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Coluna publicada na quinta-feira, 6 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto ajuda dois personagens numa das disputas mais ferrenhas para o Senado: Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP). O ex-relator da CPMI do INSS era candidato a senador, reforçou isso, inclusive, na madrugada anterior a seu anúncio como o parceiro do filho 01 de Jair Bolsonaro na campanha presidencial. Agora, a tendência é a de que Renan e Lira consigam atingir o objetivo eleitoral, em outubro.
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O melhor dos dois mundos/ Até aqui, Lira, feliz com a ida de Gaspar para a campanha presidencial, não pretende colar sua campanha à de Flávio. Prefere seguir a neutralidade adotada pela direção nacional do partido. Lira pretende fazer a própria campanha, em parceria com prefeitos de partidos de centro que apoiam Lula, mas não estão fechados com os Calheiros. Porém, Flávio tem esperanças de que isso seja revisto. Afinal, ele espera que Gaspar, uma indicação do coordenador da campanha, Rogério Marinho, seja a porta de entrada no eleitorado nordestino, onde Lula tem a preferência. Até aqui, porém, a escolha não levou a ampliar seu palanque nem em Alagoas, nem em outros estados. A ver como será ao longo da campanha.
Marinho, o padrinho
Rogério Marinho foi um dos nomes cogitados para vice de Flávio, mas não quis porque prefere ser candidato a presidente do Senado para ter o controle da Casa. E permitir a tramitação de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
Discurso anti-Lulinha
A tarefa de Alfredo Gaspar nesta campanha é usar o trabalho como relator da CPMI do INSS para reforçaras denúncias contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com o intuito de desgastar o pai presidente e candidato à reeleição.
Atestado de inabilidade
Do alto da respeitabilidade e da experiência que acumulou ao longo de 40 anos de carreira política, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) foi direto ao comentar a escolha de Gaspar: “É uma pessoa muito qualificada, mas não é disso que se trata. A indicação dele veio depois de várias tentativas de ampliação que a campanha do Flávio Bolsonaro fez. Então, é antes de tudo um atestado de uma incapacidade de ampliar a sua base de apoio”, afirmou à coluna, no 8º Brasília Summit Lide Correio Braziliense.
Espere setembro chegar
A pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política para a Presidência da República no DF mostra Flávio na liderança, com 33,5%, e Lula, com 32%. Está mais apertado para o petista do que foi na pesquisa de agosto de 2022, quando Lula tinha 39% e o então presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, 36,7%. Naquela eleição, Bolsonaro ultrapassou Lula e fechou o primeiro turno com 51,6% dos votos. Lula ficou com 36,8% dos votos do DF. A ultrapassagem foi detectada pelo mesmo instituto, em 5 de setembro de 2022.
CURTIDAS

A Faria Lima só observa/ Ninguém levou muita fé na escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio. Quem ganha com isso, conforme avaliam por lá, é Ronaldo Caiado (PSD, foto).
Por falar em Caiado…/ Ele tem 11,5% dos votos do DF, conforme a pesquisa estimulada Correio/Opinião. Sinal de que ainda pode crescer por aqui, furando o bloqueio da polarização.
Palavra do decano/ Logo depois da palestra de abertura do 8º Brasília Summit Lide Correio Braziliense, o ministro Gilmar Mendes, do STF, comentou a escalada de tensão entre Brasil e Estados Unidos. “É preciso ter muita serenidade, muita calma nessa hora. A gente tem que ter um olhar mais amplo, vendo sempre a árvore e a floresta. A relação do Brasil e dos Estados Unidos é mais do que secular, e é extremamente importante que prossiga dentro dos parâmetros da diplomacia”, argumentou.
A nova onda do BRB/ No mesmo evento, o diretor-executivo de Atacado e Governo do BRB, Bruno Watanabe, foi direto: “Quando existem regras claras, estabilidade e segurança jurídica, criam-se condições para que investimentos aconteçam e saiam do papel. Nosso papel como banco público é conectar crédito e projetos que gerem emprego, renda e competitividade”. Logo depois do evento, uma autoridade que estava na plateia comentou com a coluna que os tempos de irresponsabilidade de Paulo Henrique Costa acabaram no banco.
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 2° de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

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E a forma?/ Os gestos, em política também importam. Flávio passou as últimas semanas atrás de uma vice para a sua chapa. Ele só procurou a senadora Tereza Critina depois que já havia recebido um “não” do presidente do PP, Ciro Nogueira. Depois, em vez de conversar com todo o PP, chamou Tereza Cristina para uma conversa sem juntar o presidente do partido. A tentativa de dar o fato consumado não prosperou, e o PP pediu a inversão da chapa. Agora, volta ao Republicanos, partido que tem a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniela Marques para a vice — um nome que não passou pelo crivo do comando partidário. Fracassada a aliança com o PP, Flávio percebeu que precisa do aval dos comandos partidários. Por isso, ao discursar na convenção que consagrou a candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição em São Paulo, o candidato do PL ao Planalto elogiou o presidente do partido, Marcos Pereira. Flávio tem até o dia 5 para ver se convence o Republicanos a ser seu parceiro nessa empreitada. Mas, antes de qualquer coisa, terá que recuperar a confiança dos potenciais aliados.
Entrelinhas de Tarcísio
O discurso do governador Tarcísio de Freitas na convenção, com agradecimento especial ao ex-presidente Jair Bolsonaro foi ouvido por muitos pesos-pesados da política no palco como um sonoro ‘sou grato, mas agora ando com as próprias pernas’. Por mais que tenha dito que Flávio Bolsonaro, se eleito, “ajudará São Paulo”, Tarcíso tem um leque de alianças de 11 partidos, que inclui o PSD de Ronaldo Caiado. O governador de São Paulo não dedicará toda a sua campanha à dobradinha com o Zero Um.
Aliás…
As comparações foram inevitáveis. Quando Tarcisio terminou de elencar os partidos que o apoiam, um as da política que acompanhava a convenção paulista comentou: “Se ele fosse o candidato ao Planalto, teria fila para ocupar a vice”.
Uma crise em Pernambuco
A federação PSDB Cidadania trocou de lado. Presidida por João Freire, filho do presidente de honra, Roberto Freire, tinha fechado a apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). O candidato do PSB, João Campos, cobrou do presidente nacional da federação, Aécio Neves, o compromisso de apoio selado lá atrás. Alex Manente, presidente nacional do Cidadania, destituiu o diretório estadual para que a federação apoie João Campos.
Outras intervenções
Pernambuco é apenas um dos 10 estados em que houve intervenção do Cidadania desde que Alex Manente assumiu o comando da legenda, e não necessariamente por causa dos palanques regionais. Já passaram por intervenção os diretórios de Paraíba, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Ceará, Sergipe, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.
CURTIDAS
Traição/ Assim, o ex-presidente do Cidadania Roberto Freire reagiu à intervenção partidária em Pernambuco. Entregou, inclusive, o cargo de presidente de honra da federação PSDB Cidadania. É praticamente a aposentadoria de um quadro do antigo Partido Comunista. Porém, ele não deixará o partido: “Continuo filiado ao Cidadania. Até porque, tem minha única digital política e com lealdade e honra que infelizmente neste Brasil de hoje são coisas raras”.
E a Michelle, hein?/ A aposta é a de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro dirá sim à candidatura ao Senado pelo DF.
Vem aí/ Na próxima terça-feira, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, entregará uma lista de candidatos com contas julgadas irregulares para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 17h. O documento ajudará a Justiça Eleitoral na análise das candidaturas para estas eleições.
Tema relevante e necessário/ Decano do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes (foto) abre, nesta quarta-feira, o 8º Brasília Summit Lide Correio Braziliense, a partir de 8h, no Brasília Palace Hotel. Em debate, a importância da segurança jurídica no desafio para fortalecimento da infraestrutura no Brasil.
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 1° de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Nas conversas entre o PL e a federação União Progressista, chegou a ser sugerida uma inversão da chapa presidencial, com Tereza Cristina na cabeça e Flávio Bolsonaro no papel de candidato a vice. Diz-se, inclusive, que a chapa invertida representaria um projeto de país, enquanto a permanência de Flávio era um projeto de família. O PL não topou, uma vez que quem tem a predominância da direita hoje é o sobrenome Bolsonaro, que, aliás, ajudou muita gente a se eleger país afora nas eleições mais recentes. Zero Um chegou para ficar. E não pretende abrir a liderança do bolsonarismo para ninguém que possa representar algo que deixe o sobrenome em segundo plano.
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A senadora que, nos tempos de pandemia, como ministra da Agricultura, trabalhava noite e dia para manter o agro a pleno vapor não tinha uma candidatura à Vice-Presidência como parte dos seus planos. Esta semana foi procurada pelo PL e disse que, se o partido topasse, ela comporia a chapa. Com a negativa, Tereza, aliviada, volta-se aos movimentos no Poder Legislativo, onde, se o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não concorrer a mais dois anos no comando da Casa, ela será candidata.
Suspense prolongado…
As tensões para formação das chapas não vão terminar em 5 de agosto, último prazo para realização das convenções destinadas à oficialização das candidaturas. É que, em muitos estados, os diretórios vão delegar essas decisões às comissões executivas, a fim de permitir a composição dos palanques até o dia do registro das candidaturas, 15 de agosto.
… para Michelle Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ficou de dar uma resposta final ao partido apenas no próximo domingo, mas não está descartado que isso seja prorrogado para 15 de agosto, se houver essa delegação à comissão executiva.
O dinheiro está curto
A campanha nem começou e os deputados comentam que já estão faltando recursos. Na federação petista na Bahia (PT-PCdoB-PV), por exemplo, cada deputado deve receber cerca de R$ 2 milhões. E as despesas com transporte, material gráfico e impulsionamento nas redes sociais superam esse montante. Muitos estão adeptos das vaquinhas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estipulou um teto de gastos de R$ 3,1 milhões para cada candidato a deputado federal.
Master & Bahia
Aliados dos petistas no estado acreditam que o escândalo do Banco Master, no qual o senador Jaques Wagner (PT) é investigado, não deve ser o diferencial nas eleições baianas. Isso porque o ex-prefeito de Salvador ACM Neto também terá de se explicar. Porém, nos eventos de campanha, nada disso tem sido cobrado pelo eleitor.
CURTIDAS

Master e o Congresso/ O Ranking dos Políticos ouviu deputados e senadores sobreo que pensam acerca do escândalo do Banco Master e como ele impactará as eleições de outubro. Segundo o levantamento, a maioria do Congresso avalia que o caso vai beneficiar mais Lula, 49,1% na Câmara e 57,1% no Senado. Além disso, o Centro aposta que as investigações do banco vão favorecer o petista, sendo 40,3% na Câmara e 57,2% no Senado.
“Sou candidato a governador. Não há hipótese de ser vice de ninguém” Ricardo Cappelli, ex-presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ADBI), que, nessa segunda-feira, será oficializado candidato ao Governo do Distrito Federal pelo PSB.
Assuma!/ A resistência da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (foto, PSD), e de outros candidatos a governos estaduais pelo PSD em baterem no peito e chamarem Ronaldo Caiado (PSD) de “meu candidato a presidente da República” está incomodando muita gente na política. Muitos dizem “não entender” essa postura, ainda mais com o presidente do partido, Gilberto Kassab, no papel de vice na chapa.
Segurança jurídica/ Esse é o tema central do 8º Brasília Summit Lide-Correio Braziliense, na próxima quarta-feira. Entre os palestrantes, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Ricardo Villas Bôas Cueva (foto).
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 17 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Se o Supremo Tribunal Federal vivia divisões nos tempos do Mensalão e da Lava-Jato, agora o escândalo do Master fez rachar a Corte de vez. Prova disso foi a sessão da Segunda Turma do STF, em que o ministro Gilmar Mendes ficou sozinho, enquanto André Mendonça, Luís Fux e Kassio Nunes Marques votaram pela manutenção da prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e de Felipe Vorcaro, primo do ex-controlador do Master. Para completar, Mendonça — que relata o processo e referiu-se ao caso como a “maior fraude financeira da história do país” —, levantou parte dos sigilos dos autos, com trechos que comprometem ainda mais o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e aponta deputados como beneficiados pelo escândalo. A ideia do ministro, ao dar publicidade a parte dos autos, é mostrar que nada ficará impune, doa a quem doer, com ou sem delação de quem quer que seja. E se tiver ministros do STF sujeitos a responder pelo caso, que assim seja.
Por falar em delações…/ Ao mencionar “delações seletivas” e tirar o sigilo de parte dos autos, Mendonça quer justamente mostrar o extenso material que a Polícia Federal (PF) tem em mãos e que Vorcaro insiste em deixar de fora da colaboração. E olha que o ministro não liberou sequer metade do que tem no processo. Ao longo do ano, novos lotes serão expostos. E os candidatos que se preparem para responder.
O ganha-ganha eleitoral
O governo só abriu mão da urgência constitucional do projeto de lei sobre o fim da escala 6 x 1 na Câmara porque avaliou que o ônus da demora em votar ficará com o Senado. De quebra, ainda ganhou pontos com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos- PB), que havia avisado ao Palácio do Planalto que a não retirada da urgência poderia segurar projetos de forte impacto fiscal às contas públicas. Motta ficou feliz e, se o fim da 6 x 1 for aprovado, os louros são do governo. E se não for votado até as eleições, o discurso contra os senadores estará pronto.
E o Alcolumbre, hein?
Muita gente bateu palmas para o duro pronunciamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ao fazer sua própria defesa em relação à reportagem da revista Veja — “Não serei intimidado. Não serei ameaçado. Não serei constrangido e nem serei chantageado”, disse, em certo momento. Porém, a forma desagradou a muitos senadores. Para esses, Alcolumbre não deveria ter falado do alto da Mesa Diretora. O lugar certo para fazer uma defesa de um caso pessoal é a tribuna.
Vai sobrar…
A interpretação de muitos senadores sobre o discurso de Alcolumbre foi de que o suposto vazamento envolvendo o presidente da Casa é obra do governo Lula, que comanda a PF. Ou seja: a cada dia, fica mais difícil a pacificação entre o presidente e o senador. Ainda que uma parte da bancada do PT defenda que o Planalto levante a bandeira branca ao presidente do Senado, quanto mais emparedado Alcolumbre estiver, pior será.
Cadê os outros?
No Plenário do Senado, muitos saíram em defesa de Alcolumbre, após pronunciamento do comandante da Casa sobre as acusações da matéria publicada na Veja. O senador Esperidião Amin (PP-SC) ainda comentou que o alvo das delações em curso na PF, pelo que indica o material que foi vazado até aqui, mostra ser o Congresso. E questionou onde estariam os empresários envolvidos no esquema de Vorcaro. Líderes da base governista também se solidarizaram e defenderam Alcolumbre.
CURTIDAS
O que ela pensa/ A senadora Damares Alves (Republicanos-DF, foto) saiu- se com esta, ao ser informada da condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo STF por coação à Justiça. “A única saída para Alexandre de Moraes é se afastar do Supremo e do Brasil, de preferência para uma ilha bem longe”.
Enquanto isso, em Evian…/ Não foi desta vez que os presidentes Lula e Donald Trump acertaram os ponteiros. Porém, só o fato de Lula ter se reunido com líderes de outros países na cúpula do G7 — como a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi —, na cidade do interior da França, já valeu. Hoje, o presidente ainda fala em duas oportunidades no encontro do G7 sobre inteligência artificial e, ainda, sobre economia e desigualdade.
Tragam lanche/ Amanhã tem sessão do conjunta para apreciar vetos e projetos de lei do Congresso (PLN), ou seja, que mexem com o Orçamento. Alcolumbre avisou que a sessão deverá ser longa porque a ideia é limpar a pauta.
Lide-Correio Braziliense/ O presidente do BRB, Nelson de Souza, fala hoje no 7º Brasília Summit Lide-Correio Braziliense, sobre inteligência artificial e seu impacto nas gestões pública e privada. Vale acompanhar pelas redes sociais do Correio e da TV Lide, a partir de 8h30.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 13 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Nova York — Do alto de quem indicou Alexandre de Moraes para ministro do Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Michel Temer é incisivo ao referir-se à proposta de dosimetria das penas dos enroscados no 8 de Janeiro. Logo depois de participar do 15º Lide Brasil Investment Forum, em Nova York, ele sugeriu aos ministros do STF que examinem esse tema com urgência. E fez um alerta: “Seria um transtorno para o país (a rejeição). O ideal é que seja examinado logo e mantida a decisão do Congresso Nacional”, afirmou.

Enquanto isso, no PL…/ Enquanto Temer se refere a “transtorno”, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), é direto: “Está se criando um cenário em que vamos chegar ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Ele já extrapolou muito”, avisa. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), hoje mais afastado do governo, será cobrado a agir nessa direção. Se não abrir o processo depois do período eleitoral, a avaliação é de que outro presidente da Casa o fará em 2027.
Petróleo e guerra
Os representantes da área do petróleo que participaram do 15º Lide Brasil Investment Forum, em Nova York, avisaram a empresários e políticos que o mundo tem estoques para apenas mais um mês com o Estreito de Ormuz fechado. A economia global não suporta mais do que 30 dias sem essa rota marítima livre.
Ajuda, mas atrapalha
Nos eventos de Nova York, muitos políticos experientes que ouviram o discurso do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, recomendaram que ele modere as críticas ao STF. Zema, porém, avisa não mudará esse discurso. Afinal, não quer ser vice de ninguém.
A culpa é do Parlamento
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva coloca na conta do Congresso pelo menos dois temas de interesse da população que permanecem pendentes: o fim da escala 6 x 1 e mais atenção à segurança pública.
E as blusinhas, hein?
A medida provisória do governo para zerar a taxa das blusinhas foi uma forma de driblar uma vitória total da oposição sobre o tema. Na época em que o imposto foi criado, o PL e o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) eram contrários à proposta. Kataguiri é autor de projeto de lei que visa a revogação da medida. Por isso, o Executivo editou a MP, para que não fosse apensado ao projeto do adversário político.
Conselho ao Supremo
O ex-governador de São Paulo, João Doria, propôs aos ministros do STF que façam uma espécie de retiro, a fim de conseguir ajustar a rota e corrigir erros. Políticos que ouviram quando Doria fez essa referência foram logo dizendo que, se o Supremo não fizer essa correção, no ano que vem o Congresso fará uma nova reforma do Judiciáiro.
CURTIDAS

Pressões/ Por enquanto, o Progressistas ainda mantém o senador Ciro Nogueira (PI) no comando do partido. Mas a turma fora do PP amplia a cada dia a tensão para uma renúncia ou afastamento de Nogueira do cargo de presidente da legenda.
Mágoas superadas/ O ex-governador de São Paulo João Doria e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD, foto), estão mais unidos do que nunca. Eles, que já foram adversários nos tempos de PSDB em que disputaram uma previa, hoje mostram, na prática, que divergências políticas devem ser superadas em nome do bem comum.
Segue o líder/ Presentes ao evento do Lide em Nova York, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e o senador Fabiano Contarato (PT-ES), seguem à risca os antigos ensinamentos de Lula dos tempos em que o presidente, ainda em seu primeiro mandato, tratava de levar deputados de centro a apoiar seu governo. Lula àquela altura dizia assim: “Não tem problema você não ter me apoiado antes. Afinal, meus (aliados) já tenho. Preciso que você me traga os seus”.
Por falar em apoios…/ Apontado como um dos responsáveis pela aproximação entre os presidentes Lula e Donald Trump, dos Estados Unidos, o CEO do grupo JBS, Wesley Batista, comentava com a coluna no evento Diálogos Esfera que “primeiro é preciso que a ponte dê certo”. Os próximos passos serão nesse sentido. Agora, está tudo nas mãos dos diplomatas e do staff dos dois líderes.

Nova York, por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — Os juros foram um dos temas que mais apareceram durante a 15ª edição do LIDE Brazil Investment Forum 2026, hoje em Nova York (12/5). O deputado Mauro Benevides Filho (União-CE) chegou a afirmar que não há critério técnico que justifique uma taxa real de juros tão alta no Brasil. “Tenho muita dificuldade de entender que um déficit de R$ 40 bilhões vai gerar a maior taxa de juro real do mundo. Não há justificativa técnica para o Brasil ter uma taxa de juros real de 10%, e que, portanto, a dívida pública brasileira está aumentando não em função do déficit primário. Todo mundo falou aqui: precisamos pensar na ferrovia, o agro também precisa de mais recursos, a energia limpa precisa de linhas. E cadê o dinheiro para investimento? Não existe. E esse ano nós estamos pagando de juros R$ 1,140 trilhão e não há discussão no Brasil sobre isso nem no Congresso”, ressaltou.
Benevides explica que em 2024 o Brasil pagou R$ 920 bilhões em juros da dívida pública devido a alguns fatores como: a desvalorização do dólar (R$ 40 bilhões), déficit primário pelo Tesouro (R$ 11 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 28 bilhões), intempéries climáticas (R$ 700 bilhões) e pé-de-meia (R$ 2,8 bilhões). “A taxa de juros é muito elevada porque o déficit primário é muito elevado, isso não é verdade. Os outros países do mundo todos têm déficit muito maiores, até porque o Brasil é o único país do mundo onde se usa o conceito de déficit primário, todo o resto do mundo usa o déficit nominal, ou seja você leva em conta os juros da dívida pública. Aqui, há o interesse de mascarar o valor que nós estamos despendendo”, criticou. O deputado ainda lembrou que desde que o tripé macroeconômico foi instalado em 1999 — câmbio flutuante, metas de inflação e resultado primário — o Brasil nunca teve um resultado primário capaz de pagar os juros da dívida pública brasileira e ninguém discute isso.

Quem também criticou o patamar dos juros no país foi o deputado Júlio Lopes (PP-RJ), afirmando que o grande lead de 2027 tem que ser a queda da taxa. “Em março arrecadamos R$ 229.2 bilhões, recorde absoluto no trimestre. E enquanto o governo arrecada, o Brasil empobrece porque se endivida cada vez mais. É uma contradição inaceitável porque como é que pode o Brasil quebrar todos os recordes de arrecadação, chegar ao percentual mais elevado de imposto sobre a renda e a população estar cada vez mais pobre? Estamos fazendo o segundo desenrola porque ninguém vive tão enrolado quanto o brasileiro quando o juro está 14,5%”, pontuou.
*Viajou a convite do LIDE

Nova York, por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — O ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSD) argumentou que o Brasil precisa de uma reforma do Orçamento para poder se reequilibrar. A fala foi feita durante a 15ª edição do LIDE Brazil Investment Forum 2026, que acontece hoje em Nova York (12/5). “Quando falamos em ajuste fiscal, não pode ser entendido como um palavrão, ou algo proibido, mas sim como tornar o Orçamento justo para que o recurso público realmente esteja direcionado para aquilo que vai fazer a diferença na vida da sociedade. Essa é a reforma que o Brasil precisa para que você possa apontar um horizonte de equilíbrio e trazer juros para um patamar aceitável que vai permitir com que a economia avance. Esse senso de urgência é fundamental, não existe lugar no mundo em que a sociedade tenha prosperado com um governo desajustado. Não podemos ignorar o tamanho, a importância, o impacto que tem você tornar um governo equilibrado, ajustado do ponto de vista fiscal. E isso não significa menos governo, mas colocar onde e do jeito que ele deve estar. Não necessariamente sendo o operador de políticas públicas, mas sendo aquele que contrata, para garantir melhor performance de entrega a sociedade”, defendeu.
Para Leite, o Orçamento foi roubado por grupos políticos, assim como estatais. “Se nós não tivermos esse senso de urgência, para colocar o estado brasileiro com as contas organizadas a serviço da sociedade e não apenas a serviço de alguns que capturam parte substancial do Orçamento em seu benefício e não da sociedade brasileira. Hoje o orçamento brasileiro é capturado por parte de uma elite privilegiada do serviço público e outra parte por benefícios concedidos aqui e ali. Quando se falava de empresas estatais deficitárias, sempre digo não existe empresa pública no sentido ser do público, ser do povo, porque alguém se apropria dela. Ou a corporação movida pelos seus sindicatos, se apropria e torna aquela empresa ineficiente, ou partidos políticos se apropriam dela, independente do governo que vier pela frente, a gente já sabe quais são os grupos que vão demandar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Petrobrás, os Correios para ter o quinhão dentro do governo”, acusou.

O ex-governador relembrou que em seus dois mandatos, fez com que o Rio Grande do Sul tivesse o maior programa de privatização da história recente e defendeu que o Brasil passasse pelo mesmo modelo, porque seria mais eficiente e produtivo ao fazer alianças com o setor privado. “O papel do estado não é ser o operador direto, é ser um regulador. Cria as regras, fiscaliza, acompanha. Mas ele como operador é altamente ineficiente por aqueles que se apropriam. O Brasil precisa ter esse senso de urgência para trabalhar produtividade. Precisamos formar gente, melhorar qualidade do capital humano, trazer a parceria do setor privado para infraestrutura. O estado, onde não consegue avançar sozinho com concessões, privatizações na energia, no saneamento, na distribuição do gás, na infraestrutura rodoviária, tudo isso a gente fez com o apoio da iniciativa privada para aumentar produtividade. Isso envolve ambiente de negócios mais simples e do outro lado capital humano com talento e capacidade”, defendeu. Leite ainda ressaltou que é muito triste o momento que país viveu nos últimos anos, em que toda eleição foi marcada por um escândalo político. “Tivemos a eleição do mensalão, do petrolão/Lava Jato, agora tem esse (do Master)”.
Na mesma linha, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema afirmou querer privatizar tudo o que puder, caso eleito presidente em outubro, e citou o trabalho feito em Minas. “Com 50 mil cargos a menos, saímos de um déficit de R$ 11 bilhões para um superavit de R$ 4 bilhões. Privatizamos mais de 117 empresas subsidiárias, ficamos praticamente só com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) que é a nossa companhia de energia, e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), ainda estatal, mas em vias de ser privatizada. Acabamos com escândalos com mordomias e com privilégios. Eu como governador dei o exemplo e queremos fazer o mesmo no Brasil. Já mostramos em Minas que é possível sim, lembrando que talvez seja o estado que melhor represente o Brasil, e se foi possível fazer em Minas numa escala menor, com certeza é possível fazer no Brasil”, destacou.
Ajuste fiscal

No que diz respeito à política fiscal, a deputada Dani Cunha (PL-RJ), enfatizou que, independente de quem ganhar as eleições em outubro, vai enfrentar um cenário orçamentário muito complicado. “Falar do futuro do Brasil sem falar das eleições e da perspectiva eleitoral, independente de seu resultado, é quase impossível. É um elefante que precisamos abraçar. 2027 promete ser um dos anos mais duros de nossa história, pois isso se dará por pela necessidade de um profundo ajuste fiscal para recolocar os orçamentos nos trilhos, pois o que se fez nesses anos, visando manter um nível de gastos com políticas eleitoreiras não tem parâmetros em nossa história. Atualmente mascarados pela mudança do teto de gastos pelo arcabouço fiscal e pela uma peça de fantasia da política fiscal que vivemos”, criticou.
Cunha ainda lembrou da aprovação do fim da escala 6×1 que aumentará o impacto em 2027, e disse que a depender do presidente eleito, a forma de implementação será muito diferente. “O preço que qualquer governo eleito terá de pagar será acrescido o custo da implantação da escala 5×2, que será certamente aprovada para que não se deixe essa bandeira populista ser absolvida pelo PT. Agora a forma de como isso será feito dependerá de quem ganhará as eleições. Porque caso o PT vença será diferente caso a direita vença devida as diferentes visões de país que as candidaturas carregam”, salientou a deputada.
Dani ainda relembrou o escândalo do mensalão no primeiro mandato do presidente Lula, que se deu justamente pelo petista não ter maioria no Congresso Nacional. “E também temos de realçar a dificuldade, caso seja reeleito, que terá o atual governo para governar pois é certa que será ainda mais minoritário nas duas Casas do Congresso do que já se tornou a atual legislatura que vivemos. As derrotas recentes mostram o que está por vir. É quase certo que se o atual governo for reeleito usará o judiciário para tentar obter vitórias, mas dificilmente o obterá no parlamento, sendo que certa tentativa de acabar com emendas parlamentares, visando um congresso dependente ao orçamento direto da União, como eram nos primeiros anos dos mandatos do PT. Nunca podemos esquecer que a crise do mensalão se deu porque tínhamos um governo sem maioria, que se utilizava de qualquer instrumento possível para compor uma maioria”, concluiu.
*Jornalista viajou a convite do LIDE
IA, minerais críticos e agro se destacam no 15º LIDE Brazil Investment Forum 2026

Nova York, por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — Na 15ª edição do LIDE Brazil Investment Forum 2026, que acontece hoje em Nova York (12/5), os participantes do primeiro painel “O Brasil e o seu futuro” destacaram a importância de alguns temas para o desenvolvimento do Brasil: Inteligência Artificial, terraras raras, transição energética e agronegócio. O primeiro a trazer um dos temas foi o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que salientou os conflitos internacionais e a necessidade do Congresso Nacional trabalhar em uma agenda para amenizar os impactos.
“Enfrentamos uma conjuntura internacional de fortes turbulências e incertezas. Conflitos se multiplicam com sérias consequência para um conjunto de países. Diante deste cenário, à frente da Câmara tenho trabalhado em uma agenda centrada no crescimento econômico. Também na abertura de novas oportunidades para o Brasil e na valorização da política como ferramenta para a construção de soluções para os problemas reais do país”, disse Motta em vídeo enviado ao evento.
O presidente também pontuou todos os projetos aprovados em seu mandato que colaboram para a economia do país. “Criamos regras para facilitar a exportação de produtos brasileiros, inclusive por empresas menores. Depois de 26 anos, em tempo recorde, aprovamos o acordo Mercosul-União Europeia, uma clara sinalização de que preferimos a abertura dos mercados ao fechamento das fronteiras. Há poucos dias, a Câmara aprovou um projeto de lei para que o Brasil possa mobilizar os recursos valiosos das terras raras e dos minerais críticos. São pontos centrais para a economia do século XXI, de uma maneira que facilite os investimentos produtivos e aumente nossa participação nas etapas mais elaboradas de sua industrialização”, defendeu.
Inteligência Artificial
Na parte de tecnologia, Cristiano Amon, CEO da Qualcomm e homenageado com o Person of the Year 2026 pelos Estados Unidos durante o evento, destacou o potencial do Brasil no desenvolvimento de Inteligência Artificial. “O Brasil sempre foi um mercado grande, um país que sempre consumiu tecnologia e internet móvel, mas hoje em dia como você vê o avanço da computação e da IA, ela tem sido parte de transformação de vários setores da indústria e o Brasil se desenvolvendo no setor da agroindústria, serviços, digital em que você vê hoje oportunidades hoje de desenvolvimento no país em tecnologia. Um momento muito importante, em que a IA derruba barreiras para a entrada de empresas de tecnologia”, disse.
O relator do projeto de lei para regular a IA e tramita na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), também esteve presente e enfatizou que o Brasil é fértil para as tecnologia, principalmente a inteligência artificial. “Temos a inteligência embarcada em tudo e o desafio de regular para que o Brasil não iniba a inovação, mas proteja nossos cidadãos. Tenho certeza que é uma grande oportunidade, e podemos aproveitar votando agora o Redata para produzir infraestrutura de tecnologia, conectividade, cabos submarinos, data centers, que são temas que são importantíssimos e não podemos perder essa oportunidade”, afirmou.
O deputado Ricardo Barros (PP-PR), também defendeu a regulamentação do Redata, que está parada no Senado a espera de um relator, e pontuou que o Brasil perde tempo. “A energia limpa do Brasil é o capital diferencial para os datacenters. Era requerido por todos que os datacenters fossem feitos com energia limpa, no entanto, nós não demos conta de fazer o Redata, não estamos com a lei, apesar dos esforços do deputado Aguinaldo Ribeiro, da inteligência artificial que está discutindo direitos autorais da pesquisa feita pela IA e perdendo oportunidades. Os investimentos estão sendo feitos e não serão realocados depois de realizados em outros países”, defendeu.
Transição energética
Ao abordarem o tema de transição energética, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que relatou diversos textos referentes ao tema na Casa — regulamentação do hidrogênio de baixo carbono, combustível do futuro e terras raras e minerais críticos — salientou que a guerra no Golfo Pérsico é uma oportunidade para que o Brasil assuma a liderança do processo e seja referência mundial.
“O Brasil pretende ser líder da transição energética em termos mundiais. A referência que o país tem de ter a matriz energética mais limpa e renovável se combina com a matriz de biocombustíveis que nós temos, uma matriz sem igual, sem paralelo em todo o planeta. A recente crise que nós enfrentamos agora no Irã acabou demonstrado, em uma recente publicação pela The Economist, que dentre as grandes potências o Brasil é o que tinha uma condição peculiar para enfrentar o desafio da escalada dos preços internacionais do petróleo. A presença do etanol que vai de 30% a 32% na nossa mistura, do biodiesel e agora do SAF, que muitas empresas e nações estavam se dedicando ao combustível sustentável de aviação, e no Brasil foi redefinido o Inflection Reduction Act recentemente e fez com que empresas passassem a apostar no Brasil como supridor da descarbonização do combustível aeronáutico e marítimo. A Organização Marítima Internacional (OMI) na última semana aprovou o etanol de milho do Brasil como combustível apto a substituir o combustível marítimo e ser a base para o bio banker”, enumerou.
Jardim ainda lembrou que minerais críticos foi um dos temas presentes no diálogo da semana passada entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, e que a regulamentação e a conversa abrirão portas para o país. “(minerais críticos) foi um dos temas presentes no diálogo do presidente Lula e o presidente Trump, vai se desdobrar em parcerias que pode realizar o Brasil com os EUA e outras nações para tratarmos destes minerais que são estratégicos para a transição energética ou que são fundamentais para o desenvolvimento do país. Na minha opinião, nós temos problemas nas instituições, mas temos uma base institucional que o Brasil deve e pode se orgulhar”, comemorou.
Por fim, a deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), relatora do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/26 que trata do orçamento extraordinário oriundo da alta do preço do Petróleo devido à guerra, enfatizou que ouvirá todos os setores interessados nesse montante. “Hoje o presidente Motta me passou a relatoria do PLP 114 que fala da guerra no Oriente Médio, tudo o que o Brasil tem a dependência da parte de fertilizante e nitrogenados, agora temos também o embaraço do barril do petróleo que comercializávamos a U$ 60 dólares e hoje vendemos a U$ 100, U$ 120, que rendeu uma receita extraordinária. Se o texto passasse em forma de Medida Provisória, poderia dar a famosa pedalada fiscal. Então, veio o projeto pela liderança do governo e eu como relatora vou trabalhar da forma mais responsável possível, ouvindo a todos e buscando otimizar o relatório para que as receitas extraordinárias sejam usadas da melhor forma possível dentro do que é correto para o setor, tanto para os combustíveis fósseis e para os biocombustíveis que é nosso, do Brasil e precisamos alavancar esse produto do etanol”, disse.
*Viajou a convite do LIDE
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 14 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A defesa das emendas parlamentares ao Orçamento e cobranças para a redução do volume de Restos a Pagar (RAPs) formam a base do discurso de todos os candidatos a ministro do Tribunal de Contas da União(TCU). Da situação à oposição, todos defenderam esses dois pontos, num sinal de que, quem quer que ocupe o Poder Executivo, terá que conviver com o desejo dos congressistas de controlar o Orçamento. “Não podemos ser criminalizados no ato de indicar”, defende o deputado Odair Cunha (PT-MG), candidato com as bênçãos do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e fruto do acordo para a eleição da Mesa Diretora, em 2025. “Só para terem uma ideia, em 2025 nos Restos a Pagar, acumulamos um déficit orçamentário da ordem de R$ 62,8 bilhões. Ou seja, mesmo sendo oriundo de uma emenda impositiva, esse pagamento fica ao critério da priorização do Poder Executivo”, completa o deputado Danilo Forte (PP-CE), indicado pelo PSDB para o TCU.
Por falar em Restos a Pagar…/ O estoque de RAPs dos anos anteriores chega a R$ 390 bilhões. A briga dos deputados — e o que faz parte do discurso para o TCU — é no sentido de liberar tudo o que estiver relacionado a emendas. A defesa das emendas está diretamente relacionada ao aumento das investigações sobre essas propostas. A avaliação geral é de que um ministro do TCU que entenda o trabalho legislativo é essencial para evitar a criminalização do instrumento.
Ajude…
A inclusão do deputado José Guimarães (PT-CE)no primeiro escalão do governo como ministro de Relações Institucionais leva para mais perto de Lula um nome que dialoga bem com o Centrão, grupamento dividido hoje entre os vários postulantes ao Planalto. A função dele será assegurar essa proximidade dos partidos ao governo Lula.
… e não atrapalhe
A nomeação de Guimarães tira do PT a indicação de um candidato de peso ao Senado no Ceará. Agora, as duas vagas de senador estão livres para que o governador-candidato, Elmano de Freitas (PT), possa atrair aliados.
O teste da amizade
A prisão de Alexandre Ramagem pelas autoridades norte-americanas levará o bolsonarismo a modular o discurso em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Por enquanto, a ordem é tratar a prisão como “meramente migratória”, conforme definiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mas, se Ramagem for deportado, será um sinal de que a amizade com o governo dos EUA tem limites.
Mão na massa
A liderança do governo no Senado, junto coma consultoria da Casa, produziu um material mostrando como a Lei da Dosimetria vai modificar as progressões e os cumprimentos de pena, caso o veto seja derrubado no fim do mês. Os dados apontam que, em casos de réus primários de crime hediondo, o cumprimento da pena cai de 70% para 40%. Em caso de feminicídio, um condenado na mesma condição cumpriria 55% da pena e não 75%.
Ajuda para Bolsonaro
Os especialistas apostam que o principal instrumento da dosimetria que pode ajudar a regressão de pena do ex-presidente Jair Bolsonaro é a mudança no regime domiciliar, em que os presos poderão abater da pena dias de trabalho ou de estudo.
CURTIDAS

Na lida…/ Afastado do governo do Pará para concorrer ao Senado, o ex-governador Helder Barbalho aproveita o tempo com uma agenda externa. Ele se reuniu com a economista franco-americana Esther Duflo, Prêmio Nobel de ciências econômicas. Trataram da implantação da proposta construída na COP30, sobre a criação do “Pix do clima”. O uso desse instrumento ajudaria a garantira transferência direta de recursos financeiros a famílias impactadas pelos efeitos das mudanças climáticas, especialmente, na Amazônia. Helder está empenhado em transformar esse projeto em realidade.
…e nos eventos/ O encontro com Esther se deu por ocasião da participação do ex-governador no Brazil Project, em Harvard. O Brazil Project é uma iniciativa de estudantes brasileiros na universidade norte-americana e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT.
Gestão Pública…/ A governadora doDistrito Federal, Celina Leão (foto), abre amanhã, no Brasília Palace Hotel, o 6ºBrasília Summit Lide-Correio Braziliense, com o tema “Eficiência na Gestão Pública”, assunto desafiador para todos aqueles que concorrem ou pretendem concorrer a um mandato eletivo.
… em debate/ O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, participará do painel “Infraestrutura e Inovação: as boas práticas na administração pública”, ao lado do ministro do TCU, Antonio Anastasia, e os CEOs Giuseppe Mendes, do escritório Pinheiro Mendes Advogados, e Gustavo Montezano, fundador da Yvy Capital.
“Brasil terá que ser um grande supridor de alimentos”, afirma Arnaldo Jardim
Por Eduarda Esposito — O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), afirma que o Brasil tem se preparado para alimentar o mundo devido às limitações do continente europeu e dos Estados Unidos em aumentar suas produções.

“É estimado até 2050 termos mais 2 bilhões de pessoas no planeta, um desafio de aumentar a oferta de alimento, pelo menos em cerca de 40%, não só pelo aumento do número de pessoas, mas pelos desafios de melhor alimentar as pessoas particularmente de regiões menos desenvolvidas como da África, da Ásia, nós sabemos do limite que há no continente europeu para aumentar a sobreprodução, nos limites que há no continente americano para aumentar a sua produção e o Brasil terá que ser um grande supridor de alimentos e nós estamos nos preparando, do ponto de vista de cuidados, mas do ponto de vista de inovação, do ponto de vista de pesquisa, do ponto de vista de produtividade para poder fazer frente a esse desenvolvimento”, disse durante LIDE Brasil Reino Unido Fórum nesta sexta-feira.
Jardim destacou ainda que, em 2024, o agronegócio brasileiro produziu R$ 1,34 trilhão e, desse valor, R$ 886 bilhões foram das lavouras e R$ 450 bilhões. O parlamentar ressaltou ainda que o Brasil, em pouco mais de 20 anos, saiu do status de importador de alimentos para um aumento de produção de mais de 450% e ampliação de apenas 33% em área de produção. “É uma mágica? Não, mas é um milagre brasileiro você quadruplicar a produção e aumentar somente em 30% a área ocupada”, explicou. E o segredo é a produtividade. O deputado disse que o investimento do melhoramento genético e o desafio ambiental e sustentável permitiram que o Brasil pudesse se desenvolver desta maneira.
COP 30
Outro ponto que foi comentado durante o evento pelo deputado foi a COP 30. De acordo com Arnaldo, o país vai ter a oportunidade de apresentar ao mundo todos os compromissos ambientais que tem mantido mesmo com o crescimento do agro no Brasil. “Daqui a 10 dias, vamos sediar a COP 30 e ter neste momento uma oportunidade de demonstrar aquilo que são os nossos compromissos ambientais de uma forma geral, mas particularmente incorporados e praticados pelo setor agropecuário”, relembrou.
O parlamentar destacou que são 851 milhões de hectares plantados no Brasil, e que isso permitiu que o país se tornasse o maior exportador de soja, suco de laranja, café, celulose e outros produtos do mundo. E, com essas áreas somadas ao plantio de madeira, milho, sorgo e soja, territorialmente não chega a 10% do território nacional. “Se nós formos somar a área utilizada pela nossa pecuária, aí essa somatória chega a 30% do nosso território”, disse.
Outro ponto que não foi deixado de lado por Jardim é que no Brasil ainda é mantido 66% da reserva natural, além de o país ter a lei ambiental mais rigorosa do planeta, que obriga os estados a preservarem parte das áreas cultivadas e, ainda assim, alimentar cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo.
Parceria Brasil e Reino Unido
Como o evento ocorre em Londres, o parlamentar ainda destacou a parceria que o Brasil e Inglaterra têm no agronegócio, principalmente na área de fertilizantes. “O agro tem sido uma das fontes de parceria do Brasil com a Inglaterra na dimensão da sua logística, que é muito mais do que o ato de plantar e colher ou de criar. Tem toda a sua infraestrutura logística a ele vinculada e isso passa pelo dinamismo e desafio da necessidade de fazer chegar os insumos, escoar a produção, e isso passa por toda uma indústria sofisticada de equipamentos e por parcerias no setor de fertilizantes. E nós temos tido a presença de várias companhias do Reino Unido que têm sido parceiras sistematicamente do agro”, ressaltou.











