Michelle no jogo bruto da política

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 1º de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A decisão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de abrir mão da presidência nacional do PL Mulher é um revés importante para o partido e torna ainda mais confusa a estratégia eleitoral da legenda de Flávio Bolsonaro. Ao abrir mão do cargo de visibilidade — Michelle está há semanas no horário eleitoral convidando mulheres a ingressarem no partido —, a potencial candidata dá sinais de desgaste na relação com os caciques do PL e os enteados.

Ainda que a esposa do ex-presidente diga que está deixando sementes para as mulheres, abre-se um vácuo no núcleo duro do bolsonarismo. As dúvidas e a mágoa de Michelle deixam cada vez mais evidente que Flávio Bolsonaro perde um ativo para a campanha presidencial. E colocam em xeque até mesmo a candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal — o que abre brecha para os concorrentes, tanto de direita quanto de esquerda.

Ao concluir que estava em desvantagem nos desígnios do partido e se sentir ofendida pelos ataques grosseiros às suas convicções, Michelle Bolsonaro decidiu sair de cena. Abre mão de um protagonismo para não lidar diretamente com o jogo bruto da política.

Friamente

Na avaliação de bolsonaristas, a divergência entre Flávio com Michelle sobre as indicações ao Senado seria por causa da suposta falta de força política das pessoas escolhidas. Alguns avaliam que, a preços de hoje, nomes defendidos pela ex-primeira-dama não são tão competitivos nas urnas quanto os preferidos pela campanha de Flávio.

Pobres, não

Depois de o bolsonarista Paulo Figueiredo falar barbaridades sobre as mulheres, chegou a vez de os pobres serem achincalhados na internet. O Ministério Público de São Paulo ajuizou ação contra o influenciador Leonardo Marcondes após ele defender que pobre não deveria votar. “Uma pessoa que é pobre não soube tomar boas decisões para ter o melhor para sua família e para si mesma”, alega Fernandes. “O país ou uma empresa não pode estar nas mãos de quem não consegue ter responsabilidade sobre as próprias atitudes”, conclui.

Discurso de ódio

Para o Ministério Público, o influenciador associa pobreza à incapacidade, à irresponsabilidade e à exclusão da participação democrática. E lembra que liberdade de expressão não protege manifestações de ódio e intolerância, especialmente quando promovem a estigmatização de grupos vulneráveis.

Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

Decepcionante

A senadora e ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS, foto) fez um contraponto ao festivo Plano Safra 2026/2027, lançado ontem pelo governo federal. Segundo ela, o conjunto de medidas é decepcionante. “Não tem recorde nenhum, a não ser no discurso de propaganda. Houve, na verdade, redução de 30% nos valores para custeio. Os juros caíram um pouquinho, mas continuam altíssimos para o bolso dos agricultores — o que dificulta a tomada do crédito nos bancos”, criticou. “Nenhuma palavra foi dita sobre o importantíssimo seguro rural, que teve os recursos reduzidos à metade”, acrescentou a parlamentar.

Compensação

De fato, os recursos para custeio foram reduzidos. Mas o montante para investimento teve uma ampliação de 40% em relação à safra anterior. Pressão do agro Continua forte o lobby em favor da renegociação da dívida de produtores rurais. Mais de 20 representantes da categoria procuraram o presidente da Câmara, Hugo Motta, para fazer o apelo. Mas a bancada petista pretende bloquear a iniciativa. Na visão do Executivo, o texto que veio do Senado Federal desvirtuou o objetivo principal: ajudar os produtores gaúchos que passaram pelas enchentes de 2024.

Espera aí

O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), considera a ampliação do projeto para produtores do Brasil inteiro de “trenzinho da alegria”. “Por que um produtor de 100 hectares no Mato Grosso, que não passou por seca ou enchente, vai poder usar dinheiro do contribuinte para renegociar sua dívida?”, questiona o petista.

Doutrina

Na Câmara, o projeto que visa criminalizar a misoginia está empacado por falta de acordo. A direita quer garantir liberdade religiosa no texto e, sem esse ponto assegurado, não há consenso, segundo interlocutores ouvidos pela coluna.

Tocaia

A oposição paraense traçou a estratégia de esperar o governo errar para capitalizar em cima das falhas da atual administração. Não será tarefa fácil. A atual governadora, Hana Ghassan Tuma (MDB), tem o apoio de 130 das 144 prefeituras no estado — além do respaldo do ex-governador Helder Barbalho (MDB) e do presidente Lula.

Descaminho

Estudo inédito do Instituto Esfera Brasil revelou que 89% dos casos no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), em São Paulo, são de mercadorias apreendidas em rota proveniente do Paraguai. Entre os produtos mais contrabandeados, estão eletrônicos (10%) e aparelhos celulares (8%). Em seguida vêm vestuário e genérico (4%), além de informática e perfumes (3%).

Perto de Milei, longe das crises

Publicado em 6x1, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 30 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Em mais um movimento para angariar apoio estrangeiro à pré-candidatura ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçou os laços com o ultraliberal chefe da Casa Rosada, Javier Milei. Para demonstrar que está fechado com o 01, o homem da motosserra disse ter certeza de que a “onda azul” está a caminho do Brasil, tal e qual ocorreu no país vizinho. A ver.

Logo após a visita a Buenos Aires, Flávio pretende ir aos Estados Unidos, onde participará da audiência pública para tratar da nova onda de tarifaço em gestação pelo governo Trump. Diferentemente da aproximação argentina, claramente ideológica, o contato com Washington tem a gravidade de implicar sanções econômicas para o Brasil — injustificadas, como já exaustivamente ressaltado por Brasília.

No momento em que a América Latina se inclina para a direita, com vitórias eleitorais em diversos países, Flávio aposta no discurso anti-esquerda. Ainda não se viu, entretanto, o efeito dessas articulações na corrida eleitoral. A agenda internacional, no caso do bolsonarista, tem servido para desviar a atenção do eleitorado a problemas como o caso Dark Horse ou a contenda em praça pública com Michelle Bolsonaro.

Encontro marcado

A reunião de hoje entre Valdemar Costa Neto e Michelle Bolsonaro será um teste para a vontade de Flávio Bolsonaro de tornar o imbróglio com a ex-primeira-dama uma “página virada”. Até aqui, a bronca da ex-primeira-dama não mudou a realidade — os acordos regionais como no Ceará continuam, bem como a relação conflituosa com os filhos do ex-presidente.

Incomodado

Mais do que superar diferenças de relacionamento, o maior desafio no momento é encontrar uma solução que viabilize o apoio político de Michelle às pretensões de Flávio em outubro. Com uma candidatura ao Senado encaminhada no Distrito Federal, a presidente do PL Mulher não dá sinais de que pretende recuar nas suas queixas. Incomodado com as acusações de que humilhou a madrasta, o senador tem buscado mostrar, desde a semana passada, o quanto valoriza as mulheres.

Bolsonarismo bruto

Enquanto Flávio tenta manifestar apreço pelas mulheres, aliados próximos explicitam o bolsonarismo raiz. O blogueiro Paulo Figueiredo, que forma dupla com Eduardo Bolsonaro nas tratativas com o governo norte-americano, não contemporizou. “Mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras. As casadas costumam acompanhar o marido”, disse. Sobre Michelle, afirmou que ela prejudica a imagem de Amélia quando resolve falar.

Ganha-ganha

Se Brasil e Japão tiveram de decidir quem continuaria na Copa do Mundo, os países devem caminhar cada vez mais juntos no comércio bilateral. A Cúpula do Mercosul em Assunção será a ocasião para anunciar o início das negociações entre o bloco econômico e o país integrante do G7, clube das economias mais ricas do mundo.

Interesses comuns

Na avaliação de especialistas, há uma complementariedade importante na relação entre Brasil e Japão. Produção agrícola, minerais críticos e energia são alguns ativos importantes da plataforma exportadora nacional. Em contrapartida, investimentos e tecnologia representam oportunidades para a economia brasileira.

Crédito: Pedro França/Agência Senado

Fim do home office

Após uma semana esvaziada, o Congresso retorna ao trabalho no modo turbinado. Câmara e Senado devem analisar o projeto de lei que aumenta o teto do microempreendedor individual (MEI), que foi enviado ontem pelo Planalto. Já no Senado, os governistas têm a expectativa de que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhe a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da 6 x 1, aprovada na Câmara, para a Comissão de Constituição e Justiça.

Política em campo

Os bolsonaristas não perderam tempo. Minutos após o fim do jogo em que o Brasil venceu o Japão por 2 x 1, aliados de Flávio Bolsonaro compartilharam uma foto com o jogador Martinelli, que usa a camisa número 22. A foto ainda tinha escrito: “O 22 salvou o Brasil e pode salvar de novo”.

Diário japonês

O Ministério do Desenvolvimento Agrário, por sua vez, tirou uma onda com o técnico da seleção japonesa, Hajime Moriyasu. Em um post nas redes sociais, a pasta indagou quais seriam as anotações, feitas à mão, em um bloco de notas à beira do campo. E vieram os memes: “Cancelar o miojo e encher o prato com arroz e feijão”, “Confirmar se o café brasileiro dá bônus de energia”, “Trocar isotônico por açaí”, em uma ação em favor da alimentação saudável.

Dois homens e um escândalo

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, PT, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 26 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Com a rejeição às propostas de delação premiada de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, as investigações da Polícia Federal passam a ocupar o centro do escândalo Master-BRB. É cada vez mais remota a possibilidade de que os dois protagonistas do maior escândalo financeiro ocorrido no Brasil saiam da condição em que se encontram.

Nesse contexto, a sequência das operações realizadas pela PF nos últimos meses sugere que não haverá distinção entre governo e oposição ao trazer à luz quem mantinha conexões com Vorcaro e PHC. De Jaques Wagner a Ciro Nogueira, passando por Flávio Bolsonaro, outros personagens podem aparecer na extensa teia de relações e a série de operações mantidas pelos executivos do Master e do BRB. Um deles é o ex-governador Ibaneis Rocha.

As investigações deverão trazer respostas a pelo menos três pontos. Primeiro: mapear o caminho do dinheiro desviado do BRB e de outras instituições, como fundos de previdência, para alimentar a ciranda financeira de Vorcaro e PHC. Segundo: qual o tamanho do estrago deixado por Paulo Henrique Costa no banco brasiliense. Terceiro: qual o grau de participação do crime organizado nas transações controladas pelo bando de Vorcaro. Até aqui, os dois protagonistas do escândalo não ofereceram nada que os investigadores considerem relevante sobre essas lacunas.

Arquivo extenso

A PF tem em mãos 40 gigas de dados do telefone do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, relatam fontes ouvidas pelo Correio. Até aqui, entretanto, as informações reunidas pelo executivo têm sido insuficientes para uma possível delação premiada avançar. Apesar de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter rejeitado a proposta de PHC ontem, a permanência dele na Papudinha indica, para advogados que acompanham o caso, que uma colaboração do cúmplice de Vorcaro no escândalo Master ainda é possível.

E o PT, hein?

A chegada de Teresa Leitão (PT-PE) na liderança do governo no Senado resolve em parte o problema do partido na casa legislativa. A substituta de Jaques Wagner foi escolhida, entre outros motivos, porque não concorre à reeleição, podendo assim se dedicar integralmente à função parlamentar. Aliados também consideram que a senadora tem um bom diálogo com todos os setores da Casa. Mas questionam: “Quem vai assumir a liderança do partido em ano tão importante?”

São Paulo é Brasil

A definição da chapa governista em São Paulo parte da premissa de que uma vitória no maior colégio eleitoral do país pode reverberar nacionalmente. A decisão de lançar Márcio França como vice de Fernando Haddad é para aumentar as porcentagens nas urnas no estado e, com isso, transferir votos para Lula.

Hora de falar dos juros I

A Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) pretende reunir parlamentares, representantes do setor produtivo e especialistas para discutir os efeitos dos juros altos e os caminhos para ampliar a competitividade do país. O seminário “Os efeitos da taxa de juros na economia brasileira” será em 2 de julho, a partir das 9h, no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados.

Hora de falar dos juros II

O foco dos debates serão os impactos do custo do crédito nos investimentos, no empreendedorismo e na geração de empregos. O evento quer discutir o papel do Congresso na construção de medidas que contribuam para fortalecer o ambiente de negócios e desenvolver a economia nacional.

Dívida pública na mira

O seminário também discutirá uma proposta para estabelecer limites para a dívida pública brasileira. A iniciativa busca construir uma proposta capaz de fortalecer a responsabilidade fiscal, ampliar a transparência das contas públicas e contribuir para a estabilidade econômica do país.

Ainda é pouco

Entidades que representam setores da economia estão preocupadas com a decisão do governo federal em deixar para um segundo momento a discussão sobre as demais faixas do Simples Nacional. O governo cumpriu a promessa ao enviar o aumento do teto dos Microempreendedores Individuais (MEI), mas a falta da atualização do Simples Nacional deixou um gosto amargo.

Simples assim

O Instituto Livre Mercado defende que a atualização é importante, mas o Simples também afeta os pequenos empreendedores. As tabelas não passam por atualização desde 2018. Somando-se a inflação, o empreendedorismo no Brasil torna-se impraticável, avaliam os representantes do setor. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), empresas do Simples Nacional foram responsáveis por 13,27 milhões de vínculos formais em 2024, cerca de 23% dos trabalhadores com carteira assinada.

Bronca nuclear

O setor de medicina nuclear protesta contra a Resolução 354/2026 da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que determinou o aumento de 24% nos preços dos radioisótopos e radiofármacos fornecidos pelo órgão a partir de 1º de agosto. A Associação Nacional de Empresas de Medicina Nuclear (ANAEMN) afirma que a medida vai encarecer exames e tratamentos. O reajuste afetará clínicas, hospitais e pacientes que dependem desses procedimentos para diagnóstico e acompanhamento de doenças como câncer e problemas cardíacos.

A insustentável permanência de Jaques Wagner

Publicado em 6x1, Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Lula, Política, PT, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 25 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

A saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado mostrou como as necessidades da política se impõem sobre relações pessoais ou até mesmo princípios relevantes, como a presunção da inocência. Em um episódio marcado pelo silêncio do Palácio do Planalto, o senador saiu de cena para preservar o candidato à reeleição de desgastes na campanha eleitoral.

Duramente atingido por dois mega-escândalos — o mensalão e o petrolão — o presidente Lula não quis correr riscos. Afastou qualquer suspeita de proximidade com a teia perigosa de Daniel Vorcaro que enredou Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e gente próxima a Davi Alcolumbre e outros notáveis da República.

Com o afastamento de Wagner, encerra-se mais um capítulo da malfadada articulação política do Planalto. O substituto do senador na liderança do governo terá a missão de encontrar caminhos no campo minado controlado por Davi Alcolumbre. A rejeição ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal foi uma das derrotas mais amargas sofridas pelo governo — e erro crasso do senador baiano. Nada indica que o cenário mudará no segundo semestre.

Fogo amigo

Na permanente rivalidade interna petista, prevaleceu a corrente que via a permanência de Jaques Wagner em cargo de tamanha visibilidade um enorme risco político. De nada adiantou a narrativa de que a saída do senador sinalizaria uma confissão de culpa. Tampouco se manteve de pé a justificativa apresentada pelo senador de que a compra de um imóvel em Salvador com o ex-sócio do banco Master foi um negócio entre amigos.

Palavras vãs

Particularmente em tempos de eleição, é curioso notar como a palavra de político pode ser vã. Na quinta-feira, dia da operação da PF que revelou o envolvimento de Wagner no escândalo Master, o senador disse em entrevista: “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje e acho, sinceramente, muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim”.

Repeteco

Para resistir em meio à tempestade, Wagner se apoia no passado. Lembra que foi alvo de busca e apreensão em 2018. E eleito senador mais votado pela Bahia. À época, o parlamentar era suspeito de irregularidades na gestão do estádio Fonte Nova. O caso foi arquivado no ano passado.

Mais e melhor

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou um conjunto de deliberações para aprimorar o programa Agora Tem Especialistas, promovido pelo Ministério da Saúde. O plenário do TCU determinou que a pasta construa, em 120 dias, uma rotina de monitoramento sobre a execução financeira do programa, bem como a gestão de dados sobre as cirurgias realizadas. O voto do relator, ministro Bruno Dantas, identificou desigualdades regionais e inconsistências nas diversas etapas do programa.

Ela vem aí

A esposa do ex-governador do Distrito Federal e pré-candidato ao Senado Ibaneis Rocha (MDB), Mayara Rocha, anunciou sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados pelo Podemos. Nos bastidores do partido, Mayara é vista como um forte nome para fortalecer e ampliar a presença da legenda na Casa.

Causas sociais

A ex-primeira-dama do DF foi secretária de Desenvolvimento Social durante a pandemia de covid-19. O Podemos aposta na atuação de Rocha em um período de crise sanitária, econômica e humanitária para ter um bom desempenho eleitoral. Aliados veem a esposa de Ibaneis como um dos nomes de potencial de votos dentro do grupo ligado ao ex-governador.

Tendência

Em um meio predominantemente masculino, chama a atenção a iniciativa de mulheres de políticos engajadas na batalha das urnas. No Distrito Federal, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro é nome cada vez mais certo em outubro. No Paraná, a deputada federal Rosângela Moro, esposa do senador Sergio Moro, filiou-se ao PL e tentará a reeleição pelo estado do ex-juiz. Em Goiás, Gracinha Caiado (União), esposa do ex-governador Caiado, é pré-candidata ao Senado.

Crédito: Kayo Magalhaes/Câmara dos Deputados

Deixa o povo falar

O deputado Alencar Santana (PT-SP, foto), presidente da Comissão Especial que analisou a proposta de emenda constitucional (PEC) pelo fim da 6×1 na Casa, quer a participação popular no debate. Além de divulgar uma plataforma digital sobre o tema, ele pretende promover ações de conscientização às sextas-feiras em pontos de grande circulação. Os voluntários distribuem materiais informativos e dialogam com a população sobre os impactos da jornada de trabalho na saúde, na qualidade de vida e no convívio familiar.

Divergência

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) discorda da pesquisa divulgada pelo Tribunal Superior do Trabalho sobre a precarização do trabalho entre motoristas e entregadores que atuam por meio de plataformas digitais. Para fundamentar a divergência, a Amobitec usa como referência uma pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), divulgada no ano passado.

Renda e trabalho

O levantamento encomendado pela Justiça trabalhista ressalta os custos bancados pelos motoristas plataformizados – mais de R$ 5 mil mensais – e jornadas acima de 44 horas semanais. Já o estudo do Cebrap informa que os motoristas dedicam, em média, entre 19 e 27 horas por semana nos aplicativos, enquanto a jornada dos entregadores oscila entre 9 e 13 horas.

Estabilidade

Em outra discordância com o TST, a Amobitec afirma que os rendimentos dos trabalhadores de plataforma são mais estáveis, pois os profissionais estariam menos vulneráveis à desocupação e a longos períodos de busca por trabalho.

Flávio Bolsonaro dobra a aposta

Publicado em coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado, Tarifaço de Trump, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 24 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro acredita que pode convencer o eleitor brasileiro de que o presidente Lula é o maior responsável pelas iminentes tarifas que serão aplicadas pelo governo dos Estados Unidos. E que, ele, Flávio, poderá fazer uma interlocução com a administração Trump para reverter o momento desfavorável na relação entre os dois países.

Flávio Bolsonaro está convencido de que poderá obter trunfos nos cinco minutos de fala a que terá direito na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR), em 6 de julho. No jogo político, o pré-candidato bolsonarista dobrou a aposta. Seria uma tentativa de diminuir a vantagem de Lula na corrida presidencial, além de fazer um contraponto à defesa da soberania assumida pelo petista.

O ganho maior de Flávio Bolsonaro, entretanto, poderá vir diretamente da Casa Branca. Ao compartilhar um texto no qual se considera a eleição no Brasil o maior desafio político do hemisfério, o presidente Donald Trump deu mais um sinal de que está atento à disputa que poderá coroar o chamado “Escudo das Américas”.

Não convém menosprezar esses movimentos. Uma nova demonstração de apoio por parte dos Estados Unidos a Flávio Bolsonaro intensificará a polarização a pouco mais de três meses do pleito. Flávio Bolsonaro diz querer atacar Lula e não o Brasil. Resta saber se o eleitor assim entenderá.

Nada de “terceira via”

A mais recente pesquisa Indexa mostra que a polarização permanece estável no Brasil, o que inviabiliza a terceira via. A disputa continua concentrada em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 42% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro (PL), com 31%. “Os candidatos que buscam representar uma terceira via permanecem distantes e, até o momento, não demonstram capacidade de romper a polarização”, afirmam os pesquisadores.

Sem transferência de votos

Segundo o levantamento, o envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no escândalo Master não resultou em transferência de votos para os concorrentes da direita. Na comparação com a primeira rodada, realizada em maio, Ronaldo Caiado recuou de 7% para 5%, enquanto Romeu Zema caiu de 5% para 3%. O único crescimento dentro desse grupo, registra a pesquisa da Indexa, ocorreu com Renan Santos, que passou de 2% para 3% das intenções de voto.

Dinheiro nas mãos

Uma ala do PL se sente preterida de relatorias na Comissão Mista de Orçamento do ano passado. Alguns bolsonaristas defendem que o relatório da Lei de Orçamento Anual (LOA) e a setorial de saúde deveriam ter sido do partido de Jair Bolsonaro. Por isso, esse grupo está brigando para que o relator da LOA seja um senador do PL. O nome cotado até agora é o de Eduardo Gomes (TO).

Crédito: Thiago Cristino / Câmara dos Deputados

Contas a analisar

O Tribunal de Contas da União (TCU) analisará possíveis irregularidades fiscais envolvendo operações financeiras, fundos públicos, fundos garantidores, créditos subsidiados e créditos extraordinários utilizados pelo governo federal. O deputado Sanderson (PL-RS, foto), autor da denúncia, acusa o governo Lula de repetir as “pedaladas fiscais” do governo de Dilma Rousseff.

Impacto fiscal

O Ministério Público se juntou à investigação por meio do procurador Júlio Marcelo de Oliveira junto ao TCU. O processo tem como relator o ministro Jhonatan de Jesus. A principal acusação é que medidas adotadas pelo governo teriam gerado impactos fiscais estimados em aproximadamente R$ 215 bilhões, sem que parte desses efeitos estivesse refletida nos principais indicadores fiscais utilizados para monitoramento das contas públicas.

Tabaco em 2027

Participante do evento com presidenciáveis promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no início da semana, o SindiTabaco apresentou demandas para o setor. Defende o fortalecimento da competitividade exportadora, com prioridade para investimentos em infraestrutura logística e portuária, além da defesa da cadeia produtiva frente a barreiras regulatórias internacionais.

Investimentos

O sindicato também enfatizou maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica para investimentos industriais, políticas públicas voltadas aos municípios produtores, ações de combate ao mercado ilegal de tabaco. Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 3,04 bilhões em produtos do tabaco, o equivalente a quase 91% das exportações nacionais do segmento.

Legal e ilegal

O setor de bets considera eficaz a medida que asfixia o orçamento de bets ilegais no Brasil por meio de bloqueio de operações em operadoras de pagamentos. Contudo, reivindica ação conjunta com as big techs para remover publicidade irregular e coibir atuação de influencers que divulgam bets piratas; retirada de sites clandestinos do ar e conscientização da população para diferenciar uma bet legal de uma ilegal.

Aprendizado

Na avaliação de Bernardo Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), “ensinar os usuários a identificar as casas de apostas regulamentadas é fundamental para reduzir a demanda por esse mercado clandestino”

TST alerta para a precarização digital

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 23 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza

Um estudo elaborado pelo Centro de Pesquisas Judiciárias, Estatística e Ciência de Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) reúne informações relevantes sobre a realidade dos motoristas que atuam a partir de plataformas digitais e aplicativos de serviços. Os dados consolidados pelo TST indicam, por exemplo, que os custos para esses trabalhadores (combustível, manutenção de veículo, seguro, prestação do automóvel, etc.) ultrapassa os R$ 5 mil mensais.

A partir de dados da Pnad Contínua 2024, o estudo realizado pelo TST ressalta a grave precarização enfrentada por essa categoria profissional. A média de trabalho é de 44,5 horas semanais, bem acima dos trabalhadores do setor privado (39,3 horas). O estudo sublinha, ainda, a subserviência dos motoristas à remuneração definida pelo algoritmo, o que contribui para uma imprevisibilidade de renda.

Para o presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, a suposta liberdade empreendedora sugerida pelo trabalho plataformizado esconde uma violação da dignidade do trabalhador. “O trabalho em plataformas digitais é marcado pela profunda precarização, cumprimento de jornadas extenuantes, baixas remunerações e alto controle por algoritmos, sem o reconhecimento de direitos trabalhistas e da proteção da legislação social”, alerta o ministro.

Crédito: Maurenilson Freire

Freio de mão

Enquanto a Confederação Nacional da Indústria divulga uma carta de intenções para o Brasil em 2050 aos pré-candidatos, o Centro de Liderança Pública (CLP) publicou uma nota técnica sobre os entraves econômicos para o Brasil se juntar aos países ricos. Desarticulação institucional, mercado fechado para o comércio, sistema tributário cumulativo e insegurança jurídica são alguns dos obstáculos identificados pelo CLP ao crescimento econômico mais expressivo.

Destravar agora

Na avaliação do CLP, é preciso corrigir essas falhas — e o Estado tem papel primordial nessa mudança. “Os casos bem-sucedidos usaram um Estado mais coordenador e mais capaz, não um Estado mais complexo para cobrar tributos ruins, proteger ineficiências e comprimir investimento”, afirma o estudo.

Antieconômico

O Congresso Nacional tem uma parcela de responsabilidade no atual estado de marcha lenta da economia brasileira. Mais da metade das proposições legislativas apresentadas ou em tramitação no ano passado restringiu a liberdade econômica em pelo menos uma dimensão analisada. Os dados fazem parte do Índice Legislativo de Liberdade Econômica 2025, elaborado pelo Ranking dos Políticos em parceria com o Centro Mackenzie de Liberdade Econômica e com o Fé & Trabalho.

Estatizante

O levantamento avaliou 1.650 projetos de lei, propostas legislativas e medidas provisórias. Segundo o estudo, 86,7% das proposições analisadas que afetam a liberdade econômica apresentam impacto negativo sobre ela, enquanto 10,7% foram classificadas como ampliadoras da liberdade e 2,6%, como proposições mistas. A pesquisa conclui que o Congresso Nacional tende a ampliar regulações, criar barreiras e expandir a intervenção estatal na economia.

Voando alto

O Brasil bateu recorde de passageiros embarcados em voos domésticos. De janeiro a maio deste ano, mais de 42 milhões de pessoas estiveram em viagens aéreas pelo território nacional. É um aumento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado – e em plena guerra no Oriente Médio, que pressiona o preço dos combustíveis. No mesmo período, houve um aumento de 10% no número de passageiros estrangeiros nos céus do Brasil.

Não está à venda

Uma pesquisa realizada pelo Ministério Público Federal sugere que o eleitorado está pouco familiarizado com um crime antigo nas eleições: a compra de voto. Na enquete exibida pelo MPF no WhatsApp, até as 18h50 de ontem, a maioria dos seguidores não “fazia a menor ideia” de como denunciar a contravenção. Prisão e multa A lei eleitoral estabelece até quatro anos de prisão, mais pagamento de multa, para quem vende e para quem compra voto. Já o candidato envolvido pode se tornar inelegível por oito anos. A compra de voto, alerta o MPF, não se restringe a pagamento em dinheiro. Pode ocorrer por meio de oferta de cesta básica, alimento, combustível, material de construção, consulta médica, promessa de emprego, entre outros.

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Como denunciar

Caso queira denunciar a compra de voto, o eleitor pode procurar a página MPF Serviços; clicar em “Denúncias e Pedidos de Informação”; entrar com a conta gov.br; inserir fotos, vídeos ou documentos, se possível. Importante: a compra de voto não precisa ser consumada. Apenas a promessa já configura crime eleitoral.

Munição

Pré-candidato ao Senado por São Paulo, o ex-ministro Ricardo Salles (Novo, foto) distribuiu ataques para os adversários. Chamou Marina Silva e Simone Tebet de “forasteiras”, por supostamente não terem vivência política no estado mais rico do país. Criticou, ainda, o deputado estadual André do Prado, apoiado por Flávio Bolsonaro. Salles o identifica como alguém do Centrão. “Ele não é candidato da direita. Eu estou na direita há 20 anos”, apresenta-se Salles.

Colégio de líderes mais enxuto deixará muito poder nas mãos de poucos

Mudanças no colégio de líderes do Congresso Nacional
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Mudanças no colégio de líderes do Congresso Nacional
Mudanças no colégio de líderes do Congresso Nacional

Coluna Brasília-DF, por Denise Rothenburg (com Eduarda Esposito)

As apostas dos especialistas são de que o número de federações vai aumentar, e o de partidos tende a diminuir. É que muitas legendas não atingirão votos suficientes para se manter em carreira solo no Parlamento. Com isso, o tal colégio de líderes, grupamento responsável por ditar a pauta da Casa junto com o presidente, ficará menor. As previsões são de que terá entre oito e nove integrantes. Muito poder na mão de poucos. Resta saber quem será o protagonista. Ninguém consegue dizer com segurança qual partido terá a predominância na Casa, uma vez que o eleitor está meio perdido. A contar pela pesquisa Correio/Opinião, 54,5% não sabem em quem votar para deputado federal. Esse percentual se repete em várias pesquisas em outros estados. A única certeza é que, se Hugo Motta for reeleito, e nada hoje indica o inverso, será candidato a mais dois anos no comando da Casa.

Dinheiro para poucos

Junto com essa concentração de poder, haverá uma redução do número de partidos que poderão receber a bolada do fundo partidário. “O sistema partidário caminha para uma configuração em que poucas siglas concentrarão a maior parte dos recursos financeiros, do tempo de propaganda, dos mandatos parlamentares, e das estruturas de poder. Novas fusões, incorporações e federações devem surgir após o pleito, sobretudo entre partidos médios e pequenos que enfrentam dificuldades para alcançar a cláusula de desempenho”, explicou o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Murilo Medeiros, que tem feito essas contas.

O calcanhar de Wagner

Quem circula pelo Palácio do Planalto ouve que o presidente mantém a confiança em Jaques Wagner. Porém, muitos interlocutores titubeiam quando confrontados com a história do apartamento adquirido por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, para o senador. Nesse caso, a resposta invariavelmente tem sido: “Tenho uma reunião agora, venha outra hora”.

Fatos consumados

A insistência de alguns candidatos em lançar logo uma pré-candidatura faz parte da estratégia de evitar troca mais à frente. Estão nessa onda Ricardo Cappelli, que concorrerá ao Governo do Distrito Federal, e André do Prado, que disputará o Senado por São Paulo e terá Eduardo Bolsonaro como primeiro suplente.

Por falar em Eduardo Bolsonaro…

André do Prado passará a campanha dizendo que será ele o senador, e não o filho Zero Três de Jair Bolsonaro.

Se seguir o rito…

… vai apensar. A oposição espera que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), siga o caminho normal para a tramitação da proposta de emenda constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 na Casa. Isso inclui enviar o projeto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde está a PEC do líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN). Com isso, a direita espera que o projeto de Marinho seja apensado ao do governo e, com isso, dê uma chance de votar um destaque de preferência ou emendar trechos.

O que eles querem

Prefeitos pressionam seus representantes no Congresso Nacional para aprovar o projeto de lei que prevê auxílio entre estados e municípios afetados por catástrofes naturais e outros eventos de força maior. A FNP afirma que, hoje, não há nenhuma legislação a respeito do assunto, e se uma cidade envia recursos para outra, pode ser alvo dos tribunais de contas. A urgência por essa aprovação vem justamente das previsões do El Niño no Brasil para os próximos meses. Além desse tema, a necessidade de fontes de recursos para investimentos em drenagem, a desburocratização do acesso ao Fundo Clima e os investimentos em construções de baixo carbono também foram elencados como medidas estruturantes pela Frente.

A dancinha de Ciro Nogueira

Em suas redes sociais, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o “grande amigo” de Daniel Vorcaro, com diversas despesas pagas pelo banqueiro, segue com ares de “tô nem aí”. Postou um vídeo com a camisa da Seleção apostando no placar de 3×0 contra o Haiti e, depois do jogo, com a amarelinha, em que repetia a dancinha de jogadores brasileiros famosos. A maioria dos comentários era de incentivo ao senador, e alguns apostavam na sua reeleição.

Um dia depois do outro

A filha do ministro, Cris Nardes, pré-candidata à Câmara Distrital, lembrava dia desses da época em que foi secretária-executiva de Governança e Compliance no Governo do Distrito Federal. Naquele período, Augusto Nardes descobriu que a filha havia sido exonerada ao ver a publicação no Diário Oficial do DF. Hoje, depois de tudo o que veio à tona, Nardes comenta: “Os planos de Ibaneis eram outros (na época), e hoje vemos o resultado (escândalo do BRB)”.

O combate não para

A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal, em parceria com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), e a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF), lançam o Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal durante o evento Comunicação que Protege. O ato será no Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, na próxima quarta-feira (24), 8h30. No mesmo dia em que o Brasil entra em campo nos Estados Unidos. Que São João nos proteja.

Vou ali…

… e volto em duas semanas. A última pausa antes das eleições. Que a Seleção Brasileira de futebol dê muitas alegrias aos brasileiros nesse período e não repita a vergonha que se vê na política, com o número de excelências enroladas no Master. Até julho.

Por que Lula não demitirá Jaques Wagner

Publicado em Política

Texto publicado por Denise Rothenburg neste sábado (20/6) — O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), só sairá do cargo se quiser. A avaliação que predomina no governo é de que, hoje, a Polícia Federal está dividida em grupos e tem investigações para todos os lados e gostos. Tirar o senador da liderança seria abrir um flanco para atitudes semelhantes em outras operações. Dentro do Poder Executivo, prevalece a ideia de que é preciso partir para o enfrentamento no caso Master, jogando a parte mais pesada do caso no colo de Flávio Bolsonaro. E mostrar que, no governo Lula, a PF tem liberdade de atuação.

Limão e limonada/ O governo vai aproveitar a operação que teve o seu líder como alvo para propagar o discurso de que a PF é independente e tem autonomia para fazer qualquer investigação. Se for o caso, ainda confrontará com o vídeo de 22 de abril de 2020, em que o ex-presidente Jair Bolsonaro constrange o então ministro da Justiça, Sergio Moro, dizendo que tinha que ter informação e que não iria “esperar f**** um parente meu, um amigo meu, porque não posso trocar alguém na ponta. Vai trocar”. Moro, logo depois, saiu do governo. Agora, pré-candidato ao governo do Paraná, o ex-ministro se reaproximou do bolsonarismo.

A discussão dos “penduricalhos”

Indicado pela Associação Nacional dos Desembargadores para integrar o grupo de trabalho que analisará a remuneração de juízes, o desembargador Marcelo Buhatem, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), tem várias sugestões. A primeira delas é “modular” as mudanças. Por exemplo: em casos de auxílio educação, pagos por alguns tribunais, a ideia é que se espere terminar o ano letivo para suspender o benefício.

Vem mais

Buhatem rechaça o termo penduricalhos e diz que a Constituição, no artigo 37, inciso X, determina a correção anual dos salários, o que nem sempre foi feito. “Quando se vê valores elevados recebidos por magistrados, muitas vezes é por causa deste artigo. Ou se muda a Constituição ou é preciso cumprir. Não é salário. É dívida que o Estado tem com os integrantes do Poder Judiciário”, afirma.

TCU alerta…

Não é só o BRB e a PF que causam dores de cabeça à turma do Governo do Distrito Federal. Pelas contas do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, o GDF precisa devolver à União cerca de R$ 4 bilhões. A justificativa é que o GDF usou indevidamente esse valor oriundo do Fundo Constitucional, que deveria ser aplicado em saúde, educação e segurança pública.

… e cobra

Não é a primeira vez que Nardes faz essa cobrança. Isso já foi feito em outras oportunidades, a partir de 2014, quando o GDF apresentou problemas para pagar a folha de salários de educação e saúde. Os recursos precisam ser aplicados na finalidade correta, sob pena de devolução. “Lá atrás, nós queríamos fazer uma fiscalização profunda do Fundo Constitucional e detectamos que o dinheiro não estava indo nem para a segurança, nem para saúde e educação. O governo, então, tem que devolver dinheiro — acho que R$ 4 bilhões no total, por uso de forma irregular”, disse.

Liguem para o Paulo Henrique/ Alvo de operação em plena sexta-feira por parte do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a cúpula do BRB fez questão de deixar claro que os fatos não dizem respeito à atual administração do banco. Em outras palavras: o caso de descontos irregulares na folha de pagamentos de servidores é mais um assunto a ser respondido pelo ex-presidente Paulo Henrique Costa.

A largada do PSB no DF/ Ex-presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e interventor na segurança do DF, logo depois do 8 de janeiro de 2023, Ricardo Cappelli (foto) lança hoje oficialmente sua pré-candidatura ao Palácio do Buriti pelo PSB. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, é um dos convidados mais aguardados. O presidente nacional do partido, João Campos, mandou um vídeo para marcar sua participação.

Assediado no bom sentido/ Ao ver o presidente Lula à mesa numa das reuniões do G-7, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, puxou o tradutor e foi em direção ao brasileiro. Bastante descontraídos e relaxados, deram a muitos a impressão de que vêm novas parcerias aí.

O Master e o Congresso/ Não são apenas as festas juninas e o são-joão que prometem paralisar os trabalhos do Legislativo, na semana que vem. Essa é a grande desculpa. Na verdade, estão todos fugindo de ter que comentar as novas fases da Operação Compliance Zero.

Pede pra sair, Wagner

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, PT, Senado, TSE

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 19 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Atordoados com as investigações sobre o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA),e a relação dele com o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, muitos petistas se preparam para pedir que o senador seja afastado da liderança a fim de preservar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Querem que ele faça tal como Henrique Hargreaves nos tempos do governo Itamar Franco. Então chefe da Casa Civil, Hargreaves tinha sido citado no escândalo do Orçamento. Por isso, deixou o cargo e, terminada a investigação com seu nome limpo, retornou ao gabinete no Planalto. Caso demitido, seria o mesmo que conceder a Wagner um atestado de culpa. Se ele pedir para sair, a fim de defender, o discurso não muda, porém, o presidente se preserva. É isso que estará em avaliação nos próximos dias.

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Dois pesos, duas medidas/ A aposta de muitos é de que a questão dos euros e dólares em espécie, encontrados em endereços ligados ao senador, podem perfeitamente ser explicados com as diárias dadas pelo Senado a missões no exterior. Entretanto, essa conta precisa fechar. Já o apartamento, os ingressos e as caronas de jatinho são mais difíceis. E certamente tudo será explorado na campanha. Na montanha russa da Compliance Zero, que investiga o Banco Master, essa é a vez do PT.

Jogo de empurra

Cada candidato vai tentar usar o desgaste em relação ao Master para atacar o adversário. Dentro do PT, por exemplo, a ordem é dizer que quem precisa se explicar é Wagner e não Lula. E, no PL, quem precisa se explicar é o pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro. A intenção do PT é tentar restringir à Bahia o desgaste provocado pelo senador.

Por falar em Lula…

O presidente ligou para Wagner, oficialmente, para prestar solidariedade — Lula sabe o que é ser acusado. Porém, tinha outro fator: assuntar o que Wagner faria em relação à liderança do governo, tema que não fez parte da conversa.

Por falar em Bahia…

Ao responder a perguntas sobre a Operação Compliance Zero na Band News, Wagner relembrou quando foi alvo da Polícia Federal por suspeita de fraudes na construção da arena Fonte Nova. À época, o senador foi acusado deter recebido R$ 82 milhões, mas o caso foi arquivado por falta de provas. Ele acredita que o mesmo ocorrerá agora.

Uma dificuldade amais para a eleição

“Fakenews” promete ser um dos grandes desafios das eleições. A pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política mostrou que apenas 11% dos brasilienses sentem segurança para identificar uma notícia falsa, enquanto mais da metade diz ter dificuldade. O percentual daqueles que não conseguem é de 35%. Com esse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisa se preparar para combater com efetividade as fakenews durante o período eleitoral.

CURTIDAS

Crédito: redes sociais

Augusto, o especialista/ Jaques Wagner se referiu a Augusto Lima como um grande investidor. Realmente, conforme o leitor da coluna já sabe, Lima e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, eram “os cérebros” do mercado financeiro ligados a Daniel Vorcaro.

Pressão pela taxa das blusinhas/ Entidades que representam os setores produtivos apresentaram um manifesto clamando por isonomia tributária, principalmente depois de o governo revogar a taxa das blusinhas — que beneficia vendedores estrangeiros no Brasil. Para o setor, a medida causa concorrência desleal, tanto que deseja apenas a adoção de regras equivalentes para empresas brasileiras e estrangeiras.

PO na área/ Em reunião em Brasília (foto) em que esteve também o pré-candidato José Roberto Arruda, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, pediu para que o empresário Paulo Octávio avalie a possiblidade de ser candidato ao Senado. Ainda não está fechado, mas o nome começará a ser testado em pesquisas no Distrito Federal. Paulo Octávio já foi deputado, senador e ficou de pensar a respeito. Com as convenções marcadas para o fim de julho, segue-se a máxima de que “quem tem tempo não tem pressa”

Filas e brasileiros/ Ao embarcar no voo Latam para o Rio de Janeiro, ontem, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Phillipe Vieira de Mello Filho, ficou na fila como todos os mortais, dispensando o tratamento especial de embarque que a Polícia Federal fornece a autoridades. Já no lançamento do livro em homenagem ao ministro Sebastião Reis, do Superior Tribunal de Justiça, colegas dele do STJ “furaram” a fila sem a menor cerimônia.

Flávio se volta ao “modo radical”

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, PP, PT, Segurança Pública, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 18 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Kleber Sales

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desfila no G7 como favorito à eleição de outubro, o pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), se voltará para a área de segurança, considerado o único tema capaz de tirá-lo do redemoinho em que viu enroscado a Daniel Vorcaro. Nesse sentido, o senador lança hoje, em São Paulo, seu programa de governo para esse serviço. A ideia é radicalizar no discurso para esse segmento, diferentemente do tom mais moderado que adotou para outras áreas — como, por exemplo, a economia. A recente vitória, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara — que considerou constitucional analisar o mérito da proposta de emenda à Constituição (PEC) que a reduz a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos —, mostrou ao PL que o caminho do filho 01 de Jair Bolsonaro é a segurança. Se não fizer um gol por aí, recuperando os pontos perdidos nas pesquisas, vai ficar difícil.

Por falar em dificuldades…/ Flávio tentou se projetar externamente, com a visita ao presidente Donald Trump, em maio, mas os resultados deixaram a desejar, porque a United States Trade Representative (USTR) divulgou o relatório da investigação da seção 301 com recomendações para aumento de tarifas às exportações brasileiras e críticas ao Pix. Foi um tema que colocou o pré-candidato na defensiva, tal como o caso Master.

Não está fácil para ninguém/ O tema da segurança pública é considerado um calcanhar de Aquiles do PT e será altamente explorado na campanha. E o presidente do partido, Edinho Silva, reconheceu, esta semana, durante almoço em Brasília, que, no passado, os partidos de esquerda, preocupados com a interpretação de que estariam defendendo a violência policial, não quiseram debater a segurança pública. Agora, preciso enfrentar o tema, principalmente no que se refere ao controle de territórios.

A campanha dos municípios

Líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto, Rogério Marinho (PL-RN) contou, em almoço com a Frente Parlamentar do Livre Mercado, que a Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) estima uma captura de 50% do IPTU com aumento de custos, caso o projeto que acaba com a escala 6 x 1 seja aprovado no Congresso. No embalo, Marinho classificou a proposta como “crime de lesa-pátria contra o Brasil”.

Resolve aí rapidinho

Parlamentares do PP têm enviado recados ao Supremo Tribunal Federal, pedindo celeridade na conclusão da investigação policial do caso Master. Eles estão preocupadíssimos desde que o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), foi citado. Alguns assumem, em conversas particulares, que o envolvimento dele com Vorcaro é “pouco republicano” e querem uma resposta oficial que inocente ou incrimine Ciro. Ninguém quer ir para a campanha com essa dúvida.

Te pago depois

Por falar em Ciro Nogueira, um dos fatos que veio à tona com a retirada de sigilo de documentos do caso Master no STF foi que o presidente do PP teria sido “sustentado por terceiros”. De acordo com a investigação, os deputados Júlio Arcoverde (PP-PI) e Átila Lira (PP-PI) pagaram boletos do senador nos valores de R$ 13.693,54 e R$ 3.457, respectivamente. Também há a vinculação de um cartão de crédito emitido no nome do ex-assessor do senador e empresário Lourival Nery Jr. Procurados, os parlamentares não retornaram ligações e nem mensagens enviadas pela coluna.

Veja bem…

Lourival Nery Jr. foi assessor de Ciro Nogueira por anos, na década passada. Inclusive, em 2018, dois motoristas afirmaram terem entregado no apartamento de Lourival grandes volumes de dinheiro em espécie. As informações vieram à luz durante as investigações da Operação Lava- Jato. Hoje, ele é empresário no Piauí.

CURTIDAS

Crédito: Redes sociais

Olho nela/ Se tem algo que surpreendeu todos os políticos na pesquisa sobre eleições 2026 foi o bom posicionamento da senadora Leila Barros (Leila do vôlei), do PDT, na pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política. Devagarinho, Leila conquistou lugar na Casa, com a defesa das pautas do esporte e de combate ao feminicídio. Ela é muito lembrada nas redes pela lei que criminalizou o stalking — foi autora da proposta que tipificou o crime de perseguição reiterada por qualquer meio.

O olhar do magistrado/ O ministro Sebastião Reis Jr. (foto), do Superior Tribunal de Justiça, foi homenageado ontem com o livro Fotos e Votos. Organizada por Flávia Guth e Rodrigo Haidar, a obra traz textos sobre um hobby do ministro, a fotografia, e as decisões que marcam seus 15 anos de trajetória no STJ.

Tal e qual…/ Corda em casa de enforcado: os grupos de WhatsApp do PP no Congresso passaram longe de conversas e questionamentos sobre as informações da investigação do Master que vieram a público, esta semana, com a retirada de sigilo do STF.