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Coluna Brasília-DF publicado na sexta-feira, 18 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Pedidos de vistas e adiamentos da análise das mazelas que envolvem os ministros do Supremo Tribunal Federal farão com que o eleitor vá votar sem saber ao certo o que aconteceu e quem tem razão diante de tudo o que já foi exposto sobre a crise da Corte. E mais: às vésperas da eleição, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro prestará novo depoimento à Polícia Federal. A depender doque disser, avaliam integrantes dos partidos “polarizados” nesta eleição, PL e PT, as campanhas serão afetadas, especialmente no Distrito Federal, onde o ex-banqueiro montou uma estrutura a fim de fundir seu Banco Master ao BRB. A tensão só tende aumentar nesta que já foi batizada de a eleição mais imprevisível da história recente do DF e do país.
Erosão reputacional/ Cientistas políticos observam com apreensão a crise instalada no STF. A avaliação é de que adiar o fim da guerra na Suprema Corte para depois das eleições é transferir a responsabilidade para os eleitores. “Enquanto sangra em praça pública, o Supremo é arrastado para o centro da eleição. Ao adiar sua própria autocorreção, transfere para as urnas uma resposta que deveria ter começado dentro do próprio tribunal”, afirma o especialista Murilo Medeiros. Para completar, ele avalia que existe ainda um grande risco de haver mais ministros sob questionamento do que ministros em condições de conduzir apurações no STF. Esse fato, como adverte, projeta “uma imagem devastadora para a autoridade institucional da Corte”.
Lula e o Bolsa Família
As explicações do governo de que há espaço fiscal para pagamento do reajuste do Bolsa Família ajudaram na recuperação da Bolsa de Valores no fim do dia. Porém, o mercado financeiro, que não gostou da medida e avalia que poderia comprometer ainda mais as contas públicas, se afastará ainda mais do petista.
O que muitos candidatos temem
O crescimento do presidenciável do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, nas pesquisas, leva políticos dos mais variados partidos a apostarem que, seja em favor de Lula ou do filho 01, a eleição pode terminar no primeiro turno. É que os candidatos avaliam que há uma apatia do eleitorado, com as acusações trocadas entre um lado e outro da polarização. Se, nesses16 dias restantes, os demais candidatos não demonstrarem um fôlego maior, a tendência do eleitorado será tentar resolvera parada logo em 4 de outubro.
Os planos do Zero Um
Com a campanha de Lula à reeleição voltada aos mais pobres, inclusive com aumento do Bolsa Família, o candidato do PL vai focar na Região Sudeste — São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais — nesses 16 dias até a eleição. Seus estrategistas acreditam que, assim, ele conseguirá abrir uma diferença capaz de assegurar a vitória.
Enquanto isso…
Daniella Marques, a coordenadora da equipe econômica, e o vice na chapa de Flávio, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), farão campanha de outras formas. Ele continuará a rodar no Nordeste. Ela marcará presença em eventos para falar do plano econômico do filho 01 para empresários e para o mercado financeiro.
CURTIDAS
Paralisia/ O tiroteio de notas e despachos entre os ministros levou o presidente do STF, Edson Fachin (foto), a cancelara sessão de ontem, o que dará mais combustível à campanha contra a Corte. A avaliação dos políticos é a de que, senão houver um diálogo entre os grupos do Supremo, a tal “colegialidade” acabou.
Tem para todos/ Após a direita adotar o bordão “Moraes é Lula e Lula é Moraes”, petistas criaram uma para Flávio Bolsonaro em resposta. Uma imagem com as metades dos rostos do filho 01 e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro coladas circula pelas redes com a seguinte legenda: “Flávio é Vorcaro, Vorcaro é Flávio”.
Clima na pauta/ Na véspera da aberturada Assembleia-Geral da ONU, o Lide Climate Conference, em Nova York, debaterá políticas de mobilização de capital e financiamento da transição verde. O encontro reunirá dois grupos, um focado na negociação financeira e outro para discutir o mapeamento do cenário global, transformação energética e impactos da inteligência artificial. Estarão no debate o cientista político Chris Garman (Eurasia Group), Mário Gouvêa (Tesouro Nacional) e Paulo Correa (Banco Interamericano de Desenvolvimento — BID).
STF quebrado, sem pacificação, reforça pressão por impeachment
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 16 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A fratura do Supremo Tribunal Federal não tem remédio e nem prazo para acabar. Ninguém tem mais dúvidas de que a crise se arrastará para além do período eleitoral, a contar pelo andar da carruagem no primeiro dia de julgamento. Os ministros não conseguiram sair das preliminares nem sequer definir procedimentos e ritos. O presidente Edson Fachin não teve força para fazer valer a sua vontade de ver um desfecho esta semana, ainda que tenha evitado decisões monocráticas e tomado todo o cuidado para não melindrar mais os colegas.
Por falar em Fachin…/ O presidente do STF não mudará seu estilo conciliador. A avaliação é de que se ele for mais duro para uma ou outra ala do STF, não conseguirá reaglutinar o plenário nem pacificar a Corte. Até aqui, o estilo Fachin não obteve um resultado claro — apenas adiou tudo. Se até o fim do ano não houver uma resposta, restará aos ministros do STF o pior dos mundos: ver as dificuldades do Supremo em resolver internamente suas crises servir de combustível para a análise de pedidos de impeachment dos ministros no Senado.
O sobrevivente
Ao sair de fininho da sessão do STF depois de se declarar impedido, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral(TSE), Kassio Nunes Marques, busca se preservar de desgastes. Fará o mesmo quando do julgamento do caso do ministro André Mendonça. Impedido e fora da sessão, evitou que fosse confrontado com os supostos pagamentos ao seu filho pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro — pagamentos esses que o escritório do filho de Nunes Marques negou. Agora, Kassio espera ficar longe da crise para ultrapassar o período eleitoral.
Mendonça interpelado
Líderes evangélicos apresentaram um manifesto interpelando o ministro André Mendonça, que também é pastor. A carta termina assim: “As mãos que se erguem para abençoar o povo de Deus ao final do culto, as mãos que acalentam as vidas feridas e os sofrimentos dos fiéis, as mãos que abençoam as alianças do matrimônio, as mãos que consagram os elementos da Santa Ceia, as mãos que são impostas sobre cabeça de um novo pastor, em sua ordenação, e que invocam sobre ele o Espírito Santo de Deus não podem ser as mesmas mãos que empunham a espada, símbolo do poder do Estado. Parece-nos ser esta a razão da norma confessional inscrita na Confissão de Fé adotada pela Igreja Presbiteriana do Brasil”. O grupo aguarda uma resposta de Mendonça.
Imagem deteriorada
Os brasileiros confiam mais no trabalho da Polícia Federal do que no STF. A pesquisa Indexa Broadcast mostrou que a confiança na PF é de 70% contra 42% na Corte. O percentual de quem não confia no Supremo é ainda maior, 45%. De acordo com o CEO do instituto, Arilton Freres, o resultado mostra como a polarização política tem impactado a percepção do eleitor com as instituições.
CURTIDAS
Quem sabe um ministério?/ Aliados do candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) afirmam que, a depender de quem vencer o pleito, ele pode aceitar virar ministro por ter uma certa independência na tomada de decisão. O que ele jamais tentará é uma vaga no Legislativo. Seus fiéis escudeiros dizem que o ex-governador de Minas Gerais não quer saber do Parlamento porque “odeia” não poder tomar decisões de forma mais direta.
O “bonde” do Renan/ O candidato do Missão, Renan Santos, passará essas três semanas até o dia da eleição dentro de um ônibus. A ideia é percorrer sete estados: São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. A ideia é fazer, pelo menos, cinco cidades por dia.
Olho no olho/ São dois ônibus, um grande e outro menor, bem no estilo anos 1970. Em cada cidade, Renan fará panfletagem acompanhada de uma coletiva na praça, num contato direto com a população local. A primeira parada é Vinhedo (SP), onde mora a mãe do candidato.
“Quem teve a coragem de abrir o Senado para permitir que, minimamente, o Parlamento acompanhasse os fatos foi uma mulher, vossa excelência (senadora Damares Alves— Republicanos-DF). E só a ministra Cármen, outra mulher, teve a decência de pedir desculpas ao povo brasileiro” Do senador Alessandro Vieira (MDB-SE, foto), após a sessão no STF sobre as mulheres em cargos públicos.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 15 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, quer chegar ao final desta terça-feira com alguma explicação a dar à sociedade. Nem que seja, no mínimo, Alexandre de Moraes investigado pelo STF. Entre os cenários traçados por ele, segundo pessoas próximas, está determinara abertura dessa investigação sobre Moraes de forma monocrática e, em seguida, pedir ao colegiado que defina se o ministro Alexandre de Moraes deve ser afastado ou pode permanecer no cargo enquanto durarem as investigações. Só tem um detalhe: essa forma não está combinada com os demais ministros, e todos querem se pronunciar sobre a abertura de processo. Muitos planejam inclusive apresentar uma série de preliminares. Afinal, o que se diz é que, se for para ministro ter que dar explicações sobre o fato de a mulher (ou filhos) advogarem no STF, outros terão que responder.
Veja bem/ A avaliação de muitos é a de que não há como colocar todos os ministros no mesmo balaio. Ainda mais depois de tudo o que já sabe em relação ao contrato entre Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro. A Polícia Federal tem informações que indicam um encontro entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes em 30 de dezembro de 2023, num hotel de luxo em Campos do Jordão, menos de um mês antes da assinatura do contrato entre a esposa do ministro e o então controlador do Master. Nos bastidores, considera-se certa a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes.
Confiança e respaldo
Manifestos à parte, tudo o que o presidente Edson Fachin fizer hoje terá que ter o apoio da sociedade como um todo. A avaliação, inclusive no governo, é a de que não há como deixar o presidente do Supremo Tribunal Federal isolado em meio a essa crise.
Toma que o filho é teu
Os petistas estão roucos de tanto afirmar que Alexandre de Moraes foi indicado ao STF por Michel Temer e que Daniel Vorcaro montou toda a estrutura de fortalecimento do banco Master durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. Quem barrou tudo depois foi Gabriel Galípolo, o presidente indicado por Lula.
Do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante,que já foi ministro, deputado e senador
“Tivemos a CPI do Collor, no Poder Executivo; a CPI dos Anões do Orçamento, uma crise no Legislativo. Mas nunca vimos uma crise dessa proporção no Poder Judiciário. O Judiciário tem que se reformar”
Ganha no discurso
Os bolsonaristas partem da premissa que Flávio Bolsonaro ainda pode ganhar muitos votos por causa do desgaste do ministro Alexandre de Moraes. Afinal, o integrante do STF sempre foi um inimigo declarado da família Bolsonaro. Nesse sentido, a leitura é que se Moraes for afastado, é possível usar essa narrativa no horário eleitoral. Seria um jeito de evitar perdas devido à revelação de que Flávio é investigado por ao menos três crimes por causado financiamento do filme Dark Horse.
O que vem por aí
Em palestra no seminário Brasil Hoje, do think tank Esfera, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, responsável pelo programa de governo de Flávio Bolsonaro na economia, ressaltou a necessidade de ajustes na reforma tributária e acenou ainda com privatizações, caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial: “Não faz sentido o Estado ter uma estatal de chip de boi (no caso, a Cetec), ou ter uma tevê estatal”, comentou. A Caixa Econômica Federal, porém, terá um lugar de destaque no futuro governo. (Leia mais sobre o seminário no blog da Denise no site do Correio).
CURTIDAS
A campanha deles/ Participante do seminário Brasil Hoje, do Think tank Esfera, o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP/foto) foi incisivo ao cobrar da plateia de empresários e banqueiros que “um senador por São Paulo tem que ser paulista acima de tudo”. Referia-se especialmente às candidatas Simone Tebet, que nasceu em Mato Grosso do Sul, e Marina Silva, do Acre.
Hora da segurança pública/ O Correio Braziliense promove hoje o CB Talks sobre Segurança para o desenvolvimento do Brasil. O debate abordará os projetos em tramitação no Congresso Nacional que visam o combate à fraudes e infiltração do crime organizado em setores como o de combustíveis e GLP. São painelistas Lincoln Gakiya, promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (GAECO), o deputado Alberto Fraga (PL-DF), o candidato Marivaldo Pereira (PT-DF), e o presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz. O evento começa às 9h30 e pode ser acompanhado pelas plataformas do Correio.
Perdas & danos?/ Ao ser perguntadasobre quem perde mais com a crise do Supremo Tribunal Federal, o presidente Lula ou Flávio Bolsonaro, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal não titubeou: “Quem perde mais é o Brasil”
STF no lugar de debates/ Enquanto o Supremo Tribunal Federal vive sua crise, a campanha eleitoral vai chegando ao fim sem debates entre os principais candidatos. Pior para o eleitor.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A contar pelas manifestações da sociedade, o Poder Judiciário — em especial, o Supremo Tribunal Federal — não vai escapar de passar por uma reforma profunda diante da crise. Em reunião esta semana, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) engrossou esse coro, ao conclamar “os Poderes da República, suas autoridades e toda a sociedade” a esclarecemos fatos e a rejeitar tanto o silêncio diante de possíveis irregularidades quanto qualquer tentativa de enfraquecer as instituições. “O Brasil necessita de verdade sem manipulação, de justiça sem privilégios, de instituições que sirvam ao bem comum, de lucidez e paz”, diz o texto assinado pelo presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, e a cúpula da Conferência.
Ética/ A CNBB defende, ainda, que os ministros revejam seu comportamento, ao dizer que considera “oportuno que o Código de Ética em elaboração pelo Supremo Tribunal Federal receba o devido encaminhamento institucional, oferecendo parâmetros claros de conduta e contribuindo para a proteção da autoridade da Suprema Corte”. E deixa claro que os ministros devem ser investigados, ao dizer que “ninguém deve estar acima da lei, assim como ninguém deve ser previamente condenado”, e cobrar transparência: “Importante que questões de tamanha relevância institucional sejam examinadas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, de maneira colegiada, pública e transparente, permitindo à sociedade acompanhar os procedimentos e conhecer os fundamentos das decisões. Espera, igualmente, que as instituições responsáveis pela investigação possam exercer suas atribuições com independência, segurança e respeito às competências constitucionais”. Em suma, nada de jogar as denúncias para debaixo do tapete.
Te vira, Mário
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado a largar a mão do deputado Mário Frias (PL-SP), alvo da operação que apura suspeitas de desvio de dinheiro de emendas parlamentares que também mirou a produtora do filme Dark Horse, Karina Gama. Embora o próprio Frias tenha enviado recursos para a produção, uma ala dos bolsonaristas diz que quem tem que se explicar é ele. O máximo que Flávio fará é dizer que a operação pedida pela Polícia Federal, e autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, teve conotação política.
Incomodou
As inserções do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, nos supermercados deixaram o PT para lá de irritado e vai provocar mudanças na campanha do presidente Lula à reeleição.
Hora de relembrar
A ideia do partido é que as inserções comparem como foi o governo de Jair Bolsonaro com o terceiro mandato de Lula. Entre algumas lembranças que podem ser usadas, estão: a fila de ossos nos mercados, o preço da picanha e a atuação do ex-presidente na pandemia da covid-19.
Precisa mudar
O PT também pretende ser mais enfático sobre a proposta de reforma no Poder Judiciário, pauta defendida há anos pelo partido e reafirmada no 8º Congresso Nacional do PT, realizado em abril deste ano. A legenda defende a ideia de definir mandatos para tribunais a partir da segunda instância e mais cadeiras da sociedade no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
CURTIDAS
Reforma no Judiciário/ Não vai ser por falta de proposta de emenda à Constituição(PEC) que o Judiciário deixará de ser reformado. Esta semana, surgiu mais uma. O deputado Danilo Forte (PP-CE, foto) sugere um Código de Conduta, Ética e Moral dos Magistrados. O texto também altera a indicação de ministros: modelo rotativo pelo Executivo, Legislativo e Judiciário; idade mínima de 65 anos e máxima de 75; e mandato de oito anos sem recondução. A aprovação, porém, tem de ser por maioria absoluta em sessão conjunta do Congresso.
Correção na nomeação/ “O sistema de indicação exclusiva pelo presidente da República concentra a formação da Suprema Corte em um único Poder, o que pode gerar distorções na composição do tribunal”, argumenta Forte sobre a mudança nos termos de indicação ao STF.
Meio-termo/ A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, não acatou na totalidade o pedido da candidata ao Senado e ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), pois ele permitiu que parentes possam ficar com o ex-presidente por um período de somente duas horas. O pedido original visava dar mais tempo para que ela pudesse participar de eventos de campanha. Solicitava que outras pessoas pudessem ficar com Bolsonaro e auxiliá-la nos cuidados do ex-presidente. Foi negado.
Vapt-vupt/ A decisão de Moraes impede que Michelle possa comparecer aos eventos nacionais de Flávio Bolsonaro fora de Brasília. Mesmo as aparições em agendas no Distrito Federal precisarão ser bem planejadas para aproveitarem a janela de duas horas concedida pelo ministro. Os advogados da ex-primeira-dama ainda não decidiram se vão recorrer.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 10 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Depois de retirar a relatoria do Inquérito das Fake News das mãos do ministro Alexandre de Moraes, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, estuda como fazer com que André Mendonça calce as sandálias da humildade. Para isso, não está descartado que a relatoria do Caso Master também troque de mãos. Os argumentos nesse sentido estariam no fato de Mendonça ter acolhido, em caráter liminar, um pedido de um partido político (no caso o Novo), que tem candidato à Presidência da República, em pleno período eleitoral. Soma-se a isso, as investigações envolvendo Moraes sem levar o caso diretamente à Presidência do STF. A ideia de Fachin é tirar dos ministros os instrumentos que têm usado para ataques mútuos e as armas usadas na guerra entre Moraes e Mendonça. Nas mãos de alguém como a ministra Carmen Lúcia, a expectativa é de que o STF se preserve diante de tanto desgaste.
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Ação e reação/ Ao homologar a delação premiada do empresário José Antonio Freixo Junior, o Mineiro, Mendonça age para mostrar que não está impondo um ritmo mais leve ao caso envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Porém, há quem avalie que tudo está muito lento. Mas não tão lento quanto o Inquérito das Fake News, que estava há sete anos nas mãos de Moraes.
STF no palco eleitoral
Com o Caso Master ditando o tom dessa fase da campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva percebeu que só vai tirar sua candidatura do desgaste se houver uma transparência total de tudo que já foi apurado nas operações sobre o banco liquidado e o caso do INSS. As apostas do PT são de que, embora tenha alguns dos seus, o caos nos demais partidos será maior.
Sem sigilo
Não é apenas Lula que defende o fim do sigilo de tudo o que se sabe a respeito dos laços e financiamentos de Daniel Vorcaro a terceiros. Na própria Polícia Federal (PF), tem muita gente defendendo que os sigilos do Caso Master e dos descontos ilegais do INSS sejam derrubados integralmente.
O que eles pensam
Para alguns policiais na ativa, há o sentimento de que a corporação está sendo utilizada, fatiada e não há como permanecer dessa forma. “Não somos um Poder e os ministros são reflexos do Poder. A PF quer uma defesa da instituição e vamos deixar isso claro”, disse à coluna Flávio Werneck, especialista em segurança pública, mestre em criminologia e policial federal.
Crianças apostam em bets
O caso das bets é mais grave do que se possa imaginar. Um estudo apresentado pela Frente Parlamentar de Educação revelou que crianças a partir dos 11 anos têm realizado esse tipo de aposta. E mais: a estimativa de gasto de estudantes brasileiros com esses jogos passou de R$ 1 bilhão em 2025. Leia mais no Blog da Denise, no site do Correio Braziliense.
CURTIDAS
Não espere um messias/ A ideia de Andrei Rodrigues de buscar um advogado particular para sua defesa arrisca virar moda. É que, na Esplanada, tem muita gente cansada de esperar a Advocacia-Geral da União (AGU).
Não é de hoje…/ Que Andrei Rodrigues e Jorge Messias (foto) têm diferenças. Agora que a AGU se sentiu escanteada na defesa do diretor-geral da PF, tem gente apostando que o mal-estar vai crescer.
PT e STF/ O PT tem reunião, hoje, na sede nacional do partido, em Brasília, para definir posição sobre a crise do Judiciário. Líderes foram convocados para o encontro a portas fechadas, nesta manhã. O direcionamento deve seguir a linha que Lula já tem utilizado em seus pronunciamentos: pedir a quebra de sigilo dos casos e investigação para todos, doa a quem doer.
Até tu, Goiás?/ Candidatos a deputado federal do PSD fazem campanha no estado de Ronaldo Caiado sem qualquer menção ao presidenciável do partido. Um exemplo é Daniel AgroBom, que, em Valparaiso de Goiás, faz campanha em parceria com um candidato a estadual pelo Agir sem pedir votos para o ex-governador. Se nem os candidatos goianos pedem votos para presidenciável, quem o fará?
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 4 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não decidir o que fará diante da crise aberta com as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro, qualquer perspectiva de delação premiada do ex-banqueiro ficará congelada. Entre subprocuradores, há quem considere que se Vorcaro, o empresário, quiser fazer uma delação premiada, não poderá proteger ninguém nem mirar num único alvo. Não dá para ele escolher quem será exposto e quem ficará à sombra. E nem dizer que não fez nada de errado no caso do BRB, conforme vem insistindo.
Por falar em Vorcaro…/ Muitos procuradores classificaram o último depoimento de Vorcaro à equipe do ministro André Mendonça, do STF, como uma tentativa de tirar da frente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Porém, o ex-banqueiro do Master não apresentou qualquer prova concreta contra o policial — apenas o fato de estarem em eventos. Vale lembrar que, nos idos de 2023 e 2024, o Master patrocinava seminários internacionais de think-tanks brasileiros, nos quais Andrei esteve entre os palestrantes. Daí a dizer que são “amigos ou próximos”, a distância é grande. Por essas e outras, a ideia é ir com muita calma. Vorcaro ainda é considerado um personagem perigoso, que tenta manipular a situação a seu favor. Até aqui, deu errado.
Moraes joga gasolina na crise
A decisão de Moraes contra Mendonça, acusando o ministro relator do caso Master de ilegalidades em operações — como a Compliance Zero —, aumenta a pressão sobre o presidente do STF, Edson Fachin. É ele quem deverá assumir o inquérito do banco de Vorcaro ou designar um ministro para fazê-lo. O gesto de Moraes é prova deque a guerra está longe do fim.
Os intranquilos
O STF reforçou a segurança da Corte desde o início da crise entre Moraes e Mendonça. Mais seguranças foram alocados no prédio principal, especialmente nas saídas e entradas da Corte. Moraes também reforçou a segurança pessoal. Fontes consultadas pela coluna disseram que o temor é de eventuais atos hostis mirando o Supremo em razão da repercussão do caso.
A Igreja se posiciona
Durante duas horas, os oito cardeais expuseram suas preocupações e opiniões sobre as eleições, no evento “Igreja e Política — Diálogo dos Cardeais do Brasil”, transmitido pela Rede Vida de Televisão. Com todo cuidado, todos deixaram claro que a Igreja não tem candidato, mas, sim, valores. E que é preciso respeito e propostas por parte daqueles que desejam governar o Brasil. Todos estão muito apreensivos com a agressividade e divisão do país neste pleito.
E a CMO, hein?
A Comissão Mista de Orçamento (CMO) está parada desde antes do recesso parlamentar, em julho. Foi instalada apenas com o presidente, deputado Domingos Neto (PSDCE), e aguarda a indicação para os relatores da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA). O que se diz entre técnicos da CMO é que o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), ficará com a relatoria do Orçamento este ano.
CURTIDAS
O recado de Alcolumbre/ Tem nome e endereço o desabafo que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez no plenário esta semana. O primeiro foi para Carlos Viana (PSD-MG) que, enquanto era filmado por um integrante de sua equipe, cobrou “coragem” de Alcolumbre para pautar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. “Se eu fosse só mais um senador, ia falar muita coisa naquele microfone ali, inclusive para colegas nossos que se acham no direito de fazer um vídeo agredindo as pessoas para o assessor, ao lado, estar filmando para ganhar curtida na rede social e, talvez, para querer ganhar a eleição dia 4 de outubro”.
6 x 1 e os cálculos/ A base governista pretende votar o fim da escala 6 x 1em uma provável semana de esforço concentrado, entre o primeiro e o segundo turno. Na hipótese de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, será mais uma tentativa de levar a oposição ao desgaste de apostar contra uma medida que tem a chancela da maioria dos trabalhadores.
Onda Cury chega ao DF/ Os dois dígitos que Ronaldo Caiado (PSD) apresentava na pesquisa Correio/Opinião, no mês passado, aparecem agora redistribuídos entre ele e o candidato do Avante, Augusto Cury (foto) — que aparecena frente de Caiado. Os números do levantamento estão no site e impresso do Correio Braziliense.
Até aqui…/ Esta primeira semana de campanha eleitoral de rádio e tevê colocou Cury na terceira posição, mas não ao ponto de mexer totalmente no cenário onde predominam Lula e Flávio.
Colaborou: Renato Souza
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 1⁰ de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Com a entrega do Orçamento da União ao Congresso esta semana e os projetos em pauta, o presidente Lula se prepara para dizer, no horário eleitoral, que seu governo acena com responsabilidade fiscal sem tirar de cena os programas sociais. Encaixará nesse discurso pontos levantados pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sobre uma reforma administrativa que “enfrente as corporações” . Durante a participação no Macro Day, do BTG Pactual em São Paulo, Marinho não esmiuçou a proposta de reforma administrativa, mas disse que é preciso enfrentar as corporações, algo que, na visão dele, o atual governo não fará. Há um receio, no poder público de forma geral, de que essa reforma administrativa reduza o ingresso por concurso em alguns cargos e que isso represente um afrouxamento nos mecanismos de controle. Incluídos aí a Receita Federal, a Polícia Federal, o Ministério Público, o próprio Coaf — o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que, hoje, alerta todas essas instituições a respeito das transações financeiras atípicas.
Retorno ao passado/ Um grupo pensa, inclusive, em recuperar a frase do então presidente Jair Bolsonaro, numa reunião em 2020, quando ele foi direto ao dizer que não esperaria “f.. a família” , para trocar alguém de segurança na ponta. “Se não puder trocar, troca o chefe, se não puder trocar, troca o ministro” . Aliás, com a campanha esquentando, as frases antigas de Bolsonaro serão revisitadas por todos os adversários.
Lula e Alcolumbre I
Ao indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga de Bruno Dantas no Tribunal de Contas da União (TCU), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, garante um lugar de peso para o seu aliado, mas não sela a sua pacificação com Lula, uma vez que este posto já é de indicação dos senadores. O que falta para dar os 100% entre Lula e o senador amapaense é Alcolumbre desmontar as travas para a aprovação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal.
Lula e Alcolumbre II
Como o leitor da coluna já sabe, o presidente Lula não desistiu de indicar o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) e planeja fazer isso depois da eleição. Porém, já tem gente apostando que Bruno Dantas não teria deixado o cargo sem a promessa de uma indicação ao STF. Com isso, duas das possíveis quatro novas vagas na Suprema Corte seriam destinadas a homens.
Vão dificultar
A oposição no Senado promete uma votação demorada da PEC do fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Para isso, preparou um kit obstrução robusto para comissão e plenário, caso necessário, e garante que votará contra o texto, diferentemente do que ocorreu na Câmara. De acordo com senadores ouvidos pela coluna, a oposição não irá se “furtar” do compromisso com o Brasil e com quem gera emprego no país, diferente dos deputados que não bancaram o voto contrário. “Lula está buscando a bala de prata, que não ocorrerá” , diz o senador Rogério Marinho.
Convocação geral
Parlamentares da base do governo Lula estão a caminho de Brasília nesta semana para a possível votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6×1 no Senado. Mesmo em período eleitoral, deputados e senadores estão confirmando presença no Congresso Nacional hoje e, principalmente, amanhã. A expectativa no Parlamento é a de que o texto seja aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) amanhã.
CURTIDAS
Efeito Cury/ Se as futuras pesquisas confirmarem o crescimento de Augusto Cury nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá que rever a sua disposição de não participar de debates. Pelo menos essa é a opinião de deputados que apoiam a candidatura do senador. É que, com vários representantes mais conservadores no páreo, quem não se apresentar corre o risco de perder a torcida.
O entusiasmo fala/ Se alguém tinha alguma dúvida sobre para que lado pende o coração de, pelo menos, parte dos barões do mercado financeiro nesta eleição, agora não tem mais. Na plateia do Macro Day, do BTG Pactual, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha de Flávio Bolsonaro, foi ovacionado ao dizer que era preciso tirar o PT.
Novos tempos/ Para a mesma plateia do BTG, o vice-presidente Geraldo Alckmin havia dito antes do senador potiguar que há uma tendência natural no mundo de redução da jornada (e/ou escala) de trabalho e que era possível a aprovação da PEC esta semana. Teve gente se remexendo na cadeira.
E a segurança, hein?/ Logo depois de se referir à segurança pública como algo que a Constituição atribui aos estados e não à União, o ministro da Fazenda, Dario Durigan (foto), se referiu ao aniversário de um ano da Operação Carbono Oculto, que desbaratou um esquema do crime organizado para lavar dinheiro usando postos de combustíveis e fundos de investimentos. E foi além, ao dizer que está-se montando um sistema de IA para a realização de uma Carbono Oculto a cada dois meses. Se for por aí, avaliam governistas, Lula pode ter um passe para entrar com o pé certo no discurso de combate ao crime organizado.
Colaborou Luiza Altoé
Coluna Brasília-DF publicada na sábado, 30 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Quem quiser apostar que uma delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro saia antes das eleições arrisca perder dinheiro ou um bom vinho. Preso e acusado de fraude contra o sistema financeiro, apenas agora veio a perspectiva de uma nova delação, que ainda precisa ser posta no papel, avaliada pelos investigadores, pelo Ministério Público e por aí vai. Esse processo leva, pelo menos, 30 dias. Portanto, difícil que ele sirva de balizador do eleitorado na reta final da campanha. Aliás, o que se ouve no Supremo Tribunal Federal é que isso não pode ser usado para beneficiar ou prejudicar o candidato A, B ou C. O mesmo raciocínio vale para o caso das emendas parlamentares. A ideia é suspender operações ao longo do processo para evitar acusações de interferência no processo. A não ser que seja algo tão grave que não possa ficar para depois.
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Quem perde de fato/ Essa demora, porém, seja com a delação de Vorcaro (se for realmente uma delação contando tudo), seja com o caso das emendas, deixa o eleitor sem todas as informações para que possa decidir de forma mais clara em quem votar, avaliando erros e acertos de cada candidato. Triste de quem terá que votar com essa sombra sobre o futuro.
Um acordo futuro
O almoço entre o presidente Lula e os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e o do Senado, Davi Alcolumbre, foi muito além dos projetos em pauta. Pelo andar da carruagem, ficou meio que alinhavado um entendimento num cenário de Lula reeleito. Consiste no seguinte: se Motta e Alcolumbre tiverem condições de reeleição para as posições que ocupam, terão o apoio do PT.
E um baixar a poeira
A ordem entre eles é trabalhar para retomar o que Lula chamou de “institucionalidade”. Ou seja, baixar a temperatura das crises entre os Poderes para trabalhar os problemas do Brasil, em especial, a economia e os projetos de desenvolvimento.
A esperança de virar a página
O esforço concentrado desta semana é visto como a esperança do presidente Lula e de seus aliados de colocar uma pauta positiva na campanha eleitoral, a começar pela medida provisória que acaba com a taxa das blusinhas, a ser relatada pela senadora Leila Barros (PDT-DF), a Leila do Vôlei, passando ainda pelo marco legal dos minerais críticos e o fim da escala de trabalho 6×1.
Um flanco aberto I
O presidente Lula vai aproveitar o fato de o senador Flávio Bolsonaro ter dito em entrevista ao Jornal Nacional que não acredita no aquecimento global para empinar a bandeira ambiental e tentar classificar o candidato do PL como alguém que despreza a ciência. Afinal, o aquecimento já foi consagrado pelos cientistas e os problemas econômicos e sociais causados por esse fenômeno crescem a cada dia. A última tragédia foi na semana passada, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O Rio Grande do Sul, por exemplo, continua em alerta para tempestades e ventos fortes, onde duas pessoas morreram.
Um flanco aberto II
Não foi apenas Flávio que deixou abertura para ataques dos adversários. O fato de Lula ter aparecido em fotos antigas ao lado da lobista Roberta Luchsinger, depois de dizer que não conhecia a “pilantra”, fará do presidente-candidato alvo fácil nos próximos dias, tal e qual Flávio Bolsonaro virou depois de dizer que não tinha nada com Daniel Vorcaro. O financiamento do filme veio a público e deixou o candidato numa defensiva da qual ele não consegue se livrar, uma vez que ele próprio mencionou um contrato com Vorcaro que nunca foi apresentado. Flávio insiste em dizer que não houve dinheiro público, embora o financiamento tenha vindo de um banco que captou recursos em fundos de previdência, inclusive do Rio de Janeiro, onde ele é senador.
CURTIDAS
Tensão/ No entorno de Lula, o que se diz é que a lobista Roberta Luchsinger não tem nada que possa comprometer o petista. Porém, tal e qual a mãe de Lurian, filha mais velha do presidente, tentou prejudicar Lula na campanha de 1989, acusando o então candidato de lhe propor um aborto, qualquer mentira nessa curta campanha pode representar um estrago.
O jogo de Leila do Vôlei/ Candidata à reeleição, a senadora terá um momento de visibilidade que a oposição não tem como criticar. Leila (foto), da sua parte, aproveita a oportunidade para se mostrar uma promotora do diálogo. Ela já se reuniu com o governo e irá se reunir com o setor produtivo.
6×1 na campanha/ Quem teve qualquer relação com o projeto não deixa de citar o texto nos seus jingles. Léo Prates (Republicanos-BA), relator do texto na Câmara, na semana passada, inclusive, mencionou que estava articulando a aprovação do projeto no Senado.
Coluna Brasília-DF publicada na sábado, 29 de agosto de 2026, por Carlos Alexandre de Souza
Na rodada de entrevistas realizada pelo Jornal Nacional, o candidato Renan Santos (Missão) defendeu que o Brasil precisa de uma bomba atômica para se fazer respeitado — ou temido? — pelas demais potências mundiais. Para uma declaração desse porte, convém fazer dois reparos.
O primeiro: seria preciso mudar a Constituição brasileira, que determina o uso de energia nuclear apenas para fins pacíficos. O segundo: não há possibilidade de os Estados Unidos permitirem um programa nuclear militarizado em um país vizinho que mantém relações amistosas com a China e a Rússia.
De todo modo, o fortalecimento militar do Brasil não constitui um disparate. Pelas dimensões que possui e em razão das ameaças externas e internas ao território nacional, é pertinente ampliar o poderio militar do país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou essa necessidade recentemente, ao comentar que é preciso “preparar o país não para a guerra, mas para a paz”.
O problema é ter um orçamento para executar tal tarefa. Na realidade fiscal de hoje, essa possibilidade simplesmente não existe.
Aécio na área
Com a decisão, divulgada ontem, de disputar a corrida eleitoral para o Senado por Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB-MG) deixou a disputa mais embaralhada. Ele diz que cedeu à pressão do partido, de empresários e de lideranças regionais para voltar às urnas. A mudança de nome dos partidos é permitida até 15 dias antes da eleição.
Concorrentes
Segundo as pesquisas de intenção de voto, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) lidera a disputa para o Senado. A segunda vaga tem como postulantes Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL) e Marcelo Aro (PP), entre outros.
Plano B
A reviravolta com a candidatura de Aécio veio na sequência dos rumores, no início da semana, de que outro mineiro poderia mudar a rota eleitoral: Romeu Zema, candidato do Novo ao Planalto. Nos bastidores, comenta-se a possibilidade de ele optar por concorrer ao Senado aos 45 do segundo tempo.
E o Fundo Eleitoral, hein?
Perto de R$ 5 bilhões, o Fundo Eleitoral é insuficiente para bancar o teto das candidaturas a todos os postulantes a cargo público. E a insatisfação começou a ganhar voz. No Rio Grande do Norte, o candidato a deputado estadual Ivan Baron — que subiu a rampa durante a posse de Lula, em 2023, representando os brasileiros com deficiência — recebeu apenas R$ 24 mil para a sua campanha.
Esquece isso aí
Está em declínio a ideia de aprovar um projeto de lei ordinária que regulamentaria as jornadas especiais de trabalho após a aprovação do fim da escala 6 x 1. Parlamentares ouvidos pela coluna explicam que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) já prevê redefinições de jornadas pelas convenções trabalhistas e ressaltam que foi por causa de uma demanda dos empresários que essa possibilidade foi resguardada.
Caso a caso
Há quem diga que, se algum setor não conseguir se ajustar por meio de convenção, seria o caso do Congresso de se debruçar sobre a dificuldade e aprovar eventuais ajustes. Dois setores podem precisar dessa revisão: telesserviço e jornalismo, por terem apenas 30 horas em seis dias, mas que reduzirá para 25 horas em cinco dias caso a PEC do fim da escala 6 x 1 seja aprovada.
Isonomia entre os produtos
Para agradar o setor, é possível que a relatora da medida provisória da taxa das blusinhas, Leila Barros (PDT-DF, foto), insira no texto uma conformidade entre produtos brasileiros e estrangeiros. Ou seja, os comprados pelas plataformas terão de passar pelas mesmas exigências de produção, fiscalização e autorização que os nacionais — como, por exemplo, produtos que precisam de aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É uma sugestão para facilitar o consenso com a indústria brasileira.
Sob nova direção
O ex-secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e ex-presidente do Sebrae Nacional Sérgio Moreira assume a direção de Operações e Projetos do Instituto Amazônia 21. A iniciativa é da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e das Federações da Indústria da Amazônia Legal.
Madeira nobre
Um dos programas que estarão sob a gestão de Sérgio Moreira é o Morar Amazônico. A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a Caixa Econômica Federal, por meio do Fundo Socioambiental Caixa (FSA). O objetivo é provar que a indústria sustentável da madeira nativa manejada pode contribuir para soluções habitacionais de interesse social e fortalecer a cadeia produtiva da construção civil.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 27 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A conversa entre Lula e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vem sob encomenda para dar à campanha do petista um mote que o tire dos assuntos espinhosos, como as suspeitas que envolvem o filho mais velho em tráfico de influência, e as dificuldades que o país atravessa na seara econômica. Para completar, a foto dos três juntos em prol de projetos que regulamentam minerais críticos, taxa das blusinhas e outras matérias bem vistas pela população foi lida no meio político como um ponto que coloca Lula na posição de um líder que dialoga com outros partidos em benefício do povo. Ainda que não consiga aprovar tudo na semana de esforço concentrado, terá engatilhado o discurso das “entregas”.
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Discurso e receita/ As pautas que serão votadas na semana de esforço concentrado, a partir da próxima segunda-feira, tratam das maiores bandeiras defendidas por Lula: direitos da classe trabalhadora e a proteção da soberania do Brasil. Contudo, nem só de discurso vive o governo do petista. A regulamentação do regime tributário de datas centers, o Redata, deve atrair R$ 500 bilhões em investimentos, assim como a política nacional de minerais críticos, que deve somar R$ 192,1bilhões ao PIB brasileiro até 2050 — segundo estudo da Amcham Brasil. Uma injeção de recursos em um orçamento deficitário.
Dark Horse, a incógnita
Integrantes da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) têm dito que os valores de distribuição do Dark Horse, o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro, periga inviabilizar a exibição do longa-metragem nos cinemas brasileiros. Por enquanto, o que se sabe até agora é que custou, pelo menos, US$ 13,3 milhões. Porém, a produtora ainda não apresentou o contrato com Daniel Vorcaro, que teria financiado R$ 61 milhões. Por essas e outras, aquela ideia de lançar o filme em setembro, em plena campanha eleitoral, ainda está pendente.
Hora das contas
A equipe econômica do governo trabalha para fechar o Orçamento e enviá-lo ao Congresso na próxima segunda-feira. A dificuldade está em “fechar as contas”. A percepção de muitos, nos bastidores, é de que haverá deficit tanto em 2027 como em 2028. Nem mesmo o valor do salário mínimo, já adiantado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, de R$ 1.741, está acertado, uma vez que depende da inflação fechada para realizar o cálculo.
Fuga da polarização
Flávio Bolsonaro deve ficar sem o palanque de Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. A missão do ex-governador é se eleger e, ainda que seu partido esteja coligado ao PL, a estratégia em curso é ignorar a disputa presidencial e, assim, tentar buscar os votos de petistas e bolsonaristas. A avaliação dos aliados do tucano é de que, ao ficar distante de Flávio, a campanha tira o único argumento dos petistas contra Ciro: dizer que o ex-governador estaria alinhado a Jair Bolsonaro.
Por falar no Ceará…
O deputado Mauro Benevides Filho (União-CE) foi retirado da vice-liderança do governo da Câmara dos Deputados após políticos do Ceará dizerem a Lula que o parlamentar deixava eleitores confusos. Benevides já declarou, mais de uma vez, o voto em Lula nesta eleição, mas é aliado e coordenador econômico de Ciro Gomes no Ceará. Para petistas, essa posição ambígua de Benevides é prejudicial para a campanha do atual governador, Elmano de Freitas (PT), porque estaria retendo o crescimento dele nas pesquisas.
CURTIDAS
Dois tons…/ O discurso de Hugo Motta no Alvorada foi na linha daquilo que os petistas queriam: falou da conversa entre eles como algo que “o Brasil precisa”. Para muitos políticos, ficou subentendida a necessidade de manter essa configuração.
… de vermelho/ Embora tenha reclamado do pouco tempo para os senadores analisarem as medidas provisórias, Alcolumbre fez questão de elogiar Lula como alguém que sabe rever decisões e ajustar rotas.
Presença em causa própria/ Ao participar apenas do culto de 111 anos da Assembleia de Deus em Alagoas, Arthur Lira (PP-AL) fez seu próprio cálculo — e não se deveu à presença de Flávio Bolsonaro. Embora em política as coincidências passem longe, o ex-presidente da Câmara dos Deputados considerou que não podia ficar fora da festa, ainda mais porque queria aproveitar para vincular o aniversário ao seu número para o Senado na urna eletrônica.
Por elas/ O IDP promove, amanhã, às 10h, em São Paulo, mais um debate. Desta vez, o tema é “Proteção das mulheres no ambiente digital e o novo dever de cuidado das plataformas”. A moderação será da coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Renata Mielli (foto). O painel conta com a participação do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva; da gerente de Relações Governamentais e Políticas Públicas no Google, Flávia Annenberg; da gerente de políticas públicas da Meta, Mag Kang; e da diretora-executiva do InternetLab, Fernanda Campagnucci.
Colaborou Rosana Hessel



















