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Nova York, por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — Em entrevista logo após o encerramento da 15ª edição do LIDE Brazil Investment Forum 2026, hoje em Nova York (12/5), o fundador e co-chairman do LIDE, João Doria, destacou a necessidade do Supremo Tribunal Federal (STF) fazer uma autoavaliação e corrigir rotas. “A prova de humildade só dignifica e engrandece as pessoas e instituições. Nunca vi alguém criticar o zelo, a humildade e o reconhecimento das suas próprias falhas e dos seus equívocos. O Supremo é bem povoado, eu diria, por bons juízes, por aqueles que cumprem o seu papel, mas os equívocos podem ser avaliados. As pessoas são passíveis do erro. Não pode adotar o procedimento de não perdoar os erros, o que você não pode perdoar é a sucessão dos erros. Se eu pudesse modestamente sugerir ao STF, pudesse talvez fazer um momento de retiro e uma reunião mais profunda, mesmo fora de Brasília, com os 10 ministros que lá estão”, afirmou Doria.
O ex-prefeito de São Paulo lembrou que ainda há um ministro a ser indicado e que seria necessário realizar essa reflexão de forma tranquila, equilibrada e serena pela importância que a Suprema Corte tem na sustentação da democracia do país. Doria destacou ainda a expansão do poder do Judiciário ao acabar se intrometendo em decisões políticas. “Talvez um excesso de autoridade. O Supremo, por circunstâncias políticas, acabou sendo o esteio final que quase todas as decisões, não só institucionais, mas até decisões políticas que, a meu ver, não cabem à Suprema Corte Brasileira e sim ao Congresso. Há que se respeitar, certo ou errado, a independência dos poderes. O Poder Legislativo tem a sua independência e precisa ser respeitado, assim como o Executivo e o Judiciário. Houve um excesso, ultrapassou, a meu ver, a linha daquilo que competia ao STF. Mas por consequência, não foi uma ideia, não foi uma vontade específica dos ministros do Supremo. Foram consequências, aliás, iniciadas no governo anterior (Jair Bolsonaro). Mas sempre é tempo de corrigir, melhorar e reposicionar o Supremo com a qualidade dos ministros que ele possui”, completou.

Quem também comentou a tensão entre os Poderes foi o ex-presidente Michel Temer, que defendeu a linha da pacificação e conciliação diante da radicalização que se instalou no país. “Eu tenho dito aos candidatos que falam comigo: você deveria anunciar ao povo brasileiro que no terceiro, quarto dia do seu governo vai chamar os dois Poderes, a oposição, as entidades, a sociedade civil e dizer ‘Vamos fazer um grande pacto republicano pelo país’. Depois cada um toma seu rumo lá nas eleições. Mas neste momento é preciso de oportunidade. Quem propuser esta fórmula acho que agrada uma boa parcela da população, porque percebo pelas visitas que recebo em meu escritório em São Paulo, que as pessoas estão cansadas, não da polarização, que é um embate de ideias, conceitos, projetos, mas cansados da radicalização. O que se deu no Brasil hoje foi radicalização”, defendeu.
Ativismo judicial e supersalários
Com um discurso mais assertivo, o deputado Ricardo Barros (PP-RS) acusou a Suprema Corte de escolher quais candidatos estarão aptos para serem votados pela população. “Este é um ano de eleição, uma reeleição é um plebiscito, ou o governo para, ou continua. O outro candidato é só o repositório da insatisfação. Então vamos enfrentar essa escolha dos brasileiros, mas o Brasil não tem sido assim. Fui relator da lei do abuso de autoridade, conseguimos resolver muitas coisas no Judiciário, mas o ativismo político do Judiciário está cada vez mais intenso e quem decide não tem sido mais o povo. Quando foi conveniente tiraram o Lula, depois devolveram o Lula, quando foi conveniente tiraram o Bolsonaro e assim o povo não pode votar em quem quer, vota em quem eles deixam”, disse. Contudo, com a posse nesta terça-feira (12/5) do ministro Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral, o parlamentar espera que tenha menos “ativismo e mais o cumprimento das leis” no pleito de outubro.

O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) também lançou críticas ao Poder Judiciário ao falar dos supersalários. Relator da reforma administrativa, que segue parada na Câmara dos Deputados, Paulo reforçou que o governo federal defendeu corrigir os andares de cima e de baixo, mas excluiu o setor público da mudança. “Temos membros do setor público em todos os entes — Executivo, Judiciário e Legislativo — que ganham muito mais do que o teto previsto na Constituição. Enfrentar esses privilégios não é simples, não é fácil. Há uma resistência gigante do setor público, mas precisamos enfrentar ou o Brasil não vai avançar. É de se indignar ver um membro do Judiciário recebendo R$ 200 mil, R$ 240 mil por mês de salários mais os famosos penduricalhos”, criticou.
*Viajou a convite do LIDE
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 12 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Nova York — Ligado ao PT e advogado de Ibaneis Rocha no caso Master, o advogado Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, advogava para Ciro Nogueira há mais de 10 anos. Venceu todas as causas do senador ao longo do período. Porém, agora, o desafio vai além do senador. Envolve um partido aliado a Jair Bolsonaro, o que é demais para um advogado ligado ao PT, que tem entre seus clientes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu. Para completar, no caso Master, Kakay defende o ex-governador do Distrito Federal. Ou seja, juntou muita coisa. Daí, a assunção de Conrado Gontijo, em quem Kakay confia. Conrado é citado entre tarimbados advogados como “um menino novo, porém brilhante”. Mas se Conrado perder a causa, não terá sido Kakay.
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Valia por dois/ A família de Ciro será representada por Rodrigo Mudrovich, que lá atrás advogou para a mulher do ex-deputado Eduardo Cunha. A tempestade sobre os Nogueira está apenas começando.
Diferenças
Muita gente mudou de advogado, ao longo dos últimos meses, porque queria partir para uma delação premiada. Não é o caso de Ciro Nogueira. O discurso do senador é e será o de perseguição política. Até quando conseguirá manter essa versão é que é a maior incógnita. O futuro a Deus pertence.
Quem tem tempo…
… não tem pressa. Até aqui, quem acompanha o processo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro avalia que a delação está muito longe de ser homologada.
Ralo clandestino I
Segundo dados enviados à Comissão Externa sobre os Atos de Pirataria e a Agenda do “Brasil Legal”, o país deixou de arrecadar, entre 2017 e 2025, R$ 8 bilhões em impostos devido à pirataria. Esse valor poderia custear sete meses de Bolsa Família, por exemplo.
Ralo clandestino II
O estudo alerta para uma brecha dentro das plataformas internacionais que usam o modelo cross-border — comércio eletrônico internacional onde empresas vendem produtos para consumidores em outros países— e que ainda pagam metade da carga tributária de empresas brasileiras. A ação tem, ainda, o apoio da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria (FPI).
CURTIDAS

As voltas que o mundo dá/ Há dois anos, Ciro Nogueira passeava pela Quinta Avenida, em Nova York, acompanhado do ex-deputado Fábio Faria, quando foi flagrado pela coluna. Ambos são ex-ministros de Jair Bolsonaro. E Ciro logo tratou de deixar meio de lado a sacola de uma loja de grife, que levava a tiracolo. No ano passado, o senador aproveitou a viagem aos Estados Unidos por esse período para uma reunião com Eduardo Bolsonaro, Guilherme Derrite e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda.
“Coloca na pauta aí”/ Os deputados Alberto Fraga (PL-DF, foto) e Soraya Santos (PL-RJ) estiveram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na última quarta-feira, para pedir que paute um projeto de autoria de Fraga. A proposta prevê o aviso às vítimas de violência doméstica e tentativa de feminicídio quando seus agressores forem soltos. A expectativa é de que entre em votação ainda esta semana.
Por falar em votação…/ É tanto deputado em Nova York para a Brazilian Week e a bateria de eventos de bancos e think-tanks que as votações desses dias serão via Infoleg.
Shows na maçã/ Enquanto os turistas e formandos de cursos de artes fazem fila na Broadway, os brasileiros que estarão hoje no Lide Brazil Invesment Forum, em Nova York, assistiram a um pocket show de Michel Teló, patrocinado pelo Spotify. Os debates do Lide terão lugar hoje, com as presenças dos presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
Networking/ Não é só para Lula que os irmãos Batista fizeram uma ponte com o governo Trump. O Diálogos Esfera de ontem, em Nova York, recebeu Donald Trump Jr. Lá estava também André Esteves, do BTG-Pactual.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 8 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O fato de o relator do escândalo do Banco Master no Supremo Tribunal Federal, ministro André Mendonça, ameaçar mandar Daniel Vorcaro de volta à Papuda provocou reações no meio político e jurídico. Há, inclusive, quem esteja procurando alguma brecha para ver se tira a relatoria de Mendonça. Ciente das pressões, o ministro avisou que não cederá e irá prosseguir com a investigação e as operações, doa a quem doer. E mais: se houver qualquer empecilho ao seu trabalho, o ministro levantará o sigilo de tudo o que já tem em mãos. Afinal, nada como a luz do sol para matar os germes.
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Enquanto isso, na União Progressista…/ O casamento entre PP e União Brasil virou um salve-se quem puder. Como o leitor da coluna já sabe, os deputados farão campanha tratando apenas do próprio nome e número. O partido virá minúsculo no material de propaganda. Seus filiados comentavam, ontem, num restaurante, que essa operação que teve como alvo o presidente do PP, Ciro Nogueira, “é o começo do fim do mundo”.
Vem mais
A operação contra Ciro Nogueira era lida no meio político como algo esperado. Agora, os olhos se voltam para Antonio Rueda, presidente do União Brasil. Os aliados dele esperam que ele sobreviva para tocar a federação nesse período eleitoral.
Protocolar
Só no fim da tarde, mais de 10 horas após a busca e apreensão contra Ciro Nogueira, é que o partido comandado por ele soltou uma nota a respeito da operação. Nas oito linhas que levam a assinatura do secretário-geral do PP, Aldo Rosa, nem uma palavra criticando o mandado do ministro André Mendonça. O partido se limitou a dizer que espera veros fatos devidamente esclarecidos, que prevaleça o exercício do amplo direito à defesa e reafirma confiança na Justiça.
O “ganha-ganha” de Lula e Trump
Por mais que existam diferenças entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, o fato de terem dialogado abertamente na Casa Branca, ontem, foi comemorado pelos dois países. Afinal, Trump precisa ampliar sua interlocução no mundo e Lula precisa mostrar que sua aposta no diálogo não é apenas retórica. A avaliação de diplomatas é de que ambos atingiram seus objetivos nessa conversa.
Golfo pede apoio
Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad(PSD-MS) recebeu um grupo de embaixadores de países do Golfo. Querem que o Brasil emita uma nota de repúdio às nações que estão bombardeando regiões que não estão em guerra. Trad prometeu ajudar.
CURTIDAS

Recordar é viver I/ Um dos assuntos mais comentados nas redes sociais foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dizendo, há alguns meses, que Ciro Nogueira (ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro) poderia ser seu vice, porque era de uma lealdade ímpar ao ex-presidente.
Recordar é viver II/ Fez sucesso ainda um vídeo divulgado há alguns meses em que Ciro Nogueira, num evento no Piauí, diz que o CPF dele era um e o de Daniel Vorcaro outro, mas que se surgisse “alguma denuncia comprovada”, renunciaria ao mandato. Os internautas fizeram da hashtag #RenunciaCiro um dos assuntos mais comentados do Brasil.
O que se diz em Teresina…/ Ditado muito ouvido entre os políticos do Piauí: “Ninguém faz a feira confiando em Nogueira”.
Ceará em Nova York/ O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT, foto),será “keynote speaker” no LIDE Brazil Investment Fórum, que reunirá cerca de 400 empresários na Big Apple, na próxima terça-feira (12). Participam do debate sobreo “o futuro do Brasil”, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e os presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). O evento faz parte da Brazilian Week, que reúne empresários e autoridades na capital financeira do mundo.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 7 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Dois senadores norte-americanos — um democrata e um republicano — procuraram o presidente de Comissão de Relações Exteriores, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), para conversar sobre a posição do governo e do Congresso acerca dos minerais críticos e terras raras. O parlamentar deixou claro que o Brasil não abrirá mão da soberania nacional e informou que há um projeto em tramitação no Legislativo. Nos bastidores, a certeza é deque os senadores dos Estados Unidos vieram pegar informações para o encontro de hoje entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, em Washington.
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Ganha-ganha/ O encontro entre Lula e Trump é visto por parte dos políticos brasileiros ligados ao governo como positivo para os dois presidentes. Trump está com a popularidade em baixa nos EUA e precisa ampliar o diálogo. Lula, idem, ainda mais em se tratando de um ano eleitoral. Se a “química” continuar funcionando, ambos sairão da conversa de hoje tendo o que comemorar.
O que eles temem
A notícia de que o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, havia apresentado a sua proposta de delação premiada, surgiu em meio à sessão de comemoração dos 200 anos da Câmara dos Deputados. A aposta dos políticos é que, em breve, virá uma nova bateria de buscas e apreensões para confirmar o que o ex-banqueiro apresentou. A maior preocupação é que tudo comece a aparecer justamente no início das campanhas eleitorais. Aí será difícil explicar.
Apostou…
A oposição tem certeza de que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), não levará os três processos de suspensão dos deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Marcos Pollon (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC) ao Plenário. Seria um desgaste grande no futuro de quem deseja se reeleger presidente da Casa.
… errado
Contudo, aliados próximos à Motta garantem: ele irá até o fim nas suspensões. De acordo com os deputados, o presidente quer passar um recado claro de que há limites para manifestações dentro da Câmara, e que impedi-lo de sentar-se na cadeira da Presidência ultrapassou o decoro parlamentar. Além disso, outros parlamentares defendem que Motta paute as três punições no Plenário para não desmoralizar a Casa. Um sinal, segundo aliados, foi o cancelamento da Ordem do Dia, na terça-feira, para que o Conselho de Ética apreciasse as suspensões.
A vantagem de Caiado
A pesquisa Quaest divulgada esta semana foi comemorada pelo PSD. Nela, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pré-candidato ao Planalto pelo partido, aparece no estado que governou com um índice de 76% de “conhece e votaria”. Em Minas Gerais, Romeu Zema, do partido Novo, tem apenas 38%nesse mesmo ponto, enquanto 53% afirmam conhecer e não votar nele.
CURTIDAS

Candidatíssimo/ O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que será candidato a um mandato por Minas Gerais, deixou nos antigos colegas de Parlamento a sensação de que, se voltar, tentará retornar ao comando da Casa. Ele fez questão de dizer que a aprovação das emendas impositivas, em sua gestão, garantiu a independência do Legislativo diante do Executivo. E comemorou o feito rebatendo o argumento de que as emendas estariam “sequestrando” o Orçamento.
Reencontros/ A sessão solene dos 200 anos da Câmara foi quase uma “volta às aulas”. O ministro da Defesa, José Múcio, presente ao evento, foi cumprimentado por representantes de todos os partidos. E quem se destacou no quesito “rejuvenesceu” foi o ex-deputado Rodrigo Maia. De barba e mais magro. Alguns deputados tiveram dificuldade de reconhecer o ex-presidente da Casa.
Cancela isso aí/ Os deputados Danilo Forte(PP-CE) e Joaquim Passarinho (PL-PA) apresentaram (foto), ontem, à Comissão de Minas e Energia um relatório recomendando ao Tribunal de Contas da União (TCU) o cancelamento do leilão de capacidade de energia deste ano. O documento foi encaminhado aos órgãos de controle e fiscalização para instauração de inquéritos, auditorias e pedidos de informação, sob argumentos de corrupção passiva e prevaricação, práticas anticoncorrenciais, entre outras possíveis irregularidades. De acordo com os parlamentares, o leilão ignorou outros tipos de energias limpas e o uso de baterias.
Anota aí/ A posse do novo ministro do TCU, Odair Cunha, será em 20 de maio. O deputado venceu as eleições na Câmara dos Deputados, em abril, e foi homologado pelo Senado um dia depois.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 29 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Com Daniel Vorcaro elencando os integrantes da política nacional em sua delação, a pretensão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa é centrar na figura do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e outros próceres da política local. Aliás, foi por essa perspectiva de referências a Ibaneis que o advogado Cleber Lopes, conforme ele mesmo relatou a amigos, deixou a defesa de Paulo Henrique e indicou Davi Tangerino e Eugênio Aragão. Cleber foi advogado de Ibaneis, de quem é amigo. Não dava para misturar as coisas.
Veja bem/ O problema é que parte da nova defesa de Paulo Henrique já teve alguns embates com ministros do STF e não foram dentro de processos. Em janeiro de 2017, por exemplo ,o ministro Alexandre de Moraes anunciou que processaria Eugênio Aragão por causa de insinuações difamatórias de ligações com o PCC, feitas por Aragão em entrevistas. Como dizem os políticos, quem bate costuma se esquecer, mas quem apanha não esquece fácil. Só o tempo para amortecer. De lá para cá, passaram-se quase 10 anos.
Dosimetria em xeque
A oposição sentiu o baque diante das afirmações de integrantes do governo Lula sobre a derrubada do veto da dosimetria beneficiar chefes de facções, diminuindo o tempo de espera para a flexibilização das penas desses criminosos. Os bolsonaristas passaram essa terça-feira em reuniões tentando encontrar algum meio de contornar a situação. Um dos planos é votar apenas trechos do projeto vetado e manter os vetos relativos às penas de crimes hediondos.
Nem vem, mas vai
A base governista considera ser impossível manter o veto a apenas essa parte do texto. Porém, no Congresso, com acordo, tudo é possível. Os oposicionistas esperam o apoio do centro para encontrar e aprovar uma brecha regimental, a fim de tirar qualquer benefício dos chefes de facções criminosas.
No centro
Os ministros Nunes Marques e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, fizeram campanha abertamente para Jorge Messias integrar a Corte. Num STF rachado, as apostas são de que, se for aprovado, Messias chegará “pianinho” ao tribunal, evitando se alinhar de primeira a um ou outro grupo do colegiado.
Tempo & votos
A previsão é de que a sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça do Senado seja longa, tal e qual a de Flávio Dino, que durou mais de 10 horas. E sem pausa até a votação. O relator Weverton Rocha (PDT-MA) pretende reduzir esse tempo, pedindo aos senadores da base aliada que não usem os 10 minutos que cada um terá para fazer perguntas a Messias. Na visão do relator, a sabatina não mudará o voto de ninguém, todos os congressistas da CCJ sabem como vão se posicionar. Entre os aliados de Messias no Senado, a contagem de votos no plenário flutua entre 43 e 48 votos. Na CCJ, cravam 17.
Papo reto
A recomendação que os aliados passaram para o advogado-geral da União, Jorge Messias, é que ele seja “direto e curto” nas respostas, que não enrole para não se complicar. Uma vez que a oposição falará de temas polêmicos — aborto, 8 de janeiro de 2023 e dosimetria das penas —, o relator considera que Messias não deverá exprimir opiniões pessoais, porque, caso se torne ministro do Supremo Tribunal Federal, isso poderá prejudicar a futura atuação jurídica.
CURTIDAS

Mais uma/ A história das malas que não passaram pelo raio X do aeroporto de São Roque (SP),revelada pela Folha de S.Paulo, é considerada aponta de um iceberg. As malas estavam num jatinho com passageiros ilustres da política, inclusive o presidente da Câmara, Hugo Motta. Alguns senadores dizem que só o fato de o presidente da Câmara, o senador Ciro Nogueira e outros líderes viajarem no avião de um empresário investigado pela CPI das bets já vale outra CPI.
Não está fácil para ninguém/ As últimas rodadas da pesquisa Genial/Quaest nos estados indicam que está difícil prever o comportamento do eleitor nesse período de pré-campanha. Os líderes das pesquisas para vários governos, seja de Minas Gerais, o senador Cleitinho (foto, Republicanos); seja de Pernambuco, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), adotam a cautela. Todos se recordam que muita gente que começou a campanha lá atrás terminou eleito. Haja vista, inclusive, o caso de Gilberto Kassab para prefeito de São Paulo, em 2008, citado ontem no CB.Poder. Começou bem atrás nas pesquisas e foi eleito.
Por falar em Cleitinho…/ O Republicanos não tem do que reclamar nesta temporada eleitoral. Tem Cleitinho liderando as pesquisas, em Minas, e Tarcísio de Freitas, em São Paulo. Tem tudo para sair das urnas com dois dos três maiores colégios eleitorais do país, o que é visto como algo capaz de ajudar na eleição de deputados federais.
Por falar em João Campos…/ O articulado presidente nacional do PSB, João Campos, conseguiu reunir, no mesmo almoço, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e…Jorge Messias. A foto de Pacheco ao lado de Messias é considerada um ponto positivo para ajudar o AGU a ser aprovado no Senado.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 28 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A oposição está decidida a bater no lado religioso do ministro da Advocacia Geralda União (AGU), Jorge Messias, durante a sabatina desta quarta-feira (29), na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A ideia é bater sem dó no ministro, acusando-o de defender o aborto. O ministro é favorável à atual legislação, que permite o aborto em caso de estupro. A ideia é constranger Messias e tentar apresentá-lo como um “falso evangélico”.
Apostas/ Messias, porém, passou todo esse período se preparando para a sabatina desta quarta-feira. É visto como alguém articulado, inteligente, que conseguiu angariar mais simpatias do que resistência desde o ano passado, quando foi indicado para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Por isso, senadores calculam que ele deva ter seu nome aprovado. Na CCJ, os números indicam algo em torno de 16 a 17 votos de um total de 27 que compõem o colegiado
Grande…
Deputados e senadores mais fiéis a Jair Bolsonaro têm feito uma verdadeira blitz no Parlamento a fim de garantir o maior placar possível para derrubar o veto da dosimetria das penas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
… e incontestável
A aposta geral é a de que a redução das penas passa, mas é preciso um grande placar, a fim de mandar um recado ao presidente Lula e ao Supremo Tribunal Federal. Até aqui, tem muita gente dizendo que esse tema da dosimetria voltará ao STF.
Uma avenida para crescer
Coube ao presidente do PSD, Gilberto Kassab, abrir a semana política, ao participar de almoço na Casa Lide, São Paulo, promovido pelo ex-governador João Doria. No evento, Kassab dobrou a aposta no fim da polarização: “Na medida em que o tempo avançar, as outras candidaturas vão crescer, porque há uma rejeição muito grande (de Lula e de Flávio Bolsonaro)”.
A pirataria…
Alguns parlamentares estão preocupados como alto consumo de produtos esportivos piratas no Brasil. Levantamento da Associação pela Indústria e Comércio Esportivo (Ápice) aponta que, em 2023, de 651 artigos adquiridos pelos consumidores, 231,5 milhões de unidades eram pirateadas. O valor representa uma perda de R$ 31,8 bilhões para o setor esportivo, R$ 7,4 bilhões não arrecadados em impostos e 60 mil empregos deixaram de ser gerados no mercado formal.
… preocupa o Congresso
Devido a esses dados alarmantes e a aproximação da Copa do Mundo, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria (FPI), presidida pelo deputado Júlio Lopes (PP-RJ), vai debater hoje, às 14h, na Câmara, os caminhos para diminuir o volume de produtos piratas no mercado.
CURTIDAS

O estadista é o meu/ Na avaliação que Gilberto Kassab (foto) no almoço do Lide, em São Paulo, ele considerou que falta ao país um estadista. “Hoje, o Brasil precisa de um estadista que possa dar para a sociedade brasileira as respostas sobre combate à corrupção, transparência no uso de recursos públicos, reforma administrativa e aperfeiçoamento do Judiciário. E desses pré-candidatos, o que mais representa essa figura é Ronaldo Caiado (PSD)”.
Vai pressionar/ O Ministério das Mulheres começa um périplo no Congresso para cobrara votação do projeto que transforma misoginia num crime tal e qual o racismo. Fontes ligadas à pasta afirmam que a escolha da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) para gerir o grupo de trabalho que analisará o texto é um ponto positivo, mas isso não garante a votação. Tem muita gente achando que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), seguiu a máxima, quando você não quer resolver um problema, cria um grupo de trabalho. É a fórmula clássica para reduzir pressão sem acelerar nada.
Atraso sob investigação/ A Comissão de Minas e Energia realiza, hoje, audiência pública para debater o uso de usinas termoelétricas em vez de usar energia armazenada em baterias, tal e qual funcionam hoje os carros elétricos. Até agora, o governo não regulamentou isso. O debate começa às 10h e seguirá por toda a tarde nesta terça-feira.
Anote na agenda/ Nesta quarta-feira, a Frente Parlamentar do Comércio e Serviço (FCS) receberá representantes do setor do turismo para discutir os impactos do fim da escala 6×1 no setor. A reunião-almoço contará com a participação de Orlando Souza, presidente executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB).
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 24 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A desoneração da folha de salários será o grande embate dentro da comissão especial que vai analisar a proposta de emenda constitucional que prevê o fim da escala 6×1 (seis dias trabalhados para um de folga). A avaliação de parlamentares de centro é de que, se o governo não ceder nada no quesito desoneração, corre o risco de não aprovar o texto. Hoje, esse tema está no seguinte pé: do lado do governo, tanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, quanto parlamentares afirmam que não aceitam nenhum tipo de desoneração porque não há como bancar a conta. Os oposicionistas vão jogar todas as suas fichas nisso. O centro buscará o meio-termo.
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Nem lá, nem cá/ Ao centro, prevalece a ideia de uma “desoneração light”, em que o governo abra mão de alguns encargos — não todos — e apenas para as pequenas empresas, que vão sentir mais o impacto do fim da 6×1. Para esses parlamentares, as grandes empresas conseguirão absorver os custos sem maiores problemas.
O recado de Gilmar
A fala do ministro Gilmar Mendes sobre as delações premiadas, na entrevista ao CB.Poder, foi do agrado dos investigadores. O decano foi incisivo ao dizer que as delações precisam ir além daquilo que a polícia já sabe. No caso Master, quem acompanha de perto diz que ou Daniel Vorcaro e outros entregam tudo, ou vai ficar difícil conceder o benefício.
Tudo junto e misturado
A avaliação de muitos é de que as delações relativas ao caso Master deverão sair às vésperas do período de convenções partidárias, ou seja, final de julho. Até lá, muitas candidaturas ficarão pelo caminho.
Deixa para depois
Os opositores do governo querem mesmo promover a reforma do Judiciário via Congresso Nacional, mas com as duas Casas Legislativas mais fortalecidas à direita. A oposição aposta que será maior e mais forte após as eleições — tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado —, e, assim, conseguirá aprovar a reforma no Supremo Tribunal Federal (STF), com impeachment de ministros, idade mínima para ingresso na Corte e código de conduta.
Por falar em STF…
Muitos no Congresso veem a futura decisão do Parlamento sobrea dosimetria das penas, em pauta na próxima quinta-feira, como um tema capaz de tentar baixar a poeira entre os Poderes, caso o Supremo Tribunal Federal não derrube o que for deliberado por deputados e senadores. Afinal, antes mesmo de o STF se debruçar sobre o assunto, será invadido por uma enxurrada de pedidos de soltura.
CURTIDAS

Mão na massa/ Com a proximidade da sessão do Congresso Nacional para apreciar o veto integral do projeto de dosimetria das penas para os condenados pelo 8 de Janeiro de 2023, o relator deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) fará um corpo a corpo junto aos deputados na próxima semana, a fim de garantir os votos necessários para a derrubada do veto. Paulinho acredita que não terá dificuldades para isso. Porém está preocupado com o fato de a votação ocorrer na véspera de um feriado.
Fique tranquilo/ O relator até chegou a pedir o adiamento da sessão com medo de possível esvaziamento por ser véspera de feriado, mas o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) afirmou que a análise será semipresencial. Logo, os deputados e os senadores poderão apreciar o veto pelo sistema remoto.
Memória viva/ A Câmara promoveu sessão solene em homenagem ao Dia da Libertação Italiana, comemorada amanhã. “Data de profundo significado histórico, político e humano, que marca a derrota do fascismo e do nazismo e a retomada do caminho da liberdade e da democracia na Itália. A homenagem não apenas recorda um episódio do passado, mas reafirma valores que permanecem centrais no presente: compromisso com a democracia, com a dignidade humana e a preservação das instituições”, afirmou o deputado Carlos Zaratini (PT-SP), autor do pedido.
Hoje tem festa/ O ex-presidente José Sarney (foto) completa 96 anos nesta sexta-feira. Sarney é uma referência sempre consultada por todos os espectros da política brasileira e história vivada nossa democracia. A coluna registra aqui os parabéns e os votos de saúde e prosperidade.
Coluna Brasília-DF, publicada na quinta-feira 23 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Os investigadores do caso BRB-Master não descartam a aceitação de três delações premiadas — do ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro; do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; e do advogado Daniel Monteiro. Até porque cada um cuidava de uma ponta do esquema. Vorcaro fazia os contatos políticos, Monteiro armava a ocultação de patrimônio e há a suspeita de que Paulo Henrique ajudou a construir as carteiras maquiadas para aquisição do BRB. Os investigadores avaliam, inclusive, que a “imobiliária” que PHC estava montando em São Paulo, com imóveis recebidos do Master, deixam claro que o ex-CEO do BRB pretendia se mudar para a capital paulista. Portanto, há indícios de que seu conhecimento dos negócios de Vorcaro vai muito além do Banco de Brasília.

A corrida/ Como o leitor da coluna já sabe, está posta a corrida sobre quem vai delatar primeiro. A aposta de muitos é de que quem apresentar algo novo terá a prioridade. Até aqui, os investigadores já têm informações capazes de levar o trio Vorcaro-PHC-Monteiro ao banco dos réus com reais chances de condenação. Portanto, se um entregar as irregularidades cometidas pelo outro, não mudará muita coisa. A Polícia Federal (PF) quer as peças que faltam para fechar o desenho do maior escândalo financeiro da história recente do país.
Projeto de Paulo Henrique
Ciente das dificuldades de continuar no mercado financeiro, Paulo Henrique Costa deseja, ao menos, manter-se como servidor da Caixa Econômica Federal (CEF). Ser afastado a bem do serviço público seria um pesadelo.
Projeto de Vorcaro
O ex-banqueiro do Master sonha mesmo é recuperar o patrimônio. Especialmente, conseguir manter o controle sobre os recursos guardados lá fora.
Batam nele
Por mais que Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) critiquem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será apontando as fragilidades de Flávio Bolsonaro (PL) que ambos terão mais chances de conseguir crescer, tirar votos do filho 01 de Jair Bolsonaro e seguir para o segundo turno contra o petista. É na direita que se dará o grande embate do primeiro turno.
Ciente da estratégia
Até aqui, Caiado se convenceu de que esse parece ser o caminho. Tanto que, em suas entrevistas, tem dito que se o PL e Bolsonaro tivessem sido competentes ao governar, o PT não teria voltado.
CURTIDAS

Um relator “light”/ Tanto a oposição quanto o governo querem um relator moderado para a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que extingue a escala 6 x 1 de trabalho, tal e qual Paulo Azi (União-BA), que relatou o texto na Comissão de Constituição e Justiça. Para os parlamentares, o perfil de centro, mais equilibrado, é ideal para conduzir o debate na comissão especial, onde o mérito da PEC será discutido.
Ponto para ele/ Mesmo sendo visto com um olhar de desconfiança no início, Azi conquistou o respeito e confiança da base do governo na Câmara. A comissão especial deve ser composta até o fim da semana que vem.
Fim de assunto/ Romeu Zema (foto) afirmou, com todas as letras, que seguirá firme até outubro. “Vou levar a minha pré-candidatura e candidatura até o fim”, disse na visita à Câmara dos Deputados, antes de participar do lançamento da pré-candidatura de Kiko Caputo ao governo do Distrito Federal. À coluna, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que ainda não tem nomes para o posto de vice, mas fontes ligadas ao partido afirmam que o Novo deseja que seja uma mulher.
Quem manda/ Por mais que o Novo queira uma mulher na vaga de candidata a vice, a decisão caberá a Zema. E a ideia do ex-governador é esperar mais um pouco por essa definição. Dia desses, Zema publicou um vídeo ao lado de Flávio Bolsonaro, dizendo que o estava convidando para ser seu vice. Flávio soltou uma gargalhada.
Coluna Brasília-DF, publicada na quarta-feira 22 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Enquanto a Polícia Federal (PF) não tem nenhum sinal de uma possível delação do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o advogado Daniel Lopes Monteiro se adiantou e se prepara para negociar sua possível delação. Ele é acusado de montar o esquema de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e PHC, além de maquiar as carteiras podres do Banco Master.

Mina de informações/ Investigadores acreditam que se Daniel fez esse trabalho para PHC, é possível que tenha feito para outros clientes. E, assim, sua delação pode trazer peças capazes de ajudar a PF a completar o quebra-cabeças. Caso Vorcaro e o ex-presidente do BRB não se apressem e ofereçam algo maior, Monteiro pode acabar se beneficiando mais.
Sentimento de vingança
Uma parte do Parlamento não se convenceu de que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), quer promover uma reforma no Judiciário. Depois de tantos mandados com alvo em emendas parlamentares, concessão de habeas corpus que frustraram comissões parlamentares de inquérito (CPI) e revogações de quebra de sigilos, a classe política está com o nariz virado para a Corte.
Questão de protagonismo
Muitos parlamentares afirmam em conversas mais reservadas que o artigo de Dino no site ICL Notícias foi uma coleção de palavras ao vento. E dizem que o movimento de reformar precisa partir do Congresso. Se ninguém baixar as armas para dialogar, vai ficar difícil promover uma reforma profunda.
O debate é lá
Para aprovar rapidamente a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de trabalho 6 x 1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apelou aos parlamentares para que deixem emendas e polêmicas para a comissão especial que analisará o mérito do texto. A maioria topou.
Liberdade e trabalho
O deputado Luiz Gastão (União-CE), por exemplo, prepara um voto separado, assegurando a liberdade de definição dos dias de trabalho — ele considera inconstitucional a proibição de trabalho em qualquer dia da semana, inclusive aos domingos. O parlamentar avalia agora se apresentará o texto na futura comissão especial. Motta ainda não definiu a data da instalação.
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União no RS/ O presidente do PT, Edinho Silva, aos poucos vai fechando os palanques estaduais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Rio Grande do Sul, onde havia um estica-e-puxa pela cabeça de chapa, Edegar Preto (PT) será o vice de Juliana Brizola (PDT). E o PSol garantiu a vaga de Manuela d’Ávila (foto) ao Senado — maior prioridade do partido — junto com Paulo Pimenta (PT). O diretório petista aceitou o arranjo antes que houvesse intervenção na decisão da regional.
Todos contra a direita/ Os partidos de esquerda se acertaram no Rio Grande do Sul depois de perceberem que, separados, ampliavam as chances de a direita ganhar tudo. Agora, unidos, os aliados de Lula vão tentar conter o avanço da chapa encabeçada pelo deputado federal Zucco (PL).
Hora de fiscalizar/ É hoje o seminário “Emendas Parlamentares em foco: Transparência, Rastreabilidade e Responsabilização”, organizado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). Além do debate, o movimento apresentará um projeto de lei de iniciativa popular (PLIP) para aprimorar a transparência e controle de emendas. O evento será na sede do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), das 9h às 12h.
Colaborou Renato Souza*
Coluna Brasília-DF, publicada na terça-feira 21 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A depender dos primeiros acordes da pré-campanha eleitoral, o Supremo Tribunal Federal estará na ordem do dia das discussões. Não tem um candidato alheio às propostas de reforma do Poder Judiciário. Os mais radicais pregam impeachment de ministros; outros querem estabelecer prazo de mandato e idade mínima para ingresso na Corte. O difícil será encontrar quem defenda o STF. Dado o mau humor da população para com o Poder Judiciário, ninguém pretende exercer esse papel de advogado do Supremo. Nesse sentido, o ministro Flávio Dino se apresenta de forma incisiva, com propostas de uma reforma e cheio de recados aos críticos da Justiça.

Em artigo publicado no ICL Notícias, Dino ressalta que uma reforma do Judiciário tem que partir de dentro para fora. Quando veio em sentido oposto, foi pelo AI-5, durante a ditadura militar. Ele considera que o país precisa de mais Justiça e não de menos. E uma reforma tem que olhar o interesse público. O ministro não fecha os olhos para a corrupção de juízes e sugere que sejam punidos com aumento de penas e não com a aposentadoria. O debate está posto. Resta saber quem sairá na frente na hora de colocar essas reformas em curso.
Segure o PSD
A possibilidade de ter Gilberto Kassab como candidato a vice numa chapa encabeçada por Ronaldo Caiado não é à toa. Seria a forma de tentar segurar os palanques do partido ao lado do ex-governador de Goiás. Ele chegou recentemente à legenda e tem muita gente por ali que pretende seguir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
E tem mais
Kassab na vice é uma forma, inclusive, de atrair os prefeitos do partido, especialmente em São Paulo, onde muitos apoiam a reeleição de Tarcísio de Freitas para o governo estadual. O risco é, no embalo de Tarcísio, esses prefeitos seguirem para o apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Kassab na vice dificultaria essa corrida.
Clube da Luluzinha
No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro tem dito a amigos que fará a própria campanha ao Senado, com Bia Kicis e a governadora-candidata Celina Leão. Foi o trio que viajou o país por Bolsonaro no segundo turno de 2022. Quanto a Flávio Bolsonaro, a ex-primeira-dama fará uma campanha protocolar.
Enquanto isso, no PT…
Lula abre o 8º Congresso Nacional de seu partido, sexta-feira, em Brasília, com destaque aos programas de governo e benefícios aos trabalhadores. Dirá que nenhum governo fez tanto por aqueles que mais necessitam. Dará uma pincelada nas propostas para os endividados e falará ainda da mudança na escala de trabalho, enviada ao Parlamento. A ideia é deixar claro que, se não fosse seu governo, a proposta não avançaria entre os deputados e senadores.
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Infoleg neles/ Numa semana com feriado em plena terça-feira, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB, foto), espera conseguir quórum para realizar sessões na Casa. Tudo para garantir contagem do prazo necessário à análise da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com a escala de seis dias trabalhados para um de folga (6 x 1). Se conseguir, será graças ao sistema remoto de registro de presença e votação. A maioria das excelências está nos estados, dedicada à pré-campanha.
Por falar em 6 x 1…/ O governo acredita que, independentemente de PEC ou projeto de lei, Lula já faturou essa tentativa da redução da escala de trabalho. É que os partidos ligados a ele saíram na frente em defesa da proposta. Portanto, junto aos trabalhadores, avaliam os governistas, será um ponto positivo para o petista.
Brasília em festa, mas… / Diante do master escândalo que mancha a história do BRB, é difícil comemorar com vontade. É um bolinho para não passar em brancas nuvens, enquanto se aguarda o julgamento e a punição dos envolvidos.











