Categoria: Política
“Já ganhou” abre campanha para comando da Câmara e do Senado
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 7 de outubro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Antes mesmo do segundo turno da eleição presidencial, os aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mencionam os ocupantes de ministérios e nomes para as presidências do Senado e da Câmara. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) lança o nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS) para comandar o Senado. O deputado Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ) quer ser candidato ao comando da Câmara dos Deputados e outros apontam o senador Rogério Marinho (PL-RN) para ministro da Casa Civil da Presidência da República. A avaliação é de que, depois de coordenar a campanha de Flávio, Marinho ocupará o cargo que quiser. Outro nome citado para ministro é o do deputado Mendonça Filho (PL-PE), cotado para a pasta da Educação. Mendonça está muito próximo do candidato e, inclusive, coordenará a campanha no Nordeste, especialmente, em Pernambuco, onde a governadora reeleita, Raquel Lyra (PSD), declarou que não deve entrar de forma incisiva na campanha de Lula, a quem é grata por todos os projetos promovidos em conjunto.
Quem tudo quer…/ Dentro do Congresso, esses movimentos antes do segundo turno geram preocupações. Afinal, há outros aliados se apresentando para comandar a Câmara. E, em política, vale a máxima que serve para a vida: a pressa é inimiga da perfeição.
Discurso preocupante
Flávio já fala em mudar a Constituição. Embora não tenha dito em que parte, já tem muita gente apreensiva com a perspectiva de mudanças nos benefícios trabalhistas, nos direitos individuais e nas atribuições dos Poderes. Até aqui, ele não detalhou nada. Mencionou apenas que seria para “redemocratizar” o país. Alguns parlamentares de centro disseram que discurso mais vago do que esse impossível.
E o fim da 6 x 1?
A oposição ao governo Lula no Senado está preocupada com o avanço da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do fim da escala 6 x 1 na Casa. A estratégia é esvaziar o plenário e boicotar o quórum, porque nas contas dos senadores e do presidente Davi Alcolumbre (União-AP) há votos suficientes para aprovar o texto. A ideia dos aliados de Flávio é atrasar do jeito que der e não vincular o movimento ao candidato à Presidência da República durante a campanha de segundo turno.
Alcolumbre e o fim da 6 x 1
Há senador apostando que a Alcolumbre só resta votar e aprovar a PEC do fim da escala 6 x 1. Isso porque a bancada de Flávio não vai apoiar a reeleição de Alcolumbre e já articula um novo nome, conforme o leitor da coluna já sabe. Da parte de Alcolumbre, melhor ter o fim da escala 6 x 1 em seu currículo.
Finja que não viu
A federação União Progressistas ainda não decidiu o que será feito sobre os parlamentares e governadores que apoiam a reeleição de Lula. Porém, a ideia predominante é fazer cara de paisagem, uma vez que esse grupo é pequeno. A decisão de apoiar Flávio foi definida por unanimidade e aclamação dos membros presentes na reunião na última terça-feira, na Câmara dos Deputados. No Nordeste e Norte, há nomes que compõem com o PT, como o governador Lucas Ribeiro (PP), reeleito em primeiro turno na Paraíba.
No tempo do Pix…/ … Muitas pessoas que trabalharam para candidatos em cidades goianas no Entorno do Distrito Federal receberam em dinheiro vivo. Embora as campanhas de deputados federais e estaduais tivessem pedido inclusive a chave Pix de cada um, quem carregou bandeiras e distribuiu santinhos na reta final do primeiro turno saiu com cédulas de real no bolso.
Em busca do Centrão/ O Republicanos se reúne hoje, às 18h, na sede do partido em Brasília, para decidir se apoia Flávio no segundo turno. Serão ouvidos os representantes dos diretórios estaduais antes da nacional bater o martelo. Até aqui, PSD está neutro a nível nacional e a federação União Progressista fechou questão para apoiar e trabalhar pela eleição do senador.
Por falar em reunião…/ Os senadores de direita eleitos no último domingo, e aqueles com mandato, se reunirão no QG da campanha de Flávio hoje, às 15h. A ideia é definir as pautas e objetivos para a próxima legislatura, em fevereiro do ano que vem.
A campanha no DF/ A governadora Celina Leão (PP, foto) recebeu uma pesquisa, na quinta-feira, antes da eleição, mostrando que o eleitor não sabia o seu número e a associava ao 22, do PL. O resultado das urnas comprovou o tracking e agora a campanha está focando em conteúdos nas redes sociais martelando o número 11 de Celina nas urnas. Já Leandro Grass pretende massificar o 13 dele e de Lula e correr atrás daqueles que preferiram não votar no primeiro turno. Há, inclusive, eleitores que votaram em deputados distritais de esquerda e em Flávio ou Celina. Agora, os petistas e seus aliados vão tentar reverter esses votos.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 6 de outubro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
As conversas mais fechadas do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, com seus potenciais aliados, incluem cargos para o PP, União Brasil, Republicanos e outros partidos que ficaram longe da campanha do primeiro turno. A lista de agraciados não está fechada, mas há acenos de negociação numa futura composição, a fim de garantir um trabalho dessas legendas nesta segunda rodada. Outro ponto que o senador pelo Rio de Janeiro usará como atrativo — que, inclusive, já foi colocado de público — é o compromisso de não concorrer a um segundo mandato. Isso não significa, contudo, que todos os Bolsonaro ficarão longe de uma campanha ao Planalto, no caso de vitória de Flávio daqui a três semanas. Conforme já antecipou o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a perspectiva é a de que Jair Bolsonaro, depois de receber o indulto do filho, seja o candidato em 2030. O clã que conseguiu eleger quase todos os seus no último domingo, mostra que pretende ficar por muito tempo na politica brasileira.
O que preocupa
A alta abstenção no primeiro turno é motivo de preocupação tanto para a campanha do senador quanto para a do presidente Lula. Em 2022, a abstenção no segundo turno foi menor que o primeiro em 570 mil votos. Dentro do PT, há quem diga que, se esse número se repetir, será muito mais difícil para o petista tirar a diferença para o candidato do PL.
Situações inversas
Se no plano federal o PT tem dificuldades em angariar apoios no segundo turno, no Distrito Federal quem está nessa posição é a governadora candidata Celina Leão (PP). A diferença é que ela não venceu no primeiro turno por 168 votos. A ordem agora na campanha é massificar o número 11 e, assim, evitar que os eleitores apertem 22 para o GDF. Leandro Grass (PT) vai massificar o 13 e tentar o apoio dos candidatos que ficaram fora do segundo turno.
Parlamentares chegando
Deputados e senadores reeleitos começam a desembarcar em Brasília. Ontem, foi a vez do deputado Danilo Forte (União Brasil-CE, foto). Ele levará a Flávio o projeto de reforma do Judiciário. Se o candidato endossar a proposta, Danilo pretende fazer campanha para o PL no Ceará no segundo turno.
Os memes não param
Na internet, circulam vários memes com a deputada Marina Silva (Rede-SP), a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet, a ex-senadora Soraya Thronicke, os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Randolfe Rodrigues (PT-AP) e outros numa fila de “desemprego”.
Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 04 de outubro de 2026, por Denise Rothenburg
Independentemente do resultado desta eleição, os partidos de centro começaram a trabalhar o fim da possibilidade de reeleição para o Executivo nos três níveis de poder, municipal, estadual e federal já a partir de 2030. E as apostas no momento são as de que ninguém irá se opor. O PT de Lula já havia sido contra quando da aprovação da emenda que permitiu a recandidatura de Fernando Henrique Cardoso em 1998. E o senador Flávio Bolsonaro, do PL, já declarou ser contra a reeleição no início desta campanha, quando avaliava a candidatura como uma ida ao “sacrifício”. Diante desse cenário, a ideia nos partidos de centro é recolocar esse tema na pauta. De preferência nesta reta final de 2026.
O jogo deles/ A ideia de acabar com a possibilidade de reeleição tem outros motivos. Os partidos de centro não querem oito anos de Flávio Bolsonaro, caso o candidato do PL vença hoje ou no fim do mês. Alguns preferem até reeleger Lula, encerrando um ciclo, a fim de buscar algo novo em 2030, leia-se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que, se vencer hoje, conforme indicam parte das pesquisas, entra para o rol dos presidenciáveis. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) é outro nome apontado internamente com potencial para concorrer ao Planalto. Os partidos de centro, inclusive, tentaram colocar Tarcísio ainda nesta eleição. Porém, quando Bolsonaro escolheu o próprio filho, houve um recuo, por se tratar de um projeto familiar, e não um acordo político mais amplo. Agora, é evitar que qualquer projeto perdure, aprovando o fim da reeleição.
A certeza da cadeira
Nas conversas mais reservadas com apoiadores de Flávio Bolsonaro, muita gente jura que já existe até distribuição de ministérios. Este, aliás, seria um dos motivos do PP anunciar o apoio ao filho Zero Um de Jair Bolsonaro na terça-feira, em caso de segundo turno.
Por falar em segundo turno…
As últimas pesquisas divulgadas ontem indicam um segundo turno por muito pouco. Os partidos de centro torcem para isso, porque seria uma forma de vender o passe aos finalistas.
Eduardo não abre mão
Se tem algo que Eduardo Bolsonaro vai exigir, em caso de vitória do irmão, é uma “limpeza” no Itamaraty. A ideia é colocar na geladeira todos os embaixadores que, na avaliação de Zero Três, não serviram a contento no governo de Jair Bolsonaro.
Vale acompanhar
Autoridades brasileiras com trânsito em instituições norte-americanas avaliaram que a ação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de mandar fechar a embaixada e consulados do país no Brasil foi feita para criar um clima de incerteza nas eleições. Há dúvidas se Trump reconheceria um resultado apertado de imediato, e a decisão teria ocorrido para dar o recado de que a reação de Washington dependerá da sinalização do eleito para assuntos de interesse do governo Trump.
Cola nele/ A ida de Flavio Bolsonaro a São Paulo para um ato ao lado de Tarcísio de Freitas no sábado foi lida como um sinal de insegurança quanto aos votos neste domingo no maior colégio eleitoral do país. Em 2022, Jair Bolsonaro esperava uma frente de 15 milhões de votos no segundo turno. A diferença ficou menor do que o então presidente Jair Bolsonaro esperava. Agora, era preciso reforçar a campanha por lá, a fim de tentar fechar no primeiro turno.
Conversas paralelas/ O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques (foto), foi flagrado conversando durante a verificação de integridade e autenticidade dos sistemas das urnas eletrônicas no sábado. Quem esteve presente comenta que Marques mais conversou que prestou atenção.
Pé na neve…/… E muita música. Mais vazamentos sobre as relações de Daniel Vorcaro saíram na véspera da eleição. O alvo da vez foi o presidente do Progressistas, senador e candidato à reeleição Ciro Nogueira (PI). A viagem em si já era de conhecimento público, e agora apareceram mais vídeos e fotos em que Ciro, a namorada, Flávia Rosalen, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a ex-noiva Martha Graeff aparecem curtindo uma balada nos Alpes Suíços. De acordo com a PF, a viagem teria custado cerca de R$ 2 milhões.
Hora de refletir e votar/ Antes de votar apenas para derrotar o outro, seja ele quem for, pense primeiro nos projetos de cada candidato e tenha em mente que, no dia seguinte, caberá aos vencedores governar com equilíbrio, serenidade e muita diálogo para resolver as mazelas do Brasil. Que Deus ilumine e guarde o Brasil.
Colaborou Renato Souza

Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 3 de outubro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Enquanto a maioria do Brasil assiste a uma campanha eleitoral sem debates e repleta de decisões judiciais, os partidos de centro fazem suas projeções e acreditam que continuarão mandando no Congresso Nacional, pelo menos até a temporada eleitoral de 2030. Nesse sentido, trabalham, via frentes parlamentares, vários projetos para tentar resgatar a própria imagem e não deixar tudo nas mãos do Poder Executivo.
Com ou sem segundo turno, está prevista para 21 de outubro a apresentação de megaprojetos, sob o guarda chuva “Empreende Brasil” e “Congresso pelo Brasil”. Em gestação na Frente Parlamentar do Empreendedorismo, a ideia dessas propostas é tratar de temas como taxa de juros, insegurança jurídica, ambiente de negócios no país e segurança pública — apontados pelo empresariado como os grandes responsáveis pela dificuldade de atração de investimentos no país. Assim, seja quem for o presidente da República, os congressistas terão seus próprios projetos, com prioridade sobre qualquer proposta a ser apresentada pelo Palácio do Planalto.
Propostas nada constitucionais
O Grupo Livres, organização que promove soluções liberais para o Brasil, comparou todos os planos de governo dos candidatos à Presidência da República e um dado chamou a atenção. No quesito segurança pública, quatro presidenciáveis — Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) — propõem medidas consideradas incompatíveis com a Constituição Federal, segundo análise do grupo. Castração química, prisão preventiva automática e decretos sucessivos de Estado de Defesa são alguns desses projetos.
O tempo e a razão
Logo que foi escolhido candidato ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) comentou com um amigo que estava indo para o “sacrifício”. Em seis meses, saiu do “sacrifício” ao tornar-se um candidato competitivo, graças aos votos que herdou do pai. Agora, o resultado, seja para o bem ou para o mal, estará na conta do próprio candidato, que não debateu seu programa de governo com os adversários. Desde a redemocratização, a única vez que um desafiante não participou de nenhum debate em primeiro turno foi Fernando Collor, em 1989.
Tensão no ar
Embaixadas começaram a emitir alertas de precaução a viajantes e estrangeiros residentes no Brasil devido à proximidade do primeiro turno das eleições, amanhã. O movimento foi iniciado pela embaixada dos Estados Unidos, que fechou a sede e consulados e pediu reforço na segurança junto à polícia militar. Irlanda, Austrália e Reino Unido emitiram avisos também. Com a polarização acirrada, o temor é que possa haver uma tentativa de golpe ou atos violentos após os resultados.
Sátiras da política
Durante as últimas semanas, diversos jogos on-line foram criados revivendo momentos recentes de políticos e de magistrados do Supremo Tribunal Federal, como um simulador de luta entre os ministros. O mais recente é sobre Flávio no mesmo estilo do jogo Super Mario World, com missões para o presidenciável. A primeira exige que o filho 01 bata ponto como assessor na Câmara dos Deputados enquanto estuda e faz estágio no Rio de Janeiro. A ideia de usar joguinhos on-line com figuras políticas não é nova. Em 2023, apareceu um jogo chamado Lula, escape da Prisão, em que o jogador era o Lula que precisava escapar da penitenciária.
24 horas
Hoje é dia de refletir sobre as escolhas, tentar conquistar os últimos votos e, o mais importante, não brigar com seus parentes por causa de opções políticas. Seja quem for seu candidato, converse com respeito e educação.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 2 de outubro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Ao jogar sua desistência de participar do debate da TV Globo no colo do Poder Judiciário, Flávio tenta segurar os eleitores que esperavam a presença dele para consolidar o voto. A avaliação de quem passou o dia ao lado do senador, treinando para o evento, é de que não é possível a Justiça mudar as regras combinadas com as assessorias dos partidos e participantes em cima da hora — como a retirada do púlpito de Lula e o ingresso de Renan Santos (Missão). Houve um treinamento para um modelo que, ao final, seria alterado.
O risco
A desistência de Flávio, porém, frustrou uma parcela do empresariado que pretendia apoiá-lo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já no primeiro turno. Empresários disseram à coluna que um candidato a presidente tem que estar preparado para todos os momentos e saber tomar decisões firmes de última hora. Flávio nunca foi testado num debate presidencial, nem num cargo executivo de peso. Agora, a dois dias do pleito, corre o risco deperder votos já no primeiro turno, com parte de seus potenciais eleitores pisando no freio.
Esperança do Zero Um
Com ou sem debate, o recado de Flávio está dado, ao encerrar seu horário na tevê e no rádio pedindo voto útil. A aposta é mudar a opinião de eleitores que devem votar em outros candidatos de centro-direita. Contudo, Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) martelaram críticas à polarização em uma tentativa de manter acesa a disputa pela terceira via.
Show de memes
Ao desistir de participar do debate, Flávio provocou uma corrida dos apoiadores de seus adversários às redes sociais. Houve quem dissesse que, na eleição para a Prefeitura do Rio de Janeiro, o presidenciável desmaiou no púlpito. Agora, “desmaiou” antes. “Frouxo”, “covarde”,“arregão” ficaram entre os assuntos do momento no Brasil por várias horas.
Não foi a primeira vez…
… Que a Globo cancelou um debate presidencial. Em 2018, com Jair Bolsonaro fora do debate de segundo turno, a emissora optou por não realizá-lo. Em 1998, sem a presença de Fernando Henrique Cardoso, sequer organizou debate. Porém, nunca houve um cancelamento de última hora, como ocorre nesta eleição, em que o eleitor teve poucas oportunidades de comparar as opções disponíveis. Quem perde é o Brasil.
Já fez a reserva
A campanha de Renan Santos continua otimista em relação à eleição neste domingo. Aliados se preparam para comemorar com champanhe e muito sushi em algum restaurante na Liberdade, em São Paulo.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Como se não bastasse a polêmica sobre N.S. Aparecida e o título de Padroeira do Brasil, uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, traz à tona as rachadinhas na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. E personagens como Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Alerj, e a ex-assessora Danielle da Nóbrega, viúva do miliciano Adriano da Nóbrega, morto pela polícia na Bahia. Gilmar manteve a quebra de sigilo bancário e fiscal de Danielle e deu publicidade à sua decisão e à parte da investigação que aponta a conta bancária de Queiroz como “um centro de arrecadação de valores provenientes de diversos assessores vinculados ao gabinete do então deputado estadual Flávio Nantes Bolsonaro”. Flávio não é investigado, mas Queiroz e Danielle terão que responder.
Por falar em “rachadinhas”…/ A batalha nas redes sociais está grande, com os bolsonaristas reproduzindo reportagem que mencionava a viagem de Lulinha e família com a lobista Roberta Luchsinger à Suécia, à Finlândia e à Suíça em 2025. Petistas, então, perguntam: “Lulinha é candidato a que mesmo?” E emendam com perguntas sobre as rachadinhas e o dinheiro que Flávio pediu a Daniel Vorcaro. Será assim enquanto durar o processo eleitoral.
Discurso do medo muda de lado em jantar de Lula com elite empresarial em SP
Coluna Brasília-DF publicada na sábado, 27 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg
Em 2022, a atriz Regina Duarte dizia nas redes sociais ter medo se o PT voltasse a governar o país. Desta vez, esse discurso mudou de lado. No encontro de Lula com empresariado em São Paulo, foi o presidente do BNDES, Aluizio Mercadante, quem deu um dos principais recados daquela noite às 800 pessoas presentes, sendo 500 empresários, convidados pelo think tank Esfera e o grupo Prerrogativas. Mercadante disse que o candidato Flávio Bolsonaro, do PL, já acenou com a presença de um representante do governo dos EUA em sua equipe de transição, caso vença a eleição. Seria entregar para uma nação estrangeira todas as informações sensíveis do país em todos os setores estratégicos. Lula foi mais direto ao se referir às riquezas de terras raras e outros mineiras brasileiros.
Disse que, “a depender de quem vocês elejam, vão entregar tudo”. Se o petista não conseguiu virar votos, pelo menos, muitos saíram dali comentando que estão dispostos a pensar melhor até o dia 4 de outubro. Afinal, ali, o discurso da soberania teve algum apelo. Também chamou a atenção o fato de Lula ter dito que, em relação aos escândalos recentes do país, é preciso investigar tudo, doa a quem doer, algo que levou muitos a refletir sobre a reunião do então presidente Jair Bolsonaro com seus ministros, em que o capitão disse que não deixaria perseguir sua família ou aliados.
Contras
Se tem algo que deixa o empresariado reticente ao presidente Lula é a questão fiscal. Embora eles saibam que o Banco Central é independente — ou seja, Lula não tem varinha mágica para baixar os juros —, os empresários esperavam que o chefe do Executivo e seus ministros fossem mais contundentes a respeito de novas regras fiscais. Lula, porém, lembrou que isso era obrigação de qualquer governante e não um diferencial. Nesse ponto, conforme a leitura de muitos empresários, foi mais do mesmo.
Efeito Dilma I
A escolha de dois senadores tem deixado os partidos praticamente no escuro. Ninguém tira da cabeça o que houve com a ex-presidente Dilma Rousseff, em 2018. Candidata ao Senado em Minas Gerais, Dilma estava muito bem posicionada nas pesquisas de intenção de voto e terminou em quarto lugar. É que todas as pesquisas para o Senado, quando são dois votos, têm dificuldade de captar a vontade do eleitor, que, conforme o leitor da coluna já sabe, deixa para escolher a segunda vaga no último dia.
Efeito Dilma II
Essa preocupação está na cabeça de quem concorre por Minas Gerais, onde a candidata Marília Campos (PT) lidera as pesquisas, com 13% na última rodada da Quaest, mas é seguida de perto por Aécio Neves (PSDB), Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL), todos com 10%. Considerando a margem de erro de cinco pontos percentuais, ainda tem Marcelo Aro (PP), que está com 6% e não pode ser considerado carta fora do baralho.
O tema dos bastidores
O que mais se comentou no encontro de Lula com o empresariado foi a questão das bets. Todos queriam saber de perto as projeções do governo. Em rodas de conversa, os ministros tratavam de explicar que há muito tempo o presidente já se mostrava indignado com a jogatina virtual.
O ingresso do jogo agradou
Os aliados de Lula — e até parte dos adversários — comemoram a entrada das bets na campanha eleitoral. Num país em que as pessoas se deixam levar pelas redes sociais e os temas são voláteis, esse assunto tirou os holofotes do caso Master e do INSS, escândalos que desgastam Lula e Flávio Bolsonaro. Lula, por causa do filho, Lulinha, e as suspeitas sobre o INSS e uma lobista. Já Flávio é o candidato a presidente que pediu dinheiro e voou no avião de Daniel Vorcaro, o banqueiro que se sustentou com dinheiro oriundo dos fundos de pensão e do BRB.
CURTIDAS
Perfume de poder
Cresce a cada dia o número de candidatos pedindo evento com a governadora Celina Leão no Distrito Federal. Sinal de que sentem que ela é capaz de agregar votos. Em política, o maior sinal de que um candidato majoritário tem dificuldades de vitória é o sumiço dos aliados.
Em casa
Quem se sentiu em casa no encontro com o empresariado foi o vice-presidente candidato, Geraldo Alckmin. Afinal, ali, muitos deles fizeram campanha para Alckmin, quando ele concorreu a governador de São Paulo pelo PSDB. Aliás, por lá apareceram uma filha de Fernando Henrique Cardoso e um filho de Franco Montoro, uma forma de mostrar amplitude na campanha petista.
Por falar em amplitude…/ Não foi apenas o PT que fez questão de se mostrar amplo, Camila Camargo, que comanda o think tank Esfera e foi uma das anfitriãs do encontro de Lula com o empresariado, foi direta ao dizer que “os associados do Esfera não são só a Faria Lima. São a indústria, o varejo, os serviços e também os maiores bancos do país”. Completou reforçando que o Esfera é apartidário e dialoga com todos os que desejam ouvir o setor produtivo. Na introdução, lembrou que, há quatro anos, Lula perguntava aos empresários o que eles fariam se fossem presidente e ouviu mais em vez de falar. Agora, indagou Camila: “Hoje, os empresários perguntam, o que o maior vencedor de eleições da Nova República tem a dizer a quem investe, arrisca, emprega, paga impostos e ainda sonha com um país melhor?”
Elogios
Camila fez questão de lembrar o discurso do presidente na ONU e fez também um alerta suave, mas incisivo a Lula: “Na ONU, lembrou ao mundo que a guerra é a falência da politica. O respeito da comunidade internacional pelo Brasil segue alto e isso é mérito seu. Mas o cenário externo e interno pedem cuidado e é por isso que essa conversa é importante”.
Eles tinham outro nome
Nos bastidores, antes da chegada de Lula, um empresário paulista comentava com outro que, se o Flávio (Bolsonaro), que tem muito o que explicar e zero experiência de gestão pública, está empatando com Lula, se fosse o Tarcísio, o risco de vitória da oposição no primeiro turno era grande. Referiam-se ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Pelo menos, se dependesse da seleta plateia que Lula tenta conquistar no seleto grupo que tende a votar na oposição.
Coluna Brasília-DF publicada na sábado, 26 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg
Passada a próxima semana, em que deputados e senadores estarão eleitos, a guerra das bets vai tomar conta do Congresso Nacional. Ali, existe uma bancada quase que subterrânea em favor da jogatina virtual. Há quem compare a sua força com a da bancada do agro, não em número, mas em deputados influentes na Casa. Essa turma começa a se mobilizar para chegar à segunda semana de outubro disposta, inclusive, a propor um acordo: votar a favor do fim da escala 6×1, desde que se encontre uma transição para a medida provisória que o governo vai enviar ao Congresso.
Jogatina mobilizada/ O setor das bets passou a última sexta-feira tentando evitar a proibição da jogatina no Brasil. Foram diversos dados de possíveis perdas ressaltados, seja por região, seja por estado. Até mesmo os times de futebol se juntaram ao eco das casas de apostas. Há ainda em gestação no Executivo uma minuta do projeto de lei que deverá ser enviado ao Congresso Nacional que prevê de quatro a seis anos de reclusão para quem explorar ou operar apostas de alíquota fixa no Brasil. O segmento das apostas vai baixar no Parlamento em busca de apoio.
Tic-tac
Depois que vieram a público supostas conversas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a classe política entra em estado de alerta total. São as primeiras provas de que Alcolumbre e Vorcaro tinham algum tipo de relação mais próxima, uma vez que se chamavam de “meu amor” e “irmão”. Alcolumbre nega qualquer ato ilícito, mas não escapará de dar explicações logo na primeira semana pós-eleição e terá que dar alguma posição, ainda, sobre uma possível CPI do Master.
Reeleição por um fio
Depois de a reportagem da Veja revelar as conversas de Alcolumbre e Vorcaro, em que um chama o outro de “meu amor”, senadores das duas pontas da política se mostram dispostos a reforçar nomes alternativos a Alcolumbre para concorrer à Presidência do Senado, em fevereiro de 2027. Ou seja, mais uma reeleição que é dúvida depois da temporada eleitoral de 2026.
Escolha só no final
A eleição para o Senado promete suspense até o último minuto em vários estados. É que a maioria dos eleitores deixa a escolha dos dois nomes para as 48 horas antes de ir votar ou deixa para o dia da eleição. Daí a possibilidade de muitas surpresas.
A última investida de Caiado
Ronaldo Caiado vai focar a sua campanha de tevê e redes sociais em relatos das pessoas beneficiadas pelos seus projetos em Goiás. O programa vai destacar saúde e educação, como a construção de hospitais e aumento de leitos de UTI pelo estado, além da implementação do horário integral em escolas e criação do primeiro curso de inteligência artificial (IA) da América Latina. Essa é a estratégia para capturar
os indecisos e os votos de terceira via nesta reta final de campanha.
CURTIDAS
Revolta católica/ A dificuldade de acesso ao perfil da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na rede social X por algumas horas e os rumores de que haveria um projeto de lei que para retirar o título da Nossa Senhora de Aparecida de Padroeira do Brasil movimentam as plataformas desde quinta-feira, a ponto de o candidato ser obrigado a desmentir que se prestaria a tal tipo de coisa. É que, em 2007, o então deputado Victório Galli, que depois viria a assessorar Jair Bolsonaro no Planalto por alguns meses em 2019, apresentou um projeto nesse sentido, restringindo N. S. Aparecida a padroeira dos católicos brasileiros e não do Brasil. O projeto foi arquivado há quase 20 anos. Galli nunca assessorou Flávio Bolsonaro nem apoia qualquer movimento nesse sentido.
Por falar em Flávio…/ O fato de o senador ter voado com a família para a Disney, nos Estados Unidos, no mesmo avião que serviu a Alexandre de Moraes e Viviane Barci foi considerado muito mais grave. Ainda que ele jure que voou a convite do advogado Willer Thomaz, a avaliação até de aliados é de que o estrago está feito. Um senador da República pode e deve perfeitamente comprar passagens do próprio bolso para férias em família.
Alô, TSE!/ Bolsonaristas passaram a circular pelo WhatsApp uma mensagem em que aparece “Lula22” sob um fundo vermelho. É uma forma de tentar tirar para Flávio, cujo número é 22, algum desavisado que pretenda votar em Lula, cujo número na urna é 13.
Ibram sob nova direção/ O embaixador do Brasil na Noruega, Rodrigo de Azeredo Santos (foto), foi nomeado novo diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Ele tomará posse em dezembro, quando deixará o posto na Europa. O comando do Ibram estava vago desde o falecimento do ex-deputado Raul Jungmann, em janeiro. Nesse período, o cargo foi ocupado interinamente pelo diretor de Relações Institucionais, Pablo Cesário.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O vídeo Grandes igrejas, Master negócios, apresentado por Fábio Porchat (foto), conseguiu a proeza de se tornar a postagem mais “hypada” do YouTube. Ou seja, foi a que gerou mais engajamento, comentários e recomendações em várias plataformas. Inclusive no Instagram — até ser derrubada pela Meta.
Mas o engajamento e a corrida dos internautas para o YouTube, onde a publicação conquistou 3 milhões de visualizações em menos de 24 horas, levou a Meta a rever a decisão e permitir o acesso ao conteúdo.
O episódio fala das relações e conexões entre a Igreja Lagoinha, em Belo Horizonte — cuja família de André Valadão controla — com Daniel Vor caro, Fabiano Zettel, Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 23 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduardo Esposito
Muita gente achava que as vagas para o Senado no Distrito Federal estavam praticamente definidas. Porém, a pesquisa Correio/Opinião que o jornal traz hoje indica que a disputa para o Senado está aberta e ninguém pode cantar vitória.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL, foto) saiu de 11,8% das intenções de voto em agosto para 14,9% agora em setembro, liderando a pesquisa espontânea para a Casa. Em seguida, a candidata à reeleição Leila do Vôlei (PDT) subiu de 7,3% para 9,8%. As duas estão empatadas na margem de erro de 3,1%.
E tem mais. Logo atrás da senadora vêm as deputadas Bia Kicis (PL), de 5,4% para 9,6%, e Erika Kokay (PT), de 5,3% para 8%. Ou seja, as duas cadeiras para o Senado têm empate entre as quatro candidatas. Confira a pesquisa na íntegra na edição de hoje.
















