Restaurante Authoral abrirá na 302 Sul

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O nome Authoral, que cai como luva na cachaça artesanal brasiliense perfilada entre as 50 melhores do Brasil, batiza também restaurante de gastronomia mediterrânea que abre as portas terça-feira, na 302 Sul. É que o dono da caninha, Eduardo Moreth, de 41 anos, com diplomas de mestre alambiqueiro e master blender, associou-se ao chef André Castro, ex-colega de juventude, para tocarem juntos a casa, que ainda tem na direção a sergipana Manuela Britto, mulher do chef.

Apresentado em todos os guias gastronômicos como chef carioca, André Castro, de 40 anos, se declara “brasiliense de coração”. Ele nasceu no Rio, mas aos 2 anos veio com a família (pai mineiro e mãe baiana) para a capital, onde estudou no Colégio Mauricio Salles de Mello, pequena escola de base montessoriana. Foi lá que o futuro cozinheiro aprendeu diversas disciplinas que lhe servem até hoje, como a oratória. André fala com entusiasmo sobre o métier.

Trajetória

 

Crédito: Felipe Bastos/Divulgação. Magret de pato, nhoque de abóbora com curry vermelho e dashi de bacon

Daqui, o jovem estudante partiu para Salvador e, depois de interromper dois cursos superiores (biologia e arquitetura), se tornou, aos 21 anos, sócio da Casa Amarela, bar localizado na Pituba. Após passar por todas as atividades da casa, começou a palpitar sobre o cardápio.

“Todos os bares na Bahia tinham o mesmo menu escrito no diminutivo: caldinho, escondidinho, arrumadinho, bolinho, etc”. Quando ele decidiu acompanhar a execução de suas sugestões, “ vi que a cozinha não tem teto e gostei muito da experiência”.

Professor de capoeira e de mergulho, André vendeu a cota no bar e foi para a Suécia, onde estudou gastronomia, enquanto ensinava as artes. Da Escandinávia, desceu para a Alemanha e depois Itália, onde se especializou em azeite. De volta ao Brasil, de 2008 a 2014, o chef foi sócio-proprietario do bistrô D’olivino (Haddock Lobo 1159), no Jardim Paulista, em São Paulo, que praticava gastronomia mediterrânea com preço médio.

Menu enxuto

É esse conceito que prevalece na cozinha do Authoral, definida pelos donos como “moderna, contemporânea e de fusão da culinária brasileira com passagens pela França e pelo leste asiático”. “Ninguém vai comer aspargos aqui”, exemplifica o chef, focado em ingredientes locais. “Também não vou levantar bandeiras, mas sempre que possível quero trabalhar com produtos orgânicos procedentes da agricultura sustentável”.

Cinco entradas, cinco pratos para compartilhar, 10 principais e cinco sobremesas (todas por R$ 19, cada) completam o cardápio que ainda terá um menu degustação em oito etapas por R$ 185 ou R$ 295, com harmonização. Nhoque de banana-da-terra, linguiça artesanal e sugo de tomates (R$ 24) e gyoza de porco com camarão e ponzu de pimenta de cheiro compartilhada (R$ 26) são destaques na entrada.

Carne, massas, peixes e ave estão contemplados no principal, em que baião de dois cremoso na releitura do rubacão paraibano, com lagostins e magret de pato, nhoque de abóbora com curry vermelho e dashi de bacon, ambos por R$ 68, são sugestões que não podem deixar de ser aceitas vindas de um chef que, agora, cozinha “sem amarras e livre para criar”.

Vista para o céu

 

Crédito: Felipe Bastos/Divulgação. Inspirado no rubacão paraibano, o prato Mar e terra combina baião de dois cremoso e lagostins

Com 80 lugares no salão térreo, a casa disponibiliza mais 24 no mezanino onde há três grandes aberturas no teto com vidro retrátil, um projeto de Daniel Mangabeira, que elegeu “um olhar para o mar, já que o céu é o mar de Brasília”.

Ele usou tijolo aparente, gradil e cimento no piso — tudo natural, sem acabamento, o que combina com os ingredientes orgânicos servidos na casa. O grafiteiro Comb assina o desenho de um imenso rosto feminino, destaque na decoração de uma das paredes de alto pé direito. O jardim externo fica para outra etapa. O Authoral funciona todos os dias e só fecha domingo à noite, depois do almoço que vai até as 17h. Telefone 3225-0052.