Autor: Aline Gouveia
*Coluna Brasília-DF publicada neste domingo (25/10) por Denise Rothenburg

O ex-presidente Jair Bolsonaro tem acompanhado todos os movimentos do filho e pediu que não deixe de lado as origens do bolsonarismo, nem abandone o grupo. Isso significa, em caso de vitória, um alinhamento maior com os Estados Unidos, em prol da exploração das riquezas minerais, do petróleo e com a agenda do movimento Maga — Make America Great Again, do presidente Donald Trump. Se Flávio vencer — e o ex-presidente está convicto de que Flávio não perde para Lula —, Jair Bolsonaro quer que o filho não se deixe confundir com o Centrão, a fim de não deixar espaço aberto para que líderes políticos como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ou outros acabem tomando conta da direita mais radical. Nesse sentido, quando o Centro e o bolsonarismo estiverem em divergência, a família pressionará Flávio a se manter fiel às origens.
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Por falar em Nikolas…/ O bolsonarismo percebeu o potencial do deputado Nikolas Ferreira há tempos e não por acaso o parlamentar foi criticado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Se Flávio perder, a disputa pela direita vai crescer e com nomes mais novos, diferentemente do que ocorreu nesta eleição presidencial. Se ele vencer, a família ainda terá voz de comando comando na direita por muito tempo. Afinal, ainda que Flávio garanta que não irá correr à reeleição, essa emenda depende do Congresso Nacional, onde ainda não há acordo sobre esse tema e a proposta mais avançada prevê mandato de cinco anos.
Willer é de muita gente
Ao citar no debate da Globo o advogado Willer Thomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, o presidente Lula jogou no que viu e acertou no que não viu. Willer tem uma bancada expressiva no Senado e na Câmara. A avaliação é a de que, seja quem for o futuro presidente, uma possível queda do advogado arrastará outros. Aliás, a foto em que o advogado aparece na piscina de sua casa cercado de excelências não ficará esquecida passada a eleição.
O que eles pensam
O eleitor termina hoje a primeira fase deste jogo de poder para os próximos quatro anos. Lula, ganhando ou perdendo, encerra sua carreira política nesta eleição. O bolsonarismo, forte na Câmara e no Senado, tenta retomar o protagonismo. Se for vitorioso para o Poder Executivo, seus líderes avaliam que conseguem abafar as investigações sobre a família Bolsonaro e seus principais aliados e impor a sua agenda. Se perderem, não descartam puxar, se possível, um impeachment de Lula. Sobre a tal pacificação, tão sonhada, não virá agora.
Mercado na cobrança
A turma da Faria Lima, atual centro financeiro de São Paulo, não gostou nada de ver Flávio Bolsonaro prometendo reajustes de aposentadorias, pensões, salário mínimo e outros programas sociais. Nos grupos de WhatsApp, eles se dividiram: metade disse que era só discurso para a campanha, mas que o candidato seguiria firme no ajuste fiscal de R$ 250 bilhões. A outra parte, mais cética, dizia que o senador, se eleito, terá que cumprir o que prometeu ou verá a oposição crescer logo no primeiro ano de mandato.
A próxima eleição I
Assim como a Câmara já fechou uma maioria a favor da reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Davi Alcolumbre (União-AP) também não pretende esperar fevereiro para forma um grupo poderoso a seu favor. Já conseguiu arregimentar 36 votos e há uma parcela dos restantes que tende a fechar com ele.
A próxima eleição II
Ocorre que a turma do PL não aceita deixar Davi Alcolumbre mais dois anos no comando da Casa. Esse será o primeiro desafio. Se Flávio vencer, o PL terá mais poder para tentar impor a sua vontade. Se perder, Lula reeleito não terá força para comandar nem o Senado, nem a Câmara, onde seu partido fecha nesta terça-feira com Hugo Motta.
CURTIDAS
Quem se confunde dá munição/ Ao se confundir no debate da Globo e usar a expressão “acabar com a polícia” em vez de “acabar com a milícia”, o presidente-candidato Lula deu ao adversário um elemento precioso no último dia de campanha. No WhatsApp, bolsonaristas espalharam vídeos de policiais prendendo bandidos com a frase de Lula. Porém, quem assistir ao trecho do debate, saberá que Lula quis dizer “acabar com a milícia”.
Nikolas e Janones/ Dois representantes de Minas Gerais dominaram a comunicação da campanha de segundo turno. André Janones (Rede) do lado de Lula e Nikolas Ferreira, do lado de Flávio. São dois players a se prestar atenção nos próximos quatro anos na Câmara dos Deputados.
E o Renan Santos, hein?/ Candidato a presidente da República que não se alinhou ao bolsonarismo tem tudo para ganhar notoriedade no centro. Só tem um probleminha: seu partido, o Missão, não tem ainda musculatura para termais visibilidade no parlamento. Terá que continuar nas redes sociais e nas ruas, onde o Movimento Brasil Livre (MBL) nasceu nos idos de 2013.
*Coluna Brasília-DF publicada neste domingo (18/10) por Denise Rothenburg

Flávio Bolsonaro foi aconselhado a usar o debate de hoje, na Band, para tentar subir a hashtag “Lula condenado”. Para desestabilizar o petista, Flávio pretende sair-se com esta: “Quem já foi condenado aqui, Lula, eu ou você?” Pelo menos é isso que está planejado. E qualquer resposta que tenha a frase “eu fui condenado”, ainda que completada com a palavra “injustamente” ou “sem provas”, permitirá cortes para as redes. Lula sempre poderá, entretanto, responder que é inocente e que Flávio é investigado, por causa da relação com Daniel Vorcaro.
Da parte de Lula, a ordem é tentar levar o candidato do PL a perder a pose de bom moço e expor um programa de governo voltado a pontos que o brasileiro não deseja, caso da liberação das armas.
Alta tensão/ As estratégias em construção para esta noite, em que as campanhas querem os candidatos capazes de tentar desestabilizar o adversário ou obrigar a dar respostas que possam gerar cortes para as redes sociais, indicam que será muito difícil que o confronto se restrinja a propostas de governo para cada área.
Armamento entra na reta final
O fim da marcação dos cartuchos de balas, projeto de lei defendido por Flávio, será um dos pontos tratados nesta última semana de campanha. Isso porque não passou em branco o fato de o candidato não ter respondido à jornalista Renata Lo Prete, na entrevista da TV Globo, por que defendeu uma matéria que pretendia tirar esse rastreamento de munição das forças de segurança. A defesa da retirada das marcações será explorada pelos adversários do candidato como indício de tentativa de favorecimento ao crime organizado. Afinal, é consenso que balas sem marcação dificultam a fiscalização e o rastreio.
Anote para cobrar
Ao pedir mais tempo para investigar o financiamento do filme Dark Horse, a Polícia Federal adia a conclusão das apurações para os primeiros dias do próximo governo. Seja quem for, será o momento de conhecer a verdade.
Aliás…
A questão das armas e ideia de alguns do entorno de Flávio de retomar as bets representam um problema junto ao eleitorado evangélico. É por aí que petistas ligados a esse segmento irão atuar nesta semana.
Fique por lá…
… mas não como “exilado”. Os deputados do PL começam a brigar pelos ministérios. Embora o candidato tenha dito que Eduardo Bolsonaro não será chanceler, nada foi dito nesse sentido sobre embaixador nos Estados Unidos. Aliás, se Flávio for eleito dia 25, é este o cargo que amigos do filho 03 pretendem que ele ocupe.
“Fora do ar”/ O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto (foto), avisou a amigos que não acompanhará Flávio ao debate da Band, hoje à noite. A ordem é ficar mergulhado. Valdemar tem deixado o bolsonarismo solto na condução da campanha, e a montagem de estratégia a cargo daqueles mais próximos do candidato.
Cada um ao que interessa/ A oposição a Lula está usando cortes da entrevista à Globo para dizer que ele não liga muito para o Bolsa Família, porque disse não saber da falta de reajuste dos valores. Da parte dos aliados do presidente, viralizou nas redes a parte em que Flávio diz que, com o fim da escala 6 x 1, o trabalhador terá mais um dia de folga para andar de ônibus e ser assaltado. Flávio tropeçou feio aí, uma vez que o policiamento é responsabilidade pelos governos estaduais e guardas municipais. Ou seja, não dá para culpar Lula.
Continua nas redes/ Quem procura “Flávio Bolsonaro 2026” nas redes sociais ainda verá um video produzido por inteligência artificial de Xuxa Meneguel, em que a rainha dos baixinhos, ainda do primeiro turno, onde aparece “dizendo” para não votar em Lula. Xuxa já desmentiu, mas a postagem ainda está por lá.
Favorito/ Flávio segue hoje para o debate na condição de líder de quase todas as pesquisas e com a vantagem nas urnas em primeiro turno. O que torna esse confronto da Band o mais importante é que tudo o que for dito hoje poderá reverberar nas redes nesta última semana de campanha. O último debate, na Globo, na sexta-feira, não tem o mesma chance de impactar grande quantidade de eleitores.
*Coluna Brasília-DF publicada neste sábado (17/10) por Denise Rothenburg

Enquanto Flávio Bolsonaro tenta guiar o debate do segundo turno para as questões relacionadas à segurança pública, o presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva basta dar a guinada para outros temas tão importantes quanto: direitos trabalhistas, como o fim da escala 6 x 1, e exploração das riquezas do Brasil por brasileiros. Lula jogará num pouso suave para o corte nos gastos públicos. Flávio, num corte abrupto de R$ 250 bilhões. São posições que irão nortear os debates desses dias, acoplados à mobilização — um “blend” que definirá o governo do país por quatro anos.
Até aqui…/ Lula conseguiu sair na frente nesse jogo de propostas, uma vez que o Senado aprovou a redução da escala 6 x 1, transformando o tema no assunto mais comentado nas redes este ano. E jogou o debate da redução da maioridade penal para fora do campo, prometendo retomar mais à frente. Ao que se sabe, porém, o alcance disso no voto do eleitor é limitado para alterar o rumo da eleição mais polarizada da história. O que todos os analistas convergem é que a prévia de hoje não tem favorito absoluto.
O “favorito vulnerável” de 2026
Depois de sair das urnas como “favorito absoluto”, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, chega à marca de nove dias para a eleição definido como “favorito vulnerável”. É como avalia o cientista político Antônio Lavareda, um dos mais tarimbados analistas de pesquisa do país. Lavareda lembra que, em 2006, Geraldo Alckmin obteve menos votos no segundo turno do que no primeiro.
Todos estão com medo
Com a eleição para lá de polarizada, cresce entre aqueles que já administraram grandes cidades o receio de brigas entre adversários neste fim de semana, o último da campanha eleitoral. A ordem é aumentar o policiamento nas ruas a fim de evitar conflitos.
A que ponto chegamos
No Amazonas, o deputado federal eleito Sargento Salazar, do PL, e Kidson Maia, derrotado para deputado estadual, estão proibidos de se aproximar da candidata a vice-governadora Alessandra Campelo, da chapa de Omar Aziz, ambos do PSD. Durante debate eleitoral no estado, Kidson foi flagrado fazendo um gesto de degola para ela.
A que ponto chegamos II
A candidata relatou à polícia gestos de ambos, simulando cortes de pescoço. Ela pediu e a Justiça concedeu suspensão do porte de armas de ambos.
A volta de Santos Cruz/ Ex-ministro da secretaria de Governo de Jair Bolsonaro, o general Santos Cruz (foto) aparece em entrevista a um canal no YouTube, com a seguinte frase: “Eu me considero de direita. Isso aí que a gente vê, esse extremismo, isso aí não é direita. Isso se chama vigarice”.
A força dela/ A senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) é considerada uma das poucas que pode ajudar Flávio a tentar conquistar os votos dos indecisos. A avaliação é de que se ela puder se dedicar de corpo e alma esta semana, ajudará muito.
E a campanha sumiu…/ Ninguém tem visto material de campanha de Flávio nas cidades nordestinas. Com o fim da eleição na maioria dos estados e os candidatos das proporcionais resolvidos, a turma não está mais gastando com material de propaganda.
… e mudou/ Aliás, seja no Nordeste, seja no Centro-Sul do país, os parlamentares perceberam uma grande diferença nesta eleição. Este ano, valeu muito mais a campanha de impulsionamento na internet do que a campanha olho-no-olho de porta em porta.
*Coluna Brasília-DF publicada nesta sexta-feira (16/10) por Denise Rothenburg

Enquanto os finalistas na disputa ao Palácio do Planalto traçam estratégias nesta última semana de campanha, o jogo para a Presidência da Câmara cresce a olhos vistos. Ainda que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), tenha a perspectiva de somar, logo na largada, 252 votos para ficar no cargo por mais dois anos, a ideia do PL é lançar candidatura própria. Especialmente, se Flávio Bolsonaro sair vencedor em 25 de outubro. Caso o filho 01 seja eleito, o PL tentará quebrar o bloco que fechou o apoio a Motta esta semana. E a força do novo governo, conforme avaliam integrantes do partido, terá todas as condições de angariar apoios. Vale lembrar que a essa altura da última disputa para a Presidência da Câmara, o nome do Republicanos era Marcos Pereira (SP). Portanto, nada está garantido. Dentro do PL, os nomes mais cotados vêm do Rio de Janeiro — Sóstenes Cavalcante e Altineu Cortes, o atual vice-presidente da Casa.
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O cenário do PT/ Os partidos aliados à reeleição do presidente Lula tendem a fechar com Motta, seja ele derrotado, seja ele o vencedor. A avaliação interna é de que o presidente da Câmara se mostrou um cumpridor de acordos e foi além ao apoiar
a reeleição do petista para a Presidência da República. Diante desses fatores, não é possível abandonar Motta à própria sorte.
A visão deles
Entre os mais atentos observadores dos luxuosos escritórios da avenida Faria Lima, há o receio de que, independentemente do resultado do dia 25, venha um cenário de “volta da Avenida Paulista” a posições importantes do tabuleiro de poder. Nos anos 1980-1990, era a Paulista o território dos grandes bancos e da Fiesp. E foi na Faria Lima que Daniel Vorcaro cresceu e apareceu. Esses fatos voltarão à baila tão logo seja conhecido o futuro presidente da República.
O clima na Casa
A semana de movimento na Câmara e no Senado deixou os deputados do centro certos de que a turma de Flávio Bolsonaro está tão confiante na vitória que as conversas nos jantares giraram em torno de quem vai para qual ministério.
Os principais nomes
As citações incluem o senador eleito no Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), os deputados Mendonça Filho (PL-PE) e Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da Frente Parlamentar do Agro. Quando aos cargos, a cada hora especula-se um posto. Porém, o único que muita gente dá como certo é Mendonça Filho na Educação.
Maioridade penal, a vingança
O PL traçou, ainda na noite de terça-feira, a ideia de incluir a redução da maioridade penal na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública. A ideia era usar essa emenda, apoiada por grande parte da população, para colocar o PT contra a parede, da mesma forma que o partido de Flávio ficou exposto com a votação do fim da escala 6 x 1. Ao tirar essa proposta de pauta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ajudou os petistas a saírem dessa sinuca.
Por falar em 6 x 1…
Estudo do Instituto Democracia em Xeque aponta que a aprovação do fim da escala 6 x 1 como o tema que gerou maior mobilização digital entre os assuntos pesquisados como “maiores eventos políticos nas redes” desde agosto de 2025, quando começaram as análises pela instituição. A questão provocou mais mobilização do que o fim das bets. Foram 1.905.639 menções sobre a PEC da escala 6 x 1 em 24 horas, enquanto as bets tiveram, em 25 de setembro — quando foram proibidas —, 1.332.600 interações no mesmo intervalo de tempo.
Toma que o Canella é teu/ Aliados de Lula passaram o dia postando fotos de Flávio Bolsonaro ao lado de Márcio Canella, preso em nova fase da Operação Unha e Carne, que investiga o crime organizado no Rio de Janeiro. Canella seria candidato ao Senado, mas, por causa da primeira prisão, terminou candidato a deputado estadual e se tornou o segundo mais votado. A campanha de Flávio considera que não dá para vincular o candidato a presidente aos malfeitos de um deputado estadual eleito ou derrotado.
Vá onde der/ A estratégia de campanha dos partidos tem sido atuar onde há mais chances de ampliar a votação. O PT, por exemplo, não pretende investir pesado no interior de São Paulo, onde Flávio tem uma grande vantagem sobre Lula (foto).
É por ai/ Independentemente de quem vencer a eleição, não será possível tampar o caso Master com a peneira. E nem os ministros envolvidos em escândalos.
*Coluna Brasília-DF publicada neste domingo (20/9) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito

Depois de o governo corrigir o valor do Bolsa Família ao montar uma espécie de armadilha para o PL de Flávio Bolsonaro, tal como Jair bolsonaro fez em 2022, o PT põe outro tema indigesto na roda: o socorro ao BRB. A nota do partido afirma que não há negociação entre a União e o GDF. De quebra, afirma em relação que “o governo federal não vai assinar cheque em branco para quem ainda não mostrou as contas”. Para aliados da governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, trata-se de mais uma armadilha para o grupo de Flávio. Afinal, enquanto aliado de Celina, caberia ao presideciável do PL ajudar o BRB. Até agora, ele não se manifestou abertamente sobre o episódio e sequer tem participado de debates. É mais uma crise, que assim como a do Supremo Tribunal Federal, ficará para depois das eleições.
O fim da crise tem um jeito
Se tem algo com que todos concordam no STF é que a crise na Suprema Corte só termina quando houver uma investigação geral sobre tudo o que foi divulgado, até agora, levantando suspeitas sobre os ministros. Logo, avisam alguns, não vai adiantar pegar apenas Alexandre de Moraes para servir de bode expiatório protegendo os demais. Durma-se com um barulho desses.
A campanha da reta final
Com a polarização dando as cartas nesta eleição, tanto a campanha de Flávio quanto a de Lula vão jogar pelo voto útil, a fim de liquidar a fatura no primeiro turno. Só não deixarão tão explícito assim porque se fizer campanha para decidir a eleição logo na primeira votação, e não der tal resultado, quem insistir muito nisso sai com ares de derrotado.
Senado, a próxima arena
Depois do STF, é o Senado da República que terá embates supremos no plenário por causa dos desdobramentos do caso Master. É que, a cada dia, cresce o número de senadores que estiveram com Daniel Vorcaro, à esquerda e à direita. Independentemente de quem vencer a eleição, a crise tende a continuar forte em 2027.
Código de conduta geral
O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), apresentou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que dispõe de um código de conduta para os servidores públicos brasileiros — “todos os agentes públicos, inclusive os membros de Poder e titulares de órgãos constitucionalmente autônomos”. A proposta pretende evitar conflitos de interesses.
Projeto apartidário
Assinada por diversos senadores, do PT ao PL, a justificativa da PEC se baseia nos casos expostos de corrupção de servidores públicos, como no escândalo do INSS e no caso Master. “A sociedade brasileira, nos últimos meses, tem assistido, estupefata, a uma sequência sem fim de casos de mau comportamento de agentes públicos de todos os Poderes e de todos os entes federados. O escândalo do Banco Master trouxe à tona uma rede de relações espúrias entre agentes do Estado e empresários desonestos”, argumenta Braga.
Sai daí rapidinho/ Candidatos do União Brasil e do Progressistas, em São Paulo, estão atônitos com a prisão do ex-vereador Milton Leite, que preside o diretório estadual da federação União Progressista, que une as duas legendas. A ordem é soltar a mão dele e seguir, se possível, sem comentar mais este escândalo. Leite foi preso numa operação que investiga a relação com empresas de ônibus e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na capital paulista. Há o receio de que isso possa atrapalhar a campanha dos candidatos da federação.
Aliás…/ Em São Paulo, começou a caça de imagens de Milton Leite pedindo votos para Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro e quem mais tiver para jogar na internet.
A força do vice/ Nesta reta final de campanha, o vice-presidente Geraldo Alckmin (foto) se dedicará especialmente ao interior de São Paulo, estado que governou por 14 anos. É o nome mais forte para tentar arrefecer a dificuldade do PT na região.
Enquanto isso, na campanha do PL… / O deputado Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, tem exercido esse papel para a campanha no Nordeste. Ou seja, tentar quebrar a resistência ao candidato na região. A avaliação dos bolsonaristas é de que nem tudo está perdido por lá.
*Coluna Brasília-DF publicada neste sábado (19/9) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito

A tendência é de o Supremo Tribunal Federal (STF) evitar sessões públicas e presenciais, pelo menos até as eleições. A ordem no momento é sair do foco. Aliás, desde o início de setembro, essa sexta-feira foi o primeiro dia em que, segundo os próprios ministros, o STF ficou em segundo plano no noticiário, com destaque à economia, aos candidatos e às campanhas. Segundo alguns ministros, antes de qualquer sessão presencial, será preciso chegar a um acordo de cavalheiros e esperar decantar as denúncias que se abatem sobre integrantes da Corte. A avaliação geral é de que não dá para abrir uma investigação apenas sobre o ministro Alexandre de Moraes, deixando de fora todos que tiveram alguma relação com Daniel Vorcaro, parentes trabalhando para o banqueiro ou empresas ligadas ao ex-controlador do Banco Master.
O foco no social
O reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo funcionou tal e qual a campanha do presidente Lula esperava. As pessoas passaram a falar dos programas sociais do Executivo; um aliado de Flávio Bolsonaro, no caso, o deputado Zé Trovão (PL-SC), entrou contra a correção do valor do benefício; e, de quebra, o próprio Flávio disse que era ilegal, sem mencionar que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, havia feito algo semelhante quando era candidato à reeleição.
Funcionou no passado
Por várias vezes, o PT recorreu a esse discurso de que seus adversários representam um risco aos programas sociais. Em 2006, quando Lula concorreu contra o então candidato Geraldo Alckmin (PSDB), que hoje é seu vice-presidente, os petistas acusavam os tucanos de priorizarem as privatizações e não os programas sociais. Agora, virá o discurso de que Flávio Bolsonaro só trabalhará para a Faria Lima, deixando a população mais pobre à míngua.
Bolsonaristas e o Bolsa Família
O candidato Flávio Bolsonaro tentou rebater esse discurso desautorizando Trovão. No PL, a “desautorização” do senador não causou mal-estar, pelo menos, na cúpula do partido, uma vez que era a única saída do presidenciável para não dar munição aos petistas.
Lupa neles
O Ranking dos Políticos avaliou os planos de governo dos seis candidatos que pontuam nas pesquisas para a Presidência da República. O objetivo foi estudar as propostas econômicas e classificar as melhores. Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) tiveram os planos mais próximos do equilíbrio fiscal, e Flávio Bolsonaro (PL) apareceu na última posição, por falta de detalhes sobre valores, prazos e metas.
O diabo mora nos detalhes
Um dos dados que mais chama a atenção foi o grande número de propostas que não puderam ser mensuradas por falta de valores, prazos ou bases de cálculo suficientes. Das 1.297 medidas estudadas, 63,1% foram classificadas na categoria “não se aplica”, por esse motivo. Apenas 32% das propostas puderam ser mensuradas adequadamente.
Ganha-ganha de Trovão/ O deputado Zé Trovão (foto) teve um saldo positivo, mesmo que o ministro André Mendonça, do STF, tenha arquivado seu pedido. Além de ter tido visibilidade nacional, em Santa Catarina, apenas 3,9% da população é beneficiária do programa, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E para sua campanha, o impacto eleitoral seria mínimo.
Por falar em SC…/ Hoje o estado recebe comícios dos dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto ao Planalto: Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O petista participa de um ato em Florianópolis. Já o “01” de Jair Bolsonaro realizará dois comícios: o primeiro, pela manhã, em Joinville, e o segundo, à tarde, em Chapecó.
A aposta deles/ Bolsonaristas espalham aos quatro ventos que vão eleger os candidatos ao Senado no Rio de Janeiro e em São Paulo — Carlos Jordy (PL), Carlos Portinho (PL), Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). No estado fluminense, a candidata Benedita da Silva (PT) aparece à frente nas pesquisas, e em São Paulo, as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) estão entre os três primeiros colocados.
A memória deles/ A justificativa é de que o eleitor só define mesmo seu candidato na última semana. Um dos exemplos mais usados pelos bolsonaristas para manter o otimismo é a eleição do senador Rogério Marinho (PL-RN) em 2022. Na véspera da eleição, uma pesquisa mostrou que ele estava 11 pontos atrás do mais bem colocado, e acabou sendo eleito com nove pontos à frente.

*Coluna Brasília-DF publicada neste domingo (23/8) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito
Rouco de tanto repetir que, se seu filho for culpado, deve ser investigado e punido como qualquer outro brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem um problema para tentar resolver — e rápido. A imagem de que o governo tem o que os oposicionistas chamam de “sanha arrecadatória”. Em seminários e palestras, representantes de diversos setores têm reclamado de alguns pontos nesse sentido. O setor do petróleo é um deles. Participantes do 25º Fórum Empreesarial Lide, no Rio de Janeiro, e instituições ligadas à extração, citam, por exemplo, os 12% cobrados nas exportações de petróleo. Esse percentual foi fixado por medida provisória. Depois, quando a MP perdeu a validade, o governo manteve a cobrança por uma resolução da Camex. “Outros países também produzem petróleo. Com esse imposto, a perspectiva de atração de empresas será menor, uma vez que a capacidade de refino também é reduzida”, adverte o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Roberto Ardenghy.
No aguardo/ O setor petrolífero espera que a Justiça Federal se pronuncie a respeito da ação que tramita na 17ª Vara Federal, a fim de barrar os 12%. A expectativa é de que esse imposto pode, inclusive, reduzir o interesse das empresas pelos campos a serem licitados, sobretudo na Margem Equatorial. Afinal, avisam os empresários, o fato de uma medida provisória caducar e o governo manter o imposto por resolução da Camex, é sinal de insegurança jurídica.
A outra polarização
Não é apenas na campanha presidencial que PT e PL têm disputas acirradas. Para a Câmara dos Deputados, a briga será tão ferrenha quanto. É que as duas legendas projetam a eleição de 100 deputados, sendo que o PT conta, ainda, com a federação — que inclui PCdoB e PV. E, se contar PSol e Rede, deve passar dessa centena.
Últimos ajustes
O governo passa esses dias terminando a elaboração do Orçamento de 2027 para enviar ao Congresso. A avaliação é de que a equipe econômica terá que fazer malabarismos, a fim de evitar dar discurso à oposição sobre os problemas fiscais para o ano que vem. Há o desafio de apresentar uma conta crível e factível, uma vez que haverá aumento de gastos obrigatórios — especialmente, na Previdência. Tem gente trabalhando madrugada adentro.
Gaspar, Flávio e o Nordeste
Do lado da campanha presidencial do PL, o vice-presidente da chapa, deputado Alfredo Gaspar (AL), foi escalado para a maior parte das agendas no Nordeste. Ontem, por exemplo, representou a campanha presidencial no lançamento da postulação à reeleição do líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto (PL-PB), em João Pessoa. Interlocutores do partido dizem que Flávio vai analisar suas viagens à região com muita cautela para não se expor. Porém, o problema é outro. É que, com o favoritismo de Lula por lá, muitos querem distância de Flávio.
Bets e campanha
Até aqui, os oposicionistas não fecharam propostas sobre esse tema. A estratégia de Flávio Bolsonaro, por exemplo, é culpar Lula pela demora da regulamentação das casas de aposta on-line, principalmente com os dados de apostas dos beneficiários do Bolsa Família. No entanto, não tem um projeto pronto para o setor.
Campanha dupla/ Candidata a deputada federal pelo Podemos, a ex-primeira-dama do Distrito Federal Mayara Noronha fechou uma dobradinha eleitoral com o empresário Neto Rodrigues, que disputa uma vaga de deputado distrital pelo partido. Mayara vem com a experiência acumulada na área social, enquanto Neto chega com um discurso voltado ao setor produtivo.
Data Uber/ Enquanto os taxistas do Rio de Janeiro se mostram divididos em relação à eleição de outubro, os motoristas de aplicativo da cidade são incisivos ao dizer que não pretendem votar em ninguém. O desencanto com os políticos é geral entre os cariocas, onde Lula e Flávio Bolsonaro fizeram atos de campanha neste fim de semana.
Um espaço grande para dois/ O hotel onde Lula e sua comitiva se hospedaram, no Rio de Janeiro, foi o mesmo onde o ex-governador de São Paulo, João Doria, comandou o 25º Forum Empresarial Lide, na sexta-feira. Lula chegou ao hotel no fim da noite. Estavam, inclusive, no mesmo andar. Lula numa ala mais reservada, cheia de seguranças à porta. E Doria do outro lado. O ex-governador só saiu, no início da tarde, quando o presidente já havia deixado o hotel para o ato de campanha em Bangu, ao lado do ex-prefeito Eduardo Paes.
Justiça eleitoral e IA/ Em vídeo produzido por inteligência artificial, o candidato ao governo do Maranhão e ex-senador Roberto Rocha (PRTB) cria um cenário em que três homens jogam trinca e suas expressões não são boas. Nas cartas, há rostos de oponentes regionais, como o do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino; dos candidatos ao governo Eduardo Bride (PSD) e Orleans Brandão (MDB), de Lula e do ex-ministro dos Esportes e candidato ao Senado André Fufuca (PP). Então, Rocha entra na sala, vira a mesa do jogo e surge a frase: “Quando as cartas estavam marcadas, uma nova jogada virou a mesa”. Vai dar muita polêmica. No mínimo.
*Coluna Brasília-DF publicada neste sábado (22/8) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito

Os percalços eleitorais do presidente Lula vão muito além do caso em que o seu filho, Lulinha, é investigado por tráfico de influência. Se essa nuvem escura se mantiver desgastando a campanha mais à frente, a ponto de refletir na decisão do eleitor em um possível segundo turno, será um problema a mais para levar o cidadão brasileiro a ir votar na segunda rodada. As contas dos especialistas em pesquisas apontam que nos estados mais populosos do Nordeste, região em que Lula tem vantagem, a eleição pode ser decidida em primeiro turno. Estão nessa lista Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco e Piauí, ou seja, algo em torno de 75% dos nordestinos, conforme exposição do CEO da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, no 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro.
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Pau que bate em Chico, bate em Francisco/ Enquanto o CEO da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, acredita que Flávio Bolsonaro terá a vantagem nessa situação, o CEO da Atlas, André Roman, alerta que, se a abstenção for alta no primeiro turno, isso pode favorecer Lula, por causa do desinteresse dos eleitores mais à direita: “No segundo turno, o Flávio leva vantagem, mas sempre existe a possibilidade de a eleição acabar no primeiro turno por causa da abstenção maior entre eleitores da direita. Também precisamos lembrar que Lula está no patamar de 48% de votos válidos em muitas pesquisas. Então, dependendo da taxa de participação que você assume entre eleitores da direita de forma geral, ele poderia ter uma chance a partir da abstenção no primeiro turno”, argumentou Roman.
Coincidência…
Logo depois de a financista Daniella Marques, coordenadora do projeto de economia de Flávio Bolsonaro, referir-se à proposta de fim da escala 6×1 como “populista e inócua”, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), escolheram os relatores das propostas de emendas à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 e da segurança pública.
… em política
As falas de Daniella Marques deixaram muita gente no Senado com o receio de que o projeto seja retirado se Flávio Bolsonaro for eleito presidente da República. Por isso, a ordem é correr. Omar Aziz vai conversar com os senadores na próxima semana. A ideia é apresentar seu parecer na semana de esforço concentrado a partir de 31 de agosto. Aziz é favorável ao fim da escala 6×1 e à transição de 60 dias após a promulgação aprovada pela Câmara dos Deputados. Falta combinar a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário.
E as bets, hein?
No 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, o presidente do conselho do grupo Petz/Cobasi, Sérgio Zimerman, foi intensamente aplaudido ao pregar a proibição de 100% de propaganda para as bets, tal e qual o cigarro. E foi além. O consumo paga um imposto de 35% enquanto as bets recolhem 15% de impostos. Logo, o governo deixa de arrecadar mais com o dinheiro que deixa de ir para o consumo e vai para as apostas on-line.
Misoginia, não!
Coordenadora do programa de governo de Flávio Bolsonaro, a financista Daniella Marques foi direta ao mencionar o projeto de lei da misoginia que tramita no Congresso. “Não acredito nesse tipo de lei. Não é com discurso hipócrita e leis inócuas que a gente fica protegida. Já existem leis para ofensas e agressões, e a gente precisa é que sejam efetivas.”
Ganha-ganha/ Os relatores do fim da escala 6×1, Omar Aziz, e da PEC da Segurança, Rogério Carvalho (PT-SE), têm agora a chance de ganhar projeção com temas que calam fundo na vida do cidadão comum. Aziz é candidato a governador, e Carvalho, à reeleição.
Vale para todos/ No 25º Fórum Empresarial Lide, ontem, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu os sigilos das investigações e dos processos de casos em andamento. A defesa da proteção das informações vem após uma série de vazamentos sobre o caso do filho do presidente Lula, o Lulinha, investigado por suspeita de tráfico de influência. Vale também para o caso do financiamento do filme Dark Horse, dinheiro pedido por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro. Na plateia, alguns atentos empresários afirmavam que à luz do sol, porém, é um bom meio de se conhecer pessoas e situações.
Chave de ouro/ Ao fim do evento no Rio de Janeiro, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) recebeu uma homenagem do fundador do Lide, João Doria, e do chairman, João Doria Neto. O parlamentar foi incisivo ao reforçar seu projeto de fim da reeleição; na visão dele, uma proposta pendente para terminar a reforma política. Pacheco não estará no Senado no ano que vem, mas considera importante colocar esse tema na roda em 2027.
A volta aos poucos/ Anfitrião de quase todos os seminários de think-tanks no Rio de Janeiro em 2024 e 2025, quando era governador do estado, Claudio Castro fez questão de comparecer ao encerramento do 25º Fórum Empresarial Lide. Na plateia, acompanhou atentamente a homenagem ao senador Rodrigo Pacheco. Castro, entretanto, faz questão de se manter à margem das discussões políticas. Amigos comentam que ele tem se dedicado à advocacia e à consultoria.
*Coluna Brasília-DF publicada neste domingo (19/7) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito
Das 38 sessões deliberativas (de votações), realizadas de fevereiro a julho no plenário do Senado, apenas 14 delas foram presenciais, exigindo-se a presença física dos senadores. Ou seja, em mais da metade dessas reuniões imperou o recurso do Infoleg — o sistema de votação on-line que funcionou na época da pandemia. Em julho, em todas as sessões, as votações puderam ser feitas pelo Infoleg. Em março, das nove deliberativas realizadas, apenas duas foram presenciais. O único mês em que todas as sessões de votação foram presenciais foi abril. Não por acaso, muitos políticos pensam em limitar esse expediente de votação pelo Infoleg, em que os debates se tornam escassos, e o parlamentar termina dedicado a outras tarefas, que não a apreciação de leis que mexem diretamente com a vida dos brasileiros.
Tem que ter limite
Entre os senadores, Izalci Lucas (PL-DF) é um dos que têm reclamado desse expediente. “Não dá para querer votar emenda constitucional sem um debate sério em plenário com a presença de todos”, afirma. Na Câmara, conforme o leitor da coluna já sabe, o deputado Júlio Lopes (PP-RJ) tem uma proposta para tentar acabar com o abuso das sessões virtuais, de forma a ampliar o debate parlamentar na Casa. Tanto o Senado quanto a Câmara terão duas semanas de esforço concentrado antes da eleição de outubro: de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro. A expectativa de muitos parlamentares é a de que propostas importantes, como o caso da escala 6 x 1, sejam apreciadas nesse período de oito dias e de forma presencial.
O foco de Valdemar
Ao deixar para os Bolsonaro a escolha do nome para compor na chapa presidencial de Flávio na vaga à Vice-Presidência, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fica com mais tempo para cuidar daquilo que mais interessa aos partidos a preços de hoje: eleger deputados federais. Esta é a eleição que define o valor do fundo partidário e a propaganda na tevê.
Emendas se sobrepõem a votações
A justificativa dada por muitos senadores para o uso do Infoleg na maioria das sessões deliberativas foi o comparecimento a eventos pré-eleitorais e de entrega de obras. As pré-campanhas começaram antes do carnaval e se intensificaram nos últimos meses. As presenças na Casa diminuíram ainda mais após 60% das emendas impositivas terem sido pagas até junho, conforme estava previsto no Orçamento deste ano.
Fogo amigo
No Congresso, aliados da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro consideram que o aumento dos ataques a ela nas redes sociais tem o mesmo padrão dos tempos em que os bolsonaristas atacavam o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia, nos idos do governo Bolsonaro, em 2019/2020. Ou seja, tudo gente de casa.
Rio sem os Bolsonaro
Com os filhos de Jair Bolsonaro fora do Rio de Janeiro, o estado virou um dos pontos de referência para que Lula tente ampliar a sua votação. O presidente tem concentrado suas agendas por lá, e Jair Bolsonaro não tem quem defenda o nome da família onde ele fazia política. Carlos Bolsonaro renunciou ao mandato de vereador no Rio e se mudou para Santa Catarina, onde concorre a uma vaga ao Senado. E, nesse sentido, carioca não perdoa. Já se ouve na praia que Carlos largou o Rio.
CURTIDAS
A esperança de Izalci/ O senador Izalci Lucas tem dito a amigos que só Flávio Bolsonaro poderia hoje salvar uma candidatura dele a uma vaga majoritária, governo ou Senado. Só tem um probleminha: o partido já vestiu a camisa da governadora Celina Leão (PP), em pré-campanha para a reeleição no GDF, haja vista a presença de Bia Kicis (PL-DF), pré-candidata ao Senado e presidente do PL do Distrito Federal, na festa de lançamento da candidatura em Ceilândia.
E tem mais/ O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi muito claro, na entrevista ao CB Poder que, no DF, o partido vai de Bia Kicis, e Michelle Bolsonaro ao Senado. O partido nem cogita hoje outros nomes. Vai apostar em Michelle até o último minuto.
Estudar é preciso/ O Centro Cultural Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, será palco esta semana, de segunda a quarta-feira, da Conferência Internacional de Teoria Econômica Pública (PET). A programação contará com a participação dos Prêmios Nobel de Economia Lars Peter Hansen e James Heckman, ambos da Universidade de Chicago. O evento é um dos mais importantes fóruns de debates sobre as aplicações das teorias econômicas na formação de políticas públicas. Serão quatro dias de sessões científicas, trocas de experiências e ideias, de forma a aproximar a produção acadêmica de ponta dos desafios econômicos e sociais do planeta.
Coluna Brasília-DF publicada neste sábado (18/7) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito
… Mesmo problema. Tal e qual o PL, o PT começa a ser criticado por querer monopolizar indicações para o Senado e governos locais, especialmente, no Distrito Federal. Muitos partidos de esquerda têm reclamado que os petistas defendem “frente ampla”, mas querem ter candidato ao governo e ao Senado — no caso do DF, Leandro Grass e Érika Kokay. O PSB, por exemplo, que o PT ainda sonha em atrair oferecendo uma vaga ao Senado ao pré-candidato a governador Ricardo Cappelli, já avisou que não tem recuo na candidatura ao GDF. Do alto de quem conhece de perto a área de segurança, na qual foi interventor logo após a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, Cappelli está terminando a elaboração do programa de governo, e o partido não abre mão da candidatura.
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Enquanto isso, no PL…/ Os filiados do período anterior à chegada de Jair Bolsonaro ao partido têm encontrado dificuldades em emplacar nomes mais distantes do bolsonarismo, seja para o Senado, seja para deputado federal. Mesmo em prisão domiciliar, logo, proibido de fazer campanha para seus candidatos, o ex-presidente mantém a força das indicações.
Hugo Motta no jogo
A resposta do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao tarifaço foi no sentido de se realinhar à esquerda. Num tom acima do que foi defendido pelo Palácio do Planalto, ele pregou a utilização da lei da reciprocidade. Até aqui, o governo vai apenas estudar o uso dessa legislação.
Onde mora o perigo
Quem acompanha de perto a questão do tarifaço considera que essas taxas impostas pelo governo dos Estados Unidos representam uma “verdadeira armadilha” para o presidente Lula. “De um lado, oferece ao presidente a oportunidade de bradar o discurso da soberania e de direcionar o debate para um adversário externo. De outro, se os efeitos econômicos da medida, especialmente sobre a inflação, chegarem ao bolso da população, o desgaste recairá sobre o próprio governo”, alerta o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Murilo Medeiros.
Por falar em tarifaço…
A ordem no governo brasileiro é continuar negociando o que for possível e buscando alternativas não só de mercados, mas organizar também respostas.
Feche a torneira
O presidente da Frente Parlamentar Contra a Pirataria (FPI), deputado Júlio Lopes (PP-RJ), trabalha para fortalecer a fiscalização de compras internacionais que chegam ao Brasil. Em ofício enviado à Receita Federal, o parlamentar sugere que o modelo de compra internacional, a Remessa Conforme, seja integrado à plataforma gov.br. O objetivo é cruzar as informações do cadastro do comprador e identificar possíveis fraudes no ato da aquisição. É uma estratégia para combater a pirataria via comprinhas em lojas estrangeiras.
CURTIDAS
Que comecem as eleições/ Com o fim da Copa do Mundo, os políticos elevaram a presença nas redes sociais. Os petistas, por exemplo, intensificaram o trabalho de falar mal do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Se ‘Flávio Rachadinha’ ganhasse as eleições, quem mandaria no Brasil seria Donald Trump. Está muito claro, Flávio só defende os interesses norte-americanos”, disse nas redes o ex-deputado Geraldo Magela (PT-DF).
Jogada de risco/ Políticos que acompanham a distância os movimentos do PT veem um problema logo ali na frente: se o eleitorado largar Flávio Bolsonaro e abraçar Ronaldo Caiado ou Romeu Zema, que têm experiência administrativa, acreditam que Lula terá mais dificuldades de vencer.
O cálculo do centro/ Se Jair Bolsonaro perdeu estando no cargo, com a máquina federal em mãos, o desafio de Flávio será muito maior.
Muito além dos soluços/ As últimas notícias a respeito de Jair Bolsonaro indicam que a crise de soluços não é o único problema do ex-presidente por esses dias. O pior de todos é a depressão.







