Tarifaço reforça polarização entre Lula e Flávio

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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 3 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

 

A tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, às vésperas de um novo tarifaço imposto por Washington, reacendeu a polarização entre os dois principais pré-candidatos à Presidência. Mais do que reforçar o discurso em defesa da soberania brasileira, o presidente Lula elevou novamente o tom, ao chamar o clã Bolsonaro e aliados de “traidores da pátria”. A proposta de Flávio Bolsonaro de adiar o tarifaço a fim de evitar uma “vitória política” de Lula inflamou a disputa eleitoral, a três meses do voto brasileiro nas urnas eletrônicas.

Episódios anteriores indicam que a estratégia bolsonarista de incitar o governo norte-americano contra a economia brasileira favorece o pré-candidato petista. Com essa proposta apresentada por Flávio Bolsonaro aos EUA, Lula ganha mais pontos para convencer o eleitorado de que está ao lado do Brasil. Deixará cada vez mais explícita a distinção entre quem atua em favor dos interesses do nosso país e quem articula por uma interferência externa na eleição brasileira e na economia nacional.

A carta de Flávio se soma a outros movimentos que repercutiram mal no eleitorado brasileiro: a oferta de uma equipe de transição para dialogar como governo norte-americano e o trabalho incessante de outros bolsonaristas em favor de punições à economia e a autoridades brasileiras. Em meio a uma crise partidária e às suspeitas no escândalo Master, o 01 se complica cada vez mais.

Debate no Recife

A quinta edição do Seminários Facto será realizada hoje, às 14h30, no Beach Class Convention By Mai, no Recife. O evento reunirá jornalistas, economistas e lideranças políticas para debater cenários eleitorais, jornalismo investigativo e as tendências de mercado para o segundo semestre. A diretora de Redação do Correio Braziliense, Ana Dubeux, participará do painel Política e Jornalismo, que discutirá os bastidores da cobertura das eleições e os desafios do jornalismo investigativo em meio a uma campanha eleitoral.

Cartas aos fiéis

Em menos de 30 dias, o Partido dos Trabalhadores divulgou cartas específicas para católicos e evangélicos. Sem tratar da pauta de costumes ou de temas polêmicos como aborto, os documentos abordam a liberdade religiosa e comprometimento do governo Lula com as ações sociais. Em ambos, defendem a reeleição do presidente.

Resultados opostos

Segundo pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada no início da semana, Lula e Flávio têm resultados pendulares na preferência dos eleitores, considerando a fé religiosa. O presidente seria escolhido por 53% dos católicos, enquanto 38% votariam no senador bolsonarista. Entre os evangélicos, ocorre o oposto: Flávio Bolsonaro marca 60% das intenções de voto, e Lula fica com 32%.

Very good

Um mês depois de lançar a MEC Idiomas, plataforma digital para ensino gratuito de inglês e espanhol, a iniciativa conta com mais de 560 mil inscritos. O ministério registrou 426,3 mil matrículas em cursos de inglês, e 137,7 mil em espanhol. O portal e o aplicativo são gratuitos e buscam democratizar o acesso ao ensino de línguas estrangeiras no país. Estimativas indicam que menos de 10% da população brasileira domina a língua inglesa.

Encontro marcado

Em meio à confusão entre Michelle e Flávio Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, é o convidado da semana no almoço da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo (FPBC), em parceria com as Frentes Parlamentares de Tecnologia e Atividades Nucleares (FPN), do Empreendedorismo (FPE) e em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria(FPI). As frentes já receberam os presidentes do PT, Edinho Silva, e do PSD, Gilberto Kassab.

Economia e Michelle

O tema do debate é “Compromissos para um Brasil Competitivo”, com o intuito de discutir economia, fortalecimento da competitividade, inovação, segurança jurídica e prioridades para o futuro do país. Contudo, não há dúvida de que a crise no PL será um dos temas das conversas de bastidores.

Cartão vermelho

Começou no mês passado a campanha “Desafio Contra Bets”, promovido pelo Projeto Brief. A iniciativa tem o objetivo de mobilizar influenciadores de todo o país a expor os impactos sociais e econômicos das bets durante a Copa do Mundo Fifa. A ação distribuirá R$ 100 mil em prêmios para as melhores produções, dividido em quatro categorias: “Furou a Rede”; “Tirou de Letra”; “IA em Campo”; e “Craque da Copa”.

Sequestro

Para Carol Luck, antropóloga e coordenadora do Projeto Brief, a ação é uma forma de ocupar um terreno hoje dominado pela publicidade das bets: “As bets sequestraram uma paixão nacional. É preciso alertar sobre os impactos negativos dessa indústria nociva, que está sendo vendida como entretenimento, e até investimento, quando na realidade é responsável pelo endividamento e pela ruína de milhões de famílias brasileiras”, argumenta.

 

Reações à política feita pelos homens

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Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 2 de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito 

Crédito: Caio Gomez

O discurso de Flávio Bolsonaro em favor das mulheres evidencia um problema intrínseco ao bolsonarismo: o desprezo ao gênero feminino. Esse movimento político consolidou-se pela figura de seu representante maior, o “imbrochável”, “imorrível” e “incomível” Jair Bolsonaro. O ex-presidente coleciona uma série de tiradas, grosserias e ataques misóginos, alguns com consequências judiciais. Todos se lembram do episódio abjeto contra a deputada Maria do Rosário Caetano, que resultou em indenização por danos morais.

Flávio Bolsonaro tentou mostrar, ontem, que não é tão machista quanto o pai e que não concorda com os absurdos proferidos por seu colaborador Paulo Figueiredo. Mas nada disso conteve a insatisfação de Michelle Bolsonaro e aliadas, que estão mobilizadas no desagravo à ex-primeira- dama. Mais grave: nada indica que a promessa de um programa batizado como Brasil por Elas possa reverter uma dificuldade concreta: o déficit do voto feminino na pré-candidatura do senador.

A crise de gênero associada à insatisfação de Michelle Bolsonaro com as alianças firmadas pelo PL está inserida em um contexto maior. Fazem parte de uma realidade na vida nacional, independentemente da coloração partidária: as mulheres estão sub representadas e preteridas nos três Poderes da República. A legenda do clã Bolsonaro enfrenta uma crise aguda, mas a violência de gênero está disseminada na sociedade brasileira.

Cargo vago

O PL Mulher não terá uma nova presidente tão cedo. A fim de evitar novos desgastes de respeitar o trabalho executado por Michelle Bolsonaro, a vaga de presidente ficará aberta até as eleições. Se, após a eleição, a ex-primeira dama mantiver a renúncia do cargo, o partido irá deliberar sobre o que será feito. A deputada Priscila Costa (PL-CE) continuará como 1º vice-presidente e assumirá os compromissos de Michelle como vice.

Grande família

Na tentativa de minimizar a crise Flávio- Michelle Bolsonaro, parlamentares do PL argumentam que só há mágoa onde há amor. Alegam que toda família briga, mas que logo faz as pazes. Só tem um problema: a sequência de fatos na crise do clã Bolsonaro indica que família é uma coisa, política é outra.

Café digital

O PL vai com tudo no digital para as eleições. Amanhã, Flávio Bolsonaro, Valdemar da Costa Neto e outro nomes expressivos do partido se reunirão com influenciadores de direita para um seminário no Rio de Janeiro. O presidenciável oferecerá um café da manhã com o objetivo de alinhar a comunicação durante a campanha.

Virtudes de Kassab

Apoiadores e aliados do PSD têm usado os termos “capilaridade” e “credibilidade” ao se referirem ao presidente da legenda, Gilberto Kassab. Essas qualidades são vistas como essenciais para obter apoio político nos estados e compensar as resistências a uma chapa puro sangue para o Palácio do Planalto.

Plano de governo

Caiado usará como defesa em sua campanha a implementação da reforma administrativa — que é relatada pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) na Câmara dos Deputados —, combate à corrupção, transparência nas aplicações de recursos em políticas públicas, investimento para a saúde e melhora da gestão de recursos da educação.

E Minas Gerais?

Enquanto o PL e o PT enfrentam dificuldade na montagem dos palanques em Minas Gerais, o PSD está mais adiantado. Com a pré-candidatura de Mateus Simões (PSD) ao governo estadual e a do senador Carlos Viana à reeleição, falta agora apenas um segundo nome ao Senado.

Fator Zema

Contudo, os desafios do PSD em Minas com Simões são outros. Em desvantagem nas pesquisas, o vice do ex-governador Romeu Zema carece de uma base política no estado para angariar votos. Na avaliação de aliados, esse problema ocorre porque Zema nunca se dedicou a essa articulação. Se há um ponto a favor de Simões, é a baixa rejeição no eleitorado mineiro.

Divergência

Governo e Câmara dos Deputados continuam a divergir sobre o projeto de atualização do teto dos Microempreendedores Individuais (MEI). Enquanto a Fazenda defende deixar o Simples para depois, o sentimento na Casa é de que o MEI não será votado caso o Simples não seja incluído também.

Hora de negociar

Com o placar de 293 sim, 158 não e 3 abstenções na aprovação do regime de urgência, Tabata Amaral (PSB-SP) vai negociar o último ponto divergente acerca do projeto que criminaliza a misoginia: a liberdade religiosa. Em conversas reservadas, fontes próximas à deputada afirmam que, a depender do resultado do placar, a parlamentar incluiria essa parte no texto final.

Contando os dias

A condição decisiva é o compromisso dos partidos em votar sim pelo mérito da matéria. O presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) disse pretender votar a proposta até antes do recesso. Já os aliados da relatora acreditam ser viável votar na próxima terça-feira.

Michelle no jogo bruto da política

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 1º de julho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

A decisão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de abrir mão da presidência nacional do PL Mulher é um revés importante para o partido e torna ainda mais confusa a estratégia eleitoral da legenda de Flávio Bolsonaro. Ao abrir mão do cargo de visibilidade — Michelle está há semanas no horário eleitoral convidando mulheres a ingressarem no partido —, a potencial candidata dá sinais de desgaste na relação com os caciques do PL e os enteados.

Ainda que a esposa do ex-presidente diga que está deixando sementes para as mulheres, abre-se um vácuo no núcleo duro do bolsonarismo. As dúvidas e a mágoa de Michelle deixam cada vez mais evidente que Flávio Bolsonaro perde um ativo para a campanha presidencial. E colocam em xeque até mesmo a candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal — o que abre brecha para os concorrentes, tanto de direita quanto de esquerda.

Ao concluir que estava em desvantagem nos desígnios do partido e se sentir ofendida pelos ataques grosseiros às suas convicções, Michelle Bolsonaro decidiu sair de cena. Abre mão de um protagonismo para não lidar diretamente com o jogo bruto da política.

Friamente

Na avaliação de bolsonaristas, a divergência entre Flávio com Michelle sobre as indicações ao Senado seria por causa da suposta falta de força política das pessoas escolhidas. Alguns avaliam que, a preços de hoje, nomes defendidos pela ex-primeira-dama não são tão competitivos nas urnas quanto os preferidos pela campanha de Flávio.

Pobres, não

Depois de o bolsonarista Paulo Figueiredo falar barbaridades sobre as mulheres, chegou a vez de os pobres serem achincalhados na internet. O Ministério Público de São Paulo ajuizou ação contra o influenciador Leonardo Marcondes após ele defender que pobre não deveria votar. “Uma pessoa que é pobre não soube tomar boas decisões para ter o melhor para sua família e para si mesma”, alega Fernandes. “O país ou uma empresa não pode estar nas mãos de quem não consegue ter responsabilidade sobre as próprias atitudes”, conclui.

Discurso de ódio

Para o Ministério Público, o influenciador associa pobreza à incapacidade, à irresponsabilidade e à exclusão da participação democrática. E lembra que liberdade de expressão não protege manifestações de ódio e intolerância, especialmente quando promovem a estigmatização de grupos vulneráveis.

Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

Decepcionante

A senadora e ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS, foto) fez um contraponto ao festivo Plano Safra 2026/2027, lançado ontem pelo governo federal. Segundo ela, o conjunto de medidas é decepcionante. “Não tem recorde nenhum, a não ser no discurso de propaganda. Houve, na verdade, redução de 30% nos valores para custeio. Os juros caíram um pouquinho, mas continuam altíssimos para o bolso dos agricultores — o que dificulta a tomada do crédito nos bancos”, criticou. “Nenhuma palavra foi dita sobre o importantíssimo seguro rural, que teve os recursos reduzidos à metade”, acrescentou a parlamentar.

Compensação

De fato, os recursos para custeio foram reduzidos. Mas o montante para investimento teve uma ampliação de 40% em relação à safra anterior. Pressão do agro Continua forte o lobby em favor da renegociação da dívida de produtores rurais. Mais de 20 representantes da categoria procuraram o presidente da Câmara, Hugo Motta, para fazer o apelo. Mas a bancada petista pretende bloquear a iniciativa. Na visão do Executivo, o texto que veio do Senado Federal desvirtuou o objetivo principal: ajudar os produtores gaúchos que passaram pelas enchentes de 2024.

Espera aí

O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), considera a ampliação do projeto para produtores do Brasil inteiro de “trenzinho da alegria”. “Por que um produtor de 100 hectares no Mato Grosso, que não passou por seca ou enchente, vai poder usar dinheiro do contribuinte para renegociar sua dívida?”, questiona o petista.

Doutrina

Na Câmara, o projeto que visa criminalizar a misoginia está empacado por falta de acordo. A direita quer garantir liberdade religiosa no texto e, sem esse ponto assegurado, não há consenso, segundo interlocutores ouvidos pela coluna.

Tocaia

A oposição paraense traçou a estratégia de esperar o governo errar para capitalizar em cima das falhas da atual administração. Não será tarefa fácil. A atual governadora, Hana Ghassan Tuma (MDB), tem o apoio de 130 das 144 prefeituras no estado — além do respaldo do ex-governador Helder Barbalho (MDB) e do presidente Lula.

Descaminho

Estudo inédito do Instituto Esfera Brasil revelou que 89% dos casos no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), em São Paulo, são de mercadorias apreendidas em rota proveniente do Paraguai. Entre os produtos mais contrabandeados, estão eletrônicos (10%) e aparelhos celulares (8%). Em seguida vêm vestuário e genérico (4%), além de informática e perfumes (3%).

Perto de Milei, longe das crises

Publicado em 6x1, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 30 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Em mais um movimento para angariar apoio estrangeiro à pré-candidatura ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforçou os laços com o ultraliberal chefe da Casa Rosada, Javier Milei. Para demonstrar que está fechado com o 01, o homem da motosserra disse ter certeza de que a “onda azul” está a caminho do Brasil, tal e qual ocorreu no país vizinho. A ver.

Logo após a visita a Buenos Aires, Flávio pretende ir aos Estados Unidos, onde participará da audiência pública para tratar da nova onda de tarifaço em gestação pelo governo Trump. Diferentemente da aproximação argentina, claramente ideológica, o contato com Washington tem a gravidade de implicar sanções econômicas para o Brasil — injustificadas, como já exaustivamente ressaltado por Brasília.

No momento em que a América Latina se inclina para a direita, com vitórias eleitorais em diversos países, Flávio aposta no discurso anti-esquerda. Ainda não se viu, entretanto, o efeito dessas articulações na corrida eleitoral. A agenda internacional, no caso do bolsonarista, tem servido para desviar a atenção do eleitorado a problemas como o caso Dark Horse ou a contenda em praça pública com Michelle Bolsonaro.

Encontro marcado

A reunião de hoje entre Valdemar Costa Neto e Michelle Bolsonaro será um teste para a vontade de Flávio Bolsonaro de tornar o imbróglio com a ex-primeira-dama uma “página virada”. Até aqui, a bronca da ex-primeira-dama não mudou a realidade — os acordos regionais como no Ceará continuam, bem como a relação conflituosa com os filhos do ex-presidente.

Incomodado

Mais do que superar diferenças de relacionamento, o maior desafio no momento é encontrar uma solução que viabilize o apoio político de Michelle às pretensões de Flávio em outubro. Com uma candidatura ao Senado encaminhada no Distrito Federal, a presidente do PL Mulher não dá sinais de que pretende recuar nas suas queixas. Incomodado com as acusações de que humilhou a madrasta, o senador tem buscado mostrar, desde a semana passada, o quanto valoriza as mulheres.

Bolsonarismo bruto

Enquanto Flávio tenta manifestar apreço pelas mulheres, aliados próximos explicitam o bolsonarismo raiz. O blogueiro Paulo Figueiredo, que forma dupla com Eduardo Bolsonaro nas tratativas com o governo norte-americano, não contemporizou. “Mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras. As casadas costumam acompanhar o marido”, disse. Sobre Michelle, afirmou que ela prejudica a imagem de Amélia quando resolve falar.

Ganha-ganha

Se Brasil e Japão tiveram de decidir quem continuaria na Copa do Mundo, os países devem caminhar cada vez mais juntos no comércio bilateral. A Cúpula do Mercosul em Assunção será a ocasião para anunciar o início das negociações entre o bloco econômico e o país integrante do G7, clube das economias mais ricas do mundo.

Interesses comuns

Na avaliação de especialistas, há uma complementariedade importante na relação entre Brasil e Japão. Produção agrícola, minerais críticos e energia são alguns ativos importantes da plataforma exportadora nacional. Em contrapartida, investimentos e tecnologia representam oportunidades para a economia brasileira.

Crédito: Pedro França/Agência Senado

Fim do home office

Após uma semana esvaziada, o Congresso retorna ao trabalho no modo turbinado. Câmara e Senado devem analisar o projeto de lei que aumenta o teto do microempreendedor individual (MEI), que foi enviado ontem pelo Planalto. Já no Senado, os governistas têm a expectativa de que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhe a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da 6 x 1, aprovada na Câmara, para a Comissão de Constituição e Justiça.

Política em campo

Os bolsonaristas não perderam tempo. Minutos após o fim do jogo em que o Brasil venceu o Japão por 2 x 1, aliados de Flávio Bolsonaro compartilharam uma foto com o jogador Martinelli, que usa a camisa número 22. A foto ainda tinha escrito: “O 22 salvou o Brasil e pode salvar de novo”.

Diário japonês

O Ministério do Desenvolvimento Agrário, por sua vez, tirou uma onda com o técnico da seleção japonesa, Hajime Moriyasu. Em um post nas redes sociais, a pasta indagou quais seriam as anotações, feitas à mão, em um bloco de notas à beira do campo. E vieram os memes: “Cancelar o miojo e encher o prato com arroz e feijão”, “Confirmar se o café brasileiro dá bônus de energia”, “Trocar isotônico por açaí”, em uma ação em favor da alimentação saudável.

Flávio Bolsonaro dobra a aposta

Publicado em coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado, Tarifaço de Trump, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 24 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro acredita que pode convencer o eleitor brasileiro de que o presidente Lula é o maior responsável pelas iminentes tarifas que serão aplicadas pelo governo dos Estados Unidos. E que, ele, Flávio, poderá fazer uma interlocução com a administração Trump para reverter o momento desfavorável na relação entre os dois países.

Flávio Bolsonaro está convencido de que poderá obter trunfos nos cinco minutos de fala a que terá direito na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR), em 6 de julho. No jogo político, o pré-candidato bolsonarista dobrou a aposta. Seria uma tentativa de diminuir a vantagem de Lula na corrida presidencial, além de fazer um contraponto à defesa da soberania assumida pelo petista.

O ganho maior de Flávio Bolsonaro, entretanto, poderá vir diretamente da Casa Branca. Ao compartilhar um texto no qual se considera a eleição no Brasil o maior desafio político do hemisfério, o presidente Donald Trump deu mais um sinal de que está atento à disputa que poderá coroar o chamado “Escudo das Américas”.

Não convém menosprezar esses movimentos. Uma nova demonstração de apoio por parte dos Estados Unidos a Flávio Bolsonaro intensificará a polarização a pouco mais de três meses do pleito. Flávio Bolsonaro diz querer atacar Lula e não o Brasil. Resta saber se o eleitor assim entenderá.

Nada de “terceira via”

A mais recente pesquisa Indexa mostra que a polarização permanece estável no Brasil, o que inviabiliza a terceira via. A disputa continua concentrada em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 42% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro (PL), com 31%. “Os candidatos que buscam representar uma terceira via permanecem distantes e, até o momento, não demonstram capacidade de romper a polarização”, afirmam os pesquisadores.

Sem transferência de votos

Segundo o levantamento, o envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no escândalo Master não resultou em transferência de votos para os concorrentes da direita. Na comparação com a primeira rodada, realizada em maio, Ronaldo Caiado recuou de 7% para 5%, enquanto Romeu Zema caiu de 5% para 3%. O único crescimento dentro desse grupo, registra a pesquisa da Indexa, ocorreu com Renan Santos, que passou de 2% para 3% das intenções de voto.

Dinheiro nas mãos

Uma ala do PL se sente preterida de relatorias na Comissão Mista de Orçamento do ano passado. Alguns bolsonaristas defendem que o relatório da Lei de Orçamento Anual (LOA) e a setorial de saúde deveriam ter sido do partido de Jair Bolsonaro. Por isso, esse grupo está brigando para que o relator da LOA seja um senador do PL. O nome cotado até agora é o de Eduardo Gomes (TO).

Crédito: Thiago Cristino / Câmara dos Deputados

Contas a analisar

O Tribunal de Contas da União (TCU) analisará possíveis irregularidades fiscais envolvendo operações financeiras, fundos públicos, fundos garantidores, créditos subsidiados e créditos extraordinários utilizados pelo governo federal. O deputado Sanderson (PL-RS, foto), autor da denúncia, acusa o governo Lula de repetir as “pedaladas fiscais” do governo de Dilma Rousseff.

Impacto fiscal

O Ministério Público se juntou à investigação por meio do procurador Júlio Marcelo de Oliveira junto ao TCU. O processo tem como relator o ministro Jhonatan de Jesus. A principal acusação é que medidas adotadas pelo governo teriam gerado impactos fiscais estimados em aproximadamente R$ 215 bilhões, sem que parte desses efeitos estivesse refletida nos principais indicadores fiscais utilizados para monitoramento das contas públicas.

Tabaco em 2027

Participante do evento com presidenciáveis promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no início da semana, o SindiTabaco apresentou demandas para o setor. Defende o fortalecimento da competitividade exportadora, com prioridade para investimentos em infraestrutura logística e portuária, além da defesa da cadeia produtiva frente a barreiras regulatórias internacionais.

Investimentos

O sindicato também enfatizou maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica para investimentos industriais, políticas públicas voltadas aos municípios produtores, ações de combate ao mercado ilegal de tabaco. Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 3,04 bilhões em produtos do tabaco, o equivalente a quase 91% das exportações nacionais do segmento.

Legal e ilegal

O setor de bets considera eficaz a medida que asfixia o orçamento de bets ilegais no Brasil por meio de bloqueio de operações em operadoras de pagamentos. Contudo, reivindica ação conjunta com as big techs para remover publicidade irregular e coibir atuação de influencers que divulgam bets piratas; retirada de sites clandestinos do ar e conscientização da população para diferenciar uma bet legal de uma ilegal.

Aprendizado

Na avaliação de Bernardo Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), “ensinar os usuários a identificar as casas de apostas regulamentadas é fundamental para reduzir a demanda por esse mercado clandestino”

O medo do PL

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, PL, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 16 de junho de 2026, por Denise Rothenburg

Crédito: Maurenilson Freire

Embora muita gente diga que o caso Master já fez o estrago que poderia fazer na pré- campanha de Flávio Bolsonaro, o que se comenta entre quatro paredes no PL é que a tensão em cima desse tema não se dissipou. Assim como o pré-candidato à Presidência jurou lá atrás à cúpula do partido que nunca havia se encontrado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — e depois surgiu o pedido de financiamento do filme Dark Horse —, há o receio de que ele não tenha mencionado tudo o que pode aparecer. E agora não dá mais trocar de candidato. Além disso, o senador jamais aceitaria. E não há outro nome ligado a Jair Bolsonaro capaz de assumir essa missão, uma vez que os filhos do ex-presidente vivem às turras com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a única entre os parentes que teria condições políticas de ser candidata.

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Enquanto isso, na Papudinha…/ …Quem esteve na prisão que abriga o ex-presidente do BRB, Paulo Herique Costa, percebeu que ele escreve páginas e mais páginas de sua delação. Já o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, preso por causa da condenação por tentativa de golpe de Estado, continua em depressão.

Vorcaro que se prepare

No mundo da política, há muita gente dizendo que o ex-banqueiro vai repetir o caso do publicitário Marcos Valério, condenado a 37 anos de prisão como operador do esquema do mensalão. Valério ficou preso seis anos e cinco meses, em regime fechado. Depois, obteve progressão de pena, para prisão domiciliar. Em 2022, conseguiu o regime aberto.

Diferenças

Marcos Valério foi julgado e condenado. Vorcaro ainda está em prisão cautelar. Deveria ter passado por uma revisão em 4 de junho, quando completou 90 dias. Essa revisão ainda não ocorreu.

Incômodo geral

Parte dos advogados que trabalham no caso Master estão constrangidos, porque garantem que há informações vazadas atribuídas aos anexos da delação da Daniel Vorcaro que não estão nesses papéis entregues pelo ex-banqueiro. Uma dessas informações, afirmam advogados, é o caso dos R$ 155 milhões ao senador Davi Alcolumbre (União- AP). Por essas e outras é que houve uma limitação das pessoas com acesso direto ao ex-controlador do Master.

Tem que ter limite

O deputado Júlio Lopes (PP-RJ) pretende propor mudanças no regimento da Câmara para limitar o uso do Infoleg, ou seja, as votações remotas. Ele considera que não dá, por exemplo, para aprovar uma emenda constitucional sem a presença do parlamentar no Plenário. O caso está tão sério que há, inclusive, denúncias de parlamentares que deixam o celular com assessores ou parentes para registro do voto. Dia desses, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), avisou que isso dá cassação de mandato.

CURTIDAS

Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

A guerra das camisas/ Ainda repercute a gravação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para suas redes sociais com a “amarelinha” da Seleção Brasileira de futebol. Até aqui, os bolsonaristas gostavam de colocar essa camisa como símbolo do seu segmento político. Agora, pelo jeito de Lula, isso será diferente na campanha eleitoral. Não se surpreendam se o presidente surgir com a camisa da Seleção em outras oportunidades. Esse símbolo, assim como a Bandeira e o Hino Nacional, pertence a todos os brasileiros.

Casa vazia/ Se alguém esperava movimentação no Congresso esta semana, pode desistir de passar por lá. Prova disso é que até a poderosa Frente Parlamentar do Agro (FPA) cancelou sua reunião semanal, por causa das votações remotas previstas para esses dias. Os parlamentares estão dedicados à campanha… ops, às festas juninas. Aliás, na próxima também será assim, por causa do Dia de São João e do jogo do Brasil contra a Escócia, pela Copa do Mundo, em plena quarta-feira.

Agenda cheia I/ Apesar do Congresso esvaziado, a semana política será de muitos eventos e lançamentos em Brasília. Nos seminários, o destaque vai para o 7 Brasilia Summit Lide-Correio Braziliense, amanhã, no hotel Brasília Palace, com a presença da governadora do Distrito Federal, Celina Leão.

Agenda cheia II/ Hoje tem lançamento do livro do ministro Gilmar Mendes, Estado de Direito e Jurisdição Constitucional, às 18h, no Supremo Tribunal Federal. Também amanhã, às 18h, será a vez da ex-ministra do Trabalho Dorothea Werneck (foto) lançar seu livro Aprendendo e Vivendo: uma Biografia de Histórias e Versos, com direito a bate-papo com a autora, na sede da Apex. Quinta-feira, às 18h30, no Espaço Sepúlveda Pertence do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, autografa o livro O Processo e STF: Perspectivas Constitucionais.

Tensão reduz no Planalto…

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, IA, Lula, PL, Política, Senado, STF, Tecnologia

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 11 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A queda dos índices de intenção de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez o governo respirar um pouco melhor, mesmo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com dificuldades de crescimento. A diferença, agora, é que os governistas esperam uma mudança em relação aos políticos, e até de uma boa parte do empresariado — conforme pode ser visto na reunião do Conselhão esta semana. Até aqui, Lula era dado por muitos partidos de centro como carta fora do baralho. Esse retorno do presidente aos 44% e a queda do filho 01 de Jair Bolsonaro para 38%, como registrado pela pesquisa Genial Quaest desta semana, tem condições de frear esse afastamento dos centristas em relação ao governo. E isso, na avaliação de aliados do presidente, ajuda ainda na retomada do diálogo no Senado, onde o Palácio do Planalto enfrentou a maior derrota até o momento — a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Se a próxima pesquisa consolidar essa presença de Lula como primeiro colocado, ele não poderá mais ser tratado com desprezo nessa fase do jogo.

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…mas não dá para relaxar/ O fato de Lula poder levar o governo em frente com um pouco mais de tranquilidade não significa que pode deitar em berço esplêndido. Os números indicam segundo turno e a campanha nem começou. A rejeição ao PT é grande e a volatilidade dos cenários é alta nessa altura do campeonato.

Juramento em falso

Flávio Bolsonaro não perde pontos só no eleitorado. O filho 01 tem perdido muito apoio no próprio partido. É que, numa reunião a portas fechadas com a cúpula do PL antes de virem a público os diálogos entre ele e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o senador jurou que não havia qualquer relação entre eles. Somente depois é que admitiu que havia pedido dinheiro ao ex-banqueiro.

Os recados do decano

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), soltou um #ficaadica para quem reclama do aumento de despesa pública sem lastro orçamentário, como o que ocorreu, ontem, com a aprovação do piso de médicos e cirurgiões dentistas na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Em postagem, o decano da Corte lembrou que o Congresso não pode criar despesas a serem suportadas por estados e municípios sem indicar a fonte de custeio.

Vem suspensão

Gilmar lembra o caso do piso nacional da enfermagem, que teve sua eficácia suspensa pelo STF justamente por não se saber de onde sairia o dinheiro. “Impor ônus financeiro uniforme, sem repasse adequado e sem atenção à realidade local, esvazia a autonomia dos entes e atinge o pacto federativo. Pior, ao invés de alcançar os objetivos pretendidos, a medida pode produzir efeitos inversos, como desemprego na própria categoria que se buscava proteger e precarização dos serviços públicos prestados à população”, advertiu.

Nada de bandeira branca

Mesmo com o pedido do governo para segurar algumas pautas que causarão rombo fiscal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não trabalha a favor do Planalto. Os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, chegaram a se reunir com ele na terça-feira, na tentativa de evitar o avanço de matérias que podem comprometer o Orçamento da União. Mas não surtiu efeito.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

A conta só cresce/ Além dos projetos que aumentam despesas aprovados esta semana nas comissões, no início da noite foi aprovada a renegociação de dívidas dos produtores rurais. Falta ainda a ampliação do Fundo de Participação dos Municípios, a ser apreciada em breve.

Sinuca de bico/ O governo está encurralado no jogo que ele mesmo montou. Ao manter a urgência constitucional do projeto de lei do fim da escala 6 x 1 na Câmara dos Deputados, e travar a pauta da Casa para pressionar o Senado a votar o texto que lá se encontra, o Planalto vê agora projetos importantes paralisados. Como os que tratam da misoginia, da inteligência artificial e da destinação do crédito extraordinário do preço do petróleo devido à guerra no Golfo Pérsico.

Por falar em IA… / O relator da regulamentação da Inteligência Artificial, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB, foto), ainda não conseguiu consenso entre artistas e empresas sobre o treinamento de IA com produtos originais. Por isso, a ideia é deixar a votação para depois das eleições. É que o prazo está curto para tratar de um tema tão polêmico, ainda mais num ano eleitoral.

A torcida do Planalto/ Com a aprovação da admissibilidade da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal, e os projetos que aumentam despesa, o governo torce mesmo é para que o Congresso entre no “modo avião”, com todos voando para as campanhas eleitorais.

O desafio de Flávio Bolsonaro

Publicado em 6x1, Banco Central, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, PL, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 5 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Estrategistas da pré-campanha de Flávio Bolsonaro consideram que, apesar dos pesares, ele não perdeu a preferência da maioria dos que escolheram Jair Bolsonaro na eleição de 2022, levando o então presidente ao segundo turno contra Lula. Por isso, todo o esforço agora é no sentido de manter esses eleitores fiéis ao clã. Não por acaso, os eventos do partido começam com exaltação ao ex-presidente, exibição de vídeos e áudios daquele que ainda é considerado o maior detentor devotos à direita. O difícil, avaliam alguns, será ultrapassar esse eleitorado, de forma a garantir uma vitória no segundo turno. Para que isso ocorra, será preciso se livrar das vinculações a Daniel Vorcaro e do “Tariflávio”, a cada dia mais forte na internet.

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Na defensiva/ Desde que vazaram os áudios em que Flávio Bolsonaro chama o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de “meu irmão”, o pré-candidato ao PL à Presidência da República não conseguiu colocar sua pré-campanha em voo de cruzeiro. Quando achou que havia respirado com a visita a Donald Trump, terminou atropelado pelo novo tarifaço anunciado pelo governo Trump. E, para completar, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ao tentar ajudar o irmão, complicou ainda mais ao citar o Zelle, o sistema de pagamentos privado que funciona somente no sistema bancário norte-americano, em alguns bancos filiados. Já o Pix brasileiro é público, universal e gerido pelo Banco Central do Brasil. Não demorou para que as redes taxassem os bolsonaros como “entreguistas” e “inimigos do Pix”. Os estrategistas agora terão que quebrar a cabeça para tentar jogar mais esse problema para escanteio.

Agora, faz sentido

Muita gente no BRB achava estranho quando Paulo Henrique Costa dividia as operações do banco com o Master em parcelas inferiores, mas não desconfiava que era de caso pensado para burlar os processos de controle. Depois que a história dos apartamentos veio à tona, a decepção por ali foi grande.

Sem clima

A avaliação geral é a de que dificilmente PHC terá um ambiente amistoso e cordial para, talvez, quem sabe, um dia, voltar a trabalhar na Caixa ou em qualquer outro estabelecimento ligado ao mercado financeiro. Melhor mudar de ramo, conforme aconselham alguns advogados.

Vai ter que mudar

Será necessário muito mais do que um projeto de lei para conceder alguma isenção capaz de ajudar os micro e pequenos empreendedores na implementação do fim da escala 6×1. É que a reforma tributária veda novas isenções fiscais. Dentro do Senado, há quem defenda que é preciso votar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para viabilizar essa saída ao empresariado.

Por falar em 6×1…

O governo ficou preocupado ao ver presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmar que encaminhará a PEC para a Comissão de Constituição e Justiça. E, como não quer esperar para votar a proposta que muda a escala de trabalho, vai propor ao comandante da Casa que junte o texto aprovado na Câmara à PEC do senador Paulo Paim (PT-RS), que está pronta para ser votada em plenário. Seria uma forma de encurtar o tempo de tramitação no Senado. Alcolumbre resiste a essa solução.

Cerco às piratas

Com a sanção do “Marco Legal de Combate ao Mercado Ilegal de Jogos e Apostas” nesta semana, a expectativa do governo e do setor é sufocar financeiramente as plataformas ilegais de apostas. Agora, as operadoras de cartões de crédito devem identificar todas as transações com as casas de apostas irregulares, ou seja, as que estão fora da listagem da secretaria de prêmios e apostas.

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Crédito: imagem cedida

Melhor evitar/ Ao transmitir uma live onde andava no meio da multidão durante a 34ª Marcha para Jesus em São Paulo, apoiadores de Flávio pediram nos comentários que não fizesse isso e lembraram do atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Alguns até perguntaram sobre o colete à prova de balas que o senador usava por baixo da camiseta.

Homenageado I/ No último dia do XIV Fórum de Lisboa, 15 magistrados e políticos se juntaram em torno do ex-presidente Michel Temer, para marcar os 10 anos de sua ascensão ao Planalto (foto). Logo depois do almoço, o ex-presidente posou para fotos, ladeado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, seu ex-ministro da Justiça, indicado por Temer ao Supremo. E, ainda, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Luís Salomão, e o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, do STJ, além dos aliados Carlos Marun, ex-ministro-Chefe da Secretaria de Governo, e Henrique Pires, advogado e ex-presidente da Funasa.

Homenageado II/ No almoço, Temer recebeu uma placa com os dizeres “único jurista empossado com supremo magistrado da nação brasileira após a promulgação da Constituição Cidadã de 1988”. E, ainda, “pela passagem em 12/05/2026 dos 10 anos do início de seu governo”

Um alívio lá para 2030

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Crise com os EUA, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Política

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 4 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Em palestra no 10º Congresso Luso Brasileiro dos Auditores Fiscais, o mestre em políticas públicas Ricardo Leitão abriu um portal para revisão das alíquotas, capaz de dar esperança àqueles que acham que pagarão muitos impostos com a reforma tributária. Do alto de quem estudou a fundo por um ano “in loco” o sistema tributário chinês e indiano, o fiscal da Secretaria de Fazenda do Pará conta que China e Índia reduziram suas alíquotas para manter o crescimento econômico. A China o fez sem planejamento, quando os Estados Unidos começaram a aumentar as tarifas lá em 2018. Já a Índia planejou essa redução deforma a aquecer a economia. O pesquisador não afirma categoricamente que o Brasil terá condições de baixar a alíquota, mas aponta que a janela para revisão na próxima década está aberta: “Há previsão legal expressa — e em dois mecanismos distintos”, lembra. A Lei Complementar 214/2025 estabelece que o governo deve adotar medidas para que a alíquota de referência seja menor que 26,5% até 2030. Não é uma meta — é uma obrigação legal.

Veja bem/ A porta para revisar para baixo já está aberta na legislação vigente. O que a aciona são os dados de arrecadação real que o sistema vai gerando ao longo da transição. E, para completar, os exemplos da China e da Índia vão servir de freio para os candidatos que planejam jogar contra a reforma tributária sobre consumo antes de o texto entrar em vigor. Atualmente, há muita preocupação entre os técnicos sobre declarações de candidatos ao Planalto contra a reforma. O ex-governador de Minas Romeu Zema, por exemplo, fez várias declarações nesse sentido. Não por acaso, na palestra de abertura do Congresso, em Belo Horizonte, o ex-secretário especial da Reforma do Ministério da Fazenda Bernard Appy foi incisivo ao dizer que posicionamentos como esse geram insegurança jurídica. Primeiro, é preciso deixar a reforma ser implementada, para, depois, pensarem ajustes. E, até aqui, os exemplos de China e Índia são alvissareiros.

“Vamos conversar?”

O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante dos Estados Unidos para o Comércio, Jamieson Greer, encontraram-se casualmente nos corredores da OCDE (Organização para Cooperacão e Desenvolvimento Econômico). Greer se aproximou e disse que está dialogando como Brasil, que há um contato fluido e que quer continuar com esse diálogo aberto. Vieira respondeu que a disposição do Brasil é a mesma e que as recomendações da USTR, de novas tarifas de 25% e 12,5%, vão exigir que se intensifiquem essas negociações.

Sejamos amigos

Os dois governos ainda estão dentro do prazo de 30 dias estabelecido pelos presidentes Donald Trump e Lula no encontro que tiveram em Washington. E a conversa, embora rápida, foi suficiente para evitar um clima de animosidade. Da parte do Executivo brasileiro, não resta dúvidas de que há uma má vontade de setores da gestão dos Estados Unidos para com o governo Lula, mas tudo será feito para que essa posição não estrague o diálogo entre os dois países. A ordem é muita calma nessa hora, tal como ocorreu quando do primeiro tarifaço anunciado por Trump.

O interesse deles

As tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros vêm paulatinamente reduzindo o volume de trocas comerciais entre os dois países. Em 2009, o comércio entre Brasil e EUA representava 25% das transações comerciais brasileiras. Agora, está em 9,7%, conforme apontam dados do governo brasileiro.

Enquanto isso…

O comércio com a China quadruplicou. Aliás, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, esteve em Pequim e saiu de lá com a decisão do governo chinês de declarar o Brasil livre da febre aftosa e de ampliar o fornecimento de fertilizantes para o país.

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Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Indefinição mineira I/ A situação da oposição em Minas Gerais anda complicada. Integrantes do PL pediram ao senador Cleitinho (Republicanos-MG) que ele não saísse para governador. Aliados do mineiro afirmam que Flávio Bolsonaro disse a Cleitinho que ele não tem “perfil executivo”. O republicano rebateu dizendo o mesmo sobreo pré-candidato à Presidência.

Indefinição mineira II/ Esse clima tenso ocorreu um dia antes dos vazamentos das conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro. Agora, a situação é diferente. O partido de Jair Bolsonaro quer negociar com Cleitinho seu apoio para a candidatura do empresário Flávio Roscoe ao governo do estado. Roscoe foi o anfitrião do jantar para Flávio Bolsonaro no início desta semana em Belo Horizonte. Está interessadíssimo em ingressar na política e tem perfil executivo.

Quando há silêncio…/ … é porque está caminhando. A delação de Daniel Vorcaro está sob análise agora da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal. A nova versão foi reformulada, ampliada e aprofundada, de acordo com fontes próximas ao ex-controlador do Banco Master. Alguns a classificam como robusta. A PF já havia negado uma delação anterior por não revelar fatos novos, além da proposta de ressarcir o rombo deixado com o esquema.

Indefensável/ A situação do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (foto) é vista por muitos parlamentares do PL como sem argumentos para defesa pela legenda. E dizem que Castro ao menos teve senso em abdicar da pré-candidatura ao Senado.

“Tariflávio” se espalha

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise com os EUA, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 3 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Não foi desta vez que Donald Trump, conseguiu ajudar o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). E o que levou até alguns bolsonaristas a essa conclusão foi o fato de Trump publicar uma foto com elogios ao senador apenas seis dias depois da visita do filho 01 ao presidente dos Estados Unidos e menos de 24 horas após o anúncio de mais um tarifaço sobre produtos brasileiros. Nesse sentido, mesmo que Flávio não tenha trabalhado por novas taxações ou contra o Pix, o termo “tariflávio” viralizou na internet. Na tarde de ontem, foi o segundo assunto mais comentando na rede social X (antigo Twitter). Em primeiro ficou “O Pix é nosso” e, em terceiro, “Bolsonaros inimigos do Brasil”. Tal qual como “Taxad”, em referência ao então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o senador terá que trabalhar para se desvincular do possível novo tarifaço durante a campanha.

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Vem jogo de empurra/ No calor dos acontecimentos e de empresários fazendo cálculos, o que se viu nas últimas 24 horas, e que prosseguirá nos próximos dias, é o governo acusando os “meninos de Bolsonaro” de jogarem contra o Brasil. E muita gente diz que se Flávio tivesse solicitado que o governo dos Estados Unidos não tarifasse o Brasil, teria dito isso na coletiva que concedeu após o encontro com Trump. No meio de toda essa confusão, restará ao grupo mais aliado ao senador acusar o governo de não conseguir negociar. Mas, na internet, onde eles navegam de braçada, essa leitura não ganhou tração.

E o Pix, hein?

A oposição está indignada com as acusações do governo de que há um trabalho contra o Pix. Membros do PL lembram que a forma de pagamento foi lançada no governo de Jair Bolsonaro e que ninguém vai abrir mão dele. E mais: afirmam que é “jogo baixo” o governo dizer que Flávio trabalhou pelo fim do Pix com argumento de que as facções criminosas utilizam o pagamento para lavagem de dinheiro.

Nem vem

Hoje, as transações acima de R$ 5 mil são monitoradas pela Receita Federal, tal como as movimentações de mesmo valor em cartões de crédito. Ou seja, não dá para culpar o Pix pela movimentação do crime organizado.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro…

O PL faz uma pesquisa interna para ver qual será o melhor nome para concorrer ao Senado pelo estado. Alguns nomes no partido do ex-presidente Bolsonaro já dizem que o deputado e líder da bancada na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, está fora da disputa porque o pastor Silas Malafaia é contra a candidatura.

Melhor de dois Carlos

Os outros dois nomes, deputado Carlos Jordy e senador Carlos Portinho, seguem na disputa. O líder do PL no Senado já conversou com Flávio Bolsonaro reforçando sua intenção de disputar a vaga para continuar na Casa. Os prefeitos também têm saído em defesa da indicação do senador. Quanto à Jordy, fontes ligadas ao partido acreditam que ele seja o favorito entre os dois, por ser muito mais ligado aos bolsonaristas-raiz e ser próximo do clã.

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Crédito: Carlos Vieira CB/DA Press

Música para o empresariado/ No jantar com empresários de Minas Gerais, Flávio Bolsonaro fixou seu discurso em tributos — “a carga está excessiva”, apregoou — e segurança pública. É por aí que ele pretende levar a campanha.

E Daniel Vorcaro?/ Não faz parte do discurso do senador na campanha. Ali, o objetivo é falar de segurança, economia, atacar o PT, Lula e o governo.

Ele tem a força/ O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG, foto) foi o mais aplaudido ao ser anunciado no encontro do partido com Flávio em Minas Gerais. E, ao falar, relembrou o caso da facada em Bolsonaro em Juiz de Fora, no interior do estado. Não por acaso, Flávio estava de colete balístico por baixo da camisa no evento partidário.

Mote de campanha/ Nikolas fez o papel de mestre de cerimônia numa parte do encontro do partido em Minas. Ao chamar pelo deputado Domingos Sávio, pré-candidato ao Senado, pergunta: “Vai votar a favor do impeachment de ministro do Supremo Tribuna Federal?” Domingos Sávio nem pestanejou ao responder: “É para já!”