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Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 30 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal, é um sinal claro de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reposiciona ao lado daqueles que o elegeram para comandar a Casa pela primeira vez, em fevereiro de 2019. Ele, inclusive, ligou para muitos senadores e, minutos antes de anunciar o resultado, disse aos líderes do governo que eles sofreriam uma derrota. O aviso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva está dado: longe do presidente do Senado, a maioria governista esfarela.
Se não fizerem, nós faremos/ Aos ministros do Supremo Tribunal Federal, a mensagem é clara: se agora, com senadores mais ao centro, chegou-se a 42 votos contra Messias (com dois do PL sem votar), em um Senado mais à direita, em 2027, estará aberto o espaço para colocar um impeachment de ministro do STF em curso. A avaliação de muitos é de que a Suprema Corte precisará definir suas mudanças ainda este ano, de forma a ter uma resposta à sociedade quando os novos senadores tomarem posse, no ano que vem. Na oposição, o que se diz é: “O primeiro rejeitado, então pode ter o primeiro ‘impichado’” — como afirmou à coluna a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Alcolumbre joga à direita…
A votação do veto da dosimetria das penas para os condenados do 8 de Janeiro, hoje, na sessão do Congresso, será para coroar o reposicionamento de Alcolumbre. Ao se realinhar à direita, ele procura mostrar àqueles que fizeram dele presidente da Casa pela primeira vez que eles não vão se arrepender se apostarem na reeleição dele para comandar o Senado, no ano que vem.
… e à esquerda
Se as atitudes de Alcolumbre não convencerem a direita a apoiá-lo em 2027, ele sempre poderá chamar a turma de Lula e dizer que é melhor ter um Alcolumbre ao centro do que alguém mais radical, seja Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS), adversários ferrenhos do PT.
Nada pessoal
Opositores de Lula elogiaram Messias, classificando-o como um “excelente nome, vítima das circunstâncias” . O cenário político eleitoral inflamado, a relação desgastada com o STF e o “nós contra eles” do governo cristalizaram uma rejeição que não ocorria há 132 anos. O “ponto de virada” para o amplo placar contra o AGU teria sido o ataque ao senador Alessandro Vieira (MDB-SE), após o pedido de indiciamento dos ministros do Supremo em seu relatório na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Muitos senadores não concordaram com o voto de Vieira, mas acharam um absurdo a ameaça do ministro Gilmar Mendes a ele.
Enquanto isso, na Câmara…
O líder do governo na Casa, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), disse em almoço na Casa Parlamento, do think tank Esfera, que é um bom momento para votar o fim da escala 6 x 1. E afirmou ser possível discutir a desoneração da folha setor a setor.
CURTIDAS

Errou feio/ Antes da abertura do resultado, um funcionário do governo, com uma planilha em mãos, dizia que Messias teria 43 votos favoráveis à indicação, “já descontadas as traições” .
Por falar em planilha…/ A oposição montou uma lista com os votos para derrubar o veto da dosimetria hoje. Na Câmara, calculam 300 votos. No Senado, esperam ter em torno de 50 — talvez um pouco menos, porque sempre tem os que mudam de ideia.
Telefones nervosos/ O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM, foto), garantiu que a bancada inteira votaria em Messias, mas aliados do advogado-geral da União acreditam que houve traição no partido, o que contribuiu para o número baixo. O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), contava com exatos 41 votos, mas o PSD se dividiu e o MDB, aparentemente, não deu todos os votos que prometeu. Os telefones, logo depois da votação, não pararam.
Levanta, sacode a poeira…/… e espera. Aliados de Lula defendem que o governo deixe uma nova indicação para depois das eleições. As crises se acumulam, as insatisfações idem e é preciso identificar todos os focos antes de qualquer movimento mais ousado. É nessa toada de dificuldades mil que o presidente chega a cinco meses da eleição, sem tempo para resolver muita coisa.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 29 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Com Daniel Vorcaro elencando os integrantes da política nacional em sua delação, a pretensão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa é centrar na figura do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e outros próceres da política local. Aliás, foi por essa perspectiva de referências a Ibaneis que o advogado Cleber Lopes, conforme ele mesmo relatou a amigos, deixou a defesa de Paulo Henrique e indicou Davi Tangerino e Eugênio Aragão. Cleber foi advogado de Ibaneis, de quem é amigo. Não dava para misturar as coisas.
Veja bem/ O problema é que parte da nova defesa de Paulo Henrique já teve alguns embates com ministros do STF e não foram dentro de processos. Em janeiro de 2017, por exemplo ,o ministro Alexandre de Moraes anunciou que processaria Eugênio Aragão por causa de insinuações difamatórias de ligações com o PCC, feitas por Aragão em entrevistas. Como dizem os políticos, quem bate costuma se esquecer, mas quem apanha não esquece fácil. Só o tempo para amortecer. De lá para cá, passaram-se quase 10 anos.
Dosimetria em xeque
A oposição sentiu o baque diante das afirmações de integrantes do governo Lula sobre a derrubada do veto da dosimetria beneficiar chefes de facções, diminuindo o tempo de espera para a flexibilização das penas desses criminosos. Os bolsonaristas passaram essa terça-feira em reuniões tentando encontrar algum meio de contornar a situação. Um dos planos é votar apenas trechos do projeto vetado e manter os vetos relativos às penas de crimes hediondos.
Nem vem, mas vai
A base governista considera ser impossível manter o veto a apenas essa parte do texto. Porém, no Congresso, com acordo, tudo é possível. Os oposicionistas esperam o apoio do centro para encontrar e aprovar uma brecha regimental, a fim de tirar qualquer benefício dos chefes de facções criminosas.
No centro
Os ministros Nunes Marques e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, fizeram campanha abertamente para Jorge Messias integrar a Corte. Num STF rachado, as apostas são de que, se for aprovado, Messias chegará “pianinho” ao tribunal, evitando se alinhar de primeira a um ou outro grupo do colegiado.
Tempo & votos
A previsão é de que a sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça do Senado seja longa, tal e qual a de Flávio Dino, que durou mais de 10 horas. E sem pausa até a votação. O relator Weverton Rocha (PDT-MA) pretende reduzir esse tempo, pedindo aos senadores da base aliada que não usem os 10 minutos que cada um terá para fazer perguntas a Messias. Na visão do relator, a sabatina não mudará o voto de ninguém, todos os congressistas da CCJ sabem como vão se posicionar. Entre os aliados de Messias no Senado, a contagem de votos no plenário flutua entre 43 e 48 votos. Na CCJ, cravam 17.
Papo reto
A recomendação que os aliados passaram para o advogado-geral da União, Jorge Messias, é que ele seja “direto e curto” nas respostas, que não enrole para não se complicar. Uma vez que a oposição falará de temas polêmicos — aborto, 8 de janeiro de 2023 e dosimetria das penas —, o relator considera que Messias não deverá exprimir opiniões pessoais, porque, caso se torne ministro do Supremo Tribunal Federal, isso poderá prejudicar a futura atuação jurídica.
CURTIDAS

Mais uma/ A história das malas que não passaram pelo raio X do aeroporto de São Roque (SP),revelada pela Folha de S.Paulo, é considerada aponta de um iceberg. As malas estavam num jatinho com passageiros ilustres da política, inclusive o presidente da Câmara, Hugo Motta. Alguns senadores dizem que só o fato de o presidente da Câmara, o senador Ciro Nogueira e outros líderes viajarem no avião de um empresário investigado pela CPI das bets já vale outra CPI.
Não está fácil para ninguém/ As últimas rodadas da pesquisa Genial/Quaest nos estados indicam que está difícil prever o comportamento do eleitor nesse período de pré-campanha. Os líderes das pesquisas para vários governos, seja de Minas Gerais, o senador Cleitinho (foto, Republicanos); seja de Pernambuco, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), adotam a cautela. Todos se recordam que muita gente que começou a campanha lá atrás terminou eleito. Haja vista, inclusive, o caso de Gilberto Kassab para prefeito de São Paulo, em 2008, citado ontem no CB.Poder. Começou bem atrás nas pesquisas e foi eleito.
Por falar em Cleitinho…/ O Republicanos não tem do que reclamar nesta temporada eleitoral. Tem Cleitinho liderando as pesquisas, em Minas, e Tarcísio de Freitas, em São Paulo. Tem tudo para sair das urnas com dois dos três maiores colégios eleitorais do país, o que é visto como algo capaz de ajudar na eleição de deputados federais.
Por falar em João Campos…/ O articulado presidente nacional do PSB, João Campos, conseguiu reunir, no mesmo almoço, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e…Jorge Messias. A foto de Pacheco ao lado de Messias é considerada um ponto positivo para ajudar o AGU a ser aprovado no Senado.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 28 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A oposição está decidida a bater no lado religioso do ministro da Advocacia Geralda União (AGU), Jorge Messias, durante a sabatina desta quarta-feira (29), na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A ideia é bater sem dó no ministro, acusando-o de defender o aborto. O ministro é favorável à atual legislação, que permite o aborto em caso de estupro. A ideia é constranger Messias e tentar apresentá-lo como um “falso evangélico”.
Apostas/ Messias, porém, passou todo esse período se preparando para a sabatina desta quarta-feira. É visto como alguém articulado, inteligente, que conseguiu angariar mais simpatias do que resistência desde o ano passado, quando foi indicado para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Por isso, senadores calculam que ele deva ter seu nome aprovado. Na CCJ, os números indicam algo em torno de 16 a 17 votos de um total de 27 que compõem o colegiado
Grande…
Deputados e senadores mais fiéis a Jair Bolsonaro têm feito uma verdadeira blitz no Parlamento a fim de garantir o maior placar possível para derrubar o veto da dosimetria das penas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
… e incontestável
A aposta geral é a de que a redução das penas passa, mas é preciso um grande placar, a fim de mandar um recado ao presidente Lula e ao Supremo Tribunal Federal. Até aqui, tem muita gente dizendo que esse tema da dosimetria voltará ao STF.
Uma avenida para crescer
Coube ao presidente do PSD, Gilberto Kassab, abrir a semana política, ao participar de almoço na Casa Lide, São Paulo, promovido pelo ex-governador João Doria. No evento, Kassab dobrou a aposta no fim da polarização: “Na medida em que o tempo avançar, as outras candidaturas vão crescer, porque há uma rejeição muito grande (de Lula e de Flávio Bolsonaro)”.
A pirataria…
Alguns parlamentares estão preocupados como alto consumo de produtos esportivos piratas no Brasil. Levantamento da Associação pela Indústria e Comércio Esportivo (Ápice) aponta que, em 2023, de 651 artigos adquiridos pelos consumidores, 231,5 milhões de unidades eram pirateadas. O valor representa uma perda de R$ 31,8 bilhões para o setor esportivo, R$ 7,4 bilhões não arrecadados em impostos e 60 mil empregos deixaram de ser gerados no mercado formal.
… preocupa o Congresso
Devido a esses dados alarmantes e a aproximação da Copa do Mundo, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria (FPI), presidida pelo deputado Júlio Lopes (PP-RJ), vai debater hoje, às 14h, na Câmara, os caminhos para diminuir o volume de produtos piratas no mercado.
CURTIDAS

O estadista é o meu/ Na avaliação que Gilberto Kassab (foto) no almoço do Lide, em São Paulo, ele considerou que falta ao país um estadista. “Hoje, o Brasil precisa de um estadista que possa dar para a sociedade brasileira as respostas sobre combate à corrupção, transparência no uso de recursos públicos, reforma administrativa e aperfeiçoamento do Judiciário. E desses pré-candidatos, o que mais representa essa figura é Ronaldo Caiado (PSD)”.
Vai pressionar/ O Ministério das Mulheres começa um périplo no Congresso para cobrara votação do projeto que transforma misoginia num crime tal e qual o racismo. Fontes ligadas à pasta afirmam que a escolha da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) para gerir o grupo de trabalho que analisará o texto é um ponto positivo, mas isso não garante a votação. Tem muita gente achando que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), seguiu a máxima, quando você não quer resolver um problema, cria um grupo de trabalho. É a fórmula clássica para reduzir pressão sem acelerar nada.
Atraso sob investigação/ A Comissão de Minas e Energia realiza, hoje, audiência pública para debater o uso de usinas termoelétricas em vez de usar energia armazenada em baterias, tal e qual funcionam hoje os carros elétricos. Até agora, o governo não regulamentou isso. O debate começa às 10h e seguirá por toda a tarde nesta terça-feira.
Anote na agenda/ Nesta quarta-feira, a Frente Parlamentar do Comércio e Serviço (FCS) receberá representantes do setor do turismo para discutir os impactos do fim da escala 6×1 no setor. A reunião-almoço contará com a participação de Orlando Souza, presidente executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB).
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 24 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A desoneração da folha de salários será o grande embate dentro da comissão especial que vai analisar a proposta de emenda constitucional que prevê o fim da escala 6×1 (seis dias trabalhados para um de folga). A avaliação de parlamentares de centro é de que, se o governo não ceder nada no quesito desoneração, corre o risco de não aprovar o texto. Hoje, esse tema está no seguinte pé: do lado do governo, tanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, quanto parlamentares afirmam que não aceitam nenhum tipo de desoneração porque não há como bancar a conta. Os oposicionistas vão jogar todas as suas fichas nisso. O centro buscará o meio-termo.
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Nem lá, nem cá/ Ao centro, prevalece a ideia de uma “desoneração light”, em que o governo abra mão de alguns encargos — não todos — e apenas para as pequenas empresas, que vão sentir mais o impacto do fim da 6×1. Para esses parlamentares, as grandes empresas conseguirão absorver os custos sem maiores problemas.
O recado de Gilmar
A fala do ministro Gilmar Mendes sobre as delações premiadas, na entrevista ao CB.Poder, foi do agrado dos investigadores. O decano foi incisivo ao dizer que as delações precisam ir além daquilo que a polícia já sabe. No caso Master, quem acompanha de perto diz que ou Daniel Vorcaro e outros entregam tudo, ou vai ficar difícil conceder o benefício.
Tudo junto e misturado
A avaliação de muitos é de que as delações relativas ao caso Master deverão sair às vésperas do período de convenções partidárias, ou seja, final de julho. Até lá, muitas candidaturas ficarão pelo caminho.
Deixa para depois
Os opositores do governo querem mesmo promover a reforma do Judiciário via Congresso Nacional, mas com as duas Casas Legislativas mais fortalecidas à direita. A oposição aposta que será maior e mais forte após as eleições — tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado —, e, assim, conseguirá aprovar a reforma no Supremo Tribunal Federal (STF), com impeachment de ministros, idade mínima para ingresso na Corte e código de conduta.
Por falar em STF…
Muitos no Congresso veem a futura decisão do Parlamento sobrea dosimetria das penas, em pauta na próxima quinta-feira, como um tema capaz de tentar baixar a poeira entre os Poderes, caso o Supremo Tribunal Federal não derrube o que for deliberado por deputados e senadores. Afinal, antes mesmo de o STF se debruçar sobre o assunto, será invadido por uma enxurrada de pedidos de soltura.
CURTIDAS

Mão na massa/ Com a proximidade da sessão do Congresso Nacional para apreciar o veto integral do projeto de dosimetria das penas para os condenados pelo 8 de Janeiro de 2023, o relator deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) fará um corpo a corpo junto aos deputados na próxima semana, a fim de garantir os votos necessários para a derrubada do veto. Paulinho acredita que não terá dificuldades para isso. Porém está preocupado com o fato de a votação ocorrer na véspera de um feriado.
Fique tranquilo/ O relator até chegou a pedir o adiamento da sessão com medo de possível esvaziamento por ser véspera de feriado, mas o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) afirmou que a análise será semipresencial. Logo, os deputados e os senadores poderão apreciar o veto pelo sistema remoto.
Memória viva/ A Câmara promoveu sessão solene em homenagem ao Dia da Libertação Italiana, comemorada amanhã. “Data de profundo significado histórico, político e humano, que marca a derrota do fascismo e do nazismo e a retomada do caminho da liberdade e da democracia na Itália. A homenagem não apenas recorda um episódio do passado, mas reafirma valores que permanecem centrais no presente: compromisso com a democracia, com a dignidade humana e a preservação das instituições”, afirmou o deputado Carlos Zaratini (PT-SP), autor do pedido.
Hoje tem festa/ O ex-presidente José Sarney (foto) completa 96 anos nesta sexta-feira. Sarney é uma referência sempre consultada por todos os espectros da política brasileira e história vivada nossa democracia. A coluna registra aqui os parabéns e os votos de saúde e prosperidade.
Coluna Brasília-DF, publicada na terça-feira 21 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A depender dos primeiros acordes da pré-campanha eleitoral, o Supremo Tribunal Federal estará na ordem do dia das discussões. Não tem um candidato alheio às propostas de reforma do Poder Judiciário. Os mais radicais pregam impeachment de ministros; outros querem estabelecer prazo de mandato e idade mínima para ingresso na Corte. O difícil será encontrar quem defenda o STF. Dado o mau humor da população para com o Poder Judiciário, ninguém pretende exercer esse papel de advogado do Supremo. Nesse sentido, o ministro Flávio Dino se apresenta de forma incisiva, com propostas de uma reforma e cheio de recados aos críticos da Justiça.

Em artigo publicado no ICL Notícias, Dino ressalta que uma reforma do Judiciário tem que partir de dentro para fora. Quando veio em sentido oposto, foi pelo AI-5, durante a ditadura militar. Ele considera que o país precisa de mais Justiça e não de menos. E uma reforma tem que olhar o interesse público. O ministro não fecha os olhos para a corrupção de juízes e sugere que sejam punidos com aumento de penas e não com a aposentadoria. O debate está posto. Resta saber quem sairá na frente na hora de colocar essas reformas em curso.
Segure o PSD
A possibilidade de ter Gilberto Kassab como candidato a vice numa chapa encabeçada por Ronaldo Caiado não é à toa. Seria a forma de tentar segurar os palanques do partido ao lado do ex-governador de Goiás. Ele chegou recentemente à legenda e tem muita gente por ali que pretende seguir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
E tem mais
Kassab na vice é uma forma, inclusive, de atrair os prefeitos do partido, especialmente em São Paulo, onde muitos apoiam a reeleição de Tarcísio de Freitas para o governo estadual. O risco é, no embalo de Tarcísio, esses prefeitos seguirem para o apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Kassab na vice dificultaria essa corrida.
Clube da Luluzinha
No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro tem dito a amigos que fará a própria campanha ao Senado, com Bia Kicis e a governadora-candidata Celina Leão. Foi o trio que viajou o país por Bolsonaro no segundo turno de 2022. Quanto a Flávio Bolsonaro, a ex-primeira-dama fará uma campanha protocolar.
Enquanto isso, no PT…
Lula abre o 8º Congresso Nacional de seu partido, sexta-feira, em Brasília, com destaque aos programas de governo e benefícios aos trabalhadores. Dirá que nenhum governo fez tanto por aqueles que mais necessitam. Dará uma pincelada nas propostas para os endividados e falará ainda da mudança na escala de trabalho, enviada ao Parlamento. A ideia é deixar claro que, se não fosse seu governo, a proposta não avançaria entre os deputados e senadores.
CURTIDAS

Infoleg neles/ Numa semana com feriado em plena terça-feira, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB, foto), espera conseguir quórum para realizar sessões na Casa. Tudo para garantir contagem do prazo necessário à análise da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com a escala de seis dias trabalhados para um de folga (6 x 1). Se conseguir, será graças ao sistema remoto de registro de presença e votação. A maioria das excelências está nos estados, dedicada à pré-campanha.
Por falar em 6 x 1…/ O governo acredita que, independentemente de PEC ou projeto de lei, Lula já faturou essa tentativa da redução da escala de trabalho. É que os partidos ligados a ele saíram na frente em defesa da proposta. Portanto, junto aos trabalhadores, avaliam os governistas, será um ponto positivo para o petista.
Brasília em festa, mas… / Diante do master escândalo que mancha a história do BRB, é difícil comemorar com vontade. É um bolinho para não passar em brancas nuvens, enquanto se aguarda o julgamento e a punição dos envolvidos.
Idade mínima no Supremo? Congresso articula novas regras para ministros
Coluna Brasília-DF, publicada em 19 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Começa a surgir no Congresso um certo consenso sobre a necessidade de dar uma resposta em relação ao desgaste que recai sobre o Supremo Tribunal Federal. Já que o Poder Judiciário tem evitado o que se convencionou chamar de “autocontenção”, a ideia é estabelecer idade mínima para os novos ministros do STF, na casa dos 60 ou 65 anos. É que, nessa altura da vida, um jurista já teria sido testado e teria uma carreira mais sólida. O deputado Danilo Forte (PP-CE) e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) estão convencidos de que o Supremo, sozinho, não criará um código de conduta, e querem uma atuação mais enfática no Congresso.
Assunto não falta/ A ideia é caminhar no sentido de uma regulamentação mais rígida, sob vários aspectos. Damares já tem uma PEC que elenca vários fatores. Danilo tem projetos, assim como outros parlamentares também. A ideia de alguns é juntar tudo e ver o que pode ser feito ainda este ano em vários aspectos. A idade mínima para ingressar na Suprema Corte é vista como a saída mais viável no curto prazo, assim como revisar e apertar uma legislação sobre o exercício da advocacia na Suprema Corte por filhos e esposas de ministros do STF.
Paulo Henrique e Daniel Vorcaro
Com o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa preso e tendendo a fazer uma delação, os investigadores terão condições de comparar tudo o que ele propuser com as informações que o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro apresentará para se livrar da prisão. Se alguém mentir, a PF saberá.
Quitado, mas…
O empréstimo de R$ 3,1 milhões a juros amigos que o senador Flávio Bolsonaro conseguiu no BRB para comprar uma mansão em Brasília volta à baila com a prisão de Paulo Henrique Costa, presidente à época em que o negócio foi fechado. O valor total foi quitado por Flávio em três anos, 27 anos antes do prazo. Mas as dúvidas sobre a concessão dos juros camaradas persistem. Vem mais discussão por aí.
Em apuração
Aliados do ex-deputado Alexandre Ramagem criaram uma espécie de frente parlamentar para descobrir qual grupo da Polícia Federal estava trabalhando com o ICE para que Ramagem fosse preso.
Convergência
O governo desistiu de criar uma estatal para cuidar de terras raras, o que ajuda na construção de um acordo para votação da proposta em breve. Em vez da empresa, a ideia é fortalecer a Agência Nacional de Mineração. Os metais são importantes para fabricação de painéis solares, baterias e transição energética. Daí, a boa vontade para fechar logo uma regulamentação desse tema.
Só falta aprovar
O deputado Zé Silva (União-MG), oriundo de uma região extremamente rica em terras raras, promoveu cursos de profissionalização com os moradores do Vale do Jequitinhonha, no Nordeste de Minas Gerais. A intenção é dar oportunidade para os moradores, em vez de importar profissionais de fora.
CURTIDAS
“A crise que temos hoje (no STF) não é uma crise de fora. Não é o Supremo Tribunal Federal sendo submetido a constrangimentos e coações. Os constrangimentos e as coações que o Supremo sofre vêm de dentro dele mesmo. É necessário que exista um código de conduta que estabeleça efetivamente quais as condutas proibidas”
Miguel Reale Júnior, jurista, durante evento no Paraná
O ingrediente que faltava/ Há cerca de dois anos, o empresário Marcelo Pessoa vendeu uma ilha bem próxima à Baía de Todos os Santos para a empresa Prime You. Entre os sócios da Prime You estava, à época, Daniel Vorcaro. A ilha virou propriedade compartilhada entre famosos. A cota mínima era R$ 6 milhões. Faltava apenas uma ilha, no escândalo do Master, que coleciona garotas de programa europeias, festas nababescas, contratos milionários e que quase transformou o ex-presidente do BRB em dono de imobiliária de tantos imóveis que iria receber.
Aliás…/ O fato de Paulo Henrique Costa negociar apartamentos antes de concluir toda a venda do Master ao BRB vem sendo chamado nas rodas de Brasília como “propina pré-datada”.

Inflacionou/ O ex-presidente Fernando Collor (foto), vale lembrar, caiu por causa de um Fiat Elba.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 17 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa tira mais um ponto da delação do ex-controlador do Master Daniel Vorcaro. Se ele quiser ter algum benefício, terá que entregar detalhes de outros figurões, sejam integrantes do Poder Judiciário, sejam do Legislativo. Não dá mais para ficar apenas no ex-comandante do BRB. Em relação a Paulo Henrique, a decisão de André Mendonça desta semana é lida por advogados como uma peça que já traz elementos suficientes para caracterizar um milionário pagamento de propina. Os investigadores querem saber a rede de fundos e empresas de fachada que abasteceram o esquema e seus beneficiários.
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Por falar em Paulo Henrique…/ Vem por aí uma pressão de pessoas próximas ao ex-presidente do BRB, para que ele siga os passos de Vorcaro e feche uma delação premiada. E que tome essa atitude antes de Daniel Monteiro, o advogado que também foi preso, depois de ajudar na ocultação de patrimônio
O silêncio de Alcolumbre
O pedido de investigação contra o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, por parte do decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, está atravessado na garganta dos senadores de oposição. Tem um grupo cobrando dia e noite um posicionamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em defesa do Parlamento. Contudo, Alcolumbre não deve falar nada sobre o episódio da CPI, para não inflamar ainda mais a tensão entre os dois Poderes.
Balança desregulada
Para alguns parlamentares governistas, tanto o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) quanto os ministros do Supremo Tribunal Federal se excederam acerca do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado. No caso do senador, pedir o indiciamento de três ministros sem uma base consistente foi considerado muito “ousado”. Quanto aos ministros, considera-se que faltou calma para esperar a votação do parecer na CPI — que liquidou o texto do relator.
Padrinho & “mui amigos”
No GDF, o que se diz hoje é que “ninguém gostava de Paulo Henrique Costa, à exceção do governador Ibaneis Rocha”. Costa se dizia o “especialista em compliance”. Até aqui, a indicação dele à presidência do Banco de Brasília é atribuída ao presidente do PP, Ciro Nogueira, conterrâneo de Ibaneis.
Dois pesos
Enquanto os bolsonaristas se juntaram para trabalhar na soltura e acompanhamento de uma possível deportação do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, o mesmo não aconteceu com a ex-deputada Carla Zambelli. Presa na Itália, ela aguarda a extradição. Eduardo Bolsonaro atuou pessoalmente para que Ramagem fosse solto e, agora, senadores aliados a ele entraram com um pedido de missão oficial aos EUA para “acompanhar a situação de cidadãos brasileiros em custódia naquele país, em especial, Alexandre Ramagem, bem como averiguar a atuação das autoridades brasileiras competentes sobre o tema”. Zambelli está a ver navios.
CURTIDAS

Vorcaro e Pablo/ Nos restaurantes de Brasília, muita gente comentava essa semana que o dinheiro a rodo que Daniel Vorcaro gastava só se compara ao que fazia o chefão do narcotráfico Pablo Escobar. O colombiano não tinha mais onde colocar dinheiro e chegou a aterrar uma piscina para guardar o dinheiro do tráfico. Há muita gente suspeitando que o esquema do ex-banqueiro ia muito além do colarinho-branco.
Não confunda/ A “imobiliária” que Paulo Henrique Costa estava quase montando com imóveis recebidos do esquema de Daniel Vorcaro lembrou a muitos o caso de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras preso nos tempos da Lava Jato depois de receber um carro de luxo de propina.
Vem aí/ No aniversário de Brasília, na próxima terça-feira (21), a senadora Leila Barros (PDT) vai lançar sua pré-candidatura ao Senado na sede nacional do partido a partir das 14h30. Leila usará a data para marcar presença na disputa concorrida do DF.
A festa do Zé Eduardo/ Com seu escritório em Brasília, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo (Foto) comemorou antecipadamente seu aniversário na cidade, com a presença de amigos, numa festa surpresa. Por lá passaram advogados, familiares e amigos de longa data, como a família do ex-deputado Sigmaringa Seixas, a viúva Marina Sigmaringa, e os filhos, Luiza Sigmaringa e Guilherme Sigmaringa, atual presidente do PT do Distrito Federal. O ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e deputado federal, Paulo Teixeira (PT-SP), fez questão de marcar presença. José Eduardo completa 67 anos neste sábado,18.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 16 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A crise aberta entre Legislativo e Judiciário, depois da apresentação do relatório da CPI do Crime Organizado, terá reflexos nos votos de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal. É que começa a se cristalizar na Casa a ideia de que, diante da tensão entre Senado e STF, com pedidos de indiciamento de ministros — algo já rejeitado no Senado —, e a reação da Corte — com pedido de investigação do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) —, o melhor no momento é pisar no freio quanto à escolha de um ministro para o Supremo. Ainda mais em se tratando de um indicado tão afeito a um lado da política. Nesse sentido, o trabalho do governo daqui até 28 de abril, data da sabatina de Messias no Senado, será separar essas estações e acalmar os ânimos entre os dois Poderes. Serão 11 dias para cuidar da relação entre a “Casa dos Onze” e o Senado, a fim de garantir maioria dos 81 senadores favoráveis a Messias, o que ainda está incerto.
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Quem chega para ajudar/ Pré-candidato ao governo de Minas Gerais, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) entrou em campo para tentar ajudar Messias. Quem ainda não entrou de corpo e alma nesse barco foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele se reaproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda tem dificuldades em abraçar a campanha do advogado-geral da União para o STF.
Conselhos para Sidônio
Aliados de Lula foram ao ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, dizer que o discurso do governo sobre o fim da escala 6 x 1 não pegou e que o povo nem sabe do que se trata de conceder uma folga a mais aos trabalhadores que só têm o domingo, ou outro dia na semana. A ideia desses amigos do presidente é que o governo fale mais que o objetivo da proposta é que as pessoas tenham dois dias de folga para cuidar da vida e… orar. De quebra, ajuda até a chamar a atenção do eleitorado evangélico.
Por falar em 6 x 1…
Enquanto o Centrão defende que não é hora para se discutir sobre o fim da escala 6 x 1, o governo tenta convencer os parlamentares a optarem pelo projeto de lei: é que, em caso de criarem muitos problemas com a nova escala de trabalho, o PL é de mais fácil tramitação do que uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A base governista vai usar esse argumento para defender a discussão do texto com urgência constitucional, enviado pelo Planalto esta semana.
A cobrança da Reforma Administrativa
O 6º Brasília Summit Lide-Correio Braziliense, com o tema eficiência na gestão pública, trouxe à baila a Reforma Administrativa e a necessidade de destinação das emendas parlamentares a obras estruturantes. “São R$ 50 bilhões em emendas e cadê as obras estruturantes?”, perguntou o ex-governador do Mato Grosso Mauro Mendes.
Por falar em emendas…
O ministro Antonio Anastasia, do Tribunal de Contas da União (TCU) — que já foi senador —, defendeu as emendas como instrumento de gestão. “É um recurso para localidades que, muitas vezes, não recebem recursos”, afirmou. Ele acredita que não se deve criminalizar as indicações, mas que o TCU deve fiscalizar e punir os desvios. “O grande empenho neste momento é que seja identificado um plano de trabalho adequado para que essas emendas tenham, de fato, sua origem, seu destino, e qual será seu percurso. E será objeto de avaliação permanente pelo TCU, que tem capacidade, legitimidade e estrutura administrativa para fazer isso em relação aos recursos federais”, disse, logo após o 6º Brasília Summit Lide-Correio Braziliense.
CURTIDAS

Cálculos na ponta do lápis I/ Davi Alcolumbre foi incisivo ao afirmar que não pautará mais nenhum projeto de lei que cria piso ou impacto financeiro nas contas do governo federal, estaduais ou municipais. A fala vem em meio à votação, na Câmara dos Deputados, de uma PEC que destina 1% da receita corrente líquida dos entes federados à Assistência Social.
Cálculos na ponta do lápis II/ “A minha decisão é não botar na pauta nenhum (piso), mas ouvir vossas excelências para agente buscar entendimento com o governo federal, estados brasileiros, municípios e decidir em conjunto quais as matérias vamos deliberar no plenário do Senado que impactam, direta ou indiretamente, as finanças públicas no Brasil, para que a gente possa manter o equilíbrio das contas”, justificou Alcolumbre.
Contagem de votos/ Após a aprovação da indicação do deputado mineiro Odair Cunha (PT-MG) ao TCU, seus aliados estão contando os votos. Alguns relataram à coluna que antes de chegarem ao Plenário eram esperados cerca de 280 votos, mas, com a porcentagem dos “traidores”, acreditavam que ficaria entre 250 votos. Já perto da votação, o partido contou 308 votos, cinco a mais do que o resultado final, e são justamente esses “traidores” que os aliados de Cunha procuram para cobrar o combinado.
Mineiros no TCU/ Depois dos pernambucanos, chegou a vez dos mineiros. O ministro Antonio Anastasia deu boas-vindas ao futuro novo ministro Odair Cunha. Inclusive, lembrou que os dois são da mesma região de Minas Gerais, algo que não ocorria há algum tempo na corte. O TCU, há alguns anos, chegou a ter três ministros de Pernambuco: o atual ministro da Defesa, José Múcio Monteiro; o ex-ministro da Educação e de Minas e Energia, José Jorge; e a ex-deputada Ana Arraes, mãe do ex-governador de Pernambuco e ex-ministro Eduardo Campos, e avó do presidente do PSB e ex-prefeito do Recife, João Campos (foto).
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 12 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

É assim que alguns juristas têm se referido à tramitação do caso do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O processo, que hoje está em pauta no Supremo Tribunal Federal (STF), gerou mal-estar entre a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, e o ministro Gilmar Mendes ao longo da semana passada, quando discutia-se se a escolha do substituto deve ser feita por eleição direta ou indireta. Mendes acusou o TSE de “lentidão” no julgamento do caso, o que causou “dúvidas” sobre como deve ser a eleição. Cármen disse que o TSE agiu com rigor. Uma olhada na tramitação do processo indica que a então ministra-relatora, Isabel Gallotti, liberou o tema para pauta em 27 de junho do ano passado. O processo entrou em 4 de novembro. Gallotti apresentou seu voto pela cassação e inelegibilidade de Castro por oito anos em 05 de novembro. A votação final, porém, só veio a ocorrer em 24 de março deste ano. A maioria acompanhou a relatora, que deixou o tribunal em 18 de novembro de 2025, meses antes da renúncia de Castro, em 23 de março, na véspera do desfecho do caso, o que levou a ressalvas em muitos votos. Entre a liberação do processo e a conclusão do julgamento, transcorreram cerca de dez meses.
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A certidão de julgamento, incluída no sistema do TSE, é alterada em 25 de março, e só a última versão menciona a eleição indireta, que não estava no voto de Isabel Gallotti, uma vez que ela havia determinado a cassação do diploma de Castro, com o cumprimento imediato da decisão. Essa deliberação, a favor da eleição indireta, não estava no voto vencedor, proferido por Gallotti em novembro do ano passado. Essas questões é que fizeram o ministro Flávio Dino pedir vistas à espera do acórdão. Enquanto esse documento não for publicado, Dino não votará. Que venha o documento do TSE, com todos os votos detalhados, para que as dúvidas sejam esclarecidas e esse caso tenha um desfecho.
Aliás…
O caso Cláudio Castro é visto por muitos como a certeza de que esses processos sobre perda de mandato e cassação de diplomas precisam de uma reforma. Os pedidos de vistas precisam ser mais céleres no TSE, uma vez que esse julgamento final ocorreu sem a presença da relatora, mencionada do início ao fim, com uma chuva de agradecimentos. Por isso, já tem gente se referindo de forma irônica àquela reunião como uma sessão espírita. E, se não houver uma reforma sobre essas tramitações, muitos processos correm o risco de virar caso de polícia.
Pressão sobre Lula…
A pesquisa Datafolha divulgada neste fim de semana deixou claro que o presidente Lula corre o risco de derrota para qualquer um dos três que chegue ao segundo turno, seja o senador Flávio Bolsonaro, seja os ex-governadores de Goiás Ronaldo Caiado, ou de Minas Gerais Romeu Zema. Flávio aparece um ponto à frente do petista e os outros dois muitos próximos.
…e sobre Flávio
Dada a alta rejeição do senador, o filho de Jair Bolsonaro também não está deitado em berço esplêndido. Ele chegou até aqui com o recall do bolsonarismo. Mas as performances de Caiado e de Zema num segundo turno indicam que, se Flávio não apresentar capacidade de gestão, corre o risco de ver essa amplitude do primeiro turno migrar para outros nomes da direita, uma vez que, na pesquisa espontânea, 42% dizem não saber em quem votar.
O que o Brasil quer ser em2050? Ninguém sabe. Agente se comporta como um país rico, está longe de ser essa realidade. Não temos projeto nacional, estamos sem visão e com deficit de lideranças capazes de ir atrás de soluções para o nosso país” Eduardo Mufarej, fundador do RenovaBR
CURTIDAS

Semana de tensão/ A votação para ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) vai provocar muita confusão esta semana na Câmara dos Deputados. O Centrão não se entende e colocou o tema como um teste da correção de forças na Casa. O presidente Hugo Motta, porém, só pensa em cumprir o acordo que permitiu a sua eleição, dando uma ajuda ao candidato do PT, Odair Cunha (MG / foto).
Os sabatinados/ Esta semana o Senado pretende ouvir cinco indicados para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dois para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Para o CNJ, são a ministrado TST, Kátia Magalhães Arruda, e os juízes Ilan Presser, Andréa Cunha Esmeraldo, Paulo Regis Machado Botelho e Noemia Aparecida Garcia Porto. E para o CNMP, Márcio Barra Lima, indicado na vaga do Ministério Público Federal, e Carl Olav Smith, indicação do Superior Tribunal de Justiça.
Preparo pras eleições/ O RenovaBR, instituição que auxilia na formação de pessoas que pretendem exercer cargos na política, está com uma turma dedicada ao pleito deste ano. A turma tem 77 alunos distribuídos em 20 partidos e com média de idade de 38 anos. Mais da metade pretende disputar para deputado estadual (54,5%), enquanto 36,4% miram a Câmara Federal e 2,6% desejam a Câmara Distrital.
Legado/ Um dos alunos do RenovaBR é o neto do ex-deputado Rubens Paiva. Chico Paiva, será candidato pelo PSB do Rio de Janeiro para a Câmara dos Deputados. Paiva quer ressaltar o legado do avô, de defesa da democracia.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 10 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Com a senadora Tereza Cristina (PP-MS) colocada como uma potencial pré-candidata à Presidência do Senado à direita e aliados de Lula começando a se movimentar à esquerda, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu atender a dois senhores. Em relação aos lulistas, marcou a sabatina de Jorge Messias para 29 de abril. E, com a intenção de deixar os conservadores satisfeitos, pautou o veto da dosimetria para o dia seguinte.
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Alcolumbre sabe que, a preços de hoje, não é o preferido para comandar o Senado a partir de fevereiro de 2027. Porém, começa a construir pontes para esse objetivo. Vai na linha de que mais vale um independente que dialogue e abra espaço para os projetos que interessam aos dois lados do que aquele que faz a balança pender para apenas um lado da polarização.
A toada da sabatina
A oposição pretende aproveitar a sabatina de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal, este mês, e cobrar uma investigação rigorosa sobre os magistrados da Corte e o caso Master. Prometem repisar, em todos os discursos, o fato de a mulher do ministro Alexandre de Moraes ter recebido R$ 80 milhões do banco de Daniel Vorcaro.
Fonte 5
Depois que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, foi citado como um dos beneficiários de recursos do Master no valor de R$ 2,1milhões, entre 2024 e 2025,os deputados do partido planejam esconder a legenda na campanha. Vão usar apenas o próprio nome e o número da sigla. A ideia é apresentar a agremiação como menor tamanho possível nos “santinhos” eleitorais.
Hora dos testes
A eleição para ministro do Tribunal de Contas da União(TCU), na semana que vem, será o momento de verificara fidelidade dos partidos aos acordos firmados. Como parte da eleição de Hugo Motta para presidente da Câmara, Republicanos e Progressistas prometem votar no petista Odair Cunha (MG). Já o União Brasil, o PSD, o PSDB e o PL vão testar a capacidade do PT de cabalar votos em prol do seu candidato. Os três partidos registraram nomes para o pleito.
Elmar na roda
O deputado Elmar Nascimento, que concorrerá pelo União Brasil, se não for eleito, quer verificar se tem condições de empreender uma campanha para presidir a Câmara no ano que vem. Ele não gostou nada de ter que abrir mão lá atrás porque o Centrão preferiu Hugo Motta.
Votos no escuro
Ao pedir vista no caso do Rio de Janeiro, o ministro Flávio Dino indica que prefere mais luz para proferir o seu voto. É que o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral começou antes da renúncia do governador Cláudio Castro e terminou depois. Na análise do ministro, é preciso avaliar com lupa cada voto naquele processo que cassou o governador para poder decidir um tema tão importante para o futuro do Rio.
CURTIDAS

Grandes metas/ Com Nikolas Ferreira encabeçando a nominata de candidatos a deputados federais do PL de Minas Gerais, o partido está mais otimista com a perspectiva de bons resultados este ano. É esperado que a legenda conquiste 20 vagas para a Câmara federal, só no território mineiro. Se esse número se confirmar, ainda não será o maior da história. Em 1986, o PMDB elegeu 26 deputados federais no estado.
Nada combinado/ O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pode esperar sentado a aprovação da PEC que amplia a autonomia da instituição. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, senador Otto Alencar, disse que não há prazo para tratar desse tema no Senado.
Termo proibido/ De acordo com a pesquisa da Quaest, qualquer coisa que vincule a “taxa” será complicada em ano eleitoral. Um exemplo foi a alta rejeição sobre haver uma taxa mínima para corridas e entregas por aplicativos: 71% afirmaram que não gostariam e 78% acreditam que o preço mínimo aumentará os preços. O assunto deve entrar na pauta da Câmara em breve.
Professor Marçal/ Pablo Marçal (foto) está trabalhando com o União Brasil para fortalecer e posicionar os deputados e candidatos à Câmara e ao Senado nas redes sociais. Depois do resultado na eleição para Prefeitura de São Paulo, o trabalho de Marçal na internet foi visto como uma ferramenta para ajudar a aumentar o número de parlamentares para o ano que vem. Apesar de não revelar a meta, o ex-coach quer fazer da próxima bancada do União a maior de todos os tempos. Difícil superar o antigo PFL e o PMDB.












