A hora de Fachin assumir

Crédito: Kleber Sales
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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 2 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Quem entende do traçado e é do meio jurídico considera que somente o presidente do Supremo Tribunal Federal possui atribuições administrativas e competência jurisdicional para abrir sindicância contra um integrante da Corte, salvo se decidir delegar essa competência a outro colega. Isso significa que o ministro Edson Fachin, o comandante do Supremo, é quem tem hoje o poder de investigar o ministro Alexandre de Moraes ou indicar quem deve fazê-lo. Só tem um probleminha aí: a depender da avaliação de Fachin, o ministro André Mendonça perderia toda a relatoria do caso Master. E isso hoje, no STF, passaria a ideia de que querem barrara investigação. E diante de uma Suprema Corte tão desgastada, fica mais difícil.

Crédito: Kleber Sales

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Um problema para André/ Dentro da Justiça, o que se diz é que André Mendonça, ao esbarrar nos diálogos suspeitos envolvendo Moraes, deveria suspender todos os seus atos dentro do inquérito do Master e remeter tudo ao presidente do STF para adoção das providências administrativas e penais. Essa atitude caminha para transformar Fachin em relator de todo o inquérito do Master, salvo se entender que não há conexão entre os fatos ora encontrados em relação a um ministro e o objeto do inquérito do Master. Esse é, hoje, o cerne das discussões sobre o futuro do caso Master no STF. É hora de enfrentar esse tema que os ministros tentavam contornar, sem expor Moraes. Agora, não dá mais.

Moraes e a fritura do STF

Edson Fachin analisa instalar inquérito contra Moraes. Ele está para lá de preocupado e considera grave o que foi revelado sobre a relação entre o ministro e Daniel Vorcaro. O comandante da Suprema Corte não esperava tamanha crise sob sua gestão. Quanto antes o pleno decidir sobre o “caso Moraes” — é assim que os ministros se referem às denúncias —, menos a crise se arrasta.

Um Sete de Setembro contra Moraes

A oposição espera aproveitar essas denúncias contra o ministro Moraes como um chamamento para o Sete de Setembro na Avenida Paulista. Só tem um probleminha: com a revelação de outros repasses de dinheiro de Vorcaro para o filme Dark Horse, além do que havia sido divulgado até agora, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também terá que se explicar. Afinal, os repasses foram feitos a pedido do presidenciável e, até agora, não há a certeza deque esses valores foram mesmo parar na produção do longa-metragem.

E os valores só crescem

A revista Piauí trouxe à tona mais um repasse ao filme, o que eleva de US$ 10 milhões para US$ 12,3 milhões os valores repassados a um fundo de investimentos para a produção.

Senado esvaziado

Com o caso Vorcaro voltando a esquentar o clima seco de Brasília, os senadores começam a retornar mais cedo do que estava previsto. Afinal, são duas frentes: uma que trata do caso Alexandre de Moraes e outra sobre o financiamento do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

Causa e consequência

Com as denúncias, as chances de votação de projetos importantes são remotas. Os avisos de que muitos voltarão aos estados ainda na manhã de hoje acendeu um alerta vermelho para a base do governo Lula. São duas propostas de emenda constitucional (PECs) e uma série de medidas provisórias que precisam ser votadas ainda esta semana. Além disso, as PECs têm de ter quórum qualificado e registro de presença no plenário da Casa.

CURTIDAS

Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

Haja pressão/ O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), conversou com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), reforçando o pedido para que não votasse a PEC do fim da escala 6 x 1 no plenário hoje. Marinho espera que Alcolumbre mantenha o que foi dito anteriormente — que não haveria apreciação da matéria antes das eleições.

Falte, mas responda por isso/ O relator da PEC do fim da escala 6 x 1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Omar Aziz (PSD-AM, foto), foi direto: “Quem faltar à sessão é porque não quer votar o fim da 6 x 1. E a imprensa vai mostrar quem são”.

As diferenças só cresceram/ Em agosto de 2025, os ministros Moraes e Mendonça foram destaque no Forum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro. Ali, Mendonça foi contundente ao dizer que “o Estado de Direito fortalecido demandava uma autocontenção do Poder Judiciário”. No mesmo evento, ao falar ao final, Moraes disse “juiz que não resiste à pressão que mude de profissão”. Se já estavam em campos opostos lá atrás, agora, então, é que o caldo entornou de vez.

E agora…/ Vejamos como estarão daqui a um ano, depois de divulgada no inquérito uma frase, dita pelo ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, Fábio Faria, a Daniel Vorcaro, referindo-se a um contrato do ex-banqueiro com o escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci: “O careca não pode atrasar”.

Colaborou Renato Souza

A economia e as narrativas sobre o funcionalismo

Crédito: Maurenilson Freire
Publicado em 6x1, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, IA, Orçamento, PL, Política, Reforma Administrativa, Segurança Pública, Senado, STF, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 1⁰ de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire
Crédito: Maurenilson Freire

Com a entrega do Orçamento da União ao Congresso esta semana e os projetos em pauta, o presidente Lula se prepara para dizer, no horário eleitoral, que seu governo acena com responsabilidade fiscal sem tirar de cena os programas sociais. Encaixará nesse discurso pontos levantados pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sobre uma reforma administrativa que “enfrente as corporações” . Durante a participação no Macro Day, do BTG Pactual em São Paulo, Marinho não esmiuçou a proposta de reforma administrativa, mas disse que é preciso enfrentar as corporações, algo que, na visão dele, o atual governo não fará. Há um receio, no poder público de forma geral, de que essa reforma administrativa reduza o ingresso por concurso em alguns cargos e que isso represente um afrouxamento nos mecanismos de controle. Incluídos aí a Receita Federal, a Polícia Federal, o Ministério Público, o próprio Coaf — o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que, hoje, alerta todas essas instituições a respeito das transações financeiras atípicas.

Retorno ao passado/ Um grupo pensa, inclusive, em recuperar a frase do então presidente Jair Bolsonaro, numa reunião em 2020, quando ele foi direto ao dizer que não esperaria “f.. a família” , para trocar alguém de segurança na ponta. “Se não puder trocar, troca o chefe, se não puder trocar, troca o ministro” . Aliás, com a campanha esquentando, as frases antigas de Bolsonaro serão revisitadas por todos os adversários.

Lula e Alcolumbre I

Ao indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga de Bruno Dantas no Tribunal de Contas da União (TCU), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, garante um lugar de peso para o seu aliado, mas não sela a sua pacificação com Lula, uma vez que este posto já é de indicação dos senadores. O que falta para dar os 100% entre Lula e o senador amapaense é Alcolumbre desmontar as travas para a aprovação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal.

Lula e Alcolumbre II

Como o leitor da coluna já sabe, o presidente Lula não desistiu de indicar o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) e planeja fazer isso depois da eleição. Porém, já tem gente apostando que Bruno Dantas não teria deixado o cargo sem a promessa de uma indicação ao STF. Com isso, duas das possíveis quatro novas vagas na Suprema Corte seriam destinadas a homens.

Vão dificultar

A oposição no Senado promete uma votação demorada da PEC do fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Para isso, preparou um kit obstrução robusto para comissão e plenário, caso necessário, e garante que votará contra o texto, diferentemente do que ocorreu na Câmara. De acordo com senadores ouvidos pela coluna, a oposição não irá se “furtar” do compromisso com o Brasil e com quem gera emprego no país, diferente dos deputados que não bancaram o voto contrário. “Lula está buscando a bala de prata, que não ocorrerá” , diz o senador Rogério Marinho.

Convocação geral

Parlamentares da base do governo Lula estão a caminho de Brasília nesta semana para a possível votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 no Senado. Mesmo em período eleitoral, deputados e senadores estão confirmando presença no Congresso Nacional hoje e, principalmente, amanhã. A expectativa no Parlamento é a de que o texto seja aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) amanhã.

CURTIDAS

Efeito Cury/ Se as futuras pesquisas confirmarem o crescimento de Augusto Cury nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá que rever a sua disposição de não participar de debates. Pelo menos essa é a opinião de deputados que apoiam a candidatura do senador. É que, com vários representantes mais conservadores no páreo, quem não se apresentar corre o risco de perder a torcida.

O entusiasmo fala/ Se alguém tinha alguma dúvida sobre para que lado pende o coração de, pelo menos, parte dos barões do mercado financeiro nesta eleição, agora não tem mais. Na plateia do Macro Day, do BTG Pactual, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha de Flávio Bolsonaro, foi ovacionado ao dizer que era preciso tirar o PT.

Novos tempos/ Para a mesma plateia do BTG, o vice-presidente Geraldo Alckmin havia dito antes do senador potiguar que há uma tendência natural no mundo de redução da jornada (e/ou escala) de trabalho e que era possível a aprovação da PEC esta semana. Teve gente se remexendo na cadeira.

Crédito: Washington Costa

E a segurança, hein?/ Logo depois de se referir à segurança pública como algo que a Constituição atribui aos estados e não à União, o ministro da Fazenda, Dario Durigan (foto), se referiu ao aniversário de um ano da Operação Carbono Oculto, que desbaratou um esquema do crime organizado para lavar dinheiro usando postos de combustíveis e fundos de investimentos. E foi além, ao dizer que está-se montando um sistema de IA para a realização de uma Carbono Oculto a cada dois meses. Se for por aí, avaliam governistas, Lula pode ter um passe para entrar com o pé certo no discurso de combate ao crime organizado.

Colaborou Luiza Altoé

Delação de Daniel Vorcaro trava antes do primeiro turno

Publicado em Política

Coluna Brasília-DF publicada na sábado, 30 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Quem quiser apostar que uma delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro saia antes das eleições arrisca perder dinheiro ou um bom vinho. Preso e acusado de fraude contra o sistema financeiro, apenas agora veio a perspectiva de uma nova delação, que ainda precisa ser posta no papel, avaliada pelos investigadores, pelo Ministério Público e por aí vai. Esse processo leva, pelo menos, 30 dias. Portanto, difícil que ele sirva de balizador do eleitorado na reta final da campanha. Aliás, o que se ouve no Supremo Tribunal Federal é que isso não pode ser usado para beneficiar ou prejudicar o candidato A, B ou C. O mesmo raciocínio vale para o caso das emendas parlamentares. A ideia é suspender operações ao longo do processo para evitar acusações de interferência no processo. A não ser que seja algo tão grave que não possa ficar para depois.

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Quem perde de fato/ Essa demora, porém, seja com a delação de Vorcaro (se for realmente uma delação contando tudo), seja com o caso das emendas, deixa o eleitor sem todas as informações para que possa decidir de forma mais clara em quem votar, avaliando erros e acertos de cada candidato. Triste de quem terá que votar com essa sombra sobre o futuro.

Um acordo futuro

O almoço entre o presidente Lula e os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e o do Senado, Davi Alcolumbre, foi muito além dos projetos em pauta. Pelo andar da carruagem, ficou meio que alinhavado um entendimento num cenário de Lula reeleito. Consiste no seguinte: se Motta e Alcolumbre tiverem condições de reeleição para as posições que ocupam, terão o apoio do PT.

E um baixar a poeira

A ordem entre eles é trabalhar para retomar o que Lula chamou de “institucionalidade”. Ou seja, baixar a temperatura das crises entre os Poderes para trabalhar os problemas do Brasil, em especial, a economia e os projetos de desenvolvimento.

A esperança de virar a página

O esforço concentrado desta semana é visto como a esperança do presidente Lula e de seus aliados de colocar uma pauta positiva na campanha eleitoral, a começar pela medida provisória que acaba com a taxa das blusinhas, a ser relatada pela senadora Leila Barros (PDT-DF), a Leila do Vôlei, passando ainda pelo marco legal dos minerais críticos e o fim da escala de trabalho 6×1.

Um flanco aberto I

O presidente Lula vai aproveitar o fato de o senador Flávio Bolsonaro ter dito em entrevista ao Jornal Nacional que não acredita no aquecimento global para empinar a bandeira ambiental e tentar classificar o candidato do PL como alguém que despreza a ciência. Afinal, o aquecimento já foi consagrado pelos cientistas e os problemas econômicos e sociais causados por esse fenômeno crescem a cada dia. A última tragédia foi na semana passada, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O Rio Grande do Sul, por exemplo, continua em alerta para tempestades e ventos fortes, onde duas pessoas morreram.

Um flanco aberto II

Não foi apenas Flávio que deixou abertura para ataques dos adversários. O fato de Lula ter aparecido em fotos antigas ao lado da lobista Roberta Luchsinger, depois de dizer que não conhecia a “pilantra”, fará do presidente-candidato alvo fácil nos próximos dias, tal e qual Flávio Bolsonaro virou depois de dizer que não tinha nada com Daniel Vorcaro. O financiamento do filme veio a público e deixou o candidato numa defensiva da qual ele não consegue se livrar, uma vez que ele próprio mencionou um contrato com Vorcaro que nunca foi apresentado. Flávio insiste em dizer que não houve dinheiro público, embora o financiamento tenha vindo de um banco que captou recursos em fundos de previdência, inclusive do Rio de Janeiro, onde ele é senador.

CURTIDAS

Tensão/ No entorno de Lula, o que se diz é que a lobista Roberta Luchsinger não tem nada que possa comprometer o petista. Porém, tal e qual a mãe de Lurian, filha mais velha do presidente, tentou prejudicar Lula na campanha de 1989, acusando o então candidato de lhe propor um aborto, qualquer mentira nessa curta campanha pode representar um estrago.

O jogo de Leila do Vôlei/ Candidata à reeleição, a senadora terá um momento de visibilidade que a oposição não tem como criticar. Leila (foto), da sua parte, aproveita a oportunidade para se mostrar uma promotora do diálogo. Ela já se reuniu com o governo e irá se reunir com o setor produtivo.

6×1 na campanha/ Quem teve qualquer relação com o projeto não deixa de citar o texto nos seus jingles. Léo Prates (Republicanos-BA), relator do texto na Câmara, na semana passada, inclusive, mencionou que estava articulando a aprovação do projeto no Senado.

Rodrigo Pacheco critica a falta de diálogo entre os chefes dos Poderes

Publicado em Câmara dos Deputados, Congresso, Crise entre os Poderes, Eleições 2026, Política, Senado, STF

Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — O senador e ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) criticou a falta de diálogo entre os chefes dos três Poderes durante sua fala no 25º Fórum Empresarial LIDE, no Rio de Janeiro. Pacheco discursou sobre os desafios para o Brasil de amanhã e destacou a importância do diálogo. 

Crédito: Evandro Macedo e Gabriel Okawa/LIDE

“Se antevê uma necessidade, em razão do ambiente muito polarizado e dividido, e, a depender da conformação do Congresso Nacional, de uma capacidade do governante de diálogo, de estrutura, de debate e de aceitação de divergências. […] É muito ruim quando um presidente da República, um presidente do Senado, um presidente da Câmara, um presidente do Supremo Tribunal Federal não dialogam. Então esse é um grande desafio”, argumentou. 

Para o senador, a polarização e a próxima formação do Congresso Nacional exigirão menos intransigência dos presidentes das Casas Legislativas. “A intransigência e a imposição de vontades num Brasil dividido e com uma conformação no Congresso Nacional que não seja necessariamente alinhada ao poder executivo podem colapsar algo que é absolutamente essencial para o desenvolvimento do país, que é o diálogo institucional. Então, esse é o primeiro desafio que nós teremos, de muita sabedoria daqueles que ocuparem essas esferas de Poder de não interromper o diálogo”, afirmou.

*A jornalista viajou a convite do LIDE

Gilmar Mendes admite discutir obrigatoriedade de diploma de jornalistas no STF

Publicado em Política, STF

Por Eduarda Esposito — O ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes admitiu que seja possível uma nova discussão na Suprema Corte acerca da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. É o terceiro ministro do STF a defender uma revisão da decisão que dispensou a exigência do documento para exercer a profissão.

“Nós produzimos uma decisão importante a respeito da dispensa do diploma de jornalista. Isso não significava, na verdade, dispensar formação. As pessoas poderiam ter formações em diversas áreas, mas podemos discutir, sim, se de fato se entender que há aí algum comprometimento da própria qualidade de informação. Não me parece que vamos ter um juízo definitivo a partir desses fatos e dessas circunstâncias, que são graves, ocorridas no estado do Maranhão”, afirmou após participação no Fórum Saúde do Esfera Brasil e da EMS nesta quarta-feira (19/8).

O STF dispensou a obrigatoriedade do diploma em 2009, sob a relatoria do próprio ministro Gilmar Mendes. O tema volta ao debate público após a repercussão dos debates sobre liberdade de imprensa e sigilo da fonte com a investigação que envolve o jornalista maranhense Luís Pablo.

Sobre o episódio, Gilmar defendeu que não seria um ataque à liberdade de imprensa e lembrou de operações policiais contra escritórios de advocacia, que também prejudicam o exercício da profissão.

“Não vejo assim. É um fato de todo complexo, que envolve uma série de crimes e de más práticas, daí a necessidade do combate. Todas as prerrogativas que se dão em relação às mais diversas profissões, por exemplo a do advogado, a toda hora noticiam busca e apreensão em escritórios de advocacia, e isso acaba por restringir a liberdade profissional e o sigilo profissional. Isso pode ocorrer quando há elementos fortes indicando práticas de crimes”, comparou.

Entenda o caso

Os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino estão no centro de uma polêmica sobre violação do sigilo da fonte de um jornalista no Maranhão. Luis Pablo teve o computador apreendido e conversas com uma fonte acessadas pela Polícia Federal. O tema gerou controvérsia e críticas de entidades de imprensa, juristas e políticos. Durante a sessão no plenário da Suprema Corte, Moraes e Dino defenderam que o STF reveja a decisão sobre o diploma de jornalismo. Moraes ainda argumentou que liberdade de imprensa ‘não é licença para praticar crimes’.

Onde mora o perigo para Flávio

Publicado em coluna Brasília-DF, Crise entre os Poderes, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, PL, Política, Ronaldo Caiado, STF, TSE

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 7 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Os dois dígitos que o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, apresentou na pesquisa Correio/Opinião sobe intenção de votos no Distrito Federal, foram vistos nos partidos e centro — e até por integrantes do PL — como um sinal de que a candidatura do ex-governador de Goiás não pode ser desprezada. No DF, um dos menores colégios eleitorais do país, a pesquisa estimulada tem Flávio Bolsonaro (PL) com 33,5% na liderança; Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segundo, com 32%; Caiado em terceiro, com 11,5%; e Renan Santos (Missão), com 4,6%. Já tem gente apostando que Flávio, com uma rejeição alta, tem o recall de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Caiado, ao contrário, tem baixa rejeição e se conseguir se tornar conhecido, vai dar trabalho ao senador do Rio de Janeiro.

Crédito: Maurenilson Freire

Termômetro/ Os bolsonaristas não escondem o incômodo com os candidatos conservadores que concorrem em raias separadas do bolsonarismo-raiz. Um dos pontos que chamou a atenção até mesmo de integrantes do PL foi um post nas redes sociais do ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, candidato ao Senado em Santa Catarina. Diz o filho 02 de Jair Bolsonaro: “Os únicos três objetivos da chamada ‘terceira via’, hoje camuflada como a chamada ‘direita permitida’, são eleger Lula, enterrar politicamente Jair Bolsonaro e os presos do 8 de Janeiro (…)”. Termina dizendo que “esse grupo é ainda mais prejudicial ao país do que o próprio PT”. No DF, o raciocínio do ex-vereador carioca sobre eleger Lula não se sustenta, uma vez que, a preços de hoje, num segundo turno, Caiado teria 50% dos votos contra Lula e Flávio, 46%. Ambos derrotariam Lula, mas Caiado teria mais votos.

Um discurso para Lula

O pedido de conversa do presidente Lula com o dos Estados Unidos, Donald Trump, deixa o norte-americano na seguinte situação: se recusar, soará como alguém que não pretende dialogar com o Brasil, reforçando a narrativa de interferência no processo eleitoral; se Trump aceitar a conversa, quem não vai gostar é Flávio Bolsonaro.

Um teste para Messias

Após a nota dos 27 superintendentes regionais da Polícia Federal em defesa da direção e da independência da corporação, coube ao advogado-geral da União, Jorge Messias, intermediar uma reunião entre os ministro da Justiça, Wellington Silva, e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para tentar acertar os ponteiros em relação ao trabalho da PF e do STF nos casos envolvendo o INSS e o Banco Master. Se as conversas avançarem a bom termo, Messias, que foi apoiado por Mendonça quando da indicação para o Supremo, vira um potencial nome para a Justiça na hipótese de reeleição de Lula.

Veja bem

Lula não desistiu de indicar Messias ao STF, mas não pretende dar murro em ponta de faca. E se ficar praticamente impossível garantir os votos pró-Messias no Senado, o Ministério da Justiça é o caminho mais viável.

Aos números

Numa entrevista com Flávio Bolsonaro, a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, atacou o trabalho na área feito pelo governo Lula com dados da pandemia. “Se você pegar o primeiro semestre deste ano, são mais de seis mil empresas quebradas, sendo que na pandemia não foram duas mil quando ficou tudo fechado”, disse. Contudo, estudo divulgado em 16 de julho de 2020 pelo IBGE, intitulado “Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas”, apontou que mais de 716 mil empresas fecharam, sendo quatro em cada 10 devido à pandemia (522 mil).

CURTIDAS

Crédito: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Revisa aí/ A defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres pediu ao STF a revisão criminal da condenação dos 24 anos de prisão pela trama golpista. Os advogados declaram falta de provas e pedem a soltura imediata de Torres. Caso a absolvição seja negada, a defesa insistirá na redução da pena, sob a alegação de que não houve “fundamentação individualizada” no julgamento. O ex-ministro está preso na Papudinha desde novembro de 2025.

Corrige aí/ Até agora, pelo menos dois candidatos vieram a público explicar que houve erros em suas autodeclarações de raça ao Tribunal Superior Eleitoral. Candidata a vice-governadora do Rio Grande do Norte, Larissa Rosado (PSB) constava como parda e afirmou que vai pedir a correção. O segundo vice-presidente da Câmara, deputado Elmar Nascimento (União-BA, foto), candidato à reeleição, consta como negro. Vai solicitar a alteração.

Dégradé/ Em 2018, Elmar se declarou branco; em 2022, pardo; e em 2026, negro. E frisou que demais candidatos têm passado o mesmo. Em nota, afirmou que houve um erro: “Situações dessa natureza têm sido verificadas por outros candidatos durante o processo de registro de candidaturas para as eleições deste ano, evidenciando tratar-se de uma inconsistência pontual de natureza administrativa, passível de correção pelos meios legalmente previstos”, disse.

Hora da união/ O STF e o TSE deverão evitar alfinetadas públicas, na avaliação de fontes próximas aos magistrados. O Poder Judiciário passa pela sua pior crise de imagem, de acordo com interlocutores ouvidos pela coluna, e nesse momento, para amenizar a crise institucional, os ministros devem adotara unidade em vez da individualidade, como forma de protegerem a instituição.

Colaborou Renato Souza

Trilha aberta para Lira e Renan

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, CPMI do INSS, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, PL, Política, Senado, STF

Coluna publicada na quinta-feira, 6 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto ajuda dois personagens numa das disputas mais ferrenhas para o Senado: Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP). O ex-relator da CPMI do INSS era candidato a senador, reforçou isso, inclusive, na madrugada anterior a seu anúncio como o parceiro do filho 01 de Jair Bolsonaro na campanha presidencial. Agora, a tendência é a de que Renan e Lira consigam atingir o objetivo eleitoral, em outubro.

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O melhor dos dois mundos/ Até aqui, Lira, feliz com a ida de Gaspar para a campanha presidencial, não pretende colar sua campanha à de Flávio. Prefere seguir a neutralidade adotada pela direção nacional do partido. Lira pretende fazer a própria campanha, em parceria com prefeitos de partidos de centro que apoiam Lula, mas não estão fechados com os Calheiros. Porém, Flávio tem esperanças de que isso seja revisto. Afinal, ele espera que Gaspar, uma indicação do coordenador da campanha, Rogério Marinho, seja a porta de entrada no eleitorado nordestino, onde Lula tem a preferência. Até aqui, porém, a escolha não levou a ampliar seu palanque nem em Alagoas, nem em outros estados. A ver como será ao longo da campanha.

Marinho, o padrinho

Rogério Marinho foi um dos nomes cogitados para vice de Flávio, mas não quis porque prefere ser candidato a presidente do Senado para ter o controle da Casa. E permitir a tramitação de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

Discurso anti-Lulinha

A tarefa de Alfredo Gaspar nesta campanha é usar o trabalho como relator da CPMI do INSS para reforçaras denúncias contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com o intuito de desgastar o pai presidente e candidato à reeleição.

Atestado de inabilidade

Do alto da respeitabilidade e da experiência que acumulou ao longo de 40 anos de carreira política, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) foi direto ao comentar a escolha de Gaspar: “É uma pessoa muito qualificada, mas não é disso que se trata. A indicação dele veio depois de várias tentativas de ampliação que a campanha do Flávio Bolsonaro fez. Então, é antes de tudo um atestado de uma incapacidade de ampliar a sua base de apoio”, afirmou à coluna, no 8º Brasília Summit Lide Correio Braziliense.

Espere setembro chegar

A pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política para a Presidência da República no DF mostra Flávio na liderança, com 33,5%, e Lula, com 32%. Está mais apertado para o petista do que foi na pesquisa de agosto de 2022, quando Lula tinha 39% e o então presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, 36,7%. Naquela eleição, Bolsonaro ultrapassou Lula e fechou o primeiro turno com 51,6% dos votos. Lula ficou com 36,8% dos votos do DF. A ultrapassagem foi detectada pelo mesmo instituto, em 5 de setembro de 2022.

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

A Faria Lima só observa/ Ninguém levou muita fé na escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio. Quem ganha com isso, conforme avaliam por lá, é Ronaldo Caiado (PSD, foto).

Por falar em Caiado…/ Ele tem 11,5% dos votos do DF, conforme a pesquisa estimulada Correio/Opinião. Sinal de que ainda pode crescer por aqui, furando o bloqueio da polarização.

Palavra do decano/ Logo depois da palestra de abertura do 8º Brasília Summit Lide Correio Braziliense, o ministro Gilmar Mendes, do STF, comentou a escalada de tensão entre Brasil e Estados Unidos. “É preciso ter muita serenidade, muita calma nessa hora. A gente tem que ter um olhar mais amplo, vendo sempre a árvore e a floresta. A relação do Brasil e dos Estados Unidos é mais do que secular, e é extremamente importante que prossiga dentro dos parâmetros da diplomacia”, argumentou.

A nova onda do BRB/ No mesmo evento, o diretor-executivo de Atacado e Governo do BRB, Bruno Watanabe, foi direto: “Quando existem regras claras, estabilidade e segurança jurídica, criam-se condições para que investimentos aconteçam e saiam do papel. Nosso papel como banco público é conectar crédito e projetos que gerem emprego, renda e competitividade”. Logo depois do evento, uma autoridade que estava na plateia comentou com a coluna que os tempos de irresponsabilidade de Paulo Henrique Costa acabaram no banco.

Onde mora a tensão desses 16 dias

Publicado em coluna Brasília-DF, Economia, Eleições, GOVERNO LULA, Política, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 21 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Qualquer partido com poder de fogo e vontade de vencer nesta temporada eleitoral estará em campo até 5 de agosto fechando suas nominatas para deputados federais e estaduais e as coligações para as eleições estaduais e para a presidencial. Quem está com mais dificuldades nessa seara hoje, nos estados, é a federação União Progressista, que uniu PP e União Brasil num casamento que virou um cabo de guerra. No Maranhão, por exemplo, o presidente do PP, Ciro Nogueira, disse não à aliança com o MDB, e o do União Brasil, Antonio Rueda, disse sim. Logo, o partido estará dividido por lá. (leia nas notas ao lado) Em estados como São Paulo, porém, houve pressa em selar o compromisso com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), porque o candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP) fez um movimento mais incisivo nessa direção. Há, também, uma relativa paz em Santa Catarina. Na maioria dos Estados, porém, a tensão será grande.

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O que interessa a eles/ Ciro Nogueira, pré-candidato à reeleição para senador no Piauí, entrincheirou-se no estado, onde já lançou um acordo com o PL para alavancar a sua candidatura, com caso Master e tudo. Antonio Rueda, que não é candidato a nada, tenta voar abaixo dos radares da Polícia Federal para organizar as chapas de deputados federais país afora. É o que mais lhe importa no momento: eleger um número de deputados federais capaz de manter o fundo partidário nas alturas.

São Paulo, o ponto de partida

Pela terceira vez consecutiva, o PT realizará a convenção nacional em São Paulo. Na campanha pela reeleição de Lula, em 2006, e nas duas eleições de Dilma Rousseff, 2010 e 2014, Brasília foi escolhida para sediar as reuniões que oficializaram as candidaturas.

Está explicado

O estado concentra 21,4% do eleitorado nacional, com 34,1 milhões de eleitores, conforme os dados do Tribunal Superior Eleitoral divulgados esta semana. O PL e o PSD também realizarão as convenções ali como forma de fortalecer apoios e alianças para o pleito de outubro.

O imbróglio do Maranhão

A federação União Progressista rachou no Maranhão. Ex-ministro do Esporte, o deputado André Fufuca (PP) é pré-candidato ao Senado e vai apoiar Eduardo Braide (PSD). Enquanto isso, o deputado Pedro Lucas (União Brasil) segue como pré-candidato ao Senado ao lado de Orleans Brandão (MDB), principal adversário de Braide na disputa ao governo.

A força dela

Orleans terá como parceira de chapa, numa das vagas ao Senado, a ex-governadora, ex-deputada e ex-senadora Roseana Sarney (MDB), que, recentemente, venceu uma guerra contra o câncer.

CURTIDAS

Crédito: Andrea Nalini/CB/D.A Press

Corre aí, ministro/ A Polícia Federal espera autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para uma nova rodada da Operação Compliance Zero no Distrito Federal. Em período eleitoral, é confusão para mais de metro. Mendonça, ciente de suas obrigações, quer estudar tudo muito detalhadamente para não ser acusado de proteger e nem de atacar quem é candidato neste pleito e está na mira da PF.

Polarização x Caiadismo/ Em Goiás, o PT e o PL enfrentam o mesmo problema: vencer a força política do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD, foto) no estado. O atual governador, Daniel Vilela (MDB), lidera as pesquisas de intenção de voto, enquanto os nomes dos partidos de Lula e Jair Bolsonaro enfrentam dificuldades em crescer. O PT, por ter pouca expressão no estado, e o PL, por lançar uma chapa totalmente pura, apenas com membros da legenda.

Da boca para fora/ Muitas políticas de direita têm relatado à coluna irritação com as ofertas de vagas para vices nas chapas para estas eleições. Algumas até questionam: “Por que mulher tem que ser vice?”. O incômodo tem aumentado nas últimas semanas e, principalmente, com a briga entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. O sentimento para senadoras e deputadas é de que os partidos têm usado a premissa de eleger mulheres, mas nunca dão espaço de verdade para elas.

Por falar em vice… / Hoje, haverá mais uma rodada de conversas capitaneadas pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para tentar fazer Tereza Cristina vice de Flávio Bolsonaro. E ela, mais uma vez, dirá que tem outros planos.

Uma carta, mas nada de desculpas

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, emendas, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 14 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Embora tenha mencionado a necessidade de união do PL e daqueles que votaram em Jair Bolsonaro no passado, o senador Flávio Bolsonaro e “porta-voz” do pai não apresentou nenhum pedido de sincero de desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nem fez refluir os ataques a ela e à senadora Damares Alves (Republicanos-DF) nas redes sociais. Chegou ao ponto de Damares ir à tribuna dizer que é “do time” de Bolsonaro e que é chegada a hora de a direita parar de atacar os seus soldados na internet. Damares usou a seguinte expressão para reforçar seu apoio à pré-candidatura de Flávio: “O Flávio ainda é o meu pré-candidato, indicado do presidente Jair Bolsonaro”. O “ainda” deixou a muitos a impressão de que, se a briga continuar, poderá deixar de ser. Não por acaso, já tem muita gente que votou em Bolsonaro no passado acompanhando de perto os movimentos de Ronaldo Caiado (PSD).

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Onde mora o perigo/ O embate interno nas hostes bolsonaristas corre o risco de deixar muitos potenciais aliados em alta nas pesquisas — caso de Michelle Bolsonaro — de braços cruzados por Flávio ao longo da campanha. E, embora as pesquisas atuais apresentem o senador no segundo turno, a avaliação de muitos no PL é a de que ele não está em posição de dispensar aliados.

Dino abrirá o pós-eleição

Enquanto a campanha eleitoral pede passagem, o ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pelo processo relativo a emendas parlamentares, Flávio Dino, dá o tom do que vem por aí. Ele não vai tirar o dedo dessa ferida nem recuar em relação à necessidade de transparência e prestação de contas de cada centavo aplicado por sugestão dos congressistas e de outras pessoas alheias ao mandato parlamentar.

Vem mais

Muita gente diz que essa influência externa não se restringe a Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha, que já tiveram parte dos bens bloqueados. Outros nomes vão aparecer ao longo do processo. Afinal, ainda há muito material a ser analisado, além do celular da assessora Mariângela Fialek, que ajudou no rastreio desses padrinhos.

Quis poder, agora aguenta

Nos casos das emendas individuais, o que se comenta no Parlamento é que o Executivo tem que liberar e ponto, porque é determinação constitucional pagar as emendas impositivas. Diz-se que, se o Poder Executivo segurar essa liberação, terá que responder. Logo, os parlamentares responsáveis pelas indicações e os prefeitos que recebem as verbas têm que prestar contas.

Façam um acordo

Independentemente de quem vencer as eleições deste ano, está claro que será preciso um pacto entre os Poderes para resolver essa questão orçamentária. Se os parlamentares continuarem nessa queda de braço com os outros dois Poderes sobre as emendas, o contribuinte pagará a conta.

CURTIDAS

Crédito: Antonio Augusto/STF

E o Moraes, hein?/ A proibição das visitas do senador, filho e advogado Flávio Bolsonaro ao pai aumentará a carga contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes (foto) no Senado. Se a direita mais ligada a Bolsonaro for vitoriosa, Moraes terá que torcer para que os senadores elejam um moderado para presidir a Casa.

Por falar em carta…/ Em 2002, quando foi candidato pela quarta vez ao Planalto, Lula editou uma carta aos brasileiros de quatro páginas e meia sobre o cenário econômico e o projeto do PT. Em 2018, editou uma segunda carta retirando-se da candidatura, em setembro daquele ano, quando ainda estava preso. Cunhou a expressão “somos milhões de Lulas e Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros”.

… nem sempre funciona/ Lula ganhou em 2002, e Haddad perdeu em 2018, quando o atual presidente o apontou como o seu candidato. Vejamos como o eleitorado reagirá à carta apresentada no último sábado.

Mesmo sem Brasil, tem futebol/ Por enquanto, o brasileiro apaixonado por futebol está mais ligado nas semifinais da Copa do Mundo. E hoje, Data Nacional da França, que marca a queda da Bastilha em 1789, o feriado por lá promete atenção máxima ao confronto França x Espanha — muito diferente das duas primeiras rodadas, em que a população francesa não se mostrava muito atenta às partidas. Uma grande semifinal europeia para tentar amenizar as agruras da nossa política.

Flávio e a jogada de risco

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise com os EUA, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Lula, PL, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 7 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Caio Gomez

Ao participar hoje de uma audiência no USTR (United States Trade Representative), a secretaria de Comércio do governo dos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) espera reverter a imagem de subserviência ao governo Donald Trump que marca a sua trajetória nesta fase da pré-campanha ao Planalto. Lá atrás, quando do primeiro tarifaço de Trump sobre os produtos brasileiros, Flávio chegou a declarar que as tarifas eram fruto “da atuação de Alexandre de Moraes” , e que só seriam revistas mediante “uma anistia ampla geral e irrestrita” . Num determinado momento, o senador chegou ainda a comparar o caso com as bombas que os EUA lançaram sobre o Japão na II Guerra Mundial. Há 11 meses, essas declarações marcaram Flávio e, especialmente, o irmão dele Eduardo Bolsonaro como os incentivadores das tarifas elevadas sobre produtos brasileiros. Lula surfou na onda, colocando na testa do pré-candidato do PL a tarja de jogador contra o Brasil. Essa imagem ainda não se desfez.

E o filme, hein?/ Flávio se movimenta ainda de forma a evitar que o tema do financiamento do filme sobre seu pai volte à baila. Porém, até agora não apresentou qualquer contrato a respeito da transação com Daniel Vorcaro. Tudo isso voltará à cena daqui a um mês, quando começa oficialmente a campanha. É esse tema que ele também alinhará esta semana com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

A dificuldade dos vices

O PSD procurou um vice para Ronaldo Caiado fora das suas fileiras e não encontrou. O PL ainda não desistiu de buscar uma mulher para parceira de chapa de Flávio Bolsonaro. Quer uma vice do PP ou do Republicanos, que tem entre suas filiadas a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques. Ocorre que o PP e o Republicanos caminham para a neutralidade na campanha presidencial. O foco de ambos é a eleição proporcional.

A desconfiança delas

Muitos assuntos deverão ser tratados no Congresso Nacional apenas em novembro, quando a correlação de forças entre os partidos para o ano que vem estiver definida nas urnas. Isso inclui negociações acerca da próxima indicação para o Tribunal de Contas da União (TCU). A bancada feminina suspeita de que a direção da Câmara dos Deputados quebre a promessa de indicar uma mulher. À coluna, deputadas dizem que o acordo foi “lindo no discurso” , mas, na hora do “vamos ver” , os homens votam entre eles.

Um alívio para opositores de Ruas

A esquerda no Rio de Janeiro está feliz da vida com o exercício do desembargador Ricardo Couto de Castro como governador. Para os políticos desse campo, a atuação do presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) no governo estadual dificulta a eleição do apadrinhado de Cláudio Castro, deputado estadual Douglas Ruas (PL), em outubro.

Dois coelhos…

… numa cajadada só. Na visão dos esquerdistas, a atuação do desembargador contra o esquema de cargos fantasmas enfraquece a campanha de Ruas e ainda corta dinheiro para sua eleição. O deputado foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), mas o STF ainda não definiu como será realizado o mandato tampão no RJ.

CURTIDAS

Crédito: Divulgação PL

Libera aí!/ Tem gente torcendo para que a Polícia Federal ou o Supremo Tribunal Federal (STF) solte mais alguma informação sobre o Caso Master. De preferência, contra seus adversários. Alguns políticos confessaram à coluna que estão torcendo por novos desdobramentos antes das convenções partidárias.

Fica, Michelle!/ Não é só o PL do Distrito Federal que deseja ver a ex-primeira-dama disputar o Senado. Parlamentares aliadas de legendas de centro farão de tudo para evitar a desistência de Michelle para o pleito. A ex-primeira-dama (foto) é considerada a maior puxadora de votos na direita e seria essencial para eleger candidatas pelo Brasil com o seu apoio.

Por falar em Michelle…/ Em conversas reservadas, integrantes afirmam que o partido realmente não tem intenção de lançar o senador Izalci Lucas (PL-DF) para o governo do DF. Pior, alguns afirmam que a intenção é deixá-lo sem mandato. Contudo, caso Michelle realmente desista da disputa, Lucas tem uma chance de conseguir alguma vaga para concorrer a um mandato eletivo.

E a Copa, hein?/ Há 3 anos, o presidente Lula tinha dúvidas do sucesso de Carlo Ancelotti como técnico da Seleção Brasileira: “Nunca foi técnico da Itália (…) por que ele não resolve o problema da Itália, que nem foi disputar a Copa do Mundo?” . É, pois é. Agora, é torcer pela Seleção feminina, em 2027, aqui no Brasil.