Senado em dificuldades para segurar a 6 x 1

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Economia, Eleições, Eleições 2026, MDB, Política, Senado, TCU

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 10 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Maurenilson Freire

A contar pelo número de senadores que deseja aprovar o fim da escala 6 x 1, aqueles que pregam esperar mais para apreciar o texto terão problemas em fazer valer suas vontades. Muitos independentes já disseram que votam a favor e, para completar, as negociações para nomear logo um relator seguem quentes. Até aqui, o nome do líder do PSD no Senado, Omar Aziz (AM), tem sido considerado forte entre alguns parlamentares para relatar essa Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Aziz chegou a se reunir com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD- BA), e tinha uma reunião marcada com o presidente Davi Alcolumbre (União-AP).

» » »

É ganha-ganha para Aziz/ O senador pelo Amazonas ganharia muito com a relatoria, uma vez que é pré-candidato ao governo do estado e amarraria os votos da bancada do partido de Gilberto Kassab em favor da proposta — diferentemente do que aconteceu na votação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).

E o MDB do DF, hein?

O presidente do partido, deputado Baleia Rossi (SP), tem dito a amigos que a Executiva Nacional caminhará no sentido de pacificar seus integrantes no Distrito Federal. Hoje, essa pacificação seria mais sedimentada com o apoio à candidatura da governadora Celina Leão (PP) à reeleição. Porém, nada disso será definido agora.

Veja bem

O MDB não quer saber de ter que custear mais uma candidatura de governador. A prioridade aqui ainda é a eleição de deputados federais e de Ibaneis Rocha senador. Porém, muita gente diz que é preciso dar tempo ao tempo para que se saiba tudo sobre a relação BRB-Master. Assim como no Rio de Janeiro, onde Cláudio Castro foi obrigado a sair de cena para se defender, é necessário esperar para ver se algo semelhante ocorrerá no DF com os candidatos aos mais variados cargos.

Subiu o sarrafo para Vorcaro

A decisão da Justiça das Bahamas, que reconheceu a liquidação do Banco Master, deixa o ex-banqueiro Daniel Vorcaro um pouquinho mais distante da delação premiada. Até aqui, o principal ponto atrativo do acordo estava calcado na devolução de dinheiro. Com as autoridades brasileiras e a equipe de liquidação do banco podendo correr atrás dos recursos lá fora, oferecer esses recursos diminui de importância.

“Vamos aprovar”

Senadores ligados ao agronegócio afirmam que votam hoje a securitização das dívidas dos produtores rurais, com ou sem acordo. Em conversas reservadas, afirmam ter votos suficientes para aprová-la no Senado. E mais: derrubam um possível veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse foi, aliás, um dos assuntos comentados nos bastidores da festa junina da Frente Parlamentar do Agro.

CURTIDAS

Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press

Pauta de todos/ Com o fim gradual dos ICMS e ISS até 2032, quando a Reforma Tributária e as leis vinculadas a ela forem implementadas, deputados tentam construir apoio para aprovar mais uma PEC sobre o tema. A ideia é permitir que estados e municípios atualizem suas legislações de incentivo à cultura e ao esporte.

E para todos/ Atualmente, essas duas áreas recebem uma parte do ICMS e do ISS em várias unidades da Federação. E se não houver previsão legal para que isso seja mantido no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), essa provisão acaba. A PEC conta com 171 assinaturas de partidos, como PT, PCdoB, PSol, PSD, PSB, PDT, Novo, Republicanos, PP, União Brasil e PL.

TCU e o Master/ No dia 17, o ministro Augusto Nardes (foto), do Tribunal de Contas da União (TCU), participa do tradicional “Café com Autoridade”, promovido pela Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Falará sobre governança e relações de poder em tempos de crise. O debate deve abordar o caso Master, marcado por problemas de governança, corrupção e da relação promíscua com o BRB.

Rodada de presidenciáveis/ A Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) pretende ouvir os pré-candidatos à Presidência nas próximas semanas. O primeiro será o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que estará no almoço da entidade no dia 16. O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ainda está acertando a data. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula também foram convidados, mas ainda não confirmaram presença.

O desafio de Flávio Bolsonaro

Publicado em 6x1, Banco Central, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, PL, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 5 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Estrategistas da pré-campanha de Flávio Bolsonaro consideram que, apesar dos pesares, ele não perdeu a preferência da maioria dos que escolheram Jair Bolsonaro na eleição de 2022, levando o então presidente ao segundo turno contra Lula. Por isso, todo o esforço agora é no sentido de manter esses eleitores fiéis ao clã. Não por acaso, os eventos do partido começam com exaltação ao ex-presidente, exibição de vídeos e áudios daquele que ainda é considerado o maior detentor devotos à direita. O difícil, avaliam alguns, será ultrapassar esse eleitorado, de forma a garantir uma vitória no segundo turno. Para que isso ocorra, será preciso se livrar das vinculações a Daniel Vorcaro e do “Tariflávio”, a cada dia mais forte na internet.

» » »

Na defensiva/ Desde que vazaram os áudios em que Flávio Bolsonaro chama o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de “meu irmão”, o pré-candidato ao PL à Presidência da República não conseguiu colocar sua pré-campanha em voo de cruzeiro. Quando achou que havia respirado com a visita a Donald Trump, terminou atropelado pelo novo tarifaço anunciado pelo governo Trump. E, para completar, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, ao tentar ajudar o irmão, complicou ainda mais ao citar o Zelle, o sistema de pagamentos privado que funciona somente no sistema bancário norte-americano, em alguns bancos filiados. Já o Pix brasileiro é público, universal e gerido pelo Banco Central do Brasil. Não demorou para que as redes taxassem os bolsonaros como “entreguistas” e “inimigos do Pix”. Os estrategistas agora terão que quebrar a cabeça para tentar jogar mais esse problema para escanteio.

Agora, faz sentido

Muita gente no BRB achava estranho quando Paulo Henrique Costa dividia as operações do banco com o Master em parcelas inferiores, mas não desconfiava que era de caso pensado para burlar os processos de controle. Depois que a história dos apartamentos veio à tona, a decepção por ali foi grande.

Sem clima

A avaliação geral é a de que dificilmente PHC terá um ambiente amistoso e cordial para, talvez, quem sabe, um dia, voltar a trabalhar na Caixa ou em qualquer outro estabelecimento ligado ao mercado financeiro. Melhor mudar de ramo, conforme aconselham alguns advogados.

Vai ter que mudar

Será necessário muito mais do que um projeto de lei para conceder alguma isenção capaz de ajudar os micro e pequenos empreendedores na implementação do fim da escala 6×1. É que a reforma tributária veda novas isenções fiscais. Dentro do Senado, há quem defenda que é preciso votar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para viabilizar essa saída ao empresariado.

Por falar em 6×1…

O governo ficou preocupado ao ver presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmar que encaminhará a PEC para a Comissão de Constituição e Justiça. E, como não quer esperar para votar a proposta que muda a escala de trabalho, vai propor ao comandante da Casa que junte o texto aprovado na Câmara à PEC do senador Paulo Paim (PT-RS), que está pronta para ser votada em plenário. Seria uma forma de encurtar o tempo de tramitação no Senado. Alcolumbre resiste a essa solução.

Cerco às piratas

Com a sanção do “Marco Legal de Combate ao Mercado Ilegal de Jogos e Apostas” nesta semana, a expectativa do governo e do setor é sufocar financeiramente as plataformas ilegais de apostas. Agora, as operadoras de cartões de crédito devem identificar todas as transações com as casas de apostas irregulares, ou seja, as que estão fora da listagem da secretaria de prêmios e apostas.

CURTIDAS

Crédito: imagem cedida

Melhor evitar/ Ao transmitir uma live onde andava no meio da multidão durante a 34ª Marcha para Jesus em São Paulo, apoiadores de Flávio pediram nos comentários que não fizesse isso e lembraram do atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Alguns até perguntaram sobre o colete à prova de balas que o senador usava por baixo da camiseta.

Homenageado I/ No último dia do XIV Fórum de Lisboa, 15 magistrados e políticos se juntaram em torno do ex-presidente Michel Temer, para marcar os 10 anos de sua ascensão ao Planalto (foto). Logo depois do almoço, o ex-presidente posou para fotos, ladeado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, seu ex-ministro da Justiça, indicado por Temer ao Supremo. E, ainda, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Luís Salomão, e o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, do STJ, além dos aliados Carlos Marun, ex-ministro-Chefe da Secretaria de Governo, e Henrique Pires, advogado e ex-presidente da Funasa.

Homenageado II/ No almoço, Temer recebeu uma placa com os dizeres “único jurista empossado com supremo magistrado da nação brasileira após a promulgação da Constituição Cidadã de 1988”. E, ainda, “pela passagem em 12/05/2026 dos 10 anos do início de seu governo”

Jornada de trabalho no embalo eleitoral

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Segurança Pública, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 2 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Senadores dos partidos de centro estão com dificuldades de votar propostas alternativas ao texto do fim da escala de trabalho 6 x 1 aprovado na Câmara. É que o “um dia a mais de descanso” ganhou corpo entre a população. Não por acaso, o presidente do MDB, Baleia Rossi, comentou no almoço do Lideres Empresariais (Lide), em São Paulo, que o partido apoia o projeto. As excelências têm dito que há muito tempo não havia uma cobrança tão grande sobre um tema. Se for a voto antes da eleição — é a tendência é de que seja apreciado —, será aprovado.

O que vale para Hugo…/ … pode valer para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UniãoAP). Até aqui, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem na aprovação do fim da escala 6 x 1 um legado “à Getúlio Vargas” para apresentar como o principal fruto de sua gestão — tal como Arthur Lira (PP-AL), que entregou a Reforma Tributária. O senador terá dificuldades de segurar o projeto, assim como tem feito com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública e o Redata (Regime especial de Tributação para Datacenters), que estimula a instalação desses serviços no país. E, com dois terços do Senado em jogo nessas eleições, amplia a pressão para que o texto vá a voto logo. É nisso que os governistas apostam.

O alerta de Appy

Ex-secretário da Reforma Tributária no Ministério da Fazenda e convidado especial para uma palestra magna na abertura do 10º Congresso Luso Brasileiro de Auditores Fiscais, em Belo Horizonte, Bernard Appy aproveitou o evento para manifestar preocupação com o fato de candidatos de direita falarem em acabar com a reforma. “É preocupante esse posicionamento. Acho isso muito ruim. Gera insegurança jurídica”, advertiu. Appy lembrou ainda que “quem se opõe (à Reforma Tributária) não quer que o país cresça”.

“Não posso sair daqui”

Depois de confirmar presença no Fórum de Lisboa, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ligou para alguns amigos e autoridades para justificar a ausência. Ele alegou que tem muito trabalho em Brasília e não poderia se ausentar. A avaliação de muitos é de que, em meio ao caso Master — e a penca de políticos envolvidos—, impossível sair do quadrilátero Brasília-São Paulo-Rio de Janeiro-Salvador.

Até aqui…

Enquanto as investigações e vazamentos sobre os recursos utilizados no filme biográfico de Jair Bolsonaro, Dark Horse, não provarem que Eduardo Bolsonaro se beneficiava deles, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto segue viável. Se o escândalo chegar ao filho 03 de Jair Bolsonaro, Flávio, o 01, será obrigado a parar nos boxes.

… contenção de danos

No cenário atual, a ordem é defender Flávio e evitar que cada fato novo prejudique a reputação do filme — visto como uma ferramenta para impulsionar o pré-candidato na corrida presidencial.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Atenção, contribuintes!/ Fiquem calmos. Um dos principais recados do secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas (foto), no 10º Congresso Luso-Brasileiro de Auditores Fiscais, em Belo Horizonte, foi de que o fisco não sairá multando as empresas nessa fase de teste dos primeiros acordes da Reforma Tributária. As receitas (federal, estaduais e municipais) estão no “modo diálogo e orientação” aos contribuintes.

Articulação em Minas/ Por falar em Belo Horizonte, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, participa hoje do encontro regional do partido. Ele chegou ontem à capital mineira para jantar com empresários na casa do presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flavio Roscoe — cotado para concorrer ao governo estadual pelo PL.

Muito além dos combustíveis/ O jantar promovido pelo think tank Esfera em Lisboa, serviu para apresentação de um estudo sobre o avanço do crime organizado no varejo. O advogado Pierpaolo Bottini e a CEO do Esfera, Camila Camargo, mostraram que há facções controlando dezenas de lojas em vários estados.

Primeiro João Fonseca/ Antes de seguir para o XIV Forum de Lisboa, o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, foi à Franca, mais precisamente acompanhar de perto o torneio de Roland Garros, onde João Fonseca, o tenista brasileiro de 19 anos, dá um show, passando às semifinais. Trabuco fala hoje no Forum e segue direto para o aeroporto. Sem escala nos jantares que costumam reunir o meio jurídico, político e empresários.

A página ainda não virou

Publicado em 6x1, Banco Central, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 29 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

O acordo entre o governo federal e o GDF para salvar o Banco de Brasília é motivo para comemorar, mas quem entende do riscado afirma que todo o movimento ainda não permite colocar uma pedra sobre esse tema BRB/Master. Ainda vem por aí a possível delação de Paulo Henrique Costa, o ex-presidente da instituição, e a do ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro — que, conforme o leitor da coluna já sabe, trabalha uma nova proposta nesse sentido. Logo, a tensão política não se dissipou. Há apenas um alívio institucional, o que por si só, é considerado uma vitória.

Crédito: Kleber Sales

Por falar em alívio institucional…/ Especialistas do mercado financeiro avaliam que o acordo fechado ontem, que resultará no empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao BRB, cria um precedente. “Em operações de crédito de entes federativos, o aval da União melhora a segurança para o credor, porque o Tesouro Nacional fica como garantidor. Nesse aval, a fiança é de um sindicato de bancos e contragarantias do DF, como receitas de Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE). A medida reduz risco sistêmico imediato, mas cria precedente institucional sensível ao dispensar limites fiscais ordinários e concentrar monitoramento no STF” , comentou o consultor financeiro Carlos Henrique Silva Junior. Ou seja, outros entes federados e instituições financeiras podem querer o mesmo, o que foge do rito comum.

Preço a pagar

Os partidos mais à esquerda ficaram revoltados a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) das Igrejas, que garante imunidade de impostos sobre a aquisição de bens e serviços de templos de qualquer culto. Tem muita gente apostando que essa proposta foi moeda de troca para que o Centrão não criasse problemas na votação da PEC que acabou com a escala 6×1. A esquerda foi surpreendida e votou contra. “Esse tipo de acordo eles (Centrão) não nos colocam” , reclamou o deputado Tarcísio Motta (PSol-RJ).

A Fazenda tomou um susto

Ninguém esperava que, numa sessão com votação remota, houvesse quórum para votar uma emenda constitucional, que requer 308 votos sim para ser aprovada, ainda mais numa quinta-feira. Essas sessões costumam durar no máximo duas horas. Mas, ontem, foram sete horas para garantir a aprovação nos dois turnos.

6 x 1 e o Senado

Os senadores oposicionistas começaram a se movimentar para modificar o texto do fim da escala 6 x 1 no Senado. A ideia é discutir um modelo de período de transição maior para a redução das horas trabalhadas. Esse, porém, é o plano B. O plano A da oposição é tentar emplacar a sugestão do senador Rogério Marinho (PL-RN), que prevê pagamento de salário por horas trabalhadas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhou a proposta à Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

Melhor de três

Os deputados Carlos Jordy, Sóstenes Cavalcante e o senador Carlos Portinho estão na briga pela vaga de candidato ao Senado pelo PL do Rio de Janeiro, aberta com a desistência do ex-governador Cláudio Castro ao pleito. Portinho é líder do PL no Senado há seis anos e comandou a bancada governista durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O teste das urnas

Portinho está no páreo, embora tenha assumido o mandato porque era primeiro suplente do senador Arolde de Oliveira, que morreu na pandemia, em 2020. À coluna, Portinho afirmou: “Todos sabem que eu trabalhei o meu mandato para a minha reeleição. Fui eleito melhor senador do Brasil e estou dentro da campanha do Flávio até o pescoço para elegê-lo” .

CURTIDAS

O que vem por aí/ Crescem as apostas sobre pré-candidaturas ao Senado ficando pelo caminho, tal como ocorreu com Cláudio Castro. O prazo das convenções para oficialização das postulações só abre em 20 de julho. Tem muita tente dizendo que, se a Polícia Federal (PF) trabalhar direito, outros cairão antes disso.

E tem mais/ O receio não pega apenas nestas eleições de outubro. Mas se estenderá às mesas diretoras da Câmara e do Senado em 2027. Ou seja, a tensão continuará seja quem for presidente eleito.

E a CMO, hein?/ Quem procura saber dos parlamentares quando será instalada a Comissão Mista de Orçamento (CMO) ouve como resposta: “Pergunte ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)” . Quem já foi dessa comissão diz que a CMO só deve ser instalada após as eleições e a Lei de Diretrizes Orçamentárias será apreciada junto com a Lei Orçamentária Anual (LOA), em novembro.

Lembrança/ Após acompanhar a votação do fim da escala 6×1, o padre Júlio Lancellotti voltou à Câmara dos Deputados para entregar à deputada Erika Kokay (PT-DF) o livro Dilexi Te — Sobre o Amor para com os Pobres, do papa Leão XIV. De acordo com o padre, o documento é uma herança do papa Francisco, que começou a escrever a obra e seu sucessor resolveu compartilhar com o mundo.

Problemas do BRB reacendem debate sobre fundo constitucional

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Economia, GOVERNO LULA, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 28 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Maurenilson Freire

A má gestão do Banco de Brasília (BRB) promovida pelo ex-presidente Paulo Henrique Costa trouxe de volta a pressão por revisões no Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF). São R$ 28 bilhões que seguem do governo federal para o GDF custear as áreas de segurança, saúde e educação. No Congresso, assim que passarem as eleições e começarem as discussões sobre o Orçamento da União, deputados de outros estados voltarão à carga para que esses recursos sejam redistribuídos pelas demais unidades da Federação. Em 2023, primeiro ano deste terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o então ministro da Casa Civil, Rui Costa, criticou Brasília, dizendo que a transferência da capital para longe da vida das pessoas “fez muito mal ao Brasil” . Ainda mencionou que, na cidade, “fazer o errado era o certo” .

Vem guerra aí/ Se deputados de outros estados insistirem nessa toada num futuro próximo, vai virar um barata voa. Afinal, vários estados têm explicações a dar devido às relações com o Banco Master de Daniel Vorcaro. Inclusive, a Bahia de Rui Costa.

Bolsonarista, pero no mucho

A bancada do PL não gostou de saber que o deputado General Pazuello (RJ) votou contra a convocação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para explicar o leilão de termelétricas na Comissão de Minas e Energia. Parlamentares afirmam que o militar pediu ajuda, na semana passada, para conseguir um encontro com o ministro, mas ninguém sabe o assunto da conversa. Pazuello, inclusive, não apareceu na Câmara na sessão de ontem.

Interesses

Pazuello é fundador e presidente da Frente Parlamentar em Apoio ao Petróleo, Gás e Energia (Freppegen), que tem como braço técnico o Instituto de Petróleo, Gás e Energia (Ipegen). Congressistas dizem não saber quem está à frente do instituto, nem qual a atuação das instituições. Políticos estão ressabiados com a votação contra a convocação de Silveira. Contatado, Pazuello não respondeu até a publicação desta edição. Vai ter que se explicar Muitos deputados ficaram chateados e constrangidos com o voto de Pazuello, por se tratar de um pedido do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES), um dos líderes do ex-presidente Jair Bolsonaro no Congresso. Ficou ruim. E pode ficar pior, a depender da explicação do deputado fluminense.

Desencontros I

O relatório da securitização das dívidas dos agricultores do Rio Grande do Sul, aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e no plenário do Senado, foi muito elogiado pelo agronegócio, mas o governo não gostou. Parlamentares ligados ao setor, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) e o governo tinham firmado um acordo, mas o texto enviado pelo Planalto na véspera da votação foi diferente do combinado entre todos. De acordo com Renan, o Executivo alterou 10 pontos, o que causou estranhamento para quem participou da negociação.

Desencontros II

O relator apresentou um texto que seguia o acordo não cumprido pelo governo, retornando os pontos que foram mudados. Renan aumentou o valor máximo de renegociação das dívidas de R$ 4 milhões para R$ 10 milhões e alterou a taxa de juros — o Planalto queria 12% e o relatório fechou em 10%. Ao governo, restou lamentar.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Máquina musical/ O PL produziu 20 jingles com inteligência artificial sobre o fim da escala 6×1 queimando o governo. O partido vai soltar ao longo desta semana com edições memetizando os governistas.

Aproveitem o embalo/ Com uma série de deputados em Brasília, o think tank Esfera aproveitou para promover um encontro sobre doenças raras na Casa Parlamento. Empresários, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e o do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, levantaram a produção nacional de medicamentos para essas enfermidades como um dos pontos mais importantes a serem tratados a fim de evitar a judicialização.

Tema da hora/ O Correio Braziliense promove, hoje, debate “Desinformação da saúde à democracia” , a partir das 9h, no auditório do jornal. O evento será transmitido pelas redes sociais do Correio.

Serviço às avessas/ Alguns parlamentares ironizaram a proposta de emenda à constituição (PEC) do deputado André Janones (foto), do Rede-MG, que estabelece a escala 6×1 para os membros na Câmara. Alguns disseram à coluna que acharam a ideia péssima porque, quanto mais o Congresso trabalha, mais o Brasil é prejudicado.

A escala 6X1, os empresários e Alcolumbre

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, Política, Rio de Janeiro, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 27 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Sem meios de evitar a aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara, os empresários jogam em três frentes: a primeira, tentar adiar a votação da proposta pelos deputados. A segunda é modificar o texto, ampliando a transição. E, paralelamente a esses movimentos, tentar conquistar o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que vai jogar uma no cravo e outra na ferradura, de olho na própria reeleição para presidir o Senado.

Crédito: Maurenilson Freire

Embora a oposição aposte que o presidente do Senado não levará a Proposta de Emenda à Constituição a voto neste semestre, tem muita gente certa de que o senador pelo Amapá não vai querer ser o “o coveiro” de um tema que mobilizou a sociedade. Se a onda estiver mais favorável ao projeto, ele não vai contrariar os anseios da sociedade, especialmente, no seu estado. Mas o governo não está tão confiante. Tanto é que o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, saiu-se com essa: “Espero que Alcolumbre tenha compromisso com o povo” .

Cai o primeiro governador

Assim, os deputados e senadores se referem a Cláudio Castro e o caso Master. A avaliação geral é a de que outros virão. Especialmente, de estados que tiveram seus institutos de previdência com carteiras de investimentos vinculadas ao banco de Daniel Vorcaro. Inclua-se na conta o Distrito Federal.

Proteção aos aposentados

O líder do PSol na Câmara dos Deputados, Tarcísio Motta (RJ), apresentou um projeto apelidado de “PL Anti-Vorcaro” . A proposta tenta blindar os recursos da Previdência contra riscos do mercado financeiro. O texto determina que 80% dos recursos dos fundos de pensão sejam investidos em ativos públicos seguros, como títulos do governo e instituições financeiras públicas. E os 20% restantes poderão ser investidos na iniciativa privada, mas seguindo critérios rígidos de transparência.

E as candidaturas, hein?

Até o período de convenções partidárias, em meados de agosto, ninguém está seguro como candidato. Leia-se o caso de Aldo Rebelo no Avante comandado por João Caldas.

Alerta máximo!

Especialistas tributários estão preocupados com o efeito da Reforma Tributária na inflação de 2027. Alguns têm defendido que a maioria dos empresários não vai saber calcular a forma de aplicar preço nos produtos corretamente, e há um grande risco de tudo ficar mais caro por causa da dupla tributação: modelo antigo adicionado com modelo novo, em vez de retirar os impostos que não serão mais usados com a implementação da reforma. Por isso, acham que a inflação pode bater a casa dos 7%.

CURTIDAS

Crédito: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A ponta do arco-íris/ Fontes ligadas à Polícia Federal calculam que Daniel Vorcaro tenha, no mínimo, R$ 180 bilhões escondidos em algum paraíso fiscal. A suspeita foi levantada depois da oferta de R$ 60 bilhões do ex-banqueiro para tentar compensar os danos causados ao setor financeiro e, segundo a PF, “comprar” sua delação premiada.

E o Flávio, hein?/ O pré-candidato do PL ao Planalto volta dos Estados Unidos com uma foto, em pé, ao lado de Donald Trump, mas, até o fechamento desta edição, sem nenhum pronunciamento oficial por parte da Casa Branca. Agora, vai começar uma onda de versões sobre o encontro na internet, com gente, inclusive, dizendo que a foto foi montada. No mar de fake news em que o mundo vive, vale tudo.

Honra para Edinho/ O presidente do PT, Edinho Silva, recebeu, ontem, o título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro. A honra foi conferida pelo vereador Leonel de Esquerda (PT).

Pentacampeã/ A Vale é reconhecida como maior investidora do esporte no país pela quinta vez consecutiva. A empresa recebeu, nesta semana, a Comenda Incentivadora do Esporte, concedida pela Câmara dos Deputados àquelas que mais investem em esporte, via leis de incentivo. Só em 2025, a Vale investiu R$ 143,3 milhões em 171 projetos sociais esportivos. Somando esse investimento aos das empresas controladas, o valor chega a R$ 191,5 milhões para 175 projetos, desdobrados em 469 iniciativas em vários estados do país. O prêmio foi recebido por Bruno Queiroz (D), da equipe de responsabilidade social da empresa, que estava acompanhado do deputado Luís Lima (Novo-RJ) (E).

O acordo sob pressão eleitoral

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 26 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

O acerto entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a validação do fim da escala 6 x 1 ainda este ano, e com uma curta transição, foi feito sob encomenda para tentar ser alterado. Mas o fator eleitoral pesará se a mudança for muito grande. Isso porque os deputados ligados aos trabalhadores e aos sindicatos estão mapeando os parlamentares relacionados ao empresariado para dizer que, se houver intervenções que possam prejudicar as folgas dos funcionários de qualquer empresa, os sindicatos pretendem estampar fotos desse pessoal como inimigos dos trabalhadores.

» » »

Pague para ver/ Os empresários, porém, não vão desistir de colocar a visão deles a respeito do texto. A maior reclamação no momento é pela ausência de uma transição maior. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) será a primeira a defender um período maior para que a proposta entre em vigor. A ideia é respeitar ao menos o planejamento das empresas de 2026, deixando a validade para 2027.

Mandou avisar

No grupo de WhatsApp do PL, foi dito que o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (RJ) se encontrará hoje com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O partido aposta que, se o enquadramento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas sair desse encontro, a relação de Flávio e Daniel Vorcaro não vai fazer diferença para a campanha do senador ao Planalto.

Por falar em Vorcaro e Flávio…

O PL aposta que, em duas semanas, “ninguém mais vai lembrar” do áudio e mensagens vazadas nas quais Flávio cobrava o patrocínio do ex-banqueiro para o filme sobre sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Só tem um probleminha: se sair mais coisa, o impacto depois da Copa do Mundo será forte.

Muita calma nessa hora

Às vésperas do último prazo para divulgação do balanço do Banco Regional de Brasília (BRB), economistas estão dedicados a explicar o imbróglio e por que a instituição precisa ser salva. “O BRB tem função regional relevante no Distrito Federal, presença em serviços públicos e base de clientes mais ampla. O banco tem conexão operacional e política mais ampla que o Master. Uma liquidação teria efeito de confiança mais forte e impacto regional relevante”, alerta o economista e consultor financeiro empresarial Carlos Henrique Silva.

Veja bem

O economista lembra que, enquanto o Master representava apenas 0,57% dos ativos do sistema financeiro, o BRB tem uma participação muito maior. Por isso, sua liquidação causaria uma crise sistêmica.

CURTIDAS

Crédito: Reprodução TV Globo

Aposta alta/ O presidente do partido Democracia Cristã (DC), ex-deputado João Caldas, tem compartilhado diversas publicações exaltando Joaquim Barbosa, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal e relator do Mensalão, como seu candidato à Presidência. Em um deles, a frase era: “O homem certo para o Brasil virar a página”.

Cenário inalterado/ A nova rodada da pesquisa Nexus/BTG, divulgada esta semana, indica que, até aqui, a relação Flávio Vorcaro não mexeu muito no humor do eleitorado em relação ao pré-candidato do PL. A novidade é Joaquim Barbosa, que larga nas intenções de votos na casa dos 2%.

Venham para cá/ Com o XIV Forum de Lisboa, capitaneado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana que vem, Hugo Motta quer todos os deputados em Brasília esta semana para deixar o fim da escala 6 x 1 votado antes da viagem. A presença virtual ficou para junho, quando muitos deputados vão emendar o seminário com a temporada de festas juninas.

“Se você for ver o Brasil hoje à esquerda, a missão é super bemintencionada. Não se discute que a missão é nobre, mas a execução é temerária, a qualquer preço e não funciona. Se você for à direita, a missão também é nobre. Um Estado mais enxuto, livre mercado, um país mais eficiente de fato. Mas você não pode simplesmente ignorar que a gente vive num país com uma desigualdade abissal. Por que a gente não pode jogar com as duas pernas? Por que a gente não pode ter um projeto equilibrado?” Do apresentador Luciano Huck (foto), durante o Forum Esfera, no Guarujá. No passado, ele figurou como pré-candidato ao Planalto

Vorcaro vai falar; prisão do pai foi a gota d’água para o ex-banqueiro

Publicado em 6x1, Banco Central, Banco Master, coluna Brasília-DF

Coluna Brasília/DF, publicada em 24 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A crise pela qual passou Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e a perspectiva de não sair tão cedo da cadeia são dois pontos considerados cruciais e capazes de levar o ex-controlador do Master a contar tudo o que sabe, sem filtrar detalhes, como fez na primeira rodada. Até aqui, o ex-banqueiro tratou de proteger muita gente, mas o cerco se fechou. A prisão do pai foi a gota d’água. Agora, é recomeçar tudo, para desespero dos políticos. Afinal, quanto mais tempo demorar, mais perto das eleições. Pior para quem é candidato a cargo majoritário — Presidência da República, governos estaduais e Senado.

Questão de prioridade

Enquanto estiver sob fogo cruzado do financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro evitará compromissos que possam resultar em grandes aglomerações, como foi o caso da Marcha para Jesus neste fim de semana no Rio de Janeiro. Flávio vai se dedicar agora a tentar virar a página, antes de desfilar em praça pública.

O perigo do prazo

O líder do PL, Sóstenes Cavalcanti (RJ), disse na Marcha para Jesus, no Rio de Janeiro, que, dentro de 15 dias, “tudo voltará ao normal”, ou seja, Flávio retomará os pontos que perdeu na última pesquisa Datafolha. Muita gente dentro do próprio PL arregalou os olhos diante dessa declaração. Afinal, se a melhora não vier, será mais um ponto para ampliar o problema.

O pecado, na visão deles

Em conversas reservadas, políticos do PL consideram que o principal erro de Flávio Bolsonaro nesse processo de financiamento do filme Dark Horse foi não ter comunicado ao partido que Daniel Vorcaro era o principal investidor. Teria sido uma “vacina” ao que saiu depois. O pré-candidato ao Planalto não só omitiu, mas mentiu diante das câmeras quando perguntado pela primeira vez a respeito da participação do Master.

6×1 sai, mas…

…não como o governo deseja. A tendência é a Câmara aprovar um período de transição. Afinal, se o texto ficar a ponto de levar empresas a demitirem seus funcionários, o efeito será o inverso do desejado pela classe política. Daí a necessidade de equilibrar. O tema será debatido na terça-feira, em seminário no Correio Braziliense.

Alerta máximo

Nos bastidores do Fórum Esfera, no Guarujá, muita gente comentava sobre vídeos de uma festa privativa de Daniel Vorcaro em Trancoso (BA), onde marcaram presença nomes do Judiciário, do Legislativo e do Executivo. Se vazar, o número de excelências se explicando vai quintuplicar.

Na defesa da Suprema Corte

Presença no Guarujá, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso faz questão de frisar que a Suprema Corte nunca decidiu nada que favorecesse o Banco Master. E enfatiza que não podem misturar as ações individuais com a instituição.

Passado ensina

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado não pôde comparecer ao Fórum Esfera por causa do tempo. A região do Guarujá é perigosa quando há baixa visibilidade, e os voos não são recomendados por isso. Caiado e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, tentaram embarcar num helicóptero em São Paulo, mas não foi possível fazê-lo a tempo de chegar ao painel dos presidenciáveis. Muitos no evento lembraram a morte trágica do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que perdeu a vida em um acidente aéreo em 2014 na mesma região.

Santo Infoleg, Batman!!!

Com o caso Master dando as cartas na política, os parlamentares respiram aliviados quando há votação pelo sistema remoto. Assim, a maioria fica no interior, sem necessidade de passar por constrangimentos em Brasília.

Ops!

A propósito da nota sobre a revolta de Érika Kokay com o resultado da votação sobre o que ela considerou a volta da compra de votos, a bancada do PT esclarece que foi contra a derrubada do veto. Só tem um probleminha: No placar geral da votação, foram 174 votos pela manutenção do veto e 281 pela derrubada.

Flávio na montanha-russa

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, Política, PP, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 20 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A série de versões do senador Flávio Bolsonaro sobre sua conversa com o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro deixou uma parte da bancada do PL e de legendas aliadas com dúvidas sobre a capacidade de reverter o desgaste provocado pelos contatos e os negócios entre os Bolsonaro e o ex-banqueiro. Até aqui, as explicações deixam a desejar, e a maioria não está totalmente segura de que nada mais aparecerá. Em conversas reservadas, muitos dizem que virão novos fatos sobre os negócios do senador.

Omissão até vai…/ …, mas mentira não. A bancada do PL ainda está chateada com a falta de comunicação do senador Flávio Bolsonaro sobre as negociações com Daniel Vorcaro. Os integrantes do PL avaliam que honestidade é um dos valores mais defendidos pelos conservadores e, nesse sentido, se surgir algo além do encontro já divulgado, talvez a candidatura de Flávio não suporte, porque ficará configurado que ele mentiu aos seus pares. Alguns afirmam que Flávio acertou ao falar sobre o encontro, porém só o fez depois que essa informação já estava circulando no meio político. As próximas semanas serão cruciais para saber se o parlamentar sobreviverá aos solavancos da montanha-russa.

Esqueça aliança formal

A relação exposta pelo The Intercept Brasil sobre o financiamento de Daniel Vorcaro ao filme do ex-presidente Jair Bolsonaro fragilizou o apoio do Centrão à candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto. Para o PP, por exemplo, a “crise” começou ainda na conduta de Flávio com a busca e a apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O filho do ex-presidente disse que “as acusações são gravíssimas” e soltou um “parabéns, Mendonça” . Nada disse foi bem-visto pela bancada do PP. Já há um movimento pela neutralidade em curso, ou seja, o PP não apoiar ninguém oficialmente na eleição presidencial.

É o que tem para hoje

Tem muita gente no PL reclamando de Flávio Bolsonaro e com receio de problemas, mas ninguém baterá na porta do ex-presidente Jair Bolsonaro para pedir a troca de candidato. Afinal, o melhor nome que o bolsonarismo tinha, o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não pode concorrer ao Planalto este ano, porque não se desincompatibilizou do cargo estadual.

Não tem o que fazer

Alguns parlamentares do PL estão frustrados com o desgaste de Flávio, mas Michelle Bolsonaro não é vista como uma opção, nem mesmo na ala mais moderada do partido. Sua viabilidade é defendida apenas em um nicho muito pequeno, e isso, de acordo com parlamentares, deve-se à falta de confiança do próprio Jair Bolsonaro e dos filhos na ex-primeira-dama.

E a 6 x 1, hein?

Está prevista para hoje a apresentação do relatório da proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 na comissão especial. Uma das mudanças deve ser a contagem de horas, que passaria a ser contabilizada mensalmente e não mais semanais, embora haja o desejo de manter a proporção de 40 horas. O texto também não deve definir um número máximo de horas extras. Ainda na noite de ontem, o relator, Léo Prates (Republicanos-BA), negociava com os partidos os últimos detalhes, sob a orientação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

CURTIDAS

Crédito: Letícia Clemente/MRE

Enquanto isso, na Ásia… / O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira (foto), faz um périplo por países asiáticos em busca de novos mercados para produtos brasileiros. Lá, descobriu o interesse do Japão em importar petróleo do Brasil.

… tem jogo/ está todo mundo buscando meios de fugir do conflito e do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula o óleo que sai do Oriente Médio. A aposta é de que a guerra criará novas rotas de comércio e de produtos.

Alfinetou/ Durante sua apresentação na XXVII Marcha dos Prefeitos, o senador Flávio Bolsonaro falou sobre muitos assuntos — como economia, segurança pública e tecnologia —, mas excluiu os fatos recentes sobre o filme biográfico de seu pai, Jair Bolsonaro. Ovacionado, ele aproveitou o momento para dar uma indireta ao presidente Lula, que não marcou presença: “Um grande desrespeito não comparecer a um evento como esse” .

Nem todo mundo/ Enquanto o senador Flávio Bolsonaro citava que é empresário, advogado, esposo e pai, um dos participantes da Marcha dos Prefeitos questionou da plateia: “Rachador também?”

Em busca de um nome irrecusável

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, crise do BRB, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 6 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Depois da rejeição de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Lula busca um nome no qual os senadores ficariam constrangidos em votar contra. O que está em alta na bolsa de apostas esta semana é o do ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas. Bruno tem laços em todos os partidos. É ligado, em especial, ao ex-presidente José Sarney e ao senador Renan Calheiros (MDB-AL). No caso de Bruno, o MDB votaria e trabalharia para aprovar, algo que não foi feito no caso de Messias.

Deu ruim/ Bruno já esteve cotado outras vezes para ministro do STF. Mas Lula sempre preferiu um nome mais ligado ao PT. Agora, ressabiado com a derrota, o presidente cogita indicar um nome mais afeito a um partido aliado. O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) é considerado carta fora desse baralho, porque seria se render ao que, desde o início, havia pedido o senador Davi Alcolumbre (União-AP). E atender Renan, que foi derrotado por Alcolumbre lá atrás, quando o senador amapaense foi candidato a presidente do Senado pela primeira vez, não seria de todo ruim para Lula em termos de um certo chega para lá no atual comandante do Senado.

Celina que lute

O fato de o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ter deixado a escandalosa compra do Master pelo BRB no colo do Distrito Federal e dito que “não dá para cobrir um rombo mal-explicado” foi um recado claro de que não haverá socorro federal. No Planalto, ninguém diz nada diferente disso. Mas, a intenção é esperar a conversa da governadora Celina Leão com o presidente Lula.

Gonet tem a força

Os investigadores podem até querer correr com a delação de Daniel Vorcaro e de Paulo Henrique Costa. Porém, há quem diga que quem tem a ampulheta para definir o tempo é o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Se ele quiser deixar para depois das eleições, não haverá muito o que fazer, anão ser cobrar celeridade.

Esse é o caminho

…Aos poucos, governo e oposição se alinham para chegara o consenso em torno da Proposta de Emenda à Constituição(PEC) sobre fim da escala 6 x 1. A palavra de ordem hoje é “compensação”, ou seja, desoneração da folha. O Poder Executivo quer proteger a contribuição previdenciária. Os opositores acenam com outros encargos, e até mesmo a possibilidade de uma linha de crédito — tese já defendida por membros da base.

… que surge

Já no setor produtivo, o que se diz é que o Congresso pode aprovar o texto, se o governo retomar a sucumbência em processos trabalhistas — princípio jurídico que obriga a parte perdedora em um processo a pagar os honorários do advogado da parte vencedora e as custas processuais —, e colocar condições especiais e melhores para terceirizados e Micro e Pequenos Empreendedores (MEI). À coluna, parlamentares já citaram a ideia de isentar os MEI e pequenas empresas para diluir os custos da redução da jornada.

Fica, Messias

Dentro do PT tem deputado defendendo que o advogado-geral da União, Jorge Messias, assuma o Ministério da Justiça. Wellington César Lima e Silva, atual ministro, não é visto com bons olhos por uma ala do Partido dos Trabalhadores. Muitos petistas não se esquecem que Wellington afirmou não ver problema em realizar um plebiscito para avaliar a redução da maioridade penal — tema que o PT é totalmente contrário. Pesa ainda o fato de César Lima não ter se mexido para ajudara indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Me dê um tempo/ Messias (foto) prefere tirar um período sabático para se refazer das traições que sofreu. Afinal, as contas do governo indicavam, no mínimo, 43 votos, descontadas aqueles dos quais o Planalto tinha dúvidas. Messias obteve o “sim” de 34 senadores.

Suspense/ Até o fechamento desta edição, ainda não havia anúncio oficial do encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, em Washington. Porém, uma equipe de diplomatas trabalha nesse tema.

Câmara 200 anos/ A Câmara dos Deputados vai homenagear seus ex-presidentes em sessão solene nesta quarta-feira, 10h, para comemorar seus 200 anos. A lista é grande: Aécio Neves, Aldo Rebelo, Arlindo Chinaglia, Arthur Lira, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, João Paulo Cunha, Marco Maia, Michel Temer e Rodrigo Maia. Henrique Eduardo Alves não estará presente, porque se recupera de uma cirurgia.

Homenagens ao decano/ Marilene Carneiro Mattos, Pedro Ivo Velloso Cordeiro e Ronald Siqueira Barbosa Filho, todos com profundo conhecimento e atuação no direito, lançam hoje, 18h, na Biblioteca do STF, o livro Constitucionalismo Digital e seus Desafios — reflexões em homenagem ao ministro Gilmar Mendes.