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Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 4 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não decidir o que fará diante da crise aberta com as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro, qualquer perspectiva de delação premiada do ex-banqueiro ficará congelada. Entre subprocuradores, há quem considere que se Vorcaro, o empresário, quiser fazer uma delação premiada, não poderá proteger ninguém nem mirar num único alvo. Não dá para ele escolher quem será exposto e quem ficará à sombra. E nem dizer que não fez nada de errado no caso do BRB, conforme vem insistindo.
Por falar em Vorcaro…/ Muitos procuradores classificaram o último depoimento de Vorcaro à equipe do ministro André Mendonça, do STF, como uma tentativa de tirar da frente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Porém, o ex-banqueiro do Master não apresentou qualquer prova concreta contra o policial — apenas o fato de estarem em eventos. Vale lembrar que, nos idos de 2023 e 2024, o Master patrocinava seminários internacionais de think-tanks brasileiros, nos quais Andrei esteve entre os palestrantes. Daí a dizer que são “amigos ou próximos”, a distância é grande. Por essas e outras, a ideia é ir com muita calma. Vorcaro ainda é considerado um personagem perigoso, que tenta manipular a situação a seu favor. Até aqui, deu errado.
Moraes joga gasolina na crise
A decisão de Moraes contra Mendonça, acusando o ministro relator do caso Master de ilegalidades em operações — como a Compliance Zero —, aumenta a pressão sobre o presidente do STF, Edson Fachin. É ele quem deverá assumir o inquérito do banco de Vorcaro ou designar um ministro para fazê-lo. O gesto de Moraes é prova deque a guerra está longe do fim.
Os intranquilos
O STF reforçou a segurança da Corte desde o início da crise entre Moraes e Mendonça. Mais seguranças foram alocados no prédio principal, especialmente nas saídas e entradas da Corte. Moraes também reforçou a segurança pessoal. Fontes consultadas pela coluna disseram que o temor é de eventuais atos hostis mirando o Supremo em razão da repercussão do caso.
A Igreja se posiciona
Durante duas horas, os oito cardeais expuseram suas preocupações e opiniões sobre as eleições, no evento “Igreja e Política — Diálogo dos Cardeais do Brasil”, transmitido pela Rede Vida de Televisão. Com todo cuidado, todos deixaram claro que a Igreja não tem candidato, mas, sim, valores. E que é preciso respeito e propostas por parte daqueles que desejam governar o Brasil. Todos estão muito apreensivos com a agressividade e divisão do país neste pleito.
E a CMO, hein?
A Comissão Mista de Orçamento (CMO) está parada desde antes do recesso parlamentar, em julho. Foi instalada apenas com o presidente, deputado Domingos Neto (PSDCE), e aguarda a indicação para os relatores da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA). O que se diz entre técnicos da CMO é que o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), ficará com a relatoria do Orçamento este ano.
CURTIDAS
O recado de Alcolumbre/ Tem nome e endereço o desabafo que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez no plenário esta semana. O primeiro foi para Carlos Viana (PSD-MG) que, enquanto era filmado por um integrante de sua equipe, cobrou “coragem” de Alcolumbre para pautar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. “Se eu fosse só mais um senador, ia falar muita coisa naquele microfone ali, inclusive para colegas nossos que se acham no direito de fazer um vídeo agredindo as pessoas para o assessor, ao lado, estar filmando para ganhar curtida na rede social e, talvez, para querer ganhar a eleição dia 4 de outubro”.
6 x 1 e os cálculos/ A base governista pretende votar o fim da escala 6 x 1em uma provável semana de esforço concentrado, entre o primeiro e o segundo turno. Na hipótese de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, será mais uma tentativa de levar a oposição ao desgaste de apostar contra uma medida que tem a chancela da maioria dos trabalhadores.
Onda Cury chega ao DF/ Os dois dígitos que Ronaldo Caiado (PSD) apresentava na pesquisa Correio/Opinião, no mês passado, aparecem agora redistribuídos entre ele e o candidato do Avante, Augusto Cury (foto) — que aparecena frente de Caiado. Os números do levantamento estão no site e impresso do Correio Braziliense.
Até aqui…/ Esta primeira semana de campanha eleitoral de rádio e tevê colocou Cury na terceira posição, mas não ao ponto de mexer totalmente no cenário onde predominam Lula e Flávio.
Colaborou: Renato Souza
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 3 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
As relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e o confronto com o ministro André Mendonça, ficaram fora da sessão do Supremo Tribunal Federal esta semana, num jogo combinado para mostrar que a Corte não deixará de cuidar das suas obrigações, apesar da crise que se abate sobre o topo do Poder Judiciário. O que se diz no STF é que se os temas viessem à tona no colegiado, sem combinação prévia, será a terceira guerra mundial. A ordem é esperar a poeira decantar e viver cada dia com sua agonia, enquanto o Supremo tenta juntar os cacos.
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Pés no chão/ O fato de adiar as decisões não significa apatia. Os ministros sabem que será difícil preservar todo o colegiado. E dada a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para avaliar os pedidos de impeachment contra ministros do STF — em especial Moraes —, a Corte tem plena consciência de que não pode mais desconhecer as relações entre Moraes e Vorcaro e de Vorcaro com outros. Sabe que terá que tomar atitudes, especialmente, diante das pressões para a renúncia de Moraes. O problema, agora, é buscar a melhor forma de sair dessa crise, preservando a instituição. Essa ferramenta ainda está em construção.
É só o começo…
Nos bastidores do debate do Correio Braziliense/TV Brasília com os candidatos ao Governo do Distrito Federal, o que mais se comentava eram as delações que vêm por aí. A prometida pelo dono da Reag, João Carlos Mansur, que geria fundos de investimentos relacionados a Vorcaro, é no atual momento a que tem mais potencial para “quebrar a banca”.
… e vem mais
A avaliação geral dos atores no DF é de que o ministro Mendonça se precipitou ao tratar das denúncias envolvendo o ministro Moraes. Porém, para que tenha feito isso, estava muito pressionado. E ameaçado.
Mais uma vaga no TCU
A Câmara dos Deputados deve indicar mais um deputado para o Tribunal de Contas da União, em novembro. Fontes ligadas ao TCU afirmam, em conversas reservadas, que o ministro Augusto Nardes deve se aposentarem 13 de novembro, antecipando a saída em um mês. O que se comenta é que a vaga será do Progressistas e o partido não descarta indicar o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (AL).
Planos eprojetos
Lira, porém, tem outros planos para 2027. É candidato ao Senado em Alagoas e, se vencer, não deixará os tapetes azuis para assumir uma vaga no TCU. O que Lira almeja, obtido o mandato de senador, é uma cadeira no clube que comanda a Casa.
CURTIDAS
Perguntem para o Flávio/ Parlamentares do PL não conseguem esconder a irritação quando alguém lhes pergunta sobre a prestação de contas do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Dark Horse. Afirmam que há uma prestação de contas e não comentam mais a atuação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro nessa busca por investimento junto a Daniel Vorcaro. O senador que se vire para responder.
Abstenção e vantagem/ Aliados de Flávio avaliam que dois dos três segmentos que apoiam majoritariamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua reeleição terão uma alta taxa de abstenção: os mais pobres e idosos. Com isso, a campanha projeta que os números das pesquisas não estão captando algo em torno de 3% a 4% a mais de intenções para o filho 01.
Visões diferentes/ Enquanto a oposição reclamava da falta de audiências públicas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para discutir o fim da escala 6 x 1, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), divergiu, citando um projeto do senador Paulo Paim (PT-RS) para o mesmo fim: “Fizemos duas audiências públicas no ano passado e só compareceram o autor, o relator e eu”, argumentou.
Enquanto isso, no Rio de Janeiro…/ A esquerda fluminense está bem animada com a campanha no estado. Candidatos avaliam que, após as investigações que retiraram o ex-governador Cláudio Castro (foto) da disputa, o desempenho dos esquerdistas tem sido além do esperado. O campo projeta conseguir eleger a deputada Benedita da Silva (PT) ao Senado e equilibrar as cadeiras na Casa.
“Polarização pode fazer parte da vida, mas não pode conduzir ao ódio, a olhar ao outro como inimigo. O anormal é demonizar quem pensa diferente de você e ver o outro como inimigo” Dom Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, ao comentar a importância do debate Igreja e Politica — Diálogos dos Cardeais do Brasil, promovido pela Rede Vida de tevê, em parceria com outras emissoras católicas
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 2 de setembro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Quem entende do traçado e é do meio jurídico considera que somente o presidente do Supremo Tribunal Federal possui atribuições administrativas e competência jurisdicional para abrir sindicância contra um integrante da Corte, salvo se decidir delegar essa competência a outro colega. Isso significa que o ministro Edson Fachin, o comandante do Supremo, é quem tem hoje o poder de investigar o ministro Alexandre de Moraes ou indicar quem deve fazê-lo. Só tem um probleminha aí: a depender da avaliação de Fachin, o ministro André Mendonça perderia toda a relatoria do caso Master. E isso hoje, no STF, passaria a ideia de que querem barrara investigação. E diante de uma Suprema Corte tão desgastada, fica mais difícil.
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Um problema para André/ Dentro da Justiça, o que se diz é que André Mendonça, ao esbarrar nos diálogos suspeitos envolvendo Moraes, deveria suspender todos os seus atos dentro do inquérito do Master e remeter tudo ao presidente do STF para adoção das providências administrativas e penais. Essa atitude caminha para transformar Fachin em relator de todo o inquérito do Master, salvo se entender que não há conexão entre os fatos ora encontrados em relação a um ministro e o objeto do inquérito do Master. Esse é, hoje, o cerne das discussões sobre o futuro do caso Master no STF. É hora de enfrentar esse tema que os ministros tentavam contornar, sem expor Moraes. Agora, não dá mais.
Moraes e a fritura do STF
Edson Fachin analisa instalar inquérito contra Moraes. Ele está para lá de preocupado e considera grave o que foi revelado sobre a relação entre o ministro e Daniel Vorcaro. O comandante da Suprema Corte não esperava tamanha crise sob sua gestão. Quanto antes o pleno decidir sobre o “caso Moraes” — é assim que os ministros se referem às denúncias —, menos a crise se arrasta.
Um Sete de Setembro contra Moraes
A oposição espera aproveitar essas denúncias contra o ministro Moraes como um chamamento para o Sete de Setembro na Avenida Paulista. Só tem um probleminha: com a revelação de outros repasses de dinheiro de Vorcaro para o filme Dark Horse, além do que havia sido divulgado até agora, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também terá que se explicar. Afinal, os repasses foram feitos a pedido do presidenciável e, até agora, não há a certeza deque esses valores foram mesmo parar na produção do longa-metragem.
E os valores só crescem
A revista Piauí trouxe à tona mais um repasse ao filme, o que eleva de US$ 10 milhões para US$ 12,3 milhões os valores repassados a um fundo de investimentos para a produção.
Senado esvaziado
Com o caso Vorcaro voltando a esquentar o clima seco de Brasília, os senadores começam a retornar mais cedo do que estava previsto. Afinal, são duas frentes: uma que trata do caso Alexandre de Moraes e outra sobre o financiamento do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Causa e consequência
Com as denúncias, as chances de votação de projetos importantes são remotas. Os avisos de que muitos voltarão aos estados ainda na manhã de hoje acendeu um alerta vermelho para a base do governo Lula. São duas propostas de emenda constitucional (PECs) e uma série de medidas provisórias que precisam ser votadas ainda esta semana. Além disso, as PECs têm de ter quórum qualificado e registro de presença no plenário da Casa.
CURTIDAS
Haja pressão/ O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), conversou com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), reforçando o pedido para que não votasse a PEC do fim da escala 6 x 1 no plenário hoje. Marinho espera que Alcolumbre mantenha o que foi dito anteriormente — que não haveria apreciação da matéria antes das eleições.
Falte, mas responda por isso/ O relator da PEC do fim da escala 6 x 1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Omar Aziz (PSD-AM, foto), foi direto: “Quem faltar à sessão é porque não quer votar o fim da 6 x 1. E a imprensa vai mostrar quem são”.
As diferenças só cresceram/ Em agosto de 2025, os ministros Moraes e Mendonça foram destaque no Forum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro. Ali, Mendonça foi contundente ao dizer que “o Estado de Direito fortalecido demandava uma autocontenção do Poder Judiciário”. No mesmo evento, ao falar ao final, Moraes disse “juiz que não resiste à pressão que mude de profissão”. Se já estavam em campos opostos lá atrás, agora, então, é que o caldo entornou de vez.
E agora…/ Vejamos como estarão daqui a um ano, depois de divulgada no inquérito uma frase, dita pelo ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, Fábio Faria, a Daniel Vorcaro, referindo-se a um contrato do ex-banqueiro com o escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci: “O careca não pode atrasar”.
Colaborou Renato Souza
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 18 de agosto de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Nem o PL, com R$ 881,6 milhões de fundo eleitoral, terá recursos suficientes para dar a seus candidatos o teto de gastos de cada campanha. Só para deputado federal, se fosse conceder o teto a todos, o partido precisaria de R$ 1,7 bilhão para atender os seus 535 candidatos espalhados pelo país, e de outros R$ 1,1 bilhão para aqueles que vão concorrer às vagas das Assembleias Legislativas. Só para senador, 33 candidatos representariam gastos em torno de R$ 130 milhões, e governadores, R$ 126 milhões, mais do que os R$ 88 milhões que o presidenciável Flávio Bolsonaro pode gastar no primeiro turno.
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Estica e puxa/ A ideia do PL é destinar recursos a quem tiver mais chance, de forma a garantir o “retorno” do investimento. Portanto, país afora, já se vislumbra uma guerra pelos recursos disponíveis para a legenda. E esse é um dos motivos pelos quais, nesta largada, o eleitor verá pouco material distribuído. É hora de economizar para a reta final, quando o eleitor estará mais atento às campanhas.
Está nesse pé
Até aqui, tanto o ex-banqueiro Daniel Vorcaro quanto o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa tentaram fazer delação sem apontar culpabilidade de ninguém. Nem deles mesmos. E se limitaram a contar o que a Polícia já sabe.
Hora da apresentação
O PT planeja um evento para lançar oficialmente o plano de governo de Lula. O presidente deseja “palestrar” sobre os principais pontos da campanha. O presidente do PT, Edinho Silva, deu muito enfoque à questão da segurança pública ao anunciar a agenda, que, por enquanto, não tem data definida. Ronaldo Caiado (PSD) e Flávio Bolsonaro (PL) já começaram a fazer esse tipo de apresentação das propostas, inclusive o ex-governador de Goiás lança hoje seu projeto de governo voltado para a área da saúde.
Oportunidade à porta
O embaixador da Indonésia, Andhika Chrisnayudhanto, afirmou à coluna que o novo tarifaço de Donald Trump abriu uma janela de oportunidade para acordos entre o Brasil e a Asean — Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), bloco regional formado por 11 países. Hoje, segundo dia da primeira visita do secretário-geral da Asean ao Brasil, Kao Kim Hourn, é esperada a assinatura de uma série de acordos de cooperação.
Além do comércio
O bloco reúne quase 690 milhões de habitantes com especial interesse em importar proteína animal brasileira e produtos agrícolas. Além disso, há interesse na economia verde desenvolvida pelo Brasil no setor do agronegócio e na troca de experiências a respeito da resiliência da diplomacia durante o enfrentamento das sobretaxas dos Estados Unidos.
Sarney e Gutemberg
O ex-presidente e imortal da Academia Brasileira de Letras José Sarney rendeu homenagem ao jornalista Luiz Gutemberg, falecido no último domingo. “Luiz Gutemberg foi um grande escritor e jornalista, dos melhores de sua geração, contribuindo para a história política do país com seu trabalho. Foi de grande relevância sua participação na luta pela redemocratização, cujo testemunho deixou registrado como biógrafo de Ulysses Guimarães, engajado defensor da democracia, da liberdade e da visão social”, escreveu Sarney.
Amigo de vida
O ex-presidente relatou a proximidade com Gutemberg. “Seu amigo de vida inteira, convidei-o para ajudar-me no setor de imprensa do governo, principalmente no Conversa ao Pé do Rádio, no qual deu uma generosa contribuição. Era um homem correto, de grandes virtudes morais, intelectuais e profissionais, garantindo o respeito e a admiração de todos os seus contemporâneos, que reconheciam nele um profissional de grande e notável talento”, concluiu.
CURTIDAS
Semiótica de Lula/ A identidade visual da campanha do presidente Lula trouxe elementos que remetem à bandeira do Brasil. O termo “presidente” vem com fundo verde, o número “13” com amarelo e “vice Alckmin” com azul. A bandeira brasileira também está na imagem. Lula já havia deixado o vermelho meio de lado na campanha de 2022. Agora, reforça o nacionalismo.
O estado é outro/ Candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro passa parte desta curta campanha em São Paulo. Zero três chegou a anunciar em suas redes que estaria nessa segunda-feira em São José do Rio Preto (SP) para inaugurar uma “Casa Bolsonaro” com o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP).
Um suplente discreto/ Arthur Lira foi buscar seu suplente na chapa lá nos tempos de Fernando Collor de Mello. Luiz Romero Farias (PL, foto) foi secretário-geral do Ministério da Saúde nos tempos de Collor e ocupou, ainda, a Secretaria de Saúde de Maceió. Sempre foi reservado e técnico, ao contrário do irmão, PC Farias, o ex-tesoureiro de campanha de Collor, encontrado morto ao lado da namorada, Suzana Marcolino.
Com o irmão envolto em mistério/ PC Farias foi assassinado há 30 anos, dois dias antes da data marcada para depoimento à Justiça sobre os escândalos de corrupção da época do ex-presidente. Até hoje, há dúvidas sobre o assassinato de PC e de sua namorada. A tese de crime passional seguido de suicídio não foi aceita pelo júri popular.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 26 de junho de 2026, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito
Com a rejeição às propostas de delação premiada de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, as investigações da Polícia Federal passam a ocupar o centro do escândalo Master-BRB. É cada vez mais remota a possibilidade de que os dois protagonistas do maior escândalo financeiro ocorrido no Brasil saiam da condição em que se encontram.
Nesse contexto, a sequência das operações realizadas pela PF nos últimos meses sugere que não haverá distinção entre governo e oposição ao trazer à luz quem mantinha conexões com Vorcaro e PHC. De Jaques Wagner a Ciro Nogueira, passando por Flávio Bolsonaro, outros personagens podem aparecer na extensa teia de relações e a série de operações mantidas pelos executivos do Master e do BRB. Um deles é o ex-governador Ibaneis Rocha.
As investigações deverão trazer respostas a pelo menos três pontos. Primeiro: mapear o caminho do dinheiro desviado do BRB e de outras instituições, como fundos de previdência, para alimentar a ciranda financeira de Vorcaro e PHC. Segundo: qual o tamanho do estrago deixado por Paulo Henrique Costa no banco brasiliense. Terceiro: qual o grau de participação do crime organizado nas transações controladas pelo bando de Vorcaro. Até aqui, os dois protagonistas do escândalo não ofereceram nada que os investigadores considerem relevante sobre essas lacunas.
Arquivo extenso
A PF tem em mãos 40 gigas de dados do telefone do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, relatam fontes ouvidas pelo Correio. Até aqui, entretanto, as informações reunidas pelo executivo têm sido insuficientes para uma possível delação premiada avançar. Apesar de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter rejeitado a proposta de PHC ontem, a permanência dele na Papudinha indica, para advogados que acompanham o caso, que uma colaboração do cúmplice de Vorcaro no escândalo Master ainda é possível.
E o PT, hein?
A chegada de Teresa Leitão (PT-PE) na liderança do governo no Senado resolve em parte o problema do partido na casa legislativa. A substituta de Jaques Wagner foi escolhida, entre outros motivos, porque não concorre à reeleição, podendo assim se dedicar integralmente à função parlamentar. Aliados também consideram que a senadora tem um bom diálogo com todos os setores da Casa. Mas questionam: “Quem vai assumir a liderança do partido em ano tão importante?”
São Paulo é Brasil
A definição da chapa governista em São Paulo parte da premissa de que uma vitória no maior colégio eleitoral do país pode reverberar nacionalmente. A decisão de lançar Márcio França como vice de Fernando Haddad é para aumentar as porcentagens nas urnas no estado e, com isso, transferir votos para Lula.
Hora de falar dos juros I
A Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) pretende reunir parlamentares, representantes do setor produtivo e especialistas para discutir os efeitos dos juros altos e os caminhos para ampliar a competitividade do país. O seminário “Os efeitos da taxa de juros na economia brasileira” será em 2 de julho, a partir das 9h, no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados.
Hora de falar dos juros II
O foco dos debates serão os impactos do custo do crédito nos investimentos, no empreendedorismo e na geração de empregos. O evento quer discutir o papel do Congresso na construção de medidas que contribuam para fortalecer o ambiente de negócios e desenvolver a economia nacional.
Dívida pública na mira
O seminário também discutirá uma proposta para estabelecer limites para a dívida pública brasileira. A iniciativa busca construir uma proposta capaz de fortalecer a responsabilidade fiscal, ampliar a transparência das contas públicas e contribuir para a estabilidade econômica do país.
Ainda é pouco
Entidades que representam setores da economia estão preocupadas com a decisão do governo federal em deixar para um segundo momento a discussão sobre as demais faixas do Simples Nacional. O governo cumpriu a promessa ao enviar o aumento do teto dos Microempreendedores Individuais (MEI), mas a falta da atualização do Simples Nacional deixou um gosto amargo.
Simples assim
O Instituto Livre Mercado defende que a atualização é importante, mas o Simples também afeta os pequenos empreendedores. As tabelas não passam por atualização desde 2018. Somando-se a inflação, o empreendedorismo no Brasil torna-se impraticável, avaliam os representantes do setor. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), empresas do Simples Nacional foram responsáveis por 13,27 milhões de vínculos formais em 2024, cerca de 23% dos trabalhadores com carteira assinada.
Bronca nuclear
O setor de medicina nuclear protesta contra a Resolução 354/2026 da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que determinou o aumento de 24% nos preços dos radioisótopos e radiofármacos fornecidos pelo órgão a partir de 1º de agosto. A Associação Nacional de Empresas de Medicina Nuclear (ANAEMN) afirma que a medida vai encarecer exames e tratamentos. O reajuste afetará clínicas, hospitais e pacientes que dependem desses procedimentos para diagnóstico e acompanhamento de doenças como câncer e problemas cardíacos.
Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 16 de junho de 2026, por Denise Rothenburg
Embora muita gente diga que o caso Master já fez o estrago que poderia fazer na pré- campanha de Flávio Bolsonaro, o que se comenta entre quatro paredes no PL é que a tensão em cima desse tema não se dissipou. Assim como o pré-candidato à Presidência jurou lá atrás à cúpula do partido que nunca havia se encontrado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — e depois surgiu o pedido de financiamento do filme Dark Horse —, há o receio de que ele não tenha mencionado tudo o que pode aparecer. E agora não dá mais trocar de candidato. Além disso, o senador jamais aceitaria. E não há outro nome ligado a Jair Bolsonaro capaz de assumir essa missão, uma vez que os filhos do ex-presidente vivem às turras com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a única entre os parentes que teria condições políticas de ser candidata.
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Enquanto isso, na Papudinha…/ …Quem esteve na prisão que abriga o ex-presidente do BRB, Paulo Herique Costa, percebeu que ele escreve páginas e mais páginas de sua delação. Já o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, preso por causa da condenação por tentativa de golpe de Estado, continua em depressão.
Vorcaro que se prepare
No mundo da política, há muita gente dizendo que o ex-banqueiro vai repetir o caso do publicitário Marcos Valério, condenado a 37 anos de prisão como operador do esquema do mensalão. Valério ficou preso seis anos e cinco meses, em regime fechado. Depois, obteve progressão de pena, para prisão domiciliar. Em 2022, conseguiu o regime aberto.
Diferenças
Marcos Valério foi julgado e condenado. Vorcaro ainda está em prisão cautelar. Deveria ter passado por uma revisão em 4 de junho, quando completou 90 dias. Essa revisão ainda não ocorreu.
Incômodo geral
Parte dos advogados que trabalham no caso Master estão constrangidos, porque garantem que há informações vazadas atribuídas aos anexos da delação da Daniel Vorcaro que não estão nesses papéis entregues pelo ex-banqueiro. Uma dessas informações, afirmam advogados, é o caso dos R$ 155 milhões ao senador Davi Alcolumbre (União- AP). Por essas e outras é que houve uma limitação das pessoas com acesso direto ao ex-controlador do Master.
Tem que ter limite
O deputado Júlio Lopes (PP-RJ) pretende propor mudanças no regimento da Câmara para limitar o uso do Infoleg, ou seja, as votações remotas. Ele considera que não dá, por exemplo, para aprovar uma emenda constitucional sem a presença do parlamentar no Plenário. O caso está tão sério que há, inclusive, denúncias de parlamentares que deixam o celular com assessores ou parentes para registro do voto. Dia desses, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), avisou que isso dá cassação de mandato.
CURTIDAS

A guerra das camisas/ Ainda repercute a gravação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para suas redes sociais com a “amarelinha” da Seleção Brasileira de futebol. Até aqui, os bolsonaristas gostavam de colocar essa camisa como símbolo do seu segmento político. Agora, pelo jeito de Lula, isso será diferente na campanha eleitoral. Não se surpreendam se o presidente surgir com a camisa da Seleção em outras oportunidades. Esse símbolo, assim como a Bandeira e o Hino Nacional, pertence a todos os brasileiros.
Casa vazia/ Se alguém esperava movimentação no Congresso esta semana, pode desistir de passar por lá. Prova disso é que até a poderosa Frente Parlamentar do Agro (FPA) cancelou sua reunião semanal, por causa das votações remotas previstas para esses dias. Os parlamentares estão dedicados à campanha… ops, às festas juninas. Aliás, na próxima também será assim, por causa do Dia de São João e do jogo do Brasil contra a Escócia, pela Copa do Mundo, em plena quarta-feira.
Agenda cheia I/ Apesar do Congresso esvaziado, a semana política será de muitos eventos e lançamentos em Brasília. Nos seminários, o destaque vai para o 7 Brasilia Summit Lide-Correio Braziliense, amanhã, no hotel Brasília Palace, com a presença da governadora do Distrito Federal, Celina Leão.
Agenda cheia II/ Hoje tem lançamento do livro do ministro Gilmar Mendes, Estado de Direito e Jurisdição Constitucional, às 18h, no Supremo Tribunal Federal. Também amanhã, às 18h, será a vez da ex-ministra do Trabalho Dorothea Werneck (foto) lançar seu livro Aprendendo e Vivendo: uma Biografia de Histórias e Versos, com direito a bate-papo com a autora, na sede da Apex. Quinta-feira, às 18h30, no Espaço Sepúlveda Pertence do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, autografa o livro O Processo e STF: Perspectivas Constitucionais.
Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 11 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A queda dos índices de intenção de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez o governo respirar um pouco melhor, mesmo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com dificuldades de crescimento. A diferença, agora, é que os governistas esperam uma mudança em relação aos políticos, e até de uma boa parte do empresariado — conforme pode ser visto na reunião do Conselhão esta semana. Até aqui, Lula era dado por muitos partidos de centro como carta fora do baralho. Esse retorno do presidente aos 44% e a queda do filho 01 de Jair Bolsonaro para 38%, como registrado pela pesquisa Genial Quaest desta semana, tem condições de frear esse afastamento dos centristas em relação ao governo. E isso, na avaliação de aliados do presidente, ajuda ainda na retomada do diálogo no Senado, onde o Palácio do Planalto enfrentou a maior derrota até o momento — a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Se a próxima pesquisa consolidar essa presença de Lula como primeiro colocado, ele não poderá mais ser tratado com desprezo nessa fase do jogo.
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…mas não dá para relaxar/ O fato de Lula poder levar o governo em frente com um pouco mais de tranquilidade não significa que pode deitar em berço esplêndido. Os números indicam segundo turno e a campanha nem começou. A rejeição ao PT é grande e a volatilidade dos cenários é alta nessa altura do campeonato.
Juramento em falso
Flávio Bolsonaro não perde pontos só no eleitorado. O filho 01 tem perdido muito apoio no próprio partido. É que, numa reunião a portas fechadas com a cúpula do PL antes de virem a público os diálogos entre ele e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o senador jurou que não havia qualquer relação entre eles. Somente depois é que admitiu que havia pedido dinheiro ao ex-banqueiro.
Os recados do decano
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), soltou um #ficaadica para quem reclama do aumento de despesa pública sem lastro orçamentário, como o que ocorreu, ontem, com a aprovação do piso de médicos e cirurgiões dentistas na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Em postagem, o decano da Corte lembrou que o Congresso não pode criar despesas a serem suportadas por estados e municípios sem indicar a fonte de custeio.
Vem suspensão
Gilmar lembra o caso do piso nacional da enfermagem, que teve sua eficácia suspensa pelo STF justamente por não se saber de onde sairia o dinheiro. “Impor ônus financeiro uniforme, sem repasse adequado e sem atenção à realidade local, esvazia a autonomia dos entes e atinge o pacto federativo. Pior, ao invés de alcançar os objetivos pretendidos, a medida pode produzir efeitos inversos, como desemprego na própria categoria que se buscava proteger e precarização dos serviços públicos prestados à população”, advertiu.
Nada de bandeira branca
Mesmo com o pedido do governo para segurar algumas pautas que causarão rombo fiscal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não trabalha a favor do Planalto. Os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, chegaram a se reunir com ele na terça-feira, na tentativa de evitar o avanço de matérias que podem comprometer o Orçamento da União. Mas não surtiu efeito.
CURTIDAS

A conta só cresce/ Além dos projetos que aumentam despesas aprovados esta semana nas comissões, no início da noite foi aprovada a renegociação de dívidas dos produtores rurais. Falta ainda a ampliação do Fundo de Participação dos Municípios, a ser apreciada em breve.
Sinuca de bico/ O governo está encurralado no jogo que ele mesmo montou. Ao manter a urgência constitucional do projeto de lei do fim da escala 6 x 1 na Câmara dos Deputados, e travar a pauta da Casa para pressionar o Senado a votar o texto que lá se encontra, o Planalto vê agora projetos importantes paralisados. Como os que tratam da misoginia, da inteligência artificial e da destinação do crédito extraordinário do preço do petróleo devido à guerra no Golfo Pérsico.
Por falar em IA… / O relator da regulamentação da Inteligência Artificial, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB, foto), ainda não conseguiu consenso entre artistas e empresas sobre o treinamento de IA com produtos originais. Por isso, a ideia é deixar a votação para depois das eleições. É que o prazo está curto para tratar de um tema tão polêmico, ainda mais num ano eleitoral.
A torcida do Planalto/ Com a aprovação da admissibilidade da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal, e os projetos que aumentam despesa, o governo torce mesmo é para que o Congresso entre no “modo avião”, com todos voando para as campanhas eleitorais.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 10 de junho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
A contar pelo número de senadores que deseja aprovar o fim da escala 6 x 1, aqueles que pregam esperar mais para apreciar o texto terão problemas em fazer valer suas vontades. Muitos independentes já disseram que votam a favor e, para completar, as negociações para nomear logo um relator seguem quentes. Até aqui, o nome do líder do PSD no Senado, Omar Aziz (AM), tem sido considerado forte entre alguns parlamentares para relatar essa Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Aziz chegou a se reunir com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD- BA), e tinha uma reunião marcada com o presidente Davi Alcolumbre (União-AP).
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É ganha-ganha para Aziz/ O senador pelo Amazonas ganharia muito com a relatoria, uma vez que é pré-candidato ao governo do estado e amarraria os votos da bancada do partido de Gilberto Kassab em favor da proposta — diferentemente do que aconteceu na votação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).
E o MDB do DF, hein?
O presidente do partido, deputado Baleia Rossi (SP), tem dito a amigos que a Executiva Nacional caminhará no sentido de pacificar seus integrantes no Distrito Federal. Hoje, essa pacificação seria mais sedimentada com o apoio à candidatura da governadora Celina Leão (PP) à reeleição. Porém, nada disso será definido agora.
Veja bem
O MDB não quer saber de ter que custear mais uma candidatura de governador. A prioridade aqui ainda é a eleição de deputados federais e de Ibaneis Rocha senador. Porém, muita gente diz que é preciso dar tempo ao tempo para que se saiba tudo sobre a relação BRB-Master. Assim como no Rio de Janeiro, onde Cláudio Castro foi obrigado a sair de cena para se defender, é necessário esperar para ver se algo semelhante ocorrerá no DF com os candidatos aos mais variados cargos.
Subiu o sarrafo para Vorcaro
A decisão da Justiça das Bahamas, que reconheceu a liquidação do Banco Master, deixa o ex-banqueiro Daniel Vorcaro um pouquinho mais distante da delação premiada. Até aqui, o principal ponto atrativo do acordo estava calcado na devolução de dinheiro. Com as autoridades brasileiras e a equipe de liquidação do banco podendo correr atrás dos recursos lá fora, oferecer esses recursos diminui de importância.
“Vamos aprovar”
Senadores ligados ao agronegócio afirmam que votam hoje a securitização das dívidas dos produtores rurais, com ou sem acordo. Em conversas reservadas, afirmam ter votos suficientes para aprová-la no Senado. E mais: derrubam um possível veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse foi, aliás, um dos assuntos comentados nos bastidores da festa junina da Frente Parlamentar do Agro.
CURTIDAS

Pauta de todos/ Com o fim gradual dos ICMS e ISS até 2032, quando a Reforma Tributária e as leis vinculadas a ela forem implementadas, deputados tentam construir apoio para aprovar mais uma PEC sobre o tema. A ideia é permitir que estados e municípios atualizem suas legislações de incentivo à cultura e ao esporte.
E para todos/ Atualmente, essas duas áreas recebem uma parte do ICMS e do ISS em várias unidades da Federação. E se não houver previsão legal para que isso seja mantido no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), essa provisão acaba. A PEC conta com 171 assinaturas de partidos, como PT, PCdoB, PSol, PSD, PSB, PDT, Novo, Republicanos, PP, União Brasil e PL.
TCU e o Master/ No dia 17, o ministro Augusto Nardes (foto), do Tribunal de Contas da União (TCU), participa do tradicional “Café com Autoridade”, promovido pela Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig). Falará sobre governança e relações de poder em tempos de crise. O debate deve abordar o caso Master, marcado por problemas de governança, corrupção e da relação promíscua com o BRB.
Rodada de presidenciáveis/ A Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) pretende ouvir os pré-candidatos à Presidência nas próximas semanas. O primeiro será o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que estará no almoço da entidade no dia 16. O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ainda está acertando a data. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula também foram convidados, mas ainda não confirmaram presença.
Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 29 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
O acordo entre o governo federal e o GDF para salvar o Banco de Brasília é motivo para comemorar, mas quem entende do riscado afirma que todo o movimento ainda não permite colocar uma pedra sobre esse tema BRB/Master. Ainda vem por aí a possível delação de Paulo Henrique Costa, o ex-presidente da instituição, e a do ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro — que, conforme o leitor da coluna já sabe, trabalha uma nova proposta nesse sentido. Logo, a tensão política não se dissipou. Há apenas um alívio institucional, o que por si só, é considerado uma vitória.
Por falar em alívio institucional…/ Especialistas do mercado financeiro avaliam que o acordo fechado ontem, que resultará no empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao BRB, cria um precedente. “Em operações de crédito de entes federativos, o aval da União melhora a segurança para o credor, porque o Tesouro Nacional fica como garantidor. Nesse aval, a fiança é de um sindicato de bancos e contragarantias do DF, como receitas de Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE). A medida reduz risco sistêmico imediato, mas cria precedente institucional sensível ao dispensar limites fiscais ordinários e concentrar monitoramento no STF” , comentou o consultor financeiro Carlos Henrique Silva Junior. Ou seja, outros entes federados e instituições financeiras podem querer o mesmo, o que foge do rito comum.
Preço a pagar
Os partidos mais à esquerda ficaram revoltados a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) das Igrejas, que garante imunidade de impostos sobre a aquisição de bens e serviços de templos de qualquer culto. Tem muita gente apostando que essa proposta foi moeda de troca para que o Centrão não criasse problemas na votação da PEC que acabou com a escala 6×1. A esquerda foi surpreendida e votou contra. “Esse tipo de acordo eles (Centrão) não nos colocam” , reclamou o deputado Tarcísio Motta (PSol-RJ).
A Fazenda tomou um susto
Ninguém esperava que, numa sessão com votação remota, houvesse quórum para votar uma emenda constitucional, que requer 308 votos sim para ser aprovada, ainda mais numa quinta-feira. Essas sessões costumam durar no máximo duas horas. Mas, ontem, foram sete horas para garantir a aprovação nos dois turnos.
6 x 1 e o Senado
Os senadores oposicionistas começaram a se movimentar para modificar o texto do fim da escala 6 x 1 no Senado. A ideia é discutir um modelo de período de transição maior para a redução das horas trabalhadas. Esse, porém, é o plano B. O plano A da oposição é tentar emplacar a sugestão do senador Rogério Marinho (PL-RN), que prevê pagamento de salário por horas trabalhadas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhou a proposta à Comissão de Constituição e Justiça da Casa.
Melhor de três
Os deputados Carlos Jordy, Sóstenes Cavalcante e o senador Carlos Portinho estão na briga pela vaga de candidato ao Senado pelo PL do Rio de Janeiro, aberta com a desistência do ex-governador Cláudio Castro ao pleito. Portinho é líder do PL no Senado há seis anos e comandou a bancada governista durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O teste das urnas
Portinho está no páreo, embora tenha assumido o mandato porque era primeiro suplente do senador Arolde de Oliveira, que morreu na pandemia, em 2020. À coluna, Portinho afirmou: “Todos sabem que eu trabalhei o meu mandato para a minha reeleição. Fui eleito melhor senador do Brasil e estou dentro da campanha do Flávio até o pescoço para elegê-lo” .
CURTIDAS
O que vem por aí/ Crescem as apostas sobre pré-candidaturas ao Senado ficando pelo caminho, tal como ocorreu com Cláudio Castro. O prazo das convenções para oficialização das postulações só abre em 20 de julho. Tem muita tente dizendo que, se a Polícia Federal (PF) trabalhar direito, outros cairão antes disso.
E tem mais/ O receio não pega apenas nestas eleições de outubro. Mas se estenderá às mesas diretoras da Câmara e do Senado em 2027. Ou seja, a tensão continuará seja quem for presidente eleito.
E a CMO, hein?/ Quem procura saber dos parlamentares quando será instalada a Comissão Mista de Orçamento (CMO) ouve como resposta: “Pergunte ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)” . Quem já foi dessa comissão diz que a CMO só deve ser instalada após as eleições e a Lei de Diretrizes Orçamentárias será apreciada junto com a Lei Orçamentária Anual (LOA), em novembro.
Lembrança/ Após acompanhar a votação do fim da escala 6×1, o padre Júlio Lancellotti voltou à Câmara dos Deputados para entregar à deputada Erika Kokay (PT-DF) o livro Dilexi Te — Sobre o Amor para com os Pobres, do papa Leão XIV. De acordo com o padre, o documento é uma herança do papa Francisco, que começou a escrever a obra e seu sucessor resolveu compartilhar com o mundo.
Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 27 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito
Sem meios de evitar a aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara, os empresários jogam em três frentes: a primeira, tentar adiar a votação da proposta pelos deputados. A segunda é modificar o texto, ampliando a transição. E, paralelamente a esses movimentos, tentar conquistar o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que vai jogar uma no cravo e outra na ferradura, de olho na própria reeleição para presidir o Senado.
Embora a oposição aposte que o presidente do Senado não levará a Proposta de Emenda à Constituição a voto neste semestre, tem muita gente certa de que o senador pelo Amapá não vai querer ser o “o coveiro” de um tema que mobilizou a sociedade. Se a onda estiver mais favorável ao projeto, ele não vai contrariar os anseios da sociedade, especialmente, no seu estado. Mas o governo não está tão confiante. Tanto é que o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, saiu-se com essa: “Espero que Alcolumbre tenha compromisso com o povo” .
Cai o primeiro governador
Assim, os deputados e senadores se referem a Cláudio Castro e o caso Master. A avaliação geral é a de que outros virão. Especialmente, de estados que tiveram seus institutos de previdência com carteiras de investimentos vinculadas ao banco de Daniel Vorcaro. Inclua-se na conta o Distrito Federal.
Proteção aos aposentados
O líder do PSol na Câmara dos Deputados, Tarcísio Motta (RJ), apresentou um projeto apelidado de “PL Anti-Vorcaro” . A proposta tenta blindar os recursos da Previdência contra riscos do mercado financeiro. O texto determina que 80% dos recursos dos fundos de pensão sejam investidos em ativos públicos seguros, como títulos do governo e instituições financeiras públicas. E os 20% restantes poderão ser investidos na iniciativa privada, mas seguindo critérios rígidos de transparência.
E as candidaturas, hein?
Até o período de convenções partidárias, em meados de agosto, ninguém está seguro como candidato. Leia-se o caso de Aldo Rebelo no Avante comandado por João Caldas.
Alerta máximo!
Especialistas tributários estão preocupados com o efeito da Reforma Tributária na inflação de 2027. Alguns têm defendido que a maioria dos empresários não vai saber calcular a forma de aplicar preço nos produtos corretamente, e há um grande risco de tudo ficar mais caro por causa da dupla tributação: modelo antigo adicionado com modelo novo, em vez de retirar os impostos que não serão mais usados com a implementação da reforma. Por isso, acham que a inflação pode bater a casa dos 7%.
CURTIDAS

A ponta do arco-íris/ Fontes ligadas à Polícia Federal calculam que Daniel Vorcaro tenha, no mínimo, R$ 180 bilhões escondidos em algum paraíso fiscal. A suspeita foi levantada depois da oferta de R$ 60 bilhões do ex-banqueiro para tentar compensar os danos causados ao setor financeiro e, segundo a PF, “comprar” sua delação premiada.
E o Flávio, hein?/ O pré-candidato do PL ao Planalto volta dos Estados Unidos com uma foto, em pé, ao lado de Donald Trump, mas, até o fechamento desta edição, sem nenhum pronunciamento oficial por parte da Casa Branca. Agora, vai começar uma onda de versões sobre o encontro na internet, com gente, inclusive, dizendo que a foto foi montada. No mar de fake news em que o mundo vive, vale tudo.
Honra para Edinho/ O presidente do PT, Edinho Silva, recebeu, ontem, o título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro. A honra foi conferida pelo vereador Leonel de Esquerda (PT).
Pentacampeã/ A Vale é reconhecida como maior investidora do esporte no país pela quinta vez consecutiva. A empresa recebeu, nesta semana, a Comenda Incentivadora do Esporte, concedida pela Câmara dos Deputados àquelas que mais investem em esporte, via leis de incentivo. Só em 2025, a Vale investiu R$ 143,3 milhões em 171 projetos sociais esportivos. Somando esse investimento aos das empresas controladas, o valor chega a R$ 191,5 milhões para 175 projetos, desdobrados em 469 iniciativas em vários estados do país. O prêmio foi recebido por Bruno Queiroz (D), da equipe de responsabilidade social da empresa, que estava acompanhado do deputado Luís Lima (Novo-RJ) (E).


















