O acordo sob pressão eleitoral

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 26 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

O acerto entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a validação do fim da escala 6 x 1 ainda este ano, e com uma curta transição, foi feito sob encomenda para tentar ser alterado. Mas o fator eleitoral pesará se a mudança for muito grande. Isso porque os deputados ligados aos trabalhadores e aos sindicatos estão mapeando os parlamentares relacionados ao empresariado para dizer que, se houver intervenções que possam prejudicar as folgas dos funcionários de qualquer empresa, os sindicatos pretendem estampar fotos desse pessoal como inimigos dos trabalhadores.

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Pague para ver/ Os empresários, porém, não vão desistir de colocar a visão deles a respeito do texto. A maior reclamação no momento é pela ausência de uma transição maior. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) será a primeira a defender um período maior para que a proposta entre em vigor. A ideia é respeitar ao menos o planejamento das empresas de 2026, deixando a validade para 2027.

Mandou avisar

No grupo de WhatsApp do PL, foi dito que o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (RJ) se encontrará hoje com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O partido aposta que, se o enquadramento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas sair desse encontro, a relação de Flávio e Daniel Vorcaro não vai fazer diferença para a campanha do senador ao Planalto.

Por falar em Vorcaro e Flávio…

O PL aposta que, em duas semanas, “ninguém mais vai lembrar” do áudio e mensagens vazadas nas quais Flávio cobrava o patrocínio do ex-banqueiro para o filme sobre sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Só tem um probleminha: se sair mais coisa, o impacto depois da Copa do Mundo será forte.

Muita calma nessa hora

Às vésperas do último prazo para divulgação do balanço do Banco Regional de Brasília (BRB), economistas estão dedicados a explicar o imbróglio e por que a instituição precisa ser salva. “O BRB tem função regional relevante no Distrito Federal, presença em serviços públicos e base de clientes mais ampla. O banco tem conexão operacional e política mais ampla que o Master. Uma liquidação teria efeito de confiança mais forte e impacto regional relevante”, alerta o economista e consultor financeiro empresarial Carlos Henrique Silva.

Veja bem

O economista lembra que, enquanto o Master representava apenas 0,57% dos ativos do sistema financeiro, o BRB tem uma participação muito maior. Por isso, sua liquidação causaria uma crise sistêmica.

CURTIDAS

Crédito: Reprodução TV Globo

Aposta alta/ O presidente do partido Democracia Cristã (DC), ex-deputado João Caldas, tem compartilhado diversas publicações exaltando Joaquim Barbosa, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal e relator do Mensalão, como seu candidato à Presidência. Em um deles, a frase era: “O homem certo para o Brasil virar a página”.

Cenário inalterado/ A nova rodada da pesquisa Nexus/BTG, divulgada esta semana, indica que, até aqui, a relação Flávio Vorcaro não mexeu muito no humor do eleitorado em relação ao pré-candidato do PL. A novidade é Joaquim Barbosa, que larga nas intenções de votos na casa dos 2%.

Venham para cá/ Com o XIV Forum de Lisboa, capitaneado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana que vem, Hugo Motta quer todos os deputados em Brasília esta semana para deixar o fim da escala 6 x 1 votado antes da viagem. A presença virtual ficou para junho, quando muitos deputados vão emendar o seminário com a temporada de festas juninas.

“Se você for ver o Brasil hoje à esquerda, a missão é super bemintencionada. Não se discute que a missão é nobre, mas a execução é temerária, a qualquer preço e não funciona. Se você for à direita, a missão também é nobre. Um Estado mais enxuto, livre mercado, um país mais eficiente de fato. Mas você não pode simplesmente ignorar que a gente vive num país com uma desigualdade abissal. Por que a gente não pode jogar com as duas pernas? Por que a gente não pode ter um projeto equilibrado?” Do apresentador Luciano Huck (foto), durante o Forum Esfera, no Guarujá. No passado, ele figurou como pré-candidato ao Planalto

Esteves e Mercadante alertam para a crise do Banco Master

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Crédito: Divulgação/Esfera Brasil

Por Eduarda Esposito* — O acionista controlador do BTG, André Esteves, e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), Aloizio Mercadante, comentaram o caso do Banco Master durante participação no Fórum Esfera Guarujá neste sábado (23/5). Para Esteves, o maior rombo do sistema financeiro brasileiro só foi possível por haver uma “guerra” entre o legal e ilegal no Brasil.

“O que mais me preocupa é uma guerra entre o Brasil institucional contra o Brasil não institucional. De repente o presidente Aloizio falou que 20% do mercado de combustível ficou informal. Como é que pode acontecer isso? De repente, um banco inexpressivo criou um rombo de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), R$ 12 bilhões no BRB e R$ 4 bilhões no instituto de previdência. Como é possível?”, questionou.

O mediador Sidney Rezende questionou sr as formas de controle estavam falhas, e o acionista do BTG foi direto: “Você tem alguma dúvida? Claro. Acho que o Banco Central, e de novo qualquer um de nós, faz parte errar. Agora, essa preocupação da sociedade, isso que vejo como o nosso papel aqui, esse Brasil institucional presente, que não pode perder essa guerra”.

Papel do Banco Central

Ao completar a fala de André Esteves, o presidente do Bndes ressaltou que o caso é o maoor crime financeiro da história do país e que o Banco Central “teve uma responsabilidade direta”.

“Quem autorizou foi a direção anterior do Banco Central (Roberto Campos Neto), porque a gestão do Ilan (Goldfajn) não autorizou a compra pelo Banco Master, não autorizou o Daniel Vorcaro entrar como um banqueiro relevante no sistema. E tem dois diretores com tornozeleira eletrônica hoje. Evidente que teve omissão e conivência com o que aconteceu”, argumentou. Mercadante também lembrou que foi a gestão de Gabriel Galípolo que interviu no processo e está administrando o caso agora.

O presidente do Bndes ainda enfatizou que, situações como essa, exigiram que o BC liberasse o depósito compulsório que traz consequências para a economia do país.

“A conta cai para o sistema financeiro. Dos R$ 52 bilhões do FGC, 18% quem paga é o Bradesco, 15% é Banco do Brasil, outros 15% é Caixa Econômica Federal e assim vai a escadinha. O Banco Central tem que liberar o depósito compulsório para amortecer esse impacto, que vai contra toda a procura da política monetária de combate à inflação. Você está dando liquidez e está agravando a rolagem da dívida pública”, destacou.

Fundos e fintechs

O ex-senador ainda comentou sobre as fintechs e fundos. Para Mercadante, as fintechs foram impulsionadas sem controle algum e elas são usadas pelo crime organizado como ferramentas de lavagem de dinheiro.

“Mas não foi só ao banco Master, as fintechs, como elas foram impulsionadas, sem controle e fiscalização, é outro instrumento de lavagem de dinheiro, onde o crime se esconde. Aquelas contas balcões eram um grande instrumento de lavagem, porque é simples, você pega duas pessoas que tem um CPF e cria uma conta balcão que atrás tem o Fernandinho Beiramar, o Marcola, por exemplo, depositando isso abaixo do radar do Banco Central”, explicou.

Já na questão dos fundos, o presidente afirma que não há controle e destacaba facilidade de maquiar os dados. “O Reag (fundo ligado ao Master) é só a ponta da iceberg porque não tem controle. O sujeito bota no balanço do banco um fundo e diz quanto vale, mas não vale absolutamente nada e cria-se uma pirâmide”, disse.

Fortalecimento das instituições

Quanto a questão de fraude e corrupção dentro do Banco Central no caso Master, o presidente defende que valorizar as carreiras dos servidores é o melhor antídoto para esse problema.

“A CVM não pode continuar como está, nem o Banco Central. Tem que ter uma reestruturação, pagar bem o servidor público, ter carreira e ser valorizado. Eu proponho uma coisa simples, pega a carreira do Bndes, põe no Banco Central e na CVM, eu quero ver se essas coisas acontecem. Não acontece, porque você dá autonomia, pode e empodera o Banco Central e a CVM”, explicou.

*A repórter viajou a convite do Esfera Brasil 

Marqueteiro do PL explica porque não fará a campanha de Flávio Bolsonaro

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Crédito: Eduarda Esposito

Eduarda Esposito* — O marqueteiro do Partido Liberal (PL), Duda Lima, foi direto ao dizer que não irá coordenar a campanha eleitoral do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). De acordo com Lima, a decisão foi tomada em família e que fazia um tempo desde essa escolha. “Faz um tempo que decidi que não faria mais campanha eleitoral nessa parte operacional. E essa decisão foi tomada em família, em casa. E eu não volto mais”, afirmou durante o 5º Fórum Esfera realizado nesta sexta-feira (22/5) no Guarujá (SP).

De acordo com Duda, isso não significa que estará totalmente fora da campanha do 01 de Jair Bolsonaro. Caso o PL e Flávio desejem, ele poderá oferecer seu serviço como mentor estratégico. “A decisão interna foi tomada há um tempo atrás, mas isso não significa que estarei fora de tudo. A mentoria nessa parte estratégica são coisas super importantes e tenho feito isso em alguns estados. Trabalho para o PL já faz um bom tempo, e se eu for chamado para dar alguma opinião estratégica, com certeza o farei. Mas depois de decisões tomadas, a estratégia não existe mais”, ressaltou durante a participação no painel ‘Como ler o Brasil dividido’.

Questionado se o PL o procurou para dar aconselhamento e ‘apagar o incêndio’ dos vazamentos de Flávio Bolsonaro, Duda negou na hora. “Não. Essas decisões estratégicas acontecem sempre antes. E depois que uma decisão está tomada, aí é só a operação para apagar ou para incendiar. Mas a estratégia vem antes. Essas decisões devem ser tomadas antes. E isso na campanha do Flávio eu não estou fazendo”, concluiu.

Efeito ‘Dark Horse’

Na mesma mesa, o CEO da Atlas/Intel, Andrei Roman, analisou a pesquisa realizada após o vazamento da relação entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. “Temos uma ferramenta chamada Atlas VRC que usamos para medir impacto sobre audiências de propagandas comerciais. E também aplicamos para entender o debate político, como quem ganhou o debate eleitoral numa corrida presidencial. Consideramos que, vista a repercussão desse áudio, era interessantes entender se existia alguns elementos que faziam as pessoas melhorarem ou piorarem a percepção que eles tinham sobre o Flávio”, explicou.

A Atlas então analisou o momento em que o senador falou sobre Deus, sobre a ajuda para realizar o filme e então sobre a amizade que tinha com Vorcaro. “Ele fala sobre a amizade, chama ele de irmão, irmãozinho”, pontuou. “Foi uma coleta complementar a pesquisa principal e, portanto, não houve nenhum tipo de contágio sobre o cenário, sobre os resultados que a gente mediou. Tanto é que, desde então, temos três outras pesquisas que mostram uma queda bastante relevante do Flávio Bolsonaro, maior do que é no nosso caso, como no primeiro turno de hoje no Datafolha. Resultados muito muito compatíveis”, ressaltou. O PL contestou os métodos da pesquisa realizada pela Atlas/Intel no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a divulgação do resultado do levantamento.

Roman enfatizou ainda que o orçamento do filme deixa ainda tudo mais sensível porque o ‘Dark Horse’, filme biográfico da facada de Jair Bolsonaro,  tem um orçamento maior de 15 dos últimos 20 filmes vencedores na categoria de ‘Melhor Filme’ no Oscar. “Então tem muitas questões que eu entendo que serão problemáticas para a campanha do Flávio e não é necessariamente brigando com os resultados”, defendeu.

*A repórter viajou a convite do Esfera Brasil

PL vira terra de Murici

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Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 21 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Kleber Sales

O fato de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter pedido um prazo de 30 dias para apresentar a prestação de contas a respeito do filme Dark Horse deixou muita gente no PL com a certeza de que tudo não passa de uma estratégia para “ganhar tempo” e tentar justificar todo o dinheiro recebido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A avaliação é de que se estivesse tudo certo, essa prestação teria sido apresentada na reunião desta semana, de forma a virar essa página de uma vez por todas. Se não apresentou é porque não tem os documentos, conforme avaliam muitos. E, sendo assim, vai ficar difícil a situação do pré-candidato do partido ao Palácio do Planalto.

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Em tempo: daqui a 30 dias, o país estará em período de Copa do Mundo e de consolidação das chapas estaduais — portanto, às portas da campanha eleitoral. E, nesse sentido, a ideia de muitos é cuidar da própria vida, deixando que Flávio cuide da sua defesa sobre os recursos recebidos de Vorcaro. Se o senador conseguir se explicar, terá todos os palanques à sua disposição. Se não for convincente, receberá muitas “escusas” quando for visitar os estados no período de apresentação das chapas estaduais. Afinal, sua presença, a preços de hoje, é considerada dispensável para a eleição de deputados federais e estaduais. Até segunda ordem, no PL é cada um por si.

Me liga, Celina

A reunião do MDB na casa do ex-governador Ibaneis Rocha, pré-candidato ao Senado, não é lida no plano nacional como um rompimento entre ele e a governadora Celina Leão. Os emedebistas classificam o encontro como uma forma de chamar a atenção do PP do Distrito Federal para a necessidade de acomodar Ibaneis.

“Olha eu aqui”

Em conversas reservadas, muita gente diz que Celina sequer procurou o MDB para tratar da chapa majoritária. E, nesse sentido, é preciso que ela dê alguma atenção ao partido. O que se diz nas hostes da Executiva Nacional do partido é que “até um não” pode ser conversado, desde que haja atenção e acordo. O importante é dialogar.

A difícil escolha de Lula

O projeto que reduz os limites de floresta no Pará para a construção da Ferrogrão colocou em campos opostos dois grandes aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta campanha: a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, atualmente deputada, e o ex-governador do Pará, Helder Barbalho. Marina discursou contra o texto no plenário e Helder foi lá conferir de perto a aprovação. No Planalto, o que se diz é que se a proposta passar no Senado intacta, algum veto — pelo menos em parte — virá para atender a deputada.

Três estilos

Na sabatina promovida pela Marcha dos Prefeitos com os pré-candidatos à Presidência, apenas o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), seguiu o roteiro: apresentação e respostas a perguntas escolhidas mediante sorteio. Flávio Bolsonaro (PL) fez apenas uma fala sem direito a perguntas. Ronaldo Caiado (PSD) se apresentou por 42 minutos e respondeu a apenas uma pergunta.

A bandeira deles

Flávio Bolsonaro usou fortemente o discurso da segurança pública, mas sem apresentar, de fato, um projeto de governo para o tema. Caiado falou sobre as conquistas de sua gestão em Goiás, com foco em inteligência artificial, educação e segurança pública. E Zema focou no bolso dos prefeitos ao dizer que seu governo pagou as dívidas com os municípios.

CURTIDAS

Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

Me inclui fora dessa/ O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), fez questão de ficar longe do Plenário quando a Casa votou o limite de multas a partidos políticos e ampliação de prazos para pagamento desses débitos. Ele sabia que a proposta era desgastante, mas tinha apoio das grandes agremiações partidárias.

Muita calma nessa hora/ Publicamente, o senador Cleitinho (Republicanos-MG, foto) evita dar uma opinião sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Ele justifica que irá conversar pessoalmente com o filho 01 para poder formar uma opinião. Seus aliados afirmam que, no papel de pré-candidato a governador, Cleitinho sabe que precisará dos votos bolsonaristas. Não é momento de atacar ninguém.

Enquanto isso, em São Paulo…/ Aliados do governador Tarcísio de Freitas, outro nome do Republicanos, acreditam que o caso Flávio-Vorcaro não afetará a pré-campanha à reeleição. Pelo menos, é isso que indicam os primeiros levantamentos feitos com prefeitos do interior paulista.

… e no Salão Negro do Senado…/ Nos bastidores do lançamento da coletânea de romances do presidente José Sarney, todo mundo comentava reservadamente que ainda tem muita coisa para sair a respeito da relação de Vorcaro com os políticos.

Um procurador e as palavras/ O procurador Roberto Livianu lança hoje, 19h em Brasília, seu mais novo livro, O Poder das Palavras. Ele autografará a obra no auditório Cyro dos Anjos (SEPS 706/707 Sul), onde também promove ainda uma roda de conversa com o escritor e advogado Max Telesca e os jornalistas Eliane Cantanhêde e Guilherme Waltenberg.

Flávio na montanha-russa

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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 20 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A série de versões do senador Flávio Bolsonaro sobre sua conversa com o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro deixou uma parte da bancada do PL e de legendas aliadas com dúvidas sobre a capacidade de reverter o desgaste provocado pelos contatos e os negócios entre os Bolsonaro e o ex-banqueiro. Até aqui, as explicações deixam a desejar, e a maioria não está totalmente segura de que nada mais aparecerá. Em conversas reservadas, muitos dizem que virão novos fatos sobre os negócios do senador.

Omissão até vai…/ …, mas mentira não. A bancada do PL ainda está chateada com a falta de comunicação do senador Flávio Bolsonaro sobre as negociações com Daniel Vorcaro. Os integrantes do PL avaliam que honestidade é um dos valores mais defendidos pelos conservadores e, nesse sentido, se surgir algo além do encontro já divulgado, talvez a candidatura de Flávio não suporte, porque ficará configurado que ele mentiu aos seus pares. Alguns afirmam que Flávio acertou ao falar sobre o encontro, porém só o fez depois que essa informação já estava circulando no meio político. As próximas semanas serão cruciais para saber se o parlamentar sobreviverá aos solavancos da montanha-russa.

Esqueça aliança formal

A relação exposta pelo The Intercept Brasil sobre o financiamento de Daniel Vorcaro ao filme do ex-presidente Jair Bolsonaro fragilizou o apoio do Centrão à candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto. Para o PP, por exemplo, a “crise” começou ainda na conduta de Flávio com a busca e a apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O filho do ex-presidente disse que “as acusações são gravíssimas” e soltou um “parabéns, Mendonça” . Nada disse foi bem-visto pela bancada do PP. Já há um movimento pela neutralidade em curso, ou seja, o PP não apoiar ninguém oficialmente na eleição presidencial.

É o que tem para hoje

Tem muita gente no PL reclamando de Flávio Bolsonaro e com receio de problemas, mas ninguém baterá na porta do ex-presidente Jair Bolsonaro para pedir a troca de candidato. Afinal, o melhor nome que o bolsonarismo tinha, o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não pode concorrer ao Planalto este ano, porque não se desincompatibilizou do cargo estadual.

Não tem o que fazer

Alguns parlamentares do PL estão frustrados com o desgaste de Flávio, mas Michelle Bolsonaro não é vista como uma opção, nem mesmo na ala mais moderada do partido. Sua viabilidade é defendida apenas em um nicho muito pequeno, e isso, de acordo com parlamentares, deve-se à falta de confiança do próprio Jair Bolsonaro e dos filhos na ex-primeira-dama.

E a 6 x 1, hein?

Está prevista para hoje a apresentação do relatório da proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 na comissão especial. Uma das mudanças deve ser a contagem de horas, que passaria a ser contabilizada mensalmente e não mais semanais, embora haja o desejo de manter a proporção de 40 horas. O texto também não deve definir um número máximo de horas extras. Ainda na noite de ontem, o relator, Léo Prates (Republicanos-BA), negociava com os partidos os últimos detalhes, sob a orientação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

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Crédito: Letícia Clemente/MRE

Enquanto isso, na Ásia… / O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira (foto), faz um périplo por países asiáticos em busca de novos mercados para produtos brasileiros. Lá, descobriu o interesse do Japão em importar petróleo do Brasil.

… tem jogo/ está todo mundo buscando meios de fugir do conflito e do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula o óleo que sai do Oriente Médio. A aposta é de que a guerra criará novas rotas de comércio e de produtos.

Alfinetou/ Durante sua apresentação na XXVII Marcha dos Prefeitos, o senador Flávio Bolsonaro falou sobre muitos assuntos — como economia, segurança pública e tecnologia —, mas excluiu os fatos recentes sobre o filme biográfico de seu pai, Jair Bolsonaro. Ovacionado, ele aproveitou o momento para dar uma indireta ao presidente Lula, que não marcou presença: “Um grande desrespeito não comparecer a um evento como esse” .

Nem todo mundo/ Enquanto o senador Flávio Bolsonaro citava que é empresário, advogado, esposo e pai, um dos participantes da Marcha dos Prefeitos questionou da plateia: “Rachador também?”

As chances dos outros

Publicado em Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, Flávio Bolsonaro, GOVERNO LULA, PL, Política, Senado

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 14 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Nova York — Os diálogos que indicam que o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência da República, cobrava dinheiro de Daniel Vorcaro, quando o então banqueiro dono do Banco Master já estava em rota de desgaste, assustaram os barões da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo. Em Nova York, onde muitos participam da série de eventos da Brazilian Week, vários deixaram claro que o receio de ver o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro queimado no processo eleitoral leva o grupo dos financistas a voltar as atenções especialmente para o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) — considerado o mais equilibrado dos pré-candidatos da direita. Caiado tem muitos apoios no agronegócio e deixou o governo com aprovação acima de 70%. Além disso, a última pesquisa Genial/ Quaest mostrou que, em Goiás, 76% daqueles que conhecem Caiado votam nele. Esse mesmo índice em relação a Romeu Zema (Novo) ficou em 38%, em Minas Gerais. Há uma avenida aberta para que Caiado consolide apoios entre os representantes do mercado financeiro.

Veja bem/ Até aqui, Flávio disse que não prometeu nada a Vorcaro em troca. Porém, até os mais fiéis aliados do filho 01 de Bolsonaro consideram essa justificativa insuficiente para reverter o estrago. O pré-candidato do PL terá que dar novas explicações sobre o financiamento do BRB, a juros camaradas, para comprar a mansão em Brasília e o restante de seu patrimônio.

Silêncio na sala

Muitos parlamentares do PL receberam ligações de suas bases eleitorais, preocupadas com os efeitos do vazamento da conversa entre Flávio e Vorcaro. Muitos deles, aliás, deixaram suas antigas legendas e ingressaram na legenda para concorrer a cargos — como governadores — e garantir palanque para o pré-candidato do partido. Agora, estão preocupados com o próprio futuro.

Dê um tempo

O comando do PL pediu aos seus filiados que aguardem um pouco antes de se deixar levar pelo desespero. Afinal, a campanha nem começou e é preciso aguardar todas as explicações de Flávio. O problema, porém, é que os integrantes do partido acreditam que a situação tende a piorar.

As coisas boas…

… a gente fatura. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu enxugar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da 6 x 1. O texto tratará apenas das reduções da escala, para 5 x 2, e da jornada, de 44 horas semanais para 40 horas. Assim, todos os louros da redução serão comemorados numa promulgação da PEC no Congresso.

As coisas ruins…

… a gente empurra para o governo. Tudo que for difícil será tratado no projeto de lei que o governo mandou ao Parlamento. Essa proposta vai incluir, por exemplo, a discussão de compensação, quais setores que precisam de jornadas especiais e tempo de transição. O líder do PT, Pedro Uczai (SC), disse com todas as letras em entrevista à emissora Rede Vida que não apoiará a transição. Ou seja, o projeto do governo vai tratar de coisas que o partido do presidente da Câmara não apoia.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Graças a elas/ Cientistas políticos avaliam que recuperação da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente entre as mulheres, se deve ao Desenrola 2.0. A justificativa é que elas têm sofrido mais pelo aumento do custo de vida.

É cedo para comemorar/ Os especialistas, entretanto, advertem: “Se a inflação de alimentos continuar pressionando o orçamento doméstico, parte desse ganho pode ser rapidamente neutralizado”, comentou Murilo Medeiros, cientista político da Universidade de Brasília (UnB).

Isonomia/ A isenção da taxa das blusinhas por Lula pegou a oposição de surpresa. Mas eles já têm uma estratégia para tentar dar um nó no governo: exigir que o mesmo beneficio seja dado a produtos nacionais equivalentes a US$ 50 (R$ 250,00), em especial, aqueles que não precisam de frete. Ressaltam que se isentou o internacional, tem que isentar “os de casa”. reverter o estrago. O pré-candidato do PL terá que dar novas explicações sobre o financiamento do BRB, a juros camaradas, para comprar a mansão em Brasília e o restante de seu patrimônio.

Point da vez/ A sede do QG da campanha de Flávio Bolsonaro fica em frente à casa (foto) do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Agora, depois do vazamento das mensagens, parlamentares comentam que o endereço “compartilhado” parece ser o lugar do momento em Brasília.

Em busca de um nome irrecusável

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Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 6 de maio de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Depois da rejeição de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Lula busca um nome no qual os senadores ficariam constrangidos em votar contra. O que está em alta na bolsa de apostas esta semana é o do ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas. Bruno tem laços em todos os partidos. É ligado, em especial, ao ex-presidente José Sarney e ao senador Renan Calheiros (MDB-AL). No caso de Bruno, o MDB votaria e trabalharia para aprovar, algo que não foi feito no caso de Messias.

Deu ruim/ Bruno já esteve cotado outras vezes para ministro do STF. Mas Lula sempre preferiu um nome mais ligado ao PT. Agora, ressabiado com a derrota, o presidente cogita indicar um nome mais afeito a um partido aliado. O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) é considerado carta fora desse baralho, porque seria se render ao que, desde o início, havia pedido o senador Davi Alcolumbre (União-AP). E atender Renan, que foi derrotado por Alcolumbre lá atrás, quando o senador amapaense foi candidato a presidente do Senado pela primeira vez, não seria de todo ruim para Lula em termos de um certo chega para lá no atual comandante do Senado.

Celina que lute

O fato de o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ter deixado a escandalosa compra do Master pelo BRB no colo do Distrito Federal e dito que “não dá para cobrir um rombo mal-explicado” foi um recado claro de que não haverá socorro federal. No Planalto, ninguém diz nada diferente disso. Mas, a intenção é esperar a conversa da governadora Celina Leão com o presidente Lula.

Gonet tem a força

Os investigadores podem até querer correr com a delação de Daniel Vorcaro e de Paulo Henrique Costa. Porém, há quem diga que quem tem a ampulheta para definir o tempo é o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Se ele quiser deixar para depois das eleições, não haverá muito o que fazer, anão ser cobrar celeridade.

Esse é o caminho

…Aos poucos, governo e oposição se alinham para chegara o consenso em torno da Proposta de Emenda à Constituição(PEC) sobre fim da escala 6 x 1. A palavra de ordem hoje é “compensação”, ou seja, desoneração da folha. O Poder Executivo quer proteger a contribuição previdenciária. Os opositores acenam com outros encargos, e até mesmo a possibilidade de uma linha de crédito — tese já defendida por membros da base.

… que surge

Já no setor produtivo, o que se diz é que o Congresso pode aprovar o texto, se o governo retomar a sucumbência em processos trabalhistas — princípio jurídico que obriga a parte perdedora em um processo a pagar os honorários do advogado da parte vencedora e as custas processuais —, e colocar condições especiais e melhores para terceirizados e Micro e Pequenos Empreendedores (MEI). À coluna, parlamentares já citaram a ideia de isentar os MEI e pequenas empresas para diluir os custos da redução da jornada.

Fica, Messias

Dentro do PT tem deputado defendendo que o advogado-geral da União, Jorge Messias, assuma o Ministério da Justiça. Wellington César Lima e Silva, atual ministro, não é visto com bons olhos por uma ala do Partido dos Trabalhadores. Muitos petistas não se esquecem que Wellington afirmou não ver problema em realizar um plebiscito para avaliar a redução da maioridade penal — tema que o PT é totalmente contrário. Pesa ainda o fato de César Lima não ter se mexido para ajudara indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal.

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Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

Me dê um tempo/ Messias (foto) prefere tirar um período sabático para se refazer das traições que sofreu. Afinal, as contas do governo indicavam, no mínimo, 43 votos, descontadas aqueles dos quais o Planalto tinha dúvidas. Messias obteve o “sim” de 34 senadores.

Suspense/ Até o fechamento desta edição, ainda não havia anúncio oficial do encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, em Washington. Porém, uma equipe de diplomatas trabalha nesse tema.

Câmara 200 anos/ A Câmara dos Deputados vai homenagear seus ex-presidentes em sessão solene nesta quarta-feira, 10h, para comemorar seus 200 anos. A lista é grande: Aécio Neves, Aldo Rebelo, Arlindo Chinaglia, Arthur Lira, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, João Paulo Cunha, Marco Maia, Michel Temer e Rodrigo Maia. Henrique Eduardo Alves não estará presente, porque se recupera de uma cirurgia.

Homenagens ao decano/ Marilene Carneiro Mattos, Pedro Ivo Velloso Cordeiro e Ronald Siqueira Barbosa Filho, todos com profundo conhecimento e atuação no direito, lançam hoje, 18h, na Biblioteca do STF, o livro Constitucionalismo Digital e seus Desafios — reflexões em homenagem ao ministro Gilmar Mendes.

Sarrafo mais alto para Vorcaro

Publicado em Banco Master, coluna Brasília-DF, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, EUA, Flávio Bolsonaro, Política, PP, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 17 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

A prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa tira mais um ponto da delação do ex-controlador do Master Daniel Vorcaro. Se ele quiser ter algum benefício, terá que entregar detalhes de outros figurões, sejam integrantes do Poder Judiciário, sejam do Legislativo. Não dá mais para ficar apenas no ex-comandante do BRB. Em relação a Paulo Henrique, a decisão de André Mendonça desta semana é lida por advogados como uma peça que já traz elementos suficientes para caracterizar um milionário pagamento de propina. Os investigadores querem saber a rede de fundos e empresas de fachada que abasteceram o esquema e seus beneficiários.

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Por falar em Paulo Henrique…/ Vem por aí uma pressão de pessoas próximas ao ex-presidente do BRB, para que ele siga os passos de Vorcaro e feche uma delação premiada. E que tome essa atitude antes de Daniel Monteiro, o advogado que também foi preso, depois de ajudar na ocultação de patrimônio

O silêncio de Alcolumbre

O pedido de investigação contra o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, por parte do decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, está atravessado na garganta dos senadores de oposição. Tem um grupo cobrando dia e noite um posicionamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em defesa do Parlamento. Contudo, Alcolumbre não deve falar nada sobre o episódio da CPI, para não inflamar ainda mais a tensão entre os dois Poderes.

Balança desregulada

Para alguns parlamentares governistas, tanto o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) quanto os ministros do Supremo Tribunal Federal se excederam acerca do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado. No caso do senador, pedir o indiciamento de três ministros sem uma base consistente foi considerado muito “ousado”. Quanto aos ministros, considera-se que faltou calma para esperar a votação do parecer na CPI — que liquidou o texto do relator.

Padrinho & “mui amigos”

No GDF, o que se diz hoje é que “ninguém gostava de Paulo Henrique Costa, à exceção do governador Ibaneis Rocha”. Costa se dizia o “especialista em compliance”. Até aqui, a indicação dele à presidência do Banco de Brasília é atribuída ao presidente do PP, Ciro Nogueira, conterrâneo de Ibaneis.

Dois pesos

Enquanto os bolsonaristas se juntaram para trabalhar na soltura e acompanhamento de uma possível deportação do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, o mesmo não aconteceu com a ex-deputada Carla Zambelli. Presa na Itália, ela aguarda a extradição. Eduardo Bolsonaro atuou pessoalmente para que Ramagem fosse solto e, agora, senadores aliados a ele entraram com um pedido de missão oficial aos EUA para “acompanhar a situação de cidadãos brasileiros em custódia naquele país, em especial, Alexandre Ramagem, bem como averiguar a atuação das autoridades brasileiras competentes sobre o tema”. Zambelli está a ver navios.

CURTIDAS

Crédito: Denise Rothenburg

Vorcaro e Pablo/ Nos restaurantes de Brasília, muita gente comentava essa semana que o dinheiro a rodo que Daniel Vorcaro gastava só se compara ao que fazia o chefão do narcotráfico Pablo Escobar. O colombiano não tinha mais onde colocar dinheiro e chegou a aterrar uma piscina para guardar o dinheiro do tráfico. Há muita gente suspeitando que o esquema do ex-banqueiro ia muito além do colarinho-branco.

Não confunda/ A “imobiliária” que Paulo Henrique Costa estava quase montando com imóveis recebidos do esquema de Daniel Vorcaro lembrou a muitos o caso de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras preso nos tempos da Lava Jato depois de receber um carro de luxo de propina.

Vem aí/ No aniversário de Brasília, na próxima terça-feira (21), a senadora Leila Barros (PDT) vai lançar sua pré-candidatura ao Senado na sede nacional do partido a partir das 14h30. Leila usará a data para marcar presença na disputa concorrida do DF.

A festa do Zé Eduardo/ Com seu escritório em Brasília, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo (Foto) comemorou antecipadamente seu aniversário na cidade, com a presença de amigos, numa festa surpresa. Por lá passaram advogados, familiares e amigos de longa data, como a família do ex-deputado Sigmaringa Seixas, a viúva Marina Sigmaringa, e os filhos, Luiza Sigmaringa e Guilherme Sigmaringa, atual presidente do PT do Distrito Federal. O ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e deputado federal, Paulo Teixeira (PT-SP), fez questão de marcar presença. José Eduardo completa 67 anos neste sábado,18.

Desunião Progressista

Publicado em coluna Brasília-DF, Congresso, Eleições, Política, STF

Coluna Brasília-DF publicada no sábado, 11 de abril de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

A federação entre União Brasil e Progressistas mal foi homologada e já provoca disputas pelo poder de definição de chapas nos estados. No maior colégio eleitoral do país, São Paulo, dois deputados federais e outros filiados deixaram o PP para ingressar no União Brasil e, assim, ter maioria para garantir o controle das nominatas de outubro — regra que está prevista no estatuto da federação. Com isso, o União terá o poder de decisão no diretório e mais força para definir as chapas.

Planos & brigas/ Ambiciosos, os novos integrantes do União planejam, inclusive, tomar a vaga de Guilherme Derrite (PP-SP) como candidato ao Senado na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Repubicanos). O União Brasil em São Paulo deseja substituir Derrite pelo seu mais novo filiado, Pablo Marçal, caso o ex-coach consiga reverter sua inelegibilidade na Justiça Eleitoral até agosto. A aposta é de que Marçal teria uma eleição mais fácil do que o ex-secretário de Segurança Pública do Estado.

O que Vorcaro (realmente) quer

O que mais preocupa o ex-banqueiro dono do Banco Master hoje é seu dinheiro “malocado” mundo afora. A avaliação de advogados é de que, quanto mais rápido sair a delação, mais fácil fica ele correr atrás dos bilhões guardados em fundos offshore.

Discurso padrão

Parte da bancada do União Brasil defende o presidente da sigla, Antonio Rueda, com o mesmo discurso usado pelo MDB a respeito do ex-presidente Michel Temer, após vir a público o recebimento de dinheiro do Master. Ambos não têm mandato e são advogados. Portanto, podem perfeitamente prestar serviços jurídicos. Os políticos esperam que Daniel Vorcaro esclareça a natureza da relação ao contar o que sabe aos investigadores para se livrar da tornozeleira.

Correção de rota

Nas solenidades de que participou, ontem, em municípios paulistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu mais destaque às entregas de seu governo do que a críticas aos adversários. Foi considerado um ponto positivo pelos aliados. Até aqui, muita gente reclamava que ele perdia a oportunidade de apresentar as realizações e focava mais no ataque aos rivais.

Apoio a Messias

A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) apoia a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Em um dia cheio de manifestos contrários, e até documentos ensinando a entrar em contato e cobrar de senadores da oposição o voto “não”, a Conamp foi no caminho contrário. “Messias construiu uma reputação pautada pela atuação técnica, compromisso com a Constituição e defesa das instituições democráticas, exercendo com equilíbrio e responsabilidade funções de elevada relevância jurídica”, ressalta a Conamp.

CURTIDAS

Crédito: Reprodução redes sociais

Tarja preta/ Enquanto cuidam das suas pré-campanhas nos estados, alguns deputados, senadores e outros políticos ficam com um olho em Brasília, no fechamento da delação premiada de Vorcaro. Para completar, foi fechada a delação de Maurício Camisotti (foto), no caso do desvio das aposentadorias e pensões do INSS. Tem muita gente dormindo à base de remédios.

Sonhos diferentes/ Pré-candidato do PL ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (RJ) citou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como “sonho de consumo” para vice na sua chapa. O projeto que ela acalenta é o de presidir o Senado, em 2027.

A guerra na internet/ Na eleição de 2018, os bolsonaristas reinavam nas redes sociais, com raras críticas a postagens dos Bolsonaro. Agora, em várias publicações dos filhos do ex-presidente há registros de opiniões contrárias e internautas acusando Bolsonaro de “fugir” do país quando deixou o governo.

Em ano eleitoral…/ Na próxima terça-feira, a partir das 19h na Câmara dos Deputados, será lançado o Caderno de Políticas Públicas 2026, do grupo Livres, instituição da sociedade civil que prega o liberalismo. O documento contém 170 propostas nacionais e federais para temas como segurança pública, educação, saúde, sustentabilidade, reforma do Judiciário, primeira infância, modernização do Estado e emancipação da pobreza. O embaixador e diplomata de carreira do Itamaraty Paulo Roberto de Almeida será um dos palestrantes do evento.

Deixa quieto

Publicado em 6x1, Banco Master, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, PL, Política, PSD, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 18 de março de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Com o escândalo de desvio de emendas passando da fase de investigação para a de condenação de deputados, a Comissão Mista de Orçamento sequer foi montada. Muitos deputados têm dito que não dá para montar a CMO e, daqui a pouco, os integrantes da comissão serem obrigados a deixar o colegiado, por causa de um veredicto que leve a excelência para a prisão.

Crédito: Caio Gomez

A condenação por corrução passiva dos deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), João Bosco da Costa (PL-SE) e Gildenemyr Sousa (PL-MA), conhecido como Pastor Gil, foi considerada um problema para tratar de emendas este ano. Ainda mais com o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarando com todas as letras que outros virão para fazer companhia ao trio condenado ontem. Não dá para colocar um “atacadista de emendas”, conforme definiu Dino, cuidando da CMO. Principalmente, em ano eleitoral.

Vai pesar no bolso

As tarifas das contas de luz serão revistas em abril. Parlamentares estimam que o aumento deve ser de 8% a 12%. Juntando com o aumento do diesel pela Petrobrás, de 11,6%, a oposição está rindo à toa pela fritura que o governo Lula deve passar nas próximas semanas.

Vão engolir os antigos

O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, está dividido em grupinhos. A ala mais moderada, que já estava ali antes de Bolsonaro chegar, está em desvantagem contra os “bolsonaristas raiz”, mais fortes nas redes sociais. Isso lhes dá uma vantagem na hora de conseguir votos e, principalmente, serem escolhidos como os nomes das chapas majoritárias.

Rachadura profunda

Resta aos mais antigos ter jogo de cintura e angariar apoio de outras formas, caso contrário, serão defenestrados logo ali. Há muito incômodo com o fato de o grupo bolsonarista estar ditando os rumos das alianças estaduais, abençoados pelo ex-presidente e pelo senador Flávio Bolsonaro (RJ).

Hora de dividir a conta

Parlamentares têm reclamado, tanto nos bastidores quanto em eventos abertos, sobre a falta de apoio de entidades e federações na hora de defenderem pautas controversas no Congresso. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi mais um que voltou a pedir mais presença das entidades e lembrou-se da ausência delas durante o debate do IOF. “Os setores prejudicados deveriam ter se mobilizado melhor”, disse, durante a reunião-almoço da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE).

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Crédito: Eduarda Esposito

E o Vorcaro, hein?/ Tem muita gente na política, e fora dela, dormindo à base de remédios com a história de que vem por aí uma delação recheada de fatos novos.

Corre aí/ O setor de data centers pressiona senadores em busca de apoio para que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), paute o projeto de lei que estabelece o programa tributário do setor. Como a medida provisória caducou e o projeto substituto foi aprovado na Câmara dos Deputados, as empresas têm feito seu lobby para que o Senado não deixe o tema esfriar e vote logo o texto que está acordado. O contato tem sido o senador Eduardo Gomes (PL-TO) que deverá ser o relator da matéria.

Dever cumprido/ Os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Tereza Cristina (PP-MS), mais o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), conversavam sorridentemente (foto) enquanto aguardavam a promulgação do acordo Mercosul-União Europeia, no plenário do Senado. Os três parlamentares foram peças essenciais na tramitação do acordo nas duas Casas.

Epa!/ A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), conta tanto com a reeleição que, dia desses, num evento por lá, saiu-se com esta: “O primeiro de cinco anos…” Referia-se a este ano, o último de seu mandato mais os quatro de quem for eleito em outubro.