Foto: Vanessa Carvalho/LIDE
Nova York, por Denise Rothenburg* com Eduarda Esposito — Em entrevista logo após o encerramento da 15ª edição do LIDE Brazil Investment Forum 2026, hoje em Nova York (12/5), o fundador e co-chairman do LIDE, João Doria, destacou a necessidade do Supremo Tribunal Federal (STF) fazer uma autoavaliação e corrigir rotas. “A prova de humildade só dignifica e engrandece as pessoas e instituições. Nunca vi alguém criticar o zelo, a humildade e o reconhecimento das suas próprias falhas e dos seus equívocos. O Supremo é bem povoado, eu diria, por bons juízes, por aqueles que cumprem o seu papel, mas os equívocos podem ser avaliados. As pessoas são passíveis do erro. Não pode adotar o procedimento de não perdoar os erros, o que você não pode perdoar é a sucessão dos erros. Se eu pudesse modestamente sugerir ao STF, pudesse talvez fazer um momento de retiro e uma reunião mais profunda, mesmo fora de Brasília, com os 10 ministros que lá estão”, afirmou Doria.
O ex-prefeito de São Paulo lembrou que ainda há um ministro a ser indicado e que seria necessário realizar essa reflexão de forma tranquila, equilibrada e serena pela importância que a Suprema Corte tem na sustentação da democracia do país. Doria destacou ainda a expansão do poder do Judiciário ao acabar se intrometendo em decisões políticas. “Talvez um excesso de autoridade. O Supremo, por circunstâncias políticas, acabou sendo o esteio final que quase todas as decisões, não só institucionais, mas até decisões políticas que, a meu ver, não cabem à Suprema Corte Brasileira e sim ao Congresso. Há que se respeitar, certo ou errado, a independência dos poderes. O Poder Legislativo tem a sua independência e precisa ser respeitado, assim como o Executivo e o Judiciário. Houve um excesso, ultrapassou, a meu ver, a linha daquilo que competia ao STF. Mas por consequência, não foi uma ideia, não foi uma vontade específica dos ministros do Supremo. Foram consequências, aliás, iniciadas no governo anterior (Jair Bolsonaro). Mas sempre é tempo de corrigir, melhorar e reposicionar o Supremo com a qualidade dos ministros que ele possui”, completou.
Quem também comentou a tensão entre os Poderes foi o ex-presidente Michel Temer, que defendeu a linha da pacificação e conciliação diante da radicalização que se instalou no país. “Eu tenho dito aos candidatos que falam comigo: você deveria anunciar ao povo brasileiro que no terceiro, quarto dia do seu governo vai chamar os dois Poderes, a oposição, as entidades, a sociedade civil e dizer ‘Vamos fazer um grande pacto republicano pelo país’. Depois cada um toma seu rumo lá nas eleições. Mas neste momento é preciso de oportunidade. Quem propuser esta fórmula acho que agrada uma boa parcela da população, porque percebo pelas visitas que recebo em meu escritório em São Paulo, que as pessoas estão cansadas, não da polarização, que é um embate de ideias, conceitos, projetos, mas cansados da radicalização. O que se deu no Brasil hoje foi radicalização”, defendeu.
Com um discurso mais assertivo, o deputado Ricardo Barros (PP-RS) acusou a Suprema Corte de escolher quais candidatos estarão aptos para serem votados pela população. “Este é um ano de eleição, uma reeleição é um plebiscito, ou o governo para, ou continua. O outro candidato é só o repositório da insatisfação. Então vamos enfrentar essa escolha dos brasileiros, mas o Brasil não tem sido assim. Fui relator da lei do abuso de autoridade, conseguimos resolver muitas coisas no Judiciário, mas o ativismo político do Judiciário está cada vez mais intenso e quem decide não tem sido mais o povo. Quando foi conveniente tiraram o Lula, depois devolveram o Lula, quando foi conveniente tiraram o Bolsonaro e assim o povo não pode votar em quem quer, vota em quem eles deixam”, disse. Contudo, com a posse nesta terça-feira (12/5) do ministro Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral, o parlamentar espera que tenha menos “ativismo e mais o cumprimento das leis” no pleito de outubro.
O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) também lançou críticas ao Poder Judiciário ao falar dos supersalários. Relator da reforma administrativa, que segue parada na Câmara dos Deputados, Paulo reforçou que o governo federal defendeu corrigir os andares de cima e de baixo, mas excluiu o setor público da mudança. “Temos membros do setor público em todos os entes — Executivo, Judiciário e Legislativo — que ganham muito mais do que o teto previsto na Constituição. Enfrentar esses privilégios não é simples, não é fácil. Há uma resistência gigante do setor público, mas precisamos enfrentar ou o Brasil não vai avançar. É de se indignar ver um membro do Judiciário recebendo R$ 200 mil, R$ 240 mil por mês de salários mais os famosos penduricalhos”, criticou.
*Viajou a convite do LIDE
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