da Casa. Corre à boca pequena, inclusive, que teria os votos para se reeleger, uma vez que muitos partidos vislumbram a vitória de Flávio Bolsonaro dia 25 — e, nesse caso, preferem não deixar o presidente da República com o mando geral do Poder Legislativo. Vale para muitos senadores a frase dita num jantar, em 2018, quando o recém-eleito Alcolumbre apresentou-se como candidato a presidente do Senado e as apostas eram de que Renan Calheiros (MDB-AL) levaria o cargo por ser da maior bancada. Um deputado do partido do União Brasil comentou: “Não subestimem o gordinho”, referindo-se a Alcolumbre. O senador afinou a silhueta, mas não perdeu seu poder de articulação. O aviso já foi dado ao PL: todo o cuidado é pouco.
Outro movimento/ Da mesma forma que o grupo de Alcolumbre começou a se mexer no sentido de permanecer mais dois anos no comando do Senado, crescem as conversas para, conforme revelado em primeira mão por esta coluna, tentar aprovar ainda este ano o fim da reeleição para presidente da República. Como Flávio defende essa proposta, o jogo do Centrão é no sentido de tentar deixar isso aprovado até dezembro. O fato de o senador do PL dizer que caberá ao Congresso definir se o mandato será de quatro anos ou de cinco, fez crescer o receio de que possa querer ampliar o próprio mandato. Porém, entre os aliados de Flávio, a avaliação é de que qualquer mudança do tamanho do mandato valeria para apenas o eleito em 2030. Os partidos de centro sabem que, a partir de 2027, o PL tentará dominar o jogo, uma vez que dominará o Planalto. Por isso, o que der para deixar fechado em 2026 é melhor.
Depois de Xandão…
Se houver alguma brecha, um grupo de senadores do Centrão vai querer, ainda, tentar o impeachment do ministro Flávio Dino. A prioridade “inegociável” dos bolsonaristas, porém, é o ministro Alexandre de Moraes. Dias Toffoli, que também aparece no enrosco de Daniel Vorcaro, está praticamente esquecido.
Tem para todos
Se, em 2018, o então presidente eleito Jair Bolsonaro negociou ministérios com as frentes parlamentares, desprezando os partidos, desta vez Flávio começou a tratar desse assunto com as agremiações partidárias antes mesmo de conhecer o resultado do segundo turno.
Onde mora o perigo
Um terço daqueles que votam em Flávio disseram ao Datafolha que escolheram o candidato do PL apenas para derrotar Lula. Ou seja, são eleitores que não têm o menor compromisso com os projetos que vierem de um possível governo do senador. O presidente, por sua vez, embora em desvantagem, não perdeu as esperanças de que o eleitor, com medo dos projetos de Flávio, opte pela continuidade de seu governo.
Banho de água fria
A pesquisa do Datafolha desanimou muita gente dentro do PT do Distrito Federal. A ideia era de que o candidato Leandro Grass tivesse pouco mais de 40%. Os 37% do candidato petista comparados aos 55% da governadora-candidata Celina Leão (PP) fazem muitos aliados de Grass colocarem a virada como missão impossível.
Exponham o que der/ A sugestão do senador Jorge Seif (PL-SC, foto) aos empresários, para que façam “piquete” junto aos gabinetes como uma das formas de evitar a aprovação do fim da escala 6 x 1, será usado na internet como uma “exploração” do trabalhador.
Aliás…/ Semana que vem, é só 6 x 1 no Senado. E, se houver quórum, a tendência é de aprovação.
Tem fila/ Os novos senadores estão em plena atividade em Brasília, em busca de gabinetes. Alguns, porém, ficaram meio frustrados. Um deles jurava que ficaria com o mega-gabinete do senador Renan Calheiros. Porém, não é bem assim que a coisa funciona. Ali, antiguidade é posto.
Primeiro, os antigos/ Funciona assim: quem já está no mandato, e quiser mudar, pode escolher entre os gabinetes que serão desocupados. Depois, vem quem foi reeleito. Por último, quem chega com mandato de senador pela primeira vez fica com os gabinetes que sobrarem.
Texto publicado por Denise Rothenburg neste sábado (20/6) — O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), só sairá do cargo se quiser. A avaliação que predomina no governo é de que, hoje, a Polícia Federal está dividida em grupos e tem investigações para todos os lados e gostos. Tirar o senador da liderança seria abrir um flanco para atitudes semelhantes em outras operações. Dentro do Poder Executivo, prevalece a ideia de que é preciso partir para o enfrentamento no caso Master, jogando a parte mais pesada do caso no colo de Flávio Bolsonaro. E mostrar que, no governo Lula, a PF tem liberdade de atuação.
Limão e limonada/ O governo vai aproveitar a operação que teve o seu líder como alvo para propagar o discurso de que a PF é independente e tem autonomia para fazer qualquer investigação. Se for o caso, ainda confrontará com o vídeo de 22 de abril de 2020, em que o ex-presidente Jair Bolsonaro constrange o então ministro da Justiça, Sergio Moro, dizendo que tinha que ter informação e que não iria “esperar f**** um parente meu, um amigo meu, porque não posso trocar alguém na ponta. Vai trocar”. Moro, logo depois, saiu do governo. Agora, pré-candidato ao governo do Paraná, o ex-ministro se reaproximou do bolsonarismo.
A discussão dos “penduricalhos”
Indicado pela Associação Nacional dos Desembargadores para integrar o grupo de trabalho que analisará a remuneração de juízes, o desembargador Marcelo Buhatem, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), tem várias sugestões. A primeira delas é “modular” as mudanças. Por exemplo: em casos de auxílio educação, pagos por alguns tribunais, a ideia é que se espere terminar o ano letivo para suspender o benefício.
Vem mais
Buhatem rechaça o termo penduricalhos e diz que a Constituição, no artigo 37, inciso X, determina a correção anual dos salários, o que nem sempre foi feito. “Quando se vê valores elevados recebidos por magistrados, muitas vezes é por causa deste artigo. Ou se muda a Constituição ou é preciso cumprir. Não é salário. É dívida que o Estado tem com os integrantes do Poder Judiciário”, afirma.
TCU alerta…
Não é só o BRB e a PF que causam dores de cabeça à turma do Governo do Distrito Federal. Pelas contas do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, o GDF precisa devolver à União cerca de R$ 4 bilhões. A justificativa é que o GDF usou indevidamente esse valor oriundo do Fundo Constitucional, que deveria ser aplicado em saúde, educação e segurança pública.
… e cobra
Não é a primeira vez que Nardes faz essa cobrança. Isso já foi feito em outras oportunidades, a partir de 2014, quando o GDF apresentou problemas para pagar a folha de salários de educação e saúde. Os recursos precisam ser aplicados na finalidade correta, sob pena de devolução. “Lá atrás, nós queríamos fazer uma fiscalização profunda do Fundo Constitucional e detectamos que o dinheiro não estava indo nem para a segurança, nem para saúde e educação. O governo, então, tem que devolver dinheiro — acho que R$ 4 bilhões no total, por uso de forma irregular”, disse.
Liguem para o Paulo Henrique/ Alvo de operação em plena sexta-feira por parte do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a cúpula do BRB fez questão de deixar claro que os fatos não dizem respeito à atual administração do banco. Em outras palavras: o caso de descontos irregulares na folha de pagamentos de servidores é mais um assunto a ser respondido pelo ex-presidente Paulo Henrique Costa.
A largada do PSB no DF/ Ex-presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e interventor na segurança do DF, logo depois do 8 de janeiro de 2023, Ricardo Cappelli (foto) lança hoje oficialmente sua pré-candidatura ao Palácio do Buriti pelo PSB. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, é um dos convidados mais aguardados. O presidente nacional do partido, João Campos, mandou um vídeo para marcar sua participação.
Assediado no bom sentido/ Ao ver o presidente Lula à mesa numa das reuniões do G-7, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, puxou o tradutor e foi em direção ao brasileiro. Bastante descontraídos e relaxados, deram a muitos a impressão de que vêm novas parcerias aí.
O Master e o Congresso/ Não são apenas as festas juninas e o são-joão que prometem paralisar os trabalhos do Legislativo, na semana que vem. Essa é a grande desculpa. Na verdade, estão todos fugindo de ter que comentar as novas fases da Operação Compliance Zero.
Texto por Denise Rothenburg publicado neste sábado (30/5) — O governo brasileiro trata de separar as estações políticas interna e externa, ao lidar com a decisão dos Estados Unidos de classificar as organizações criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas. Da parte institucional, a ordem é não criar uma crise diplomática nem brigar com os norte-americanos. Na questão interna, é procurar mostrar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desprezou a soberania do país ao apoiar essa decisão, que o governo americano pensava em tomar antes mesmo da visita do parlamentar à Casa Branca. Tal e qual fez na questão das tarifas, o governo pretende manter o diálogo aberto com o governo Trump.
Esse comportamento da parte do presidente brasileiro é uma estratégia para evitar qualquer leitura de que o seu governo defende bandido. Afinal, se tem algo que o país não aguenta mais são áreas controladas por essas organizações e também por milicianos — algo que muitos governos tentaram e nenhum conseguiu eliminar, tampouco os quatro anos do presidente Jair Bolsonaro conseguiram combater.
Conforme planejado, mas…
A classificação do PCC e do CV como terroristas pelos Estados Unidos fazia parte do plano do PL para virar a página do caso Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Agora, o partido vai enfatizar que Flávio foi o primeiro pré-candidato recebido pelo presidente Donald Trump e que ele atendeu ao pedido do senador para ajudar no combate ao crime organizado no Brasil, a bandeira principal da campanha.
… tem prazo de validade
As apostas são de que ainda é cedo para uma conclusão a respeito do impacto da decisão do governo americano nas eleições brasileiras. Afinal, a diplomacia vai agir nesse quesito. Quanto à relação Daniel Vorcaro/ Flávio Bolsonaro, vale lembrar que o caso Master ainda terá muitas temporadas pela frente. Para completar, a campanha só começa, de fato, depois de 20 de julho, data que abre o período de convenções partidárias para escolha de candidatos.
E o Messias, hein?
Em política, nem sempre dois mais dois é igual a quatro. A resultante dessa intenção de Lula de reapresentar o nome de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) dependerá basicamente do placar eleitoral. Se ele vencer, ficará mais fácil obter os votos necessários para aprovar o atual advogado-geral da União.
Quem sobe
Sem o senador Rodrigo Pacheco como candidato a governador de Minas Gerais, o PSB tem duas alternativas: o ex-procurador-geral do Ministério Público de Minas Gerais Jarbas Soares e o empresário Josué Alencar, que presidiu a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). A definição não vai demorar.
Recordar é viver/ Preocupado com os rumos do pleito de outubro, o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), afirmou que o Brasil pode cometer o mesmo erro de 2022. “Na eleição de 2026, nós não deveríamos debater pessoas, deveríamos debater projetos. Infelizmente, até agora, não vi propostas claras para os temas que são relevantes no nosso país. E nós podemos correr o risco, que seria muito ruim, de novamente eleger um presidente que seja menos rejeitado e não aquele que verdadeiramente a população quer”, disse, durante a reunião do Lide em São Paulo.
Ops…/Ao contrário do que publicamos, o padre Júlio Lancellotti presenteou a deputada Erika Kokay (PT-DF, foto) e não Erika Hilton com o livro Dilexi Te — Sobre o Amor para com os Pobres, do papa Leão XIV. O livro é uma herança do papa Francisco, que começou a escrever a obra, e seu sucessor resolveu compartilhar com o mundo.
Um encontro luso-brasileiro…/ … Em Belo Horizonte. A capital mineira vai sediar, a partir de amanhã, o 10º Congresso Luso-Brasileiro dos Auditores Fiscais, este ano com o tema “Um Novo Paradigma Fiscal: Cooperação, Justiça e Futuro”. Até 3 de junho, auditores das 27 unidades da Federação brasileira, de Portugal, da Espanha e de Moçambique ouvirão 60 palestrantes para debater assuntos como Compliance Cooperativo, devedor contumaz, efeitos da reforma tributária brasileira. Momento de discutir as contas e os impostos.
… e em Portugal/ Nos mesmos dias, na Faculdade de Direito da capital portuguesa, o XIV Fórum de Lisboa fará a sua maior edição, com autoridades e mestres das mais diversas áreas em 71 painéis, com três eixos de discussões — ordem internacional, democracia e soberania digital; economia digital, direitos fundamentais e soberania; e políticas públicas, precedentes e tutela de direitos. Seja no Brasil, seja em Portugal, a semana que vem será de reflexões.
Texto por Denise Rothenburg neste domingo (3/5) — A suspeita de que o caso do Banco Master colocou os bolsonaristas, o Centrão e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmo campo para derrotar a indicação de Jorge Messias à Suprema Corte se espalhou no Congresso e fora dele. A avaliação é de que, daqui em diante, a maioria dos movimentos da política estará contaminada por esse escândalo, uma vez que existem personagens sentindo o cheiro de queimado por causa da delação de Daniel Vorcaro e da perspectiva de atingir, em especial, o Legislativo e o Judiciário. Seja contra, seja a favor, esse processo pauta a eleição no Brasil e, especialmente, no Distrito Federal e nos estados que tiveram seus fundos de pensão com investimentos no Master. Nesse sentido, novas alianças exdrúxulas vão aparecer, uma vez que estão todos lutando para chegar a 2027 eleitos ou a salvo das delações do ex-banqueiro.
Por falar em fundos de pensão…/ As razões para Alcolumbre ter decidido se alinhar à oposição contra Messias não ficam apenas no xadrez político. Um dos ingredientes que contribuiu para isso foi o fato de a Previdência do Amapá (Amprev) ter investido R$ 400 milhões com o Master. O irmão do senador, Alberto Samuel Alcolumbre, integra o Conselho Fiscal da instituição. Hoje, os políticos acusam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de jogar a Polícia Federal sobre setores do Centrão e de ter um ministro no Supremo, no caso Flávio Dino, dedicado a dar um basta no uso indiscriminado de emendas parlamentares nas bases eleitorais. O que se diz no Parlamento é que, diante do ano eleitoral, não dava para colocar mais um ministro de Lula com a artilharia apontada contra a todos que serão citados no caso Master. O PT reage pedindo uma CPI do banco de Vorcaro. Tem muita gente certa de que esse movimento provocará novas alianças impensáveis no Congresso e fora dele, seja contra, seja a favor da comissão parlamentar de inquérito. Esta semana dará o termômetro desse e de outros temas.
Bets x juros
O setor de bets acusa o governo de usar as casas de apostas on-line como uma desculpa para o endividamento das famílias. A área enfatiza que a situação difícil dos brasileiros se deve à alta taxa de juros e não às apostas. Inclusive, o Ministério da Fazenda informou as operadoras de que os brasileiros que aderirem ao Desenrola 2.0 estarão proibidos de apostar, por seis meses, em qualquer bet regulada. O cabo de guerra promete seguir até as eleições. As bets vão ao Congresso fazer lobby pelo direito às apostas.
Uma CPI sem maioria
O PT e o PSol da deputada Fernanda Melchiona (RS) vão insistir na CPI do Banco Master na Câmara, mas, até aqui, ao que tudo indica, os partidos não terão força para fazer o relator e o presidente da comissão. Se o Centrão se mantiver aliado à oposição, irá controlar o colegiado. Pelo menos, seus primeiros acordes.
Vitória vermelha
Nem tudo foi derrota para os petistas na semana passada. Com a designação do deputado Alencar Santana (PT-SP) para a presidência da comissão especial que vai analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do final da escala 6 x 1, o PT garantiu o controle e o ritmo da pauta na Câmara dos Deputados. Santana será responsável por indicar o que será votado, a agenda dos encontros e até quando a discussão será realizada na comissão.
Por falar em 6 x 1…
Aliados ficaram muito aborrecidos com o fato de Lula ter ido à tevê dizer que enviou o projeto de lei sobre esse tema e não citar os aliados — em especial, a deputada Érika Hilton (PSol-SP), que apresentou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Ficou a certeza de que o presidente quer os louros, sem divisão ou pagamento de “royalties”.
Avalie o timing/ Embora tenha muita gente dizendo que Lula só envie o nome de um novo indicado para o STF depois da eleição, a tendência é ele indicar antes. Se deixar para depois, vai parecer que teme nova rejeição. Se mandar ainda no calor da derrota, vai parecer provocação.
Motta em ação/ Contrariando o desejo da oposição, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), vai conseguir votos no centrão a favor do projeto de lei da misoginia. Fontes próximas a ele afirmam que foi um combinado para que a deputada Tabata Amaral (PSB-SP, foto) aceitasse a relatoria. A ideia é aprovar mesmo até junho, como anunciado em um vídeo feito junto
com a parlamentar.
Augusto Cury/ Dia desses, os pré-candidatos ao Planalto, Ronaldo Caiado e Aldo Rebelo, participaram de uma palestra de Augusto Cury, o professor, psicanalista e escritor pré-candidato ao Planalto pelo partido Avante. Conversa vai, conversa vem, todos saíram com a certeza de que o autor de Vendedor de Sonhos, um de seus livros mais famosos, entrou na lista de vices dos dois.
Corre aí!/ O fato de Motta marcar sessões deliberativas para todos os dias desta semana vai além da contagem do prazo da PEC da escala 6 x 1. Ele quer adiantar tudo o que puder por esses dias. É que na semana de 11 de maio, estará em Nova York para o 15º Lide Brazil Investment Forum, um evento empresarial com lotação esgotada, no Harvard Club.
Texto por Denise Rothenburg publicado neste domingo (1º/3) — Acendeu a luz de alerta não só no PT, mas também no PSD de Gilberto Kassab, o fato de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter subido nas pesquisas sem ter feito um movimento sequer mais robusto. Até aqui, o filho 01 visitou banqueiros e passou uma temporada fora do país, num périplo pelo Oriente Médio. Essa subida não se deu por ele e sim por se apresentar como o anti-PT da vez. Se o PSD de Kassab não apresentar logo seu candidato, ficará mais difícil o pedessista escolhido rodar o país tirando votos do pré-candidato do PL. Hoje, calcula-se que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está no segundo turno e o desafio é saber quem irá contra ele. Portanto, o primeiro adversário do PSD é Flávio.
Rápido no gatilho/ O filho 01 já percebeu esse tabuleiro. Por isso, o primeiro lance mais contundente que adotou nesse jogo foi fazer de Tarcísio de Freitas coordenador de sua campanha. Assim, procura tirar de Kassab qualquer aproximação maior do nome do PSD com o governador de São Paulo e candidato à reeleição.
Questão de confiança
Ainda que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz a escala 6 x 1 tenha relator escolhido e seja apontada como prioridade, governistas defendem que o Palácio do Planalto envie um projeto de lei sobre o tema com urgência constitucional. É que o deputado Paulo Azi (União-BA) é visto como alguém que ficará muito longe do que o governo deseja. E ainda há o risco de enrolar muito para apresentar o relatório.
Escapou por um triz…
O recuo do governo no aumento do IPI no setor de tecnologia veio aos 45 minutos do segundo tempo. O impacto no preço de celulares e notebooks arriscava atrapalhar totalmente os planos eleitorais do PT.
… mas ainda corre risco
A oposição promete propalar aos quatro ventos que se Lula for reeleito, irá aumentar o imposto sobre os celulares. Ou seja: escapou do estrago total, mas levantou uma bola redonda para a
oposição cortar.
Guerra e preços
Nas primeiras 24 horas do ataque dos Estados Unidos ao Irã, a avaliação de especialistas é de que o preço do petróleo irá às alturas.
De olho nos números/ A presidente do Podemos, Renata Abreu, espera ampliar o quadro de senadores do partido. Atualmente, são sete. Ela aguarda, por exemplo, o retorno do senador Styvenson Valentim (PSDB-RN) à legenda. “Já tivemos um dos maiores quadros no Senado, com 11 cadeiras. Queremos voltar a crescer”, disse.
Enquanto isso, em São Paulo…/ Sem a garantia de que terá o palanque de Tarcísio no estado, Kassab começou a andar com os três pré-candidatos pelo interior paulista. A estratégia é conquistar o apoio dos prefeitos aos governadores Ratinho Júnior (PR), Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS), uma vez que um deles será o escolhido para concorrer ao Planalto.
Vai ficar estranho I/ Muita gente nos bastidores reclamando da participação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, no ato “Fora Lula, Alexandre Moraes e Dias Toffolli”, promovido, hoje, pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). É que, enquanto o estado sofre com as chuvas, um governador deve se “agarrar no serviço” e deixar esses holofotes políticos em segundo plano.
Vai ficar estranho II/ Por outro lado, se Flávio Bolsonaro não aparecer, evitando um posicionamento à sua base eleitoral, perderá pontos entre os próprios aliados. Especialmente se a manifestação arregimentar muita gente, tal e qual o fim da caminhada de Minas a Brasília.
Texto escrito por Denise Rothenburg e publicado neste sábado (28/2) — Com a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, de suspender a quebra de sigilo da Maridt Participações, empresa dos irmãos Dias Toffoli, a alternativa dos senadores que desejam investigar o caso Master é ampliar a pressão pela CPI sobre o banco, nem que seja recorrendo ao STF para conseguir esse objetivo. É que tudo indica que será muito difícil uma das CPIs em curso, seja no Senado, seja na Câmara ou mista, ter acesso à integralidade do material a respeito do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de outros investigados. Ainda que o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) tenha anunciado que irá recorrer da deliberação de Gilmar, a avaliação de muitos é de que só uma CPI específica terá sucesso.
Por falar em direito…/ Na visão de especialistas em direito constitucional, a decisão de Gilmar foi acertada. “Caso, no curso da apuração, surjam indícios de novos fatos ou condutas distintas, o caminho adequado é a abertura de procedimentos próprios e autônomos, e não a ampliação indefinida da investigação original. Esse cuidado preserva a legalidade dos atos investigativos e evita que o inquérito se transforme em instrumento genérico e sem limites”, defendeu o advogado constitucional Ilmar Muniz.
“Operação Amarra Tarcísio”
A colocação de Tarcísio de Freitas na coordenação da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto, fora do período eleitoral oficial, foi sob encomenda para evitar novas investidas em favor da troca do candidato conservador à Presidência da República. É que um grupo de potenciais aliados do filho 01 ainda tinha esperanças de ver o governador de São Paulo como o nome dos bolsonaristas. Agora, as esperanças estão enterradas.
Enquanto isso, na Faria Lima…
A turma do mercado financeiro que apoiou Jair Bolsonaro nas duas últimas eleições tem dito, em conversas reservadas, que está com Flávio e não abre. O que querem é derrotar o PT.
… há dúvidas e soluções
A indicação de muitos ali é de que dinheiro não faltará na campanha do filho 01 ao Planalto. O receio, porém, é a imagem de “filhinho de papai”. Por enquanto, esse ponto ajuda por causa do ex-presidente. Mas, para vencer, precisa ampliar e esse perfil pode atrapalhar.
Onde mora o perigo
Afinal, a candidatura pode terminar vista como um “capricho” da família, que não aceitou Tarcísio, que tem experiência de gestão. Algo que Flávio não tem.
Celina que se cuide/ As anotações de Flávio Bolsonaro na reunião do PL vazaram no mesmo dia em que Ibaneis Rocha (MDB) afirmou à coluna Eixo Capital, de Ana Maria Campos, que não se sente traído pelo PL ao lançar chapa pura ao Senado. O filho 01 escreveu que se o governador do Distrito Federal for candidato ao Senado, não dá para “oficializar” com Celina Leão (foto) ao GDF.
Pior momento/ O vazamento das anotações do pré-candidato ao Planalto veio no pior momento. Agora, tem muita gente desconfiada de que não terá apoio de Flávio e, se brincar, cruzará os braços na campanha presidencial.
Carreira solo/ Não é pequeno o número de deputados que pretende fazer sua própria campanha, deixando de lado os presidenciáveis. Por enquanto, a ordem é cada um por si, divulgando nas bases eleitorais as famosas emendas ao Orçamento.
Aproveita a onda/ O que anima os senadores para investir na CPI do Master é o fato de o ministro relator do caso no STF, André Mendonça, ter liberado o acesso à documentação relativa à CPMI do INSS. Se foi benevolente numa situação, tende a ser na outra.
Texto por Denise Rothenburg publicado neste domingo (21/9) — As últimas críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos deputados, dizendo que eles não pensam no povo brasileiro, foi a forma que o Palácio do Planalto encontrou para levá-los a aprovar a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais. Agora, na avaliação de integrantes do governo, os congressistas terão que ficar a favor desse alívio no contracheque dos trabalhadores a fim de mostrar que não estão cuidando apenas dos próprios interesses.
E vem mais/ Paralelamente aos comentários presidenciais, virão ainda as manifestações de hoje, promovidas por sindicatos e partidos de esquerda, contra a anistia e contra a PEC da Blindagem. Os petistas, que até aqui encontram dificuldades em se conectar com a população, acreditam que conseguiram encontrar uma brecha para falar diretamente aos indignados com a postura do Parlamento. Até na oposição muita gente considera que Lula não está fora e que vencerá em 2026 quem errar menos.
Sinais dos EUA
Autoridades e empresários identificam o Departamento de Estado do governo dos Estados Unidos como o maior foco de ações contra o Brasil. Outros atores da Casa Branca, porém, têm sido mais otimistas e dizem que, mais à frente, a crise entre os dois países tende a melhorar no quesito relação comercial — pois no relacionamento político é mais difícil.
Por falar em Estados Unidos…
Lula deve atender ao pedido do presidente da Ucrânia, Volodomyr Zelensky, para um encontro em Nova York, na semana que vem. Falta acertar horário e local.
Hugo Motta é dúvida para o futuro
É voz corrente entre os parlamentares — tanto da esquerda quanto da direita — que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), passa por um processo de desgaste e corre o risco de “queimar a largada” para se reeleger presidente.
A união faz a força
Entre atender o conselho de alguns mandando a PEC da Blindagem para a gaveta em carreira solo, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), decidiu dividir essa tarefa com os colegas. Por isso, nomeou o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) como relator — e já garantiu que o relatório pela rejeição total da matéria estará pronto para ir voto na quarta-feira.
CURTIDAS
Pintados para a guerra Presente à comemoração do aniversário da deputada Bia Kicis (PL-DF), o deputado Alberto Fraga (PL-DF) não escondeu a disposição do partido sobre a anistia, em discussão na Câmara: “Congresso não tem que reduzir pena. Vamos para briga. Ou é anistia, ou nada”, disse à coluna.
Candidata/ “Minha senadora!” Assim o senador Izalci Lucas (PL-DF) cumprimentou Bia Kicis ao chegar para o almoço em comemoração ao aniversário de sua colega de partido. Hoje, a chapa de Celina Leão ao governo tem como candidatos ao Senado Michele Bolsonaro (PL) e o governador Ibaneis Rocha (MDB).
José Roberto, o retorno I/ O ex-governador José Roberto Arruda prepara a volta à política. Para isso, está percorrendo as ruas das cidades do Distrito Federal para saber o que os eleitores querem que ele faça.
José Roberto, o retorno II/ Perguntado sobre qual mandato disputará — se deputado distrital, federal ou senador —, Arruda, que hoje está no PL, responde: “Quem tem tempo não tem pressa e eu não tenho tempo a perder”, afirmou à coluna, ontem, ao sair do aniversário de Bia Kicis, que reuniu amigos e apoiadores num restaurante do Pontão do Lago Sul.











