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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 21 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Qualquer partido com poder de fogo e vontade de vencer nesta temporada eleitoral estará em campo até 5 de agosto fechando suas nominatas para deputados federais e estaduais e as coligações para as eleições estaduais e para a presidencial. Quem está com mais dificuldades nessa seara hoje, nos estados, é a federação União Progressista, que uniu PP e União Brasil num casamento que virou um cabo de guerra. No Maranhão, por exemplo, o presidente do PP, Ciro Nogueira, disse não à aliança com o MDB, e o do União Brasil, Antonio Rueda, disse sim. Logo, o partido estará dividido por lá. (leia nas notas ao lado) Em estados como São Paulo, porém, houve pressa em selar o compromisso com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), porque o candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP) fez um movimento mais incisivo nessa direção. Há, também, uma relativa paz em Santa Catarina. Na maioria dos Estados, porém, a tensão será grande.
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O que interessa a eles/ Ciro Nogueira, pré-candidato à reeleição para senador no Piauí, entrincheirou-se no estado, onde já lançou um acordo com o PL para alavancar a sua candidatura, com caso Master e tudo. Antonio Rueda, que não é candidato a nada, tenta voar abaixo dos radares da Polícia Federal para organizar as chapas de deputados federais país afora. É o que mais lhe importa no momento: eleger um número de deputados federais capaz de manter o fundo partidário nas alturas.
São Paulo, o ponto de partida
Pela terceira vez consecutiva, o PT realizará a convenção nacional em São Paulo. Na campanha pela reeleição de Lula, em 2006, e nas duas eleições de Dilma Rousseff, 2010 e 2014, Brasília foi escolhida para sediar as reuniões que oficializaram as candidaturas.
Está explicado
O estado concentra 21,4% do eleitorado nacional, com 34,1 milhões de eleitores, conforme os dados do Tribunal Superior Eleitoral divulgados esta semana. O PL e o PSD também realizarão as convenções ali como forma de fortalecer apoios e alianças para o pleito de outubro.
O imbróglio do Maranhão
A federação União Progressista rachou no Maranhão. Ex-ministro do Esporte, o deputado André Fufuca (PP) é pré-candidato ao Senado e vai apoiar Eduardo Braide (PSD). Enquanto isso, o deputado Pedro Lucas (União Brasil) segue como pré-candidato ao Senado ao lado de Orleans Brandão (MDB), principal adversário de Braide na disputa ao governo.
A força dela
Orleans terá como parceira de chapa, numa das vagas ao Senado, a ex-governadora, ex-deputada e ex-senadora Roseana Sarney (MDB), que, recentemente, venceu uma guerra contra o câncer.
CURTIDAS

Corre aí, ministro/ A Polícia Federal espera autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para uma nova rodada da Operação Compliance Zero no Distrito Federal. Em período eleitoral, é confusão para mais de metro. Mendonça, ciente de suas obrigações, quer estudar tudo muito detalhadamente para não ser acusado de proteger e nem de atacar quem é candidato neste pleito e está na mira da PF.
Polarização x Caiadismo/ Em Goiás, o PT e o PL enfrentam o mesmo problema: vencer a força política do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD, foto) no estado. O atual governador, Daniel Vilela (MDB), lidera as pesquisas de intenção de voto, enquanto os nomes dos partidos de Lula e Jair Bolsonaro enfrentam dificuldades em crescer. O PT, por ter pouca expressão no estado, e o PL, por lançar uma chapa totalmente pura, apenas com membros da legenda.
Da boca para fora/ Muitas políticas de direita têm relatado à coluna irritação com as ofertas de vagas para vices nas chapas para estas eleições. Algumas até questionam: “Por que mulher tem que ser vice?”. O incômodo tem aumentado nas últimas semanas e, principalmente, com a briga entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. O sentimento para senadoras e deputadas é de que os partidos têm usado a premissa de eleger mulheres, mas nunca dão espaço de verdade para elas.
Por falar em vice… / Hoje, haverá mais uma rodada de conversas capitaneadas pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para tentar fazer Tereza Cristina vice de Flávio Bolsonaro. E ela, mais uma vez, dirá que tem outros planos.
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 4 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Em Montevidéu, onde participou de um encontro jurídico internacional, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, voltou a abordar um tema que se tornou central nos últimos anos: as ameaças contemporâneas à democracia. Se antes conspirações militares e insurreições golpeavam os regimes democráticos, os perigos atuais ocorrem dentro do próprio regime, ou, como se dizia no Brasil em 2022, “dentro das quatro linhas da Constituição”.
Para Fachin, há um “constitucionalismo abusivo” a corroer as bases do ordenamento democrático. Essa erosão ocorre por meio de reformas legislativas, manipulação de instituições de controle e concentração progressiva de poder. Na realidade brasileira, esses desvios e distorções promoveram, ao longo dos anos, como uma hipertrofia do Parlamento no controle orçamentário, críticas crescentes a decisões judiciais e ao sistema de Justiça, tensionamento institucional entre os Poderes da República.
Há outros fatores de risco, como a disseminação do discurso do ódio nas redes sociais, a infiltração do crime organizado na política e na economia e as conexões internacionais do extremismo. Como guardião do ordenamento constitucional, o Judiciário é o Poder mais pressionado pela recessão democrática.
Lista de convocados
A Polícia Federal estuda quebrar os sigilos bancários e financeiros dos 20 nomes presentes na lista encontrada durante investigação contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. O documento foi encontrado na 5ª fase da Operação Unha e Carne, realizada na última quinta-feira. Iniciada em 2021, a investigação apura uma suspeita de lavagem de dinheiro da cúpula do jogo do bicho, além de conexões com parlamentares dos Poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
Custo Europa
O bloqueio sanitário à carne brasileira anunciado pela União Europeia acendeu um alerta para governo e agronegócio nacional. O medo é que haja um repique inflacionário nos preços das carnes, principalmente na de frango, a mais consumida no país. Internamente no setor, a avaliação é que as restrições devem elevar o custo da produção e isso será refletido no preço para o consumidor.
Melhor se preparar
Cálculos que circulam entre técnicos do governo e de representantes do setor, indicam que o impacto sobre a cadeia do frango pode chegar a R$ 0,15 por kg, totalizando R$ 2 bilhões repassados aos consumidores brasileiros.
E Bolsonaro, hein?
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro comemoraram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em manter a prisão domiciliar. Interlocutores próximos ao ex-presidente afirmam à coluna que ele e a esposa, Michelle Bolsonaro, cumpriram tudo o que foi exigido e prometido a Moraes. Muitos afirmam que Michelle está praticamente presa com Bolsonaro, e por isso não haveria motivos para o ministro negar o pedido da defesa.
Michelle curtiu
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) parabenizou, ontem, a comunidade surda após o governo Lula anunciar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos. Na postagem, Michelle avaliou que a medida lançada pelo MEC é “um sonho realizado” e que a educação bilíngue de surdos trouxe mais autonomia e protagonismo para a comunidade surda. “Seguimos trabalhando por um Brasil mais acessível e com oportunidades para todos”, escreveu a madrasta do principal rival de Lula na corrida presidencial.
Fome de poder
Partidos de centro têm manifestado incômodo com a postura do PL de querer todas as vagas majoritárias em chapas estaduais e nacionais. À coluna, interlocutores demonstraram insatisfação com a fome de protagonismo da legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em alguns estados, como no Distrito Federal, o PL tem forçado negociações e quebra de acordos previamente realizados. “Não dá para ter tudo”, dizem políticos em conversas reservadas.

A vez de Zema
Mais um pré-candidato à Presidência será ouvido por parlamentares, lideranças empresariais e representantes do setor produtivo em Brasília. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo, foto) é o convidado desta semana na Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios (FPN) e no Instituto Unidos Brasil (IUB). A reunião-almoço será no próximo dia 8, a partir das 13h.
TCU e El Niño
Na próxima semana, o Tribunal de Contas da União (TCU) realizará o painel Impactos do El Niño e preparação do Estado para eventos climáticos extremos. O encontro reunirá especialistas e órgãos governamentais para confrontar, com base em cenários prováveis, riscos concretos para a população, a agricultura e a infraestrutura.
Governança ambiental
A Corte pretende analisar como a governança avalia riscos diante de eventos climáticos extremos. O ministro Augusto Nardes será o coordenador do debate na sede do TCU. O evento é terça-feira, das 14h às 17h30, com transmissão pelo YouTube.
Colaboraram Renato Souza e Luíza Altoé
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 27 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Sem meios de evitar a aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara, os empresários jogam em três frentes: a primeira, tentar adiar a votação da proposta pelos deputados. A segunda é modificar o texto, ampliando a transição. E, paralelamente a esses movimentos, tentar conquistar o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que vai jogar uma no cravo e outra na ferradura, de olho na própria reeleição para presidir o Senado.

Embora a oposição aposte que o presidente do Senado não levará a Proposta de Emenda à Constituição a voto neste semestre, tem muita gente certa de que o senador pelo Amapá não vai querer ser o “o coveiro” de um tema que mobilizou a sociedade. Se a onda estiver mais favorável ao projeto, ele não vai contrariar os anseios da sociedade, especialmente, no seu estado. Mas o governo não está tão confiante. Tanto é que o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, saiu-se com essa: “Espero que Alcolumbre tenha compromisso com o povo” .
Cai o primeiro governador
Assim, os deputados e senadores se referem a Cláudio Castro e o caso Master. A avaliação geral é a de que outros virão. Especialmente, de estados que tiveram seus institutos de previdência com carteiras de investimentos vinculadas ao banco de Daniel Vorcaro. Inclua-se na conta o Distrito Federal.
Proteção aos aposentados
O líder do PSol na Câmara dos Deputados, Tarcísio Motta (RJ), apresentou um projeto apelidado de “PL Anti-Vorcaro” . A proposta tenta blindar os recursos da Previdência contra riscos do mercado financeiro. O texto determina que 80% dos recursos dos fundos de pensão sejam investidos em ativos públicos seguros, como títulos do governo e instituições financeiras públicas. E os 20% restantes poderão ser investidos na iniciativa privada, mas seguindo critérios rígidos de transparência.
E as candidaturas, hein?
Até o período de convenções partidárias, em meados de agosto, ninguém está seguro como candidato. Leia-se o caso de Aldo Rebelo no Avante comandado por João Caldas.
Alerta máximo!
Especialistas tributários estão preocupados com o efeito da Reforma Tributária na inflação de 2027. Alguns têm defendido que a maioria dos empresários não vai saber calcular a forma de aplicar preço nos produtos corretamente, e há um grande risco de tudo ficar mais caro por causa da dupla tributação: modelo antigo adicionado com modelo novo, em vez de retirar os impostos que não serão mais usados com a implementação da reforma. Por isso, acham que a inflação pode bater a casa dos 7%.
CURTIDAS

A ponta do arco-íris/ Fontes ligadas à Polícia Federal calculam que Daniel Vorcaro tenha, no mínimo, R$ 180 bilhões escondidos em algum paraíso fiscal. A suspeita foi levantada depois da oferta de R$ 60 bilhões do ex-banqueiro para tentar compensar os danos causados ao setor financeiro e, segundo a PF, “comprar” sua delação premiada.
E o Flávio, hein?/ O pré-candidato do PL ao Planalto volta dos Estados Unidos com uma foto, em pé, ao lado de Donald Trump, mas, até o fechamento desta edição, sem nenhum pronunciamento oficial por parte da Casa Branca. Agora, vai começar uma onda de versões sobre o encontro na internet, com gente, inclusive, dizendo que a foto foi montada. No mar de fake news em que o mundo vive, vale tudo.
Honra para Edinho/ O presidente do PT, Edinho Silva, recebeu, ontem, o título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro. A honra foi conferida pelo vereador Leonel de Esquerda (PT).
Pentacampeã/ A Vale é reconhecida como maior investidora do esporte no país pela quinta vez consecutiva. A empresa recebeu, nesta semana, a Comenda Incentivadora do Esporte, concedida pela Câmara dos Deputados àquelas que mais investem em esporte, via leis de incentivo. Só em 2025, a Vale investiu R$ 143,3 milhões em 171 projetos sociais esportivos. Somando esse investimento aos das empresas controladas, o valor chega a R$ 191,5 milhões para 175 projetos, desdobrados em 469 iniciativas em vários estados do país. O prêmio foi recebido por Bruno Queiroz (D), da equipe de responsabilidade social da empresa, que estava acompanhado do deputado Luís Lima (Novo-RJ) (E).
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 15 de maio de 2026, por Rosana Hessel com Eduarda Esposito

O filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro fez estragos no mercado financeiro e pode ter afetado a campanha do filho mais velho do ex-capitão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na corrida presidencial deste ano. Não à toa, os operadores da Faria Lima, reduto bolsonarista, ainda estão absorvendo os solavancos do vazamento dos áudios das conversas entre o pré-candidato à Presidência e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 —, negociando patrocínio de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse (“Cavalo Negro” na tradução literal) sobre a vida do ex-presidente. Após disparar mais de 2% na véspera, o dólar voltou a ser negociado abaixo de R$5, ontem, com queda de 0,45%, cotado a R$ 4,98.
Analistas reconhecem que ainda é cedo para estimar os impactos na candidatura de Flávio e no câmbio. “Foi um susto, mas os fundamentos para o real continuar forte continuam”, afirmou André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital. “Os fundamentos falam mais alto. Afinal, Flávio pode ser o candidato da Faria Lima, mas não necessariamente de Wall Street”, acrescentou. Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, destacou que para a Faria Lima abandonar a candidatura de Flávio, precisaria ter uma queda muito forte nas próximas pesquisas. “O mercado sentiu o tranco em um primeiro momento. Muitos consideram que isso faz parte da campanha, que será bem pesada, dada a polarização do país. Novos capítulos são esperados para o restante do ano”, acrescentou Julio Hegedus, economista-chefe da JHN Consulting.
Clima de tranquilidade
Entre os governistas, nada como uma semana após a outra. O clima do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de tranquilidade — tanto que os líderes do governo no Congresso estavam nas bases na tarde de ontem. Após as derrotas recentes no Legislativo, Lula respira aliviado comas primeiras pesquisas mostrando que a rejeição de Jorge Messias no Senado para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) não impactou a popularidade do petista. Tanto que voltou a ficar à frente de Flávio no segundo turno, apesar do empate técnico, segundo a Pesquisa Genial/Quaest, feita antes do vazamento das conversas do senador com Vorcaro.
Tempo ao tempo
Enquanto o PL e bolsonaristas começam a sair em defesa de Flávio por ter recebido dinheiro de Vorcaro, aliados estão mais contidos e aguardam os desdobramentos do episódio. Não devem trair Flávio, mas também não irão defendê-lo tão rápido. O momento exige cautela.
Sem plano B
Um dos parlamentares mais aguerridos da base bolsonarista, o senador Márcio Bittar (PL-AC), foi dos primeiros a publicar áudio nas redes sociais em solidariedade a Flávio. Descartou qualquer plano B para outra candidatura do partido por conta dos vazamentos dos áudios. “A direita ainda tem muito o que aprender com a esquerda, porque, mesmo com todos os processos e a condenação em três instâncias de Lula no processo do triplex, ele nunca foi abandonado pelos seus apoiadores. E nós também não abandonaremos o Flávio por pedir um recurso privado para um filme sobre o pai dele que foi esfaqueado e está preso”, afirmou. Bittar foi incisivo ao comentar sobre a possibilidade de o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltar a ser cogitado para a corrida presidencial pelo PL. Afirmou que é mera “fofoca”. “Ninguém tira quem tem 40% das intenções de voto nas pesquisas”, acrescentou.
Explica isso aí, CPMI
O vazamento da conversa entre Flávio e Vorcaro veio da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Pelo menos é o que acredita a Polícia Federal (PF). A corporação acredita que o vazamento ocorreu via espelhamento dos computadores e ressalta que, antes da suspensão de acesso às quebras de sigilo pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, mais de 70 pessoas tiveram acesso à sala cofre do Senado.
Muito para um filme?
Fontes ligadas à PF estranharam os valores de pagamento de Vorcaro ao filme, em torno de R$ 140 milhões. A teoria é de que o montante era, muito provavelmente, um financiamento eleitoral antecipado. Aliás, a cena da facada vazou na internet e virou “meme” nas redes sociais.

Tensão nas alturas
A suspensão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, da Lei de Dosimetria deixou a oposição ainda mais arisca no Congresso. Segundo os parlamentares, o processo foi árduo e seguiu todos os trâmites necessários da Constituição. Um levantamento do grupo Livres mostra que, em 2024, 81% das decisões do STF foram monocráticas e sem deliberação do colegiado.
Falta de orçamento
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP, foto), defendeu durante o III Encontro Nacional das Agências Reguladoras, organizado pela Associação Brasileira de Agências Reguladoras (Abar), que não haverá autonomia enquanto não houver recursos para as instituições. “Você tem autonomia, mas não tem orçamento. Que autonomia é essa?”, questionou. Dados recentes da Agência Nacional de Mineração mostram que há uma defasagem de 70% no pessoal da ANM justamente por falta de recurso financeiro.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 12 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Nova York — Ligado ao PT e advogado de Ibaneis Rocha no caso Master, o advogado Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, advogava para Ciro Nogueira há mais de 10 anos. Venceu todas as causas do senador ao longo do período. Porém, agora, o desafio vai além do senador. Envolve um partido aliado a Jair Bolsonaro, o que é demais para um advogado ligado ao PT, que tem entre seus clientes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu. Para completar, no caso Master, Kakay defende o ex-governador do Distrito Federal. Ou seja, juntou muita coisa. Daí, a assunção de Conrado Gontijo, em quem Kakay confia. Conrado é citado entre tarimbados advogados como “um menino novo, porém brilhante”. Mas se Conrado perder a causa, não terá sido Kakay.
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Valia por dois/ A família de Ciro será representada por Rodrigo Mudrovich, que lá atrás advogou para a mulher do ex-deputado Eduardo Cunha. A tempestade sobre os Nogueira está apenas começando.
Diferenças
Muita gente mudou de advogado, ao longo dos últimos meses, porque queria partir para uma delação premiada. Não é o caso de Ciro Nogueira. O discurso do senador é e será o de perseguição política. Até quando conseguirá manter essa versão é que é a maior incógnita. O futuro a Deus pertence.
Quem tem tempo…
… não tem pressa. Até aqui, quem acompanha o processo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro avalia que a delação está muito longe de ser homologada.
Ralo clandestino I
Segundo dados enviados à Comissão Externa sobre os Atos de Pirataria e a Agenda do “Brasil Legal”, o país deixou de arrecadar, entre 2017 e 2025, R$ 8 bilhões em impostos devido à pirataria. Esse valor poderia custear sete meses de Bolsa Família, por exemplo.
Ralo clandestino II
O estudo alerta para uma brecha dentro das plataformas internacionais que usam o modelo cross-border — comércio eletrônico internacional onde empresas vendem produtos para consumidores em outros países— e que ainda pagam metade da carga tributária de empresas brasileiras. A ação tem, ainda, o apoio da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria (FPI).
CURTIDAS

As voltas que o mundo dá/ Há dois anos, Ciro Nogueira passeava pela Quinta Avenida, em Nova York, acompanhado do ex-deputado Fábio Faria, quando foi flagrado pela coluna. Ambos são ex-ministros de Jair Bolsonaro. E Ciro logo tratou de deixar meio de lado a sacola de uma loja de grife, que levava a tiracolo. No ano passado, o senador aproveitou a viagem aos Estados Unidos por esse período para uma reunião com Eduardo Bolsonaro, Guilherme Derrite e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda.
“Coloca na pauta aí”/ Os deputados Alberto Fraga (PL-DF, foto) e Soraya Santos (PL-RJ) estiveram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na última quarta-feira, para pedir que paute um projeto de autoria de Fraga. A proposta prevê o aviso às vítimas de violência doméstica e tentativa de feminicídio quando seus agressores forem soltos. A expectativa é de que entre em votação ainda esta semana.
Por falar em votação…/ É tanto deputado em Nova York para a Brazilian Week e a bateria de eventos de bancos e think-tanks que as votações desses dias serão via Infoleg.
Shows na maçã/ Enquanto os turistas e formandos de cursos de artes fazem fila na Broadway, os brasileiros que estarão hoje no Lide Brazil Invesment Forum, em Nova York, assistiram a um pocket show de Michel Teló, patrocinado pelo Spotify. Os debates do Lide terão lugar hoje, com as presenças dos presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
Networking/ Não é só para Lula que os irmãos Batista fizeram uma ponte com o governo Trump. O Diálogos Esfera de ontem, em Nova York, recebeu Donald Trump Jr. Lá estava também André Esteves, do BTG-Pactual.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 29 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Com Daniel Vorcaro elencando os integrantes da política nacional em sua delação, a pretensão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa é centrar na figura do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e outros próceres da política local. Aliás, foi por essa perspectiva de referências a Ibaneis que o advogado Cleber Lopes, conforme ele mesmo relatou a amigos, deixou a defesa de Paulo Henrique e indicou Davi Tangerino e Eugênio Aragão. Cleber foi advogado de Ibaneis, de quem é amigo. Não dava para misturar as coisas.
Veja bem/ O problema é que parte da nova defesa de Paulo Henrique já teve alguns embates com ministros do STF e não foram dentro de processos. Em janeiro de 2017, por exemplo ,o ministro Alexandre de Moraes anunciou que processaria Eugênio Aragão por causa de insinuações difamatórias de ligações com o PCC, feitas por Aragão em entrevistas. Como dizem os políticos, quem bate costuma se esquecer, mas quem apanha não esquece fácil. Só o tempo para amortecer. De lá para cá, passaram-se quase 10 anos.
Dosimetria em xeque
A oposição sentiu o baque diante das afirmações de integrantes do governo Lula sobre a derrubada do veto da dosimetria beneficiar chefes de facções, diminuindo o tempo de espera para a flexibilização das penas desses criminosos. Os bolsonaristas passaram essa terça-feira em reuniões tentando encontrar algum meio de contornar a situação. Um dos planos é votar apenas trechos do projeto vetado e manter os vetos relativos às penas de crimes hediondos.
Nem vem, mas vai
A base governista considera ser impossível manter o veto a apenas essa parte do texto. Porém, no Congresso, com acordo, tudo é possível. Os oposicionistas esperam o apoio do centro para encontrar e aprovar uma brecha regimental, a fim de tirar qualquer benefício dos chefes de facções criminosas.
No centro
Os ministros Nunes Marques e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, fizeram campanha abertamente para Jorge Messias integrar a Corte. Num STF rachado, as apostas são de que, se for aprovado, Messias chegará “pianinho” ao tribunal, evitando se alinhar de primeira a um ou outro grupo do colegiado.
Tempo & votos
A previsão é de que a sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça do Senado seja longa, tal e qual a de Flávio Dino, que durou mais de 10 horas. E sem pausa até a votação. O relator Weverton Rocha (PDT-MA) pretende reduzir esse tempo, pedindo aos senadores da base aliada que não usem os 10 minutos que cada um terá para fazer perguntas a Messias. Na visão do relator, a sabatina não mudará o voto de ninguém, todos os congressistas da CCJ sabem como vão se posicionar. Entre os aliados de Messias no Senado, a contagem de votos no plenário flutua entre 43 e 48 votos. Na CCJ, cravam 17.
Papo reto
A recomendação que os aliados passaram para o advogado-geral da União, Jorge Messias, é que ele seja “direto e curto” nas respostas, que não enrole para não se complicar. Uma vez que a oposição falará de temas polêmicos — aborto, 8 de janeiro de 2023 e dosimetria das penas —, o relator considera que Messias não deverá exprimir opiniões pessoais, porque, caso se torne ministro do Supremo Tribunal Federal, isso poderá prejudicar a futura atuação jurídica.
CURTIDAS

Mais uma/ A história das malas que não passaram pelo raio X do aeroporto de São Roque (SP),revelada pela Folha de S.Paulo, é considerada aponta de um iceberg. As malas estavam num jatinho com passageiros ilustres da política, inclusive o presidente da Câmara, Hugo Motta. Alguns senadores dizem que só o fato de o presidente da Câmara, o senador Ciro Nogueira e outros líderes viajarem no avião de um empresário investigado pela CPI das bets já vale outra CPI.
Não está fácil para ninguém/ As últimas rodadas da pesquisa Genial/Quaest nos estados indicam que está difícil prever o comportamento do eleitor nesse período de pré-campanha. Os líderes das pesquisas para vários governos, seja de Minas Gerais, o senador Cleitinho (foto, Republicanos); seja de Pernambuco, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), adotam a cautela. Todos se recordam que muita gente que começou a campanha lá atrás terminou eleito. Haja vista, inclusive, o caso de Gilberto Kassab para prefeito de São Paulo, em 2008, citado ontem no CB.Poder. Começou bem atrás nas pesquisas e foi eleito.
Por falar em Cleitinho…/ O Republicanos não tem do que reclamar nesta temporada eleitoral. Tem Cleitinho liderando as pesquisas, em Minas, e Tarcísio de Freitas, em São Paulo. Tem tudo para sair das urnas com dois dos três maiores colégios eleitorais do país, o que é visto como algo capaz de ajudar na eleição de deputados federais.
Por falar em João Campos…/ O articulado presidente nacional do PSB, João Campos, conseguiu reunir, no mesmo almoço, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e…Jorge Messias. A foto de Pacheco ao lado de Messias é considerada um ponto positivo para ajudar o AGU a ser aprovado no Senado.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 23 de dezembro de 2025, por Luana Patriolino com Eduarda Esposito
Entre analistas do Itamaraty e de órgãos internacionais de direitos humanos, existe a avaliação de que o Brasil, atualmente, é o único país da América do Sul que poderia frear a escalada militar dos Estados Unidos sobre a Venezuela. Esse papel, seja bilateral, com Donald Trump, seja de diálogo com Nicolás Maduro, seria possível, graças ao bom momento na relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o republicano. Recentemente, eles trocaram afagos após a revogação do tarifaço.

O petista não descarta reunir seu time para tentar solucionar a crise. Além da importância regional histórica, o governo federal mostrou que é independente e que consegue resolver seus dilemas econômicos e comerciais com os EUA na base do diálogo. Para os diplomatas, o caminho de não se acovardar rende frutos.
Ninguém mete a colher
Os deputados distritais do Partido Liberal afirmaram que não irão assinar o requerimento de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco de Brasília (BRB) na Câmara Legislativa do DF. Segundo eles, a recusa se deve ao fato de o pedido ter sido apresentado pelo PSol, além de manterem o apoio à base do governo de Ibaneis Rocha (MDB). Parlamentares da esquerda se movimentam para uma investigação sobre a tentativa de compra do Banco Master pela instituição.
Em planejamento
Não foi batido o martelo para a criação das chapas de José Roberto Arruda (PSD) e do senador Izalci Lucas (PL) na disputa pelo Governo do Distrito Federal. Os pré-candidatos não definiram quem serão seus respectivos vices. Izalci também tenta permanecer no partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas, caso a sigla mantenha o apoio à vice-governadora Celina Leão, o parlamentar poderá mudar de legenda. As alternativas são: Republicanos ou União Brasil.
Lá em Minas
Para o marqueteiro Leandro Grôppo, que fez as duas campanhas de Romeu Zema (Novo) ao governo de Minas Gerais, as eleições mineiras podem surpreender no próximo ano, assim como ocorreu em 2018. Com a esquerda sem um candidato definitivo e o vice-governador Mateus Simões (PSD) trabalhando nos bastidores para ser o único nome da direita, o especialista observa que sobra uma avenida inteira aberta para uma terceira via.
Para relembrar
Naquele ano, de um lado o então governador petista Fernando Pimentel, pensando em não dividir os votos da esquerda, acabou demovendo o ex-prefeito da capital Márcio Lacerda (PSB) de disputar o cargo. De outro, Antonio Anastasia, à época senador pelo PSDB, negociou a retirada da candidatura de Rodrigo Pacheco (PSD), que era do DEM, em troca de uma vaga na chapa ao Senado. Correndo por fora, Zema bateu os dois no primeiro e no segundo turno.
Aposta no interior
O prefeito reeleito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, emerge como um “fato novo” com potencial para sacudir a sucessão mineira em 2026. Sem partido e empunhando a bandeira municipalista, Falcão já aparece com 3% na pesquisa F5 Atualiza Dados, empatado com o vice-governador Mateus Simões — um desempenho expressivo para quem acaba de entrar no radar estadual e ainda é bastante desconhecido do eleitorado mineiro.
Mágoa compartilhada
As recentes operações da Polícia Federal têm deixado o Congresso Nacional preocupado com a imagem perante a sociedade. Da esquerda à direita, a maioria concorda que os políticos saem, de 2026, “machucados” diante dos desdobramentos das investigações da PF.
Em alta
A Polícia Federal é avaliada como uma das instituições mais bem conceituadas do Brasil, com alta confiança da população. A última pesquisa, realizada pela Atlasintel, em fevereiro, revelou que 53% dos brasileiros confiam na instituição, principalmente em atuações contra a corrupção e o crime organizado.
Novo ministro
Toma posse, hoje, o novo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano (foto). Filho e indicado do deputado Damião Feliciano (União-PB), o nome foi uma reivindicação da bancada governista do União Brasil na Câmara. Nos bastidores, há quem diga que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), também participou da negociação com o objetivo de acenar para o governo.

Ficou sem nada
Os parlamentares do União Brasil, de Antônio Rueda, avaliam que Celso Sabino pode ter sido “sacaneado” ao ser demitido do Turismo. O ex-ministro lutou para ficar na gestão de Lula, o que causou sua expulsão da legenda. Em seguida, acabou exonerado e ficou sem um cargo para chamar de seu.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 17 de dezembro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
As duas operações da Polícia Federal para apuração de desvio de dinheiro das emendas, com uma diferença de menos de uma semana entre elas, foram um aviso aos partidos sobre a continuidade desse processo no ano eleitoral. A investigação não vai parar no período de recesso, e a expectativa é de novas operações em breve. A situação tem irritado os líderes do Centrão, que, nos bastidores, culpam o PT. A operação sobre Mariângela Fialek, a Tuca, por exemplo, levou aliados do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) à certeza de que ele precisa se preparar, porque seu nome ou cargo é citado 16 vezes na decisão de Flávio Dino sobre a operação da última sexta-feira.

Veja bem/ Para os integrantes dos partidos de centro, Tuca é inocente. Muitos afirmam que ela é apenas uma servidora que seguia ordens dos líderes sobre a destinação das emendas. Deputados querem que o ministro Flávio Dino entenda que o que precisa ser criminalizado é má execução, e não a indicação. Ocorre que a falta de transparência nas indicações é lida no STF como algo que era feito justamente para facilitar desvios e o rastreamento dos recursos. Isso, assim como o desvio em si, ninguém pretende tolerar mais.
Tchau, querido
O deputado Antonio Leocádio Santos, o Antonio Doido, do MDB do Pará, está praticamente abandonado pelos colegas de Parlamento. Jogar celular pela janela para não ser apreendido só agravou a desconfiança de que há muita coisa errada no reino das emendas.
Imbróglio fiscal
O Congresso Nacional está correndo contra o tempo. A aprovação do projeto de redução de benefícios fiscais prevê, também, a taxação de bets e fintechs e aumento da alíquota de Juros Sobre Capital Próprio (JCP) — a fim de diminuir e complementar a redução de isenções fiscais. A pressa para a aprovação se deve ao fato de que o Orçamento só pode ser votado após o destino do projeto ser definido nas duas Casas.
Objetivos distintos
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), tem feito todo o esforço para aprovar a proposta no curto prazo. A correria para votar logo por parte do governo está diretamente relacionada à arrecadação. Já os deputados querem mesmo as emendas de 2026.
Taxa ou taxa
O governo tem um plano B caso o projeto de redução de benefícios fiscais não taxe fintechs e bets: Editar uma medida provisória. A ordem é taxar até o fim do ano para mostrar ao eleitorado que o governo está compromissado com a taxação BBB: bilionários, bancos e bets.
CURTIDAS

Dos males, o menor/ O empate técnico na aprovação do governo de Lula (foto) na pesquisa Quaest, 48% aprovam e 49% desaprovam, deixou os petistas muito animados. O presidente ainda tem entregas para fazer até abril, e a tendência é melhorar a avaliação até a data da eleição.
Aliás…/ Com o senador Flávio Bolsonaro mais próximo de Lula no cenário eleitoral apontado na última pesquisa Quaest deste ano, o PL começa a se animar. Só tem um probleminha: os 36% que o senador apresenta no segundo turno contra Lula (46%) não servem para vencer. Até março, nada estará consolidado em termos de candidaturas.
Quem diria…/ Justamente na hora em que a Mesa Diretora determinou a posse da deputada Heloísa Helena (Rede-RJ), quem presidia a sessão era o deputado Alberto Fraga (PL-DF), um dos ferrenhos adversários da esquerda.
Recado inicial/ Heloisa Helena (Rede-RJ), aliás, deixou um aviso aos seus companheiros de plenário. “Aos que me odeiam, se avexem não, que o tempo passa rápido e já, já, Glauber está de volta”, afirmou.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 28 de novembro de 2025, por Carlos Alexandre de Souza
Por razões que somente a política explica, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tornou-se voz relevante em uma área quase nunca explorada por chefes de equipes econômicas: a segurança pública. Após a operação conjunta que desmontou o esquema bilionário mantido pelo grupo Refit, o titular da Fazenda reforçou o argumento que tem sido o contraponto dos defensores do modelo “tiro, porrada e bomba” no combate às organizações criminosas. É preciso agir contra uma atividade essencial na cadeia de ilícitos: o crime econômico.

Desde a Operação Carbono Oculto, Haddad tem dito que se deve aprimorar os meios para promover uma asfixia financeira do crime organizado. O projeto de lei sobre o devedor contumaz, que possivelmente retornará à pauta da Câmara, se enquadra nesse raciocínio: “Se você não asfixiar financeiramente as organizações criminosas, você vai ter uma reposição de mão de obra barata na base. Você precisa atuar também pelo andar de cima. Porque é o andar de cima que irriga com bilhões as atividades criminosas. Não estamos falando de milhões, estamos falando de bilhões de reais” , reitera Haddad.
Vamos votar
O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), está com pressa para que o projeto de lei sobre devedor contumaz ganhe tração na Casa. “A gente quer que essa votação seja feita na terça-feira. Espero que essa nova operação (Poço de Lobato) leve à votação. Essa é a prioridade do governo” , disse.
Anistia, de novo
Quem também está apressado é o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), mas por outras causas. Ele articula para levar a plenário, na próxima semana, o projeto de lei pela anistia aos condenados da trama golpista. Segundo ele, a proposta deve ser votada na terça-feira – apesar de o texto ainda não estar definido.
A definir
“Nós ainda não decidimos (o texto que será votado). Isso vai acontecer até segunda-feira. A gente espera que, até terça-feira, a pauta virá, e a gente vence essa matéria. Sóstenes acredita que as conversas e a boa vontade dos presidentes da Câmara e do Senado podem viabilizar a aprovação da anistia.
É outra coisa
O líder partidário comentou, ainda, o PL da Dosimetria, sob relatoria do deputado Paulinho da Força (Solidariedade – SP). Ele defende mais esclarecimento sobre a proposição. “Eu já falei para ele: Paulinho, a população brasileira merece informações corretas. Não existe PL da dosimetria. Não compete ao parlamento fazer dosimetria de nada, compete ao Judiciário” , afirmou.
Redução de pena
Segundo informou Sóstenes, Paulinho da Força teria outro objetivo. “Ele quer propor uma redução de penas que deixaria livre todos os envolvidos e só o núcleo principal com uma pena bem mais reduzida. Pela primeira vez ontem, eu tive acesso ao texto que ele propôs. Estou me debruçando sobre o texto” , explicou.
Como pode?
Depoente na CPMI do INSS, o contador Mauro Palombo Concílio ficou no aperto quando confrontado pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL). O deputado questionou como Concílio, um profissional experiente, não percebeu sinais de lavagem de dinheiro em empresas abertas por ele próprio para dirigentes de associações investigadas. “Onde está a boa-fé? O senhor abriu empresa para todos eles, e o dinheiro das associações ia parar exatamente nessas contas” , disse o parlamentar.
Tudo normal
Em resposta, Concílio alegou não desconfiar de irregularidades, pois se tratava de créditos vindos do INSS, pagamentos de DARFs, bloqueios judiciais e liberações determinadas pela Justiça. Segundo ele, esses elementos conferiram “aparente normalidade” às operações.

STF e racismo
Oito ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já votaram no julgamento que pode determinar que há omissão do Estado no enfrentamento a violações contra direitos dos negros. Três integrantes da Corte — Luiz Fux (foto), Flávio Dino e Cármen Lúcia — entendem que há um “estado de coisas inconstitucional” originado pelo racismo estrutural e institucional. Fux, ministro relator, defendeu que a União elabore, no prazo de um ano, um plano para combater as violações sistêmicas aos direitos dos negros.
Existem ações
Os ministros Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli reconheceram o racismo estrutural no Brasil e as graves violações contra negros. Mas divergiram em relação ao estado inconstitucional, pois identificam ações e políticas públicas para mitigar o problema social. Com os votos proferidos, o STF formou maioria para que o governo adote mais medidas contra o racismo.
Colaboraram Alícia Bernardes e Letícia Corrêa
Por Eduarda Esposito — O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para Caiado, as medidas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a investigação da Polícia Federal (PF) são uma vingança contra o ex-presidente.

“Não condizem com o regime democrático. Respeito decisões judiciais, mas há limites. Julgar é papel da Justiça, vingar não. O Supremo julga, não vinga. Não se pode impor esse tipo de humilhação a quem sequer foi condenado”, afirma o governador.
Segundo o governador, a medida foi desproporcional. “Colocar tornozeleira em um ex-presidente que não tem condenação, não responde criminalmente e sempre se colocou à disposição da Justiça? Isso é um absurdo”, critica.
“Ele está presente nos processos. Para quê essa atitude? Por que esse tipo de espetáculo? Isso não combina com um país democrático”, questiona o governador goiano.
A culpa é do Lula
Caiado também defendeu Bolsonaro quanto ao tarifaço aos produtos brasileiros ameaçado pelo presidente dos Estados Unudos, Donald Trump. Para o governador, o culpado pela sanção é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — mesmo que o deputado licenciado, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), tenha admitido a articulação nos EUA para que Trump defenda seu pai e aplique sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
“Querer imputar a ele a responsabilidade por isso é forçar uma narrativa. O culpado pelo tarifaço é o governo Lula”, acusa.











