CNBB cobra “Justiça sem Privilégios”

Crédito: Caio Gomez
Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Crise no STF, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, PL, PT, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A contar pelas manifestações da sociedade, o Poder Judiciário — em especial, o Supremo Tribunal Federal — não vai escapar de passar por uma reforma profunda diante da crise. Em reunião esta semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) engrossou esse coro, ao conclamar “os Poderes da República, suas autoridades e toda a sociedade” a esclarecemos fatos e a rejeitar tanto o silêncio diante de possíveis irregularidades quanto qualquer tentativa de enfraquecer as instituições. “O Brasil necessita de verdade sem manipulação, de justiça sem privilégios, de instituições que sirvam ao bem comum, de lucidez e paz”, diz o texto assinado pelo presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, e a cúpula da Conferência.

Ética/ A CNBB defende, ainda, que os ministros revejam seu comportamento, ao dizer que considera “oportuno que o Código de Ética em elaboração pelo Supremo Tribunal Federal receba o devido encaminhamento institucional, oferecendo parâmetros claros de conduta e contribuindo para a proteção da autoridade da Suprema Corte”. E deixa claro que os ministros devem ser investigados, ao dizer que “ninguém deve estar acima da lei, assim como ninguém deve ser previamente condenado”, e cobrar transparência: “Importante que questões de tamanha relevância institucional sejam examinadas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, de maneira colegiada, pública e transparente, permitindo à sociedade acompanhar os procedimentos e conhecer os fundamentos das decisões. Espera, igualmente, que as instituições responsáveis pela investigação possam exercer suas atribuições com independência, segurança e respeito às competências constitucionais”. Em suma, nada de jogar as denúncias para debaixo do tapete.

Te vira, Mário

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado a largar a mão do deputado Mário Frias (PL-SP), alvo da operação que apura suspeitas de desvio de dinheiro de emendas parlamentares que também mirou a produtora do filme Dark Horse, Karina Gama. Embora o próprio Frias tenha enviado recursos para a produção, uma ala dos bolsonaristas diz que quem tem que se explicar é ele. O máximo que Flávio fará é dizer que a operação pedida pela Polícia Federal, e autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, teve conotação política.

Incomodou

As inserções do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, nos supermercados deixaram o PT para lá de irritado e vai provocar mudanças na campanha do presidente Lula à reeleição.

Hora de relembrar

A ideia do partido é que as inserções comparem como foi o governo de Jair Bolsonaro com o terceiro mandato de Lula. Entre algumas lembranças que podem ser usadas, estão: a fila de ossos nos mercados, o preço da picanha e a atuação do ex-presidente na pandemia da covid-19.

Precisa mudar

O PT também pretende ser mais enfático sobre a proposta de reforma no Poder Judiciário, pauta defendida há anos pelo partido e reafirmada no 8º Congresso Nacional do PT, realizado em abril deste ano. A legenda defende a ideia de definir mandatos para tribunais a partir da segunda instância e mais cadeiras da sociedade no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Reforma no Judiciário/ Não vai ser por falta de proposta de emenda à Constituição(PEC) que o Judiciário deixará de ser reformado. Esta semana, surgiu mais uma. O deputado Danilo Forte (PP-CE, foto) sugere um Código de Conduta, Ética e Moral dos Magistrados. O texto também altera a indicação de ministros: modelo rotativo pelo Executivo, Legislativo e Judiciário; idade mínima de 65 anos e máxima de 75; e mandato de oito anos sem recondução. A aprovação, porém, tem de ser por maioria absoluta em sessão conjunta do Congresso.

Correção na nomeação/ “O sistema de indicação exclusiva pelo presidente da República concentra a formação da Suprema Corte em um único Poder, o que pode gerar distorções na composição do tribunal”, argumenta Forte sobre a mudança nos termos de indicação ao STF.

Meio-termo/ A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, não acatou na totalidade o pedido da candidata ao Senado e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), pois ele permitiu que parentes possam ficar com o ex-presidente por um período de somente duas horas. O pedido original visava dar mais tempo para que ela pudesse participar de eventos de campanha. Solicitava que outras pessoas pudessem ficar com Bolsonaro e auxiliá-la nos cuidados do ex-presidente. Foi negado.

Vapt-vupt/ A decisão de Moraes impede que Michelle possa comparecer aos eventos nacionais de Flávio Bolsonaro fora de Brasília. Mesmo as aparições em agendas no Distrito Federal precisarão ser bem planejadas para aproveitarem a janela de duas horas concedida pelo ministro. Os advogados da ex-primeira-dama ainda não decidiram se vão recorrer.

Apostas entre estudantes brasileiros podem passar de R$ 1 bilhão em 2025, aponta pesquisa

Crédito: Joédson Alves/Agência Brasil
Publicado em bets, Câmara dos Deputados, Congresso, Economia, Política, Senado

Por Eduarda Esposito — Uma pesquisa estima que no Brasil tenha sido gasto em apostas por adolescentes mais de R$ 1 bilhão no ano passado. Além do alto valor, o estudo mostrou que 9,5% dos estudantes com 11 anos já apostaram em bets. O levantamento, “Apostas online nas escolas brasileiras”, foi realizado pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info. 

Para calcular o montante estimado de apostas de estudantes brasileiros, foram considerados os valores declarados pelos alunos entrevistados e, como referência, a estimativa do Banco Central de R$ 62,5 bilhões em perdas com bets em 2025. O levantamento apresenta diferentes hipóteses para calcular os resultados agregados entre os estudantes. A pesquisa não perguntou se as apostas foram realizadas em bets legais ou ilegais. 

Quanto à faixa etária, o documento mostra que alunos de 11 anos já têm realizado apostas (9,5%). O maior percentual são os estudantes com 18 anos ou mais, 40,1%; entrevistados com 16 anos (27,6%) e os com 17 (32,3%) também tiveram um escore alto. A tabela mostra um aumento de envolvimento com as casas de apostas online conforme o aluno fica mais velho. 

Fonte: Apostas online nas escolas brasileiras

O percentual também é mais alto em alunos masculinos do que femininos. Na faixa etária dos 15 anos, os meninos (33,3%) apostaram mais do que meninas com 18 anos ou mais (24,6%). Quase metade dos estudantes masculinos do 3º ano do Ensino Médio já apostaram, 49,7%, já as meninas foram apenas 16,6%. 

O levantamento também descobriu que a maior parte dos adolescentes não tem ideia do quanto perdeu ou ganhou com as apostas. 35,2% afirmam que ganharam mais que perderam, 27,7% dizem o inverso e 37,1% não souberam responder. 

No recorte por religião, o levantamento mostra que 18,3% dos estudantes evangélicos já apostaram. Entre os católicos, 23,1% jogaram, e em outras religiões, 22,8% apostaram em bets. Ao comparar rede pública e particular, 40% dos entrevistados nas escolas públicas não souberam dizer se ganharam ou perderam mais. E nas particulares, enquanto 29,2% não souberam responder, 33,2% afirmaram ter perdido mais dinheiro do que ganhado com apostas. 

Para a deputada Tabata Amaral (PSB/SP), presidente da FPME, é preocupante saber que crianças de 11 anos já estão tendo contato com as bets e começando a apostar. “Estamos falando de uma prática que pode comprometer a saúde financeira e o desenvolvimento de uma geração inteira. A Bancada da Educação tem o compromisso de olhar para esse problema a partir de evidências e ajudar a construir políticas públicas que protejam crianças e adolescentes. A parceria com o Equidade.info nos permite justamente dar visibilidade a uma realidade que muitas vezes é invisível e, a partir dos dados, propor medidas concretas”, afirma.

O pesquisador, Guilherme Lichand, ressalta que o levantamento ajuda a trazer à luz um grande problema. “Os números geram incômodo e muitas outras perguntas. Essas apostas estão concentradas em eventos esportivos, sobretudo futebol? Como crianças e adolescentes descobrem essas plataformas? Como contornar as restrições de idade, problema comum tanto aos sites de apostas esportivas quanto às redes sociais?”, questiona o professor de Educação da Universidade de Stanford e responsável pela supervisão da pesquisa.

A pesquisa foi realizada com 1.912 estudantes do ensino fundamental e médio em 191 escolas pelo Brasil. Os alunos foram entrevistados de forma presencial com a aplicação de um questionário durante as entrevistas. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2,4%.

Um acordo, dois objetivos

Crédito: Caio Gomez
Publicado em 6x1, Banco Master, coluna Brasília-DF, crise no INSS, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, politica, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 27 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A conversa entre Lula e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vem sob encomenda para dar à campanha do petista um mote que o tire dos assuntos espinhosos, como as suspeitas que envolvem o filho mais velho em tráfico de influência, e as dificuldades que o país atravessa na seara econômica. Para completar, a foto dos três juntos em prol de projetos que regulamentam minerais críticos, taxa das blusinhas e outras matérias bem vistas pela população foi lida no meio político como um ponto que coloca Lula na posição de um líder que dialoga com outros partidos em benefício do povo. Ainda que não consiga aprovar tudo na semana de esforço concentrado, terá engatilhado o discurso das “entregas”.

» » »

Discurso e receita/ As pautas que serão votadas na semana de esforço concentrado, a partir da próxima segunda-feira, tratam das maiores bandeiras defendidas por Lula: direitos da classe trabalhadora e a proteção da soberania do Brasil. Contudo, nem só de discurso vive o governo do petista. A regulamentação do regime tributário de datas centers, o Redata, deve atrair R$ 500 bilhões em investimentos, assim como a política nacional de minerais críticos, que deve somar R$ 192,1bilhões ao PIB brasileiro até 2050 — segundo estudo da Amcham Brasil. Uma injeção de recursos em um orçamento deficitário.

Dark Horse, a incógnita

Integrantes da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) têm dito que os valores de distribuição do Dark Horse, o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro, periga inviabilizar a exibição do longa-metragem nos cinemas brasileiros. Por enquanto, o que se sabe até agora é que custou, pelo menos, US$ 13,3 milhões. Porém, a produtora ainda não apresentou o contrato com Daniel Vorcaro, que teria financiado R$ 61 milhões. Por essas e outras, aquela ideia de lançar o filme em setembro, em plena campanha eleitoral, ainda está pendente.

Hora das contas

A equipe econômica do governo trabalha para fechar o Orçamento e enviá-lo ao Congresso na próxima segunda-feira. A dificuldade está em “fechar as contas”. A percepção de muitos, nos bastidores, é de que haverá deficit tanto em 2027 como em 2028. Nem mesmo o valor do salário mínimo, já adiantado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, de R$ 1.741, está acertado, uma vez que depende da inflação fechada para realizar o cálculo.

Fuga da polarização

Flávio Bolsonaro deve ficar sem o palanque de Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. A missão do ex-governador é se eleger e, ainda que seu partido esteja coligado ao PL, a estratégia em curso é ignorar a disputa presidencial e, assim, tentar buscar os votos de petistas e bolsonaristas. A avaliação dos aliados do tucano é de que, ao ficar distante de Flávio, a campanha tira o único argumento dos petistas contra Ciro: dizer que o ex-governador estaria alinhado a Jair Bolsonaro.

Por falar no Ceará…

O deputado Mauro Benevides Filho (União-CE) foi retirado da vice-liderança do governo da Câmara dos Deputados após políticos do Ceará dizerem a Lula que o parlamentar deixava eleitores confusos. Benevides já declarou, mais de uma vez, o voto em Lula nesta eleição, mas é aliado e coordenador econômico de Ciro Gomes no Ceará. Para petistas, essa posição ambígua de Benevides é prejudicial para a campanha do atual governador, Elmano de Freitas (PT), porque estaria retendo o crescimento dele nas pesquisas.

CURTIDAS

Valter Campanato/Agência Brasil

Dois tons…/ O discurso de Hugo Motta no Alvorada foi na linha daquilo que os petistas queriam: falou da conversa entre eles como algo que “o Brasil precisa”. Para muitos políticos, ficou subentendida a necessidade de manter essa configuração.

… de vermelho/ Embora tenha reclamado do pouco tempo para os senadores analisarem as medidas provisórias, Alcolumbre fez questão de elogiar Lula como alguém que sabe rever decisões e ajustar rotas.

Presença em causa própria/ Ao participar apenas do culto de 111 anos da Assembleia de Deus em Alagoas, Arthur Lira (PP-AL) fez seu próprio cálculo — e não se deveu à presença de Flávio Bolsonaro. Embora em política as coincidências passem longe, o ex-presidente da Câmara dos Deputados considerou que não podia ficar fora da festa, ainda mais porque queria aproveitar para vincular o aniversário ao seu número para o Senado na urna eletrônica.

Por elas/ O IDP promove, amanhã, às 10h, em São Paulo, mais um debate. Desta vez, o tema é “Proteção das mulheres no ambiente digital e o novo dever de cuidado das plataformas”. A moderação será da coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Renata Mielli (foto). O painel conta com a participação do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva; da gerente de Relações Governamentais e Políticas Públicas no Google, Flávia Annenberg; da gerente de políticas públicas da Meta, Mag Kang; e da diretora-executiva do InternetLab, Fernanda Campagnucci.

Colaborou Rosana Hessel

Rodrigo Pacheco critica a falta de diálogo entre os chefes dos Poderes

Publicado em Câmara dos Deputados, Congresso, Crise entre os Poderes, Eleições 2026, Política, Senado, STF

Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — O senador e ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) criticou a falta de diálogo entre os chefes dos três Poderes durante sua fala no 25º Fórum Empresarial LIDE, no Rio de Janeiro. Pacheco discursou sobre os desafios para o Brasil de amanhã e destacou a importância do diálogo. 

Crédito: Evandro Macedo e Gabriel Okawa/LIDE

“Se antevê uma necessidade, em razão do ambiente muito polarizado e dividido, e, a depender da conformação do Congresso Nacional, de uma capacidade do governante de diálogo, de estrutura, de debate e de aceitação de divergências. […] É muito ruim quando um presidente da República, um presidente do Senado, um presidente da Câmara, um presidente do Supremo Tribunal Federal não dialogam. Então esse é um grande desafio”, argumentou. 

Para o senador, a polarização e a próxima formação do Congresso Nacional exigirão menos intransigência dos presidentes das Casas Legislativas. “A intransigência e a imposição de vontades num Brasil dividido e com uma conformação no Congresso Nacional que não seja necessariamente alinhada ao poder executivo podem colapsar algo que é absolutamente essencial para o desenvolvimento do país, que é o diálogo institucional. Então, esse é o primeiro desafio que nós teremos, de muita sabedoria daqueles que ocuparem essas esferas de Poder de não interromper o diálogo”, afirmou.

*A jornalista viajou a convite do LIDE

A difícil renovação do Congresso

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Lula, PL, Política, Senado, STJ

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 20 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Com a decisão dos partidos de reservar recursos para quem é candidato a reeleição, como é o caso do PL, muita gente na política começa a apostar que a renovação do Parlamento será baixíssima nesta temporada eleitoral. Soma-se a essa preferência de financiamento para quem já tem um mandato, a amplitude das emendas parlamentares — hoje no patamar de R$ 60 bilhões. As emendas praticamente levaram os prefeitos a “fidelizar” e replicar as campanhas dos parlamentares que beneficiaram as administrações locais com emendas.

Crédito: Maurenilson Freire

Desafiante/ Esse modelo será difícil de quebrar ou de levar à renovação. Quem está chegando agora começa em desvantagem e será difícil empatar o jogo a fim de tentar vencer quem já está no mandato.

Movimentos divergentes

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem dito que o governo mobiliza a base no Congresso para votar a medida provisória que acaba com a taxa das blusinhas. Disse, ainda, que a ideia é votar a MP durante a semana de esforço concentrado presencial, a partir de 31 de agosto. Contudo, líderes ouvidos pela coluna afirmam que ainda não foi resolvido o impasse para indicação do presidente e do relator da proposta na comissão especial. No Parlamento, tem sido difícil conversar sobre qualquer assunto porque a maioria está focada na campanha pela reeleição, seja para a Câmara, seja para o Senado.

Cheio de recados

O discurso do presidente da OAB, Beto Simonetti, na posse do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, e do vice, Mauro Campbell, foi incisivo ao defender a sustentação oral dos advogados como instrumento para garantir eficiência e legitimidade. Atualmente, é grande a reclamação dos defensores em relação à dispensa dessa ferramenta inerente à Justiça.

Jargão de Gaspar

Candidato a vice-presidente na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) discursa pelo país afora dizendo que Lula tem o seu próprio Marcola. Será uma estratégia para desgastar ainda mais a imagem do presidente durante a campanha eleitoral em cima do caso do roubo dos aposentados. E, de quebra, uma tentativa de associar o apelido Marcola ao governo, uma vez que é comum ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, e ao chefe do PCC, Marcos Camacho.

Gaspar que se prepare

Aliás, a equipe de advogados da campanha de Lula está atenta às manobras para tentar associar o governo ao crime organizado e ao chefe do PCC. A ideia é buscar reparação na Justiça a qualquer movimento nesse sentido.

CURTIDAS

Crédito: Sergio Lima/AFP

Prestigiados/ Do Clero aos representantes dos Três Poderes, todos presentes à posse de Luís Felipe Salomão e Mauro Campbell — respectivamente, presidente e vice do STJ. E, desta vez, com uma novidade: dispensou-se a interminável fila de cumprimentos.

Alguém lembrou/ No rápido discurso de abertura da solenidade, o ministro Herman Benjamin citou o “mega El Niño” como um desafio não só para a Justiça como a todos os Poderes.

Defesa/ A frase do sempre bem-humorado ministro da Defesa, José Múcio Monteiro (foto), sobre abrir portões do Brasil em caso de invasão, foi lembrada nas rodas de conversas da posse do STJ. “E não é que ele acabou conseguindo recursos?”, comentou um parlamentar.

“Não será uma eleição, será um duelo. Dez passos para cada lado” Do senador Eduardo Gomes (PL-TO), ao referir-se à polarização entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro

MDB em sintonia com Lula

Publicado em 6x1, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, MDB, PL, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Ao anunciar apoio à urgência para tramitação de propostas de interesse do governo Lula, o MDB dá um passo no sentido de reforçar um alinhamento ao presidente da República e, de quebra, se apresentar, num ano eleitoral, como defensor de projetos que têm o apoio da classe trabalhadora — caso do fim da escala de trabalho 6×1 (seis dias trabalhados para um de folga). O movimento do partido reforça o respaldo de uma maioria dos senadores do partido a Luiz Inácio Lula da Silva. Se levada em conta a foto de Michel Temer e José Sarney ao lado de Ronaldo Caiado (PSD), está claro que Flávio Bolsonaro (PL) terá pouco espaço entre os caciques do partido e conta apenas com o apoio do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que se reelegeu com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

» » » »

A hora do primeiro teste/ O gesto do MDB dá ainda um discurso para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), coloque as propostas em votação. Depois da conversa dele com Lula, espera-se a retomada da normalidade entre os dois Poderes. A ideia é aproveitar o próximo esforço concentrado, na semana de 31 de agosto a 4 de setembro, para tentar votar parte das matérias ainda no período eleitoral.

Rumo a 2027

A aproximação entre Lula e Alcolumbre vai muito além da votação das propostas. Estão sobre a mesa para conversas futuras dois assuntos pendentes: o primeiro é a escolha do futuro ministro do Supremo Tribunal Federal — leia-se o advogado da União, Jorge Messias —, já rejeitado pelos senadores com a ajuda do presidente do Senado; o segundo é a escolha do futuro presidente do Congresso. Conforme o leitor da coluna já sabe, Alcolumbre é candidato a mais dois anos no comando do Legislativo e precisará de apoio dos governistas.

Brasil 2025 x Brasil 2026

Parlamentares governistas ligados à diplomacia afirmam que o novo tarifaço de Donald Trump tem menos impacto agora do que em 2025. E isso deve à atitude do governo em abrir novos mercados. Dados do governo demonstram que a balança comercial brasileira registrou, até a primeira semana de agosto, um superavit de US$ 51,56 bilhões, aumento de 32,2% em relação ao mesmo período de 2025.

Amorim e o teste

A ida do assessor internacional da Presidência da República, Celso Amorim, ao Congresso, esta semana, foi aprovada pelos partidos aliados do Planalto. Em suas respostas sobre o crime organizado no país, ele reforçou o discurso da soberania e foi incisivo ao dizer que cabe às forças brasileiras combater as facções criminosas. Para completar, disse ter vergonha da “servilidade” aos estrangeiros, sejam americanos, russos ou chineses.

Renegociação volta à mesa

O presidente da Comissão Mista da medida provisória da renegociação de dívidas dos produtores rurais, senador Renan Calheiros (MDB-AL), vai se reunir com o relator, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), para negociar o texto. Calheiros defende que a MP editada pelo Ministério da Fazenda deixou de fora o pessoal do Norte e do Nordeste, e isso fere a isonomia. Aliados de Renan afirmam que o senador teme um alinhamento de Pimenta à Fazenda. Por isso, vai buscar o relator a fim de garantir o benefício aos produtores nortistas e nordestinos.

CURTIDAS

Crédito: Divulgação/Secom

Cai o “tenente coronel”/ O bolsonarista Luciano Zucco (PL-RS) se elegeu para a Câmara dos Deputados, em 2022, pelo Republicanos com o nome “tenente-coronel Zucco”. Agora, na disputa para o governo do Rio Grande do Sul, o deputado se apresenta apenas como “Zucco”. Na Câmara, muita gente comenta que se trata de uma estratégia para ampliar a votação do candidato.

E Alagoas, hein?/ A campanha de Renan Filho ao governo do estado só definirá o nome do candidato a vice-governador quando o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (o JHC), resolver se concorrerá ao governo, ao Senado ou ficará fora da disputa. No entorno de Renan, há quem duvide que JHC concorra ao governo, uma vez que o senador emedebista tem 95 das 102 prefeituras alagoanas alinhadas à sua candidatura.

Se for, vai sozinho/ Membros da cúpula do PL afirmam que não desistirão da candidatura de Flávio Roscoe em Minas Gerais para apoiar a candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). Interlocutores relembram que o partido esperou até o último momento, mas a indecisão do senador não poderia prejudicar os planos do PL no estado.

A hora delas/ Na semana em que se comemora o Dia do Advogado (11 de agosto), as mulheres advogadas especializadas no setor de energia promoveram o I Encontro da Comissão Especial da OAB voltada a esse tema: “Queremos cada vez mais consolidar o espaço das mulheres advogadas no setor elétrico, um dos tantos ambientes de decisão historicamente masculinos. É fundamental estabelecermos esse diálogo em um segmento com tanto impacto na sociedade”, diz Fernanda de Paula (ao centro na foto), idealizadora do evento.

O jogo de Lula

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, MDB, Michel Temer, PL, Política, PSD, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 12 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tirou, aos poucos, os partidos de centro da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), inclusive o PP de Ciro Nogueira. Agora, vem a segunda fase: apoios ostensivos. Na segunda-feira, foi o dia de o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarar o apoio à reeleição. Agora, os petistas aguardam gestos semelhantes do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre chegou pela primeira vez ao comando da Casa pelas mãos dos bolsonaristas e pela proximidade com o ex-ministro Onyx Lorenzoni. Naquela época, Bolsonaro acabara de ser eleito presidente da República e o candidato apoiado pelo PT para Presidência do Senado era Renan Calheiros (MDB-AL). Agora, com os bolsonaristas dispostos a eleger um nome mais fiel a Bolsonaro, Alcolumbre se vê obrigado a buscar uma reaproximação com o Palácio do Planalto.

» » »

Perdas e danos/ O encontro de Lula e Alcolumbre, com a presença do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi considerado positivo. Do ponto de vista político, porém, esse convescote ainda será muito explorado por Flávio Bolsonaro, que se referiu, ontem, ao magistrado como “o grande articulador político de Lula”. Dentro do PL, essa aproximação é mais um motivo para promover o impeachment do ministro, um assunto que esta semana o PL colocou de vez na campanha, com a reunião entre o filho 01 e os senadores.

Siameses

A decisão de Flávio de não participar de debates dependerá sempre da presença de Lula. Se o petista não for, o senador também não irá. A campanha avalia que se expor para potenciais aliados de segundo turno seria prejudicial para o candidato do PL, uma vez que ele se tornaria o alvo com a ausência do presidente da República. Afinal, tanto Ronaldo Caiado (PSD) quanto Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) atacariam Flávio de olho no segundo lugar que o filho 01 apresenta nas pesquisas.

Só tem um probleminha

A fuga dos debates, porém, pode ser uma faca de dois gumes. Embora Flávio tenha um exército nas redes sociais, alguns aliados temem que ele passe a impressão de despreparo para tais eventos, algo que não ocorre com Lula, que disputou seis eleições e participou de vários embates presidenciais.

Carimbo

Ao longo da sabatina do Correio Braziliense com os 11 candidatos ao governo do Distrito Federal homologados nas convenções partidárias, todos os 10 adversários da governadora-candidata Celina Leão se referiram à atual administração do GDF como “Ibaneis-Celina” ou “Celina-Ibaneis”. Todos querem colar a imagem da governadora no desgaste político do antecessor, depois do escândalo Master-BRB e da desistência da candidatura ao Senado.

Crédito: Reprodução redes sociais

Por quem o MDB raiz torce

Enquanto o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, tece loas a Flávio Bolsonaro, os dois emedebistas que já ocuparam a Presidência da República, José Sarney e Michel Temer, posam para fotos ao lado do candidato do PSD, Ronaldo Caiado, na casa (foto) do candidato a vice-presidente, Gilberto Kassab (PSD). Caiado, que está morando em São Paulo, tem o apoio ainda de Aldo Rebelo, Heráclito Fortes, Jorge Bornhausen e Roberto Brant. Todos ex-parlamentares de um tempo em que a política era feita com mais respeito e diálogo entre os adversários.

CURTIDAS

Nem perguntou/ O PT e a base governista cogitaram o nome do senador Eduardo Braga (MDB-AM) para a relatoria da medida provisória da taxa das blusinhas na comissão mista. O parlamentar sequer foi consultado. Ele concorre à reeleição no Amazonas e o período de campanha se inicia domingo.

Mais um/ O deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI) é um dos indicados para a presidência da comissão mista da MP da taxa das blusinhas. É mais uma indicação de peso da Câmara dos Deputados entregue ao partido do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Entretanto, o PT escolheu Reginaldo Lopes (MG) e planeja brigar pelo posto.

Vote sim/ Movimentos sociais ligados à proteção das mulheres marcaram presença na Câmara dos Deputados, na terça-feira, para pressionar Hugo Motta a colocar o projeto de lei que criminaliza a misoginia em votação. As voluntárias distribuíram adesivos de apoio à matéria, escrito “Eu Voto Sim”.

Por falar em Motta…/ O PL não gostou nada da afirmação do presidente da Câmara de que votaria em Lula. Para membros do partido, fica clara a inclinação de Motta para ajudar o governo com pautas na Casa

Master e INSS balançam campanhas

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise no INSS, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 11 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A operação da Polícia Federal de ontem, em Alagoas, foi recebida no meio político como mais um sinal de que o escândalo do Banco Master ainda tem muito potencial para colocar candidaturas na berlinda. Dessa vez, a operação teve como alvo principal o secretário de Fazenda de Maceió, João Felipe Alves Borges, que está no cargo desde o início da gestão de João Henrique Caldas na prefeitura, em 2021. Agora já fora do Executivo municipal e disposto a concorrer a um mandato eletivo, seja governo estadual, seja Senado, JHC, embora não seja alvo da operação, será chamado pelos adversários a explicar por que não evitou a aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência de Maceió no Master.

» » » »

Até aqui…/ O imbróglio alagoano é mais um em meio aos que já surgiram no rastro do Master e do roubo dos aposentados e pensionistas do INSS. Na semana passada, foi o senador Weverton Rocha (PDT-MA), alvo de mais uma fase da Operação Sem Desconto — sobre o escândalo da Previdência —, que ainda se mantém candidato, mas obrigado a se explicar. No DF, Ibaneis Rocha desistiu do Senado. No Rio de Janeiro, o ex-governador Cláudio Castro também se afastou da disputa eleitoral, depois que veio a público sua ligação com Daniel Vorcaro. Quem continua firme fazendo campanha no Piauí e sem mencionar o caso é o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira. Até sábado, data-limite para registro das candidaturas, muita coisa ainda vai mudar Brasil afora.

Ponto central

A tomar pelo discurso dos candidatos a senador pelo PL Brasil afora, o Supremo Tribunal Federal irá dominar os debates para o Senado. A maioria deles, sem exceção, menciona a necessidade de colocar os pedidos de impeachment dos ministros para tramitar. E hoje, na reunião de Flávio Bolsonaro com os candidatos, ficará decidido que esses ataques ao STF terão que estar presentes no discurso.

Alcolumbre que se cuide

Para cumprir seu objetivo, os bolsonaristas esperam eleger, no mínimo, 30 senadores. Se atingir esse número, um bolsonarista será guindado ao comando do Senado com a missão de colocar os processos em andamento. E já está decidido que este candidato para comandar a Casa não será Davi Alcolumbre (União-AP).

Por falar em Flávio…

Candidato ao governo de São Paulo, o ex-minsitro Fernando Haddad (PT) aproveitou a entrevista à CNN para se referir ao patrimônio de Flávio Bolsonaro e aos imóveis comprados com dinheiro vivo. Ainda se referiu ao dinheiro obtido com Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

E o Congresso, hein?

A semana será de esforço concentrado, mas nem tanto. É que foi aberta a possibilidade de votação pelo sistema Infoleg, em que o parlamentar pode votar de forma remota. Vai ter muito candidato que não pisará em Brasilia.

CURTIDA

Crédito: Renato Araújo/Agência Brasil

Sem defensor/ O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos, foto) aproveitou o debate da Band com os candidatos ao governo estadual para dar uma cutucada no presidenciável Flávio Bolsonaro. “Flávio, vou mandar um recado para você. Que vergonha, teu candidato não te defende”, afirmou.

Cada um por si/ Garotinho referia-se aos ataques a Flávio proferidos pelo candidato William Siri (PSol) durante o debate no estado e a falta de uma palavrinha em prol do Zero Um de Jair Bolsonaro por parte de Douglas Ruas, que concorre ao governo fluminense pelo PL.

Esquenta 2030/ Assim os políticos estão se referindo ao debate entre os candidatos ao governo de São Paulo — Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição, e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. É que ambos são considerados apostas para a Presidência da República na próxima eleição.

É hoje!/ De 7h até 17h, o Correio Braziliense entrevistará todos os candidatos ao Governo do Distrito Federal. É o compromisso do jornal em manter o eleitor informado sobre projetos e planos para a capital do país. Acompanhe pelas redes sociais do Correio, pelo site do jornal e pela edição impressa de amanhã.

Diferenças e desgastes para Lula e Flávio

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise com os EUA, Crise diplomática, crise no INSS, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 5 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Nesse “esquenta” da campanha presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa a semana com desgastes por causa dos inquéritos envolvendo seu filho Fabio Luís, o Lulinha, e o empréstimo da lobista Roberta Luchsinger, amiga dele, a um dos principais assessores do gabinete presidencial, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Porém, no Planalto, a avaliação é de que nada disso envolve diretamente o presidente. No caso do filho, Lula tem o discurso de que está sob investigação e o ministro que indicou ao Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, é tão independente que abre inquérito contra o primogênito do presidente. Em relação ao assessor, caberá a ele se explicar o mais rápido possível. A ordem é evitar que isso se prologue por mais dias. Afinal, a partir de 16 de agosto, quando a campanha começa de fato, com o ato em São Paulo, o presidente quer poder cuidar de mostrar os feitos de seu governo. E não ficar respondendo sobre suposto envolvimento, nem do filho, nem do assessor. Cada um que cuide de si.

» » »

E o senador, hein?/ A visão no Planalto é a de que Flávio Bolsonaro, ao contrário de Lula, tem explicações a dar, uma vez que foi pessoalmente pedir que Daniel Vorcaro contribuísse para o filme Dark Horse chamando o enrolado ex-banqueiro de “meu irmão”. Até aqui, o contrato não foi apresentado pelo pré-candidato. No calor da campanha, será Flávio — e os demais — acusando Lula, enquanto Lula — e os demais — acusarão Flávio. E o eleitor que durma com um barulho desses.

Maria Luíza pagou a conta

Não há diplomata brasileiro que não esteja surpreso com o cancelamento do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luíza Viotti, por causa do que os norte-americanos consideram demora do governo brasileiro em conceder o “agrément” a Daniel Perez como futuro embaixador dos EUA no Brasil. Primeiro, porque o “agrément” é algo sigiloso e só divulgado quando o país que receberá o embaixador concorda com a indicação — e não há prazo para que isso ocorra.

Inversão dos fatores

Embaixadores comentam que seria preciso que o governo brasileiro aceitasse a indicação para, em seguida, o nome fosse enviado ao Senado norte-americano para deliberação. O envio ocorreu sem o “agrément” do Brasil. Algo tão inusitado quanto o cancelamento do visto.

A força de Vigilante

A pesquisa Correio/Opinião publicada hoje indica que se Chico Vigilante abraçar algum candidato do PT à Câmara dos Deputados, as chances de ajudar o escolhido a chegar lá cresce. Ele é o petista mais citado na hora do entrevistado elencar em quem votará para deputado federal. Bem abaixo vem o deputado distrital Ricardo Vale (PT).

Chama o Lula!

Os petistas estão confiantes na candidatura de Leandro Grass, o nome da esquerda que aparece melhor na pesquisa de hoje. A aposta de alguns palacianos é de que se Lula entrar na campanha, as chances de chegar ao segundo turno crescem, ainda que o Distrito Federal tenha um eleitorado mais conservador. Dos cenários apresentados para o segundo turno, apenas José Roberto Arruda aparece bem no mano a mano contra a governadora Celina Leão.

CURTIDAS

Crédito: AFP

Tem para todos/ O escritório de advocacia Aragão & Tomaz, com uma máquina de contar dinheiro, é mais um ponto que deixa o PT constrangido. Afinal, Eugênio Aragão, sócio de Willer Tomaz no escritório, foi o último ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff. E Tomaz é amigo de Flávio Bolsonaro.

Sanduíche de pão com pão/ À exceção de Lula, que tem o PSB de Geraldo Alckmin (foto) como seu parceiro de chapa, todos os demais candidatos ao Planalto caminham sem um outro partido disposto a apresentar um nome à Vice-Presidência. Romeu Zema (Novo) optou pelo senador Eduardo Girão (CE). Nas hostes de Flávio Bolsonaro (PL), as deputadas do partido ganham força para uma composição. A única que está fora de cogitação é a ex-primeiradama Michelle Bolsonaro. Os dois com o mesmo sobrenome não dá.

Pede para sair/ Após mais uma fase da Operação Sem Desconto, desta vez contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA), as apostas por lá são de que a candidatura à reeleição tornouse inviável e puxa para baixo a chapa do candidato ao governo Orleans Brandão (MDB). Mesmo com a péssima repercussão das investigações, a decisão de sair do pleito terá de ser do senador.

A hora do debate/ A segurança jurídica e sua necessidade para o desenvolvimento da infraestrutura do país está em pauta hoje, a partir de 8h, no 8º Brasília Summit LideCorreio Braziliense, no Hotel Brasília Palace. Juristas como o ministro Gilmar Mendes e demais autoridades vão debater esse tema, que terá ainda empresários, parlamentares e especialistas no setor de regulação — como o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) e o presidente da Associação das Agências Reguladoras (Abar), Vinícius Benevides.

Eles têm a força

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, emendas, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 15 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A contar pelo discurso dos presidentes de partidos, a “terceirização” das indicações de emendas está generalizada entre os deputados, inclusive entre parlamentares, que cedem um pedaço de suas quotas para outros. Especialmente, aqueles mais ligados aos presidentes das duas Casas, no caso, o da Câmara, Hugo Motta, e o do Senado, Davi Alcolumbre. Nas conversas mais reservadas, há quem diga que presidentes de partido e os comandantes do Parlamento são os maiores beneficiados desse sistema. E mais: Muita gente diz que a Polícia Federal já tem muitas informações para tentar acabar com a farra. É exatamente esse trabalho que o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino está fazendo e não vai parar.

Pedir não é crime/ Alguns parlamentares ressaltam que pedir emendas é uma prática comum e, invariavelmente, tem um objetivo político. Os aliados de Eduardo Cunha, por exemplo, comentam que ele “apenas pediu” que um parlamentar apresentasse a emenda. E, o fato de Cunha não ter assinado qualquer documento, não pode ser responsabilizado pela indicação. Quem tem que responder é o deputado, que aceitou o pedido de Cunha. E falam mais: Tuca (Mariângela Fialek) não “fez” nenhuma emenda, como técnica apenas realizou seu trabalho, verificar disponibilidade e nomes de quem poderia indicar. A defesa por Tuca, aliás, dá-se em praticamente todos os campos políticos.

Momento único

Só mesmo algo muito forte para produzir a união de partidos de direita e de esquerda num ano eleitoral. Agora, depois do escândalo que misturou as bets com a Copa do Mundo da Fifa — inclusive com comentários técnicos mesclados a sugestões para apostas nas bets —, parlamentares dos dois lados se juntam para pregar o fim desse setor. O deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) é mais um que apresenta projeto contra as bets. Além dele, há propostas de deputados como o líder do governo na Casa, Paulo Pimenta (PT-RS), e do líder do PT, Pedro Uczai (SC).

Foco eleitoral

O tema é visto pelos parlamentares como um dos mais importantes nestas eleições. Os evangélicos, por exemplo, são contra as bets, que tira dinheiro dos templos. E as igrejas atualmente representam um segmento forte do eleitorado, capaz de mobilizar os congressistas.

Tudo, menos voltar à Câmara

O que levou a um consenso para votar a medida provisória (MP) sobre os fretes dos caminhoneiros foi evitar a desfiguração da proposta, em caso de volta para uma nova análise dos deputados. O relatório da Câmara foi considerado uma “anomalia” por alguns senadores e deixar a MP caducar não era uma opção devido à importância do setor. Foram diversas reuniões nos últimos dias e acordos para vetos e emendas redacionais, de forma a evitar um retorno à Câmara dos Deputados. A Frente Parlamentar do Agro, a poderosa FPA se comprometeu, inclusive, a manter os vetos que vierem dentro do acordo.

CURTIDAS

Crédito: Reprodução/Redes Sociais

União no Ceará/ Com menos de um mês para as convenções partidárias, o PT conseguiu resolver um dos maiores impasses na formação do palanque no Ceará ao oficializar o senador Cid Gomes (PSB) para reeleição e o deputado Júnior Mano (PSB) como seu suplente. Assim, a crise que impedia Cid se juntar à chapa de Elmano de Freitas se foi.

Juntos esperam chegar lá/ Interlocutores do PT no estado afirmam que a foto com o presidente Lula, Camilo Santana, o governador Elmano de Freitas, Cid e Júnior foi para encerrar especulações sobre a campanha.

Vem aí/ Para a segunda vaga ao Senado, o nome em vista é o da deputada Luizianne Lins (Rede), que tem um apoio considerável por parte do PT. O PSD negocia a indicação de um vice-governador para Elmano. O entorno da campanha acredita que, com essa composição PT, PSB, Rede e, quem sabe, o PSD, aumentam as possibilidades de vitória contra Ciro Gomes (PSDB), que deve sair em coligação com o PL.

Livro novo na praça/ Em 6 de agosto, a biblioteca do Supremo Tribunal Federal recebe o lançamento da obra O Avesso do Arbítrio: Estudos em Homenagem a Paulo Brossard de Souza Pinto, ex-ministro da Justiça, do STF e ex-senador da República. Sob a coordenação dos juristas Guilherme Barcelos, Gustavo Bohrer Paim e Miguel Tedesco Wedy, o livro tem prefácio do ex-presidente da República José Sarney, apresentação do ministro decano do STF, Gilmar Mendes; artigo do ministro André Mendonça, também do STF, e posfácio da ministra Maria Cristina Peduzzi, do Superior Tribunal de Justiça.