Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 6 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Depois da rejeição de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Lula busca um nome no qual os senadores ficariam constrangidos em votar contra. O que está em alta na bolsa de apostas esta semana é o do ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas. Bruno tem laços em todos os partidos. É ligado, em especial, ao ex-presidente José Sarney e ao senador Renan Calheiros (MDB-AL). No caso de Bruno, o MDB votaria e trabalharia para aprovar, algo que não foi feito no caso de Messias.
Deu ruim/ Bruno já esteve cotado outras vezes para ministro do STF. Mas Lula sempre preferiu um nome mais ligado ao PT. Agora, ressabiado com a derrota, o presidente cogita indicar um nome mais afeito a um partido aliado. O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) é considerado carta fora desse baralho, porque seria se render ao que, desde o início, havia pedido o senador Davi Alcolumbre (União-AP). E atender Renan, que foi derrotado por Alcolumbre lá atrás, quando o senador amapaense foi candidato a presidente do Senado pela primeira vez, não seria de todo ruim para Lula em termos de um certo chega para lá no atual comandante do Senado.
Celina que lute
O fato de o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ter deixado a escandalosa compra do Master pelo BRB no colo do Distrito Federal e dito que “não dá para cobrir um rombo mal-explicado” foi um recado claro de que não haverá socorro federal. No Planalto, ninguém diz nada diferente disso. Mas, a intenção é esperar a conversa da governadora Celina Leão com o presidente Lula.
Gonet tem a força
Os investigadores podem até querer correr com a delação de Daniel Vorcaro e de Paulo Henrique Costa. Porém, há quem diga que quem tem a ampulheta para definir o tempo é o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Se ele quiser deixar para depois das eleições, não haverá muito o que fazer, anão ser cobrar celeridade.
Esse é o caminho
…Aos poucos, governo e oposição se alinham para chegara o consenso em torno da Proposta de Emenda à Constituição(PEC) sobre fim da escala 6 x 1. A palavra de ordem hoje é “compensação”, ou seja, desoneração da folha. O Poder Executivo quer proteger a contribuição previdenciária. Os opositores acenam com outros encargos, e até mesmo a possibilidade de uma linha de crédito — tese já defendida por membros da base.
… que surge
Já no setor produtivo, o que se diz é que o Congresso pode aprovar o texto, se o governo retomar a sucumbência em processos trabalhistas — princípio jurídico que obriga a parte perdedora em um processo a pagar os honorários do advogado da parte vencedora e as custas processuais —, e colocar condições especiais e melhores para terceirizados e Micro e Pequenos Empreendedores (MEI). À coluna, parlamentares já citaram a ideia de isentar os MEI e pequenas empresas para diluir os custos da redução da jornada.
Fica, Messias
Dentro do PT tem deputado defendendo que o advogado-geral da União, Jorge Messias, assuma o Ministério da Justiça. Wellington César Lima e Silva, atual ministro, não é visto com bons olhos por uma ala do Partido dos Trabalhadores. Muitos petistas não se esquecem que Wellington afirmou não ver problema em realizar um plebiscito para avaliar a redução da maioridade penal — tema que o PT é totalmente contrário. Pesa ainda o fato de César Lima não ter se mexido para ajudara indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal.
CURTIDAS

Me dê um tempo/ Messias (foto) prefere tirar um período sabático para se refazer das traições que sofreu. Afinal, as contas do governo indicavam, no mínimo, 43 votos, descontadas aqueles dos quais o Planalto tinha dúvidas. Messias obteve o “sim” de 34 senadores.
Suspense/ Até o fechamento desta edição, ainda não havia anúncio oficial do encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, em Washington. Porém, uma equipe de diplomatas trabalha nesse tema.
Câmara 200 anos/ A Câmara dos Deputados vai homenagear seus ex-presidentes em sessão solene nesta quarta-feira, 10h, para comemorar seus 200 anos. A lista é grande: Aécio Neves, Aldo Rebelo, Arlindo Chinaglia, Arthur Lira, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, João Paulo Cunha, Marco Maia, Michel Temer e Rodrigo Maia. Henrique Eduardo Alves não estará presente, porque se recupera de uma cirurgia.
Homenagens ao decano/ Marilene Carneiro Mattos, Pedro Ivo Velloso Cordeiro e Ronald Siqueira Barbosa Filho, todos com profundo conhecimento e atuação no direito, lançam hoje, 18h, na Biblioteca do STF, o livro Constitucionalismo Digital e seus Desafios — reflexões em homenagem ao ministro Gilmar Mendes.

