Categoria: Tarifaço de Trump
Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 11 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Até aqui, deram errado todos os movimentos do pré-candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, para tentar sair da maré de desgastes que se abate sobre a campanha. A viagem aos Estados Unidos foi vista como um tiro n’água por empresários cientes de que a Terra é redonda. Não há sinais de suspensão do tarifaço ou de parcerias com o governo de Donald Trump que mantenham o Brasil numa posição de altivez. Flávio, até o momento, prometeu terras raras aos EUA sem detalhar qualquer plano que beneficie o Brasil; acenou com a criação de um grupo de transição específico para a relação com os Estados Unidos, caso vença o pleito, desprezando o resto do mundo. O empresariado acredita que essa postura mais afasta do que ajuda a aproximar o pré-candidato do PL de seus objetivos. Tem muita gente se voltando a Ronaldo Caiado (PSD).
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Por falar em Caiado…/ O pré-candidato do PSD começou a bater forte nos “polarizados” Lula e Flávio Bolsonaro. Ele responsabiliza ambos pelo tarifaço. Lula, por rivalizar com os Estados Unidos para surfar no discurso da soberania; e Flávio Bolsonaro, por dizer que a penalização do Brasil só deve se dar depois da eleição. Na opinião de Caiado, Flávio não prega o fim do tarifaço e sim apenas um adiamento. “São farinhas do mesmo saco”, afirma.
Crise instalada I
O PL vive um momento de disputa interna. Provocou muito mal-estar na bancada a declaração de Valdemar Costa Neto jogando a responsabilidade da indicação das emendas ao Orçamento no colo do líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). Sóstenes não havia sequer sido citado nesse caso e agora terá que responder.
Crise instalada II
Aliás, o bloqueio de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeita de apropriação indevida de emendas parlamentares, é mais um capítulo de desgaste para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Agora, além do caso Daniel Vorcaro e o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que ainda não foi lançado, o partido tem o seu núcleo obrigado a se explicar sobre esse outro escândalo.
Efeito borboleta
Foi a partir do celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que a Polícia Federal chegou ao suposto esquema de emendas do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Fialek foi alvo de mandados de busca e apreensão em dezembro do ano passado. Com as investigações em seu telefone, foram expostas conversas e negociações de emendas em nome de Valdemar. Tuca foi assessora de Arthur Lira (PP-AL) e depois passou a trabalhar na liderança do PP na Casa. Agora começam a aparecer os primeiros movimentos a partir daquela operação. O material ainda não foi totalmente avaliado.
Além da 6×1
Governistas trabalham a todo vapor para tentar votar outros projetos de importância para o governo federal, além da proposta de emenda constitucional (PEC) do fim da escala 6×1. Senadores acreditam que o projeto que regulamenta a exploração de terras raras e minerais críticos deva ter alguma atualização antes do recesso parlamentar. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) é visto como favorito para a relatoria da proposta.
CURTIDAS

Campanha solo/ Ao contrário de Lula, que costuma discutir todos os passos da pré-campanha com sua equipe, o pré-candidato Flávio Bolsonaro tem tomado decisões e feito movimentos sem avisar. Vai pela própria cabeça.
E eles?/ Os aliados cobram a presença de Flávio em eventos partidários nos estados para se apresentar e dar entrevistas. Na semana passada, entretanto, o pré-candidato do PL preferiu os Estados Unidos, o que deixou muita gente chateada.
E a PEC da Segurança, hein?/ Só depois das eleições. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (foto), continua com o texto na gaveta. O mesmo deve ocorrer com a PEC do fim da escala de trabalho 6X1.
Sabatina do Correio/ Em 28 de julho, a partir de 8h, o Correio realiza sua tradicional maratona de sabatinas com os pré-candidatos ao Planalto. Foram convidados todos aqueles que se apresentaram para a corrida presidencial deste ano. Em 2018 e 2022, o Correio Braziliense, em parceria com a TV Brasília, foi o único veículo de comunicação que entrevistou todos os postulantes ao Planalto.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 8 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Ao afirmar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) se tornará inimigo caso não envie a proposta de emenda constitucional do fim da escala 6×1 para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) até semana que vem, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), causou um mal-estar entre governistas no Congresso Nacional. À coluna, parlamentares avaliam que esse tipo de afirmação mais prejudica do que ajuda. Enquanto o Senado trabalha para avançar com a PEC, declarações dessa ordem podem invalidar todo o esforço para tentar levar a proposta a votos. Senadores comentam reservadamente que é preciso “calma”: Afinal, o fim da 6×1 é a prioridade do governo na Casa para esse período pré-eleitoral. O momento não é propício para ataques, principalmente, ao presidente do Senado, alertam.
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Veja bem…/ A resposta de Alcolumbre às palavras de Uczai foram claras: “Ameaças e constrangimentos institucionais não aceleram a tramitação; apenas afrontam a independência dos Poderes”. Se o governo quiser a colaboração do presidente do Senado, melhor deixar seus líderes no modo “paz e amor” com Alcolumbre.
O que é ruim…
Ao se referir a escândalos de corrupção e ao Banco Master na audiência pública nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro deixou de fora a CPI da Covid, criada no governo Bolsonaro; e, no quesito Master, a fala do senador passou anos-luz do financiamento do filme sobre seu pai.
…a gente esconde
No Brasil, aliados do senador se mostraram preocupados. É que, se as tarifas não baixarem, melhor manter distância desse tema e voltar as baterias para o setor de segurança pública, a pauta em que o senador tem mais condições de surfar.
A aposta
Se tem alguém que pode ajudar a reverter as tarifas é o empresariado americano que compra produtos do Brasil. É a eles a quem Donald Trump estará mais sensível para atender. Aliás, é por aí que o governo brasileiro tem buscado as negociações desde o início do tarifaço, no ano passado. E com um certo sucesso.
Não agradou
Representantes dos auditores fiscais da Receita Federal consideram que o concurso autorizado nesta semana não contempla a necessidade de vagas a preencher urgentemente. De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), a Receita perdeu mais de 40% do seu efetivo desde 2014, e o edital oferece apenas 30 postos para auditores, muito aquém do necessário.
CURTIDAS

Sua hora vai chegar/ Com André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP-SP) embolados no Datafolha, atrás de Ricardo Salles (Novo), Marina Silva e Simone Tebet, o PL paulista acredita que, com o empenho do governador Tarcísio de Freitas (foto), a performance de Prado e de Derrite vai melhorar.
Nem tanto/ O problema de Prado e Derrite é que, com Ricardo Salles em terceiro, ficará difícil ignorar o deputado e ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, que tende a ser segundo voto de muita gente.
Quem decide/ O senador Izalci Lucas (PL-DF) avisa que se mantém candidato ao governo do Distrito Federal. À coluna, o senador afirmou que apenas o presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro têm legitimidade para definir as chapas majoritárias. E ressalta que nenhum dos dois disse o contrário. “Eu tenho mandato, sou senador, quem vai dizer que vou ficar sem mandato?”, questionou.
Apenas dois/ Com as ausências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a Confederação Nacional do Comércio (CNC) ouvirá os pré- candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) hoje. A CNC quer saber o que pensam os presidenciáveis sobre o setor produtivo e a economia nacional e quais suas propostas de governo.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 24 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro acredita que pode convencer o eleitor brasileiro de que o presidente Lula é o maior responsável pelas iminentes tarifas que serão aplicadas pelo governo dos Estados Unidos. E que, ele, Flávio, poderá fazer uma interlocução com a administração Trump para reverter o momento desfavorável na relação entre os dois países.
Flávio Bolsonaro está convencido de que poderá obter trunfos nos cinco minutos de fala a que terá direito na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR), em 6 de julho. No jogo político, o pré-candidato bolsonarista dobrou a aposta. Seria uma tentativa de diminuir a vantagem de Lula na corrida presidencial, além de fazer um contraponto à defesa da soberania assumida pelo petista.
O ganho maior de Flávio Bolsonaro, entretanto, poderá vir diretamente da Casa Branca. Ao compartilhar um texto no qual se considera a eleição no Brasil o maior desafio político do hemisfério, o presidente Donald Trump deu mais um sinal de que está atento à disputa que poderá coroar o chamado “Escudo das Américas”.
Não convém menosprezar esses movimentos. Uma nova demonstração de apoio por parte dos Estados Unidos a Flávio Bolsonaro intensificará a polarização a pouco mais de três meses do pleito. Flávio Bolsonaro diz querer atacar Lula e não o Brasil. Resta saber se o eleitor assim entenderá.
Nada de “terceira via”
A mais recente pesquisa Indexa mostra que a polarização permanece estável no Brasil, o que inviabiliza a terceira via. A disputa continua concentrada em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 42% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro (PL), com 31%. “Os candidatos que buscam representar uma terceira via permanecem distantes e, até o momento, não demonstram capacidade de romper a polarização”, afirmam os pesquisadores.
Sem transferência de votos
Segundo o levantamento, o envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no escândalo Master não resultou em transferência de votos para os concorrentes da direita. Na comparação com a primeira rodada, realizada em maio, Ronaldo Caiado recuou de 7% para 5%, enquanto Romeu Zema caiu de 5% para 3%. O único crescimento dentro desse grupo, registra a pesquisa da Indexa, ocorreu com Renan Santos, que passou de 2% para 3% das intenções de voto.
Dinheiro nas mãos
Uma ala do PL se sente preterida de relatorias na Comissão Mista de Orçamento do ano passado. Alguns bolsonaristas defendem que o relatório da Lei de Orçamento Anual (LOA) e a setorial de saúde deveriam ter sido do partido de Jair Bolsonaro. Por isso, esse grupo está brigando para que o relator da LOA seja um senador do PL. O nome cotado até agora é o de Eduardo Gomes (TO).

Contas a analisar
O Tribunal de Contas da União (TCU) analisará possíveis irregularidades fiscais envolvendo operações financeiras, fundos públicos, fundos garantidores, créditos subsidiados e créditos extraordinários utilizados pelo governo federal. O deputado Sanderson (PL-RS, foto), autor da denúncia, acusa o governo Lula de repetir as “pedaladas fiscais” do governo de Dilma Rousseff.
Impacto fiscal
O Ministério Público se juntou à investigação por meio do procurador Júlio Marcelo de Oliveira junto ao TCU. O processo tem como relator o ministro Jhonatan de Jesus. A principal acusação é que medidas adotadas pelo governo teriam gerado impactos fiscais estimados em aproximadamente R$ 215 bilhões, sem que parte desses efeitos estivesse refletida nos principais indicadores fiscais utilizados para monitoramento das contas públicas.
Tabaco em 2027
Participante do evento com presidenciáveis promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no início da semana, o SindiTabaco apresentou demandas para o setor. Defende o fortalecimento da competitividade exportadora, com prioridade para investimentos em infraestrutura logística e portuária, além da defesa da cadeia produtiva frente a barreiras regulatórias internacionais.
Investimentos
O sindicato também enfatizou maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica para investimentos industriais, políticas públicas voltadas aos municípios produtores, ações de combate ao mercado ilegal de tabaco. Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 3,04 bilhões em produtos do tabaco, o equivalente a quase 91% das exportações nacionais do segmento.
Legal e ilegal
O setor de bets considera eficaz a medida que asfixia o orçamento de bets ilegais no Brasil por meio de bloqueio de operações em operadoras de pagamentos. Contudo, reivindica ação conjunta com as big techs para remover publicidade irregular e coibir atuação de influencers que divulgam bets piratas; retirada de sites clandestinos do ar e conscientização da população para diferenciar uma bet legal de uma ilegal.
Aprendizado
Na avaliação de Bernardo Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), “ensinar os usuários a identificar as casas de apostas regulamentadas é fundamental para reduzir a demanda por esse mercado clandestino”
Ex-embaixador dos EUA na China e ex-conselheiro da Casa Branca participam de debate exclusivo em SP

Por Eduarda Esposito — O ex-embaixador dos Estados Unidos na China e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) Harvard Kennedy School — considerado um dos diplomatas mais experientes da política externa norte-americana — e o ex-conselheiro da Casa Branca e ex-cônsul dos EUA em São Paulo Ricardo Zuniga participam, na próxima terça-feira (9/6), de um debate sobre a nova ordem econômica mundial. Além deles, o especialista em relações EUA-China Nicholas Burns, o nome de referência em cadeias globais do agro e segurança alimentar Marcos Janks e o ex-presidente do Banco dos BRICS e especialista em comércio internacional e geopolítica Marcos Troyjo também estarão presentes.
O evento ocorre em meio a um turbilhão vivido pela geopolítica global e com as recentes tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O debate é organizado pelo Instituto Diálogos, fundado pela senadora e ex-ministra da agricultura Tereza Cristina (PP-MS) e será realizado no Teatro do Shopping Iguatemi, com a reunião de empresários, autoridades, diplomatas e representantes do setor produtivo. O ID foi criado com o objetivo de promover o debate plural e a difusão de conhecimento sobre grandes temas presentes nos cenários nacional e internacional.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 10 de outubro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O telefonema entre o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, não foi a primeira conversa que tiveram desde que as tarifas levaram a um estremecimento na relação entre os dois países. Em 30 de julho, num encontro reservado em Washington, eles concluíram que apenas uma conversa entre os dois presidentes faria fluir as negociações. Os dois movimentos posteriores — o primeiro o encontro de Luiz Inácio Lula e Donald Trump na ONU e a conversa telefônica entre eles, na segunda-feira — quebraram as barreiras. O diálogo entre o ministro de Relações Exteriores e o secretário de Estado deflagra a organização da agenda que fará parte do encontro dos presidentes. Vieira e Rubio terão uma nova conversa em Washington, ainda este mês, em frente às câmeras. A foto de Lula e Trump, que ocorrerá antes da eleição de 2026, deixa esse tema riscado da campanha eleitoral bolsonarista.
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Em tempo: conforme o leitor da coluna já sabe, desde o anúncio do tarifaço o governo brasileiro trabalha para separar os temas institucionais dos assuntos políticos, em especial, o julgamento que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados enfrentam no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao que tudo indica, esse objetivo foi atingido. A aposta de muitos aliados de Lula é de que, se ele conseguir colocar sobre a mesa toda a sua capacidade de articulação, conseguirá ampliar os pontos favoráveis ao governo.
Restam as emendas
Se Lula quiser incomodar a turma que deixou a medida provisória das taxações caducar, há quem diga que só tem um jeito: “esquecer” as emendas desse pessoal nos restos a pagar, em 2026. Afinal, o orçamento é impositivo, mas o cronograma quem decide é o governo.
Felicidade dura pouco
A oposição comemorou muito, na quarta-feira, quando fez a MP do IOF cadacucar, mas o momento durou pouco. Com o julgamento da desoneração da folha de pagamento marcado pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, o valor que foi “perdido” na medida provisória tem tudo para ser recuperado no caso de uma decisão favorável ao governo. Como os opositores dizem nos bastidores, “eles (do governo federal) perdem aqui e ganham lá”.
Martelo batido
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), trocou o relator do projeto sobre as novas regras dos planos de saúde: sai Duarte Jr. (PSB-MA), entra Domingos Neto (PSD-CE). Antes do anúncio oficial, Motta avisou a Duarte da substituição. Aliados de ex-relator, que é vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, disseram à coluna que o “problema” dele, ao analisar a proposta, foi defender o consumidor. Em nota, Duarte disse que “meu desejo sempre foi continuar à frente da relatoria, conduzindo um texto equilibrado, construído com diálogo, transparência e foco na proteção dos consumidores”.
O outro lado
Da parte da Presidência da Câmara, o motivo da substituição foi a polarização na Casa. Aliados de Motta afirmam que a troca foi para tentar colocar um relator mais neutro para negociar com as bancadas. Disseram à coluna, ainda, que a proximidade de Duarte com o ministro Flávio Dino, do STF, poderia ser prejudicial às negociações com o PL e com partidos do Centrão — leia-se PP e União Brasil.
CURTIDAS

E as pesquisas, hein?/ Embora Lula ganhe em todos cenários, a turma da direita considera que nada está garantido. A avaliação é de que da mesma forma que o petista ganhou por pouco em 2022, ele pode perder por pouco, se os conservadores fizerem uma engenharia política com sabedoria.
Chamem os sêniores/ Em 1994, antes do Plano Real, ninguém apostava na vitória de Fernando Henrique Cardoso — Lula liderava as pesquisas. Foi uma construção política entre PSDB e o antigo PFL na Câmara que levou à vitória, embalada pelo Plano Real. Já tem gente falando em chamar a velha guarda para ajudar nisso, incluindo o ex-presidente do PFL Jorge Bornhausen e o ex-senador Heráclito Fortes.
O motivo foi outro/ Parte da oposição acredita que as ligações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos, foto), pouco fizeram diferença na derrubada da MP do IOF. De acordo com deputados ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a medida provisória caducou porque o Centrão está insatisfeito com o governo.
Veja bem/ Essa turma explica que Tarcísio tentou ajudar na articulação em favor da anistia aos condenados pelos atos do 8 de Janeiro. A proposta até agora está zanzando pelo Parlamento. E sobrevive à base de promessas.
“Mau caminho”, define João Doria sobre possível reciprocidade do Brasil ao tarifaço
Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — O ex-governador de São Paulo e co-chairman do LIDE, João Doria, falou com jornalistas após o evento LIDE Brazil Development Fórum, que ocorreu hoje (8/9) na capital dos Estados Unidos, Washington DC. Confira agora as respostas do ex-governador sobre o tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil e sua opinião sobre a anistia.
O Brasil até chegou a sinalizar que vai adotar a reciprocidade em relação às tarifas. Como é que o senhor enxerga essa questão?
Mau caminho. A pior alternativa que o Brasil pode adotar é estabelecer reciprocidade. Porque isso não é reciprocidade, isso é agressividade. Você devolve, com a mesma agressividade que recebeu, ao país que erra e que comete o equívoco de ser agressivo, porque não há nenhum fundamento técnico para a medida que foi adotada pelo governo americano. Agora, o governo brasileiro adotar a mesma maneira de ser agressivo, isso não é contributivo. Isso só agravará ainda mais a situação do Brasil perante o seu segundo maior mercado de consumo e segundo maior parceiro comercial, que são os Estados Unidos da América.

Essa falta de relação entre os dois presidentes, ela não dificulta essa ação empresarial?
Dificulta. Há equívocos dos dois lados. Os dois lados tensionam as relações econômicas por conta de uma visão ideológica, uma visão política e não técnica. Portanto, ambos os lados estão falhando nisso. A começar do lado americano, que impôs ao Brasil uma sobretaxa de 50% de forma absolutamente injusta, imprópria, inadequada e sem nenhum fundamento. Não há nenhuma razão para que o Brasil, assim como outros países também, não é só o Brasil, sejam punidos com 50% por uma decisão unilateral, que não toma como base as relações econômicas e nem a balança comercial. E o Brasil não pode ter reação política em relação a isso. Deve ter a reação diplomática e, sobretudo, do privado com o privado. O que pode produzir resultados positivos de reversão dessa medida para o Brasil é a relação com o empresariado americano.
É possível fazer os seus negócios independentemente dos dois governos?
Claro que é possível. Vou dar um exemplo concreto que já aconteceu. A Embraer originalmente estava dentro do pacote e seria penalizada com 50% para venda das suas aeronaves para aviação comercial americana e aviação executiva aqui nos Estados Unidos. O maior mercado de aviões comerciais da Embraer são os Estados Unidos da América, para aviação executiva também. Isso foi revertido rapidamente, em 72 horas, por uma competência que eu destaco da Embraer junto às companhias aéreas americanas e junto a entidades privadas que são compradoras de aviões executivos da companhia, que contrataram a empresa de lobby aqui em Washington, e em 72 horas estava revertido isso.
O mesmo está sendo feito com a laranja, com café e com a proteína animal. Esse é o caminho, é o caminho do entendimento. É evidente que quando você sofre uma injustiça, é sempre muito difícil você não reagir impulsivamente, mas é a pior reação, é aquela que não se recomenda. É preciso ter uma reação cerebral planejada e articulada para mostrar aos americanos que o prejuízo de uma sobretaxa de tal ordem em diferentes produtos, sejam commodities ou não, prejudica fundamentalmente o americano, porque ele vai pagar mais por serviços ou vai pagar mais por produtos.
O senhor defende que o empresariado também faça esse papel de articulação para destravar a questão política?
Defendo porque já há uma animosidade política muito clara entre o governo brasileiro, o governo americano e vice-versa. Isso vem até do período da campanha eleitoral aqui para os Estados Unidos, onde o Brasil, naquele momento, fez uma manifestação contrária ao governo que foi efetivamente eleito aqui nos Estados Unidos, já criou ali um mal-estar preliminar. Isso subiu a temperatura de uma circunstância, repito, absolutamente injusta e até uma intromissão do governo americano em temas internos do Brasil.
Então, eu acho difícil que de governo para governo possamos ter bons resultados, mas defendo que a diplomacia seja mantida. Onde podemos ter resultados: do privado com o privado. Mas é um erro você insistir numa questão política onde você quer influir numa decisão do judiciário brasileiro, é uma questão política sem resolução. O judiciário brasileiro não vai se curvar a uma decisão à vontade do governo americano. Qual é a razão para isso? Aí independe de visão partidária, politizada, ideológica. Isso é uma intromissão. Imagina. É como se o Brasil determinasse, quisesse terminar o governo americano, que tivesse um outro tipo de comportamento sobre uma decisão do poder judiciário americano. Aqui também tem Suprema Corte e ela é um poder independente. Então, se política é isso, não vai funcionar.
O senhor acredita que uma possível condenação do ex-presidente possa agravar ainda mais esse quadro?
Eu espero que não. Não podemos antecipar qual será o julgamento final do Supremo Tribunal Federal brasileiro. Mas eu imagino que não, quer dizer, eu desejo que não. Talvez haja um aumento de tensão se a pena for dura em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas mais uma vez eu continuo a defender que não se trata de uma questão do governo americano e do presidente Donald Trump desejar que haja um comportamento diferente da justiça brasileira. Não se esperaria que o inverso pudesse ser assimilado pelo governo americano.
Portanto, cada país tem a sua independência, acertando ou errando. Mas assim a democracia, democracia também erra, como também acerta. Então, é preciso preservar a independência e a autonomia dos países. E volto a repetir, o único caminho do ponto de vista das sanções econômicas, não estou falando do ponto de vista político, é o privado com privado, entidades e empresas privadas brasileiras reforçarem as suas relações, o seu diálogo com entidades e empresas privadas americanas. Esse é o único caminho que pode trazer resultados positivos de reversão naqueles produtos que ainda estão sob o tarifaço americano.
O senhor acredita que o presidente Lula deva ligar para o presidente Trump?
Na minha opinião, sim, eu não vejo razão para que o presidente Lula não dialogue com o presidente Trump, como também não vejo razão para que o presidente Trump não dialogue com o presidente Lula em alto nível. É o que se espera de dois presidentes da República que não se ofendam mutuamente e que se respeitem conjuntamente num diálogo produtivo. Eu entendo que o diálogo só constrói. Eu nunca vi o diálogo destruir. O que destrói é o conflito, o atrito, é a guerra. O diálogo constrói.
Então, como resolver de privado para privado, sendo que muitas empresas brasileiras são familiares no Brasil e talvez não tenham uma facilidade de negociação como grandes corporações?
De cada adversidade, você tem que buscar oportunidade. Diante de uma situação adversa, o setor cafeicultor está unido, não pode ter posições individualizadas, ele tem que estar unido mesmo. O pequeno produtor, ele tem que estar associado a uma cooperativa, uma federação, uma associação para poder validar a sua reivindicação, saindo da visão individual para uma composição coletiva, uma visão e uma defesa coletiva. O Brasil tem inúmeros produtos, pequenos produtores de café, como tem de vários outros produtos agrícolas, mas necessariamente em circunstâncias como essa, e mesmo fora delas, devem estar juntos.
Então vamos transformar essa situação adversa numa boa oportunidade para unir o setor cafeicultor brasileiro, como o setor também de produção de laranja e de concentrado de laranja e dos demais setores, mesmo a proteína animal, aí envolvendo também a carne de porco e a carne de frango, tem que estar unidos. A união ajuda, contribui e você individualmente fica fragilizado.

Tem avançado em Brasília a discussão sobre anistia. Qual é o seu posicionamento em relação a isso? O senhor é a favor da aprovação de uma anistia geral que inclua Jair Bolsonaro? O senhor é contrário? Qual o seu posicionamento?
Bem, eu não sou juiz, nem desejo ser, mas sou cidadão, sou brasileiro, amo o meu país, gosto do Brasil, atuei na área pública como prefeito, como governador e entendo que houve um certo exagero, do ponto de vista punitivo, àqueles que participaram de um movimento condenável, como foi o de 8 de janeiro. Foi um movimento que merece repulsa, porque aquilo não era um movimento celebrativo, era um movimento agressivo. Você invadia o Poder Judiciário, Executivo e Legislativo, não há justificativa alguma para isso. Mesmo que você tenha contrariedade, nada justifica a desobediência à lei. Mas eu entendo que houve medidas ali que acabaram sendo exageradamente fortes e isso criou e fortaleceu uma reação de parte da população brasileira contra as medidas do Supremo Tribunal Federal. Então, diria que reavaliar o tema da anistia, mas de maneira cuidadosa e não geral.
A questão geral significaria compreender que amanhã possamos ter uma situação igual e deveremos ter a mesma postura de entender que aquilo faz parte da normalidade. Seria como você imaginar que um grupo de pessoas invadisse a sua casa, ameaçasse de agressão a você, aos seus familiares, aos seus funcionários, quebrasse os objetos e levasse os pertences, e entendesse que isso merecesse uma anistia plena, geral e irrestrita, nenhuma penalidade. Não é correto. Não é justo. Você se sentiria dentro de um país, cidade, estado ou região sem lei e sem ordem. O Brasil não pode ser um país sem lei e sem ordem, mas é preciso dosar também a força da lei. Ela, quando é exagerada, provoca repulsas e uma reação da própria sociedade civil.
O senhor acredita que a anistia é um caminho para negociar o tarifaço?
Neste caso, sim, mas não por obediência a uma imposição americana, e sim por obediência ao bom senso e avaliação ao respeito a termos uma democracia sólida, como é a democracia brasileira, mas que também é preciso que o poder judiciário tenha sensibilidade na aplicação da lei. Mas eu não defendo uma anistia irrestrita.
Então, o senhor discorda da posição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas? Como viu a colocação de uma bandeira norte-americana durante a manifestação do 7 de Setembro na Avenida Paulista?
Eu não quero discordar dele, entendo a sua posição. Prefiro dizer que compreendo a circunstância em que ele faz manifestações do que condená-lo pelas manifestações que fez. E sobre a manifestação, senti que faltou uma bandeira brasileira do mesmo tamanho ao lado.
Agora o senhor acha justo misturar a anistia com a questão das tarifas, ou seja, uma questão política misturando com uma questão técnica?
A razão não seria a motivação da pressão americana no equívoco de sobretaxar commodities e produtos brasileiros em 50% por um fundamento político, mas entendo que seria uma forma pacificadora de uma dosimetria correta para, com isso, tentar pacificar o país. Eu acho que essa circunstância deve ser tratada sem vilipendiar, sem fazer rupturas com a lei, mas compreendendo que o Brasil vive um momento tenso e nós não podemos seguir nesse movimento de tensão e ampliá-lo ainda mais com a proximidade das eleições do ano que vem.
Nós precisamos ter compreensão, baixar um pouco esse nível de pressão, senão o país entra em ebulição. E nós estamos há 1 ano e 4 meses das eleições de outubro do ano que vem. Não é compreensível que uma situação como essa possa levar o país a uma ebulição pública, a circunstâncias até de confrontos em rua. Isso seria um desastre para o Brasil. Brasil não precisa disso. Eu volto a repetir, aliás, o que eu digo há 3 anos praticamente desde a posse do governo Lula: paz, entendimento, compreensão, diálogo e não o confronto e reações mais exasperadas, elas não são contributivas para a estabilidade do país e nem mesmo para a democracia brasileira.
O senhor não está defendendo uma relação direta, nem uma anistia que não seja geral do ponto de vista democrático no Brasil, mas não está ligando uma questão à outra?
Não, e definitivamente não. O Brasil tem autonomia. O Brasil não pode receber nem recado, nem instruções, nem ordem de um governo externo, seja americano, seja ele qual for. Eu entendo que uma medida de dosimetria é uma compreensão de que a lei pode ser aplicada, mas de uma forma mais ajustada àqueles que participaram do movimento de 8 de janeiro, mas pelo bem do país, não pelo bem dos Estados Unidos.
*Enviada especial
Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — O co-chairman do LIDE, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, voltou a defender a independência do BC durante o evento LIDE Brazil Development Fórum, que ocorreu hoje (8/9) na capital dos Estados Unidos, Washington DC. Meirelles afirma que somente sendo independente a instituição poderá sobreviver a divergências políticas.
“Eu me concentro nos fatos, e o fato concreto é que existe um projeto que diminui a autonomia do Banco Central na medida em que permite que o Congresso demita diretores do Banco Central. E o projeto não dá, não fornece razões concretas específicas, como é a situação atual. Por exemplo, atualmente, segundo a Lei de Independência do Banco Central apresentada e aprovada em 2021, existe a causa específica. Agora, quando se coloca ‘porque não se atende aos interesses nacionais’, o que é isso? Qual é o interesse? Muitas vezes, duas pessoas podem ter visões opostas sobre o que é de interesse do país. Então, deixa totalmente em aberto o que transforma isso numa questão política”, defendeu o ex-ministro.
Esta não é a primeira vez que o ex-presidente do BC se manifesta a favor da independência da instituição, Meirelles já fez isso, inclusive na Tribuna do Senado. “Já me manifestei publicamente várias vezes no sentido de que acho importante preservar a independência do Banco Central, reforçá-la, inclusive. Fiz um depoimento no Senado no ano passado quando houve toda aquela sessão do projeto que dá autonomia financeira ao Banco Central, que acho importante. Então, É importante não só não diminuir a independência, como reforçar, dando a independência financeira do Banco Central, que é algo que o governo resiste”, ressaltou.

O ex-ministro destacou ainda que, passado o momento político que o Congresso tem vivido, é necessário trabalhar o tema nas duas Casas. E deixou claro que a maior oposição no momento tem sido do Poder Executivo. “Quando fui, a situação estava bem dividida. Agora, no calor desse momento, com uma bancada que está interessada numa questão específica, não é o momento, de fato, para colocar isso em votação. Mas, passado esse problema conjuntural, existem sim possibilidades de ir à frente, pelo que senti quando fiz o depoimento da autonomia financeira do BC. Quem resiste é exatamente o Executivo que hoje define o seu patamar de gastos federais, onde inclui o BC. Evidentemente, acaba se tornando uma fonte de pressão na instituição, como agora, por exemplo, temos um desafio que seria a expansão do Pix e uma série de outros produtos em desenvolvimento que estão tendo dificuldades por falta de pessoal. O BC precisa atualizar os trabalhos, salários e não o contrário, de estar sujeito a maiores restrições orçamentárias”, argumentou Meirelles.
Tarifaço
O ex-ministro da Fazenda também comentou sobre o tarifaço, e na sua visão, é preciso haver diálogo entre quem produz. “O diálogo entre as empresas passa a ser mais importante do que nunca. Em primeiro lugar, para que as empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos se organizem ao redor de uma estratégia comum. Porque no momento em que eles estejam sintonizados, exatamente, esses importadores, como empresas americanas, terão também um poder de influência junto ao governo americano”, ressaltou Meirelles.
O co-chairman do LIDE também relembrou um ponto importante sobre o tarifaço: empresas norte-americanas que produzem e exportam para os Estados Unidos do Brasil. “Existem subsidiárias de empresas americanas instaladas no Brasil e que exportam para os EUA. E uma mudança de fechar uma fábrica, no Brasil ou em qualquer outro país, e abrir uma fábrica nos Estados Unidos é um projeto economicamente caríssimo e ineficiente, do ponto de vista econômico. Então, estas empresas também, que são empresas americanas, têm interesse direto também numa revisão disso”, defendeu.
Meirelles ainda pontuou que as tarifas aplicadas ao Brasil são de origem política e não comercial. “Não há dúvida de que o caminho para a revisão dessa atitude de ação política contra o Brasil é o diálogo, porque isso foi declarado claramente pelo próprio presidente na carta. Ficou claro que era uma motivação não comercial, mas política, porque, inclusive, o Brasil tem déficit comercial com os Estados Unidos, portanto não se qualifica como um desses países que, segundo Donald Trump, estariam tirando vantagem com saldos comerciais nos EUA”, destacou.
Trump x FED
Henrique Meirelles comentou ainda sobre a rivalidade que tem ocorrido entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o presidente do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (FED), Jerome Powell. “Tem uma questão clara de independência do Banco Central Americano, FED. O problema surgiu quando Trump começou a demandar o corte de juros, o que é uma interferência direta na independência do FED. Posteriormente, fez esse movimento de tentativa de demitir uma diretora, evidentemente por uma questão de decisão judicial, para saber se ele tem poderes para isso. Historicamente, a ideia sempre foi de que não tem, mas agora isso está sendo questionado. Nesse caso, é muito importante porque, como ele já tem, entre aspas, o apoio, mas na realidade há alguns diretores que favorecem esse corte de juros que ele quer, se conseguisse demitir essa diretora e colocar alguém sintonizado com ele, evidentemente passaria a ter maioria na votação do FED”, explicou o ex-ministro.
*Enviada especial
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 2 de setembro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Ainda que o Congresso possa discutir a anistia aos que forem condenados na tentativa de golpe de Estado, inclusive, Jair Bolsonaro, a ideia de muitos é que isso seja apreciado quando não houver mais condições do ex-presidente se apresentar como candidato à Presidência da República. O que se diz entre quatro paredes é que nenhum partido de centro deseja que ele retorne ao Palácio do Planalto. Não tanto por ele, mas pelo entorno, que tem personagens investigados por tramar o assassinato de autoridades.

Cartas marcadas/ Na visão da oposição, o julgamento de Bolsonaro está “precificado” , ou seja, ele será condenado. Quem está com ele até aqui — tal como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas —, não irá abandoná-lo, mas não quer enfrentar o Judiciário a ponto de abraçar uma candidatura do ex-presidente. Eles vão continuar defendendo que não houve um golpe, e sim uma manifestação onde ocorreram depredações — e que aqueles que depredaram deveriam receber pena respectiva a esse crime. É por aí que a banda dos partidos de centro que apoiam Bolsonaro irá tocar daqui para frente.
Tirou da gaveta
A repercussão da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal (PF), fez com que o Senado desengavetasse o projeto de lei complementar (PLP) do devedor contumaz. O projeto entrou na pauta de hoje, depois de uma conversa entre o relator do texto, Efraim Filho (União-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Efraim acredita que, com o apoio do governo, a matéria deve ser aprovada em tempo recorde.
Tal e qual
Da mesma forma que as denúncias de exploração infantil nas redes sociais levaram à aprovação do projeto contra a adultização, a Carbono Oculto — que fisgou os operadores financeiros do PCC — ajudará contra o devedor contumaz. Ninguém quis ser taxado de defensor de exploradores de crianças e adolescentes e, tampouco, do crime organizado.
Roleta-russa
A oposição e a ala bolsonarista do União Brasil querem obrigar o governo a tirar do Orçamento atual os recursos para fazer frente à isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. Ou seja, intenção deles é suprimir do texto qualquer forma de aumento de imposto capaz de cobrir essa isenção, o que geraria um prejuízo à atual gestão. Entretanto, a ala mais moderada do Centrão é contra. Afinal, governo é momento e, amanhã, pode ser um aliado arcando com esse prejuízo.
O clima na casa mais vigiada
Quem esteve com Bolsonaro, às vésperas do julgamento, disse que encontrou um político devastado. Afinal, tem a certeza de que não conseguirá ser candidato ao Planalto, como planejava lá atrás. Restará, agora, organizar o jogo de forma a derrotar seus adversários.
CURTIDAS

Duas frentes de diálogo/ No esforço de baixar o tarifaço de Donald Trump para outros setores da economia brasileira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizará uma missão a Washington, em 3 e 4 de setembro. Na próxima segunda-feira, o grupo Líderes Empresariais realiza, na capital americana, o Lide Development Forum, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Apostas baianas I/ Os políticos por lá apostam que o ministro da Casa Civil, Rui Costa (foto), será, no máximo, candidato a deputado federal. Isso se não ficar no cargo. É que as vagas ao Senado estão ocupadas. O líder do governo, Jaques Wagner, é citado nos bastidores como candidato à reeleição. A outra vaga é de Ângelo Coronel.
Apostas baianas II/ Geraldo Junior, vice do governador Jerônimo Reis, é hoje candidato à reeleição, com a expectativa de um vice do MDB. Ou seja, Rui pode escolher entre ficar na Casa Civil ou ser puxador de votos, para que o PT construa uma grande bancada federal na Bahia.
Toque da Alvorada/ Profissionais que vão acompanhar o julgamento de Bolsonaro in loco foram orientados a chegar ao Supremo Tribunal Federal às 6h para pegar a fila. A entrega das credenciais começa às 7h, duas horas antes do início da sessão da Primeira Turma.
“Daqui a pouco volta ao Supremo buscando proteção”, diz Gilmar Mendes sobre fim do foro
Por Eduarda Esposito — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes comentou sobre a PEC que prevê o fim do foro privilegiado, que foi colocada na pauta para votação na Câmara dos Deputados durante o “Seminário Econômico LIDE” em Brasília nesta quarta-feira (27/8). “Isso seria a inversão completa da nossa tradição jurídica e da nossa cultura jurídica. O que está a ocorrer, talvez, seja um tipo de casuísmo. ‘Mudando o foro, eu tiro a matéria da competência do Supremo. Daqui a pouco a gente volta ao Supremo buscando proteção’. Então, é bom que a gente tenha juízo nessas mudanças”, declarou Gilmar.

Para o decano, a questão do foro privilegiado é uma prerrogativa do STF e que medidas advindas de tribunais regionais poderiam causar mal-estar. “Foro por prerrogativa de função, acho que faz todo sentido deixá-lo no STF. Nós assistimos, não faz muito tempo, a episódios lamentáveis com a possibilidade de uso e abuso desse foro em todas as instâncias. Fico a imaginar uma busca e apreensão determinada pelo juiz de Cabrobro na Câmara dos Deputados, ou uma ordem de prisão determinada por um juiz de Diamantina a um senador ou presidente do Senado”, destacou. Quanto à possibilidade de a Suprema Corte considerar a PEC inconstitucional, o magistrado defendeu que é preciso esperar as deliberações nas duas casas antes que o STF faça uma análise sobre a matéria.
Moraes x Bolsonaro
O ministro do STF também evitou falar sobre as recentes medidas cautelares do ministro Alexandre de Moraes ao ex-presidente Jair Bolsonaro, reforçando a segurança de Bolsonaro durante a sua prisão domiciliar, mas voltou a afirmar seu apoio incondicional ao ex-presidente da Primeira Turma do STF. “Não conheço no detalhe, obviamente, como os senhores sabem, eu não sou dessa turma, mas apoio o ministro Alexandre de maneira inquestionável. Acho que o Brasil deve muito ao ministro Alexandre de Moraes. Eu sou plenamente solidário a ele e, se nós estamos aqui hoje, num ambiente democrático, deve-se muito ao ministro Alexandre de Moraes e sei que a história vai lhe fazer justiça”, ressaltou.
EUA e o tarifaço
Ainda a jornalistas após a fala durante o evento, o ministro Gilmar Mendes voltou a condenar as ações dos Estados Unidos ao sancionarem o Brasil como uma forma de intromissão no julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. “Claro que isso é de todo impróprio. É evidente que negociações comerciais podem se fazer, e se fazem a toda hora. Agora, tentar envolver nesta cesta o papel institucional do país, a independência do Judiciário, ou seja lá o que for, não faz sentido algum. Nós não temos nada a ver com a jurisprudência sobre o aborto nos Estados Unidos. Da mesma forma, não faz sentido tentar alterar a jurisprudência da Corte Constitucional Brasileira”, concluiu Mendes.
Já sobre o tarifaço, o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sérgio Longen, afirmou que o Brasil está atrasado nas negociações e defendeu que é necessária a abertura de novos mercados. “Olha, precisamos buscar oportunidades. Entendemos que a tarifa está aí e vamos buscar outras opções de colocar os produtos brasileiros. Não temos outra saída ou venderemos para os americanos com novos preços. O governo está atrasado nas discussões, precisaríamos ser mais objetivos e mais rápidos, mas o caminho é a discussão sobre o assunto e a busca de novos mercados, que os empresários já estão fazendo”, destacou.
Gilmar Mendes critica falas sobre autocontenção do Judiciário
Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes criticou falas sobre contenção do Poder Judiciário. “Se nós tivéssemos sido contidos durante a pandemia, muito provavelmente, nós não teríamos tido só ‘700 mil mortos’, teríamos muito mais mortos. Acabei de dar o exemplo da decisão do ministro Lewandowski que mandou que comprassem vacinas. Alguém poder dizer: ‘mas isso fere a divisão de Poderes’ mas nós não permitimos que isso aconteça. Certamente tem muita gente que se antipatiza conosco, mas que teve a família salva, parentes salvos, graças a essa ação que alguém vai dizer ‘ativista do tribunal’. Ativismo não, isso tem total respaldo na Constituição, que consagra o direito à saúde”, declarou Mendes. A fala foi dada após participação no seminário “Brasil Hoje”, do think tank Esfera, em São Paulo, nesta segunda-feira (25/8).

O decano do STF também ressaltou que a democracia também impõe limites constitucionais e que a Corte trabalha para que sejam respeitados. “A democracia não é um espaço livre em que todos possam fazer o que quer. A democracia constitucional significa ter limites. É preciso ter essa noção e foi isso que, de alguma forma, o tribunal fez, impondo limites. Ou na esfera das chamadas fake news, ou na esfera digital, tentando dizer ‘quem presta serviço no Brasil tem que se ater às leis brasileiras’. Isto é algo comum. Ainda ontem ouvia uma manifestação de um autor estrangeiro reconhecendo que a democracia brasileira é uma democracia vital, que nós estamos hoje em uma situação muito mais forte e representativa do que muitas democracias, até então, tradicionais”, complementou.
Defesa a Moraes
Mendes também defendeu o ministro do STF Alexandre de Moraes. Segundo o magistrado, não há justificativa para as sanções impostas ao ministro. “Não tem nenhuma justificativa para aplicação dessa legislação contra Alexandre de Moraes ou contra qualquer outro colega que está cumprindo as suas funções. E, certamente, se houver necessidade, a jurisdição brasileira vai se manifestar. Não preciso lhes dizer que nós, a maioria do tribunal, inequivocamente suportamos e apoiamos integralmente o ministro Alexandre de Moraes. Tenho a impressão de que a ampla maioria do tribunal tem reconhecimento e percepção de que talvez nós não estivéssemos aqui hoje se não fosse a ação do ministro Moraes, de sua liderança à frente desses diversos inquéritos”, ressaltou a jornalistas.
Questionado sobre quais ações a justiça brasileira poderia tomar caso os decanos fossem retaliados pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, Mende disse que os ministros ainda não conversaram sobre isso. “Não cogitamos retaliações dos Estados Unidos, a nossa vida segue normal e nós vamos cumprir o nosso papel que a Constituição quer que nós exerçamos. Essas questões vamos considerar no âmbito da nossa jurisdição no Brasil, se houver algum tipo de provocação. É claro que há uma politicidade, uma politização dessa temática toda, agora é absolutamente anômalo tentar mudar uma decisão judicial ou colocar em negociações econômico-financeiras ou comerciais a capacidade de liberação de uma Corte sobre assuntos internos de nosso próprio interesse”, reafirmou o ministro.
Moraes x Mendonça
Gilmar Mendes também comentou sobre as recentes “trocas de farpas” entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Mendes citou uma recomendação do ministro Luís Roberto Barroso. “É um esforço que todos temos feito a partir do próprio presidente Barroso. Nós não podemos perder a noção de unidade e institucionalidade. A corte é forte como instituição. Acho que construímos, isso é reconhecido hoje por pesquisadores internacionais, uma das cortes mais reconhecidas e poderosas do mundo. Cumpre um papel importantíssimo na preservação da democracia e isto precisa ser preservado”, disse.
*Enviada especial










