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Coluna Brasília-DF publicada na sábado, 29 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza
Na rodada de entrevistas realizada pelo Jornal Nacional, o candidato Renan Santos (Missão) defendeu que o Brasil precisa de uma bomba atômica para se fazer respeitado — ou temido? — pelas demais potências mundiais. Para uma declaração desse porte, convém fazer dois reparos.
O primeiro: seria preciso mudar a Constituição brasileira, que determina o uso de energia nuclear apenas para fins pacíficos. O segundo: não há possibilidade de os Estados Unidos permitirem um programa nuclear militarizado em um país vizinho que mantém relações amistosas com a China e a Rússia.
De todo modo, o fortalecimento militar do Brasil não constitui um disparate. Pelas dimensões que possui e em razão das ameaças externas e internas ao território nacional, é pertinente ampliar o poderio militar do país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou essa necessidade recentemente, ao comentar que é preciso “preparar o país não para a guerra, mas para a paz”.
O problema é ter um orçamento para executar tal tarefa. Na realidade fiscal de hoje, essa possibilidade simplesmente não existe.
Aécio na área
Com a decisão, divulgada ontem, de disputar a corrida eleitoral para o Senado por Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB-MG) deixou a disputa mais embaralhada. Ele diz que cedeu à pressão do partido, de empresários e de lideranças regionais para voltar às urnas. A mudança de nome dos partidos é permitida até 15 dias antes da eleição.
Concorrentes
Segundo as pesquisas de intenção de voto, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) lidera a disputa para o Senado. A segunda vaga tem como postulantes Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL) e Marcelo Aro (PP), entre outros.
Plano B
A reviravolta com a candidatura de Aécio veio na sequência dos rumores, no início da semana, de que outro mineiro poderia mudar a rota eleitoral: Romeu Zema, candidato do Novo ao Planalto. Nos bastidores, comenta-se a possibilidade de ele optar por concorrer ao Senado aos 45 do segundo tempo.
E o Fundo Eleitoral, hein?
Perto de R$ 5 bilhões, o Fundo Eleitoral é insuficiente para bancar o teto das candidaturas a todos os postulantes a cargo público. E a insatisfação começou a ganhar voz. No Rio Grande do Norte, o candidato a deputado estadual Ivan Baron — que subiu a rampa durante a posse de Lula, em 2023, representando os brasileiros com deficiência — recebeu apenas R$ 24 mil para a sua campanha.
Esquece isso aí
Está em declínio a ideia de aprovar um projeto de lei ordinária que regulamentaria as jornadas especiais de trabalho após a aprovação do fim da escala 6 x 1. Parlamentares ouvidos pela coluna explicam que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) já prevê redefinições de jornadas pelas convenções trabalhistas e ressaltam que foi por causa de uma demanda dos empresários que essa possibilidade foi resguardada.
Caso a caso
Há quem diga que, se algum setor não conseguir se ajustar por meio de convenção, seria o caso do Congresso de se debruçar sobre a dificuldade e aprovar eventuais ajustes. Dois setores podem precisar dessa revisão: telesserviço e jornalismo, por terem apenas 30 horas em seis dias, mas que reduzirá para 25 horas em cinco dias caso a PEC do fim da escala 6 x 1 seja aprovada.
Isonomia entre os produtos
Para agradar o setor, é possível que a relatora da medida provisória da taxa das blusinhas, Leila Barros (PDT-DF, foto), insira no texto uma conformidade entre produtos brasileiros e estrangeiros. Ou seja, os comprados pelas plataformas terão de passar pelas mesmas exigências de produção, fiscalização e autorização que os nacionais — como, por exemplo, produtos que precisam de aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É uma sugestão para facilitar o consenso com a indústria brasileira.
Sob nova direção
O ex-secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e ex-presidente do Sebrae Nacional Sérgio Moreira assume a direção de Operações e Projetos do Instituto Amazônia 21. A iniciativa é da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e das Federações da Indústria da Amazônia Legal.
Madeira nobre
Um dos programas que estarão sob a gestão de Sérgio Moreira é o Morar Amazônico. A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a Caixa Econômica Federal, por meio do Fundo Socioambiental Caixa (FSA). O objetivo é provar que a indústria sustentável da madeira nativa manejada pode contribuir para soluções habitacionais de interesse social e fortalecer a cadeia produtiva da construção civil.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 27 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A conversa entre Lula e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vem sob encomenda para dar à campanha do petista um mote que o tire dos assuntos espinhosos, como as suspeitas que envolvem o filho mais velho em tráfico de influência, e as dificuldades que o país atravessa na seara econômica. Para completar, a foto dos três juntos em prol de projetos que regulamentam minerais críticos, taxa das blusinhas e outras matérias bem vistas pela população foi lida no meio político como um ponto que coloca Lula na posição de um líder que dialoga com outros partidos em benefício do povo. Ainda que não consiga aprovar tudo na semana de esforço concentrado, terá engatilhado o discurso das “entregas”.
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Discurso e receita/ As pautas que serão votadas na semana de esforço concentrado, a partir da próxima segunda-feira, tratam das maiores bandeiras defendidas por Lula: direitos da classe trabalhadora e a proteção da soberania do Brasil. Contudo, nem só de discurso vive o governo do petista. A regulamentação do regime tributário de datas centers, o Redata, deve atrair R$ 500 bilhões em investimentos, assim como a política nacional de minerais críticos, que deve somar R$ 192,1bilhões ao PIB brasileiro até 2050 — segundo estudo da Amcham Brasil. Uma injeção de recursos em um orçamento deficitário.
Dark Horse, a incógnita
Integrantes da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) têm dito que os valores de distribuição do Dark Horse, o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro, periga inviabilizar a exibição do longa-metragem nos cinemas brasileiros. Por enquanto, o que se sabe até agora é que custou, pelo menos, US$ 13,3 milhões. Porém, a produtora ainda não apresentou o contrato com Daniel Vorcaro, que teria financiado R$ 61 milhões. Por essas e outras, aquela ideia de lançar o filme em setembro, em plena campanha eleitoral, ainda está pendente.
Hora das contas
A equipe econômica do governo trabalha para fechar o Orçamento e enviá-lo ao Congresso na próxima segunda-feira. A dificuldade está em “fechar as contas”. A percepção de muitos, nos bastidores, é de que haverá deficit tanto em 2027 como em 2028. Nem mesmo o valor do salário mínimo, já adiantado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, de R$ 1.741, está acertado, uma vez que depende da inflação fechada para realizar o cálculo.
Fuga da polarização
Flávio Bolsonaro deve ficar sem o palanque de Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. A missão do ex-governador é se eleger e, ainda que seu partido esteja coligado ao PL, a estratégia em curso é ignorar a disputa presidencial e, assim, tentar buscar os votos de petistas e bolsonaristas. A avaliação dos aliados do tucano é de que, ao ficar distante de Flávio, a campanha tira o único argumento dos petistas contra Ciro: dizer que o ex-governador estaria alinhado a Jair Bolsonaro.
Por falar no Ceará…
O deputado Mauro Benevides Filho (União-CE) foi retirado da vice-liderança do governo da Câmara dos Deputados após políticos do Ceará dizerem a Lula que o parlamentar deixava eleitores confusos. Benevides já declarou, mais de uma vez, o voto em Lula nesta eleição, mas é aliado e coordenador econômico de Ciro Gomes no Ceará. Para petistas, essa posição ambígua de Benevides é prejudicial para a campanha do atual governador, Elmano de Freitas (PT), porque estaria retendo o crescimento dele nas pesquisas.
CURTIDAS
Dois tons…/ O discurso de Hugo Motta no Alvorada foi na linha daquilo que os petistas queriam: falou da conversa entre eles como algo que “o Brasil precisa”. Para muitos políticos, ficou subentendida a necessidade de manter essa configuração.
… de vermelho/ Embora tenha reclamado do pouco tempo para os senadores analisarem as medidas provisórias, Alcolumbre fez questão de elogiar Lula como alguém que sabe rever decisões e ajustar rotas.
Presença em causa própria/ Ao participar apenas do culto de 111 anos da Assembleia de Deus em Alagoas, Arthur Lira (PP-AL) fez seu próprio cálculo — e não se deveu à presença de Flávio Bolsonaro. Embora em política as coincidências passem longe, o ex-presidente da Câmara dos Deputados considerou que não podia ficar fora da festa, ainda mais porque queria aproveitar para vincular o aniversário ao seu número para o Senado na urna eletrônica.
Por elas/ O IDP promove, amanhã, às 10h, em São Paulo, mais um debate. Desta vez, o tema é “Proteção das mulheres no ambiente digital e o novo dever de cuidado das plataformas”. A moderação será da coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Renata Mielli (foto). O painel conta com a participação do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva; da gerente de Relações Governamentais e Políticas Públicas no Google, Flávia Annenberg; da gerente de políticas públicas da Meta, Mag Kang; e da diretora-executiva do InternetLab, Fernanda Campagnucci.
Colaborou Rosana Hessel
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 26 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A decisão do senador Omar Aziz (PSD-AM) de apresentar seu parecer sobre o fim da escala 6 x 1 sem alterações levará os congressistas a se posicionarem sobre a proposta, expondo aqueles que são contra. Mesmo que a votação fique para depois das eleições, a avaliação geral é de que ninguém poderá se esconder sobre esse tema nesses 38 dias que antecedem o pleito. E dará discurso para o horário eleitoral gratuito, a partir da semana que vem.
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Narrativas em construção/ A ideia é deixar subentendido que, quem estiver contra a proposta agora, não aprovará projetos de interesse dos trabalhadores no futuro. Se a estratégia vai funcionar, ainda não se sabe. Afinal, são 38 dias em que, dizem os especialistas em pesquisas, nenhum candidato está livre de ser atropelado por fatores que podem jogar por terra qualquer plano de conquista de votos. Com o filme Dark Horse ainda fustigando Flavio Bolsonaro e o filho do presidente Lula, o Lulinha, deixando o pai na defensiva, os líderes das pesquisas não terão céu de brigadeiro até 4 de outubro.
Outra polêmica
Paralelamente à escala 6 x 1, estará em discussão a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública. O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), vai manter o texto aprovado pela Câmara dos Deputados a fim de acelerar a tramitação. Ele tentará votar a PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima semana, de forma a buscar a apreciação no Plenário ainda na semana que vem.
Renovação de promessa
A criação do Ministério da Segurança Pública, promessa do governo Lula que ainda não foi cumprida, está condicionada à aprovação da PEC relatada por Rogério Carvalho. Aliados avaliam que a votação seria positiva para a campanha do presidente e reforçaria o discurso de combate ao crime organizado no período eleitoral.
E em São Paulo…
…nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada ontem, mostra empate entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno da eleição, ambos com 30%. Na pesquisa realizada no fim de julho, o filho 01 de Jair Bolsonaro apresentou 34% na capital paulista, enquanto o petista, 30%. O resultado é comemorado pela campanha do presidente, uma vez que São Paulo é o maior colégio eleitoral do Brasil e, muitas vezes, um laboratório sobre o que ocorre no restante do país.
Na incerteza…
…não ultrapasse. Nem o candidato a governador de Alagoas pelo PSDB, João Henrique Caldas, o JHC, nem o candidato ao Senado, Arthur Lira (PP-AL), compareceram ao evento de Flávio Bolsonaro em Maceió. Sinal de que nenhum dos dois alagoanos, opositores do senador Renan Calheiros (MDB), deseja brigar com Lula ou apostar todas as fichas num candidato que é dúvida entre os nordestinos.
CURTIDAS
Vai ser assim/ Onde for bom para o candidato a governador, a campanha presidencial será colada. Onde não for positivo para quem concorre a um governo estadual, cada político fará sua campanha e o presidenciável que se vire. Independentemente de partido.
Lula, Mourão e o diálogo/ Na solenidade do Dia do Soldado, o presidente aproveitou para conversar com o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS, foto). O presidente pediu e obteve um sinal positivo do ex-vice-presidente do governo Bolsonaro para um voto favorável à proposta que trata da exploração de minerais críticos. Mourão não vota em Lula, mas não negou um cumprimento ao comandante em chefe das Forças Armadas. Na democracia é assim que se faz.
Nem na Lava-Jato/ A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, oficializou representações, externando a preocupação com vazamentos que considera “seletivos”, a respeito da investigação do primogênito de Lula. O advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, afirmou que nunca viu algo parecido. “Não tem precedentes, nem na história da finada Operação Lava-Jato. Precisamos tirar o rosto do processo. Se acontece algo assim com o filho do presidente, quem dirá o que pode ocorrer com outro cidadão qualquer”, critica. As representações foram enviadas ao Ministério da Justiça, à Polícia Federal e aos ministros Flávio Dino e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Na cobrança/ A defesa de Lulinha permanece pressionando as autoridades competentes sobre a apuração dos inquéritos instaurados para apurar os vazamentos do caso. As informações que têm sido divulgadas preocupam não só os advogados de Fábio, como o entorno da campanha de Lula — ainda mais às vésperas do início do horário eleitoral no rádio e televisão.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 25 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito
Para os problemas da democracia, mais democracia. Essa máxima está cada vez mais distante do que se vê nesta campanha eleitoral, marcada por candidatos que falam muito para seus seguidores, mas se recusam a confrontar argumentos contrários. Nesta etapa a caminho do primeiro turno, permanece a estratégia de evitar críticas diretas de outros concorrentes ao cargo público.

Trata-se de um paradoxo. Os postulantes a um cargo público rejeitam a possibilidade de passar por situações que possam deixá-los em má situação com o eleitorado. Com exceção de quem já decidiu o voto, é de se perguntar por que alguém confiaria um mandato para um candidato que nem sequer dá as caras em momentos relevantes.
Ao justificar a ausência, Flávio Bolsonaro afirmou que o adversário com quem pretende debater é o candidato à reeleição. Lula, por sua vez, lamenta a suposta baixa qualidade dos presidenciáveis, treinados para lacrar na internet. É uma lástima os dois não terem apresentado esses argumentos ao vivo e em cores.
Apatia
Especialistas avaliam que as faltas no primeiro debate presidencial podem se tornar uma tendência caso os eleitores não se incomodem com as ausências. “Se a ausência não custar votos, as cadeiras vazias podem se tornar cada vez mais comuns”, alerta o cientista político Murilo Medeiros.
Debate à la carte
Para ele, “o risco é consolidarmos uma espécie de ‘debate à la carte’, em que os candidatos escolhem quando participar, em qual emissora comparecer e, sobretudo, com quem estão dispostos a debater. Quem perde é a democracia, com presidenciáveis cada vez menos expostos ao contraditório”, acrescenta.
Amazonas na 6×1
O estado do Amazonas está representado em peso no debate sobre o fim da escala 6×1. Relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça, o senador Omar Aziz (PSD) acredita que a Casa não modificará o texto proveniente da Câmara dos Deputados. Já o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga, pediu uma audiência com representantes dos trabalhadores e dos setores mais afetados. Braga e Aziz concorrem juntos no Amazonas: o líder do PSD disputa a eleição para governador; o emedebista busca a reeleição.
E as blusinhas, hein?
Em 1º de setembro, senadores e deputados deverão escolher um presidente e relator para a medida provisória que suspende a taxa das blusinhas na Comissão Especial. Por enquanto, três nomes estão em cena: Reginaldo Lopes (PT-MG), Jadyel Alencar (Republicanos-PB) e Rodrigo Valadares (PL-SE).
Caixa vazio
A ação de questionamento do PT sobre o Fundo Eleitoral, que só foi extinta pela Justiça Eleitoral recentemente, deixou muitos candidatos sem dinheiro logo na primeira semana de campanha. Alguns conseguiram se virar com valores do Fundo Partidário, mas a maioria recorreu às doações para viabilizar os primeiros compromissos.
Combustível
Com a liberação dos R$ 2,3 bilhões que estavam travados, parlamentares se preparam para acelerar as campanhas. Sem o dinheiro, nem mesmo trabalhar nas redes sociais estava sendo possível. Não havia como pagar impulsionamento nem equipe para essa função.
Justiça comum
A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha (foto), defendeu, ontem, que casos de violência doméstica contra mulheres das Forças Armadas sejam julgados pela Justiça comum, e não pela Justiça Militar. A magistrada alertou que o ordenamento jurídico civil oferece instrumentos de proteção às mulheres que não estão previstos na Justiça Militar.
Maria da Penha
A ministra Maria Elizabeth tratou do tema em evento promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Rio de Janeiro, por ocasião dos 20 anos da Lei Maria da Penha. As participantes debateram maneiras de aprimorar a legislação no enfrentamento da violência contra a mulher.
O homem dos números
Esta semana, o candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) vai anunciar quem será o ministro da Fazenda, caso vença a eleição em outubro. Um dos colaboradores do presidenciável é o ex-secretário de Orçamento do Ministério do Planejamento Paulo Bijos. Ele deixou o governo Lula em 2024. À coluna, o consultor afirmou que auxilia no programa econômico de Renan como cidadão. No partido, Bijos será bem-vindo para integrar a equipe no Ministério da Fazenda, se assim desejar.
Desafio nas redes
Um desafio no combate à desinformação nas eleições é a eficiência para retirar do ar fake news e conteúdos irregulares. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) executa a tarefa de derrubar páginas na internet, mas depende de uma decisão judicial. Esse intervalo, que corresponde a uma eternidade no universo das redes sociais, preocupa especialistas.
*Coluna Brasília-DF publicada neste sábado (22/8) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito

Os percalços eleitorais do presidente Lula vão muito além do caso em que o seu filho, Lulinha, é investigado por tráfico de influência. Se essa nuvem escura se mantiver desgastando a campanha mais à frente, a ponto de refletir na decisão do eleitor em um possível segundo turno, será um problema a mais para levar o cidadão brasileiro a ir votar na segunda rodada. As contas dos especialistas em pesquisas apontam que nos estados mais populosos do Nordeste, região em que Lula tem vantagem, a eleição pode ser decidida em primeiro turno. Estão nessa lista Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco e Piauí, ou seja, algo em torno de 75% dos nordestinos, conforme exposição do CEO da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, no 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro.
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Pau que bate em Chico, bate em Francisco/ Enquanto o CEO da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, acredita que Flávio Bolsonaro terá a vantagem nessa situação, o CEO da Atlas, André Roman, alerta que, se a abstenção for alta no primeiro turno, isso pode favorecer Lula, por causa do desinteresse dos eleitores mais à direita: “No segundo turno, o Flávio leva vantagem, mas sempre existe a possibilidade de a eleição acabar no primeiro turno por causa da abstenção maior entre eleitores da direita. Também precisamos lembrar que Lula está no patamar de 48% de votos válidos em muitas pesquisas. Então, dependendo da taxa de participação que você assume entre eleitores da direita de forma geral, ele poderia ter uma chance a partir da abstenção no primeiro turno”, argumentou Roman.
Coincidência…
Logo depois de a financista Daniella Marques, coordenadora do projeto de economia de Flávio Bolsonaro, referir-se à proposta de fim da escala 6×1 como “populista e inócua”, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), escolheram os relatores das propostas de emendas à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 e da segurança pública.
… em política
As falas de Daniella Marques deixaram muita gente no Senado com o receio de que o projeto seja retirado se Flávio Bolsonaro for eleito presidente da República. Por isso, a ordem é correr. Omar Aziz vai conversar com os senadores na próxima semana. A ideia é apresentar seu parecer na semana de esforço concentrado a partir de 31 de agosto. Aziz é favorável ao fim da escala 6×1 e à transição de 60 dias após a promulgação aprovada pela Câmara dos Deputados. Falta combinar a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário.
E as bets, hein?
No 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, o presidente do conselho do grupo Petz/Cobasi, Sérgio Zimerman, foi intensamente aplaudido ao pregar a proibição de 100% de propaganda para as bets, tal e qual o cigarro. E foi além. O consumo paga um imposto de 35% enquanto as bets recolhem 15% de impostos. Logo, o governo deixa de arrecadar mais com o dinheiro que deixa de ir para o consumo e vai para as apostas on-line.
Misoginia, não!
Coordenadora do programa de governo de Flávio Bolsonaro, a financista Daniella Marques foi direta ao mencionar o projeto de lei da misoginia que tramita no Congresso. “Não acredito nesse tipo de lei. Não é com discurso hipócrita e leis inócuas que a gente fica protegida. Já existem leis para ofensas e agressões, e a gente precisa é que sejam efetivas.”
Ganha-ganha/ Os relatores do fim da escala 6×1, Omar Aziz, e da PEC da Segurança, Rogério Carvalho (PT-SE), têm agora a chance de ganhar projeção com temas que calam fundo na vida do cidadão comum. Aziz é candidato a governador, e Carvalho, à reeleição.
Vale para todos/ No 25º Fórum Empresarial Lide, ontem, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu os sigilos das investigações e dos processos de casos em andamento. A defesa da proteção das informações vem após uma série de vazamentos sobre o caso do filho do presidente Lula, o Lulinha, investigado por suspeita de tráfico de influência. Vale também para o caso do financiamento do filme Dark Horse, dinheiro pedido por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro. Na plateia, alguns atentos empresários afirmavam que à luz do sol, porém, é um bom meio de se conhecer pessoas e situações.
Chave de ouro/ Ao fim do evento no Rio de Janeiro, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) recebeu uma homenagem do fundador do Lide, João Doria, e do chairman, João Doria Neto. O parlamentar foi incisivo ao reforçar seu projeto de fim da reeleição; na visão dele, uma proposta pendente para terminar a reforma política. Pacheco não estará no Senado no ano que vem, mas considera importante colocar esse tema na roda em 2027.
A volta aos poucos/ Anfitrião de quase todos os seminários de think-tanks no Rio de Janeiro em 2024 e 2025, quando era governador do estado, Claudio Castro fez questão de comparecer ao encerramento do 25º Fórum Empresarial Lide. Na plateia, acompanhou atentamente a homenagem ao senador Rodrigo Pacheco. Castro, entretanto, faz questão de se manter à margem das discussões políticas. Amigos comentam que ele tem se dedicado à advocacia e à consultoria.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Os economistas ligados ao governo Lula — em especial, o ministro da Fazenda, Dario Durigan — começaram um périplo junto ao setor privado e ao mercado financeiro no sentido de explicar os parâmetros de um ajuste fiscal futuro. Na mesma toada estão aqueles ligados a Flávio Bolsonaro. Hoje, por exemplo, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, que está à frente das propostas econômicas do candidato do PL, participa do 25º Forum empresarial Lide, no Rio de Janeiro, com a missão de tentar convencer o empresariado da viabilidade de um projeto econômico encabeçado pelo filho 01 de Jair Bolsonaro.

O que falta/ O setor privado tem ouvido tanto o governo quanto os emissários de Flávio sem muitas expectativas. É que, por mais boa vontade que parte do empresariado tenha, seja com o governo, seja com os Bolsonaro, faltam detalhes sobre como isso será feito. No fundo, há um cansaço com o governo Lula e um receio de que Flávio não tenha jogo de cintura para tocar o país de forma mais serena, sem sobressaltos. E a Ronaldo Caiado, que muitos consideram o mais preparado e capaz de atrair uma equipe mais técnica nessa seara, falta conhecimento por parte do eleitorado. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missao) ficam mais à margem dessas conversas. Enquanto não houver mais detalhes, será difícil o empresariado fechar em bloco com algum candidato.
Marcola que fique longe
O PT praticamente “baniu” o ex-chefe de gabinete de Lula, mas, em relação ao filho do presidente, o Lulinha, não há o que fazer. A não ser pregar aos quatro ventos que se houver qualquer indício de irregularidade, será punido. A ideia é marcar a diferença para Jair Bolsonaro que, quando presidente, afirmou em reunião ministerial que trocava todo mundo que pudesse atingir os seus.
Campanha no STJ
O grande número de desembargadores estaduais presentes à posse do presidente e do vice do Superior Tribunal de Justiça não foi apenas uma deferência ao grande currículo e conhecimento jurídico dos ministros Luís Felipe Salomão e Mauro Campbell. É que os magistrados estaduais estão de olho nas vagas para o STJ a serem preenchidas em breve.
Começaram cedo
O STJ tem em aberto duas vagas: a do ministro Marco Buzzi, demitido por causa das denúncias de assédio e importunação sexual, e a do ministro Saldanha Palheiro, que se se aposentou ao atingir a idade-limite de permanência na Corte. Há também uma vaga a ser aberta, uma vez que o ministro Og Fernandes, que completa 75 anos em novembro — ou seja, terá que se aposentar daqui a três meses. Na saída da solenidade de posse de Salomão e Campbell, um desembargador comentava com a mulher: “Meus colegas estão todos aqui em campanha. Essa turma não perde tempo”.
Agora vai…
…lá no Amapá. O grupo governista do estado recebeu uma injeção de esperança, após o anúncio da descoberta de petróleo na Margem Equatorial. As pesquisas de meados de julho apontaram o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), liderando a corrida ao Palácio do Setentrião. Agora, o grupo do atual governador, Clécio Luís (União Brasil) espera virar o jogo: “O bloco que está na base do governo do estado foi quem trabalhou para isso acontecer. Houve todo um trabalho político, no Brasil e no exterior, para viabilizar o estudo da Petrobras na Margem Equatorial”, afirma o deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP). E deu o recado: se o governador ainda não usou a notícia na campanha, é hora de começar.
CURTIDAS
Engajados nas redes I/ O mais recente relatório do Instituto Democracia em Xeque, que monitora as redes sociais dos candidatos ao Senado e aos governos estaduais, mostrou que no Centro-Oeste, dos 10 candidatos a senador com maior volume de interações, cinco são do PL. O campeão em engajamento é Gustavo Gayer, que disputa o Senado por Goiás. Teve 501 mil interações com 25 publicações.
Engajados nas redes II/ Em segundo lugar, vem Michelle Bolsonaro (PL-DF), com 448 mil interações em apenas seis publicações — ou seja, o maior volume de engajamento por post —, seguida por Bia Kicis (PL-DF), com 200 mil interações em 30 publicações. Entre os nomes do PL nessa lista, uma curiosidade: só Michelle não tem como uma das bandeiras de campanha o impeachment de ministros do Supremo.
Os poucos que surgem/ A lista dos 10 candidatos ao Senado no Centro-Oeste só tem dois nomes de esquerda: Erika Kokay (PT-DF, foto) e Pedro Taques (PSB-MT). O monitoramento no CentroOeste é feito em parceria com o grupo de pesquisa Midiaticus, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 20 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Com a decisão dos partidos de reservar recursos para quem é candidato a reeleição, como é o caso do PL, muita gente na política começa a apostar que a renovação do Parlamento será baixíssima nesta temporada eleitoral. Soma-se a essa preferência de financiamento para quem já tem um mandato, a amplitude das emendas parlamentares — hoje no patamar de R$ 60 bilhões. As emendas praticamente levaram os prefeitos a “fidelizar” e replicar as campanhas dos parlamentares que beneficiaram as administrações locais com emendas.
Desafiante/ Esse modelo será difícil de quebrar ou de levar à renovação. Quem está chegando agora começa em desvantagem e será difícil empatar o jogo a fim de tentar vencer quem já está no mandato.
Movimentos divergentes
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem dito que o governo mobiliza a base no Congresso para votar a medida provisória que acaba com a taxa das blusinhas. Disse, ainda, que a ideia é votar a MP durante a semana de esforço concentrado presencial, a partir de 31 de agosto. Contudo, líderes ouvidos pela coluna afirmam que ainda não foi resolvido o impasse para indicação do presidente e do relator da proposta na comissão especial. No Parlamento, tem sido difícil conversar sobre qualquer assunto porque a maioria está focada na campanha pela reeleição, seja para a Câmara, seja para o Senado.
Cheio de recados
O discurso do presidente da OAB, Beto Simonetti, na posse do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, e do vice, Mauro Campbell, foi incisivo ao defender a sustentação oral dos advogados como instrumento para garantir eficiência e legitimidade. Atualmente, é grande a reclamação dos defensores em relação à dispensa dessa ferramenta inerente à Justiça.
Jargão de Gaspar
Candidato a vice-presidente na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) discursa pelo país afora dizendo que Lula tem o seu próprio Marcola. Será uma estratégia para desgastar ainda mais a imagem do presidente durante a campanha eleitoral em cima do caso do roubo dos aposentados. E, de quebra, uma tentativa de associar o apelido Marcola ao governo, uma vez que é comum ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, e ao chefe do PCC, Marcos Camacho.
Gaspar que se prepare
Aliás, a equipe de advogados da campanha de Lula está atenta às manobras para tentar associar o governo ao crime organizado e ao chefe do PCC. A ideia é buscar reparação na Justiça a qualquer movimento nesse sentido.
CURTIDAS
Prestigiados/ Do Clero aos representantes dos Três Poderes, todos presentes à posse de Luís Felipe Salomão e Mauro Campbell — respectivamente, presidente e vice do STJ. E, desta vez, com uma novidade: dispensou-se a interminável fila de cumprimentos.
Alguém lembrou/ No rápido discurso de abertura da solenidade, o ministro Herman Benjamin citou o “mega El Niño” como um desafio não só para a Justiça como a todos os Poderes.
Defesa/ A frase do sempre bem-humorado ministro da Defesa, José Múcio Monteiro (foto), sobre abrir portões do Brasil em caso de invasão, foi lembrada nas rodas de conversas da posse do STJ. “E não é que ele acabou conseguindo recursos?”, comentou um parlamentar.
“Não será uma eleição, será um duelo. Dez passos para cada lado” Do senador Eduardo Gomes (PL-TO), ao referir-se à polarização entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 19 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Embora o PL esteja disposto a distribuir todo o material replicando a campanha de Flávio Bolsonaro país afora, muitos de seus potenciais aliados em vários estados vão trabalhar em carreira solo. É o caso, por exemplo, de Alagoas. Ainda que o deputado Alfredo Gaspar (PL) seja candidato a vice-presidente, a maioria dos candidatos fará a própria campanha, inclusive o ex-prefeito de Maceió candidato ao governo estadual, João Henrique Caldas (PSDB). JHC começa a campanha cuidando apenas da sua caminhada pelo estado, uma vez que o principal adversário, senador Renan Filho (MDB-AL), tem a maioria dos prefeitos do interior. E nessas andanças, ele só levará o nome de Flávio dependendo do que seus aliados chamam de “dinâmica da campanha”.
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E no PT, hein?/ Até aqui, a ideia em muitos estados é deixar que os candidatos a presidente cuidem cada um de si mesmos. No caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Nordeste muita gente vai “colar” a campanha por causa da preferência que ele tem por lá. Porém, em estados onde o PT não tem candidato a governador, a tendência é a campanha presidencial ficar em segundo plano. Se o nome de Lula ajudar, o interessado empunhará a bandeira do presidente-candidato. Se atrapalhar, os coordenadores da campanha nacional que se virem para fazer propaganda do presidenciável.
Quem faz as contas
Renan Santos promete anunciar, na próxima semana, quem será seu ministro da Fazenda, caso vença a eleição em outubro. Até aqui, um dos colaboradores da área econômica que tem acompanhado o candidato do Missão à Presidência nas conversas é Paulo Bijos, ex-secretário de Orçamento do Ministério do Planejamento. Bijos, que faz parte do quadro de consultores da Câmara dos Deputados, deixou a pasta em 2024, depois de apresentar uma projeção de colapso das contas públicas em 2027.
Por falar em Renan…
O setor de comércio e serviços gostou do que ouviu do candidato do Missão ao Planalto, esta semana. Ele deixou uma imagem de “jovem, carismático e autêntico”. A impressão é de que talvez seja hora de arriscar algo novo e sair da “mesmice”. Renan trouxe para o segmento um sentimento de possível renovação.
Dinheiro pouco…
O PSD de Gilberto Kassab é um dos partidos que ainda não definiu como distribuirá seu fundo eleitoral (R$ 421 milhões). O partido deseja aumentar a bancada na Câmara (hoje são 48 deputados) e quer manter a bancada de, pelo menos, 13 senadores, dos quais apenas três têm mandato até 2031. O partido tem 15 candidatos ao Senado, seis à reeleição e outros nove concorrendo pela primeira vez.
… e difíceis decisões
Mas, dentro do partido, fala-se na chance de eleger oito governadores. Esse cenário tem feito Kassab pensar com muita calma em como direcionar os valores para cada candidato. O partido tem 1.125 candidaturas, sendo 13 aos governos estaduais, 15 ao Senado e 436 para a Câmara dos Deputados.
Dr. Caiado pela vacinação
Durante a apresentação do plano de governo para a área da saúde, Ronaldo Caiado (PSD) foi enfático ao defender as vacinas e culpou o movimento antivax pelo surto de sarampo em São Paulo. “Farei questão de estar à frente, em toda a campanha, para poder orientar as mães. Poder mostrar que aquilo (vacina) é fundamental para as crianças”, afirmou.
CURTIDAS

Quem foi, foi/ Os candidatos estão com dificuldades em colocar suas campanhas nos templos evangélicos. Quem tem um trabalho há anos nas comunidades é sempre bemvindo. Porém, quem chega agora para tentar obter votos, recebe quase um “passa fora”.
Ficou assim/ Candidato à reeleição para deputado federal, Alberto Fraga recebeu do PL a promessa de repasse do teto de recursos para a sua campanha — ou seja, R$ 3,1 milhões. “Quem está começando, ou seja, em sua primeira campanha, não terá tudo isso”, avisa. Fraga está no quinto mandato de deputado federal.
Sem meias-palavras/ Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas candidatas ao Senado pelo PL, chegaram juntas para o lançamento da campanha de Fraga, que contou ainda com a presença de José Roberto Arruda, candidato ao GDF. Michelle foi direta ao dizer para Arruda que não votaria nele. Ela e Bia Kicis estão fechadas com a reeleição da governadora Celina Leão (foto).
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 18 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Nem o PL, com R$ 881,6 milhões de fundo eleitoral, terá recursos suficientes para dar a seus candidatos o teto de gastos de cada campanha. Só para deputado federal, se fosse conceder o teto a todos, o partido precisaria de R$ 1,7 bilhão para atender os seus 535 candidatos espalhados pelo país, e de outros R$ 1,1 bilhão para aqueles que vão concorrer às vagas das Assembleias Legislativas. Só para senador, 33 candidatos representariam gastos em torno de R$ 130 milhões, e governadores, R$ 126 milhões, mais do que os R$ 88 milhões que o presidenciável Flávio Bolsonaro pode gastar no primeiro turno.
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Estica e puxa/ A ideia do PL é destinar recursos a quem tiver mais chance, de forma a garantir o “retorno” do investimento. Portanto, país afora, já se vislumbra uma guerra pelos recursos disponíveis para a legenda. E esse é um dos motivos pelos quais, nesta largada, o eleitor verá pouco material distribuído. É hora de economizar para a reta final, quando o eleitor estará mais atento às campanhas.
Está nesse pé
Até aqui, tanto o ex-banqueiro Daniel Vorcaro quanto o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa tentaram fazer delação sem apontar culpabilidade de ninguém. Nem deles mesmos. E se limitaram a contar o que a Polícia já sabe.
Hora da apresentação
O PT planeja um evento para lançar oficialmente o plano de governo de Lula. O presidente deseja “palestrar” sobre os principais pontos da campanha. O presidente do PT, Edinho Silva, deu muito enfoque à questão da segurança pública ao anunciar a agenda, que, por enquanto, não tem data definida. Ronaldo Caiado (PSD) e Flávio Bolsonaro (PL) já começaram a fazer esse tipo de apresentação das propostas, inclusive o ex-governador de Goiás lança hoje seu projeto de governo voltado para a área da saúde.
Oportunidade à porta
O embaixador da Indonésia, Andhika Chrisnayudhanto, afirmou à coluna que o novo tarifaço de Donald Trump abriu uma janela de oportunidade para acordos entre o Brasil e a Asean — Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), bloco regional formado por 11 países. Hoje, segundo dia da primeira visita do secretário-geral da Asean ao Brasil, Kao Kim Hourn, é esperada a assinatura de uma série de acordos de cooperação.
Além do comércio
O bloco reúne quase 690 milhões de habitantes com especial interesse em importar proteína animal brasileira e produtos agrícolas. Além disso, há interesse na economia verde desenvolvida pelo Brasil no setor do agronegócio e na troca de experiências a respeito da resiliência da diplomacia durante o enfrentamento das sobretaxas dos Estados Unidos.
Sarney e Gutemberg
O ex-presidente e imortal da Academia Brasileira de Letras José Sarney rendeu homenagem ao jornalista Luiz Gutemberg, falecido no último domingo. “Luiz Gutemberg foi um grande escritor e jornalista, dos melhores de sua geração, contribuindo para a história política do país com seu trabalho. Foi de grande relevância sua participação na luta pela redemocratização, cujo testemunho deixou registrado como biógrafo de Ulysses Guimarães, engajado defensor da democracia, da liberdade e da visão social”, escreveu Sarney.
Amigo de vida
O ex-presidente relatou a proximidade com Gutemberg. “Seu amigo de vida inteira, convidei-o para ajudar-me no setor de imprensa do governo, principalmente no Conversa ao Pé do Rádio, no qual deu uma generosa contribuição. Era um homem correto, de grandes virtudes morais, intelectuais e profissionais, garantindo o respeito e a admiração de todos os seus contemporâneos, que reconheciam nele um profissional de grande e notável talento”, concluiu.
CURTIDAS
Semiótica de Lula/ A identidade visual da campanha do presidente Lula trouxe elementos que remetem à bandeira do Brasil. O termo “presidente” vem com fundo verde, o número “13” com amarelo e “vice Alckmin” com azul. A bandeira brasileira também está na imagem. Lula já havia deixado o vermelho meio de lado na campanha de 2022. Agora, reforça o nacionalismo.
O estado é outro/ Candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro passa parte desta curta campanha em São Paulo. Zero três chegou a anunciar em suas redes que estaria nessa segunda-feira em São José do Rio Preto (SP) para inaugurar uma “Casa Bolsonaro” com o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP).
Um suplente discreto/ Arthur Lira foi buscar seu suplente na chapa lá nos tempos de Fernando Collor de Mello. Luiz Romero Farias (PL, foto) foi secretário-geral do Ministério da Saúde nos tempos de Collor e ocupou, ainda, a Secretaria de Saúde de Maceió. Sempre foi reservado e técnico, ao contrário do irmão, PC Farias, o ex-tesoureiro de campanha de Collor, encontrado morto ao lado da namorada, Suzana Marcolino.
Com o irmão envolto em mistério/ PC Farias foi assassinado há 30 anos, dois dias antes da data marcada para depoimento à Justiça sobre os escândalos de corrupção da época do ex-presidente. Até hoje, há dúvidas sobre o assassinato de PC e de sua namorada. A tese de crime passional seguido de suicídio não foi aceita pelo júri popular.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 14 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Os senadores se preparam para transformar a medida provisória que extinguiu a taxa das blusinhas num dilema eleitoral. Se derrubam a MP, perdem o apoio de uma parcela expressiva da população que faz uso desse e-commerce. Se aprovam a medida, ficam em dificuldade com a indústria nacional, que tem reclamado da concorrência dos produtos comercializados pela internet. É por isso que está tão difícil encontrar um relator para a proposta, mas a ideia é definir nos próximos dias e votá-la na semana de 31 de agosto.
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A sinuca de Braga/ Cotado para o cargo de relator, o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), candidato à reeleição, ficaria espremido entre os empresários da Zona Franca de Manaus e o eleitorado amazonense que apoia o fim da taxação. Porém, com a MP perdendo a validade em 8 de setembro, alguém vai ter que relatar esse texto. Ou o Senado correrá o risco de ver o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos palanques dizendo à população que tentou acabar com a taxa, mas os senadores não quiseram decidir a respeito.
A descrença de Lira…
O entorno do deputado Arthur Lira (PP-AL), candidato ao Senado, considera difícil acreditar que o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB) concorrerá ao Senado. O que se diz é que Lira espera de JHC o cumprimento de um acordo selado há alguns anos: concorrer ao governo do estado e apoiar Lira ao Senado.
… e os cenários oscilantes
O cenário mudou. Àquela altura não se acreditava que Renan Filho seria candidato a governador com o apoio da maioria dos prefeitos. Nem se imaginava que a Polícia Federal (PF) faria uma operação para investigar os investimentos do Instituto de Previdência de Maceió no Banco Master, de Daniel Vorcaro. Embora não tenha qualquer citação de envolvimento de JHC, o escândalo tem potencial para desgastar eleitoralmente a imagem do ex-prefeito, pois as aplicações no Master ocorreram em sua gestão.
Esperança do PL
Os estrategistas da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República apostam que a exposição do filho 01 longe de Jair Bolsonaro pode ajudar a reverter a rejeição dele nas pesquisas. A avaliação é de que Flávio herdou os números do pai, os bons e os ruins. Já Lula não teria como reverter a rejeição.
Emendas e o problema
Especialistas em orçamento criticam o uso de emendas como recurso pessoal de parlamentares. Em debate promovido pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), a sócia-consultora do Instituto de Finanças Públicas (IFP), Selene Peres, alertou a necessidade de alinhar as emendas parlamentares ao plano de governo do presidente da República, seja quem for, ou ao Plano Plurianual de investimentos. Esse será um debate que o Congresso e Poder Executivo terão que enfrentar em 2027.
CURTIDAS
Agilidade/ Líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio à Presidência, Rogério Marinho (PL-RN) ironizou a demora da PF em realizar um teste de paternidade do suposto fruto de estupro do qual o vice da chapa, deputado Alfredo Gaspar (AL), é acusado. “Vamos apelar para o Ratinho. Eles fazem o teste de DNA em 72 horas”, disse. E complementou que Gaspar entregou seu material genético há cinco meses.
OK, mas…/ …quem apanha não esquece. Ao distribuir um prato de carne e mandioca a jornalistas de plantão, em frente ao seu comitê, Flávio fez questão de frisar o trabalho da imprensa. Porém, até agora não fez qualquer referência ao tratamento grosseiro ao repórter do The Intercept Brasil que lhe perguntou sobre o financiamento do Dark Horse. Na época, o senador disse que era mentira e chamou o jornalista de “militante”.
Angola e São Paulo/ O presidente de Angola, João Lourenço, estará em São Paulo em 26 de setembro para uma rodada de atração de investimentos ao seu país. A visita foi agendada durante encontro entre o ex-governador de São Paulo e fundador do Lide, João Doria, e Lourenço, no Palácio do governo angolano, em Luanda. A agenda paulista será no sentido de criar parcerias para o setor privado dos dois países, em especial, no agropecuário. Na foto, além de Lourenço e Doria, estão a ex-ministra da Agricultura e ex-senadora Katia Abreu e o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, que integraram a comitiva do Lide ao país africano.


















