
Por Eduarda Esposito* — O acionista controlador do BTG, André Esteves, e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), Aloizio Mercadante, comentaram o caso do Banco Master durante participação no Fórum Esfera Guarujá neste sábado (23/5). Para Esteves, o maior rombo do sistema financeiro brasileiro só foi possível por haver uma “guerra” entre o legal e ilegal no Brasil.
“O que mais me preocupa é uma guerra entre o Brasil institucional contra o Brasil não institucional. De repente o presidente Aloizio falou que 20% do mercado de combustível ficou informal. Como é que pode acontecer isso? De repente, um banco inexpressivo criou um rombo de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), R$ 12 bilhões no BRB e R$ 4 bilhões no instituto de previdência. Como é possível?”, questionou.
O mediador Sidney Rezende questionou sr as formas de controle estavam falhas, e o acionista do BTG foi direto: “Você tem alguma dúvida? Claro. Acho que o Banco Central, e de novo qualquer um de nós, faz parte errar. Agora, essa preocupação da sociedade, isso que vejo como o nosso papel aqui, esse Brasil institucional presente, que não pode perder essa guerra”.
Papel do Banco Central
Ao completar a fala de André Esteves, o presidente do Bndes ressaltou que o caso é o maoor crime financeiro da história do país e que o Banco Central “teve uma responsabilidade direta”.
“Quem autorizou foi a direção anterior do Banco Central (Roberto Campos Neto), porque a gestão do Ilan (Goldfajn) não autorizou a compra pelo Banco Master, não autorizou o Daniel Vorcaro entrar como um banqueiro relevante no sistema. E tem dois diretores com tornozeleira eletrônica hoje. Evidente que teve omissão e conivência com o que aconteceu”, argumentou. Mercadante também lembrou que foi a gestão de Gabriel Galípolo que interviu no processo e está administrando o caso agora.
O presidente do Bndes ainda enfatizou que, situações como essa, exigiram que o BC liberasse o depósito compulsório que traz consequências para a economia do país.
“A conta cai para o sistema financeiro. Dos R$ 52 bilhões do FGC, 18% quem paga é o Bradesco, 15% é Banco do Brasil, outros 15% é Caixa Econômica Federal e assim vai a escadinha. O Banco Central tem que liberar o depósito compulsório para amortecer esse impacto, que vai contra toda a procura da política monetária de combate à inflação. Você está dando liquidez e está agravando a rolagem da dívida pública”, destacou.
Fundos e fintechs
O ex-senador ainda comentou sobre as fintechs e fundos. Para Mercadante, as fintechs foram impulsionadas sem controle algum e elas são usadas pelo crime organizado como ferramentas de lavagem de dinheiro.
“Mas não foi só ao banco Master, as fintechs, como elas foram impulsionadas, sem controle e fiscalização, é outro instrumento de lavagem de dinheiro, onde o crime se esconde. Aquelas contas balcões eram um grande instrumento de lavagem, porque é simples, você pega duas pessoas que tem um CPF e cria uma conta balcão que atrás tem o Fernandinho Beiramar, o Marcola, por exemplo, depositando isso abaixo do radar do Banco Central”, explicou.
Já na questão dos fundos, o presidente afirma que não há controle e destacaba facilidade de maquiar os dados. “O Reag (fundo ligado ao Master) é só a ponta da iceberg porque não tem controle. O sujeito bota no balanço do banco um fundo e diz quanto vale, mas não vale absolutamente nada e cria-se uma pirâmide”, disse.
Fortalecimento das instituições
Quanto a questão de fraude e corrupção dentro do Banco Central no caso Master, o presidente defende que valorizar as carreiras dos servidores é o melhor antídoto para esse problema.
“A CVM não pode continuar como está, nem o Banco Central. Tem que ter uma reestruturação, pagar bem o servidor público, ter carreira e ser valorizado. Eu proponho uma coisa simples, pega a carreira do Bndes, põe no Banco Central e na CVM, eu quero ver se essas coisas acontecem. Não acontece, porque você dá autonomia, pode e empodera o Banco Central e a CVM”, explicou.
*A repórter viajou a convite do Esfera Brasil

