Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 24 de julho de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

O senador Flávio Bolsonaro demorou mais de um mês para pedir desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pela desconsideração com que a tratou quando foi guindado à condição de pré-candidato do PL ao Planalto. Agora, porém, diante das inúmeras dificuldades que sua campanha atravessa, não teve saída, senão buscar a aproximação. Coincidentemente, o gesto vem no mesmo dia em que o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autoriza a abertura de inquérito para investigar o financiamento do filme Dark Horse — que levou Flávio a pedir dinheiro ao ex-controlador do Master Daniel Vorcaro. A avaliação de muita gente próxima ao senador é a de que Michelle pode ajudar em várias frentes, até no episódio do filme.
Pulinhos/ Quando o nome de André Mendonça foi aprovado para ministro do Supremo Tribunal Federal, em 2021, Michelle foi ao Senado acompanhar a votação ao lado de Mendonça. Ali, fizeram orações e comemoraram. À época, o vídeo em que Michelle aparece pulando de alegria pela aprovação do nome fez o maior sucesso nas redes sociais. Tem muita gente avaliando que se tem alguém capaz de fazer com que Mendonça dê algum alento a Flávio, é a madrasta do senador.
Nem vem
O ministro André Mendonça tem dito a amigos que suas atitudes não têm nada de deslealdade com os Bolsonaro. Ele tem feito o que foi indicado para fazer: seguir a lei e a Constituição. Nesse sentido, qualquer conversa com Michelle Bolsonaro sobre a investigação do filme Dark Horse não surtirá o efeito desejado pelos aliados de Flávio Bolsonaro.
Mais urgentes
Paralelamente à lupa que a Polícia Federal colocará sobre financiamento do filme Dark Horse, Michelle é considerada crucial para ajudar Flávio no eleitorado feminino, especialmente, no segmento evangélico. O senador está com dificuldade de conseguir mais espaço entre as igrejas pentecostais, onde Michelle fez muita campanha em 2022 em defesa da reeleição do marido.
Por falar em dificuldades…
Flávio Bolsonaro retomou as lives que o pai dele tinha o hábito de comandar. Aliás, ele tem estudado tudo o que o pai fez lá atrás para ver se consegue repetir o feito do então deputado, vitorioso em 2018. A diferença é que, naquela época, os filhos do então candidato a presidente eram desconhecidos. A receita das lives precisa de alguns ingredientes novos.
Hora de arrumar a casa
Interlocutores da campanha de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará afirmam que o pré-candidato está muito ocupado com a corrida ao Palácio da Abolição para se preocupar com a eleição nacional. De acordo com a equipe econômica de Ciro, o estado deverá ter um déficit fiscal de R$ 2,2 bilhões em 2026, considerado uma situação “dificílima de recuperar”. Já existe um plano para reduzir o número de secretarias. Quando Ciro foi governador, eram 18 pastas. Cid Gomes governou para 21. Elmano de Freitas aumentou para 39.
CURTIDAS

O agradecimento dela/ No vídeo em que aceitou o pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro agradece à governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e à senadora Damares Alves (RepublicanosDF) pelo trabalho de pacificação entre madrasta e enteado. Não citou o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Roseana e a saúde/ Recuperada do câncer, a ex-governadora, ex-senadora e ex-deputada Roseana Sarney (foto) está de volta aos palanques políticos maranhenses como candidata ao Senado. “Estou preparando uma série de projetos para a área de saúde e a luta contra o câncer”, diz ela à coluna. Roseana, que foi uma das musas do impeachment de Fernando Collor de Mello e da defesa da democracia no passado, agora se dedicará de corpo e alma a esses projetos.
Meu país, Piauí/ O senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), está totalmente em modo campanha eleitoral. Menos de 24 horas após anunciar a neutralidade da federação União Progressista no pleito nacional e depois de diversas publicações sobre entregas no estado, o senador postou um vídeo curto com a filha. Dirigindo, ainda fez dancinha, em clima de “zero” preocupação.
Para onde vai Leila/ Pré-candidato ao governo do Distrito Federal, o ex-interventor na segurança pública Ricardo Cappelli não desistiu de ter a senadora Leila Barros compondo a sua chapa como candidata à reeleição. No PDT, porém, o que se diz é que Leila deve sair alinhada ao PT. A ausência do PSB nacional na convenção do PDT esta semana e a presença em peso do PT no evento foram lidos como um sinal de que Leila sairá na chapa petista.

