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Coluna Brasília-DF publicada na sábado, 30 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Quem quiser apostar que uma delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro saia antes das eleições arrisca perder dinheiro ou um bom vinho. Preso e acusado de fraude contra o sistema financeiro, apenas agora veio a perspectiva de uma nova delação, que ainda precisa ser posta no papel, avaliada pelos investigadores, pelo Ministério Público e por aí vai. Esse processo leva, pelo menos, 30 dias. Portanto, difícil que ele sirva de balizador do eleitorado na reta final da campanha. Aliás, o que se ouve no Supremo Tribunal Federal é que isso não pode ser usado para beneficiar ou prejudicar o candidato A, B ou C. O mesmo raciocínio vale para o caso das emendas parlamentares. A ideia é suspender operações ao longo do processo para evitar acusações de interferência no processo. A não ser que seja algo tão grave que não possa ficar para depois.
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Quem perde de fato/ Essa demora, porém, seja com a delação de Vorcaro (se for realmente uma delação contando tudo), seja com o caso das emendas, deixa o eleitor sem todas as informações para que possa decidir de forma mais clara em quem votar, avaliando erros e acertos de cada candidato. Triste de quem terá que votar com essa sombra sobre o futuro.
Um acordo futuro
O almoço entre o presidente Lula e os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e o do Senado, Davi Alcolumbre, foi muito além dos projetos em pauta. Pelo andar da carruagem, ficou meio que alinhavado um entendimento num cenário de Lula reeleito. Consiste no seguinte: se Motta e Alcolumbre tiverem condições de reeleição para as posições que ocupam, terão o apoio do PT.
E um baixar a poeira
A ordem entre eles é trabalhar para retomar o que Lula chamou de “institucionalidade”. Ou seja, baixar a temperatura das crises entre os Poderes para trabalhar os problemas do Brasil, em especial, a economia e os projetos de desenvolvimento.
A esperança de virar a página
O esforço concentrado desta semana é visto como a esperança do presidente Lula e de seus aliados de colocar uma pauta positiva na campanha eleitoral, a começar pela medida provisória que acaba com a taxa das blusinhas, a ser relatada pela senadora Leila Barros (PDT-DF), a Leila do Vôlei, passando ainda pelo marco legal dos minerais críticos e o fim da escala de trabalho 6×1.
Um flanco aberto I
O presidente Lula vai aproveitar o fato de o senador Flávio Bolsonaro ter dito em entrevista ao Jornal Nacional que não acredita no aquecimento global para empinar a bandeira ambiental e tentar classificar o candidato do PL como alguém que despreza a ciência. Afinal, o aquecimento já foi consagrado pelos cientistas e os problemas econômicos e sociais causados por esse fenômeno crescem a cada dia. A última tragédia foi na semana passada, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O Rio Grande do Sul, por exemplo, continua em alerta para tempestades e ventos fortes, onde duas pessoas morreram.
Um flanco aberto II
Não foi apenas Flávio que deixou abertura para ataques dos adversários. O fato de Lula ter aparecido em fotos antigas ao lado da lobista Roberta Luchsinger, depois de dizer que não conhecia a “pilantra”, fará do presidente-candidato alvo fácil nos próximos dias, tal e qual Flávio Bolsonaro virou depois de dizer que não tinha nada com Daniel Vorcaro. O financiamento do filme veio a público e deixou o candidato numa defensiva da qual ele não consegue se livrar, uma vez que ele próprio mencionou um contrato com Vorcaro que nunca foi apresentado. Flávio insiste em dizer que não houve dinheiro público, embora o financiamento tenha vindo de um banco que captou recursos em fundos de previdência, inclusive do Rio de Janeiro, onde ele é senador.
CURTIDAS
Tensão/ No entorno de Lula, o que se diz é que a lobista Roberta Luchsinger não tem nada que possa comprometer o petista. Porém, tal e qual a mãe de Lurian, filha mais velha do presidente, tentou prejudicar Lula na campanha de 1989, acusando o então candidato de lhe propor um aborto, qualquer mentira nessa curta campanha pode representar um estrago.
O jogo de Leila do Vôlei/ Candidata à reeleição, a senadora terá um momento de visibilidade que a oposição não tem como criticar. Leila (foto), da sua parte, aproveita a oportunidade para se mostrar uma promotora do diálogo. Ela já se reuniu com o governo e irá se reunir com o setor produtivo.
6×1 na campanha/ Quem teve qualquer relação com o projeto não deixa de citar o texto nos seus jingles. Léo Prates (Republicanos-BA), relator do texto na Câmara, na semana passada, inclusive, mencionou que estava articulando a aprovação do projeto no Senado.
Coluna Brasília-DF publicada na sábado, 29 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza
Na rodada de entrevistas realizada pelo Jornal Nacional, o candidato Renan Santos (Missão) defendeu que o Brasil precisa de uma bomba atômica para se fazer respeitado — ou temido? — pelas demais potências mundiais. Para uma declaração desse porte, convém fazer dois reparos.
O primeiro: seria preciso mudar a Constituição brasileira, que determina o uso de energia nuclear apenas para fins pacíficos. O segundo: não há possibilidade de os Estados Unidos permitirem um programa nuclear militarizado em um país vizinho que mantém relações amistosas com a China e a Rússia.
De todo modo, o fortalecimento militar do Brasil não constitui um disparate. Pelas dimensões que possui e em razão das ameaças externas e internas ao território nacional, é pertinente ampliar o poderio militar do país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou essa necessidade recentemente, ao comentar que é preciso “preparar o país não para a guerra, mas para a paz”.
O problema é ter um orçamento para executar tal tarefa. Na realidade fiscal de hoje, essa possibilidade simplesmente não existe.
Aécio na área
Com a decisão, divulgada ontem, de disputar a corrida eleitoral para o Senado por Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB-MG) deixou a disputa mais embaralhada. Ele diz que cedeu à pressão do partido, de empresários e de lideranças regionais para voltar às urnas. A mudança de nome dos partidos é permitida até 15 dias antes da eleição.
Concorrentes
Segundo as pesquisas de intenção de voto, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) lidera a disputa para o Senado. A segunda vaga tem como postulantes Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL) e Marcelo Aro (PP), entre outros.
Plano B
A reviravolta com a candidatura de Aécio veio na sequência dos rumores, no início da semana, de que outro mineiro poderia mudar a rota eleitoral: Romeu Zema, candidato do Novo ao Planalto. Nos bastidores, comenta-se a possibilidade de ele optar por concorrer ao Senado aos 45 do segundo tempo.
E o Fundo Eleitoral, hein?
Perto de R$ 5 bilhões, o Fundo Eleitoral é insuficiente para bancar o teto das candidaturas a todos os postulantes a cargo público. E a insatisfação começou a ganhar voz. No Rio Grande do Norte, o candidato a deputado estadual Ivan Baron — que subiu a rampa durante a posse de Lula, em 2023, representando os brasileiros com deficiência — recebeu apenas R$ 24 mil para a sua campanha.
Esquece isso aí
Está em declínio a ideia de aprovar um projeto de lei ordinária que regulamentaria as jornadas especiais de trabalho após a aprovação do fim da escala 6 x 1. Parlamentares ouvidos pela coluna explicam que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) já prevê redefinições de jornadas pelas convenções trabalhistas e ressaltam que foi por causa de uma demanda dos empresários que essa possibilidade foi resguardada.
Caso a caso
Há quem diga que, se algum setor não conseguir se ajustar por meio de convenção, seria o caso do Congresso de se debruçar sobre a dificuldade e aprovar eventuais ajustes. Dois setores podem precisar dessa revisão: telesserviço e jornalismo, por terem apenas 30 horas em seis dias, mas que reduzirá para 25 horas em cinco dias caso a PEC do fim da escala 6 x 1 seja aprovada.
Isonomia entre os produtos
Para agradar o setor, é possível que a relatora da medida provisória da taxa das blusinhas, Leila Barros (PDT-DF, foto), insira no texto uma conformidade entre produtos brasileiros e estrangeiros. Ou seja, os comprados pelas plataformas terão de passar pelas mesmas exigências de produção, fiscalização e autorização que os nacionais — como, por exemplo, produtos que precisam de aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É uma sugestão para facilitar o consenso com a indústria brasileira.
Sob nova direção
O ex-secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e ex-presidente do Sebrae Nacional Sérgio Moreira assume a direção de Operações e Projetos do Instituto Amazônia 21. A iniciativa é da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e das Federações da Indústria da Amazônia Legal.
Madeira nobre
Um dos programas que estarão sob a gestão de Sérgio Moreira é o Morar Amazônico. A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a Caixa Econômica Federal, por meio do Fundo Socioambiental Caixa (FSA). O objetivo é provar que a indústria sustentável da madeira nativa manejada pode contribuir para soluções habitacionais de interesse social e fortalecer a cadeia produtiva da construção civil.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 28 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito
Ao emplacar três aliados nas relatorias de projetos importantes no Senado, o Palácio do Planalto conseguiu dois feitos: encaminhar textos alinhados com os objetivos do governo e manter em destaque os aliados escolhidos para a eleição. Os senadores Cid Gomes (PSB-CE), que ficou com o Redata, e Eduardo Braga (MDB-AM), com a política nacional de minerais críticos, lideram as últimas pesquisas ao Senado feitas em seus estados.
No caso da senadora Leila Barros (PDT-DF), relatora da PEC que trata da taxa das blusinhas, a designação é mais um ativo na corrida para uma das vagas ao Senado pelo Distrito Federal. A ideia é votar o parecer na próxima terça-feira, na primeira reunião após a eleição da mesa da comissão especial, marcada para hoje.
O arranjo definido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) desata um nó institucional em que se encontravam os poderes Executivo e Legislativo há meses. Apesar dos avanços, com evidentes dividendos eleitorais, há dúvidas em relação ao comportamento do plenário do Senado, principalmente depois das eleições. Não é certo se as propostas sairão integralmente conforme os desígnios do Planalto.
Sem alteração
Cid Gomes pretende seguir o mesmo caminho que o colega Omar Aziz (PSD-AM): manter o texto da Câmara dos Deputados sobre o Redata, regime especial de tributação de datacenters, e buscar consenso. Até ontem, a matéria acumulava 22 emendas apresentadas. O texto está pronto para ir a Plenário.
Já vi esse filme
À coluna, Gomes afirmou que irá analisar todas as sugestões, mas não deverá aceitar alterações de mérito. “Não há nenhuma novidade. O Brasil já teve um programa de incentivo para data centers ainda no primeiro governo Lula, em 2005” , lembrou o relator.
Emendas do setor
Contudo, o setor defende que haja um aperfeiçoamento no texto aprovado na Câmara no começo do ano. A coalizão das frentes parlamentares produtivas apoia a emenda que prevê a utilização de fontes firmes, como gás natural, energia nuclear e biometano, complementares às fontes renováveis e essenciais para empreendimentos que operam de maneira contínua.
Se tem acordo…
Caso a emenda seja acatada, o texto deverá retornar à Câmara para uma nova votação. O setor ressalta que isso não seria um problema, haja vista o compromisso firmado entre Lula, Motta e Alcolumbre para aprovar essa matéria.
Hora de se apresentar
Na estreia do horário eleitoral no rádio e tevê, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) usará os quase três minutos de propaganda a que tem direito para divulgar seus feitos. Inicialmente, a campanha não deverá atacar Lula ou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mas é possível uma mudança de tom até outubro. Nesta fase da campanha, Caiado pretende mostrar ao Brasil as realizações em Goiás, com enfoque especial na segurança pública.
Ficha limpa
As peças ainda devem ressaltar que, em 40 anos de vida pública, Caiado teria uma conduta imune a escândalos. O mote da campanha será: “Muito para mostrar e nada para esconder” .
Janela de oportunidade
Em relação à medida provisória da taxa das blusinhas, o PL pretende alcançar um equilíbrio entre a concorrência e o acesso aos mercados globais. O deputado Rodrigo Valadares (PL-SE, foto) afirma que a bancada buscará “um denominador comum” . “O caminho é pensar em desburocratizar o empreendedor nacional, e não criar mais regras para o e-commerce internacional” , avalia.
Isenção fiscal
Segundo o parlamentar, “a taxa das blusinhas fez tanto mal para o consumidor final quanto para pequenos empreendedores que compravam nas lojas on-line para fazer seus estoques” . A bancada também é favorável à isenção da taxa.
Combustível do futuro
Na próxima quarta-feira, será realizado, na Câmara dos Deputados, um seminário em comemoração aos dois anos da Lei do Combustível do Futuro. A Comissão Especial sobre Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde (Ceenerg) vai reunir representantes dos principais setores para discutir os avanços regulatórios, os desafios ainda existentes e as perspectivas para os combustíveis de baixo carbono no Brasil.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 26 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A decisão do senador Omar Aziz (PSD-AM) de apresentar seu parecer sobre o fim da escala 6 x 1 sem alterações levará os congressistas a se posicionarem sobre a proposta, expondo aqueles que são contra. Mesmo que a votação fique para depois das eleições, a avaliação geral é de que ninguém poderá se esconder sobre esse tema nesses 38 dias que antecedem o pleito. E dará discurso para o horário eleitoral gratuito, a partir da semana que vem.
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Narrativas em construção/ A ideia é deixar subentendido que, quem estiver contra a proposta agora, não aprovará projetos de interesse dos trabalhadores no futuro. Se a estratégia vai funcionar, ainda não se sabe. Afinal, são 38 dias em que, dizem os especialistas em pesquisas, nenhum candidato está livre de ser atropelado por fatores que podem jogar por terra qualquer plano de conquista de votos. Com o filme Dark Horse ainda fustigando Flavio Bolsonaro e o filho do presidente Lula, o Lulinha, deixando o pai na defensiva, os líderes das pesquisas não terão céu de brigadeiro até 4 de outubro.
Outra polêmica
Paralelamente à escala 6 x 1, estará em discussão a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública. O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), vai manter o texto aprovado pela Câmara dos Deputados a fim de acelerar a tramitação. Ele tentará votar a PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima semana, de forma a buscar a apreciação no Plenário ainda na semana que vem.
Renovação de promessa
A criação do Ministério da Segurança Pública, promessa do governo Lula que ainda não foi cumprida, está condicionada à aprovação da PEC relatada por Rogério Carvalho. Aliados avaliam que a votação seria positiva para a campanha do presidente e reforçaria o discurso de combate ao crime organizado no período eleitoral.
E em São Paulo…
…nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada ontem, mostra empate entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno da eleição, ambos com 30%. Na pesquisa realizada no fim de julho, o filho 01 de Jair Bolsonaro apresentou 34% na capital paulista, enquanto o petista, 30%. O resultado é comemorado pela campanha do presidente, uma vez que São Paulo é o maior colégio eleitoral do Brasil e, muitas vezes, um laboratório sobre o que ocorre no restante do país.
Na incerteza…
…não ultrapasse. Nem o candidato a governador de Alagoas pelo PSDB, João Henrique Caldas, o JHC, nem o candidato ao Senado, Arthur Lira (PP-AL), compareceram ao evento de Flávio Bolsonaro em Maceió. Sinal de que nenhum dos dois alagoanos, opositores do senador Renan Calheiros (MDB), deseja brigar com Lula ou apostar todas as fichas num candidato que é dúvida entre os nordestinos.
CURTIDAS
Vai ser assim/ Onde for bom para o candidato a governador, a campanha presidencial será colada. Onde não for positivo para quem concorre a um governo estadual, cada político fará sua campanha e o presidenciável que se vire. Independentemente de partido.
Lula, Mourão e o diálogo/ Na solenidade do Dia do Soldado, o presidente aproveitou para conversar com o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS, foto). O presidente pediu e obteve um sinal positivo do ex-vice-presidente do governo Bolsonaro para um voto favorável à proposta que trata da exploração de minerais críticos. Mourão não vota em Lula, mas não negou um cumprimento ao comandante em chefe das Forças Armadas. Na democracia é assim que se faz.
Nem na Lava-Jato/ A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, oficializou representações, externando a preocupação com vazamentos que considera “seletivos”, a respeito da investigação do primogênito de Lula. O advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, afirmou que nunca viu algo parecido. “Não tem precedentes, nem na história da finada Operação Lava-Jato. Precisamos tirar o rosto do processo. Se acontece algo assim com o filho do presidente, quem dirá o que pode ocorrer com outro cidadão qualquer”, critica. As representações foram enviadas ao Ministério da Justiça, à Polícia Federal e aos ministros Flávio Dino e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Na cobrança/ A defesa de Lulinha permanece pressionando as autoridades competentes sobre a apuração dos inquéritos instaurados para apurar os vazamentos do caso. As informações que têm sido divulgadas preocupam não só os advogados de Fábio, como o entorno da campanha de Lula — ainda mais às vésperas do início do horário eleitoral no rádio e televisão.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 25 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito
Para os problemas da democracia, mais democracia. Essa máxima está cada vez mais distante do que se vê nesta campanha eleitoral, marcada por candidatos que falam muito para seus seguidores, mas se recusam a confrontar argumentos contrários. Nesta etapa a caminho do primeiro turno, permanece a estratégia de evitar críticas diretas de outros concorrentes ao cargo público.

Trata-se de um paradoxo. Os postulantes a um cargo público rejeitam a possibilidade de passar por situações que possam deixá-los em má situação com o eleitorado. Com exceção de quem já decidiu o voto, é de se perguntar por que alguém confiaria um mandato para um candidato que nem sequer dá as caras em momentos relevantes.
Ao justificar a ausência, Flávio Bolsonaro afirmou que o adversário com quem pretende debater é o candidato à reeleição. Lula, por sua vez, lamenta a suposta baixa qualidade dos presidenciáveis, treinados para lacrar na internet. É uma lástima os dois não terem apresentado esses argumentos ao vivo e em cores.
Apatia
Especialistas avaliam que as faltas no primeiro debate presidencial podem se tornar uma tendência caso os eleitores não se incomodem com as ausências. “Se a ausência não custar votos, as cadeiras vazias podem se tornar cada vez mais comuns”, alerta o cientista político Murilo Medeiros.
Debate à la carte
Para ele, “o risco é consolidarmos uma espécie de ‘debate à la carte’, em que os candidatos escolhem quando participar, em qual emissora comparecer e, sobretudo, com quem estão dispostos a debater. Quem perde é a democracia, com presidenciáveis cada vez menos expostos ao contraditório”, acrescenta.
Amazonas na 6×1
O estado do Amazonas está representado em peso no debate sobre o fim da escala 6×1. Relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça, o senador Omar Aziz (PSD) acredita que a Casa não modificará o texto proveniente da Câmara dos Deputados. Já o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, pediu uma audiência com representantes dos trabalhadores e dos setores mais afetados. Braga e Aziz concorrem juntos no Amazonas: o líder do PSD disputa a eleição para governador; o emedebista busca a reeleição.
E as blusinhas, hein?
Em 1º de setembro, senadores e deputados deverão escolher um presidente e relator para a medida provisória que suspende a taxa das blusinhas na Comissão Especial. Por enquanto, três nomes estão em cena: Reginaldo Lopes (PT-MG), Jadyel Alencar (Republicanos-PB) e Rodrigo Valadares (PL-SE).
Caixa vazio
A ação de questionamento do PT sobre o Fundo Eleitoral, que só foi extinta pela Justiça Eleitoral recentemente, deixou muitos candidatos sem dinheiro logo na primeira semana de campanha. Alguns conseguiram se virar com valores do Fundo Partidário, mas a maioria recorreu às doações para viabilizar os primeiros compromissos.
Combustível
Com a liberação dos R$ 2,3 bilhões que estavam travados, parlamentares se preparam para acelerar as campanhas. Sem o dinheiro, nem mesmo trabalhar nas redes sociais estava sendo possível. Não havia como pagar impulsionamento nem equipe para essa função.
Justiça comum
A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha (foto), defendeu, ontem, que casos de violência doméstica contra mulheres das Forças Armadas sejam julgados pela Justiça comum, e não pela Justiça Militar. A magistrada alertou que o ordenamento jurídico civil oferece instrumentos de proteção às mulheres que não estão previstos na Justiça Militar.
Maria da Penha
A ministra Maria Elizabeth tratou do tema em evento promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Rio de Janeiro, por ocasião dos 20 anos da Lei Maria da Penha. As participantes debateram maneiras de aprimorar a legislação no enfrentamento da violência contra a mulher.
O homem dos números
Esta semana, o candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) vai anunciar quem será o ministro da Fazenda, caso vença a eleição em outubro. Um dos colaboradores do presidenciável é o ex-secretário de Orçamento do Ministério do Planejamento Paulo Bijos. Ele deixou o governo Lula em 2024. À coluna, o consultor afirmou que auxilia no programa econômico de Renan como cidadão. No partido, Bijos será bem-vindo para integrar a equipe no Ministério da Fazenda, se assim desejar.
Desafio nas redes
Um desafio no combate à desinformação nas eleições é a eficiência para retirar do ar fake news e conteúdos irregulares. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) executa a tarefa de derrubar páginas na internet, mas depende de uma decisão judicial. Esse intervalo, que corresponde a uma eternidade no universo das redes sociais, preocupa especialistas.
Rodrigo Pacheco critica a falta de diálogo entre os chefes dos Poderes
Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — O senador e ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) criticou a falta de diálogo entre os chefes dos três Poderes durante sua fala no 25º Fórum Empresarial LIDE, no Rio de Janeiro. Pacheco discursou sobre os desafios para o Brasil de amanhã e destacou a importância do diálogo.
“Se antevê uma necessidade, em razão do ambiente muito polarizado e dividido, e, a depender da conformação do Congresso Nacional, de uma capacidade do governante de diálogo, de estrutura, de debate e de aceitação de divergências. […] É muito ruim quando um presidente da República, um presidente do Senado, um presidente da Câmara, um presidente do Supremo Tribunal Federal não dialogam. Então esse é um grande desafio”, argumentou.
Para o senador, a polarização e a próxima formação do Congresso Nacional exigirão menos intransigência dos presidentes das Casas Legislativas. “A intransigência e a imposição de vontades num Brasil dividido e com uma conformação no Congresso Nacional que não seja necessariamente alinhada ao poder executivo podem colapsar algo que é absolutamente essencial para o desenvolvimento do país, que é o diálogo institucional. Então, esse é o primeiro desafio que nós teremos, de muita sabedoria daqueles que ocuparem essas esferas de Poder de não interromper o diálogo”, afirmou.
*A jornalista viajou a convite do LIDE
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Os economistas ligados ao governo Lula — em especial, o ministro da Fazenda, Dario Durigan — começaram um périplo junto ao setor privado e ao mercado financeiro no sentido de explicar os parâmetros de um ajuste fiscal futuro. Na mesma toada estão aqueles ligados a Flávio Bolsonaro. Hoje, por exemplo, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, que está à frente das propostas econômicas do candidato do PL, participa do 25º Forum empresarial Lide, no Rio de Janeiro, com a missão de tentar convencer o empresariado da viabilidade de um projeto econômico encabeçado pelo filho 01 de Jair Bolsonaro.

O que falta/ O setor privado tem ouvido tanto o governo quanto os emissários de Flávio sem muitas expectativas. É que, por mais boa vontade que parte do empresariado tenha, seja com o governo, seja com os Bolsonaro, faltam detalhes sobre como isso será feito. No fundo, há um cansaço com o governo Lula e um receio de que Flávio não tenha jogo de cintura para tocar o país de forma mais serena, sem sobressaltos. E a Ronaldo Caiado, que muitos consideram o mais preparado e capaz de atrair uma equipe mais técnica nessa seara, falta conhecimento por parte do eleitorado. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missao) ficam mais à margem dessas conversas. Enquanto não houver mais detalhes, será difícil o empresariado fechar em bloco com algum candidato.
Marcola que fique longe
O PT praticamente “baniu” o ex-chefe de gabinete de Lula, mas, em relação ao filho do presidente, o Lulinha, não há o que fazer. A não ser pregar aos quatro ventos que se houver qualquer indício de irregularidade, será punido. A ideia é marcar a diferença para Jair Bolsonaro que, quando presidente, afirmou em reunião ministerial que trocava todo mundo que pudesse atingir os seus.
Campanha no STJ
O grande número de desembargadores estaduais presentes à posse do presidente e do vice do Superior Tribunal de Justiça não foi apenas uma deferência ao grande currículo e conhecimento jurídico dos ministros Luís Felipe Salomão e Mauro Campbell. É que os magistrados estaduais estão de olho nas vagas para o STJ a serem preenchidas em breve.
Começaram cedo
O STJ tem em aberto duas vagas: a do ministro Marco Buzzi, demitido por causa das denúncias de assédio e importunação sexual, e a do ministro Saldanha Palheiro, que se se aposentou ao atingir a idade-limite de permanência na Corte. Há também uma vaga a ser aberta, uma vez que o ministro Og Fernandes, que completa 75 anos em novembro — ou seja, terá que se aposentar daqui a três meses. Na saída da solenidade de posse de Salomão e Campbell, um desembargador comentava com a mulher: “Meus colegas estão todos aqui em campanha. Essa turma não perde tempo”.
Agora vai…
…lá no Amapá. O grupo governista do estado recebeu uma injeção de esperança, após o anúncio da descoberta de petróleo na Margem Equatorial. As pesquisas de meados de julho apontaram o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), liderando a corrida ao Palácio do Setentrião. Agora, o grupo do atual governador, Clécio Luís (União Brasil) espera virar o jogo: “O bloco que está na base do governo do estado foi quem trabalhou para isso acontecer. Houve todo um trabalho político, no Brasil e no exterior, para viabilizar o estudo da Petrobras na Margem Equatorial”, afirma o deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP). E deu o recado: se o governador ainda não usou a notícia na campanha, é hora de começar.
CURTIDAS
Engajados nas redes I/ O mais recente relatório do Instituto Democracia em Xeque, que monitora as redes sociais dos candidatos ao Senado e aos governos estaduais, mostrou que no Centro-Oeste, dos 10 candidatos a senador com maior volume de interações, cinco são do PL. O campeão em engajamento é Gustavo Gayer, que disputa o Senado por Goiás. Teve 501 mil interações com 25 publicações.
Engajados nas redes II/ Em segundo lugar, vem Michelle Bolsonaro (PL-DF), com 448 mil interações em apenas seis publicações — ou seja, o maior volume de engajamento por post —, seguida por Bia Kicis (PL-DF), com 200 mil interações em 30 publicações. Entre os nomes do PL nessa lista, uma curiosidade: só Michelle não tem como uma das bandeiras de campanha o impeachment de ministros do Supremo.
Os poucos que surgem/ A lista dos 10 candidatos ao Senado no Centro-Oeste só tem dois nomes de esquerda: Erika Kokay (PT-DF, foto) e Pedro Taques (PSB-MT). O monitoramento no CentroOeste é feito em parceria com o grupo de pesquisa Midiaticus, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 20 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Com a decisão dos partidos de reservar recursos para quem é candidato a reeleição, como é o caso do PL, muita gente na política começa a apostar que a renovação do Parlamento será baixíssima nesta temporada eleitoral. Soma-se a essa preferência de financiamento para quem já tem um mandato, a amplitude das emendas parlamentares — hoje no patamar de R$ 60 bilhões. As emendas praticamente levaram os prefeitos a “fidelizar” e replicar as campanhas dos parlamentares que beneficiaram as administrações locais com emendas.
Desafiante/ Esse modelo será difícil de quebrar ou de levar à renovação. Quem está chegando agora começa em desvantagem e será difícil empatar o jogo a fim de tentar vencer quem já está no mandato.
Movimentos divergentes
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem dito que o governo mobiliza a base no Congresso para votar a medida provisória que acaba com a taxa das blusinhas. Disse, ainda, que a ideia é votar a MP durante a semana de esforço concentrado presencial, a partir de 31 de agosto. Contudo, líderes ouvidos pela coluna afirmam que ainda não foi resolvido o impasse para indicação do presidente e do relator da proposta na comissão especial. No Parlamento, tem sido difícil conversar sobre qualquer assunto porque a maioria está focada na campanha pela reeleição, seja para a Câmara, seja para o Senado.
Cheio de recados
O discurso do presidente da OAB, Beto Simonetti, na posse do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, e do vice, Mauro Campbell, foi incisivo ao defender a sustentação oral dos advogados como instrumento para garantir eficiência e legitimidade. Atualmente, é grande a reclamação dos defensores em relação à dispensa dessa ferramenta inerente à Justiça.
Jargão de Gaspar
Candidato a vice-presidente na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) discursa pelo país afora dizendo que Lula tem o seu próprio Marcola. Será uma estratégia para desgastar ainda mais a imagem do presidente durante a campanha eleitoral em cima do caso do roubo dos aposentados. E, de quebra, uma tentativa de associar o apelido Marcola ao governo, uma vez que é comum ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, e ao chefe do PCC, Marcos Camacho.
Gaspar que se prepare
Aliás, a equipe de advogados da campanha de Lula está atenta às manobras para tentar associar o governo ao crime organizado e ao chefe do PCC. A ideia é buscar reparação na Justiça a qualquer movimento nesse sentido.
CURTIDAS
Prestigiados/ Do Clero aos representantes dos Três Poderes, todos presentes à posse de Luís Felipe Salomão e Mauro Campbell — respectivamente, presidente e vice do STJ. E, desta vez, com uma novidade: dispensou-se a interminável fila de cumprimentos.
Alguém lembrou/ No rápido discurso de abertura da solenidade, o ministro Herman Benjamin citou o “mega El Niño” como um desafio não só para a Justiça como a todos os Poderes.
Defesa/ A frase do sempre bem-humorado ministro da Defesa, José Múcio Monteiro (foto), sobre abrir portões do Brasil em caso de invasão, foi lembrada nas rodas de conversas da posse do STJ. “E não é que ele acabou conseguindo recursos?”, comentou um parlamentar.
“Não será uma eleição, será um duelo. Dez passos para cada lado” Do senador Eduardo Gomes (PL-TO), ao referir-se à polarização entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 14 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Os senadores se preparam para transformar a medida provisória que extinguiu a taxa das blusinhas num dilema eleitoral. Se derrubam a MP, perdem o apoio de uma parcela expressiva da população que faz uso desse e-commerce. Se aprovam a medida, ficam em dificuldade com a indústria nacional, que tem reclamado da concorrência dos produtos comercializados pela internet. É por isso que está tão difícil encontrar um relator para a proposta, mas a ideia é definir nos próximos dias e votá-la na semana de 31 de agosto.
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A sinuca de Braga/ Cotado para o cargo de relator, o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), candidato à reeleição, ficaria espremido entre os empresários da Zona Franca de Manaus e o eleitorado amazonense que apoia o fim da taxação. Porém, com a MP perdendo a validade em 8 de setembro, alguém vai ter que relatar esse texto. Ou o Senado correrá o risco de ver o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos palanques dizendo à população que tentou acabar com a taxa, mas os senadores não quiseram decidir a respeito.
A descrença de Lira…
O entorno do deputado Arthur Lira (PP-AL), candidato ao Senado, considera difícil acreditar que o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB) concorrerá ao Senado. O que se diz é que Lira espera de JHC o cumprimento de um acordo selado há alguns anos: concorrer ao governo do estado e apoiar Lira ao Senado.
… e os cenários oscilantes
O cenário mudou. Àquela altura não se acreditava que Renan Filho seria candidato a governador com o apoio da maioria dos prefeitos. Nem se imaginava que a Polícia Federal (PF) faria uma operação para investigar os investimentos do Instituto de Previdência de Maceió no Banco Master, de Daniel Vorcaro. Embora não tenha qualquer citação de envolvimento de JHC, o escândalo tem potencial para desgastar eleitoralmente a imagem do ex-prefeito, pois as aplicações no Master ocorreram em sua gestão.
Esperança do PL
Os estrategistas da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República apostam que a exposição do filho 01 longe de Jair Bolsonaro pode ajudar a reverter a rejeição dele nas pesquisas. A avaliação é de que Flávio herdou os números do pai, os bons e os ruins. Já Lula não teria como reverter a rejeição.
Emendas e o problema
Especialistas em orçamento criticam o uso de emendas como recurso pessoal de parlamentares. Em debate promovido pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), a sócia-consultora do Instituto de Finanças Públicas (IFP), Selene Peres, alertou a necessidade de alinhar as emendas parlamentares ao plano de governo do presidente da República, seja quem for, ou ao Plano Plurianual de investimentos. Esse será um debate que o Congresso e Poder Executivo terão que enfrentar em 2027.
CURTIDAS
Agilidade/ Líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio à Presidência, Rogério Marinho (PL-RN) ironizou a demora da PF em realizar um teste de paternidade do suposto fruto de estupro do qual o vice da chapa, deputado Alfredo Gaspar (AL), é acusado. “Vamos apelar para o Ratinho. Eles fazem o teste de DNA em 72 horas”, disse. E complementou que Gaspar entregou seu material genético há cinco meses.
OK, mas…/ …quem apanha não esquece. Ao distribuir um prato de carne e mandioca a jornalistas de plantão, em frente ao seu comitê, Flávio fez questão de frisar o trabalho da imprensa. Porém, até agora não fez qualquer referência ao tratamento grosseiro ao repórter do The Intercept Brasil que lhe perguntou sobre o financiamento do Dark Horse. Na época, o senador disse que era mentira e chamou o jornalista de “militante”.
Angola e São Paulo/ O presidente de Angola, João Lourenço, estará em São Paulo em 26 de setembro para uma rodada de atração de investimentos ao seu país. A visita foi agendada durante encontro entre o ex-governador de São Paulo e fundador do Lide, João Doria, e Lourenço, no Palácio do governo angolano, em Luanda. A agenda paulista será no sentido de criar parcerias para o setor privado dos dois países, em especial, no agropecuário. Na foto, além de Lourenço e Doria, estão a ex-ministra da Agricultura e ex-senadora Katia Abreu e o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, que integraram a comitiva do Lide ao país africano.
O ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (JHC), que está filiado ao PSDB, ainda não anunciou oficialmente, mas seus aliados garantem que a decisão de concorrer ao Senado está praticamente tomada, conforme apurou o blog. Na última segunda-feira, o ex-prefeito esteve no Planalto para um encontro com o presidente Lula, levado pelo ex-prefeito de Recife João Campos (PSB). Os dois são amigos e administravam capitais de estados vizinhos. A decisão de concorrer ao Senado tem o respaldo da família. Como o registro da candidatura vai até sábado, tem muita gente dizendo que é melhor esperar o anúncio oficial, porque a pressão para que ele dispute o governo continua forte.
A conversa com Lula ocorreu o mesmo dia em que uma operação da Polícia Federal teve como alvo ex-gestores do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev). O prefeito não é investigado, mas seus adversários políticos planejam usar o escândalo no instituto para desgastar a imagem do prefeito. Ele, embora tenha uma boa avaliação na capital, se fosse concorrer ao governo teria que enfrentar o senador Renan Filho (MDB), detentor do apoio da maioria dos prefeitos dos municípios alagoanos, e a quem Lula considera um filho.
O movimento de JHC embaralhou ainda mais o cenário político em Alagoas. A federação União Progressistas e o PL esperavam que o ex-prefeito confirmasse sua candidatura ao governo do estado e fizesse campanha ao lado do candidato do PP ao Senado, o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a compartilhar uma imagem com o nome de Marina Candida (PSDB), esposa de JHC, como pré-candidata ao Senado por Alagoas. A ex-primeira-dama de Maceió, no entanto, deve concorrer à Câmara dos Deputados, de forma a puxar votos para o PSDB.
Agora, se JHC registrar uma candidatura ao Senado, tanto a federação quanto o PL precisam reajustar a rota, uma vez que João Henrique Caldas não definiu se fará uma parceria com Lira ou com o senador Renan Calheiros, candidato à reeleição. Quem o conhece diz que o desejo dele é ser o segundo voto dos Calheiros e da turma de Arthur Lira. Enquanto embola a disputa para o Senado, o partido de Flávio, que foi buscar em Alagoas o deputado Alfredo Gaspar para ser seu vice, cogitava lançar o nome do vereador de Maceió Leonardo Dias (PL) como plano B para o governo caso JHC não concorresse. Nos próximos dois dias, ainda tem muita conversa em Alagoas.
Com Eduarda Esposito



















