Mudança dos ventos

Publicado em Banco Central, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, CPMI do INSS, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, PT, Segurança Pública, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Desde o início do caso Master, o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, tenta dinamitar o Banco Central (BC), com afirmações a respeito de uma liquidação precipitada. Agora, esse caminho está praticamente fechado. A investigação que a autoridade monetária abriu para apurar o que houve no passado, em relação à fiscalização do Banco Master, leva à direção inversa: a de que houve, sim, uma demora do BC em cumprir com a necessária supervisão. Até aqui, dois servidores que ocupavam chefias no Departamento de Supervisão Bancária (Desup) pediram afastamento dos cargos. A impressão de muitos é de que não vai parar por aí.

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Enquanto isso, no Supremo Tribunal Federal…/ Embora o ministro-relator do processo, Dias Toffoli, tenha colocado em nota oficial que “encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias” , a avaliação dentro do STF é de que esse momento está muito distante. O novelo apenas começou a ser desfeito e há muitas pontas que ainda precisam de análise detalhada dentro do processo. A tendência, inclusive, é de se esticar o prazo de 60 dias. Por enquanto, os vídeos da parte do inquérito relativa aos depoimentos de Vorcaro, do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do BC, Aílton Aquino, e da acareação entre Vorcado e PHC, darão muito o que falar com a reabertura do Congresso, na semana que vem.

“O eterno ministro”

Assim o ex-vereador Carlos Bolsonaro se referiu ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, comandante do estado que tem o segundo maior orçamento do país e carrega a economia nas costas. A frase foi vista por muitos políticos como o “rebaixamento” a que a família do ex-presidente relegou o afilhado político do ex-presidente.

Pai e filhos

Dentro do espírito de que é “melhor perder liderando do que vencer liderado” , os Bolsonaro deixam claro que o bolsonarismo não abrirá mão de continuar com os herdeiros de sangue. Seja agora ou no futuro, o papel de Tarcísio será de subordinado.

Plantão 24h

O setor de bets luta para evitar o que considera a morte das casas de apostas on-line. Com o imposto de 15% sobre o valor apostado dentro do projeto de lei antifacção, as bets dizem aos quatro ventos que não vão sobreviver. As empresas têm tentado reverter essa taxação na Câmara, que planeja votar a proposta este ano. Mesmo no período de recesso, a mobilização continuou, no sentido de espalhar a máxima de que “quem apoia mais impostos para as bets, apoia as bets piratas que pertencem ao crime organizado” . Atualmente, as casas de apostas ilegais representam 50% do setor.

O que vem por aí

Da parte do governo, haverá em breve uma página no Gov.br onde os apostadores de bets poderão conferir seus perfis. Quanto ganhou, apostou e perdeu, e quanto tempo ficou nos aplicativos apostando serão disponibilizados para os brasileiros em breve.

CURTIDAS

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

PT vai para cima/ O PT começou a agir para jogar o caso do Banco Master no colo do bolsonarismo e do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto. Pelo menos, o ministro de Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (foto), foi às redes sociais para se referir a Campos Neto como o “pai do escândalo” e ao Master como “herança maldita do bolsonarismo” .

Retorno quente/ A primeira semana de volta dos trabalhos do Legislativo vai ser marcada por embates. Um dos primeiros deve ser o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, na próxima quinta-feira. Daniel Vorcaro também foi convocado e depende de liberação do STF. A CPMI quer investigar a relação do Master com o escândalo dos descontos de pensões.

Reza forte/ Os parlamentares da Frente Católica farão uma missa de abertura dos trabalhos na segunda-feira, às 9h, no auditório Freitas Nobre, na Câmara dos Deputados. O bispo auxiliar de Brasília, dom Vicente Tavares, comandará a celebração, junto com os padres Rafael Souza, reitor do Santuário Nossa Senhora da Saúde, e Agenor Vieira, pároco da Catedral de Brasília.

Governo empurrado para uma nova CPMI

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, CPMI do INSS, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, Segurança Pública, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

O movimento que políticos do governo tentam levar adiante contra a CPMI do Banco Master perderá força tal e qual perdeu os primeiros acordes de resistência à CPMI do INSS. Lá atrás, com as citações envolvendo associações ligadas ao PT, o governo acabou defendendo a comissão parlamentar de inquérito para tentar reverter o jogo e atirar a oposição no fosso da investigação. Desta vez, a reunião do presidente Lula, em 2024, com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com direito à participação de um elenco de ministros, colocará o governo com dificuldades de segurar a apuração por parte dos congressistas.

Mais uma vez, a criação ou não da CPMI depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Até aqui, Alcolumbre tem dito a amigos que ano eleitoral dificulta instalação da CPI’s, porque fica difícil evitar a formação de um ringue entre adversários políticos, atrapalhando a pauta positiva que ele pretende empreender, escala 6X1 e segurança pública, coincidentemente, os mesmos assuntos que o governo pretende levar adiante este semestre.

Mudança de alvo

Até aqui, a parte interessada do mercado financeiro atacava o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli para tentar catapultá-lo da relatoria do caso Master. Não conseguiu. Agora, a mira se volta ao governo do presidente Lula e a reunião de 2024, pedida pelo então consultor do Master, Guido Mantega, ex-ministro de Lula e de Dilma Rousseff.

Imagem é tudo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por enquanto, se segura apenas no nome do pai e terá que mostrar que é mais do que isso, se quiser que sua pré-candidatura realmente vá além do recall bolsonarista. Entre os poderosos da indústria no país, muitos consideram que ele é um “bon vivant” , arrogante e que não se agarra no serviço da política.

Gestão conta

Muitos industriais continuam rezando por uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Acreditam que ele é mais competitivo do que Flávio e tem o que mostrar numa campanha nacional. A quinta-feira, porém, quando o governador se encontra com Jair Bolsonaro deverá marcar o fim dessas esperanças.

O que quer Bolsonaro

O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto (PL-PB), deve visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em breve. O encontro será para que Bolsonaro defina as prioridades do bloco para 2026. O maior foco, segundo o líder contou à coluna, é montar estratégias para derrubar o PT. Entre as pautas que devem receber atenção especial estão a lei Antifacção, PEC da Segurança Pública, CPMI do INSS e a derrubada do veto da dosimetria aos condenados de 8 de janeiro de 2023.

CURTIDAS

Crédito: Reprodução redes sociais

Recuperação/ O ex-presidente José Sarney publicou em suas redes sociais uma foto com a filha Roseane Sarney Murad (foto), que enfrenta uma luta contra o câncer e deve passar por uma cirurgia em breve. Recentemente, Roseane teve alta após ficar internada devido a pneumonia.

Expectativas/ O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, do PSD, entrou numa enrascada com o eleitorado quando a prefeitura colocou uma música da cantora Britney Spears, ao falar do show de Copacabana, em maio. Agora, tem gente cobrando a presença da estrela do pop internacional da seguinte forma: “Acho que se depois dessa você não confirmar a Britney, nem precisa concorrer em outubro” , respondeu um internauta à postagem de Paes sobre não saber quem será a atração deste ano. Já outros, dizem que se ele trouxer essa celebridade do mundo da música, se tornará prefeito vitalício.

Justiça por Orelha I/ Após a repercussão do crime bárbaro contra o cachorro comunitário na Praia Brava, em Santa Catarina, brasileiros criaram um abaixo-assinado para que crimes contra animais sejam enquadrados e punidos com o mesmo rigor aplicado a outros crimes violentos. Já conta com mais de 165 mil assinaturas.

Justiça por Orelha II/ Adolescentes suspeitos de torturar o cachorro terminaram “premiados” com uma viagem aos Estados Unidos e ainda não voltaram ao Brasil para que se defendam e, se culpados, assumam suas responsabilidades. É o mínimo que pessoas de bem devem fazer. Não dá para ficar vendo o Pateta e o Mickey como se nada tivesse ocorrido.

Defesa & ataque

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise diplomática, Economia, Eleições, EUA, GOVERNO LULA, Lula na ONU, Política, Politica Externa, Senado

 Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

A independência do Banco Central ganha corpo nesta largada de 2026, com a oposição e frentes parlamentares ligadas aos setores produtivo e financeiro em campo para defender o Bacen. O ano legislativo, aliás, tende a começar com pressão total por uma CPMI para investigar o Master e mostrar que os malfeitos estão no banco de Daniel Vorcaro, e não no Banco Central. À coluna, o presidente da Frente Parlamentar de Comércio e Serviços, deputado Domingos Sávio (PL-MG), por exemplo, afirmou que o que está acontecendo com o Brasil é “surpreendente e triste” e, na toada em que se encontra, com o Tribunal de Contas da União entrando nessa história, daqui a pouco vão querer punir um diretor do BC.

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Veja bem/ A oposição, desde já, está cobrando os líderes por indicações ágeis e sérias na formação da CPMI. O medo é que os partidos aliados a Vorcaro segurem a instalação demorando a definir os nomes dos membros ou indicando parlamentares a serviço do banqueiro. Bruno Spada / Câmara dos Deputados Até aqui, tem muita gente considerando esquisita essa pressão do TCU sobre o Banco Central. Ninguém se convenceu ainda de que essa interferência do Tribunal é pelo bem da Nação. Muitos políticos consideram que a atitude vai mais pelo bem de Daniel Vorcaro.

Efeito colateral

Especialistas em relações internacionais consideram que a invasão dos Estados Unidos à Venezuela torna mais difícil a negociação pelo fim da guerra na Ucrânia. “Moscou tende a interpretar essa ação como confirmação de uma postura mais intervencionista de Washington, o que endurece posições e reduz o espaço político para concessões na guerra contra a Ucrânia. As negociações não acabam formalmente, mas entram em modo de congelamento prolongado”, avalia o professor João Vitor Cândido.

Há discurso

Na visão de João Vitor Cândido, uma ameaça ao Brasil vinda dos EUA não está descartada a longo prazo, mas de outra forma: “O discurso de segurança transnacional dos EUA tende a se ampliar, especialmente no combate ao narcotráfico, crime organizado e financiamento ilícito. O risco não é militar, mas político e jurídico, com maior pressão por cooperação, enquadramentos legais mais duros e vigilância internacional. O Brasil será cobrado como ator-chave regional, não como alvo, desde que mantenha controle institucional e cooperação ativa”, disse.

Lula quer é paz

Defensor ferrenho da soberania dos países, o presidente Lula repisará esse discurso, mas buscará o diálogo com os Estados Unidos e com todas as nações. Especialmente, neste ano eleitoral. A fala de 8 de janeiro será incisiva no quesito soberania, mas, na avaliação do Planalto, não pode ser confundida com bater de frente com Donald Trump. Isso Lula não fará.

Legislativo combativo

Ainda de recesso, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, deputado Filipe Barros (PL-PR), se prepara para convocar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o assessor especial Celso Amorim, para “dar esclarecimentos quanto ao posicionamento do Poder Executivo” no Conselho de Segurança da ONU nesta semana.

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Crédito: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

Última agenda?/ Na iminência de deixar o Ministério da Justiça, o ministro Ricardo Lewandowski pretende fazer da cerimônia dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro sua última agenda oficial de governo. Fontes afirmam que Lewandowski pode deixar a pasta ainda nesta sexta-feira.

Neutralidade/ Tem um objetivo político as ausências do presidente da Câmara, Hugo Motta (foto), do Republicanos, e do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), nos atos desta quinta-feira para relembrar o 8 de Janeiro de 2023. É que ambos pretendem conquistar os votos da direita para a reeleição, em outubro. E, sabe como é, enquanto o cenário eleitoral estiver nebuloso, eles vão jogar nas duas pontas e tentar se firmar ao centro.

Aliás…/ Motta vê surgir adversários por todos os lados. No PP, tem muita gente apostando no nome do líder Doutor Luizinho (RJ) para concorrer no lugar de Hugo.

Bolsonarismo em fúria/ O acidente com o ex-presidente Jair Bolsonaro durante a madrugada de terça-feira na sala da Polícia Federal onde está preso deixou os aliados alertas e bravos. Segundo os bolsonaristas, houve boicote à saúde de Bolsonaro. “É um absurdo o que está sendo feito com o presidente”, disse à coluna o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB).

Efeito Flávio Bolsonaro

Publicado em Anistia 8 de janeiro, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Orçamento, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quinta-feira, 18 de dezembro de 2025, por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito

Crédito: Kleber Sales

Quanto mais o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentar fôlego nas pesquisas, mais os partidos de centro se aproximarão do governo Lula. Inclusive, a saída de Celso Sabino do Ministério do Turismo faz parte desse “pacote”. O cálculo que se faz nos bastidores é de que “melhor um cenário conhecido do que as incertezas dos Bolsonaro”, que obedecem a um líder que não tem uma conduta linear. Jair Bolsonaro é visto como um político de altos e baixos, imprevisível. Era assim na Presidência da República. E embora Flávio seja mais do diálogo, estará sempre sujeito à imprevisibilidade do pai.

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Tendências/ Por isso, a tendência dos partidos de centro é não formalizar coligação com filho 01. Ciente disso, já tem gente no PL defendendo que Flávio ofereça a vice a uma das legendas de centro. Alguns vislumbram a chapa Flávio-Ratinho Júnior (PSD) ou Flávio-Tereza Cristina, a líder do PP e ex-ministra da Agricultura do governo do ex-presidente.

Vem “doideira”

É assim que os deputados se referem, nos bastidores, às consequências da operação da Polícia Federal (PF) que teve como alvo o deputado Antônio Doido (MDB-PA).  O parlamentar é suspeito de desvio de emendas. O que se diz é que, se ele cair, não cairá sozinho.

Uma no cravo, outra na ferradura

O governo teve que engolir a aprovação do PL de Dosimetria das penas dos condenados do 8 de janeiro de 2023. Porém, estava tudo acertado para levar em troca o projeto de corte dos benefícios fiscais e aumento de impostos das bets e das fintechs e juros sobre capital próprio. Os deputados fecharam esse acordo, porque a arrecadação decorrente deste último é considerada crucial para aprovar o Orçamento do ano que vem.

O bordão mudou

Os deputados até aqui diziam que eram totalmente contrários ao aumento de impostos. Bastaram ameaças sobre corte em emendas, que a redução de benefícios fiscais e aumento de imposto passou. Agora, só falta o Orçamento, que deve ficar para amanhã. Hoje, vai ficar difícil, porque o relator precisará de tempo para adequar o texto.

Xepa de apostas

Os senadores pretendiam votar, ainda ontem, na última sessão do Senado de 2025, o projeto que legaliza os cassinos no Brasil. A bancada evangélica se mobilizou contrariamente.

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Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

Alcolumbre controla tudo/ Do alto da Mesa Diretora da Presidência do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) interrompeu o discurso do senador Marcelo Castro (MDB-PI) para avisar que os fotógrafos nas galerias do plenário estavam de olho nos celulares dos senadores, fotografando mensagens. “Isso é invasão de privacidade”, avisou.

Há precedente/ Há alguns anos, um deputado foi flagrado assistindo a vídeos obscenos em plena sessão da Câmara.

Efeito Kandir/ O senador Fabiano Contarato (PT-ES, foto) votou a favor da dosimetria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). “Sou totalmente contrário ao PL da Dosimetria e tudo o que ele representa. Hoje na CCJ, lutei para que o projeto fosse derrubado ou que a discussão fosse, pelo menos, adiada. No entanto, por engano, no momento da votação, registrei no aplicativo do Senado um voto diferente à minha convicção e já procurei a Presidência da CCJ para retificar no painel”, justificou à coluna.

Homenagens/ O agrônomo João Henrique Hummel, que ajudou na profissionalização da Frente Parlamentar de Agricultura e outras, foi saudado em seu aniversário de 63 anos por vários parlamentares como o fundador da FPA. Aliás, passaram pela festa de homenagem a Hummel mais deputados do que na confraternização de fim de ano da FPA.

O morde-assopra de Hugo Motta

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Crise entre os Poderes, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 10 de dezembro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Crédito: Kleber Sales

Os ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que se reuniram com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (UNião-AP), ficaram para lá de irritados com os dois, pois não foram avisados sobre a votação, esta semana, do projeto que reduz as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Agora, muitos desses ministros não têm mais dúvidas de que Motta escolheu marchar ao lado dos conservadores daqui para frente. Ainda que tenha acertado votar a proposta que reduz os benefícios fiscais, não dava para não avisar da votação do texto da dosimetria das penas.

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Quem manda/ Líderes relataram à coluna que Motta teve um momento de destempero durante a conversa sobre a proposta de dosimetria. O deputado gesticulava irritado, batia na mesa e, conforme relatos, teria dito: “É isso mesmo, vai ser assim, cansei de ser criticado sozinho. A decisão é minha e não vou voltar atrás” — frisou, ao comunicar que o projeto de dosimetria entraria na pauta. É nesse clima que os líderes se aproximam da virada do ano.

Na calada

Com o texto em mãos há mais de duas semanas, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), estudou a proposta de dosimetria de Paulinho da Força (Solidariedade-SP). A pena de Jair Bolsonaro pode ser reduzida de 27 para 20 anos com progressão para somente dois anos e três meses em regime fechado. O PL teria sido repassado, também, ao ex-presidente.

Cardápio

A dosimetria, aliás, foi pauta no jantar do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o PP e o União Brasil, na segunda-feira à noite. É a forma de a direita começar a se reaglutinar para tentar fechar uma candidatura que tenha mais poder de atração. No caso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Motor

As apostas na política são de que o contrato entre o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, servirá de combustível para a proposta da dosimetria das penas.

Aqui não

Em conversas reservadas, parlamentares relataram à coluna que o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), apelou a Motta para designar um relator que mudasse o texto do devedor contumaz e, assim, obrigasse a uma nova votação no Senado. O plano de Ciro era segurar a matéria e adiar a apreciação. Contudo, o plano não deu certo devido à megaoperação contra o grupo Refit, suspeito de sonegar impostos no setor de combustíveis.

Influência

A turma que pretendia segurar a proposta esperava que a bancada do Rio de Janeiro ajudasse nessa tarefa. Mas, ontem, estava tudo programado para aprovar o texto do senador Efraim Filho (União-PB), não correr risco de atrasos e dar uma reposta aos devedores contumazes.

CURTIDAS

Finge que não houve/ Além do corte do sinal da TV Câmara e a retirada de todos os jornalistas, fotógrafos de alguns parlamentares foram obrigados a apagar as fotos do depuitado Glauber Braga (PSol-RJ) sentado à Mesa Diretora da Câmara (foto). Mas a coluna estava lá, assim como a deputada Jack Rocha (PT-ES), que conversou com Glauber.

Faltou “equilíbrio”/ O presidente da Câmara tem repetido em todas as entrevistas a palavra “equilíbrio” para retomar as votações na Casa. Negou que tenha pedido a retirada dos jornalistas do Plenário, mas vários parlamentares e jornalistas terminaram agredidos. Há muito tempo isso não ocorria na Casa.

A internet não perdoa/ Assim que começaram a circular as imagens da confusão na Câmara, os internautas fizeram circular posts com a imagem de Motta com dizeres do tipo “traidor” — e por aí vai.

Onde mora o perigo/ A preços de hoje — e se não ajustar sua atitude —, Motta terá dificuldades de se reeleger presidente da Casa. Está difícil manter o “morde-assopra” que ele tem feito com governo e oposição. Mas essa história começará a ser construída quando o futuro presidente da República estiver eleito.

Direita em disputa

Publicado em Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Lula, Orçamento, Política, PSD, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada no domingo, 7 de dezembro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

O anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto ocorreu por dois motivos. O primeiro é que os Bolsonaro perceberam que estavam perdendo o controle do processo. Circularam conversas a respeito de uma ida dos presidentes de partido de centro ao Palácio dos Bandeirantes, convidando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a concorrer ao Planalto. Esse movimento deixaria Tarcísio como um nome de centro. E não do bolsonarismo. Os demais governadores pré-candidatos já são todos do centro — Ronaldo Caiado (GO), Romeu Zema (MG) e Ratinho Júnior (PR). Agora, o bolsonarismo volta ao ringue. E o bordão do momento no grupo familiar é “melhor perder liderando do que vencer liderado” .

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Em segundo lugar, diz-se entre os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estava reinando sozinho, sem que houvesse um adversário mais solto para fazer o contraponto. Afinal, os governadores estão ocupados. Se descuidarem-se de seus respectivos estados, fica ruim. Agora, tem um senador pré-candidato. Se será apenas esse o papel de Flávio Bolsonaro, o tempo dirá (leia as notas ao lado).

A outra disputa

O Progressistas, de Ciro Nogueira, já percebeu um movimento do PSD, de Gilberto Kassab, para tomar seu espaço e seus filiados na janela de 2026. É a vontade de controlar o centro.

O tempo do PL

Muita gente do partido diz que Flávio Bolsonaro tem até março para levantar voo. Se não conseguir, os Bolsonaro oferecerão o nome para uma vice, com o compromisso de indulto a Jair Bolsonaro e anistia.

Ou vai ou racha

Dentro da família, o que se comenta é que, com a candidatura de Flávio, chegou a hora de saber quem na política está com Jair Bolsonaro e quem apenas finge que apoia o ex-presidente.

À la PT

Até março, a briga na direita será semelhante àquela que dominou a esquerda quando Lula estava preso: um grupo queria a candidatura de um nome fora do PT e outro defendia que o partido não poderia ceder espaço. O PT não cedeu e lançou Fernando Haddad. Mesmo que fosse para perder — e foi —, os petistas manteriam seu patrimônio político.

CURTIDAS

Crédito: Divulgação

Tem jogo em solo gaúcho/ Os petistas consideram que nem tudo está perdido no Sul do país. Afinal, Lula obteve 43,6% dos votos no Rio Grande do Sul em 2022. Agora, depois das ações de governo, a avaliação é de que será possível ampliar esse percentual num segundo turno.

Boca de siri/ Mesmo convocado para prestar depoimento no STF, o que se diz no mundo jurídico é que Daniel Vorcaro (foto), o ex-controlador do Master, não pretende comparecer. Ninguém gosta de produzir provas contra si mesmo ou contra quem pode ajudar. Se for, será para ficar calado.

É Orçamento e tchau/ Com o ano eleitoral logo ali, os parlamentares planejam votar a Lei Orçamentária Anual (LOA) para sair de recesso. A tensão chegou ao ponto que não dá para votar mais nada.

Hora de leveza/ A jornalista Maria Lúcia Sigmaringa Seixas abre, nesta segunda-feira, a exposição de artes plásticas, no espaço Ivandro Cunha Lima, no Senado, às 19h. Malu Sig apresentará seus trabalhos Olhares desde o Cerrado.

Melhor que nada

Publicado em Anistia 8 de janeiro, Bolsonaro na mira, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, GOVERNO LULA, Lula, Política, Senado, STF, STF versus bolsonaristas

Coluna Brasília-DF publicada na quarta-feira, 26 de novembro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Caio Gomez

Se o presidente da Câmara, Hugo Motta, pautar o projeto do deputado Paulinho da Força sobre dosimetria da pena, os bolsonaristas vão insistir com um “destaque de preferência” ao projeto que estabelece anistia ampla, geral e irrestrita aos condenados por tentativa de golpe. Até aqui, porém, eles não conseguiram arrancar esse compromisso de Hugo Motta e tampouco têm votos para levar essa proposta adiante. A dosimetria só será aceita se a anistia for derrotada no voto. E, ainda assim, terá um gosto de derrota.

A desculpa perfeita/ Hugo Motta só pretende colocar o texto de Paulinho da Força em pauta se os deputados do PL aceitarem votar o relatório apresentado, sem modificações. Como não há esse acordo, o tema dificilmente entrará na agenda do plenário. A ânsia do PL em votar essa proposta logo é que, no ano que vem, com a eleição e outros personagens na cena, esse assunto tende a esfriar.

União versus Sabino

Ao decidir, por unanimidade, a expulsão do ministro do Turismo, Celso Sabino, do partido, o União acrescentará a devolução do mandato de deputado federal à legenda. Sinal de que a briga da cúpula do União Brasil de Antonio Rueda com o governo Lula não é teatro.

Uma festa para o horário eleitoral

O presidente Lula quer todos os movimentos sociais e de trabalhadores presentes no Palácio do Planalto hoje para a solenidade de sanção do projeto de lei que isenta de Imposto de Renda brasileiros que recebem até R$ 5 mil. Foi uma das grandes promessas de campanha que ele entrega antes de concorrer à reeleição.

Juntinhos

O encontro no Planalto, aliás, deve reunir dois adversários históricos das Alagoas: o deputado Arthur Lira (PP) e o senador Renan Calheiros (MDB). Os dois foram relatores da proposta. No entorno de Lula, há quem esteja disposto a propalar que o presidente é tão dedicado ao diálogo político que seu governo conseguiu aprovar a proposta, mesmo com dois relatores que não se bicam.

“Pela primeira vez, pessoas responsáveis por tentativas de golpe foram levadas ao Tribunal e foram condenadas. O Brasil destacou-se por ter mostrado uma grande capacidade de resistência institucional e resiliência. Uma forma nova de se apresentar ao mundo. A gente poderia estar contando a história de um golpe, como tradicionalmente ocorre na América Latina, mas estamos contando a história de que as instituições foram capazes de evitar um golpe de estado” Do ministro do STF Gilmar Mendes, durante o Forum Lide Brasil-Itália, em Roma

Uma vitória para Messias

Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), as apostas são de que o nome de Jorge Messias passará com mais de 15 votos favoráveis para ministro do Supremo Tribunal Federal. O problema é o plenário, onde a coluna identificou 38 votos a favor do indicado. O tempo é curto e será complicado conversar pessoalmente com senadores de todos os partidos (leia mais nesta coluna).

Para fechar as contas

Deputados da base do governo esperam que o projeto de corte de benefícios fiscais do governo deve ser votado hoje na Comissão e seguir para o plenário. A matéria é importante para que as contas em 2026 não fiquem no vermelho. A proposta do governo prevê um corte linear de 10% em todos as isenções fiscais.

CURTIDAS

Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Ninguém sai/ O presidente da Câmara, Hugo Motta, desistiu de encontrar o Papa Leão XIV hoje. Seus aliados dizem que não seria de bom tom largar a Presidência da Casa nas mãos do primeiro-vice-presidente, Altineu Cortês (PL-RJ). Iria parecer que Motta “fugiu” , para deixar que Cortês pautasse a anistia. E, se alguém tiver que tomar essa decisão, tem que ser o titular do cargo, num jogo combinado com os líderes.

Corra, Jorge, corra/ Geralmente, as datas das sabatinas são combinadas com os indicados, a fim de garantir um tempo para as conversas com os senadores. Alcolumbre deu a Messias (foto) uma semana e meia. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, teve dois meses para conversar.

A sina de Garnier/ Foi num quarto de final 13 — o número do PT — no Hotel Saint Paul, em Brasília, que o almirante Almir Garnier esperou para receber voz de prisão.

Sobrou/ Do núcleo crucial do que foi batizado de “trama golpista” , só o ex-ministro da Justiça Anderson Torres foi para a Papuda. À exceção de Alexandre Ramagem, que é considerado foragido, todos os demais presos estão em instalações militares, ou, no caso de Bolsonaro, na Polícia Federal.

Preso e com poder

Publicado em Anistia 8 de janeiro, Bolsonaro na mira, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, Economia, Eleições, Eleições 2026, GOVERNO LULA, Lula, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 25 de novembro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito

Crédito: Maurenilson Freire

Se algo ficou claro na reunião do PL para tratar da estratégia política depois da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi o fato de o capitão continuar com o direito de indicar o nome do partido que concorrerá ao Planalto em 2026. A avaliação é a de que o discurso de que Bolsonaro é vítima está forte no meio da população e, por mais que a onda não seja igual àquela que se formou em 2018, levando Bolsonaro à vitória nas urnas, ainda tem força suficiente para colocar um candidato no segundo turno.

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Só tem um probleminha/ Dentro do próprio PL, muitos resistem a apoiar alguém da família Bolsonaro, com receio de que se repita o cenário de 2022. Se Bolsonaro, com a máquina pública ao seu dispor, perdeu aquela eleição, quem dirá um filho ou uma ex-primeira-dama, carregando a bandeira da oposição.

O governo que lute

Vale para todas as votações importantes a nota que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, editou para dizer que o Senado “cumprirá com absoluta normalidade a prerrogativa que lhe confere a Constituição”. Alcolumbre se referia, especificamente, à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, mas outros temas seguirão na mesma toada. Significa que o senador não moverá mais seus músculos para auxiliar a gestão de Lula a guindar os projetos do PT.

Os extremos se uniram

Na lista de assinaturas da CPI do Banco Master, aliados de Bolsonaro e de Lula estão juntos. A ordem ali é tentar emparedar o centrão, que quer mandar em todos os governos.

Democracia em debate…

Ao abrir a Conferência Bilateral Brasil-Itália em Roma, o ministro decano do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes fez um alerta sobre o risco que vivem as democracias no mundo: “Há uma crise global da democracia. Polarização das extremas, discurso de ódio, ataques a minorias, à imprensa e ao Judiciário. Questionamentos sobre a lisura das eleições. Uma ofensiva sistemática contra os pilares da democracia liberal”. E completou: “As Supremas Cortes são sempre os primeiros alvos nesse roteiro já conhecido. Cabe a elas conter o autoritarismo e defender a Constituição”, comentou.

…e sob risco

Gilmar dividiu o palco com o jurista italiano Luigi Ferrajoli, que alertou sobre o perigo das facções e do crime organizado destruírem a democracia. Autor do projeto que compara as facções ao terrorismo, o deputado Danilo Forte saiu do evento disposto a promover mais debate sobre esse perigo tão presente no Brasil.

CURTIDAS

Crédito: Ed Alves/CB/DA Press

Um pote de mágoas/ Se Davi Alcolumbre está chateado com o governo, o senador Rodrigo Pacheco está mais. Nos últimos dias, tem se mostrado amuado e triste. Quem conhece Lula, porém, garante que o senador nunca foi uma opção real para a vaga de ministro do STF. “Gato escaldado”, Lula só indicará os seus.

Paranoia instalada/ Jair Bolsonaro, que sempre foi desconfiado, chegou ao ápice da mania de suspeição. Depois de tentar abrir o aparelho da tornozeleira com medo de escutas, desconfia da comida. Só come o que vem da sua casa.

Aliás…/ Em 2022, a defesa do então deputado Daniel Silveira pediu a troca da tornozeleira por causa da suspeita de escutas. O aparelho emitia sons esquisitos e vibrava.

Contagem regressiva/ O mal-estar entre o líder do PT, Lindbergh Farias, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, tem data para acabar. É que o mandato de comandante da bancada petista de Lindbergh termina no final de dezembro.

Sem “dindim” não vai

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Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 28 de outubro de 2025, por Denise Rothenburg com Eduarda Esposito 

Antes de votar qualquer matéria de interesse direto do governo — em especial, os temas fiscais incluídos na proposta que aperta o cerco contra os falsificadores de bebidas e alimentos —, os congressistas aguardam um “balanço das emendas” . Eles querem receber um detalhamento, inclusive com o cronograma de liberação das “pendências” . Há quem diga que há recursos relativos a 2023 e que, sem esse dinheiro liberado, será difícil pender a balança das votações a favor do Poder Executivo.

Crédito: Kleber Sales

E o Orçamento, hein?/ Antes de votar as medidas de cortes de gastos, não tem conta que feche a ponto de permitir que o Congresso analise a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 — e, por tabela, o Orçamento anual. Já tem muita gente dizendo que a Lei Orçamentária do ano eleitoral corre o risco de ficar para fevereiro.

Limão e limonada

A ala do PL mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro tem dito que está feliz com o encontro dos presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Conversa! O encontro separou os problemas jurídicos dos revezes políticos. Agora, com os dois governos dialogando, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem um discurso para 2026 numa seara em que não havia entrado.

Por falar em discurso…

Os bolsonaristas, porém, vão bater na tecla de que o encontro não resolveu nada. E acrescentam que estão convictos de que o diálogo com Lula melhorou a imagem de Trump no Brasil. Para o ano que vem, apostam que o presidente norte-americano deve fazer campanha para a direita, o que será positivo para ajudar os conservadores nas urnas.

Disputa

O ReData — projeto que trata dos data centers — está na fase de indicações para a comissão especial que terá a relatoria do Senado. O setor aguarda para saber quem será indicado. Houve uma tentativa de juntar o programa com o projeto de inteligência artificial, do qual o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) é relator. Mas não houve consenso a respeito na Câmara.

Dúvida cruel

O governo ainda decide se vai apresentar um texto apenas de corte de gastos ou se vai juntar tributação das bets e fintechs no embalo. Uma ala do Poder Executivo defende que seja separado, até porque o Centrão e a oposição disseram que só aprovam contenção e nada mais.

Mais rigor

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) determinou às instituições associadas que adotem políticas mais rígidas para identificar e encerrar contas laranja e de bets (empresas de apostas virtuais) que operam sem autorização do governo. A finalidade é reforçar o combate a fraudes, golpes digitais e esquemas de lavagem de dinheiro no sistema financeiro.

Abrigo ilícito

O presidente da Febraban, Isaac Sidney, entende que o sistema financeiro precisa fortalecer seus mecanismos de controle ante a explosão de golpes e ataques digitais. “Sem exceção, bancos e fintechs têm o dever de impedir a abertura e manutenção de contas fraudulentas. Contas bancárias não podem servir de abrigo para lavar o dinheiro da criminalidade” , alegou.

Adesão

A orientação da Febraban será seguida pelos maiores bancos públicos e privados do país, além de alguns bancos regionais e instituições como JP Morgan e outras.

CURTIDAS

Pule esses dias/ Com a proximidade da COP30, em Belém — de 10 a 21 de novembro —, a sessão do Congresso deve ficar para o fim do mês, de acordo com as previsões dos parlamentares. Ou seja: até lá, nem vetos, nem Orçamento.

É para votar o que mesmo?/ Até aqui, os deputados sequer sabem o que estará em votação esta semana — se projeto de lei, se medida provisória, se tem “jabuti” … O único consenso girava em torno das medidas relacionadas ao Outubro Rosa. E olhe lá.

Mulheres em ação/ O Instituto Update lança o Mapa Narrativo — Entre Nós, guia que apresenta estratégias de comunicação para aproximar mulheres de diferentes origens em torno de valores e pautas comuns. O material será lançado oficialmente no dia 29 de outubro, às 13h30, no encontro “Perspectivas das mulheres brasileiras: desafios, consensos e caminhos de diálogo” , na Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados.

Julgamentos no STF dão o tom para 2026

Publicado em Anistia 8 de janeiro, Bolsonaro na mira, Câmara dos Deputados, coluna Brasília-DF, Congresso, COP30, Economia, Eleições, GOVERNO LULA, Petrobras, Política, Senado, STF

Coluna Brasília-DF publicada na terça-feira, 14 de outubro de 2025, por Carlos Alexandre de Souza com Eduarda Esposito 

Crédito: Caio Gomez

Enquanto Brasília fervilha com a expectativa em torno da indicação do substituto do ministro Luís Roberto Barroso, o Supremo Tribunal Federal (STF) define o rito para encerrar 2025 com uma punição categórica aos envolvidos na trama golpista. Após condenar Bolsonaro e o núcleo crucial a penas que vão de 16 a 27 anos de prisão, a 1ª Turma do STF começa a julgar hoje o núcleo 4, responsável por disseminar desinformação no processo eleitoral.

No início de dezembro, o colegiado dará o veredicto para o núcleo 2. Formado por assessores com acesso ao Planalto, militares e autoridades policiais, o grupo, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, elaborou a “minuta do golpe” , tinha como missão assassinar autoridades, no plano conhecido como Punhal Verde-Amarelo, e dificultou o percurso de eleitores da Região Nordeste às seções eleitorais em 2022.

Se os ministros repetirem as severas penas que têm sido aplicadas até aqui, o STF concluirá o ano com uma duríssima resposta ao grupo político que trabalhou para impor uma ruptura institucional na democracia brasileira. Inevitavelmente, a Corte dará uma sinalização muito clara para as eleições de 2026. Os candidatos da direita serão obrigados a assumir uma posição sobre os atos antidemocráticos: contestar o Supremo, ou propor uma “nova direita” para o Brasil em 2027.

Quatro papas

O papa Leão XIV é o quarto pontífice com quem o presidente Lula se encontra ao longo de sua trajetória política. Com João Paulo II, em 1980, o petista não havia chegado à Presidência, ainda era somente líder da esquerda brasileira. Em 2007, no segundo mandato presidencial, Lula teve uma audiência com Bento XVI. Houve, ainda, dois encontros com Francisco: o primeiro em 2020, meses após deixar a prisão em Curitiba; e o segundo, em 2023, já na terceira passagem no Planalto.

Hora do troco

Caça às bruxas, retaliação, coerência partidária. Há vários nomes para qualificar as demissões de indicados políticos que têm ocorrido após o governo amargar a derrota com a MP 1.303 no Congresso. Segundo parlamentares aliados do Planalto, nada fazer seria beneficiar aqueles que recebem cargos, mas não apoiam o governo nas votações decisivas.

Efeito das ruas

Em relação ao Parlamento, os governistas aguardam se as mudanças surtirão efeito nas pautas de interesse do governo. Não está descartada a estratégia de convocar novas manifestações com o discurso “Congresso inimigo do povo” .

Dia D na Educação

Amanhã a Câmara dos Deputados promoverá o “Dia D” da Educação. A ideia é votar projetos importantes da área. O relatório do Plano Nacional da Educação (PNE) será apresentado hoje, e outras propostas devem ir a votação. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) avaliará, por exemplo, projetos sobre evasão escolar, além de vagas nos cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Mais informações no Blog da Denise.

A hora das emendas

Nesta quinta-feira, o Congresso Nacional vai analisar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. Trata-se de um debate vital entre Executivo e Legislativo. Em primeiro lugar, em razão das eleições. O relator do projeto da LDO, deputado Gervásio Maia (PSB-PB), definiu que o pagamento das emendas deve ocorre até três meses antes das eleições. Além disso, o debate orçamentário ocorre em pleno contencioso entre o Supremo e Congresso sobre a liberação de recursos pelo Orçamento da União.

Crédito: Caio Gomez

Licença vital

Outro ponto importante, na quinta-feira, é a análise dos vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental. O Planalto vetou mais de 60 dispositivos no texto aprovado pelo Legislativo. Nem todos os vetos deverão ser derrubados. Parlamentares próximos ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pretendem dar especial atenção à Licença Ambiental Especial (LAE), vetada pelo Planalto, mas reapresentada na Medida Provisória 1.308/2025, editada em agosto.

Expectativa

Alcolumbre tem notório interesse na Licença Ambiental Especial, que pode encurtar o caminho para destravar a exploração de petróleo na Margem Equatorial, com impacto direto na economia do Amapá, base eleitoral do senador. Há duas semanas, após o Ibama aprovar uma etapa do empreendimento, o senador comemorou. “(Foi) mais de uma década para que esse sonho se tornasse realidade”, disse.

Contra a devastação

Paralelamente à análise dos vetos, é grande a possibilidade de mais protestos contra o “PL da Devastação” . Setores de esquerda já alertam para a articulação de bancadas interessadas em flexibilizar a legislação ambiental.