Autor: Aline Gouveia
*Coluna Brasília-DF publicada neste domingo (19/7) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito
Das 38 sessões deliberativas (de votações), realizadas de fevereiro a julho no plenário do Senado, apenas 14 delas foram presenciais, exigindo-se a presença física dos senadores. Ou seja, em mais da metade dessas reuniões imperou o recurso do Infoleg — o sistema de votação on-line que funcionou na época da pandemia. Em julho, em todas as sessões, as votações puderam ser feitas pelo Infoleg. Em março, das nove deliberativas realizadas, apenas duas foram presenciais. O único mês em que todas as sessões de votação foram presenciais foi abril. Não por acaso, muitos políticos pensam em limitar esse expediente de votação pelo Infoleg, em que os debates se tornam escassos, e o parlamentar termina dedicado a outras tarefas, que não a apreciação de leis que mexem diretamente com a vida dos brasileiros.
Tem que ter limite
Entre os senadores, Izalci Lucas (PL-DF) é um dos que têm reclamado desse expediente. “Não dá para querer votar emenda constitucional sem um debate sério em plenário com a presença de todos”, afirma. Na Câmara, conforme o leitor da coluna já sabe, o deputado Júlio Lopes (PP-RJ) tem uma proposta para tentar acabar com o abuso das sessões virtuais, de forma a ampliar o debate parlamentar na Casa. Tanto o Senado quanto a Câmara terão duas semanas de esforço concentrado antes da eleição de outubro: de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro. A expectativa de muitos parlamentares é a de que propostas importantes, como o caso da escala 6 x 1, sejam apreciadas nesse período de oito dias e de forma presencial.
O foco de Valdemar
Ao deixar para os Bolsonaro a escolha do nome para compor na chapa presidencial de Flávio na vaga à Vice-Presidência, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, fica com mais tempo para cuidar daquilo que mais interessa aos partidos a preços de hoje: eleger deputados federais. Esta é a eleição que define o valor do fundo partidário e a propaganda na tevê.
Emendas se sobrepõem a votações
A justificativa dada por muitos senadores para o uso do Infoleg na maioria das sessões deliberativas foi o comparecimento a eventos pré-eleitorais e de entrega de obras. As pré-campanhas começaram antes do carnaval e se intensificaram nos últimos meses. As presenças na Casa diminuíram ainda mais após 60% das emendas impositivas terem sido pagas até junho, conforme estava previsto no Orçamento deste ano.
Fogo amigo
No Congresso, aliados da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro consideram que o aumento dos ataques a ela nas redes sociais tem o mesmo padrão dos tempos em que os bolsonaristas atacavam o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia, nos idos do governo Bolsonaro, em 2019/2020. Ou seja, tudo gente de casa.
Rio sem os Bolsonaro
Com os filhos de Jair Bolsonaro fora do Rio de Janeiro, o estado virou um dos pontos de referência para que Lula tente ampliar a sua votação. O presidente tem concentrado suas agendas por lá, e Jair Bolsonaro não tem quem defenda o nome da família onde ele fazia política. Carlos Bolsonaro renunciou ao mandato de vereador no Rio e se mudou para Santa Catarina, onde concorre a uma vaga ao Senado. E, nesse sentido, carioca não perdoa. Já se ouve na praia que Carlos largou o Rio.
CURTIDAS
A esperança de Izalci/ O senador Izalci Lucas tem dito a amigos que só Flávio Bolsonaro poderia hoje salvar uma candidatura dele a uma vaga majoritária, governo ou Senado. Só tem um probleminha: o partido já vestiu a camisa da governadora Celina Leão (PP), em pré-campanha para a reeleição no GDF, haja vista a presença de Bia Kicis (PL-DF), pré-candidata ao Senado e presidente do PL do Distrito Federal, na festa de lançamento da candidatura em Ceilândia.
E tem mais/ O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi muito claro, na entrevista ao CB Poder que, no DF, o partido vai de Bia Kicis, e Michelle Bolsonaro ao Senado. O partido nem cogita hoje outros nomes. Vai apostar em Michelle até o último minuto.
Estudar é preciso/ O Centro Cultural Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, será palco esta semana, de segunda a quarta-feira, da Conferência Internacional de Teoria Econômica Pública (PET). A programação contará com a participação dos Prêmios Nobel de Economia Lars Peter Hansen e James Heckman, ambos da Universidade de Chicago. O evento é um dos mais importantes fóruns de debates sobre as aplicações das teorias econômicas na formação de políticas públicas. Serão quatro dias de sessões científicas, trocas de experiências e ideias, de forma a aproximar a produção acadêmica de ponta dos desafios econômicos e sociais do planeta.
Coluna Brasília-DF publicada neste sábado (18/7) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito
… Mesmo problema. Tal e qual o PL, o PT começa a ser criticado por querer monopolizar indicações para o Senado e governos locais, especialmente, no Distrito Federal. Muitos partidos de esquerda têm reclamado que os petistas defendem “frente ampla”, mas querem ter candidato ao governo e ao Senado — no caso do DF, Leandro Grass e Érika Kokay. O PSB, por exemplo, que o PT ainda sonha em atrair oferecendo uma vaga ao Senado ao pré-candidato a governador Ricardo Cappelli, já avisou que não tem recuo na candidatura ao GDF. Do alto de quem conhece de perto a área de segurança, na qual foi interventor logo após a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, Cappelli está terminando a elaboração do programa de governo, e o partido não abre mão da candidatura.
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Enquanto isso, no PL…/ Os filiados do período anterior à chegada de Jair Bolsonaro ao partido têm encontrado dificuldades em emplacar nomes mais distantes do bolsonarismo, seja para o Senado, seja para deputado federal. Mesmo em prisão domiciliar, logo, proibido de fazer campanha para seus candidatos, o ex-presidente mantém a força das indicações.
Hugo Motta no jogo
A resposta do presidente da Câmara, Hugo Motta, ao tarifaço foi no sentido de se realinhar à esquerda. Num tom acima do que foi defendido pelo Palácio do Planalto, ele pregou a utilização da lei da reciprocidade. Até aqui, o governo vai apenas estudar o uso dessa legislação.
Onde mora o perigo
Quem acompanha de perto a questão do tarifaço considera que essas taxas impostas pelo governo dos Estados Unidos representam uma “verdadeira armadilha” para o presidente Lula. “De um lado, oferece ao presidente a oportunidade de bradar o discurso da soberania e de direcionar o debate para um adversário externo. De outro, se os efeitos econômicos da medida, especialmente sobre a inflação, chegarem ao bolso da população, o desgaste recairá sobre o próprio governo”, alerta o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Murilo Medeiros.
Por falar em tarifaço…
A ordem no governo brasileiro é continuar negociando o que for possível e buscando alternativas não só de mercados, mas organizar também respostas.
Feche a torneira
O presidente da Frente Parlamentar Contra a Pirataria (FPI), deputado Júlio Lopes (PP-RJ), trabalha para fortalecer a fiscalização de compras internacionais que chegam ao Brasil. Em ofício enviado à Receita Federal, o parlamentar sugere que o modelo de compra internacional, a Remessa Conforme, seja integrado à plataforma gov.br. O objetivo é cruzar as informações do cadastro do comprador e identificar possíveis fraudes no ato da aquisição. É uma estratégia para combater a pirataria via comprinhas em lojas estrangeiras.
CURTIDAS
Que comecem as eleições/ Com o fim da Copa do Mundo, os políticos elevaram a presença nas redes sociais. Os petistas, por exemplo, intensificaram o trabalho de falar mal do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Se ‘Flávio Rachadinha’ ganhasse as eleições, quem mandaria no Brasil seria Donald Trump. Está muito claro, Flávio só defende os interesses norte-americanos”, disse nas redes o ex-deputado Geraldo Magela (PT-DF).
Jogada de risco/ Políticos que acompanham a distância os movimentos do PT veem um problema logo ali na frente: se o eleitorado largar Flávio Bolsonaro e abraçar Ronaldo Caiado ou Romeu Zema, que têm experiência administrativa, acreditam que Lula terá mais dificuldades de vencer.
O cálculo do centro/ Se Jair Bolsonaro perdeu estando no cargo, com a máquina federal em mãos, o desafio de Flávio será muito maior.
Muito além dos soluços/ As últimas notícias a respeito de Jair Bolsonaro indicam que a crise de soluços não é o único problema do ex-presidente por esses dias. O pior de todos é a depressão.
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 13 de junhode 2026, por Denise Rothenburg, com Eduarda Esposito

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, abre a temporada de festas juninas como um submersível pressionado por governo, oposição e, agora, com o perigo de ter a Justiça no seu encalço. As cobranças incluem votação de projetos importantes para o governo, abertura da CPMI do Master, impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal e, agora, a instalação do Conselho de Ética para que ele possa ser processado pela suspeita do recebimento de US$ 30 milhões no exterior (R$ 155 milhões) do Banco Master. A denúncia está na revista Veja desta semana, e o senador negou.
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Com tanta gente pressionando, Alcolumbre entra no “modo defesa”, sem muito espaço para manobras. O jeito, avisam alguns, é atender a algum dos lados, a fim de aliviar um pouco a pressão. Só tem um probleminha: nenhum dos lados dá hoje ao presidente do Senado a segurança de que ele precisa para levar adiante seus projetos de reeleição para o comando da Casa. Enquanto Alcolumbre não sentir firmeza, continuará driblando todas as alas que hoje o pressionam a tomar atitudes.
Ultimato à governadora Celina Leão
O PL do Distrito Federal tem hoje uma reunião com Celina Leão, a fim de esclarecer os pontos do acordo que o partido quer para oficializar apoio à reeleição da governadora: ou ela coloca as duas candidatas, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ao Senado no seu palanque ou o PL terá que buscar um candidato ao GDF para abrigá-las.
Aliás…
Quem torce para que esse acordo entre PL e PP naufrague no Lago Paranoá é o senador Izalci Lucas (PL-DF), que sonha com uma candidatura ao governo local.
Todo cuidado é pouco I
Advogados pediram à Polícia Federal que investigue o email danielvorcaro@protonmail.com. O Proton Mail se apresenta como o serviço de mensagens mais seguro do mundo, com foco extremo em privacidade e servidores na Suíça, fora da jurisdição de vigilância internacional. Esse endereço tem enviado mensagens com ameaças a autoridades, advogados, empresários e jornalistas. Pode ser fake, mas os citados querem averiguar.
Todo cuidado é pouco II
A mensagem enviada recentemente diz “em breve terão novidades e um desconforto inimaginável. Vocês não perdem por esperar. Vamos começar pelos seus sócios e advogados dos vários de vocês e os que estão por vir. Tic-tac…”.
CURTIDAS

Fecha a torneira/ Com a chegada da Copa do Mundo, muitas lojas têm vendido camisas da Seleção falsificadas. O deputado Júlio Lopes (PP-RJ), presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria (FPI), afirma que são mais de 300 estabelecimentos, somente em São Paulo. “Essas lojas estão fechadas com dezenas de milhares de camisas tomadas do tráfico, do contrabando e da facção”, disse.
Hora do debate/ O 7º Brasília Summit Lide Correio Braziliense reúne autoridades nessa quarta-feira, a partir das 8h30, no Hotel Brasília Palace, para debater como a inteligência artificial pode tornar os setores público e privado mais produtivos. Entre os palestrantes, o relator do Marco Legal da IA, senador Eduardo Gomes (foto, PL-TO).
Olho no olho/ A Confederação Nacional da Indústria (CNI) faz sua tradicional reunião com os presidenciáveis para ouvir deles, de viva-voz, o que planejam para a indústria em suas propostas de governo. O evento A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis reunirá Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) em 22 de junho em Brasília.
Santo Antônio e Copa/ Hoje é dia de reza e torcida. Que a Seleção de futebol do Brasil, um país de tantas mazelas, possa trazer alguma alegria ao povo brasileiro. Valei-me, Santo Antônio!
Por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O ingresso oficial do presidente do PP, senador Ciro Nogueira, no rol de suspeitos de ter a digital no escândalo do Banco Master atrasou a definição de palanques estaduais. Ciro é considerado um líder de primeira grandeza nessas negociações do partido nos estados e, agora, terá que colocar essas montagens de palanques em segundo plano para poder cuidar da própria defesa. Para completar, os potenciais aliados do Progressistas também não querem se comprometer com a legenda de Ciro Nogueira e, depois, verem-se obrigados a ficar na defensiva durante a campanha. A ordem agora é esperar os desdobramentos da operação.
Maiores colégios/ Em São Paulo, o Republicanos do governador Tarcísio de Freitas adiou na semana passada o evento em que o PP anunciaria apoio à reeleição de Tarcísio e sequer marcou data para esse embarque. Em Minas Gerais, também está tudo praticamente parado no quesito montagem de palanques. Ninguém tem dúvidas de que, se as citações a Ciro no caso Master mexeram em muitos palanques, vai ser difícil os estados manterem suas composições de chapas.
O que vem por aí
Nas rodas de conversa de Brasília, muita gente diz que o caso da antiga Odebrecht e o seu departamento propina descoberto na Lava-Jato vai virar “juizado de pequenas causas”, quando vierem à tona os valores que o esquema do ex-controlador Daniel Vorcaro distribuía a quem lhe interessava agradar.
Por falar em Lava-Jato…
No meio jurídico, as comparações com aquele escândalo que chocou o país há 10 anos não param aí. A avaliação é a de que, se houver repetição dos métodos, corre o risco de lá na frente, cair tudo.
Festa adiada & vingança
Os bolsonaristas esperavam fechar o Mês das Mães com a soltura de muitos dos condenados pelo 8 de janeiro. Agora, terão que esperar pelo julgamento da validades da Lei da Dosimetria. Se o texto for derrubado pelo STF, aumentará a pressão no Senado pelo impeachment de ministros do Supremo. E, do jeito que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, está aliado dessa turma, já tem gente apostando que o dia de fazer esses pedidos caminharem não está longe.
Janela de oportunidade
Parlamentares defensores do biodiesel pressionam o governo para que anuncie o aumento da mistura de biodiesel no diesel fóssil, nesta segunda-feira, durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio), deputado Alceu Moreira (MDB-RS), considera esse encontro o momento perfeito para que o Brasil se firme como liderança global na transição energética. “Em um cenário internacional marcado pela volatilidade energética, ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz de transportes significa proteger o consumidor brasileiro e fortalecer a soberania energética nacional”, defende.
CURTIDAS
Outros tempos/ Nos início dos anos 1990, os políticos mais experientes costumavam dizer que era praticamente impossível impedir alguns bandidos e corruptos fossem filiados a partidos políticos. Porém, esses conhecedores do ramo completavam: “O que podemos fazer é evitar que assumam o comando”. Isso mudou nos dias atuais.
“Esse leilão de energia de reserva de capacidade dá 10 Vorcaros”
– Deputado Danilo Forte (União-CE), que na semana passada levantou suspeitas e pediu uma investigação da PF sobre o leilão de energia realizado em março, que reforça o uso das térmicas abastecidas a combustíveis fósseis e carvão
Sozinho…/ …, mas com Deus, seu trabalho, a consciência tranquila e a população, em especial do DF. É assim que amigos do relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, ministro André Mendonça (foto), dizem que ele costuma reagir, quando alguém pergunta se ele está meio isolado no Supremo.
Dia das Mães/ Não tem palavra mais doce, nem amor, nem colo maior. Se você ainda tem a sua por perto, agradeça aos céus. Se não tem, hoje é um momento de oração e meditação para buscar a conexão. Feliz Dia das Mães!
Coluna Brasília-DF, publicada em 18 de abril de 2026,por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Como forma de manter vivas no Congresso Nacional as investigações sobre o Banco Master e seus negócios com o BRB, senadores se valem, agora, da Proposta de Fiscalização e Controle, um instrumento que é quase uma CPI, pedida pelo senador Márcio Bittar (PL-AC) na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC). A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ficou com a relatoria. A ideia é “apurar, com o auxílio do Tribunal de Contas da União, possíveis irregularidades na decretação da liquidação do Banco Master e em atos prévios e conexos determinantes para sua ocorrência”, diz a proposta. Somada à investigação em curso na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), sob a batuta do senador Renan Calheiros (MDB-AL), são duas lupas sobre o Master. Significa que, mesmo sem CPI, as apurações continuarão em alta.
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Cuide-se, CVM/ Uma das frentes da CTFC será esclarecer se é preciso fortalecer ou não a Comissão de Valores Mobiliários e descobrir onde os órgãos de controle erraram. “(Os controladores do Master) Não atuariam por tanto tempo se não houvesse uma brecha no sistema”, afirma Damares. Ela pretende focar na governança e na transparência dos procedimentos, identificar todos os erros no processo e propor soluções direcionadas à gestão e prevenção. Inclusive, com o auxílio de inteligência artificial para cruzar todos os dados e mapear a teia de relacionamento de todos os nomes citados nos arquivos.
Questão de paternidade
A acelerada que o presidente da Câmara, Hugo Motta, tenta dar na proposta de emenda constitucional que acaba com a escala de trabalho de seis dias para um de folga, a PEC 6×1, está diretamente relacionada à necessidade dos parlamentares de garantir o protagonismo. Se for aprovado o projeto de lei que Lula enviou, a estrela principal da foto será o presidente da República. Se for a PEC, serão os congressistas.
Vem aí
Integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aguardam ansiosos os documentos do Master que levaram às prisões do ex-controlador do BRB Paulo Henrique Costa e do advogado Daniel Monteiro. As operações já ocorreram, e tudo o que foi usado, e não for necessário em operações futuras, poderá ser liberado pelo STF à comissão, conforme combinado em conversa dos senadores com o ministro-relator do caso na Corte, André Mendonça. Os parlamentares aceitaram receber os arquivos do caso apenas depois da análise pelos investigadores, de forma a separar o que precisa continuar restrito à PF para novas fases da Operação Compliance e o que pode ser liberado já.
Por falar em CAE…
Causou estranheza entre senadores e autoridades o fato de o senador Renan Calheiros insistir em mencionar a negociação de carteiras do BRB com a Caixa Econômica Federal. A CEF não adquiriu títulos em poder do BRB. Afinal, sua auditoria recomendou que não o fizesse, e toda a documentação já foi enviada ao Tribunal de Contas da União.
Sem pressa
Relatora da investigação do Master na Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, Damares Alves prevê um longo período de apuração, uma vez que essas fiscalizações não têm prazo definido. “Não é um trabalho que vai acabar em seis ou sete meses. Vamos esperar as operações da Polícia Federal, já que o que for usado em operações não pode ser compartilhado conosco até que sejam executadas”, explica Damares.
Depois não reclama
A eleição do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro cumpriu as recomendações legais, mas vem por aí um processo judicial a pedido dos descontentes. Enquanto os políticos não conseguirem se sentar à mesa para ouvir quem pensa diferente e buscar consenso, o Poder Judiciário sempre será chamado a intervir pelos próprios políticos.
CURTIDAS

Politizou/ Parlamentares aproveitaram a solenidade de comemoração dos 66 anos de Brasília, na Câmara dos Deputados, para defender ideologias e criticar o escândalo do Banco Master. As excelências da ala conservadora lembraram que muitos brasilienses estão presos devido à perseguição política, enquanto os mais à esquerda ressaltaram Juscelino Kubitschek como um dos maiores defensores da democracia. Porém, todos os lados concordaram que a fraude do Master é imperdoável, e que o Banco de Brasília é da cidade, não de um governador ou de Paulo Henrique Costa.
Muito além dos Kubitschek/ Anna Christina Kubitschek (foto), neta de Juscelino Kubitschek, que preside com todo o carinho o Memorial JK, foi homenageada na sessão convocada especialmente para marcar o aniversário da cidade. Anna Christina foi incisiva ao dizer que preservar a memória vai muito além de recordar o passado. “Trata-se de manter vivos valores como espírito público, coragem e compromisso com o país”, afirmou, lembrando que a cidade não é apenas um legado de sua família, mas, sim, do Brasil todo.
Sob nova direção/ As autoridades do Poder Judiciário têm encontro marcado na próxima quinta-feira, quando os novos dirigentes do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) serão empossados na sede da Corte, em Brasília. Assumem a desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, na Presidência; o desembargador federal César Jatahy, na Vice-Presidência; e o desembargador federal Jamil Rosa de Jesus Oliveira, na Corregedoria Regional da Justiça Federal da 1ª Região.
Oscar Schmidt/ Lutou dentro e fora das quadras desde o começo da carreira, em Brasília, até o fim. Aos familiares e amigos da estrela do basquete brasilense, brasileiro e mundial. Ficam aqui as nossas condolências.
Por Denise Rothenburg
Esqueçam a redução da escala de trabalho em número de dias de serviço, conforme previsto na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da deputada Érika Hilton (Psol-SP). O consenso dos líderes caminha para a redução de 44 horas semanais para 40. E dando aos empregadores e empregados a liberdade para negociar como serão distribuídos os turnos de cada trabalhador. Do Republicanos ao PT, muita gente acredita que, nesse sentido, será possível chegar a um acordo para votação do tema ainda este ano.
Veja bem/ À coluna, o líder do Republicanos na Câmara dos Deputados, Augusto Coutinho (PE), disse que o tema “não pode ser tratado de forma eleitoreira”. Apesar de ainda não ter ouvido a opinião da bancada, Coutinho já conversou com o presidente da legenda, Marcos Pereira, que orientou atenção ao debater o tema na Casa. “O assunto precisa ter muita cautela, porque é grave. Setenta porcento dos empregos gerados são por Microempreendedor Individual (MEI). Então, é preciso discutir para não dar encargos aos MEI”, defendeu.
Pode preparar o discurso
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro prometeu comparecer esta semana à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), comandada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). Se não for, a CAE voltará suas atenções para o Banco de Brasília (BRB). A ideia é chamar o atual presidente, Nelson Souza, e o ex Paulo Henrique Costa. Ninguém engole a história de que o antigo time do BRB não sabia que estava comprando títulos podres. E quer saber ainda que história foi essa de vender parte dos ativos do banco às instituições ligadas ao Master.
Projeto de lei versus PEC
O governo quer que Lula possa sancionar uma proposta de redução da escala 6X1, seja em dias, seja em horas trabalhadas. E para isso, será preciso um projeto de lei. Se for PEC, a festa da promulgação fica a cargo dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Exclusividade zero
A maioria dos palanques em montagem nos estados não terá apenas um candidato à Presidência da República. A tendência é que cada candidato a governador de partidos de centro tenha agendas com, pelo menos, dois presidenciáveis. No Rio de Janeiro, por exemplo, Eduardo Paes (PSD) se dividirá entre o nome do próprio partido e o de Lula. Em Minas Gerais, o senador Rodrigo Pacheco, hoje no PSD, é outro que terá de dividir o palanque caso
seja candidato a governador e continue no partido.
“Negócios não têm cor, religião ou ideologia”
Diz presidente Lula, em Nova Delhi, na Índia, em pronunciamento depois do encontro com o primeiro-ministro Narendra Modi
CURTIDAS
A bela não desistiu…/ O bolsonarismo não está tão unido quanto nos idos de 2018. Nos dias de carnaval, os mais fiéis aliados do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) ficaram irritados com o fato de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), pré-candidata ao Senado no DF, ter postado um vídeo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), puxando um rosário de críticas contundentes ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir do desfile da escola de samba que homenageou o petista.
… e mandou recado/ Aos seguidores, ela foi direta: “Para quem anda se doendo demais: este perfil é privado e a escolha dos vídeos é minha. Fiquem à vontade para sair”.
Carnaval em Lisboa/ O embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro, teve uma maratona de eventos em 2025. Foram 143 audiências de instituições e pessoas; 23 recepções oficiais e de trabalho na residência brasileira; presença em 114 eventos oficiais de missões diplomáticas. Porém, uma das ações que o embaixador considera das mais importantes foi colocar o desfile de blocos carnavalescos e escolas de samba no calendário oficial de atividades culturais de Lisboa. “Era uma dificuldade grande conseguir os desfiles aqui. Desde o ano passado, com o memorando de entendimento que assinamos, ficou tudo mais fácil”, diz. O evento cresceu tanto que agora blocos e escolas terão que ampliar a estrutura para receber o público.
O ano das Missões no TCU/ O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes (foto) comanda, em 3 de março, solenidade em Brasília para marcar os 400 anos das Missões Jesuíticas no Brasil. Será praticamente a abertura das comemorações para celebrar o patrimônio cultural e histórico dos jesuítas no país.
Por Denise Rothenburg
Pressionado por bolsonaristas e petistas a não lançar um candidato do PSD à Presidência da República, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, reafirma que um dos três que se apresentaram para essa empreitada concorrerá ao Planalto e joga as falas contrárias ao projeto para escanteio.
Numa espécie de carta aos brasileiros, aproveita suas redes sociais para lançar as bases de uma campanha, com Eduardo Leite, Ratinho Júnior ou Ronaldo Caiado o escolhido.
De Stuttgart (Alemanha), onde participa de um congresso da União Democrata-Cristã (CDU) promovido pela fundação Konrad Adenauer (KAS), Kassab diz que “o Brasil estará muito bem servido, se puder contar com (e elenca os três) como seu presidente da República a partir de 2027”.
E, ainda, apresenta o rascunho de uma plataforma de campanha, com “transparência na utilização de recursos públicos para combater a corrupção; reforma administrativa para reduzir o peso do Estado e valorizar bons servidores; o fim da reeleição; e idade mínima para novos membros dos tribunais superiores”.
Acertos & apostas/ Kassab abre a carta “O PSD nas eleições de 2026” falando dos acertos ao longo da carreira. Menciona as disputas eleitorais que travou e dos apoios que concedeu a Guilherme Afif Domingos, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e, mais recentemente, a Tarcísio de Freitas, em São Paulo. Considera, ainda, ciência, educação e saúde como setores estratégicos, numa demonstração de que o PSD não virá a passeio para esta temporada eleitoral de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tem praticamente pronto o discurso da geopolítica internacional que fará no embate com os bolsonaristas em 2026, seja Flávio Bolsonaro, seja outro candidato. A ordem é mostrar que, com “paciência, diálogo e altivez”, o governo Lula conseguiu reverter grande parte das tarifas impostas, no ano passado, pela administração de Donald Trump nos Estados Unidos e, para completar, encerra esta Terceira passagem pelo Palácio do Planalto com o acordo entre Mercosul e União Europeia assinado ontem. Se o Parlamento Europeu e as instâncias jurídicas da União Europeia vão chancelar é outra história. Com o convite a Lula para integrar o Conselho de Paz em Gaza, vindo de Donald Trump, a ideia é deixar claro que tudo tem que se dar com diálogo, defesa da soberania e por aí vai. A avaliação de especialistas é de que, até agora, os bolsonaristas não têm nada muito concreto para combater isso.
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Por falar em soberania…/ Antes de aceitar o convite de Trump para compor o Conselho de Paz, o governo Lula quer saber o formato desse colegiado. Por exemplo, se haverá palestinos. Não se pode falar em paz sem os principais interessados nesse processo.
Caiado na reflexão
A alguns amigos, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tem dito que desistiu da candidatura presidencial. Até aqui, Antonio Rueda não fechou a preparação da pré-campanha. A sensação de muitos no União Brasil é que Rueda, para tristeza de muita gente no partido, rifou a pré-campanha de Caiado.
E a Venezuela, hein?
O governo Lula tem um ponto que considera crucial para usar, se vier algum ataque sobre as relações do presidente com Nicolás Maduro. Em nenhum momento, Lula reconheceu a vitória do ditador venezuelano na última eleição.
Ponto forte
A vinda da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao Brasil na véspera da assinatura do acordo foi considerada um sinal de prestígio do governo brasileiro e um recado aos estadunidenses de que os grandes mercados podem se unir. Obviamente, o governo brasileiro não isolará os Estados Unidos e nem pretende fazer isso a um dos maiores mercados dos produtos brasileiros. O Brasil quer mesmo é o multilateralismo.
Expectativa & realidade
O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, tem conversado muito com o ex-governador José Roberto Arruda. Aliados do executivo da ABDI garantem que ele aposta no apoio de Arruda ao Governo do Distrito Federal (GDF). O ex-governador do DF, porém, sonha em ter Cappelli como candidato a vice. Se a candidatura der errado, Cappelli terá de confiar que não será abandonado pela estrutura que deseja caminhar com Arruda.
CURTIDAS
Vício antigo I/ As “emendas família” ao Orçamento, aquelas em que os recursos terminam destinados a organizações não governamentais ou empresas ligadas a parentes, é uma reedição das subvenções sociais dos tempos dos “Anões do Orçamento”. O esquema começou a ser desvendado em 1992 pelo jornal O Globo, que publicou as primeiras reportagens a respeito.
Vício antigo II/ Na época, o então deputado João Alves (PFL-BA) perdeu a relatoria. Mas os políticos aproveitaram as denúncias relacionadas ao governo Fernando Collor, para deixarem o caso do Orçamento em “banho-maria”. Com a prisão do então assessor José Carlos Alves dos Santos, no ano seguinte, depois da queda de Collor, os congressistas abriram uma CPI que resultou na cassação de vários mandatos.
Vício antigo III/ Desta vez, quando o mesmo jornal denuncia o escândalo, quem suspendeu as emendas foi o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. Porém, tem o caso Master, com potencial suficiente para evitar que o Congresso investigue essas emendas e não instale uma CPI. Como se vê, a história se repete sob outros contornos. Que as nossas instituições sejam fortes para terminar de vez com essa bandalheira de desvio de dinheiro das emendas.
Por falar em Master…/ À coluna, parlamentares comentaram em conversas reservadas o espanto com o networking em Brasília do dono do Master, Daniel Vorcaro (Foto), em todas as instâncias do Legislativo, do Executivo, do Judiciário e de governos estaduais. Se aproximar do GDF, por exemplo, era considerado estratégico. O DF pode não ser o ente federativo mais rico, mas abriga o centro do poder político.










