Onde mora a tensão desses 16 dias

Publicado em coluna Brasília-DF, Economia, Eleições, GOVERNO LULA, Política, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 21 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Qualquer partido com poder de fogo e vontade de vencer nesta temporada eleitoral estará em campo até 5 de agosto fechando suas nominatas para deputados federais e estaduais e as coligações para as eleições estaduais e para a presidencial. Quem está com mais dificuldades nessa seara hoje, nos estados, é a federação União Progressista, que uniu PP e União Brasil num casamento que virou um cabo de guerra. No Maranhão, por exemplo, o presidente do PP, Ciro Nogueira, disse não à aliança com o MDB, e o do União Brasil, Antonio Rueda, disse sim. Logo, o partido estará dividido por lá. (leia nas notas ao lado) Em estados como São Paulo, porém, houve pressa em selar o compromisso com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), porque o candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP) fez um movimento mais incisivo nessa direção. Há, também, uma relativa paz em Santa Catarina. Na maioria dos Estados, porém, a tensão será grande.

» » »

O que interessa a eles/ Ciro Nogueira, pré-candidato à reeleição para senador no Piauí, entrincheirou-se no estado, onde já lançou um acordo com o PL para alavancar a sua candidatura, com caso Master e tudo. Antonio Rueda, que não é candidato a nada, tenta voar abaixo dos radares da Polícia Federal para organizar as chapas de deputados federais país afora. É o que mais lhe importa no momento: eleger um número de deputados federais capaz de manter o fundo partidário nas alturas.

São Paulo, o ponto de partida

Pela terceira vez consecutiva, o PT realizará a convenção nacional em São Paulo. Na campanha pela reeleição de Lula, em 2006, e nas duas eleições de Dilma Rousseff, 2010 e 2014, Brasília foi escolhida para sediar as reuniões que oficializaram as candidaturas.

Está explicado

O estado concentra 21,4% do eleitorado nacional, com 34,1 milhões de eleitores, conforme os dados do Tribunal Superior Eleitoral divulgados esta semana. O PL e o PSD também realizarão as convenções ali como forma de fortalecer apoios e alianças para o pleito de outubro.

O imbróglio do Maranhão

A federação União Progressista rachou no Maranhão. Ex-ministro do Esporte, o deputado André Fufuca (PP) é pré-candidato ao Senado e vai apoiar Eduardo Braide (PSD). Enquanto isso, o deputado Pedro Lucas (União Brasil) segue como pré-candidato ao Senado ao lado de Orleans Brandão (MDB), principal adversário de Braide na disputa ao governo.

A força dela

Orleans terá como parceira de chapa, numa das vagas ao Senado, a ex-governadora, ex-deputada e ex-senadora Roseana Sarney (MDB), que, recentemente, venceu uma guerra contra o câncer.

CURTIDAS

Crédito: Andrea Nalini/CB/D.A Press

Corre aí, ministro/ A Polícia Federal espera autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para uma nova rodada da Operação Compliance Zero no Distrito Federal. Em período eleitoral, é confusão para mais de metro. Mendonça, ciente de suas obrigações, quer estudar tudo muito detalhadamente para não ser acusado de proteger e nem de atacar quem é candidato neste pleito e está na mira da PF.

Polarização x Caiadismo/ Em Goiás, o PT e o PL enfrentam o mesmo problema: vencer a força política do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD, foto) no estado. O atual governador, Daniel Vilela (MDB), lidera as pesquisas de intenção de voto, enquanto os nomes dos partidos de Lula e Jair Bolsonaro enfrentam dificuldades em crescer. O PT, por ter pouca expressão no estado, e o PL, por lançar uma chapa totalmente pura, apenas com membros da legenda.

Da boca para fora/ Muitas políticas de direita têm relatado à coluna irritação com as ofertas de vagas para vices nas chapas para estas eleições. Algumas até questionam: “Por que mulher tem que ser vice?”. O incômodo tem aumentado nas últimas semanas e, principalmente, com a briga entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. O sentimento para senadoras e deputadas é de que os partidos têm usado a premissa de eleger mulheres, mas nunca dão espaço de verdade para elas.

Por falar em vice… / Hoje, haverá mais uma rodada de conversas capitaneadas pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para tentar fazer Tereza Cristina vice de Flávio Bolsonaro. E ela, mais uma vez, dirá que tem outros planos.