Todos armados

Crédito: Maurenilson Freire
Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise no STF, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Reforma tributária, Segurança Pública, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 15 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, quer chegar ao final desta terça-feira com alguma explicação a dar à sociedade. Nem que seja, no mínimo, Alexandre de Moraes investigado pelo STF. Entre os cenários traçados por ele, segundo pessoas próximas, está determinara abertura dessa investigação sobre Moraes de forma monocrática e, em seguida, pedir ao colegiado que defina se o ministro Alexandre de Moraes deve ser afastado ou pode permanecer no cargo enquanto durarem as investigações. Só tem um detalhe: essa forma não está combinada com os demais ministros, e todos querem se pronunciar sobre a abertura de processo. Muitos planejam inclusive apresentar uma série de preliminares. Afinal, o que se diz é que, se for para ministro ter que dar explicações sobre o fato de a mulher (ou filhos) advogarem no STF, outros terão que responder.

Crédito: Maurenilson Freire

Veja bem/ A avaliação de muitos é a de que não há como colocar todos os ministros no mesmo balaio. Ainda mais depois de tudo o que já sabe em relação ao contrato entre Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro. A Polícia Federal tem informações que indicam um encontro entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes em 30 de dezembro de 2023, num hotel de luxo em Campos do Jordão, menos de um mês antes da assinatura do contrato entre a esposa do ministro e o então controlador do Master. Nos bastidores, considera-se certa a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes.

Confiança e respaldo

Manifestos à parte, tudo o que o presidente Edson Fachin fizer hoje terá que ter o apoio da sociedade como um todo. A avaliação, inclusive no governo, é a de que não há como deixar o presidente do Supremo Tribunal Federal isolado em meio a essa crise.

Toma que o filho é teu

Os petistas estão roucos de tanto afirmar que Alexandre de Moraes foi indicado ao STF por Michel Temer e que Daniel Vorcaro montou toda a estrutura de fortalecimento do banco Master durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. Quem barrou tudo depois foi Gabriel Galípolo, o presidente indicado por Lula.

Do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante,que já foi ministro, deputado e senador

“Tivemos a CPI do Collor, no Poder Executivo; a CPI dos Anões do Orçamento, uma crise no Legislativo. Mas nunca vimos uma crise dessa proporção no Poder Judiciário. O Judiciário tem que se reformar”

Ganha no discurso

Os bolsonaristas partem da premissa que Flávio Bolsonaro ainda pode ganhar muitos votos por causa do desgaste do ministro Alexandre de Moraes. Afinal, o integrante do STF sempre foi um inimigo declarado da família Bolsonaro. Nesse sentido, a leitura é que se Moraes for afastado, é possível usar essa narrativa no horário eleitoral. Seria um jeito de evitar perdas devido à revelação de que Flávio é investigado por ao menos três crimes por causado financiamento do filme Dark Horse.

O que vem por aí

Em palestra no seminário Brasil Hoje, do think tank Esfera, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, responsável pelo programa de governo de Flávio Bolsonaro na economia, ressaltou a necessidade de ajustes na reforma tributária e acenou ainda com privatizações, caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial: “Não faz sentido o Estado ter uma estatal de chip de boi (no caso, a Cetec), ou ter uma tevê estatal”, comentou. A Caixa Econômica Federal, porém, terá um lugar de destaque no futuro governo. (Leia mais sobre o seminário no blog da Denise no site do Correio).

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

A campanha deles/ Participante do seminário Brasil Hoje, do Think tank Esfera, o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP/foto) foi incisivo ao cobrar da plateia de empresários e banqueiros que “um senador por São Paulo tem que ser paulista acima de tudo”. Referia-se especialmente às candidatas Simone Tebet, que nasceu em Mato Grosso do Sul, e Marina Silva, do Acre.

Hora da segurança pública/ O Correio Braziliense promove hoje o CB Talks sobre Segurança para o desenvolvimento do Brasil. O debate abordará os projetos em tramitação no Congresso Nacional que visam o combate à fraudes e infiltração do crime organizado em setores como o de combustíveis e GLP. São painelistas Lincoln Gakiya, promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (GAECO), o deputado Alberto Fraga (PL-DF), o candidato Marivaldo Pereira (PT-DF), e o presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz. O evento começa às 9h30 e pode ser acompanhado pelas plataformas do Correio.

Perdas & danos?/ Ao ser perguntadasobre quem perde mais com a crise do Supremo Tribunal Federal, o presidente Lula ou Flávio Bolsonaro, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal não titubeou: “Quem perde mais é o Brasil”

STF no lugar de debates/ Enquanto o Supremo Tribunal Federal vive sua crise, a campanha eleitoral vai chegando ao fim sem debates entre os principais candidatos. Pior para o eleitor.

Fachin quer decisão sem pedido de vistas

Crédito: AFP via Getty Images
Publicado em Política, STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, monta uma estratégia para evitar que a sessão desta terça-feira termine sem qualquer resultado que possa melhorar a imagem do STF. Uma delas é abrir a investigação contra Alexandre de Moraes de forma monocrática e, em seguida, submeter ao plenário a de afastamento enquanto durarem as apurações. Na mesma toada, viria o pedido de suspeição do ministro Dias Toffoli nesse processo. Afinal, se Toffoli não pode atuar no caso Master, ele também não poderia fazê-lo nessa análise relativa ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e suas relações com Alexandre de Moraes. 

Crédito:  AFP via Getty Images

    Se Fachin optar por essa saída, sem dar a chance de pedido de vistas à abertura da investigação, estreita a margem de manobra do grupo que hoje defende Moraes no STF e deseja que André Mendonça seja punido por ter investigado Moraes — e exposto o ministro com divulgação de partes do inquérito — sem ter autorização legal para isso. O correto, conforme avaliam vários juristas, seria o ministro André Mendonça ter levado o caso a Fachin assim que o nome de Moraes apareceu, antes de qualquer outra ação. 

   A avaliação de alguns ministros é a de que André Mendonça, que também manteve reunião com Vorcaro, deveria ter dito aos demais colegas que havia se encontrado com Vorcaro no passado. E, assim, lá atrás, quando Toffoli, foi retirado da relatoria, o colegiado poderia avaliar melhor se Mendonça deveria ser o novo relator.  Esta, aliás, será uma das preliminares que alguns dos ministros planejam discutir na sessão desta terça, antes de avaliar o caso Moraes. De tédio, ninguém vai padecer.

Fachin joga pela “colegialidade”

Crédito: Caio Gomez
Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 10 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Depois de retirar a relatoria do Inquérito das Fake News das mãos do ministro Alexandre de Moraes, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, estuda como fazer com que André Mendonça calce as sandálias da humildade. Para isso, não está descartado que a relatoria do Caso Master também troque de mãos. Os argumentos nesse sentido estariam no fato de Mendonça ter acolhido, em caráter liminar, um pedido de um partido político (no caso o Novo), que tem candidato à Presidência da República, em pleno período eleitoral. Soma-se a isso, as investigações envolvendo Moraes sem levar o caso diretamente à Presidência do STF. A ideia de Fachin é tirar dos ministros os instrumentos que têm usado para ataques mútuos e as armas usadas na guerra entre Moraes e Mendonça. Nas mãos de alguém como a ministra Carmen Lúcia, a expectativa é de que o STF se preserve diante de tanto desgaste.

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Ação e reação/ Ao homologar a delação premiada do empresário José Antonio Freixo Junior, o Mineiro, Mendonça age para mostrar que não está impondo um ritmo mais leve ao caso envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Porém, há quem avalie que tudo está muito lento. Mas não tão lento quanto o Inquérito das Fake News, que estava há sete anos nas mãos de Moraes.

STF no palco eleitoral

Com o Caso Master ditando o tom dessa fase da campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva percebeu que só vai tirar sua candidatura do desgaste se houver uma transparência total de tudo que já foi apurado nas operações sobre o banco liquidado e o caso do INSS. As apostas do PT são de que, embora tenha alguns dos seus, o caos nos demais partidos será maior.

Sem sigilo

Não é apenas Lula que defende o fim do sigilo de tudo o que se sabe a respeito dos laços e financiamentos de Daniel Vorcaro a terceiros. Na própria Polícia Federal (PF), tem muita gente defendendo que os sigilos do Caso Master e dos descontos ilegais do INSS sejam derrubados integralmente.

O que eles pensam

Para alguns policiais na ativa, há o sentimento de que a corporação está sendo utilizada, fatiada e não há como permanecer dessa forma. “Não somos um Poder e os ministros são reflexos do Poder. A PF quer uma defesa da instituição e vamos deixar isso claro”, disse à coluna Flávio Werneck, especialista em segurança pública, mestre em criminologia e policial federal.

Crianças apostam em bets

O caso das bets é mais grave do que se possa imaginar. Um estudo apresentado pela Frente Parlamentar de Educação revelou que crianças a partir dos 11 anos têm realizado esse tipo de aposta. E mais: a estimativa de gasto de estudantes brasileiros com esses jogos passou de R$ 1 bilhão em 2025. Leia mais no Blog da Denise, no site do Correio Braziliense.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Não espere um messias/ A ideia de Andrei Rodrigues de buscar um advogado particular para sua defesa arrisca virar moda. É que, na Esplanada, tem muita gente cansada de esperar a Advocacia-Geral da União (AGU).

Não é de hoje…/ Que Andrei Rodrigues e Jorge Messias (foto) têm diferenças. Agora que a AGU se sentiu escanteada na defesa do diretor-geral da PF, tem gente apostando que o mal-estar vai crescer.

PT e STF/ O PT tem reunião, hoje, na sede nacional do partido, em Brasília, para definir posição sobre a crise do Judiciário. Líderes foram convocados para o encontro a portas fechadas, nesta manhã. O direcionamento deve seguir a linha que Lula já tem utilizado em seus pronunciamentos: pedir a quebra de sigilo dos casos e investigação para todos, doa a quem doer.

Até tu, Goiás?/ Candidatos a deputado federal do PSD fazem campanha no estado de Ronaldo Caiado sem qualquer menção ao presidenciável do partido. Um exemplo é Daniel AgroBom, que, em Valparaiso de Goiás, faz campanha em parceria com um candidato a estadual pelo Agir sem pedir votos para o ex-governador. Se nem os candidatos goianos pedem votos para presidenciável, quem o fará?

O temor dos ministros

Crédito: Caio Gomez
Publicado em 6x1, Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Michel Temer, PL, Política, Segurança Pública, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 5 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

O posicionamento incisivo do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, prometendo uma solução “rigorosa e firme” para a crise que se abate sobre o topo do Poder Judiciário não foi à toa. Um dos objetivos dos ministros é evitar que esse assunto termine resolvido pelo Senado Federal, num processo de impeachment. A avaliação geral é a de que esses processos são sempre traumáticos, do ponto de vista institucional e, além disso, haveria o risco de “abrir a porteira”, ou seja, depois de Alexandre de Moraes, que hoje encabeça a lista de pedidos, surgiriam novas investidas contra ministros do STF. E essa situação ninguém quer. É hora de a Suprema Corte resolver os seus problemas, antes que outros o façam.

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Vale lembrar/ No momento em que saiu o contrato entre o escritório da esposa de Alexandre de Moraes e o Banco Master foi sugerido aos ministros que resolvessem a crise internamente, de forma contundente para evitar que o STF continuasse exposto. Nada foi feito em termos de uma solução negociada. Agora, avaliam muitos, a saída para crise será traumática. Porém, melhor o STF agir do que deixar tudo a cargo do Senado.

A paternidade de Xandão

Com a eleição na ordem do dia, os petistas querem tratar de manter distância do ministro Alexandre de Moraes. Para isso, daqui para frente começarão a deixar claro em todas as oportunidades que Moraes foi para o STF por indicação do então presidente Michel Temer, que assumiu o governo logo depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Não votou, mas…

… saiu do foco. Mesmo sem levar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 ao plenário, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), conseguiu deixar de ser o grande vilão da não aprovação da matéria ao desengavetar o texto. Agora, o adiamento da votação será atribuído aos aliados do candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fizeram de tudo para atrapalhar a análise na CCJ e evitar a apreciação final. Há quem diga que esse movimento foi muito bem calculado como uma forma de limpar a imagem de Alcolumbre.

Saldo positivo

E com o fim da semana de esforço concentrado, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem três vitórias das cinco que tentou emplacar: aprovação dos projetos do Redata (sistema tributário de datacenters), minerais críticos e a isenção da taxa das blusinhas. E ainda poderão se vangloriar das votações das PECs do fim da escala 6×1 e da segurança pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Vai tudo para o horário eleitoral na tevê.

CURTIDAS

Deixem passar e foquem/ Dos Estados Unidos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro usou as redes sociais para defender o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que apareceu em áudios vazados pedindo favores ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Eduardo ainda pede nas entrelinhas que esqueçam o caso ou o financiamento do filme Dark Horse. A seus seguidores, pede foco contra Alexandre de Moraes, que “recebeu dinheiro do cliente”, no caso, Vorcaro.

Até aqui, sem explicações/ Em nenhum momento, Eduardo esclareceu onde foram parar os recursos que Vorcaro destinou ao filme da biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — aliás, inicialmente um repasse previsto quase que no mesmo valor do contrato com o escritório da mulher de Moraes.

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Por falar em Nikolas…/ Parlamentares de direita se mostram constrangidos ao comentar o áudio que o deputado Nikolas Ferreira (foto) enviou a Daniel Vorcaro. Mesmo em conversas reservadas, senadores e deputados evitam atacar diretamente Nikolas, mas demonstram desconforto e constrangimento ao responder que Vorcaro sabia como “encantar” e “corromper” excelências da República.

Campanhas solteiras/ Candidatos a deputados estaduais do PSD do Rio de Janeiro têm feito campanha casada apenas com Eduardo Paes, que concorre ao governo estadual. Para os demais cargos, o “santinho” distribuído aos eleitores vai em branco. Ou seja, o eleitor que decide em quem votará para presidente da República, senador ou deputado federal.

Com STF na roda, Vorcaro fica sem delação

Crédito: Caio Gomez
Publicado em 6x1, Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, Orçamento, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 4 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não decidir o que fará diante da crise aberta com as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro, qualquer perspectiva de delação premiada do ex-banqueiro ficará congelada. Entre subprocuradores, há quem considere que se Vorcaro, o empresário, quiser fazer uma delação premiada, não poderá proteger ninguém nem mirar num único alvo. Não dá para ele escolher quem será exposto e quem ficará à sombra. E nem dizer que não fez nada de errado no caso do BRB, conforme vem insistindo.

Por falar em Vorcaro…/ Muitos procuradores classificaram o último depoimento de Vorcaro à equipe do ministro André Mendonça, do STF, como uma tentativa de tirar da frente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Porém, o ex-banqueiro do Master não apresentou qualquer prova concreta contra o policial — apenas o fato de estarem em eventos. Vale lembrar que, nos idos de 2023 e 2024, o Master patrocinava seminários internacionais de think-tanks brasileiros, nos quais Andrei esteve entre os palestrantes. Daí a dizer que são “amigos ou próximos”, a distância é grande. Por essas e outras, a ideia é ir com muita calma. Vorcaro ainda é considerado um personagem perigoso, que tenta manipular a situação a seu favor. Até aqui, deu errado.

Moraes joga gasolina na crise

A decisão de Moraes contra Mendonça, acusando o ministro relator do caso Master de ilegalidades em operações — como a Compliance Zero —, aumenta a pressão sobre o presidente do STF, Edson Fachin. É ele quem deverá assumir o inquérito do banco de Vorcaro ou designar um ministro para fazê-lo. O gesto de Moraes é prova deque a guerra está longe do fim.

Os intranquilos

O STF reforçou a segurança da Corte desde o início da crise entre Moraes e Mendonça. Mais seguranças foram alocados no prédio principal, especialmente nas saídas e entradas da Corte. Moraes também reforçou a segurança pessoal. Fontes consultadas pela coluna disseram que o temor é de eventuais atos hostis mirando o Supremo em razão da repercussão do caso.

A Igreja se posiciona

Durante duas horas, os oito cardeais expuseram suas preocupações e opiniões sobre as eleições, no evento “Igreja e Política — Diálogo dos Cardeais do Brasil”, transmitido pela Rede Vida de Televisão. Com todo cuidado, todos deixaram claro que a Igreja não tem candidato, mas, sim, valores. E que é preciso respeito e propostas por parte daqueles que desejam governar o Brasil. Todos estão muito apreensivos com a agressividade e divisão do país neste pleito.

E a CMO, hein?

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) está parada desde antes do recesso parlamentar, em julho. Foi instalada apenas com o presidente, deputado Domingos Neto (PSDCE), e aguarda a indicação para os relatores da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA). O que se diz entre técnicos da CMO é que o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), ficará com a relatoria do Orçamento este ano.

CURTIDAS

O recado de Alcolumbre/ Tem nome e endereço o desabafo que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez no plenário esta semana. O primeiro foi para Carlos Viana (PSD-MG) que, enquanto era filmado por um integrante de sua equipe, cobrou “coragem” de Alcolumbre para pautar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. “Se eu fosse só mais um senador, ia falar muita coisa naquele microfone ali, inclusive para colegas nossos que se acham no direito de fazer um vídeo agredindo as pessoas para o assessor, ao lado, estar filmando para ganhar curtida na rede social e, talvez, para querer ganhar a eleição dia 4 de outubro”.

6 x 1 e os cálculos/ A base governista pretende votar o fim da escala 6 x 1em uma provável semana de esforço concentrado, entre o primeiro e o segundo turno. Na hipótese de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, será mais uma tentativa de levar a oposição ao desgaste de apostar contra uma medida que tem a chancela da maioria dos trabalhadores.

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

Onda Cury chega ao DF/ Os dois dígitos que Ronaldo Caiado (PSD) apresentava na pesquisa Correio/Opinião, no mês passado, aparecem agora redistribuídos entre ele e o candidato do Avante, Augusto Cury (foto) — que aparecena frente de Caiado. Os números do levantamento estão no site e impresso do Correio Braziliense.

Até aqui…/ Esta primeira semana de campanha eleitoral de rádio e tevê colocou Cury na terceira posição, mas não ao ponto de mexer totalmente no cenário onde predominam Lula e Flávio.

Colaborou: Renato Souza

Institucionalidade para ganhar tempo

Crédito: Kleber Sales
Publicado em 6x1, Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, PP, Senado, STF, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 3 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

As relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e o confronto com o ministro André Mendonça, ficaram fora da sessão do Supremo Tribunal Federal esta semana, num jogo combinado para mostrar que a Corte não deixará de cuidar das suas obrigações, apesar da crise que se abate sobre o topo do Poder Judiciário. O que se diz no STF é que se os temas viessem à tona no colegiado, sem combinação prévia, será a terceira guerra mundial. A ordem é esperar a poeira decantar e viver cada dia com sua agonia, enquanto o Supremo tenta juntar os cacos.

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Pés no chão/ O fato de adiar as decisões não significa apatia. Os ministros sabem que será difícil preservar todo o colegiado. E dada a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para avaliar os pedidos de impeachment contra ministros do STF — em especial Moraes —, a Corte tem plena consciência de que não pode mais desconhecer as relações entre Moraes e Vorcaro e de Vorcaro com outros. Sabe que terá que tomar atitudes, especialmente, diante das pressões para a renúncia de Moraes. O problema, agora, é buscar a melhor forma de sair dessa crise, preservando a instituição. Essa ferramenta ainda está em construção.

É só o começo…

Nos bastidores do debate do Correio Braziliense/TV Brasília com os candidatos ao Governo do Distrito Federal, o que mais se comentava eram as delações que vêm por aí. A prometida pelo dono da Reag, João Carlos Mansur, que geria fundos de investimentos relacionados a Vorcaro, é no atual momento a que tem mais potencial para “quebrar a banca”.

… e vem mais

A avaliação geral dos atores no DF é de que o ministro Mendonça se precipitou ao tratar das denúncias envolvendo o ministro Moraes. Porém, para que tenha feito isso, estava muito pressionado. E ameaçado.

Mais uma vaga no TCU

A Câmara dos Deputados deve indicar mais um deputado para o Tribunal de Contas da União, em novembro. Fontes ligadas ao TCU afirmam, em conversas reservadas, que o ministro Augusto Nardes deve se aposentarem 13 de novembro, antecipando a saída em um mês. O que se comenta é que a vaga será do Progressistas e o partido não descarta indicar o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (AL).

Planos eprojetos

Lira, porém, tem outros planos para 2027. É candidato ao Senado em Alagoas e, se vencer, não deixará os tapetes azuis para assumir uma vaga no TCU. O que Lira almeja, obtido o mandato de senador, é uma cadeira no clube que comanda a Casa.

CURTIDAS

Perguntem para o Flávio/ Parlamentares do PL não conseguem esconder a irritação quando alguém lhes pergunta sobre a prestação de contas do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Dark Horse. Afirmam que há uma prestação de contas e não comentam mais a atuação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro nessa busca por investimento junto a Daniel Vorcaro. O senador que se vire para responder.

Abstenção e vantagem/ Aliados de Flávio avaliam que dois dos três segmentos que apoiam majoritariamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua reeleição terão uma alta taxa de abstenção: os mais pobres e idosos. Com isso, a campanha projeta que os números das pesquisas não estão captando algo em torno de 3% a 4% a mais de intenções para o filho 01.

Visões diferentes/ Enquanto a oposição reclamava da falta de audiências públicas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para discutir o fim da escala 6 x 1, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), divergiu, citando um projeto do senador Paulo Paim (PT-RS) para o mesmo fim: “Fizemos duas audiências públicas no ano passado e só compareceram o autor, o relator e eu”, argumentou.

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Enquanto isso, no Rio de Janeiro…/ A esquerda fluminense está bem animada com a campanha no estado. Candidatos avaliam que, após as investigações que retiraram o ex-governador Cláudio Castro (foto) da disputa, o desempenho dos esquerdistas tem sido além do esperado. O campo projeta conseguir eleger a deputada Benedita da Silva (PT) ao Senado e equilibrar as cadeiras na Casa.

“Polarização pode fazer parte da vida, mas não pode conduzir ao ódio, a olhar ao outro como inimigo. O anormal é demonizar quem pensa diferente de você e ver o outro como inimigo” Dom Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, ao comentar a importância do debate Igreja e Politica — Diálogos dos Cardeais do Brasil, promovido pela Rede Vida de tevê, em parceria com outras emissoras católicas

A hora de Fachin assumir

Crédito: Kleber Sales
Publicado em 6x1, Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 2 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Quem entende do traçado e é do meio jurídico considera que somente o presidente do Supremo Tribunal Federal possui atribuições administrativas e competência jurisdicional para abrir sindicância contra um integrante da Corte, salvo se decidir delegar essa competência a outro colega. Isso significa que o ministro Edson Fachin, o comandante do Supremo, é quem tem hoje o poder de investigar o ministro Alexandre de Moraes ou indicar quem deve fazê-lo. Só tem um probleminha aí: a depender da avaliação de Fachin, o ministro André Mendonça perderia toda a relatoria do caso Master. E isso hoje, no STF, passaria a ideia de que querem barrara investigação. E diante de uma Suprema Corte tão desgastada, fica mais difícil.

Crédito: Kleber Sales

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Um problema para André/ Dentro da Justiça, o que se diz é que André Mendonça, ao esbarrar nos diálogos suspeitos envolvendo Moraes, deveria suspender todos os seus atos dentro do inquérito do Master e remeter tudo ao presidente do STF para adoção das providências administrativas e penais. Essa atitude caminha para transformar Fachin em relator de todo o inquérito do Master, salvo se entender que não há conexão entre os fatos ora encontrados em relação a um ministro e o objeto do inquérito do Master. Esse é, hoje, o cerne das discussões sobre o futuro do caso Master no STF. É hora de enfrentar esse tema que os ministros tentavam contornar, sem expor Moraes. Agora, não dá mais.

Moraes e a fritura do STF

Edson Fachin analisa instalar inquérito contra Moraes. Ele está para lá de preocupado e considera grave o que foi revelado sobre a relação entre o ministro e Daniel Vorcaro. O comandante da Suprema Corte não esperava tamanha crise sob sua gestão. Quanto antes o pleno decidir sobre o “caso Moraes” — é assim que os ministros se referem às denúncias —, menos a crise se arrasta.

Um Sete de Setembro contra Moraes

A oposição espera aproveitar essas denúncias contra o ministro Moraes como um chamamento para o Sete de Setembro na Avenida Paulista. Só tem um probleminha: com a revelação de outros repasses de dinheiro de Vorcaro para o filme Dark Horse, além do que havia sido divulgado até agora, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também terá que se explicar. Afinal, os repasses foram feitos a pedido do presidenciável e, até agora, não há a certeza deque esses valores foram mesmo parar na produção do longa-metragem.

E os valores só crescem

A revista Piauí trouxe à tona mais um repasse ao filme, o que eleva de US$ 10 milhões para US$ 12,3 milhões os valores repassados a um fundo de investimentos para a produção.

Senado esvaziado

Com o caso Vorcaro voltando a esquentar o clima seco de Brasília, os senadores começam a retornar mais cedo do que estava previsto. Afinal, são duas frentes: uma que trata do caso Alexandre de Moraes e outra sobre o financiamento do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

Causa e consequência

Com as denúncias, as chances de votação de projetos importantes são remotas. Os avisos de que muitos voltarão aos estados ainda na manhã de hoje acendeu um alerta vermelho para a base do governo Lula. São duas propostas de emenda constitucional (PECs) e uma série de medidas provisórias que precisam ser votadas ainda esta semana. Além disso, as PECs têm de ter quórum qualificado e registro de presença no plenário da Casa.

CURTIDAS

Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

Haja pressão/ O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), conversou com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), reforçando o pedido para que não votasse a PEC do fim da escala 6 x 1 no plenário hoje. Marinho espera que Alcolumbre mantenha o que foi dito anteriormente — que não haveria apreciação da matéria antes das eleições.

Falte, mas responda por isso/ O relator da PEC do fim da escala 6 x 1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Omar Aziz (PSD-AM, foto), foi direto: “Quem faltar à sessão é porque não quer votar o fim da 6 x 1. E a imprensa vai mostrar quem são”.

As diferenças só cresceram/ Em agosto de 2025, os ministros Moraes e Mendonça foram destaque no Forum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro. Ali, Mendonça foi contundente ao dizer que “o Estado de Direito fortalecido demandava uma autocontenção do Poder Judiciário”. No mesmo evento, ao falar ao final, Moraes disse “juiz que não resiste à pressão que mude de profissão”. Se já estavam em campos opostos lá atrás, agora, então, é que o caldo entornou de vez.

E agora…/ Vejamos como estarão daqui a um ano, depois de divulgada no inquérito uma frase, dita pelo ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, Fábio Faria, a Daniel Vorcaro, referindo-se a um contrato do ex-banqueiro com o escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci: “O careca não pode atrasar”.

Colaborou Renato Souza

R$ 7 bilhões “perdidos”

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Lula, Orçamento, Política, PT, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Assim, deputados classificaram a decisão do governo de remanejar os recursos das emendas para outros programas. Esses R$ 7 bilhões estão dentro dos 30% que o Poder Executivo pode mudar de lugar e, portanto, conforme avaliação do deputado Claudio Cajado, da Comissão de Finanças e Tributação, “não é passível de anulação por derrubada de veto”. Logo, 63,6% dos recursos que Lula tirou das emendas para atender os programas sociais, os deputados não conseguirão recuperar. A revolta no Congresso é grande. E o ano está apenas começando.

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Pediu, agora aguenta/ Os deputados consideram que esse remanejamento é para compensar a execução de 65% das emendas até junho, de forma a irrigar as prefeituras antes do período oficial de campanha. O governo prometeu liberar, mas cobrou um pedágio.

Vai ser arrastão

A liquidação da Reag, empresa gestora de investimentos ligada ao caso Master, é vista no mercado financeiro como um sinal de que o Banco Central não deixará de pé quem estiver ligado com o banco de Daniel Vorcaro. É uma resposta também àqueles que dizem que o BC demorou a investigar e parar as negociações do banqueiro.

Façam suas apostas

Em conversas muito reservadas, parlamentares afirmam que, ao escolher até os peritos que terão acesso aos documentos apreendidos nas diversas fases da Compliance Zero, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli está tentando proteger alguém. Na avaliação de congressistas, ao criticar a agilidade da PF na apuração do caso, pedir a custódia de provas à PGR e definir os peritos para analisar a papelada, das duas uma: ou Toffoli quer evitar que alguns nomes apareçam ou o vazamento das provas antes da hora para os acusados. O ministro até hoje não veio a público falar sobre suas intenções.

E o Bolsonaro, hein?

A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Papudinha foi fruto da reclamação da família sobre as instalações. Agora, ninguém na família esperava que o ministro Alexandre de Moraes fosse enviar o ex-presidente para a Papudinha.

A ofensiva vai continuar

A esquerda não se esqueceu das acusações sem provas que os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Gustavo Gayer (PL-GO) fizeram sobre o presidente Lula. Nikolas postou uma foto feita por inteligência artificial onde Lula era preso por oficiais norte-americanos e pedia que os Estados Unidos prendessem o presidente brasileiro. O abaixo-assinado na internet para a cassação do mandato de Nikolas, por exemplo, já conta com mais de 145 mil assinaturas.

CURTIDAS

Crédito: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

Cara a cara/ Depois do embate entre a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o pastor Silas Malafaia por causa da lista de pedidos de convocação de representantes de igrejas supostamente envolvidas nos desvios do INSS, o deputado Rogério Correa (PT-MG) decidiu entrar em cena. Ele quer chamar Malafaia para uma acareação com Damares Alves.

Ajudem aí/ Deputados de Brasília receberam pedidos de emendas para pagamento de folha de forças se segurança do DF. Nos bastidores, é dito que esse é um sinal de que dificuldades virão nas contas do GDF ao longo de 2026.

Sem chance/ A turma do Progressistas de São Paulo começa a soltar aos quatro ventos que o governador Tarcísio de Freitas (foto) deveria dar uma prova de apreço a Flávio Bolsonaro sendo seu… vice. Não colou.

Objetivo velado/ Na verdade, um grupo do PP quer é que Tarcísio deixe o governo paulista para liberar a vaga a um nome deles. O que se diz no Republicanos é “nem pensar, eles que lutem”

O morde-assopra de Hugo Motta

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 10 de dezembro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Kleber Sales

Os ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que se reuniram com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (UNião-AP), ficaram para lá de irritados com os dois, pois não foram avisados sobre a votação, esta semana, do projeto que reduz as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Agora, muitos desses ministros não têm mais dúvidas de que Motta escolheu marchar ao lado dos conservadores daqui para frente. Ainda que tenha acertado votar a proposta que reduz os benefícios fiscais, não dava para não avisar da votação do texto da dosimetria das penas.

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Quem manda/ Líderes relataram à coluna que Motta teve um momento de destempero durante a conversa sobre a proposta de dosimetria. O deputado gesticulava irritado, batia na mesa e, conforme relatos, teria dito: “É isso mesmo, vai ser assim, cansei de ser criticado sozinho. A decisão é minha e não vou voltar atrás” — frisou, ao comunicar que o projeto de dosimetria entraria na pauta. É nesse clima que os líderes se aproximam da virada do ano.

Na calada

Com o texto em mãos há mais de duas semanas, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), estudou a proposta de dosimetria de Paulinho da Força (Solidariedade-SP). A pena de Jair Bolsonaro pode ser reduzida de 27 para 20 anos com progressão para somente dois anos e três meses em regime fechado. O PL teria sido repassado, também, ao ex-presidente.

Cardápio

A dosimetria, aliás, foi pauta no jantar do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o PP e o União Brasil, na segunda-feira à noite. É a forma de a direita começar a se reaglutinar para tentar fechar uma candidatura que tenha mais poder de atração. No caso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Motor

As apostas na política são de que o contrato entre o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, servirá de combustível para a proposta da dosimetria das penas.

Aqui não

Em conversas reservadas, parlamentares relataram à coluna que o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), apelou a Motta para designar um relator que mudasse o texto do devedor contumaz e, assim, obrigasse a uma nova votação no Senado. O plano de Ciro era segurar a matéria e adiar a apreciação. Contudo, o plano não deu certo devido à megaoperação contra o grupo Refit, suspeito de sonegar impostos no setor de combustíveis.

Influência

A turma que pretendia segurar a proposta esperava que a bancada do Rio de Janeiro ajudasse nessa tarefa. Mas, ontem, estava tudo programado para aprovar o texto do senador Efraim Filho (União-PB), não correr risco de atrasos e dar uma reposta aos devedores contumazes.

CURTIDAS

Finge que não houve/ Além do corte do sinal da TV Câmara e a retirada de todos os jornalistas, fotógrafos de alguns parlamentares foram obrigados a apagar as fotos do depuitado Glauber Braga (PSol-RJ) sentado à Mesa Diretora da Câmara (foto). Mas a coluna estava lá, assim como a deputada Jack Rocha (PT-ES), que conversou com Glauber.

Faltou “equilíbrio”/ O presidente da Câmara tem repetido em todas as entrevistas a palavra “equilíbrio” para retomar as votações na Casa. Negou que tenha pedido a retirada dos jornalistas do Plenário, mas vários parlamentares e jornalistas terminaram agredidos. Há muito tempo isso não ocorria na Casa.

A internet não perdoa/ Assim que começaram a circular as imagens da confusão na Câmara, os internautas fizeram circular posts com a imagem de Motta com dizeres do tipo “traidor” — e por aí vai.

Onde mora o perigo/ A preços de hoje — e se não ajustar sua atitude —, Motta terá dificuldades de se reeleger presidente da Casa. Está difícil manter o “morde-assopra” que ele tem feito com governo e oposição. Mas essa história começará a ser construída quando o futuro presidente da República estiver eleito.

“Respeito se dá pela independência do Judiciario”, diz Moraes após discurso de Mendonça no LIDE

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Por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes também compareceu ao 24º Fórum Empresarial LIDE no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (18). Moraes encerrou o evento e afirmou que o respeito ao Poder Judiciário se dá pela sua independência e afirmou que resistirá aos ataques que vierem de dentro ou de fora do Brasil.

Crédito: Evandro Macedo LIDE

“Só um poder judiciário independente é respeitado. O respeito se dá pela independência. Um judiciário vassalo, covarde, que quer fazer acordos para que o país momentaneamente deixe de estar conturbado, não é um judiciário independente. E o judiciário no Brasil é um judiciário independente. O judiciário que não é independente não tem o direito de ser chamado judiciário. Eu posso garantir aos senhores e às senhoras que no Brasil o judiciário é independente e é corajoso. Os ataques podem continuar a ser realizados de dentro ou de fora. Pouco importa o juiz que não resiste à pressão, que mude de profissão e vá fazer outra coisa na vida. O judiciário cresce com a pressão, porque a função do juiz é julgar e decidir, manter a democracia e o estado de direito”, declarou Moraes.

O ministro também deixou de falar sobre os ataques nas redes sociais e citou as Big Techs. “Não se pode atentar contra a democracia. A liberdade é com responsabilidade. Quem não quer ter responsabilidade é porque não tem coragem de assumir os seus atos. E no Brasil, nós mantivemos, e nós que eu digo é a sociedade brasileira, nós mantivemos firmes os três pilares das democracias ocidentais. A imprensa vem sofrendo ataques incessantes, a imprensa livre, tradicional, séria, vem sofrendo, há anos, de direcionamentos pagos pelas Big Techs, mas a imprensa livre, que é pilar da democracia, permanece firme”, ressaltou.

Dever do Judiciário

Alexandre de Mores aproveitou também para abordar a questão da insegurança jurídica que o Brasil tem sofrido ao julgar liminares no campo empresarial. “Aqui o judiciário deve fazer uma mea-culpa. Há necessidade de reformas, mas não só legislativas, reformas no funcionamento do Poder Judiciário. Não é possível, e eu digo isso com absoluta tranquilidade, que a cada empreendimento haja um inquérito civil e, eventualmente, uma liminar e que ela demore anos para ser julgada e os investimentos fiquem parados. Não importa se está certo ou errado o investimento. Importa que nós temos que alterar o funcionamento do Judiciário para que se resolva. Logo, você quer construir uma empresa, vai gerar milhares de empregos, milhões em impostos, desenvolvimento, e aí vem uma liminar e para julgar leva dois, três, quatro anos. Quem vai investir no Brasil assim? Então, a segurança jurídica é um grande desafio, mas que nós vamos avançar”, garantiu o ministro.

8 de Janeiro

Alexandre de Moraes também abordou em seu discurso a tentativa de golpe de Estado cometida em 8 de janeiro de 2023. Para o ministro, a polarização política que o Brasil vive impediu que o povo comemorasse a resistência da democracia. “Neste momento em que nós estamos, um momento que, se não fosse essa odiosa polarização ideológica, infelizmente muito capitaneada pelas redes sociais e pelo ódio que se destila nas redes sociais, todos os brasileiros, independentemente da posição política, de direita, de esquerda, de centro, liberal, progressista, conservador — todas as posições são razoáveis e respeitáveis —, se não fosse essa odiosa polarização, repito, insuflada pelo ódio das redes sociais, todos os brasileiros deveriam estar comemorando que o Brasil resistiu a ataques. O Brasil passou nesses 35 anos por diversas provações e chegamos hoje, em 2025, como estado democrático de direito, com a imprensa livre e com eleições. Daqui a um pouco mais de um ano teremos novas eleições e com Judiciário independente”, destacou o ministro.

Crédito: Evandro Macedo LIDE

Sistema eleitoral brasileiro

O magistrado do STF também elogiou e exaltou o sistema de urnas eletrônicas do Brasil e pelo sistema eleitoral, que promove a cada dois anos eleições livres. “O Brasil dá um exemplo ao mundo. A cada dois anos, nós temos eleições. De dois em dois anos, ou nós elegemos os nossos representantes gerais ou os locais, tanto do Legislativo quanto do Executivo. E é o único país do mundo que, com 158 milhões de eleitores, em pouquíssimas horas, dá o resultado das eleições. Nós não deixamos, enquanto sociedade, e aqueles que viveram sob a ditadura sabem isso, não podemos deixar que retirem das brasileiras, dos brasileiros, esse orgulho. Quem ganhar assume, quem perder tenta daqui dois ou quatro anos. Isso é democracia, isso é liberdade com responsabilidade”, defendeu Moraes.

*Enviada especial