IA e as eleições

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Um estudo inédito pedido e financiado pela OpenAI, conduzido pelo professor de direito eleitoral e direito digital da Mackenzie e juiz substituto do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Diogo Rais, analisou como as plataformas de Inteligência Artificial estão se comportando com as restrições do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que entraram em vigor no dia 16 de agosto. Rais estudou o Chat GPT, Gemini, Claude e Grok com contas gratuitas e criadas somente para esta análise em 9 de setembro. Quando os usuários pediam ranqueamento de candidatos, o que é proibido pela Justiça Eleitoral, a IA respondia com pesquisas eleitorais registradas no TSE.

Passou na prova

Rais explica que “o Gemini, por exemplo, não ranqueou, só apresentou a pesquisa. Isso não é ilícito. Nesse caso, as IA cumprem o papel de informação. Então, além de não violar a regra, de uma certa maneira colabora com informação para o usuário”, observa. O levantamento registra também que não houve nenhum tipo de favorecimento à pesquisa A ou B, que as plataformas sugeriram os levantamentos mais recentes e nacionais.

Caso Arruda acende o alerta nos partidos

Publicado em coluna Brasília-DF, Eleições, Eleições 2026, PSD, Republicanos, TSE

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Ao barrar a candidatura de José Roberto Arruda (PSD) ao governo do Distrito Federal, o Tribunal Superior Eleitoral fez soar o alarme no PSD, comandado por Gilberto Kassab, e no Republicanos, presidido por Marcos Pereira. É que há candidatos a governador desses partidos sob risco de serem jogados ao mar. No PSD, o ex-prefeito de Macapá Doutor Furlan, que lidera as pesquisas, espera que o ministro André Mendonça devolva ao plenário da Corte eleitoral o processo em que ele é acusado de ter saído da prefeitura de Macapá para escapar da Lei da Ficha Limpa. Furlan pode ser enquadrado em razão da acusação de desvio de recursos de um hospital na cidade. O relator Dias Toffoli, já votou para barrar a candidatura. No Republicanos, é Anthony Garotinho, quem está fazendo campanha por uma liminar concedida pelo TSE. A dúvida dos presidentes dos partidos é se dá para continuar “investindo” o dinheiro do fundo eleitoral em campanhas que podem cair logo ali. O julgamento de Garotinho está marcado para a próxima terça-feira, no TRE do Rio de Janeiro.

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Pobre eleitor/ O caso de Arruda está resolvido, mas diante da fila de processos no TSE e nos TREs espalhados pelo país, o eleitor-contribuinte chegará ao dia da eleição com a névoa da insegurança jurídica sobre a cabeça. Há risco de muitos processos não serem decididos antes de 4 de outubro. Seja em relação ao caso Master, seja quanto à elegibilidade dos candidatos, o eleitor irá às urnas no escuro.

A aposta de Kiko

Tão logo o Tribunal Superior Eleitoral declarou José Roberto Arruda fora da corrida para o Governo do Distrito Federal, o candidato do Partido do Novo, Kiko Caputo, foi para as redes sociais com uma postagem que começava com o título “Manda para o seu amigo que iria votar no Arruda”. Todos agora vão correr em busca dos eleitores do segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto. E Kiko quer sair na frente.. Pelo menos, nessa corrida pelo votos de Arruda.

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

A aposta de Cappelli

Candidato do PSB ao GDF, Ricardo Cappelli (foto), fez uma postagem em suas redes dizendo que Celina Leão era quem mais queria a queda de Arruda e afirma que ela deseja concorrer contra Leandro Grass, do PT, em caso de segundo turno. Cappelli considera que agora, será uma nova campanha a partir do zero e lançou até um novo slogan: “Nem oito, nem oitenta, Cappelli é quarenta”, diz.

O paradoxo dos homens públicos

Publicado em Política

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 25 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Para os problemas da democracia, mais democracia. Essa máxima está cada vez mais distante do que se vê nesta campanha eleitoral, marcada por candidatos que falam muito para seus seguidores, mas se recusam a confrontar argumentos contrários. Nesta etapa a caminho do primeiro turno, permanece a estratégia de evitar críticas diretas de outros concorrentes ao cargo público.

Crédito: Kleber Sales

Trata-se de um paradoxo. Os postulantes a um cargo público rejeitam a possibilidade de passar por situações que possam deixá-los em má situação com o eleitorado. Com exceção de quem já decidiu o voto, é de se perguntar por que alguém confiaria um mandato para um candidato que nem sequer dá as caras em momentos relevantes.

Ao justificar a ausência, Flávio Bolsonaro afirmou que o adversário com quem pretende debater é o candidato à reeleição. Lula, por sua vez, lamenta a suposta baixa qualidade dos presidenciáveis, treinados para lacrar na internet. É uma lástima os dois não terem apresentado esses argumentos ao vivo e em cores.

Apatia

Especialistas avaliam que as faltas no primeiro debate presidencial podem se tornar uma tendência caso os eleitores não se incomodem com as ausências. “Se a ausência não custar votos, as cadeiras vazias podem se tornar cada vez mais comuns”, alerta o cientista político Murilo Medeiros.

Debate à la carte

Para ele, “o risco é consolidarmos uma espécie de ‘debate à la carte’, em que os candidatos escolhem quando participar, em qual emissora comparecer e, sobretudo, com quem estão dispostos a debater. Quem perde é a democracia, com presidenciáveis cada vez menos expostos ao contraditório”, acrescenta.

Amazonas na 6×1

O estado do Amazonas está representado em peso no debate sobre o fim da escala 6×1. Relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça, o senador Omar Aziz (PSD) acredita que a Casa não modificará o texto proveniente da Câmara dos Deputados. Já o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, pediu uma audiência com representantes dos trabalhadores e dos setores mais afetados. Braga e Aziz concorrem juntos no Amazonas: o líder do PSD disputa a eleição para governador; o emedebista busca a reeleição.

E as blusinhas, hein?

Em 1º de setembro, senadores e deputados deverão escolher um presidente e relator para a medida provisória que suspende a taxa das blusinhas na Comissão Especial. Por enquanto, três nomes estão em cena: Reginaldo Lopes (PT-MG), Jadyel Alencar (Republicanos-PB) e Rodrigo Valadares (PL-SE).

Caixa vazio

A ação de questionamento do PT sobre o Fundo Eleitoral, que só foi extinta pela Justiça Eleitoral recentemente, deixou muitos candidatos sem dinheiro logo na primeira semana de campanha. Alguns conseguiram se virar com valores do Fundo Partidário, mas a maioria recorreu às doações para viabilizar os primeiros compromissos.

Combustível

Com a liberação dos R$ 2,3 bilhões que estavam travados, parlamentares se preparam para acelerar as campanhas. Sem o dinheiro, nem mesmo trabalhar nas redes sociais estava sendo possível. Não havia como pagar impulsionamento nem equipe para essa função.

Justiça comum

A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha (foto), defendeu, ontem, que casos de violência doméstica contra mulheres das Forças Armadas sejam julgados pela Justiça comum, e não pela Justiça Militar. A magistrada alertou que o ordenamento jurídico civil oferece instrumentos de proteção às mulheres que não estão previstos na Justiça Militar.

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Maria da Penha

A ministra Maria Elizabeth tratou do tema em evento promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Rio de Janeiro, por ocasião dos 20 anos da Lei Maria da Penha. As participantes debateram maneiras de aprimorar a legislação no enfrentamento da violência contra a mulher.

O homem dos números

Esta semana, o candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) vai anunciar quem será o ministro da Fazenda, caso vença a eleição em outubro. Um dos colaboradores do presidenciável é o ex-secretário de Orçamento do Ministério do Planejamento Paulo Bijos. Ele deixou o governo Lula em 2024. À coluna, o consultor afirmou que auxilia no programa econômico de Renan como cidadão. No partido, Bijos será bem-vindo para integrar a equipe no Ministério da Fazenda, se assim desejar.

Desafio nas redes

Um desafio no combate à desinformação nas eleições é a eficiência para retirar do ar fake news e conteúdos irregulares. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) executa a tarefa de derrubar páginas na internet, mas depende de uma decisão judicial. Esse intervalo, que corresponde a uma eternidade no universo das redes sociais, preocupa especialistas.

Onde mora o perigo para Flávio

Publicado em coluna Brasília-DF, Crise entre os Poderes, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, PL, Política, Ronaldo Caiado, STF, TSE

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 7 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Os dois dígitos que o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, apresentou na pesquisa Correio/Opinião sobe intenção de votos no Distrito Federal, foram vistos nos partidos e centro — e até por integrantes do PL — como um sinal de que a candidatura do ex-governador de Goiás não pode ser desprezada. No DF, um dos menores colégios eleitorais do país, a pesquisa estimulada tem Flávio Bolsonaro (PL) com 33,5% na liderança; Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segundo, com 32%; Caiado em terceiro, com 11,5%; e Renan Santos (Missão), com 4,6%. Já tem gente apostando que Flávio, com uma rejeição alta, tem o recall de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Caiado, ao contrário, tem baixa rejeição e se conseguir se tornar conhecido, vai dar trabalho ao senador do Rio de Janeiro.

Crédito: Maurenilson Freire

Termômetro/ Os bolsonaristas não escondem o incômodo com os candidatos conservadores que concorrem em raias separadas do bolsonarismo-raiz. Um dos pontos que chamou a atenção até mesmo de integrantes do PL foi um post nas redes sociais do ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, candidato ao Senado em Santa Catarina. Diz o filho 02 de Jair Bolsonaro: “Os únicos três objetivos da chamada ‘terceira via’, hoje camuflada como a chamada ‘direita permitida’, são eleger Lula, enterrar politicamente Jair Bolsonaro e os presos do 8 de Janeiro (…)”. Termina dizendo que “esse grupo é ainda mais prejudicial ao país do que o próprio PT”. No DF, o raciocínio do ex-vereador carioca sobre eleger Lula não se sustenta, uma vez que, a preços de hoje, num segundo turno, Caiado teria 50% dos votos contra Lula e Flávio, 46%. Ambos derrotariam Lula, mas Caiado teria mais votos.

Um discurso para Lula

O pedido de conversa do presidente Lula com o dos Estados Unidos, Donald Trump, deixa o norte-americano na seguinte situação: se recusar, soará como alguém que não pretende dialogar com o Brasil, reforçando a narrativa de interferência no processo eleitoral; se Trump aceitar a conversa, quem não vai gostar é Flávio Bolsonaro.

Um teste para Messias

Após a nota dos 27 superintendentes regionais da Polícia Federal em defesa da direção e da independência da corporação, coube ao advogado-geral da União, Jorge Messias, intermediar uma reunião entre os ministro da Justiça, Wellington Silva, e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para tentar acertar os ponteiros em relação ao trabalho da PF e do STF nos casos envolvendo o INSS e o Banco Master. Se as conversas avançarem a bom termo, Messias, que foi apoiado por Mendonça quando da indicação para o Supremo, vira um potencial nome para a Justiça na hipótese de reeleição de Lula.

Veja bem

Lula não desistiu de indicar Messias ao STF, mas não pretende dar murro em ponta de faca. E se ficar praticamente impossível garantir os votos pró-Messias no Senado, o Ministério da Justiça é o caminho mais viável.

Aos números

Numa entrevista com Flávio Bolsonaro, a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, atacou o trabalho na área feito pelo governo Lula com dados da pandemia. “Se você pegar o primeiro semestre deste ano, são mais de seis mil empresas quebradas, sendo que na pandemia não foram duas mil quando ficou tudo fechado”, disse. Contudo, estudo divulgado em 16 de julho de 2020 pelo IBGE, intitulado “Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas”, apontou que mais de 716 mil empresas fecharam, sendo quatro em cada 10 devido à pandemia (522 mil).

CURTIDAS

Crédito: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Revisa aí/ A defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres pediu ao STF a revisão criminal da condenação dos 24 anos de prisão pela trama golpista. Os advogados declaram falta de provas e pedem a soltura imediata de Torres. Caso a absolvição seja negada, a defesa insistirá na redução da pena, sob a alegação de que não houve “fundamentação individualizada” no julgamento. O ex-ministro está preso na Papudinha desde novembro de 2025.

Corrige aí/ Até agora, pelo menos dois candidatos vieram a público explicar que houve erros em suas autodeclarações de raça ao Tribunal Superior Eleitoral. Candidata a vice-governadora do Rio Grande do Norte, Larissa Rosado (PSB) constava como parda e afirmou que vai pedir a correção. O segundo vice-presidente da Câmara, deputado Elmar Nascimento (União-BA, foto), candidato à reeleição, consta como negro. Vai solicitar a alteração.

Dégradé/ Em 2018, Elmar se declarou branco; em 2022, pardo; e em 2026, negro. E frisou que demais candidatos têm passado o mesmo. Em nota, afirmou que houve um erro: “Situações dessa natureza têm sido verificadas por outros candidatos durante o processo de registro de candidaturas para as eleições deste ano, evidenciando tratar-se de uma inconsistência pontual de natureza administrativa, passível de correção pelos meios legalmente previstos”, disse.

Hora da união/ O STF e o TSE deverão evitar alfinetadas públicas, na avaliação de fontes próximas aos magistrados. O Poder Judiciário passa pela sua pior crise de imagem, de acordo com interlocutores ouvidos pela coluna, e nesse momento, para amenizar a crise institucional, os ministros devem adotara unidade em vez da individualidade, como forma de protegerem a instituição.

Colaborou Renato Souza

Nunes Marques na batalha eleitoral

Publicado em coluna Brasília-DF, Congresso, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, PL, Política, PP, STF, TSE

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 4 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Na volta do recesso, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, fez o que se esperava: defendeu a urna eletrônica e o sistema que consagra a democracia brasileira. Para comprovar o que diz, pretende promover diversas demonstrações públicas, entre atividades educativas e visitas guiadas, acerca da “transparência” e “robustez” da urna eletrônica e do sistema digital de votação.

A mensagem de Nunes Marques é um contraponto à posição de Flávio Bolsonaro em relação à lisura da disputa eleitoral no Brasil. Em julho, o presidenciável lançou suspeitas sobre as urnas eletrônicas, ao mencionar uma empresa envolvida em suspeitas de fraude nas eleições venezuelanas. Na ocasião, o TSE afirmou serem “falsas as mensagens que circularam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil”.

Crédito: Maurenilson Freire

Para além do discurso, há uma expectativa de como Nunes Marques atuará ao longo dos próximos meses na batalha das urnas. Pesquisas eleitorais, uso de deep fakes e suspeitas contra a eleição são os primeiros problemas a desafiar a corte comandada pelo ministro. Há, ainda, a vigilância de integrantes do Supremo Tribunal Federal, como o ministro Alexandre de Moraes. Ele já deixou claro ter uma visão bastante severa sobre artimanhas como o vídeo de IA com Jair Bolsonaro. Moraes cobrou explicações da campanha de Flávio, alegando possível “flagrante desrespeito à legislação eleitoral.”

Violência processual

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deve aprovar, nesta terça-feira, uma recomendação para orientar magistrados a identificar e coibira violência processual de gênero — quando o processo judicial é usado para intimidar, controlar, retaliar ou revitimizar mulheres.

Não à intimidação

Relatora da proposta, a conselheira Jaceguara Dantas afirma que a medida busca impedir que o próprio sistema de Justiça seja transformado em instrumento de perpetuação da violência. Segundo ela, é comum que, após a vítima denunciar o agressor, este passe a mover sucessivas ações nas áreas cível, criminal e de família como forma de intimidação e continuidade do ciclo de violência. A iniciativa será apresentada às vésperas dos 20 anos da Lei Maria da Penha.

Suspense

Na convenção partidária estadual realizada no último fim de semana, a federação União Progressistas deixou em aberto a decisão de apoiar ou não a candidatura do ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB). O evento oficializou a candidatura do deputado Arthur Lira (PP) ao Senado, mas sem nome ao governo ou apoio ao projeto de JHC. A Federação e o PSDB devem conversar mais até amanhã para selar ou declinar do apoio ao ex-prefeito.

Cálculos mineiros I

O PL de Minas Gerais entrou em campo para apoiar a candidatura do senador Cleitinho (Republicanos) ao governo. O presidente do diretório estadual, deputado Zé Vitor, reuniu-se ontem com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, para reforçar o apoio ao senador e garantir a aliança até o final.

Cálculos mineiros II

O movimento, contudo, foi insuficiente. Agora, o PL vai recalcular rota e organizar a chapa própria ao governo mineiro. A ideia de coligar com o senador republicano era atrair o apoio da federação União Progressista e formar uma grande aliança da direita no estado.

Chapa feminina

Após a expulsão de Aldo Rebelo do partido e a desistência do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa de concorrer ao Palácio do Planalto, o Democracia Cristã aposta na força das mulheres para a corrida presidencial. O partido deve oficializar, amanhã, o nome da advogada e presidente do diretório em Mato Grosso, Clariana Barão, como candidata à presidente e o da advogada Fabiana Torquato como sua vice.

Crédito: Antonio Leal/TCU

O fator Lula

Aliados do ex-prefeito de Recife João Campos (PSB) acreditam que, quando o presidente Lula subir ao palanque do presidente do PSB, o nome de Campos vai deslanchar na eleição para o governo de Pernambuco. Eles afirmam que não veem Lula apoiando Raquel Lyra (PSD). Explicam que há vários gestos do PT ao PSB, como a manutenção da vice-presidência de Geraldo Alckmin. Não haveria motivos, portanto, para se fazer “uma descortesia” com João Campos.

Contas públicas

O presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Vital do Rêgo Filho (foto), é um dos palestrantes do 8º Brasília Summit Lide Correio Braziliense. Amanhã, a partir das 8h, no Hotel Brasília Palace, juristas, parlamentares e empresários debatem a segurança jurídica e os desafios para o desenvolvimento da infraestrutura do Brasil. Todos os leitores poderão acompanhar pelas redes sociais do Correio, TV Lide e se informar sobre os principais pontos do evento na edição impressa do Correio Braziliense.

Pede pra sair, Wagner

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, PT, Senado, TSE

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 19 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Atordoados com as investigações sobre o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA),e a relação dele com o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, muitos petistas se preparam para pedir que o senador seja afastado da liderança a fim de preservar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Querem que ele faça tal como Henrique Hargreaves nos tempos do governo Itamar Franco. Então chefe da Casa Civil, Hargreaves tinha sido citado no escândalo do Orçamento. Por isso, deixou o cargo e, terminada a investigação com seu nome limpo, retornou ao gabinete no Planalto. Caso demitido, seria o mesmo que conceder a Wagner um atestado de culpa. Se ele pedir para sair, a fim de defender, o discurso não muda, porém, o presidente se preserva. É isso que estará em avaliação nos próximos dias.

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Dois pesos, duas medidas/ A aposta de muitos é de que a questão dos euros e dólares em espécie, encontrados em endereços ligados ao senador, podem perfeitamente ser explicados com as diárias dadas pelo Senado a missões no exterior. Entretanto, essa conta precisa fechar. Já o apartamento, os ingressos e as caronas de jatinho são mais difíceis. E certamente tudo será explorado na campanha. Na montanha russa da Compliance Zero, que investiga o Banco Master, essa é a vez do PT.

Jogo de empurra

Cada candidato vai tentar usar o desgaste em relação ao Master para atacar o adversário. Dentro do PT, por exemplo, a ordem é dizer que quem precisa se explicar é Wagner e não Lula. E, no PL, quem precisa se explicar é o pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro. A intenção do PT é tentar restringir à Bahia o desgaste provocado pelo senador.

Por falar em Lula…

O presidente ligou para Wagner, oficialmente, para prestar solidariedade — Lula sabe o que é ser acusado. Porém, tinha outro fator: assuntar o que Wagner faria em relação à liderança do governo, tema que não fez parte da conversa.

Por falar em Bahia…

Ao responder a perguntas sobre a Operação Compliance Zero na Band News, Wagner relembrou quando foi alvo da Polícia Federal por suspeita de fraudes na construção da arena Fonte Nova. À época, o senador foi acusado deter recebido R$ 82 milhões, mas o caso foi arquivado por falta de provas. Ele acredita que o mesmo ocorrerá agora.

Uma dificuldade amais para a eleição

“Fakenews” promete ser um dos grandes desafios das eleições. A pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política mostrou que apenas 11% dos brasilienses sentem segurança para identificar uma notícia falsa, enquanto mais da metade diz ter dificuldade. O percentual daqueles que não conseguem é de 35%. Com esse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisa se preparar para combater com efetividade as fakenews durante o período eleitoral.

CURTIDAS

Crédito: redes sociais

Augusto, o especialista/ Jaques Wagner se referiu a Augusto Lima como um grande investidor. Realmente, conforme o leitor da coluna já sabe, Lima e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, eram “os cérebros” do mercado financeiro ligados a Daniel Vorcaro.

Pressão pela taxa das blusinhas/ Entidades que representam os setores produtivos apresentaram um manifesto clamando por isonomia tributária, principalmente depois de o governo revogar a taxa das blusinhas — que beneficia vendedores estrangeiros no Brasil. Para o setor, a medida causa concorrência desleal, tanto que deseja apenas a adoção de regras equivalentes para empresas brasileiras e estrangeiras.

PO na área/ Em reunião em Brasília (foto) em que esteve também o pré-candidato José Roberto Arruda, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, pediu para que o empresário Paulo Octávio avalie a possiblidade de ser candidato ao Senado. Ainda não está fechado, mas o nome começará a ser testado em pesquisas no Distrito Federal. Paulo Octávio já foi deputado, senador e ficou de pensar a respeito. Com as convenções marcadas para o fim de julho, segue-se a máxima de que “quem tem tempo não tem pressa”

Filas e brasileiros/ Ao embarcar no voo Latam para o Rio de Janeiro, ontem, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Phillipe Vieira de Mello Filho, ficou na fila como todos os mortais, dispensando o tratamento especial de embarque que a Polícia Federal fornece a autoridades. Já no lançamento do livro em homenagem ao ministro Sebastião Reis, do Superior Tribunal de Justiça, colegas dele do STJ “furaram” a fila sem a menor cerimônia.

62,9% dos brasileiros consideram consultar IAs em busca de informações de candidatos nas eleições

Publicado em Eleições, IA, TSE

Crédito: Caio Gomez

Por Eduarda Esposito — Uma pesquisa com eleitores brasileiros mostrou que 62,9% consideram utilizar Inteligência Artificial (IA) para realizar pesquisa sobre candidatos para as eleições deste ano. O levantamento foi realizado pelo Projeto Brief — plataforma de comunicação política com foco em dados e campanhas mobilizadoras. O estudo revela ainda que dentro esse percentual, 22,4% a tratariam como uma fonte útil como qualquer outra e 40,5% a consultariam, mas verificariam em outras fontes também. Os outros 23,2% preferem fontes humanas, como jornalismo e debates, e apenas 13,9% declaram não confiar em IA para informações políticas.

Para a coordenadora do projeto, Carol Luck, esses são dados preocupantes porque as IAs não são totalmente confiáveis. “As respostas geradas por IA não são 100% confiáveis — e isso é algo que as próprias plataformas sinalizam. Nem sempre fica claro de onde veio a informação, quais fontes foram consultadas ou se os dados estão atualizados. Em ano eleitoral, isso tem peso: a decisão de voto pode passar por respostas automatizadas que induzem ao erro”, alertou.

O estudo mostra que 44,3% dos brasileiros usam IA para buscar notícias ou informações, e 38,3% usam para checar se uma informação é verdadeira. Com isso, a pesquisa revela que 73,8% dos usuários de IA, no dia a dia, demonstram algum grau de abertura para recorrer à ferramenta como fonte de informação política.

Real x fake

O levantamento também fez a análise de identificação do conteúdo, se as pessoas conseguem distinguir o que é algo criado por IA e o que é verdadeiro. O resultado mostra que a maioria dos participantes não soube identificar o que era real ou não. No experimento audiovisual produzido por IA, 45,3% afirmaram que o conteúdo era artificial, 33% afirmaram que era original e o restante não soube diferenciar. Já com o vídeo original, 33,9% acreditou que era feito por IA, enquanto 40,7% identificaram que era original.

“Isso revela uma crise de autenticidade. Em 2026, campanhas, instituições, jornalismo e organizações civis terão de lidar com dois problemas ao mesmo tempo: conteúdos falsos circulando como reais e conteúdos reais”, comentou os produtores da pesquisa.

A dificuldade também tem idade. No grupo de 18 a 29 anos, 58,2% identificaram corretamente o vídeo fake. Entre pessoas com 61 anos ou mais, apenas 20,9% fizeram essa identificação. E na população idosa, 47% disseram que o vídeo sintético era original. “O recorte por idade mostra uma vulnerabilidade importante para públicos mais velhos, especialmente diante de conteúdos plausíveis, com personagens reconhecíveis e circulação em ambientes de confiança pessoal, como grupos de WhatsApp. Há também um alerta entre jovens. Eles detectam melhor o conteúdo sintético, mas 39% classificaram o vídeo original como IA. A suspeita pode virar excesso de desconfiança. Esse é um dos pontos mais sensíveis da pesquisa: formar pessoas para identificar manipulação exige também fortalecer critérios para reconhecer conteúdo autêntico.sendo percebidos como suspeitos”, comentou Luke.

O estudo também mostra que 71,6% dos entrevistados acreditam que a inteligência artificial pode ser usada para influenciar eleições. “A disputa eleitoral com IA também será uma disputa pela qualidade das respostas. Em um ambiente de busca conversacional, quem pergunta sobre política recebe sínteses prontas. A confiabilidade dessas respostas dependerá da qualidade das fontes, das regras das plataformas e da capacidade pública de exigir transparência”, completou.

No que se refere à fiscalização e responsabilidade pelo controle do uso de inteligência artificial na política, a maioria apontou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citado por 51,6% dos participantes. Em seguida aparecem o governo federal (42,1%), as plataformas digitais (38%), os cidadãos (24,2%) e organizações da sociedade civil (17,8%).

O estudo

Realizada entre 25 e 29 de abril de 2026, com 2.483 participantes de todo o país recrutados via redes sociais, a pesquisa foi dividida em três grupos: controle (1.000), expostos ao vídeo com IA (723) e expostos ao vídeo original (760). O levantamento integra uma nova frente de análise do Projeto Brief sobre os impactos da inteligência artificial na democracia e na formação da opinião pública no Brasil. Para mais informações acesse.

PL apostará no atraso da 6X1

Publicado em 6x1, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado, STF, TSE

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 5 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

O presidente da Câmara e o PL estão em campos opostos na Proposta de Emenda à Constituição que trata do fim da escala 6×1 da jornada DE trabalho. O partido tem setores contra a proposta, mas, incialmente, não quer tratar da derrubada pura e simples porque considera que há um grande contingente de trabalhadores a favor. Portanto, será preciso esperar o projeto de cantar para, mais à frente, definir uma posição com base no texto que chegar ao plenário.

Nem tanto/ O partido de Jair e Flávio Bolsonaro, porém, se ficar sozinho nessa empreitada, não terá força para rejeitar a proposta. É que o presidente da Câmara, Hugo Motta, espera levar o tema a plenário ainda em maio. E ele tem a prerrogativa de, se a Comissão Especial demorar muito, avocar o texto para o plenário.

Põe lenha, Janja!

A ala do PT que deseja ver o presidente Lula no ataque contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, espera contar com a primeira-dama Janja Lula da Silva no sentido de colocar lenha nessa fogueira. Afinal, ao ajudar na derrocada de Jorge Messias, Alcolumbre impôs ao presidente uma derrota histórica, que ainda não foi digerida. As apostas são as de que vem troco, mas não em praça pública.

Calma aí

Se for muito a fundo nessa guerra, o presidente precisará se preparar para perder as esperanças de aprovar as propostas de interesse do governo antes das eleições. Ou conserta a relação com o Senado, ou novas derrotas virão. É ali que estão, hoje, os problemas do governo no Poder Legislativo.

O que interessa

Um dos principais planos de Lula, hoje, além da escala 6X1, é o Desenrola, lançado ontem. Se Alcolumbre barrar esses textos, muita gente acredita que brigará com a população, e não propriamente com Lula.

Cedo demais

O fato de o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes ter rejeitado o pedido de redução da pena da “Débora do batom”— como é conhecida a cabelereira que escreveu “Perdeu, mané” na estátua da Justiça em frente ao STF — foi considerado um mau presságio aos defensores da proposta da dosimetria. Porém, é preciso aguardar. Afinal, ainda não foi publicada a proposta com os vetos derrubados. Só depois disso é que a Suprema Corte poderá deliberar.

Difícil evitar

Quem conhece o modus operandi considera que ainda haverá muita discussão no STF aesse respeito. Ou seja, dificilmente a proposta escapará da chamada judicialização.

CURTIDAS

Crédito: Mariana Lins

E as terras raras, hein?/ O setor privado passou a noite estudando o texto apresentado pelo deputado Arnaldo Jardim (foto), do Cidadania-SP, sobre minerais críticos. O fato de não ter uma nova estatal para tratar desse tema foi muito bem recebido. Se depender do relator, do autor da proposta — deputado Zé Silva (MG) — e do presidente da Câmara, Hugo Motta, vota nesta semana.

Enquanto isso, em Minas Gerais…/ O presidente do PSDB, Aécio Neves, coloca no ar as inserções partidárias em seu estado, em que diz, textualmente, que a voz de Minas deixa de ser ouvida e, “quem paga são os mineiros”. Ao citar o que considera os principais avanços do estado no tempo em que era governador, Aécio convida os telespectadores a colocar “Minas de volta ao futuro”, com a filiação ao PSDB. Muitos consideram a atual gestão de Aécio no PSDB o último esforço para reerguer o partido que já ocupou o Planalto e fez o Plano Real.

Participação da juventude/ Durante a celebração dos 30 anos da criação da urna eletrônica, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, ressaltou aos jovens presentes que o Brasil ainda não tem igualdade no número de candidatos e candidatas. “Queremos que vocês, jovens, se coloquem (como candidatos) para que tenha paridade (de mulheres e homens nas eleições futuras)”, disse a ministra.

Batismo/ Inclusive, durante o ato, a urna recebeu um nome: Pilili, uma onomatopeia referente ao som eletrônico que avisa ao eleitor que o voto foi depositado na urna. Os convidados ganharam, ainda, uma “lembrancinha” do batizado, uma ecobag e álbum de figurinhas.

Assédio sobre Lula

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Lula, Política

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 26 de dezembro de 2025, por Luana Patriolino com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Na posse do novo ministro do Turismo, o paraibano Gustavo Feliciano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi assediado por políticos que devem dar palanque à oposição em 2026. Foi o caso do atual vice-governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), que tirou fotos com o chefe do Planalto mesmo sendo candidato a governador com apoio do bolsonarista Ciro Nogueira. Quem dará palanque ao petista na Paraíba é o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), que já lançou sua candidatura ao governo estadual.

Nada aconteceu

Seis meses depois, nada mudou. Na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), domina o clima de insatisfação com a presença de Luiz Fernando Corrêa ainda no comando do órgão. Os servidores fizeram pressão — e até ameaçaram greve — para demissão do diretor-geral. Nome de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Corrêa foi indiciado pela Polícia Federal por obstrução de Justiça no caso da Abin paralela. O chefe do Planalto prometeu resolver a questão, mas o ano está acabando e nada foi feito.

Mudanças

Com Rui Costa na lista dos ministros que deixarão o governo federal no início de 2026, Lula já tem uma escolhida para chefiar a Casa Civil. Trata-se de Miriam Belchior, número dois da pasta e nome conhecido do PT. Ela ocupou o cargo de ministra do Planejamento na gestão de Dilma Rousseff e, antes, em 2004, foi subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil. Caso assuma o órgão, os servidores da Abin não descartam procurá-la, pois, pelo que se sabe, ela não se bica com Luiz Fernando Corrêa.

Pendências do BRB

Em meio à polêmica do Banco Master, outros esqueletos do BRB foram desenterrados para o começo de 2026. O ex-presidente da instituição Tarcísio Franklin de Moura é acusado de comandar um esquema que desviou R$ 400 milhões do banco, entre 2004 e 2007. Após o réu ser condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT), em 2021, a ação foi levada para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e está pautada para ser analisada em fevereiro.

Ainda não

A defesa de Tarcísio Franklin de Moura contava com a prescrição do caso em outubro do ano passado, mas o STF decidiu manter uma decisão cautelar sobre o prazo prescricional na nova lei de improbidade administrativa — passando de quatro para oito anos.

Ódio às mulheres

Um ano após o governo federal sancionar a lei que torna o feminicídio crime hediondo, o número de mortes de mulheres não para de crescer. Na sociedade, cresce a expectativa de que o Congresso trate de projetos de lei sobre o tema em 2026. O assunto também deve ser amplamente explorado no debate eleitoral. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam um aumento de 26% no número de tentativas de feminicídio em 2024. De janeiro a setembro de 2025, mais de 2,7 mil sofreram esse tipo de crime. Outras 1.075 morreram.

Crédito: Marcelo Regua/Gov Rio de Janeiro

Na mira

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se prepara para retomar o julgamento de dois governadores por abuso de poder político e econômico referente às eleições gerais de 2022. O primeiro envolve o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (foto). De acordo com a acusação, houve desvios de recursos públicos para promover a sua candidatura no pleito.

Pedido de vista

O outro refere-se ao governador reeleito de Roraima, Antonio Denarium, por distribuir cestas básicas e por reformar casas em ano eleitoral. Ambas as ações foram suspensas por pedidos de vista (mais tempo de análise) e estão sob relatoria da ministra Isabel Gallotti.

Bons ventos para Lula

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Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 2 de outubro de 2025, por Luana Patriolino com Eduarda Esposito

Depois de tempos difíceis do terceiro mandato, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem surfado em uma onda positiva com a boa repercussão do discurso na abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na semana passada, e o recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Crédito: Caio Gomez

Além da popularidade com os eleitores, o chefe do Planalto está convencido de que o Congresso irá aprovar a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Para coroar o momento, ele também autorizou o Ministério dos Transportes a levar adiante o fim da obrigatoriedade de autoescola para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Largada para 2026

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, realiza, hoje, às 9h, a cerimônia de início do Ciclo de Transparência Democrática — Eleições 2026. O evento marca a abertura dos códigos-fonte dos sistemas eleitorais que serão utilizados no pleito do próximo ano. A solenidade contará com a presença dos ministros da Corte, com apresentação da parte técnica conduzida pelo secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal, Júlio Valente.

Segurança e transparência

Os códigos-fonte reúnem as instruções que definem o funcionamento dos sistemas eleitorais, garantindo segurança e integridade ao longo do processo de votação. Ao analisá-los, as instituições fiscalizadoras realizam uma auditoria nos sistemas, o que reafirma a transparência eleitoral. “A urna eletrônica brasileira, auditável, segura e transparente, é hoje estudada no mundo inteiro como modelo” , afirmou a ministra Cármen Lúcia.

E por falar em eleições…

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem dado sinais de que está desistindo da disputa presidencial de 2026 e que irá focar, mesmo, na reeleição em São Paulo. Com isso, a direita tenta redesenhar o cenário para a disputa do ano que vem. Continuam no páreo os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União); do Paraná, Ratinho Júnior (PSD); e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

Evitando polêmicas

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux e Luís Roberto Barroso estiveram juntos, ontem, no Ibmec Brasília para o primeiro Encontro Jurídico Nacional. Fux abordou os reflexos da segurança jurídica no cenário nacional e Barroso fez a conferência de encerramento sobre os desafios contemporâneos do direito, diante das transformações sociais e econômicas. No evento, eles evitaram comentar temas espinhosos, como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e as sanções da Lei Magnistky — que atinge o ministro Alexandre de Moraes e a mulher.

Vitória para a FNP

Com a aprovação do projeto complementar da reforma tributária, a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) conseguiu manter o direito de eleição para as 13 vagas do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS). A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) poderá pleitear as outras 14 vagas. As entidades precisam indicar os membros do comitê provisório até 31 de outubro. Eles ficarão no cargo até 31 de março de 2027.

Isenção insuficiente

O deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP) afirmou à coluna que o projeto de isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil é populista, eleitoreiro e não beneficia o contribuinte. Para o parlamentar, a isenção deveria ser mais ampla, contemplando todas as faixas de contribuintes. “O governo teve dois anos para agir e esperou até agora para apresentar algo tímido e insuficiente” , disse.

Olho na manipulação

O líder do Solidariedade na Câmara dos Deputados, Aureo Ribeiro (RJ), protocolou um projeto de lei que visa proteger a voz e a imagem das pessoas e blindar o processo democrático contra as crescentes manipulações digitais — as “deepfakes” —, que simulam pessoas com alto grau de realismo. Ele pretende levar o tema ao colégio de líderes da Casa para acelerar a tramitação da proposta. “Não se trata de censura, crítica, humor ou jornalismo. Nossa proposta visa proteger o debate público e o cidadão contra o engano deliberado” , justificou.

Pouco investimento

O Brasil investiu apenas 2,22% do PIB em infraestrutura em 2024, percentual inferior à própria depreciação anual dos ativos (2,27%). O dado faz parte do Raio-X do Setor de Infraestrutura Brasileiro — 2025, elaborado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Segundo o estudo, o país precisaria investir mais de 4% do PIB ao ano, por pelo menos duas décadas, para alcançar a média global de estoque de infraestrutura, que corresponde a 60% do PIB.