Crise no STF
Crise no STF Crise no STF Crise no STF. Ilustração: Kleber Sales

O adiamento do “apocalipse”

Publicado em Política

Marcada sessão para terça-feira, a expectativa geral dos próprios ministros do Supremo Tribunal Federal é de que o desfecho fique para mais à frente no calendário eleitoral. É que não está descartado um pedido de vista, no sentido de se ganhar tempo para refletir mais a respeito do futuro do ministro Alexandre de Moraes no STF.

Até lá é longo prazo/ A tendência de pedido de vista, porém, ainda depende das próximas 60 horas até a sessão plenária do STF. É grande a pressão de parte dos ministros para que a análise das ações do ministro André Mendonça seja incluída na mesma sessão. Se isso ocorrer, há quem defenda que os trabalhos se estendam até a madrugada e se resolvam logo essas questões para que a Corte tente se reerguer antes das eleições. Porém, a avaliação dos próprios ministros é de que a crise não termina tão cedo.

O iPhone mais cobiçado

A gincana do fim de semana entre os ministros do STF é o conteúdo bruto do material extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro Mendonça respondeu a todos que o material ainda está lacrado. E o ministro Cristiano Zanin respondeu que isso não significa que não deva ter o sigilo levantado.

Ainda é cedo para impeachment

Na avaliação de juristas, nenhum pedido de impeachment de ministros do Supremo relacionado ao Caso Master tem embasamento legal suficiente para abertura de processo no Senado. Apesar das evidências e citações nas investigações em curso, nenhuma das excelências foi condenada e, por isso, os requerimentos se baseiam apenas em motivações políticas. Para comprovar a culpa de um ministro, independentemente de quem seja, é necessário que o Plenário da Suprema Corte investigue, julgue e condene o magistrado. Só a partir desse ponto, segundo advogados constitucionais, como Ilmar Muniz, é que haveria base legal para um pedido de impeachment de ministro do STF no Senado.

Veja bem

A Suprema Corte também pode decidir pela perda de mandato caso a culpa seja comprovada em julgamento, mas especialistas avaliam que seria um processo demorado devido à complexidade. Muitos apostam que, devido aos embargos, a perda de cargo não seria efetivada em menos de seis meses. E, nesse caso, o impeachment no Senado seria mais rápido por não caber recurso.

Ofensiva contra as apostas

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa a produzir materiais para o horário eleitoral, no rádio e na televisão, sobre o efeito nocivo das bets na vida dos brasileiros. As inserções devem conter depoimentos de pessoas que se endividaram ou estão em dificuldades por conta das apostas. Acabar com as casas on-line é uma das bandeiras defendidas por Lula e aliados.

Só acusa…/ Seguindo à risca a estratégia de que a melhor defesa é o ataque, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (foto) usou as redes sociais para atacar o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. “Como podem ainda dar voz a um cara diretamente envolvido no escândalo para vir querer me acusar de algo. O Brasil não é para amadores”, questionou. O post exibiu reportagens sobre Vorcaro ter bancado uma viagem de Gonet com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e outra ao filho do procurador.

…  e não explica nada/ Eduardo Bolsonaro é apresentado no inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse como a pessoa que orientou a forma como recursos enviados por Vorcaro poderiam ser administrados nos Estados Unidos. Em seus posts, o filho 03 não deu qualquer explicação sobre a movimentação dos recursos ou sobre o fundo Havengate.

Sinais/ A direita está com tudo em Goiás. Tanto é que as campanhas entraram na linha de quem é mais conservador que o outro. A campanha do senador Wilder Morais (PL-GO) para o governo goiano, por exemplo, tem usado o horário eleitoral de rádio e tevê para dizer que os demais candidatos não são de “direita”. A referência foi feita aos concorrentes Daniel Vilela (MDB) e Marconi Perillo (PSDB), que segundo o bolsonarista não são “direita de verdade”.