Crédito: Caio Gomez
Por Eduarda Esposito — Uma pesquisa com eleitores brasileiros mostrou que 62,9% consideram utilizar Inteligência Artificial (IA) para realizar pesquisa sobre candidatos para as eleições deste ano. O levantamento foi realizado pelo Projeto Brief — plataforma de comunicação política com foco em dados e campanhas mobilizadoras. O estudo revela ainda que dentro esse percentual, 22,4% a tratariam como uma fonte útil como qualquer outra e 40,5% a consultariam, mas verificariam em outras fontes também. Os outros 23,2% preferem fontes humanas, como jornalismo e debates, e apenas 13,9% declaram não confiar em IA para informações políticas.
Para a coordenadora do projeto, Carol Luck, esses são dados preocupantes porque as IAs não são totalmente confiáveis. “As respostas geradas por IA não são 100% confiáveis — e isso é algo que as próprias plataformas sinalizam. Nem sempre fica claro de onde veio a informação, quais fontes foram consultadas ou se os dados estão atualizados. Em ano eleitoral, isso tem peso: a decisão de voto pode passar por respostas automatizadas que induzem ao erro”, alertou.
O estudo mostra que 44,3% dos brasileiros usam IA para buscar notícias ou informações, e 38,3% usam para checar se uma informação é verdadeira. Com isso, a pesquisa revela que 73,8% dos usuários de IA, no dia a dia, demonstram algum grau de abertura para recorrer à ferramenta como fonte de informação política.
O levantamento também fez a análise de identificação do conteúdo, se as pessoas conseguem distinguir o que é algo criado por IA e o que é verdadeiro. O resultado mostra que a maioria dos participantes não soube identificar o que era real ou não. No experimento audiovisual produzido por IA, 45,3% afirmaram que o conteúdo era artificial, 33% afirmaram que era original e o restante não soube diferenciar. Já com o vídeo original, 33,9% acreditou que era feito por IA, enquanto 40,7% identificaram que era original.
“Isso revela uma crise de autenticidade. Em 2026, campanhas, instituições, jornalismo e organizações civis terão de lidar com dois problemas ao mesmo tempo: conteúdos falsos circulando como reais e conteúdos reais”, comentou os produtores da pesquisa.
A dificuldade também tem idade. No grupo de 18 a 29 anos, 58,2% identificaram corretamente o vídeo fake. Entre pessoas com 61 anos ou mais, apenas 20,9% fizeram essa identificação. E na população idosa, 47% disseram que o vídeo sintético era original. “O recorte por idade mostra uma vulnerabilidade importante para públicos mais velhos, especialmente diante de conteúdos plausíveis, com personagens reconhecíveis e circulação em ambientes de confiança pessoal, como grupos de WhatsApp. Há também um alerta entre jovens. Eles detectam melhor o conteúdo sintético, mas 39% classificaram o vídeo original como IA. A suspeita pode virar excesso de desconfiança. Esse é um dos pontos mais sensíveis da pesquisa: formar pessoas para identificar manipulação exige também fortalecer critérios para reconhecer conteúdo autêntico.sendo percebidos como suspeitos”, comentou Luke.
O estudo também mostra que 71,6% dos entrevistados acreditam que a inteligência artificial pode ser usada para influenciar eleições. “A disputa eleitoral com IA também será uma disputa pela qualidade das respostas. Em um ambiente de busca conversacional, quem pergunta sobre política recebe sínteses prontas. A confiabilidade dessas respostas dependerá da qualidade das fontes, das regras das plataformas e da capacidade pública de exigir transparência”, completou.
No que se refere à fiscalização e responsabilidade pelo controle do uso de inteligência artificial na política, a maioria apontou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citado por 51,6% dos participantes. Em seguida aparecem o governo federal (42,1%), as plataformas digitais (38%), os cidadãos (24,2%) e organizações da sociedade civil (17,8%).
Realizada entre 25 e 29 de abril de 2026, com 2.483 participantes de todo o país recrutados via redes sociais, a pesquisa foi dividida em três grupos: controle (1.000), expostos ao vídeo com IA (723) e expostos ao vídeo original (760). O levantamento integra uma nova frente de análise do Projeto Brief sobre os impactos da inteligência artificial na democracia e na formação da opinião pública no Brasil. Para mais informações acesse.
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